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Comunidade animada ao ritmo de bateria criativa conduz o retorno do Amizade Zona Leste ao Anhembi

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O Amizade Zona Leste abriu, no último sábado, os desfiles das escolas de samba em São Paulo no Carnaval de 2026. A apresentação do Trevo, válida pelo Grupo de Acesso II, teve no canto da comunidade e na bateria os principais destaques da apresentação, concluída após passagem de 48 minutos pelo Sambódromo do Anhembi. O enredo da agremiação foi “Xangô e Iansã – O casal dendê no Ylê do Amizade”, assinado pelo carnavalesco Rogério Sapo.

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Um desfile agradável para quem pisa na Avenida disposto a brincar o carnaval. O comprometimento da comunidade da escola fez valer sua presença, cantando de forma empolgada conforme um tranquilo cortejo ocorria sem preocupações. A grande atuação da bateria contribuiu para esse alto astral, e a constante chuva, que caiu durante todo o desfile da escola, não desanimou os desfilantes em nenhum momento. Mesmo que a escola tenha apresentado problemas em certos quesitos, é inegável que o primeiro desfile do Carnaval de 2026 foi digno do palco principal da folia paulistana.

COMISSÃO DE FRENTE

O coreógrafo Renato Martins foi o responsável pelo desenvolvimento da coreografia da comissão de frente, nomeada “Guerreiros”. O quesito representou na Avenida Xangô e os guerreiros do Reino de Oyó. Na primeira parte da apresentação, o protagonista é treinado pelos coadjuvantes para batalhar, sendo coroado como rei por eles ao fim da segunda etapa.

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Fotos: Woody Henrique e Felipe Araújo/Liga-SP

A apresentação ocorreu ao longo de duas passagens do samba, com os elementos destacados se desenvolvendo na primeira etapa. O protagonista ora evolui em sincronia com metade dos coadjuvantes, ora com os outros, até que, no momento da coroação, ele passa a ditar os movimentos até o final, antes de sentar-se no trono que percorreu a Avenida sob um tripé.

A dança é de leitura fácil e cumpriu bem a demanda do quesito. Porém, ao longo do primeiro módulo, um dos componentes teve problemas com o cinto de sua fantasia. Problemas de acabamento das roupas, gerando inconformidades visuais, podem comprometer o julgamento da escola.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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O primeiro casal do Amizade, formado por Victor Hugo e Pâmela Sousa, desfilou com fantasias representando os “Súditos de Oyó”. A dupla foi acompanhada por um grupo de guardiões, que os circundava ao longo da Avenida. O casal apresentou certa inconsistência na dança durante a apresentação no primeiro módulo, mas a preocupação maior ocorreu durante a passagem pela última cabine do quesito, onde a porta-bandeira teve uma clara dificuldade de segurar o pavilhão para executar sua dança. Os problemas identificados podem dificultar sua avaliação.

ENREDO

O enredo do Amizade Zona Leste foi ilustrado por meio de quatro diferentes atos. O primeiro, apresentado pela comissão de frente, seguido pelo carro abre-alas e encerrado na Ala 2, narrou a trajetória de Xangô. A Ala 3 e o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira representaram, respectivamente, o amor e a união do casal de orixás. O terceiro ato, da Ala 4 até o segundo carro, abordou a história de Iansã.

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A apresentação foi encerrada com uma exaltação ao sincretismo religioso no Brasil, com destaque para o terceiro casal, que homenageou a agremiação coirmã Unidos de Santa Bárbara, fundada em um terreiro dedicado à Orixá dos Raios e cujo nome faz referência à santa associada à entidade. Um enredo de fácil leitura por meio dos quesitos visuais apresentados ao longo da Avenida, que, combinados com a letra do samba, formaram um conjunto adequado dentro da proposta da escola. Pode ser um fator positivo no dia da apuração.

ALEGORIAS

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O Amizade Zona Leste desfilou com dois carros alegóricos. A primeira alegoria recebeu o nome “Reino de Oyó” e teve como foco principal referenciar a figura do orixá Xangô, que, na crença iorubá, foi rei daquelas terras. A segunda, nomeada “Raios de Iansã”, exaltou a força de Iansã, destacando especialmente os raios dentre os elementos associados à entidade.

O conjunto alegórico cumpriu bem o seu papel dentro do enredo. Os orixás estavam representados com suas cores tradicionais e transmitiram a mensagem com clareza. O acabamento das alegorias era simples, mas sem falhas, o que pode significar que a escola pode esperar por boas notas no quesito.

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FANTASIAS

O conjunto de fantasias apresentado por meio das alas do Amizade Zona Leste condiz com a divisão explicada anteriormente no quesito Enredo, formando um conjunto narrativo objetivo, alinhado à divisão dos atos do enredo.

As vestimentas eram de fácil leitura e cumpriram bem o seu papel narrativo, mas em algumas alas foram observadas falhas de acabamento, como partes ausentes em fantasias de baianas e falhas em adereços nas Alas 4 e 8. A depender da observação dos jurados e da quantidade de irregularidades, alguns décimos podem ser perdidos no quesito.

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HARMONIA

Um dos pontos mais fortes no desfile do Amizade Zona Leste, o canto da comunidade foi forte e animado ao longo de todas as alas que desfilaram pelo Sambódromo do Anhembi. A chuva até tentou atrapalhar a festa, mas a disposição dos desfilantes em brincar o carnaval animou até mesmo a bateria da escola, que respondeu com apagões sempre bem respondidos. Destaque especial para a Ala 9, que estava radiante e empolgada.

EVOLUÇÃO

A evolução da escola ao longo da Avenida não teve preocupações. O cortejo ocorreu com tranquilidade e fluidez, com os portões fechando após 48 minutos de desfile. Chamou atenção a demora da escola para iniciar sua apresentação, com a comissão de frente só começando a coreografar após seis minutos da sirene inicial. Essa situação pode explicar a decisão da escola de não realizar o recuo da bateria, que poderia ter comprometido o encerramento do desfile no tempo regulamentar. Conforme observado, é um quesito que pode trazer segurança para a escola na apuração.

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SAMBA-ENREDO

Assinado pelos compositores Turko, Rafa do Cavaco, Maradona, Imperial e Fábio Souza, o samba-enredo do Amizade Zona Leste foi defendido na Avenida pelo carro de som comandado pelo intérprete Cris Santos. A primeira parte do samba é dedicada a Xangô, enquanto o refrão do meio sugere o encontro com Iansã. Já a segunda parte divide sua narrativa entre referências à orixá dos Raios, ao casal e ao sincretismo religioso. O refrão principal não desenvolve a história, funcionando apenas como elemento de exaltação dentro do tema do enredo.

