Início Site Página 78

Foliões reagem à abertura dos desfiles do Acesso 2 no Carnaval 2026 de São Paulo

0

Apesar da chuva que caiu na avenida, o Carnaval de São Paulo de 2026 teve início oficialmente nesta noite, com os desfiles das escolas de samba do Grupo de Acesso 2, no Sambódromo do Anhembi. Os foliões que compareceram à avenida para acompanhar o resultado de um ano inteiro de preparação das agremiações vivenciaram uma noite emocionante que somente o carnaval pode proporcionar.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Abrindo o carnaval paulistano, desfilaram pela avenida as escolas: Amizade Zona Leste, Imperatriz da Paulicéia, Torcida Jovem, X-9 Paulistana, Unidos de São Lucas, Unidos do Peruche, Morro da Casa Verde, Imperador do Ipiranga, Uirapuru da Mooca e Primeira da Cidade Líder. Dentro do Acesso 2, as escolas estão na busca pelo acesso ao Grupo Especial para o próximo ano.

Ao longo do percurso, toda a comunidade, com suas fantasias, cantou o quanto podia seus sambas-enredo, acompanhada pela empolgação dos presentes nas arquibancadas. Entre os destaques da noite, o desfile da Amizade Zona Leste emocionou parte do público. Para Maria Duarte, 48, que acompanha o carnaval de perto, a apresentação foi marcante: “Achei que estava muito maravilhoso, a bateria, achei que cumpriram o trabalho. Desfilo há seis anos, parei por um tempo, mas voltei este ano. E tem esse enredo, que acho gostoso, tem uma base boa”, conta a apaixonada pelo carnaval que, este ano, além de querer vir ver a sua escola do coração, decidiu fazer parte da ala musical.

mairaduarte
Maria Duarte, 48, que acompanha o carnaval de perto

Durante a noite, integrantes das escolas também compartilharam suas impressões sobre o desfile e os desafios enfrentados. Ao final da apresentação da Imperatriz da Paulicéia, a componente da bateria Isabela Leão Gomes, 27, avaliou o desempenho da escola, destacando o impacto da chuva: “Acho que a chuva pegou um pouco desde lá do começo, antes da gente entrar na pista já estava chovendo muito, então dá uma pesada na fantasia e tudo mais. Acho que isso deixou um pouco mais difícil, mas a gente tentou segurar o ritmo até o final, chegando no recuo ali da bateria, daquele último gás que ainda não é o último gás, e foi isso. Acho que a gente fez uma boa apresentação”, conta a ritmista.

isabela
Isabela Leão Gomes

Ainda segundo Isabela, apesar das dificuldades, a escola conseguiu entregar o que havia planejado para a avenida: “No geral, entregamos o que a gente tinha proposto, fizemos as coreografias na frente da Monumental e a galera empolgou bastante. Agora é torcer, esperar o gol estar com a gente e o resultado vai vir, se Deus quiser”, fala Isabela, que está animada para esta semana de folia em São Paulo.

Nas arquibancadas, o público acompanhava atento cada detalhe das apresentações. Durante o desfile da Torcida Jovem, Chagas, 45 anos, observava emocionado e explicou sua identificação com o enredo da escola: “O enredo veio muito forte, contando a história da Bahia e das ancestralidades, também dos orixás. Eles falam sobre o orgulho de ser preto, como eu sou, um homem negro da periferia, então me senti muito identificado com o enredo. A fantasia estava muito bonita, muito ligada ao enredo mesmo. O primeiro carro veio todo iluminado e com a molecada, com a velha guarda, então trouxe muita luz para a avenida. O último carro foi o que fala do carnaval na Bahia e apresentou o trio elétrico com muito colorido, divulgando todos os nomes das entidades que fazem parte do carnaval da Bahia dentro dos blocos. Então, para mim, foi muito bonito e bem legal. Estou sempre no carnaval, hoje vim ver a minha esposa, Elaine, desfilar”, comenta.

chagassp
Durante desfile da Torcida Jovem, Chagas, 45 anos, observava emocionado

Com o avanço da noite, a expectativa do público também se voltou para a disputa entre as escolas e para quais delas teriam mais chances de se destacar na competição. Jeferson Caetano, 51, avaliou de forma crítica o desfile da X-9 Paulistana: “A X-9 já foi uma grande escola, mas hoje em dia já não é aquela potência como as escolas do Especial. Para mim, não emocionou, não empolgou, acho que não sobe, não. Na verdade, acho que nenhuma que vi até agora me empolgou, ainda estão muito abaixo, mas, enfim, tem uma diferença imensa do Especial para os grupos de acesso, então não tem que comparar a luta deles, eles fazem o que podem”, comenta Jeferson, que assistiu ao desfile da escola, mas não viu firmeza na performance.

jefersoncaetano
Jeferson Caetano, 51, avaliou de forma crítica o desfile da X-9 Paulistana

Apesar das críticas, ele também destacou um ponto positivo apresentado pela agremiação: “Foi diferente, porque veio falando dos índios, e muitas escolas que passaram falaram de samba afro, então esse foi um diferencial. Gostei da letra, foi bom”, completa Jeferson.

