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A voz que nasceu no morro e hoje conduz a Mangueira

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Existem intérpretes que chegam à escola. E existem aqueles que nascem dentro dela. Dowglas Diniz é cria da Mangueira. Do morro, da quadra, da bateria, da vivência diária que molda não só o canto, mas o caráter. Quando assume o microfone, ele não canta apenas um samba-enredo. Ele conduz uma história coletiva, carrega o peso simbólico do verde e rosa e representa uma comunidade inteira que se reconhece em sua voz.

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Fotos: Juliana Henrik/CARNAVALESCO

Durante o ensaio técnico, a emoção foi impossível de conter. Ao falar sobre assumir o solo, Dowglas deixou claro que aquele momento ultrapassava qualquer conquista pessoal. Era responsabilidade, entrega e pertencimento.

“Eu me senti muito honrado por estar representando a minha comunidade. Dá pra ver como eu visto essa camisa, como eu represento a Mangueira, o lugar onde eu nasci e fui criado. Estou muito feliz. A Mangueira está com um carnaval maravilhoso. Eu estou muito emocionado, de verdade”.

A fala vem carregada de consciência sobre o processo que está sendo construído. Para ele, o carnaval não se resume ao desfile, mas ao trabalho diário, silencioso e persistente dentro da escola.

“Muita gente fala do centenário da Mangueira, mas só quem está no dia a dia sabe o trabalho que a presidenta Guanayra Firmino está fazendo. A gente está lutando muito. Vai ser um carnaval de nota alta, um carnaval lindo. Podem esperar a Estação Primeira fazendo um grande carnaval. A gente vai mostrar isso na prática, na avenida”.

FRIO NA BARRIGA QUE CONFIRMA A VERDADE

Assumir o microfone em ensaio técnico nunca é algo automático. O frio na barriga aparece sempre. Para Dowglas, isso não é sinal de insegurança, mas de respeito pelo que está sendo vivido.

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“Se não sentir frio na barriga, tem alguma coisa errada. Nervosismo não tem, porque cantar para a minha comunidade é diversão. Eu me divirto. Eu fico feliz. Eu canto pela Mangueira, eu canto pela minha família, eu canto pela minha escola, eu canto pelo meu morro”.

É dessa relação direta com a comunidade que nasce a força de sua interpretação. Não existe personagem. O que se ouve é alguém cantando de dentro para fora.

DA BATERIA AO MICROFONE

Antes de conduzir o samba no microfone, Dowglas Diniz foi ritmista. Sua ligação com a bateria não é discurso, é origem.

“É de onde eu vim, porra. Sou oriundo da bateria. Fui ritmista até 2015. Então a relação é muito forte. É eu por eles, eles por mim e nós pela Estação Primeira de Mangueira”.

Essa vivência molda sua forma de cantar. O tempo, a respiração e a entrega dialogam diretamente com o ritmo da escola. Não há disputa entre voz e bateria. Há comunhão.

REFERÊNCIAS, JAMELÃO E O SONHO DE PERMANÊNCIA

Ao falar sobre suas referências como intérprete, Dowglas cita nomes que carregam história e peso simbólico no Carnaval e no samba.

“Mestre Luizito, Mestre Jamelão, Marquinho de Oswaldo Cruz, Evandro Malandro e Igor Sorriso. Esses caras guardam muito do meu coração.”

Entre eles, Jamelão surge como referência inevitável. Não apenas pela longevidade, mas pela forma como construiu uma identidade inseparável da Mangueira. Questionado se pensa em seguir esse caminho e deixar um legado semelhante, Dowglas responde com humildade e clareza.

“Se Deus quiser, eu estou trabalhando para isso. Eu pretendo deixar meu nome gravado na história da Estação Primeira de Mangueira”.

Não como promessa vazia, mas como compromisso diário com o trabalho, com a escola e com a comunidade que o formou.

UM CANTO QUE É COMPROMISSO

Dowglas Diniz não canta para ocupar espaço. Ele canta para honrar sua origem, devolver à Mangueira tudo o que recebeu dela e reafirmar, verso a verso, a identidade de uma escola que é muito maior que um desfile.

