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Sob o voo da águia, Portela renasce: Junior Escafura sonha alto em estreia na presidência

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Pela primeira vez à frente da direção de carnaval da Portela, Junior Escafura vive um momento de grande responsabilidade aliado à realização pessoal. Neto do eterno Piruinha, o dirigente promete um desfile potente e uma Portela diferente da que o público se acostumou a ver ao longo dos anos.

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Foto: Alicia / CARNAVALESCO

“É um momento de muita alegria. A gente vê uma Portela com muita vontade, uma Portela renovada. Então, isso nos deixa bastante felizes, saber que a escola está querendo muito fazer um grande Carnaval”, afirma.

Junior ressalta a homenagem feita ao pai e destaca a importância de manter viva a tradição da escola. Mesmo não estando presente em vida, o atual presidente acredita que o ex-dirigente da agremiação estaria orgulhoso da trajetória construída pela comunidade e por toda a escola.

“Eu acho que ele estaria feliz, porque eu estou tentando fazer exatamente o que ele fez quando assumiu a escola, de 94 para 95, que é unir essa escola. A Portela já se dividiu muito ao longo da sua história. Então, agora é hora de união, de mostrar a força da Portela”, destacou.

Ao fazer um balanço do andamento dos trabalhos, Junior comenta a satisfação com o envolvimento da comunidade, que tem demonstrado grande empenho ao longo da preparação para o desfile.

“Está sendo bem positivo. Eu estou vendo os componentes virem sempre com muita satisfação e muita alegria para ver o que estamos fazendo.”

Questionado sobre o desenvolvimento das alegorias e fantasias, Escafura reforça o planejamento adotado e o compromisso com a organização do carnaval.

“A gente já entregou praticamente todas as fantasias com uma semana de antecedência. Então, isso mostra que acertamos no planejamento e na organização do desfile”, comenta.

Conhecida como a Majestade do Samba, a Portela carrega em sua identidade a imponência da águia, símbolo que impressiona pela plasticidade e elegância. Suas fantasias são tradicionalmente marcadas pela sofisticação e representatividade histórica e, nos últimos anos, vêm dialogando com a modernidade, a leveza e a valorização das raízes afro-brasileiras.

Ao ser provocado a dar um pequeno spoiler sobre o desfile, o presidente garante que o portelense mais tradicional ficará satisfeito com o que verá na Avenida.

“Eu acho que o portelense vai gostar muito do que vai ver, porque tudo que ele sempre quer é uma Portela imponente, grandiosa, bonita e ele vai ver isso”, promete Junior.

Quando o chão fala mais alto: Tuiuti reafirma potência de sua ala de passistas

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O Paraíso do Tuiuti deu uma demonstração contundente de força, tradição e identidade durante o último ensaio técnico na Marquês de Sapucaí. A escola de São Cristóvão levou para a avenida uma ala de passistas que se consolida como referência no Carnaval carioca, destacando-se pela preservação do samba no pé raiz, pela leitura precisa do chão da escola e pela entrega coletiva que atravessa gerações.

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Foto: CARNAVALESCO

Identidade que se constrói no tempo

Sob a direção de Alex Coutinho, o segmento é resultado de um trabalho contínuo que valoriza união, disciplina e a malandragem clássica do samba. O desempenho consistente do grupo, frequentemente ovacionado pelo público, reforça o papel da ala como guardiã de uma estética tradicional que dialoga diretamente com a essência do Tuiuti.

Para o diretor, o grande diferencial está no histórico compartilhado entre os integrantes, muitos caminham juntos desde os tempos de Grupo de Acesso, criando uma sintonia que ultrapassa a técnica.

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Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“Somos uma ala de passistas que não está junta só no Grupo Especial, viemos desde o Grupo de Acesso. É um pelo outro, procurando levar a bandeira do samba e fazendo o máximo para ajudar nossa escola a chegar ao título do Carnaval”.

União que ultrapassa a avenida

A segurança apresentada na Sapucaí nasce dessa convivência prolongada. Grande parte dos componentes acompanha Coutinho há anos, o que fortalece vínculos e constrói uma dinâmica quase intuitiva na hora de riscar o chão. Para além do calendário carnavalesco, a ala mantém projetos sociais e atividades ao longo do ano, ampliando o papel cultural do segmento dentro da comunidade.

“Graças a Deus, eu acho que essa união é reflexo da escola. É um lugar onde todo mundo que chega vira família.”

Essa dimensão afetiva também se manifesta na diversidade do grupo. Entre os integrantes está a passista afro-caribenha Iman Shervington, que desfila pela escola há mais de cinco anos dois deles como passista. Em 2026, a conexão se torna ainda mais profunda, já que o enredo dialoga com a religiosidade de matriz cubana, aproximando narrativa e vivência pessoal.

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Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“É uma honra poder ser passista. A ancestralidade vive dentro de nós e, este ano, com esse enredo, isso me toca ainda mais, porque sou caribenha. Minha família é de lá, a gente carrega essa mesma energia que existe em Cuba. Poder representar isso é um orgulho imenso”.

Pertencimento que vira trajetória

Para Wellington Ricardo, a experiência no carnaval também é atravessada por ancestralidade e identidade. Há mais de uma década no Paraíso do Tuiuti, ele integra a ala masculina de passistas e traduz sua relação com a escola como um elo de vida.

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Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“Sou muito grato por tudo o que vivo aqui”.

Em 2024, essa relação ganhou um novo significado ao representar a agremiação na disputa pela Corte do Carnaval do Rio de Janeiro momento que ampliou seu sentimento de reconhecimento dentro do universo do samba.

“Isso faz muita diferença para mim”, afirmou, ao destacar a alegria de ocupar um espaço que celebra memória, resistência e cultura popular.

