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Série Barracões: Com celebração e narrativa feminina, Arranco traz picadeiro para a Sapucaí

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A escola do Engenho de Dentro mantém uma narrativa feminina consistente para 2026. O enredo que colocará o Arranco na Avenida é “A Gargalhada é o Xamego da Vida”, sobre Maria Elisa, uma mulher negra que se transformava no palhaço Xamego, idealizado pela carnavalesca Annik Salmon. A artista conta que a ideia do enredo surgiu ao trabalhar como auxiliar de figurino no Circo Crescer e Viver, mas tomou forma ao assistir ao documentário produzido por Mariana, neta de Maria Elisa.

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“Em 2007, eu era assistente do carnavalesco Alexandre Lousada e fui chamada para ajudar o figurinista Rui Cortez no Circo Crescer e Viver. Eu me apaixonei por esse universo, me encantei pela arte circense, por cada número que tinha dentro do espetáculo. Eu nem sonhava em ser carnavalesca, mas, quando conheci aquilo, falei: ‘Um dia, quando eu for carnavalesca, quero fazer um enredo sobre circo’. Há mais ou menos quatro, cinco anos, descobri a história do Palhaço Xamego através do filme que a Mariana, a neta, fez, ‘Minha Avó era Palhaça’. Quando assisti ao documentário, fiquei apaixonada pela história em si, que é a história de uma mulher guerreira, que teve que se vestir e enganar todo mundo, dizendo que era um palhaço homem para poder exercer sua arte. Ali eu falei: ‘Está aí o enredo que eu queria sobre circo, aquele pelo qual me apaixonei lá atrás’”.

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Foto: Artur Amaro/Divulgação Arranco

Segundo a carnavalesca, a história não só fazia sentido com sua paixão pelo circo, como também dialogava com as narrativas femininas que o Arranco vem apresentando, alinhadas à personalidade da escola, onde a presença feminina impera.

“É um enredo que traz essa história que eu venho contando há algum tempo na Marquês de Sapucaí, sempre exaltando o feminino, exaltando mulheres e resgatando histórias que a gente não encontra nos livros. São histórias que fazem parte da formação do nosso Brasil. Foi assim que comecei a construir e pesquisar esse enredo, entrei em contato com a família e propus esse tema ao Arranco”, afirmou.

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Annik também enxerga o enredo, que traz a gargalhada e a alegria como força, como uma celebração pelas últimas conquistas da escola. No último carnaval, o Arranco alcançou a melhor colocação na Sapucaí desde que retornou em 2023, chegando ao sétimo lugar.

“Depois do último carnaval, quando a escola conquistou sua melhor colocação na Marquês de Sapucaí, desde que retornou em 2023, recebemos prêmios e muitos elogios. A escola ficou muito feliz e satisfeita com o resultado. Este ano, o enredo tem ainda mais a ver com a gente, porque traz alegria, é uma forma de celebração, de rir e gargalhar. Quando apresentei para a presidente, ela amou. Disse: ‘É isso, isso é o Arranco’. Essa energia, essa força que carregamos na nossa gargalhada, na nossa festa. O enredo foi muito bem aceito pela comunidade e por todos do Arranco”, compartilhou.

Além da comemoração, o enredo carrega coincidências com a própria história da escola. A azul e branca do Engenho de Dentro é conduzida por mãos femininas: presidenta, carnavalesca, intérprete e mestra de bateria. Neste ano, a escola protagoniza marcos históricos: Annik é a única carnavalesca na Sapucaí, e Laísa Lima estreia como a primeira mestra a reger uma bateria na Avenida.

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“Há histórias que percebemos que não são apenas coincidências, mas conexões com os próprios personagens da escola. Da mesma forma que Maria Elisa se vestia de homem para exercer sua arte, temos no nosso elenco a nossa segunda porta-bandeira, que é um homem, o Anderson, que se veste de mulher, da personagem Morango, para exercer sua arte. O Arranco e Maria Elisa nasceram na mesma data, 21 de março, com 64 anos de diferença. Maria Elisa costurava as roupas de todos os personagens do circo, fazia feijoadas, preparava balas e vendia nos intervalos. E o mesmo acontece no nosso Arranco com dona Diná, nossa presidente, que faz a feijoada nos eventos e costura as fantasias da escola. Eu falo coincidência, mas sei que nada na vida é coincidência. É mais uma prova de que era para ser”, pontuou.

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Entre curiosidades da vida de Maria Elisa, a carnavalesca destaca episódios que estarão no desfile. A família da homenageada, que colaborou na construção do enredo, relata a descoberta inusitada de quem estava por trás do palhaço Xamego e o fato de uma das filhas da artista ter sido ninada por um animal do circo.

“Ninguém sabia que o Palhaço Xamego era uma mulher, até que uma criança curiosa levantou a lona do circo e viu o palhaço amamentando. Ali começa a descoberta de quem estava por trás da personagem. Outro momento interessante é que ela tinha dois filhos, e, enquanto atuava como palhaça, quem cuidava da Deise era uma elefanta, que ninava a criança com a tromba. E, enquanto muitos palhaços tocavam violão, um dos instrumentos da Maria Elisa era o tamborim. Olha a relação com a nossa escola de samba”, contou.

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Annik ressalta que o protagonismo e a força feminina retratados no enredo dialogam diretamente com a identidade da escola e reforçam o sentimento de pertencimento dos componentes.

“Hoje, o mais importante na construção de um enredo é pensar na identidade com a escola. Os componentes e os segmentos precisam se sentir pertencentes à temática que apresentamos. Em mais um ano, estamos conseguindo isso”, declarou.

Fantasias

Segundo Annik, as fantasias para 2026 seguem o mote do enredo: leves, alegres e confortáveis, permitindo que o componente brinque o Carnaval sem desconforto, além de garantirem fácil leitura para o público.

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“Nenhuma fantasia está pesada. Por mais volumosa que esteja, está leve. Fiz questão de vestir todas as que divulgamos. Quero leveza. É um carnaval para celebrar, para rir, gargalhar. Ninguém se diverte carregando peso nas costas. Penso muito nos componentes, eles precisam estar ali cantando”, afirmou.

Samba-enredo

Sobre a escolha do samba, Annik revela que contou com a opinião decisiva da filha, de sete anos. Para ela, o samba é uma das partes mais importantes do desfile, pois é o que permanece na memória do público.

“Quando ouvi o samba pela primeira vez, estava ao lado da minha filha. Coloquei os três concorrentes para ela ouvir e, quando tocou esse, me arrepiei inteira. Quando o corpo arrepia, não tem jeito. Ela disse: ‘É esse, mamãe!’. Esse processo é muito especial. Dou muita importância ao samba, porque é o que fica gravado. As pessoas podem esquecer detalhes do desfile, mas o samba fica martelando na cabeça”, declarou.

