Antes de entrar nos detalhes da análise, é útil ter uma visão geral da plataforma: apostas esportivas, seção de cassino, bônus e suporte ao cliente estão reunidos em um único espaço e interligados por meio da conta pessoal. O acesso e as principais funções no Brasil estão disponíveis no site Aposta Ganha https://apostaganhaa.com.br/, onde é possível acessar rapidamente a seção desejada e conhecer a estrutura básica do serviço.
Interface do usuário e navegação na plataforma Aposta Ganha
Após acessar a Aposta Ganha, o usuário chega à página inicial, com acesso rápido às apostas esportivas, ao cassino, à seção de promoções e ao painel pessoal. O menu principal está localizado na parte superior da tela, permitindo que as categorias desejadas sejam encontradas sem transições desnecessárias.
O cassino está destacado em uma seção independente, com um catálogo de jogos organizado por categorias. Caça-níqueis, cassino ao vivo e outros produtos estão agrupados separadamente, por isso a busca por um jogo específico leva um tempo mínimo. A alternância entre apostas esportivas e cassino ocorre sem a necessidade de nova autenticação.
A seção de esportes apresenta as modalidades e torneios mais populares. À esquerda, é exibida a lista de modalidades esportivas; no centro, a linha de eventos; e à direita, o boletim de apostas. Ao selecionar uma partida, os mercados disponíveis e as estatísticas são exibidos, o que ajuda a avaliar o evento sem precisar alternar entre várias páginas.
Para apostas ao vivo, há filtros específicos. Nesse modo, as cotações são atualizadas em tempo real, e a lista de partidas pode ser classificada por esporte ou horário de início da partida.
A plataforma está adaptada para dispositivos móveis. A versão para smartphones mantém a mesma estrutura de seções do site para desktop. Para usuários de Android, há um aplicativo específico disponível, enquanto os usuários de iPhone podem acessar a versão móvel do navegador com todas as funcionalidades.
A área pessoal contém configurações de perfil, histórico de transações, dados de verificação e ferramentas de gerenciamento de conta. Todas as principais ações, desde recargas via Pix até solicitações de saque, estão reunidas em um único lugar, o que reduz o número de navegações pelo site.
Aposta Ganha Cassino Jogo de Aposta
O cassino ApostaGanha reúne milhares de jogos de dezenas de fornecedores internacionais. Os jogos estão organizados por categorias, por isso é possível encontrar o formato desejado com apenas alguns cliques. Na página de cada jogo são exibidos os parâmetros principais, e o jogo é iniciado diretamente no navegador, sem a necessidade de software adicional.
A maior parte da biblioteca é composta por caça-níqueis. Entre os parceiros da plataforma estão Pragmatic Play, Evolution, NetEnt, Play’n GO, Hacksaw Gaming, Nolimit City e outros estúdios.
No catálogo, é possível encontrar as seguintes categorias de jogos:
Slots de vídeo
Caça-níqueis clássicos
Caça-níqueis com jackpot
Roleta ao vivo
Blackjack ao vivo
Baccarat ao vivo
Programas de jogos com apresentadores
Jogos Crash
Jogos instantâneos
Esportes virtuais
Entre os caça-níqueis mais procurados na plataforma, encontram-se regularmente: Sweet Bonanza, Gates of Olympus, Sugar Rush, Book of Dead e Starburst.
A seção de cassino ao vivo funciona 24 horas por dia. Aqui estão disponíveis roleta, blackjack, bacará e programas de jogos com crupiês ao vivo. Merecem destaque especial os jogos da Evolution, incluindo Crazy Time, Monopoly Live e outros formatos televisivos, nos quais o resultado é determinado em tempo real.
Para os fãs de rodadas rápidas, a Aposta Ganha oferece uma categoria separada de jogos crash. Ela inclui Aviator, Mines, Plinko e projetos semelhantes, com sessões de jogo curtas e jogabilidade dinâmica. Esses jogos ocupam um lugar de destaque no segmento brasileiro de jogos de azar online e estão entre as seções mais visitadas da plataforma.
Aposta Ganha Apostas Esportivas: O Que É Isso?
A seção de apostas esportivas é um fluxo constante de eventos, onde a programação do dia quase sempre começa com futebol. As partidas são anunciadas com antecedência e complementadas mais perto do início, por isso a mesma liga pode aparecer em vários horários diferentes. Dentro de cada evento, é exibido um conjunto de apostas que varia de acordo com o torneio: desde resultados simples até estatísticas por tempo de jogo e ações dos jogadores.
Lista de modalidades esportivas na linha:
Futebol: campeonatos brasileiros, Liga dos Campeões da UEFA, Liga Europa, principais ligas da Europa e torneios internacionais de seleções.
Basquete: NBA, EuroLiga, ligas nacionais dos EUA e da Europa.
Tênis: ATP, WTA, torneios do Grand Slam e chaves de qualificação.
MMA: UFC e torneios regionais de artes marciais mistas.
Automobilismo: Fórmula 1 e séries de apoio.
Beisebol: MLB e campeonatos nacionais da América Latina e dos EUA.
Esportes eletrônicos: CS2, Dota 2, League of Legends, Valorant.
Os formatos de apostas estão reunidos em um único cupom, sem janelas separadas. As apostas simples são feitas separadamente, as combinadas reúnem vários eventos, e o Cash Out permite encerrar a aposta antes do término da partida e garantir o resultado com base na situação atual em campo.
Bônus e promoções da Aposta Ganha
Novos jogadores do Brasil recebem uma oferta de boas-vindas no primeiro depósito: é creditado 100% do valor depositado, na faixa de 20 a 200 BRL. Os fundos são creditados em um saldo de bônus separado e podem ser utilizados apenas na seção de apostas esportivas. Após o depósito, o valor aparece automaticamente, sem necessidade de solicitação manual.
O uso do bônus está sujeito a condições de aposta mínima. Para sacar os fundos, é necessário fazer um determinado número de apostas esportivas com as cotações mínimas estabelecidas pela plataforma. Até que essas condições sejam cumpridas, os fundos do bônus permanecem no sistema e são considerados no cálculo do saldo disponível para apostas.
Além da oferta inicial, a ApostaGanha possui um sistema de status para usuários ativos. O nível da conta aumenta à medida que o volume de apostas cresce e, com isso, mudam as condições de uso da plataforma. Níveis mais altos dão acesso a limites de saque mais elevados, promoções exclusivas e configurações adicionais da conta.
À medida que o status aumenta, surgem também mudanças nos serviços do perfil. O usuário recebe limites ampliados para transações, ofertas personalizadas de apostas e acesso a promoções exclusivas, que não são exibidas na seção geral de promoções.
Elementos do programa VIP:
Promoções personalizadas de acordo com a atividade da conta.
Limites aumentados para saques.
Acompanhamento da conta em níveis superiores.
Convites para eventos exclusivos da plataforma.
Processamento acelerado de solicitações específicas.
Ofertas personalizadas para apostas esportivas e cassino.
A plataforma também lança promoções temporárias relacionadas a jogos e eventos específicos. Elas podem incluir jogos ao vivo com crupiês e mecânicas de jogo específicas, como Aviator e Mines, além de mesas com crupiês ao vivo da Evolution. Na maioria das vezes, essas ofertas estão vinculadas ao calendário de eventos – fins de semana, grandes partidas de futebol ou períodos de alta atividade na linha de apostas.
Suporte ao Cliente na Aposta Ganha
O serviço de suporte da Aposta Ganha opera por meio de vários canais dentro da plataforma e atende às principais questões relacionadas à conta, finanças e apostas. As solicitações são processadas online, sem a necessidade de ligações ou acesso a serviços externos. O acesso ao suporte está disponível no painel pessoal, de onde é possível acessar o chat ou o formulário de contato.
A equipe de suporte atende às questões que exigem verificação dos dados da conta, do histórico de operações ou do status das transações. É dada atenção especial às operações financeiras, uma vez que a plataforma trabalha com o Pix e outros meios de pagamento locais, nos quais a velocidade de processamento depende do banco.
Os usuários costumam entrar em contato principalmente sobre os seguintes assuntos:
Registro e verificação da conta.
Confirmação de identidade e envio de documentos.
Recarga da conta via Pix e outros métodos.
Atrasos ou status de saques.
Recuperação do acesso ao perfil.
Erros ao fazer apostas.
Funcionamento das cotações e cálculo dos ganhos.
Situações controversas relacionadas a cupons de apostas.
Dúvidas sobre bônus e condições de aposta.
Ativação e status do nível VIP.
O suporte também ajuda a esclarecer questões técnicas: carregamento incorreto da página, erros no modo ao vivo, problemas com a exibição das linhas ou falhas na atualização das cotações. Em alguns casos, as solicitações são encaminhadas aos departamentos especializados, caso seja necessária a verificação de transações ou registros de apostas.
Uma seção específica de consultas está relacionada às regras da plataforma. Aqui são esclarecidas as condições das ofertas de bônus, as restrições aos mercados de apostas e os requisitos de aposta para promoções. O usuário recebe uma resposta específica para sua consulta, sem ser redirecionado para fontes externas.