Cidades Invisíveis e Camarote Nº1 unem moda e impacto social no Carnaval 2026 no Rio de Janeiro

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O Carnaval de 2026 também será palco para ações de inclusão social. O Instituto Cidades Invisíveis e o tradicional Camarote Nº1 firmaram uma parceria inédita que conecta a visibilidade da maior festa popular do país a iniciativas concretas de apoio a projetos sociais.

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Foto: Carola Guglielmi/Divulgação

A iniciativa ocorre durante os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, entre 13 e 17 de fevereiro, e na Festa das Campeãs, nos dias 20 e 21. Ao longo desse período, o público que vivenciar a experiência do Camarote Nº1, no sambódromo da Marquês de Sapucaí, poderá contribuir com a ação por meio da compra de produtos desenvolvidos pelo designer Bruno Gomes, cuja renda será integralmente destinada às atividades do Cidades Invisíveis.

Os itens estarão disponíveis para compra no espaço de credenciamento do Camarote Nº1, onde ocorre a retirada das camisetas, no Hotel Prodigy Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro, próximo ao Aeroporto Santos Dumont.

No local, o público encontrará uma coleção autoral composta por buckets, camisetas, bonés e ecobags produzidos em Florianópolis. As peças apresentam estampas que valorizam a brasilidade e refletem a diversidade cultural do país, reforçando o compromisso da iniciativa com a produção local e a geração de impacto social positivo.

Quem não estiver no camarote poderá conhecer e adquirir as peças também pelos canais digitais da parceria. A coleção será divulgada nas redes sociais do Camarote Nº1 (@cluben1) e no aplicativo oficial do Nº1, que exibirá banners dos parceiros e conteúdos no feed com informações sobre a collab. Os produtos também estarão disponíveis para compra na loja do Instituto Cidades Invisíveis, no endereço cidadesinvisiveis.com.br, ampliando o alcance da iniciativa e garantindo que a arrecadação continue apoiando as ações sociais do projeto.

Desfile para todos

No sábado de Carnaval, 14 de fevereiro, o Camarote Nº1 será palco de uma ação de inclusão cultural. Ao todo, 300 moradores das comunidades do Vidigal, no Rio de Janeiro, e do Preventório, em Niterói, terão acesso às frisas do Grupo de Acesso. A iniciativa amplia o acesso à maior manifestação cultural do país e reforça o compromisso do Instituto Cidades Invisíveis com a democratização da cultura.

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Foto: Carola Guglielmi/Divulgação

A ação se conecta à presença contínua do Cidades Invisíveis nessas comunidades, onde, ao longo do ano, o projeto oferece aulas de boxe, dança, yoga, culinária, informática, reforço escolar e costura, atendendo milhares de crianças e adolescentes e incentivando o acesso à educação, ao esporte e à cultura.

“Pela primeira vez, vamos abrir o Camarote durante o desfile do grupo de acesso para um momento que celebra a cultura do Carnaval carioca. O Cidades Invisíveis já faz um trabalho incrível nessa conexão entre a comunidade e as mais diferentes manifestações artísticas, e nos unimos a eles para promover esse momento especial”, conta Marcio Esher, sócio do Camarote Nº1.

Sobre o Cidades Invisíveis

Criado em 2012, o Cidades Invisíveis é uma organização social que atua na transformação de realidades e na redução da pobreza e da desigualdade em suas múltiplas dimensões. Presente em diversas cidades do país, a iniciativa desenvolve projetos em parceria com artistas locais e nacionais, revertendo parte da renda arrecadada em ações de impacto social em comunidades de Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), São Paulo (SP), São Sebastião (SP) e Canela (RS). Ao longo dos mais de treze anos de atuação, o Cidades Invisíveis já destinou mais de R$ 5 milhões a projetos sociais, impactando milhares de jovens em situação de vulnerabilidade. A organização atua alinhada à Agenda 2030 da ONU e é signatária do Movimento Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de Santa Catarina (ODS/SC), com o compromisso de combater a invisibilidade social nas periferias onde está presente.

Sobre o Camarote Nº1

Tradicional evento do circuito carioca, o Camarote Nº1 é considerado uma das melhores festas de Carnaval do país. Localizado no setor 2 do sambódromo da Marquês de Sapucaí, a festa é idealizada pela Holding Clube, grupo de empresas especializadas em marketing de experiências. Com 35 anos de tradição, o Camarote oferece uma experiência all inclusive ao seu público, com open bar e food, ativações de grandes marcas e um line-up de peso.

Desfiles de 2026 do Cacique de Ramos acontecem nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro

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É Carnaval e a emoção está garantida com o Cacique de Ramos no Circuito Bira Presidente. Mantendo o formato tradicional de três dias de apresentação, o bloco desfila no domingo, 15 de fevereiro, na segunda-feira, 16 de fevereiro, e na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, na Avenida Chile, no Centro do Rio de Janeiro. O trajeto passa a ser oficialmente denominado Circuito Bira Presidente por meio de decreto da Prefeitura do Rio, nomeação que reconhece institucionalmente o percurso historicamente realizado pelo Cacique no carnaval de rua da cidade.

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Foto: Márcio Lopes/Divulgação

A edição de 2026 tem como tema Bira Presidente: O Show Tem Que Continuar e estabelece o recorte do desfile no primeiro carnaval após a despedida do fundador. A abertura da folia caciqueana terá como referência a música A Última Folha, composição de Evandro Alves em homenagem a Bira Presidente, integrada ao repertório do bloco a partir deste carnaval.