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A carnavalesca reforça que a clareza da narrativa por meio da música é essencial. “Os componentes não têm um texto para ler, nem o público só os jurados. As pessoas precisam ouvir o samba e entender o que está sendo contado. O samba vencedor narra exatamente o enredo e traz o ponto político que eu quero. Quando diz ‘não tem corda bamba que faça meu riso tombar’, fala da nossa vida, da história do Arranco, das dificuldades que enfrentamos. Chove, alaga, molha figurino, molha escultura, mas não tem corda bamba que nos faça tombar. Somos fortes e resistentes. E o refrão ‘dou gargalhada, feliz da vida’ traduz nosso espírito”, contou.

Para Annik, o trunfo do desfile será a alegria levada à Sapucaí. Assim como o circo, o Carnaval tem o poder de fazer o público esquecer os problemas e sorrir. E, com toda a força feminina presente na história e na própria escola, rir também é um ato revolucionário.

“Maria Elisa levou essa alegria durante toda a vida, mesmo depois que o circo acabou. A gargalhada era sua forma de viver. Durante muito tempo, o riso foi proibido às mulheres. A mulher que ria era vista como vulgar. Hoje, podemos rir, gargalhar e fazer o que quisermos. Maria Elisa, lá no século XX, já fazia isso, mesmo escondida atrás de uma figura masculina. Ela abriu portas para tantas outras. É isso que queremos dizer: estamos aqui, podemos rir, gargalhar e ser felizes”, concluiu.

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Entenda o desfile

A história de Maria Elisa, a artista negra que se transformava no palhaço Xamego, será contada por meio de três alegorias, 18 alas e 1.800 componentes.

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A abertura apresenta o “Circo de Preto”, o Teatro Guarany, fundado por João Alves, pai de Maria Elisa, um homem negro que, 14 anos após a abolição da escravidão, já era empresário de circo e vendeu milhares de ingressos pelo Brasil. O setor mostra a infância de Maria Elisa nesse universo mágico, ainda sem compreender as dificuldades enfrentadas pelo pai.

Setor 2

Mostra o crescimento e a formação artística de Maria Elisa, suas inspirações, como Tio Benjamin e Charlie Chaplin —, a adoção da camélia como símbolo e o surgimento do Palhaço Xamego, após a doença do tio. O nome é inspirado na música “Xote do Xamego”, de Luiz Gonzaga. O setor também retrata seu encontro com Reis, seu parceiro artístico e amor da vida, e culmina com o momento em que o segredo é revelado.

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Setor 3

Abre com o circo enfraquecido, mas ainda presente na vida da artista. Mostra como sua coragem inspirou outras mulheres, como o grupo Maria das Graças, formado pelas primeiras palhaças do Brasil. O encerramento traz a metáfora da “corda bamba da vida” e celebra a união entre circo e Carnaval, transformando o terreiro do Arranco em uma grande lona festiva. O desfile termina com um brinde à gargalhada e à alegria — no circo e na avenida.

Série Barracões: No compasso do tamborzão, a Unidos da Ponte constrói um desfile de resistência e celebração

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Entre ferragens, esculturas em formação e o som constante do trabalho manual, o barracão da Unidos da Ponte pulsa no mesmo ritmo que embala o enredo da escola para o Carnaval 2026. Com o tema “Tamborzão – O Rio é Baile! O Poder é Black!”, a agremiação de São João de Meriti transforma o espaço de criação em um verdadeiro território de memória, identidade e afirmação cultural, onde o funk é tratado como herança, linguagem política e elo comunitário.

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Fotos: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Durante a visita ao barracão, foi possível acompanhar de perto o trabalho intenso de profissionais que dão forma ao desfile: soldadores, escultores, pintores e aderecistas dividem o espaço com projetos de carros alegóricos que dialogam diretamente com o universo dos bailes black e do funk carioca. Cada detalhe carrega a intenção de transformar a avenida em um grande baile popular, sem abrir mão da leitura estética e simbólica exigida pelo carnaval.

O carnavalesco Nicolas Gonçalves explicou que a escolha do enredo nasceu justamente dessa escuta atenta à comunidade e à história que a escola gosta de contar.

“Eu sempre busco um enredo que dialogue com a comunidade, com o que a escola gosta de falar e contar. E a Ponte já tem tradições de trazer enredos nessa pegada. Quando encontrei um folheto que era utilizado como convite para os bailes black e vi que eles aconteciam em quadras, e que um desses encontros foi na quadra da Unidos da Ponte, falei: ‘Poxa, é isso, tem que ser esse enredo’. Apresentei para a presidência da escola, eles adoraram, e muita gente se identificou. A partir disso, foi muito legal ver o enredo ganhando corpo”, explicou o carnavalesco.

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A pesquisa revelou conexões profundas entre diferentes manifestações culturais negras do Rio de Janeiro, ampliando o entendimento do baile como espaço de sociabilidade, lazer e também de organização política.

“Quando a gente percebe que o baile vem desde as ancestralidades, desde os primeiros no Rio de Janeiro, do maxixe, do lundu, e chega até os bailes funk, entendemos que o enredo tinha tudo a ver com o que a Ponte gosta de contar e com o que a gente faz no Carnaval”, afirmou.

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Nos barracões, os carros alegóricos seguem essa mesma lógica. Todas as alegorias dialogam com o funk, sempre costurando passado, presente e ancestralidade. Nicolas detalhou que o desfile não segue uma narrativa histórica linear, mas uma construção simbólica que mistura tempos e linguagens,

“A gente divide o desfile em três momentos: inicia com o anoitecer, depois vem a madrugada e finaliza com o amanhecer. Ao mesmo tempo, não crio uma linha narrativa histórica, porque o desfile quer mostrar que essas narrativas sempre foram as mesmas e sempre se cruzam. Todas têm um quê de ancestralidade”.

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Segundo ele, até elementos contemporâneos do funk são pensados a partir de referências africanas,

“Quando estamos debaixo de uma tenda de funk, faço até uma comparação com o egungum, que são essas almas que dançam no território africano. Por exemplo, a nossa ala do paredão periférico faz referência aos totens africanos, estruturas verticalizadas responsáveis por guardar e trazer a energia da comunidade e é exatamente o que o paredão de som faz”, explicou.

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O cuidado estético também passa pela escolha das fantasias. Nicolas revelou que o desfile aposta em leveza e conforto, sem abrir mão do impacto visual:

“É sempre nosso desafio como carnavalesco criar fantasias com volume, para ter um visual interessante da escola, mas também prezar pela leveza e pelo conforto dos componentes. Acho que é um visual que pode surpreender. A Ponte vai conseguir trazer uma estética nova, misturando elementos considerados afro no Carnaval com elementos contemporâneos do funk e todos os signos que esses bailes trazem”.

