O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, concedeu entrevista ao CARNAVALESCO e abordou a importância do Carnaval do Rio para o turismo nacional, o debate sobre investimento público nas escolas de samba, o enredo da escola de Niterói sobre o presidente Lula e a possibilidade de apoio para que o Paraíso do Tuiuti construa sua quadra.
Foto; Marcio Menasce/Divulgação
‘O Carnaval do Rio é o mais internacional dos carnavais’
Ao falar sobre a relevância do Carnaval carioca para o turismo brasileiro, Freixo foi enfático ao destacar a dimensão global do espetáculo apresentado na Marquês de Sapucaí.
“A importância do carnaval do Rio para o turismo brasileiro é gigantesca. Existem carnavais incríveis no Brasil. O Carnaval de BH é maravilhoso, o Carnaval de Minas Gerais é inteiro, o Carnaval da Bahia, o Carnaval do Recife, o que é Olinda, né? Tem carnavais por todo o Brasil que são incríveis, mas o Carnaval do Rio é o mais internacional dos carnavais. É um carnaval assistido por 160 países que assistem ao desfile. Não estou nem falando do carnaval de rua, estou falando do desfile da Sapucaí”, afirmou.
Freixo ressaltou ainda a grandiosidade artística e o impacto econômico da festa. “As escolas de samba representam um espetáculo que é muito difícil você ter alguma coisa parecida em qualquer época do ano, em qualquer lugar do mundo. São três dias de um espetáculo muito esplendoroso, de muito luxo, de muito trabalho, é de muito significado para uma cidade, de quem faz aquela festa. É muito importante a gente promover o Brasil a partir da festa, da alegria, da geração de emprego”.
Ele citou o volume de trabalhadores envolvidos na produção dos desfiles: “Cada barracão hoje da escola de São Paulo tem 250 pessoas trabalhando. É muito trabalho que tem por trás de cada carro alegórico, de cada fantasia. É muito importante a gente promover o Brasil através da maior festa do mundo, que é o carnaval”.
Investimento público e crescimento recorde do turismo
Questionado sobre críticas ao apoio financeiro do poder público às escolas de samba, o presidente da Embratur afirmou que vê “oportunismo” nas contestações.
“Não sei se é preconceito, eu acho que tem um certo oportunismo, de quem é da oposição, de querer dizer que não pode, enfim, é papel da oposição. Mas a gente tem muita clareza de que a Prefeitura está correta quando investe dinheiro no Carnaval, o governo do Estado está correto e o governo federal também”.
Freixo detalhou os aportes realizados. “A Prefeitura investiu 24 milhões, o governo do Estado investiu 40 milhões, nós investimos 12, porque, claro, a gente tem o Brasil inteiro. Mas é muito importante patrocinar o Carnaval porque o mundo hoje está buscando ser feliz. As pessoas, quando viajam, estão buscando um sentido da vida. E o Brasil está oferecendo isso”.
Ele relacionou o investimento à performance do país no cenário internacional. “O Brasil foi o país que mais cresceu no turismo internacional. Em 25, o Brasil cresceu 37%. O segundo país que mais cresceu foi o Egito, cresceu 20%. O Brasil foi o país que mais cresceu no recebimento de turistas estrangeiros no mundo. Isso tem a ver com a nossa festa, com a nossa cultura, com a nossa capacidade de receber a gente do mundo inteiro sem preconceito. Alguns países o número de turistas caiu, o nosso aumentou e aumentou 37%”.
Enredo sobre Lula e liberdade das escolas
Sobre o desfile da escola de Niterói com enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Freixo afirmou que o chefe do Executivo assistirá às apresentações de domingo, mas negou qualquer interferência do governo no tema escolhido.
“O presidente Lula vai assistir a todas as escolas do domingo, entre elas a de Niterói. O enredo é uma escolha da própria escola. As escolas têm liberdade da escolha do seu enredo. O presidente Lula é um personagem da história que merece ser o enredo, sem dúvida alguma, e essa foi a escolha de Niterói”.
Ele reforçou que não há participação do governo na definição temática. “Nós não temos envolvimento com o enredo, não temos envolvimento com o tema e nem podemos ter.”
Questionado se o desfile poderia ser interpretado como propaganda eleitoral, respondeu: “Não, porque não é algo do governo. É algo de uma escola de samba. Cada escola de samba tem a liberdade de escolher o seu enredo e colocar na avenida. O patrocínio é para todas as escolas igualmente. É um patrocínio para o Carnaval, no mesmo valor que foi no ano passado e que eu espero que seja no ano que vem. Não há nenhuma distinção conforme o enredo de uma escola nem outra. Nem para mais, nem para menos. A responsabilidade do enredo é da escola, não é nossa”.