O desfile mantém a estrutura tradicional do Cacique de Ramos, com carro alegórico, pede passagem, porta-estandarte, bateria, alas e a Corte Glória Caciqueana 2026. O carro alegórico desenvolvido para esta edição concentra a homenagem visual a Bira Presidente. A alegoria apresenta uma escultura em tamanho natural do fundador com o pandeiro, instalada em estrutura aérea com sistema de rotação, permitindo sua visualização ao longo do percurso. Ao fundo da composição, integra-se um busto indígena com cerca de quatro metros de altura, construído com mecanismo dobrável para viabilizar a passagem sob os viadutos da Avenida Chile. A escultura apresenta pintura corporal geométrica nas cores vermelho, preto e branco, cocar estruturado com iluminação integrada e acabamento cenográfico compatível com o desfile noturno. Na parte central do carro estão posicionados os pedestais da Rainha e das Princesas do Carnaval do bloco.

As Alas Reunidas do Cacique de Ramos: Apache, Carajás, Cheyenne, Comanche, Guerreiros e Ala Tamoio ganharam reforço com a estreia da Ala Eu Sou Cacique, somando um total de sete alas de fantasias. A ala de camisas Cura Ressaca integra o conjunto do desfile, levando a imagem de Bira Presidente na estampa. As camisetas estão à venda e podem ser adquiridas também durante a concentração nos três dias de desfile.

A Bateria Tamarindo de Ouro conta com cerca de 250 ritmistas, sob a regência do Mestre Xula. O canto do desfile segue sob responsabilidade de Junior Nova Geração, intérprete oficial do Cacique, acompanhado por Eduardo (Francês), Margarete Mendes, Mariano Maia e Ribeirinho como vozes de apoio. A porta-estandarte é Joana Darc. A Corte Glória Caciqueana 2026 é composta por Elizabeth Cruz, Rainha do Carnaval, Bella Carrulo, 1ª Princesa, Kaysa Regina, 2ª Princesa, Cássia Anastácia, Rainha da Bateria Tamarindo de Ouro, Bruno Barão, Índio Caciqueano, Amanda Prestes, Musa de Ouro, além das musas Milena Gonçalves, Laryssa Maia e Laila Avlis. A edição de 2026 marca ainda a estreia da Corte Curumim, formada pelas princesas mirins Antonella Oliveira, Manuela Espala e Valentina Marques.

A atual gestão do Cacique de Ramos é conduzida pela família de Bira Presidente, com acompanhamento da Diretoria de Ouro. A presidência é exercida por Karla Marcelly, filha primogênita do fundador. A vice-presidência é ocupada por Márcio Nascimento, genro de Bira. A Diretoria Geral está a cargo de Cristhian Kelly, filha caçula.

A concentração do Cacique de Ramos ocorre a partir das 18h, e os desfiles acontecem por volta das 20h, de acordo com a organização da Riotur.

Público analisa última noite de ensaios técnicos na Sapucaí

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Na última noite de ensaios técnicos antes do desfile oficial, a Marquês de Sapucaí recebeu Viradouro, Imperatriz Leopoldinense, Grande Rio e Beija-Flor em um domingo de arquibancadas cheias, canto forte e público atento. Torcedores de diferentes escolas acompanharam as apresentações e avaliaram desempenho, sambas e o nível de preparação das agremiações às vésperas do Carnaval.

Torcedor da Imperatriz Leopoldinense, o advogado Jean Cruz, de 32 anos, destacou a escola de Ramos como a que mais o impactou na noite, mesmo buscando uma análise equilibrada.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Sem ser clubista, eu achei a Imperatriz muito bonita. A escola está animada desde o início, os ensaios pegaram, o samba está cada vez mais forte, o Pitty está cantando muito, a bateria do mestre Lolo é muito linda desde sempre e a escola canta demais, com um chão muito forte”, disse.

Ao comentar as demais apresentações, ele avaliou positivamente o nível geral do ensaio. “A Beija-Flor é muito forte, a comunidade canta demais e o samba é muito, muito bom. A Viradouro também veio cantando muito, o samba do Ciça é muito forte e a bateria dele é nota 10. Foi tudo bonito hoje”, afirmou.

Pensando no desfile oficial, Jean projetou uma disputa acirrada pelo título. “A expectativa é das melhores. Os enredos são muito bons, os sambas também e as escolas estão aguerridas. Para mim, fica entre Beija-Flor e Portela, com Imperatriz, Mangueira e Tuiuti brigando junto”, concluiu.

Fã incondicional da Beija-Flor, Mauro Guedes, de 24 anos, atualmente desempregado, falou com emoção sobre o desempenho da escola de Nilópolis e também destacou outras agremiações da noite.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“É difícil deixar a paixão de lado, mas a Beija-Flor foi a que mais me emocionou. É um enredo muito ouvido nas plataformas digitais, levanta a Sapucaí e a comunidade canta com muita força. A gente está sempre disposto a dar o sangue pela comunidade aqui na avenida. Depois da Beija-Flor, a Imperatriz foi a que mais me impactou. O enredo sobre o Ney Matogrosso é sensacional, levanta a arquibancada, todo mundo canta e explode. A comunidade tem um chão muito forte, a escola passa muito bem e a comissão de frente está linda, com coreografia e timing perfeitos”, disse.

Ao falar sobre os sambas, ele destacou o impacto emocional do conjunto verde e branco. “Além do samba da Beija-Flor, o que mais me pega é o da Imperatriz. É um samba bonito, que dá espaço para a voz de um artista que foi negligenciado e sofreu preconceito. O enredo conta a verdade dele e isso emociona de verdade”, avaliou.

Para o desfile oficial, Mauro foi direto: “Quem leva é a Beija-Flor”, concluiu.

Torcedor da Grande Rio, o analista de atendimento Lucas Barsalini, de 32 anos, analisou as apresentações sem se prender ao clubismo. Ele destacou a Beija-Flor como o principal destaque da noite.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Quando a escola vem com um samba aguerrido como esse, ela desce muito bem e vai dar trabalho no desfile. Eu também gosto do enredo e gosto muito do samba da Beija-Flor”, afirmou.

