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Escola de respeito! Brilho da comunidade e show da bateria são destaques em ensaio vibrante da Beija-Flor na Sapucaí

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Por Luan Costa, Lucas Santos, Maria Clara Marcelo, Rafael Soares, Raphael Lacerda e fotos de Allan Duffes

A Beija-Flor de Nilópolis foi a segunda escola a pisar na Sapucaí na noite deste sábado para realizar o seu ensaio técnico. Às vésperas do desfile oficial, a escola deixou ótimas credenciais e mostrou que deseja novamente ser a grande protagonista da festa, dessa vez apostando em algo mais leve e vibrante. O ensaio foi marcado pelo brilho e alegria da comunidade, que juntamente com a incrível bateria comandada pelos mestres Plínio e Rodney foram os principais destaques da noite, ao lado do consagrado casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso, que novamente tiveram uma noite memorável.

Mesmo criticado no pré carnaval, o samba da azul e branca passou pela avenida como uma avalanche e o “doa a quem doer” não comprometeu o belíssimo treino realizado pela agremiação, foi um ótimo teste e a sensação de que a aposta em um desfile com características mais leves fez bem aos componentes e a escola. Nem mesmo a ausência de Neguinho da Beija-Flor foi capaz de diminuir a intensidade do ensaio.

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A Beija-Flor será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, com o enredo “Um Delírio de Carnaval na Maceió de Ras Gonguila”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, que faz sua estreia na azul e branca.

“É o que a gente vem falando sempre, quem vai lá na Mirandela percebe que o canto é muito forte, a gente trabalha muito o canto, faz muitos ensaios na quinta. A proposta do samba da Beija-Flor era ter evolução, era cantar, brincar, se divertir, ter alegria. Eu peida muito isso nos ensaios e hoje eu conto com a Simone e com o Walber, com uma equipe deslumbrante. Temos uma grande evolução nas alas e é muito gostoso de ver, e isso faz com que haja uma interação muito grande entre o público e a gente. A escola evoluiu muito bem na Avenida, paramos, cantamos, desfilamos e atingimos os nossos objetivos. Agora eu vou conversar com todos os meus pares, eu vim na frente da escola, cada uma vem no seu lugar, cada um vê uma coisa, comigo aqui foi tudo muito tranquilo, mas vamos conversar, ver tudo direitinho para ver se estamos prontos mesmo”, explicou Dudu Azevedo, diretor de carnaval, que falou sobre a ausência de Neguinho na Avenida.

“O Neguinho teve hoje uma agenda, um compromisso particular dele. A gente tem um ícone do carnaval, o maior expoente do carnaval carioca que é o Neguinho. É difícil chegar no patamar dele. Mas a gente tem uma galera trabalhadora que toda vez que é chamada eles dão conta. Foi uma apresentação deslumbrante, que carro de som, que sintonia, modulações, terças, oitavas, perfeitas”.

Comissão de frente

Pelo segundo ano consecutivo os coreógrafos Jorge Teixeira e Saulo Finelon são os responsáveis pelo comando da comissão de frente da Beija-Flor, a dupla adiantou que para o desfile oficial não contatará com um grande elemento cenográfico, indo na contramão do que temos visto no quesito ultimamente, pelo o que foi mostrado no ensaio desta noite a dança é a grande protagonista da apresentação. No total 15 componentes realizaram diversos movimentos intensos ao longo da apresentação, em alguns momentos do samba um membro era jogado pro alto, em outro momento eles representavam brincadeiras, na parte do samba que faz menção ao ofício de Rás Gonguila eles encenam que estão engraxando sapatos.

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A fantasia era simples, porém, funcional para facilitar a mobilidade dos bailarinos, um macacão branco com detalhes floridos, eles também carregavam um adereço de mão com fitas coloridas. O ápice da comissão foi quando parte do grupo se entrelaçou e girou durante a parte do samba que diz: “Gira, mundo, feito pião que Gonguila do jeito”, foi um movimento teoricamente simples, mas que causou curiosidade e aplausos por ter sido tão bem executado.

