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Série Barracões: “Vamos ter diferentes Grandes Rios no mesmo desfile”, promete Antônio Gonzaga

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No barracão da Grande Rio, o mangue não é cenário, é origem. É dali, da lama entendida como potência, que o carnavalesco Antônio Gonzaga constrói o desfile sobre o movimento manguebeat para o Carnaval 2026. Ao transformar o manguezal em manifesto de vida, periferia e criação cultural, a escola de Duque de Caxias aposta em um enredo que atravessa música, identidade e reflexão social, conectando as margens de Recife às margens da Baixada Fluminense.

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Foto: Matheus Vinícius/CARNAVALESCO

“O manifesto está presente no desfile todo. Não de maneira panfletária ou tão explícita. O manifesto é a mensagem geral do movimento manguebeat. A partir do momento em que estamos retratando as populações de margem, suas potências, as maneiras como elas levantam a possibilidade de uma nova construção social, já estamos levantando essa bandeira”, afirmou Antônio Gonzaga.

Da lama ao mundo

Antes de pensar em alegorias ou impacto visual, Antônio Gonzaga voltou às origens do movimento que inspira o enredo. O manguebeat não aparece como produto fonográfico, mas como desdobramento de um caldo cultural anterior, enraizado nos festejos populares de Recife e de Pernambuco.

“Foi descobrir, de fato, de que maneira esses festejos populares formam a base do movimento manguebeat e influenciam não só a estética, mas também a singularidade do movimento. Então, descobri essa relação dessas festas populares com o resultado final de Nação Zumbi, de Mundo Livre S/A, de que maneira essa música ganha o mundo”, revelou.

A partir dessa investigação, o desfile se organiza como um percurso: das manifestações tradicionais à consolidação de um movimento cultural que projetou artistas pernambucanos para além das fronteiras regionais. O foco não está apenas na música, mas na engrenagem social que a sustenta.

Gonzaga também estabeleceu um paralelo entre as periferias de Recife e as do Rio de Janeiro, aproximando o manguebeat das dinâmicas culturais da Baixada Fluminense. Se o manifesto manguebeat nasceu da lama pernambucana, o desfile propõe que essa mesma força estética e política encontre eco na Baixada. A margem deixa de ser apenas ponto de origem e passa a ser afirmação coletiva na Marquês de Sapucaí.

Pluralidade como assinatura

Antônio Gonzaga define o desfile como um projeto de múltiplas identidades visuais, estruturado para evitar repetições e criar deslocamentos constantes na Avenida.

“É um desfile plural em termos de linguagem. Vamos ter diferentes Grandes Rios no mesmo desfile, e isso é um ponto muito positivo. É um desfile ousado e desafiador para mim como artista”, disse.

A mudança de atmosfera é assumida como estratégia narrativa.

“Passou um carro, já muda completamente a linguagem. Você vai conhecer uma outra vertente do movimento manguebeat.”

Cada setor assume identidade própria, acompanhando as diferentes fases do movimento. Na abertura, por exemplo, a combinação entre roxo e vermelho já estabelece uma visualidade específica, ligando espiritualidade e vitalidade ao manguezal. Ao longo do desfile, cores e composições sinalizam essas transições, conduzindo o público por registros distintos sem romper a unidade do enredo.

Nova cara na Grande Rio

O projeto marca o primeiro desfile de Antônio Gonzaga como carnavalesco da Grande Rio. Após atuar em parceria com André Rodrigues na Portela, ele assume o comando criativo da escola de Caxias, substituindo a dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad.

Ao falar sobre a mudança, Gonzaga destacou a singularidade do processo criativo de cada artista.

“São propostas visuais diferentes, porque também acho que a proposta visual faz sentido com o artista que está criando. Obviamente, trabalhei com os dois [Bora e Haddad], mas também tenho minhas outras vivências. Isso influencia diretamente no meu trabalho, mas também é uma visualidade fiel ao enredo, ao que ele pede e propõe. O manguebeat é o enredo da Grande Rio — e a Grande Rio vai apresentar uma nova cara”, declarou.

Antromangue: reflexão e futuro

O percurso construído ao longo do desfile encontra síntese no conceito de “antromangue”, desenvolvido por Chico Science nos últimos anos de vida. A ideia propõe uma conexão profunda entre homem e natureza, entendendo o manguezal não como paisagem, mas como organismo integrante e integrado ao ser humano.

No último setor, essa imagem retorna como reflexão social. A relação entre raízes, território e corpo humano ganha dimensão simbólica, ampliando o sentido político do enredo.

“Entendendo a periferia como potência. As pessoas que vêm da periferia transformam não só o espaço onde vivem, mas também a perspectiva de sociedade — uma perspectiva política de construção de um mundo melhor”, disse.

O fechamento retoma o ponto de partida do desfile: a margem como origem de criação e transformação. Ao conectar o mangue de Recife às periferias da Baixada Fluminense, a Grande Rio encerra a narrativa reforçando a ideia de que a lama é terreno fértil de cultura, identidade e projeto coletivo.

Conheça o desfile

A Grande Rio levará para a Avenida um projeto composto por:

25 alas

5 alegorias

3 tripés

Cerca de 3.000 componentes

1º Setor

“O desfile da Grande Rio começa com a chegada a esse grande manguezal, encontrando essas raízes. Retratamos as raízes do mangue como se fossem veias, entendendo que ele é uma fonte de vida, de onde essa energia vital pulsa e vibra. É um setor em que encontramos os animais do mangue, os homens de lama e essas raízes-veias. Trabalhamos o tempo todo com as cores roxo — porque pedimos licença a Nanã, senhora dos manguezais e da lama — e o vermelho, trazendo a vida, o sangue. Essa abertura é roxo com vermelho.”

2º Setor

“É onde encontramos as populações que vivem às margens desses grandes manguezais e rios: catadores de caranguejos, pescadores, lavadeiras. Depois mostramos a vida que levam. Trazemos representações das palafitas, do urubu como símbolo da própria incerteza da vida. A alegoria resume esse grande setor: é essa ‘Manguetown’, a cidade dos mangues.”

3º Setor

“É o setor em que trazemos a representação dos festejos populares de Recife. Essas manifestações culturais são raízes da cultura pernambucana e mostram de que maneira isso se torna o movimento manguebeat. O carro alegórico apresenta uma transição entre dois momentos do desfile, trazendo a simbologia dos maracatus e a representação da cultura de Pernambuco.”

4º Setor

“É o próprio manguebeat através de seus atores principais: mangueboys e manguegirls. Representamos Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, a expansão do movimento para o cinema, o teatro, a dança e as artes visuais. Fechamos com uma homenagem a todos esses nomes que fizeram o manguebeat ser tão importante para a cultura nacional.”

5º Setor

“No último setor, a reflexão social a partir do conceito de antromangue, apresentado por Chico Science. Nos últimos anos de vida, ele trabalhava essa conexão profunda entre o homem e a natureza, entendendo essa relação com as raízes do manguezal como um corpo só. Usamos essa imagem para pensar uma sociedade mais justa, mais livre e que olhe com mais cuidado para as periferias — entendendo a periferia como potência. Pessoas que transformam não só o espaço onde vivem, mas também a perspectiva de sociedade, uma perspectiva política de construção de um mundo melhor. Fechamos com esse olhar mais social.”

Mangueira realiza tradicional entrega das fantasias das crianças com festa no barracão

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A Estação Primeira de Mangueira entregou as fantasias das crianças que vão representar a escola na Avenida no próximo Carnaval. Como já é tradição na gestão da presidente Guanayra Firmino, o momento foi marcado por uma grande festa, com brincadeiras e comidas para os pequenos.

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Foto: Divulgação/Mangueira

“Eles já esperam por esse momento durante todo o ano”, diz a presidente. “São crianças mas defendem o nosso pavilhão com um amor de gente grande que, não raro, aprendem em casa através de muitas gerações. Muitos deles aqui se educam, crescem e permanecem”, conclui.

A Mangueira tem uma longa tradição de manter uma Ala das Crianças na agremiação. Levadas por mães, tias, avós, parentes diversos, elas praticamente desde sempre estiveram incluídas no carnaval da Verde e Rosa. Relatos de meninos e meninas que, com medo da polícia ou da fiscalização, escondiam-se debaixo da saia de antigas baianas, são ainda hoje extremamente comuns entre componentes mais antigos da escola.

Fundada em 1987, a Ala das Crianças é um dos muitos legados que Dona Neuma deixou para a Verde e Rosa. A Ala das Crianças deixou de desfilar na escola no final da década de 2010, por conta de medidas judiciais que inviabilizaram sua presença nos desfiles. Mas o retorno aconteceu a partir do desfile de 2022.

Série Barracões: Salgueiro traz carnaval saído das estantes de Rosa Magalhães para Sapucaí

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A poucos dias do carnaval, o Salgueiro abre as portas para o CARNAVALESCO e mostra o esplendor de iluminação cênica, brilho e movimentos que levará para a avenida em homenagem à mestra Rosa Magalhães. A escola saudará o legado da professora com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira e pelos enredistas Leonardo Antan, Alan Barbosa e Ricardo Hessez.

