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Freddy Ferreira analisa a bateria do Paraíso do Tuiuti no segundo ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio técnico da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, sob o comando de mestre Marcão. Uma conjunção sonora de raro valor foi exibida, com equilíbrio e uma boa equalização de timbres. Bossas altamente musicais ajudaram na execução do melodioso samba-enredo do Tuiuti, impulsionando a obra e os componentes.

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Na parte da frente do ritmo do Tuiuti, uma ala de cuícas fabulosa ajudou a marcar o samba de forma eficaz. Um naipe de chocalhos absolutamente acima da média executou um desenho rítmico complexo com excelência musical. Chocalhos ainda participavam da paradinha das congas, realizada na frente da “Super Som”, ajudando a manter o ritmo e o andamento com um carreteiro de exímia qualidade. Tudo interligado a uma ala de tamborins de técnica coletiva apurada, que realizou uma convenção com certa complexidade de forma limpa. A coletividade do tamborim se mostrou eficiente, principalmente pelo fato dos ritmistas do naipe tocarem com pulsação rítmica semelhante, se apresentando de modo uníssono por toda a pista.

Na cozinha da bateria do Tuiuti, uma afinação de surdos preciosa foi notada. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com bastante segurança e precisão, demonstrando educação, tirando som da peça sem dar pancada no instrumento. Os surdos de terceira ficaram responsáveis pelo balanço envolvente da “Super Som”. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas simplesmente fabuloso, evidenciando um trabalho de destaque envolvendo os médios. Na parte de trás do ritmo também vieram as congas, responsáveis pela paradinha de maior destaque.

Bossas altamente musicais foram apresentadas com bastante precisão. Todas se pautando pelas nuances do melodioso samba da agremiação de São Cristóvão. O ponto alto foi a paradinha do refrão do meio envolvendo as congas, que vinham para a frente da bateria “Super Som”, acompanhada de talentosos chocalhos e também de Cowbell, atrelando culturalmente o traço religioso do enredo à sonoridade de imensa virtude musical produzida pela bateria do Tuiuti.

Uma ótima apresentação da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, dirigida por mestre Marcão. Um ritmo requintado foi exibido, sem contar as execuções privilegiadas das bossas. Um trabalho musical altamente técnico e de invariável classe de mestre Marcão e dos ritmistas do Tuiuti.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Salgueiro no segundo ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Furiosa” do Acadêmicos do Salgueiro, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Um ritmo tradicionalmente vinculado a identidade musical da branca e encarnada do bairro da Tijuca foi apresentado. Com bossas potentes e suas marcações vibrantes, o ensaio só não ficará com a sensação de realização plena devido a um problema sério ocorrido no som, após a passagem da “Furiosa” no segundo módulo. De forma alguma tirou o brilho da própria bateria, mas claramente desanimou ritmistas, diante de um problema técnico que nitidamente prejudicou o teste da escola.

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Na parte da frente da bateria do Salgueiro, uma grande ala de showcalhos tocou interligada a um naipe de tamborins com bom trabalho coletivo, executando um desenho rítmico pautado pelas nuances do samba salgueirense com eficácia. O carreteiro de ambos juntos deu brilho sonoro às peças leves do Torrão Amado. Uma boa e segura ala de cuícas ajudou a marcar o samba, complementando a sonoridade da cabeça da bateria do Sal.

Na cozinha da “Furiosa”, uma afinação acima da média e bem pesada de surdos foi notada. Marcadores de primeira e de segunda pulsaram de modo firme, mas com segurança. Surdos de terceira com balanço envolvente exibiram um toque sólido, contribuindo de forma luxuosa também em bossas. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas de guerra com boa ressonância e uma ala de taróis com bom volume, que auxiliou a preencher a sonoridade dos médios com eficiência.

Bossas baseadas nas variações melódicas do samba do Salgueiro consolidaram seu ritmo através de arranjos bem contemporâneos. Sempre contando com um trabalho primoroso envolvendo as terceiras, ajudando a valorizar as nuances da canção salgueirense dando um molho precioso. A nuance rítmica em formato de “onda” na hora do Afoxé do estribilho mostrou bom dinamismo sonoro.

Uma apresentação muito boa da bateria “Furiosa” do Salgueiro, dirigida pelos mestres Guilherme e Gustavo. Uma sonoridade vinculada a história da bateria do Salgueiro foi bem desenvolvida, até cativando mais saudosistas com os surdos de acrílico, remetendo ao eterno mestre Louro. Infelizmente a sonorização da pista esteve a desejar antes mesmo do ensaio, com a “Furiosa” tendo que fazer seu esquenta de bateria com a cabeça da pista tocando o último samba-enredo campeão (Tambor). Por organização, logística ou gestão, uma falha que poderia e deveria ter sido evitada. Mas esse fato passou quase despercebido, diante de um problema ainda mais grave. A sonorização da pista acabou falhando clamorosamente em hora crucial, no momento da saída da bateria do Salgueiro do segundo módulo de julgadores. Menção honrosa para os ritmistas e diretores salgueirenses que não deixaram a peteca cair, mesmo com um som claramente aquém do seu ritmo de excelência.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Vila Isabel no segundo ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico magistral da bateria “Swingueira de Noel” da Unidos de Vila Isabel, regida por mestre Macaco Branco. Um ritmo com andamento confortável e conjugação sonora primorosa dos mais diversos naipes. Tudo proporcionado por uma afinação de surdos que permitiu uma equalização que resultou num groove puxado mais para o timbre grave.

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Na parte da frente do ritmo da Vila Isabel, um naipe de chocalhos dotado de grande técnica musical coletiva se exibiu de modo primoroso, tocando interligado a uma ala de tamborins sublime, que pontuou as nuances melódicas do belo samba vilaisabelense com um desenho rítmico bastante musical. Fascinante o trabalho de coletividade musical de ambos os naipes em conjunto, graças a um toque em grupo com pulsação rítmica individual bem semelhante, demonstrando um alto apuro técnico. Exibindo uma nova organização, uma boa ala de cuícas desfilou por dentro do ritmo da Vila, em duas fileiras indianas (uma em cada ponta) por dentro do miolo. O feijão com arroz bem temperado da cuíca da Vila Isabel foi possível de ser percebida por toda a bateria.

Na parte de trás da bateria da Vila, um groove simplesmente impressionante foi produzido, graças a uma afinação pesada de surdos, puxada para um timbre grave. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com a firmeza clássica, mas também bastante segurança. O balanço bem envolvente dos surdos de terceira ajudaram a complementar a sonoridade destacada dos graves com grande qualidade. Repiques de boa técnica tocaram com coesão, acompanhados de um naipe de caixas de guerras com a típica levada reta dando uma boa base de sustentação musical. Tudo isso junto de uma ala de taróis de imensa virtude sonora, com seu toque tradicional, com suas rufadas muito bem pontuadas.

Bossas bem vinculadas a um dos mais lindos sambas do ano ajudaram a impulsionar componentes na evolução da escola, além de serem exibidas com precisão cirúrgica. São conversas rítmicas de nítido bom gosto pautadas pela simplicidade, seguindo as variações melódicas para consolidar o ritmo dos arranjos, numa criação musical sobretudo bastante intuitiva e orgânica.

Uma apresentação exemplar da bateria da Unidos de Vila Isabel, comandada por mestre Macaco Branco. Uma criação musical muito bem encaixada de bossas ajudou a impulsionar o incontestável samba-enredo da escola do bairro de Noel. As execuções das paradinhas ocorreram de modo irrepreensível, evidenciando o belo casamento entre a sonoridade produzida e a bela obra da agremiação do morro dos Macacos. Um ensaio técnico que comprovou a excelência, mostrando uma bateria da Vila pronta para brigar pela pontuação máxima no desfile oficial.

Ousada, Primeira da Cidade Líder conta com alegorias nostálgicas e bateria competente

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Décima e última escola a desfilar no Grupo de Acesso II neste sábado, a Primeira da Cidade Líder utilizou algumas de suas principais características para homenagear um dos grandes carnavalescos contemporâneos no desfile de “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”, assinado pelo carnavalesco Anderson Rodrigues: a inventividade e o impacto. No quesito a quesito, o conjunto alegórico e a bateria tiveram destaque. A apresentação foi encerrada com 50m38s. Sempre presente em grandes eventos ligados às escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO conta tudo sobre a apresentação da Primeira da Cidade Líder em 2026.

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COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Douglas Terci, nada mais natural que os componentes se inspirassem em fatos ligados a Paulo Barros para criar as ações do segmento, intitulado “No céu desenhou o seu destino: do comissário de bordo ao sonho do carnavalesco”. Com uma coreografia simples e marcando o samba, sempre buscando chamar atenção do público, dois momentos se destacaram: o primeiro deles quando um personagem interpretando o próprio homenageado surgia de uma porta no elemento alegórico; e outro que emulava a rápida troca de roupas que se tornou nacionalmente conhecida graças ao desfile “É Segredo”, da Unidos da Tijuca de 2010, que garantiu ao carnavalesco o primeiro título da carreira.