Para parte do público, algumas escolas conseguiram emocionar e envolver quem estava presente. Michelle da Silva Ribeiro, 45, destacou a apresentação da Unidos do Peruche: “A escola veio maravilhosa, senti que a galera se emocionou, cantou junto com a gente. Acho muito importante esse enredo. Ano passado foi com o Carlão, infelizmente perdemos ele um pouco antes do desfile, mas este ano continuamos homenageando e temos que homenagear todos os anos”, diz.

michele
Michelle da Silva Ribeiro, 45, destacou a apresentação da Unidos do Peruch

Vivendo sua primeira experiência na avenida, Edilane de Souza, 56, também compartilhou sua percepção sobre o desfile: “Adorei, é a primeira vez que desfilo, vim pela Morro da Casa Verde, sempre tive vontade e agora pude ver também que a escola é muito entrosada, muito batalhadora. Vi muitas pessoas cantando o samba, você ouve da avenida que as pessoas estão participando. Acho que vai subir”.

edilane
Vivendo sua primeira experiência na avenida, Edilane de Souza

Entre os integrantes da escola, a avaliação também foi positiva. Para Ketlen Tristani, 42, apresentadora do primeiro casal da escola Unidos de São Lucas, o desfile ocorreu conforme o planejado: “É a primeira vez que venho como apresentadora de casal e foi muito legal, espero que a gente tenha uma boa nota. Para mim, foi ótimo, porque a chuva parou no momento certo, também percebi que o público gostou bastante do desfile”, explica a integrante.

ketlen
Ketlen Tristani, 42, apresentadora do primeiro casal da escola Unidos de São Lucas

Do ponto de vista de quem acompanha diferentes escolas, Camila Rosa, 32, avaliou a apresentação de forma geral, destacando a importância do acesso para o crescimento das agremiações: “Achei bonita, a escola do Ipiranga veio bem colorida, estava bem alegre, ficou bonita. Veio cantando bastante, também é um enredo bem fácil. Gostei, achei muito bom. Acho que a busca pelo acesso começa aqui, podendo abrir a arquibancada para a galera chegar e conhecer as escolas que ainda não conhecem e poder participar. Acho que, juntando uma comunidade de pessoas, conseguiríamos todos crescer”, explica a foliã, que desfila em algumas escolas e vive de carnaval.

camisasptorcida
Do ponto de vista de quem acompanha diferentes escolas, Camila Rosa, 32, avaliou a apresentação de forma geral

Com anos de experiência no carnaval, Getúlio César Gomes Batista, 50, analisou tecnicamente o desfile da Uirapuru da Mooca, que acompanhou todo pela arquibancada: “Sou um pouco crítico em relação aos desfiles, nasci em uma família de sambistas, já acompanho o carnaval praticamente há 40 anos. Sobre a Uirapuru da Mooca, no geral, mas agora, quase para o final, a escola deu uma passada a mais, acelerando um pouquinho. Mas acho que é a escola que pode brigar pelo título”, especula Getúlio.

getulio
Getúlio César Gomes Batista, 50, analisou tecnicamente o desfile da Uirapuru da Mooca

Encerrando a noite, o público também elogiou a escola responsável pelo último desfile. Igor Fábio, 43, falou com entusiasmo sobre a apresentação e as expectativas para o resultado: “Foi tudo perfeito e bem organizado, a escola passou no tempo certinho, todo mundo dançando, todo mundo cantando, perfeito. A expectativa é de ser campeã amanhã”, diz o folião, que ainda destacou um dos carros alegóricos: “O carro do DNA foi o carro mais povoado, cheio de gente, mais iluminado e mais bonito”.

igorfabio
Igor Fábio, 43, falou com entusiasmo sobre a apresentação e as expectativas para o resultado

Opinião! Como foram os desfiles do Acesso 2 de São Paulo no Carnaval 2026

0

Ao vivo: Transmissão da apuração do Acesso 2 de São Paulo no Carnaval 2026

0

Freddy Ferreira analisa a bateria da Portela no segundo ensaio técnico na Sapucaí

0

Um excelente ensaio técnico da bateria “Tabajara do Samba” da Portela, do estreante mestre Vitinho. Um ritmo com andamento confortável, equilibrado e com boa equalização de timbres foi apresentado. Com um conjunto de bossas dançante, contendo pressão sonora, o casamento musical entre samba e a sonoridade da bateria ocorreu de forma orgânica.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Na primeira fila da bateria portelense, um naipe de xequerês exibiu solidez. Ritmistas tocando tambor de Ilú deram seu contributo fazendo ritmo e em bossas. Um naipe seguro de cuícas ajudou a marcar o samba com eficiência. Uma boa ala de agogôs pontuou a melodia do samba efetuando uma convenção rítmica baseada em suas nuances. Um naipe de chocalhos de técnica coletiva irretocável se exibiu interligado a uma ala de tamborins de nítido valor sonoro. Tamborins e chocalhos foram uníssonos, com toques que se completavam, evidenciando o grande trabalho envolvendo as peças leves.

