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Tuiuti faz desfile com apresentação emocionante da comissão de frente e fácil leitura do enredo, mas esbarra em Evolução perto do fim

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Por Lucas Santos e fotos de Nelson Malfacini

Em seu sétimo carnaval seguido no Grupo Especial, o Tuiuti sempre gera muitas expectativas de repetir o histórico ano de 2018, quando conquistou o vice-campeonato. E contando com Jack Vasconcelos de volta, carnavalesco daquele importante desfile, as perspectivas da comunidade eram maiores para uma nova apoteose, ainda mais trazendo um tema com forte apelo político e emocional, utilizando a homenagem a João Cândido para falar também da luta por direitos humanos. Com um início arrebatador e muito tocante em uma comissão de frente que achou soluções simples para apresentar o tema no tom que ele pedia, e com um abre-alas bem produzido, enorme em três chassis e mais um conjunto bem pesado de cavalos que puxava a alegoria, o Tuiuti deu a entender que faria outro desfile inesquecível. A facilidade com a transmissão do enredo, bastante peculiar a Jack, esteve presente, mas já na parte final do desfile, a dificuldade para colocar o último carro na Sapucaí gerou um buraco em frente ao segundo módulo e correria no último módulo, no final do desfile para não estourar o tempo. Com 1H08, o Paraíso do Tuiuti foi a quinta escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial apresentando o enredo “Glória ao Almirante Negro”.

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Comissão de Frente

Coreografada por Claudia Mota e Edifranc Alves, a comissão “Heróis do mar, heróis brasileiros, herói da pátria” apresentou uma coreografia mais desenvolvida tanto no alto do elemento cenográfico que inicialmente simbolizava um baú, quanto no chão, com os bailarinos vestidos de pescadores e pescadoras, representando a pesca artesanal e as tradições passadas por gerações. Em baixo, os componentes apresentavam para o módulo julgador, inicialmente o movimento da pesca e o manuseio das redes. Em seguida, o primeiro truque, os homens uniam as saias da mulheres na dança e formavam o balanço do mar com a vestimentas interligadas.

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Depois, o elemento tampava o primeiro elenco, e já em cima do baú os marinheiros desenvolviam primeiro a marcha própria dos marujos e depois uma dança. O elemento então aos poucos vai se transformando em um barco com as redes em baixo tomando o formato da proa do navio, e em cima subiam as velas. No último módulo, uma das velas até apresenta um rasgo que é possível notar mas não interfere na apresentação como um todo. No momento mais forte da comissão, no uniforme de marinheiro começavam a brotar amanchas de sangue nas costas e quando os marujos tiravam a casaca, as costas estavam marcadas pela chibata. No final o Almirante negro era elevado no barco e apresentando como herói.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane apresentou o figurino “Calunga grande, o mar”, que representa o mar como um portal onde nasce a vida, lugar onde ondulam memórias, sonhos e também batalhas. João Cândido tinha o Mar em si, seu habitar mais desejado e que nunca, mesmo com os percalços sofridos, o deixou desamparado. A roupa era toda trabalhada no azul clarinho, completada pelo branco, tipo espuma, com a vestimenta de Dandara revestida de conchas e pedras preciosas. Na coreografia a dupla apresentou uma coreografia marcada pelos traços tradicionais da dança de um casal de mestre-sala e porta-bandeira, como vem sendo o estilo dos dois. Mas, teve uma pitadinha mais coreografada seguindo o refrão do meio do samba “Lerê Lerê mais um preto lutando pelo irmão”, quando Raphael e Dandara apresentavam passos mais ligados às religiões de matriz africana, muito bem sincronizados e bem cravados.

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No último módulo, Dandara teve que enfrentar um vento um pouco mais forte, mas com grande experiência e talento, a porta-bandeira manteve o pavilhão bem desfraldado como fez nos demais módulos. Apresentação muito correta, sem erros aparentes e com um algo diferente que sempre acaba levantando o público e atender os anseios dos jurados.Os guardiões “Falange dos marinheiros” representavam o mar como ponto de força da linha de Marinheiros, fazendo a ronda na Calunga Grande no Reino de Iemanjá. Os Guias Marinheiros, na Umbanda, surgem para levarem ao mar tudo que causa dor e sofrimento, ajudando aqueles que os procuram, auxiliando os desencarnados e os encarnados.

