Vigário Geral 2026: alegorias na área de concentração
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Primeiro casal da Em Cima da Hora recebe aval de carlinhos de jesus
Na tarde desta quinta-feira (12), às vésperas do desfile oficial, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Em Cima da Hora, Marlon Flôres e Winnie Lopes, visitou o ilustre Carlinhos de Jesus em seu estúdio de dança, em Copacabana.

A ida foi uma surpresa preparada pela azul e branca de Cavalcanti: apresentar, em primeira mão, o figurino que o casal levará para a Marquês de Sapucaí.
Renomado bailarino e coreógrafo, Carlinhos de Jesus iniciou sua trajetória no mundo do samba ainda criança, como passista da própria Em Cima da Hora. Foi na escola que conquistou seu primeiro Estandarte de Ouro — lembranças que guarda com carinho e que vieram à tona ao reencontrar representantes da agremiação.

“A Em Cima da Hora me ensinou tudo o que sou hoje. Tudo o que aprendi devo a essa escola. Receber o primeiro casal aqui é uma alegria imensa. Ver de perto o figurino que eles levarão para a Avenida me emociona”, afirmou.
Carlinhos não estará presente no desfile deste sábado (14), devido a um compromisso profissional previamente assumido. Ainda assim, garantiu que sua torcida será intensa.

“Tenho certeza de que farão um lindo desfile. A escola está bonita, está com garra. Meu coração estará com eles.”
Com o aval do artista, Marlon e Winnie celebraram o momento especial às vésperas do grande dia.
“É um momento muito importante. Receber o carinho e a validação de alguém com tanta história nos fortalece ainda mais para entrar na Avenida”, destacou o mestre-sala.

Para Winnie Lopes, a bênção tem um significado ainda mais simbólico. “Carlinhos é uma referência no mundo do samba e, para nós, tem um valor especial porque ele nasceu artisticamente aqui. Ele amou o figurino e a nossa dança. Isso nos deixa ainda mais confiantes.”
A Em Cima da Hora será a segunda escola a desfilar no sábado de Carnaval e apresentará o enredo “Salve Todas as Marias – Laroyê Pombagiras”, assinado pelo carnavalesco Rodrigo Almeida.
Série Barracões: Do sonho à artesania, o caminho de Heitor dos Prazeres na Vila Isabel de Bora e Haddad
Ao escutar as palavras de Heitor dos Prazeres, homenageado da Vila Isabel no Carnaval 2026, os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad reconheceram, na obra do multiartista, um princípio estético: o sonho. Esse princípio ganha forma nas técnicas que atravessaram a vida e a arte de Heitor e se traduz no projeto visual que a azul e branco levará à Sapucaí.

