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Robson Santos destaca emoção, técnica e preparação vocal na locução da Sapucaí pela Série Ouro

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Locutor oficial da LigaRJ na Sapucaí, Robson Santos descreve a experiência de apresentar desfiles e apurações como uma mistura de nervosismo, respeito e controle técnico. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele falou sobre a influência de Perlingeiro em sua postura profissional, as diferenças de tom entre a Sapucaí e a Intendente Magalhães, os cuidados com a voz durante o Carnaval e o sonho de anunciar a volta de sua escola ao Grupo Especial.

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Foto: João Gabriel Rothier/CARNAVALESCO

Robson lembra que a primeira vez na cabine foi marcada por ansiedade, mas que a repetição trouxe calma e domínio ao longo dos anos.

“Quando eu fui sentar ali a primeira vez, eu fiquei muito nervoso, muito ansioso. Mas agora, né? A gente já tem um pouquinho mais de calma, mais de controle”.

Ele ressalta que cada apresentação carrega uma emoção distinta, especialmente quando se trata da Tradição, escola onde começou na locução e da qual é torcedor.

Ao citar Perlingeiro, locutor oficial do Grupo Especial há mais de 40 anos, Robson destaca a segurança e a seriedade do veterano como modelo para sua atuação na Sapucaí.

“Aquela segurança dele, aquela força. Eu assisti muitas apurações quando me convidaram pra fazer a primeira vez. E eu tentei pegar pelo lado sério dele, mais concentrado, né? Porque lá na Intendente Magalhães, onde eu trabalho há mais tempo, vai mais descontraído, a gente tá mais em casa. Aí acaba sendo um pouquinho menos formal. Mas aqui na Sapucaí, eu tento manter a linha do que já é feito há muito tempo pelo nosso Perlingeiro”.

Para Robson, a ênfase correta é ferramenta de envolvimento do público.

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Foto: João Gabriel Rothier/CARNAVALESCO

“Sim, por exemplo, na apresentação, né? ‘Colorindo a Sapucaí de azul e branco…’. Aí, quando grita o nome da escola: ‘UNIDOS DA PONTE!’, o povo todo vai à loucura. A gente dá aquela ênfase no nome da escola, na cor da escola, no nome do enredo. Aí o povo vai junto com a gente”.

A rotina intensa do Carnaval exige cuidados específicos com a voz. Robson conta que recebe orientações da porta-bandeira do Império Serrano, onde também trabalha como locutor, Maura Luiza, que é fonoaudióloga, e adota medidas práticas: nebulizador nos intervalos, evitar bebidas geladas e reduzir conversas fora do trabalho nos dias de desfile.

“A Maura, minha porta-bandeira do Império Serrano, ela é fonoaudióloga, ela me dá umas dicas. Eu tô sempre aqui com o nebulizador, eu não tomo nada gelado, evito falar no telefone, evito conversar muito pra poder estar com a voz em dia, porque cansa muito. São dois dias na Sapucaí e os outros dias na Intendente Magalhães, mas já emenda pra apuração de uma, apuração de outra. É bem corrido”.

A carreira de Robson teve início na Tradição e ganhou escala com convites para a Liesb e, depois, para a LigaRJ. Ele recordou os primeiros momentos e parcerias que o levaram à Sapucaí e à televisão.

“Nunca pensei (em ser locutor dos desfiles), nunca pensei. Resumidamente, eu era locutor da Tradição, uns 8, 10 anos que eu trabalhei na escola. Saí da escola, teve umas mudanças, eu saí. Falei: vou voltar a desfilar, que eu sempre desfilei em várias. Sandra Vellar criou, junto com amigos, a Liesb e me convidou pra ser locutor. Era um dia só. Eu falei: ‘Ah, não vou, não’ (risos). Falei: ‘Não, não vou’. Ela: ‘Não, vai sim, vou te ensinar, vou te ajudar’. Fui. Depois, no outro ano, já assumi todos os dias de lá (na Intendente). Então eu fui fazendo o trabalho na Intendente Magalhães com eles, até chegar o convite do presidente Wallace Palhares pra assumir aqui o microfone da Lierj… E eu trabalhei junto com ele uns dois anos. E depois a LigaRJ optou por manter somente a mim, me manter somente no cargo. E eu estou aí até hoje fazendo com a LigaRJ”.