É possível identificar a presença dos quatro atos apresentados pelos quesitos visuais. Entretanto, assim como a própria comissão de frente indica logo no início do desfile, há uma desproporção narrativa nos versos, com maior ênfase em Xangô. Trata-se de uma letra dentro dos padrões esperados para um desfile composto por poucos elementos, como se costuma ver no Grupo de Acesso II, mas que poderia apresentar maior equilíbrio narrativo.

Na Avenida, o samba do Amizade funcionou bem na voz da comunidade, mas o carro de som teve problemas para retornar a cantar após a execução de alguns apagões executados pela bateria. Resta ver a influência dessa falta de sintonia no julgamento do quesito.

OUTROS DESTAQUES

Comandada pelo mestre Vinícius Nagy, a “Batucada do Amizade” brincou à vontade com as oportunidades que a melodia do samba permite e executou um repertório generoso de bossas. A boa comunicação entre os ritmistas e a comunidade permitiu que apagões fossem executados e bem respondidos pelos desfilantes em vários momentos da Avenida. Fantasiada de “Rei Xangô”, a bateria cumpriu bem o seu papel de animar o público mesmo em meio à chuva constante.

Acadêmicos de Niterói encara chuva, aposta em comissão de frente narrativa e tem presença de Janja Lula como destaque no ensaio técnico

Por Marielli Patrocínio, Matheus Morais, Guibsom Romão, Luiz Gustavo e Júnior Azevedo

Debaixo de forte chuva, a Acadêmicos de Niterói realizou um ensaio técnico marcante na Marquês de Sapucaí e mostrou consistência na apresentação do enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que levará para a avenida no Carnaval 2026. Mesmo em condições adversas, a escola apresentou um desfile organizado, de leitura clara e forte carga emocional, com destaque para a comissão de frente e para a presença da primeira-dama Janja Lula, que participou do ensaio ao lado de artistas, intelectuais e personalidades ligadas à cultura e à política brasileira.

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COMISSÃO DE FRENTE

Assinada pelos coreógrafos Handerson Big e Marlon Cruz, a comissão de frente foi o grande destaque do ensaio. Com forte carga emocional e abordagem biográfica, a apresentação conta a trajetória do operário que se tornou presidente de forma sucinta, objetiva e facilmente compreensível para o público e para o julgamento.

A coreografia é executada por um corpo numeroso de bailarinos, dividido em dois grupos bem definidos: os boias-frias e os metalúrgicos. O elemento central da encenação é um tripé cenográfico em formato de andaime, que inicialmente abriga os metalúrgicos, enquanto os boias-frias ocupam a pista com uma dança dinâmica, de passos bem marcados e forte expressão corporal.

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Na chegada do refrão, há uma troca de posições entre os grupos, com os metalúrgicos descendo para a dança e os boias-frias ocupando o andaime, o que imprime dinamismo e mantém a narrativa em constante movimento. Em momentos-chave, os dois grupos interagem diretamente, reforçando a ideia de coletividade e luta de classes presente no enredo.

O andaime se divide em quatro partes, ampliando o espaço cênico e permitindo uma apresentação central pensada especialmente para a cabine espelhada, onde a coreografia ganha frontalidade e impacto visual. Trata-se de uma comissão extensa, com duração superior a uma passada e meia do samba, mas que sustenta o interesse do início ao fim, mantendo coerência narrativa e eficiência técnica.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Emanuel Lima e Thainara Matias realizou uma apresentação forte e emocionante, mesmo sob chuva intensa. Vestidos com figurinos em azul-claro, demonstraram grande sincronia, conexão e domínio da dança.

A coreografia combina leveza e fluidez com passos marcantes, bem definidos, valorizando o pavilhão da escola. Thainara conduziu a bandeira com extrema segurança, deslizando pela pista apesar do piso molhado, enquanto Emanuel apresentou uma dança segura e expressiva.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

Um dos momentos mais simbólicos da apresentação acontece no trecho “revolucionário é escolher seus heróis”, quando o casal faz o símbolo do “L” com as mãos, gesto que dialoga diretamente com o enredo e reforça a leitura política e biográfica da proposta.

SAMBA E HARMONIA

A Acadêmicos de Niterói aposta em um samba extenso, mas de fácil entendimento do enredo e boa aceitação tanto do público quanto da comunidade. A obra flui bem ao longo do desfile, com destaque para o refrão do meio, que funciona como ponto alto musical.

O intérprete Emerson Dias demonstrou potência vocal e bom controle da condução, sustentando o samba do início ao fim com segurança. A ala musical acompanhou bem o intérprete, mantendo coesão e sustentação rítmica.

A harmonia se manteve em nível regular durante toda a passagem da escola, sem grandes oscilações, com todas as alas cantando de forma consistente, mesmo sob chuva, o que reforça o envolvimento da comunidade com a obra.

EVOLUÇÃO

Apesar de ser uma escola de menor porte, a Acadêmicos de Niterói apresentou uma evolução fluida e bem organizada. A escola aproveitou bem a largura e o comprimento da pista, com alas bem enfileiradas, espaçadas e corretamente preenchidas.

O desfile transcorreu sem corridas ou travamentos, e a agremiação atravessou a Sapucaí dentro do tempo regulamentar, demonstrando planejamento e controle da evolução, mesmo em condições climáticas desfavoráveis.

OUTROS DESTAQUES

A presença da primeira-dama Janja Lula foi um dos momentos mais simbólicos do ensaio. Janja desfilou com carisma e empolgação, integrando uma ala especial ao lado da ministra Anielle Franco e de diversas personalidades da cultura brasileira, como Chico Rubens Paiva, Ivo Herzog e sua esposa, Antônio Pitanga, Dadá Coelho, Thomas Aquino, Júlia Lemmertz, Malu Valle, Paulo Betti, Denise Fraga, Kleber Toledo, Débora Lamm, Inês Viana e Bete Mendes, entre outros.

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A ala formada por essas figuras públicas reforçou o caráter simbólico, político e cultural do enredo, ampliando sua repercussão para além da avenida.

Mesmo sob chuva intensa, a Acadêmicos de Niterói deixou uma impressão positiva no ensaio técnico, apresentando um trabalho coerente, emocionalmente potente e tecnicamente bem estruturado. Um desfile que aponta para uma narrativa clara, de forte apelo simbólico, e que promete provocar reflexão e emoção no Carnaval 2026.

