A tricolor da Grande Goiabeiras manteve o altíssimo nível de desfile no Sambão do Povo com o enredo “Ori – sua cabeça é seu guia”, do carnavalesco estreante Roberto Monteiro, que tem longa experiência como figurinista em grandes escolas cariocas, como Salgueiro e Viradouro.
A parte visual da Chegou o Que Faltava foi o ponto de destaque. A paleta de cores utilizada pelo carnavalesco impressionou pelo bom gosto e pela unidade. Fantasias e carros alegóricos compunham um mesmo cenário a cada setor. Figurinos arrojados, formas originais e carros que também fugiram das formas habituais — cada um inserido em uma única cena — escaparam do lugar-comum.
A compactação dos componentes dentro das alas e entre elas foi um diferencial em um Carnaval no qual as escolas, em geral, se permitem distâncias maiores entre os figurantes. Bem ensaiada, a comissão de frente deu a impressão de que ali não “chegou o que faltava”, ou seja, um momento de ápice.
Nos demais quesitos, a escola passou de forma correta e deve perder poucos décimos. Briga em cima.
A Independente de Boa Vista fez um grande desfile no Sambão do Povo e deixou a pista como a maior favorita ao título até então. A escola de Cariacica cantou “João Bananeira”, personagem do folclore da cidade ligado à cultura do congado.
O carnavalesco Cahê Rodrigues arrematou o desfile que comemorou os cinquenta anos da Boa Vista com uma homenagem à padroeira do Espírito Santo, Nossa Senhora da Penha.
Da comissão de frente à última alegoria, a escola apresentou um visual com alto grau de detalhamento, harmonia estética e coesão com o enredo. Uma aula de Carnaval.
Tudo isso foi bem acompanhado pelos quesitos mestre-sala e porta-bandeira e bateria, que apresentou um naipe de tamborins afinadíssimo. Conduzido com correção pelo intérprete e presidente Emerson Xumbrega, o samba de Diego Nicolau e Gigi da Estiva atendeu ao enredo e à harmonia, além de ser bem cantado pelos componentes, em um cortejo que apresentou a melhor evolução do Carnaval capixaba até o momento de sua apresentação.
A “mais querida” de Vitória viveu uma situação inusitada em seu desfile. Aos 15 minutos, com a comissão de frente se aproximando do segundo módulo de julgamento, uma queda parcial de energia desligou parte das caixas de som. Conforme prevê o regulamento, o desfile foi interrompido completamente.
A Unidos de Piedade ficou cerca de meia hora parada na pista até que o problema fosse resolvido. Em seguida, continuou de onde havia parado.
Desde o início, a escola contou com a participação do público, que cantava o refrão do samba em homenagem ao baluarte da agremiação, Edson Papo Furado, a plenos pulmões. A parte musical foi o ponto alto do desfile, com grande apresentação do intérprete Kléber Simpatia e de seu carro de som, ao lado da excelente bateria de Mestre Juninho da Puxeta. O samba funcionou muito bem para o desfile.
A comissão de frente encenou o homenageado na infância e depois adulto, coroando-o rei. Coreografia bem executada no chão, mas sem um momento de impacto.
O casal formado por Vinícius e Amanda conseguiu superar o desafio que tem sido o primeiro módulo para todas as escolas, por conta da corrente de vento, e brilhou no segundo módulo.
O enredo foi desenvolvido com clareza pelo carnavalesco Vanderson Cesar, mas ficou nítido que a escola não tinha recursos para fazer alegorias e fantasias no mesmo nível das principais concorrentes.
O homenageado fechou o desfile, proporcionando um momento de emoção para uma arquibancada que respondeu com vibração e alegria.
A escola do município de Serra abriu a segunda noite do Grupo Especial de Vitória com um desfile para impactar o Carnaval capixaba. Com o enredo “Cricaré das Origens – Brasil que nasce em São Mateus”, contando a história da cidade do norte do estado, a segunda mais antiga do país.
Terceira colocada no Grupo de Acesso no ano passado, a escola só subiu porque o Grupo Especial aumentou o número de agremiações. E honrou a oportunidade com uma apresentação potente, alegre e colorida. Surpreendente.
