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Canto forte anima o Anhembi, mas plástica compromete o Morro da Casa Verde

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O Morro da Casa Verde apostou em um desfile de impacto e resposta quente das arquibancadas para contar a história de devoção que atravessa o enredo “Santo Antônio de Batalha, faz de mim batalhador!”. A escola apresentou um conjunto coeso, com harmonia como um de seus principais pontos de sustentação ao longo da passagem pelo Anhembi no último sábado, quando foi a sétima a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2. Ao longo dos 49:39 de desfile, a leitura do sincretismo entre Exu, Ogum e Santo Antônio se manteve clara para o público e para as cabines de julgamento. Ainda que tenha apresentado problemas pontuais nas alegorias, como o desacoplamento do abre-alas, não houve abertura de buracos perceptíveis na pista.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, de Ana Carolina Vilela, apresentou a abertura dos caminhos a partir da figura de Exu, estabelecendo o tom ritual do desfile e introduzindo o sincretismo com Santo Antônio que orienta todo o enredo.

A encenação se deu inteiramente no chão, com proposta teatral que valorizou a força do enredo. As fantasias, com predominância de vermelho, dourado e preto, reforçaram a leitura visual ligada a Exu, além da presença de elementos como búzios.

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Foram apresentadas duas coreografias distintas, uma em cada passada do samba, ambas executadas em frente às cabines de julgamento, com interação direta com os jurados. A proposta se manteve regular ao longo do percurso, com boa repetição da estrutura coreográfica e leitura clara do conceito apresentado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal João Lucas e Juliana Souza apresentou o pavilhão dentro da leitura simbólica do setor de apresentação, com coreografias que dialogaram com a “magia de Exu” e com a abertura dos caminhos que estrutura o início do desfile. A condução da dança privilegiou giros amplos, apresentações frontais ao pavilhão e movimentos com referência a danças de matriz africana, mantendo comunicação direta com o público.

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Nas cabines, o casal recebeu boa resposta do primeiro módulo de julgamento, com sorrisos dos jurados durante as apresentações. Não houve registros de falhas técnicas aparentes.

HARMONIA

A harmonia foi um dos pontos altos da Verde e Rosa. Desde antes da entrada oficial na pista, a escola já encontrava resposta forte do público, que se manteve pulsante ao longo de todo o percurso. As alas apresentaram canto coletivo intenso, sem oscilações perceptíveis entre setores, o que contribuiu para a construção de um clima de empolgação constante na Avenida, já observado nos ensaios.

A condução do intérprete Wantuir teve papel central na sustentação do rendimento do canto ao longo de toda a pista.

ENREDO

O desenvolvimento do enredo se estruturou a partir da abertura dos caminhos por Exu, avançando pelo sincretismo com Santo Antônio e Ogum, pela trajetória do santo entre fé e tradição popular, até a celebração da devoção no Brasil. A narrativa se manteve compreensível na Avenida, com setores visualmente conectados e leitura coerente, principalmente com o uso de cores que valorizaram a compreensão do enredo e facilitaram a identificação dos diferentes setores.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

A leitura da relação de Santo Antônio com as tradições populares, bem como as simpatias ligadas ao amor e ao casamento, além de referências às festas juninas, apareceu ao longo do desfile. A transição entre os universos de Exu e do santo casamenteiro aconteceu de maneira orgânica, permitindo acompanhar com fluidez a passagem do sincretismo religioso.

EVOLUÇÃO

O desfile apresentou boa fluidez ao longo do percurso, sem registro de buracos perceptíveis na pista. Mesmo com ocorrências pontuais envolvendo desacoplamento de alegorias, a escola conseguiu manter o avanço regular dos setores, sem necessidade de recomposições improvisadas de alas para preenchimento dos espaços.

A progressão dos setores também ocorreu de forma contínua, contribuindo para a sensação de desfile “cheio” do início ao fim.

SAMBA

O samba-enredo confirmou no desfile oficial a força que já vinha sendo observada nos ensaios. Sustentou o andamento do desfile ao longo de todo o percurso. A resposta coletiva se manteve consistente, com destaque para os trechos de maior apelo popular, como os dois refrões, e as bossas bem executadas. O samba é funcional e favorece a interação entre escola e público.

A relação entre melodia, andamento da bateria do mestre Léo Bonfim e condução do intérprete contribuiu para manter o ritmo do desfile.

FANTASIAS

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As fantasias acompanharam a narrativa do enredo. O setor de apresentação exibiu leitura visual forte, com predominância de vermelho, dourado e preto, além da presença marcante de símbolos como búzios, velas, marafo e fogueira. No geral, as escolhas de cores ajudaram a marcar a transição entre os três setores do desfile, permitindo identificar com clareza onde cada setor se encerrava e o seguinte se iniciava.

As baianas, representando Pomba-Gira, integraram-se bem ao conjunto visual do setor inicial, enquanto a ala “Na Batina do Padre tem dendê” trouxe leitura divertida do sincretismo proposto. No último setor, a ala de festa junina apresentou boa identificação com a popularidade da devoção a Santo Antônio.

É válido mencionar também a ala PCD e o segundo casal, representados como noivos, que dialogaram com a narrativa do santo casamenteiro. A fantasia da bateria, apesar da boa concepção ao unir a batina ao imaginário de Santo Antônio, apresentou acabamento irregular na parte da cabeça.

ALEGORIAS

As alegorias concentraram as principais fragilidades do desfile. O abre-alas “Tronqueira de Exu” cumpriu a função de apresentar a abertura dos caminhos, com símbolos reconhecíveis ligados a Exu, mas apresentou problemas de acoplamento ao longo do percurso. O desacoplamento entre as duas partes da estrutura chamou atenção visualmente, ainda que não tenha provocado abertura de buraco, nem comprometido a evolução.

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No último carro, houve mais um problema com a estrutura acoplada e, por muito pouco, não ocorreu um choque entre as partes na altura do recuo. Além disso, neste último carro, a plástica deixou a desejar. Apresentou acabamento simples, com colagens aparentes na parte do teto da igreja, o que afetou a qualidade visual da alegoria.

OUTROS DESTAQUES

Dona Guga foi o principal destaque da escola, no último carro, cantando e dançando com intensidade e sendo aclamada em diferentes setores da Avenida. Figura histórica e símbolo do carnaval paulistano, sua presença sempre carrega forte valor representativo, especialmente por sua trajetória.