Apoio à quadra do Paraíso do Tuiuti
Ao final, Freixo comentou a situação do Paraíso do Tuiuti, que ainda não possui quadra própria.
“É fundamental. Eu já cobrei isso de Eduardo. A Tuiuti é uma escola que tem um trabalho incrível, não tem quadra. Eles têm até um terreno doado pela prefeitura, mas ou eles fazem o carnaval, ou eles fazem a quadra. A prefeitura corretamente ajudou o início da Tijuca, e houve um pedido meu, junto com o Thor, Renato Thor, que é o presidente da Tuiuti, para que a prefeitura também ajudasse a Tuiuti”.
Segundo ele, há compromisso do poder municipal. “A prefeitura se comprometeu a ajudar, e eu acho que é muito justo. É uma escola que tem um trabalho incrível, um trabalho social incrível, e tem que ter uma quadra. É bom para o Rio”.
Carolina Maria de Jesus, uma das principais escritoras brasileiras, será homenageada em dose dupla ao longo de 2026: com o longa ‘Carolina – Quarto de Despejo’, que tem previsão de estreia para o segundo semestre, e com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, da Unidos da Tijuca, que vai ocupar a Marquês de Sapucaí durante o Carnaval do Rio de Janeiro. Mineira, apelidada de Bitita, ela ganhou fama mundial em 1960, com a publicação de seu livro ‘Quarto de despejo: Diário de uma Favelada’, em que narra com autenticidade e força poética a vida na favela do Canindé, em São Paulo.
Foto: Mariana Vianna/Divulgação
Maria Gal, protagonista do filme ‘Carolina: Quarto de Despejo’, marcou presença no Baile da Vogue, neste sábado, no Rio de Janeiro. A atriz, que interpreta Carolina no longa e que vai atravessar o Sambódromo como escritora com a Unidos da Tijuca, escolheu um vestido feito exclusivamente para o evento e que é estampado com matérias sobre Carolina. Assinado pela estilista Agatha Lacerda, a roupa reforça a relevância e importância da escritora no cenário cultural.
Com apenas dois anos de educação formal, a autora vendeu mais de três milhões de exemplares, teve sua obra traduzida para 14 idiomas e se tornou a primeira escritora negra brasileira a alcançar reconhecimento internacional.
Do set ao Sambódromo
A Unidos da Tijuca vai contar a história de Carolina Maria de Jesus no Sambódromo este ano. Com o desfile no dia 16 de fevereiro, a escola é a quarta a entrar na avenida e vai passar pelas diferentes fases da história da escritora. Maria Gal será destaque na abertura do desfile, interpretando a própria Carolina, com o mesmo figurino que usou durante as filmagens do longa. A atriz vai atravessar o Sambódromo ao lado do presidente da escola Fernando Horta, que estará caracterizado como Dr. Eurípedes Barsanulfo, médico espírita, que profetizou que Carolina seria poetisa quando ela tinha apenas 4 anos.
Foto: Mariana Vianna/Divulgação
“O convite para fazer parte do desfile começou através da Fernanda Felisberto, historiadora que contribui com a Unidos da Tijuca. Ela sabia que eu estava com o projeto do filme e me apresentou aos integrantes da escola, e foi amor à primeira vista”, brinca Maria Gal. Ela explica que estava fora do país quando soube que o enredo sobre a vida de Carolina seria anunciado como a escolha da escola, mas a sua data de volta coincidia com a véspera deste evento, então, no final, conseguiu estar presente e viu de perto a euforia dos componentes com a decisão.
Foto: Mariana Vianna/Divulgação
O enredo intitulado ‘Carolina Maria de Jesus’ é dividido em cinco capítulos, que correspondem à infância, ao começo da juventude e vida adulta, à mudança para São Paulo e o baque ao se ver marginalizada na Favela do Canindé, ao dia a dia e os registros escritos em seus diários e à força da sua imagem retinta que apontou para outros horizontes. O samba-enredo oficial é de autoria de Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Leopiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca. O carnavalesco responsável é Edson Pereira, com consultoria de Fernanda Felisberto e pesquisa de enredo de Gabriel Melo.
Sobre o filme ‘Carolina – Quarto de Despejo’ – Título provisório
Dirigido por Jeferson De, com roteiro de Maíra Oliveira e produção de Clélia Bessa, o longa é uma adaptação do livro ‘Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada’ e explora aspectos menos conhecidos da autora: o afeto, os desejos, a vaidade, a maternidade e sua consciência política. A narrativa utiliza trechos de seus diários como base de uma trama mais complexa. Não se trata de biografia. O recorte vai do momento da escrita do livro até sua publicação.