“Já era esperada a emoção, além da energia e uma comissão alegre e dinâmica. Deu tudo certo coreograficamente – os espaços que a gente vem ensaiando há meses na Avenida, o decorrer e também a entrada e saída da Selminha. Foi perfeito e emocionante”, avaliou Saulo.

“Como é um ensaio técnico, a questão técnica foi o esperávamos e ensaiamos. Não ocorreram problemas na entrada e saída. A avaliação é bastante positiva, foi melhor do que estávamos esperando. A coreografia de avanço será essa, mas a de jurados não. O desfile será muito especial”, completou Jorge.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Já são mais de 30 anos de uma parceria vitoriosa, mas ao pisarem no chão sagrado da Marquês de Sapucaí para o ensaio desta noite, a dupla Claudinho e Selminha Sorriso entraram com a certeza de que os anos podem até ter passado, mas o vigor, a firmeza nos movimentos e a precisão nos giros continuam os mesmos. Eles foram mais uma vez hipnotizantes, todos os holofotes estavam na dupla, o público presente assistiu feliz a todas as três apresentações. Enquanto Claudinho estava predominantemente de azul, Selminha bailou com um vestido rendado branco que tinha um efeito incrível a cada giro. Foi mais uma noite para eles e o torcedor nilopolitano guardarem na memória, se baseando na dança clássica, os dois esbanjaram sintonia e leveza, o alto número de giros impressionou, assim como a destreza de Selminha para manter a bandeira esticada mesmo com o forte vento.

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“Você já está vendo pelos meus olhos, eu estou chorando de emoção. Quando a gente coloca o propósito que a gente fez durante o ano todo, o ensaio, e a gente consegue 100% de acerto, é sinal que a gente está no caminho certo. Só que hoje é só o ensaio técnico, mas a gente conseguiu pontuar as questões que a gente queria. Só agradeço a Deus e meus orixás por isso, a minha equipe, que está sempre comigo, minha filha, minha esposa. E, agora, em busca da nota 40 que é no dia 11, no domingo de carnaval”, disse o mestre-sala.

“Eu sempre dou nota 10, porque só de estar aqui já é tão maravilhoso. É a razão de agradecimento daquele sonho da menina, é por ter saúde, por pertencer a essa cultura que transforma vidas, que é a resistência cultural do nosso povo, que é a empregabilidade, o trabalho social, o compromisso da sua comunidade. Cada vez que eu adentro aqui, portando o pavilhão da Beija-Flor, eu olho para trás e falo: ‘nossa, que agradecimento, como eu sou feliz’. E a Beija-Flor toda preparada para semana que vem, domingo que vem, vamos fazer história, estamos confiando. Eu sou uma pessoa que me cobro muito, então cada vez eu sempre acho que tem que melhorar mais. Foi maravilhoso, foi tudo certinho, a coreografia, o tempo, o andamento, sabe? A energia, mas sempre tem que melhorar, quem diz que sabe, tudo não sabe nada, você está sempre buscando aperfeiçoar, melhorar cada vez mais, fazer história e dar continuidade a um sonho de infância”, completou Selminha.

Samba-enredo

Criticado desde sua escolha como hino oficial da escola, a obra dos compositores Kirazinho, Lucas Gringo, Wilsinho Paz, Venir Vieira, Marquinhos Beija-Flor e Dr. Rogério passou pela avenida sem comprometer o bom ensaio da azul e branca, fugindo da linha de sambas densos e aguerridos que a escola apresentou nos últimos carnavais, o samba desse aposta na leveza e simplicidade, algo que a escola não está habituada, mas a ver pelo ensaio desta noite tem tudo para ser um ótimo encontro.

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O refrão principal possui características que mexe com o brio do nilopolitano, o “doa a quem doer” fez com que a comunidade explodisse a cada passada, o componente cantou até mesmo algumas partes da obra que são de difícil compreensão e mais complicadas em termos de letra, como por exemplo nos versos “Gira, mundo, feito pião que Gonguila do jeito, que me eterniza o bendito dos plebeus” e “Um coco, um pouco de samba de roda”, embora o nível não seja o mesmo apresentado nos refrões principais, a resposta ainda assim foi positiva.