“O maior sonho eu já realizei, que é poder trabalhar na Sapucaí. Eu tô há uns 15 anos na Intendente Magalhães, maravilhoso. Comecei no Carnaval na Intendente, desfilando na Intendente. Comecei como locutor trabalhando na Tradição e depois como locutor de liga na Intendente Magalhães. E eu cheguei aqui na Sapucaí, realizei o sonho de estar na TV Globo, estou na série ‘Encantados’. Então, meu sonho como locutor é conduzir minha escola, minha Tradição, de volta pro Grupo Especial. Anunciar, como eu anunciei anos atrás, ela voltando aqui pra Sapucaí. Agora eu quero de novo anunciar mais uma vitória pra ela ir pro Grupo Especial”.

Fora da cabine, Robson mantém duas ocupações que surpreendem quem o vê apenas no Carnaval: é sacristão na Igreja de São Pedro, no Rio Comprido, e confeiteiro durante a semana, produzindo doces e salgados sob encomenda.

“As pessoas acham curioso o fato de um trabalhador do Carnaval, um locutor, ser sacristão de uma igreja. Eu sou sacristão da Igreja de São Pedro, no Rio Comprido, aos finais de semana. Durante a semana eu trabalho como confeiteiro na minha casa. Faço doces, salgados. Por encomenda, né? Pra vender, pra fornecer pra lojas e vender pra particulares”.

Carnavalesco da Estácio de Sá assina projeto de estátua em homenagem a Tata Tancredo

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O carnavalesco da Estácio de Sá, Marcus Paulo, assina o projeto de realização da estátua em homenagem a Tata Tancredo a pedido da prefeitura do Rio de Janeiro, que será instalada no Largo do Estácio, aos pés do Morro do São Carlos onde o pai de santo tinha seu terreiro.

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Marcus Paulo Foto: CARNAVALESCO

Tata Tancredo, que também é o enredo da escola no Carnaval 2026, foi uma liderança religiosa e cultural fundamental para a história do bairro do Estácio, do carnaval carioca e do réveillon da cidade do Rio de Janeiro. Sua atuação foi decisiva para a consolidação das religiões de matriz africana no espaço urbano. Além de sua relevância religiosa, Tata Tancredo destacou-se como referência na literatura e na música.

“Eu recebi com muita alegria esse pedido do prefeito Eduardo Paes e projetei a estátua pensando na figura de Tata Tancredo e sua união com o leão, símbolo maior da Estácio de Sá; e ter ele aos pés do São Carlos potencializa sua importância para o bairro”, comentou o artista.

A estátua terá cerca de 1,80 metros e será feita de bronze fundido.

‘Padrão UPM’: Lara Mara fala sobre a expectativa da agremiação para Carnaval 2026

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No Carnaval de 2025, a Unidos de Padre Miguel estreou no Grupo Especial, porém foi rebaixada novamente para a Série Ouro. Em 2026, a agremiação retorna à Sapucaí apostando no enredo pensado pelo carnavalesco Lucas Milato: “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”, que falará sobre Clara Camarão, símbolo da força, resistência e ancestralidade potiguara.

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Foto: CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, a presidente Lara Mara falou sobre as expectativas para o desfile, destacando o seu compromisso em representar a comunidade, apesar das dificuldades financeiras, que são comuns entre as escolas da Série Ouro.

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Lara Mara é a presidente da Unidos de Padre Miguel. Foto: Carolina Freitas / CARNAVALESCO

“Pode esperar um desfile grandioso, padrão UPM. Independentemente das dificuldades que todas as escolas da Série Ouro têm, a gente está fazendo um bom trabalho, fazendo tudo para honrar a nossa comunidade, e eu tenho certeza de que não só a Vila Vintém, mas todos os torcedores da UPM, vão ficar muito felizes”, diz a presidente.

Ainda sobre as apostas realizadas para o Carnaval 2026, Lara Mara citou mudanças que fortalecem a escola e a própria comunidade. Entre elas, a integração do mestre Laion para comandar a bateria Guerreiros; do coreógrafo Paulo Pinna para ensaiar a comissão de frente; e do novo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cris Caldas, que antes estavam na Vila Isabel. A presidente falou sobre a escolha do casal:

“Eu já vinha namorando um pouco o Marcinho e a Cris, sou muito fã do trabalho deles e acho que eles estão fazendo um belo trabalho aqui dentro da Unidos de Padre Miguel”.

Sobre as alegorias, a presidente afirmou que pediu um toque de sentimentalismo e sensibilidade a Lucas Milato para que, assim, pudessem conectar mais a estética feminina à estética do desfile. Isso mostra que a preocupação vai além de apenas entregar impacto visual: a proposta é que o público se emocione com o enredo.