Além disso, apontou outra obra que o toca pessoalmente. “Tirando a Grande Rio, o samba que mais me pega é o da Viradouro. Eu acompanho o Carnaval há um tempo, acompanho a história do Ciça e gosto muito desse samba, mesmo sabendo que não é unanimidade”, avaliou.

Ao projetar o resultado do desfile oficial, Lucas preferiu cautela. “Acho que vai ficar entre Beija-Flor e Vila Isabel, mas o Carnaval se ganha na pista”, concluiu.

Encerrando as avaliações do público, o promotor de vendas Gabriel Alexandre, de 28 anos, torcedor da Viradouro, ressaltou a evolução da escola de Niterói e o equilíbrio entre as quatro agremiações.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Eu gostei muito da minha escola, achei esse ensaio melhor do que o da semana passada. Essas duas semanas são importantes para comparação. A Imperatriz passou muito bem de novo, a Grande Rio e a Beija-Flor também. As escolas estão muito niveladas. Já a Grande Rio veio com mais potência do que na semana passada”, avaliou.

Ao falar sobre os sambas, Gabriel foi enfático. “O melhor samba entre os quatro é o da Beija-Flor. É incontestável, está na boca do povo, é popular, tem refrão forte e fácil de cantar. A minha escola tem um dos melhores sambas, mas o da Beija-Flor está sobrando”, disse.

Mesmo assim, manteve sua aposta pessoal. “Vou puxar a sardinha para o meu lado: Viradouro tetracampeã”, concluiu.

Renovada e fortalecida, ala de passistas da Grande Rio une tradição, juventude e resistência

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A ala de passistas da Acadêmicos do Grande Rio vive um dos momentos mais simbólicos de sua história. Mais do que brilho, técnica e presença cênica, o segmento tem apresentado renovação, consciência cultural e um forte sentimento de pertencimento. Entre projetos de formação, integração com a escola mirim Pimpolhos da Grande Rio e valorização do passista como protagonista do espetáculo, o grupo se consolida como referência dentro e fora da agremiação de Duque de Caxias.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Diretor da ala, Avelino Ribeiro explicou que a base desse crescimento está na formação e na continuidade. Segundo ele, o movimento começou ao observar o que acontecia com os jovens que saíam da escola mirim ao atingirem a idade limite.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“A gente está trazendo as crianças da Pimpolhos da Grande Rio para dentro da ala. Antes, eles completavam 14, 15 anos e não podiam mais desfilar na escola mirim, ficavam vagando. Muitos meninos iam para a bateria, outros iam para outras alas. Então eu trouxe para dentro da ala de passistas masculina e feminina. Hoje nós temos meninas com o corpo mais desenvolvido, mas também temos as mais novas, porque elas são o futuro da nossa escola e sambam muito. O que a gente procura é que sambe, que tenha alegria e que seja, além de tudo, Grande Rio de coração”, afirmou.

Ele também ressaltou o papel do projeto Samba de Ouro, realizado às quartas e sábados na quadra da escola.

“Ali nós selecionamos os melhores alunos e alunas e colocamos na ala. Nós revitalizamos e renovamos o segmento. Não deixamos de fora os passistas mais antigos, mas mesclamos. E isso está dando muito certo para a gente”, concluiu.

Com quase duas décadas dedicadas à escola, o passista Thiago Soares, que está completando 20 anos de agremiação, amplia a discussão para além da própria escola e fala sobre a importância do passista no contexto do Carnaval.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Eu acho que não só a ala de passistas da Grande Rio, mas o passista no geral. Todo mundo quer ver o passista passar na Avenida. Dar valor a esse passista que samba no pé, que representa a escola, que leva a bandeira com garra e força é muito importante. A nossa valorização, ter cada vez mais visibilidade, Dia do Passista, Lei Valci Pelé, tudo isso é fundamental. Para o Carnaval 2026, a gente está aí: ‘Mungunzá’ está na rua. Temos surpresas, fantasia bacana, samba no pé e estamos buscando prêmios”, disse, com confiança.

Se Thiago fala da valorização coletiva, Jorge Barbosa traduz o sentimento de pertencimento em palavras profundas. Passista da Grande Rio há 26 anos, professor e doutorando com pesquisa sobre Carnaval, Jorge carrega o samba como herança e objeto de estudo.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“O samba sempre foi muito presente para mim por causa da minha família. Meu avô foi da Velha Guarda da Portela, e eu trago isso comigo. A importância que o samba tem culturalmente na minha vida e na escola é algo de muita paixão”, contou.

Ele pesquisa quatro mulheres sambistas e passistas negras em seu doutorado e já dedicou o mestrado às baianas da Grande Rio. Para Jorge, o sentimento é difícil de explicar, mas impossível de ignorar.

“Tem uma coisa muito difícil de colocar em palavras: o sentimento do sambista quando escuta o tambor. Quando a gente escuta a bateria, o corpo responde. E isso é a glória para a gente. A gente é protagonista da nossa arte, que é o riscado, que é estar na Avenida”, afirmou.

Reconhecido recentemente com o prêmio Passista Samba no Pé 40+, Jorge também levanta a bandeira contra o etarismo.

“Eu acho isso muito importante num momento em que se fala sobre etarismo no samba, principalmente na ala de passistas. Eu ganhei esse prêmio entre as 12 escolas e estou muito feliz. Quem me deu isso foi a Grande Rio e o Avelino Ribeiro. Não posso deixar de falar do meu presidente”, destacou.

A emoção também marcou o depoimento de Carla Beatriz, que tem 37 anos e há 17 desfila pela escola. Trabalhando no barracão da Grande Rio com projetos de turismo ligados ao samba, ela transformou a arte em sustento.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Hoje eu trabalho especificamente com samba, com Carnaval. Eu sobrevivo disso. É resistência. Samba é resistência. Eu fico emocionada até de falar de conseguir sobreviver de arte, de música, de dança. E eu fico muito feliz em poder representar a Grande Rio, que é de onde eu nasci e fui criada”, disse.