Canto coletivo e energia dirigida marcam o ensaio técnico da Unidos da Tijuca

Por Guibsom Romão, Marielli Patrocínio, Matheus Morais, Júnior Azevedo e Luiz Gustavo

No seu segundo ensaio técnico, a Unidos da Tijuca levou à Marquês de Sapucaí e mostrou que está preparada para a caminhada rumo ao Carnaval 2026. Em um ensaio marcado por simbolismo e emoção, a escola transformou a Sapucaí em palco de resistência ao exaltar a trajetória de Carolina Maria de Jesus. Com uma comissão de frente potente e majoritariamente feminina, um casal de mestre-sala e porta-bandeira que uniu técnica e entrega, um samba cantado em coro consciente e uma evolução segura, ainda que cadenciada, a Tijuca apresentou um conjunto coeso, no qual narrativa, estética e identidade caminharam lado a lado. Entre livros erguidos, punhos cerrados e versos que ecoaram como manifesto, a escola reafirmou a força de seu enredo e deu sinais de que pode emocionar no desfile oficial. A agremiação encerra os desfiles da segunda-feira de carnaval com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.

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COMISSÃO DE FRENTE

Composta por 11 mulheres trajando vestidos em amarelo e azul e quatro homens com figurinos em tons de bege, a comissão de frente da Unidos da Tijuca, sob a direção coreográfica de Ariadne Lax e Bruna Lopes, traduziu em movimento a força simbólica do enredo. Mais do que executar passos, o grupo construiu uma narrativa corporal potente. Punhos cerrados, gestos amplos e expansivos, expressões densas: as bailarinas não apenas dançam, elas dramatizam a trajetória de Carolina Maria de Jesus, a catadora de papel que transformou a própria vivência em literatura e conquistou, pela palavra, o seu lugar ao sol.

A apresentação tem início no verso “Sou a liberdade, mãe do Canindé”. Nesse momento, a pivô se adianta ao módulo dos jurados e se apresenta como Carolina. O gesto do punho erguido, recorrente ao longo da coreografia, ganha múltiplos significados: luta, resistência e reivindicação. É um símbolo que atravessa a encenação e sintetiza a essência da homenageada.

O protagonismo é assumidamente feminino. Enquanto os homens, ao fundo, desfraldam uma bandeira com a imagem de Carolina e a inscrição “A luta continua”, as bailarinas retiram de seus bolsos exemplares de Casa de Alvenaria. O livro, erguido ao alto como antes o punho fechado, transforma-se em instrumento de manifestação. A palavra passa a ocupar o lugar do grito; a literatura, o espaço da denúncia.

No desfecho, a pivô abre a saia e revela a frase “Quem inventou a fome são os que comem”, síntese da crítica social que permeou tanto a vida quanto a obra de Carolina. Seja como catadora, seja como escritora, sua luta sempre foi contra a fome física e estrutural.

Na cabine espelhada, a coreografia assume forma circular, ampliando a percepção dos movimentos e conferindo tridimensionalidade à apresentação, o que valoriza ainda mais o desenho cênico pensado pelas coreógrafas.

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Em suma, foi apresentada a mesma coreografia da semana anterior, com igual vigor, carga emocional e execução segura. Pela prévia, é possível projetar que a versão oficial tem tudo para emocionar a Sapucaí e reafirmar a potência narrativa da comissão tijucana.

“Nossa coreografia permaneceu a mesma da semana passada. Obtivemos êxito no dia de hoje, cumprindo o que estamos desenvolvendo há mais de três meses nesses exaustivos ensaios. Assim, hoje concluímos com sucesso aquilo que viemos propor e realizar nesta noite”, comentou Bruna.

“Nós optamos por fazer o que já vínhamos repetindo nos ensaios de rua e o que fizemos no primeiro ensaio técnico. Optamos por repetir a coreografia e há, sim, alguns spoilers do que virá no desfile oficial. Temos elementos, obviamente, para engrandecer o espetáculo e a história de Carolina, para ser contada da melhor forma”, completou Adriane.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Assim como a comissão de frente, Matheus Miranda e Lucinha Nobre cruzaram a Marquês de Sapucaí com a missão clara de emocionar e cumpriram. O figurino do casal não era apenas indumentária, mas discurso. No terno de Matheus, inscrições e referências à homenageada; no vestido de Lucinha, uma saia construída a partir de colagens de imagens, papéis e livros que remetiam diretamente ao universo de Carolina Maria de Jesus. Havia ali simplicidade estética, mas, sobretudo, densidade simbólica. A vida e a obra da escritora estavam costuradas em cada detalhe.

Um dos momentos mais tocantes acontece no verso “Aos barracos do Borel”. Ao som desse trecho, Lucinha abraça o pavilhão com delicadeza e intensidade, em um gesto que transcende a coreografia e se transforma em declaração de amor ao morro que dá origem à escola. É um abraço que carrega pertencimento, memória e identidade.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

Durante toda a apresentação, Lucinha dançou com a bandeira plenamente desfraldada, exibindo-a com imponência e executando suas tradicionais bandeiradas com firmeza e segurança. Há técnica, mas há também entrega.

Matheus, por sua vez, riscou a avenida com elegância e precisão. Seguro nos movimentos, cortejou sua porta-bandeira com destreza, conduzindo a dança com leveza e domínio do espaço. Juntos, formaram um conjunto harmônico, no qual técnica e emoção caminharam lado a lado, reafirmando a capacidade do casal tijucano.

Lucinha Nobre declarou: “Hoje a gente veio mais devagar, no ritmo da fantasia. Semana passada a gente ‘botou fogo’. Esta semana, tentamos vir no ritmo da fantasia, do que queremos entregar semana que vem. A gente sabe que semana que vem é o resultado final de tudo o que vem sendo trabalhado desde abril. Não tivemos férias. Começamos a trabalhar em maio para chegar nisso que estamos apresentando aqui. Ensaiávamos duas vezes por semana, de forma solitária, eu e Matheus, com a ajuda da Ariadne também, que pegou nosso trabalho no início junto com a Gabriela. Depois fomos crescendo… aí chegou a Camille, que veio de Portugal, ela já trabalha comigo há muito tempo. Estamos nesse processo de busca da perfeição e do entrosamento. Todo mundo falava que a gente não tinha muito entrosamento. Existe muito preconceito com casal que está começando, e é muito difícil recomeçar. Mas a história da minha carreira como porta-bandeira é essa: eu nada fiz além de recomeçar. Não tenho vergonha nenhuma da minha trajetória; muito pelo contrário, tenho muito orgulho. Tenho orgulho de ter caminhado até aqui, de ter honrado todos os pavilhões pelos quais passei, de ser querida. Hoje tinha muita gente da Mocidade aqui e eu recebi o carinho dessas pessoas. Estou muito, muito feliz. Acho que meu reencontro com a Tijuca, 15 anos depois, tinha que acontecer. E, como leitora de Carolina Maria de Jesus quando adolescente, eu me sinto parte dessa história, desse enredo. Hoje fiz questão de assinar o nome de vários componentes, diretores, pessoal de ala, bateria, cantores, todo mundo assinou essa blusa, porque aqui a gente traz a palavra da Carolina Maria de Jesus. Quero dizer também que essa roupa foi feita pela Érica Modesto, idealizada pela Érika, com confecção da Ágatha Lacerda. Estou muito feliz e orgulhosa”.