“Eu estou feliz. Acho que as pessoas vão se surpreender um pouco com o sentimentalismo com que a gente está tratando essa história de Clara Camarão. Eu pedi ao Lucas para a gente ter um pouco de sensibilidade e trazer um pouco desse lado feminino dentro da estética do desfile. Então acho que as pessoas vão ver isso”, diz Lara Mara.

Mesmo diante dos obstáculos que a agremiação enfrenta, a escola promete um excelente desfile. O apoio da comunidade e a aposta em um novo time mostram-se como alguns dos principais trunfos para que a Unidos de Padre Miguel retorne ao Grupo Especial.

Pitty de Menezes exalta amadurecimento pessoal e mira novo título com a Imperatriz

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Vivendo um dos momentos mais importantes de sua trajetória no Carnaval, Pitty de Menezes prefere definir a fase atual da carreira com uma palavra: amadurecimento. Intérprete da Imperatriz Leopoldinense, o cantor destacou que cada ano na Sapucaí tem sido marcado por aprendizado e evolução dentro do samba e da música, sem cravar que esteja, necessariamente, no “melhor momento”.

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Foto: CARNAVALESCO

“Eu acho que estou vivendo uma constante fase de amadurecimento. A cada ano eu venho aprendendo coisas novas dentro do carnaval, dentro do samba, e isso vai me aperfeiçoando”, afirmou.

Segundo Pitty, o foco segue sendo cantar o samba-enredo da melhor forma possível, respeitando a essência do que se propõe a fazer na avenida.

Apesar de ter relativamente pouco tempo no Grupo Especial, o intérprete já soma conquistas importantes, incluindo um título, e reconhece o impacto profundo que o Carnaval teve em sua vida pessoal e profissional.

“O carnaval mudou a minha vida. O carnaval é tudo para mim. Foi onde eu conheci a minha esposa, onde tive meu filho. Tudo o que eu tenho hoje, em termos de estrutura familiar e financeira, eu devo ao carnaval”, declarou, emocionado.

A forte sintonia com o mestre Lolo também foi destacada como um dos pilares do trabalho na Imperatriz. Para ele, a relação vai além de uma parceria profissional.

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Foto: CARNAVALESCO

“É uma irmandade. A gente conversa muito, dialoga, discorda às vezes, mas sempre pensando no melhor para a escola. A gente quer ganhar campeonato”, explicou, definindo a união como algo “divino”.

Outro nome exaltado pelo cantor foi Pedrão, responsável pela ala musical. Pitty definiu o músico como um “maestro saudosista”, que preserva a raiz do samba-enredo e agrega experiência a um carro de som jovem.

“A gente aprende muito com ele. Musicalmente, uma parte enorme do nosso trabalho passa pela experiência do Pedrão, que coloca a gente no caminho certo”, disse.

Confiante, Pitty acredita que a Imperatriz tem tudo para repetir o sucesso de outros carnavais marcantes. Ao falar do samba-enredo deste ano, comparado por muitos ao impacto do famoso “samba da cigana”, o intérprete não hesitou:

“Eu acredito muito nesse samba, na alegria dele, nas notas e no regulamento. A comunidade já está virando o jogo”, afirmou.

Com discurso seguro, fé no trabalho coletivo e forte conexão com a comunidade, Pitty de Menezes reforça a confiança de que a Imperatriz Leopoldinense chega forte para brigar pelo campeonato, tendo o samba como um dos grandes trunfos na busca por mais um título na Marquês de Sapucaí.

‘Quarto de despejo se tornou uma camisa de força para Carolina Maria de Jesus’, Fernanda Felisberto fala sobre o desafio da Unidos da Tijuca para 2026

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A Unidos da Tijuca está preparando, para o Carnaval 2026, um enredo que promete emocionar, tendo como título o nome completo da homenageada: Carolina Maria de Jesus. A escolha do carnavalesco Edson Pereira para exaltar uma das maiores escritoras brasileiras do século XX tem sido elogiada no meio acadêmico e carnavalesco. Para a professora e pesquisadora Fernanda Felisberto, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a escolha é mais do que acertada, é fundamental para reafirmar a existência e a obra de Carolina.

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Foto: Marcos Marinho / CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, Felisberto começou destacando um detalhe importante: a inversão recorrente do nome da escritora.