A comissão de frente de Anderson veio simples, sem elemento cênico, e com a transformação de uma das componentes ao longo da coreografia. Não causou impacto.
O primeiro casal, Mariana e Matheus, sofreu com o vento na primeira cabine, e a bandeira ameaçou enrolar três vezes — problema que não se repetiu no segundo módulo.
A bateria fez várias bossas, mas, como algumas outras, sofreu na execução de instrumentos como tamborim e caixa.
A empolgação dos componentes esteve presente em todas as muitas alas da escola, evidenciando a ambição de cada um deles de afirmar a Rosas de Ouro no Grupo Especial. O samba-enredo ajudou nisso, com trechos muito bons de melodia, especialmente nos refrãos.
Samba que foi muito bem cantado por Letícia Jesus e Arthur Kadratz.
O visual da escola, colorido, manteve muito bom nível em alas e alegorias, evidenciando o trabalho do carnavalesco Robson Goulart.
Atual campeã do carnaval de São Paulo, segundo informações da CNN Brasil, a Rosas de Ouro não cumpriu o prazo regulamentar para a entrega da pasta de jurados referente ao Carnaval 2026. O material deveria ter sido protocolado até as 23h59 da última segunda-feira, o que não aconteceu, conforme informado pela emissora.
O descumprimento do prazo foi comunicado oficialmente pelo presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP), Renato Remondini, em mensagem enviada aos presidentes das outras 13 escolas do Grupo Especial. No comunicado, a Liga concedeu um novo prazo para a entrega do documento, estabelecendo o limite até as 14h desta terça-feira.
A entrega fora do prazo deverá ser analisada e deliberada pelos presidentes das demais agremiações do Grupo Especial. Até o momento, a Rosas de Ouro não se manifestou oficialmente sobre o atraso, assim como a própria Liga-SP.
O verso do refrão foi cantado com toda força nos fins de semana de ensaio técnico na Sapucaí, bem como nas noites de quinta-feira, na Rua Maxwell, nas últimas semanas. A homenagem à professora Rosa Magalhães neste ano mexe com os corações dos apaixonados por escola de samba e, em especial, dos salgueirenses, lugar onde Rosa iniciou a carreira, em 1971, e garantiu 3º lugar e vice-campeonato, respectivamente, em 1990 e 1991. Em conversa com o CARNAVALESCO, os componentes do Torrão Amado abrem o coração e compartilham a emoção e as memórias que o samba evoca ao saudar a mestra.
A homenagem a Rosa Magalhães escancara o impacto do legado da professora em todas as gerações. A jovem Vitória Campos, de 25 anos, compartilha a emoção com o samba, que consegue gerar nostalgia no coração salgueirense a cada nota.
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO
“Eu, pessoalmente, gosto muito dos sambas antigos, principalmente do Salgueiro. Nesse samba, usaram uma estrutura para poder relembrar algo que eu adoro. Poder homenagear a Rosa e ainda lembrar da pegada antiga, para mim, é ótimo. O refrão pega muito, os pré-refrões pegam muito. Fico totalmente extasiada”, disse.
Além do Salgueiro, o legado como professora também marcou Vitória. Formada em Arquitetura, a jovem lembra os carnavais e artes de Rosa expostos na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde lecionava Cenografia e Indumentária.
“Eu frequentei muito a Escola de Belas Artes e lá eles têm uma área superprodutiva artística, onde há muitas cenas de desfiles dela, dos carros alegóricos. Quando eu olhei a comissão de frente no ensaio, eu falei: ‘eu já vi essas bruxas’. São memórias de estudo mesmo que eu acabei tendo. Eu fui vendo dentro da academia como ela, no lugar em que era professora”, compartilhou.
O samba deste ano emociona também quem viveu carnavais de Rosa Magalhães na pele. Eduardo Nascente, da Velha Guarda, em seus 40 anos de Salgueiro, teve a honra de desfilar nos dois carnavais de Rosa pela escola. Em 1990, em “Sou Amigo do Rei”, desfilou como um Rei de França em ala e, em 1991, com “Me Masso se Não Passo pela Rua do Ouvidor”, desfilou como passista. Eduardo relembra o luxo que a carnavalesca trouxe para a escola já em seu primeiro ano e que espera reviver hoje, 36 anos depois.