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Carnavalesco Jorge Silveira
Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Memória” é a palavra-chave para o que será posto na avenida — a começar pela decisão de homenagear a carnavalesca, que faleceu em 2024, motivada pela recordação afetiva do presidente André Vaz, que foi presidente de ala nos anos em que Rosa trabalhou na escola. Filha da Revolução Salgueirense difundida por Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, e responsável por carnavais de glória da escola nos anos 1990, o desfile é uma forma de trazer Rosa “de volta para casa”.

“Nós tínhamos algumas possibilidades de enredo, a gente estava trabalhando em cinco outras propostas. E quando eu digo trabalho, é pesquisar mesmo, desenhar. A gente estava realmente desenvolvendo outras ideias. E aí, quando aconteceu o sorteio e o Salgueiro foi consagrado como a última escola a desfilar, era o argumento necessário para conversar com o presidente e entender a importância de usar esse momento para fazer essa grande homenagem. E ele, de pronto, aceitou e entendeu. Ele tinha grandes memórias da época em que era presidente de ala no Salgueiro, quando Rosa era carnavalesca, e tinha uma memória afetiva da relação com ela. Entendeu de imediato a relevância e a importância de o Salgueiro falar desse tema, especialmente porque Rosa nasce artisticamente no Salgueiro. Ela construiu uma carreira linda em diversas escolas, contribuiu com o legado de várias agremiações. O principal período dela é na Imperatriz Leopoldinense, com vários títulos, mas ela é filha da Revolução Salgueirense, do Arlindo e do Pamplona. E depois volta a ser carnavalesca do Salgueiro em 1990 e 1991. Quando ele entendeu esse vínculo, esse elo, imediatamente se criou o sentimento de que era como se ela voltasse para casa. Poder voltar para o local onde começou a trajetória e como seria bonito construir essa última imagem do Carnaval prestando essa homenagem. Foi dessa maneira que a gente entendeu que Rosa era o nosso caminho e acho que foi a decisão mais acertada que tivemos”, contou o carnavalesco.

Representar a carnavalesca nesse desfile, além do saudosismo para sambistas e salgueirenses, é também reverenciar a memória pública. A professora doou seu acervo de desenhos para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que disponibilizou ao público cerca de 5 mil desenhos de autoria da carnavalesca. Esses documentos foram base da pesquisa desenvolvida por Jorge e seu time de criação, servindo de referência visual para as obras de Rosa. O carnavalesco destaca a importância da valorização dessa memória.

“É fundamental que a gente eternize essa memória. Ela faz parte de um momento do Carnaval de construção de imaginário. Ela nos ajudou, literalmente, como diz a letra do samba, a amar a festa. Acho fundamental que a gente se debruce sobre essa memória, que não deixe isso cair no esquecimento, porque não existe Carnaval no Rio de Janeiro sem pensar o legado de Rosa — nem para o passado, nem para o presente, nem para o futuro. Hoje temos uma geração inteira de profissionais diretamente influenciados pela estética dela, pela sua lógica de construção e de contar histórias. Em última análise, penso que, como estamos falando de memória, o carnavalesco tem por função contar histórias. Fazer fantasias e carros alegóricos é obrigação; saber contar histórias é a narrativa principal do carnavalesco. E Rosa foi a maior contadora de histórias da história. Num universo extremamente machista, dominado por homens, ela ensinou todo mundo como se contam verdadeiras histórias. E ganhou de todos eles”, destacou.

Na pesquisa do acervo iconográfico de Rosa, um fato curioso. Todo o material disponibilizado pela UERJ foi baixado pelo enredista Leonardo Antan e, por uma lacuna nos arquivos, eles tiveram acesso a uma preciosidade que deu um tom ainda mais emocional à homenagem.

“Nós tivemos o carinho de ter contato com cada um desses desenhos para poder mergulhar no universo criativo dela com as referências que criou. E aí, curiosamente, na pesquisa, os anos que faltavam — que não tinham documentos visuais — eram exatamente 1990 e 1991, os dois anos em que Rosa foi carnavalesca do Salgueiro. Eu não tinha desenho nenhum que me ajudasse a contar esse pedaço. Faltavam essas figurinhas no meu álbum. No começo do ano, fizemos uma celebração para Rosa na quadra, um tributo a ela. E, nesse dia, as pessoas que cuidam do patrimônio dela encontraram, na casa dela, as pastas que guardavam os desenhos desses dois anos. Esses desenhos chegaram para nós no dia do tributo. Foi muito emocionante, porque pudemos ter contato com as aquarelas originais da Rosa, não só com os arquivos digitais da UERJ, mas com os desenhos físicos. E eram justamente os que faltavam para completar o arquivo visual da pesquisa. Muitas coisas têm acontecido e acho que isso nos marca de maneira muito afetiva”, contou.

Raphael Vidal GRES Academicos do Salgueiro
Foto: Raphael Vidal/Salgueiro

Da vasta gama de signos visuais do universo criativo de Rosa Magalhães, o mais lembrado é o luxo. Em sua passagem pelo Salgueiro, em 1990 e 1991, o refinamento característico da carnavalesca levou a escola a outro patamar, com um terceiro lugar e um vice-campeonato. Para 2026, Jorge garante que o requinte da professora estará presente na avenida, com materiais e técnicas reconhecíveis ao público.

“A ideia do luxo e do requinte permeia o desfile todo, fantasias e alegorias. Eu recriei algumas texturas que a Rosa levava para a avenida. Estou utilizando materiais clássicos que ela usava no áureo tempo dela. Até um bordado chamado ‘bordado de Barra Mansa’, feito à mão, estou utilizando nas fantasias. O público vai identificar muito claramente as texturas, o grafismo, a estampa de onça, os desenhos medievais, as simbologias, tudo que ela impregnava no traço estará presente como forma de textura”, compartilhou.
Relembrar Rosa também é lembrar que ela era a única carnavalesca que se misturava aos brincantes e desfilava fantasiada em sua própria criação, de forma discreta, em algum carro alegórico. Jorge garante que essa marca estará presente, mas em segredo.

“Vai sim, mas vou deixar em segredo para surpreender o pessoal. A Rosa vai estar presente com a gente. Ela está no dia a dia conosco, pode ter certeza disso. E no desfile estará muito bem representada”, disse.

Como homenagem aos carnavalescos em atividade na Sapucaí, “alunos” de Rosa, há um lugar especial reservado no último carro, em um momento que promete emocionar ao encerrar o Carnaval 2026. O convite também foi feito à carnavalesca do Arranco do Engenho de Dentro, do Grupo Ouro, Annik Salmon.

É impossível falar de Rosa sem falar da representação feminina no Carnaval. Com poucas mulheres no cenário, a folia sofreu perdas impactantes com o falecimento de Rosa, seguido pelos de Márcia Lage e Maria Augusta em curto espaço de tempo. Hoje, Annik Salmon é a única mulher carnavalesca na Marquês de Sapucaí. Para Jorge, ela é fundamental para a homenagem e para que as escolas atentem aos talentos femininos.

“Ela acabou se tornando a última. Infelizmente, porque precisamos que haja muitas mais. Espero que esse olhar sobre a Rosa seja importante para as escolas quebrarem preconceitos, abrirem possibilidades para novas profissionais e para que outras meninas se encorajem com a história dessa grande mulher e encarem o barracão como seu lugar de criação, de direito. O olhar feminino é sagrado, especial e agrega muito ao Carnaval”, afirmou.

Ygor Gusmao GRES Academicos do Salgueiro
Foto: Ygor Gusmão/Salgueiro

Jorge Silveira garante que, em um ano de enredos de homenagem, o trunfo de exaltar Rosa Magalhães é a emoção e o pertencimento dos amantes do Carnaval, já que sua memória e trabalho perpassam a identidade contemporânea da festa.

“O desfile se propõe a buscar a emoção. Quando falamos de memória, falamos de algo que nos pertence. É um ano de grandes homenagens, vários personagens sendo exaltados. Talvez o que nos diferencie é que estamos falando de um símbolo universal. Todos nós que amamos o samba e sentamos na arquibancada fomos educados pela obra dessa senhora. E quem não tem conexão com ela, simplesmente não tem conexão com o Carnaval”, declarou.

Entenda o desfile

Levando para a avenida a “delirante jornada carnavalesca” de Rosa Magalhães, o Salgueiro desfilará com cinco carros alegóricos, dois tripés e 3.300 componentes.

O desfile se debruça sobre o universo criativo da carnavalesca, partindo da “biblioteca de Rosa”, já que seu ponto inicial de criação era “devorar” livros sobre os temas abordados. Jorge Silveira e Leonardo Antan reforçam que não é um desfile biográfico, mas um olhar afetivo e de memória sobre sua jornada, reverenciando signos visuais e referências estéticas sob o traço de Jorge.

O Salgueiro levará à avenida maior imponência e interatividade. Os carros terão iluminação cênica, efeitos especiais, como fumaça saindo de dragões, camas elásticas ocupadas por acrobatas do Circo do Marcos Frota e movimentações inspiradas em Parintins, feitas por equipe do boi Caprichoso.