Aposta Ganha: Veredicto
A ApostaGanha concentra-se em duas áreas principais – apostas esportivas e cassino –, sendo que ambos os segmentos estão interligados por meio de uma conta única e de um sistema comum de saldo. A seção de esportes mantém-se alinhada com ênfase no futebol e nas grandes ligas internacionais, enquanto o cassino atende às solicitações relacionadas a caça-níqueis, jogos ao vivo e formatos rápidos, como os projetos do tipo “crash”.
Os pagamentos são realizados por meio de métodos locais, incluindo o Pix, e as operações de depósito e saque são feitas pelo painel pessoal. A plataforma também possui mecanismos de bônus e níveis de atividade integrados, que alteram as condições de acesso a promoções e limites.
Nos cenários de uso, a plataforma se concentra em tarefas básicas: fazer apostas, acompanhar eventos ao vivo, participar de promoções e gerenciar a conta. O suporte atende a questões técnicas e financeiras relacionadas à verificação, transações e regras de rollover.
No segmento brasileiro, a Aposta Ganha ocupa o nicho de um serviço universal, onde apostas esportivas e de cassino estão reunidas em uma única estrutura, sem a necessidade de alternar entre plataformas distintas.
A União de Maricá recebeu, na manhã do último sábado, a visita especial de toda a ala de baianas e da velha guarda ao barracão da escola, na Cidade do Samba, no Rio. Os integrantes tiveram a oportunidade de conhecer de perto o espaço onde está sendo preparado o desfile para o Carnaval 2027. Durante a visita, baianas e integrantes da velha guarda percorreram os diferentes setores do barracão e acompanharam parte do trabalho desenvolvido pelas equipes de produção. Eles conheceram o local onde ganham forma os carros alegóricos, fantasias e demais elementos que comporão o desfile da União de Maricá no Grupo Especial. Além de apresentar o andamento dos preparativos, a ação buscou aproximar ainda mais os segmentos do processo de construção do espetáculo que será levado para a Avenida.
O diretor de carnaval Mauro Amorim destacou que abrir as portas do barracão para esses segmentos representa um reconhecimento à importância de quem construiu as bases da escola. Segundo ele, a presença das baianas e da velha guarda fortalece o sentimento de pertencimento e valoriza a trajetória da agremiação.
“É muito especial receber quem constrói o chão da nossa escola. As baianas e a velha guarda representam a nossa história e merecem acompanhar de perto a realização desse sonho. Esse barracão também é deles porque a União de Maricá só chegou até aqui graças ao trabalho e ao amor dessas pessoas”, disse Amorim.
Responsável pela Galeria da Velha Guarda, Aduni Benton agradeceu à direção da escola pela oportunidade de participar da visita e ressaltou a emoção de acompanhar esse momento da agremiação. Integrante da União de Maricá desde a fundação, ela lembrou da trajetória construída ao longo dos anos e celebrou a nova fase vivida pela escola.
“Quero agradecer ao nosso presidente Matheus Santos por nos proporcionar esse momento tão bonito. Estou na União de Maricá desde a fundação e ver de perto tudo o que está sendo construído me deixa muito feliz e emocionada. É um orgulho enorme fazer parte dessa história e acompanhar o crescimento da nossa escola”, declarou.
A visita integra as ações desenvolvidas pela União de Maricá para aproximar os diferentes segmentos do processo de preparação para o Carnaval 2027. A iniciativa reforça o compromisso da escola em valorizar sua comunidade e preservar suas tradições enquanto se prepara para estrear no Grupo Especial.
Os Doentes da Sapucaí realizaram o evento de lançamento do enredo para o Carnaval de 2027. O bloco irá celebrar “Os Carnavais do Brasil”, promovendo uma viagem pelas diversas manifestações da folia no país. A festa aconteceu no Valentina Bar, localizado na Vila Mariana, bairro conhecido pela vida boêmia na cidade de São Paulo. Entre as atrações da noite, esteve o intérprete do Paraíso do Tuiuti e da Mocidade Unida da Mooca, Pixulé. Um dos grandes destaques do Carnaval de 2026, o cantor interpretou diversos sambas marcantes da história do carnaval carioca e levantou o público com “Lonã Ifá Lukumi”, samba do Paraíso do Tuiuti que fez sucesso no último ciclo carnavalesco. Além disso, a banda dos Doentes da Sapucaí apresentou seu repertório de sambas-enredo cariocas, como é costumeiro em suas apresentações. O CARNAVALESCO acompanhou o evento de perto e conversou com os responsáveis pelos Doentes da Sapucaí para conhecer os projetos do bloco e os detalhes do enredo.
Evento grandioso e expectativa por um grande desfile
O atual presidente do bloco, Marcos Dino Soares, o Dino, exaltou a festa de lançamento do enredo e a presença do renomado intérprete Pixulé.
“Um evento grandioso. A gente trouxe um intérprete que vem se destacando bastante. Ele já era um nome de destaque há algum tempo, mas, no último xarnaval, ganhou ainda mais projeção. É o Pixulé. É uma honra tê-lo aqui com a gente, representando o carnaval do Rio e de São Paulo”.
Dino também explicou como foi definida a temática que conduzirá o desfile do bloco em 2027, uma viagem pelos diversos carnavais e manifestações culturais do país.
“Esse enredo foi definido em conjunto com a diretoria do bloco. Além do presidente, temos mais seis diretores que decidem os rumos do Doentes da Sapucaí. Escolhemos esse tema por causa da importância do Carnaval para o brasileiro. Não quisemos ficar restritos ao samba-enredo; quisemos democratizar essa importância. O Carnaval é uma manifestação cultural de vários sotaques, ritmos, rostos, cores, fantasias e lugares. É um dos eventos mais democráticos do país e representa o povo brasileiro. Assim como, na época da Copa do Mundo, todo mundo se une em torno do futebol, o Carnaval reúne São Paulo, Rio de Janeiro, Anhembi, Sapucaí, Uruguaiana, maracatu, frevo, Manaus, os blocos de rua e o Bumbódromo. O Carnaval é muito mais do que fevereiro. O Carnaval é Brasil”.
Definido o enredo, o próximo passo é a escolha do samba. Nos últimos anos, os Doentes da Sapucaí vêm realizando eliminatórias para definir a obra vencedora. Dino explicou como funciona o processo.
“Daqui a alguns meses, provavelmente entre setembro e outubro, vamos realizar o evento da disputa do samba, embora a data ainda não esteja definida. No nosso caso, não há várias etapas. Fazemos uma disputa menor, inspirada no modelo dos carnavais em geral. Algumas personalidades e entidades ligadas ao Carnaval votam de forma on-line. Enviamos a elas a sinopse e os sambas concorrentes para avaliação. No dia do evento, também contamos com o voto da torcida, pela aceitação popular, além da avaliação de jurados. A soma dessas pontuações define o grande campeão. Adotamos esse formato há quatro anos. Antes, o samba era composto apenas pelos compositores dos Doentes da Sapucaí. Agora, a disputa é aberta. Após o lançamento do enredo, todos recebem a sinopse, compõem seus sambas e os defendem no dia da competição”.
Formato de escola, mas bloco acima de tudo
O enredista Guilherme Cimino afirmou que a proposta para 2027 é apresentar um tema leve e descontraído, respeitando a essência dos Doentes da Sapucaí, que, apesar da inspiração nas escolas de samba, é um bloco carnavalesco.
“A gente, quando começou a pensar no enredo do ano que vem, de 2027, até cogitou outro tema, mais voltado para a história e para a importância cultural do Carnaval, mostrando histórias que a gente não aprende na escola. Mas, de repente, pensamos: ‘Poxa, é um bloco, vamos buscar um enredo mais alegre’. Foi aí que surgiu a ideia de mostrar os diferentes carnavais do Brasil e suas manifestações. No fundo, isso já apareceu bastante na Sapucaí, mas queremos trazer o Carnaval da Bahia, de Pernambuco e de outros lugares, porque a gente também gosta disso. Vamos mexer com as marchinhas, e acho que vai ficar bem legal”.
Apesar de ser um bloco, Cimino ressaltou que a organização do desfile segue o modelo das escolas de samba.
“Nós somos um bloco, mas seguimos muito o modelo das escolas de samba. Temos mestre-sala e porta-bandeira, só não desfilamos com alegorias. Todo ano a gente cogita isso e, quem sabe, neste ano, leve pelo menos um dos nossos bonecos, já que o enredo vai falar sobre o Carnaval e seus símbolos. Também fazemos festa na quadra, samba-enredo e eliminatórias, sempre seguindo o padrão das escolas. Ao mesmo tempo, sabemos que o bloco também é um espaço de diversão, em que as pessoas querem se encontrar para curtir. Por isso, quando compomos o samba, buscamos fazer algo mais enxuto, sem aquele samba enorme que precisa contar tudo. É uma mistura: somos um bloco, mas nossa formação vem muito das escolas de samba. Então, nosso modelo é esse. Não somos um bloco de marchinhas, confete e serpentinas; todo ano temos um enredo e seguimos essa tradição”.