Na avenida, sua voz não estará sozinha. Estará acompanhada pelo morro, pela bateria, pela história e por uma comunidade inteira atravessando seu canto.

Quando a Sapucaí ouvir, vai entender. Não é só samba. É pertencimento em estado puro, cantado em verde e rosa.

Maria Gal homenageia Carolina Maria de Jesus em figurino do Baile da Vogue

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Quarto de Despejo’, marcou presença no Baile da Vogue, neste sábado, no Rio de Janeiro. A atriz, que interpreta Carolina no longa e que vai atravessar o sambódromo como escritora com a Unidos da Tijuca, escolheu um look-manifesto: peças confeccionadas a partir de matérias e texturas que remetem ao universo de Carolina Maria de Jesus, em um gesto de memória, afirmação e sofisticação simbólica. Assinado pela estilista Agatha Lacerda, a roupa reforça a relevância e importância da escritora no cenário cultural.

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A escolha dialoga diretamente com o Copacabana Palace, espaço histórico onde Carolina esteve em 1961, durante o lançamento de seu livro no Rio de Janeiro. Mais do que um endereço icônico, o hotel representa um ponto de virada: o mesmo lugar onde Carolina serviu passa a ser também o espaço onde sua obra foi celebrada.

“Carolina foi uma potência da literatura brasileira, mas além de ser uma escritora de extrema sensibilidade, foi uma mulher à frente de seu tempo em outras áreas da sociedade. Sempre teve um olhar político, social e uma admiração pela moda. Em fotos da época, é possível vê-la, ainda nos tempo em que morava na favela e quando alcançou o auge do sucesso com sobreposições, acessórios e vestimentas que também criava. Conforme sua vida foi melhorando, ela continuou atenta às tendências e sempre se vestiu de forma muito elegante. A minha escolha para a noite do Baile traduziu essa potência feminina que ainda se faz tão importante na atualidade’, explica Maria Gal.

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Sobre o filme ‘Carolina – Quarto de Despejo’ – Título provisório

Dirigido por Jeferson De, com roteiro de Maíra Oliveira e produção de Clélia Bessa, o longa é uma adaptação do livro ‘Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada’ e explora aspectos menos conhecidos da autora: o afeto, os desejos, a vaidade, a maternidade e sua consciência política. A narrativa utiliza trechos de seus diários como base de uma trama mais complexa. Não se trata de biografia. O recorte vai do momento da escrita do livro até sua publicação.

 

PIMG 9659.HEICrotagonizado por Maria Gal, que dá vida a Carolina Maria de Jesus, a produção conta ainda com Raphael Logam, Clayton Nascimento, Liza Del Dala, Carla Cristina Cardoso, Ju Colombo, Caio Manhente, Jack Berraquero, Fabio Assunção, Alan Rocha, Thawan Lucas e grande elenco. O filme é uma produção da Move Maria, Raccord Produções e Buda Filmes, com coprodução da Globo Filmes e distribuição da Elo Studios.

 

As gravações aconteceram no Rio de Janeiro, em novembro e dezembro de 2025 em locações como na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no bairro do Recreio dos Bandeirantes, e nos Estúdios Quanta Rio de Janeiro, onde a equipe de arte, liderada por Billy Castilho, reproduziu a Favela do Canindé dos anos 1950 em um cenário de mais de 400m². Além do minucioso trabalho de arte, o cenário também contou com dois painéis de led com 12x5cm e 4x3cm, que estamparam ora o horizonte de São Paulo, ora uma outra perspectiva da favela do Canindé e ajudaram a dar profundidade e ainda mais realismo ao cenário. Juntos, a favela e os telões de LED ocuparam mais de 700m². O filme ainda terá cenas gravadas na Marquês de Sapucaí, durante o desfile da Unidos da Tijuca, que terá Carolina Maria de Jesus como enredo.

Unidos da Tijuca separa lugar especial em alegoria para passistas que fizeram parte da história da escola

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Horas a fio de ensaio. Os movimentos e a sincronia têm que ser perfeitos. Cobranças de diretores, da Harmonia. 100% de presença e entrega. Mas a vida acontece para as jovens que vestem as sandálias de prata. Estudos, filhos, lesões… Para muitas, o sonho morre. Porém, como proposto no enredo da escola deste ano, a Tijuca reescreve a história e dá nova oportunidade a passistas que desfilaram pela escola e se afastaram.

