A Ingoo vai salvar o carnaval dos foliões que estiverem presentes nos camarotes do Sambódromo nos dias de desfile oficial da Série Ouro, do Grupo Especial e desfile das campeãs no sábado, dia 21/02. Com sede na China e no Brasil, a Ingoo é uma empresa de tecnologia que tem como um de seus focos o aluguel de Power banks, baterias portáteis para celulares, além de outras linhas de atuação. É com essa expertise que a maior empresa do Brasil no segmento de carregadores portáteis marca presença, pelo segundo ano consecutivo, na Marquês de Sapucaí, auxiliando quem quer aproveitar cada detalhe dos desfiles e reverenciar as escolas de samba sem se preocupar com a bateria do celular.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
Com forte presença pela cidade, a empresa já esteve em grandes eventos como o The Town e conta com grandes parcerias como a Orla Rio e Rock World. Mais do que oferecer praticidade pontual, a Ingoo tem como missão proporcionar liberdade no uso do celular no cotidiano urbano. A proposta é permitir que as pessoas sigam suas rotinas sem interrupções, trabalhando, se deslocando, se comunicando ou aproveitando momentos de lazer, com a possibilidade de retirar um Power bank em um ponto e devolvê-lo em outro, em diferentes regiões do Rio de Janeiro. Toda a rede de totens pode ser consultada pelo site ingoo.com.br reforçando a integração entre tecnologia, mobilidade e conveniência no dia a dia.
É com essa filosofia que a Ingoo chega ao carnaval carioca, garantindo que os celulares usados para registrar os momentos mais icônicos da Avenida permaneçam carregados durante toda a noite, independentemente do local em que o público esteja na Passarela do Samba.
Com presença em quinze camarotes da Sapucaí, a Ingoo está preparada para dar suporte a uma rotina cada vez mais conectada, em que o celular concentra registros, comunicação e experiências. Os Power banks podem ser utilizados com pagamento via Pix, QR Code, cartão de crédito ou pelo aplicativo Phiz Chat. Além disso, a empresa contará com uma equipe de apoio próxima aos totens de carregamento, assegurando uma experiência fluida e eficiente. Assim, cada folião poderá curtir o Carnaval por completo ao longo das noites de desfile, com energia, tranquilidade e diversão.
É hoje! Vão começar os desfiles das escolas de samba da Série Ouro na Marquês de Sapucaí! Nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, sete das quinze escolas vão pisar na Avenida trazendo uma grande diversidade de enredos que prometem encantar o público, iniciando pela campeã da Série Prata do ano passado, Unidos do Jacarezinho, seguida de Inocentes de Belford Roxo, União do Parque Acari, Unidos de Bangu, Unidos de Padre Miguel, União da Ilha do Governador e Acadêmicos de Vigário Geral, encerrando o primeiro dia. Os desfiles iniciam às 21 horas e deverão ter duração de 45 a 55 minutos, com penalização de dois décimos por minuto faltante, antes de chegar a 45, ou um décimo por cada minuto excedido.
Para além das questões de cronometragem, cada escola também terá outros requisitos a serem cumpridos, como o número mínimo de 900 componentes, com destaque para, no mínimo, 35 baianas, com o reforço de que não poderá haver homem na ala, a menos que haja justificativa. A comissão de frente deverá ter de dez a quinze componentes, podendo trazer um elemento alegórico ou não. As baterias deverão vir com, no mínimo, 180 ritmistas em uma mesma fantasia, e as agremiações devem trazer de duas a três alegorias dentro de seus desfiles. A campeã da Série Ouro sobe para o Grupo Especial em 2027, e duas escolas vão enfrentar o descenso, desfilando na Intendente Magalhães no próximo carnaval. Quem estiver acompanhando de casa pode sintonizar na transmissão da Band, que começa às 20h30 no Rio de Janeiro e à 1h para todo o país, e, contando sempre com a cobertura do CARNAVALESCO, vai acompanhar cada momento das agremiações que pisarão na Passarela do Samba.
21h – Unidos do Jacarezinho
“O Ar que se respira, agora inspira novos tempos” é o enredo em homenagem ao sambista, músico e compositor Xande de Pilares, com o qual a Unidos do Jacarezinho retorna à Sapucaí depois de mais de uma década desfilando na Intendente Magalhães. Sob concepção do carnavalesco Bruno de Oliveira, o Jacarezinho vem contar, em três alegorias e 18 alas, toda a trajetória de Xande por meio de sua vida musical, com os sucessos, composições e momentos que marcaram sua história, desde a comunidade do Jacarezinho até sua vida como cantor e compositor de renome, passando também por diferentes lugares relacionados ao artista, como Pilares e o Andaraí, sem nunca esquecer a paixão do artista pelo Acadêmicos do Salgueiro.
A comissão de frente da agremiação conta com Akia de Almeida como coreógrafo, seguindo com o casal de mestre-sala e porta-bandeira Maycon Ferreira e Lorenna Brito. A parte musical conta com os intérpretes Thiago Acácio, estreando na Rosa e Branco, e Ailton Santos, comandando este microfone desde 2009, além da bateria “Show Mil”, regida pelo mestre Rafael Pelezinho, contando com a rainha Karen Lopes e o rei Jorge Amarelloh.
21h55 – Inocentes de Belford Roxo
Segunda escola da noite, a Inocentes de Belford Roxo foi a Pernambuco buscar seu enredo, falando sobre a cultura local e, em especial, o frevo, dança típica do estado, e suas relações com tradições de danças russas, polacas e ciganas, que possivelmente deram origem aos passos da dança que sobe e desce pelas ladeiras, entre outros pontos culturais do Leão do Norte. O enredo “O sonho de um tal pagode russo, nos frevos do meu Pernambuco” vai passear nessa conversa entre possibilidades e causos ao redor da dança até chegar à popular música “Pagode Russo”, eternizada por Luiz Gonzaga, o eterno Gonzagão.
O responsável pela concepção artística da escola é o carnavalesco Edson Pereira, também autor do enredo. A comissão de frente está sob a batuta de Sérgio Lobato e Patrícia Salgado, estreando na agremiação, assim como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Vinicius Jesus e Thainá Teixeira. Ito Melodia também assume o microfone oficial da escola pela primeira vez, enquanto a bateria “Cadência da Baixada” continua sob o comando do mestre Washington Paz, com a rainha Carolane Silva.
