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Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos da Tijuca no segundo ensaio técnico

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Um grande ensaio da bateria “Pura Cadência”, da Unidos da Tijuca, comandada pelo mestre Casagrande. Uma conjunção sonora de raro valor foi produzida, em um ritmo que se mostrou bastante equilibrado, além de muito bem equalizado. Essa equalização acima da média, proporcionada pela belíssima afinação de surdos, ajudou a dar impacto sonoro às paradinhas tijucanas.

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Na cabeça da bateria da Tijuca, um naipe de cuícas bem sólido ajudou a marcar, de forma ressonante, o belíssimo samba tijucano. Uma boa ala de chocalhos exibiu grande virtude sonora, tocando de forma interligada a um naipe de tamborins de nítida qualidade coletiva. Tamborins e chocalhos tijucanos exibiram uma convenção pautada pela simplicidade, destacando, com nuances rítmicas, as variações do melodioso samba do Pavão.

Na cozinha da bateria tijucana, foi percebida uma afinação preciosa de surdos, com destaque para a bela ressonância do surdo de segunda. Marcadores de primeira e de segunda foram firmes, mas, ao mesmo tempo, seguros. Um balanço envolvente dos surdos de terceira preencheu a musicalidade dos graves com requinte. Uma ala de repiques tocou de forma coesa junto de um naipe de caixas de guerra simplesmente fabuloso, cujo toque serviu de base sonora, amparando as demais peças da “Pura Cadência”.

Bossas bem vinculadas ao que o samba da Tijuca pedia foram realizadas com precisão cirúrgica. Sempre aproveitando as variações melódicas para consolidar seu ritmo, os arranjos apresentaram pressão sonora, graças à afinação de surdos acima da média, sem contar a boa utilização dos diferentes timbres durante as bossas. Um acerto musical envolvendo, principalmente, bom gosto: uma criação conceitual que soube valorizar a obra da escola e ajudar a impulsionar a comunidade.

Uma grande apresentação da bateria da Unidos da Tijuca, dirigida pelo mestre Casagrande. Um ritmo tradicional, com bossas funcionais, contendo pressão e deixando claras as diferenças de timbres, foi exibido. Uma bateria “Pura Cadência” da Tijuca beirando a excelência, mostrando-se pronta para brigar pela pontuação máxima no próximo Carnaval.

Com samba leve e evolução solta, Jucutuquara faz desfile de alma e identidade

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“Ela é Maria, Mariá…”. Maria Padilha incorporou na Unidos de Jucutuquara e levou a tradicional escola da Coruja a realizar um delicioso desfile de carnaval. Os componentes flutuaram no Sambão do Povo com o samba de Rafael Mikaiá e parceiros. O canto alegre e a evolução solta, cheia de representação, mostraram a força de uma agremiação feliz por ter se reencontrado com sua própria alegria.

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A comissão de frente, assinada por Márcia Cruz, abriu mão de elementos cenográficos e apostou no carisma de suas dançarinas, dentro da representação clássica da homenageada. Arrancou aplausos.

A bateria dos mestres Yan Corrêa e Ed Wisley ainda apresentou pequenas falhas na execução de alguns naipes, mas se mostrou bem ensaiada e com marcações firmes.

O visual não comprometeu, mas passou longe de ser o ponto forte do desfile. O desenvolvimento do enredo nas fantasias ficou um pouco repetitivo, porém bem executado.

O desfile do reencontro para a nação Jucutuquara.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mangueira no segundo ensaio técnico

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Um ensaio técnico excepcional da Ala de Bateria da Estação Primeira de Mangueira, sob o comando dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Um ritmo com andamento confortável, equalização privilegiada de timbres e uma brilhante conjunção sonora foi exibido. Com paradinhas requintadas e repletas de bom gosto, é possível dizer que a bateria ajudou a impulsionar o samba-enredo e os componentes da escola do Morro de Mangueira.

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Na cabeça da bateria da Verde e Rosa, uma ala de xequerês ajudou a dar leveza à parte frontal do ritmo. Cuícas seguras e sólidas ajudaram a marcar o samba mangueirense com exatidão. Um naipe de ganzás, com boa ressonância, tocou de forma interligada a uma ala de tamborins extremamente acima da média. Os tamborins executaram um desenho rítmico complexo e de difícil execução com maestria, parecendo um só instrumento por toda a pista, evidenciando um trabalho coletivo de qualidade primorosa. Agogôs de duas campanas (bocas) também deram sua contribuição no preenchimento musical das peças leves, inclusive participando de forma bastante musical em bossas.