Carla reforça o impacto social da escola, especialmente por meio da Pimpolhos. “A ala está crescendo muito. A Pimpolhos abraça as crianças, oferece projeto social, bolsas de estudo, faculdade. Meu filho hoje faz parte da Pimpolhos. É muito importante todo esse movimento do samba e não deixar o samba morrer”, afirmou.

Representando a força feminina da ala, Juliana Santos, de 29 anos e 15 como passista da Grande Rio, define o segmento como família.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“A minha ala é minha família. A gente briga, se estressa, mas é família. A gente se acolhe, se ama, se ajuda. No mundo em que a gente vive, ter pessoas para contar é muito importante. Infelizmente, a ala de passistas ainda é vista como vulgar, porque a gente vem com o corpo de fora. Mas dentro da ala temos mães, esposas, professoras, advogadas. O samba é o nosso complemento. A gente tem uma vida”, ressaltou.

Técnica de enfermagem e futura enfermeira, ela relembra que entrou na ala aos 15 anos e cresceu dentro do segmento.

“Eu amadureci e aprendi muita coisa com mulheres como Patinha, Marisa Furacão e Tati Feiticeiro, que são exemplos para mim até hoje. Ser mulher, sambista e profissional é muito importante. Eu sou muito grata por fazer parte dessa ala”, concluiu.

Paolla Oliveira será comentarista do ‘Carnaval 2026 – Desfile das Campeãs RJ’ no Multishow

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A noite que consagra as grandes escolas vencedoras do Carnaval carioca vai ganhar um olhar que entende de emoção, entrega e samba. Paolla Oliveira é um dos nomes confirmados como comentarista do Carnaval 2026 – Desfile das Campeãs RJ e assume uma nova posição na avenida. Sua estreia como comentarista marca a continuidade de uma história construída no Carnaval, agora sob outra perspectiva.

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Foto: Divulgação/Multishow

A transmissão será exibida ao vivo no dia 21 de fevereiro, a partir das 21h30, no Multishow e no Globoplay, no plano Premium. Além do desfile, a cobertura inclui o Show das Campeãs 2026, uma abertura especial na Avenida que celebra a música brasileira. A TV Globo também exibirá o show de abertura que antecede o Desfile das Campeãs.

“Ao trazer a Paolla Oliveira para o Carnaval do Multishow, reforçamos a conexão da Globo com o público e com a comunidade do Carnaval. A iniciativa consolida um projeto de conteúdo multiplataforma que entrega uma experiência completa, com as transmissões de São Paulo e do Rio de Janeiro. É presença, identificação e pertencimento”, garante Joana Thimoteo, diretora de Gênero de Música e Eventos da Globo.

Com uma trajetória marcada pela relação de longa data com o Carnaval e pela vivência direta na Sapucaí, Paolla chega para comentar o desfile que encerra oficialmente a folia no Rio, trazendo sensibilidade e atenção aos detalhes que fazem dessa noite um espetáculo único. Ao lado de Lucinha Nobre, a atriz reforça o time de comentaristas que traduzem a potência artística, simbólica e cultural das escolas campeãs.

A cobertura conta ainda com um time de apresentadores de peso, reunindo Milton Cunha, Mariana Gross, Karine Alves, Gominho, Fábio Júdice e WIC Tavares, que se unem para conduzir o público por cada detalhe da avenida, das narrativas dos enredos à grandiosidade estética dos desfiles.

Série Barracões: “Vamos ter diferentes Grandes Rios no mesmo desfile”, promete Antônio Gonzaga

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No barracão da Grande Rio, o mangue não é cenário, é origem. É dali, da lama entendida como potência, que o carnavalesco Antônio Gonzaga constrói o desfile sobre o movimento manguebeat para o Carnaval 2026. Ao transformar o manguezal em manifesto de vida, periferia e criação cultural, a escola de Duque de Caxias aposta em um enredo que atravessa música, identidade e reflexão social, conectando as margens de Recife às margens da Baixada Fluminense.

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Foto: Matheus Vinícius/CARNAVALESCO

“O manifesto está presente no desfile todo. Não de maneira panfletária ou tão explícita. O manifesto é a mensagem geral do movimento manguebeat. A partir do momento em que estamos retratando as populações de margem, suas potências, as maneiras como elas levantam a possibilidade de uma nova construção social, já estamos levantando essa bandeira”, afirmou Antônio Gonzaga.

Da lama ao mundo

Antes de pensar em alegorias ou impacto visual, Antônio Gonzaga voltou às origens do movimento que inspira o enredo. O manguebeat não aparece como produto fonográfico, mas como desdobramento de um caldo cultural anterior, enraizado nos festejos populares de Recife e de Pernambuco.

“Foi descobrir, de fato, de que maneira esses festejos populares formam a base do movimento manguebeat e influenciam não só a estética, mas também a singularidade do movimento. Então, descobri essa relação dessas festas populares com o resultado final de Nação Zumbi, de Mundo Livre S/A, de que maneira essa música ganha o mundo”, revelou.

A partir dessa investigação, o desfile se organiza como um percurso: das manifestações tradicionais à consolidação de um movimento cultural que projetou artistas pernambucanos para além das fronteiras regionais. O foco não está apenas na música, mas na engrenagem social que a sustenta.

Gonzaga também estabeleceu um paralelo entre as periferias de Recife e as do Rio de Janeiro, aproximando o manguebeat das dinâmicas culturais da Baixada Fluminense. Se o manifesto manguebeat nasceu da lama pernambucana, o desfile propõe que essa mesma força estética e política encontre eco na Baixada. A margem deixa de ser apenas ponto de origem e passa a ser afirmação coletiva na Marquês de Sapucaí.

Pluralidade como assinatura

Antônio Gonzaga define o desfile como um projeto de múltiplas identidades visuais, estruturado para evitar repetições e criar deslocamentos constantes na Avenida.