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Matheus afirmou: “Emoção. É o que define a Tijuca hoje. A escola está de peito aberto e recebeu esse enredo da mesma forma. Todo mundo comprou a ideia, todo mundo está feliz, comemorando tudo ao mesmo tempo. É uma mistura de sentimentos, porque representar e falar de Carolina não é mole. Representar toda a sua história, suas obras… é incrível compartilhar esse momento. Entrei muito emocionado e, quando deu a largada, eu incorporei. Incorporei a história da Carolina, o personagem, todas as mulheres pretas que lutaram. É isso que vou fazer até o desfile: incorporar e emocionar”.

EXPECTATIVA PARA O DESFILE OFICIAL

Lucinha: “Eu espero que faça jus a tudo o que a gente trabalhou, porque trabalhamos muito. Eu só quero que as pessoas olhem, vejam e reconheçam. Que entendam e curtam como eu estou curtindo”.

Matheus: “Que venha logo. Todo mundo está ansioso, com o coração acelerado, o ano inteiro pensando nisso. Estar aqui é uma oportunidade única. Espero o ano inteiro para viver esse momento e estou ansioso para chegar aqui e compartilhar minha felicidade, minha emoção e meu sorriso”.

SAMBA E HARMONIA

Com a introdução de Lissandra Oliveira, cantora de apoio da escola, dizendo: “Sou Carolina Maria de Jesus, aquela que venceu a fome, reescrevendo o Brasil”.

O ponto alto do samba na avenida acontece quando ele se aproxima do pré-refrão e desemboca no refrão principal: “Sou a liberdade, mãe do Canindé / muda essa história, Tijuca”. A reação da comunidade é instantânea. A melodia cresce, o canto ganha corpo, impulsionado pela pulsação da bateria e pela condução segura do carro de som.

No paradão da bateria com o carro de som, o silêncio rítmico abriu espaço para um dos momentos mais arrebatadores do ensaio. De longe, ecoou forte o verso “Sou a liberdade, mãe do Canindé”. A frase atravessou a Sapucaí como um chamado.

Além de estar na ponta da língua, o samba da Tijuca é cantado com vontade e ânimo por sua comunidade, que o projeta da maneira que o enredo pede.

Marquinhos ArtSamba, em mais uma noite, fez uma apresentação exemplar e correta. Em um samba que não pede cacos nem brincadeiras, conduziu com maturidade e segurança.

Em suma, foi um coro que vibrou com consciência do que estava sendo dito. O gesto coletivo transformou o trecho em manifesto, fazendo da avenida um grande ato simbólico de resistência e afirmação.

“Hoje foi bem melhor. Às vezes a gente executa algo e não sai como o esperado; uma coisa é um ensaio de rua, outra é aqui na Marquês de Sapucaí. Geralmente executamos algumas coisas nos ensaios de rua para testarmos aqui; pode dar certo como pode dar errado. Na semana passada tentamos algumas coisas que não deram certo; hoje procuramos manter mais a cadência, cantar o samba mais reto, porque o samba pede. É um samba bonito. Só tenho que agradecer a essa rapaziada maravilhosa que está junto comigo. O som hoje foi muito bom; no início falhou um pouco, o fone não estava muito legal, mas depois se acertou, tudo dentro do que eles combinaram com a gente”, afirmou Marquinho Art Samba.

EVOLUÇÃO

Diferentemente do ensaio anterior, a Unidos da Tijuca apresentou uma evolução mais controlada e linear. As alas cruzaram a avenida com notável alinhamento, mantendo espaçamentos regulares e um ritmo cadenciado, mais desacelerado. A fluidez esteve presente, mas a escola optou por atravessar a Sapucaí com o “pé no freio”, administrando cada setor com cautela.

Não houve intercorrências nas transições, tampouco problemas nas entradas e saídas dos recuos de bateria, o que demonstra organização e domínio do tempo de desfile. Ainda assim, percebeu-se que, nos minutos finais, a escola manteve essa contenção de forma ainda mais acentuada, prolongando o andamento e encerrando o ensaio aos 74 minutos.

“Foi a nossa última oportunidade de pisar aqui antes do desfile oficial. Foi importante para testarmos algumas coisas que identificamos no último ensaio e que precisavam de ajustes, especialmente nas questões de evolução e harmonia. Fizemos o dever de casa e aproveitamos o ensaio de hoje para realizar esses ajustes. Agora vamos fazer um ensaio com a comunidade no Borel, que é sempre muito importante para a escola, porque pegamos o axé lá do morro para levar à avenida. A comunidade comprou a ideia do enredo e do samba. A escola está cantando muito, e acredito que a emoção será a marca do nosso desfile. A comunidade já está recebendo as fantasias, feliz da vida. Estamos entregando tudo com tranquilidade, o barracão também está pronto. Estamos preparados para fazer um grande desfile, à altura da Tijuca e à altura de Carolina”, explicou Elisa Fernandes, diretora de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

Outras alas desfilaram com livros nas mãos, elemento simbólico que se integrou com naturalidade à proposta do enredo. O gesto simples de erguer ou conduzir o livro durante o canto reforçou a ideia da palavra como instrumento de transformação.

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Um dos momentos mais delicados e cativantes veio com o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por duas crianças. A presença dos pequenos trouxe leveza e esperança. O detalhe da chupeta amarrada na ponta do pavilhão é um gesto singelo, mas carregado de simbolismo: mistura de inocência, tradição e continuidade. Uma cena que reforça que o futuro da escola aprende, desde cedo, a amar e respeitar o seu pavilhão.

MESTRE CASAGRANDE

Balanço do ensaio: “Primeiramente, gostaria de agradecer ao meu presidente. Nesta semana, solicitamos alguns ajustes e ele prontamente nos atendeu, mostrando que não é apenas um gestor administrativo, mas também um grande gestor de pessoas. Quero parabenizar o presidente Gabriel David e toda a equipe pela melhoria no som, além de agradecer todo o esforço da Liesa. Falando da bateria, foi maravilhosa. Acho que conseguimos cumprir todas as metas que traçamos lá no nosso ensaio de rua e na quadra. Trouxemos isso para o ensaio técnico e o desempenho foi muito satisfatório. Fizemos as bossas onde queríamos, a bateria sustentou o samba o tempo inteiro e o entrosamento com o carro de som foi perfeito. O balanço é muito positivo”.