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O samba-enredo, segundo o carnavalesco, foi peça fundamental para dar vida à proposta:

“Eu adoro esse processo: quando criamos a sinopse, começamos a desenvolver fantasias e alegorias e, depois, vem o samba. Fiquei muito feliz porque é um samba fácil, gostoso, ‘chiclete’. Quando você percebe, já está dançando e cantando. E esse é o propósito do desfile como um todo: mostrar que, dançando e cantando, a gente cria consciência política e discursos fortes. Quando você está cantando pelos seus, também está se fortalecendo politicamente”, destacou.

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Ao falar do grande trunfo do desfile, Nicolas foi direto ao ponto: “Conseguir unir a comunidade dos bailes black e do funk com a comunidade do samba. Historicamente, essas comunidades foram colocadas uma contra a outra, e ainda existe muito preconceito. Mostrar que somos comunidades fortes, que não é porque estamos fazendo festa, rebolando, que não estamos nos fortalecendo. É uma grande representatividade dessa união das comunidades negras e periféricas do Rio”.

A Unidos da Ponte levará para a avenida três alegorias e cerca de 1.800 componentes, em um desfile que nasce no barracão, mas carrega o peso simbólico de décadas de resistência cultural. Para Nicolas, o momento pessoal também reflete esse amadurecimento artístico:

“Depois do Carnaval de 2024, precisei ir para São Paulo, respirar, me acalmar. Quando recebi o convite da Ponte, senti que era a hora de voltar. Hoje tenho uma escola que me dá condições, apoio e tranquilidade para criar. Estou amadurecido como artista e amadurecendo a arte. A Ponte vem com um time forte, é uma escola que se reestruturou toda e está sendo um prazer gigante somar com esse time”, concluiu.

No barracão da Unidos da Ponte, o que se constrói vai além de carros e fantasias. É um desfile que nasce da escuta da comunidade, da memória dos bailes e da certeza de que o Carnaval também é território político. Em 2026, ao som do tamborzão, a Ponte promete transformar a Sapucaí em baile, manifesto e celebração coletiva.

Série Barracões SP: Águia de Ouro exalta Amsterdam no abraço entre reis

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A fusão entre Brasil e Países Baixos (outrora chamado de Holanda) está muito em alta no Carnaval de São Paulo. Prova viva disso é o Águia de Ouro: em 2026, a escola levará para o Anhembi o desfile “Mokun Amsterdã, o vôo da águia pela cidade libertária”, que trará o abraço da capital neerlandesa à festa de Momo. Segunda escola a desfilar no sábado, última noite do Grupo Especial paulistano, o experiente carnavalesco Alexandre Louzada estreia na agremiação da Pompeia, Zona Oeste da capital paulista. Querendo saber mais sobre tudo que acontecerá no Sambódromo vindo do Águia de Ouro, o CARNAVALESCO foi até o barracão da escola e conversou com Louzada e com Jacqueline Meira, diretora de Carnaval da agremiação.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Antes da definição

Ao contrário de outras coirmãs, o Águia de Ouro, em momento algum, escondeu que havia um patrocínio envolvido com a definição pelo enredo – no caso, a cervejaria que patrocina o Carnaval de São Paulo há alguns anos. Jacque Meira explicou: “O presidente tinha três possibilidades – e uma delas era Amsterdam. E, aí, começaram as tratativas, também. A Amstel já tinha a intenção, o presidente buscou e trouxe a possibilidade de fazer esse enredo. Já levou o projeto meio que pronto, discutido, já alinhado. Eles toparam e deu samba”, relembrou.

Louzada complementou e destacou que estava pronto para qualquer uma das escolhas: “Antes, eu preciso esclarecer que essas três ideias foram para o papel, também. Nós três (no começo do trabalho eram só nós três) tínhamos a cabeça fervilhando com essas possibilidades. Mas, transformar o tema em enredo, para mim, foi levar para um lado emocional, com a essência básica do Carnaval. No Carnaval, você é aquilo que você sonhou, você pode realizar os seus anseios através da fantasia do Carnaval”, destacou.

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Falando especificamente sobre o tema do enredo azul e branco, o carnavalesco complementou afirmando que o início e o final do desfile trarão as semelhanças entre Brasil e Países Baixos (e, mais especificamente, São Paulo e Amsterdam) como mote: “Nós pegamos esse monte de similaridades, de nós sermos súditos de um rei (que é o reino do Carnaval, regido por Momo), e a gente vai aprender o que é liberdade com o reino, de fato, dos Países Baixos. Amsterdam é a capital, é a cidade que respira liberdade e inspira a humanidade a respeitar as individualidades, a diversidade, a não ter preconceito, a ser inclusiva, A águia já tem asas para voar, é um pássaro que sugere a liberdade. É o encontro de dois reinos que vivem a liberdade – um de fato e o outro de fantasia”, afirmou.

Pesquisas e desafios

Ao falar sobre tudo que foi consultado para a produção do desfile, Louzada fez questão de elogiar, além de Jacqueline, a figura de Sidnei Carrioulo Antonio, presidente da agremiação desde 1982: “O Águia tem um terceiro olho, que é o nosso presidente. Ele e a Jacque cuidaram mais da parte do patrocínio – primeiro veio o enredo, depois o patrocínio, para a gente poder estar dentro do que o Carnaval precisa mostrar, como carnavalização de um tema. E, também, para atender a expectativa de quem está nos ajudando. A pesquisa não foi feita só por mim. Cada um de nós tinha alguma coisa para dizer, para contribuir. Eu tenho uma irmã que mora em Amsterdam, ouvi ela também em relação à questão de jeito de viver. Enredos CEP, na minha carreira, eu só tive Amapá, na Beija-Flor. Eu nunca vi estrangeiros, como os holandeses, participarem tanto de um projeto de Carnaval quanto como eles. Isso me fez ter uma satisfação maior, uma tranquilidade maior para construir. Eu ouvi aqui que eles iam me dar uma aula de como falar determinadas palavras, porque o holandês é difícil. Imagina falar holandês!”, comentou, aproveitando para relembrar uma apresentação campeã assinada, entre outros nomes, por ele.