A bateria do mestre Léo Bonfim apresentou bom rendimento ao longo do percurso e dialogou diretamente com a arquibancada Monumental nas bossas, com viradas para o setor e interação que levantou o público. A rainha de bateria, Bruna Costa, teve participação presente à frente da bateria, cantando o samba ao longo do desfile.

Peruche tem comissão de frente como destaque e entra na disputa pela vaga no Acesso 1

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A Unidos do Peruche foi a sexta escola a desfilar neste sábado pelo Grupo de Acesso 2. A agremiação da Zona Norte teve como destaque a comissão de frente, além de prezar por outros pontos técnicos, o que fez com que a escola conseguisse um resultado de desfile satisfatório. A escola deve ter um ponto de atenção no quesito Evolução, pelo fato de ter acelerado os passos ao final do desfile. Mais uma vez, a pentacampeã do carnaval paulistano entra na apuração com o sonho de retornar ao Grupo de Acesso 1.

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A escola se apresentou na avenida com o tema “Oi! Esse Peruche Lindo e Trigueiro. Terra de Samba e Pandeiro, 70 Anos”, assinado pelo carnavalesco Chico Spinosa.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Carllos Alvez, a comissão de frente do Peruche representou a “Musicalidade Ancestral”. Os bailarinos desfilaram representando figuras da Antiguidade, já que o pandeiro tem origem nesse período. Todos estavam em sincronia; alguns utilizavam adereços nas mãos, enquanto outros não. Os que dançavam com os adereços davam um belo tom alaranjado à pista. Esses bailarinos, de forma muito clara, realizavam movimentos de saudação ao público e de apresentação da escola ainda no refrão principal.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

O ponto alto da coreografia foi o momento em que uma criança surgia atrás do elemento alegórico com um pandeiro. Ela entrava sambando, tocando o instrumento e, logo após, se juntava aos demais para realizar a encenação em sincronia. O elemento alegórico desfilou em tons rústicos, remetendo claramente à pré-história.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Daniel de Vitro e Taiene Caetano desfilou representando “O Mar Tenebroso”, com vestimentas predominantemente pretas. Estreantes na escola, a dupla teve um desempenho satisfatório, cumprindo os requisitos obrigatórios que o quesito exige para alcançar a nota máxima. Ambos conseguiram lidar com a pista molhada com segurança. A apresentação de Daniel e Taiene se destacou justamente pelo respeito ao que o regulamento exige.

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HARMONIA

Foi um dos destaques da escola. Apesar das mudanças repentinas que o samba sofreu após a gravação oficial, a comunidade assimilou bem e conseguiu apresentar um bom desempenho no canto. As partes mais cantadas foram os dois refrões, principalmente os versos finais do samba, que fazem alusão ao hino “Quando o repicar dos tamborins anunciar”. Ainda assim, apesar do canto forte, alguns componentes apresentaram dificuldades com a letra, o que não interferiu no desempenho do quesito. O que se viu foi um Peruche solto na pista, com a maioria dos desfilantes cantando com sorriso no rosto, dispostos a defender o pavilhão em busca do acesso ao Grupo de Acesso 1.

ENREDO

A proposta da escola foi falar sobre o instrumento pandeiro e fazer a ligação com os 70 anos da agremiação. Inicialmente, a ideia é válida, mas a conexão entre os momentos apresentados mostrou-se difícil. Até mesmo a letra do samba-enredo não cita diretamente a relação do Peruche com o pandeiro, trazendo os versos de forma fragmentada. Ainda assim, isso talvez não impacte diretamente os jurados. Trata-se de dois extremos distintos: a história de um instrumento que remonta ao período anterior a Cristo e os 70 anos da agremiação.

EVOLUÇÃO

É o quesito em que a escola precisa de maior atenção. Após o recuo da bateria, a escola precisou acelerar os passos, já que o tempo jogava contra. Com isso, alguns espaços foram criados e houve dificuldade no empurrar da segunda alegoria. Apesar disso, a escola não abriu buracos nem apresentou divisão de alas. Entre as fileiras, os componentes desfilaram corretamente. Com vestimentas leves, dançaram de um lado para o outro sem prejudicar o espaçamento.

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SAMBA

A escola contou com a estreia do intérprete Juninho Branco, que cantou o samba com empolgação durante todo o percurso na avenida. Como mencionado, a obra passou por algumas mudanças no período do pré-carnaval, inclusive após a gravação oficial. O cantor também chegou à escola apenas em novembro. Ainda assim, isso não foi um empecilho para o conjunto musical. Juninho Branco e sua ala conseguiram conduzir bem o samba do Peruche, empolgando a comunidade. Destacam-se os versos finais, que fazem alusão ao hino da escola, em sintonia com o enredo que celebra os 70 anos da agremiação. Tanto o contexto quanto o rendimento tiveram boa participação na avenida.

FANTASIAS

As fantasias da agremiação utilizaram materiais simples, mas com bom acabamento. Todos os componentes vestiram trajes leves, o que facilitou a evolução da escola. Vale ressaltar que a agremiação desfilou bastante colorida, sendo perceptível um investimento maior na fantasia da comissão de frente. O acabamento desse setor se destacou em relação ao restante da escola.

ALEGORIAS

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O abre-alas, intitulado “O Mar Tenebroso, Herança Lusitana e a Riqueza Africana”, desfilou com grande porte. O carro apresentou esculturas de grandes dimensões, movimentos e um significado forte, transmitindo claramente o clima da época das navegações entre negros e portugueses. A alegoria apresentou bom acabamento, configurando uma abertura digna de uma pentacampeã do carnaval paulistano.

A segunda alegoria simbolizou os “70 anos da Unidos do Peruche”, toda nas cores verde, azul e amarelo, remetendo ao Brasil, como a escola gosta de se denominar. O carro contou com a presença da velha-guarda e esculturas que fizeram referência a essa marca tão importante alcançada pela Filial do Samba.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, fantasiada de “Jackson do Pandeiro” e sob o comando do mestre Azeitona, executou bossas criativas em frente a todas as cabines.

Comissão de Frente é destaque em desfile da Unidos de São Lucas

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A Unidos de São Lucas apresentou um desfile consistente, coerente e fiel à proposta do enredo, mostrando clareza narrativa e bom desempenho na maioria dos quesitos. Mesmo enfrentando problemas pontuais no quesito Alegorias, a escola conseguiu sustentar um conjunto funcional, com bom canto da comunidade, comissão de frente bem resolvida e um samba-enredo de fácil assimilação. A agremiação demonstrou planejamento e segurança ao longo da pista, encerrando sua apresentação dentro do tempo regulamentar.