“Todo mundo troca. Fala: Maria Carolina de Jesus. Mas é Carolina Maria de Jesus. Então, a primeira coisa é a gente firmar a existência dessa mulher”, declarou a pesquisadora, lembrando que enfatizar, no título do enredo, o nome de Carolina é um gesto que resgata a existência e a obra da escritora, frequentemente esquecidas na literatura brasileira.

“É preciso tatuar no imaginário popular o nome dela completo: Carolina Maria de Jesus. A palavra tem força”.

Carolina Maria de Jesus, uma das vozes mais singulares da literatura brasileira, emergiu de condições de extrema adversidade para revolucionar o cenário literário nacional e internacional. Publicou sua obra mais conhecida, “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, em 1960. O livro, um diário de sua vida na favela do Canindé, em São Paulo, alcançou um sucesso estrondoso, vendendo 10 mil cópias em apenas uma semana após seu lançamento. O impacto de sua escrita transcendeu as fronteiras do Brasil, sendo traduzido para 13 idiomas e conquistando reconhecimento internacional.

No entanto, como aponta Felisberto, o contraste entre o sucesso estrondoso de Carolina no exterior e a persistente invisibilidade de sua obra no Brasil revela um apagamento estrutural profundo e problemático. “Como é possível o Brasil não conhecer essa mulher e, no exterior, ela estar traduzida para 13 idiomas? Bom, tem algum problema aí. A gente sabe qual é esse problema: o racismo”, afirmou a pesquisadora, que investiga a relação do mercado editorial com a autoria negra e integra o comitê editorial que organiza os manuscritos de Carolina junto à Companhia das Letras.

Na avaliação de Fernanda Felisberto, limitar Carolina Maria de Jesus apenas ao “Quarto de Despejo” é também uma expressão do racismo, que insiste em aprisionar a escritora na narrativa da miserabilidade. “Quarto de despejo se tornou uma camisa de força para Carolina. Mas é só a ponta do iceberg da obra dela”, afirmou.

Para ela, o grande desafio da Unidos da Tijuca será o de revelar ao público outras facetas da autora — a romancista, a poeta, a mulher que escreveu um livro de provérbios e até gravou um LP — e, assim, afirmar seu direito de ser reconhecida em toda a sua diversidade literária e artística.

“A Tijuca, de alguma forma, vai querer mostrar [as outras facetas de Carolina]. Não sei se é uma tarefa fácil para o grande público que abriu a porta do ‘Quarto de despejo’ e não quis mais fechar. Isso também eu acho que é uma experiência do racismo, sabe? Porque é uma experiência de colocar essa mulher negra só na narrativa da miserabilidade”, refletiu.

O que não pode faltar: afeto e maternidade

Questionada sobre o que não poderia faltar no desfile da Unidos da Tijuca no Carnaval 2026, Felisberto não titubeou: “afeto e maternidade”.
“Olham para a Carolina o tempo todo como se ela fosse uma catadora de lixo que escrevia. Ela era uma escritora que catava lixo para sobreviver”, declarou a pesquisadora, que relembrou que a autora começa o livro “Quarto de Despejo” falando do aniversário da filha, Vera Eunice, e que queria comprar um livro.

A pesquisadora rebate ainda a ideia de que o enredo será de lamento: “Isso é reflexo de quem abriu a porta do Quarto de Despejo e não quis sair. O desfile pode e deve mostrar a inventividade, a criatividade e as subjetividades que existem nas camadas populares”.

Carolina e o Borel: cadernos que podem se abrir

Fernanda Felisberto aproximou a trajetória de Carolina da realidade da comunidade do Borel.

“A Carolina é uma representação. Muitas mulheres no Borel têm cadernos guardados em casa, com histórias lindas para contar, mas talvez nem acreditem que o que escrevem é literatura. O projeto literário canônico sempre excluiu essas vozes. Carolina faz uma rasura nesse projeto ao dizer: o que a gente faz é literatura, sim”.

Para ela, o desfile da Unidos da Tijuca pode ter um efeito inspirador: “Tenho fé que muitos cadernos do Borel vão se abrir a partir desse carnaval”.

Frente Parlamentar estuda a criação da Escola Municipal do Carnaval para fortalecer cadeia produtiva do Rio

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A valorização da cadeia produtiva do carnaval esteve no centro das discussões da Frente Parlamentar em Defesa do Carnaval Carioca, em audiência realizada na Câmara Municipal. O vereador Felipe Pires (PT-RJ) apresentou propostas para ampliar a geração de receitas, qualificar profissionais e formalizar contratos via MEIs e pequenas empresas, além de anunciar a criação de uma Escola Municipal do Carnaval, inspirada na experiência recente da Universidade Livre do Carnaval (UniCarnaval), em Maricá.