Harmonia

O canto do Tuiuti começou muito bem no primeiro módulo, e se manteve até o segundo, no terceiro, já com os problemas de evolução da escola, e com a correria no final, o componente sentiu mais dificuldade de evoluir e manter a intensidade do canto. A partir daí foi mais perceptível encontrar componentes que não estavam cantando. De qualquer forma a situação não fica tão difícil no quesito já que seria apenas um módulo. Resta entender como o jurado vai ver nos demais, foi um rendimento satisfatório, não foi um sacode, até porque a obra não é voltada tanto para esse aspecto, mas um rendimento bom.

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Em relação ao Pixulé, voltando ao Grupo Especial depois de 10 anos, o cantor, experiente, de anos de Sério Ouro e no Especial de São Paulo, moldou a ona a sua forma peculiar de condução musical. Alternando potência vocal com apuro musical e harmônico. A equipe vocal, que tinha entre outros, Hudson e Leonardo Bessa, além de vozes femininas, deixaram o intérprete à vontade para convocar o componente ao canto. A princípio nenhum problema neste sentido.

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Enredo

O enredo “Glória ao Almirante Negro!” foi desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos e teve como missão glorificar João Cândido como um herói brasileiro, mostrando que ele enfrentou forças superiores como nunca antes havia acontecido e virou referência na luta por direitos humanos. O carnavalesco se utilizou de uma linguagem épica e de heróis de quadrinhos para transmitir o tema. No primeiro setor “Navegando entre correntes e contracorrentes”, o Tuiuti apresentou os elementos que ajudam a compor o cenário de introdução da história: o mar e a promessa republicana no período pós escravidão.

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Em seguida em “Veio dos Pampas para as águas da Guanabara” Jack apresentou um pouco da infância do menino João Cândido no interior do Rio Grande do Sul, seu encaminhamento para a Marinha e a chegada ao Rio de Janeiro. Do sonho em navegar pelo mundo ao pesadelo da fome e da chibata. No terceiro setor “O tempo e o vento do marujo”, a escola mostrou que João Cândido se tornou um marinheiro de primeira classe, destacando algumas das mais importantes missões nas quais embarcou e o crescimento de sua consciência e liderança entre a marujada. Em “Revolta Vermelha” o vermelho da revolta tomou conta do desfile após o castigo extremamente cruel a um companheiro da marujada.

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No quinto setor “Nascia um herói libertador”, fez-se um relato e uma critica aos altos oficiais da Marinha daquela época que alimentados por teorias racistas, duvidavam que pessoas pretas tivessem tamanha competência para sustentar uma insolência como aquela. Em “Foram traídos, mas não traíram jamais” acompanhou-se a traição do Palácio do Catete, sua trama diabólica para burlar a opinião pública e pôr em prática suas intenções de apagamento da revolta e da existência dos revoltosos. No último setor “O cais da luta ancestral”, a luta por dignidade é reconhecida nesse setor final. O clima e os tons visíveis no setor final são mais acolhedores e festivos para saudar o herói, o Almirante Negro João Cândido. Como característico de Jack, o carnavalesco dominou muito bem a narrativa do enredo e trouxe fantasias e alegorias de fácil leitura e entendimento. A proposta, que se fez presente na plástica, também deve ser elogiada pela criatividade e a homenagem fora do lugar comum.

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Evolução

O quesito é aquele que o Tuiuti deve ser preocupar mais. Devido a problemas com a alegoria cinco que teve dificuldades para entrar, a escola abriu um buraco no segundo módulo de julgamento. Módulo que não é duplo. Porém, a demora na situação do carro e pela cadência da apresentação, e uma escola mais parada no início , em uma apresentação que demorou mais de uma passada do samba da comissão, tudo isso causou uma correria no final devido ao receio de estourar o relógio. A evolução também foi um quesito problemático no último módulo. A bateria, inclusive, teve que fazer uma apresentação mais rápida diante dos jurados.