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Desfile em si

Quando perguntado sobre a setorização do Águia de Ouro, Louzada aproveitou para falar de maneira extensa: “Nós utilizamos o número máximo de alegorias com a possibilidade do desmembramento que existe aqui no regulamento. A gente, no início do desfile, no primeiro setor, atravessa o portal. É esse início, esse voo, que utilizamos para conhecer esse reino da liberdade, o reino da liberdade. No segundo setor, a gente mostra principalmente nomes, personalidades que ajudaram a construir a história holandesa – e, com exceção da Anne Frank e do Mondrian, todos os outros fizeram parte do Século de Ouro dos Países Baixos, com as Grandes Navegações, a observação de estrelas e etc. Mas, principalmente, no segundo setor, a gente fala de grandes ícones da pintura, como Van Gogh e Rembrandt; como o pensador Baruch Espinosa; Joost van den Vondel, que foi o primeiro e mais famoso escritor e dramaturgo – que, hoje, é nome de um espaço onde acontecem os festivais. Primeiro, a gente tem essa fantasia do lúdico, da água, do céu que encontra as gerações, para chegar e contar realmente o que é importante a gente aprender com Amsterdã. Partindo daí, continua com essas contribuições, a gente adentra a questão primordial da liberdade. Nesse setor, a gente mostra a liberdade de imprensa, a liberdade, a diversidade de gênero, o respeito e o entendimento do pertencimento ao corpo das mulheres, o uso da cannabis sem libertinagem em determinados lugares – porque, para tudo, existe uma regra. Além deles terem a liberdade, eles também respeitam as limitações, as leis. Esse é o grande segredo. E, por último, tem uma confraternização. Acima de tudo, Amsterdam talvez seja a cidade que mais festeja, que mais eventos tenha na Europa. A gente mostra um pouquinho desses eventos, da chegada de Sinterklaas (que é o Papai Noel, ou São Nicolau), os festivais de queijo – algo com que os holandeses se identificam tanto quanto a cerveja. A música eletrônica, que tem um grande festival que acontece lá – o Amsterdam Dance Event (ADE). E a gente termina com esse abraço desses dois reinos. Nós levamos a nossa alegria, representada por uma ala, que tanto homenageia os dois reis como a folia do carnaval. É uma ala que é formada ao contrário do que normalmente formaria. Esse é o resumo”, explicou.

Desafios encontrados

Quando perguntado sobre os principais obstáculos para produzir o desfile, Louzada elencou dois, um de cada vez, entretanto. O primeiro deles versava sobre dois pontos polêmicos: “Esses pontos sobre a cannabis e a De Wallen [também conhecida como “Red Zone District” ou “Bairro da Luz Vermelha”, em que a prostituição é legalizada] talvez tenham sido o maior desafio. O Águia se preocupou, em como tratar de um assunto sério com a seriedade que merece, sem fazer apologia a nada. Como, nesse capítulo do nosso enredo, a gente trata da liberdade sem libertinagem, da qual ela faz parte, tinha que ter. A identidade com o enredo é o grande forte do Águia de Ouro”, prometeu.

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Outro contratempo, bastante específico e bem menos polêmico, também foi relembrado pelo carnavalesco: “A coisa mais difícil foi fazer uma fantasia para Mondrian. Foi a fantasia que demorou mais para a montagem. Foi uma coisa que teve que ser estudada. O presidente falou uma coisa muito certa: tudo que o samba fala, a gente vai mostrar, mas nem tudo que a gente vai mostrar está no samba. É um universo muito grande. Eu não tive grandes dificuldades, porque teve muita reunião. O samba-enredo do Águia de Ouro de 2026 foi construído graças à união que fizeram, demorou talvez mais tempo caso fosse uma composição. Foi, talvez, a parte que mais exigiu de todos nós. Eu era sempre consultado para alguma coisa. Posso até dizer que o samba que ganhou foi apontado logo no primeiro dia da audição aqui. Eu não inventei uma história e vai para a avenida. Tudo tem que ser fundamentado”, comentou, citando a canção da agremiação.

Ícones presentes

De acordo com Louzada, diversas referências serão vistas na apresentação: “Tudo é carnavalizado, mas o mais importante é a gente mostrar esses ícones, essas inspirações de liberdade. Mas, antes de tudo isso acontecer, a gente faz um voo – e esse voo se transforma em um mergulho, porque a gente atravessa do nosso reino para o deles nas asas da liberdade. Só que a Holanda é um país construído sob a água, com canais e etc – logo, a gente precisa mergulhar. Ao mergulhar, você adentra a história – e esse mergulho é lúdico, é de fantasia. Quando eu falei que as pessoas vão identificar Van Gogh aqui, vão identificar Rembrandt ali, bicicleta, cannabis, a De Wallen, a primeira união homoafetiva oficializada com direitos, isso tudo vai estar. Até mesmo essa fantasia do rei Guilherme Alexandre estar abraçando o nosso rei Momo, um sentado no queijo e outro num barril de cerveja, tudo em Amsterdam vira Carnaval no final”, afirmou.

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Espírito favorável

De acordo com Jacque, toda a comunidade está em polvorosa com a preparação para o desfile: “A escola foi abaixo com o samba e com o enredo, com certeza. Na realidade, com os momentos que esse enredo está proporcionando para a comunidade. A escola está muito feliz, está muito engajada, está muito leve e muito tranquila. Isso, de certa forma, nos conforta bastante nas escolhas que foram feitas aqui”, relembrou.

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Ao ser perguntada sobre o ponto alto da exibição da agremiação em 2026, a diretora de Carnaval destaca que existe algo que difere o desfile sobre Amsterdam de outras apresentações da azul e branca: “Todo ano tem uma ala que você não gosta, uma fantasia que não te agrada tanto… às vezes, até o próprio samba. Mas, nesse ano, não tem nada que eu possa falar que eu não gostei. O desfile como um todo, o chão do Águia de Ouro, vai ser o nosso ponto forte. A escola Águia de Ouro é indescritível. Eu estou confiando muito nos meus componentes, muito no canto da escola, e isso vai fazer muita diferença no nosso desfile”, comentou.

Louzada concordou, embora, com outro ponto de vista: “Eu espero que seja tudo que a gente faz, a gente precisa enviar essa mensagem. Eu acredito que é o nosso samba. Quando o Serginho do Porto dá um grito lá em cima, que você vê a reação, foi uma surpresa para mim. Eu vi essa energia! É o contexto geral, mas a força dos componentes, a dedicação e a satisfação que eles estão tendo vai se refletir através do samba. Quando eu falo que eu acredito no samba é porque eu já fui campeão aqui – e a gente precisa, para ser campeão, dessa catarse. Tem grandes chances do Águia construir essa catarse através de um samba que devolve a alegria do carnaval”, comemorou.

Diferenciais

A reportagem perguntou para os dois integrantes do Águia que foram ouvidos na entrevista quais materiais e cores seriam vistos com mais frequência no desfile. Louzada foi enfático: “Luz. Foi uma coisa que o presidente me falou que ele iria usar bastante, tem bastante efeito de luz. Em relação à produção de Carnaval, aqui é uma escola diferente. O presidente e a diretora têm um assistente que é autorizado e todos eles sabem a fonte de cada coisa”, maravilhou-se.