O abre-alas terá 70 metros de comprimento, ocupando integralmente o Setor 1 da Sapucaí.
Entre os símbolos reconhecíveis estarão querubins, ornamentos rococós, misturas de estilos, personagens de carnavais assinados por Rosa, realezas — com referências às escolas em que trabalhou (Vila Isabel, Imperatriz e Império Serrano) —, o universo lúdico infantil, deslocamentos e a natureza brasileira.

Setores

Setor 1
“Salgueiro abre seu desfile entrando na biblioteca da Rosa, convidando o público a reencontrar a memória afetiva dos seus carnavais. Cada pedaço do enredo é um fragmento dessa grande biblioteca”.

Setor 2
“O segundo módulo é o setor das cortes, onde apresentamos Rosa dedicada ao universo da realeza e da nobreza que tantas vezes representou”.

Setor 3
“É o universo literário, com enfoque especial na literatura infantil, que ela muito bem representou”.

Setor 4
“Temos uma Rosa viajante, mostrando como viajamos pelo mundo sem sair do lugar com seus enredos”.

Setor 5
“Rosa nos ensinando a amar o Brasil por meio da natureza”.

Setor 6
“Rosa nos ensinando a amar os movimentos estéticos que pensaram a brasilidade”.

Setor 7
“Encerramos convidando Rosa a retornar ao Acadêmicos do Salgueiro, numa grande festa em vermelho e branco, sendo recebida de volta à academia do samba onde nasceu artisticamente para o mundo”.

Série Barracões SP: Barroca Zona Sul investe no dourado para exaltar Oxum

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Em 2025, o Barroca Zona Sul fez história com o samba-enredo “Os Nove Oruns de Iansã” – vencedor do ESTRELA DO CARNAVAL [concedido e organizado pelo CARNAVALESCO] na categoria em questão. O desfile, entretanto, foi marcado por uma série de incidentes – que culminaram na décima segunda colocação, a primeira acima da zona de rebaixamento, com a mesma pontuação da instituição que caiu com a melhor colocação. Agora, sétima e última escola a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial de São Paulo, a agremiação apresenta “Oro Mi Maió Oxum”, sobre outra orixá. Buscando sempre informações sobre as escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO entrevistou Pedro Alexandre, popularmente conhecido como Magoo, carnavalesco do Barroca.

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Surgimento da ideia

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Ao falar sobre como veio o estalo para exaltar Oxum em 2026, Magoo destacou que haviam outras tantas propostas na mesa: “A gente, assim como acontece com todas as escolas, nunca chega para nós uma proposta só de enredo. A gente tinha umas quatro, cinco propostas. A linha que a gente queria seguir, porém, já era uma certeza. E a gente começou a analisar os prós e os contras de cada um. Daí foi natural: foi uma coisa de consenso da nossa diretoria. Na hora de escolher, eu falei, que esse era o melhor caminho e já surgiram ideias. Só aí que nós batemos o martelo”, comentou.

Trauma?

Outros pontos que veio a favor da temática sobre Oxum foram os problemas que aconteceram com a Faculdade do Samba no último ano: “Como a gente queria esquecer o Carnaval de 2025 por conta do que aconteceu, a gente não ficou remoendo, pensando nas coisas do ano passado. Já começamos bem cedo o planejamento. Daí, em cima disso, eu já comecei com o trabalho de pesquisa. Escrevi o enredo, comecei a desenhar fantasias, desenhar carro, escrevi sinopse. Já comecei o processo de criação e tudo fluiu. Deu certo, etapa por etapa. A comunidade gostou para caramba – e está dando certo”, comemorou.

Histórias e amores interligados

Ainda citando o marcante desfile de 2025, Magoo começou a falar qual o fio condutor (ou melhor, os fios condutores) da apresentação deste ano: “No ano passado, a gente focou em uma história e desenvolveu todo o enredo em cima de uma história – nos nove oruns de Iansã. Nesse ano, de Oxum, você começa a pesquisar com uma coisa em mente e, à medida que vai descobrindo, você percebe qual o melhor caminho a seguir – por isso é tão importante o trabalho de pesquisa. Foram várias histórias muito legais que, no final, se interligam. Na verdade, o nosso enredo é um compilado de histórias, de feitos de Oxum – que, no final, tem uma única mensagem: Oxum é amor”, revelou.

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A mensagem sentimental segue: “Oxum amou intensamente seu povo. Oxum teve os seus amores: o principal foi Oxóssi, quem ela amou intensamente; assim como o filho, Logun Edé. Tudo que envolve Oxum tem o amor por trás. A gente seguiu essa linha e vai contar várias histórias, feitos, poderes e qualidades de Oxum – mas, no fundo, todas se interligam e têm a mesma mensagem”, comentou o carnavalesco.

Pesquisa

De acordo com o próprio, foram duas as principais fontes de pesquisa do carnavalesco: “Eu gosto bastante de mergulhar em livros, me debrucei em vários livros. Mas teve um papel fundamental do pai Douglas, que cuida da parte espiritual do Barroca Zona Sul. Ele tem um conhecimento muito grande e ele mostrou um vasto material, trabalho de pesquisas e histórias. Ele me apresentou, também, pessoas que são filhos de Oxum. Eu fui juntando a parte literária com esse trabalho de conversa, que foi muito, muito valioso. A participação do pai Douglas nesse processo foi fundamental”, destacou.

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A apresentação barroquense de 2025, mais uma vez, foi citada quando Magoo destacou qual foi a principal dificuldade ele pra produzir a apresentação do ano vigente: “A dificuldade foi a inicial, já que sair de um enredo falando de Iansã e, praticamente, uma semana depois, virar a chave para falar de Oxum, ver que Oxum e Iansã são totalmente diferentes, são linhas totalmente diferentes… para você desligar de um tema para o outro, no começo, eu demorei um pouquinho. Mas, depois que já memorizei, eu assimilei mesmo o enredo e o tema proposto para 2026. Daí deu para dar uma deslanchada”, afirmou.

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O carnavalesco também falou sobre qual ponto mais o impressionou ao pesquisar e conversar com filhos da entidade: “O que mais me chamou atenção na pesquisa foi a complexidade dessa orixá. Quando a gente fala de Oxum, a gente lembra sempre do básico: é a senhora das águas doces, do ouro, da fertilidade. Mas têm outras qualidades em Oxum – como ser a primeira das feiticeiras yamis: ela aprendeu e tem o dom da cura com água fria. Ela tinha o poder da feitiçaria, ela se transformava em pássaro – e, embora ela seja ligada à água, ela conseguia voar na transformação da encantaria. Tem muitas histórias que eu nem imaginava de Oxum, que eu descobri através dessa pesquisa, que a gente colocou no enredo e está bem interessante”, comentou.

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Cronologia

Uma das grandes características de Magoo é o de não setorizar os desfiles que produz. Ele próprio explicou como será, dessa maneira, a passagem do Barroca Zona Sul pelo Anhembi em 2026: “Eu, particularmente, nunca gostei de fazer enredos divididos por setores. Eu sempre faço introdução, desenvolvimento e conclusão, sempre divido mais dessa forma. A gente começa o nosso enredo falando já de histórias, mesmo. A gente já vai no ponto: a comissão de frente já é uma história, a Ala das Baianas já vem contando outra, o abre-alas é uma outra história. A gente já começa com alguns itens do começo de Oxum, as primeiras histórias, as mais antigas, a origem dessa orixá. Daí, passando esse primeiro setor, como todo mundo popularmente chama, já começamos a falar dos seus amores carnais mesmo: o envolvimento dela com Ogum, com Xangô, e principalmente Oxóssi, que foi o seu grande amor. Depois, finalizando, a gente já começa com outras qualidades: batemos muito na tecla da fertilidade, da maternidade e o amor dela pelo filho, Logun Edé. A gente finaliza com o amor materno, o amor de mãe”, ratificou.

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De manhã

A última vez que o Barroca Zona Sul fechou uma noite de desfiles foi em 2015, quando militava na terceira divisão do Carnaval paulistano – hoje, tal pelotão é o Grupo de Acesso II da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP); mas, na época, era o Grupo I da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP). No Grupo Especial, 2026 será o primeiro ano em que a Faculdade do Samba encerrará uma noite de desfiles – nos anos de 1994, 1983, 1979 e 1978 a agremiação foi a penúltima a desfilar nas respectivas noites, quando só havia uma data para o pelotão de elite das agremiações paulistanas.

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O desafio de fechar uma noite de Grupo Especial para o Barroca Zona Sul é evidente, mas Magoo garante que a verde e rosa está preparada: “O Barroca não está acostumado a desfilar nesse horário. Mas, plasticamente, vai mais na pesquisa de material. Você tem que fazer o material todo finalizar, trazer a luz do dia como aliada. Cores cítricas, fortes, muito espelho para refletir, muito ouro – e, ainda o enredo ajuda: Oxum, a orixá do ouro. Teremos muito ouro. Essa escolha de material é um dos nossos pontos altos. Paralelo a isso, o pessoal de quadra, de Harmonia, o pessoal da diretoria, da Comissão de Carnaval, está fazendo alguns trabalhos com os chefes de ala, com o pessoal da escola, com estratégias. Todos sabem, o Barroca é lá no Jabaquara, é longe. A estratégia, desde a saída da quadra para vir para cá, a qualidade dos componentes, tudo é uma novidade. Tudo está sendo feito com meses e meses de antecedência”, destacou.