Na cozinha da bateria da Águia, uma boa e pesada afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza e segurança. Surdos de terceira ficaram responsáveis pelo balanço envolvente portelense acima da média. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas de guerras simplesmente exuberante. Magistral o trabalho com as caixas da Portela, com sua tradicional batida rufada.

Bossas bem musicais foram executadas com grande precisão. Todas se pautando pelas variações do melodioso samba portelense para consolidar seu ritmo. A nuance rítmica no final do refrão do meio e logo após à cabeça do samba deram dinamismo sonoro à “Tabajara”. Xequerês e Tambores de Ilú vão para o meio do corredor da bateria da Portela para a execução da paradinha da primeira do samba, além da participação luxuosa dos tambores de Ilú no belo e potente arranjo do refrão do meio. Ambas as bossas são conversas rítmicas profundas, com várias camadas musicais para serem apreciadas. Um trabalho de criação musical de muito bom gosto, além de bastante encaixe com a obra da agremiação.

Uma apresentação excelente da bateria “Tabajara” da Portela, comandada por mestre Vitinho. Uma conjunção sonora impactante foi exibida junto de um andamento bem confortável. Ficou nítido o grande encaixe entre bossas e o samba da Majestade. Um trabalho para dar bastante esperança ao torcedor portelense, com uma bateria da Portela pronta para brigar pela pontuação máxima, quiçá disputar eventuais premiações.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Paraíso do Tuiuti no segundo ensaio técnico na Sapucaí

0

Um ótimo ensaio técnico da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, sob o comando de mestre Marcão. Uma conjunção sonora de raro valor foi exibida, com equilíbrio e uma boa equalização de timbres. Bossas altamente musicais ajudaram na execução do melodioso samba-enredo do Tuiuti, impulsionando a obra e os componentes.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Na parte da frente do ritmo do Tuiuti, uma ala de cuícas fabulosa ajudou a marcar o samba de forma eficaz. Um naipe de chocalhos absolutamente acima da média executou um desenho rítmico complexo com excelência musical. Chocalhos ainda participavam da paradinha das congas, realizada na frente da “Super Som”, ajudando a manter o ritmo e o andamento com um carreteiro de exímia qualidade. Tudo interligado a uma ala de tamborins de técnica coletiva apurada, que realizou uma convenção com certa complexidade de forma limpa. A coletividade do tamborim se mostrou eficiente, principalmente pelo fato dos ritmistas do naipe tocarem com pulsação rítmica semelhante, se apresentando de modo uníssono por toda a pista.

Na cozinha da bateria do Tuiuti, uma afinação de surdos preciosa foi notada. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com bastante segurança e precisão, demonstrando educação, tirando som da peça sem dar pancada no instrumento. Os surdos de terceira ficaram responsáveis pelo balanço envolvente da “Super Som”. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas simplesmente fabuloso, evidenciando um trabalho de destaque envolvendo os médios. Na parte de trás do ritmo também vieram as congas, responsáveis pela paradinha de maior destaque.

Bossas altamente musicais foram apresentadas com bastante precisão. Todas se pautando pelas nuances do melodioso samba da agremiação de São Cristóvão. O ponto alto foi a paradinha do refrão do meio envolvendo as congas, que vinham para a frente da bateria “Super Som”, acompanhada de talentosos chocalhos e também de Cowbell, atrelando culturalmente o traço religioso do enredo à sonoridade de imensa virtude musical produzida pela bateria do Tuiuti.

Uma ótima apresentação da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, dirigida por mestre Marcão. Um ritmo requintado foi exibido, sem contar as execuções privilegiadas das bossas. Um trabalho musical altamente técnico e de invariável classe de mestre Marcão e dos ritmistas do Tuiuti.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Salgueiro no segundo ensaio técnico na Sapucaí

0

Um ensaio técnico muito bom da bateria “Furiosa” do Acadêmicos do Salgueiro, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Um ritmo tradicionalmente vinculado a identidade musical da branca e encarnada do bairro da Tijuca foi apresentado. Com bossas potentes e suas marcações vibrantes, o ensaio só não ficará com a sensação de realização plena devido a um problema sério ocorrido no som, após a passagem da “Furiosa” no segundo módulo. De forma alguma tirou o brilho da própria bateria, mas claramente desanimou ritmistas, diante de um problema técnico que nitidamente prejudicou o teste da escola.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Na parte da frente da bateria do Salgueiro, uma grande ala de showcalhos tocou interligada a um naipe de tamborins com bom trabalho coletivo, executando um desenho rítmico pautado pelas nuances do samba salgueirense com eficácia. O carreteiro de ambos juntos deu brilho sonoro às peças leves do Torrão Amado. Uma boa e segura ala de cuícas ajudou a marcar o samba, complementando a sonoridade da cabeça da bateria do Sal.