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Samba-enredo

A obra produzida a partir do modelo de encomenda teve como autores, velhos conhecidos da casa, são eles: Cláudio Russo, Moacyr Luz, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Alessandro Falcão, Pier Ubertini e W Correia. Seguindo com a proposta de manter mais ou menos o time de poetas, o Paraíso do Tuiuti trouxe para este ano uma obra com características melódicas similares ao que vinha apresentando nos últimos anos, mas com uma letra seguindo um caminho diferente.

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Focada na simplicidade, a letra dialoga bem com os anseios da proposta e consegue apresentar bem um herói que emergiu do povo. A melodia é de fácil assimilação e se a composição não é a melhor apresentada pela escola nos últimos anos, principalmente após os excelentes sambas de 2022 e 2023, conseguiu ter seus momentos de destaque e ser bastante funcional, principalmente no que tange os dois refrãos. O do meio com o “lerê, lerê mais um preto lutando pelo irmão…” com a sua simplicidade nas palavras, tem melodia forte e dá o recado e passa a mensagem de forma clara. O samba encontrou mais ressonância no componente do que no público.

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Fantasias

O Tuiuti apresentou um conjunto de fantasias de fácil assimilação pelo público, explicando bem o enredo e se utilizando da paleta de cores para demonstrar qual o clima da passagem do enredo. No primeiro setor, por exemplo, o dourado teve bastante destaque para retratar o início ainda da República, tempo em que aconteceu a história do desfile. É bem perceptível na ala “liberdade, abre as asas sobre nós”. Depois o azul, apresentando o início da relação do homenageado com o mar, como na ala das baianas “águas da Guanabara”.

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Outros setores como “revolta vermelha” e “foram traídos mas não traíram” há a predominância do espectro do vermelho. No fim, a redenção de João Cândido é traduzido em tons mais claros como nas alas “o mar é um amigo” e “glória aos humildes pescadores”. No geral, as fantasias de Jack trouxeram matérias de qualidade, e primaram pela informação de forma criativa que é característica do carnavalesco. A fácil leitura presente e também a intenção de que o público se identifique com aquilo que vê.

Alegorias e adereços

O conjunto alegórico do Paraíso do Tuiuti foi composto por cinco carros e mais dois tripés. Mais tímido na qualidade que as fantasias, as alegorias também foram de fácil assimilação. Destaque para o carro abre-alas “República, abre as asas sobre nós: um novo velho porvir”, formado por três chassis e mais um conjunto de cavalos, trazendo a contextualização do tempo em que vivia João Candido, a recém criada república que possuía ainda a herança de um período escravista de horror e as consequências de uma abolição que não foi feita de forma correta.

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O pensamento elitista de exclusão apareceu a partir do galope de um soldado fiel do país. Por isso as esculturas e algumas partes do cortejo do abre-alas tinham um aspecto envelhecido. A coroa, símbolo da agremiação, estava presente contextualizando que vários conceitos e símbolos da época colonial e monárquica foram preservados, como, por exemplo, a cor verde presente nas bandeiras laterais. Na base do cortejo, as composições que representam o povo, dispostas na parte mais baixa da alegoria, e as fantasias mais ricas nas partes superiores dão a leitura de divisão social e econômica.

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Outra alegoria de mais apuro estético e criativo, “o “dragão do mar” reapareceu na figura de um bravo marinheiro”. O jangadeiro cearense Chico da Matilde” (que liderou um movimento que se recusou a transportar escravizados), inspira a alegoria como exemplo de luta e resistência. O espírito de revolução e o sangue derramado avermelham a embarcação. O quinto carro “monumento ao mestre sala dos mares” é inspirado na em uma das homenagens mais contundentes ao marinheiro, a música “o mestre-sala dos mares”, de Aldir Blanc e João Bosco, composta nos anos 70 e que imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata no imaginário popular.

