Início Site Página 663

Vai-Vai: fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Arranco do Engenho de Dentro: fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Baianas da Em Cima da Hora trazem revolução pernambucana

0

ECDH Esp02 005Além de revoluções industriais e trabalhistas, a Em Cima da Hora trouxe revoluções populares a Sapucaí. A ala das baianas veio representando a Revolução Praieira, ocorrida no Pernambuco, no século XVIII, foi a última rebelião provincial do Segundo Reinado. A Revolução Praieira foi uma disputa entre praieiros e conservadores, as causas da revolução eram o fim da dominação de conservadores, latifundiários e comerciantes portugueses que exploravam os trabalhadores. Os praieiros lutavam pela liberdade de imprensa, voto livre e universal, garantia de trabalho e o fim do privilégio português no comércio brasileiro.

As baianas vieram com uma fantasia predominantemente tricolor, a saia se alternava entre azul-claro, azul-escuro e branco, com bolhas coladas, se assemelham à maré do mar indo e vindo na beira da praia. A ombreira e o costeiro verde limão são os coqueiros que existem nas praias, além do chapéu de palha que, além dos turistas, pescadores usam.

ECDH Esp02 004“A baiana da Em Cima da Hora representa a Revolução Praieira que teve lá em Pernambuco. Esse clima praiano que a gente vai representar na avenida e que tem muita ligação com a questão do trabalhador, por ser uma revolução liberal. Além de que eu adorei a fantasia, a baiana fica feliz com roupa bonita, roupa bonita é leve, que aí a gente consegue evoluir bastante bem. E essa é leve, maravilhosa, acho que dá até para dar cambalhota nessa avenida se precisasse”, contou a professora de matemática e podcaster Gabriela Moreira, de 36 anos.

Para a costureira Rosamaria da Silva, de 76 anos, a fantasia significava a liberdade.

ECDH Esp02 003“É o sol, é o brilho do sol, da liberdade, uma revolução que buscava a liberdade de vida das pessoas, e nós que somos baianas botamos o nosso brilho com a fantasia, fantasia que amei. Eu tenho mais de 30 anos como baiana e adorei essa aqui”, disse a costureira.

Os praieiros da revolução saíram derrotados, mas servem de exemplo e entraram na história como guerreiros que buscavam melhores condições de trabalho para os seus semelhantes, muitos foram fuzilados, outros recrutados ao exército de maneira forçada. Mas a mensagem e o ideal de luta prevaleceu e entrou na Sapucaí hoje.

ECDH Esp02 002“Essa fantasia está tão linda, representando paz, harmonia, tudo de bom que o povo no poder pode querer, assim como a revolução que ela representa. Esse azul mar só pode significar tranquilidade e o verde a esperança, esperança de um povo vivendo num mundo melhor e feliz”, pontuou Maria do Socorro Silva, doméstica de 63 anos.

Os praieiros da revolução saíram derrotados, mas servem de exemplo e entraram na história como guerreiros que buscavam melhores condições de trabalho para os seus semelhantes, muitos foram fuzilados, outros recrutados ao exército de maneira forçada. Mas a mensagem e o ideal de luta prevaleceu e entrou na Sapucaí hoje.

Arranco do Engenho de Dentro com Nise da Silveira e a força do amor

0

Arranco Esp02 002O pavilhão do Arranco do Engenho de Dentro viajou no espaço-tempo em três quadros pintados pela história, com o enredo “Nise: reimaginação da Loucura” em homenagem à Nise da Silveira, uma extraordinária mulher brasileira e mundialmente reconhecida pelo papel revolucionário que desempenhou no campo da saúde mental. O abre alas representou a batalha no centro psiquiátrico do Engenho de Dentro trazendo como a Nise introduziu na psiquiatria a arte e o afeto contra o brutal e caótico maquinário tecnológico usado no tratamento dos internos.