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

Para Pires, a formalização dos trabalhadores é uma das prioridades da Frente. “Temos muito interesse em que esses profissionais se formalizem como microempreendedores individuais (MEIs). Isso lhes dá uma garantia mínima de previdência social e os protege em casos como acidentes de trabalho. Além disso, permite que as escolas eliminem contratos precários e garantam mais segurança aos profissionais”, disse o vereador, que propôs, em projeto de lei, que até 40% do valor total dos recursos destinados às escolas de samba possam ser utilizados para o pagamento de mão de obra.

Já o vereador Flavio Pato (PSD-RJ) reforçou que a organização antecipada da produção carnavalesca, especialmente com contratos formalizados, tende a atrair mais patrocinadores. “Quando as escolas têm uma programação financeira clara e segura, as empresas privadas se sentem mais estimuladas a investir. Não fica apenas nas mãos da prefeitura, outros entes também podem apoiar a festa”, ressaltou.

Uma das principais iniciativas discutidas é a criação da Escola Municipal do Carnaval, voltada para capacitação técnica e profissional dos trabalhadores que atuam na produção da festa. Felipe Pires explicou que a instituição será inspirada na UniCarnaval, inaugurada recentemente em Maricá.

“Estamos trabalhando muito forte nessa proposta. Nossa intenção é oferecer uma qualificação ampla que permita aos profissionais atuarem não só no carnaval, mas também no teatro, na produção cênica e em outras áreas ao longo do ano. Faremos, em breve, uma visita técnica à UniCarnaval, que já é uma referência aqui perto, na Região Metropolitana. Queremos conhecer de perto esse projeto e identificar boas práticas que possam ser implementadas na cidade do Rio”, destacou Felipe.

A UniCarnaval, inaugurada pela prefeitura de Maricá, é uma iniciativa pioneira que oferece cursos livres voltados à cadeia produtiva do carnaval e da cultura. A escola oferece cursos de gestão e produção e de construção do carnaval (croquis, enredo, fantasias e a parte técnica). O objetivo dos vereadores cariocas é importar o modelo, adaptando-o às necessidades específicas do carnaval do Rio.

Segundo Felipe Pires, a Frente Parlamentar ainda está estudando detalhes sobre a implantação da Escola Municipal do Carnaval. Novas reuniões deverão ocorrer para discutir os próximos passos dessa iniciativa e outras medidas para fortalecer a cadeia produtiva do carnaval.

Edson Pereira aposta em Carolina Maria de Jesus para conduzir a Unidos da Tijuca de volta à disputa do título

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A Unidos da Tijuca vai levar Carolina Maria de Jesus para a Marquês de Sapucaí como protagonista de seu enredo. Para Edson Pereira, carnavalesco da agremiação pelo segundo ano consecutivo, essa escolha carrega consigo um gesto poético e político. “Carolina sou eu, Carolina é você, Carolina são várias que existem no Brasil”, afirma ele, em entrevista ao CARNAVALESCO, realizada na noite de lançamento do enredo.

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Antes de falar sobre o enredo de 2026, Edson avaliou o último Carnaval. Para ele, o saldo foi extremamente positivo, principalmente pela resposta da comunidade do Pavão. “Acho que foi superpositivo, independente do resultado, consegui atingir a comunidade, que esperava por um grande desfile. A Tijuca fez um grande desfile, não sou eu que estou dizendo isso, mas toda a comunidade. Nosso objetivo maior era o resgate da comunidade, da cultura preta dentro da escola novamente”, disse o artista. Em 2025, a escola do Borel levou para a avenida o desfile “Logun-Edé: Santo Menino que Velho Respeita”, resultando na 9ª colocação do Grupo Especial.

Sobre o enredo de 2026, Edson enfatizou o desejo de destacar personagens e trajetórias muitas vezes invisibilizadas. “Carolina sou eu, Carolina é você, Carolina são várias que existem no Brasil. Carolina do nosso povo preto, da mulher negra, da força, da resistência, da sabedoria, do conhecimento daqueles menos privilegiados. Acho que esse enredo vem para mostrar: quem tem valor não se perde”, declarou. Para Edson, a escolha por contar a história da catadora de lixo e escritora é um gesto de reparação que será feito na Marquês de Sapucaí. “Faltava essa homenagem para a Carolina em vida, mas nunca é tarde para a gente recuperar os nossos valores, a nossa identidade cultural. Carolina representa tudo isso e o Carnaval é o maior espetáculo da Terra construído com a inteligência do povo preto. Nada poderia ser melhor do que homenagear Carolina nesse espetáculo”, disse.