Na cozinha da “Furiosa”, uma afinação acima da média e bem pesada de surdos foi notada. Marcadores de primeira e de segunda pulsaram de modo firme, mas com segurança. Surdos de terceira com balanço envolvente exibiram um toque sólido, contribuindo de forma luxuosa também em bossas. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas de guerra com boa ressonância e uma ala de taróis com bom volume, que auxiliou a preencher a sonoridade dos médios com eficiência.

Bossas baseadas nas variações melódicas do samba do Salgueiro consolidaram seu ritmo através de arranjos bem contemporâneos. Sempre contando com um trabalho primoroso envolvendo as terceiras, ajudando a valorizar as nuances da canção salgueirense dando um molho precioso. A nuance rítmica em formato de “onda” na hora do Afoxé do estribilho mostrou bom dinamismo sonoro.

Uma apresentação muito boa da bateria “Furiosa” do Salgueiro, dirigida pelos mestres Guilherme e Gustavo. Uma sonoridade vinculada a história da bateria do Salgueiro foi bem desenvolvida, até cativando mais saudosistas com os surdos de acrílico, remetendo ao eterno mestre Louro. Infelizmente a sonorização da pista esteve a desejar antes mesmo do ensaio, com a “Furiosa” tendo que fazer seu esquenta de bateria com a cabeça da pista tocando o último samba-enredo campeão (Tambor). Por organização, logística ou gestão, uma falha que poderia e deveria ter sido evitada. Mas esse fato passou quase despercebido, diante de um problema ainda mais grave. A sonorização da pista acabou falhando clamorosamente em hora crucial, no momento da saída da bateria do Salgueiro do segundo módulo de julgadores. Menção honrosa para os ritmistas e diretores salgueirenses que não deixaram a peteca cair, mesmo com um som claramente aquém do seu ritmo de excelência.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Vila Isabel no segundo ensaio técnico na Sapucaí

0

Um ensaio técnico magistral da bateria “Swingueira de Noel” da Unidos de Vila Isabel, regida por mestre Macaco Branco. Um ritmo com andamento confortável e conjugação sonora primorosa dos mais diversos naipes. Tudo proporcionado por uma afinação de surdos que permitiu uma equalização que resultou num groove puxado mais para o timbre grave.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Na parte da frente do ritmo da Vila Isabel, um naipe de chocalhos dotado de grande técnica musical coletiva se exibiu de modo primoroso, tocando interligado a uma ala de tamborins sublime, que pontuou as nuances melódicas do belo samba vilaisabelense com um desenho rítmico bastante musical. Fascinante o trabalho de coletividade musical de ambos os naipes em conjunto, graças a um toque em grupo com pulsação rítmica individual bem semelhante, demonstrando um alto apuro técnico. Exibindo uma nova organização, uma boa ala de cuícas desfilou por dentro do ritmo da Vila, em duas fileiras indianas (uma em cada ponta) por dentro do miolo. O feijão com arroz bem temperado da cuíca da Vila Isabel foi possível de ser percebida por toda a bateria.

Na parte de trás da bateria da Vila, um groove simplesmente impressionante foi produzido, graças a uma afinação pesada de surdos, puxada para um timbre grave. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com a firmeza clássica, mas também bastante segurança. O balanço bem envolvente dos surdos de terceira ajudaram a complementar a sonoridade destacada dos graves com grande qualidade. Repiques de boa técnica tocaram com coesão, acompanhados de um naipe de caixas de guerras com a típica levada reta dando uma boa base de sustentação musical. Tudo isso junto de uma ala de taróis de imensa virtude sonora, com seu toque tradicional, com suas rufadas muito bem pontuadas.

Bossas bem vinculadas a um dos mais lindos sambas do ano ajudaram a impulsionar componentes na evolução da escola, além de serem exibidas com precisão cirúrgica. São conversas rítmicas de nítido bom gosto pautadas pela simplicidade, seguindo as variações melódicas para consolidar o ritmo dos arranjos, numa criação musical sobretudo bastante intuitiva e orgânica.

Uma apresentação exemplar da bateria da Unidos de Vila Isabel, comandada por mestre Macaco Branco. Uma criação musical muito bem encaixada de bossas ajudou a impulsionar o incontestável samba-enredo da escola do bairro de Noel. As execuções das paradinhas ocorreram de modo irrepreensível, evidenciando o belo casamento entre a sonoridade produzida e a bela obra da agremiação do morro dos Macacos. Um ensaio técnico que comprovou a excelência, mostrando uma bateria da Vila pronta para brigar pela pontuação máxima no desfile oficial.