“Antes de mais nada, estar aqui para mim já representa muito. Eu sou um grande fã do Carnaval e é a primeira vez que eu estou desfilando. Eu sou criado no Meier desde sempre, então vizinho do Engenho de Dentro e grande parte da minha vida, eu passei ali pelo Instituto Nise da Silveira, que é o antigo hospital psiquiátrico. Então, é uma história que mexe muito comigo. E conhecer também todo o trabalho da Nise, o que sempre despertou o interesse por conta de estar ali, presente, naquele espaço. E então, assim, poder estar aqui a primeira vez na avenida e também contando essa história que ainda faz parte da minha criação desse desenvolvimento ali na Zona Norte, no ritmo do Meier, em Engenho de Dentro, é sensacional. E o amor é a maior terapia que a gente pode dar. Eu tenho um caso de demência na minha família com uma pessoa bem próxima e a gente sabe como é realmente uma luta envolvida no dia a dia e as demonstrações de amor são o que parece que trazem aquela pessoa de volta ali para você com a total sanidade, então é lindo”, compartilhou Igor Estolano, de 27 anos.

Arranco Esp02 001Enrico Gomes Moraes, de 28 anos, contou sobre a importância desse enredo que representou a luta de sua mãe, que trabalha e luta por essa causa. Ele veio representando todo esse amor que sua mãe carrega: “Esse tema de tratar sobre a Nise da Silveira, por exemplo, é muita coisa para mim, porque minha mãe trabalha com pessoas que são especiais, pessoas que têm alguns transtornos psiquiátricos, pessoas que têm síndrome de down, enfim, tudo que abrange essa esfera do campo da saúde. E minha mãe, ela sai todo ano na loucura que é um dos blocos de carnaval lá do Engenho de Dentro, então, desfilar para mim hoje aqui é muito especial. Primeiro que minha mãe, ela não consegue vir, eu chamei ela, mas ela não consegue vir porque ela tem problemas de mobilidade e falou, desfila por mim lá, me representa também, porque esse é um enredo que me toca muito e tem todo esse simbolismo de levar o que minha mãe tem não só como profissão, mas também como bandeira da vida dela, que é inclusão, que é o que a Nise da Silveira sempre tratou, a inclusão das pessoas que sempre foram excluídas pela sociedade.”

“É inexplicável a sensação de estar desfilando no Arranco esse ano com esse tema que é acolhedor, incrível e tem tanto a dizer, tem tanto a colher, ensinar para a gente: samba, amor e saúde mental que a gente está precisando. Então, vir nessa escola com esse tema, com essas pessoas e ver uma escola tão comprometida com a comunidade é o que faz tudo ficar ainda mais incrível. E o amor salva é, acho que é fundamental, o amor é o que a gente precisa, o amor é o que a gente vê nas pessoas que estão aqui desde sei lá quando organizando esse carnaval para ver a gente sorrindo, para ver cada detalhe sendo feito, então não tem palavras assim que isso não é outra coisa, isso não é nada se não amor”, pontuou Isabel Pinheiro, de 25 anos.

Em Cima da Hora: fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Arranco do Engenho de Dentro reimaginando o insano universo

0

Arranco Esp01 004O Arranco do Engenho de Dentro prestou homenagem a Nise da Silveira, uma mulher extraordinária brasileira mundialmente reconhecida por seu papel revolucionário no campo da saúde mental. O terceiro carro, intitulado “Reimaginar o Insano Universo”, representou o delírio de Momo, que personifica o desejo de reimaginar a loucura e transformar a realidade através da pintura. Essa representação destaca a importância do trabalho de Nise da Silveira na valorização da expressão artística como ferramenta terapêutica na saúde mental.

Newton Rezende, mais conhecido como Tom, de 55 anos e destaque do carro, contou um pouco em entrevista ao site CARNAVALESCO o que esse carro representa e a importância de ser destaque na escola: “Bom, esse carro é o próprio enredo. Nós somos fascinados e loucos pelo carnaval. Então, eu acho que não tem uma figura que possa ter uma maior representatividade com relação a essa loucura que é o carnaval do que o Rei Momo, porque nós somos capazes de fazer qualquer coisa por essa festa. No passado eu estava muito preocupado porque tinha sido o retorno da escola para Marquês de Sapucaí e quando eu cheguei eu tive uma grande surpresa. Eu fui destaque do Arranco durante muitos anos, mas estava afastado e reparei que ano passado estava faltando alguma coisa e agora eu regressei para fazer mais uma vez um destaque para escola. E vamos embora e vamos ser felizes e eu tenho certeza porque o samba é maravilhoso. O que está me deixando muito animado, principalmente, é o samba porque é uma delícia. Você canta ele por duas horas e você não cansa de cantar. Eu acho que pode até ganhar um estandarte de ouro.”