22h50 – União do Parque Acari
A União do Parque Acari traz o teatro negro para a Avenida com o enredo “Brasiliana”, sobre a primeira trupe de teatro brasileira formada por pessoas negras. A Brasiliana, ou Teatro Folclórico Brasileiro, aventurou-se pelos palcos como um teatro experimental e será retratada pelas mãos de Guilherme Estevão, carnavalesco da escola, que vai abordar a trajetória desde as primeiras reuniões no Largo do Machado até as peças, a brasilidade dos temas e a vontade de ver o próprio país representado no palco em toda a sua grandeza, com temas e expressões artísticas vindos de diversas regiões brasileiras, como o Maracatu e a Festa do Coco.
A Rosa, Amarelo e Branco tem Fábio Batista como coreógrafo da comissão de frente, Renan Oliveira e Amanda Poblete como casal de mestre-sala e porta-bandeira, Leozinho Nunes e Tainara Martins como intérpretes e, completando a parte musical, a bateria “Fora de Série”, comandada pelos mestres Eric e Daniel, com reinado de Luciana Picorelli à frente dos ritmistas.
23h45 – Unidos de Bangu
Em uma homenagem à cantora, compositora, política e sambista Leci Brandão, a Unidos de Bangu traz “As Coisas que mamãe me ensinou” para a Sapucaí, enredo dos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Salles e Marcus do Val. O trio de artistas vai contar a história, a luta e a musicalidade de Leci, uma das maiores artistas brasileiras, desde o nascimento e a infância em Madureira, onde foi formada pelos pais e pela vivência escolar no Pedro II, tanto na área musical quanto na consciência política.
O encontro com a Estação Primeira de Mangueira também é um dos pontos altos da vida de Leci, assim como seu aprofundamento na religião ainda no início da vida adulta. Por fim, o enredo celebra os sucessos e as lutas de Leci pela comunidade negra, pelas religiões de matriz africana e pela comunidade LGBTQIA+. O Primeiro Pavilhão da Zona Oeste tem Fábio Costa comandando a comissão de frente, com Leonardo Moreira e Bárbara Moura como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Fredy Vianna e Pipa Brasey comandando o microfone e mestre Dinho estreando à frente da bateria “Caldeirão da Zona Oeste”, que tem Camila Prins como rainha.
00h40 – Unidos de Padre Miguel
A Unidos de Padre Miguel retorna à Série Ouro em busca de ascender novamente ao Grupo Especial. O Boi Vermelho vai à Avenida trazendo a história da guerreira indígena Clara Camarão, uma das heroínas da Primeira Batalha dos Guararapes, que foi um dos momentos decisivos para a expulsão definitiva dos holandeses do Brasil. O enredo “Kunhã-Eté: O sopro sagrado da Jurema” também adentra sua origem, prenunciada por um pajé, e seu nascimento encantado, passando por sua vida como guerreira contra os invasores vindos dos Países Baixos em três grandes batalhas no Nordeste brasileiro e terminando com seu encantamento em uma entidade sagrada da Jurema, tornando-se guardiã da história, da floresta e do povo.
O desenvolvimento do enredo e sua concepção estão a cargo do carnavalesco Lucas Milato, enquanto a comissão de frente conta com a estreia de Paulo Pinna à frente. Assim como o coreógrafo, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Marcinho e Cris Caldas, também vem em seu primeiro ano pela Unidos. Outra estreia é a do mestre Laion à frente da bateria “Guerreiros”, que continua com Andressa Marinho à frente. Bruno Ribas se mantém no microfone principal da agremiação.
01h35 – União da Ilha do Governador
Observando o céu de 1910 em busca do cometa Halley, a União da Ilha do Governador convida os foliões a viverem o dia de hoje com o enredo “Viva o Hoje! O Amanhã? Fica pra depois”, do carnavalesco Marcus Ferreira, que promete uma viagem pela vida carioca do início do século, quando um dos cometas mais famosos da história chegou perto da Terra novamente, gerando especulações nacionais e estrangeiras sobre se seria esse o prenúncio do fim do mundo ou de uma grande renovação espiritual para a humanidade.
O Rio de Janeiro, por sua vez, viveu como melhor sabe fazer a passagem do astro, com muita alegria e folia, tanto em 1910 quanto no carnaval seguinte, tudo isso no auge da Belle Époque carioca. A comissão de frente da Tricolor Insulana vem com Júnior Scapin comandando os bailarinos, enquanto o primeiro casal João Oliveira e Duda Martins estreia na agremiação. Tem-Tem Jr. continua como intérprete da escola, contando com mestre Marcelo Santos regendo a “Baterilha” por mais um ano, com o reinado de Gracyanne Barbosa.
02h30 – Acadêmicos de Vigário Geral
Ao adentrar o mundo pensado pelos colonizadores ao chegarem à costa brasileira na virada do século e subverter a visão terrífica que enxergaram em nossa terra, a Acadêmicos de Vigário Geral traz a perspectiva do invadido perante seus invasores, que imaginavam Pindorama como um lugar de criaturas terríficas, monstros marinhos e figuras assombrosas, todas vindas de uma imaginação europeia diante de uma terra por eles desconhecida e pintada como um paraíso horripilante. Agora, na Sapucaí, essa visão será assumida e subvertida para mostrar que, dessa estranheza e de tantas outras visões de mundo, tudo foi devorado para ser recriado e o que deveria nos assombrar agora nos protege.
A Vigário continua com Handerson Big comandando a comissão de frente da escola, com Jhony Matos e Isabella Moura como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. A parte musical da escola, que encerra os desfiles do primeiro dia, tem Danilo Cezar comandando o microfone da escola da Leopoldina e mestre Luygui à frente da bateria “Swing Puro”, que conta com Patricia Souza como rainha.
A Unidos do Jacarezinho leva para a Avenida um enredo que nasce do chão da comunidade e se constrói a partir da trajetória de um artista profundamente identificado com o universo do samba. O homenageado é Xande de Pilares, figura que, segundo o carnavalesco Bruno Oliveira, carrega uma história extensa e rica, marcada por vivências em diferentes territórios e por uma relação direta com o povo.