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Jacque aproveitou para explicar a declaração do carnavalesco: “Uma coisa que o Águia tem de diferente é essa participação muito ativa do presidente em tudo. A iluminação desse ano, por exemplo, assim como no ano passado, nós não terceirizamos: nós estamos fazendo aqui, também. O presidente foi a campo, comprou o material e a gente está fazendo de acordo com o que ele idealizou. Espelhos? A gente tem espelho na escola inteira. Nós temos uma máquina que corta espelho. A gente compra a placa e a gente produz aqui na espessura e no corte que a gente quiser. A escola vem aí, graças a Deus, bem rica no espelho. A gente também tem uma CNC [Controle Numérico Computadorizado, método automatizado para controlar máquinas-ferramentas] que faz os detalhes, faz os apliques das coisas. A gente tem a máquina de ráfia, também. Isso tudo facilita muito. A gente vem sem miséria. Se a gente tiver que desenvolver um búzio, como a gente fez no carnaval de 2022, a gente desenvolve o búzio aqui. Ninguém sabia que era búzio de resina. Isso é um diferencial que a gente tem aqui. Tudo é muito caseiro, tudo muito com a nossa cara. Nós temos tintas desenvolvidas só para o Águia de Ouro. Vocês vão acompanhar, por exemplo, o carro azul que foi desenvolvido com uma tinta exclusiva para o Águia de Ouro. O dourado que o Águia de Ouro usa já é patenteado, inclusive, em um parceiro nosso de tinta. A gente busca fazer o mais original possível, mas com aquele toque nosso, mesmo”, comentou.

Recados

Os dois também aproveitaram para deixar mensagens para quem acompanhar o desfile na arquibancada do Anhembi ou na televisão. Louzada começou: “Eu vou citar uma frase do nosso presidente, na primeira reunião que eu participei com a escola: que todos que venham desfilar no Águia de Ouro sejam pedreiros. A gente precisa de pedreiros, não de arquitetos e engenheiros”, afirmou.

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Jacque foi mais ampla: “O recado que a gente deixa é que todo munda curta, seja feliz, seja liberto de muitas coisas que ainda nos prendem muito aqui no Carnaval de São Paulo – mas com muita responsabilidade, com muito cuidado. Que a gente celebre o nosso Carnaval, temos que agradecer por todas as oportunidades que tivemos esse ano – porque cada Carnaval e cada enredo são um aprendizado, é uma história nova a ser contada. Eu espero muito que o público celebre junto com a gente, que curta e que fique muito louco nesse carnaval, mas com muito juízo, com muita responsabilidade, que é o que a gente está pregando aí”, finalizou.

Ficha técnica
Alegorias: Cinco – e dois quadripés
Componentes: 2500
Alas: 20
Diretor de barracão: Raimundo Nonato (Bitoca)
Diretor de alegoria: Rodrigo Mineiro

Série Barracões: Em busca da quinta estrela, Gaviões da Fiel leva a luta dos povos originários para o Anhembi

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Os Gaviões da Fiel têm uma chance de ouro de alcançar a tão sonhada quinta estrela no pavilhão alvinegro. É o segundo ano consecutivo em que a escola aposta em um tema de forte cunho cultural e, desta vez, conta com apoio externo e com uma comunidade ainda mais engajada. O samba vem sendo aclamado pelos sambistas paulistanos, e o clima interno é bastante positivo. Em 2025, a agremiação conquistou o terceiro lugar, sua melhor colocação no Carnaval desde 2003, quando foi campeã. Agora, após encontrar a receita do sucesso, a Fiel Torcida se anima e tem como objetivo a conquista desse título tão sonhado. O investimento em alegorias e fantasias é significativo. O CARNAVALESCO pôde conferir isso de perto, já que os responsáveis pelo enredo, Júlio Poloni e Rayner Pereira, receberam a equipe no barracão e apresentaram todo o projeto que a escola levará para a avenida.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A “Torcida que Samba” será a quarta escola a desfilar no sábado de Carnaval, com o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”.

Surgimento do tema e estudos intensos

Rayner Pereira contou que o tema surgiu a partir do diretor André Mogi e, depois disso, foi sendo adaptado para a escrita da sinopse e da ideia visual. “A ideia do enredo surgiu a partir do nosso diretor André Mogi. Ele queria que a gente fizesse um modelo de comissão, como vocês vão ver na avenida, algo que ainda não dá para detalhar. A partir dessa proposta inicial, ele liberou o restante da criação para a gente. Então começamos a pesquisar, sempre com a vontade de trazer algo com significado para o enredo. Já existia no plano a temática indígena, que acabou se juntando à ideia inicial. A partir disso, fomos montando o conceito principal e definindo um fio condutor, assim como no ano passado. Queríamos algo mais funcional para a apresentação. O trabalho foi nascendo aos poucos. Temos um método que considero interessante: imaginamos a montagem da escola mesmo antes de atribuir significados e já deixamos tudo organizado para depois buscar o que melhor se encaixa em cada setor. Em seguida, vem a pesquisa bibliográfica, com livros e histórias que encontramos, e assim, pedaço por pedaço, o enredo foi se formando para o dia do desfile”, explicou.

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Júlio disse que a dupla estudou muito. Citou livros de suma importância para a vida indígena, além de ter ido ao Festival de Parintins e conversado com pesquisadores. Tudo isso culminou na pesquisa do enredo. “No primeiro momento, a gente leu muito e procurou livros. Um deles foi fundamental: o de Davi Kopenawa, A Queda do Céu. A obra traz a visão indígena sobre a questão Yanomami, algo que quem vive na cidade dificilmente conseguiria compreender com profundidade. O livro oferece um entendimento muito forte da história desses povos e das mazelas causadas diretamente pela influência dos poderes brancos das capitais. Esse foi o primeiro passo. No segundo momento, conversamos com pessoas que nos ajudaram bastante. Falamos com pesquisadores, com a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e também com integrantes do ministério. Tivemos contato com pesquisadores ligados ao Festival de Parintins, que colaboram na construção das lendas e dos espetáculos. Em outro momento, fomos ao próprio Festival de Parintins para vivenciar tudo de perto. Depois disso, para construir as referências visuais, fizemos muita pesquisa. Encontramos uma mostra fotográfica de Claudia Andujar sobre os povos Yanomami, feita com flashes e lamparinas, criando uma atmosfera onírica. Essa estética inspirou diretamente a abertura do nosso desfile. Outra referência importante foi o livro de Ailton Krenak, Ideias para Adiar o Fim do Mundo, que influenciou o último setor, onde representamos lideranças como animais e pensamentos. A visão indígena de que o ecossistema é uma extensão do próprio corpo está muito presente ali. Já no setor das lendas, todas elas foram tratadas em algum momento por um dos bois no Festival de Parintins”, contou.

Fascinação pelo enredo

O carnavalesco Rayner Pereira é oriundo de Parintins. Por isso, cresceu em meio a lendas indígenas e às lutas dos povos originários. Fazer um enredo dessa magnitude fascina o profissional. “A oportunidade de falar sobre um assunto que eu cresci ouvindo foi muito especial. Sempre digo que nunca foi prioridade fazer um enredo indígena antes de ter uma postura mais madura como carnavalesco. Acredito que a oportunidade veio na hora certa e tudo se encaixou para virar um grande projeto, um dos melhores em que já trabalhei desde quando fui assistente de carnavalesco. As cores, os formatos e as referências são coisas que fazem parte da minha formação, algo que cresci vendo e ouvindo. Poder mostrar isso é muito satisfatório”, disse.