Para Bora e Haddad, o sonho não se refere a uma experiência do dormir, mas a um modo de fabular o mundo a partir da vida cotidiana, da festa, da fé e das experiências coletivas. Essa compreensão aproxima a obra de Heitor dos Prazeres da própria lógica das escolas de samba, entendidas como espaço de imaginação compartilhada, celebração da ancestralidade e afirmação da identidade negra.
“Esse sonho que o Heitor pintou e cantou a vida inteira é uma espécie de ‘Kizomba’, o próprio sonho de uma escola de samba: essa união comunitária, esse desejo de celebrar a vida, a alegria e a própria ancestralidade, com suas visões feéricas e invenções tecnológicas”, declarou Bora.
Dessa compreensão do sonho surgem as primeiras imagens do desfile. Nas alegorias, técnicas como a carpintaria, a escultura, a alfaiataria e, sobretudo, a pintura transformam em forma, cor e matéria o universo de Heitor dos Prazeres, anunciando uma Vila Isabel que se quer salpicada de tinta do início ao fim e inaugurando o percurso visual que a escola levará à avenida em 2026.
Abre-alas: Onde o sonho de Heitor começa a tomar forma na Vila Isabel
A primeira imagem do desfile da Vila Isabel em 2026 já tem forma: um abre-alas inspirado nos ranchos carnavalescos que marcaram a infância de Heitor dos Prazeres. Divulgado nas redes sociais nas últimas semanas, o carro apresentou ao público os primeiros sinais do universo visual concebido por Leonardo Bora e Gabriel Haddad e antecipou o caminho plástico que a escola pretende levar à Sapucaí.
Mais do que uma referência histórica, o rancho aparece como porta de entrada simbólica do enredo. Ao retomar a tradição dos cortejos festivos que ocuparam as ruas do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX, a alegoria projeta um cenário de celebração coletiva em que festa, memória e presença negra se afirmam como fundamento da narrativa visual.
“A abertura é um rancho, essa tradição carnavalesca das mais feéricas e iluminadas que temos. Era esse o cenário que o Heitor via quando criança, desfilando nos ranchos, e foi a partir dessa imagem que a gente pensou o abre-alas como um rancho dedicado a Heitor dos Prazeres”, explicou Gabriel Haddad.
No barracão, a alegoria ganha densidade por meio de um trabalho artesanal que envolve diferentes frentes de criação. Escultura, carpintaria, pintura, acabamento e a produção de joias cenográficas constroem uma imagem marcada pela exuberância visual e pelo cuidado com os detalhes, reafirmando a artesania como linguagem fundamental do desfile.
A apresentação do carro ao público também evidenciou a natureza processual do carnaval. “É um trabalho que está sempre sendo avaliado. A alegoria no papel é uma coisa, no barracão é outra, e na avenida é completamente diferente. Mesmo ainda sem os destaques, os efeitos finais, o chassi acoplado, a recepção foi muito generosa e reconheceu o cuidado do trabalho”, afirmou Leonardo Bora.
O carnavalesco destacou ainda a atuação da equipe responsável pela execução da peça, com menção à diretora-chefe Daiane Almeida, ao escultor Max Miller e aos profissionais de ferragem, pintura, carpintaria, vidraçaria e alfaiataria.
As roupas das composições teatralizadas foram desenvolvidas por Rogério Pacheco, em um processo que exigiu modelagem e acabamento rigorosos. “Quando as pessoas percebem esse cuidado, a gente fica muito feliz, porque ele foi pensado com carinho em busca de muito axé para a comunidade da Vila”, completou.
Um desfile salpicado de tinta
A pintura assume protagonismo no projeto visual da Vila Isabel para 2026. Fantasias nascem do gesto manual do pincel, enquanto tripés e partes das alegorias recebem tinta diretamente na madeira, materializando, em cor, superfície e textura, o universo de Heitor dos Prazeres.
A aposta coloca a pintura no centro do projeto visual. Para Leonardo Bora, ela não entra apenas como referência ao artista homenageado, mas como linguagem do próprio desfile: “Ela não é só um tema, ela é forma”, resumiu o carnavalesco.
A partir dessa premissa, Leonardo Bora e Gabriel Haddad trabalham para manter visível o gesto artesanal. Pinceladas aparentes, fantasias pintadas à mão, tripés pintados e superfícies que preservam textura e camadas criam a sensação de um cortejo “salpicado de tinta” do início ao fim.
O azul aparece como fio condutor dessa atmosfera. Recorrente na obra de Heitor e identidade cromática da escola, a cor ajuda a costurar variações de grafismos como listras, xadrez, losangos e bolinhas. “A ideia é construir quase um fundo, como um céu azulado, para que as pessoas possam flutuar na avenida, cantar o samba, brincar”, explicou Bora.
A artesania se estende também à alfaiataria. As fantasias foram desenhadas com redução de volume e maior liberdade de movimento, buscando deixar o componente mais solto para evoluir na pista — uma escolha que dialoga diretamente com as diretrizes mais recentes do regulamento e com a expectativa de uma evolução mais leve.
“A gente reduziu um pouco o tamanho das fantasias para deixar o componente mais solto, mais livre na avenida. Isso já era um desejo nosso e agora também dialoga com o novo regulamento, que passa a observar mais diretamente a leveza e a espontaneidade do desfile”, explicou Haddad.
Na Sapucaí, a promessa é que o público reconheça não apenas a imagem final, mas o próprio modo de fazer: um desfile atravessado pela pintura e salpicado de tinta do primeiro ao último setor, em que forma, cor e gesto manual prolongam, na avenida, o sonho artesanal que estrutura o enredo da Vila Isabel em 2026.
O contágio do samba-enredo
Se a pintura estrutura o campo visual do desfile, é o samba-enredo que vem fazendo a Vila Isabel vibrar coletivamente. Desde as primeiras apresentações na disputa, a obra escolhida pela azul e branco ultrapassou o percurso competitivo tradicional e passou a ser tratada como aclamação da comunidade, instaurando um clima de contágio que atravessou a temporada de ensaios de rua.
Para a dupla, essa resposta imediata revelou a força comunicativa da parceria de André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho. “Foi um samba que explodiu já como concorrente. Desde as primeiras apresentações, a gente sentiu um envolvimento muito forte das pessoas, um samba que mexeu com o emocional, que contagiou a comunidade”, afirmou Haddad.
A repercussão transformou a escolha em experiência coletiva antes mesmo de o desfile ganhar forma plena na avenida.
Parceria, amizade e pesquisa
A parceria entre Leonardo Bora, Gabriel Haddad e o pesquisador Vinícius Natal antecede a própria formação da dupla como assinante de desfiles e se confunde com uma trajetória de amizade construída dentro do carnaval.