Ousada, Primeira da Cidade Líder conta com alegorias nostálgicas e bateria competente

0

Décima e última escola a desfilar no Grupo de Acesso II neste sábado, a Primeira da Cidade Líder utilizou algumas de suas principais características para homenagear um dos grandes carnavalescos contemporâneos no desfile de “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”, assinado pelo carnavalesco Anderson Rodrigues: a inventividade e o impacto. No quesito a quesito, o conjunto alegórico e a bateria tiveram destaque. A apresentação foi encerrada com 50m38s. Sempre presente em grandes eventos ligados às escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO conta tudo sobre a apresentação da Primeira da Cidade Líder em 2026.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Douglas Terci, nada mais natural que os componentes se inspirassem em fatos ligados a Paulo Barros para criar as ações do segmento, intitulado “No céu desenhou o seu destino: do comissário de bordo ao sonho do carnavalesco”. Com uma coreografia simples e marcando o samba, sempre buscando chamar atenção do público, dois momentos se destacaram: o primeiro deles quando um personagem interpretando o próprio homenageado surgia de uma porta no elemento alegórico; e outro que emulava a rápida troca de roupas que se tornou nacionalmente conhecida graças ao desfile “É Segredo”, da Unidos da Tijuca de 2010, que garantiu ao carnavalesco o primeiro título da carreira.

lider desfile26 5

Por falar no elemento alegórico, ele é figura central em tal quesito. Para começar, o tripé contava com uma fênix (mascote da agremiação) gigante, que impunha respeito e chamava atenção. Por sinal, absolutamente toda a coreografia dos componentes era realizada em tal chassi, sem vir para o chão em momento algum – algo que pode causar alguma dificuldade de avaliação para jurados que fiquem em cabines mais térreas. A coreografia, entretanto, sem grande dificuldade de execução, foi realizada adequadamente.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Desde o desfile de 2022 tomando conta do quesito, Fabiano Dourado e Sandra Jesus também mergulharam no enredo para se apresentar no Anhembi. Com fantasias intituladas “Comissário de bordo e o Carnaval”, novamente a vida pregressa de Paulo Barros foi relembrada, remetendo até mesmo à pouquíssima semelhança entre a antiga ocupação e o cargo que o eternizou enquanto figura pública.

lider desfile26 1

Na prática, havia a dúvida se eles utilizariam a pista mais seca após uma noite com vários momentos de chuva para executar mais giros ou se focariam na coreografia, item que também passou a ser balizamento obrigatório do quesito. A segunda opção predominou, buscando a correção e o mergulho nas tantas referências que desfiles ligados a Paulo Barros trazem. O vento mais calmo também ajudou na execução dos momentos, com uma apresentação em cada um dos módulos durando cerca de uma passada do samba.

HARMONIA

O samba da Primeira da Cidade Líder não é dos mais celebrados na safra do Grupo de Acesso II, e também é importante notar que a escola parece ter entendido o recado: tanto o carro de som, sob o comando de Thiago Melodiah (e reforçado de última hora por Pê Santana, que já foi intérprete das coirmãs Independente Tricolor e X-9 Paulistana) quanto a Batucada de Primeira, com mestre Alê enquanto ritmista-mor, executaram diversos cacos e bossas, respectivamente, para tentar contagiar. O resultado, entretanto, foi parcialmente conquistado: se os componentes respondiam de imediato em algumas partes da canção (como no verso “Para, o mundo parou para ver”), não demorava para que o volume do canto voltasse a cair.

lider desfile26 6

As arquibancadas também reagiram de maneira mais tímida ao samba-enredo – e, aqui, é importante relembrar que a escola foi a última a desfilar, encarando um público já cansado das nove apresentações anteriores.

ENREDO

O primeiro setor do enredo, “No Céu Desenhou o Seu Destino: do Comissão de Bordo ao Sonho do Carnavalesco” busca na vida de Paulo Barros algo pouco conhecido da maioria: o fato dele ter sido comissário de bordo antes de passar a ser reconhecido como um dos grandes carnavalescos dos tempos atuais. O segundo tem um título autoexplicativo: “Carnavais que Encantaram o Brasil”, repleto de referências a grandes desfiles assinados pelo profissional.

Por fim, o terceiro setor, “Hoje a Líder Vai te Coroar” mostra a apoteose completa do desfile, com o profissional sendo exaltado pela agremiação – lembrando que o ato de coroação também já rendeu títulos para Paulo Barros: em 2012, com “O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão”, na Unidos da Tijuca.
Na pista, a assimilação foi bastante simples, com direito a elementos alegóricos que remetiam a alguns desses desfiles (como as peças de xadrez, em referência a “A Viradouro Vira o Jogo”, de 2007) e as baianas como se tivessem saído de uma geleira (remetendo à introdução de “”É de Arrepiar!”, de 2008, também da Unidos do Viradouro).