Durante a pesquisa do enredo, o que mais chamou atenção da equipe foi a quantidade de lugares por onde Xande passou. “A gente se acostumou a dizer que o Xande é um jovem muito velho, pois já passou por muita coisa na sua trajetória em tão pouco tempo”, explica o carnavalesco. As passagens pelo Turano, Andaraí, São Gonçalo, Pilares, Jacarezinho, entre outros locais, ajudam a dimensionar uma caminhada intensa, marcada por experiências diversas e transformadoras.
Identificação como trunfo
Para o carnavalesco, o grande trunfo do desfile está na identificação imediata do homenageado com o público. “É impossível encontrar, em meio aos sambistas, alguém que nunca tenha ouvido uma música do Xande. É dificílimo encontrar quem não goste das músicas dele. Temos praticamente uma unanimidade naquele que é o nosso público-alvo”, afirma. A aposta é que essa conexão direta com a comunidade e com o universo do samba seja determinante na recepção do desfile. A escola desfilará com três alegorias e cerca de 1.200 componentes.
Enredo nasce do chão da escola
A ideia de homenagear Xande surgiu a partir de um pedido da própria escola. A proposta era desenvolver um enredo ligado ao chão da comunidade, que dialogasse diretamente com os moradores do Jacarezinho e com a identidade local.
“A vontade surge por intermédio de um pedido por parte da escola para que pudéssemos fazer um enredo relacionado ao chão da escola, da comunidade. Um enredo com o qual as pessoas da comunidade, não só da escola, mas do próprio Jacarezinho, pudessem se identificar”, destaca.
Além da relevância artística de Xande, pesou o fato de ele ter passado pela comunidade e manter laços pessoais com muitos moradores. “São inúmeras as pessoas que o conhecem pessoalmente. Acreditamos que essa ligação do Xande com a comunidade era muito forte e propiciava essa identificação que era desejada”, completa.
Papel fundamental do samba
Na construção narrativa, o samba-enredo exerce função central. Para o carnavalesco, a música é capaz de traduzir aspectos que o visual, sozinho, não alcança.
“O samba é capaz de musicar o enredo de uma maneira muito própria. Existem dinâmicas importantíssimas na vida do Xande que são difíceis de transpor para o visual, mas que podem ser contadas por intermédio da música, como a arte de versar”, explica. Segundo ele, o samba preenche lacunas que o visual não dá conta, enquanto a parte plástica também esclarece aspectos que o musical, por si só, não alcança. A complementaridade entre som e imagem é, portanto, essencial para contar a história.
Desafios no barracão
A construção do projeto, no entanto, não foi simples. O carnavalesco define a jornada como “muito difícil”, destacando as condições estruturais que já se tornaram praticamente inerentes à Série Ouro, além das consequências dos incêndios que atingiram barracões.
“Acaba se tornando uma tarefa meio ingrata construir o projeto que foi idealizado em meio a isso tudo”, afirma. Ainda assim, ele acredita que o próprio processo de superação se transforma em ponto focal e fortalece a concepção do desfile.
Conversas que moldaram a setorização
O desenvolvimento do enredo contou com participação ativa do homenageado. Foram horas de conversas com Xande, ouvindo relatos, memórias e episódios marcantes de sua trajetória.
“Ouvimos sua história de cabo a rabo, tudo o que ele se lembrava, e também colhemos informações com pessoas próximas. Foi a partir de tudo isso que construímos o enredo. A setorização saiu praticamente pronta quando saímos da primeira conversa com o Xande”, revela.
A escuta atenta foi determinante para estruturar a narrativa histórica que será apresentada na Avenida.
Conheça o desfile da escola
1º SETOR – O Ar que se respira agora inspira novos tempos
O desfile se inicia apresentando os caminhos percorridos por Xande ao longo de sua trajetória. Mais do que enumerar lugares, o setor revela os ambientes e influências que moldaram sua formação cultural. São os territórios, as vivências e os encontros que despertaram o encantamento pela cultura popular e, principalmente, pelo samba. Aqui estão os elementos que ajustaram sua trajetória e o conduziram ao caminho escolhido.
2º SETOR – Pintou de Rosa e Branco a Inspiração
Neste momento, o foco recai sobre a construção de Xande como compositor dentro das escolas de samba. A escola de samba é interpretada como uma grande universidade da vida, onde os concursos de samba-enredo funcionam como espaço de aprendizado e amadurecimento. O setor propõe uma viagem pelos sambas vencidos por Xande ao longo da carreira, revisitando as vitórias e os lugares onde elas aconteceram, simbolizando sua consolidação no universo do samba.
3º SETOR – Coroado na Favela
O desfecho do desfile exalta não apenas Xande, mas a própria cultura do samba. Em um universo onde a criação é, majoritariamente, coletiva, o setor valoriza as parcerias, as amizades e as composições compartilhadas. O homenageado é elevado ao ápice da cultura popular: a consagração por meio de uma homenagem realizada por uma escola de samba, coroando sua trajetória na comunhão da favela e do samba.
Chegou a hora da elite da folia paulistana tomar conta do Anhembi. Nesta sexta-feira, dia 13 de fevereiro, as primeiras sete escolas do Grupo Especial atravessarão a Avenida em busca do cobiçado troféu de campeã do Carnaval. São 14 agremiações, divididas em dois dias, que desfilarão no concurso organizado pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP). As cinco melhores entidades voltam ao Sambódromo, no dia 21 de fevereiro, para se apresentarem no Desfile das Campeãs. Já as duas últimas colocadas caem para o Grupo de Acesso I.
Os interessados em assistir aos desfiles direto do Sambódromo ainda podem tentar a sorte no site do Clube do Ingresso, mas por ora só há entradas para as mesas de pista e para alguns camarotes. As arquibancadas, tanto para as apresentações de sexta-feira quanto de sábado, estão com os ingressos esgotados. Confira a seguir o que esperar da primeira noite do Grupo Especial de São Paulo.