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Por falar no elemento alegórico, ele é figura central em tal quesito. Para começar, o tripé contava com uma fênix (mascote da agremiação) gigante, que impunha respeito e chamava atenção. Por sinal, absolutamente toda a coreografia dos componentes era realizada em tal chassi, sem vir para o chão em momento algum – algo que pode causar alguma dificuldade de avaliação para jurados que fiquem em cabines mais térreas. A coreografia, entretanto, sem grande dificuldade de execução, foi realizada adequadamente.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Desde o desfile de 2022 tomando conta do quesito, Fabiano Dourado e Sandra Jesus também mergulharam no enredo para se apresentar no Anhembi. Com fantasias intituladas “Comissário de bordo e o Carnaval”, novamente a vida pregressa de Paulo Barros foi relembrada, remetendo até mesmo à pouquíssima semelhança entre a antiga ocupação e o cargo que o eternizou enquanto figura pública.

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Na prática, havia a dúvida se eles utilizariam a pista mais seca após uma noite com vários momentos de chuva para executar mais giros ou se focariam na coreografia, item que também passou a ser balizamento obrigatório do quesito. A segunda opção predominou, buscando a correção e o mergulho nas tantas referências que desfiles ligados a Paulo Barros trazem. O vento mais calmo também ajudou na execução dos momentos, com uma apresentação em cada um dos módulos durando cerca de uma passada do samba.

HARMONIA

O samba da Primeira da Cidade Líder não é dos mais celebrados na safra do Grupo de Acesso II, e também é importante notar que a escola parece ter entendido o recado: tanto o carro de som, sob o comando de Thiago Melodiah (e reforçado de última hora por Pê Santana, que já foi intérprete das coirmãs Independente Tricolor e X-9 Paulistana) quanto a Batucada de Primeira, com mestre Alê enquanto ritmista-mor, executaram diversos cacos e bossas, respectivamente, para tentar contagiar. O resultado, entretanto, foi parcialmente conquistado: se os componentes respondiam de imediato em algumas partes da canção (como no verso “Para, o mundo parou para ver”), não demorava para que o volume do canto voltasse a cair.

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As arquibancadas também reagiram de maneira mais tímida ao samba-enredo – e, aqui, é importante relembrar que a escola foi a última a desfilar, encarando um público já cansado das nove apresentações anteriores.

ENREDO

O primeiro setor do enredo, “No Céu Desenhou o Seu Destino: do Comissão de Bordo ao Sonho do Carnavalesco” busca na vida de Paulo Barros algo pouco conhecido da maioria: o fato dele ter sido comissário de bordo antes de passar a ser reconhecido como um dos grandes carnavalescos dos tempos atuais. O segundo tem um título autoexplicativo: “Carnavais que Encantaram o Brasil”, repleto de referências a grandes desfiles assinados pelo profissional.

Por fim, o terceiro setor, “Hoje a Líder Vai te Coroar” mostra a apoteose completa do desfile, com o profissional sendo exaltado pela agremiação – lembrando que o ato de coroação também já rendeu títulos para Paulo Barros: em 2012, com “O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão”, na Unidos da Tijuca.
Na pista, a assimilação foi bastante simples, com direito a elementos alegóricos que remetiam a alguns desses desfiles (como as peças de xadrez, em referência a “A Viradouro Vira o Jogo”, de 2007) e as baianas como se tivessem saído de uma geleira (remetendo à introdução de “”É de Arrepiar!”, de 2008, também da Unidos do Viradouro).

EVOLUÇÃO

Se a Harmonia foi um ponto de atenção, a Evolução teve um desempenho bastante a contento ao longo de todo o desfile. Apesar de encerrar a apresentação no minuto-limite, a Primeira da Cidade Líder se preparou para controlar o cronômetro e teve sucesso em tal aspecto. Prova viva disso é a ousada opção em colocar a bateria como última ala a desfilar – fazendo com que toda a escola passe na frente dos ritmistas pelo menos uma vez, no primeiro recuo, antes de cruzar a primeira faixa amarela.

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Outra escolha que favoreceu a Evolução da agremiação foi algo que é tratado como um tabu no Carnaval e, no Grupo de Acesso II, também teve outras escolas que utilizaram do mesmo artifício: a passada reta da bateria pelo segundo recuo, poupando tempo e evitando o surgimento de clarões, que poderiam despontuar a agremiação em tal quesito.

SAMBA

Uma das principais críticas em relação ao trabalho de Paulo Barros está nos sambas que surgem de enredos do carnavalesco. Para entrar no universo do profissional, a Primeira da Cidade Líder buscou uma canção que apresentasse de maneira bastante funcional o enredo e tudo que estava sendo visto, algo no qual o homenageado é craque.

Se a obra, de fato, é simples (o que não agrada a tantos), é inegável que a assimilação do que é cantado com o que é visto é imediata – e faz com que a obra passe até a ter simpatizantes.

FANTASIAS

O quesito “Enredo” ajuda a explicar as indumentárias do desfile: o primeiro setor, com uma parte da vida do carnavalesco pouco conhecida, conseguiu privilegiar o trabalho mais livre e artístico. O segundo, repleto de referências, focou no resgate da memória de grandes sambas do homenageado. Se o junto de fantasias não era luxuoso, não foram vistos erros de acabamento em componente algum.

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Também agradou a escolha das cores por parte do carnavalesco Anderson Rodrigues, que mesclou uma série de tons em uma cromia bastante interessante. A bateria, por sinal, veio fantasiada de Ayrton Senna, com a indumentária “Acelera, Tijuca”, nome do desfile campeão do Pavão em 2014.

ALEGORIAS

Certamente o quesito que mais chamou atenção na passagem da Primeira da Cidade Líder em 2026. A assimilação do conjunto alegórico é imediata para quem acompanha Carnaval no século XXI. O abre-alas apresentava a fênix, símbolo da escola, e os pavilhões das escolas pelas quais Paulo Barros já trabalhou, intitulado “Sonhou… fez seu Voo ir Além”. Depois, a primeira referência em uma alegoria: “Essa Noite Levarei sua Alma” foi o segundo carro, remetendo ao desfile de 2011 da Unidos da Tijuca.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

Já o terceiro carro, de nome “Hoje A Líder vai te coroar. Eternizar a sua história, que está gravada em seu DNA” é uma releitura do antológico carro repleto de personagens que, quando executavam a coreografia em tons de azul, emulavam o DNA – algo que foi repetido no Anhembi.

OUTROS DESTAQUES

A Corte da Batucada de Primeira veio com dois destaques: a Madrinha Flavia Oliveira e o Rei Kaique Albuquerque.

Canto poderoso marca o ensaio técnico da Portela e eleva o patamar da escola na Sapucaí

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Por Júnior Azevedo, Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais e Marcos Marinho

A Portela fechou a segunda noite do último fim de semana de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí de maneira grandiosa, reafirmando sua condição de maior campeã do carnaval carioca. Volumosa, leve e segura, a escola apresentou um excelente ensaio neste sábado. O canto foi o grande protagonista da noite, impulsionado por um samba que cresce a cada apresentação e sustentado com precisão pelo carro de som e pela bateria “Tabajara do Samba”. Com uma comunidade entregue, evolução fluida e quesitos centrais bem resolvidos, a Águia Altaneira mostrou que chega renovada e competitiva para o desfile de domingo, quando será a penúltima escola a entrar na Avenida com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente da Portela se apresentou com forte impacto simbólico e corporal. Composta integralmente por corpos negros, a coreografia aposta na potência da dança como eixo narrativo, estabelecendo um diálogo direto com o universo afro-religioso proposto pelo enredo. Os movimentos são amplos, ritmados e bem desenhados, com execução segura e sincronizada, revelando domínio técnico e entendimento coletivo da proposta.

A escolha por uma coreografia intensamente dançada reforça a leitura ritualística do samba, criando uma atmosfera de invocação e reverência. Não há excesso de efeitos ou truques cênicos: a força da apresentação reside justamente na presença dos corpos em movimento, na cadência e na entrega física dos intérpretes. A comissão ocupa a pista com autoridade, sustentando energia do início ao fim da apresentação.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

O conjunto transmite potência e coerência, alinhando forma e conteúdo. A leitura do enredo é clara e direta, sem ruídos, e cumpre o papel de abrir o desfile com densidade simbólica, conectando o público ao universo espiritual e histórico que a Portela propõe para 2026.