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A ideia veio do próprio grupo, ao se reunir na escola e relembrar os velhos tempos. Crias do Morro do Borel, nem mesmo o afastamento da ala esfriou o amor. Agora, a proposta é outra: reunir essas mulheres em uma ala diferente, desempenhando seu papel, mas com menos cobranças. Johniany Menezes conta como surgiu a ideia e revela a importância do apoio do diretor-geral de Harmonia, Allan Guimarães.

Johniany Menezes
Johniany Menezes

“Estávamos todos na quadra, não foi proposital. E aí a gente falou: ‘Será que a gente consegue uma ala para vir todo mundo de novo?’. E surgiu essa ideia. Eu fui o pivô. Assim que consegui falar com o Allan, ele foi muito atencioso com a gente. E toda vez que a gente se encontrava na quadra, encontrava com o Allan e falava: ‘E aí, será que vai rolar?’. E ele: ‘Quem sabe?’. Até que chegou um dia em que ele falou: ‘Faz o grupo e deixa comigo’. Aí eu chamei a Luana, e a Luana chamou o William, e fomos juntando a galera. Fomos colocando pessoas no grupo até que chegou a hora de levarem ao presidente. O presidente gostou da ideia e autorizou a nossa ala para este ano”, contou ao CARNAVALESCO.

Johniany desfila na escola desde 2015 e, pela primeira vez, desfilará em um carro de sua escola do coração. A passista revela a diferença de vir na ala de passistas para a estreia como veterana.

“É diferente, porque a gente não tem a responsabilidade de estar alinhada, compacta com o grupo. Estamos mais livres e mais soltas, brincando, nos divertindo, tanto nos ensaios quanto no carro. Vamos nos divertir muito!”, disse.

A recepcionista Luana André desfila na Tijuca desde os 17 anos, quando ainda precisava apresentar boas notas no boletim e autorização para desfilar. Afastou-se da ala pelo mesmo motivo das colegas: o excesso de compromissos. Para não prejudicar o grupo, preferiu se ausentar.

Luana Andre
Luana André

“A gente não conseguia assumir mais um compromisso como passista, porque passista tem que estar muito assídua na escola, se dedicar quase 100%. E a gente, para não falhar, preferiu se retirar. A oportunidade de voltar foi uma surpresa para a gente. Estou muito feliz, porque nós somos tijucanas. Inclusive, eu tenho uma tatuagem da Tijuca, sou fanática, apaixonada pela escola. Sempre fui muito bem recebida aqui dentro. A gente vai dar nossa vida aqui na Sapucaí, com a nossa escola”, declarou.

Com a nova ala e a nova proposta de desfile, surgem outras responsabilidades e desafios. Como todas virão em carros alegóricos, Luana afirma que o cuidado tem que ser redobrado.

“Mais concentração, cuidado, porque além da desenvoltura que temos que ter em cima do carro para evoluir, existe o risco, é uma altura. Mas nós vamos com garra, amor ao nosso pavilhão, vamos dar tudo de nós. O samba está na ponta da língua, o samba está no pé, já vem na alma. Tijuca até morrer!”, afirmou.

Tijuca é um amor passado por gerações para as irmãs Diamante. O tio-avô já foi presidente da escola, um tio foi compositor, o pai diretor de bateria, assim como o irmão é atualmente, e os filhos já seguem os mesmos passos. As irmãs foram passistas da escola e agora retornam para o grupo que estreia este ano. Alessandra compartilha os desafios para reunir todas e fazer o sonho acontecer.

Alessandra Diamante
Alessandra Diamante

“Eu me sinto muito honrada que o nosso presidente acolheu e ajudou a gente. O Allan também ajudou muito, porque era um desejo de todas nós há muitos anos. Só que, por motivos pessoais, trabalho, faculdade, filho, a gente não conseguia reunir todas para assumir um compromisso novamente com a escola. E este ano, graças a Deus e graças aos nossos colegas de ala, conseguimos conversar e fazer esse retorno triunfal no carro”, contou.