“É um desfile plural em termos de linguagem. Vamos ter diferentes Grandes Rios no mesmo desfile, e isso é um ponto muito positivo. É um desfile ousado e desafiador para mim como artista”, disse.

A mudança de atmosfera é assumida como estratégia narrativa.

“Passou um carro, já muda completamente a linguagem. Você vai conhecer uma outra vertente do movimento manguebeat.”

Cada setor assume identidade própria, acompanhando as diferentes fases do movimento. Na abertura, por exemplo, a combinação entre roxo e vermelho já estabelece uma visualidade específica, ligando espiritualidade e vitalidade ao manguezal. Ao longo do desfile, cores e composições sinalizam essas transições, conduzindo o público por registros distintos sem romper a unidade do enredo.

Nova cara na Grande Rio

O projeto marca o primeiro desfile de Antônio Gonzaga como carnavalesco da Grande Rio. Após atuar em parceria com André Rodrigues na Portela, ele assume o comando criativo da escola de Caxias, substituindo a dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad.

Ao falar sobre a mudança, Gonzaga destacou a singularidade do processo criativo de cada artista.

“São propostas visuais diferentes, porque também acho que a proposta visual faz sentido com o artista que está criando. Obviamente, trabalhei com os dois [Bora e Haddad], mas também tenho minhas outras vivências. Isso influencia diretamente no meu trabalho, mas também é uma visualidade fiel ao enredo, ao que ele pede e propõe. O manguebeat é o enredo da Grande Rio — e a Grande Rio vai apresentar uma nova cara”, declarou.

Antromangue: reflexão e futuro

O percurso construído ao longo do desfile encontra síntese no conceito de “antromangue”, desenvolvido por Chico Science nos últimos anos de vida. A ideia propõe uma conexão profunda entre homem e natureza, entendendo o manguezal não como paisagem, mas como organismo integrante e integrado ao ser humano.

No último setor, essa imagem retorna como reflexão social. A relação entre raízes, território e corpo humano ganha dimensão simbólica, ampliando o sentido político do enredo.

“Entendendo a periferia como potência. As pessoas que vêm da periferia transformam não só o espaço onde vivem, mas também a perspectiva de sociedade — uma perspectiva política de construção de um mundo melhor”, disse.

O fechamento retoma o ponto de partida do desfile: a margem como origem de criação e transformação. Ao conectar o mangue de Recife às periferias da Baixada Fluminense, a Grande Rio encerra a narrativa reforçando a ideia de que a lama é terreno fértil de cultura, identidade e projeto coletivo.

Conheça o desfile

A Grande Rio levará para a Avenida um projeto composto por:

25 alas

5 alegorias

3 tripés

Cerca de 3.000 componentes

1º Setor

“O desfile da Grande Rio começa com a chegada a esse grande manguezal, encontrando essas raízes. Retratamos as raízes do mangue como se fossem veias, entendendo que ele é uma fonte de vida, de onde essa energia vital pulsa e vibra. É um setor em que encontramos os animais do mangue, os homens de lama e essas raízes-veias. Trabalhamos o tempo todo com as cores roxo — porque pedimos licença a Nanã, senhora dos manguezais e da lama — e o vermelho, trazendo a vida, o sangue. Essa abertura é roxo com vermelho.”

2º Setor

“É onde encontramos as populações que vivem às margens desses grandes manguezais e rios: catadores de caranguejos, pescadores, lavadeiras. Depois mostramos a vida que levam. Trazemos representações das palafitas, do urubu como símbolo da própria incerteza da vida. A alegoria resume esse grande setor: é essa ‘Manguetown’, a cidade dos mangues.”

3º Setor

“É o setor em que trazemos a representação dos festejos populares de Recife. Essas manifestações culturais são raízes da cultura pernambucana e mostram de que maneira isso se torna o movimento manguebeat. O carro alegórico apresenta uma transição entre dois momentos do desfile, trazendo a simbologia dos maracatus e a representação da cultura de Pernambuco.”

4º Setor

“É o próprio manguebeat através de seus atores principais: mangueboys e manguegirls. Representamos Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, a expansão do movimento para o cinema, o teatro, a dança e as artes visuais. Fechamos com uma homenagem a todos esses nomes que fizeram o manguebeat ser tão importante para a cultura nacional.”

5º Setor

“No último setor, a reflexão social a partir do conceito de antromangue, apresentado por Chico Science. Nos últimos anos de vida, ele trabalhava essa conexão profunda entre o homem e a natureza, entendendo essa relação com as raízes do manguezal como um corpo só. Usamos essa imagem para pensar uma sociedade mais justa, mais livre e que olhe com mais cuidado para as periferias — entendendo a periferia como potência. Pessoas que transformam não só o espaço onde vivem, mas também a perspectiva de sociedade, uma perspectiva política de construção de um mundo melhor. Fechamos com esse olhar mais social.”

Mangueira realiza tradicional entrega das fantasias das crianças com festa no barracão

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A Estação Primeira de Mangueira entregou as fantasias das crianças que vão representar a escola na Avenida no próximo Carnaval. Como já é tradição na gestão da presidente Guanayra Firmino, o momento foi marcado por uma grande festa, com brincadeiras e comidas para os pequenos.

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criancamangueira
Foto: Divulgação/Mangueira

“Eles já esperam por esse momento durante todo o ano”, diz a presidente. “São crianças mas defendem o nosso pavilhão com um amor de gente grande que, não raro, aprendem em casa através de muitas gerações. Muitos deles aqui se educam, crescem e permanecem”, conclui.