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A escola foi a quinta a desfilar pelo Grupo de Acesso 2 e concluiu seu desfile em 50 minutos. A Unidos de São Lucas levou para a avenida o enredo “Meu tambor é ancestral. Heranças e Riquezas de um Povo… Um Brasil de Festas Pretas”, assinado pelo carnavalesco Anselmo Brito.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Jonathan Santos, apresentou um ritual de evocação de Ayan Agalu, estabelecendo desde o início uma conexão direta com o enredo. Acompanhados por um tripé, os bailarinos realizaram uma apresentação bem definida, coesa e totalmente alinhada à proposta temática da escola.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

No centro do tripé, um personagem principal se destacou ao erguer o tambor em determinado momento da apresentação, simbolizando com precisão o que era entoado na letra do samba-enredo. Combinando passos tradicionais com movimentos que dialogam com a ancestralidade africana e a história do tambor, a comissão de frente foi o ponto alto do desfile da Unidos de São Lucas.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Conforme já observado no ensaio técnico, a dupla Erick e Victoria realizou um desfile eficiente e seguro. Representando a realeza africana dentro do contexto do enredo, o primeiro casal executou com precisão todos os movimentos obrigatórios previstos no regulamento, aliando técnica, criatividade coreográfica e expressiva comunicação facial.

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A dança mostrou-se construída em total sintonia com o samba-enredo e com a narrativa proposta pela escola. Victoria, mesmo com a garoa que caiu durante o desfile no Sambódromo do Anhembi, manteve o pavilhão desfraldado durante todo o percurso, evidenciando domínio técnico e segurança.

HARMONIA

O canto da comunidade foi um dos grandes pontos positivos do desfile. A escola apresentou um canto linear, mantendo o mesmo tom do início ao fim da pista, sem oscilações perceptíveis entre os setores.

O intérprete oficial, Tuca Maia, teve papel fundamental nesse resultado. Com boa dicção e comunicação direta com os componentes, conduziu o canto de forma eficiente, facilitando a compreensão da letra do samba e incentivando a participação da comunidade ao longo de todo o desfile.

ENREDO

O enredo “Meu tambor é ancestral. Heranças e Riquezas de um Povo… Um Brasil de Festas Pretas”, desenvolvido por Anselmo Brito, foi bem contado e de fácil entendimento. Ao longo da pista, a escola apresentou de forma clara a trajetória do tambor, desde suas origens africanas até sua presença nas manifestações culturais e festas populares brasileiras.

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O conjunto visual, fantasias, alegorias e samba, dialogou de maneira satisfatória, permitindo que o público compreendesse a proposta sem dificuldade. O desfile da Unidos de São Lucas foi direto, assertivo e coerente com o que foi proposto no enredo.

EVOLUÇÃO

Durante o desfile, o abre-alas apresentou um incidente que ocasionou um espaçamento exato de 12 grades entre o carro e a ala seguinte, limite máximo permitido pelo regulamento. Em função dessa ocorrência, a harmonia, em conjunto com a bateria, optou por não realizar a parada tradicional no box do recuo.

Apesar dessas adversidades, os componentes desfilaram soltos, dançando e mantendo a energia do samba. A escola concluiu sua apresentação em 50 minutos e 14 segundos, demonstrando controle do andamento e boa condução da evolução.

SAMBA-ENREDO

A Unidos de São Lucas tem um dos sambas-enredo de melhor rendimento do Grupo de Acesso 2. De fácil assimilação, o samba permite que o público acompanhe o canto já em suas primeiras passagens.

Na parte do refrão principal, em que diz “São Lucas chegou, se liga no rufar do meu tambor”, a comunidade cantou com vigor, evidenciando a força da melodia e a eficácia da letra. O samba, composto por Bruno Leite e Ricardinho Olaria, mostrou ótimo funcionamento tanto no aspecto musical quanto na interação com os componentes.

FANTASIAS

As fantasias foram funcionais e bem planejadas, permitindo que os componentes evoluíssem e dançassem com liberdade. A escola apostou claramente em um desfile de leitura fácil, coeso e organizado.

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Com bom acabamento e alinhadas ao enredo, as fantasias aparentavam leveza e conforto, contribuindo diretamente para o desempenho da evolução e da harmonia.

Vale destacar a fantasia da ala das baianas, que representava “Mãe África”. As matriarcas desfilaram vestidas em tom alaranjado, com grandes búzios em suas saias e chapéus com cabelos cacheados no topo.

ALEGORIAS

No quesito Alegorias, a escola enfrentou sua principal dificuldade da noite. O abre-alas apresentou uma falha estrutural, com a quebra da sustentação frontal, o que comprometeu o funcionamento do carro. Foi possível observar integrantes da equipe técnica atuando estrategicamente para manter a alegoria em movimento.

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Apesar do problema, a Unidos de São Lucas ousou ao levar três alegorias para a avenida, número superior ao permitido para as escolas do Grupo de Acesso 2, que podem desfilar com apenas duas. Os carros apresentaram bom acabamento e estavam de acordo com o enredo proposto.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Pepita, interagiu com as arquibancadas ao longo de todo o desfile e cantou o samba com entusiasmo e entrega, demonstrando forte conexão com a escola. A realeza da bateria vestiu-se em tons de marrom, com figurino de muito brilho, valorizando o conjunto visual do desfile.

O time de destaques de chão contribuiu de forma positiva para a evolução da escola, ocupando os espaços sempre que houve necessidade, especialmente nos momentos de maior abertura de espaço. Com figurinos luxuosos e bem acabados, os destaques representaram a escola com maestria.

Chico Spinosa fala sobre o desafio de assinar o Carnaval dos 70 anos do Peruche

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Chico Spinosa é um dos nomes mais respeitados do carnaval, com uma trajetória que une artes cênicas, televisão e grandes desfiles. Experiências diferentes dentro da arte moldaram seu olhar estético e sua assinatura visual. Isso o levou, a partir do fim dos anos 1980, a migrar definitivamente para o universo do carnaval.