Livia Diamante
Livia Diamante

A enfermeira Lívia Diamante, irmã de Alessandra, tem um legado extenso na azul e amarelo do Borel. Já passou pela ala das crianças, foi porta-estandarte, passista e, mesmo fora das alas, marcava presença na diretoria. Afastou-se da ala de passistas há oito anos para estudar enfermagem e hoje, formada, volta à escola do coração em um enredo emocionante e significativo em sua trajetória.

“O interessante é que a gente volta logo neste ano, em que o samba fala ‘reconhece o seu lugar e luta’. A gente volta reconhecendo o nosso lugar. A gente nunca deveria ter saído. É aqui, na escola. E vamos lutar junto com a Tijuca para fazer esse diferencial no carro, dando movimento, dando canto, quebrando tudo, fazendo o que a gente pode e o que não pode para concorrer a esse campeonato”, declarou.

Luciene Maria de Oliveira, massoterapeuta e veterana, foi passista por 12 anos e se afastou por conta de uma lesão. Voltou em 2025 e agora pode se reunir com as amigas na ala de veteranas. Nascida e criada no Morro do Borel, contou ao CARNAVALESCO que também foi uma “Carolina”. Sua história se cruza com a de Carolina Maria de Jesus, escritora que é enredo da escola neste ano. Luciene foi catadora de lixo, flanelinha e é filha de mãe solo.

Luciene Oliveira
Luciene Oliveira

“Vir representando esse enredo é de muita importância para mim, porque consegui sair daquela bolha, mas ainda tenho muitas amigas, muitas pessoas lá do Borel, que vivem uma realidade muito difícil. Carrego comigo a responsabilidade de abrir portas para as meninas de lá e mostrar que a gente consegue, mesmo através dessa sociedade, de toda a misoginia e de todo o racismo estrutural que a gente enfrenta, pular esse muro. Eu sou uma vírgula de todo um sistema que tenta nos oprimir. Luto através da minha rede social, mostrando para os meus e para as minhas amigas que estão lá no Borel que, através do estudo, da cultura e da arte — porque o carnaval é arte — a gente resiste, pode ser vista e pode melhorar de vida. A Carolina, para mim, é uma inspiração, como se fosse uma ancestral minha”, compartilhou.

Para Luciene, a ala marca a representatividade não só pelo enredo, mas também como valorização da arte e da comunidade tijucana.

“Eu gostaria muito de ter um pouco mais de valorização por ser da comunidade. Gostaria de ter uma oportunidade de carta de musa para poder inspirar as minhas meninas, as minhas amigas, as crianças lá do Borel, as meninas pretas do Borel. Poder participar deste ano, que é tão importante, em que a Tijuca vem se reencontrando com a comunidade, vem chamando mais a comunidade, ainda mais falando de um jeito preto, de mulher preta… Para mim é uma honra, como mulher preta periférica, poder vir mais um ano para a minha escola e mostrar que estou aqui por ela, principalmente pela minha comunidade, que é o Borel”, disse.

Para todas, o sentimento se resumiu em uma palavra: honra. E Luciene destaca não só receber, mas também dar honra à comunidade que ama.

“É a primeira escola a criar essa ala. É uma forma de a gente homenagear a escola e a escola também valorizar a gente, que se doou ao longo de tantos anos junto com a comunidade tijucana”, declarou.

Presidente da Liga-SP avalia apuração do Acesso 2 no Carnaval 2026 e destaca rigor dos jurados: ‘avaliações foram muito melhores’

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A apuração do Grupo de Acesso de São Paulo trouxe à tona uma realidade diferente do ano anterior: o fim da “chuva de notas 10” e um julgamento mais rigoroso. Em conversa exclusiva com o CARNAVALESCO, o presidente da Liga, Tomate, analisou o processo de avaliação deste ano, defendendo a preparação dos jurados e a transparência do sistema utilizado.