“A pressão é sempre a melhor possível, a gente já tem as prévias do que vai acontecer na avenida, os ensaios de quadra, a gente vê essa comunidade cantar. Tenho certeza que aqui a comunidade repetiu isso com mais garra, porque quando essa escola pisa na avenida, a escola vem para rasgar esse chão. Sem contar que é uma responsabilidade enorme para nós desfilarmos sem o nosso querido ídolo Neguinho da Beija-Flor. Mas o trabalho foi feito, nossa comunidade berrou o samba junto com a gente e se Deus quiser tudo vai dar certo e a Beija-Flor vai se sagrar campeã do carnaval. Essa dinâmica do samba com a comunidade, um samba que muita gente falou muita coisa. Mas a gente sabe que carnaval se ganha na avenida. Uma comunidade que veio aqui berrou esse samba, cantou, comprou a briga, comprou a ideia. A gente tem um barracão que vai falar por si só aqui na avenida. A Beija-Flor sabe como fazer carnaval aqui nesse chão. A gente tem certeza que a gente vai vir para abrilhantar esse espetáculo, para fazer bonito, para a gente brigar, para ser aquela competição em alto nível que o Carnaval do Rio de Janeiro merece. E hoje a nossa comunidade deu o recado. O rolo compressor está aí. A gente mostrou um pouquinho do que tá sendo feito na quadra. E hoje foi só um aperitivo do que vai rolar no domingo que vem”, disse Igor Pitta, integrante do carro de som da escola.

Harmonia

Falar que a comunidade da Beija-Flor canta é chover no molhado, mas no ensaio desta noite a escola conseguiu superar todas as expectativas, existia uma desconfiança por conta do samba que foi deixada de lado logo nos primeiros acordes, do início ao fim o que se viu (e ouviu) foi uma comunidade gritando o samba com muita raça e principalmente alegria, como mencionado no tópico acima, a obra possui momentos que poderiam atrapalhar o canto uniforme, mas o trabalho realizado neste pré carnaval surtiu efeito.

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A ausência de Neguinho da Beija-Flor poderia ser outro complicador para a agremiação, porém, o carro de som deu conta do recado e mostrou total entrosamento com a bateria soberana, os ritmistas de mestre Plínio e Rodney foram incríveis e deram o tom para que a escola explodisse a cada passada do samba, eles fizeram ainda um enorme paradão que teve resposta imediata da comunidade e também do público do presente no Sambódromo.

Evolução

O componente da Beija-Flor sabe desfilar, é algo já enraizado em cada um dos brincantes de Nilópolis, foram anos sob o comando firme de Laíla, aquela antiga Beija-Flor estava lá:
organizada, bem dividida e com todos sabendo o seu papel, porém, no ensaio desta noite vimos uma escola mais solta, mais leve e até mesmo mais vibrante, o enredo pede isso, assim como o samba. A escola levou diversos elementos que remetiam a cidade de Maceió para demarcar os setores, foi possível observar uma enorme placa com os dizeres “eu amo Maceió” é um elemento cênico que representava uma enorme cadeira de praia.

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A empolgação e leveza esteve presente em todo o ensaio da azul e branca, várias alas levaram adereços de mãos e brincaram o carnaval, nota-se a presença de algumas alas coreografadas por toda a escola, como por exemplo na abertura, essa inclusive tendo destaque por sua evolução e canto. Como contratempo foi observado apenas um pequeno descompasso após a entrada da bateria no primeiro recuo quando alguns componentes apressaram o passo um pouco acima do ideal.

Outros Destaques

O ensaio da azul e branca foi prestigiado por algumas figuras públicas, sendo a principal delas o ator Samuel de Assis, que no desfile da próxima semana representará a figura central do enredo: Rás Gonguila. Outra figura muito festejada foi Brunna Gonçalves, esposa da cantora Ludmilla, que no carnaval de 2023 cantou ao lado de Neguinho.

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À frente da bateria soberana desde o ano passado, a jovem Lorena Raíssa mais uma vez encantou a Sapucaí com seu carisma e muito samba no pé, mesmo tão jovem ela não parece sentir o peso do cargo e se diverte naturalmente.