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Foto: Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

No samba, construiu uma carreira sólida por agremiações do Rio de Janeiro e de São Paulo, como Salgueiro, Estácio de Sá, União da Ilha, Mocidade, Caprichosos, Nenê de Vila Matilde, Vila Maria, Tom Maior e Vai-Vai.

Em 2026, está à frente da Unidos do Peruche como carnavalesco, ano em que a escola completa 70 anos. A escola desfilou nesta madrugada de domingo, no dia 8 de fevereiro: “Nunca fiz diferença entre escolas, nem entre os acessos 1, 2, 3, sei lá, ou em bloco; acho que a expressão popular me chama. Não me importo se está no Grupo Especial ou no acesso. Lógico, vim ao acesso por causa dos amigos que estavam precisando de alguém que desse uma força para comemorar os 70 anos”, explica o artista.

Ele fez história em 2020, dentro da Vai-Vai, quando ajudou a escola a garantir o título do acesso ao Grupo 1, assegurando o retorno da escola do Bixiga ao Grupo Especial: “Assim como eu comemorei os 70 anos da Vai-Vai, os 70 anos agora na Peruche também estão sendo um prazer; no fim, estou aqui feliz”, diz Chico sobre a busca da escola pelo acesso especial.

Ele chega com seu olhar para marcar o aniversário de sete décadas de história e identidade cultural em um desfile que celebrou a memória da escola e sua comunidade na Avenida: “Sabe, sou vaidoso e gosto do meu trabalho, senão eu nem o faria. Achei que tive momentos muito bonitos aí. O abre-alas, o último carro é uma beleza que fala de uma Peruche que faz 70 anos. Também acho que o samba ajudou, gostei muito do samba”, celebra o carnavalesco.

Ao seu lado no trabalho de carnavalesco, também estava Felipe Roberto Milanes, que teve um papel importante de parceria na construção da imagem da Unidos do Peruche para o desfile do Carnaval de 2026: “Acho que esse menino vai ter um futuro e tanto lá na frente. E assistente comigo, ou entra na minha ou não dá certo. E nós nos demos bem, é porque ele entrou na minha. Sabe, sou um homem muito agitado, tenho muita coisa para fazer e quero resolver na hora; também sou encrenqueiro. O Felipe já é mais sereno”, compartilha Chico.

Após desfilar no Anhembi, Pepita comenta emoção de ser rainha de bateria da Unidos de São Lucas

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Cantora, compositora, atriz e dançarina, ela se tornou uma das primeiras funkeiras trans do Brasil a construir uma trajetória marcada pela música e pelo ativismo LGBT. No Carnaval de 2026, Pepita, aos 43 anos, ocupa o posto de rainha de bateria da Unidos de São Lucas, um dos lugares mais simbólicos do carnaval.

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Foto: Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

“Em alguns momentos na avenida, eu me emocionava muito, quando vi as pessoas gritando o meu nome e se emocionando com a minha presença ali. Então, acho que foi um desfile gostoso e muito prazeroso para mim. Estou leve, agora posso dizer que meu ano vai começar”, diz Pepita.

Ela é uma das poucas mulheres trans à frente de uma bateria no carnaval paulistano. Como rainha de bateria, ela fez sua passagem no desfile que ocorreu neste sábado, iniciando o carnaval de São Paulo com as escolas do Grupo de Acesso 2, no Sambódromo do Anhembi.

A agremiação traz para a avenida o enredo “Meu Tambor é Ancestral… Heranças e Riquezas de Um Povo… Um Brasil de Festas Pretas!”, que exalta a musicalidade afro-brasileira e as festas de matriz africana. E é com a bateria da escola, a USL, comandada pelo mestre Andrew Vinicius, que a escola da Zona Leste de São Paulo ganha ritmo.

Pepita também vive um ano simbólico em sua vida, no qual vê as conquistas deixarem ainda mais marcas em sua história de luta.

“Acho que está sendo especial, primeiro porque fiz aniversário, cheguei aos 43 anos viva e sendo mãe, esposa e filha. Isso em um país louco, cercado de preconceito. Então acho que, para este ano, o carnaval também foi uma pitada diferente, mais gostosa, um grito: ‘ó, eu tô aqui, eu existo, deixa eu viver’”, ressalta.

A história de Pepita revela uma conquista importante para a representatividade no samba, reafirmando o Carnaval como espaço de resistência e visibilidade.

“Acho que posso ser chamada de incômodo para algumas pessoas. Tirar as pessoas da zona de conforto, aquela dúvida: ‘Quem é essa, quem é essa?’. Sou a Pepita, rainha de bateria da Unidos de São Lucas, da USL, e comando com muito carinho e com muito respeito essa bateria. Muito prazer, serei o seu incômodo”, conclui a rainha de bateria.

No compasso da Imperatriz da Pauliceia, Kamila Simioni reina no Anhembi em seu primeiro desfile como rainha de bateria

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Kamila Simioni, de 39 anos, entrou no ritmo acelerado do Carnaval de 2026, mostrando no desfile da Imperatriz da Pauliceia a sua estreia como rainha de bateria em São Paulo. A rainha não poupou energia para brilhar na avenida. Ela, que também é musa da Barroca Zona Sul, vive uma nova fase dentro do samba paulistano, já que vem se dedicando intensamente para defender duas cores no Anhembi.

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Foto: Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

“Foi uma experiência maravilhosa. É a primeira vez que eu saio como rainha de bateria. Já desfilo pelo segundo ano consecutivo como musa, mas rainha, não que seja mais ou menos importante, mas é diferente. A responsabilidade, o peso que a gente carrega, fazem ser uma experiência maravilhosa. Estou super feliz, super grata, foi incrível”, diz Kamila.

A Imperatriz da Pauliceia levou para a avenida o enredo “Congá, o Altar Sagrado da Minha Fé”, que propõe diversidade e o fim da inteligência religiosa. A bateria “Swing da Pauliceia” performou aos comandos da mestre Rafaella Rocha, a “mestra Rafa”, um dos poucos nomes femininos na regência de baterias em São Paulo. Ela é reconhecida como a primeira mulher a comandar uma bateria no Sambódromo do Anhembi.

Kamila Simioni, que distribuiu simpatia com o público na avenida, ganhou projeção nacional após participar do reality show A Fazenda, da TV Record. Quando anunciada oficialmente como rainha de bateria da Imperatriz da Pauliceia para o Carnaval de São Paulo 2026, Kamila assumiu uma das funções mais simbólicas do desfile.