Segundo o enredista, o lançamento antecipado da sinopse é fundamental para orientar os compositores e permitir que as obras sejam desenvolvidas de acordo com a identidade do bloco. Ele também participa do concurso de samba.
“Outra característica do bloco é que, assim como acontece nas escolas de samba, todo mundo participa e ajuda em alguma etapa. Eu também concorro todo ano. No ano passado, o samba foi meu e do meu irmão. Na elaboração da sinopse, a gente procura colaborar porque ela serve justamente para orientar os compositores, indicando um caminho, como acontece nas escolas de samba. Uma coisa acaba ajudando a outra. A gente lança a sinopse cedo, quando ainda ninguém está pensando em compor, e eu tenho essa preocupação de escrevê-la de uma forma que direcione os compositores e ajude a construir um samba com a identidade que o bloco e sua direção desejam”.
Projetos que prometem
Ex-presidente e integrante da diretoria dos Doentes da Sapucaí, Rogério Portos comentou que considera importante manter a tradição das escolas de samba na definição dos enredos e na realização de eventos ligados ao desfile.
“É muito legal a gente seguir essa tradição das escolas de samba de desenvolver um enredo, criar um tema e contar uma história. Desta vez, porém, vamos fugir um pouco do que vínhamos fazendo nos últimos anos, que era contar a nossa história e a história da Sapucaí. Agora vamos expandir um pouco mais e apresentar uma narrativa mais ampla. É isso que vamos anunciar hoje, e acho que vai ser muito legal”.
Ao comentar o enredo “Carnavais do Brasil”, o diretor explicou que a proposta é conectar a Sapucaí às diferentes manifestações carnavalescas espalhadas pelo país.
“Acho que agora a gente vai alinhar um pouco a Sapucaí, sem fugir da nossa origem e daquilo que a gente ama. A ideia é conectar a Sapucaí com os diferentes carnavais que o Carnaval do Rio já retratou. Vamos fazer uma viagem pelo Brasil, contando um pouco da história do Carnaval e tentando reunir tudo isso em um único samba”.
Além dos Doentes da Sapucaí, Rogério Portos também integra o Instituto do Samba, organização voltada ao desenvolvimento de projetos relacionados ao carnaval. Ele explicou a proposta da iniciativa.
“O Instituto do Samba é um projeto que caminha em paralelo aos Doentes da Sapucaí. Sua função é desenvolver iniciativas ligadas ao universo do Carnaval. Um dos projetos que temos é o Sambas Memoráveis, além do Samba Comentado. Todo ano, contamos a história por trás de cada samba-enredo e explicamos os temas que as escolas vão apresentar na Avenida”.
Após ser aclamado presidente do Salgueiro, novamente, para o mandato de 2026-2030, André Vaz falou com o CARNAVALESCO sobre o que representa a renovação de seu mandato à frente da vermelha e branca da Tijuca. Para o mandatário, a permanência no cargo simboliza a confiança depositada por aqueles que vivem o dia a dia da escola.
“Representa muito. Representa a continuidade do trabalho em busca do nosso título tão sonhado, a confiança dos sócios, dos segmentos, dos funcionários e ser o que mais vale é o reconhecimento. Eles confiam no nosso trabalho e a gente tem que retribuir isso tudo aí”, afirmou o presidente.
Ao fazer um balanço de sua gestão até o momento, André Vaz destacou o esforço para reerguer a saúde financeira do Salgueiro. Segundo ele, o ponto de partida foi um cenário de dificuldades que exigiu uma reestruturação profunda para que a escola voltasse a ser competitiva no Grupo Especial.
“É um balanço de recuperação da escola. A gente pegou a escola mal financeiramente e agora estamos chegando em um patamar de poder brigar de igual por igual com as outras coirmãs”, avaliou.
O caminho, no entanto, não foi simples, sendo atravessado por um dos períodos mais desafiadores da história recente do carnaval. “É um processo difícil que teve uma pandemia no meio que ninguém esperava, mas aconteceu. A gente tinha que estar trabalhando ali no dia a dia, mas foi bem difícil”, relembrou.
Foco na décima estrela e confiança no Carnaval 2027
Com o olhar voltado para o futuro, André Vaz acredita que a tão aguardada décima estrela está cada vez mais próxima. Ele credita essa confiança à solidez da equipe atual e à força da comunidade salgueirense, projetando um desfile de alto nível para o campeonato de 2027.
“Eu acho que a gente está bem próxima, porque a gente tem uma equipe consolidada, uns segmentos consolidados, uma comunidade que canta muito, um carnavalesco que a gente confia muito. Esse carnaval que a gente já fez, no meu ponto de vista, a gente já brigou pelo título. É manter isso tudo com esse enredo fortíssimo que a gente conseguiu. Se Deus quiser, vai vir um sambaço, pra gente poder brigar de igual para igual pelo campeonato 2027”.
Parceria na diretoria
Outro ponto destacado por André Vaz foi a composição da chapa ao lado de Dudu Botelho, agora vice-presidente. A relação, que nasceu dentro das dependências da escola, é vista como um trunfo para a nova etapa da gestão.
“Dudu é um amigo que eu conquistei aqui dentro dessa casa, um cara de palavra de homem, um cara amigo e eu tenho certeza que a gente vai somar muito em relação ao Salgueiro aí”, finalizou.
Quase vinte anos. É o tempo que Julinho Nascimento e Rute Alves dançam juntos, e também o tempo suficiente para construir uma linguagem própria, uma lealdade rara e uma carreira que atravessou rebaixamentos, títulos, mortes e recomeços. Para abrir a série “Entrevistão”, o CARNAVALESCO conversou com um dos casais mais longevos do Grupo Especial. Campeões pela Viradouro com 40 pontos no último carnaval, eles chegam à União de Maricá com a missão de abrir o domingo do Especial pela primeira vez em toda a parceria. Nesta conversa, falam sobre o que encontraram no barracão de Maricá, sobre a cabine dupla, sobre a noite em que Julinho soube da morte do irmão minutos antes de entrar na concentração do ensaio técnico e ainda assim entrou. E sobre o que significa, depois de tudo, não ter soltado a mão um do outro.
O sentimento de vocês aqui é o mesmo de quando saíram da Tijuca e apostaram na Viradouro ou tem diferença?
Rute Alves: Não vejo semelhança; as situações, ao contrário, são bem diferentes. Na Tijuca, foi a primeira vez que eu fui demitida de uma escola de samba. Foi um ano trágico, politicamente trágico, que repercutiu e respingou em todo o carnaval. Não tivemos ensaios técnicos nem aporte nenhum da Prefeitura para o carnaval. E resultou naquele desfile trágico de 2017, de vários acidentes, e nós estávamos na escola que teve um dos maiores acidentes. Eu me lembro que a gente ficou quase 40 minutos parados em frente à cabine dupla quando teve o acidente. E a nota foi muito ruim: 9,7. E aí o Sr. Fernando dispensou a gente, com todo o direito. Sempre penso que é a forma que se manda embora e não o mandar embora. Todo mundo tem direito. Assim como um dia ele achou que a gente podia defender da melhor forma o pavilhão, naquele ano, ele achou que a gente não deveria mais defender.
E, antes ainda dessa dispensa do Sr. Fernando, no Sábado das Campeãs, recebi uma ligação do Marcio Moura, na época da comissão de frente da Viradouro, dizendo que o Marcelo Calil, o pai, gostava muito do nosso trabalho e sempre que a gente passava [na avenida] ele estava no camarote e falava: ‘Ainda vou ter esse casal na minha escola’. Saímos de uma demissão com a pior nota entre os casais do Grupo Especial, vencendo um ano trágico e fomos para uma escola que quem estava ali sabia da potência dela, mas quem estava ao redor não. A escola estava no Acesso.
Quando a gente chegou na Viradouro e conversamos com o Marcelo, logo o estar no Grupo Especial já passou a não fazer diferença para a gente. Primeiro, porque a gente já começou com uma estrutura que nunca tinha tido no Especial. Todas as nossas ponderações, tudo o que a gente pediu, ele aceitou. Eu me lembro que falei assim para o Júlio: ‘Não importa para onde a gente vá, mas para onde a gente for, temos que ter uma ensaiadora’. Era só eu e ele, sabe? É muito difícil um casal ir para a avenida sem um ensaiador. E o Marcelo aceitou. Também me lembro que teve uma situação que foi muito chata: alguns casais do Grupo Especial desdenharam da gente em rede social e fizeram live para debochar que a gente estava no Acesso. As pessoas, ao invés de ensaiar, fizeram live para debochar do Julinho e de mim. Mal sabiam eles o quanto a gente estava feliz na Viradouro. Mal sabiam eles o quanto a gente estava sendo respeitado, o quanto a gente estava financeiramente sendo respeitado também, que a estrutura que tínhamos nunca tivemos antes. Tanto que, em nove carnavais na Viradouro, entregamos nota todos os anos. O único ano que não entregamos nota, perdemos um décimo, ainda assim foi o ano que o Júlio teve o problema com o sapato. Nove carnavais dando 30 ou 40 pontos diz todo o resultado e diz sobre o porquê a gente não ter dado esse resultado na Tijuca. E nós saímos tão pela porta da frente na Tijuca que, quando a gente saiu esse ano da Viradouro, o Sr. Fernando ligou querendo que a gente voltasse para a escola. Esse ano nós saímos campeões com 40 pontos. E foi nossa opção sair. Nós não fomos mandados embora. E viemos para uma escola que talvez nove entre dez profissionais queiram vir trabalhar. A Viradouro tinha uma estrutura que não era vista por fora pelas pessoas. A Maricá tem uma estrutura que é vista por todos, e ela está no Especial e vai permanecer no Especial.