EVOLUÇÃO

Se a Harmonia foi um ponto de atenção, a Evolução teve um desempenho bastante a contento ao longo de todo o desfile. Apesar de encerrar a apresentação no minuto-limite, a Primeira da Cidade Líder se preparou para controlar o cronômetro e teve sucesso em tal aspecto. Prova viva disso é a ousada opção em colocar a bateria como última ala a desfilar – fazendo com que toda a escola passe na frente dos ritmistas pelo menos uma vez, no primeiro recuo, antes de cruzar a primeira faixa amarela.

lider desfile26 2

Outra escolha que favoreceu a Evolução da agremiação foi algo que é tratado como um tabu no Carnaval e, no Grupo de Acesso II, também teve outras escolas que utilizaram do mesmo artifício: a passada reta da bateria pelo segundo recuo, poupando tempo e evitando o surgimento de clarões, que poderiam despontuar a agremiação em tal quesito.

SAMBA

Uma das principais críticas em relação ao trabalho de Paulo Barros está nos sambas que surgem de enredos do carnavalesco. Para entrar no universo do profissional, a Primeira da Cidade Líder buscou uma canção que apresentasse de maneira bastante funcional o enredo e tudo que estava sendo visto, algo no qual o homenageado é craque.

Se a obra, de fato, é simples (o que não agrada a tantos), é inegável que a assimilação do que é cantado com o que é visto é imediata – e faz com que a obra passe até a ter simpatizantes.

FANTASIAS

O quesito “Enredo” ajuda a explicar as indumentárias do desfile: o primeiro setor, com uma parte da vida do carnavalesco pouco conhecida, conseguiu privilegiar o trabalho mais livre e artístico. O segundo, repleto de referências, focou no resgate da memória de grandes sambas do homenageado. Se o junto de fantasias não era luxuoso, não foram vistos erros de acabamento em componente algum.

lider desfile26 4

Também agradou a escolha das cores por parte do carnavalesco Anderson Rodrigues, que mesclou uma série de tons em uma cromia bastante interessante. A bateria, por sinal, veio fantasiada de Ayrton Senna, com a indumentária “Acelera, Tijuca”, nome do desfile campeão do Pavão em 2014.

ALEGORIAS

Certamente o quesito que mais chamou atenção na passagem da Primeira da Cidade Líder em 2026. A assimilação do conjunto alegórico é imediata para quem acompanha Carnaval no século XXI. O abre-alas apresentava a fênix, símbolo da escola, e os pavilhões das escolas pelas quais Paulo Barros já trabalhou, intitulado “Sonhou… fez seu Voo ir Além”. Depois, a primeira referência em uma alegoria: “Essa Noite Levarei sua Alma” foi o segundo carro, remetendo ao desfile de 2011 da Unidos da Tijuca.

lider desfile26 3
Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

Já o terceiro carro, de nome “Hoje A Líder vai te coroar. Eternizar a sua história, que está gravada em seu DNA” é uma releitura do antológico carro repleto de personagens que, quando executavam a coreografia em tons de azul, emulavam o DNA – algo que foi repetido no Anhembi.

OUTROS DESTAQUES

A Corte da Batucada de Primeira veio com dois destaques: a Madrinha Flavia Oliveira e o Rei Kaique Albuquerque.

Canto poderoso marca o ensaio técnico da Portela e eleva o patamar da escola na Sapucaí

0

Por Júnior Azevedo, Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais e Marcos Marinho

A Portela fechou a segunda noite do último fim de semana de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí de maneira grandiosa, reafirmando sua condição de maior campeã do carnaval carioca. Volumosa, leve e segura, a escola apresentou um excelente ensaio neste sábado. O canto foi o grande protagonista da noite, impulsionado por um samba que cresce a cada apresentação e sustentado com precisão pelo carro de som e pela bateria “Tabajara do Samba”. Com uma comunidade entregue, evolução fluida e quesitos centrais bem resolvidos, a Águia Altaneira mostrou que chega renovada e competitiva para o desfile de domingo, quando será a penúltima escola a entrar na Avenida com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente da Portela se apresentou com forte impacto simbólico e corporal. Composta integralmente por corpos negros, a coreografia aposta na potência da dança como eixo narrativo, estabelecendo um diálogo direto com o universo afro-religioso proposto pelo enredo. Os movimentos são amplos, ritmados e bem desenhados, com execução segura e sincronizada, revelando domínio técnico e entendimento coletivo da proposta.