“Quando me convidaram, não tinha noção do tamanho da responsabilidade que tinha. Em todos os ensaios eu vivenciava, mas, principalmente hoje, senti um pouco o peso dessa responsabilidade. Mas espero que tenha tirado de letra, espero que tenha ficado todo mundo feliz, a diretoria, a presidência e a comunidade”, conta.

À frente da “Swing da Pauliceia”, ela diz que sentiu firmeza para a conquista do acesso: “As expectativas são as melhores, tenho certeza de que a gente vai conseguir”, confirmou a rainha.

Performance do casal e conjunto de fantasias são destaques do desfile da X-9 Paulistana

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A X-9 Paulistana foi a quarta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi, no último sábado, pelo Grupo de Acesso II do Carnaval de São Paulo de 2026. A apresentação da escola da Parada Inglesa foi marcada por um bom conjunto de fantasias, e a atuação primorosa do carro de som e do casal de mestre-sala e porta-bandeira enriqueceram a travessia da Passarela do Samba, concluída após 50 minutos. O enredo da comunidade da Zona Norte foi “Yvy Marã Ei – A Busca pela Terra Sem Mal”, assinado pelo carnavalesco Amauri Santos.

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Após cair para o Acesso II no ano anterior, a X-9 entrou com a responsabilidade de mostrar seu valor como bicampeã do Carnaval e propôs um desfile com temática que já a consagrou no passado. Houve quesitos muito bem apresentados, mas os problemas que a escola teve durante sua passagem, especialmente em Evolução, podem comprometer as expectativas quanto ao resultado da agremiação.

COMISSÃO DE FRENTE

O coreógrafo Pedro Bueno foi o responsável pelo desenvolvimento da comissão de frente, intitulada “O encontro da X-9 Paulistana com o mito guarani”. O quesito representou simbolicamente o encontro da escola com essa cultura originária, por meio da figura do pajé Guirapoty, líder espiritual da mitologia guarani, que recebe de Nhanderu a mensagem sobre a destruição do mundo e a busca pela Yvy Marã Ei, a “terra sem mal”.

A X-9 Paulistana foi personificada por uma protagonista vestida de bailarina, que carregava o símbolo da escola. Durante a dança, um outro indígena, com uma fantasia levemente distinta dos demais, interagia diretamente com ela, que se via em meio à narrativa do mito do surgimento da “terra sem mal”. Foi difícil identificar com clareza a narrativa em meio a poucos elementos visuais, muitas vezes caracterizados apenas por gestos corporais, o que fez a abertura do desfile ser pouco impactante.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

O primeiro casal da X-9, formado por Igor Sena e Júlia Mary, desfilou com fantasias representando “Anhangá e Jurará-Açú (O Espírito e a Mulher-Tartaruga)”. Foi uma apresentação de alto nível, mesmo em meio à chuva constante que caiu durante todo o desfile. A performance estava de acordo com a temática, com o mestre-sala carregando um maracá funcional como adereço de mão, que trouxe um elemento único à dança. Houve o cumprimento de todas as exigências do quesito em todos os módulos em que foram observados, o que, somado à criatividade da dupla, ajudou a melhorar o início do desfile da escola.

ENREDO

A X-9 Paulistana desfilou no Carnaval de 2026 com um enredo inspirado no mito guarani da Yvy Marã Ei, a “terra sem mal”, lugar sagrado onde não existe sofrimento e que pode ser encontrado neste mundo ou em outra dimensão. A narrativa foi construída como um diálogo simbólico entre a escola e o povo originário, acompanhando o ensinamento transmitido espiritualmente pelo criador Nhanderu ao pajé Guirapoty e o significado desse mito como orientação para a vida em sociedade. A proposta destacou a relação entre espiritualidade, natureza e convivência humana, encerrando o desfile com uma reflexão sobre as práticas necessárias para se alcançar essa terra imaculada diante das agressões sofridas pelo mundo nos últimos séculos.

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Analisando a sinopse e com base nos elementos apresentados na Avenida, a sensação é de que a escola tentou abranger informação demais no reduzido espaço que o Grupo de Acesso II proporciona. O elemento contemporâneo foi representado apenas por algumas alas, já direcionando a narrativa para a utópica Yvy Marã Ei. Será preciso aguardar para ver como os jurados interpretarão a densidade do enredo.

ALEGORIA

A X-9 Paulistana desfilou com dois carros alegóricos. A primeira alegoria recebeu o nome de “O incêndio, o dilúvio e a nova morada: Yvy Marã Ei” e representou o incêndio que, na mitologia guarani, foi ordenado pelo Criador Nhanderu para destruir a Terra, de modo a se erguer a “terra sem mal”, seguido da ascensão do pajé Guirapoty ao Yvy Marã Ei. A segunda, nomeada “Imaginando um futuro ancestral”, retratou a utopia de fazer do mundo em que vivemos uma verdadeira Yvy Marã Ei.

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O conjunto alegórico cumpriu sua função narrativa dentro do enredo. O principal problema, porém, foi a qualidade do acabamento dos elementos. Grampos de fixação do plotter que fazia referência às águas no abre-alas estavam facilmente visíveis, além de a separação do corte do tecido estar excessivamente aparente. O segundo carro também apresentou falhas no acabamento de elementos visuais em forma de folhas de plantas, empobrecendo o conjunto visual geral da alegoria.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias apresentado pelas alas da X-9 se propôs a compor a linha narrativa da proposta do enredo dentro do que é descrito pela letra do samba. A representação visual até a Ala 7 retrata elementos da primeira parte da letra e do refrão do meio, com o restante da letra sendo representado no decorrer do desfile.

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Em contraste com o conjunto alegórico apresentado, as fantasias de todas as alas e destaques contaram com bom acabamento e fácil leitura dentro de suas propostas individuais. A leveza e a qualidade dos materiais foram destaque, permitindo aos componentes brincar o Carnaval sem maiores preocupações, fazendo das vestimentas da X-9 Paulistana um dos principais destaques do desfile.

HARMONIA

A comunidade da X-9 Paulistana cantou corretamente o samba ao longo da Avenida. No início do desfile, a bateria da escola apostou em um apagão no refrão do meio, mas foi o único momento em que isso ocorreu, mesmo tendo havido uma resposta satisfatória dos componentes na altura da pista em que foram observados. No geral, os desfilantes fizeram sua parte para enriquecer a apresentação da escola.