Na cozinha da bateria mangueirense, foi notada uma pesada e potente afinação de surdos. Os marcadores de primeira tocaram com firmeza e bastante segurança. O surdo mor ficou responsável por um balanço simplesmente espetacular, deixando claro o trabalho brilhante envolvendo os graves. Repiques tecnicamente acima da média tocaram junto de um naipe de caixas de guerra simplesmente deslumbrante, com a tradicional batida rufada brilhando em um toque uníssono. Nas laterais e nos fundos da bateria vieram os marabaixos, que iam até o corredor do ritmo para momentos de bossas, sendo uma delas com sua luxuosa participação. Na primeira fila da parte de trás da bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, um naipe de timbales exibiu um trabalho magistral, tanto na sustentação do ritmo quanto nas participações pra lá de especiais em bossas.

Bossas bem vinculadas à canção mangueirense foram exibidas com classe e extrema categoria. Uma criação musical com escolhas de muito bom gosto, todas pautadas pelas nuances da melodia do samba da Mangueira, consolidou o ritmo dos arranjos. Totalmente fora da curva, a bossa envolvendo os marabaixos contou com uma retomada muito bem pontuada, feita pelos ritmistas com o instrumento. As conversas rítmicas dos arranjos esbanjaram musicalidade dançante, impulsionando o desfilante e auxiliando a escola com um conceito criativo que valorizou o samba-enredo.

Uma apresentação fenomenal da bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, da Estação Primeira de Mangueira, dirigida pelos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Um ritmo potente, com andamento confortável e bela fluência entre os mais diversos naipes.

Acompanhar a bateria da Mangueira de perto, hoje em dia, é ter uma grande chance de contemplar uma verdadeira experiência sensorial. Um ensaio para acreditar em uma apresentação que arrebate julgadores com pontuação máxima no desfile oficial e, quiçá, busque premiações, diante de um trabalho impecável em todas as peças.

Novo Império aposta na força do canto e na evolução para compensar falhas visuais

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O Novo Império mostrou a tradição de seus 70 anos e pisou forte no Sambão do Povo, elevando o nível do desfile. Com o enredo “Arauanayê: guardiãs dos mistérios ancestrais”, do carnavalesco Osvaldo Garcia, a vizinha do Sambão do Povo teve problemas com fantasias inacabadas em uma ala e também na bateria, mas fez uma apresentação vibrante e compacta, que deve render boas notas em harmonia e evolução.

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O destaque, mais uma vez, foi o intérprete Danilo Cezar, que deu um show de canto, carisma e comunicação. Ele entoou um bonito samba de Júnior Fionda, Tem-Tem Jr. e Arlindinho Cruz, que explodiu no refrão e emocionou nos primeiros versos, mas destoou ao deslocar a sílaba tônica da palavra “cristal”.

A porta-bandeira Alana Marques teve muitos problemas com o vento no primeiro módulo de julgamento e não conseguiu impedir que seu pavilhão enrolasse no mastro. Mas ela e seu parceiro, Wesckley Black, se recuperaram e fizeram uma bonita apresentação no segundo módulo. A comissão de frente não chegou a se destacar, embora não tenha cometido erros aparentes.

O conjunto alegórico estava volumoso e representativo, mas apresentou alguns problemas de acabamento.

Não foi um desfile para título, mas a escola superou o que mostrou no ano anterior.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

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Entre acertos e falhas, Pega no Samba abre os desfiles de Vitória mirando a permanência

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A vice-campeã do Grupo de Acesso em 2025 abriu os desfiles de Vitória com o enredo “Oke Caboclo Sete Flechas”, do carnavalesco Jorge Mayko, que também é o coreógrafo da comissão de frente da agremiação do bairro Consolação.

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A escola já cantava seu samba havia alguns minutos quando seus primeiros componentes pisaram na pista, devido a um atraso na chegada do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luan Gomes e Grazi Cardoso.

Passado o contratempo, a escola fez um desfile com o objetivo de permanecer no grupo. Apresentou alas quase sempre simples, mas representativas do enredo. A bateria “Locomotiva” executou várias bossas com muita firmeza, mas ainda precisa trabalhar a sincronia de suas caixas de guerra.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

As alegorias estavam corretas, embora sem grande brilho na execução. Os componentes cantaram com alegria os principais trechos do samba, mas não houve um canto uníssono de toda a letra.