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Diferente do último carnaval, quando a Liga promoveu uma análise com jurados entre os desfiles do Acesso e do Especial, este ano a estratégia foi outra. Segundo Tomate, a decisão de não realizar novos encontros após o julgamento do Acesso foi tomada em consenso, visando evitar a confusão relatada pelos próprios avaliadores no passado.

“Este ano, além de da gente ter mais tempo, houve pelo menos três vezes mais treinamentos, as avaliações foram muito melhores”, explicou o presidente, destacando que a entidade agora utiliza uma plataforma onde todos têm acesso integral às informações.

Para ele, o corpo de jurados está mais maduro: “O ano passado a gente entendeu que por ser um ano com muita mudança no critério, com todos os jurados novos, um novo processo, que a gente precisava dessa conversa”.

Desempenho das escolas e o ‘fim do 10 automático’

Sobre o resultado que consagrou o Morro da Casa Verde, Tomate foi enfático ao dizer que o desempenho da escola foi amplamente reconhecido. “Morro da Casa Verde fez um grande desfile e apontado pelos internautas, por todo mundo como uma das favoritas da subida”, afirmou, citando também o equilíbrio com agremiações como X-9 Paulistana, Pérola Negra e Imperador do Ipiranga. Um dos pontos mais celebrados pela gestão foi a variação das notas, indicando um julgamento mais técnico e menos complacente.

“A gente não teve praticamente nenhum jurado que deu 10 para todo mundo. Se eu não me engano, eu acho que não teve nenhum inclusive que deu 10 para todo mundo. Eu acho que talvez a gente esteja encontrando agora um caminho assertivo”, pontuou o dirigente.

Ao ser questionado sobre a satisfação com o trabalho realizado, Tomate defendeu que a Liga atingiu o limite de preparação possível. Ele comparou o julgamento do carnaval com a tecnologia no esporte para ilustrar que falhas podem ocorrer, apesar de todo o esforço.

“Mais do que nós fizemos não tem o que fazer. Errar é o humano, isso é fato. É, no futebol o VAR erra. Se o VAR erra, como que o humano não vai errar?”, questionou o presidente. Ele reiterou que tudo foi decidido de forma democrática entre os 32 presidentes das entidades.

Para finalizar, o mandatário deixou claro que o foco agora é celebrar as vitórias e corrigir os rumos para o futuro. “A gente resultado de carnaval não se discute. Se comemora para quem tem que se comemorar e corrige para quem tiver que corrigir no caso que que cometeu alguma falha”, concluiu.

MORRO DA CASA VENCE O ACESSO 2 DE SP NO CARNAVAL 2026 E X-9 PAULISTANA FICA COM O VICE

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O Morro da Casa Verde conquistou o título de campeã do Grupo de Acesso 2 no Carnaval 2026. A escola ganha o direito de desfilar no Grupo de Acesso 1 em 2027. A X-9 Paulistana ficou com o vice-campeonato e também vai desfilar no Acesso 1 no ano que vem. Uirapuru da Mooca e Amizade Zona Leste foram rebaixadas para o Grupo Especial de Bairros da UESP. * VEJA AQUI A CLASSIFICAÇÃO FINAL DO ACESSO 2 EM 2026

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Como foi o desfile do Morro de Casa Verde

Com o enredo “Santo Antônio de Batalha, faz de mim batalhador!”, o Morro da Casa Verde presentou um conjunto coeso, com harmonia como um de seus principais pontos de sustentação ao longo da passagem pelo Anhembi no último sábado, quando foi a sétima a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2. Ao longo dos 49:39 de desfile, a leitura do sincretismo entre Exu, Ogum e Santo Antônio se manteve clara para o público e para as cabines de julgamento.

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O desenvolvimento do enredo se estruturou a partir da abertura dos caminhos por Exu, avançando pelo sincretismo com Santo Antônio e Ogum, pela trajetória do santo entre fé e tradição popular, até a celebração da devoção no Brasil. A narrativa se manteve compreensível na Avenida, com setores visualmente conectados e leitura coerente, principalmente com o uso de cores que valorizaram a compreensão do enredo e facilitaram a identificação dos diferentes setores.