Arranco Esp01 007“É, esse carro representa a loucura suburbana, que é um bloco carnavalesco que sai toda quinta-feira antes do carnaval lá do hospital Nise da Silveira, onde ficavam os antigos loucos, os internados, eles ficavam lá e esse bloco se formou inicialmente com os pacientes. Hoje não, hoje toda a comunidade participa, os moradores, gente de muito longe vem pra participar do loucura suburbana, e é maravilhoso, homenagear a Nise, é muito importante para, principalmente para quem trabalha na psiquiatria ou conhece alguém que tem problemas mentais, psiquiátricos, é muito importante porque ela trouxe uma nova visão para psiquiatria, para o tratamento dos pacientes, olha, é maravilhoso esse enredo”, comentou Adriana Viter Vilarinho de 54 anos.

Ana Franklin de 20 anos e estudante de enfermagem compartilhou que é a sua primeira vez desfilando no Carnaval Carioca e a importância de estrear como destaque do terceiro carro e ainda com esse enredo que ela já estudou na faculdade: “É muito interessante, a história que a gente está contando é uma história muito legal, então poder fazer parte disso é muito divertido e saber que é tipo dentro do nosso território, sabe, é dentro do Meier, é dentro do Engenho de Dentro, é muito bom e é legal vim dentro do carro a primeira vez. É a primeira vez que eu venho na Sapucaí, então está sendo muito divertido. Eu já tinha estudado sobre Nise na minha faculdade, que eu faço enfermagem, e eu já admirava muito todo o processo que ela construiu e aí venho desfilando sobre isso, é brilhante, achei incrível. “

Arranco Esp01 006

Componentes da Em Cima da Hora falam sobre a falta de valorização dos trabalhadores no Brasil e no mundo

0

ECDH Esp01 001A Em Cima da hora prestou uma homenagem aos trabalhadores brasileiros, criticando novas e velhas relações trabalhistas do Brasil e do mundo, a agremiação trouxe acontecimentos históricos que envolvem os trabalhadores do mundo todo.

Passando por revoluções industriais, obras literárias, como “Manifesta Comunistas” de Karl Marx, greves e revoluções populares históricas, relações de gênero no trabalho, a Em Cima da Hora, trouxe as chagas dos trabalhadores para a Sapucaí

ECDH Esp01 004Logo no primeiro setor, um velho e conhecido paradoxo é trazido, chamado “A luta entre o homem, o tempo e a máquina”, o carro abre-alas, chamado “Revoluções Industriais – O Capitalismo X O Proletariado”, trazia na sua frente crânios dourados que, no lugar dos olhos, tinham ferragens. Além de esculturas douradas de operários que se assemelhavam a robôs, havia um grande pêndulo, girando por 360º, que parecia uma ferramenta chave fixa que em cada ponta tinha uma pessoa vestida de trabalhador.

A primeira ala atrás do carro, chamada “O Homem-robô”, representava o homem-máquina, simbolizando a competição do humano com a tecnologia para sobreviver. Na parte da frente da fantasia, era o trabalhador, a traseira era um robô. Participantes desta ala falaram ao site CARNAVALESCO as suas concepções sobre a situação do trabalhador no Brasil e sobre a substituição da mão-de-obra humana, pela tecnologia.

ECDH Esp01 002Taiana Fernandes, de 32 anos, apresentou a sua fantasia e o que ela representava.

“A nossa fantasia está representando o trabalhador e o robô, já que a escola vai falar sobre o trabalhador e estão substituindo o trabalhador por robô, a nossa fantasia representa o homem-robô, ou seja, criticando essa substituição da mão-de-obra do homem, pela tecnologia. Os trabalhadores são desvalorizados porque os patrões querem tirar o trabalho da mão do povo para botar robô. Querem substituir o homem pelo robô, eles acham que é melhor você ter robôs fazendo o trabalho de cem homens do que ter cem trabalhadores para ganhar o dinheiro e alimentar as suas famílias”, contou a auxiliar de creche.