Dizem que trabalhar na Maricá é excelente pelo lado profissional e financeiro. É diferente de tudo o que vocês já viveram?
Rute Alves: Ano que vem faço 30 anos como porta-bandeira de carnavais e a Viradouro foi a primeira que me deu estrutura. Isso é inegável. Era o que a gente precisava e, ao longo desses anos, não teve um senão. Penso que, para um casal dar resultado na avenida, precisa de uma estrutura. Tivemos agora uma reunião com os jurados, e o Zikan, que é um dos nossos jurados, levantou essa fala: os casais têm que ter estrutura, ensaiador, preparador físico, pelo que a gente carrega, por todas as demandas que existem. As pessoas pensam que é só no dia do desfile, mas não é só no dia do desfile. É toda uma preparação, e a gente precisa estar bem em toda essa preparação. E a escola que não oferece isso não vai ter casal gabaritando. Não vai ter. Quando a gente veio para cá, falamos tudo o que a gente já tinha e precisava: do ateliê que faz a nossa fantasia, que gostaríamos de continuar. E foi tudo aceito. Em termos de estrutura, o que a gente já tinha na Viradouro, aqui temos também para nós e para a nossa equipe. É impossível não se apaixonar por aquela sala (de ensaios). Porque não é só a sala: a gente precisa de colchonetes, barra, som. O diretor de carnaval não tem como saber o que um casal precisa, e tudo foi dado 100%. Eles querem ver a gente emocionados e felizes. Não é barganha: ‘eu estou te dando para você me dar a nota’. Claro que o resultado final é a nota. Óbvio. Mas é: ‘fique feliz no processo, seja feliz no caminho’. E isso faz muita diferença. Quando o Matheus [Santos, presidente da Maricá], que é a nossa voz maior aqui na escola, faz as reuniões, emana isso: amor. A gente vê que está todo mundo muito comprometido. A gente está indo para voltar no Sábado das Campeãs. Só que a certeza disso a gente só vai ter na quarta-feira de cinzas. Está todo mundo nesse propósito, com amor, com felicidade… cheirinho de casa nova de verdade.
Esse barracão aqui nunca tinha visto uma obra. Ele não fez uma coisa só para entrar, estar e fazer o carnaval. Fez uma coisa para a gente ter dignidade no trabalho. Para todo mundo entrar com prazer e trabalhar com prazer,. Todo mundo tem que estar bem. Não tem como você trabalhar com arte mal. Eu me lembro que eu e Julinho passamos por um processo pessoal em nossas vidas, que a gente rezava, chorava e depois entrava para dançar. Alguma coisa ali dizia que a gente não estava bem. Por mais que a gente fizesse os movimentos quase que à perfeição, a perfeição não existe, tirando o Júlio dançando, alguma coisa passava para quem estava vendo a gente. A gente tem que estar bem, a gente tem que estar feliz.
Enquanto os dirigentes não entenderem isso, enquanto os dirigentes tratarem mal as pessoas… E foi o que foi falado pelo Zikan e que eu fiquei triste: em 24 pessoas, 12 casais, eu fui a única que falei que realmente não são todas as escolas que dão estrutura. Eu podia me calar e não falar nada. Eu sei que hoje se contam nos dedos as escolas que têm estrutura. E hoje, é inadmissível, gente! Uma escola do Especial tem condição de dar estrutura. Por menor que seja, por mais que só tenha a verba de um município. Não importa. Se você for botar na ponta do lápis, contando salário, roupa de quadra, roupa de avenida, preparador, ensaiador, o que se gasta com o casal não chega ao que se gasta com uma alegoria. Mestre-sala e Porta-bandeira ainda assim é o quesito mais barato. É inadmissível uma escola não dar estrutura. E chega a ser burrice, porque o resultado não vem. É um quesito.
Vocês ganharam títulos com a Viradouro e agora vão experimentar abrir o domingo de carnaval com uma escola novata no Especial. Como garantir os 40 pontos que a escola depende de vocês?
Julinho Nascimento: Confesso que a gente está vivendo mais um sonho em nossas vidas, como tantos que já vivemos. A Maricá, com essa sede, é uma escola tão jovem e com uma vontade muito grande de aprender e de mostrar o que o povo de Maricá tem. É mais um sonho. Enxergo lá na frente: vamos abrir um carnaval. Já tivemos a oportunidade de subir (do Acesso para o Especial) com uma escola e ser campeão.
Rute Alves: Nunca abrimos [os desfiles]…
Julinho Nascimento: É agora, de fato, é a primeira vez que, nesses 20 anos juntos, a gente vai abrir um carnaval. Acho que vai ser a realização de um sonho, no sentido do desafio, da expectativa. Temos uma certa maturidade para encarar esse desafio. Ao mesmo tempo, no mesmo sentimento que a União de Maricá, entrar com muita garra, de mostrar um belíssimo carnaval e realizar um grande desfile. Como a Rute já mencionou, a estrutura que a escola está oferecendo não só para nós, mas para todos os profissionais, é maravilhosa. Vamos buscar alcançar esse êxito de gabaritar.
Rute Alves: Eu penso que é ótimo (abrir o domingo). Pela primeira vez, depois de muito tempo, eu vou ter os outros dias de carnaval para curtir. Desfilamos em Belo Horizonte na terça-feira de carnaval, vamos ter o resto do domingo, segunda-feira… É domingo que a gente abre. Deixa a avenida para a gente. Vamos abrir, a gente vai dar licença para quem vem depois.
Vocês gostam de ensaiar super cedo. É mais fácil ou mais difícil acordar e treinar? Como é essa rotina de preparação?
Julinho Nascimento: Entendo que, dentro da atividade física, o corpo de manhã cedo desperta, principalmente para o que a gente se propõe que é a dança. É claro que dois meses antes do carnaval a gente começa a enfrentar uma rotina muito louca de compromissos, e manter essa rotina de manhã cedo é realmente puxado. Para a gente é algo maravilhoso. A Rute não gosta muito, porque, ela tem os motivos dela (risos). Eu adoro atividade física de manhã cedo; sempre pratiquei, sempre gostei. E a dança não é somente atividade física, ela mexe muito com o mental. E a nossa proposta de dança como Mestre-sala e Porta-bandeira não é só mental e físico; é espiritual, tem a ver com essa espiritualidade que envolve o pavilhão. Acordar de manhã cedo e já colocar em prática o nosso trabalho, a nossa arte, para mim, é algo inusitado e maravilhoso ao mesmo tempo.
Rute Alves: (Risos) Primeiro, não sei que espiritualidade é essa de manhã. A macumba eu vou fazer à noite, lá até de madrugada. Eu odeio. Porque não é um de manhã, 8 horas, 9 horas, é 5 horas da manhã. Quando é aqui na sala de ensaio (no barracão) é um pouquinho mais tarde, mas quando é na Marquês, é tipo 5 horas da manhã. Que corpo que está acordando a essa hora? Ele que começou com essa pa-lha-ça-da. (risos) Eu só aceito pelo seguinte: ele tem toda a razão. Não é negócio do corpo acordar a essa hora, não. As nossas ensaiadoras falavam até que a gente alinhava mais quando ensaiava durante o dia. O que é muito importante é o que acontecia nas outras escolas mais em janeiro: quando não tem ensaio agendado, surge muita coisa em cima da hora. Quando você ensaia de manhã, um horário que ninguém ocupa… Ninguém marca gravação às 5 horas da manhã. Às vezes, a gente precisava deixar de ensaiar para poder fazer alguma coisa, e isso é muito ruim. A gente ensaia de manhã e fica com o dia livre. Outro ponto é que a pista é toda para a gente. Fazemos cinco, seis, sete vezes em cada cabine sem preocupação [com o horário]. A noite é muito ruim: você faz uma vez e tem que passar.
Falando em treino, por que muitos casais postam vídeos de treinos físicos e poucos de dança? Para vocês, o treinamento físico prevalece sobre a dança?