“Organização, dedicação, empenho e muita emoção. Não vai dar errado, já deu certo. A gente sente coisas que eu, pelo menos, com 21 anos de carnaval, nunca senti; estou sentindo pela primeira vez. É indescritível estar na Portela. A ficha vai caindo aos poucos. O próximo passo é ensaiar até o desfile. Não tem resultado sem ensaio, sem trabalho. Acredito muito na disciplina dos ensaios, de você ficar catando cabelinho em ovo mesmo. A gente está pronto, mas precisa, até lá, ver cada detalhe: revendo cada roupa, cada coisa do carro, cada coisa do elenco, até o comportamento deles. A gente precisa se preservar agora, ensaiar com cuidado para, no dia, estar tudo direito”, comentou Cláudia Motta.

“A Portela, que é mãe, traz o batuque. É a primeira vez que o batuque vai desfilar na Avenida, é histórico. Isso é uma maneira de tirar a nuvem que cobre a cultura do batuque, da religião afro-gaúcha, e a Portela, muito generosa, está trazendo essa negritude e mostrando que o lugar do batuque é no Brasil inteiro. O Brasil precisa conhecer o batuque e vai se apaixonar por ele. São muitos ensaios; temos um elenco incrível trabalhando arduamente e tendo a oportunidade de se apresentar para o público. Os ensaios técnicos são duas grandes apresentações e a chance de experimentar a Avenida com público, com o público apreciando e aplaudindo o trabalho”, revelou Edfranc.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Em seu terceiro ano defendendo o pavilhão da Portela, Marlon Lamar e Squel Jorgea demonstram um grau de maturidade evidente. O casal apresenta um bailado seguro, confiante e cada vez mais entrosado, fruto de um trabalho de continuidade que se reflete na fluidez dos movimentos e na leitura precisa do quesito.

Squel mostrou que estava em uma noite inspirada. Na parte do refrão do meio, ela executou uma sequência de giros impressionante, de se perder as contas, mantendo ritmo, potência e controle absoluto da bandeira. Sua dança é expansiva, elegante e carregada de presença cênica, conduzindo a apresentação com naturalidade. Marlon responde à altura, com um bailado firme, jogo de pernas bem marcado, cortes elegantes e postura clássica, sustentando a tradição do quesito sem perder vigor.

A sintonia entre os dois é perceptível no olhar, no tempo dos movimentos e na forma como ocupam a pista. O casal explora bem os espaços ao longo do percurso e constrói uma apresentação envolvente. Apenas no último módulo, um ponto negativo: componentes que acompanhavam a comissão de frente e que, provavelmente, irão se apresentar na equipe de Cláudia Mota e Edifranc Alves se posicionaram de forma que reduziu o espaço de dança do casal. Ainda assim, a situação não comprometeu o desempenho da dupla, que manteve o controle e concluiu a apresentação com alto nível técnico.

“A emoção está transbordando. Estou desde quinta-feira sem ver meu filho; hoje, já recebi cinco vídeos dele desejando boa sorte. Graças a Deus, nós chegamos aqui, reta final, último grande passo para o grande dia, com a sensação de dever cumprido, com o coração transbordando de alegria e de orgulho. Só tenho a agradecer ao meu mestre-sala incrível, à nossa equipe, aos nossos apoios, que nos dão todo o suporte, e às nossas famílias, que não conseguem estar todas aqui, mas estão torcendo para que a gente possa passar de forma digna, para que nosso trabalho seja honrado e reconhecido”, disse a porta-bandeira.

“O casal de mestre-sala e porta-bandeira é formado por duas pessoas, e este ano não serão 40 pontos em jogo, serão 60 pontos, em uma cabine espelhada. Nós, de fato, somos atletas de alto nível e viemos nos adaptando a essa forma de julgar, até porque hoje não é apenas o jurado quem avalia: temos as pessoas dos sites, das arquibancadas, e sabemos que, a cada dia, esse público espera mais. Atualmente, existe uma cobrança física enorme, e sabemos que, quando a cabeça não aguenta, você pode dormir, acordar, dormir, acordar, e parece que não flui. Mas estamos fechados em um só propósito: honrar não apenas o nome da Portela, mas também a credibilidade, a confiança e o apoio que a escola deposita na gente. O ensaio de hoje teve um significado arrebatador, triunfante. É uma família carregada no dendê; vamos em busca da vigésima terceira estrela”, completou o mestre-sala.

SAMBA E HARMONIA

O samba-enredo da Portela se consolida como uma engrenagem fundamental do desfile. Funcional, crescente e com forte apelo coletivo, a obra empurra a escola para frente e estimula uma resposta espontânea da comunidade. O efeito é imediato: bastam alguns versos para que o corpo reaja, como no trecho “a Portela reunida carrega no dendê”, em que o balanço de ombro toma conta de quem está por perto quase involuntariamente.

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O canto foi o grande ponto alto do ensaio. Forte, contínuo e distribuído por toda a extensão da escola, sustentou a apresentação do início ao fim, sem oscilações perceptíveis. O carro de som teve papel decisivo nesse desempenho, segurando o andamento, valorizando os momentos-chave do samba e mantendo a escola conectada à melodia.

A harmonia se mostrou madura e bem trabalhada. O entrosamento entre intérprete, carro de som e bateria cria uma base sólida que permite ao componente cantar com confiança. O samba não apenas funciona: ele cresce a cada ensaio, ganhando corpo e sinalizando um grande rendimento no desfile oficial.

EVOLUÇÃO

A evolução da Portela foi marcada por leveza, alegria e fluidez. As alas desfilaram soltas, brincando com a lateralidade da pista, mantendo um bom ritmo de deslocamento e ocupação dos espaços. O clima era de prazer em desfilar, com componentes sorridentes, conectados entre si e com o samba.

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“Muito feliz. O propósito e a proposta da bateria da Portela são sempre melhorar a cada dia, e eu fui surpreendido com o que aconteceu aqui hoje. Arranjos muito firmes, bateria cantando, dançando, feliz. O andamento, do início ao fim, foi o mesmo, muito seguro nas execuções, tanto das nuances quanto das bossas, dos arranjos e das paradinhas, como preferirem, pulsando pela nossa escola. A minha avaliação é difícil: dou nota 10 para a bateria por toda a dedicação até aqui. Agora é pensar no desfile e, se Deus quiser, partir para o abraço pelo trabalho que vai ser executado no domingo que vem. Sobre o retorno de som, hoje tivemos alguns problemas técnicos durante outros ensaios, mas, para mim, não houve problema. Em alguns momentos, sinalizei que, no setor 4, próximo ao setor 6, o volume estava muito alto ali na pista, algo que rapidamente foi ajustado, com atenção e suporte. O volume abaixou e, para mim, não houve delay nem nenhum problema dentro da bateria, como infelizmente aconteceu com outras coirmãs. Graças a Deus, para mim deu certo. Agora é melhorar cada vez mais. Sei que a galera está trabalhando e se dedicando muito e acredito que, no desfile, vai estar perfeito. Para terminar, a expectativa para o desfile oficial é das melhores possíveis. É a realização de um sonho, não só meu, como da minha direção de bateria e também de toda a bateria da Portela, porque é sempre bom fazer pela nossa escola. A vibração e a energia estão 100%. Vai ser um dia histórico para todos nós”, disse mestre Vitinho.

O desenho da escola favoreceu uma progressão constante e sem buracos. A movimentação foi organizada, mas sem rigidez, permitindo que a espontaneidade do samba se manifestasse. O conjunto transmitiu a sensação de uma escola confortável na Avenida, consciente de seu tamanho e de sua força.

Pequenos ajustes ainda podem ser feitos, especialmente em momentos de maior concentração de alas, mas o saldo é positivo. A Portela mostrou uma evolução segura, solta e brincante, alinhada ao espírito do samba e ao momento vivido pela escola.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Tabajara do Samba”, sob o comando de mestre Vitinho, mais uma vez se impôs como um dos pilares do ensaio da Portela. Com andamento preciso, leitura segura do samba e impacto sonoro consistente, a bateria foi decisiva para sustentar o canto forte da escola ao longo de toda a pista, criando uma base rítmica que impulsionou a comunidade e reforçou a harmonia do conjunto.

Também merece menção a postura da diretoria durante o ensaio. A alegria e a empolgação do presidente Júnior Escafura foram visíveis do início ao fim da apresentação, acompanhando a escola com entusiasmo e envolvimento direto. A mesma entrega pôde ser observada na vice-presidente Nilce Fran, presença ativa e vibrante, enquanto a presidente de honra, Vilma Nascimento, se destacou pela elegância, vitalidade e simbologia que carrega, reafirmando sua importância histórica e afetiva para a Portela.

Outro momento de forte carga simbólica foi a presença de Tia Surica, que veio na alegoria que trazia a águia, símbolo maior da escola. A imagem da matriarca portelense associada ao principal emblema da agremiação reforçou o elo entre tradição, memória e identidade, criando uma cena de grande impacto emocional e reafirmando a conexão da Portela com suas raízes e seus pilares históricos.