EVOLUÇÃO

A escola teve problemas ao longo da Avenida, mesmo com os portões abrindo já com o carro de som cantando o samba. O início do desfile foi lento, e a X-9 precisou acelerar o passo a partir da metade final da passagem pelo Sambódromo. Uma baiana caiu em frente ao penúltimo módulo de jurados do quesito, e a escola continuou andando, o que causou um problema de interação com a destaque de chão que vinha logo atrás e também a abertura de um buraco em relação à ala seguinte. Também foram observados excessos de abertura de espaços entre elementos, em especial durante as apresentações do primeiro casal pelos módulos. Os portões foram fechados com exatos 50 minutos e 33 segundos, evidenciando as dificuldades do quesito no desfile.

SAMBA-ENREDO

Assinado pelos compositores Gui Cruz, Clayton Reis, Portuga, Reinaldo Marques, Imperial, Rogério, Digo Sá, Luciano Rosa, Luizão, Willian Tadeu e Vitor Gabriel, o samba-enredo da X-9 Paulistana foi defendido na Avenida pelos intérpretes Daniel Collête e Royce do Cavaco. Da primeira parte da letra ao refrão do meio, o mito guarani do surgimento da Yvy Marã Ei é retratado com considerável detalhamento. A segunda parte retrata a destruição da natureza nos tempos atuais e o anseio para que o mundo consiga alcançar um estado equivalente ao da “terra sem mal”.

É uma letra carregada de poesia e que conta com uma melodia serena, mas, ao mesmo tempo, poderosa. Consegue narrar o enredo com fidelidade, sem pecar na proposição de ser cantado pela comunidade em um desfile carnavalesco. Na Avenida, o samba foi interpretado com maestria pelos veteranos intérpretes, enriquecendo, assim, o desfile da X-9 Paulistana.

OUTROS DESTAQUES

Se houve um destaque especial e imponente além dos apontados, esse foi a Rainha da bateria “Pulsação Nota 1000”, Valéria de Paula. Além da beleza exuberante e de muito samba no pé, a majestade mostrou que não esteve na Avenida apenas para levantar o público, ajudando a fechar o espaço do recuo dos ritmistas em grande estilo. Os comandados do mestre Keel também tiveram um bom desempenho, apostando em um apagão bem executado e em bossas criativas que contribuíram positivamente para o desfile da X-9 Paulistana.

Leitura de enredo consistente garante segurança à Imperatriz da Pauliceia, apesar de alerta na evolução

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A Imperatriz da Pauliceia chegou para transformar o Anhembi em uma grande procissão, com santos católicos, entidades da umbanda e orixás do candomblé. Com o enredo “Congá – O Altar Sagrado da Minha Fé”, a escola da Zona Leste inseriu sua leitura religiosa no início da noite de sábado, sendo a segunda a desfilar pelo Grupo de Acesso 2.

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Com forte chuva, pista molhada e um problema na entrada da última alegoria, a agremiação terminou dentro do tempo permitido, com os portões se fechando no laço, aos 49:56.

Apesar de eventuais deslizes, a escola apresentou alegorias e fantasias que dialogaram com o enredo, sempre em torno da religiosidade e de suas expressões na cultura popular. No fim, a Pauliceia deixou a avenida comemorando, com componentes cantando alto e demonstrando alívio e felicidade pelo desfile realizado.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Paula Penteado, apresentou a cena “A força do meu Congá”, concebida como um clamor simbólico de fé e devoção que abriu os caminhos da escola. A proposta reuniu diferentes figuras do universo devocional, como Exu, Ogum, Oyá, Zé Pilintra, Erê, Caboclo, Baiana, Preto Velho, Maria Padilha, São Miguel Arcanjo, Jesus e Nossa Senhora de Aparecida.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

O tripé materializou o altar sagrado do congá, acionado em momentos específicos da coreografia, com esculturas de Exu, Caboclo e Preto Velho na parte traseira do elemento. No chão, a coreografia se desenvolveu por cerca de cinco minutos, com todos os personagens em cena.

Em outro momento, as entidades ocuparam o tripé em uma coreografia que remetia a um ritual. Cerca de dois minutos depois, os personagens desceram e cercaram a figura de uma devota que clamava no congá.

A apresentação teve leitura clara, com coreografia bem executada e repetida ao longo das cabines.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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O casal formado por Ronaldo Ferreira e Leila Cruz representou o encontro simbólico entre a religiosidade católica e as religiões de matriz africana. Mesmo sob forte chuva, o casal se apresentou com segurança, sem erros aparentes. A coreografia dialogou com o samba-enredo, explorando movimentos de cortejo, giros e apresentações firmes, além de passos que remetiam a danças afro. Nas cabines, o tempo médio de apresentação foi de cerca de três minutos, com performance que remeteu a uma saudação ao congá.

HARMONIA

A condução do canto, com Dom Junior à frente do carro de som, manteve o clima empolgado ao longo do percurso, com resposta perceptível das arquibancadas.

Já o rendimento das alas variou: as alas 3 e 4 demonstraram um pouco mais de cansaço a partir da metade da avenida, enquanto as alas 5 e 6 sustentaram o canto alto e forte até o fim, além de manterem boa organização de fileiras.

ENREDO

O desenvolvimento do enredo se estruturou com clareza a partir da ideia do congá como um altar em movimento, organizado em forma de procissão ao longo da avenida. A narrativa foi conduzida de maneira contínua, com setores que dialogavam entre si e mantinham unidade visual e simbólica, permitindo ao público acompanhar a proposta sem rupturas de leitura.

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A abertura dos caminhos com Exu, a exaltação de Ogum no abre-alas e a sequência dedicada aos diferentes orixás se articularam de forma progressiva, com alas e alegorias construindo uma leitura encadeada do universo devocional apresentado. A presença recorrente de búzios nas fantasias reforçou essa unidade temática e contribuiu para a coesão do conjunto, que se manteve consistente até a culminância no louvor às Yabás.

EVOLUÇÃO

O desfile apresentou boa fluidez geral, com alas organizadas e deslocamento contínuo na maior parte do percurso. Houve, porém, um problema na entrada da última alegoria, que atrasou momentaneamente o andamento do desfile e exigiu que a ala posicionada à frente do carro aguardasse para avançar. A situação gerou uma ameaça de abertura de buraco naquele trecho, sem que o espaço vazio chegasse a se configurar um erro. No restante do desfile, as alas se mantiveram bem, com destaque para a última alegoria, com crianças cantando forte em cima do elemento alegórico.