“É incrível, porque a nossa amizade com o Vinícius vem antes de a gente começar a trabalhar juntos, antes de a gente começar a assinar desfiles”, lembrou Haddad.
O primeiro encontro aconteceu em 2012, na arquibancada do Desfile das Campeãs, e, já no ano seguinte, o grupo dividia a criação de um carnaval coletivo na Mocidade Unida de Santa Marta, onde conquistou o título.
A convivência seguiu por diferentes experiências, da Sossego à Cubango, onde, em 2019, o enredo “Igbá Cubango, a Alma das Coisas e a Arte dos Milagres” surgiu atravessado pelo sonho.
Para Bora, a presença de Vinícius é estruturante não apenas pela proximidade afetiva, mas pela densidade de sua pesquisa.
“É uma figura fundamental para a compreensão da nossa própria relação. É um amigo com quem a gente troca vivências carnavalescas desde sempre e um pesquisador muito cuidadoso”, afirmou.
No encontro em torno de Heitor dos Prazeres, as investigações seguiram caminhos complementares: enquanto a dupla aprofundava a visualidade e o universo plástico do artista, Vinícius desenvolvia estudos sobre o Heitor sambista, o cidadão do pós-abolição e a expressão da modernidade negra no Rio de Janeiro.
Dessa confluência orgânica de olhares nasceu o enredo da Vila Isabel. Mais do que colaboração pontual, trata-se de uma continuidade construída no tempo, capaz de ampliar a pesquisa e enriquecer a criação.
“Se torna mais rico você desenvolver um enredo a partir de outros olhares”, resumiu Bora.
O processo ainda mobilizou arquivos de familiares de Heitor, instituições de memória e novas parcerias de investigação, em uma pesquisa que a equipe espera ver seguir em desdobramento mesmo depois do carnaval.
Dakar: o sonho encontra a África no último quadro da Vila Isabel
O desfecho do desfile da Vila Isabel se ancora em um encontro que aproxima definitivamente a trajetória da escola da de Heitor dos Prazeres fora do Brasil. Em 1966, ambos participaram do Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, em Dakar. A agremiação apresentou o documentário Nossa Escola de Samba, enquanto Heitor integrou a programação com o filme Heitor dos Prazeres, registro dedicado à sua vida e obra.
Mais do que um episódio biográfico, a passagem pelo Senegal sintetiza o sentido do enredo. Depois de imaginar a África durante décadas em suas obras, Heitor a encontra no mesmo movimento em que a própria Vila Isabel atravessa o Atlântico para exibir sua memória negra.
Ao escolher esse encontro como último quadro, a escola inverte o percurso tradicional dos enredos afro, que costumam partir da África para chegar ao Brasil. Aqui, o caminho nasce no corpo coletivo do samba, na matéria artesanal do desfile e na alegria como gesto de existência, para então alcançar o continente africano não como origem distante, mas como continuidade viva.
É nesse ponto que o sonho retorna — não mais apenas como princípio estético identificado pelos carnavalescos na obra de Heitor dos Prazeres, mas como experiência coletiva que reinventa passado e presente, pintura e avenida, memória e celebração.
Na Sapucaí, a África deixa de ser imagem sonhada para se tornar encontro partilhado — e o sonho, longe de se encerrar, segue desfilando como promessa de comunidade, altivez e alegria negra que a escola insiste em imaginar, ano após ano, em seus carnavais.
Conheça o desfile
5 alegorias
3 tripés
5 setores
27 alas
3.200 componentes
1º Setor — Príncipe Lino
O desfile se abre com a infância de Heitor dos Prazeres entre os ranchos carnavalescos ligados às casas de Tia Ciata e Tio Hilário. O brilho desses cortejos, observado ainda menino, antecipa o artista, o brincante e o sujeito do samba que ele se tornaria.
A alegoria traz balangandãs ampliados e joias de axé como metáfora desse olhar infantil sobre a festa e, ao mesmo tempo, sobre o nascimento do samba na região da Praça XI e da Pedra do Sal.
2º Setor — Ogã-Alagbê Nilu
Ainda jovem, Heitor é iniciado nos terreiros e passa a frequentar especialmente a casa de Tia Ciata, onde se torna ogã, responsável pelos tambores e pelo canto. Nesse espaço, diferentes manifestações culturais — cirandas, jongos, maracatus, cateretês — se encontram, formando o caldo que daria origem ao samba.
Na leitura do enredo, o terreiro se expande como metáfora da própria cidade: a cidade como grande terreiro, onde música, religiosidade e convivência se misturam.
3º Setor — Mano Heitor dos Cavacos
A troca do piano pelo cavaquinho marca a afirmação de Heitor como sambista nos anos 1920. Entre a Festa da Penha, disputas de autoria e circulação pela cidade, ele se consolida como compositor, músico e personagem central do universo do samba.
O setor apresenta também o modo de vida boêmio, a confecção e pintura dos próprios instrumentos, a noite carioca, os cabarés e as paixões que atravessam sua trajetória artística.
Gabriel Haddad relaciona esse percurso ao próprio desenvolvimento do samba:
“Ele cresce vendo os ranchos desfilarem, passa a frequentar os terreiros e entende sua relação com os instrumentos como Ogã-Alagbê Nilu, organizando a música do terreiro de Tia Ciata. Tudo isso vai se misturando até culminar no momento em que ele se torna um grande sambista, conhecido como Mano Heitor.”
4º Setor — Afro-Rei Pierrot
Heitor se afirma como compositor de carnaval, vence o concurso de Zé Espinguela em 1928 e convive com figuras como Paulo da Portela, Cartola e outros fundadores das primeiras escolas de samba.
O setor destaca sua atuação como brincante dos blocos de rua, compositor de marchinhas — entre elas Pierrot Apaixonado, em parceria com Noel Rosa — e personagem influente na formação do carnaval carioca.
5º Setor — Embaixador
O último quadro apresenta Heitor como artista reconhecido além do samba: cenógrafo, figurinista, radialista, compositor de trilhas, participante da primeira Bienal de São Paulo e representante brasileiro no Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, em Dakar.
É nesse ponto que sua trajetória se cruza com a da própria Vila Isabel. Em 1966, ambos chegaram ao Senegal levando seus filmes — Heitor dos Prazeres e Nossa Escola de Samba, registro do carnaval que levou a escola ao Grupo Especial — selando o encontro que encerra o desfile.
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Viviane Araújo retorna como porta-voz de campanha de Carnaval contra o assédio no RJ criada pela NOVA
O Governo do Estado do Rio de Janeiro lança nova campanha de Carnaval focada no combate ao assédio, reforçando o compromisso contínuo com a segurança das mulheres durante a festa. A criação é da agência NOVA, que assina a iniciativa pelo quarto ano consecutivo.