Foto: Mariana Vianna/Divulgação
Protagonizado por Maria Gal, que dá vida a Carolina Maria de Jesus, a produção conta ainda com Raphael Logam, Clayton Nascimento, Liza Del Dala, Carla Cristina Cardoso, Ju Colombo, Caio Manhente, Jack Berraquero, Fabio Assunção, Alan Rocha, Thawan Lucas e grande elenco. O filme é uma produção da Move Maria, Raccord Produções e Buda Filmes, com coprodução da Globo Filmes e distribuição da Elo Studios.
As gravações aconteceram no Rio de Janeiro, em novembro e dezembro de 2025 em locações como na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no bairro do Recreio dos Bandeirantes, e nos Estúdios Quanta Rio de Janeiro, onde a equipe de arte, liderada por Billy Castilho, reproduziu a Favela do Canindé dos anos 1950 em um cenário de mais de 400m². Além do minucioso trabalho de arte, o cenário também contou com dois painéis de led com 12x5cm e 4x3cm, que estamparam ora o horizonte de São Paulo, ora uma outra perspectiva da favela do Canindé e ajudaram a dar profundidade e ainda mais realismo ao cenário. Juntos, a favela e os telões de LED ocuparam mais de 700m².
O início:
Em 2014 Maria Gal comprou os direitos do livro ‘Quarto de despejo: Diário de uma Favelada’ e, desde então, se aproximou de Vera Eunice, filha da escritora, com o desejo de fazer outros projetos sobre Carolina. Em 2019, Gal e Clélia Bessa, da Raccord Filmes, se encontraram e decidiram começar a produzir o filme. O primeiro nome que veio à cabeça de Clélia, para dirigir o filme foi Jeferson De, profissional que já tinha uma história com a escritora e que aceitou de primeira embarcar no projeto.
Maria Gal e Carolina Maria de Jesus
Muito antes de adquirir os direitos do livro, Maria Gal já se aprofundava na vida da escritora. Em 2007 ela interpretou Carolina no teatro e, a partir de então, surgiu a vontade de ver a história dela no cinema. “Conforme os anos passam, essa obra se torna mais atual. A Carolina falava de segurança alimentar, protagonismo feminino e negro, saneamento básico, maternidade solo, violência contra a mulher. Ela escreveu para gente de hoje”, afirma.
Para o papel no cinema, Gal passou por diversas mudanças. Os cabelos foram cortados e, segundo a atriz, contam aquilo que poucas palavras conseguem alcançar. “Quando eu aceito transformar meu cabelo pela história de Carolina, não estou apenas mudando o visual, estou abrindo espaço para acessar uma verdade que vai além da minha. Estou entrando no território dessa mulher gigante, que ainda hoje é uma das autoras mais importantes da literatura mundial. Carolina não é só um papel, ela é uma força literária que atravessou séculos, fronteiras e desigualdades, escrevendo de um lugar de silêncio imposto e, mesmo assim, fazendo ecoar a própria voz para o mundo inteiro”, explica Gal. Ainda como parte da composição da personagem, a atriz passou por um grande processo de emagrecimento, chegando a perder mais de 11 quilos e iniciou sua preparação como atriz há um ano, passando por profissionais do Brasil e dos EUA.
Jeferson De e Carolina Maria de Jesus
A história de Jeferson e Carolina começa muito antes deste longa. O diretor já havia feito dois curtas que envolviam o personagem Carolina de Jesus. O primeiro foi lançado em 2001, com Ruth de Souza no papel da escritora e, em 2003, ele dirigiu a premiado ‘Carolina’, que teve Zezé Motta no papel principal. A produção teve grande destaque no Festival de Cinema de Gramado, e venceu os prêmios de Melhor Curta-Metragem e o Prêmio da Crítica. Em 2004, a produção também recebeu o prêmio do Festival É Tudo Verdade e, no mesmo ano, a Cinemateca Brasileira, em parceria com o Museu Afro, realizou uma sessão especial de ‘Carolina’ curta para homenagear os 110 anos da escritora.
‘Eu já estava muito feliz com a repercussão das minhas produções sobre a Carolina, acho que, principalmente, o segunda curta ajudou a dar ainda mais visibilidade ao nome desta figura tão importante para a literatura brasileira. Até que, mais de 20 anos depois, a Clélia me faz um convite irrecusável para encontrar com essa grande amiga Carolina Maria de Jesus”, celebra Jeferson.