Confiança da diretoria

Júlio relatou que a troca com a direção e o time de harmonia é constante, principalmente para realizar a montagem da escola na avenida. “A gente tem muita liberdade de trabalho. Tudo é construído em troca e diálogo com a diretoria e com a direção de harmonia. A montagem da escola impacta diretamente o enredo, então tudo é pensado de forma estratégica. Não existe uma ala ou um detalhe que não tenha sido planejado. A abertura da escola cresceu muito, e isso foi uma escolha estratégica. Mantivemos um grande volume de fantasias, e o posicionamento da bateria também muda neste ano por estratégia. A parte artística e a parte técnica caminham juntas o tempo todo”, afirmou.

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Dentro da parte financeira, Rayner celebrou a sinergia da diretoria com os carnavalescos. De acordo com o artista, eles sonham juntos. “Eles compartilham a visão de enredo, mas sempre nos deixam muito à vontade para criar e justificar nossas ideias. Claro que, às vezes, surgem ajustes, principalmente relacionados a materiais e efeitos, mas existe muita vontade da diretoria de sonhar junto com a gente. É bonito ver esse envolvimento, especialmente vindo de pessoas que tinham uma visão de Carnaval diferente até alguns anos atrás. Esse apoio tem sido fundamental, e todo mundo aprende junto para entregar um grande trabalho no desfile”, declarou.

Aceitação da comunidade

Perguntado sobre como a comunidade recebeu o tema, Júlio avaliou como positiva. A Fiel incorporou o enredo. “Quando fizemos o enredo afro no ano passado, já sabíamos que ele seria fortemente abraçado pela comunidade, e isso se confirmou. Com o enredo indígena, a certeza foi a mesma. A escola está cantando mais, participando mais dos ensaios e abraçando o projeto como nunca. Essa temática dialoga diretamente com o DNA do Gaviões, que sempre levantou bandeiras de justiça social. A causa indígena faz parte dessa trajetória”, comentou.

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Rayner completou falando sobre a quantidade de sambas concorrentes inscritos e também sobre a força da comunidade nos ensaios. “Foi surpreendente. Desde o lançamento do enredo, existia um receio por ser um tema já abordado recentemente, mas a proposta era falar de forma completamente diferente. O público entendeu, assim como os compositores, o que resultou em um número enorme de sambas inscritos, algo inédito aqui. A escolha foi difícil, porque qualquer um poderia atender bem ao que queríamos. Nos ensaios, dá para ver todo mundo cantando, participando e feliz, não como algo imposto, mas como um projeto que todos compraram”, disse.

Ponto alto do desfile

De acordo com Júlio, o público deve se atentar à abertura e ao segundo setor do desfile. “É difícil destacar apenas um momento. A abertura da escola é muito diferente do que o Carnaval de São Paulo e o próprio Gaviões estão acostumados a ver. O carro 2 também tem uma simbologia muito forte. A narrativa da história dos povos indígenas, as lendas, as homenagens e o Brasil Guajupiá formam um conjunto poderoso. É um enredo de mensagens claras e fortes, que será facilmente compreendido. Apostamos muito nisso, junto com o nosso samba e o refrão que o povo canta com força”, afirmou.

Recado para a comunidade

“Agora que começamos a mostrar alguns elementos, a empolgação aumentou ainda mais. Quando os carros forem para a rua e as fantasias começarem a ser entregues, isso vai crescer. Estamos trabalhando dentro do que foi proposto desde a festa do piloto. Agora é contar com a união de todos no dia do desfile. Cada um na sua posição, cantando muito e exaltando o Gaviões, o enredo e a história que vamos contar. É acreditar, ir para cima e buscar esse sonho. Nosso Carnaval será grandioso mais uma vez”, declarou Rayner Pereira.

Entenda o enredo

Diferentemente do habitual, os carnavalescos optaram por desenvolver o desfile em capítulos, e não por setores. Júlio Poloni explica.

Capítulo 1

“O enredo é dividido em três capítulos. O primeiro se chama Nossa História e é dedicado a contar a trajetória dos povos indígenas brasileiros. Ele se divide em dois momentos: o tempo do sonho, que mostra como viviam os povos indígenas antes da invasão do homem branco, em harmonia com a natureza; e o tempo da estrada, quando as estradas cortam as matas e trazem epidemias, doenças, morte e devastação. No tempo do sonho, um xamã ingere o pó de yakoana e passa a ter visões do tempo da criação. O capítulo mostra, como eixo central, a invasão do homem branco”.

Capítulo 2

“O segundo capítulo se chama Nossas Vozes. Primeiro, as vozes de encanto, representadas pelos mitos e lendas que revelam a visão de mundo dos povos indígenas. Em seguida, as vozes de luta, com homenagens a lideranças indígenas que se destacaram na defesa de seus direitos”.

Capítulo 3

“O último capítulo é o Novo Amanhã. Ele propõe que, ao ouvir essas vozes, seja possível construir um futuro diferente, com respeito à biodiversidade, valorização da identidade dos povos originários e do conhecimento indígena para a construção de um novo Brasil”.

Grande Rio controla princípio de incêndio em barracão

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A Grande Rio informa que, na manhã desta quarta-feira, houve um princípio de incêndio em uma escultura no barracão da escola, localizado na Cidade do Samba.

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Foto: Reprodução de internet

A ocorrência foi prontamente controlada pela brigada de incêndio do barracão, em ação conjunta com a equipe do Corpo de Bombeiros da Cidade do Samba, que atuaram de forma rápida e eficiente, seguindo rigorosamente todos os protocolos de segurança. A situação foi normalizada em poucos minutos.

Não houve feridos nem qualquer prejuízo material. A Grande Rio reforça que o funcionamento do barracão segue normalmente.

A Nação do Mangue segue unida e forte, trabalhando com dedicação total para a realização de um grande desfile.

Eugênio Leal: ‘Independente de Boa Vista desponta como favorita ao bicampeonato no Carnaval de Vitória’

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A Independente de Boa Vista fez mais um desfile potente e entra na apuração do Carnaval de Vitória com grande chance de ser bicampeã. O enredo sobre o “João Bananeira”, muito bem desenvolvido por Cahê Rodrigues, foi o diferencial da apresentação ao estabelecer uma conexão com a cultura da cidade que a escola representa, Cariacica. A apuração acontece nesta quarta-feira, a partir das 17h30, no Sambão do Povo.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

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Duas outras escolas correm por fora para levantar o título: a Mocidade Unida da Glória fez uma bela apresentação ao contar a viagem da princesa Teresa da Baviera por terras capixabas, com a assinatura de Peterson Alves; e a Chegou o Que Faltava mergulhou na religiosidade preta com o enredo “Ori: da cabeça é sua sentença”, do carnavalesco Roberto Monteiro, estreante na cidade. Na outra ponta, a Imperatriz do Forte, com muitos problemas nas fantasias, é a favorita ao rebaixamento.