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A alegoria traz na proa do barco o filho mais novo de João Cândido, Alberto Cândido, conhecido como Seu Candinho, no comando dessa nau-homenagem que celebra o legado de seu pai. Nas velas dos barquinhos dos pescadores, nas laterais da alegoria, reproduções de algumas manchetes de notícias que expõem o racismo latente nas relações sociais ainda atualmente. Conjunto alegórico que trouxe com fácil leitura do enredo, ainda que no geral tenha sido irregular em qualidade, alguns com bem mais apuro estético do que outros.

Outros destaques

A fantasia das baianas “Aguas da guanabara” trouxe elementos marinhos e tons azuis, com ornamentos em ouro e prata para trazer a sensação de reflexo cintilante que as águas da baía de Guanabara tem ao entardecer. O figurino trouxe um encantamento de figura mitológica ao personificar a baía de Guanabara como uma espécie de deusa marinha, musa da cidade do Rio de Janeiro, e como a visão extraordinária da Guanabara impactou o jovem João Cândido. Um amor à primeira vista.

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A fantasia da rainha da Super Som, Mayara Lima, representou o fogo que sobe pelo corpo dos marinheiros e faz o sangue ferver para lutar por justiça e que será o combustível que inflamará a revolta que se iniciará. “Sangue de marujo”, a fantasia da Super Som tem a predominância da cor vermelha para simbolizar o sangue que jorrou das costas não só do marinheiro Marcelino, mas também de todos os marinheiros através da história. A última alegoria trouxe na proa do barco o filho mais novo de João Cândido, Alberto Cândido, conhecido como Seu Candinho.

Viradouro: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Viradouro trouxe para a avenida uma alegoria em forma de oferenda à fundadora do candomblé Jeje no Brasil

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Viradouro Esp01 006O quarto carro da Viradouro contou sobre a chegada do candomblé Jeje no Brasil, pelas mãos de Ludovina Pessoa, em meados do Século XIX, que tinha missão de perpetuar o culto Jeje e dar acolhimento espiritual aos negros vindos da diáspora africana, oriundo da região da Costa da Mina, especialmente do Daomé.

O carro da escola veio todo trabalhado na cor prata, sendo uma grande oferenda ao Vodum Gu, pai religioso de Ludovina, uma entidade que em outras nações de candomblé, é Ogum, conhecido por ser um exímio ferreiro. Por isso a cor prata no carro e vários elementos simbolizando pregos, Ludovina, com o apoio da religião, construía o candomblé Jeje no Brasil.

Viradouro Esp01 007“A nossa fantasia vem significando as ferramentas que eles usavam. A fantasia está ótima, leve, muito gostosa, até para a gente ter movimento para poder dançar. Eu acho que esse ano a Viradouro está arrebentando, tanto em fantasia quanto no próprio enredo, na música. Viemos aí para ganhar a nossa terceira estrela”, disse a psicanalista Andrea Ladeslau, de 49 anos.

Segundo a tradição oral recolhida nos terreiros baianos, Ludovina seria uma guerreira Mino, que transitava regularmente da África à Bahia através da transformação em pássaro. Mas a batalha que travaria no Brasil era outra: erguer casas de santo dedicadas aos Voduns em solo baiano. Assim, a líder religiosa teve papel fundamental nos assentamentos do candomblé Jeje entre as cidades de Cachoeira e Salvador.

Viradouro Esp01 001“Eu achei super confortável. Eu achei bem bonita também, porque o ano passado eu vim de vermelho, aí deu uma diferenciada bem boa, com muito brilho dessa vez. E querendo ou não, é a cara da Viradouro, porque a Viradouro tem sempre muito brilho, muito glamour e eu amo de paixão”, contou o goiano, Edgar Miranda, que colocou até um piercing em forma de cobra para homenagear a escola que traz a cobra, representação de Dangbé, o rei do candomblé Jeje.

O carro é uma grande oferenda a Gu, o senhor do metal e da guerra, sendo o carro um tramado em ferro, ornado com elementos de culto Vodum. A representação do metal permeia toda a base e a decoração da alegoria, que traz a imponente sacerdotisa, cujo corpo surge como uma mística esfinge, figura feminina constituída a partir do ferro.

“As composições estão representando justamente essas riquezas do Vodum Gu, os metais, que é a força ancestral de Gu”, disse o componente Renan do Carmo, de 29 anos.