ECDH Esp01 003Para a atriz Ana Cleide Cardoso, de 55 anos, o carnaval é um nítido exemplo do quanto o trabalhador é invisibilizado:

“Eu adoro carnaval, eu amo carnaval, me realizo quando eu estou no carnaval, é uma emoção única. E no carnaval a gente vê muito a força dos trabalhadores, que são quem fazem os carros, produzem as roupas, esses são os artistas que não aparecem, mas são os trabalhadores que fazem essa beleza toda do carnaval. E estão bem representadas por nós aqui nesta ala. Já que no Brasil, as pessoas não respeitam e não abraçam o trabalhador, quem se dá bem como trabalhador são os políticos. Porque a gente que rala, como um professor, uma empregada, não são valorizados. E eu acredito que o trabalhador deveria ser mais respeitado, sim. Eu acho que está na hora de mudar essa visão da classe trabalhadora. E o trabalhador é quem mais ajuda esse país a crescer em tudo. Mas o trabalhador sofre para pegar o ônibus, metrô, acorda cedo e não tem valor, pois ninguém valoriza o trabalhador”, pontuou Ana Cleide.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Sereno no desfile

0

Um bom desfile da bateria “Swing da Coruja” da Sereno de Campo Grande, na estreia de mestre Vinícius na Sapucaí. Uma conjunção sonora de equilíbrio foi apresentada, permitida pelo andamento confortável adotado para o cortejo.

Uma parte de trás do ritmo da Sereno com boa afinação de surdos foi notada. Surdos de primeira e segunda tocaram com bastante firmeza. O surdo de terceira ficou responsável pelo bom balanço, tanto no ritmo, quanto em bossas. Repiques coesos tocaram junto de caixas de guerras corretas, complementando a sonoridade dos médios.

Na cabeça da bateria “Swing da Coruja”, uma ala de tamborins correta executou um desenho rítmico simples e funcional. Um naipe de agogôs de qualidade técnica tocou uma convenção prática com eficiência. Cuícas seguras e chocalhos com bom volume auxiliaram no preenchimento musical das peças leves.

Bossas que contaram com o impacto sonoro provocado pela pressão dos surdos demonstraram ser eficientes. Os arranjos foram elaborados se aproveitando das nuances melódicas do samba da escola de Campo Grande. Através das variações na melodia o ritmo era consolidado, na maioria das vezes com tapas efetuados em conjunto por alguns naipes. A concepção criativa ter sido pautada pela simplicidade ajudou na assimilação musical das bossas.

A apresentação na primeira cabine (módulo duplo) foi boa e enxuta. Já a exibição na segunda cabine foi ainda melhor e até certo ponto mais fluída. Mas infelizmente, por causa dos problemas envolvendo evolução, a bateria passou reto no segundo recuo e fez uma apresentação muito rápida no último julgador. Mesmo conseguindo apresentar duas bossas, a segunda ocorreu com a bateria em movimento, o que sempre aumenta riscos. Um bom desfile na estreia de Mestre Vinícius comandando a “Swing da Coruja” da Sereno de Campo Grande. Uniu boas apresentações em módulos e um ritmo seguro por toda a pista.

Sereno faz desfile com problemas de evolução e boa atuação da parte musical

Por Rafael Soares e fotos de Nelson Malfacini

A escola foi a primeira a se apresentar na Marquês de Sapucaí neste sábado de carnaval da Série Ouro. A azul e branco levou o enredo “4 de Dezembro” para a avenida. O desfile da agremiação ficou marcado pelos inúmeros problemas de evolução, com muitos buracos abertos em vários pontos da pista, inclusive em frente às cabines de jurados, por conta da dificuldade de locomoção das alegorias. Os carros eram simples ao extremo, em sua maioria, mas não tinham grandes defeitos aparentes. As fantasias também eram simples, e na parte mais bonita da escola, elas se repetiam em formatos e soluções, gerando dificuldade na leitura do enredo. Outro ponto negativo foi a apresentação de comissão de frente, com um número cheio de elementos, se tornando bem confusa, além de um tripé mal acabado, com ferros aparentes. O casal de mestre-sala e porta-bandeira teve uma atuação segura e suave, em uma dança bem tradicional. A parte musical da agremiação foi bem defendida, com canto satisfatório dos componentes, e desempenho de qualidade dos cantores e da bateria.