A maior dificuldade, entretanto, foi a evolução: muito irregular, com acelerações e paradas, abrindo alguns buracos em frente às cabines dos jurados.

Sem maiores intercorrências, a Pega no Samba teve a dificuldade de desfilar para o pequeno público presente no Sambão do Povo na abertura da noite.

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Mocidade no segundo ensaio técnico

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Um ótimo ensaio técnico da bateria “Não Existe Mais Quente”, da Mocidade Independente de Padre Miguel, sob o comando do mestre Dudu. Um andamento bem confortável propiciou uma boa conjugação sonora dos mais diversos naipes, com suas levadas peculiares, além de execuções firmes nas paradinhas. Impressionante o casamento musical íntimo entre a criação conceitual rítmica e a melodiosa obra da Mocidade. Os belos arranjos ajudaram a impulsionar o samba da escola.

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Na parte da frente do ritmo da “NEMQ”, uma ala de cuícas segura tocou junto a uma boa ala de agogôs de duas campanas (bocas), dando brilho sonoro às peças leves. Uma ala de tamborins, dotada de técnica coletiva apurada, tocou entrelaçada a um naipe de chocalhos absolutamente competente. Os chocalhos, com sua típica subida cascavel, adicionaram requinte à sonoridade da cabeça do ritmo nas retomadas das bossas. É possível dizer, inclusive, que o belo casamento musical entre tamborins e chocalhos foi um dos pontos altos do ritmo independente, com um carreteiro brilhantemente encaixado entre ambos.

Na cozinha da bateria Independente, a tradicional afinação invertida de surdos mostrou seu resultado prático, junto a marcadores de primeira e segunda firmes e bem precisos. O balanço bastante envolvente dos surdos de terceira evidenciou o grande trabalho dos graves da Estrela Guia. Repiques altamente técnicos se uniram a um naipe de caixas bem tocado, com seu jeito swingado, graças à acentuação na “mão fraca”. Uma sonoridade profundamente vinculada à musicalidade independente, com sua levada tradicional e peculiar servindo de base para esse grande trabalho da parte de trás do ritmo.

Um leque de bossas dançante e impactante foi exibido, sempre seguindo as variações do melodioso samba da verde e branca da Zona Oeste para consolidar os arranjos. Simplesmente fabulosa a paradinha do estribilho, deixando claro o nítido bom gosto em uma criação musical bem vinculada à obra da escola de Padre Miguel. Muito bom o encaixe musical dos arranjos com o samba-enredo da Mocidade, evidenciando um conceito criativo que valorizou o samba com boas conversas rítmicas.

Uma ótima apresentação da bateria “NEMQ” da Mocidade Independente, dirigida pelo mestre Dudu. Um ritmo com profundo encaixe musical, com um leque de bossas que valorizou o samba-enredo, foi exibido. Graças ao andamento confortável, as execuções das paradinhas foram impecáveis. O conceito criativo musical de deixar a obra da escola dançante para o componente funcionou de forma prática, além de provocar interação com o público, com arranjos tão bem casados com a obra independente. Uma apresentação segura, equilibrada e consistente, mostrando uma bateria da Mocidade no rumo certo para mais um grande carnaval, sonhando com a nota máxima.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Acadêmicos de Niterói no segundo ensaio técnico

Um bom ensaio técnico da “Cadência de Niterói”, no ano de estreia do mestre Branco Ribeiro. Um ritmo com andamento mais confortável foi apresentado. Isso ocasionou diretamente uma melhor exibição do conjunto de bossas, hoje mais afiadas e precisas, evidenciando o bom ensaio da bateria da Niterói.

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Na cabeça da “Cadência de Niterói”, uma ala de cuícas sólida ajudou a marcar o samba, dando brilho sonoro à parte da frente do ritmo. Um bom naipe de chocalhos executou um desenho rítmico simples, com eficácia e segurança. Uma ala de tamborins, com qualidade coletiva, exibiu uma convenção rítmica pautada pela simplicidade, baseando-se nas nuances melódicas para consolidar seu toque. O entrosamento entre os toques de chocalhos e tamborins foi o ponto alto das peças leves, incluindo um bom carreteiro.

Na parte de trás do ritmo da Niterói, uma boa afinação de surdos ajudou os marcadores de primeira e segunda a realizarem um trabalho com firmeza e segurança. O balanço bem envolvente dos surdos de terceira, tanto no ritmo quanto nas bossas, auxiliou no bom trabalho envolvendo os graves. Repiques coesos tocaram junto a um naipe de caixas com solidez coletiva.