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O trabalho desenvolvido para um horário especial, é claro, faz com que a agremiação tenha diferenciações das coirmãs: “É uma percepção, claro, mas todo o nosso trabalho foi preparado para desfilar de manhã. A gente vai montar os carros alegóricos, e não vamos ter aqueles recursos de luz. Você vai ter escolas fazendo aqueles testes de luz maravilhosos, mas, na questão de material, teremos muito espelho, muita água, muito material no ouro, muitas coisas de acetato. Coisas que refletem bastante no dia. O ponto alto vai ser quando bater o Sol de manhã e chegar a gente com aquela empolgação. Aí sim vocês vão ver o Carnaval do Barroca, que foi todo preparado para bater a luz do dia e acontecer”, prometeu.

O desfile já pela manhã, é claro, também vai impactar na cromia da Faculdade do Samba: “Você vai ver o ouro praticamente na escola inteira. Tem cores, claro, mas sempre tem detalhes em ouro, em todas as fantasias, em todos os carros. É a cor é o que vai predominar. A gente usou materiais diversos na fantasia: pedrarias, muita coisa de pingentes e chapeados, até trabalho com bijuterias. Oxum é da vaidade, a gente tem que ter joias – e esse tipo de material foi legal e diferente, foi um trabalho de pesquisa diferente. Está sendo muito, muito legal, mesmo. A gente vai mostrar um trabalho legal na avenida”, afirmou.

Comunidade esperançosa

Ao ser perguntado sobre como os barroquenses receberam o enredo, Magoo destacou, mais uma vez, a diferença que as temáticas de 2025 e 2026 tiveram no Jabaquara: “É inevitável não fazer um comparativo entre 2025 e 2026. No ano passado o começo, por incrível que pareça, foi normal – mas foi crescendo, crescendo e tomou uma proporção gigante. A cada ensaio, a cada festa, a cada dia, tudo aquilo foi crescendo – e virou, por exemplo, o samba do ano no Estrela do Carnaval. Em 2026, a gente teve já uma aceitação imediata: o pessoal já comprou o samba-enredo do Barroca Zona Sul de 2026 – tanto é que o pessoal pegou o samba mais fácil em 2026 do que em 2025, por incrível que pareça. O que eu vejo de diferente é que foi uma coisa linear: não teve aquela coisa de começou baixo e foi crescendo, ele já chegou em um nível e foi – e a gente está nesse nível aí: a aceitação da comunidade foi, do começo até agora, a mesma”, comentou.

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A comunidade, por sinal, também foi motivo de um recado bastante especial do carnavalesco: “Embora eu defenda a parte plástica e artística, o Barroca é o povão, é paixão e é o ponto alto. Vocês vão ver um Barroca cantando samba, alegre e feliz, como ele sempre foi. Vamos fazer um Carnaval grandioso, e é o que o pai de santo da escola, o pai Douglas, falou: ‘cuidado, Oxum não tolera erros’. O Barroca não vai errar, e a gente vai fazer um grande carnaval. E, se Deus quiser, vai ser um Carnaval que vai ficar para a história do Barroca Zona Sul”, suspirou.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Surpresa

Magoo aproveitou para dar um pequeno spoiler sobre as alegorias da Faculdade do Samba: “Nosso abre-alas terá dois acoplamentos, são três bases. Nossa média será de quinze metros de altura e a gente está apostando bastante em efeitos. A gente vai usar bastante efeito de água – principalmente no abre-alas. Teremos, também, uma surpresinha no Carro 04, também de água. Teremos muito movimento de articulações nas esculturas”, finalizou.

Ficha Técnica
Alegorias: 04
Componentes: 1730
Alas: 19 alas
Diretores de Barracão: Wendel Borreli e João Ricardo Alexandre (Jonny)

Série Barracões: Com celebração e narrativa feminina, Arranco traz picadeiro para a Sapucaí

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A escola do Engenho de Dentro mantém uma narrativa feminina consistente para 2026. O enredo que colocará o Arranco na Avenida é “A Gargalhada é o Xamego da Vida”, sobre Maria Elisa, uma mulher negra que se transformava no palhaço Xamego, idealizado pela carnavalesca Annik Salmon. A artista conta que a ideia do enredo surgiu ao trabalhar como auxiliar de figurino no Circo Crescer e Viver, mas tomou forma ao assistir ao documentário produzido por Mariana, neta de Maria Elisa.

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“Em 2007, eu era assistente do carnavalesco Alexandre Lousada e fui chamada para ajudar o figurinista Rui Cortez no Circo Crescer e Viver. Eu me apaixonei por esse universo, me encantei pela arte circense, por cada número que tinha dentro do espetáculo. Eu nem sonhava em ser carnavalesca, mas, quando conheci aquilo, falei: ‘Um dia, quando eu for carnavalesca, quero fazer um enredo sobre circo’. Há mais ou menos quatro, cinco anos, descobri a história do Palhaço Xamego através do filme que a Mariana, a neta, fez, ‘Minha Avó era Palhaça’. Quando assisti ao documentário, fiquei apaixonada pela história em si, que é a história de uma mulher guerreira, que teve que se vestir e enganar todo mundo, dizendo que era um palhaço homem para poder exercer sua arte. Ali eu falei: ‘Está aí o enredo que eu queria sobre circo, aquele pelo qual me apaixonei lá atrás’”.

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Foto: Artur Amaro/Divulgação Arranco

Segundo a carnavalesca, a história não só fazia sentido com sua paixão pelo circo, como também dialogava com as narrativas femininas que o Arranco vem apresentando, alinhadas à personalidade da escola, onde a presença feminina impera.

“É um enredo que traz essa história que eu venho contando há algum tempo na Marquês de Sapucaí, sempre exaltando o feminino, exaltando mulheres e resgatando histórias que a gente não encontra nos livros. São histórias que fazem parte da formação do nosso Brasil. Foi assim que comecei a construir e pesquisar esse enredo, entrei em contato com a família e propus esse tema ao Arranco”, afirmou.

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Annik também enxerga o enredo, que traz a gargalhada e a alegria como força, como uma celebração pelas últimas conquistas da escola. No último carnaval, o Arranco alcançou a melhor colocação na Sapucaí desde que retornou em 2023, chegando ao sétimo lugar.

“Depois do último carnaval, quando a escola conquistou sua melhor colocação na Marquês de Sapucaí, desde que retornou em 2023, recebemos prêmios e muitos elogios. A escola ficou muito feliz e satisfeita com o resultado. Este ano, o enredo tem ainda mais a ver com a gente, porque traz alegria, é uma forma de celebração, de rir e gargalhar. Quando apresentei para a presidente, ela amou. Disse: ‘É isso, isso é o Arranco’. Essa energia, essa força que carregamos na nossa gargalhada, na nossa festa. O enredo foi muito bem aceito pela comunidade e por todos do Arranco”, compartilhou.

Além da comemoração, o enredo carrega coincidências com a própria história da escola. A azul e branca do Engenho de Dentro é conduzida por mãos femininas: presidenta, carnavalesca, intérprete e mestra de bateria. Neste ano, a escola protagoniza marcos históricos: Annik é a única carnavalesca na Sapucaí, e Laísa Lima estreia como a primeira mestra a reger uma bateria na Avenida.

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“Há histórias que percebemos que não são apenas coincidências, mas conexões com os próprios personagens da escola. Da mesma forma que Maria Elisa se vestia de homem para exercer sua arte, temos no nosso elenco a nossa segunda porta-bandeira, que é um homem, o Anderson, que se veste de mulher, da personagem Morango, para exercer sua arte. O Arranco e Maria Elisa nasceram na mesma data, 21 de março, com 64 anos de diferença. Maria Elisa costurava as roupas de todos os personagens do circo, fazia feijoadas, preparava balas e vendia nos intervalos. E o mesmo acontece no nosso Arranco com dona Diná, nossa presidente, que faz a feijoada nos eventos e costura as fantasias da escola. Eu falo coincidência, mas sei que nada na vida é coincidência. É mais uma prova de que era para ser”, pontuou.

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Entre curiosidades da vida de Maria Elisa, a carnavalesca destaca episódios que estarão no desfile. A família da homenageada, que colaborou na construção do enredo, relata a descoberta inusitada de quem estava por trás do palhaço Xamego e o fato de uma das filhas da artista ter sido ninada por um animal do circo.

“Ninguém sabia que o Palhaço Xamego era uma mulher, até que uma criança curiosa levantou a lona do circo e viu o palhaço amamentando. Ali começa a descoberta de quem estava por trás da personagem. Outro momento interessante é que ela tinha dois filhos, e, enquanto atuava como palhaça, quem cuidava da Deise era uma elefanta, que ninava a criança com a tromba. E, enquanto muitos palhaços tocavam violão, um dos instrumentos da Maria Elisa era o tamborim. Olha a relação com a nossa escola de samba”, contou.