Expectativa para o desfile oficial: “A expectativa é a melhor possível. Estamos trabalhando muito, a bateria está focada, o grupo está muito unido. Sabemos da responsabilidade que é defender as cores da nossa escola, mas estamos preparados. Semana que vem é o dia de colocar em prática tudo o que ensaiamos nesses meses todos e, se Deus quiser, buscar a nota máxima e colocar a Tijuca no lugar que ela merece”.

Com canto forte e evolução quente, Mangueira entrega ensaio técnico de alto nível

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Por Luiz Gustavo, Marielli Patrocínio, Matheus Morais, Guibsom Romão e Júnior Azevedo

A Estação Primeira de Mangueira pisou na Marquês de Sapucaí na última sexta-feira para realizar seu segundo e último ensaio técnico da temporada 2026, exibindo toda a força de seu explosivo e histórico chão. Foi um desempenho com cara de Mangueira: uma escola aguerrida, animada, cantando muito, com componentes felizes. A agremiação também contou com uma comissão de frente de bom nível, uma bateria tinindo, bom desempenho do samba e um casal em fase primorosa, com mais um rendimento irrepreensível. Matheus e Cintya se mostram um casal arrojado e com o espírito da velha Manga, de energia contagiante. Um ensaio substancialmente superior ao apresentado na semana anterior. A Verde e Rosa será a última escola a desfilar no domingo de carnaval, apresentando o enredo “Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidney França.

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COMISSÃO DE FRENTE

Karina Dias e Lucas Maciel trouxeram uma comissão com os mesmos elementos do primeiro ensaio técnico: componentes representando as forças da natureza, com uma roupa rosa e um preto-velho como elemento central. Uma comissão esteticamente bonita e de bom impacto, com excelente sincronia e execução dos movimentos. Na segunda parte do samba, os integrantes simularam estar dentro da floresta por meio de um pano verde, um efeito simples e muito bem realizado. Tudo muito bem concatenado e bem amarrado, uma apresentação de muita qualidade.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Matheus e Cintya formam um casal em estado de graça neste pré-carnaval, com um arrojo de impressionar. Uma apresentação ousada, com alto grau de dificuldade, realizada com uma tranquilidade absurda por parte de ambos. Desde a entrada, com uma bela sequência de giros de Cintya, a série se mantém em excelente ritmo, com muito dinamismo na execução dos movimentos. Cintya intercala seu rodar característico, com o corpo levemente curvado, com giros mais suaves, todos cravados com muita categoria. Matheus brinca com as pernas em um bailado malandreado que beira a perfeição na execução dos passos, tanto nos rodopios evoluindo pela pista quanto nos giros em torno do próprio eixo. A coreografia tem alguns elementos baseados na letra do samba, como no refrão central, mas é predominantemente solta, em uma série que não amorna em momento algum. Um desempenho espetacular do casal neste ensaio.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

EVOLUÇÃO

A Mangueira evoluiu com muita força pela Marquês de Sapucaí, preenchendo a pista com bastante volume e componentes utilizando muito os braços e brincando dentro das alas. Foi um excelente desempenho em termos de lateralidade e empolgação, mantendo uma evolução quente e sem arrastar pela avenida. A Verde e Rosa vem com algumas alas coreografadas, o que deixa a evolução mais marcada em alguns momentos, mas isso não travou a escola, que aproveitou o volume de espaço que as coreografias proporcionam.

Os desfilantes chegaram com muita tranquilidade aos metros finais do sambódromo, quando os diretores seguraram um pouco a escola para testar o canto e permitir que a bateria se apresentasse com mais calma, o que deixou a escola parada por alguns minutos. No geral, foi uma evolução bem correta e também vigorosa por parte da agremiação, que terminou seu ensaio com 76 minutos.

“Chegamos bem preparados para este último ensaio. O que tínhamos que acertar do ensaio anterior, acertamos. Eu vi uma escola sabendo desfilar, sabendo cantar; encontrou o ponto do samba que canta, encanta, evolui e dança, que são as premissas para buscarmos a nota técnica, a nota do jurado. Mas a Mangueira emociona, e eu acho que a escola está fazendo isso. Existem diversos trechos do samba em que a gente canta olhando para os componentes, apontando o dedo, pulando; isso faz a energia vir de dentro para fora. A Mangueira chega firme, chega bem para esta semana. Faltam umas quatro alas para entregar fantasia, o barracão está em ponto de bala para sair e desfilar. É agradecer a toda a diretoria, a todos os segmentos; a Guanayra é incansável, dá estrutura para a gente ensaiar, para colocar a escola na rua. Está chegando o dia 15, Mangueira é a última escola a desfilar. Vamos com tudo”, afirmou Dudu Azevedo, diretor de carnaval.

HARMONIA E SAMBA

O samba mangueirense teve um desempenho muito bom no ensaio técnico, levado com categoria por Dowglas Diniz, que teve a difícil missão de solar em várias bossas sem o acompanhamento dos apoios, sustentando o canto o tempo todo. A obra não cansou, também potencializada pelo ótimo desempenho da bateria, e alcançou bom rendimento não apenas nos refrãos, mas em trechos como o início da segunda parte e, principalmente, o momento que antecede o refrão de cabeça, quando há uma subida de tom no trecho “Yá, Benedita de Oliveira, mãe do morro de Mangueira, abençoe o jeito Tucuju”. A obra, que se mostra mais poética do que explosiva, exibiu grande funcionalidade e se manteve firme durante toda a passagem da escola.

O canto seguiu essa toada e foi bastante satisfatório durante praticamente toda a apresentação, com uma pequena queda na empolgação dos componentes nos últimos minutos, quando a escola segurou a evolução na altura do último módulo. De resto, foi um canto acompanhado por todas as alas, inclusive as coreografadas, que não deixaram o ritmo cair. O samba tem bastante variação melódica e alguns trechos em que o tom baixa, como na segunda parte do refrão central, mas nada disso comprometeu o forte desempenho da comunidade, que levou no gogó com potência. Um bonito momento da Mangueira, que mostrou enorme evolução em relação ao primeiro ensaio técnico no quesito.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria comandada por Rodrigo Explosão e Taranta Neto teve excelente desempenho, marcado pelo arrojo nas bossas, como a sustentada pelas caixas de marabaixo. Um ótimo rendimento que potencializou a passagem do samba da agremiação. Os mestres falaram sobre o ensaio e a perspectiva para o desfile oficial.