Participações especiais e visitas ao set
A adaptação cinematográfica de um dos livros mais importantes da literatura brasileira contou com participações muito especiais. Vera Eunice, filha de Carolina Maria de Jesus, atuou ao lado de Maria Gal e de Laura Vick, que interpretou Vera criança. Em um dia marcante, elenco e equipe se emocionaram ao ouvir as palavras de Vera e vê-la relembrando sua infância ao lado de sua mãe. Em outro momento emocionante, as escritoras Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz e Fernanda Felisberto participaram de uma cena que faz referência ao premiado ‘Central do Brasil’ (1998), quando Dora (Fernanda Montenegro) cobra para redigir cartas para pessoas analfabetas que desejam se comunicar com familiares distantes. No filme atual, Carolina preenche as fichas de despejo dos moradores da favela do Canindé, e as escritoras representam mulheres da comunidade que pedem sua ajuda.
Enquanto rodavam o filme, a equipe também recebeu visitas no set. Lázaro Ramos e o diretor musical Jarbas Bittencourt estiveram presentes no início dos trabalhos. A atriz Glória Pires também marcou presença nas gravações, assim como a cineasta Rosane Svartman, produtora associada do filme.
Durante toda a preparação e filmagem, a equipe manteve, como forma de homenagem, um altar com as fotos de Carolina Maria de Jesus e de Lucas Colombo, filho da atriz Ju Colombo, que faleceu de mal súbito nos EUA em abril deste ano.
Carolina e o mundo da moda
Além de ser conhecida internacionalmente como escritora, Carolina também é vista, atualmente, como um ícone de estilo e sustentabilidade, influenciando o mundo da moda através de sua estética de sobrevivência e autoafirmação. Ela citou: “Agora que vendi mais de 15 mil livros na Tchecoslováquia poderei me vestir com esse tal de Dior”.
Muito antes da sustentabilidade e do upcycling serem tendência no universo da moda, Carolina já os colocava em prática. Como catadora, ela ressignificava materiais, incluindo roupas e objetos descartados, dando a eles novo uso e significado. Suas vestimentas também eram um ato de resistência e, mesmo vivendo em condições precárias, ela cuidava da aparência, utilizando a moda como um ato de dignidade contra a invisibilidade imposta pela pobreza.
Fotos de arquivo e registros publicados dão conta da relação de Carolina com estilistas e sua preocupação e interesse em se vestir de acordo com as ocasiões. Vale lembrar uma imagem que repercutiu bastante na época e mostra Carolina em frente a um avião da AirFrance, pronta para embarcar para o Uruguai para lançar seu livro, com com um look de luxo com pérolas. Ela era vaidosa, gostava muito de roupas elegantes e do cabelo à mostra, crespo e natural, elaborando penteados que comportavam adornos diversos, ampliando o uso dos lenços, parte de sua estética fartamente veiculada, como um de suas fotos mais conhecidas.
Em 2021, Carolina foi tema central de uma exposição no IMS Paulista, em São Paulo, e teve 15 núcleos temáticos com aproximadamente 300 itens entre fotografias, cartas, matérias de imprensa e vídeos, muitos deles desconhecidos do grande público. A mostra dedicou um olhar especial para as experiências de Carolina com a costura, por exemplo, quando confeccionou uma fantasia para usar no carnaval de 1963. Em fotos expostas, foi possível ver sua elegância ao misturar estampas, pérolas e adornos que completavam o elegante visual.
Carolina Maria de Jesus não foi uma “fashionista” no sentido tradicional como é visto atualmente, mas sua capacidade de criar estilo próprio com o que tinha disponível a torna um símbolo potente de moda resistente.
Ao entregar, de forma simbólica, a chave da cidade ao Rei Momo Danilo Vieira, o prefeito Eduardo Paes e o vice-prefeito Eduardo Cavaliere inauguram, na manhã desta sexta-feira, o carnaval de 2026 no Rio, dando início ao reinado da corte carnavalesca deste ano. A cerimônia de oficialização da folia no Rio contou com a presença de toda a Corte Real, no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul do município.
“Para mim, é uma honra, pela décima quarta vez, entregar a chave da cidade ao Rei Momo, e a sua corte. Conclamamos a todos os cariocas e aos que nos visitam a receberem o nosso espírito festivo, a nossa alegria, e que aproveitem cada instante. Não deixem de se divertirem um minuto sequer. O Rio de Janeiro é uma experiência de vida, um estado de espírito, e não há nada que represente mais o espírito desta cidade do que o carnaval carioca. Se divirtam, mas com responsabilidade”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.