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Annik ressalta que o protagonismo e a força feminina retratados no enredo dialogam diretamente com a identidade da escola e reforçam o sentimento de pertencimento dos componentes.

“Hoje, o mais importante na construção de um enredo é pensar na identidade com a escola. Os componentes e os segmentos precisam se sentir pertencentes à temática que apresentamos. Em mais um ano, estamos conseguindo isso”, declarou.

Fantasias

Segundo Annik, as fantasias para 2026 seguem o mote do enredo: leves, alegres e confortáveis, permitindo que o componente brinque o Carnaval sem desconforto, além de garantirem fácil leitura para o público.

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“Nenhuma fantasia está pesada. Por mais volumosa que esteja, está leve. Fiz questão de vestir todas as que divulgamos. Quero leveza. É um carnaval para celebrar, para rir, gargalhar. Ninguém se diverte carregando peso nas costas. Penso muito nos componentes, eles precisam estar ali cantando”, afirmou.

Samba-enredo

Sobre a escolha do samba, Annik revela que contou com a opinião decisiva da filha, de sete anos. Para ela, o samba é uma das partes mais importantes do desfile, pois é o que permanece na memória do público.

“Quando ouvi o samba pela primeira vez, estava ao lado da minha filha. Coloquei os três concorrentes para ela ouvir e, quando tocou esse, me arrepiei inteira. Quando o corpo arrepia, não tem jeito. Ela disse: ‘É esse, mamãe!’. Esse processo é muito especial. Dou muita importância ao samba, porque é o que fica gravado. As pessoas podem esquecer detalhes do desfile, mas o samba fica martelando na cabeça”, declarou.

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A carnavalesca reforça que a clareza da narrativa por meio da música é essencial. “Os componentes não têm um texto para ler, nem o público só os jurados. As pessoas precisam ouvir o samba e entender o que está sendo contado. O samba vencedor narra exatamente o enredo e traz o ponto político que eu quero. Quando diz ‘não tem corda bamba que faça meu riso tombar’, fala da nossa vida, da história do Arranco, das dificuldades que enfrentamos. Chove, alaga, molha figurino, molha escultura, mas não tem corda bamba que nos faça tombar. Somos fortes e resistentes. E o refrão ‘dou gargalhada, feliz da vida’ traduz nosso espírito”, contou.

Para Annik, o trunfo do desfile será a alegria levada à Sapucaí. Assim como o circo, o Carnaval tem o poder de fazer o público esquecer os problemas e sorrir. E, com toda a força feminina presente na história e na própria escola, rir também é um ato revolucionário.

“Maria Elisa levou essa alegria durante toda a vida, mesmo depois que o circo acabou. A gargalhada era sua forma de viver. Durante muito tempo, o riso foi proibido às mulheres. A mulher que ria era vista como vulgar. Hoje, podemos rir, gargalhar e fazer o que quisermos. Maria Elisa, lá no século XX, já fazia isso, mesmo escondida atrás de uma figura masculina. Ela abriu portas para tantas outras. É isso que queremos dizer: estamos aqui, podemos rir, gargalhar e ser felizes”, concluiu.

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Entenda o desfile

A história de Maria Elisa, a artista negra que se transformava no palhaço Xamego, será contada por meio de três alegorias, 18 alas e 1.800 componentes.

Setor 1

A abertura apresenta o “Circo de Preto”, o Teatro Guarany, fundado por João Alves, pai de Maria Elisa, um homem negro que, 14 anos após a abolição da escravidão, já era empresário de circo e vendeu milhares de ingressos pelo Brasil. O setor mostra a infância de Maria Elisa nesse universo mágico, ainda sem compreender as dificuldades enfrentadas pelo pai.

Setor 2

Mostra o crescimento e a formação artística de Maria Elisa, suas inspirações, como Tio Benjamin e Charlie Chaplin —, a adoção da camélia como símbolo e o surgimento do Palhaço Xamego, após a doença do tio. O nome é inspirado na música “Xote do Xamego”, de Luiz Gonzaga. O setor também retrata seu encontro com Reis, seu parceiro artístico e amor da vida, e culmina com o momento em que o segredo é revelado.

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Setor 3

Abre com o circo enfraquecido, mas ainda presente na vida da artista. Mostra como sua coragem inspirou outras mulheres, como o grupo Maria das Graças, formado pelas primeiras palhaças do Brasil. O encerramento traz a metáfora da “corda bamba da vida” e celebra a união entre circo e Carnaval, transformando o terreiro do Arranco em uma grande lona festiva. O desfile termina com um brinde à gargalhada e à alegria — no circo e na avenida.

Série Barracões: No compasso do tamborzão, a Unidos da Ponte constrói um desfile de resistência e celebração

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Entre ferragens, esculturas em formação e o som constante do trabalho manual, o barracão da Unidos da Ponte pulsa no mesmo ritmo que embala o enredo da escola para o Carnaval 2026. Com o tema “Tamborzão – O Rio é Baile! O Poder é Black!”, a agremiação de São João de Meriti transforma o espaço de criação em um verdadeiro território de memória, identidade e afirmação cultural, onde o funk é tratado como herança, linguagem política e elo comunitário.

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Fotos: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Durante a visita ao barracão, foi possível acompanhar de perto o trabalho intenso de profissionais que dão forma ao desfile: soldadores, escultores, pintores e aderecistas dividem o espaço com projetos de carros alegóricos que dialogam diretamente com o universo dos bailes black e do funk carioca. Cada detalhe carrega a intenção de transformar a avenida em um grande baile popular, sem abrir mão da leitura estética e simbólica exigida pelo carnaval.

O carnavalesco Nicolas Gonçalves explicou que a escolha do enredo nasceu justamente dessa escuta atenta à comunidade e à história que a escola gosta de contar.

“Eu sempre busco um enredo que dialogue com a comunidade, com o que a escola gosta de falar e contar. E a Ponte já tem tradições de trazer enredos nessa pegada. Quando encontrei um folheto que era utilizado como convite para os bailes black e vi que eles aconteciam em quadras, e que um desses encontros foi na quadra da Unidos da Ponte, falei: ‘Poxa, é isso, tem que ser esse enredo’. Apresentei para a presidência da escola, eles adoraram, e muita gente se identificou. A partir disso, foi muito legal ver o enredo ganhando corpo”, explicou o carnavalesco.

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A pesquisa revelou conexões profundas entre diferentes manifestações culturais negras do Rio de Janeiro, ampliando o entendimento do baile como espaço de sociabilidade, lazer e também de organização política.

“Quando a gente percebe que o baile vem desde as ancestralidades, desde os primeiros no Rio de Janeiro, do maxixe, do lundu, e chega até os bailes funk, entendemos que o enredo tinha tudo a ver com o que a Ponte gosta de contar e com o que a gente faz no Carnaval”, afirmou.

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Nos barracões, os carros alegóricos seguem essa mesma lógica. Todas as alegorias dialogam com o funk, sempre costurando passado, presente e ancestralidade. Nicolas detalhou que o desfile não segue uma narrativa histórica linear, mas uma construção simbólica que mistura tempos e linguagens,

“A gente divide o desfile em três momentos: inicia com o anoitecer, depois vem a madrugada e finaliza com o amanhecer. Ao mesmo tempo, não crio uma linha narrativa histórica, porque o desfile quer mostrar que essas narrativas sempre foram as mesmas e sempre se cruzam. Todas têm um quê de ancestralidade”.

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Segundo ele, até elementos contemporâneos do funk são pensados a partir de referências africanas,

“Quando estamos debaixo de uma tenda de funk, faço até uma comparação com o egungum, que são essas almas que dançam no território africano. Por exemplo, a nossa ala do paredão periférico faz referência aos totens africanos, estruturas verticalizadas responsáveis por guardar e trazer a energia da comunidade e é exatamente o que o paredão de som faz”, explicou.

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O cuidado estético também passa pela escolha das fantasias. Nicolas revelou que o desfile aposta em leveza e conforto, sem abrir mão do impacto visual:

“É sempre nosso desafio como carnavalesco criar fantasias com volume, para ter um visual interessante da escola, mas também prezar pela leveza e pelo conforto dos componentes. Acho que é um visual que pode surpreender. A Ponte vai conseguir trazer uma estética nova, misturando elementos considerados afro no Carnaval com elementos contemporâneos do funk e todos os signos que esses bailes trazem”.

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O samba-enredo, segundo o carnavalesco, foi peça fundamental para dar vida à proposta:

“Eu adoro esse processo: quando criamos a sinopse, começamos a desenvolver fantasias e alegorias e, depois, vem o samba. Fiquei muito feliz porque é um samba fácil, gostoso, ‘chiclete’. Quando você percebe, já está dançando e cantando. E esse é o propósito do desfile como um todo: mostrar que, dançando e cantando, a gente cria consciência política e discursos fortes. Quando você está cantando pelos seus, também está se fortalecendo politicamente”, destacou.