“Acho que o ensaio de hoje foi muito mais consistente do que o da semana passada. Claro que o primeiro ensaio tem aquela tensão a mais, por isso acho que o ensaio de hoje foi excepcional, nível de desfile, é o que esperamos repetir no domingo que vem. A expectativa é Mangueira no topo sempre, já entramos na avenida com esse pensamento. É chegar aqui, fazer o melhor para ajudar a escola e, consequentemente, ser campeã na quarta-feira”, disse Taranta.

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“Foi um ensaio bastante consistente, a galera conseguiu limpar tudo o que a gente precisava do ensaio anterior. Hoje foi um ensaio com cara de desfile e, se Deus quiser, a gente vai fazer um pouco melhor do que isso para gabaritar a nota. O nosso intuito é sempre brigar pelo título, a escola está trabalhando muito desde quando escolheu o samba. Teve um trabalho da galera da harmonia junto com a gente, junto com a presidenta, colocando o barracão em dia. As fantasias já estão sendo entregues com uma semana, duas de antecedência. Agora nos resta chegar aqui, a bateria responder, cada um fazer a sua parte para a gente brigar por esse título”, declarou Rodrigo Explosão.

Evelyn Bastos veio à frente da bateria com uma fantasia que representava uma árvore e, como de costume, se destacou pela beleza, presença e samba no pé. Sem dúvida, uma raiz mangueirense. A ala das baianas veio bem vestida e rodando forte na Sapucaí, sem esquecer do samba na ponta da língua.

Casal brilha e dá o tom em noite de liberdade e irreverência no ensaio técnico da Mocidade

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Por Júnior Azevedo, Marielli Patrocínio, Matheus Morais, Luiz Gustavo e Guibsom Romão

A Mocidade Independente de Padre Miguel viveu, nesta sexta-feira, mais um capítulo importante de sua preparação para o Carnaval 2026. Sob pista molhada e clima de expectativa, a Estrela Guia mostrou que aposta alto em um desfile ousado, irreverente e carregado de personalidade com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido por Renato Lage. E, se houve um ponto que concentrou atenções, aplausos e unanimidade, ele esteve no centro da pista: Diogo Jesus e Bruna Santos, que protagonizaram o grande momento do ensaio técnico.

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Vivendo o sexto carnaval pela verde e branco de Padre Miguel, o casal atravessa um de seus melhores momentos na escola e deixou isso claro do início ao fim da apresentação. Energia, vitalidade, sintonia e excelência técnica se combinaram em uma performance que dialoga diretamente com a liberdade estética e comportamental celebrada pelo enredo.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente apostou em uma leitura direta e simbólica do universo de Rita Lee. Vestidos como Anjos da Noite, majoritariamente em preto, com capas, coturnos e alguns componentes exibindo dentes de vampiro, o grupo fez referência explícita a “Doce Vampiro”, um dos maiores sucessos da homenageada.

A coreografia foi simples, bem marcada e executada com boa sincronia, cumprindo com eficiência sua proposta no contexto do ensaio técnico. O desenho coreográfico funcionou, teve leveza e boa resposta do público presente, ainda que sem grandes efeitos ou elementos cenográficos que ampliassem o impacto visual.

A ausência de alegorias cênicas e a paleta escura das fantasias tornaram a apresentação mais contida, reforçando a sensação de que se trata de uma comissão de passagem, pensada para crescer no desfile oficial. Ainda assim, a organização espacial e a execução foram corretas, mostrando um trabalho consistente.

Um ponto de atenção ficou por conta de um incidente isolado: durante a apresentação no primeiro módulo de jurados, uma componente escorregou ao executar um chute no ar, caindo no solo. O episódio foi consequência direta da pista molhada, já que a Mocidade iniciou seu ensaio logo após a passagem da Acadêmicos de Niterói, sob chuva. O ocorrido não comprometeu o conjunto da apresentação, mas serve de alerta para ajustes de segurança e adaptação às condições do piso.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Se o ensaio técnico tivesse um protagonista absoluto, ele seria o casal Diogo Jesus e Bruna Santos. A dupla entregou uma apresentação de altíssimo nível, arrancando aplausos espontâneos do público e reafirmando seu status entre os grandes casais da atualidade.

Bruna mostrou extrema agilidade, intensidade e domínio técnico. Seus giros foram executados com velocidade, precisão e beleza, sempre com postura impecável e leitura clara da bandeira. A energia foi constante em todas as cabines, sem qualquer queda de rendimento.

Diogo, por sua vez, conduziu a apresentação com segurança e personalidade. Seu trançado de pernas foi um dos pontos altos, aliado a uma movimentação fluida e a uma leitura perfeita do tempo musical. A sintonia entre os dois foi evidente, com conduções firmes, trocas bem resolvidas e um bailado coeso, elegante e vibrante.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

O casal conseguiu manter intensidade máxima sem abrir mão da técnica, equilibrando vigor físico e refinamento estético. Uma apresentação excepcional, que dialoga diretamente com o espírito libertário do enredo e se coloca como um dos grandes destaques do carnaval que se aproxima.

“Foi maravilhoso o nosso ensaio de hoje. Tecnicamente, melhoramos muitas coisas em relação à outra semana. O chão estava um pouco escorregadio, pois eles passaram uma tinta nova essa semana, mas nada que, no momento, eu e o Diogo não conseguíssemos driblar. Tecnicamente, estamos prontos e agora é só chegar no desfile”, disse a porta-bandeira.

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“O que estamos exibindo aqui é a coreografia completa que vai para o desfile. A única coisa que muda é a tensão, a energia, que no dia do desfile aumenta ainda mais. Hoje fizemos o que iremos fazer no dia oficial, entregamos muito e isso foi notório. A Bruna é carregada de técnica, beleza e graciosidade; todas as falas positivas para ela não são em vão. Esse enredo traz mais força para a mulher, e a Bruna está conseguindo incorporar essa força. Da minha parte, estou conseguindo defender bem esse enredo”, completou o mestre-sala.

HARMONIA E SAMBA

O samba-enredo apresentou bom rendimento ao longo do ensaio. A condução de Igor Vianna, ao lado de seus companheiros de carro de som, foi segura e eficiente, garantindo estabilidade e fluidez ao canto da escola.

A harmonia se mostrou leve e espontânea. Os componentes passaram cantando, brincando e se divertindo na avenida, com forte adesão ao samba. Era visível o envolvimento da comunidade, que cantava batendo no peito e demonstrando identificação com a obra.

Apesar de algumas oscilações, sobretudo nos minutos finais, o conjunto funcionou bem e sustentou a escola durante a maior parte da apresentação, reforçando o caráter comunicativo e acessível do samba.