Como foi o desfile da X-9 Paulistana

A X-9 Paulistana foi a quarta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi, no último sábado, pelo Grupo de Acesso II do Carnaval de São Paulo de 2026. A apresentação da escola da Parada Inglesa foi marcada por um bom conjunto de fantasias, e a atuação primorosa do carro de som e do casal de mestre-sala e porta-bandeira enriqueceram a travessia da Passarela do Samba, concluída após 50 minutos. O enredo da comunidade da Zona Norte foi “Yvy Marã Ei – A Busca pela Terra Sem Mal”, assinado pelo carnavalesco Amauri Santos.

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A narrativa foi construída como um diálogo simbólico entre a escola e o povo originário, acompanhando o ensinamento transmitido espiritualmente pelo criador Nhanderu ao pajé Guirapoty e o significado desse mito como orientação para a vida em sociedade. A proposta destacou a relação entre espiritualidade, natureza e convivência humana, encerrando o desfile com uma reflexão sobre as práticas necessárias para se alcançar essa terra imaculada diante das agressões sofridas pelo mundo nos últimos séculos.

Foliões reagem à abertura dos desfiles do Acesso 2 no Carnaval 2026 de São Paulo

Foliões reagem à abertura dos desfiles do Acesso 2 no Carnaval 2026 de São Paulo

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Apesar da chuva que caiu na avenida, o Carnaval de São Paulo de 2026 teve início oficialmente nesta noite, com os desfiles das escolas de samba do Grupo de Acesso 2, no Sambódromo do Anhembi. Os foliões que compareceram à avenida para acompanhar o resultado de um ano inteiro de preparação das agremiações vivenciaram uma noite emocionante que somente o carnaval pode proporcionar.

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Abrindo o carnaval paulistano, desfilaram pela avenida as escolas: Amizade Zona Leste, Imperatriz da Paulicéia, Torcida Jovem, X-9 Paulistana, Unidos de São Lucas, Unidos do Peruche, Morro da Casa Verde, Imperador do Ipiranga, Uirapuru da Mooca e Primeira da Cidade Líder. Dentro do Acesso 2, as escolas estão na busca pelo acesso ao Grupo Especial para o próximo ano.

Ao longo do percurso, toda a comunidade, com suas fantasias, cantou o quanto podia seus sambas-enredo, acompanhada pela empolgação dos presentes nas arquibancadas. Entre os destaques da noite, o desfile da Amizade Zona Leste emocionou parte do público. Para Maria Duarte, 48, que acompanha o carnaval de perto, a apresentação foi marcante: “Achei que estava muito maravilhoso, a bateria, achei que cumpriram o trabalho. Desfilo há seis anos, parei por um tempo, mas voltei este ano. E tem esse enredo, que acho gostoso, tem uma base boa”, conta a apaixonada pelo carnaval que, este ano, além de querer vir ver a sua escola do coração, decidiu fazer parte da ala musical.

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Maria Duarte, 48, que acompanha o carnaval de perto

Durante a noite, integrantes das escolas também compartilharam suas impressões sobre o desfile e os desafios enfrentados. Ao final da apresentação da Imperatriz da Paulicéia, a componente da bateria Isabela Leão Gomes, 27, avaliou o desempenho da escola, destacando o impacto da chuva: “Acho que a chuva pegou um pouco desde lá do começo, antes da gente entrar na pista já estava chovendo muito, então dá uma pesada na fantasia e tudo mais. Acho que isso deixou um pouco mais difícil, mas a gente tentou segurar o ritmo até o final, chegando no recuo ali da bateria, daquele último gás que ainda não é o último gás, e foi isso. Acho que a gente fez uma boa apresentação”, conta a ritmista.

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Isabela Leão Gomes

Ainda segundo Isabela, apesar das dificuldades, a escola conseguiu entregar o que havia planejado para a avenida: “No geral, entregamos o que a gente tinha proposto, fizemos as coreografias na frente da Monumental e a galera empolgou bastante. Agora é torcer, esperar o gol estar com a gente e o resultado vai vir, se Deus quiser”, fala Isabela, que está animada para esta semana de folia em São Paulo.