Paraíso do Tuiuti relembra expedição de João Cândido pela Amazônia

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Tuiuti Esp04 003A oitava ala do Paraíso do Tuiuti representou a expedição amazônica na missão de demarcação de terras no norte do país, João viveu onze meses na floresta amazônica e participou de luta armada na mata. João Cândido se candidata para uma missão de demarcação de terras no norte do país, quando o Brasil disputava com a Bolívia a posse do território do Acre. De Manaus ruma para o Acre, terra boliviana na época, onde o jovem marinheiro viveu onze meses na floresta amazônica, presenciou e participou de luta armada na mata.

A ala trouxe dois núcleos de fantasias: o primeiro núcleo representa as águas dos rios amazônicos navegados por João Cândido onde o figurino estiliza o “espelho d’água” dos rios com a influência da cultura indígena. O segundo núcleo traz três variações de formas arbóreas para, em conjunto com o primeiro núcleo, comporem as duas experiências de João Cândido na expedição amazônica: a aquática e a terrestre.

Tuiuti Esp04 004“As fantasias estão bem acabadas, elas estão com um movimento legal, porque a gente vai representar as águas da Guanabara. E apesar delas serem grandes, mas foi usado um material reciclável e leve. Então deu para gente evoluir bastante. A coreografia foi fácil, que a gente estava representando mesmo o balanço das águas da Guanabara. Foi fácil para pegar, a gente conseguiu três ensaios e a expectativa mesmo é o primeiro campeonato da Tuiuti. Porque a gente já está esses anos todos no Grupo Especial. E eu acho que a gente estreou no terceiro lugar. E eu acho que a gente está preparada. A gente já tem chão de escola pra descer o Morro do Tuiti e ser campeão de 2024” pontuou Déia de Botafogo de 42 anos.

Rodrigo Sattler de 29 anos e assistente coreográfico da equipe Rodrigo Velar, responsável pela ala, contou ao site CARNAVALESCO como foi a preparação da ala e todo processo até chegar na Sapucaí: “Foi muito legal a preparação desse ala porque assim, as pessoas abraçaram a ala, abraçaram o Tuiuti, a gente marcava ensaio, as pessoas estavam lá no ensaio cansadas de trabalho, as pessoas iam ensaiar de mochila por diversas vezes, então assim, graças a Deus, a gente tem a nossa ala, nossos componentes do nosso lado. A fantasia estava linda com um efeito incrível, um efeito maravilhoso”

Tuiuti Esp04 002“A fantasia estava linda, eu adorei, a fantasia é grande, mas mesmo assim foi tranquilo de levar, tem o pesinho dela, mas ela estava bem tranquila. Eu adorei os ensaios os coreógrafos, foram muito maneiros, foram muito legais. A gente ficou legal, tanto no treinamento que a gente foi fazendo, no ensaio de rua. Foi bem legal, foi bem divertido”, contou Juliana Oliveira de 36 anos.

Paraíso do Tuiuti: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Ala do Tuiuti denuncia abusos da marinha

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Tuiuti Esp03 001O Paraíso do Tuiuti foi a quinta escola a desfilar, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de apresentação do Grupo Especial do Rio. A escola, com o enredo “Glória ao Almirante Negro”, na ala 11 apresentou a fantasia “Comandante Cruel”.

A fantasia retrata o capitão opressor João Batista Neves, um oficial que não hesitava em oprimir marinheiros negros. A parte de cima da roupa é branca e parecida com o uniforme da marinha, com uma âncora em vermelho nas costas dos desfilantes. Na parte de baixo, uma saia preta com detalhes prateados e peças espetadas.

Tuiuti Esp03 002Cristian Bruno, de 27 anos, desfila pela primeira vez na escola. Ele revelou se sentir emocionado por participar em uma ala tão importante. O servidor público relembra que não é o momento de parar de falar sobre racismo:

“Essa ala mostra para o público os crimes cometidos contra o povo preto na Marinha. A Tuiuti está resgatando essa luta para lembrar as pessoas que o racismo ainda existe. Infelizmente, nós temos que estar trazendo as dores que nossos antepassados passaram”.