SAMBA

O samba-enredo, conduzido por Dom Junior, sustentou o andamento do desfile mesmo sob forte chuva, com boa resposta do público e das alas nos momentos de maior apelo. A bossa aplicada no refrão do meio se mostrou empolgante na avenida, criando um ponto de energia que ajudou a manter o fôlego do canto coletivo.

Estreante no comando do carro de som, Dom Junior chamou o público e conduziu o samba com presença e entrega, sem se deixar abater pelas condições climáticas. A resposta das alas oscilou em alguns trechos, acompanhando variações observadas na harmonia, mas o conjunto manteve o andamento que esse samba forte pede.

FANTASIAS

As fantasias acompanharam de forma direta o desenvolvimento do enredo, com alas que representaram a mistura de credos, entidades e orixás. A ala 2 chamou atenção de forma positiva e apresentou dois elencos distintos: um ligado ao batucajé, com trajes e coreografias inspirados nas danças das religiões afrodiaspóricas, e outro que simbolizou a tirania religiosa da “casa-grande”, representada pela figura de padres. A leitura visual foi clara e estabeleceu contraste direto entre fé, resistência cultural e repressão religiosa.

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A ala dedicada a Obaluaiê se destacou visualmente pela inspiração em trajes tradicionais de devotos, com uso de palhas e discos recobertos de pipoca no chapéu e na gola.

A ala de Nanã apresentou boa concepção estética, mas com limitações de funcionalidade, já que o “chorão” do chapéu dificultava a visão de alguns componentes. Na ala 9, que representou Oyá, foi observado um caso pontual de fantasia com estrutura se desprendendo durante o desfile, contornado com solução improvisada para manter o componente em evolução.

ALEGORIAS

As alegorias materializaram os eixos centrais do enredo, com o abre-alas dedicado a Ogum, trazendo simbologia do orixá, uso marcante de búzios e efeitos de fumaça, além de figuras que remetiam à devoção popular, como referências a procissões de São Jorge. A última alegoria, “Louvor às Yabás”, apresentou impacto visual e crianças animadas à frente, cantando o samba com energia.

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Foi justamente esse carro que enfrentou dificuldade na entrada na avenida, vindo com oscilação perceptível, o que impactou momentaneamente a evolução do setor. A alegoria trazia uma escultura giratória no topo, com movimento tão sutil que a intenção cênica não ficou totalmente clara, sem ser possível afirmar se a rotação lenta fazia parte da proposta ou se houve limitação técnica.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Swing da Pauliceia” foi um dos destaques do desfile, sob o comando da consolidada mestra Rafa. A apresentação concentrou atenção pela caracterização ligada a Ogum e pela interação direta com a arquibancada Monumental, no setor B. Em frente ao setor, os ritmistas realizaram coreografia na bossa, virando para o público e levantando a arquibancada. A presença de Mestra Rafa, primeira e única mulher no comando de uma bateria no carnaval paulistano, mais uma vez se destacou pela condução segura e impacto.

A rainha de bateria Ariê também foi um dos destaques de chão da escola da Zona Leste, com forte interação com o público, cantando o samba e sambando à frente da bateria no ritmo conduzido.

Comissão de frente de fácil leitura é destaque do desfile da Torcida Jovem

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Terceira escola a desfilar pelo Grupo de Acesso 2 neste sábado, a Torcida Jovem realizou um desfile que pode brigar pelo acesso, a depender dos outros desfiles. A agremiação oriunda da torcida organizada do Santos Futebol Clube apresentou poucos problemas, tendo uma questão ou outra, sobretudo no quesito Evolução. Porém, o fato é que os apontamentos positivos são maiores.

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A Jovem teve uma comissão de frente de fácil leitura e rica em detalhes, que foi o ponto alto do desfile da agremiação. Vale destacar também o casal Gabriel Vullen e Joice Prado, que passou pela avenida com segurança. Aparentemente, a escola conseguiu consertar um problema de anos anteriores: o quesito Alegoria evoluiu corretamente, com carros bem acabados, principalmente o abre-alas. Entretanto, a escola precisou apertar o passo no final, fechando os portões de sua apresentação com 49 minutos e 33 segundos.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

A Torcida Jovem apresentou no Anhembi o enredo “Axé, raízes e ritmos da cultura afro-baiana”, desenvolvido por uma comissão de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Sob a liderança do coreógrafo Fernando Lee, a dança representou “Nkisis: as Entidades Sagradas do Povo Bantu”. A coreografia consistiu em mostrar a religiosidade da Bahia em conexão com a África. De fácil leitura, os guerreiros bantos eram o ponto central da encenação, dançando pela pista o tempo todo e ficando responsáveis por fazer a saudação ao público e a apresentação da escola, itens obrigatórios no manual do julgador.

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A comissão também contava com a presença de uma criança e uma senhora. A senhora segurava um livro e apresentava ao garoto o mundo da África baiana, enquanto ele entregava sua cabeça à religião em determinado momento da coreografia. Na parte de trás, havia um tripé simbolizando a árvore da vida e, de dentro dele, surgiam as entidades, chamadas de nkisis, que seguravam objetos típicos dos orixás. As fantasias foram de fácil leitura, assim como toda a dança. A comissão de frente foi um grande ponto positivo para a escola no desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Gabriel Vullen e Joice Prado desfilou representando “Rei e Rainha Africanos”. Com fantasias luxuosas nas cores dourado e preto, o casal repetiu o desempenho que vem apresentando há alguns anos e realizou um desfile à altura do que a escola precisa.

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Na análise das três primeiras cabines de mestre-sala e porta-bandeira, o casal executou todos os movimentos obrigatórios que o quesito exige, além de apresentar uma coreografia bem convincente dentro do samba e em consonância com o enredo. Todos os movimentos de matriz africana foram claros. O sincronismo nos movimentos e nas finalizações foi nítido. Assim, Gabriel e Joice repetiram a dose do ensaio técnico e realizaram um desfile que pode render frutos à Torcida Jovem na apuração.

HARMONIA

A comunidade alvinegra apresentou um canto satisfatório. É nítido que a escola teve um crescimento considerável neste quesito em 2026, e o desfile traduziu isso. O volume não foi alto, mas a escola soube executar o canto do samba-enredo em sincronia com a bateria e o carro de som.