Pronta para fazer história! Tuiuti confirma excelência de sua ala musical em noite brilhante do casal

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Por Marcos Marinho, Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais e Júnior Azevedo

O Paraíso do Tuiuti realizou um ensaio técnico consistente na Marquês de Sapucaí, marcado pela regularidade do canto conduzido por Pixulé e pela bateria de Mestre Marcão, além da noite brilhante do primeiro casal, Vinícius Antunes e Rebeca Tito. Com leitura clara do enredo, resposta positiva do público e organização de evolução ao longo da pista, a escola apresentou sinais concretos de competitividade para o desfile oficial do Carnaval 2026.

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COMISSÃO DE FRENTE

Grande destaque da temporada do Paraíso do Tuiuti rumo ao Carnaval 2026, a comissão de frente apresentou uma encenação aberta pelos eborais, entidades do Ifá afro-cubano associadas à proteção das florestas. Com pintura corporal em tons de azul, cinza e dourado, além de galhos e adornos que reforçaram a dimensão ritual da cena, os bailarinos conduziram a maior parte da movimentação coreográfica, manipulando troncos que evocam árvores e preenchendo o espaço com desenhos corporais de forte presença plástica.

No desenvolvimento dramatúrgico, a cena se aprofundou com a entrada do babalaô, que surge no centro e estende sua esteira no momento em que o refrão principal do samba o evocava. Ao redor dele, cinco componentes com figurinos coloridos, sugerindo praticantes do culto de Ifá, sentam-se para ouvi-lo e, posteriormente, integram a dança coletiva.
A narrativa ganha novo plano quando Elégua aparece do alto do elemento cenográfico, envolto em fumaça, rindo e girando como mensageiro entre os mundos espiritual e material. Na passagem do samba que menciona a expansão do Ifá para o Brasil, um menino surge ao seu lado e estende uma bandeira que une Brasil e Cuba, síntese visual direta do enredo.

A coreografia se organiza de forma espelhada nos módulos 2 e 3, justamente nas cabines espelhadas, enquanto, nos módulos 1 e 4, a orientação de cena se volta diretamente ao júri. Essa construção de diferentes planos, já eficiente na leitura frontal, ganha potência ampliada no dispositivo espelhado, onde simultaneidade e profundidade se tornam ainda mais evidentes.

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O resultado revela a assinatura de David Lima como coreógrafo que articula com destreza a proposta coreográfica com a narrativa do enredo. Desenvolvida desde o minidesfile e amadurecida ao longo dos ensaios técnicos, a comissão vem acumulando precisão corporal e refinamento de desenho, consolidando-se como um dos pontos altos do Tuiuti na temporada.

Após trajetória premiada, incluindo nota máxima e o título da Série Ouro de 2024 com a Unidos de Padre Miguel, o artista chega à escola de São Cristóvão para afirmar um percurso consistente. Pelo que se viu na Sapucaí, a comissão reúne condições concretas de disputar a pontuação máxima no desfile oficial.

“Nota dez. Nós conseguimos cumprir nosso objetivo nas três cabines, conseguimos testar o que não fizemos no sábado anterior, mexer um pouco nas passadas para sentir o clima e ver como poderíamos ajustar, e tudo funcionou nas três cabines. Arrancamos aplausos por toda a Marquês de Sapucaí. Tentamos sempre bater o mesmo tempo que será utilizado no desfile oficial, até porque ensaiamos junto com o casal, com a cabeça da escola, para acertar isso, e é o que fazemos nos ensaios de rua. Porém, o desfile oficial tem muitas surpresas, então testamos uma coisinha aqui, outra ali, que serão utilizadas, mas, no dia do desfile, vocês verão várias surpresas bem diferente”, afirmou o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Vinícius Antunes e Rebeca Tito viveram uma noite brilhante na Marquês de Sapucaí. Vestidos em azul com detalhes dourados, o casal apresentou elegância imediata e confirmou o acerto da parceria firmada para o Carnaval 2026.

Primeiro ano de Rebeca como primeira porta-bandeira do Paraíso do Tuiuti, ela, cria da escola, e estreia da dupla em dança conjunta, a apresentação revelou entrosamento raro para uma parceria ainda recente.

Vinícius, vindo da Unidos de Padre Miguel, atua como articulador da cena: ágil, domina o espaço com firulas precisas e abre caminho para que a porta-bandeira gire e exponha o pavilhão. Rebeca responde com vigor crescente, giros firmes e presença corporal mais solta ao longo da temporada, evidenciando maturidade construída no próprio processo de encontro entre os dois.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

A coreografia se inicia com apresentação solene do pavilhão, marcada por elegância e afirmação simbólica da escola. Em seguida, a dança ganha explosão rítmica, com sucessões de giros, brincadeiras corporais do mestre-sala e passagens inspiradas em ritmos latinos no refrão principal. Há momentos de troca de posição e cruzamentos que reforçam a cumplicidade cênica, sempre com Vinícius conduzindo a dinâmica e Rebeca respondendo com graça, sorriso e malemolência afinada ao enredo.

O casal executou com segurança as três apresentações para o júri, mantendo vigor constante. Destacou-se ainda a bandeirada no verso do samba que evoca o verde e amarelo do Brasil, gesto firme que sintetizou a força demonstrada ao longo do ensaio. A aposta do Tuiuti se confirmou: a dupla consolida identidade própria no Grupo Especial e pavimenta caminhos para uma excelente exibição no desfile oficial.

“O saldo foi muito positivo. Graças a Deus, Rebeca e eu temos esse discernimento de entrarmos concentrados no nosso desfile, porque sabemos que aqui a adrenalina toma conta, e isso é natural. Eu costumo dizer que, se a técnica sobrepuser a dança, não estamos fazendo direito. Entramos na avenida muito emocionados, mas pelo lado positivo. Acho que conseguimos dar vida à nossa coreografia, que já era ótima. Então, o saldo, com certeza, é muito positivo”, disse o mestre-sala.

“Estou até um pouco emocionada, porque conseguimos colocar em prática tudo o que vínhamos trabalhando durante esse tempo todo. É gratificante saber que estamos preparados para mostrar o quanto amamos a escola, o quanto nos dedicamos e apresentar uma belíssima apresentação à altura do que o Paraíso do Tuiuti merece”, completou a porta-bandeira.

SAMBA E HARMONIA

O canto do Paraíso do Tuiuti teve no intérprete Pixulé um de seus pontos de maior força no ensaio técnico. A primeira passada do samba, conduzida apenas por sua voz e pelas cordas da escola, recurso já experimentado nos ensaios de rua e no primeiro ensaio técnico, emocionou a Sapucaí ao apresentar, com clareza melódica e palavra bem articulada, o samba de 2026. O próprio cantor define a obra como a que mais gostou de interpretar, percepção que se traduz em condução segura e envolvente do canto coletivo.

A resposta da comunidade confirma a assimilação de um samba que chegou a ser alvo de críticas pelo uso de termos em iorubá. Refrões como “Iboru, Iboya, Ibosheshe / Canta, Tuiuti” e “Babá moforibalé / Babá moforibalé / Orunmilá taladê / Babá moforibalé”, ou passagens como “Ibarabô / Agô lonã, olukumi”, surgem bem pronunciados e amplamente cantados, tanto pelos componentes quanto pelo público. O resultado evidencia não apenas domínio musical, mas compromisso da harmonia da escola com a matriz cultural que sustenta o enredo.

Sustentada pela voz de Pixulé e pela pulsação da bateria de Mestre Marcão, a escola mantém a intensidade ao longo da pista. Ainda que haja leve perda de volume na metade final do percurso, o canto permanece consistente, sinal de um trabalho de harmonia construído desde os ensaios de rua iniciados em outubro. O efeito é perceptível: a Sapucaí já canta o samba com familiaridade, indicando forte comunicação entre escola, comunidade e público.

“Teve uma pequena diferença em relação ao ensaio da semana passada, quando eu declamei o samba todo e, depois, iniciamos a passada de fato. Hoje, não: declamei o samba e já entramos logo no desfile por causa do tempo, e, no desfile oficial, não será diferente. Pixulé vai declamar e já vamos entrar direto lá. A única diferença que haverá é a minha indumentária e outras surpresas que não posso revelar; só no dia do desfile mesmo que vocês vão ver. Eu acho que tudo isso que estou vivendo, o nome que estou tendo no mundo do samba, nunca pensei que iria viver. Não idealizei isso, não passava pela minha cabeça. Até porque eu sou um cara do povo, sou isso que a galera sempre vê: sou o mesmo cara na rua, no show, com a minha esposa, com meus filhos, com amigos. Eu não esperava ser ovacionado pelo público do mundo do samba. Fiquei até um pouco surpreso com isso, com a força com que o público está me abraçando. Estou muito feliz”, garantiu o intérprete Pixulé.