EVOLUÇÃO

A evolução foi um dos quesitos mais bem resolvidos da noite. A Mocidade apresentou excelente preenchimento de pista, sem buracos entre as alas, explorando com inteligência a lateralidade e todo o espaço disponível na avenida.

Os componentes se movimentaram com leveza, trocando posições, brincando e ocupando o espaço de forma orgânica. Em alguns momentos, especialmente na parte final do ensaio, a evolução se mostrou um pouco mais travada, o que é compreensível dentro do ritmo de treino.

A escola encerrou sua apresentação com 78 minutos, dentro do tempo regulamentar, realizando uma evolução correta, consciente e bem distribuída, demonstrando entendimento claro das exigências do quesito.

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“Mesmo na chuva, ‘ritaleezamos’ mais uma vez. Mocidade de parabéns: conseguimos mostrar de novo o nosso treino bem executado, as bossas, as paradas, comissão, casal e bateria. Hoje, a gente veio trabalhar a técnica; criamos algumas situações de treino para que, porventura, caso aconteçam no desfile, a gente saiba como se posicionar. Um resultado muito satisfatório. Amanhã, a gente assiste ao desfile. Tem uma equipe nossa que está fazendo o monitoramento, leva amanhã para o nosso escritório e a gente vai assistir ao vídeo. Claro, sempre há algum ajuste a ser melhorado. Afinal, hoje foi mais um treino. A gente não pode errar daqui em diante. O que aconteceu até hoje, a gente leva para casa e ajusta. Mas eu estou muito satisfeito”, afirmou Wallace Capoeira, diretor de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Não Existe Mais Quente”, comandada por Mestre Dudu, foi mais uma vez um espetáculo à parte. Com inúmeras bossas e uma cadência muito bem estabelecida, o segmento sustentou o samba com personalidade e impacto sonoro, mantendo o pulso da escola do início ao fim.

“Na semana passada aconteceram alguns pequenos delays, mas é normal: um som novo. Eu confiava que hoje o som estaria bem melhor. Parabenizo o pessoal da Liga, que está nos proporcionando essa novidade no carnaval. O nosso trabalho está sendo feito desde maio, quando anunciaram o enredo da Rita Lee; eu fiquei feliz, Rita Lee é musicalidade. Nossas bossas estão sendo todas feitas em cima da melodia do samba. O sarrafo está muito alto, não dá para fazer mais bossas para dificultar. Trabalhamos em cima das justificativas dos jurados, então tomamos um cuidado enorme com a retomada e a precisão das bossas, que é o que o jurado costuma descontar”, explicou mestre Dudu.

À frente da bateria, a rainha Fabíola Andrade mostrou desenvoltura, carisma e sintonia com os ritmistas, contribuindo para a boa impressão geral do conjunto.

Ser passista da Mangueira: corpo, comunidade e legado que atravessam gerações

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A Estação Primeira de Mangueira é mais do que uma escola de samba: é território, identidade e pertencimento. Com uma comunidade historicamente fiel, que vive o verde e rosa o ano inteiro, desfilar pela Mangueira representa honra, responsabilidade e continuidade de um legado construído no chão do morro e levado com orgulho para a Avenida. Dentro desse universo, a ala de passistas carrega um papel central: traduzir, no corpo e no samba no pé, a força da comunidade mangueirense.

À frente desse trabalho está Fernanda Oliveira, coordenadora da ala de passistas, que divide a função com Amanda Matos e Ramon Lero, amigos desde a infância e criados na Mangueira. Para ela, a responsabilidade vai muito além do desfile.

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“É de muita responsabilidade. Não sou só eu, conto com o apoio da Amanda Matos e do Ramon Lero. Nós crescemos e vivemos na Mangueira. Em 1998, participamos de um concurso para sermos passistas da escola e, depois, fomos contemplados para coordenar a ala. Somos responsáveis pelo recuo da bateria, pela sanfona e pelo andamento. O carnaval, para a gente, não acaba nunca”, afirma.

Fernanda destaca ainda que o trabalho é contínuo e começa assim que o carnaval termina. “Assim que finaliza um carnaval, já estamos pensando no próximo. É ensaio, é cuidado, é manter o pique. A Mangueira é o ano inteiro.”

Essa construção de legado também aparece na trajetória de Gabriel Oliveira, de 27 anos, que desfila há 20 anos na Mangueira e, há três, integra a ala de passistas.

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“Comecei como passista mirim, sempre fui da comunidade. Hoje também sou coordenador da Mangueira Mirim na área de fitas. É uma construção de legado de grande importância”, conta.

A emoção de vestir a fantasia e ocupar esse espaço tão simbólico atravessa gerações. Antonella Souza, de apenas 13 anos, desfila há seis anos e já entende o peso desse lugar.

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“Eu me sinto muito grata. Sempre foi meu sonho participar da ala de passistas da Mangueira. Passar pela Avenida sendo passista dessa escola tão importante… é difícil conter a emoção. Dá ansiedade, mas é uma sensação muito boa”, relata.

Para Luciana da Silva, de 25 anos, gestora de RH e passista desde 2014, o sonho virou compromisso de vida.IMG 3986

“Sempre foi meu sonho ser passista da Mangueira. Desde 2016 realizo esse sonho todos os anos. É a escola que eu amo e quero viver o resto da minha vida desfilando aqui. Na Avenida, a gente tem que segurar o coração, porque quem é mangueirense sofre. É tão emocionante que a gente não sabe se samba ou se chora”, diz.

Já Luiz Cláudio, de 28 anos, com 15 anos de desfile, resume o sentimento coletivo da ala.

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“A responsabilidade é muito grande porque a Mangueira tem uma força enorme. A gente repassa essa força da comunidade através do samba no pé. É uma honra e uma satisfação imensa pertencer a esse legado”, afirma.

Entre ensaios, tradição e emoção, os passistas da Mangueira seguem fazendo da Avenida uma extensão do morro, levando no corpo a história, a resistência e o orgulho de uma das escolas mais emblemáticas do carnaval carioca.

Independentes de corpo e alma: a juventude da Mocidade que canta, vive e sente a escola o ano inteiro

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A Mocidade Independente de Padre Miguel chega ao Carnaval 2026 celebrando a liberdade, a irreverência e a força criativa de uma das maiores artistas da música brasileira: Rita Lee. Ícone da contracultura, da liberdade feminina e da ousadia artística, a cantora inspira um enredo que dialoga diretamente com a essência da escola: irreverente, jovem, elétrica e apaixonada pela avenida.