Julinho Nascimento: A questão da dança é muito pessoal de cada casal: a quantidade de ensaios, a qualidade dos ensaios; tem alguns que preferem ensaiar com mais qualidade, perto do carnaval, outros preferem a quantidade de ensaios e começar muito cedo. Acho que é muito particular de cada casal. A dança é tão importante quanto a preparação física, mas hoje a parte física é fundamental porque a dança dos casais de Mestre-sala e Porta-bandeira é performática. Porque hoje exige uma expectativa muito grande de performance justamente por conta da mudança que houve, há algumas décadas, da posição do casal lá para frente. Hoje existe toda uma preparação para uma entrada, para apresentar uma parte principal de dança, para uma finalização. O nível de performance exigido do casal é maior. E com as fantasias, o casal tem que se preparar muito bem para suportar esse nível de performance. Hoje existe um amplo processo de movimentação, de dança, que passou a exigir esse preparo. E quando você entrava na frente dos casais, há muito tempo atrás, contavam o entrosamento, contavam o entrosamento, a parte do ensaio, a dança em si. Você dançava; não havia um momento de entrada, de saída. Hoje todo mundo sabe que você tem praticamente o mesmo tempo de apresentação de um outro quesito. A comissão de frente vem junto. Você tem a entrada, tem a saída; você passa praticamente de 2 minutos a 2 minutos e meio se apresentando ali com um nível de exigência alta. Hoje você tem elementos de dança que exigem isso. Quem não cuidar da preparação física, quando chega lá, pode ficar devendo alguma coisa no decorrer do desfile. Acontece o desgaste físico, o peso da fantasia, o emocional, isso tudo vai te desgastando. E quando você vai chegando nas cabines finais, pode ser que o nível de performance pode ser comprometido pela questão física. Nesse sentido, a preparação física começa um pouco antes do que a própria preparação técnica. É por isso que digo que é muito pessoal: tem casais com parceria mais recente, outros com mais tempo. Cada um prioriza o seu planejamento de acordo com a peculiaridade do casal.
Existe reclamação de alguns casais sobre a mudança na dança de casal de Mestre-sala e Porta-bandeira. A Selminha, por exemplo, diz que a dança tradicional está sumindo. O que vocês pensam sobre isso?
Rute Alves: Eu vejo que isso decorre muito do julgamento. Quando um casal gabarita em um ano, a tendência é, no ano seguinte, de todos irem naquilo como se fosse uma receita de bolo. Se tem um movimento mais coreográfico em cima de alguma menção ao samba, à letra ou até mesmo às bossas da bateria, isso foi vindo dos jurados para a gente. E a gente sem uma linha, porque isso não era tão transparente. Uma coisa que eu louvo é a gestão do Gabriel (David, presidente da Liesa). Ficamos muitos anos sem ter contato com os nossos jurados, como se eles fossem extraterrestres e não pudéssemos conhecer o pensamento deles. A gente entra na Avenida para fazer um espetáculo, mas está sendo julgado por certas pessoas. Então, tem que ter uma especificidade direcionada para eles. E como fazer algo direcionado se eu não sei como eles pensam? Se alguém me julga, tira notas, escreve uma coisa, concordando ou não, eu não tenho como questionar, não tenho como entender. Agora, com o Gabriel, temos duas reuniões com os jurados. Ele retirou aquela exigência de balé. Hoje temos ainda jurados do Municipal, sim, mas que são super populares. Eles não julgam a gente com a cabeça do balé clássico. Quando não havia o julgamento transparente, quando a gente não podia sentar e conversar com os nossos jurados, se um casal fizesse alguma coisa, concordando ou não, você, querendo nota, ia na boiada também. E a coisa foi crescendo.
Coreografia todos fazem, desde que você tenha um tempo para entrar, certos momentos para fazer alguma coisa. Há jurados que exigem que você faça alguma movimentação caso caia na bossa da bateria. Eu acho que tem que ter um bom senso de cada casal com a sua ensaiadora, com a sua coreógrafa. Nós não temos coreógrafa; temos ensaiadora. Quem monta as coreografias somos eu e Júlio. A ensaiadora olha e verifica o que está legal para ser visto de frente, porque às vezes a gente monta, mas não está se vendo. Acho que tem que ter um bom senso dos três para fazer as obrigatoriedades, manter viva a tradição e, ainda assim, botar inovação, um algo a mais. Eu sou a favor disso. A gente fala em tradição, mas antigamente, a velocidade dos nossos giros, por conta do andamento do samba e da bateria, era menor; as bandeiras nem abriam. Nós giravamos muito lentamente para vir na cadência. Só que as bandeiras desfraldadas, abertas, exigem velocidade no giro. E antigamente não tinha como, por conta do andamento.
Se fosse assim, a gente tinha que dançar mais lentamente. Não posso assegurar para você, mas acredito que, se hoje um casal dançar como se dançava antigamente, 100% raiz, vai ser canetado também. Até o novo regulamento da Liga tem essa exigência da dança 360º. Antigamente, não tinha. Isso também tira a originalidade da dança do casal? Acho que não. Acho que tem que ter bom senso. O que tem que se manter mesmo é o cortejo, o carinho, o giro para os dois lados, o namoro. O que você for incrementando, o recheio que você for botando ali é super válido.
Qual o balanço de vocês da cabine dupla no Carnaval 2026?
Julinho Nascimento: Confesso que a gente transitou entre momentos de ‘poxa, vai ser legal, vai ser divertido’ e momentos de ‘Oh, meu Deus, o que vai acontecer?’.
Rute Alves: Você transitou. Eu nunca transitei. (Risos)
Julinho Nascimento: Era algo novo. Muitos falavam assim: ‘Vocês casais vão lidar com isso, vão tirar onda, só vão sair da coisa centrada e ter a preocupação de olhar de um lado para o outro’. As pessoas falavam como se fosse simples, mas não é assim. Sabemos que ali estamos sendo avaliados e, ao mesmo tempo, precisamos atender aos dois lados (das cabines de jurados) e ao público. Todos os casais se acostumaram, durante muitos anos, a dançar chapado de frente para o jurado, quase sempre de costas para o lado contrário da cabine. Não é só olhar e sorrir para um lado e para o outro: tem toda uma questão corporal. A gente permeou situações de ‘está bom, não está bom, está ruim, está indo, não está indo, até onde atinge um certo clímax na dança, até onde atinge um lado, o outro’. São perguntas que ficam na nossa cabeça: como o jurado vai interpretar isso? Um vai gostar, de repente não era o momento para o outro. Foi um desafio para todos nós casais, mas eu gostei da mudança. Achei que quem ganhou mais foi o público. Porque ali em frente à cabine dos jurados é um momento tão gostoso do desfile, no qual acontecem as apresentações de comissões de frente, dos casais, da bateria, e o público aguarda esse momento. E a gente conseguiu se dividir para os dois lados da pista com a mesma intensidade. Foi muito legal. Graças a Deus a gente alcançou as notas. Um balanço bem positivo.
Rute Alves: Eu juro que em nenhum momento eu achei legal. Em nenhum momento eu gostei. Eu nunca transitei. (risos) Fiquei muito revoltada. Quando teve a reunião, a primeira, eu não pude ir, estava trabalhando, falei: ‘Achei péssimo. Como vai ser isso?’. E ficava ainda mais péssimo quando chegavam pessoas da comissão de frente e bateria dizendo que para o casal não ia mudar nada. Claro que muda. E aí, não é defendendo o meu peixe, mas para o casal é que mais muda. O casal tem a obrigatoriedade de apresentar a bandeira. E você vai apresentar só para um jurado e não vai apresentar para o outro? A apresentação vai ter que ser pocket, porque você está perdendo tempo de samba. Não digo ‘perdendo’ com desrespeito, porque o momento mais importante é a apresentação do pavilhão, mas a gente só apresentava para um lado. E agora tem que apresentar para os dois. Sempre se dizia: ‘não pode ficar de costas para o jurado, principalmente o Mestre-sala’. E como desmistificar isso? Agora pode, porque num dos momentos, você vai estar de costas para o jurado. E outra: não existe isso de ser para agradar o público. Se fosse para o público, seria obrigatório nas três cabines. E é só em uma (no caso, no momento de apresentação para as cabines espelhadas). O público das outras cabines não precisa ver? Achei muito equivocada essa mudança com essa fala de que era para o público. Se fosse, tinha que ser em todas as cabines. Tanto que nós mantivemos a mesma coreografia nas três cabines.
Passado o susto, não que eu tenha passado a adorar, para mim normalizou. E deu super certo. Saiu até em um canal do YouTube que filma todos os casais dizendo que nós, desde o início, fomos o casal que mais entendeu a cabine espelhada. Mas não foi fácil. Até sair os 40 pontos: será que foi isso mesmo? Será que acertamos? Porque uma coisa é a gente sair da Avenida satisfeitos; outra é satisfazer quatro pessoas. Até sair a quarta nota, a gente ler as justificativas e entender os comentários e os prêmios… Aí a gente acertou. Ainda assim, a coreografia deste ano não pode ser repetida no próximo ano. Tirou o pavor do primeiro momento, mas temos que acertar novamente. Agora vai ser o medinho. No passado foi o pavor.