“Estamos em uma crescente que vai culminar no próximo domingo. Será um grande espetáculo. É um surpresa! Domingo todo mundo vai descobrir se vamos ter o paradão no desfile. Não tenho o que melhorar. Nós fomos muito bem e fizemos o que estava proposto. Você vê pelo semblante do ritmista. Tivemos um andamento perfeito, as conversões muito bem casadas e o componente interagindo. A escola cantou muito. Estamos no caminho certo. Serão 240 ritmistas. O grande lance é no dia que vamos fazer muito melhor que hoje. A fantasia está aprovada e é belíssima. É uma referência a uma tribo da Etiópia”, disse mestre Rodney.

Vila Isabel: fotos do ensaio técnico na Sapucaí

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Beija-Flor: fotos do ensaio técnico na Sapucaí

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Grande Rio: fotos do ensaio técnico na Sapucaí

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Samba se destaca em desfile do Morro da Casa Verde sobre a luta feminina pela liberdade

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

O Morro da Casa Verde realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi. O samba da escola interpretado por Wantuir foi o grande destaque da apresentação, que teve constantes problemas de evolução. A Verde e Rosa da Zona Norte foi a décima escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, fechando os portões aos 49 minutos.

Comissão de Frente

A comissão de frente intitulada “A Força das Yabás sobre a Figura Feminina” se apresentou em dois atos marcados pelo samba. Há a presença de uma protagonista que contracena com dois diferentes grupos, sendo o primeiro representando as Yabás e o segundo a Figura Feminina. Os grupos se intercalam em interações com a protagonista ao longo dos atos, se juntando na dança em dado momento.

MorroDaCasaVerde et ComissaoFrente

A coreografia chama atenção pela volumetria das fantasias, que dão a sensação de que a pista está preenchida de pessoas ao longo da apresentação do conjunto. Mas a dança não é clara em seu propósito em vários momentos, com exceção em situação onde os demais atores reverenciam à figura da protagonista. O final do segundo ato, onde um dos agrupamentos se alinha para reiniciar a dança, se mostrou problemático ao longo da Avenida, com a atriz principal se adiantando em relação aos demais no primeiro módulo, mas ficando para trás nos demais.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal do Morro, formado por Gabriel e Juliana Souza, desfilou com fantasias representando “Orum Ayê”. A atuação ao longo de todos os módulos apresentou problemas de sincronia nos giros, sendo no primeiro e no terceiro módulo a porta-bandeira por várias vezes concluiu seus passos após o mestre-sala parar. A clara desatenção da parte da dupla pode comprometer a nota final da escola.

MorroDaCasaVerde et PrimeiroCasal

Enredo

O enredo da escola da Casa Verde em 2024 foi “O canto de Ominirá: Negra é a raiz da liberdade!”, assinado pelo carnavalesco Ulisses Bara. A proposta do Morro foi falar sobre a necessidade de exaltar e preservar a cultura e o nome e mulheres pretas que lutaram por sua liberdade e deram suas vidas por seu povo. “Ominirá”, na língua yorubá, significa “independência, liberdade”, o clamor que o tema da Verde e Rosa faz pelas mulheres pretas batalhadoras de todo o mundo.

MorroDaCasaVerde et DonaGuga

Na Avenida, porém, a leitura do enredo se mostrou confusa pelas alas, com poucos segmentos sendo identificados com facilidade. O enredo não conseguiu ser claro em sua proposta após a passagem do Abre-alas, gerando um declínio de reação até seu desfecho.

Alegorias

MorroDaCasaVerde et AbreAlas

O Morro se apresentou com dois carros alegóricos. O Abre-alas foi nomeado como “As Sete Deusas Sagradas – O Berço de Ominirá”, e o segundo carro foi intitulado “A Coroação da Mulher – A Nossa Voz Jamais se Calará – Viva Ominirá!”. A primeira alegoria chamou atenção pelo belo acabamento como um todo e clareza na identificação de seus elementos, em especial as figuras das entidades representadas. O desfile se encerrou com um carro, porém, cujas esculturas não esclareciam sua proposta de representar uma coroação. Havia um grupo cênico em uma estrutura muito elevada o qual do campo de visão observado não estava claro o significado de sua atuação.