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Ao falar do grande trunfo do desfile, Nicolas foi direto ao ponto: “Conseguir unir a comunidade dos bailes black e do funk com a comunidade do samba. Historicamente, essas comunidades foram colocadas uma contra a outra, e ainda existe muito preconceito. Mostrar que somos comunidades fortes, que não é porque estamos fazendo festa, rebolando, que não estamos nos fortalecendo. É uma grande representatividade dessa união das comunidades negras e periféricas do Rio”.

A Unidos da Ponte levará para a avenida três alegorias e cerca de 1.800 componentes, em um desfile que nasce no barracão, mas carrega o peso simbólico de décadas de resistência cultural. Para Nicolas, o momento pessoal também reflete esse amadurecimento artístico:

“Depois do Carnaval de 2024, precisei ir para São Paulo, respirar, me acalmar. Quando recebi o convite da Ponte, senti que era a hora de voltar. Hoje tenho uma escola que me dá condições, apoio e tranquilidade para criar. Estou amadurecido como artista e amadurecendo a arte. A Ponte vem com um time forte, é uma escola que se reestruturou toda e está sendo um prazer gigante somar com esse time”, concluiu.

No barracão da Unidos da Ponte, o que se constrói vai além de carros e fantasias. É um desfile que nasce da escuta da comunidade, da memória dos bailes e da certeza de que o Carnaval também é território político. Em 2026, ao som do tamborzão, a Ponte promete transformar a Sapucaí em baile, manifesto e celebração coletiva.

Série Barracões SP: Águia de Ouro exalta Amsterdam no abraço entre reis

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A fusão entre Brasil e Países Baixos (outrora chamado de Holanda) está muito em alta no Carnaval de São Paulo. Prova viva disso é o Águia de Ouro: em 2026, a escola levará para o Anhembi o desfile “Mokun Amsterdã, o vôo da águia pela cidade libertária”, que trará o abraço da capital neerlandesa à festa de Momo. Segunda escola a desfilar no sábado, última noite do Grupo Especial paulistano, o experiente carnavalesco Alexandre Louzada estreia na agremiação da Pompeia, Zona Oeste da capital paulista. Querendo saber mais sobre tudo que acontecerá no Sambódromo vindo do Águia de Ouro, o CARNAVALESCO foi até o barracão da escola e conversou com Louzada e com Jacqueline Meira, diretora de Carnaval da agremiação.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Antes da definição

Ao contrário de outras coirmãs, o Águia de Ouro, em momento algum, escondeu que havia um patrocínio envolvido com a definição pelo enredo – no caso, a cervejaria que patrocina o Carnaval de São Paulo há alguns anos. Jacque Meira explicou: “O presidente tinha três possibilidades – e uma delas era Amsterdam. E, aí, começaram as tratativas, também. A Amstel já tinha a intenção, o presidente buscou e trouxe a possibilidade de fazer esse enredo. Já levou o projeto meio que pronto, discutido, já alinhado. Eles toparam e deu samba”, relembrou.

Louzada complementou e destacou que estava pronto para qualquer uma das escolhas: “Antes, eu preciso esclarecer que essas três ideias foram para o papel, também. Nós três (no começo do trabalho eram só nós três) tínhamos a cabeça fervilhando com essas possibilidades. Mas, transformar o tema em enredo, para mim, foi levar para um lado emocional, com a essência básica do Carnaval. No Carnaval, você é aquilo que você sonhou, você pode realizar os seus anseios através da fantasia do Carnaval”, destacou.

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Falando especificamente sobre o tema do enredo azul e branco, o carnavalesco complementou afirmando que o início e o final do desfile trarão as semelhanças entre Brasil e Países Baixos (e, mais especificamente, São Paulo e Amsterdam) como mote: “Nós pegamos esse monte de similaridades, de nós sermos súditos de um rei (que é o reino do Carnaval, regido por Momo), e a gente vai aprender o que é liberdade com o reino, de fato, dos Países Baixos. Amsterdam é a capital, é a cidade que respira liberdade e inspira a humanidade a respeitar as individualidades, a diversidade, a não ter preconceito, a ser inclusiva, A águia já tem asas para voar, é um pássaro que sugere a liberdade. É o encontro de dois reinos que vivem a liberdade – um de fato e o outro de fantasia”, afirmou.

Pesquisas e desafios

Ao falar sobre tudo que foi consultado para a produção do desfile, Louzada fez questão de elogiar, além de Jacqueline, a figura de Sidnei Carrioulo Antonio, presidente da agremiação desde 1982: “O Águia tem um terceiro olho, que é o nosso presidente. Ele e a Jacque cuidaram mais da parte do patrocínio – primeiro veio o enredo, depois o patrocínio, para a gente poder estar dentro do que o Carnaval precisa mostrar, como carnavalização de um tema. E, também, para atender a expectativa de quem está nos ajudando. A pesquisa não foi feita só por mim. Cada um de nós tinha alguma coisa para dizer, para contribuir. Eu tenho uma irmã que mora em Amsterdam, ouvi ela também em relação à questão de jeito de viver. Enredos CEP, na minha carreira, eu só tive Amapá, na Beija-Flor. Eu nunca vi estrangeiros, como os holandeses, participarem tanto de um projeto de Carnaval quanto como eles. Isso me fez ter uma satisfação maior, uma tranquilidade maior para construir. Eu ouvi aqui que eles iam me dar uma aula de como falar determinadas palavras, porque o holandês é difícil. Imagina falar holandês!”, comentou, aproveitando para relembrar uma apresentação campeã assinada, entre outros nomes, por ele.

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Desfile em si

Quando perguntado sobre a setorização do Águia de Ouro, Louzada aproveitou para falar de maneira extensa: “Nós utilizamos o número máximo de alegorias com a possibilidade do desmembramento que existe aqui no regulamento. A gente, no início do desfile, no primeiro setor, atravessa o portal. É esse início, esse voo, que utilizamos para conhecer esse reino da liberdade, o reino da liberdade. No segundo setor, a gente mostra principalmente nomes, personalidades que ajudaram a construir a história holandesa – e, com exceção da Anne Frank e do Mondrian, todos os outros fizeram parte do Século de Ouro dos Países Baixos, com as Grandes Navegações, a observação de estrelas e etc. Mas, principalmente, no segundo setor, a gente fala de grandes ícones da pintura, como Van Gogh e Rembrandt; como o pensador Baruch Espinosa; Joost van den Vondel, que foi o primeiro e mais famoso escritor e dramaturgo – que, hoje, é nome de um espaço onde acontecem os festivais. Primeiro, a gente tem essa fantasia do lúdico, da água, do céu que encontra as gerações, para chegar e contar realmente o que é importante a gente aprender com Amsterdã. Partindo daí, continua com essas contribuições, a gente adentra a questão primordial da liberdade. Nesse setor, a gente mostra a liberdade de imprensa, a liberdade, a diversidade de gênero, o respeito e o entendimento do pertencimento ao corpo das mulheres, o uso da cannabis sem libertinagem em determinados lugares – porque, para tudo, existe uma regra. Além deles terem a liberdade, eles também respeitam as limitações, as leis. Esse é o grande segredo. E, por último, tem uma confraternização. Acima de tudo, Amsterdam talvez seja a cidade que mais festeja, que mais eventos tenha na Europa. A gente mostra um pouquinho desses eventos, da chegada de Sinterklaas (que é o Papai Noel, ou São Nicolau), os festivais de queijo – algo com que os holandeses se identificam tanto quanto a cerveja. A música eletrônica, que tem um grande festival que acontece lá – o Amsterdam Dance Event (ADE). E a gente termina com esse abraço desses dois reinos. Nós levamos a nossa alegria, representada por uma ala, que tanto homenageia os dois reis como a folia do carnaval. É uma ala que é formada ao contrário do que normalmente formaria. Esse é o resumo”, explicou.

Desafios encontrados

Quando perguntado sobre os principais obstáculos para produzir o desfile, Louzada elencou dois, um de cada vez, entretanto. O primeiro deles versava sobre dois pontos polêmicos: “Esses pontos sobre a cannabis e a De Wallen [também conhecida como “Red Zone District” ou “Bairro da Luz Vermelha”, em que a prostituição é legalizada] talvez tenham sido o maior desafio. O Águia se preocupou, em como tratar de um assunto sério com a seriedade que merece, sem fazer apologia a nada. Como, nesse capítulo do nosso enredo, a gente trata da liberdade sem libertinagem, da qual ela faz parte, tinha que ter. A identidade com o enredo é o grande forte do Águia de Ouro”, prometeu.