EVOLUÇÃO

A evolução do Paraíso do Tuiuti apresentou dois movimentos distintos ao longo do ensaio técnico. Até a passagem da comissão de frente e do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira pela cabine espelhada, a escola avançou com fluidez evidente, ocupando rapidamente a pista com organização, canto forte e preenchimento lateral consistente. As primeiras alas evoluíram com energia, braços erguidos e interação constante entre componentes e público, reforçando a sensação de leveza e domínio espacial.

Após a travessia pelos módulos centrais, porém, o ritmo tornou-se mais vagaroso. A intensidade corporal e o volume de canto diminuíram, sobretudo nas alas que antecedem o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, configurando um ponto de atenção para o desfile oficial. Ainda assim, a escola preserva momentos de respiro cênico, como o jogo de luzes articulado às bossas de congas da bateria.

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Outro aspecto positivo foi a condução segura da entrada e saída do segundo recuo de bateria, realizadas com tranquilidade e sem rupturas na progressão do conjunto. A oscilação de velocidade observada pode estar relacionada ao formato mais compacto do ensaio técnico da escola, tendência que tende a ganhar maior densidade e preenchimento humano na apresentação oficial. O quadro geral indica uma evolução que cresceu ao longo da última temporada.

“É uma análise muito boa. No primeiro ensaio, o Paraíso do Tuiuti já fez um bom desfile, de bom para ótimo. Tivemos um pequeno problema de evolução na hora de parar a bateria, ainda no primeiro ensaio técnico, e hoje viemos com a meta de corrigir isso. Graças a Deus, conseguimos ajustar o que foi planejado ao longo da semana, do primeiro para o segundo ensaio. Ficamos um pouco tristes por causa da chuva à tarde, que atrapalhou bastante a vinda de alguns componentes, mas, tecnicamente, a escola, no meu modo de ver, foi nota 10. Sobre a questão da evolução, a escola evolui de maneira muito fluida até a cabine espelhada e, depois, vem um pouco mais vagarosa, sem comprometer. É uma estratégia nossa. Compactamos um pouco mais a escola e, como eu disse, o primeiro ensaio foi muito bom, de bom para ótimo, e hoje conseguimos corrigir tecnicamente o que não foi tão bom na primeira apresentação. A expectativa para o desfile oficial é a melhor possível. Graças a Deus, o planejamento de barracão está caminhando conforme o previsto. Estamos entregando as fantasias e finalizando os carros, naquela “cereja do bolo”. Mas, graças a Deus, o Paraíso do Tuiuti está pronto para o desfile da semana que vem”, comentou Leandro Azevedo, diretor de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Super Som”, comandada por Mestre Marcão, confirmou-se como um dos pilares do desempenho do Paraíso do Tuiuti no ensaio técnico. Sustentando o samba com cadência firme e pulsação envolvente, o conjunto manteve o componente em canto constante e contribuiu para ampliar a resposta da Sapucaí ao longo do percurso.

Os momentos de maior preciosidade musical surgem nas bossas, especialmente quando as congas avançam à frente da bateria e formam uma meia-lua cênica. Nesse desenho, ao lado de Marcão e do intérprete Pixulé, a rainha Mayara Lima executa coreografia já reconhecida pelo público, criando um quadro de forte impacto visual e sonoro, marcado pela incorporação de referências rítmicas da latinidade cubana presente no enredo. A reação imediata das arquibancadas,  aplausos, registros em celulares e manifestações de entusiasmo, confirma a potência do segmento.

Com samba no pé seguro e presença cênica comunicativa, Mayara mantém conexão direta com o público e reforça o protagonismo performático da bateria, consolidando o setor como um dos pontos altos da apresentação.

Imponente! Salgueiro tem canto potente, supera falha no som em ensaio com brilho também para comissão e casal

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Por Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais, Júnior Azevedo e Marcos Marinho 

O Salgueiro mostrou neste ensaio aquilo que todo mundo já sabe, mas que é sempre bom reafirmar: a Academia tem muito brio, é gigante. A Vermelha e Branca da Zona Norte ficou quase dez minutos sem som após uma falha no equipamento da Sapucaí, mas a comunidade sustentou e fez o ensaio técnico como à moda antiga, baseado no gogó do componente, pior, sem a voz do intérprete para ajudar. Não era para acontecer: o ensaio é teste para as escolas, não mais para o equipamento. Mas o Salgueiro não estava nem aí e deu uma aula de canto com garra, correção e emoção. O componente se agigantou em um ensaio no qual a comissão de frente, de muito bom gosto, assinada por Paulo Pinna, deu um brilho especial ao homenagear as icônicas bruxas de “Breazail”, da Imperatriz em 2004, e o casal Sidclei e Marcella mostrou, como sempre, dança de alto nível, com maestria e elegância. No mais, uma evolução bem cadenciada e correta da escola e uma boa recepção do público, principalmente quando percebeu a força da comunidade salgueirense.

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Com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna de pau”, o Salgueiro vai encerrar os desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2025.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografados por Paulo Pinna, os componentes mais uma vez vieram homenageando as icônicas bruxas da comissão de frente da Imperatriz no desfile de 2004. Destaque para a fantasia, belíssima, claro, não como aquela própria para o desfile, mas, para um ensaio, o Salgueiro esbanjou bom gosto, utilizando suas cores nesta versão; o verde também estava presente na parte de baixo da fantasia. Na coreografia, o deslocamento lembrava aquelas falanges espetaculares do saudoso Fábio de Mello, em uma formação que se movia como uma flecha. Na apresentação para o júri, a coreografia trouxe movimentos daquela comissão, mesclados com gestuais e passos que remetiam ao samba deste ano. No final, a surpresa: as saias se levantavam e, com o verde da parte de baixo combinado ao vermelho da saia, era perceptível a formação de várias rosas em alusão à homenageada. Apresentação igual à da semana passada, mas com a mesma beleza, qualidade e interação com o público. Ótima ideia e ótima realização.

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“Resolvemos trazer mais uma vez as bruxas pelo sucesso que teve no primeiro ensaio técnico, com uma repercussão muito boa. Pensamos em trazer alguma outra coisa também, a ideia até estava pronta, mas achamos legal reforçar porque foi um sucesso muito grande e preferimos apostar novamente, até para que as pessoas que não puderam vir pudessem ver de novo. Foi algo muito marcante. Tivemos uma falha no som que, infelizmente, atrapalha um pouco o andamento por causa da musicalidade, mas conseguimos segurar no gogó e isso não comprometeu. Mesmo assim, a gente fica um pouco tenso, porque é um problema complicado; se acontece no desfile, dá uma desestruturada. Ainda assim, conseguimos seguir com êxito e foi ótimo. Já estamos com a nossa coreografia oficial pronta para a cabine espelhada. Acho que conseguimos atingir o nosso objetivo dentro do que entendemos ser o melhor para a gente e para o nosso trabalho. Estamos confiantes e confortáveis com a cabine”, garantiu o coreógrafo Paulo Pinna.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Sidclei Santos e Marcella Alves são uma instituição do Carnaval. É incrível o entrosamento e a relação de dança que um tem com o outro. Outra relação que merece destaque especial é a de Marcella com o pavilhão. Impressiona o domínio intrínseco da porta-bandeira nos rodopios, na forma de conduzir o pavilhão sempre bem desfraldado e em todo o gestual, valorizando o maior símbolo da escola. Apostando mais uma vez em uma dança tradicional que valoriza o bailado dos dois, seja nos “pulinhos” de Sidclei, que em determinado momento encontram a porta-bandeira, seja nos giros de alta intensidade e na postura perfeita de Marcella.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

A interação rítmica com a obra também chama a atenção: cada movimento estava alinhado ao samba, às bossas e ao andamento. No trecho “Andar na Ouvidor virou caso de amor”, o mestre-sala faz um gesto de extrema delicadeza ao acariciar o rosto da porta-bandeira. Mesmo quando o som da Sapucaí apresentou problemas, a dupla iniciou a apresentação na última cabine apenas com o canto da comunidade e sustentou. Mantiveram postura e perfeição na dança mesmo quando o som voltou abruptamente, já na parte final da Sapucaí, primeiro apenas com bateria e cordas, sem a referência do canto. Ainda assim, não erraram nada. Um espetáculo de excelência técnica e muita garra.

“A gente usou os ensaios técnicos como a própria palavra diz: é ensaio, e testamos algumas coisas diferentes. Estamos ansiosos para trazer uma grande surpresa no desfile oficial. A cabine espelhada é, de fato, uma novidade que exigiu uma atenção maior na concepção coreográfica, mas já venho ensaiando desde que ela se tornou uma realidade. Então, hoje foi só vibrar com a galera, curtir esse ensaio, para que, no dia oficial, a gente consiga brigar por essa décima estrela para a nossa escola”, comentou a porta-bandeira.

“Tivemos dois ensaios. No primeiro, a pista estava totalmente seca; hoje, só o terceiro jurado estava seco. Então, a gente pôde testar a pista molhada, com lama, essas coisas. Conseguimos executar mesmo com as adversidades que a pista apresenta. De repente, no dia chove, tomara que não aconteça, mas estaremos preparados caso a pista esteja molhada. Então, foi um ensaio não de superação, mas de aprendizado”, completou o mestre-sala.