Durante o processo de pesquisa, Edson contou que se emocionou com alguns episódios da trajetória da escritora. “Existem muitos mitos que envolvem a Carolina, que são fatos muito pontuais, mas o que mais me deixou emocionado, vamos dizer assim, foi a forma como ela foi tratada diante da burguesia da sua época”, declarou o artista sobre a vida de Carolina Maria de Jesus, que publicou seu primeiro livro, “Quarto de Despejo”, em 1960. Apesar do tratamento que recebeu, ele destaca a dimensão alegre da homenageada.

“Independentemente de ser uma mulher que sofreu muito, ela também era muito divertida, ela também cantava, dançava, se divertia, ela gostava de carnaval — e isso vai estar muito latente dentro do nosso desfile”, projetou o carnavalesco.

Com a sinopse já divulgada, Edson também projetou a expectativa sobre os sambas concorrentes. “Quando a gente começa um novo trabalho, a gente está gestando um outro filho. É um momento de tensão, aquele friozinho na barriga, mas é gostoso porque acho que isso move a emoção do artista e nós conseguimos transmitir a emoção do que a gente está dando plasticidade e fazendo acontecer na avenida”, disse.

Desde sua chegada à escola, Edson tem sido elogiado por dirigentes e componentes. Ele credita esse reconhecimento ao entrosamento com a comunidade do Borel. “Quando o carnavalesco se integra com a música, a comunidade, o casamento é perfeito. A comunidade do Borel, da Tijuca, esperava por um grande desfile e eu consegui entregar isso para eles. Eu sou mais uma peça desse tabuleiro. E eu fico muito feliz de poder fazer parte de tudo isso”, afirmou.

Com enredo e sinopse lançados, a Unidos da Tijuca começará em breve o seu processo de disputa de sambas para 2026. A escola mira, com firmeza e sensibilidade, fazer de Carolina Maria de Jesus um desfile marcante na avenida.

‘Levar quem conhece de samba para ensinar a nossa arte’, Mayara Lima fala sobre viagens internacionais e Reinado no Tuiuti

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Em meio à preparação para o Carnaval 2026, a rainha de bateria do Paraíso do Tuiuti, Mayara Lima, está espalhando o samba pelo mundo. Depois de uma breve passagem pela Argentina, ela passou 20 dias na Austrália divulgando o samba e a cultura brasileira em workshops e apresentações. Orgulhosa de levar sua arte ao exterior, Mayara fez um balanço, ao CARNAVALESCO, de sua trajetória à frente da bateria da escola de São Cristóvão e projeta o futuro como referência para outras mulheres no Carnaval.

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Foto: CARNAVALESCO

“É muito bom poder viajar levando a nossa cultura para o mundo. É uma das coisas que mais amo fazer na vida, e isso me enche de orgulho”, afirmou. Na visão de Mayara, levar o samba para fora também é uma maneira de honrar o legado das mulheres que abriram caminhos no Carnaval. “Trabalhar com uma cultura tão rica, tão viva, é lembrar que ela merece respeito e que é uma grande honra fazer parte de tudo isso”, completou.

Depois de dois dias de workshops em Córdoba, na Argentina, Mayara realizou uma turnê nas cidades de Sydney, Camberra, Adelaide, Brisbane e Sunshine Coast. Para a sambista, ensinar o samba no exterior deve ser feito por quem vive a cultura desde cedo, dentro das quadras das escolas e em um aprendizado passado de geração em geração. “É levar com propriedade a nossa cultura, com lugar de fala, ir lá ensinar o que você vive, com a sua vivência desde que nasceu”, defendeu.

Ela também vê na internacionalização de profissionais do carnaval uma forma de combater a apropriação cultural: “Poder diminuir um pouco dessa apropriação — muitas pessoas vêm pra cá, levam o samba pra lá — e levar, de fato, quem conhece, quem entende de samba, para poder ensinar a nossa arte, a nossa cultura”.

Reinado no Tuiuti

À frente da bateria do Tuiuti desde 2023, Mayara define o reinado como um divisor de águas em sua vida pessoal e profissional. “Viver esses anos à frente da bateria do Tuiuti, eu digo que foram os melhores anos da minha vida, junto com o nascimento do meu filho”, contou.