O Rei Momo, Danilo Vieira, comemorou. “É com muita gratidão, com muita honra, que eu venho agradecer à prefeitura do Rio de Janeiro por essa oportunidade de poder representar todos os foliões. Declaro, agora, oficialmente, aberto o Carnaval do Rio de Janeiro de 2026”, disse Vieira.
A cerimônia também contou com apresentações da bateria da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, campeã do Carnaval do ano passado, e da banda da Guarda Municipal do Rio. O presidente da Riotur, Bernardo Fellows, afirmou que o Carnaval está diretamente ligado à forma como o Rio construiu sua identidade e força.
“Esse é um evento de suma importância para o Carnaval e para a cultura carioca. O período está diretamente ligado à forma como o Rio construiu sua identidade. Oficialmente, abrimos o carnaval do Rio e celebramos esse momento de folia e realizações, que valoriza nossas raízes e mantém viva a tradição cultural que faz do Rio a capital mundial do Carnaval”, afirmou Fellows.
Além do Rei Momo, estiveram presentes na cerimônia Tia Surica; a Rainha do Carnaval 2026, Caroline Xavier; as Princesas Samara Trindade e Luana Fernandes; e a Corte LGBT+ do carnaval, composta pelo muso John Sorriso; pela musa Viviane Carvalho; e também pela cidadã não-bináriaWend.
A TV Brasil mostra as emoções do desfile das escolas de samba da Série Prata do Rio de Janeiro, com exclusividade na telinha, direto da Intendente Magalhães, neste domingo e segunda, dias 15 e 16 de fevereiro, ao vivo, em rede, para todo o país, às 20h30 e às 21h, respectivamente. A transmissão começa mais cedo, às 18h, no YouTube da emissora pública.
Credito: Rodrigo Peixoto/TV Brasil
A programação é apresentada pelos jornalistas Tiago Alves, Bia Aparecida e Flávia Grossi. Os anfitriões recebem convidados especiais no estúdio para discutir a performance das agremiações e avaliar a evolução das escolas que buscam assegurar vaga na Série Ouro para desfilar na Sapucaí em 2027.
A repórter Anna Karina acompanha os preparativos das agremiações e mostra o esquenta no início dos desfiles, direto da concentração. Já as informações sobre o término das performances, na dispersão, ficam por conta dos repórteres Fernanda Cruz no domingo (15) e Vladimir Platonow na segunda (16).
Tiago Alves e Bia Aparecida assumem o comando da folia no domingo (15), enquanto Flávia Grossi faz dupla com o jornalista na faixa temática do canal público na segunda (16). Em dois dias, a Estrada Intendente Magalhães recebe 29 agremiações que representam a cultura popular com a força das comunidades.
O desfile reúne escolas de samba conhecida que já passaram pelo Grupo Especial do Rio de Janeiro como Renascer de Jacarepaguá, Vizinha Faladeira, Tradição, Lins Imperial, Império da Tijuca, São Clemente, Acadêmicos da Rocinha e Leão de Nova Iguaçu, entre outros pavilhões.
Para comentar a transmissão da TV Brasil, os convidados deste domingo (15) são a pesquisadora Bia Chaves, a produtora cultural Helyane Silsan, a cantora de samba-enredo Millena Wainer, o jornalista Rodrigo Santos e o coreógrafo Marcos Bandeira.
Já na segunda (16), a emissora recebe no estúdio outros especialistas. A produção especial conta com a jornalista Suelen Martins, a diretora de bateria Thayane Cantanhêde, o mestre de bateria Dinho Santos e o sambista Pedro Araújo.
Embalada por ensaios muito elogiados e por uma comunidade que abraçou o samba, a Dragões da Real chega ao Carnaval 2026 apontada como uma das escolas que brigam pelas cabeças. A escola promete um desfile de forte impacto visual e com uma narrativa inédita para a agremiação. A Dragões desfila na sexta-feira de carnaval, primeira noite do Grupo Especial de São Paulo, como a terceira a entrar no Anhembi, à 1h10.
Durante visita do CARNAVALESCO ao barracão da escola, foi possível observar um carnaval em estágio avançado de produção. As alegorias já montadas ocupam boa parte do espaço, com estruturas de grande porte, enquanto a separação das fantasias acontece simultaneamente. A organização chama a atenção, seguindo uma marca já conhecida da Dragões da Real, que, nos últimos anos, tem apostado em elementos alegóricos imponentes e bem acabados.