A escolha por uma coreografia intensamente dançada reforça a leitura ritualística do samba, criando uma atmosfera de invocação e reverência. Não há excesso de efeitos ou truques cênicos: a força da apresentação reside justamente na presença dos corpos em movimento, na cadência e na entrega física dos intérpretes. A comissão ocupa a pista com autoridade, sustentando energia do início ao fim da apresentação.

portela et2 2026 1
Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

O conjunto transmite potência e coerência, alinhando forma e conteúdo. A leitura do enredo é clara e direta, sem ruídos, e cumpre o papel de abrir o desfile com densidade simbólica, conectando o público ao universo espiritual e histórico que a Portela propõe para 2026.

“Organização, dedicação, empenho e muita emoção. Não vai dar errado, já deu certo. A gente sente coisas que eu, pelo menos, com 21 anos de carnaval, nunca senti; estou sentindo pela primeira vez. É indescritível estar na Portela. A ficha vai caindo aos poucos. O próximo passo é ensaiar até o desfile. Não tem resultado sem ensaio, sem trabalho. Acredito muito na disciplina dos ensaios, de você ficar catando cabelinho em ovo mesmo. A gente está pronto, mas precisa, até lá, ver cada detalhe: revendo cada roupa, cada coisa do carro, cada coisa do elenco, até o comportamento deles. A gente precisa se preservar agora, ensaiar com cuidado para, no dia, estar tudo direito”, comentou Cláudia Motta.

“A Portela, que é mãe, traz o batuque. É a primeira vez que o batuque vai desfilar na Avenida, é histórico. Isso é uma maneira de tirar a nuvem que cobre a cultura do batuque, da religião afro-gaúcha, e a Portela, muito generosa, está trazendo essa negritude e mostrando que o lugar do batuque é no Brasil inteiro. O Brasil precisa conhecer o batuque e vai se apaixonar por ele. São muitos ensaios; temos um elenco incrível trabalhando arduamente e tendo a oportunidade de se apresentar para o público. Os ensaios técnicos são duas grandes apresentações e a chance de experimentar a Avenida com público, com o público apreciando e aplaudindo o trabalho”, revelou Edfranc.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Em seu terceiro ano defendendo o pavilhão da Portela, Marlon Lamar e Squel Jorgea demonstram um grau de maturidade evidente. O casal apresenta um bailado seguro, confiante e cada vez mais entrosado, fruto de um trabalho de continuidade que se reflete na fluidez dos movimentos e na leitura precisa do quesito.

Squel mostrou que estava em uma noite inspirada. Na parte do refrão do meio, ela executou uma sequência de giros impressionante, de se perder as contas, mantendo ritmo, potência e controle absoluto da bandeira. Sua dança é expansiva, elegante e carregada de presença cênica, conduzindo a apresentação com naturalidade. Marlon responde à altura, com um bailado firme, jogo de pernas bem marcado, cortes elegantes e postura clássica, sustentando a tradição do quesito sem perder vigor.

A sintonia entre os dois é perceptível no olhar, no tempo dos movimentos e na forma como ocupam a pista. O casal explora bem os espaços ao longo do percurso e constrói uma apresentação envolvente. Apenas no último módulo, um ponto negativo: componentes que acompanhavam a comissão de frente e que, provavelmente, irão se apresentar na equipe de Cláudia Mota e Edifranc Alves se posicionaram de forma que reduziu o espaço de dança do casal. Ainda assim, a situação não comprometeu o desempenho da dupla, que manteve o controle e concluiu a apresentação com alto nível técnico.

“A emoção está transbordando. Estou desde quinta-feira sem ver meu filho; hoje, já recebi cinco vídeos dele desejando boa sorte. Graças a Deus, nós chegamos aqui, reta final, último grande passo para o grande dia, com a sensação de dever cumprido, com o coração transbordando de alegria e de orgulho. Só tenho a agradecer ao meu mestre-sala incrível, à nossa equipe, aos nossos apoios, que nos dão todo o suporte, e às nossas famílias, que não conseguem estar todas aqui, mas estão torcendo para que a gente possa passar de forma digna, para que nosso trabalho seja honrado e reconhecido”, disse a porta-bandeira.

“O casal de mestre-sala e porta-bandeira é formado por duas pessoas, e este ano não serão 40 pontos em jogo, serão 60 pontos, em uma cabine espelhada. Nós, de fato, somos atletas de alto nível e viemos nos adaptando a essa forma de julgar, até porque hoje não é apenas o jurado quem avalia: temos as pessoas dos sites, das arquibancadas, e sabemos que, a cada dia, esse público espera mais. Atualmente, existe uma cobrança física enorme, e sabemos que, quando a cabeça não aguenta, você pode dormir, acordar, dormir, acordar, e parece que não flui. Mas estamos fechados em um só propósito: honrar não apenas o nome da Portela, mas também a credibilidade, a confiança e o apoio que a escola deposita na gente. O ensaio de hoje teve um significado arrebatador, triunfante. É uma família carregada no dendê; vamos em busca da vigésima terceira estrela”, completou o mestre-sala.