sereno desfile2024 39

Comissão de Frente

Com o nome de “A Santa e o Pagador de Promessas”, a comissão de frente assinada pelo coreógrafo Carlos Bolacha trouxe um grupo de componentes homens e mulheres, além de um tripé em que ocorria boa parte do número. Esse elemento chamava a atenção pelo acabamento precário, que deixava ferragens aparentes. Quando a igreja girava, os integrantes também apareciam, tirando o elemento surpresa. Alguns estavam com pintura corporal vermelha e chifres. Outros representavam retirantes, com um deles carregando uma cruz. A pivô da comissão era a bailarina que representava Oyá. A dança não foi tão forte quanto deveria e também não mostrou muita sincronia, com integrantes esbarrando. Ao final da apresentação, uma componente aparecia no topo do tripé, sendo Santa Bárbara. Uma comissão que muito fez, mas não conseguiu passar uma mensagem clara.

sereno desfile2024 05

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Yago Silva e Lohane Lemos, veio com uma fantasia de nome “O Segredo do Fogo”, representando Oyá e Xangô, unidos pelo domínio sobre os segredos e magias do fogo. A indumentária era brilhante, nas cores vermelho e branco. A apresentação foi bem segura, com giros firmes de Lohane e muita graça e expressividade de Yago. A dança foi tradicional, com poucos elementos coreografados com base no samba. Um dos poucos pontos de real destaque da agremiação.

sereno desfile2024 08

Samba-Enredo

O samba do Sereno tem uma letra que descreve bem o enredo, explicando a relação entre Oyá e Santa Bárbara na manifestação de 4 de dezembro em Salvador. A melodia é pesada e valante, com algumas variações para impulsionar o canto. Composto por Claudio Russo, Jaci Campo Grande, Sérgio Alan, André Baiacu, Beto BR L&L, Fabinho Rodrigues, Marcelinho do Cavaco, Reinaldo Chevett, Aurélio Brito e Fábio Bueno, a obra musical teve bem satisfatório rendimento na avenida. Os intérpretes Igor Pitta e Antônio Carlos mostraram um ótimo desempenho ao cantar o samba, embalados pela bateria de mestre Vinícius.

sereno desfile2024 10

Harmonia

A comunidade do Sereno teve um canto de bom nível em seu desfile, apesar de não ter sido explosivo. O principal trecho entoado pelos componentes foi o refrão principal. Algumas alas do segundo setor do cortejo tinham seu canto prejudicado pelos adornos da fantasia na frente do rosto. Na primeira parte, as alas “A Paixão de Xangô” e “A Senhora dos Eguns” tiveram uma harmonia bem satisfatória, que se perpetuou por boa parte do desfile da escola.

sereno desfile2024 32

Evolução

A evolução da agremiação foi bastante problemática durante a passagem pela Sapucaí. Por conta da dificuldade de locomoção de todas as alegorias, vários buracos foram sendo abertos no cortejo. Muitos deles foram vistos bem na frente das cabines de jurados, o que deve resultar em grandes penalizações na apuração. Além disso, por causa desse ritmo atrapalhado, a agremiação teve que acelerar o passo no final do desfile para não estourar o tempo máximo regulamentar. A escola encerrou o desfile em 55 minutos.

sereno desfile2024 30

Enredo

O Sereno de Campo Grande apresentou o enredo “4 de Dezembro”, celebrando a religiosidade católica e afro-brasileira em contato com a cultura popular na tradicional manifestação em Salvador. As alegorias foram de boa leitura, por conta de seus elementos bem reconhecíveis, com acabamento simples, mas sem grandes defeitos. Já as fantasias não proporcionaram a mesma facilidade na tradução do enredo. Apesar de algumas serem bonitas em suas cores, elas se repetiam nos elementos e soluções estéticas, causando a sensação de mesmice, já que a história parecia não evoluir.

Sereno Esp02 002

Fantasias

O conjunto de fantasias do Sereno de Campo Grande foi marcada pela simplicidade, mas também por beleza em várias soluções e no uso de cores, bem diversificada durante toda a escola. Os materiais não tinham luxo, mas ajudaram a traduzir o enredo em boa parte. Exceto no segundo setor do cortejo, a parte mais bonita, mas repetitiva, dificultando a leitura. As alas “Oyá Transforma-se em Coral”, “O Princípio e o Fim no Barro de Nanã”, e “Ela é a Menina dos Olhos de Oxum” eram bem bonitas e foram destaque positivo da estética da agremiação.