Nas arquibancadas, o público acompanhava atento cada detalhe das apresentações. Durante o desfile da Torcida Jovem, Chagas, 45 anos, observava emocionado e explicou sua identificação com o enredo da escola: “O enredo veio muito forte, contando a história da Bahia e das ancestralidades, também dos orixás. Eles falam sobre o orgulho de ser preto, como eu sou, um homem negro da periferia, então me senti muito identificado com o enredo. A fantasia estava muito bonita, muito ligada ao enredo mesmo. O primeiro carro veio todo iluminado e com a molecada, com a velha guarda, então trouxe muita luz para a avenida. O último carro foi o que fala do carnaval na Bahia e apresentou o trio elétrico com muito colorido, divulgando todos os nomes das entidades que fazem parte do carnaval da Bahia dentro dos blocos. Então, para mim, foi muito bonito e bem legal. Estou sempre no carnaval, hoje vim ver a minha esposa, Elaine, desfilar”, comenta.

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Durante desfile da Torcida Jovem, Chagas, 45 anos, observava emocionado

Com o avanço da noite, a expectativa do público também se voltou para a disputa entre as escolas e para quais delas teriam mais chances de se destacar na competição. Jeferson Caetano, 51, avaliou de forma crítica o desfile da X-9 Paulistana: “A X-9 já foi uma grande escola, mas hoje em dia já não é aquela potência como as escolas do Especial. Para mim, não emocionou, não empolgou, acho que não sobe, não. Na verdade, acho que nenhuma que vi até agora me empolgou, ainda estão muito abaixo, mas, enfim, tem uma diferença imensa do Especial para os grupos de acesso, então não tem que comparar a luta deles, eles fazem o que podem”, comenta Jeferson, que assistiu ao desfile da escola, mas não viu firmeza na performance.

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Jeferson Caetano, 51, avaliou de forma crítica o desfile da X-9 Paulistana

Apesar das críticas, ele também destacou um ponto positivo apresentado pela agremiação: “Foi diferente, porque veio falando dos índios, e muitas escolas que passaram falaram de samba afro, então esse foi um diferencial. Gostei da letra, foi bom”, completa Jeferson.

Para parte do público, algumas escolas conseguiram emocionar e envolver quem estava presente. Michelle da Silva Ribeiro, 45, destacou a apresentação da Unidos do Peruche: “A escola veio maravilhosa, senti que a galera se emocionou, cantou junto com a gente. Acho muito importante esse enredo. Ano passado foi com o Carlão, infelizmente perdemos ele um pouco antes do desfile, mas este ano continuamos homenageando e temos que homenagear todos os anos”, diz.

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Michelle da Silva Ribeiro, 45, destacou a apresentação da Unidos do Peruch

Vivendo sua primeira experiência na avenida, Edilane de Souza, 56, também compartilhou sua percepção sobre o desfile: “Adorei, é a primeira vez que desfilo, vim pela Morro da Casa Verde, sempre tive vontade e agora pude ver também que a escola é muito entrosada, muito batalhadora. Vi muitas pessoas cantando o samba, você ouve da avenida que as pessoas estão participando. Acho que vai subir”.

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Vivendo sua primeira experiência na avenida, Edilane de Souza

Entre os integrantes da escola, a avaliação também foi positiva. Para Ketlen Tristani, 42, apresentadora do primeiro casal da escola Unidos de São Lucas, o desfile ocorreu conforme o planejado: “É a primeira vez que venho como apresentadora de casal e foi muito legal, espero que a gente tenha uma boa nota. Para mim, foi ótimo, porque a chuva parou no momento certo, também percebi que o público gostou bastante do desfile”, explica a integrante.

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Ketlen Tristani, 42, apresentadora do primeiro casal da escola Unidos de São Lucas

Do ponto de vista de quem acompanha diferentes escolas, Camila Rosa, 32, avaliou a apresentação de forma geral, destacando a importância do acesso para o crescimento das agremiações: “Achei bonita, a escola do Ipiranga veio bem colorida, estava bem alegre, ficou bonita. Veio cantando bastante, também é um enredo bem fácil. Gostei, achei muito bom. Acho que a busca pelo acesso começa aqui, podendo abrir a arquibancada para a galera chegar e conhecer as escolas que ainda não conhecem e poder participar. Acho que, juntando uma comunidade de pessoas, conseguiríamos todos crescer”, explica a foliã, que desfila em algumas escolas e vive de carnaval.