Continuando a tradição iniciada em 2022, o Departamento de Velhas Guardas da Liga-SP abre as apresentações, às 20h30, com um desfile reunindo baluartes das escolas de samba paulistanas, com direito a bateria e um carro de som comandado por intérpretes históricos.
Abrindo os desfiles das escolas de samba, temos a estreante Mocidade Unida da Mooca, seguida por Colorado do Brás, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul. A apuração do Grupo Especial está prevista para ocorrer na terça-feira, dia 17 de fevereiro, a partir das 16h, com transmissão ao vivo pela equipe do CARNAVALESCO.
Mocidade Unida da Mooca – 23h
Vice-Campeã do Grupo de Acesso I em 2025, a MUM desfilará pela primeira vez em sua história na elite da folia paulistana, após sonhar com essa oportunidade nos últimos seis anos. A escola não foi apenas a primeira a anunciar seu enredo para o Carnaval de 2026, como resgatou uma tradição antiga ao fazê-lo junto do próprio samba, composto antes mesmo da sinopse, em cima da ideia do tema intitulado “Gèlèdés – Agbara Obinrin”. É uma homenagem ao Instituto Gèlèdés, uma organização que é referência na luta em defesa das mulheres e pessoas negras contra o racismo e o sexismo. O desfile narrará a história de luta e resistência das mulheres negras desde os tempos da diáspora africana até os tempos atuais, passando pelos projetos sociais da ONG.
Renan Ribeiro, carnavalesco, falou sobre as pesquisas para o enredo. “A partir da pesquisa inicial, que sugeria o início da sociedade Gèlèdés africana, que é um culto urbano feminino e secreto, a gente automaticamente se liga ao Instituto Gèlèdés pelo ativismo do feminismo negro, pela militância política racial. Sabendo desse conjunto de ideias, me sentei com a Thaísa e propus que ela fizesse a pesquisa do enredo livremente, tendo apenas a temática como limite. Eu fui fazer as minhas pesquisas e, 15 dias depois, marcamos um encontro. A Thaísa veio do Rio para apresentar a pesquisa dela. Ela leu a dela, eu li a minha, e era a mesma pesquisa. Tínhamos o mesmo desenrolar da história e o mesmo desfecho, ou seja, aquilo que chamamos de Agbára, que é essa energia que governa o feminismo negro, que governa as mulheres negras, essa energia que provém das mulheres africanas. Sentimos que já estava acontecendo algo que nos conduzia para esse lugar”.
Fundação: 1987
Melhor resultado: Estreante
Colocação em 2025: Vice-Campeã do Grupo de Acesso I
Colorado do Brás – 0h05
A Vermelho e Branco do Canindé vai para seu segundo ano desde o retorno ao Grupo Especial também apostando em uma exaltação à feminilidade. “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado” é o título do enredo que busca resgatar a figura das bruxas como símbolo de liberdade e sabedoria. Da Era Medieval até a Idade Moderna, mulheres eram condenadas à fogueira por quererem ser livres e praticar conhecimentos ancestrais que iam contra os interesses religiosos da época. A escola usará a metáfora do caldeirão para revelar histórias de luta e resistência, transformando o antigo insulto em um grito de poder.
David Eslavick, carnavalesco, falou sobre o enredo o impactou. “Esse mundo de magia e encantamento é uma coisa que eu gosto muito, eu gosto do lúdico. A história por si só é linda, é uma história que teve suas ocorrências, uma história de perseguições. Mas, se aprofundando na temática, é um enredo rico e lindo de se falar. Essas mulheres precisavam que a Colorado retratasse elas novamente. Foi uma coisa meio surreal: toda vez em que eu começava a pensar, vinham elas na minha cabeça. Parecia que elas estavam mexendo comigo”.
Fundação: 1975
Melhor resultado: 6º lugar (1987)
Colocação em 2025: 10º lugar
Dragões da Real – 1h10
A comunidade de gente feliz conta com o talento do “Mago” Jorge Freitas pelo quarto ano consecutivo, desta vez assinando o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”. O desfile contará na Avenida o mito das Icamiabas, que de acordo com lendas dos povos originários, eram mulheres guerreiras que viviam sem homens e protegiam a natureza. É mais um enredo que exalta a força e o protagonismo feminino, agora na defesa das causas ambientais, abordando a relação entre os mitos e as lutas enfrentadas na vida real em nome da preservação.
Jorge Freitas, carnavalesco, falou sobre a importância do enredo
“A ideia é colocar o Anhembi como palco de voz no maior espetáculo que é o carnaval. A luta da nossa causa é pela preservação da floresta, da mata, da Amazônia. Teve a COP 30, que foi um momento de discutir a sobrevivência do mundo. Vamos aproveitar um enredo que nós tínhamos de empoderamento feminino para fazer com que toda essa construção de narrativa desemboque também numa causa que a gente tem que botar a mão na consciência. Temos que pensar que elas fizeram a parte delas e, através da ancestralidade, outras mulheres deram a sua vida na atualidade na luta por essa causa. É o momento de nos unirmos, porque não é só a sobrevivência da mata, dos povos originários e da floresta, é nossa sobrevivência no mundo”.
Fundação: 2000
Melhor resultado: Vice-Campeã (2017, 2019 e 2024)
Colocação em 2025: 6º lugar
Acadêmicos do Tatuapé – 2h15
A luta social em defesa da reforma agrária chega ao Sambódromo do Anhembi através do enredo “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”, desenvolvido em parceria com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). A escola da Zona Leste contará a história da relação do homem com as terras no Brasil desde antes da chegada dos portugueses, mostrando que o conhecimento da agricultura também é ancestral. As diferentes formas de plantio ocorridas desde o período colonial até a atualidade também serão abordadas, destacando as lições aprendidas pelos camponeses, a evolução tecnológica que potencializou o Agro brasileiro e a importância do pequeno produtor rural para a preservação da natureza e o desenvolvimento do país.
Wagner Santos, carnavalesco, falou sobre o enredo. “Ele traz um olhar importante sobre a terra, o cuidado que precisamos ter com ela, já que é o nosso alimento. Por isso, devemos preservá-la e cuidar dela da melhor maneira possível, pois precisamos retribuir tudo o que ela nos oferece. Só estamos vivos porque temos a terra e as águas. Se não aprendermos a preservar a natureza, o meio ambiente e as plantações, com certeza não teremos futuras gerações saudáveis, com qualidade de vida suficiente para sobreviver neste mundo”.