A revolta da Chibata, que aconteceu de 22 a 27 de novembro de 1910, foi uma manifestação feita por membros da Marinha do Brasil. Os marinheiros se insurgiram contra os superiores em navios localizados na Baía de Guanabara, impulsionados pelo desejo de pôr fim aos castigos corporais aos quais eram submetidos.

Tuiuti Esp03 003“Os marinheiros pretos foram tratados da pior forma possível” disse Lízia Marques, de 30 anos, e emocionada por desfilar pela primeira vez na azul e amarela. A profissional do marketing se sentiu representada por ser negra e se apresentar na ala. “Com certeza me representa. É uma luta de um povo que foi escravizado e é muito justo ter pessoas pretas aqui”, completou.

No carnaval de 2024, o Paraíso do Tuiuti narrou a vida de João Candido, conhecido como o Almirante Negro, que foi o comandante da Revolta da Chibata em 1910. A escola homenageou o líder e o consagrou como um importante herói nacional.

“A história tem um peso muito importante e relevante para o Brasil”, diz Letícia Remigio, de 33 anos, ao ser questionada sobre a importância da ala. “A fantasia é muito linda e bem clara com os elementos que o carnavalesco quer contar.”

Terceiro carro do Tuiuti apresenta de maneira artística a revolta da chibata

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Tuiuti Esp02 001O Paraíso do Tuiuti foi a quinta escola a desfilar, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de apresentação do Grupo Especial do Rio. A escola, com o enredo “Glória ao Almirante Negro”, no seu terceiro carro apresentou a alegoria “O dragão do mar reapareceu na figura de um bravo Marinheiro”.

A alegoria mostra o momento em que João Cândido, inspirado no Dragão do Mar, lidera a revolta da chibata. O carro é vermelho e dourado. Um dragão com os olhos vermelhos aparece na frente do veículo com diversos canhões em volta. No topo da alegoria, componentes levantam a bandeira com os dizeres “escrevidão nunca mais”. A fantasia dos componentes, chamada de “A Revolta do Dragão do Mar”, é uma fantasia em um tom escuro de prata e brilhante.

O vendedor Jeferson Braga desfila na escola há 10 anos. Ele explicou a importância do significado da alegoria no momento atual do país.

“No Brasil ainda existe racismo. O nosso desfile fala sobre isso e é uma forma de protestar contra os racistas, protestar sobre a nossa cor, sobre a nossa dignidade. O povo preto só quer o seu espaço, a gente só quer lutar. A pele negra é isso, ser negro é tudo, ser negro é raiz”, disse emocionado.

Tuiuti Esp02 002A revolta da Chibata, que aconteceu de 22 a 27 de novembro de 1910, foi uma rebelião promovida por membros da Marinha do Brasil. Os marinheiros se insurgiram contra os superiores em navios localizados na Baía de Guanabara, impulsionados pelo desejo de pôr fim aos castigos corporais aos quais eram submetidos.

“É um absurdo que ainda exista racismo. Esse carro representa a luta por um mundo onde todos as pessoas devem ser tratadas como iguais”, defendeu o segurança Eduardo Martins. Ele desfila na escola há 3 anos e se sente emocionado por defender sua agremiação mais uma vez. “A fantasia é perfeita, leve e confortável. Se fosse pesada eu usaria também, eu faço tudo por essa escola.”

No carnaval de 2024, o Paraíso do Tuiuti narrou a vida de João Candido, conhecido como o Almirante Negro, que foi o comandante da Revolta da Chibata em 1910. A escola homenageou o líder e o consagrou como um importante herói nacional.

“A gente tem que falar sobre racismo, a gente tem que lutar contra o racismo e lembrar desses atos que marcaram a história do Brasil”, explicou a operadora de caixa Kelly Medeiros, de 42 anos, ao ser questionada sobre a importância da alegoria. “Não podemos ficar parados enquanto as pessoas ainda estão sofrendo”, completou.