A Mangueira tem uma longa tradição de manter uma Ala das Crianças na agremiação. Levadas por mães, tias, avós, parentes diversos, elas praticamente desde sempre estiveram incluídas no carnaval da Verde e Rosa. Relatos de meninos e meninas que, com medo da polícia ou da fiscalização, escondiam-se debaixo da saia de antigas baianas, são ainda hoje extremamente comuns entre componentes mais antigos da escola.

Fundada em 1987, a Ala das Crianças é um dos muitos legados que Dona Neuma deixou para a Verde e Rosa. A Ala das Crianças deixou de desfilar na escola no final da década de 2010, por conta de medidas judiciais que inviabilizaram sua presença nos desfiles. Mas o retorno aconteceu a partir do desfile de 2022.

Série Barracões: Salgueiro traz carnaval saído das estantes de Rosa Magalhães para Sapucaí

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A poucos dias do carnaval, o Salgueiro abre as portas para o CARNAVALESCO e mostra o esplendor de iluminação cênica, brilho e movimentos que levará para a avenida em homenagem à mestra Rosa Magalhães. A escola saudará o legado da professora com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira e pelos enredistas Leonardo Antan, Alan Barbosa e Ricardo Hessez.

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Carnavalesco Jorge Silveira
Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Memória” é a palavra-chave para o que será posto na avenida — a começar pela decisão de homenagear a carnavalesca, que faleceu em 2024, motivada pela recordação afetiva do presidente André Vaz, que foi presidente de ala nos anos em que Rosa trabalhou na escola. Filha da Revolução Salgueirense difundida por Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, e responsável por carnavais de glória da escola nos anos 1990, o desfile é uma forma de trazer Rosa “de volta para casa”.

“Nós tínhamos algumas possibilidades de enredo, a gente estava trabalhando em cinco outras propostas. E quando eu digo trabalho, é pesquisar mesmo, desenhar. A gente estava realmente desenvolvendo outras ideias. E aí, quando aconteceu o sorteio e o Salgueiro foi consagrado como a última escola a desfilar, era o argumento necessário para conversar com o presidente e entender a importância de usar esse momento para fazer essa grande homenagem. E ele, de pronto, aceitou e entendeu. Ele tinha grandes memórias da época em que era presidente de ala no Salgueiro, quando Rosa era carnavalesca, e tinha uma memória afetiva da relação com ela. Entendeu de imediato a relevância e a importância de o Salgueiro falar desse tema, especialmente porque Rosa nasce artisticamente no Salgueiro. Ela construiu uma carreira linda em diversas escolas, contribuiu com o legado de várias agremiações. O principal período dela é na Imperatriz Leopoldinense, com vários títulos, mas ela é filha da Revolução Salgueirense, do Arlindo e do Pamplona. E depois volta a ser carnavalesca do Salgueiro em 1990 e 1991. Quando ele entendeu esse vínculo, esse elo, imediatamente se criou o sentimento de que era como se ela voltasse para casa. Poder voltar para o local onde começou a trajetória e como seria bonito construir essa última imagem do Carnaval prestando essa homenagem. Foi dessa maneira que a gente entendeu que Rosa era o nosso caminho e acho que foi a decisão mais acertada que tivemos”, contou o carnavalesco.

Representar a carnavalesca nesse desfile, além do saudosismo para sambistas e salgueirenses, é também reverenciar a memória pública. A professora doou seu acervo de desenhos para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que disponibilizou ao público cerca de 5 mil desenhos de autoria da carnavalesca. Esses documentos foram base da pesquisa desenvolvida por Jorge e seu time de criação, servindo de referência visual para as obras de Rosa. O carnavalesco destaca a importância da valorização dessa memória.

“É fundamental que a gente eternize essa memória. Ela faz parte de um momento do Carnaval de construção de imaginário. Ela nos ajudou, literalmente, como diz a letra do samba, a amar a festa. Acho fundamental que a gente se debruce sobre essa memória, que não deixe isso cair no esquecimento, porque não existe Carnaval no Rio de Janeiro sem pensar o legado de Rosa — nem para o passado, nem para o presente, nem para o futuro. Hoje temos uma geração inteira de profissionais diretamente influenciados pela estética dela, pela sua lógica de construção e de contar histórias. Em última análise, penso que, como estamos falando de memória, o carnavalesco tem por função contar histórias. Fazer fantasias e carros alegóricos é obrigação; saber contar histórias é a narrativa principal do carnavalesco. E Rosa foi a maior contadora de histórias da história. Num universo extremamente machista, dominado por homens, ela ensinou todo mundo como se contam verdadeiras histórias. E ganhou de todos eles”, destacou.

Na pesquisa do acervo iconográfico de Rosa, um fato curioso. Todo o material disponibilizado pela UERJ foi baixado pelo enredista Leonardo Antan e, por uma lacuna nos arquivos, eles tiveram acesso a uma preciosidade que deu um tom ainda mais emocional à homenagem.

“Nós tivemos o carinho de ter contato com cada um desses desenhos para poder mergulhar no universo criativo dela com as referências que criou. E aí, curiosamente, na pesquisa, os anos que faltavam — que não tinham documentos visuais — eram exatamente 1990 e 1991, os dois anos em que Rosa foi carnavalesca do Salgueiro. Eu não tinha desenho nenhum que me ajudasse a contar esse pedaço. Faltavam essas figurinhas no meu álbum. No começo do ano, fizemos uma celebração para Rosa na quadra, um tributo a ela. E, nesse dia, as pessoas que cuidam do patrimônio dela encontraram, na casa dela, as pastas que guardavam os desenhos desses dois anos. Esses desenhos chegaram para nós no dia do tributo. Foi muito emocionante, porque pudemos ter contato com as aquarelas originais da Rosa, não só com os arquivos digitais da UERJ, mas com os desenhos físicos. E eram justamente os que faltavam para completar o arquivo visual da pesquisa. Muitas coisas têm acontecido e acho que isso nos marca de maneira muito afetiva”, contou.