Fundação: 1952
Melhor resultado: 2 vezes campeã (2017 e 2018)
Colocação em 2025: Vice-Campeã
Rosas de Ouro – 3h20
A Roseira chega ao Carnaval de 2026 para defender o título conquistado no ano anterior. Não será uma missão fácil, já que a escola entrará na Avenida tendo que compensar a perda de 0,5 ponto por não entregar as pastas de jurados dentro do prazo estabelecido pelo regulamento oficial. A aposta da Azul e Rosa é no enredo “Escrito nas Estrelas”, que explora a relação da humanidade com o céu. Do nascimento do universo, passando pelos filósofos da astronomia, o desfile recordará que, de acordo com a astrologia, o mundo está vivendo na chamada Era de Aquário, onde estima-se a chegada de tempos de luz e fraternidade.
Fábio Ricardo, carnavalesco, falou sobre os desafios para construir o enredo. “Eu falei que, para falar desse enredo, a gente precisava ter fundamento. Receber e devolver energia, como o universo faz. O que você emana para o universo, ele devolve para você, e a escola precisava estar aberta para receber isso. Eu trabalho muito com essa questão de energia. Aos 50 anos, comecei a equilibrar isso, que é fundamental para qualquer artista que lida com o público e com a comunidade. Esse enredo foi tão energético que eu levei cinco meses em processo criativo, de segunda a segunda, das nove da manhã até uma, duas, às vezes três da manhã, junto com a equipe, especialmente com o Yago Duarte na parte de alegorias. Foi um processo de conexão muito forte, de estudo e entrega”.
Fundação: 1971
Melhor resultado: 8 vezes campeã (1983, 84, 90, 91, 92, 94, 2010 e 2025)
Colocação em 2025: Campeã
Vai-Vai – 4h35
A Escola do Povo levará para o Anhembi a história da cidade de São Bernardo do Campo contada através de um de seus maiores símbolos culturais: A Companhia Cinematográfica Vera Cruz, um dos primeiros complexos de estúdios do Brasil, onde alguns dos maiores clássicos da Era de Ouro do cinema brasileiro foram gravados, como os filmes do eterno Mazzaropi. Através do enredo “Em cartaz: A saga vencedora de um povo heróico no apogeu da vedete da Pauliceia”, a narrativa volta ao passado para relembrar a chegada dos primeiros imigrantes à região, exaltando também a influência nordestina na cultura do município do Grande ABC. A luta social dos trabalhadores industriais também se fará presente, sendo um dos momentos mais aguardados do desfile.
Tati Gregório, enredista, falou sobre a proposta. “A escola vem construindo, há alguns anos, uma narrativa ligada à arte. Primeiro falou do hip hop e depois do teatro. Para o enredo sobre São Bernardo do Campo, optamos por seguir essa linha artística e escolhemos o cinema. A cidade abriga a Vera Cruz, uma companhia cinematográfica que foi e ainda é muito importante para o Brasil. A partir desse gancho, a proposta é apresentar um filme na avenida. Toda a narrativa do enredo é pensada como uma produção cinematográfica”.
Fundação: 1930
Melhor resultado: 15 vezes campeã (1978, 81, 82, 86, 87, 88, 93, 96, 98, 99, 2000, 01, 08, 11 e 15)
Colocação em 2025: 9º lugar
Barroca Zona Sul – 5h30
A noite de desfiles, iniciada com uma sequência de enredos femininos, se encerra com um verdadeiro banho de axé, no raiar da manhã dourada de Oxum. Através do enredo “Oro Mi Maió Oxum”, a Faculdade do Samba exaltará a senhora do ouro, das águas doces e da fertilidade, através da mensagem de amor transmitida pela orixá de acordo com a tradição iorubá. O desfile mostrará as várias qualidades de Oxum, como a de ser a primeira das feiticeiras yamis, que tinha o dom de curar com água fria e o poder de se transformar em pássaro na encantaria. Sua relação com outros orixás também se fará presente, em especial no amor pelo filho Logun Edé, como símbolo do amor materno.
Magoo, carnavalesco, falou sobre a pesquisa do enredo. “No ano passado, a gente focou em uma história e desenvolveu todo o enredo em cima de uma história, os nove oruns de Iansã. Nesse ano, de Oxum, você começa a pesquisar com uma coisa em mente e, à medida que vai descobrindo, você percebe qual o melhor caminho a seguir – por isso é tão importante o trabalho de pesquisa. Foram várias histórias muito legais que, no final, se interligam. Na verdade, o nosso enredo é um compilado de histórias, de feitos de Oxum – que, no final, tem uma única mensagem: Oxum é amor”.
Fundação: 1974
Melhor resultado: 5º lugar (1982, 85 e 90)
Colocação em 2025: 12º lugar
O comportamento do usuário digital mudou. Não de forma gradual, mas estrutural. Plataformas que dependem de atenção contínua já não competem apenas por conteúdo de qualidade, mas por tempo de reação.
Esse fenômeno não surge no vácuo. Ele reflete padrões antigos de consumo coletivo, comuns em ambientes festivos, esportivos e culturais. Eventos de grande apelo emocional sempre funcionaram com base em ritmo, antecipação e resposta imediata.
O que muda agora é o meio. O espetáculo migra para a tela. A lógica permanece.
Compreender essa transformação é essencial para profissionais que atuam em mídia, tecnologia, produto e comunicação.
Arquitetura de Engajamento Rápido em Plataformas Digitais
Plataformas digitais de resposta imediata não são construídas para exploração prolongada. Elas são projetadas para eliminar fricção desde o primeiro segundo de uso. Cada etapa adicional reduz a probabilidade de continuidade.
A lógica é simples. Quanto menor a distância entre intenção e ação, maior a taxa de retenção
inicial. É por isso que soluções como aviator game download apps concentram todo o fluxo —
descoberta, instalação e início da experiência — em um percurso direto, sem camadas narrativas
ou distrações visuais. O valor não está na promessa do produto, mas na execução operacional do
acesso.