O refrão de cabeça, o refrão do meio e os versos finais do samba foram as partes mais cantadas, principalmente a segunda parte, pois, em alguns trechos, a melodia sobe e exige maior projeção vocal, tornando o canto mais audível.

ENREDO

A Torcida Jovem aprecia essa linha de enredo afro misturada com elementos do Brasil. Em 2025, falou sobre o Maranhão e utilizou referências semelhantes no desfile e, agora, seguiu para a Bahia. Além disso, manter essa linha permite à escola reaproveitar materiais de anos anteriores, o que foi muito bem feito neste desfile.

A bateria “Firmeza Total”, comandada pelo mestre Caverna, sabe explorar bossas dentro desse tipo de tema. O desfile, com suas alegorias e fantasias distribuídas em nove alas de enredo, apresentou de forma satisfatória a África Baiana, especialmente sua essência religiosa, traduzida principalmente na comissão de frente, que foi o ápice do desfile.

EVOLUÇÃO

Mesmo com o ritmo cadenciado do samba-enredo, foi possível notar o comprometimento dos componentes com a evolução. Os desfilantes dançaram entre suas fileiras sem comprometer o espaçamento. As fantasias leves contribuíram positivamente para isso.

Na evolução coletiva, não foram observados espaçamentos graves, como buracos ou divisão de escola. Todas as grades foram respeitadas. A escola correu risco em dois momentos: o quadripé “Blocos de Axé”, que veio no meio da escola carregando uma destaque, apresentou muita dificuldade de deslocamento. Várias pessoas precisaram ajudar para que o elemento prosseguisse pela pista e, por vezes, ele chegou a ficar torto. Ainda assim, as lideranças conseguiram contornar a situação sem gerar buracos.

Outro momento delicado ocorreu entre o elemento alegórico da comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, quando algumas grades se abriram, chegando perto de formar um buraco. Conclui-se, portanto, que a evolução da Torcida Jovem foi satisfatória, restando observar como os jurados avaliarão esses pontos.

SAMBA

O desfile marcou a estreia do intérprete Ivanzinho pela escola alvinegra. Ele, junto ao carro de som, conduziu o samba de forma satisfatória. Durante o percurso da avenida, o cantor não utilizou muitos cacos, priorizando um canto mais linear. O entrosamento da ala musical com a bateria “Firmeza Total” fluiu de maneira correta.

FANTASIAS

Na ótica dos jurados, as fantasias apresentadas foram de fácil entendimento. Em relação à criatividade, destacaram-se a segunda ala, que representou Exu, e a sexta ala, que simbolizou a “Coroa de Preto”. Esta última se notabilizou por exibir frases como “Respeite a minha ancestralidade” e “Poder preto”.

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O acabamento foi satisfatório. Os materiais utilizados foram simples, mas suficientes para representar bem a escola no quesito. O grande destaque das vestimentas foi a leveza, sem exageros: costeiros e adereços de cabeça leves permitiram uma evolução adequada dos componentes.

ALEGORIAS

Se a parte plástica foi um problema em anos anteriores, desta vez a Jovem apresentou um belo conjunto. Sem falhas de acabamento, a escola trouxe soluções inteligentes, incluindo um quadripé no meio do desfile, apesar das dificuldades para seu deslocamento. De fácil compreensão, a primeira alegoria representou a África, e a segunda, a Bahia.

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O carro abre-alas desfilou com o tema “Nações Africanas – Grandeza de Cultura”. Uma alegoria de grande beleza, toda em preto e branco, com esculturas de mulheres negras nas laterais e, na parte superior, uma árvore simbolizando as raízes africanas. O carro contou com a presença das crianças e da velha guarda.

A segunda alegoria simbolizou a “Bahia que vibra axé”. Em uma cena emocionante para os torcedores da agremiação, o saudoso fundador da Torcida Jovem, Cosme Damião, foi retratado como a figura que conduzia um trio elétrico. O carro, bastante colorido, apresentou elementos como esculturas de negros tocando tambor e coqueiros, representando a Bahia em sua essência.

OUTROS DESTAQUES

Os ritmistas, comandados pelo mestre Caverna, desfilaram representando o “Malê Debalê”, optando pela estratégia de marcar o samba e realizar bossas em momentos estratégicos.

A ala das baianas passou inteira cantando o samba. As mães do samba da Torcida Jovem desfilaram vestidas como “Guardiãs da Ancestralidade”.

Tuiuti de casa nova! Renato Thor anuncia construção de nova quadra em São Cristóvão após o Carnaval 2026

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O Paraíso do Tuiuti se prepara para viver um novo capítulo em sua história. Em entrevista exclusiva ao CARNAVALESCO, o presidente da agremiação, Renato Thor, revelou que a escola ganhará uma nova quadra logo após o desfile deste ano. O anúncio, que promete sacudir a comunidade de São Cristóvão, é fruto de uma articulação direta com a Prefeitura do Rio de Janeiro.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Presente para a comunidade

Segundo Thor, a confirmação veio através de uma ligação do prefeito Eduardo Paes e do ex-presidente da Embratur, Marcelo Freixo. O novo espaço será construído no próprio bairro de São Cristóvão, em uma localização estratégica, ainda mais próxima da comunidade. Para o presidente, o momento não poderia ser mais oportuno para o pavilhão azul e amarelo.

“Acho que está na hora de o Paraíso do Tuiuti ter a sua quadra. A que temos hoje é a paixão da nossa vida, mas não cabe mais o Tuiuti lá dentro”, afirmou o dirigente, destacando que o crescimento da escola nos últimos anos exige uma estrutura mais ampla para comportar seus segmentos e torcedores.

Clima de festa em São Cristóvão

O presidente não escondeu o entusiasmo ao dar a notícia para os seus componentes e moradores do bairro. A promessa é que o novo “terreiro” seja recebido de braços abertos, marcando um salto de infraestrutura para a agremiação que se consolidou no Grupo Especial.

“Dei essa notícia hoje para a comunidade, para todo o bairro de São Cristóvão. Estou muito feliz”, celebrou Thor, reforçando o compromisso com o bem-estar e o futuro da escola. A expectativa agora se volta para o pós-carnaval, quando as obras devem começar para garantir que o Tuiuti tenha uma sede à altura de sua grandeza.