Bossas e nuances rítmicas eram pautadas pela melodia do samba, sempre se aproveitando da pressão sonora dos surdos, além da diferença entre os timbres das afinações. Em um movimento que pretende ter interação popular durante o desfile, os ritmistas se abaixavam, subindo junto a tapas progressivos para a realização da mais extensa conversa rítmica antes do refrão do meio. Pode-se dizer que as execuções foram superiores às da semana passada, muito por causa do andamento apresentado, mais confortável para a realização dos arranjos.

Uma boa apresentação da bateria da Acadêmicos de Niterói, sob o comando do estreante mestre Branco Ribeiro. Uma “Cadência de Niterói” mais ajustada e com andamento que permitiu melhor aproveitamento na execução dos arranjos propostos. Um bom ensaio da “Cadência”, demonstrando evolução na reta final visando o desfile oficial, além de ter encontrado o andamento mais apropriado e confortável para a melhor execução possível de suas paradinhas.

Série Barracões: Beija-Flor mergulha na tradição do Bembé do Mercado em busca do bicampeonato

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Atual campeã do Carnaval carioca, a Beija-Flor de Nilópolis vai trazer o Recôncavo Baiano para a Sapucaí em 2026. Ao levar o Bembé do Mercado como enredo, a Soberana mostra o caminho que a celebração percorre ao cruzar a cidade de Santo Amaro em todo 13 de maio, com a participação de todos os terreiros naquele que é declarado o maior candomblé de rua do mundo e que vai muito além de uma celebração religiosa, envolvendo também a cultura da região em seus festejos.

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Com 3.200 componentes e seis alegorias, é com a assinatura de João Vitor Araújo que a Azul e Branca de Nilópolis levará o “Bembé” para a Avenida, com muito orgulho de jogar luz sobre toda essa festa. Ao CARNAVALESCO, João, em seu terceiro carnaval na escola, percorreu a origem da ideia do enredo, explicando como toda a manifestação do Bembé foi chegando a ele, ao presidente Almir Reis, ao enredista Bruno Laurato, entre outras pessoas, até se consolidar como o momento de levar a proposta para a Avenida.

“A princípio, eu entendia que o Bembé era um enredo muito sério para sair por aí apresentando. Acreditava que era uma história que certamente tinha uma liderança por trás. Tivemos exemplos de enredos anteriores com problemas em relação à autorização, porque eu acreditava que se tratava de uma festa, de uma celebração cheia de fundamentos. Então, até que ponto eu poderia falar desses fundamentos? Por isso, para não ficar um enredo muito raso, eu não coloquei o Bembé no topo da prateleira, mais por cautela. Ele ficou guardadinho, meio que como coadjuvante diante dos outros e, de uma hora para outra, começou a ganhar um protagonismo muito forte — e hoje é a realidade da Beija-Flor de Nilópolis, com um grande samba, um grande enredo, uma comunidade que se identifica com o tema. A intenção era essa: trazer um enredo de identidade, que o nilopolitano pudesse ler e se sentir parte daquela história.”

O artista prosseguiu falando sobre a pesquisa para o enredo, realizada em parceria com os enredistas, destacando a oportunidade de vivenciar o Bembé no 13 de maio e de percorrer todos os terreiros que fazem parte dos festejos. Segundo ele, foi necessário selecionar cuidadosamente o que entraria no que a Beija-Flor apresentará na Avenida, diante da grande quantidade de histórias e depoimentos ouvidos durante a estadia em Santo Amaro.

“Visitamos todos os terreiros. Imagina você andar, conversar, ouvir diversas histórias e experiências, tudo com muita atenção, e já sabendo que, infelizmente, mais da metade daquelas histórias seriam inviáveis de ser contadas, porque temos uma setorização que, às vezes, não nos permite mostrar tudo ou falar de todos que gostaríamos. O mais difícil foi peneirar essa história, porque era muita coisa bacana: depoimentos incríveis, muitos fundamentos, muitas coisas que acontecem ali ao mesmo tempo — e ter que deixar de lado foi a parte mais difícil de tudo. Foi uma pesquisa muito longa. Era muito calor… imagina você andar debaixo de sol, de calça, porque, em respeito, não entramos em nenhum terreiro, em nenhuma casa de santo, de bermuda, saindo às nove da manhã e só voltando às nove da noite, todo santo dia, com muitas histórias na cabeça — ou salvas no celular — e não poder falar de tudo.”