Esse tipo de arquitetura não educa o usuário. Ela o condiciona. A repetição de ciclos curtos cria previsibilidade comportamental, reduz o esforço cognitivo e acelera decisões. O resultado é engajamento sustentado por ritmo, não por profundidade.
Velocidade como Estrutura, não como Recurso
Velocidade não é um diferencial. É um requisito. O usuário moderno espera respostas imediatas porque já opera em ambientes onde isso é norma.
Plataformas eficazes compartilham três características operacionais:
Interface limpa, com hierarquia visual rígida;
Ações principais sempre visíveis e repetíveis;
Feedback imediato após cada interação.
Esses elementos não educam o usuário. Eles condicionam o comportamento. A repetição substitui a reflexão.
Atenção Fragmentada e Decisões Automatizadas
Quanto mais curto o ciclo de interação, menor o esforço cognitivo necessário. Isso permite que decisões sejam tomadas quase automaticamente.
Esse modelo explica por que plataformas rápidas mantêm taxas altas de retorno mesmo sem conteúdo profundo. O engajamento não depende de complexidade. Depende de ritmo consistente.
Paralelos entre Cultura Festiva e Consumo Digital de Alta Intensidade
Ambientes festivos sempre funcionaram como laboratórios sociais de atenção coletiva. Carnaval, shows e grandes celebrações seguem padrões claros: estímulo constante, participação ativa e pouco espaço para pausa.
No ambiente digital, essa lógica é replicada com precisão técnica.
Ritmo, Antecipação e Recompensa
Eventos culturais bem-sucedidos operam em ciclos previsíveis. O público sabe o que esperar, mas não exatamente quando. Essa tensão sustenta o interesse.
O mesmo ocorre em plataformas digitais de alta intensidade. O usuário permanece ativo porque espera o próximo estímulo — não por curiosidade, mas por condicionamento rítmico.
Consumo Coletivo, Mesmo em Ambientes Individuais
Embora o acesso seja individual, a percepção é coletiva. Rankings, métricas visíveis e padrões repetidos criam sensação de participação ampliada.
Esse efeito reduz a percepção de risco e aumenta a permanência. O usuário sente que está inserido em um fluxo maior.
O Papel do Profissional de Comunicação
Para quem trabalha com mídia, cultura ou tecnologia, a lição é clara: não basta produzir conteúdo relevante. É preciso entender como o conteúdo se encaixa no ritmo do usuário.
Informação fora do tempo certo é ignorada. Experiência fora do ritmo é abandonada.
Conclusão
A economia digital não gira em torno de profundidade isolada. Ela gira em torno de atenção sustentada por ritmo.
Plataformas de ação rápida mostram que o engajamento não é construído apenas por narrativa ou valor simbólico, mas por arquitetura operacional precisa. Cada segundo conta. Cada ação precisa ter resposta.
O paralelo com ambientes festivos não é acidental. Ambos funcionam com estímulo contínuo, previsibilidade emocional e participação ativa.
Profissionais que compreendem essa lógica não competem por cliques. Competem por tempo efetivo de interação. E esse é o recurso mais escasso da era digital.
O último ensaio de quadra da Unidos do Porto da Pedra foi marcado por representatividade. A escola recebeu a escritora Raquel Pacheco (Bruna Surfistinha), conhecida nacionalmente por sua trajetória que inspirou livros e produções audiovisuais, além da atriz Elisa Sanches, da ativista Lourdes Barreto e de diversos coletivos ligados à luta pelos direitos das profissionais do sexo.
Para o presidente Fabrício Montibelo, a presença das convidadas reafirma o posicionamento do Porto da Pedra diante do tema:
“Nosso papel é contar essa história. Essas mulheres não são personagens, são vidas reais, com trajetórias, dores e conquistas. A presença delas aqui mostra que estamos construindo esse Carnaval da forma certa”.
Fotos: Carlos Vinicius / Divulgação
O enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite” mergulha na história, na resistência e na humanidade das profissionais do sexo ao longo do tempo. Ter essas mulheres próximas ao Porto da Pedra é fundamental para compreender suas vivências a partir de suas próprias vozes, respeitando suas trajetórias individuais e entendendo cada realidade em sua singularidade.
Segunda escola a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Colorado do Brás apresentará o enredo “A Bruxa está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, assinado pelo carnavalesco David Eslavick. Após o décimo lugar na elite da folia paulistana em 2025, ano em que retornou ao pelotão de elite da cidade, a agremiação do Centro da capital conta com a força de um enredo elogiado para alçar voos ainda mais altos na temporada vigente.
Para saber mais sobre o que a Colorado do Brás trará para o Anhembi em 2026, o CARNAVALESCO entrevistou o carnavalesco da agremiação para trazer mais informações a respeito da apresentação da vermelho e branco do Centro de São Paulo.
Experiência que foi semente
Ao ser perguntado sobre o que o motivou a tratar de temática tão diferente no Carnaval, Eslavick foi bastante franco – e aproveitou para destacar que uma antiga ocupação lhe deu uma fagulha: “A ideia do enredo, sendo bem sincero, eu não vou saber te explicar. Foi uma coisa que batia na minha cabeça, ficava suando na minha mente logo que eu estava fazendo o desfile do ano passado. Eu já trabalhei com eventos de terror no Hopi Hari e no Playcenter, e esse mundo de magia e encantamento é uma coisa que eu gosto muito, eu gosto do lúdico. A história por si só é linda, é uma história que teve suas ocorrências, uma história de perseguições. Mas, se aprofundando na temática, é um enredo rico e lindo de se falar. Essas mulheres precisavam que a Colorado retratasse elas novamente. Foi uma coisa meio surreal: toda vez em que eu começava a pensar, vinham elas na minha cabeça. Parecia que elas estavam mexendo comigo. Nisso veio essa ideia de falar delas. Por que não falar? É um mundo que eu gosto, que eu tenho conhecimento… logo, eu vou falar. E assim foi e saiu – está saindo, na verdade”, revelou.