Esse espírito se reflete também na nova geração de componentes da Mocidade. Jovens que cantam o samba do começo ao fim, interagem, pulam, vibram e carregam no peito o orgulho de serem Independentes de corpo e alma. Durante o ensaio técnico, quatro componentes traduziram em palavras o que é viver a Mocidade intensamente.

Thiago Souza, 26 anos, analista de dados, vive em 2026 a sua primeira experiência desfilando. Para ele, a diferença entre assistir e estar na avenida é marcante.

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“Cara, está sendo muito legal, está sendo minha primeira experiência desfilando. Quando a gente está na avenida é uma experiência única e, quando você está na arquibancada, é outra experiência. Na avenida explode muita emoção, muito amor pela escola, então está sendo incrível, incrível.”

Felipe Araújo, 25 anos, arquiteto, desfila há três anos e destaca a energia contagiante do samba da Mocidade.

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“Desfilar na Mocidade é uma energia maravilhosa de Carnaval porque o samba é vibrante, ele é alegre, ele é muito divertido. Entrar na avenida com o samba e com essa energia é muito empolgante, dá vontade de pular, soltar toda a energia e gritar mesmo o samba. Está sendo um samba que estimula muito a desfilar, está sendo maravilhoso.”

Amanda Barbosa, 28 anos, advogada, desfila pela terceira vez e se emociona ao cantar um enredo que exalta a liberdade e representa a força feminina.

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“Com esse enredo sobre a padroeira da liberdade, e eu, como mulher, cantando, é muito emocionante. Admiro muito a obra da Rita Lee e tudo que ela fez em vida. Está sendo incrível viver e celebrar este momento. Estou aqui com meus amigos e minha irmã, o que faz ser perfeito.”

Já para Mariana Almeida, 30 anos, farmacêutica, o desfile de 2026 marca a realização de um sonho pessoal. Fã declarada de Rita Lee, ela encontrou no enredo o empurrão que faltava para estrear na avenida.

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“Eu estou muito feliz de desfilar na Mocidade este ano porque sou fã da Rita Lee. Nos últimos dois anos eu li a biografia desta poeta, pude conhecer melhor a história e as músicas dela, o quanto ela é importante para a música brasileira e para o Brasil. Quando fiquei sabendo que a Mocidade ia falar sobre a Rita Lee, eu coloquei na minha cabeça que precisava desfilar, corri atrás e consegui essa oportunidade. Estou muito feliz de participar. A escola está ganhando muito meu respeito pela organização, pela alegria e pela animação. Espero que seja um momento especial e incrível na avenida.”

Entre estreias, paixões antigas e novas histórias sendo escritas, a juventude da Mocidade mostra que o Carnaval vai muito além do desfile. É pertencimento, identidade e liberdade — exatamente como Rita Lee ensinou e como a Estrela Guia de Padre Miguel faz questão de mostrar: independente de ser o primeiro desfile ou o décimo, quem entra na avenida vai de corpo, alma e coração verde e branco.

MUG se destaca em noite de recuperações no Sambão do Povo

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A Mocidade Unida da Glória se destacou na noite de recuperações no Sambão do Povo. Foi a única candidata ao título do Carnaval de Vitória a se apresentar na primeira noite de desfiles do Grupo Especial. A escola de Vila Velha sobrou.

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Mas isso não quer dizer que tenha sido o único ponto alto da noite. A Jucutuquara fez um lindo desfile sobre Maria Padilha e encantou o público. O Novo Império também saiu orgulhoso por dar a volta por cima após um desfile ruim no ano passado.

Pega no Samba, com problemas de evolução, e Imperatriz do Forte, com fantasias excessivamente simples e um contingente reduzido de componentes, brigam contra o rebaixamento.

Leia abaixo todas análises

Força visual e técnica: MUG impõe respeito e segue forte na briga pelo título

Imperatriz do Forte encerra a noite com desfile focado na sobrevivência

Com samba leve e evolução solta, Jucutuquara faz desfile de alma e identidade

Entre acertos e falhas, Pega no Samba abre os desfiles de Vitória mirando a permanência

Novo Império aposta na força do canto e na evolução para compensar falhas visuais

Imperatriz do Forte encerra a noite com desfile focado na sobrevivência

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A escola do Forte São João, última a desfilar nesta sexta-feira, pegou o Sambão do Povo quase vazio e realizou o desfile mais simples esteticamente da primeira noite do Grupo Especial de Vitória.

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Com o enredo “Xirê: festejo aos ancestrais”, a verde e rosa apresentou quesitos fortes, que podem ajudá-la a permanecer no grupo. A começar pela comissão de frente, coreografada por Junior Barbosa, que assumiu a missão há poucas semanas. Sem elemento cênico, a escola defendeu o quesito com uma dança cheia de garra e significado.

O casal Thiaguinho e Jéssica também se apresentou com qualidade e firmeza e deve garantir bons pontos. Outro ponto alto foi a pesada bateria de Vitor Rocha e Amon Lucas, dona do melhor naipe de caixas da noite.

As alegorias do carnavalesco Marcus Paulo estavam corretamente decoradas e não ficaram devendo, ao contrário das alas, com fantasias muito simples e com poucos componentes.

Isso deve atrapalhar o desempenho do samba, embora tenha sido muito bem cantado por Dodô Ananias.

A Imperatriz fez um desfile com o objetivo de tentar permanecer no grupo. Vai depender das demais.

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Força visual e técnica: MUG impõe respeito e segue forte na briga pelo título

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A maior campeã do século em Vitória, a Mocidade Unida da Glória, jogou pesado nesta sexta-feira no Sambão do Povo. Com um visual impactante, contou o enredo “O diário verde de Teresa”, sobre a incursão científica de uma princesa da Baviera por terras capixabas no século XIX.

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Mostrando a natureza da região e os indígenas que motivaram a viagem da princesa, o carnavalesco Peterson Alves usou muito verde e tons terrosos nas fantasias e alegorias, que apresentaram a maior volumetria e o melhor acabamento até então. Tudo foi feito com muito cuidado e sem uso de matéria-prima animal.

Os quesitos foram muito bem defendidos, desde a comissão de frente coreografada por Marcelo Lages, que arrancou suspiros do público com uma acrobacia, passando pelo seguro casal Hudson e Klaura e pela excelente bateria de mestre Lucas.

A evolução da MUG se destacou pela ocupação total da pista e pela grande compactação dos componentes. Com tudo isso, faltou aos componentes se mostrarem mais animados e vibrantes. Ou estavam acomodados com a nítida vantagem visual da escola, ou estavam tímidos. Não se soltaram. Mas isso não tira o Leão da Glória da disputa pelo título. Vai brigar!

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

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