Ela destacou que o samba não apenas consolidou sua trajetória artística, mas também a transformou como mãe, trazendo ensinamentos aplicados na educação do filho. Reconhecida pelas coreografias que apresenta nos ensaios e desfiles, Mayara ressalta que o maior objetivo vai além da performance: “Estar na frente da bateria do Tuiuti é um grande sonho pra mim, uma grande honra, e representar diversas meninas que também sonham em estar nesse lugar é o mais importante”, finalizou.

Sidclei e Marcella falam sobre responsabilidade, tradição e emoção no ano da homenagem a Rosa Magalhães

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O carnaval é feito de camadas: história, emoção, técnica, ancestralidade e inovação. Dentro desse universo, o casal de mestre-sala e porta-bandeira ocupa um lugar simbólico e decisivo, onde cada gesto carrega o peso de décadas de tradição e o olhar atento de jurados, público e comunidade. Em 2026, Sidclei e Marcella vivem um dos momentos mais marcantes de suas trajetórias, defendendo as cores do Salgueiro em um desfile que presta homenagem a uma das maiores referências da história do carnaval brasileiro: Rosa Magalhães.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Com a responsabilidade de representar não apenas uma escola, mas um legado artístico que atravessa gerações, o casal fala sobre expectativas, pressão por notas, escolhas coreográficas, mudanças no julgamento e o cuidado com cada detalhe que compõe a dança. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Sidclei e Marcella refletem sobre o que significa estar na avenida neste ano tão simbólico.

Antes mesmo de falar em notas, técnica ou fantasia, existe um sentimento que atravessa todo o trabalho do casal: o peso simbólico do enredo e da homenagem. Para eles, 2026 não é apenas mais um carnaval, mas um marco que exige consciência histórica e sensibilidade artística.

“Este ano é muito especial, principalmente por homenagear um grande ícone do Carnaval. A Rosa Magalhães marcou a história do carnaval. É uma responsabilidade muito grande ser o mestre-sala e o casal que vai representar o legado dela. Falar de Rosa Magalhães é contar um pouco da história do samba, do sambista e do próprio carnaval”, disse Sidclei.

Marcella complementa destacando que essa responsabilidade ganha ainda mais força por estar diretamente ligada à escola que ambos carregam no coração. Para ela, o contexto emocional se mistura à técnica, tornando cada ensaio e cada decisão ainda mais significativos.

“Poder fazer isso defendendo as cores da nossa escola, o Salgueiro, que é a nossa escola de coração, e homenagear alguém tão importante, não só para o Salgueiro, mas para o carnaval como um todo, é um privilégio e uma emoção muito grandes.”

Quando o assunto passa da emoção para a competição, o tom muda, mas não perde a profundidade. A busca pela pontuação máxima sempre fez parte da rotina dos casais, mas o atual modelo de julgamento trouxe novas camadas de complexidade. Para Sidclei e Marcella, pensar apenas nos tradicionais 40 pontos já não é suficiente.

“Agora não são mais 40, são 60 pontos. A gente não sabe quais envelopes vão ser abertos, então precisamos encantar seis olhares diferentes, com pensamentos, ideias e percepções diferentes. Apesar de existir um manual e um roteiro, são seis seres humanos diferentes”, afirmou Sidclei.

Essa multiplicidade de olhares exige um trabalho ainda mais estratégico e detalhista. Marcella explica que o casal precisou repensar a forma de construir a dança para que ela fosse completa e coerente, independentemente de qual jurado estivesse avaliando.

“Por isso, nosso trabalho este ano foi ainda mais minucioso, pensado para atender, dentro de um mesmo conjunto, esses seis olhares. Não adianta buscar 40 se você não buscar 60, porque, na nossa visão, todas as seis notas têm a mesma importância”.

Um dos temas que mais gera debate dentro e fora da avenida é a relação entre coreografia e tradição. Para muitos, a palavra “coreografia” ainda carrega um estigma de engessamento, mas Sidclei faz questão de desconstruir essa ideia, trazendo um olhar mais técnico e menos superficial sobre o termo.

“Existe muita confusão em torno da palavra coreografia. Coreografia não é passo marcado ou dancinha. É organização de movimento, com início, meio e fim. Manter a tradicionalidade da dança de forma organizada não tem mistério”.

Marcella reforça que o desafio não está em escolher entre tradição ou inovação, mas em equilibrar as duas coisas de maneira respeitosa e criativa. Segundo ela, o diferencial está justamente nos detalhes que não quebram a essência da dança, mas a valorizam.