Foto: Divulgação
Pesquisa global
Para tratar do tema em um desfile, Eslavick destacou que, além dos óbvios meios de busca de informações e histórias, também utilizou a intuição: “Dificuldade para pesquisar sobre esse enredo eu não tive nenhuma! Eu me senti em casa para fazê-la, inclusive. Lógico, com muito estudo, muita pesquisa, muito livro, muito documentário e muita coisa da minha cabeça – muita coisa eu faço, vejo e bate. É meio louco isso, mas eu também funciono dessa maneira. Eu fui desenvolvendo junto com o Thiago Morganti, que é o meu enredista. A gente ficou nessa conversa, eu mandava minhas coisas para ele, ele mandava para mim e a gente foi trocando uma ideia bem legal. A partir daí foi surgindo toda a história, começo, meio e fim. Foi bem bacana esse processo, que culminou no samba-enredo da Colorado do Brás de 2026”, comentou.
Foto: Divulgação
Se, à priori, ele tinha comentado que dificuldades não faziam parte da pesquisa do enredo, pouco depois ele comentou quais pontos para a produção do desfile foram mais surpreendentes: “Tinham muitos lugares que eu não sabia que tiveram essas ocorrências de caça às bruxas – na Oceania, na Índia e no Egito, por exemplo. Confesso quem achei que fossem só as bruxas de Salem. Eu até retrato esses lugares no enredo. Eu não conhecia muito, e também não sabia que a bruxa tinha inventado a cerveja. Essas pesquisas todas vão trazendo muita coisa, vão agregando muita coisa. Trabalhando no enredo, a gente foi pensando no que achávamos legal para colocar. A gente foi criando essa história todinha, retratando tudo que essas mulheres fizeram e o que elas retratam hoje. Elas trouxeram muitos benefícios, como a farmacologia. Poucos sabem, mas essa e outras tantas situações e áreas do conhecimento foram as bruxas que fizeram e trouxeram lá atrás, com um resultado que nem todo mundo sabe hoje em dia”, afirmou.
Sequência cronológica
Foto: Divulgação
Para desenvolver o desfile, o carnavalesco preferiu dividir a agremiação em grupos com representações semelhantes em cada um deles: “A gente dividiu em quatro setores, por assim dizer – a divisão de quase todas as escolas será de quatro setores, pelo que sei. A gente abre com o olhar das bruxas visto pela igreja, que é a parte da demonização. Aí, a gente passa justamente por esses setores, que eu te falei, desse conhecimento histórico e de outros lugares que tiveram pontos de demonização. A gente vem contando lugares que as pessoas não conheciam e que existiam bruxas e o que elas fizeram lá. Depois, passamos pelo setor de filmes, de desenhos animados, de teatro e musicais; até chegar no hoje, na mulher, com o empoderamento feminino. Na verdade, esse último setor são as conquistas, são os feitos das bruxas. Essa é a finalização do enredo, são esses quatro setores em que a gente dividiu a história”, afirmou.
Cabeça dark
Ao longo do minidesfile e dos ensaios técnicos, a Colorado do Brás chamou atenção com os primeiros setores inteiros trabalhados em cores escuras. Eslavick comentou que tudo isso estará, também, no desfile oficial – mas a agremiação irá muito além disso: “Geralmente, quando você fala de bruxa, você vê umas cores mais escuras. Eu tenho esse setor, realmente, mas a escola, no geral, vem bem colorida. Tem setores bem diversos, bem coloridos. Mas a parte da frente é uma parte mais trabalhada com preto e roxo, de fato… essas cores um pouco mais frias. Agora, lá para trás, é tudo bem colorido. Em relação a material, os meus dois primeiros carros são cenários. Não é que é galão, não é que é espelho, é bem mais que isso: é juta, são estopas, é algodãozinho cru, entre outros tipos de materiais mais alternativos”, comentou.
Foto: Divulgação
Ao ser perguntado sobre o que acredita que será o ponto alto da passagem da Colorado do Brás no desfile oficial em 2026, o carnavalesco voltou a citar os primeiros segmentos da agremiação: “Todo o contexto é bem interessante, mas eu acho que o meu primeiro setor, a parte da demonização, é bem legal. Vai ter muita coisa bacana! Não que não tenha lá atrás, vai ter sim: eu dividi muito bem isso, eu gosto de pontuar em cada setor alguma coisa para que eu não possa passar despercebido. Todos os meus setores têm alguns pontos bem bacanas e interessantes de ser visto, mas eu acho que a minha abertura é bem legal, vai ser bem impactante. Por eu abrir o carnaval com uma visão e manipulação das bruxas pela igreja, eles achavam que elas tinham pacto com o demônio. A gente abre essa parte do enredo com essa dramatização, com o grande Sabá que é a minha comissão de frente. E, com essa parte da demonização e a sentença, vem o abre-alas – mas não é nada pesado, é interessante de se ver: é o que aconteceu realmente. Eu não posso falar muita coisa, mas é bem bacana”, observou.
Lembranças e recados
Ao olhar para alguns meses atrás, Eslavick relembrou que o primeiro contato de muitos na escola com a temática foi pouco convidativo: “De início, assim que eu trouxe a ideia, eles ficaram meio receosos. Eles acharam que ia cair em algo mais irreverente e engraçado. Não é que o enredo não traga isso, até traz, mas, depois, eu fui mostrando um pouco mais, explicando que seria algo totalmente voltado para a história, para referências históricas. Vai ser uma surpresa para as pessoas, elas vão estar esperando algo que eu não vou apresentar, que não é o óbvio. É um enredo bem histórico. Depois de ter feito tudo isso, de ter conseguido convencer o meu presidente, eles compraram a ideia e foi super bacana”, comemorou.
Foto: Divulgação
E, pensando em quem estará assistindo ao desfile da Colorado do Brás, o carnavalesco deixou um recado: “Vão para assistir a Colorado, porque vocês não vão se arrepender. A escola está bem bacana, diferente de tudo que vocês tenham visto da escola. Não vou fazer comparativo com outras escolas, mas a gente está bem legal e diferente. Vamos trazer novidades, vamos trazer os carros bem mais dinâmicos e mais teatralizados. Vai ser bem bacana, o Anhembi vai ser um espetáculo legal para você sentar na arquibancada ou na sua sala e assistir a Colorado”, finalizou.