Paraíso do Tuiuti apresenta abre-alas imponente em desfile sobre João Cândido

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Tuiuti01 01O carro abre alas do Paraíso do Tuiuti veio para Avenida representando a “República. Abre as asas sobre nós, um novo velho por vir”, a história do carro abordou como a escravidão havia sido abolida por lei pouco tempo antes da Proclamação da República brasileira. Ainda ecoava altivamente na sociedade a herança de um período escravista de horror e as consequências de uma abolição que não foi feita de forma correta. O pensamento elitista de exclusão continuou à galope como um soldado fiel do país. O hino da República que se instalava, de autoria de José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque e Leopoldo Miguez, bradava versos como: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre País… Hoje o rubro lampejo da aurora Acha irmãos, não tiranos hostis. Somos todos iguais!” Parecia alvissareiro. Mas nem tanto. Os pais de João Cândido Felisberto ainda eram escravizados quando ele nasceu. Mesmo “libertados”, continuaram a viver na mesma fazenda e trabalhando para o mesmo senhor. E essa era a realidade da maioria da população que foi jogada a própria sorte após a assinatura da lei Áurea e que a águia republicana e patriótica não conseguiu, ou nunca quis, acolher e lhes dar condições de dignidade. O poder mudou de mãos, mas a elite do país seguia tendo suas riquezas produzidas e sustentadas pelo povo. Para a população pobre, marginalizada, a república era uma novidade que já raiava velha no horizonte do Brasil.

Tuiuti01 03As esculturas e algumas partes do cortejo do abre-alas tinham um aspecto envelhecido. A coroa, símbolo da agremiação, está presente contextualizando que vários conceitos e símbolos da época colonial e monárquica forma preservadas, como, por exemplo, as cores verdes. O site CARNAVALESCO conversou o diretor de carnaval, André Gonçalves, sobre o Carnaval 2024 da Paraíso do Tuiuti: “É uma nova expectativa para o nosso Paraíso do Tuiuti, mas para sim apresentar também a todos que o Tuiuti chegou, o Tuiuti chegou para fazer um belíssimo carnaval, para se apresentar na posição que ela está. Ela está e apresentar a todos que nós entramos num aquário de tubarões, um peixinho entrando num aquário de tubarões e fazendo bonito, indo lá nas profundezas, junto com o nosso João Cândido.”

Tuiuti01 04A escola de São Cristóvão entrou na avenida homenageando a vida e história de João Cândido, que se empenhou na luta contra os maus-tratos, a má alimentação e as chibatadas sofridas pelos homens negros na Marinha do Brasil.

“Então essa aí foi uma grande surpresa da Paraíso do Tuiuti, viemos esse ano numa posição que teríamos que apresentar um belíssimo carnaval, e esse belíssimo carnaval já começa sendo apresentado pelo nosso abre-alas. Essa proporção aí de 140 metros, são três acoplados, três de pés na frente do carro, praticamente eu vou pegar todo o setor um ali para poder fazer essa montagem desses carros”, comentou André.

Tuiuti01 02Sobre as suas expectativas para o resultado do carnaval, André revelou: “Expectativa está muito grande, não vou mentir, a gente fica um pouquinho nervoso com aquele calafrio, mas está tudo certo, vamos embora, Papai do Céu vai nos ajudar, nossos orixás vão estar à frente, exu abrindo os caminhos, vai dar tudo certo.”

Freddy Ferreira analisa a bateria do Tuiuti no desfile

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Um desfile muito bom da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, sob a regência de mestre Marcão. Uma conjunção sonora pautada pelo equilíbrio, boa equalização de timbres e andamento confortável foi produzida. Bossas dançantes foram apresentadas com segurança, no que tem tudo para ser um dos mais fortes quesitos da escola.

Uma cozinha da bateria do Tuiuti com uma afinação muito boa foi notada. Marcadores de primeira e segunda pulsaram com firmeza, mas sem excesso de força, garantindo a manutenção do andamento com eficácia. Surdos de terceira contribuíram com um balanço exemplar na parte de trás do ritmo da escola do bairro de São Cristóvão, tanto em ritmo, quanto nas bossas. Repiques coesos tocaram integrados a um naipe de caixas de guerra consistente e com boa ressonância.