Raphael Vidal GRES Academicos do Salgueiro
Foto: Raphael Vidal/Salgueiro

Da vasta gama de signos visuais do universo criativo de Rosa Magalhães, o mais lembrado é o luxo. Em sua passagem pelo Salgueiro, em 1990 e 1991, o refinamento característico da carnavalesca levou a escola a outro patamar, com um terceiro lugar e um vice-campeonato. Para 2026, Jorge garante que o requinte da professora estará presente na avenida, com materiais e técnicas reconhecíveis ao público.

“A ideia do luxo e do requinte permeia o desfile todo, fantasias e alegorias. Eu recriei algumas texturas que a Rosa levava para a avenida. Estou utilizando materiais clássicos que ela usava no áureo tempo dela. Até um bordado chamado ‘bordado de Barra Mansa’, feito à mão, estou utilizando nas fantasias. O público vai identificar muito claramente as texturas, o grafismo, a estampa de onça, os desenhos medievais, as simbologias, tudo que ela impregnava no traço estará presente como forma de textura”, compartilhou.
Relembrar Rosa também é lembrar que ela era a única carnavalesca que se misturava aos brincantes e desfilava fantasiada em sua própria criação, de forma discreta, em algum carro alegórico. Jorge garante que essa marca estará presente, mas em segredo.

“Vai sim, mas vou deixar em segredo para surpreender o pessoal. A Rosa vai estar presente com a gente. Ela está no dia a dia conosco, pode ter certeza disso. E no desfile estará muito bem representada”, disse.

Como homenagem aos carnavalescos em atividade na Sapucaí, “alunos” de Rosa, há um lugar especial reservado no último carro, em um momento que promete emocionar ao encerrar o Carnaval 2026. O convite também foi feito à carnavalesca do Arranco do Engenho de Dentro, do Grupo Ouro, Annik Salmon.

É impossível falar de Rosa sem falar da representação feminina no Carnaval. Com poucas mulheres no cenário, a folia sofreu perdas impactantes com o falecimento de Rosa, seguido pelos de Márcia Lage e Maria Augusta em curto espaço de tempo. Hoje, Annik Salmon é a única mulher carnavalesca na Marquês de Sapucaí. Para Jorge, ela é fundamental para a homenagem e para que as escolas atentem aos talentos femininos.

“Ela acabou se tornando a última. Infelizmente, porque precisamos que haja muitas mais. Espero que esse olhar sobre a Rosa seja importante para as escolas quebrarem preconceitos, abrirem possibilidades para novas profissionais e para que outras meninas se encorajem com a história dessa grande mulher e encarem o barracão como seu lugar de criação, de direito. O olhar feminino é sagrado, especial e agrega muito ao Carnaval”, afirmou.

Ygor Gusmao GRES Academicos do Salgueiro
Foto: Ygor Gusmão/Salgueiro

Jorge Silveira garante que, em um ano de enredos de homenagem, o trunfo de exaltar Rosa Magalhães é a emoção e o pertencimento dos amantes do Carnaval, já que sua memória e trabalho perpassam a identidade contemporânea da festa.

“O desfile se propõe a buscar a emoção. Quando falamos de memória, falamos de algo que nos pertence. É um ano de grandes homenagens, vários personagens sendo exaltados. Talvez o que nos diferencie é que estamos falando de um símbolo universal. Todos nós que amamos o samba e sentamos na arquibancada fomos educados pela obra dessa senhora. E quem não tem conexão com ela, simplesmente não tem conexão com o Carnaval”, declarou.

Entenda o desfile

Levando para a avenida a “delirante jornada carnavalesca” de Rosa Magalhães, o Salgueiro desfilará com cinco carros alegóricos, dois tripés e 3.300 componentes.

O desfile se debruça sobre o universo criativo da carnavalesca, partindo da “biblioteca de Rosa”, já que seu ponto inicial de criação era “devorar” livros sobre os temas abordados. Jorge Silveira e Leonardo Antan reforçam que não é um desfile biográfico, mas um olhar afetivo e de memória sobre sua jornada, reverenciando signos visuais e referências estéticas sob o traço de Jorge.

O Salgueiro levará à avenida maior imponência e interatividade. Os carros terão iluminação cênica, efeitos especiais, como fumaça saindo de dragões, camas elásticas ocupadas por acrobatas do Circo do Marcos Frota e movimentações inspiradas em Parintins, feitas por equipe do boi Caprichoso.

O abre-alas terá 70 metros de comprimento, ocupando integralmente o Setor 1 da Sapucaí.
Entre os símbolos reconhecíveis estarão querubins, ornamentos rococós, misturas de estilos, personagens de carnavais assinados por Rosa, realezas — com referências às escolas em que trabalhou (Vila Isabel, Imperatriz e Império Serrano) —, o universo lúdico infantil, deslocamentos e a natureza brasileira.

Setores

Setor 1
“Salgueiro abre seu desfile entrando na biblioteca da Rosa, convidando o público a reencontrar a memória afetiva dos seus carnavais. Cada pedaço do enredo é um fragmento dessa grande biblioteca”.

Setor 2
“O segundo módulo é o setor das cortes, onde apresentamos Rosa dedicada ao universo da realeza e da nobreza que tantas vezes representou”.

Setor 3
“É o universo literário, com enfoque especial na literatura infantil, que ela muito bem representou”.

Setor 4
“Temos uma Rosa viajante, mostrando como viajamos pelo mundo sem sair do lugar com seus enredos”.

Setor 5
“Rosa nos ensinando a amar o Brasil por meio da natureza”.

Setor 6
“Rosa nos ensinando a amar os movimentos estéticos que pensaram a brasilidade”.

Setor 7
“Encerramos convidando Rosa a retornar ao Acadêmicos do Salgueiro, numa grande festa em vermelho e branco, sendo recebida de volta à academia do samba onde nasceu artisticamente para o mundo”.