MorroDaCasaVerde et SegundoCarro

Fantasias

O Morro da Casa Verde desfilou com alas em referência a diferentes mulheres pretas cujos nomes marcaram a história pela luta e superação. As fantasias apresentaram um bom conjunto de acabamento, porém eram de difícil leitura em sua maioria. Haviam conjuntos de fácil identificação, como a ala “Anastácia e a Máscara do Silêncio”, mas em geral é preciso grande conhecimento da temática abordada para elucidar o significado das roupas.

MorroDaCasaVerde et 9

Harmonia

O coral do Morro começou o desfile animado e vigoroso, mas a lentidão com a qual a escola evoluiu na pista fez com o que o clamor do samba pela comunidade da Casa Verde fosse comprometido. Em dado momento, já na reta final do desfile, com o ritmo acelerado da escola para não estourar o tempo e após um considerável tempo sem tentar apagões, os componentes das alas demoraram a responder gerando um instante de silêncio que comprometeu o andamento do samba.

MorroDaCasaVerde et InterpreteWantuir

Samba-enredo

O samba do Morro da Casa Verde foi composto por Sidney Arruda, André Ricardo, Rubens Gordinho, Thiago SP, Douglas Chocolate, Ulisses Sousa, Jacopetti, Nega e Celsinho Mody, e foi defendido na Avenida pela ala musical liderada pelo consagrado intérprete Wantuir. Considerado um dos melhores sambas do ano de 2024 em São Paulo, a obra se apresentou de maneira correra ao longo de boa parte do desfile, com o início da escola sendo o grande destaque aliado ao bom desempenho inicial da harmonia da escola.

MorroDaCasaVerde et 17

Evolução

­O quesito que mais causou problemas ao Morro da Casa Verde. O início vagaroso do desfile da escola comprometeu o andamento como um todo, e em dados momentos notou-se interrupções no fluxo do cortejo da escola. O receio de não fechar os portões no tempo máximo regulamentar fez com que a escola passasse a acelerar o passo, comprometendo consideravelmente a compactação das alas entre os módulos três e quatro.

MorroDaCasaVerde et Baiana

Outros Destaques

As baianas do Morro da Casa Verde vieram representando “A Realeza Ancestral”, se destacando dentre o conjunto visual da escola. A Rainha Bruna Costa deu o tom do ritmo da “Bateria do Morro”, comandada pelo mestre Fábio Américo. Os ritmistas da Verde e Rosa apresentaram um bom conjunto de bossas, que animaram o público ao longo da apresentação da escola.

MorroDaCasaVerde et RainhaBruna

Fotos: desfile do Morro da Casa Verde no Carnaval 2024

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Equilibrada, Imperador do Ipiranga sonha alto ao falar do universo infantil

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Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

É difícil destacar um único quesito no desfile da Imperador do Ipiranga no Grupo de Acesso II em 2024. Bastante coesa, a agremiação foi a nona a se apresentar para defender o enredo “Desperte a Criança que Há Dentro de Você” e conseguiu destaque, entre outros motivos, pela ótima Evolução, por carros alegóricos bonitos e muito bem acabados e uma bateria com naipes pouco comuns hoje em dia. Encerrado em 49 minutos, o desfile empolgou componentes e arquibancadas.

Comissão de Frente

O tripé do segmento, que não era dos maiores no ensaio técnico e estava inteiro no ferro, enfim foi revelado: era uma espécie de cápsula do tempo em tons terrosos. Na coreografia em dois atos, destacam-se um homem aparentemente já na melhor idade em um momento e uma menina, chamada Yasmin, no segundo. O grande momento de toda a exibição se dá quando a criança interage com um pavilhão da escola, sendo erguida em tal momento. A explicação para tal dinâmica, importante para entender o desfile como um todo, pode ser conferida no quesito Enredo.

ImperadorDoIpiranga et Comissao1

Mestre-sala e Porta-bandeira

Após um ensaio técnico no qual Vitor Barbosa e Naiomy Pires enfrentaram fortes ventos, o desfile oficial teve condições climáticas bem mais favoráveis para eles. E, pensando nos quatro módulos de julgamento, em três deles não foram identificados erros – sendo que em todos os balizamentos obrigatórios foram realizados. Logo na primeira cabine, entretanto, foi notada uma dificuldade do casal para finalizar alguns dos movimentos propostos.