Ao abordar os materiais e a forma de carnavalizar a história do Bembé, Araújo destacou a importância do respeito com cada ritual que aparecerá na Marquês, transformado em alegoria ou fantasia, e o auxílio das lideranças da festa, que estiveram presentes, apoiando e sendo consultadas na concepção plástica da escola. João também falou sobre o que o torcedor pode esperar, ressaltando que tudo é pensado neles e que acredita que os apaixonados pela Beija-Flor ficarão felizes com o que será apresentado na Avenida.

“Não foi fácil. Eu fiz um carnaval, há muitos anos, sobre comida, parecia ser muito fácil, e foi um dos enredos que eu mais li e pesquisei para transformar em alegorias e fantasias. Foi mais difícil do que contar, por exemplo, a epopeia de Dom Sebastião no Paraíso do Tuiuti, que também teve uma pesquisa muito densa. O do Bembé foi carnavalizar aquela história e aqueles rituais sem vilipendiá-los, com muito respeito, muita certeza e muita clareza, pedindo autorização, fazendo chamadas de vídeo com lideranças culturais e espirituais do Bembé para saber se aquilo era viável ou não, se podia mostrar ou não. Porque uma coisa é você ter a liberdade de criar, a tal licença poética… Agora, lá no Bembé não: é tudo muito sério. Eles são muito criteriosos com os elementos, com a indumentária, com as cores utilizadas. Foi um trabalho de criação bem cuidadoso, não tão fácil quanto em outros anos.”

João também comentou a diferença entre realizar o Carnaval de 2025, que garantiu o décimo quinto título da Beija-Flor, e preparar o de 2026, destacando que é um enredo afro com estética diferente do que geralmente se imagina nesse tipo de narrativa na Avenida.

“Não é o carnaval da palha, do búzio, aquele carnaval que as pessoas estão acostumadas a ver e isso foi uma grande surpresa do Bembé. Durante a pesquisa fomos descobrindo que não era só candomblé, que outras coisas acontecem nessa celebração. Você vai olhar e ver pelo menos três alegorias e vai pensar: ‘Mas o enredo não é macumba?’ e vai perceber que não têm relação direta com isso. Esse é o barato.”

Por fim, João Vitor Araújo acredita que o grande trunfo da atual campeã ao pisar no Sambódromo será o samba-enredo, que vem sendo cantado com muita força pela comunidade nilopolitana e que, através dele, o desfile será plenamente compreendido.

“É ele que vai levar. Como dizia minha amiga Rosa Magalhães: quando a música é boa, não tem para ninguém. O samba-enredo está muito coeso e, nele, você vai entender perfeitamente o que é o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto setor da escola”.

Tradição que se encontra: Vila Santa Tereza leva o Cacique de Ramos para a avenida

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A Vila Santa Tereza vai homenagear os 65 anos do Cacique de Ramos, um dos blocos mais tradicionais do carnaval carioca, no enredo que levará para a Intendente Magalhães no Carnaval de 2026. A proposta é fazer uma celebração dupla, já que a própria escola completa 70 anos este ano. Em entrevista exclusiva ao CARNAVALESCO, o carnavalesco Caio Araújo contou como surgiu a ideia da homenagem e adiantou detalhes do desfile.

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“A gente já vem pautando esse enredo desde o fim do Carnaval de 2025. A ideia surgiu através de um grande parceiro, o Eduardo Gonçalves, que levou essa pauta para a Vila Santa Tereza. Na hora, topamos comemorar os 65 anos do Cacique de Ramos. No ano em que a escola completa 70 anos, aproveitamos para juntar essas duas festividades.”

O grande destaque do enredo

Para o carnavalesco, o diferencial estará na forma como a história será apresentada, e ele revelou em qual momento o elo com a própria escola ficará em evidência.

“Eu acho que o diferencial vai ser toda a trajetória do Cacique de Ramos sendo contada minuciosamente. Sabemos que o tempo na Intendente é curto, mas o destaque vai estar na cronologia, desde a fundação do Cacique até os dias de hoje. Encerramos o desfile fazendo essa junção com a Vila Santa Tereza, comemorando os 70 anos da escola e iniciando essa festividade que vai ser celebrada no final do ano.”

A parte plástica e estética do desfile

A estética do desfile promete ser marcada pela alegria e pelo colorido característicos das duas instituições.