O projeto é assinado por Jorge Freitas, hexacampeão do carnaval paulistano. O carnavalesco acumula títulos por diferentes agremiações, com passagens vitoriosas por Gaviões da Fiel, Rosas de Ouro, Império de Casa Verde e Mancha Verde, além de atuações em escolas como Pérola Negra, Vila Isabel, Portela e Arranco.
Com o enredo “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”, a Dragões da Real apresenta, pela primeira vez em sua história, um enredo de temática indígena. A narrativa aborda a lenda das Icamiabas e conecta a história das guerreiras à luta contemporânea das mulheres e dos povos originários pela preservação da Amazônia e do meio ambiente.
O Mago explicou que já tinha esse enredo pensado há algum tempo junto com o enredista e que a escolha dialoga com o momento atual e com a necessidade de o carnaval se posicionar diante de pautas urgentes.
“A gente tem algumas sintonias de inconsciente coletivo. Os enredos mudam de década para década, tanto na construção quanto na narrativa. Eu vejo que não é mais o momento de o carnaval de São Paulo fazer um carnaval apenas com requinte; não é só isso que as pessoas querem ver. Então pegamos o enredo que a gente tinha lá atrás, que já não era o momento de colocar, e demos uma pincelada na atualidade, no que está acontecendo, tendo como base essa narrativa de empoderamento feminino. Aproveitar tudo isso porque é uma causa”, pontuou.
O carnavalesco destacou o desejo de usar o carnaval como espaço de amplificação dessas pautas.
“A ideia é colocar o Anhembi como palco de voz no maior espetáculo que é o carnaval. A luta da nossa causa é pela preservação da floresta, da mata, da Amazônia. Vamos aproveitar um enredo que nós tínhamos de empoderamento feminino para fazer com que toda essa construção de narrativa desemboque também numa causa para a qual a gente tem que botar a mão na consciência. Temos que pensar que elas fizeram a parte delas e, através da ancestralidade, outras mulheres deram a sua vida, na atualidade, na luta por essa causa. É o momento de nos unirmos, porque não é só a sobrevivência da mata, dos povos originários e da floresta; é a nossa sobrevivência no mundo”, afirmou.
Plástica e impacto visual
Conhecido pelo acabamento refinado e por alegorias grandes, Jorge contou que o carnaval da Dragões, em 2026, aposta em um impacto visual forte, aliado a uma construção plástica diferente das anteriores.
“Eu mantenho a minha linha, mas numa construção plástica que parece que nem fui eu quem fiz. O carnaval é completamente diferente e audacioso, é poderoso, de uma volumetria muito grande, mas, acima de tudo, de uma expressão de luta muito maciça também. Eu acho que é isso que vai fazer com que a gente faça um bom desfile”, comentou.
O carnavalesco também falou sobre as alegorias de impacto e fantasias volumosas para sustentar visualmente a narrativa ao longo do desfile.
“São quatro alegorias. Como as minhas alegorias são muito grandes e têm uma potencialidade de volumetria muito forte, com fantasias muito grandes, eu priorizei contar, por meio das alegorias e das fantasias, essa narrativa”, completou.
Comunidade como ponto alto
Para Jorginho, o grande trunfo da Dragões da Real não está concentrado em uma alegoria específica, mas na resposta da comunidade em cena.
“Nas fantasias eu misturei muito luxo com originalidade e com produto natural mesmo. Isso me deu um resultado final muito grande. Mas não adianta você ter tudo isso e não ter uma comunidade pronta para vestir isso e interpretar tudo na avenida. Então, o ponto alto hoje é a nossa comunidade cantar, do início ao fim, esse samba”, disse.
Ele também destacou o trabalho feito nos ensaios para garantir que os componentes compreendessem o que estão cantando e representando.
“Não são palavras tão fáceis e de dentro do nosso cotidiano, mas nós tivemos o cuidado e o carinho de fazer ensaio por ala, ensaio por setor, em que eu ia mostrando frase por frase e fazendo com que houvesse uma interpretação dentro de um contexto lendário e do contexto atual. Se a gente não explicar e mostrar o porquê de aquilo estar ali, a pessoa pode cantar até outra palavra. Houve uma atenção muito grande desde que o samba saiu”, completou.
ENTENDA O DESFILE
O desfile da Dragões da Real será dividido em abertura e três setores, organizando a narrativa da lenda das Icamiabas até a leitura contemporânea sobre a destruição ambiental.
A escola levará para a avenida cerca de 2.500 componentes e quatro alegorias, apostando em grandes estruturas e fantasias volumosas para sustentar visualmente a história apresentada.