HARMONIA E SAMBA

A escola deu uma verdadeira aula de canto, principalmente no momento mais crítico, quando o som da Avenida parou nas caixas e a escola contou apenas com a bateria ao longe e o gogó do componente, que já vinha forte antes da falha e foi fundamental para sustentar, inclusive, as apresentações do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e da comissão de frente na última cabine. Muita garra da comunidade e correção para manter o canto do início ao fim, mesmo sem o apoio dos microfones por quase dez minutos. No carro de som, Igor Sorriso e suas vozes de apoio fizeram um bom trabalho, mantendo o samba com bom astral e rendimento.

No acompanhamento das cordas, como já vinha acontecendo nos demais ensaios, a presença de um violino não atrapalhou o canto nem o desenvolvimento harmônico das outras cordas e da bateria, trazendo o tom mais clássico que a escola desejava, em sintonia com gostos estéticos e musicais de Rosa Magalhães. Os dois refrões foram bastante cantados, mas o trecho que antecede o refrão de baixo, “Mestra, você me fez amar a festa…”, foi, sem dúvida, o momento de maior explosão da escola, com o salgueirense cantando com orgulho enquanto evocava a homenageada com carinho.

“Mais uma vez foi um ensaio perfeito para a gente. Tivemos um probleminha ali no meio da avenida, na questão do som, mas eu encaro tudo isso como uma prova. A escola cantou, conseguiu manter a pegada do samba, a bateria conseguiu se manter sem o som, fazendo tudo cravado. Isso foi um teste com um resultado muito positivo para a gente. Conseguimos ver um outro lado, ter uma outra dinâmica de ensaiar cinco, seis passadas sem som, e perceber que a escola estava cantando, com uma resposta do público, e a bateria ali mantendo a pegada de andamento, de bossa, tudo cravado, mesmo sem som. Se acontecer algo no dia do desfile, espero que não aconteça, a gente já está preparado para qualquer coisa que possa vir”, disse mestre Gustavo.

“Achei melhor acontecer agora do que no dia do desfile. Como, para a gente, também é ensaio, acredito que todos os problemas sejam resolvidos até lá, de qualquer setor. Como o Gustavo falou, acho que foi importante para a gente. A galera continuou tocando, a vibração acabou aumentando, porque, na hora do desespero, você acaba puxando mais fôlego da galera. Trabalhamos andamento, trabalhamos o canto da escola também, e acho que é isso: a gente está pronto para o dia do desfile. Porque muda tudo: vem fantasia, vêm carros alegóricos… Mas, no que a gente podia fazer no ensaio técnico, acho que conseguimos entregar e estamos satisfeitos com os dois ensaios”, citou mestre Guilherme.

EVOLUÇÃO

A escola passou pela Sapucaí de forma bem cadenciada e organizada, optando por mais liberdade em vez de filas excessivamente engessadas. O salgueirense mostrou alegria e espontaneidade. Apenas algumas poucas alas apresentaram algum tipo de coreografia, todas bem integradas ao samba, sem prejudicar o andamento da escola ou limitar a liberdade dos desfilantes. Algumas alas vieram com leques, elemento muito característico de Rosa Magalhães.

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A escola não teve problemas com grandes espaços ao longo da Avenida, nem com alas emboladas. A entrada e a saída dos recuos aconteceram de forma tranquila, organizada e bem-sucedida. O controle do tempo foi eficiente, permitindo que a escola atravessasse a Avenida com tranquilidade, aproveitando bastante o final e interagindo com o público. O problema com o som não interferiu na evolução; ao contrário, pareceu dar ainda mais garra ao componente.

OUTROS DESTAQUES

No esquenta, Igor Sorriso cantou “Pega no Ganzê”, “Candaces”, “Xangô”, “Ópera dos Malandros”, entre outros, em um pot-pourri com sambas marcantes, alguns apenas com o refrão, outros com trechos maiores, como “Peguei um Ita no Norte”. A rainha Viviane Araújo causou grande frisson já na entrada da bateria, quando veio sambando em uma plataforma elevada acima dos ritmistas, que seguiu pelo desfile. No elemento alegórico à frente da escola, imagens da homenageada estavam presentes, e o mascote da agremiação, o Sabiá, vestido como um nobre antigo, vinha na parte superior da alegoria.

“Cara, semana passada a gente fez um ensaio quente para caramba. Infelizmente, a gente tinha dois grupos que não são de chão, que são de carro, e que fizeram movimentações equivocadas. Eles tinham uma coreografia que parava, depois dava uma esticada, e isso acabou acelerando um pouco o fim da escola. Hoje foi completamente diferente, tão quente quanto semana passada, e acho que foi a prova final de que o Salgueiro está na disputa do campeonato. O sistema de som da avenida pegou fogo. Essa é a informação que eu tenho aqui na frente: pegou tudo, no break, ar-condicionado, tudo. Acabou o sistema de som, ficamos uns dez minutos sem som, e a galera continuou cantando, sem atravessar, só na marcação, com a referência da bateria. O casal e a comissão se apresentaram sem som, só com o público cantando. Foi emocionante. Além disso, toda a parte técnica: hoje a gente tinha um monitoramento que me permitiu ver todos os momentos, e foi tudo de acordo, mostrando que o Salgueiro está pronto. Então, é uma avaliação superpositiva, com grande expectativa para o desfile oficial. A gente termina de entregar todas as fantasias na segunda-feira. Na verdade, elas já estão prontas há bastante tempo. Nossa logística também já está pronta. Todas as fantasias que serão entregues na Sapucaí — costeiros grandes, burrinhas, tudo, já estão aqui perto, no ponto de apoio. Esta última semana é só para os últimos arremates de alegoria, alguma pintura que danificou, alguma coisa assim. A gente finalizou o Carnaval. Segunda-feira terminamos de entregar as fantasias e estamos prontos para fechar esse trabalho, se Deus quiser, com chave de ouro”, explicou Wilsinho Alves, diretor de carnaval.

Vila Isabel pinta aquarela de sonhos em grande ensaio

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Por Luiz Gustavo, Matheus Morais, Júnior Azevedo, Marcos Marinho e Lucas Santos

A Unidos de Vila Isabel abriu a noite de ensaios técnicos no último sábado, colocando mais uma vez à prova um dos sambas mais elogiados do ano, e passou com louvor em uma apresentação quente. Marcada por um paradão no meio da avenida para um discurso de Tinga, agradecendo e chamando a força da comunidade, seguido de uma nova arrancada do samba, o ensaio mostrou uma agremiação ciente da potência que tem em mãos, entoando um ótimo samba com muita felicidade. A azul e branco também teve um casal em grande noite e uma evolução firme, mesmo com um menor tempo para cruzar toda a pista por conta da interrupção, formando um excelente conjunto pronto para dar voos altos no desfile oficial. A escola de Noel desfilará na terça-feira de Carnaval, sendo a segunda escola a pisar na Marquês de Sapucaí, trazendo o enredo “Macumbembê, Samborembá, sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, estreantes na agremiação.

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“Hoje, desde a comissão de frente até os meninos que estavam soltando os fogos lá na torcida, está todo mundo de parabéns. Isso foi estudado a semana inteira para a gente fazer hoje. Tudo é muito conversado, tudo é muito estudado. Só agradecer à comunidade da Vila Isabel, ao presidente Luiz Guimarães, por acreditar sempre nas nossas ideias. Quando levei a ideia do paradão para ele hoje, falou: ‘Pô, vai dar certo’. Eu falei: ‘Presidente, acredita. Acredita que vai dar certo’. E é isso. Feliz, feliz. A Vila Isabel está pronta para, na terça-feira, a gente fazer um belo desfile. Carnaval é na pista. A gente sabe disso. A gente está brigando com outras onze. E é isso. A gente vem para brigar pelo título”, garantiu Moisés Carvalho, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão comandada por Alex Neoral e Márcio Jahú trouxe uma coreografia composta por um grande terreiro com filhos de santo, as representações de Oxum e Xangô, além de um integrante interpretando Heitor dos Prazeres. Os orixás orbitavam em torno do homenageado enquanto rolavam momentos como uma gira e Heitor sambando no meio da roda. Uma coreografia enérgica, bem executada pelos componentes, com sincronismo e limpeza nos movimentos. A presença dos orixás foi mais estética do que de participação na parte coreográfica. O simbolismo de Heitor e a interpretação foram o ponto alto de uma boa apresentação.