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO
“Salgueiro estava meio assim no carnaval, sobe e desce, de primeiro para o segundo grupo. Contratamos a Rosa, e a Rosa montou a escola no luxo, como Joãozinho Trinta fazia na Beija-Flor. E nós alcançamos o terceiro lugar. Foi de arregalar os olhos o luxo que o Salgueiro apresentou. Este ano, a emoção será por conta do desfile que o Salgueiro vai apresentar. Embora muita gente esteja dizendo que a Rosa só fez dois carnavais no Salgueiro, foram dois carnavais fabulosos. São essas duas histórias que vão ser contadas por nós na avenida. O carnaval é democrático, é a mistura das escolas. O que ela fez pela Imperatriz, pela Vila e pelo Império Serrano — por onde passou — ela deixou legado, história, um belíssimo carnaval”, relembrou.
Para o ex-passista, o samba deste ano embalará a escola com alegria e levantará o público ao reviver as criações de Rosa no Salgueiro e relembrar seus principais carnavais nas coirmãs.
“A parte do samba é animação, é a evolução da escola. É um samba alegre, leve, fácil de decorar. A gente está contando que o público cante pelo menos o refrão, o arrastão que deve vir atrás do Salgueiro, pois o Salgueiro é o último. O samba é para empolgar, para a escola evoluir, cantar e alcançar essa décima estrela que nós andamos atrás há um tempão. Este ano, Papai do Céu e Rosa Magalhães vão ajudar a estrela a brilhar”, disse.
Para a salgueirense e professora aposentada Fátima Machado, assim como Rosa, fala da emoção que o refrão “Mestra, você me fez amar a festa” evoca.
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO
“O Salgueiro abraçou o samba, a comunidade abraçou o samba e a Rosa Magalhães, que é a sua referência do carnaval. O samba está lindo, fácil de cantar. Na Sapucaí, todo mundo está cantando”, disse.
Com 50 anos de história no Torrão Amado, Nilda Salgueiro, presidente da ala de compositores, também viveu a “Rua do Ouvidor” de Rosa na escola. Considerando a mestra um ídolo pelo trabalho, ensinamentos e força feminina, Nilda aposta no resgate à memória de Rosa como trunfo na busca da décima estrela, com um samba “estilo Salgueiro”.
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO
“É como se fosse uma viagem que o Salgueiro vai mostrar: o que ela fez em relação aos enredos, o que apresentou em outras escolas e na nossa. Eu fico bem emocionada, até porque o samba é bem suave, fala dela, das coisas que ela fez. E quando a gente fala em ‘mestra’, ela realmente foi a grande professora da nossa época. Todo mundo que está por aqui agora estudou com ela, ela deu aula, aprendeu com ela. Isso é muito importante para nós. Tomara que o Salgueiro entre com muita luz, com muita sorte, que consiga a nossa décima estrela, como o nosso samba fala. É a última escola do último dia, não tem mais nada depois do Salgueiro. Com um samba pra cima, muito animado, estilo salgueirense, eu acho que vai arrastar a galera”, disse.
O segundo ensaio técnico da Beija-Flor de Nilópolis, realizado na noite do último domingo (8), na Marquês de Sapucaí, foi muito mais do que um simples teste de som, evolução e harmonia. Foi um verdadeiro ritual coletivo de emoção, memória e pertencimento. Embalada pelo samba-enredo para o Carnaval 2026, que homenageia o Bembé do Mercado, a comunidade nilopolitana transformou a avenida em um espaço de celebração da ancestralidade, fazendo cada componente cantar do fundo da alma, em um coro que arrepiou quem acompanhava de perto. Em meio a esse clima intenso, o CARNAVALESCO ouviu vozes que traduzem o impacto profundo que o samba vem provocando dentro e fora da escola.
Carlos Alexandre, personal trainer de 38 anos, destacou a força simbólica do enredo e a importância histórica do Bembé como expressão de liberdade e identidade.