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Outro contratempo, bastante específico e bem menos polêmico, também foi relembrado pelo carnavalesco: “A coisa mais difícil foi fazer uma fantasia para Mondrian. Foi a fantasia que demorou mais para a montagem. Foi uma coisa que teve que ser estudada. O presidente falou uma coisa muito certa: tudo que o samba fala, a gente vai mostrar, mas nem tudo que a gente vai mostrar está no samba. É um universo muito grande. Eu não tive grandes dificuldades, porque teve muita reunião. O samba-enredo do Águia de Ouro de 2026 foi construído graças à união que fizeram, demorou talvez mais tempo caso fosse uma composição. Foi, talvez, a parte que mais exigiu de todos nós. Eu era sempre consultado para alguma coisa. Posso até dizer que o samba que ganhou foi apontado logo no primeiro dia da audição aqui. Eu não inventei uma história e vai para a avenida. Tudo tem que ser fundamentado”, comentou, citando a canção da agremiação.

Ícones presentes

De acordo com Louzada, diversas referências serão vistas na apresentação: “Tudo é carnavalizado, mas o mais importante é a gente mostrar esses ícones, essas inspirações de liberdade. Mas, antes de tudo isso acontecer, a gente faz um voo – e esse voo se transforma em um mergulho, porque a gente atravessa do nosso reino para o deles nas asas da liberdade. Só que a Holanda é um país construído sob a água, com canais e etc – logo, a gente precisa mergulhar. Ao mergulhar, você adentra a história – e esse mergulho é lúdico, é de fantasia. Quando eu falei que as pessoas vão identificar Van Gogh aqui, vão identificar Rembrandt ali, bicicleta, cannabis, a De Wallen, a primeira união homoafetiva oficializada com direitos, isso tudo vai estar. Até mesmo essa fantasia do rei Guilherme Alexandre estar abraçando o nosso rei Momo, um sentado no queijo e outro num barril de cerveja, tudo em Amsterdam vira Carnaval no final”, afirmou.

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Espírito favorável

De acordo com Jacque, toda a comunidade está em polvorosa com a preparação para o desfile: “A escola foi abaixo com o samba e com o enredo, com certeza. Na realidade, com os momentos que esse enredo está proporcionando para a comunidade. A escola está muito feliz, está muito engajada, está muito leve e muito tranquila. Isso, de certa forma, nos conforta bastante nas escolhas que foram feitas aqui”, relembrou.

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Ao ser perguntada sobre o ponto alto da exibição da agremiação em 2026, a diretora de Carnaval destaca que existe algo que difere o desfile sobre Amsterdam de outras apresentações da azul e branca: “Todo ano tem uma ala que você não gosta, uma fantasia que não te agrada tanto… às vezes, até o próprio samba. Mas, nesse ano, não tem nada que eu possa falar que eu não gostei. O desfile como um todo, o chão do Águia de Ouro, vai ser o nosso ponto forte. A escola Águia de Ouro é indescritível. Eu estou confiando muito nos meus componentes, muito no canto da escola, e isso vai fazer muita diferença no nosso desfile”, comentou.

Louzada concordou, embora, com outro ponto de vista: “Eu espero que seja tudo que a gente faz, a gente precisa enviar essa mensagem. Eu acredito que é o nosso samba. Quando o Serginho do Porto dá um grito lá em cima, que você vê a reação, foi uma surpresa para mim. Eu vi essa energia! É o contexto geral, mas a força dos componentes, a dedicação e a satisfação que eles estão tendo vai se refletir através do samba. Quando eu falo que eu acredito no samba é porque eu já fui campeão aqui – e a gente precisa, para ser campeão, dessa catarse. Tem grandes chances do Águia construir essa catarse através de um samba que devolve a alegria do carnaval”, comemorou.

Diferenciais

A reportagem perguntou para os dois integrantes do Águia que foram ouvidos na entrevista quais materiais e cores seriam vistos com mais frequência no desfile. Louzada foi enfático: “Luz. Foi uma coisa que o presidente me falou que ele iria usar bastante, tem bastante efeito de luz. Em relação à produção de Carnaval, aqui é uma escola diferente. O presidente e a diretora têm um assistente que é autorizado e todos eles sabem a fonte de cada coisa”, maravilhou-se.

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Jacque aproveitou para explicar a declaração do carnavalesco: “Uma coisa que o Águia tem de diferente é essa participação muito ativa do presidente em tudo. A iluminação desse ano, por exemplo, assim como no ano passado, nós não terceirizamos: nós estamos fazendo aqui, também. O presidente foi a campo, comprou o material e a gente está fazendo de acordo com o que ele idealizou. Espelhos? A gente tem espelho na escola inteira. Nós temos uma máquina que corta espelho. A gente compra a placa e a gente produz aqui na espessura e no corte que a gente quiser. A escola vem aí, graças a Deus, bem rica no espelho. A gente também tem uma CNC [Controle Numérico Computadorizado, método automatizado para controlar máquinas-ferramentas] que faz os detalhes, faz os apliques das coisas. A gente tem a máquina de ráfia, também. Isso tudo facilita muito. A gente vem sem miséria. Se a gente tiver que desenvolver um búzio, como a gente fez no carnaval de 2022, a gente desenvolve o búzio aqui. Ninguém sabia que era búzio de resina. Isso é um diferencial que a gente tem aqui. Tudo é muito caseiro, tudo muito com a nossa cara. Nós temos tintas desenvolvidas só para o Águia de Ouro. Vocês vão acompanhar, por exemplo, o carro azul que foi desenvolvido com uma tinta exclusiva para o Águia de Ouro. O dourado que o Águia de Ouro usa já é patenteado, inclusive, em um parceiro nosso de tinta. A gente busca fazer o mais original possível, mas com aquele toque nosso, mesmo”, comentou.

Recados

Os dois também aproveitaram para deixar mensagens para quem acompanhar o desfile na arquibancada do Anhembi ou na televisão. Louzada começou: “Eu vou citar uma frase do nosso presidente, na primeira reunião que eu participei com a escola: que todos que venham desfilar no Águia de Ouro sejam pedreiros. A gente precisa de pedreiros, não de arquitetos e engenheiros”, afirmou.

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Jacque foi mais ampla: “O recado que a gente deixa é que todo munda curta, seja feliz, seja liberto de muitas coisas que ainda nos prendem muito aqui no Carnaval de São Paulo – mas com muita responsabilidade, com muito cuidado. Que a gente celebre o nosso Carnaval, temos que agradecer por todas as oportunidades que tivemos esse ano – porque cada Carnaval e cada enredo são um aprendizado, é uma história nova a ser contada. Eu espero muito que o público celebre junto com a gente, que curta e que fique muito louco nesse carnaval, mas com muito juízo, com muita responsabilidade, que é o que a gente está pregando aí”, finalizou.

Ficha técnica
Alegorias: Cinco – e dois quadripés
Componentes: 2500
Alas: 20
Diretor de barracão: Raimundo Nonato (Bitoca)
Diretor de alegoria: Rodrigo Mineiro

Série Barracões: Em busca da quinta estrela, Gaviões da Fiel leva a luta dos povos originários para o Anhembi

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Os Gaviões da Fiel têm uma chance de ouro de alcançar a tão sonhada quinta estrela no pavilhão alvinegro. É o segundo ano consecutivo em que a escola aposta em um tema de forte cunho cultural e, desta vez, conta com apoio externo e com uma comunidade ainda mais engajada. O samba vem sendo aclamado pelos sambistas paulistanos, e o clima interno é bastante positivo. Em 2025, a agremiação conquistou o terceiro lugar, sua melhor colocação no Carnaval desde 2003, quando foi campeã. Agora, após encontrar a receita do sucesso, a Fiel Torcida se anima e tem como objetivo a conquista desse título tão sonhado. O investimento em alegorias e fantasias é significativo. O CARNAVALESCO pôde conferir isso de perto, já que os responsáveis pelo enredo, Júlio Poloni e Rayner Pereira, receberam a equipe no barracão e apresentaram todo o projeto que a escola levará para a avenida.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A “Torcida que Samba” será a quarta escola a desfilar no sábado de Carnaval, com o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”.

Surgimento do tema e estudos intensos

Rayner Pereira contou que o tema surgiu a partir do diretor André Mogi e, depois disso, foi sendo adaptado para a escrita da sinopse e da ideia visual. “A ideia do enredo surgiu a partir do nosso diretor André Mogi. Ele queria que a gente fizesse um modelo de comissão, como vocês vão ver na avenida, algo que ainda não dá para detalhar. A partir dessa proposta inicial, ele liberou o restante da criação para a gente. Então começamos a pesquisar, sempre com a vontade de trazer algo com significado para o enredo. Já existia no plano a temática indígena, que acabou se juntando à ideia inicial. A partir disso, fomos montando o conceito principal e definindo um fio condutor, assim como no ano passado. Queríamos algo mais funcional para a apresentação. O trabalho foi nascendo aos poucos. Temos um método que considero interessante: imaginamos a montagem da escola mesmo antes de atribuir significados e já deixamos tudo organizado para depois buscar o que melhor se encaixa em cada setor. Em seguida, vem a pesquisa bibliográfica, com livros e histórias que encontramos, e assim, pedaço por pedaço, o enredo foi se formando para o dia do desfile”, explicou.