Veja abaixo como foi cada desfile

Carnaval de Vitória 2026: Visual refinado coloca Chegou o Que Faltava entre as protagonistas

Carnaval de Vitória 2026: Boa Vista faz desfile de alto nível e se coloca como favorita ao título

Carnaval de Vitória 2026: Andaraí encerra os desfiles com leveza e celebra 80 anos no Sambão do Povo

Carnaval de Vitória 2026: Unidos de Piedade supera apagão e faz desfile marcado pela força musical

Carnaval de Vitória 2026: Com enredo sobre São Mateus, Rosas de Ouro impacta na abertura da segunda noite em Vitória

Imperatriz do Forte encerra a noite com desfile focado na sobrevivência

Força visual e técnica: MUG impõe respeito e segue forte na briga pelo título

Com samba leve e evolução solta, Jucutuquara faz desfile de alma e identidade

Entre acertos e falhas, Pega no Samba abre os desfiles de Vitória mirando a permanência

Novo Império aposta na força do canto e na evolução para compensar falhas visuais

 

Robson Santos destaca emoção, técnica e preparação vocal na locução da Sapucaí pela Série Ouro

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Locutor oficial da LigaRJ na Sapucaí, Robson Santos descreve a experiência de apresentar desfiles e apurações como uma mistura de nervosismo, respeito e controle técnico. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele falou sobre a influência de Perlingeiro em sua postura profissional, as diferenças de tom entre a Sapucaí e a Intendente Magalhães, os cuidados com a voz durante o Carnaval e o sonho de anunciar a volta de sua escola ao Grupo Especial.

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Foto: João Gabriel Rothier/CARNAVALESCO

Robson lembra que a primeira vez na cabine foi marcada por ansiedade, mas que a repetição trouxe calma e domínio ao longo dos anos.

“Quando eu fui sentar ali a primeira vez, eu fiquei muito nervoso, muito ansioso. Mas agora, né? A gente já tem um pouquinho mais de calma, mais de controle”.

Ele ressalta que cada apresentação carrega uma emoção distinta, especialmente quando se trata da Tradição, escola onde começou na locução e da qual é torcedor.

Ao citar Perlingeiro, locutor oficial do Grupo Especial há mais de 40 anos, Robson destaca a segurança e a seriedade do veterano como modelo para sua atuação na Sapucaí.

“Aquela segurança dele, aquela força. Eu assisti muitas apurações quando me convidaram pra fazer a primeira vez. E eu tentei pegar pelo lado sério dele, mais concentrado, né? Porque lá na Intendente Magalhães, onde eu trabalho há mais tempo, vai mais descontraído, a gente tá mais em casa. Aí acaba sendo um pouquinho menos formal. Mas aqui na Sapucaí, eu tento manter a linha do que já é feito há muito tempo pelo nosso Perlingeiro”.

Para Robson, a ênfase correta é ferramenta de envolvimento do público.

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Foto: João Gabriel Rothier/CARNAVALESCO

“Sim, por exemplo, na apresentação, né? ‘Colorindo a Sapucaí de azul e branco…’. Aí, quando grita o nome da escola: ‘UNIDOS DA PONTE!’, o povo todo vai à loucura. A gente dá aquela ênfase no nome da escola, na cor da escola, no nome do enredo. Aí o povo vai junto com a gente”.

A rotina intensa do Carnaval exige cuidados específicos com a voz. Robson conta que recebe orientações da porta-bandeira do Império Serrano, onde também trabalha como locutor, Maura Luiza, que é fonoaudióloga, e adota medidas práticas: nebulizador nos intervalos, evitar bebidas geladas e reduzir conversas fora do trabalho nos dias de desfile.

“A Maura, minha porta-bandeira do Império Serrano, ela é fonoaudióloga, ela me dá umas dicas. Eu tô sempre aqui com o nebulizador, eu não tomo nada gelado, evito falar no telefone, evito conversar muito pra poder estar com a voz em dia, porque cansa muito. São dois dias na Sapucaí e os outros dias na Intendente Magalhães, mas já emenda pra apuração de uma, apuração de outra. É bem corrido”.

A carreira de Robson teve início na Tradição e ganhou escala com convites para a Liesb e, depois, para a LigaRJ. Ele recordou os primeiros momentos e parcerias que o levaram à Sapucaí e à televisão.

“Nunca pensei (em ser locutor dos desfiles), nunca pensei. Resumidamente, eu era locutor da Tradição, uns 8, 10 anos que eu trabalhei na escola. Saí da escola, teve umas mudanças, eu saí. Falei: vou voltar a desfilar, que eu sempre desfilei em várias. Sandra Vellar criou, junto com amigos, a Liesb e me convidou pra ser locutor. Era um dia só. Eu falei: ‘Ah, não vou, não’ (risos). Falei: ‘Não, não vou’. Ela: ‘Não, vai sim, vou te ensinar, vou te ajudar’. Fui. Depois, no outro ano, já assumi todos os dias de lá (na Intendente). Então eu fui fazendo o trabalho na Intendente Magalhães com eles, até chegar o convite do presidente Wallace Palhares pra assumir aqui o microfone da Lierj… E eu trabalhei junto com ele uns dois anos. E depois a LigaRJ optou por manter somente a mim, me manter somente no cargo. E eu estou aí até hoje fazendo com a LigaRJ”.

“O maior sonho eu já realizei, que é poder trabalhar na Sapucaí. Eu tô há uns 15 anos na Intendente Magalhães, maravilhoso. Comecei no Carnaval na Intendente, desfilando na Intendente. Comecei como locutor trabalhando na Tradição e depois como locutor de liga na Intendente Magalhães. E eu cheguei aqui na Sapucaí, realizei o sonho de estar na TV Globo, estou na série ‘Encantados’. Então, meu sonho como locutor é conduzir minha escola, minha Tradição, de volta pro Grupo Especial. Anunciar, como eu anunciei anos atrás, ela voltando aqui pra Sapucaí. Agora eu quero de novo anunciar mais uma vitória pra ela ir pro Grupo Especial”.

Fora da cabine, Robson mantém duas ocupações que surpreendem quem o vê apenas no Carnaval: é sacristão na Igreja de São Pedro, no Rio Comprido, e confeiteiro durante a semana, produzindo doces e salgados sob encomenda.

“As pessoas acham curioso o fato de um trabalhador do Carnaval, um locutor, ser sacristão de uma igreja. Eu sou sacristão da Igreja de São Pedro, no Rio Comprido, aos finais de semana. Durante a semana eu trabalho como confeiteiro na minha casa. Faço doces, salgados. Por encomenda, né? Pra vender, pra fornecer pra lojas e vender pra particulares”.