ImperadorDoIpiranga et PrimeiroCasal

Enredo

Para falar do universo infantil, a Imperador do Ipiranga focou nas lendas e imaginações das crianças. Palhaços, o bicho-papão e soldadinhos de chumbo, por exemplo, marcaram presença no desfile. Nesse ponto, a presença das alas “doces e guloseimas” e “pipas”, por exemplo, ganham espaço por conta de tudo que uma criança é capaz de imaginar utilizando tais itens. Basicamente resumido em referências, o desfile teve uma associação bastante clara, ganhando a simpatia de quem acompanhava a exibição. Também é importante pontuar o fio condutor da temática: na história proposta pelo carnavalesco Anselmo Brito, um homem de mais idade começa a recordar a infância e todos os brinquedos com que gostava de se divertir – e, a partir disso, todos eles foram ganhando espaço no desfile.

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Alegorias

O abre-alas, intitulado “O Universo Infantil da Imaginação”, remetia a um parque de diversões ou a um circo – com atrações como uma roda-gigante, palhaços, carrosséis e espaço, até mesmo, para jogos eletrônicos portáteis. A alegoria, por sinal, tinha explosões de serpentinas e muito brilho. Já o segundo, “Reino Encantado”, altíssimo, tinha um castelo com destaque e uma bruxa levitando, chamado atenção pela movimentação suspensa no ar. Não foram identificados erros de execução e nem de acabamento em ambos e no tripé “Bicho Papão”, inteiro preto com um rosto em tons de amarelo e laranja.

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Fantasias

A agremiação usou e abusou das cores e da criatividade para montar as fantasias em 2024. Se ancorando na temática infantil, também foram utilizados materiais como fitas e pompons, altamente integrados ao enredo. Alguns segmentos tinham identificação instantânea, como a ala 09, “Exército de Baralhos” – com uma roupa inteira preta e uma carta de baralho na frente.

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Harmonia

Apesar da boa atuação do carro de som e do samba-enredo receber elogios da comunidade carnavalesca paulistana, o canto da escola foi irregular ao longo do desfile. A ala 01, “Palhaços”, por exemplo, tinha pouca força no canto. A já citada ala “Exército de Baralhos”, porém, contribuía bastante para o canto – e o segundo setor, é bem verdade, tinha rendimento superior ao primeiro. A comunidade crescia quando a Só Quem É, bateria da Imperador, executava um apagão na parte final da canção – ao todo, foram dois.

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Samba-enredo

Todas figuras representadas figuram na obra – como o bicho-papão e palhaços em geral. Toda a canção, por sinal, é dedicada a momentos simples que toda criança costuma fazer: empinar pipa ou brincar com soldadinhos de chumbo, por exemplo. Na música, elas ficam juntas com situações que são desejos de todo pequeno e pequena – como brincar nas nuvens e vencer alguma partida de um jogo qualquer. Vale destacar que a obra buscou, até mesmo, inserir cada elemento na narrativa na ordem em que eles aparecem no desfile. Focando na referenciação de tudo que aparece no enredo, a canção foi muito bem defendida pelo intérprete Rodrigo Atração (fantasiado de palhaço). Dida, uma das integrantes do carro de som, veio como uma princesa, e os demais cantores estavam de boné, meia alta e shorts coloridos – tal qual um garoto levado. A obra, por sinal, foi composta por Xandinho Nocera, Nando do Cavaco, Fredy Vianna, Rodrigo Atração, Edson Liz, André Filosofia, Thiago SP e Ronny Potolski.

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Evolução

Enquanto outro coirmãs precisaram apertar o passo para não estourar o tempo limite, a Imperador teve ótima atuação em tal quesito. Novamente, o recuo da bateria foi um prenúncio do que estava por vir: os ritmistas ocuparam o espaço à frente do box, viraram o corpo e, depois, entraram em linha reta. A ala seguinte foi bastante célere ao ocupar o espaço deixado, em movimento que consumiu cerca de 70 segundos – ótima marca. Encerrado com alguma folga em relação aos 50 minutos tolerados pelo regulamento, o quesito teve especial contribuição para a ótima exibição da escola da Zona Sul.