SAMBA E HARMONIA

O samba-enredo da Portela se consolida como uma engrenagem fundamental do desfile. Funcional, crescente e com forte apelo coletivo, a obra empurra a escola para frente e estimula uma resposta espontânea da comunidade. O efeito é imediato: bastam alguns versos para que o corpo reaja, como no trecho “a Portela reunida carrega no dendê”, em que o balanço de ombro toma conta de quem está por perto quase involuntariamente.

portela et2 2026 3

O canto foi o grande ponto alto do ensaio. Forte, contínuo e distribuído por toda a extensão da escola, sustentou a apresentação do início ao fim, sem oscilações perceptíveis. O carro de som teve papel decisivo nesse desempenho, segurando o andamento, valorizando os momentos-chave do samba e mantendo a escola conectada à melodia.

A harmonia se mostrou madura e bem trabalhada. O entrosamento entre intérprete, carro de som e bateria cria uma base sólida que permite ao componente cantar com confiança. O samba não apenas funciona: ele cresce a cada ensaio, ganhando corpo e sinalizando um grande rendimento no desfile oficial.

EVOLUÇÃO

A evolução da Portela foi marcada por leveza, alegria e fluidez. As alas desfilaram soltas, brincando com a lateralidade da pista, mantendo um bom ritmo de deslocamento e ocupação dos espaços. O clima era de prazer em desfilar, com componentes sorridentes, conectados entre si e com o samba.

portela et2 2026 2

“Muito feliz. O propósito e a proposta da bateria da Portela são sempre melhorar a cada dia, e eu fui surpreendido com o que aconteceu aqui hoje. Arranjos muito firmes, bateria cantando, dançando, feliz. O andamento, do início ao fim, foi o mesmo, muito seguro nas execuções, tanto das nuances quanto das bossas, dos arranjos e das paradinhas, como preferirem, pulsando pela nossa escola. A minha avaliação é difícil: dou nota 10 para a bateria por toda a dedicação até aqui. Agora é pensar no desfile e, se Deus quiser, partir para o abraço pelo trabalho que vai ser executado no domingo que vem. Sobre o retorno de som, hoje tivemos alguns problemas técnicos durante outros ensaios, mas, para mim, não houve problema. Em alguns momentos, sinalizei que, no setor 4, próximo ao setor 6, o volume estava muito alto ali na pista, algo que rapidamente foi ajustado, com atenção e suporte. O volume abaixou e, para mim, não houve delay nem nenhum problema dentro da bateria, como infelizmente aconteceu com outras coirmãs. Graças a Deus, para mim deu certo. Agora é melhorar cada vez mais. Sei que a galera está trabalhando e se dedicando muito e acredito que, no desfile, vai estar perfeito. Para terminar, a expectativa para o desfile oficial é das melhores possíveis. É a realização de um sonho, não só meu, como da minha direção de bateria e também de toda a bateria da Portela, porque é sempre bom fazer pela nossa escola. A vibração e a energia estão 100%. Vai ser um dia histórico para todos nós”, disse mestre Vitinho.

O desenho da escola favoreceu uma progressão constante e sem buracos. A movimentação foi organizada, mas sem rigidez, permitindo que a espontaneidade do samba se manifestasse. O conjunto transmitiu a sensação de uma escola confortável na Avenida, consciente de seu tamanho e de sua força.

Pequenos ajustes ainda podem ser feitos, especialmente em momentos de maior concentração de alas, mas o saldo é positivo. A Portela mostrou uma evolução segura, solta e brincante, alinhada ao espírito do samba e ao momento vivido pela escola.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Tabajara do Samba”, sob o comando de mestre Vitinho, mais uma vez se impôs como um dos pilares do ensaio da Portela. Com andamento preciso, leitura segura do samba e impacto sonoro consistente, a bateria foi decisiva para sustentar o canto forte da escola ao longo de toda a pista, criando uma base rítmica que impulsionou a comunidade e reforçou a harmonia do conjunto.

Também merece menção a postura da diretoria durante o ensaio. A alegria e a empolgação do presidente Júnior Escafura foram visíveis do início ao fim da apresentação, acompanhando a escola com entusiasmo e envolvimento direto. A mesma entrega pôde ser observada na vice-presidente Nilce Fran, presença ativa e vibrante, enquanto a presidente de honra, Vilma Nascimento, se destacou pela elegância, vitalidade e simbologia que carrega, reafirmando sua importância histórica e afetiva para a Portela.

Outro momento de forte carga simbólica foi a presença de Tia Surica, que veio na alegoria que trazia a águia, símbolo maior da escola. A imagem da matriarca portelense associada ao principal emblema da agremiação reforçou o elo entre tradição, memória e identidade, criando uma cena de grande impacto emocional e reafirmando a conexão da Portela com suas raízes e seus pilares históricos.