Carnavalesco da Estácio de Sá assina projeto de estátua em homenagem a Tata Tancredo

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O carnavalesco da Estácio de Sá, Marcus Paulo, assina o projeto de realização da estátua em homenagem a Tata Tancredo a pedido da prefeitura do Rio de Janeiro, que será instalada no Largo do Estácio, aos pés do Morro do São Carlos onde o pai de santo tinha seu terreiro.

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Marcus Paulo Foto: CARNAVALESCO

Tata Tancredo, que também é o enredo da escola no Carnaval 2026, foi uma liderança religiosa e cultural fundamental para a história do bairro do Estácio, do carnaval carioca e do réveillon da cidade do Rio de Janeiro. Sua atuação foi decisiva para a consolidação das religiões de matriz africana no espaço urbano. Além de sua relevância religiosa, Tata Tancredo destacou-se como referência na literatura e na música.

“Eu recebi com muita alegria esse pedido do prefeito Eduardo Paes e projetei a estátua pensando na figura de Tata Tancredo e sua união com o leão, símbolo maior da Estácio de Sá; e ter ele aos pés do São Carlos potencializa sua importância para o bairro”, comentou o artista.

A estátua terá cerca de 1,80 metros e será feita de bronze fundido.

‘Padrão UPM’: Lara Mara fala sobre a expectativa da agremiação para Carnaval 2026

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No Carnaval de 2025, a Unidos de Padre Miguel estreou no Grupo Especial, porém foi rebaixada novamente para a Série Ouro. Em 2026, a agremiação retorna à Sapucaí apostando no enredo pensado pelo carnavalesco Lucas Milato: “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”, que falará sobre Clara Camarão, símbolo da força, resistência e ancestralidade potiguara.

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Foto: CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, a presidente Lara Mara falou sobre as expectativas para o desfile, destacando o seu compromisso em representar a comunidade, apesar das dificuldades financeiras, que são comuns entre as escolas da Série Ouro.

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Lara Mara é a presidente da Unidos de Padre Miguel. Foto: Carolina Freitas / CARNAVALESCO

“Pode esperar um desfile grandioso, padrão UPM. Independentemente das dificuldades que todas as escolas da Série Ouro têm, a gente está fazendo um bom trabalho, fazendo tudo para honrar a nossa comunidade, e eu tenho certeza de que não só a Vila Vintém, mas todos os torcedores da UPM, vão ficar muito felizes”, diz a presidente.

Ainda sobre as apostas realizadas para o Carnaval 2026, Lara Mara citou mudanças que fortalecem a escola e a própria comunidade. Entre elas, a integração do mestre Laion para comandar a bateria Guerreiros; do coreógrafo Paulo Pinna para ensaiar a comissão de frente; e do novo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cris Caldas, que antes estavam na Vila Isabel. A presidente falou sobre a escolha do casal:

“Eu já vinha namorando um pouco o Marcinho e a Cris, sou muito fã do trabalho deles e acho que eles estão fazendo um belo trabalho aqui dentro da Unidos de Padre Miguel”.

Sobre as alegorias, a presidente afirmou que pediu um toque de sentimentalismo e sensibilidade a Lucas Milato para que, assim, pudessem conectar mais a estética feminina à estética do desfile. Isso mostra que a preocupação vai além de apenas entregar impacto visual: a proposta é que o público se emocione com o enredo.

“Eu estou feliz. Acho que as pessoas vão se surpreender um pouco com o sentimentalismo com que a gente está tratando essa história de Clara Camarão. Eu pedi ao Lucas para a gente ter um pouco de sensibilidade e trazer um pouco desse lado feminino dentro da estética do desfile. Então acho que as pessoas vão ver isso”, diz Lara Mara.

Mesmo diante dos obstáculos que a agremiação enfrenta, a escola promete um excelente desfile. O apoio da comunidade e a aposta em um novo time mostram-se como alguns dos principais trunfos para que a Unidos de Padre Miguel retorne ao Grupo Especial.

Pitty de Menezes exalta amadurecimento pessoal e mira novo título com a Imperatriz

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Vivendo um dos momentos mais importantes de sua trajetória no Carnaval, Pitty de Menezes prefere definir a fase atual da carreira com uma palavra: amadurecimento. Intérprete da Imperatriz Leopoldinense, o cantor destacou que cada ano na Sapucaí tem sido marcado por aprendizado e evolução dentro do samba e da música, sem cravar que esteja, necessariamente, no “melhor momento”.

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Foto: CARNAVALESCO

“Eu acho que estou vivendo uma constante fase de amadurecimento. A cada ano eu venho aprendendo coisas novas dentro do carnaval, dentro do samba, e isso vai me aperfeiçoando”, afirmou.

Segundo Pitty, o foco segue sendo cantar o samba-enredo da melhor forma possível, respeitando a essência do que se propõe a fazer na avenida.

Apesar de ter relativamente pouco tempo no Grupo Especial, o intérprete já soma conquistas importantes, incluindo um título, e reconhece o impacto profundo que o Carnaval teve em sua vida pessoal e profissional.

“O carnaval mudou a minha vida. O carnaval é tudo para mim. Foi onde eu conheci a minha esposa, onde tive meu filho. Tudo o que eu tenho hoje, em termos de estrutura familiar e financeira, eu devo ao carnaval”, declarou, emocionado.

A forte sintonia com o mestre Lolo também foi destacada como um dos pilares do trabalho na Imperatriz. Para ele, a relação vai além de uma parceria profissional.

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Foto: CARNAVALESCO

“É uma irmandade. A gente conversa muito, dialoga, discorda às vezes, mas sempre pensando no melhor para a escola. A gente quer ganhar campeonato”, explicou, definindo a união como algo “divino”.

Outro nome exaltado pelo cantor foi Pedrão, responsável pela ala musical. Pitty definiu o músico como um “maestro saudosista”, que preserva a raiz do samba-enredo e agrega experiência a um carro de som jovem.

“A gente aprende muito com ele. Musicalmente, uma parte enorme do nosso trabalho passa pela experiência do Pedrão, que coloca a gente no caminho certo”, disse.

Confiante, Pitty acredita que a Imperatriz tem tudo para repetir o sucesso de outros carnavais marcantes. Ao falar do samba-enredo deste ano, comparado por muitos ao impacto do famoso “samba da cigana”, o intérprete não hesitou:

“Eu acredito muito nesse samba, na alegria dele, nas notas e no regulamento. A comunidade já está virando o jogo”, afirmou.

Com discurso seguro, fé no trabalho coletivo e forte conexão com a comunidade, Pitty de Menezes reforça a confiança de que a Imperatriz Leopoldinense chega forte para brigar pelo campeonato, tendo o samba como um dos grandes trunfos na busca por mais um título na Marquês de Sapucaí.