Foto: Ana Julia Agra / CARNAVALESCOFoto: Ana Julia Agra / CARNAVALESCO
“Primeiramente, a ancestralidade. Desde a libertação dos escravos, começou com a ideia de uma festa, mas, na verdade, foi um grito dos escravos em relação à libertação, e até hoje o Bembé existe por conta disso. Antigamente, os escravos faziam essa festa escondidos, mas, com a libertação, conseguiram dar o seu grito. É uma forma de expressão do povo negro: ‘nós estamos libertos, agora a gente pode fazer isso’. Para mim, é um orgulho. Não é só uma festa, é a origem da festa, falar da nossa ancestralidade. Não é só o Bembé, é algo maior, algo que nos move”, afirmou.
A mesma vibração foi sentida por Sol Mota, servidora pública de 40 anos, que definiu o samba como um retrato sensível da cultura afro-brasileira e da própria essência da Beija-Flor.
Foto: Ana Julia Agra / CARNAVALESCO
“Esse samba mexe comigo porque fala principalmente da sensibilidade da cultura afro-brasileira, vindo da Bahia. Então, o Bembé é a Beija-Flor na Avenida. A rua ocupamos por direito”, declarou, reforçando o sentimento de pertencimento e de afirmação cultural que ecoa a cada verso entoado na Passarela do Samba.
Para Ellen Oliveira, jornalista de 31 anos e praticante de religião de matriz africana, o impacto do samba vai além da emoção pessoal e alcança uma dimensão histórica e social.
“Para mim, que sou praticante de religião afro, acho importante que seja mostrado na maior festa cultural do planeta. Uma manifestação que não só resgata, mas também cultiva a raiz dessa cultura afro e da ancestralidade, que é o que move a escola de samba. Nós somos movidos pela ancestralidade. O Bembé é como festejar essa ancestralidade, porque, se nós estamos aqui, é em função desses muitos pretos que lutaram, que resistiram, e acho que, principalmente, é a memória”, afirmou.
Ellen também ressaltou o papel do carnaval como instrumento de preservação histórica em um país marcado pelo apagamento cultural.
“O Brasil, infelizmente, tem um processo de cultivo da memória muito complicado, então deixar isso registrado aqui na Avenida é também uma forma de cultivar uma memória que, às vezes, é perdida, que não se vê nas escolas. Tem essa importância de a gente levar do nosso carnaval para o mundo”, completou, evidenciando o alcance simbólico e educativo do desfile da Beija-Flor.
Ao longo do ensaio, ficou evidente que o samba de 2026 já cumpriu uma de suas missões mais nobres: tocar profundamente cada componente e transformar a Sapucaí em um espaço de pertencimento, orgulho e celebração coletiva. A Beija-Flor mostrou que não canta apenas para disputar um título, mas para manter viva a memória, honrar seus ancestrais e reafirmar, em cada passo, a potência da cultura afro-brasileira.
Na cadência dos tamborins e no coro forte da comunidade, o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense deste Carnaval tem provocado mais do que aplausos: tem despertado emoção, orgulho e memória afetiva em quem acompanha a escola de Ramos. Entre componentes, torcedores e amantes do samba, o sentimento é unânime — o enredo não apenas conta uma história, mas mexe com a alma.
Na concentração, minutos antes do desfile, a costureira Maria das Dores, de 58 anos, não segurava as lágrimas ao comentar o que sente ao ouvir o samba:
Fotos: Victor Busch / CARNAVALESCO
“Quando começa o refrão, eu me arrepio inteira. Parece que estou vendo minha vida passar ali, junto com a história que a Imperatriz está contando.”
Para o estudante de História Lucas Almeida, 35, o enredo tem uma força especial por valorizar raízes culturais:
Fotos: Victor Busch / CARNAVALESCO
“É um samba que ensina e emociona ao mesmo tempo. A Imperatriz consegue transformar pesquisa em poesia. A gente aprende cantando.”
Já o aposentado Antônio Gomes, 65, destacou a energia que vem da própria comunidade:
“Esse samba nasceu forte, mas na Avenida ele cresce. Quando a arquibancada canta junto, não tem como não se emocionar. A bateria toca com o coração.”
Fechando o coro de emoções, a passista Nilce Gomes, destacou a força do samba e do enredo que conduzem a escola na Sapucaí:
“Nosso objetivo era exaltar com verdade, com respeito e emoção. Quando vemos o público chorando, sorrindo e cantando junto, temos certeza de que vamos conseguir puxar a Sapucaí.”