Rute, qual a sensação quando elogiam a sua dança mais aguerrida? O que sente quando exaltam essa sua garra na dança?
Rute Alves: Louvando o nome de Maria Helena. Essa minha garra veio dela. Minha maior ídola. Tenho respeito a todas que vieram antes de mim; peço licença às minhas ancestrais, mas a minha ídola é ela. Eu danço por ela. Na época dela, não tinha nada disso: ela fazia a fantasia dela, ela descia o morro com a fantasia dela, ia para a Avenida de Kombi, chegava ali e entrava. Então, a gente com preparador, com água, com hotel, com maquiador, não pode entrar ali e fazer menos. Quando ainda me veem com a dança aguerrida, eu falo: ‘Estou imitando ela direitinho; estou louvando o nome da minha maior ídola’.
Julinho, o momento do ensaio técnico quando você soube que seu irmão tinha falecido foi o pior da sua carreira? Como foi para se concentrar e por que não quis ir embora e preferiu ensaiar?
Julinho Nascimento: Não sei exatamente de onde me veio a força (para ensaiar). Acho que eu e a Rute ficamos tão entregues à nossa arte, ao nosso trabalho, ao nosso compromisso um com o outro, com o nosso pavilhão, com a nossa escola, que às vezes a gente só vai entender algumas atitudes depois, porque a gente está tão levado por essa magia. Só depois que a gente vai ter uma ideia. É mágico demais. O que aconteceu com meu irmão foi uma prova muito grande. Na hora, quando recebi a notícia, foi um baque. Estava chegando à concentração com minha família, ligaram e avisaram no viva-voz o que tinha acontecido. Foi uma gritaria dentro do carro. Foi algo que pegou todo mundo de surpresa.
Eu só tinha sentido isso com o meu pai, há muitos anos… E quando fui me dar conta, eu pensei: ‘Calma. Tenho que acalmar todo mundo aqui’. Acalmar minha irmã, meus filhos… E a Rute chegou logo depois e falou comigo: ‘Não, amigo, vai para casa, vai resolver as coisas’. Eu que sou um cara centrado, estava atordoado. Pensei: ‘Cara, meu irmão era do carnaval; ele não iria admitir que eu deixasse de passar na avenida num momento tão importante como o ensaio técnico e que o motivo fosse ele’. Ele não iria querer isso. Se ele estivesse acamado, adoentado, ele ia falar para mim: ‘Vai lá, faz o teu papel, arrebenta e faz o seu melhor. Eu estou aqui torcendo por você’, como ele sempre esteve. Naquele momento, foi Deus que me tocou no meio daquilo tudo e me veio: ‘Não, eu vou passar; meu irmão vai vir comigo; é o que ele gostaria que eu fizesse; vou fazer por ele, e depois daqui eu vou resolver. Porque agora eu não vou conseguir resolver nada. Não adianta sair daqui correndo; eu só precisava contar para minha mãe, e isso seria depois. Segurei na mão da Rute e disse: ‘Amiga, a gente vai passar por você, pela nossa bandeira, pela nossa escola, pela nossa arte’. E dali, acho que Deus me deu força e eu segui. Expliquei aos meus filhos que depois do ensaio técnico a gente ia resolver as coisas. A gestão da escola (Viradouro) me perguntou se eu queria parar e sair para resolver, eles foram muito humanos, muito solícitos, eu falei que iria honrar minha dama, minha porta-bandeira, meu pavilhão. É o que o meu irmão gostaria. E lá no Setor 1, na concentração do ensaio técnico, a Rute me puxou para o meio da ala das crianças que veio atrás da gente e disse: ‘Tio Julinho está triste. Ele precisa de amor, ele precisa de abraço’. Enfim, são muitas coisas que a gente já passou juntos. Ela é minha irmã de alma, de dança, de vida. E sempre houve essa síntese nossa, de parceria, de irmandade. Ali, acho que eu pedi muito ao meu irmão que ele viesse comigo, que com todo o respeito ao momento que ele estivesse, ele me ia dar forças. E depois ia resolver o que precisasse ser resolvido. A preocupação era a minha mãe, que ninguém da família contasse para a minha mãe antes de eu chegar com a minha irmã para conversar com ela. E isso foi só depois do ensaio. E veio uma chuva naquele ensaio. Foi Deus, não foi da forma que eu gostaria, mas Deus ali me sinalizou com fortaleza, com algo que eu não esperava ter. Meu São Jorge, aqueles que me protegem, que me regem, me conduziram. Sei o quanto esse momento é importante para a gente. Pedi muito a Deus que nada me tirasse do foco. Acho que fizemos um grande ensaio técnico. E ali meu irmão mostrou para mim que a gente ia vencer. É algo que eu vou carregar para mim. Amo meu irmão.
Julinho, como é ser parceiro da Rute? Dizem que ela fala mesmo. Como vocês mantêm a união e ainda debatem sobre o trabalho?
Julinho Fonseca: É como todo relacionamento: nós somos seres humanos, somos diferentes. Personalidades diferentes, maneiras diferentes de enxergar as situações. Por mais que algum momento houvesse atrito, nunca foi por ‘mal caratismo’, por safadeza um com o outro, por traição. Esse tempo todo juntos mostrou para nós o quanto a gente é importante um para o outro. Até nas questões pessoais, o quanto cada um tem para contribuir na vida do outro, seja da maneira que for, no momento que Deus quer.
O amor de verdade, a parceria e a amizade é você aprender a conviver com aquela pessoa, com aquele ser humano que tem defeitos como qualquer outro, como eu tenho, e aprender a lidar com isso, agarrando essa pessoa, com unhas e dentes, para não deixar que nada separe essa amizade. Não é à toa que os Deuses do carnaval nos uniu, e vamos para 20 anos de parceria. A Rute é a maior Porta-bandeira com quem eu já dancei. A Vilma Nascimento é a minha madrinha; ela está lá no lugar dela e ponto final, todo mundo sabe quem é. Mas estou falando da minha relação com a Rute, que foi construída entre nós. Eu não a conhecia, ela também não me conhecia, e a gente construiu e consolidou uma vida e uma parceria juntos. Então eu posso dizer, de boca cheia, que eu tenho a melhor Porta-bandeira do mundo; uma amiga, uma irmã, que está comigo para o que der e vier. Ela com todo o gênio que ela tem, e graças a Deus que ela tem, porque se ela chegou onde chegou é justamente por ser quem ela é, do jeito que ela é. E a troca que a gente tem, sabe? A gente nunca solta a mão um do outro. Não solta.
Tenho plena confiança de que ela nunca soltaria minha mão, como ela sabe que eu nunca soltaria a mão dela. E isso supera qualquer rusga. Os ensinamentos que Deus nos tem dado ao longo desses 20 anos só irão fortalecer e consolidar essa parceria. Estamos aí para realizar mais um sonho juntos: 20 anos de parceria e uma escola que tem menos tempo do que a gente de parceria, e a gente unido a ela para marcar essa parceria de uma maneira muito intensa. O que eu sinto hoje é que Deus conduziu a gente até aqui, e não vai ser por acaso—eu tenho certeza que a gente vai ser muito vitorioso juntamente com a Maricá.
Rute Alves: Eu te amo!
Julinho Nascimento: Também te amo!
Rute, você considera o Julinho o melhor mestre-sala?
Rute Alves: Julinho é! Com todo o respeito a todos os outros, sou muito fã da dança do Daniel, sou fã do Matheus. O Felipe é muito bom, gosto muito da dança dele, mas, para mim, não tem ninguém que chegue aos pés do Júlio. Não tem, não tem, não tem. O Júlio é um dos melhores seres humanos que eu conheço. E tenho certeza que se o mundo conhecesse o Júlio, o mundo ia achar o Júlio um dos melhores seres humanos do mundo.
A gente tem divergências, às vezes, de montagem de coreografia. Mas um nunca foi infiel com o outro. Um nunca foi infiel com o outro. E Júlio é meu irmão mesmo. Foi um casamento mágico. Daqui a pouco não seremos mais um casal de Mestre-sala e Porta-bandeira.
Julinho Nascimento: Quem é, nunca vai deixar de ser.
Rute Alves: A gente pode não estar mais dançando, mas a gente vai continuar sendo irmãos. Tanto assim que, como eu falei, a gente até abriu mão de estar no grupo especial para poder ficarmos juntos. A parceria era mais importante.
E um fato que eu sempre faço questão de falar para dimensionar o caráter, a grandeza, a nossa parceria: quando o segundo filho do Júlio nasceu, a então esposa teve um problema; precisou ficar internada. Na época o Wilsinho era o nosso presidente na Vila Isabel e deu um valor para o Júlio para ajudar no hospital. E aí, graças a Deus, o Pedro teve alta, a mãe do Pedro também teve alta, ficou tudo bem. E sobrou um dinheiro daquilo, e o Júlio queria dividir comigo.