ImperadorDoIpiranga et InterpreteRodrigoAtracao

Outros Destaques

Dentre os ritmistas, destacaram-se um pratista e um componente tocando reco-reco – instrumentos raros nas baterias paulistanas. A corte da Só Quem É, comandada por Mestre Thiago Praxedes, por sinal, tinha Kananda Santos (rainha), Jaiana Sales (musa), Victorya Menezes (princesa), Sarah Cristina Azevedo (Miss Simpatia) e Arthur Martins (malandro). Após o encerramento da exibição, as arquibancadas aplaudiram a atuação e os componentes, na Concentração, gritavam “É campeão”.

Fotos: desfile do Imperador do Ipiranga no Carnaval 2024

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Conjunto visual se destaca em homenagem da Primeira da Cidade Líder à centenária Portela

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

A Primeira da Cidade Líder realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi. O conjunto visual formado tanto pelas fantasias quanto pelas alegorias se destacou na apresentação, que teve problemas de evolução na reta final. A Azul e Amarelo da Zona Leste foi a oitava escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, fechando os portões aos 49 minutos.

Comissão de Frente

A comissão de frente intitulada “Galeria de Sambistas Imortais” se apresentou dividida em dois grupos em dois atos marcados pelo samba. No primeiro ato, o primeiro grupo, vestido como sambistas representando a comunidade da Portela, fazia passos à frente e cumpria as obrigatoriedades de apresentar a escola e saudar o público, enquanto o segundo grupo, mais atrás, veio vestido cada um de diferentes baluartes portelenses sambando, e quando um deles era citado pela letra do samba, o seu representante ia ao centro. No segundo ato, os baluartes passam à frente junto com o elemento alegórico, um caixote, do qual é retirado um grande pavilhão da Portela desfraldado por eles. Essa bandeira, porém, é virada em dado momento da dança ao passo que uma criança representando Nossa Senhora da Conceição aparece: a outra face do manto portelense se revela como sendo o manto da padroeira da Águia de Madureira. Os atores passam a reverenciar a santa, em um momento que rendeu aplausos do público.

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A dança foi marcada pela boa sincronia dos sambistas do primeiro grupo, que não falharam em cumprir seu papel em nenhum dos quatro módulos. O segundo grupo, porém, apresentou uma leve inconsistência na coreografia por parte de um dos baluartes de frente ao módulo 1, problema solucionado diante dos demais jurados. No terceiro módulo, o pavilhão demorou um pouco a ser recolhido para esconder a criança, o que fez ela ficar levemente à mostra antes de entrar no pequeno tripé.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da Cidade Líder, formado por Fabiano Dourado e Sandra de Jesus, desfilou com fantasias representando “A majestade do samba e a Águia Altaneira”. As roupas da dupla chamaram atenção, sendo a de Fabiano, representando a Águia, vinha com uma iluminação de LED nos olhos e a de Sandra, representando a Portela, vinha com iluminação espalhada por toda a saia, mas sem exageros, ambos dando um belo efeito visual.

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O casal conseguir obter um bom desempenho em todos os módulos, cravando os movimentos obrigatórios com elegância. Fabiano se destacou pela irreverência de sua dança, cortejando Sandra sempre com um sorriso no rosto. O desempenho seguro do casal poderá render boas notas para a Cidade Líder.

Enredo

O enredo da Primeira da Cidade Líder em 2024 foi “Salve ela! A Majestade do Samba Portela!”, assinado pelo carnavalesco Ewerton Visotto. A proposta da Líder foi contar a história centenária da escola de samba carioca Portela através de seus baluartes.

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A maneira original a qual a Cidade Líder apostou em conseguir resumir grandes momentos da história portelense em tão poucas alas permitiu ao desfile uma leitura agradável e recheada de referências de fácil leitura. As duas alegorias cumpriram seu papel de representar símbolos históricos da Portela, fazendo do conjunto da escola um desfile compreensível para qualquer um que conheça a centenária história da Águia de Madureira.