Na parte da frente da bateria “Super Som”, uma ala de cuícas de elevada técnica ajudou no preenchimento sonoro das peças leves. Uma primorosa ala de chocalhos se exibiu com classe tocando entrelaçado com um naipe de tamborins de nítida virtude musical. É possível dizer que o casamento rítmico entre tamborins e chocalhos foi um dos pontos altos do Tuiuti, inclusive numa bossa arriscada em que fazem solo juntos.

Bossas altamente musicais possibilitaram apresentações potentes em cabines de jurados. Os arranjos com bastante entrosamento com a melodiosa canção do Paraíso, aproveitavam as nuances para consolidar o ritmo. No geral, se trata de um leque de bossas com certo refino, com destaque para o solo com tamborins e chocalhos, com surdo marcando. O arranjo desafiador e atrevido produziu uma sonoridade simplesmente sublime pela pista, sempre que exibido.

A apresentação na primeira cabine (módulo duplo) foi fabulosa, com direito a boa receptividade dos julgadores e certa ovação do público. Na segunda cabine, outra exibição enxuta e segura foi realizada, com direito a aplauso por parte do jurado. No último julgador, com tempo escasso para uma apresentação de todo o leque de paradinhas, somente uma bossa foi exibida, mas com firmeza, coroando o desfile muito bom da “Super Som” do Tuiuti, sob o comando de mestre Marcão.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mangueira no desfile

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Um excelente desfile da bateria da Estação Primeira de Mangueira, sob o comando da dupla de mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Uma conjunção sonora de raro valor foi produzida. Permitida graças a um andamento confortável, num ritmo marcado pelo equilíbrio sonoro. De muito bom gosto o respeito a cada solo das peças leves, num trabalho que destaca a educação musical dos ritmistas mangueirenses. Um leque de bossas musicalmente recheado possibilitou apresentações potentes para julgadores.

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Na parte de trás do ritmo mangueirense, a tradicional afinação de surdos foi percebida. O timbre grave autêntico da primeira marcação contou com ritmistas firmes e precisos. Ritmistas tocando surdo mor ficaram responsáveis pelo balanço envolvente. Repiques coesos e bastante integrados foram soberbos. Caixas de Guerra com a genuína batida rufada da Verde e Rosa estiveram sublimes, dando base sólida de sustentação para os demais naipes. Timbaques também desfilaram em meio ao ritmo, preenchendo a sonoridade da cozinha da bateria da Mangueira.

Na cabeça da bateria da Estação Primeira, uma ala de xequerês auxiliou de forma primorosa, tanto no ritmo, quanto dançando e trazendo leveza à parte da frente da bateria. Os ganzás da Mangueira tocaram de modo entrelaçado com um naipe de tamborins absurdamente potente. Simplesmente incrível a musicalidade do desenho rítmico dos tamborins. Mesmo com complexidade foi executado com precisão cirúrgica. Uma ala de cuícas de virtude técnica também contribuiu no trabalho de alto nível envolvendo as peças leves. Agogôs de duas campanas (bocas) corretos também mostraram seu valor, adicionando um tom metálico num ritmo de predominância do timbre grave.

Bossas que exploraram as variações do melodioso samba mangueirense conduziram a bateria da Manga a apresentações consistentes em módulos. Destaque para uma bossa onde ritmistas tocam matracas e pandeirões, com o surdo Maracanã ecoando, numa grande homenagem à musicalidade dos bois do Maranhão. Um leque de paradinhas refinado, que com muito êxito atrelou o enredo sobre a ilustre maranhense à sonoridade produzida pela bateria da Mangueira.

Na primeira cabine, uma apresentação praticamente apoteótica foi realizada, arrancando aplausos de julgadores e ovação popular. A exibição na segunda cabine teve nível de excelência semelhante a primeira, em mais um verdadeiro show da bateria da Mangueira. Na última cabine de julgamento, é possível dizer que uma apresentação simplesmente mágica foi realizada, finalizando de forma monstruosa o grande sacode dado pela bateria da Estação Primeira de Mangueira, dirigida pelos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. A “Tem que Respeitar Meu Tamborim” fez um desfile magistral, com totais condições de garantir a almejada pontuação máxima.