Isso é muito real: os casais brigam muito por causa de dinheiro. Há Mestres-sala que traem Portas-bandeira por causa de dinheiro, e Portas-bandeira que traem Mestres-sala. A gente nunca entrou numa reunião sozinho para conversar qualquer coisa relacionada ao nosso trabalho sem que o outro estivesse lá. Lealdade, honestidade.
Julinho Nascimento: E acho que o grande plus nosso é isso: a gente transmite essa cumplicidade quando está dançando.
Julinho, o que você sente sendo considerado o melhor mestre-sala?
Julinho Nascimento: Cara, eu me sinto honrado, lisonjeado. Mas eu não sei, de verdade, se sou o melhor mestre-sala. Isso é a perspectiva das pessoas, de algumas que acompanham o carnaval. Eu procuro encarar com naturalidade, não deixar isso subir à cabeça, porque o ego às vezes pode trair a gente. A gente tem vaidade, sim; a gente trabalha para buscar o melhor.
Mas, principalmente, é entender que se eu sou o melhor mestre-sala, é porque alguém me faz ser o melhor mestre-sala. E esse alguém é a minha porta-bandeira que está lá carregando o meu pavilhão. Ela proporciona isso, ela me permite isso, ela me puxa a orelha quando tem que puxar. Eu tenho uma irmã e tenho uma mãe, tenho uma amiga, parceira, vaidosa também, e que tem que ser sim, pelo posto que ela carrega, pela responsabilidade que ela tem. Então, se dizem que sou o melhor mestre-sala, é porque tenho a melhor porta-bandeira, que me faz o melhor mestre-sala. Porque a dança é do um para o outro e do outro para o um.
E pelo outro lado: eu prometi ao meu pai, no seu sepultamento, que um dia seria considerado um grande Mestre-sala, um grande sambista, mas acima de tudo um grande sucessor dele. E acho que é isso que me leva a respeitar os outros grandes Mestres-sala com que já tive o prazer de dividir a avenida, e com que ainda divido… Cara, há mestres-sala maravilhosos desfilando hoje. Então, eu divido com eles essa responsabilidade e esse legado que eu trago comigo.
Para vocês, o que vocês ainda gostariam de realizar na carreira de Mestre-sala e Porta-Bandeira?
Rute Alves: No momento, é ajudar a minha escola, a Maricá, a voltar no sábado das campeãs. No topo. No momento é isso. Depois da quarta-feira de cinzas, do sábado das campeãs, vai mudar, mas no momento o que me falta é isso.
Julinho Nascimento: É, acho que é realizar o sonho de enfrentar esse grande desafio juntamente com a Maricá, que vem com essa proposta de chegar ao grupo especial. Essa jovem escola, com vigor muito grande, e a gente poder se realizar junto com ela, pelo desafio de abrir o carnaval, depois de tanto tempo, com a responsabilidade que é abrir um carnaval no grupo especial do Rio de Janeiro. E dali, deixar caminhos abertos para que os outros casais também façam grandes desfiles.
O Carnaval de São Paulo já começa a ganhar forma para 2027 e o público tem papel decisivo nessa construção. Está no ar a enquete que vai eleger o melhor enredo do Grupo Especial, reunindo as propostas que prometem embalar a Avenida no próximo desfile. São histórias de fé, ancestralidade, cultura popular, religiosidade, brasilidade e muita criatividade, marcas registradas das escolas paulistanas. Agora, a decisão está nas mãos do público: qual enredo mais te emociona, representa e tem força para brilhar no Sambódromo do Anhembi? A votação vai até o dia 3 de julho.
Os enredos do Grupo Especial – Carnaval 2027
Mocidade Alegre — “Sete anos de mar, sete léguas de encanto: A nau que venceu o diabo sob a bênção do manto sagrado”
Gaviões da Fiel — “É Noite de Gira na Casa de Ogum”
Dragões da Real — “Sob as Bênçãos de Xangô, a Coroação do Príncipe Reinaldo”
Acadêmicos do Tatuapé — “Congo Kinshasa – O Coração da África, a Herança Viva de um Povo que Resiste ao Tempo”
Barroca Zona Sul — “Elekô Obá Xirê – A Força da Mulher que Não se Curva”
Tom Maior — “Eu Sou o Pão da Vida”
Estrela do Terceiro Milênio — “Incrível, Fantástico, Extraordinário”
Mocidade Unida da Mooca — “Modupé, Cardeais!”
Império de Casa Verde — “Sob o Céu do Interior Brilha o Sonho Caipira: Jaguariúna, a Capital Country do Brasil”
Camisa Verde e Branco — “Ajuruetês – O Voo da Terra Brazil”
Colorado do Brás — “Ojuara, o Homem que Desafiou o Diabo”
Vai-Vai — “3 Obás de Xangô – A Mãe Bahia em Cantos, Cores e Memórias”
Acadêmicos do Tucuruvi — “Ògbóni Ògbáni”
Pérola Negra — “Sem Vacilar, Sem Me Exibir, Sou Jovelina Pérola Negra”
Agora é com você: participe da votação e ajude a escolher o enredo que mais representa a força criativa do Carnaval paulistano rumo a 2027!
O mestre Fábio Américo tem a responsabilidade de comandar a bateria “Ritmo Responsa”, da Colorado do Brás, substituindo o mestre Acerola de Angola, que permaneceu na agremiação por quatro carnavais. Recentemente, Fábio esteve afastado, mas acumula passagens pela X-9 Paulistana e pelo Morro da Casa Verde, além de ter auxiliado outros mestres como diretor de bateria. Em seus últimos trabalhos, deu para notar que a identidade das orquestras de Fábio preza pela cadência e, de acordo com ele, o andamento será entre 146 e 144 BPM (batidas por minuto), confirmando que essa realmente será a característica. O líder da “Ritmo Responsa” conversou com o CARNAVALESCO e comentou diversas questões a respeito do seu novo trabalho.
O mestre Fábio Américo exaltou a recepção da comunidade da Colorado do Brás e destacou a satisfação de retornar à escola, onde já teve passagem como diretor de bateria.
“A recepção foi muito boa. Há um grupo excelente participando do projeto, e esperamos alcançar um grande resultado. Temos muito trabalho pela frente. Assumir a Ritmo Responsa da Colorado do Brás é uma honra e um motivo de orgulho. Já temos uma história na escola de alguns anos atrás e, agora, estamos retomando essa trajetória. Vamos dar o nosso melhor, se Deus quiser”, disse.
Reencontro com o presidente Antonio Ka
Fábio também relembrou sua trajetória na agremiação e revelou a longa amizade que mantém com o presidente Antônio Carlos Ka.
Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO
“Fui diretor na Colorado ainda em 2004 e exerci a função em duas oportunidades, trabalhando com os mestres André Luiz e Clodoaldo. Tenho uma relação muito próxima com a diretoria da escola. O Antônio Carlos Ka, atual presidente, chegou a ser nosso ritmista nos tempos de X-9 e Tucuruvi. Estudamos juntos no Camisa Verde e Branco e compartilhamos muitos anos de convivência. Hoje, ele como presidente e eu como mestre nos reencontramos para trabalhar juntos novamente. É uma amizade de mais de 30 anos, construída com muito respeito, carinho e honra”, contou.
Identidade da bateria
Ao falar sobre o trabalho que pretende desenvolver na Ritmo Responsa, Fábio afirmou que a expectativa é imprimir sua identidade na bateria até o fim do ano. Segundo ele, a permanência de diversos ritmistas da própria escola tem sido um fator importante nesse processo de construção.
“O mais interessante é que há muitas pessoas da própria casa que permaneceram e seguem contribuindo com a bateria. Vamos intensificar esse processo para imprimir cada vez mais a nossa identidade na Ritmo Responsa. Acredito que, até dezembro, a bateria já estará com características bem marcantes da nossa forma de trabalhar. A nossa ideia é iniciar o desfile com andamento de 146 para manter 144 durante o restante do desfile”, afirmou.
Entrosamento com Léo do Cavaco: revelados no mesmo local
Sobre a parceria com o intérprete Léo do Cavaco, o mestre destacou a longa convivência entre os dois e ressaltou que a sintonia construída ao longo dos anos facilita o desenvolvimento do trabalho na Colorado do Brás.
“Eu e o Léo somos amigos há muitos anos. Nossa história começou na X-9 Paulistana, escola onde fomos criados. Ele era ritmista, assim como eu, e construímos uma trajetória muito parecida. Tive o prazer de tocar para o Léo cantar na X-9 em 2022, meu último ano na escola. Já existe uma sintonia muito grande entre nós. Compartilhamos inúmeros shows e viagens pelo Brasil, o que fortaleceu ainda mais essa parceria. Por isso, esse trabalho na Colorado acontece de forma muito natural. Agora, chegou o momento de colocarmos toda essa sintonia em prática na avenida”, concluiu.