A Nenê de Vila Matilde gabaritou os quesitos plásticos no Carnaval de 2025 e, para 2026, pretende manter o êxito. A escola, que está há alguns anos na briga para adentrar o Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, investirá em um enredo de fácil leitura, que relembra os gloriosos anos em que os matildenses desfilaram homenageando São Paulo. Com um enredo espiritualizado, lúdico e patrocinado, a Nenê promete trazer organização, confiança e ancestralidade para a Avenida.
Desfilará com o enredo “Encruzas – Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo”, assinado pelo carnavalesco Danilo Dantas, e será a quinta escola a passar pela passarela do Anhembi.
Naomi Prado/CARNAVALESCO
Danilo abriu as portas do barracão e contou ao CARNAVALESCO o projeto que será desenvolvido na pista.
A chegada do tema
O carnavalesco contou como o tema chegou à escola e como foi desenvolvido até a conclusão final.
“O enredo começou com a sugestão do pessoal do Bar Brahma para o presidente e, com isso, ele pediu para tentarmos desenvolver vários caminhos. Tivemos umas cinco ou seis ideias até chegarmos aonde chegamos. Ficamos com três ideias e, juntando essas ideias, sobrou para mim fazer o resumo, transformar o que aconteceu em enredo.
Foram três ideias, três propostas de sinopse feitas, com desenvolvimento e com toda a criação. Uma era minha e, depois de juntadas as três, não chegamos a um consenso sobre qual seria o melhor caminho. Com isso, o presidente jogou na minha mão e disse: ‘Danilo, se vira, você tem que desenvolver uma linha lógica para esse enredo’.
Foi o caminho que seguimos. Desde o início o enredo era para falar algo ligado à rua, mas eu não queria ir para um caminho que muitas escolas já desenvolveram, seja no Rio, seja em São Paulo. Portanto, fomos para a ideia de falar de São Paulo através da vertente da Ipiranga com a São João, que é a esquina mais famosa do Brasil. Eu já tinha feito algo parecido em outros carnavais, em escolas de grupos inferiores, então dominava um pouco esse assunto. Foi fácil desenvolver e discorrer sobre a Ipiranga com a São João”, contou.
A dificuldade do desenvolvimento
Danilo contou sobre a dificuldade de entrelaçar todas as ideias até chegar a uma base sólida.
“A maior dificuldade foi tentar encaixar as três propostas. Tínhamos oito linhas de caminho para esse enredo. Dividimos em três e elas dialogavam de uma forma: uma iria para o lado religioso da rua em si, outra para o lado histórico e outra para o lado lúdico, que foi o que escolhemos — lúdico e poético.
Eu precisava trabalhar na área que tenho domínio, então procurei pegar um pouco de cada uma para desenvolver essa linha de raciocínio. Também precisava de algo que ligasse tudo isso à Nenê de Vila Matilde, porque seria muito sem sentido não falar da escola. O matildense precisa ter identificação com o enredo.
Naomi Prado/CARNAVALESCO
No ano passado coloquei as duas águias voando numa história e, este ano, precisava de um link com a escola. Pesquisando, vimos que a Nenê tinha uma relação muito grande com a São João: foi tricampeã do carnaval da São João quando o desfile foi instituído oficialmente em São Paulo, em 1968, 1969 e 1970. Esse foi o fio condutor para mostrar a relação da Nenê com o centro da cidade”, disse.
A aceitação da comunidade
“No início acharam que o enredo era só sobre as religiões dos povos de rua e já gostaram disso. Outros torceram o nariz, achando que seria apenas isso, e teve quem dissesse: ‘Nossa, Ipiranga com São João é boêmio, é nostálgico’.
Quando entenderam que o enredo é sobre a esquina e que usamos uma pincelada de espiritualidade, compreenderam que não é um enredo religioso, mas uma homenagem à cidade de São Paulo — algo que a Nenê domina e já fez com sucesso. Colocamos também um toque de malemolência e africanidade no samba, encaixando isso na ideia de encruza”, explicou.
O enredo em setores
“Estaremos divididos em três setores.
O primeiro é histórico, mostrando a relação da Nenê, os ecos de um povo. A rua é tratada como uma alma encantada, com vida própria, gerando histórias. Mostramos construções históricas do centro, como o atual Santander, o Mercado Municipal e o Teatro Municipal, além do surgimento do Bar Brahma como polo da boemia.
O segundo setor fala da esquina musicada. Grandes artistas passaram por lá: Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Caetano Veloso. O bar virou ponto de encontro de toda a sociedade, inclusive estudantes na ditadura.
No terceiro setor voltamos à Nenê, mostrando o encontro da Ipiranga com São João com o Anhembi, especialmente pelo camarote do Bar Brahma. Encerramos com Exu abrindo e fechando os caminhos”, explicou.
O ponto alto do desfile
“O ponto alto é a mistura de espiritualidade com boemia. Isso mexeu com a escola. Nos ensaios, vimos gente de vermelho, com indumentárias religiosas. Incorporaram o enredo.
Naomi Prado/CARNAVALESCO
Mostramos também a personificação do Seo Nenê nos malandros e boêmios, porque ele frequentava a São João. Esse início e final fortes mostram que a Nenê pode voltar a ser protagonista”, afirmou.
Desfile em cores
“A bateria vem de vermelho, assim como as passistas. Temos carro em preto e branco quando falamos de São Paulo. O abre-alas vem dourado, lembrando a era de ouro da cidade. É uma Nenê colorida, mas sem abandonar o azul e branco”, disse.
Materiais
“Usamos muito tecido brilhoso, glitterizado, lunita, estampados. O abre-alas é praticamente todo esculpido, com réplicas de cartões-postais. Vamos investir mais em iluminação e cenografia, com grupo cênico em todos os carros e um abre-alas com dois chassis”, contou.
Para comunidade
“Quero dizer que dá para acreditar. Pelas notas, fomos a escola que mais tirou 10, mas o descarte nos tirou o título. Temos condições de ganhar.
O samba foi criticado no pré-carnaval, mas hoje levanta a comunidade. É um trabalho pensado, milimétrico. Não é gigantismo é acabamento, coesão e clareza”, finalizou.
Ficha técnica 3 carros alegóricos
14 alas
1.700 componentes
Diretor de barracão: Cristiano Paixão