Com versos marcantes e melodia envolvente, o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense reafirma a força do Carnaval como manifestação cultural e afetiva. Mais do que um desfile, a escola entrega um espetáculo que pulsa na memória e no coração de quem vive o samba.
Ativa em toda a construção do pré-Carnaval do Império Serrano, a escritora Conceição Evaristo, grande homenageada do enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, realiza nesta terça-feira, a partir das 19h, uma noite de autógrafos na quadra da escola, em Madureira. A ação é voltada à comunidade imperiana e contará com a venda de livros a preço popular.
Fotos: Diego Mendes / Divulgação
As obras de Conceição Evaristo serão comercializadas ao valor de R$ 15,00. Toda a renda arrecadada será destinada ao Império Serrano, contribuindo diretamente para os preparativos da escola na reta final rumo ao Carnaval 2026.
A presença constante da escritora nas atividades do pré-Carnaval tem reforçado a proposta do enredo, que une literatura, memória e identidade negra à história do samba e da escola de Madureira. Para Conceição Evaristo, levar sua obra para dentro da quadra do Império Serrano é reafirmar a literatura como instrumento de acesso, pertencimento e cidadania.
Foto: Diego Mendes / Divulgação
“Tenho participado de forma muito ativa deste pré-Carnaval porque acredito no enredo como um espaço de afirmação da nossa memória e da nossa escrita. Colocar meus livros na quadra do Império Serrano é tratar a literatura como um direito cidadão, como uma ação democrática e acessível. O preço popular facilita o acesso, amplia o diálogo com a comunidade e, ao mesmo tempo, contribui para o Carnaval da escola, que também é um território de educação, cultura e resistência”, disse a escritora.
O Império Serrano está em contagem regressiva para o seu desfile oficial. A escola de Madureira será a quarta escola a desfilar no próximo sábado (14), na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro.
Um ótimo ensaio técnico da bateria “Soberana” da Beija-Flor de Nilópolis, sob o comando dos mestres Rodney e Plínio. Uma conjunção sonora equilibrada, com andamento confortável e boa equalização de timbres foi apresentada. Com um conjunto de bossas bem integradas a grande obra nilopolitana, as paradinhas ajudaram a impulsionar os componentes, além de valorizar o samba da Beija.
Na parte da frente do ritmo nilopolitano, um naipe de cuícas seguro se exibiu com solidez. Uma ala de chocalhos com boa técnica tocou interligado a um naipe de tamborins com coletividade musical apurada. O belo casamento musical entre tamborins e chocalhos foi o ponto alto do trabalho irretocável das peças leves.
Na cozinha da bateria “Soberana”, uma afinação acima da média de surdos foi notada. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com leveza e segurança, demonstrando uma educação musical exemplar, no intuito de preservar as marcações num ensaio chuvoso. Surdos de terceira deram um balanço irrepreensível, evidenciando o bom trabalho dos graves. Repiques de alta técnica musical tocaram com coesão junto de um naipe de caixas bem ressonante, dividido entre ritmistas fazendo levada reta com caixas embaixo e outros com levada de partido alto, tocada em cima. Essa mistura preencheu a sonoridade dos médios dando aquele molho peculiar, tradicionalmente nilopolitano. Atabaques também vieram em meio ao ritmo, sendo importantes em bossas. O tom metálico das culturais frigideiras ajudou a dar brilho sonoro a parte traseira da bateria.
Bossas e nuances rítmicas intimamente ligadas ao belíssimo samba-enredo da Deusa da Passarela foram exibidas. Todas se pautando pelas variações melódicas, ajudando a impulsionar componentes com bossas dançantes, além de valorizar o samba na medida certa, diante de uma criação musical orgânica e praticamente intuitiva.
Uma ótima apresentação da bateria da Beija-Flor de Nilópolis, dirigida pelos mestres Rodney e Plínio. Um ritmo muito bem casado com o samba-enredo da agremiação foi exibido, realçando a bela melodia da obra nilopolitana com uma criação musical orgânica e de certa forma intuitiva. Um ensaio que mostrou uma bateria “Soberana” pronta para brigar pela pontuação máxima no desfile oficial.