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“Achei mais prazeroso, mais tranquilo, mais confiante. Acho que no primeiro a gente teve uma questão com a música, e isso interfere muito diretamente na comissão. Teve uma variação de ritmo, e hoje eu senti muito bem a bateria. Isso impacta positiva ou negativamente, e hoje foi uma delícia ouvir os bailarinos se entregarem. Essa proposta do Tinga de parar a escola foi incrível, isso mexe com todo mundo envolvido. Foi um desfile, para mim, pela comissão, memorável e histórico. A gente já está ensaiado, mesmo não tendo pessoas, às vezes, no ensaio, de um lado e do outro, mas eu acho maravilhoso para o espetáculo porque é respeitoso com todo mundo que está assistindo. Não fica uma coisa soberana para um jurado, algo específico e particular. A festa é para quem está aqui assistindo, para o público, é uma festa lateral, 360 graus. Eu já tinha proposto isso na minha comissão da sereia da Viradouro e fui penalizado por isso, porque virei para um lado e para o outro. Que bom que hoje em dia estão esperando que a gente espelhe, que a gente esteja reverenciando os dois lados. É muito bonito e generoso de nós, artistas do Carnaval, prestigiar ambos os lados, porque o público é igual. Eu acho que todo mundo é jurado, inclusive; todo mundo está dando nota e todo mundo quer ser campeão. A gente gosta de fazer bem o que é o enredo, que é Heitor dos Prazeres, esse mundo dele, e você vai ver, é isso mesmo. Tem bastante da coreografia, é mais ou menos o que é. Acaba que, com o figurino, tudo muda, mas a gente tem uma alegoria muito importante, então às vezes não pode mostrar tanto porque a gente fica refém da presença da alegoria, que hoje em dia é muito importante”, explicou o coreógrafo Alex Neoral.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Raphael e Dandara formam um casal que se comunica pelo olhar e tem uma troca de energia enorme durante a dança. Esses pontos foram evidenciados na excelente apresentação que fizeram neste ensaio técnico, em mais um quesito da Vila que primou pela força. Dandara exibiu um bailado muito elegante, com postura corporal ereta e bastante agilidade nos giros, enquanto Raphael explorou magistralmente os cortejos à sua porta-bandeira e deslizou na pista em seu bailado, como no refrão central, onde exibe um primoroso jogo de pernas, com muita ginga e agilidade. No final da série realizada, reverências a Oxum e Xangô, citados no refrão de cabeça, representando o fundamento e a energia presentes em um grande desempenho, numa apresentação muito alinhada com o homenageado Heitor dos Prazeres.

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“A única coisa que ficou para o desfile foi a fantasia. Tudo o que a gente tinha para experimentar, a gente experimentou. Agora fica a ansiedade para chegar o dia 17. Foi mágico. Na semana passada já tinha sido incrível. Hoje foi surreal; parece que a chuva veio só para nos ajudar, para lavar o que tinha que lavar, e a gente passar bem e testar tudo. A gente está pronto. Eu tenho a melhor equipe do mundo. Para mim, é mais especial ainda. Eu venho de uma lesão. No Carnaval de 2025, sob suspeitas de desfilar ou não, a gente passou muito bem, conseguindo todas as notas para a coirmã, a escola em que estávamos, à qual agradecemos muito por todos os anos que vivemos no Paraíso do Tuiuti. E agora, na Vila Isabel, um chão que é nosso, uma escola em que a Dandara cresceu, uma escola que acreditou no Raphael vindo lá da Cidade de Deus, me deram oportunidade. Foi aqui que eu apareci de verdade para o Grupo Especial. Hoje, retornar junto com a Dandara para viver esse momento é especial. Junto com essa equipe que eu tenho, com a nossa coreógrafa Cátia Cabral, viver esse momento com todas essas pessoas está sendo mágico”, comentou o mestre-sala.

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“Cada momento como esse é um sonho que nós estamos vivendo. O nosso sonho, o sonho de Heitor, o sonho da comunidade. Estamos em um momento em que estamos sonhando juntos. Trazer essa força da Vila Isabel, essa grandiosidade que ela tem, a comunidade que ela tem, é fantástico. Esse momento é muito importante. E, do nosso ensaio, estamos fechando agora um ciclo, nosso último ensaio oficial. Saímos com um saldo muito positivo, acreditando muito no que a gente trabalhou este ano, no que a gente pode amadurecer ainda mais neste processo com a Vila Isabel. Agora é fazer o momento tão sonhado, em que a mágica acontece, desejando que o desfile seja como a gente tem feito, com emoção, porque o trabalho está sendo entregue e que a gente possa aproveitar cada minuto”, completou a porta-bandeira.

EVOLUÇÃO

As primeiras alas pisaram com muita força na avenida, seguindo assim até o último módulo, chegando ao fim com tranquilidade mesmo com a parada durante o ensaio. A ala das baianas chamou a atenção pelo vigor e ginga com que evoluíram pela pista, além do rodar característico. Durante os dois blocos de evolução da escola, divididos pela parada para uma nova largada já no meio da pista, o avançar da Vila pela avenida foi de um ritmo enérgico e constante, com as alas quicando na Sapucaí, componentes trocando de posição, erguendo os braços, realmente desfilando e não apenas passando pelo sambódromo. Um andamento forte que não sofreu queda; pelo contrário, a parte final da escola foi uma apoteose de uma azul e branco que sambou, brincou e foi feliz em um excelente ensaio em termos de evolução. A Vila Isabel encerrou o seu ensaio com 79 minutos.

HARMONIA E SAMBA

O excelente samba da Vila Isabel passou com um andamento mais à frente do que o costumeiro, impresso pela bateria do mestre Macaco Branco. Quando o andamento estava se assentando, a escola fez a parada para o discurso do intérprete Tinga e, na relargada, o pique voltou forte e assim foi mantido até os últimos minutos de ensaio. Essa pegada, apesar de em alguns momentos valorizar menos as variações melódicas da obra, proporcionou um desempenho mais explosivo, o que impactou no canto da escola, que foi mais visceral, sem quedas durante todo o ensaio.

Na segunda metade, após a parada, o canto atingiu seu ápice nos dois refrãos e manteve ótimo rendimento nos demais versos. O refrão de cabeça levantou os componentes. Apesar dessa mudança rítmica na execução, o samba confirmou sua qualidade e suas credenciais, potencializando o canto da escola, que não apresentou alas destoando no quesito. Mais um grande desempenho de Tinga, que sabe fazer um samba render na Sapucaí como poucos, e de seus apoios.

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“Ficamos muito emocionados, muito felizes. A gente está muito feliz com a nossa comunidade. A gente conversou lá no barracão e resolveu dar esse presente para aquelas pessoas que vêm no fim da escola, que não têm oportunidade de escutar o nosso grito de guerra, o começo da escola, a emoção da escola no início de tudo. E também agradecer a esse público maravilhoso, que muitas vezes não tem oportunidade de vir no dia do desfile. Estamos felizes demais e resolvemos parar e, graças a Deus, deu tudo certo. As pessoas entenderam a nossa proposta de parar, que é só para celebrar realmente o samba. A gente é muito feliz pela nossa cultura e está muito feliz com a nossa escola e, se Deus quiser, vamos fazer um grande desfile”, afirmou o intérprete Tinga.

OUTROS DESTAQUES

A Vila Isabel esbanjou beleza em seu time de musas, liderado por Dandara Oliveira, de ligação histórica com a escola, mostrada na paixão com que desfila e se entrega na avenida. A ala de baianas, além de toda a garra demonstrada na evolução, veio muito bem vestida.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

“Ah, foi maravilhoso, graças a Deus. A bateria veio com uma pegada muito firme, muito segura, fazendo esse samba, que é maravilhoso, funcionar perfeitamente. Até porque ele é meio arredondado, né? Não tem como não fazer esse samba funcionar muito bem. Então a gente tem que ter muito cuidado para não atrapalhar o samba; é só tocar para fazer ele fluir bem na avenida. E hoje teve o paradão. O Tinga fez um discurso. A gente combinou de fazer isso esta semana. Falamos: ‘O que a gente pode fazer?’. Quando a gente faz o discurso, geralmente a escola está toda na Presidente Vargas, e lá não tem som. Que adianta fazer um discurso ali para, de repente, meia dúzia de pessoas? Tivemos a ideia de, quando a escola inteira estivesse na avenida, parar, ele fazer o discurso e a gente voltar no mesmo lugar. E, sobre a questão do retorno e do som nesse segundo ensaio técnico, para a bateria foi muito bom. A BMX está de parabéns; é uma empresa maravilhosa, que está chegando com tecnologia, com muita coisa boa e nova para valorizar cada vez mais o maior espetáculo da Terra”, explicou mestre Macaco Branco.

Conjunto alegórico marca desfile da Uirapuru da Mooca

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A Uirapuru da Mooca apresentou um desfile marcado por maturidade, segurança e bom domínio técnico. A escola conseguiu alinhar seus quesitos de forma consistente e levou para a avenida um dos melhores conjuntos alegóricos da noite, evidenciando organização e cuidado estético. Mesmo com um enredo denso e de leitura complexa, a agremiação mostrou clareza narrativa e apresentou um desfile coeso, competitivo e bem estruturado.