Enredo: Ciata, a mãe preta do samba Compositores: Claudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antonio Simas
Brilhou no meu olhar o espelho de Oxum
Cantou o primeiro galo na tez da manhã
Rezei pro infinito Olorum
Ao sabor do Omolokum
Na batida do Ogã
Sou mandingueira da velha Bahia
Da Gamboa à Saúde rodei no terreiro
Saberes que não vão pra academia
Meu filho, sobram no meu tabuleiro
Poeira sobe, o cenário muda
Deus nos acuda, do “Bota-Abaixo”
Que esta cidade não se meta à francesa
Ela é preta na beleza até a raspa do tacho
Bota dendê! Bota dendê! camará No caruru do erê No acarajé de Oyá Quem vai querer? Quem vai querer? camará Um mugunzá de colher Doce de coco e manjar
Na esquina do Ouvidor
Um apontador vai rabiscar
A justa enquadrou uma yaô do Alabá
Pro Chefe da folia e do choro
Carnaval é Rei de Ouros
Candomblé é resistência
O batente acabou eu vou
Tentar salvar a Excelência
Nesse terreiro de macumbeiros, artistas
Poetas e jornalistas, ó gente bamba
Sou de massemba, Yabassê,
Tia Ciata
Mãe baiana do Tuiuti e do samba
Sou Yalodê, Yalodê Orô Sou Yalodê, Yalodê Orô Firmo ponto riscado Meu quilombo chegou Firmo ponto riscado O Quilombo do Samba chegou
Para ter uma comunidade engajada, o pertencimento se mostra como um ponto essencial. Durante o “Samba Enrena”, realizado no Renascença Clube, no Andaraí, a enredista Josyane Almeida e o pesquisador e compositor Claudio Russo afirmaram ao CARNAVALESCO que o fortalecimento do vínculo entre componentes e os enredos é fundamental para que os integrantes se reconheçam nas histórias contadas na Avenida e se tornem parte da narrativa apresentada pela escola. Sambas como “Lonã Ifá Lukumi” e “Quem tem medo de Xica Manicongo?” não bateram recordes nas plataformas de streaming nem se popularizaram entre torcedores da noite para o dia. Isso é fruto de um trabalho de pesquisa que aprofunda a relação entre a comunidade e os enredos defendidos a cada ano. Segundo Claudio Russo, enredos que se comunicam com histórias e desejos da comunidade são cada vez mais necessários e impulsionam um bom desempenho na Avenida.
“O carnaval é muito diferente do que era há vinte anos. Um dos pontos principais é que o carnaval, que antes era uma cultura hegemônica, passou a ser uma cultura de gueto. Então a gente tem que fortalecer o gueto. Se você for ver bem, cada escola sai com, em média, um pouco mais ou um pouco menos, três mil pessoas. Não tem mais ala comercial. Aquelas três mil pessoas que vão por livre e espontânea vontade precisam estar inseridas no projeto e entender a história que vão contar, porque estão lá, no caso da Tuiuti, toda segunda-feira ensaiando. Se elas não se identificarem com as histórias, vai ser muito ruim fazer o desfile”, explicou.
Para isso, o diálogo com a comunidade do Tuiuti tem sido cada vez mais próximo e tem assumido um processo didático. Os enredistas fazem um evento de explanação dedicado à comunidade, no qual explicam cada frase, conceito e a importância de cada personagem e cenário trazido no enredo, bem como o porquê de terem sido escolhidos, a fim de aprofundar o pertencimento e a garra dos componentes. Para 2027, quando levarão para a Sapucaí a história de Tia Ciata, matriarca do samba, não será diferente.
“Através dessa dinâmica que eles apresentam na quadra, como uma audição ou até mesmo uma aula de canto, eles vão passando conhecimento para a nossa comunidade, que é o mais importante. Acredito que a grande maioria ali não sabia da importância da Tia Ciata. Com esse ato tão humilde e tão grandioso deles, sentando, explicando e tendo paciência, conseguem transmitir esse conhecimento. Eu sentia falta disso no carnaval. As escolas simplesmente lançavam o samba, o componente tinha que se virar para aprender e muitas vezes nem sabia o que estava cantando. Diversas vezes vimos componentes dando entrevistas sem conseguir explicar o que estavam cantando ou qual era o enredo. Acho que o Tuiuti vem fazendo isso hoje, e todas as escolas deveriam fazer. Ninguém é obrigado, mas é muito importante o componente conhecer a história que está sendo contada”, defende Josyane.
A enredista e presidente da escola mirim Netinhos do Tuiuti ressalta que o fato faz diferença na relação dos componentes com cada história contada e ganha um contorno ainda mais profundo ao dialogar com o apagamento da história negra do Brasil.
“A gente sabe que a história dos negros foi apagada dos livros de história. O que você encontra hoje é que os negros foram escravizados, sofreram e foram açoitados. Mas e a história de sucesso dos negros? Como eles chegaram aqui? Como nasceu o samba? Como nasceu a capoeira? Isso não aconteceu de um dia para o outro. Existe uma história, um contexto, vidas, choro, lágrimas e sangue. Quando você tem uma pessoa como Cláudio Russo disponível para explicar isso, tudo fica muito mais fácil. As pessoas acabam entendendo as suas origens, de onde vieram e o contexto da sua vivência. Isso é muito importante”, ressaltou.
Mais uma vez, o Tuiuti segue sua tradição de pensar um samba bem alinhado à sinopse e à proposta de carnaval, conduzido por um time coeso de compositores-enredistas. Segundo Russo, a dupla jornada oferece uma visão mais profunda sobre a mente dos compositores e, por outro lado, traz uma abordagem mais poética e lúdica à sinopse, de forma intencional.
“Eu acho que ajuda muito porque, sendo enredista, pesquisador e compositor, eu entendo o que um compositor quer ler. Vou ser muito sincero: temos possibilidade de fazer doze grandes enredos, mas, se não for lúdico, poético e envolvente para o compositor, não vai resultar em um grande samba. Não adianta fazer uma tese de mestrado ou doutorado. O compositor precisa entender. Se a sinopse for excessivamente intelectualizada, ele não vai compreender, porque ela precisa alcançar todos. Não apenas a imprensa, os possíveis jurados ou a intelectualidade do Rio de Janeiro e do Brasil. Ela tem que alcançar todo mundo. Como enredista, sabendo qual é o olhar e o ouvido do compositor, eu tento fazer algo mais poético, trazer uma narrativa mais bonita para a sinopse. Não é apenas despejar informação e colocar nota de rodapé. Isso não fala ao coração do compositor”, avaliou.
Neste ano, o trabalho alcançou um nível ainda maior de integração: Claudio Russo conta que o samba foi escrito simultaneamente à sinopse do enredo, assim como os desenhos das fantasias, feitos por Renato Lage.
“O presidente Thor pediu para mim e para o Simas pensarmos em enredos. Ele sempre fala que já tem dois caminhos em mente e costuma refletir bastante sobre os enredos. Conversou também com o Renato e marcamos um encontro três dias antes. Foi nesse momento que surgiu a ideia desse arco narrativo. Eu escrevi um pequeno texto, e ele foi aprovado imediatamente naquele jantar. Esse pequeno texto acabou se tornando o embrião da sinopse e do samba”, concluiu.
A eleição para a presidência do Império Serrano, que seria realizada neste domingo, foi suspensa pela Justiça pela segunda vez. A nova decisão, proferida nesta quinta-feira pela 28ª Vara Cível da Capital, determina a suspensão de qualquer assembleia eleitoral, contábil ou deliberativa relacionada à escola de samba, impedindo a realização do pleito e proibindo novas convocações sem autorização judicial.
Na decisão, a Justiça entendeu que os atos questionados apresentam fragilidades e que havia risco de consolidação de situações consideradas irregulares, optando por manter o atual cenário até nova deliberação do Judiciário. Com isso, além da suspensão da eleição prevista para este domingo, a escola também fica impedida de convocar novas assembleias enquanto não houver autorização expressa da Justiça.
Esta é a segunda interrupção do processo eleitoral do Império Serrano em menos de um mês. A primeira eleição estava marcada para o dia 7 de junho, mas também foi suspensa por decisão liminar após ação ajuizada por Paula Maria.
Na ocasião, o presidente do Conselho Diretor em exercício, Valdemir dos Santos Lino, informou que cumpriria integralmente a determinação judicial, embora discordasse dos fundamentos apresentados na ação. Em nota, afirmou que a autora integrava o Conselho Diretor da escola e que sua inelegibilidade decorreria de regras previstas no Estatuto Social, relacionadas ao exercício de função pública e aos requisitos estatutários para participação na eleição.
O dirigente também sustentou que o edital de convocação da Assembleia Geral de Eleição foi publicado em jornal de circulação e afixado no quadro de avisos da agremiação, defendendo que todos os procedimentos observaram os princípios da publicidade e da transparência.
Até o momento, não há definição sobre uma nova data para a realização da eleição. A nova decisão judicial estabelece que qualquer futura convocação dependerá de autorização da Justiça.