O carnavalesco Jorge Freitas adiantou como a paleta de cores ajuda a contar a história ao longo do desfile.
“Visualmente eu só tenho uma ala dourada, mas eu tenho um visual muito impactante. A terra cobre a abertura; depois eu tenho o verde da floresta, que aparece muito; o marrom do habitat da aldeia originária; e o preto da escuridão da morte que nós estamos causando”, explicou.
ABERTURA
A abertura vai da comissão de frente ao abre-alas e apresenta o primeiro contato com o universo simbólico das Icamiabas, introduzindo o tom mítico e ritualístico que guia o início do desfile.
“Eu tenho uma abertura. Ela vai desde a comissão de frente até o abre-alas”, explicou.
SETOR 1
O primeiro setor desenvolve o mito de origem das Icamiabas, com a apresentação da aldeia formada apenas por mulheres e do ritual que marca a relação com os povos tupis.
“O primeiro setor vai do abre-alas até o segundo carro. Ali a gente mostra a origem do surgimento das Icamiabas. O ponto fundamental é a nossa segunda alegoria, que apresenta a aldeia só de mulheres e o grande ritual do acasalamento, na noite de primavera, sob os olhos de Jaci, a Lua. É a festa, o grande ritual, convidando os índios tupis a participarem. Ao fim desse ritual, é entregue a eles um amuleto retirado do fundo do rio Nhamundá, de onde também nascem as Icamiabas”, explicou.
SETOR 2
O segundo setor introduz o conflito central do enredo, com a chegada do invasor europeu e o embate das guerreiras na defesa da floresta.
“No outro setor, a gente entra no confronto, que é a invasão do homem branco vindo da Europa para explorar as riquezas das nossas matas e das nossas florestas. Como guardiãs da natureza, elas conseguem, através da metamorfose, se transformar em arara, onça e jacaré, que são animais da floresta. Quando o invasor chega, é surpreendido por elas. Os que sobreviveram levaram essa história para a Europa, dizendo que foram derrotados pelas mulheres guerreiras amazonas, misturando com a ideia das amazonas guerreiras da Grécia”, contou.
SETOR 3
No último setor, o desfile faz a transição do mito para a leitura contemporânea, colocando o homem como o novo agente de destruição da floresta e deixando uma provocação direta ao público.
“No último setor, as guerreiras Icamiabas passam a ser chamadas de Guerreiras Amazonas, o rio Nhamundá vira base do Rio Amazonas. E hoje o invasor não é mais alguém que vem de além-mar: somos nós destruindo as matas e as florestas. Eu chego ao último carro com o dedo na ferida. O que nós estamos fazendo para essa mudança? Eu deixo em aberto. É um momento de reflexão”, concluiu.
O Carnaval 2026 marca um novo momento para o Mercado Pago. Braço financeiro do Mercado Livre, a instituição estreia como patrocinadora oficial da Marquês de Sapucaí e amplia sua atuação nos maiores carnavais do país, consolidando a estratégia de unir entretenimento, tecnologia e segurança financeira em grandes eventos populares.
Durante coletiva realizada nesta semana, executivos da companhia apresentaram dados de crescimento, investimentos em patrocínio e novas soluções voltadas para os foliões.
Crescimento acelerado na América Latina
Segundo Pethra Ferraz, diretora de marketing para a América Latina, o Mercado Pago vive um momento de expansão histórica no Brasil e na região.
Hoje, o grupo Mercado Livre já registra 72 milhões de clientes ativos na América Latina, com o Mercado Pago representando 45% da receita total do grupo. Entre os principais indicadores apresentados:
+110% de crescimento em usuários ativos
+530% em ativos sob gestão
+422% no portfólio de cartão de crédito
NPS 77, considerado um dos melhores índices de experiência do usuário entre instituições financeiras no Brasil
118% de aumento em investimentos em patrocínios no último ano
“O Mercado Pago vem evoluindo não apenas como banco digital, mas como uma marca presente na cultura e no entretenimento. O Carnaval é uma celebração da nossa identidade, e queremos estar próximos dos nossos clientes nesse momento”, destacou Pethra.
Este é o terceiro ano consecutivo de patrocínio ao Carnaval de rua no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, mas 2026 marca a estreia como patrocinadora oficial da Sapucaí.
Sapucaí nas alturas e prêmio rendendo 120% do CDI
Entre as novidades anunciadas está a criação de um camarote nas alturas da Sapucaí, instalado sobre a estrutura oficial do Rio Carnaval. A estrutura tem 25 metros de altura, suporta até 90 toneladas e comporta até 10 convidados por vez, com seis subidas programadas por noite, podendo ter a programação ampliada conforme a demanda.