“Estamos vindo com fantasias muito coloridas, trazendo as cores do Cacique de Ramos e as cores da Vila Santa Tereza, mas pautando tudo em um colorido muito vibrante, para transmitir essa alegria e essa festividade que o Cacique leva para a avenida e que a Vila Santa Tereza também carrega.”

Desafios da Intendente Magalhães

Ao falar sobre as dificuldades de desfilar na Intendente Magalhães, Caio foi direto:

“É muito complicado fazer carnaval na Intendente por causa da estrutura que recebemos. Mas, com persistência e cuidado com os recursos que a escola oferece, conseguimos apresentar o carnaval. Todo ano é uma superação diferente, e acredito que este ano não vai ser diferente. Tentamos tirar de letra da melhor forma possível.”

Com a missão de unir tradição e comemoração, a Vila Santa Tereza promete levar para a Intendente Magalhães um desfile alegre e, ao mesmo tempo, emocionante, que exalta o legado de duas potências do carnaval de raiz do Rio de Janeiro.

Ancestralidade e impacto visual marcam o ‘Grande Sertão Negro’ da Praça da Bandeira

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, os carnavalescos Robson Goulart e Ricardo Paulino apresentaram os detalhes do enredo “Grande Sertão Negro”, que será o tema do desfile da Independente da Praça da Bandeira no carnaval da Intendente Magalhães, em 2026. A proposta é celebrar a chegada dos povos africanos ao Nordeste brasileiro, destacando sua influência na cultura, nas tradições, na culinária e nos cantos que ajudaram a moldar a identidade da região.

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Ricardo Paulino explicou que a escolha da narrativa nasceu de uma necessidade derivada da realidade da Série Prata.

“Nós somos do Grupo Prata e temos que fazer aquilo que temos. A subvenção que a gente recebe só dá para fazer aquilo que já existe. Não adianta inventar muito. Todo mundo está fazendo muito afro, afro, afro, e eu não queria fazer afro/macumba. Sentei com o Rabinho e começamos a conversar sobre o que tínhamos de material. Pensamos até em circo, qualquer coisa para sair do afro. Aí veio a ideia: vamos fazer o Nordeste. Mas Nordeste como? A partir do negro que chega ao Nordeste e desenvolve toda uma cultura”, explicou.

Robson Goulart complementou, explicando o recorte histórico do desfile.

“Contamos a história da chegada desses negros em toda a região do Nordeste. Sabemos que lá tem Olodum, candomblé, mas nós explicamos como essas crenças, festejos e tradições chegaram ao Nordeste por meio do povo preto.”

O grande destaque do enredo

Robson destacou o impacto visual que o desfile terá como o grande trunfo do enredo.

“Estamos confiantes no efeito visual. A escola virá bem compacta, com fantasias bem chamativas, bem volumosas. Nossa aposta é nesse diferencial de cores, de efeitos e de alegorias para brigar pelo nosso sonhado título”, afirmou o artista, com entusiasmo.

A parte plástica e estética do desfile

Ao falar sobre a plástica do desfile, Robson voltou a afirmar que a escola está investindo bastante em visuais marcantes. A estética dialoga diretamente com a ideia de força, ancestralidade e presença negra no sertão nordestino, usando volume, cor e impacto visual como elementos centrais da narrativa apresentada pela escola na avenida.

“Estamos trabalhando com bastantes esculturas e com alguns materiais meio diferentes para construir esse enredo”, revelou.

Desafios da Intendente Magalhães

Sobre as dificuldades de colocar o carnaval na avenida da Zona Norte carioca, Ricardo deu sua opinião sem omitir os recursos utilizados e reconhecendo o valor do apoio coletivo.

“Driblamos fazendo empréstimos. A gente faz o empréstimo, começa o carnaval e depois faz um malabarismo para pagar. Mas acaba acontecendo. Um ponto muito forte é o apoio da comunidade. A gente tem uma comunidade muito gostosa, que interage, colabora e chega junto. Assim é mais fácil, porque não precisamos inventar uma comunidade — isso a gente já tem”, disse o carnavalesco, emocionado.

Robson encerrou o papo com otimismo: “No final, tudo dá certo. E vai dar, se Deus quiser.”

Com esse enredo que une história, ancestralidade, identidade negra e visuais ousados, a Independente da Praça da Bandeira promete levar para a Intendente Magalhães um desfile forte, vibrante e emocionante.