Alegorias

A Primeira da Líder se apresentou com dois carros alegóricos. O Abre-alas foi nomeado como “O teu azul é o infinito, sob o céu de Madureira a Águia Altaneira, da Padroeira nasce a escola de Samba Portela”, e o segundo carro foi intitulado “Se for falar da Portela, hoje não vou terminar, O samba sempre a florescer em versos aos pés da Jaqueira, Centenário de Emoção”.

PrimeiraLider Et AbreAlas

O Abre-alas chamou atenção não apenas pela gigantesca escultura de Nossa Senhora da Conceição, como também pelo fato da imponente Águia à frente do carro vir emitindo o clássico grasnido que a homenageada traz em seu símbolo. O segundo carro trouxe um grande pavilhão portelense estampado à frente, com esculturas representando sambistas nas laterais e uma jaqueira no topo da estrutura, que contou com a presença de pessoas convidadas. Ambas as alegorias vieram com bom acabamento e conseguiram ilustrar a proposta do enredo com clareza, contribuindo positivamente para a leitura do enredo.

Fantasias

A Primeira da Cidade Líder apresentou suas alas de uma forma diferenciada. As alas foram nomeadas em homenagem a grandes baluartes da história da Portela, mas cada ala veio apresentando diferentes conjuntos de fantasias simbolizando registros históricos das épocas em que viveram esses grandes portelenses, como a fundação da escola e desfiles marcantes.

PrimeiraLider Et 14

A ideia de formar filas de fantasias diferentes dentro da mesma ala permitiu um aumento no número de referências percebidas diante do pequeno contingente da Cidade Líder. A qualidade do acabamento das fantasias chamou atenção, com todas as alas observadas representando bem seus significados. Destaque especial para a fantasia da bateria, que mesmo com mais simplicidade representou o considerado primeiro samba-enredo da história, “Teste ao Samba”, com todos os ritmistas trajando becas.

Harmonia

PrimeiraLider Et InterpreteThiagoMelodia 1

A comunidade da Primeira da Cidade Líder clamou o samba com vigor em boa parte do desfile. Ao longo dos dois primeiros módulos, a escola apostou em várias bossas com a bateria “Batucada de Primeira”, sempre bem respondidas pelo canto dos componentes. O vigor do segmento, porém, enfraqueceu na parte final do desfile conforme a escola precisou acelerar o passado para conseguir fechar os portões no tempo limite, o que poder ser observado especialmente no quarto módulo.

Samba-enredo

O samba da Cidade Líder é assinado por um elenco de grandes compositores como China da Morada, Portuga, Fábio Souza, Gui Cruz, Vitor Gabriel, Turko entre outros, e defendido pela ala musical liderada pelo intérprete Thiago Melodia. A letra inicia com uma exaltação à Portela, e conforme vai passando os baluartes são apresentados em meio a referências a enredos históricos.

PrimeiraLider Et 17

A obra ilustra de forma poética os grandes nomes que marcaram a história da escola carioca, encaixando de forma inteligente cada um deles sem necessariamente se apegar à época aos quais estiveram presentes. A ala musical defendeu a obra com grande eficiência, engrandecendo a apresentação da agremiação da Zona Leste.

Evolução

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­O único quesito que destoou dos demais no desfile da Primeira da Cidade Líder. A evolução foi comprometida por um início muito lento, que dificultou a leitura do andamento da escola conforme a apresentação avançava. Restando apenas dez minutos para o encerramento do desfile, a bateria mal havia saído do recuo, o que gerou um receio quanto ao estouro do tempo que fez a escola acelerar muito o passo. A consequência da decisão foi uma correria que causou a abertura de um buraco à frente do segundo carro diante do quarto módulo, que pode gera consequências à escola. No fim, os portões se fecharam aos 49 minutos, restando ainda pouco mais de um minuto para não ultrapassar o limite regulamentar.

Outros Destaques

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À frente da bateria “Batucada de Primeira” reinaram soberanos a Rainha Amanda Martins e o Rei Robson Sambista. Os ritmistas da Cidade Líder, comandados pelo mestre Alê, fizeram grande apresentação dominada por várias bossas diferentes em sequência, demonstrando confiança e levantando o público por onde passou.

Fotos: desfile da Primeira da Cidade Líder no Carnaval 2024

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