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Do ponto de vista de quem acompanha diferentes escolas, Camila Rosa, 32, avaliou a apresentação de forma geral

Com anos de experiência no carnaval, Getúlio César Gomes Batista, 50, analisou tecnicamente o desfile da Uirapuru da Mooca, que acompanhou todo pela arquibancada: “Sou um pouco crítico em relação aos desfiles, nasci em uma família de sambistas, já acompanho o carnaval praticamente há 40 anos. Sobre a Uirapuru da Mooca, no geral, mas agora, quase para o final, a escola deu uma passada a mais, acelerando um pouquinho. Mas acho que é a escola que pode brigar pelo título”, especula Getúlio.

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Getúlio César Gomes Batista, 50, analisou tecnicamente o desfile da Uirapuru da Mooca

Encerrando a noite, o público também elogiou a escola responsável pelo último desfile. Igor Fábio, 43, falou com entusiasmo sobre a apresentação e as expectativas para o resultado: “Foi tudo perfeito e bem organizado, a escola passou no tempo certinho, todo mundo dançando, todo mundo cantando, perfeito. A expectativa é de ser campeã amanhã”, diz o folião, que ainda destacou um dos carros alegóricos: “O carro do DNA foi o carro mais povoado, cheio de gente, mais iluminado e mais bonito”.

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Igor Fábio, 43, falou com entusiasmo sobre a apresentação e as expectativas para o resultado

Opinião! Como foram os desfiles do Acesso 2 de São Paulo no Carnaval 2026

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Ao vivo: Transmissão da apuração do Acesso 2 de São Paulo no Carnaval 2026

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Portela no segundo ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria “Tabajara do Samba” da Portela, do estreante mestre Vitinho. Um ritmo com andamento confortável, equilibrado e com boa equalização de timbres foi apresentado. Com um conjunto de bossas dançante, contendo pressão sonora, o casamento musical entre samba e a sonoridade da bateria ocorreu de forma orgânica.

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Na primeira fila da bateria portelense, um naipe de xequerês exibiu solidez. Ritmistas tocando tambor de Ilú deram seu contributo fazendo ritmo e em bossas. Um naipe seguro de cuícas ajudou a marcar o samba com eficiência. Uma boa ala de agogôs pontuou a melodia do samba efetuando uma convenção rítmica baseada em suas nuances. Um naipe de chocalhos de técnica coletiva irretocável se exibiu interligado a uma ala de tamborins de nítido valor sonoro. Tamborins e chocalhos foram uníssonos, com toques que se completavam, evidenciando o grande trabalho envolvendo as peças leves.

Na cozinha da bateria da Águia, uma boa e pesada afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza e segurança. Surdos de terceira ficaram responsáveis pelo balanço envolvente portelense acima da média. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas de guerras simplesmente exuberante. Magistral o trabalho com as caixas da Portela, com sua tradicional batida rufada.

Bossas bem musicais foram executadas com grande precisão. Todas se pautando pelas variações do melodioso samba portelense para consolidar seu ritmo. A nuance rítmica no final do refrão do meio e logo após à cabeça do samba deram dinamismo sonoro à “Tabajara”. Xequerês e Tambores de Ilú vão para o meio do corredor da bateria da Portela para a execução da paradinha da primeira do samba, além da participação luxuosa dos tambores de Ilú no belo e potente arranjo do refrão do meio. Ambas as bossas são conversas rítmicas profundas, com várias camadas musicais para serem apreciadas. Um trabalho de criação musical de muito bom gosto, além de bastante encaixe com a obra da agremiação.

Uma apresentação excelente da bateria “Tabajara” da Portela, comandada por mestre Vitinho. Uma conjunção sonora impactante foi exibida junto de um andamento bem confortável. Ficou nítido o grande encaixe entre bossas e o samba da Majestade. Um trabalho para dar bastante esperança ao torcedor portelense, com uma bateria da Portela pronta para brigar pela pontuação máxima, quiçá disputar eventuais premiações.