“O nosso desafio é trazer essa tradição com algo a mais, com aquela pitada, aquele molho, aquele borogodó que faz a diferença, sempre respeitando, preservando e valorizando a essência da nossa arte”.

Outra mudança significativa no carnaval recente foi a implantação da cabine espelhada de julgamento, que alterou completamente a dinâmica da apresentação dos casais. Para Sidclei, essa mudança eliminou zonas de conforto e obrigou todos a repensarem sua ocupação espacial na avenida.

“A cabine espelhada tirou um certo conforto, não só da gente, mas de todos os casais. Isso acabou deixando a dança mais dinâmica e trouxe mais liberdade de movimentação”, explicou.

Marcella destaca que essa nova configuração exige não apenas técnica, mas preparo físico e mental ainda maiores. A dança passa a ser constante, sem pausas estratégicas, e precisa manter o mesmo nível de entrega em todos os ângulos.

“Agora temos a obrigatoriedade de dançar em 360 graus, para todos os lados da avenida. Quem está em volta assiste à mesma beleza e à mesma dedicação. Isso exigiu um condicionamento ainda maior, porque não existe mais aquele momento de respiro”.

Por fim, quando o assunto chega à fantasia, o casal prefere manter o mistério, mas deixa claro que o figurino carrega um significado especial dentro do contexto do enredo. Mesmo com poucas palavras, a emoção transparece na resposta.

“É uma grande homenagem à nossa mestra”, destaca Marcella.

Rita Lee no coração da Mocidade: independentes celebram a irreverência da homenageada

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O anúncio de que Rita Lee será enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel em 2026 acendeu o entusiasmo no coração dos torcedores. Entre os independentes ouvidos pelo CARNAVALESCO, a escolha da cantora é vista como um casamento perfeito entre a irreverência da artista e a ousadia que sempre marcaram a verde e branco.

Juventude e liberdade

Pedro Mendes, de 20 anos, estudante de Engenharia Química, enxerga em Rita a síntese daquilo que a Mocidade sempre carregou de mais provocador.

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Foto: Marcos Marinho / CARNAVALESCO

“Ela foi e sempre será símbolo de libertação, de igualdade, de mostrar que todos nós podemos ser o que quisermos, mesmo quando a vida tenta nos censurar. A Rita é a cara da Mocidade dos anos 90, quando a escola tinha enredos de delírio, de prazer, de falar livremente sobre nós. Ela pode ser a ponte para nossa estrela voltar a brilhar”, afirmou.

A padroeira da liberdade

Suane Lindomar, também com 20 anos, destacou a potência feminina do enredo.

Suane Lindomar
Foto: Marcos Marinho / CARNAVALESCO

“Acho que vai trazer a vivência da Rita como mulher, como padroeira da liberdade, e a escola precisa disso para se levantar. A Mocidade vai ter a chance de surpreender de novo. Eu mesma acompanhava a Rita em shows, antes de ela falecer. Até hoje escuto suas músicas com amigos e vou trazer esse espírito para o desfile”, disse.

Tradição de enredos femininos

Para Renato Souza, 30 anos, profissional de marketing digital, a escolha da homenageada reafirma uma tradição da escola.

Renato Souza
Foto: Marcos Marinho / CARNAVALESCO

“A Mocidade já exaltou Elza Soares, Elis Regina, Tia Chica… então Rita Lee entra nesse histórico de enredos femininos. Mais que a obra musical, ela representa irreverência, transgressão e ludicidade, características que combinam muito com a escola”, apontou.

A cara do Brasil

Lucas Vasques, 24 anos, assessor da prefeitura, ampliou a leitura sobre a dimensão de Rita para além da música.

Pedro Vasques
Foto: Marcos Marinho / CARNAVALESCO

“É impossível quem é do samba não gostar da Rita. Ela representa a essência do que é o Brasil: cultura nacional, valorização da nossa identidade. Mesmo sem ter sido sambista, Rita é brasilidade em estado puro. Para a Mocidade, isso simboliza diversidade e tradição, valores que sempre fizeram parte da nossa escola”, refletiu.

Um casamento de ousadia

A convergência dos depoimentos dos torcedores mostra como a presença de Rita Lee no enredo de 2026 já mobiliza paixões e esperanças. A irreverência da cantora, seu lugar como símbolo de liberdade e sua ligação com a cultura nacional parecem ter encontrado morada no coração dos independentes.

A expectativa é de que a artista inspire a Mocidade a reencontrar os dias de brilho, com a ousadia que fez a verde e branco escrever algumas das páginas mais marcantes da história do carnaval carioca.