sereno desfile2024 38

Alegorias

O conjunto alegórico da escola foi marcado pela simplicidade em soluções e acabamentos, poucos erros aparentes e boas esculturas. O carro abre-alas, intitulado “Odo Oyá”, retratava o rio Niger, que teve sua origem associada a diversos itans de Oyá, pela criação a partir de um pano preto e por sua transfiguração após sofrer grande tristeza. Também foram vistos animais, como a borboleta, o búfalo e o elefante, em que Oyá se transformou, além de elementos de seu domínio, como o bambuzal. A saia e o corpo do carro era bem simples, mas os animais tinham beleza em sua execução.

sereno desfile2024 24

Na sequência do desfile, a segunda alegoria do Sereno, de nome “Festa no Terreiro”, representava o lugar sagrado para o festejo de Oyá, simbolizado pelos atabaques e pelos orixás do candomblé. Também estavam presentes embarcações e o mar, já que o rito de Iansã assentou em solo brasileiro através da diáspora Atlântica. Outra que tinha saia e corpo bem simplórios, além de panos nos queijos.

sereno desfile2024 18

Por fim, o terceiro e último carro da agremiação, intitulado “Altar para Santa Bárbara”, retratava a festa de 4 de dezembro, que acontece no Pelourinho, em Salvador. Estavam presentes o andor para a santa, além de igrejas barrocas da capital baiana. A alegoria mais bonita do desfile, com boas esculturas e trabalho de cores, mas que tinha defeitos de acabamento em sua saia.

Outros destaques

A bateria do Sereno, comandada pelo mestre Vinícius, mostrou uma boa sustentação de ritmo, que se mostrou bem adequado para a execução do samba pela parte musical da escola, propiciando um canto regular durante todo o cortejo. Algumas bossas de qualidade musical foram executadas, impulsionando a harmonia geral.

sereno desfile2024 16

Segundo carro do Sereno traz festa nos terreiros em 4 de dezembro

0

Sereno Esp02 002O Sereno de Campo Grande veio cantando os festejos de Santa Bárbara e o sincretismo da mesma com Oyá em diversas religiões, com o enredo “4 de dezembro”, dia em que é comemorada a memória da Santa. A escola trouxe em seu segundo carro um retrato de um desses festejos que ocorrem em toda a Bahia, mas especialmente Salvador. Com o nome “É festa no terreiro”, o carro vinha com os festejos afros realizados em honra a Oyá durante o dia quatro de dezembro.

Forrada nas cores vermelha e preto, com alguns desenhos de raio, e tendo tambores do Olodum, atabaques e componentes representando o afoxé Filhos de Gandhy, o carro trouxe a estética afro de Salvador em esculturas e elementos, como nas sereias que vinham na parte frontal do carro. A alegoria, entretanto, ainda tinha alguns queijos sendo forrados um pouco antes do desfile iniciar. O CARNAVALESCO conversou com alguns integrantes que desfilaram no carro.

Sereno Esp02 005Kátia Santana, de cinquenta e um anos, que vem desfilando pela primeira vez no Sereno, comentou sobre a fantasia que ela veio trajando junto com outros componentes, e também um pouco sobre a alegoria: “A fantasia representa os filhos de Gandhy, e a gente tá nesse carro representando, além disso, toda a Bahia, o Olodum também. Já a alegoria tá bem bonita. Tá de acordo, bem de acordo com o enredo, e de acordo com a escola, as possibilidades da escola”.

Já Ronaldo Ornelas vem desfilando pela primeira vez na Sereno, e ficou feliz em estar representando a cultura e religiosidade afro presente no enredo: “A gente vem representando os filhos de Gandhy, que é uma grande representatividade religiosa da Bahia, mas não só da Bahia, né, engloba toda a representatividade das religiões afro e que necessitam de tanto respeito no nosso país. Então acho super válido essa demonstração no maior espetáculo da Terra, que é a Sapucaí, e que a gente vem trazendo o Axé e o respeito da Bahia para a Sapucaí”. Sobre a alegoria, o folião de trinta e oito anos comentou sobre o acabamento e efeito como formas de se manter na Sapucaí. “O Sereno é uma escola que está subindo agora, a escola vem bem preparada para permanecer na série Ouro, os carros estão bem acabados, a fantasia está dando um efeito legal, acredito que a gente vai fazer um bom desfile e para a gente continuar no grupo é que a gente precisa se manter aqui na Sapucaí”.

Sereno Esp02 001