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Júlio disse que a dupla estudou muito. Citou livros de suma importância para a vida indígena, além de ter ido ao Festival de Parintins e conversado com pesquisadores. Tudo isso culminou na pesquisa do enredo. “No primeiro momento, a gente leu muito e procurou livros. Um deles foi fundamental: o de Davi Kopenawa, A Queda do Céu. A obra traz a visão indígena sobre a questão Yanomami, algo que quem vive na cidade dificilmente conseguiria compreender com profundidade. O livro oferece um entendimento muito forte da história desses povos e das mazelas causadas diretamente pela influência dos poderes brancos das capitais. Esse foi o primeiro passo. No segundo momento, conversamos com pessoas que nos ajudaram bastante. Falamos com pesquisadores, com a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e também com integrantes do ministério. Tivemos contato com pesquisadores ligados ao Festival de Parintins, que colaboram na construção das lendas e dos espetáculos. Em outro momento, fomos ao próprio Festival de Parintins para vivenciar tudo de perto. Depois disso, para construir as referências visuais, fizemos muita pesquisa. Encontramos uma mostra fotográfica de Claudia Andujar sobre os povos Yanomami, feita com flashes e lamparinas, criando uma atmosfera onírica. Essa estética inspirou diretamente a abertura do nosso desfile. Outra referência importante foi o livro de Ailton Krenak, Ideias para Adiar o Fim do Mundo, que influenciou o último setor, onde representamos lideranças como animais e pensamentos. A visão indígena de que o ecossistema é uma extensão do próprio corpo está muito presente ali. Já no setor das lendas, todas elas foram tratadas em algum momento por um dos bois no Festival de Parintins”, contou.

Fascinação pelo enredo

O carnavalesco Rayner Pereira é oriundo de Parintins. Por isso, cresceu em meio a lendas indígenas e às lutas dos povos originários. Fazer um enredo dessa magnitude fascina o profissional. “A oportunidade de falar sobre um assunto que eu cresci ouvindo foi muito especial. Sempre digo que nunca foi prioridade fazer um enredo indígena antes de ter uma postura mais madura como carnavalesco. Acredito que a oportunidade veio na hora certa e tudo se encaixou para virar um grande projeto, um dos melhores em que já trabalhei desde quando fui assistente de carnavalesco. As cores, os formatos e as referências são coisas que fazem parte da minha formação, algo que cresci vendo e ouvindo. Poder mostrar isso é muito satisfatório”, disse.

Confiança da diretoria

Júlio relatou que a troca com a direção e o time de harmonia é constante, principalmente para realizar a montagem da escola na avenida. “A gente tem muita liberdade de trabalho. Tudo é construído em troca e diálogo com a diretoria e com a direção de harmonia. A montagem da escola impacta diretamente o enredo, então tudo é pensado de forma estratégica. Não existe uma ala ou um detalhe que não tenha sido planejado. A abertura da escola cresceu muito, e isso foi uma escolha estratégica. Mantivemos um grande volume de fantasias, e o posicionamento da bateria também muda neste ano por estratégia. A parte artística e a parte técnica caminham juntas o tempo todo”, afirmou.

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Dentro da parte financeira, Rayner celebrou a sinergia da diretoria com os carnavalescos. De acordo com o artista, eles sonham juntos. “Eles compartilham a visão de enredo, mas sempre nos deixam muito à vontade para criar e justificar nossas ideias. Claro que, às vezes, surgem ajustes, principalmente relacionados a materiais e efeitos, mas existe muita vontade da diretoria de sonhar junto com a gente. É bonito ver esse envolvimento, especialmente vindo de pessoas que tinham uma visão de Carnaval diferente até alguns anos atrás. Esse apoio tem sido fundamental, e todo mundo aprende junto para entregar um grande trabalho no desfile”, declarou.

Aceitação da comunidade

Perguntado sobre como a comunidade recebeu o tema, Júlio avaliou como positiva. A Fiel incorporou o enredo. “Quando fizemos o enredo afro no ano passado, já sabíamos que ele seria fortemente abraçado pela comunidade, e isso se confirmou. Com o enredo indígena, a certeza foi a mesma. A escola está cantando mais, participando mais dos ensaios e abraçando o projeto como nunca. Essa temática dialoga diretamente com o DNA do Gaviões, que sempre levantou bandeiras de justiça social. A causa indígena faz parte dessa trajetória”, comentou.

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Rayner completou falando sobre a quantidade de sambas concorrentes inscritos e também sobre a força da comunidade nos ensaios. “Foi surpreendente. Desde o lançamento do enredo, existia um receio por ser um tema já abordado recentemente, mas a proposta era falar de forma completamente diferente. O público entendeu, assim como os compositores, o que resultou em um número enorme de sambas inscritos, algo inédito aqui. A escolha foi difícil, porque qualquer um poderia atender bem ao que queríamos. Nos ensaios, dá para ver todo mundo cantando, participando e feliz, não como algo imposto, mas como um projeto que todos compraram”, disse.

Ponto alto do desfile

De acordo com Júlio, o público deve se atentar à abertura e ao segundo setor do desfile. “É difícil destacar apenas um momento. A abertura da escola é muito diferente do que o Carnaval de São Paulo e o próprio Gaviões estão acostumados a ver. O carro 2 também tem uma simbologia muito forte. A narrativa da história dos povos indígenas, as lendas, as homenagens e o Brasil Guajupiá formam um conjunto poderoso. É um enredo de mensagens claras e fortes, que será facilmente compreendido. Apostamos muito nisso, junto com o nosso samba e o refrão que o povo canta com força”, afirmou.

Recado para a comunidade

“Agora que começamos a mostrar alguns elementos, a empolgação aumentou ainda mais. Quando os carros forem para a rua e as fantasias começarem a ser entregues, isso vai crescer. Estamos trabalhando dentro do que foi proposto desde a festa do piloto. Agora é contar com a união de todos no dia do desfile. Cada um na sua posição, cantando muito e exaltando o Gaviões, o enredo e a história que vamos contar. É acreditar, ir para cima e buscar esse sonho. Nosso Carnaval será grandioso mais uma vez”, declarou Rayner Pereira.

Entenda o enredo

Diferentemente do habitual, os carnavalescos optaram por desenvolver o desfile em capítulos, e não por setores. Júlio Poloni explica.

Capítulo 1

“O enredo é dividido em três capítulos. O primeiro se chama Nossa História e é dedicado a contar a trajetória dos povos indígenas brasileiros. Ele se divide em dois momentos: o tempo do sonho, que mostra como viviam os povos indígenas antes da invasão do homem branco, em harmonia com a natureza; e o tempo da estrada, quando as estradas cortam as matas e trazem epidemias, doenças, morte e devastação. No tempo do sonho, um xamã ingere o pó de yakoana e passa a ter visões do tempo da criação. O capítulo mostra, como eixo central, a invasão do homem branco”.

Capítulo 2

“O segundo capítulo se chama Nossas Vozes. Primeiro, as vozes de encanto, representadas pelos mitos e lendas que revelam a visão de mundo dos povos indígenas. Em seguida, as vozes de luta, com homenagens a lideranças indígenas que se destacaram na defesa de seus direitos”.

Capítulo 3

“O último capítulo é o Novo Amanhã. Ele propõe que, ao ouvir essas vozes, seja possível construir um futuro diferente, com respeito à biodiversidade, valorização da identidade dos povos originários e do conhecimento indígena para a construção de um novo Brasil”.

Grande Rio controla princípio de incêndio em barracão

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A Grande Rio informa que, na manhã desta quarta-feira, houve um princípio de incêndio em uma escultura no barracão da escola, localizado na Cidade do Samba.

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Foto: Reprodução de internet

A ocorrência foi prontamente controlada pela brigada de incêndio do barracão, em ação conjunta com a equipe do Corpo de Bombeiros da Cidade do Samba, que atuaram de forma rápida e eficiente, seguindo rigorosamente todos os protocolos de segurança. A situação foi normalizada em poucos minutos.

Não houve feridos nem qualquer prejuízo material. A Grande Rio reforça que o funcionamento do barracão segue normalmente.

A Nação do Mangue segue unida e forte, trabalhando com dedicação total para a realização de um grande desfile.

Eugênio Leal: ‘Independente de Boa Vista desponta como favorita ao bicampeonato no Carnaval de Vitória’

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A Independente de Boa Vista fez mais um desfile potente e entra na apuração do Carnaval de Vitória com grande chance de ser bicampeã. O enredo sobre o “João Bananeira”, muito bem desenvolvido por Cahê Rodrigues, foi o diferencial da apresentação ao estabelecer uma conexão com a cultura da cidade que a escola representa, Cariacica. A apuração acontece nesta quarta-feira, a partir das 17h30, no Sambão do Povo.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

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Duas outras escolas correm por fora para levantar o título: a Mocidade Unida da Glória fez uma bela apresentação ao contar a viagem da princesa Teresa da Baviera por terras capixabas, com a assinatura de Peterson Alves; e a Chegou o Que Faltava mergulhou na religiosidade preta com o enredo “Ori: da cabeça é sua sentença”, do carnavalesco Roberto Monteiro, estreante na cidade. Na outra ponta, a Imperatriz do Forte, com muitos problemas nas fantasias, é a favorita ao rebaixamento.

Veja abaixo como foi cada desfile

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