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A escola foi a nona a desfilar e terminou sua apresentação com 48 minutos. Levando para o Sambódromo do Anhembi o enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”, desenvolvido por uma Comissão de Carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Rosani Garcia, representou o “Legado de Sankofá”. Sem o uso de elementos alegóricos, os bailarinos desenvolveram toda a coreografia no chão, apostando na força da movimentação corporal e na expressividade cênica.

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Como recurso visual, utilizaram elementos nas mãos e máscaras no rosto, reforçando a proposta simbólica da apresentação. As coreografias apresentadas aos módulos seguiram uma linha tradicional do quesito, com leitura clara e execução correta.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Alexander e Pamela apostou em uma apresentação baseada na técnica e na clareza de movimentos. Executando todos os passos obrigatórios previstos no regulamento, a dupla representou a Coroa Portuguesa dentro da proposta do enredo.

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Durante todo o percurso, demonstraram segurança, entrosamento e preparo, realizando apresentações consistentes em todos os módulos de julgamento.

HARMONIA

O canto da escola foi satisfatório e ganhou ainda mais força nos momentos em que a bateria executou bossas, especialmente no trecho do samba que diz “O povo é guardião do meu lugar”.

Os componentes mantiveram um canto linear e regular do início ao fim do desfile, sem grandes oscilações entre os setores.

ENREDO

O enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”, assinado por uma Comissão de Carnaval, apresentou uma temática complexa, com múltiplas possibilidades de abordagem histórica.

Durante o desfile, entretanto, a trajetória de Maria Felipa foi bem retratada, permitindo uma leitura clara e coerente da narrativa, com boa compreensão por parte do público e dos julgadores.

EVOLUÇÃO

A Uirapuru da Mooca concluiu seu desfile em 48 minutos, apresentando um andamento compacto e satisfatório.

No que diz respeito às movimentações dos componentes, a evolução foi regular, sem problemas de espaçamento ou deslocamento, mantendo a organização da escola ao longo da pista.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo, interpretado por Thiago Britto e composto por Thiago Meiners, Thiago Britto, André Valêncio, Marcel da Cohab, JB Laureano, Diego Laureano, Wil PZ, Daniel Rizzo, Sandra Aranha e Tubino, possui uma letra de fácil entendimento e alinhada à sinopse do enredo.

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No entanto, a melodia, com exceção do refrão principal, exigiu maior esforço da ala musical para envolver o público e os próprios componentes, tornando o rendimento musical mais dependente da condução do intérprete e da bateria.

FANTASIAS

Destaque para a ala das baianas, que representou as águas. No refrão principal, citadas diretamente no samba, as componentes giraram intensamente, valorizando o efeito visual das fantasias e ampliando o impacto cênico da apresentação.

As fantasias das demais alas desenvolveram o enredo de forma satisfatória, com boa leitura e acabamento adequado.

ALEGORIAS

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

A Uirapuru da Mooca apresentou um dos melhores conjuntos alegóricos da noite. Com três carros levados à avenida, a escola demonstrou bom acabamento e investimento em jogos de luz, o que potencializou o impacto visual do desfile e reforçou a narrativa do enredo.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha de bateria, Acássia Amorim, desfilou com figurino nas cores da escola e demonstrou forte entrosamento tanto com a bateria quanto com o público, contribuindo para o bom rendimento do quesito.

Os destaques de chão desfilaram bastante entrosados com a bateria e com muito samba no pé durante todo o percurso.

Comissão de frente e conjunto visual são destaques no desfile da Imperador do Ipiranga

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A Imperador do Ipiranga foi a oitava escola a desfilar no Grupo de Acesso 2, no Anhembi. O desfile teve como destaque a comissão de frente, dividida em dois atos, além do conjunto visual, que detalhou corretamente a leitura do enredo. A primeira alegoria foi de fácil leitura, retratando o lado afro da história; a segunda simbolizou, de forma lúdica, as crianças. Os quesitos Alegoria e Comissão de Frente merecem um destaque maior dentro do desfile da escola. Assim como várias agremiações da noite, o quesito Evolução sofreu no final, e o time de harmonia teve que acelerar o passo para fechar o tempo em 50:44, apenas 16 segundos antes do estouro do cronômetro. A escola desfilou com o tema “Bejiróó, Onipé Doum – Ibeji”, assinado pelo carnavalesco Rômulo Roque.

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COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando de Diego Costa, a comissão de frente foi para a pista com o significado de “Os Ibejis, a natureza e o sincretismo no Brasil”. A coreografia consistiu em mostrar a conexão entre o céu e os erês. Em um dos atos, os bailarinos vestiam roupas na cor azul e utilizavam maquiagem. Atrás, havia mães de santo vestidas de branco, e os bailarinos, citados anteriormente, as rodeavam; em seguida, elas trocavam de roupa como se fosse mágica. Essa troca simbolizava a entrada dos erês, que alteravam a personalidade e jogavam balas para o público. Vale destacar que essa troca de figurinos deixou o público presente no Anhembi bastante efusivo.

Em outro momento, acontecia a entrada de bailarinos vestidos de pássaros, além de duas crianças caracterizadas como animais, que iam até o tripé para utilizar o balanço. Uma comissão de frente realmente bem infantil. O coreógrafo Diego Costa intercalou as apresentações: em algumas cabines, executava-se o primeiro ato; em outras, o segundo. Uma grande demonstração de criatividade do profissional.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal representou o “Sincretismo na Umbanda”. Com fantasias inteiramente vermelhas, Matheus Custódio e Dani Motta realizaram um desfile tecnicamente satisfatório. O casal pegou a pista menos molhada e conseguiu executar corretamente a coreografia e os passos necessários para buscar a nota máxima. Resta observar o que aconteceu na cabine do Setor H, pois eles ficaram parados por mais tempo do que o comum em frente ao jurado. A ver se isso será considerado. No mais, um desfile seguro dos estreantes na agremiação.

HARMONIA

Os componentes da Imperador do Ipiranga cantaram corretamente o samba. A evolução não aconteceu com tanta intensidade, mas o canto em sincronia com o carro de som foi bem executado. Vale destacar a bossa em que a bateria para e os componentes têm a missão de bater palmas. Todas as execuções foram realizadas perfeitamente, dada a dificuldade de manter palmas e canto juntos, além de acompanhar a retomada da bateria. Ficou evidente que o ensaio esteve em dia para a apresentação oficial.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

ENREDO

A Imperador do Ipiranga possui uma identidade clara de fazer carnaval: apostar em um enredo lúdico, ligado ao universo infantil, como vem fazendo nos últimos três anos. A ideia do carnavalesco Rômulo Roque foi conectar os Ibejis até chegar ao aniversário da escola. Coincidentemente, a Imperador faz aniversário no mesmo dia de São Cosme e Damião. Isso foi muito bem traduzido no desfile, principalmente no último carro.

EVOLUÇÃO

A evolução da escola foi tranquila até a saída da bateria do recuo. Após esse momento, a escola passou a observar com mais atenção o cronômetro e precisou apertar o passo. A equipe de harmonia prontamente instruiu os desfilantes a acelerar. A estratégia deu certo, mas restaram apenas 16 segundos para o estouro do tempo, com os portões fechados em 50:44. Resta ver o que os jurados irão apontar nos dois últimos módulos da pista.

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SAMBA

O estreante intérprete Hélber Medeiros foi muito bem. O cantor parecia estar há anos na escola. Brincou com o samba o tempo todo, chamou a comunidade e incorporou o enredo. Uma voz alegre que, a todo momento, buscou incendiar o Anhembi. Os arranjos feitos no carro de som, acompanhando as vozes, também merecem destaque.

FANTASIAS

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Seguindo a linha das escolas do grupo, a Imperador do Ipiranga levou para a avenida fantasias leves, com o objetivo de facilitar o canto e a evolução dos componentes. Para transmitir a alegria do tema, um colorido marcante foi utilizado nas vestimentas. Destaque para a ala 02 — “Ibejis”.

ALEGORIAS

Com o título “A África das Crianças – O Ventre e o Baobá”, o carro abre-alas foi para o Anhembi com uma estética afro nas cores dourado e azul, que compõem o pavilhão da escola. A tradicional coroa, símbolo do brasão da agremiação, também esteve presente.

Já o carro intitulado “27 de Setembro – Dia de Cosme, Damião e Doum e Aniversário da Imperador do Ipiranga!” desfilou inteiramente na cor rosa, com estética das entidades no topo da alegoria.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Só Quem É”, sob o comando do mestre Fuskão e com a fantasia “Ogãs – Os Guardiões do Ritual”, executou bossas criativas e apresentou um andamento satisfatório na pista. Destaque para o arranjo logo após o refrão do meio, quando os componentes batiam palmas em perfeita sincronia.