O acesso inclui uma ponte exclusiva no setor 2, permitindo a circulação de convidados de outros camarotes. Cada experiência dura cerca de 20 minutos.
Outra iniciativa inédita é o prêmio da escola campeã do Grupo Especial, que estará aplicado rendendo 120% do CDI desde o segundo semestre de 2025, ampliando o valor final recebido pela vencedora.
Além disso, a marca lançou o Ônibus Mercado Pago, que levará foliões para experiências exclusivas durante o período carnavalesco.
Segurança financeira vira prioridade no carnaval
Se, por um lado, a festa movimenta bilhões, por outro, ela também aumenta a preocupação com a segurança digital. Daniel Holanda, diretor de segurança do Mercado Pago, apresentou dados que mostram o comportamento dos brasileiros durante grandes eventos.
Segundo levantamento da empresa:
67% das pessoas não se sentem seguras para levar o celular à rua
25% deixam de sair por medo
62% saem, mas reforçam a segurança
59% utilizam aplicativos financeiros alternativos
22% optam por levar apenas dinheiro físico
27% evitam fazer transferências na rua
20% confirmam dados antes de concluir transações
Diante desse cenário, o banco lança no Carnaval o Modo Blindado, um novo produto de segurança digital.
A funcionalidade permite:
Definir limites de uso
Ocultar saldos
Ativar reconhecimento facial para transações
Acionamento automático
Bloqueio temporário de até 8 horas
“A gente entende que o Carnaval é momento de alegria, não de preocupação. O Modo Blindado foi criado para dar mais tranquilidade ao usuário, protegendo saldo, cartão e dados em situações de risco”, explicou Daniel.
Carnaval como vitrine estratégica
Com presença crescente em eventos, reality shows e programas de entretenimento, o Mercado Pago aposta na conexão emocional com o público como diferencial competitivo.
Ao assumir o posto de patrocinadora oficial da Sapucaí em 2026, a empresa reforça seu posicionamento não apenas como banco digital, mas como marca integrada à cultura brasileira.
Em um Carnaval que deve movimentar bilhões na economia do Rio de Janeiro, tecnologia, experiência e segurança passam a desfilar lado a lado na Avenida.
A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) oficializou, nesta sexta-feira, a punição ao Rosas de Ouro – que partirá da apuração com cinco décimos a menos que as coirmãs do Grupo Especial. O motivo do desconto foi o atraso na entrega das pastas técnicas para a instituição – que deveriam ser entregues na Sede da organizadora até 23h59 do dia 09 de fevereiro.
A punição se baseia no Artigo 11º do Regulamento: “Art. 11º – As escolas de samba deverão entregar no dia 09 e 10 de fevereiro de 2026 (segunda-feira – escolas do dia 13/02/2026, terça-feira – escolas do dia 14/02/2026), a partir das 18:00 até às 23:59, na sede administrativa da LIGA, 47 (quarenta e sete) pastas: sendo 45 (quarenta e cinco) para os jurados e suplentes (05 por quesito); e 02 (duas) pastas completas para a Liga (conteúdo idêntico as pastas de quesitos individuais), além de uma versão em formato PDF, em mídia física (Pen Drive)”.
A punição de meio ponto aplicada à Roseira já estava prevista no Regulamento, na Seção IV, no Artigo 18º, Inciso I, Alinea A:
“As escolas de samba perderão 0,5 (meio) ponto na fiscalização, concentração e na pista, durante o seu desfile, a cada infração a seguir relacionada, em que vierem a incorrer: não entregar, nos dias 09 e 10 de fevereiro de 2026 no horário das 18h00 às 23h59 horas, na sede administrativa da LIGA, a documentação prevista no art. 11º”.
Liga-SP explica novo sistema
No comunicado, a organizadora dos desfiles dos três principais grupos do Carnaval paulistano pontua que a situação aconteceu com apenas uma das trinta e uma afiliadas de 2026:
“O Sistema Padroniza foi criado e validado com o auxílio de todas as escolas de samba, para facilitar a padronização e a entrega das pastas técnicas. O desenvolvimento do sistema foi acompanhado, validado, aprovado e testado por representantes de todas as Escolas de Samba filiadas à Liga-SP.
O mesmo sistema foi disponibilizado para todas as Escolas de Samba, dos três grupos, sendo certo que 31 agremiações cumpriram, sem qualquer problema, a entrega de suas pastas”.