Ancorada no conceito “Não é Não! Respeite a decisão”, a campanha traz novamente Viviane Araújo como porta-voz e protagonista da campanha. Presença constante nas ações dos últimos Carnavais, a atriz, ritmista e Rainha de Bateria reforça a mensagem de que o enfrentamento ao assédio é uma responsabilidade coletiva e permanente.
A comunicação parte do entendimento de que o assédio afasta mulheres da festa, do Carnaval e da vida social. Ao mesmo tempo, evidencia como as políticas públicas de prevenção, proteção, atendimento e investigação contribuem para garantir que elas estejam nesses espaços com segurança e liberdade.

Entre as iniciativas destacadas estão a Patrulha Maria da Penha, que já realizou mais de 370 mil atendimentos; o aplicativo Rede Mulher, com mais de 150 mil downloads; o Protocolo Não é Não, que já capacitou mais de 15 mil profissionais de estabelecimentos comerciais; e as Delegacias da Mulher, responsáveis por mais de 115 mil casos investigados em todo o estado.
Uma das mensagens centrais de Viviane Araújo na campanha reforça que o Rio de Janeiro conta com decreto estadual contra o assédio em estabelecimentos comerciais, por meio do Protocolo Não é Não. No lettering das peças, o destaque é claro: “Mais de 15 mil profissionais capacitados”.
A campanha também amplia o conhecimento da população sobre os canais de apoio e denúncia, com o chamado direto: “Ligue 190. Baixe o app Rede Mulher.”

Com foco na conscientização e na mobilização social, a iniciativa reforça que informar, proteger e apoiar não é apenas papel do poder público, mas de toda a sociedade. O mote final, dito por Viviane Araújo, sintetiza a mensagem: “Não é Não. Respeite a decisão”.
A campanha conta com filmes nas versões de 60” e 30”, spots e testemunhais de rádio, anúncios em revista e jornal, peças digitais e mídia exterior (OOH e DOOH), garantindo ampla cobertura durante o período carnavalesco em todo o estado do Rio de Janeiro.
Série Barracões: Rosas de Ouro aposta em astrologia no Carnaval 2026
A Rosas de Ouro chega ao Carnaval 2026 apostando em uma viagem pelo universo da astrologia com o enredo “Escrito nas Estrelas”. Depois de conquistar o título no último carnaval, a escola da Brasilândia chega embalada e promete levar para a avenida uma narrativa que atravessa a criação do cosmos até o momento em que a humanidade passa a se orientar pelos astros como forma de compreender o mundo e o próprio destino.
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O projeto está nas mãos do carnavalesco Fábio Ricardo, que traz no currículo uma formação construída no carnaval do Rio de Janeiro. Antes de assumir a autoria de desfiles, ele atuou como assistente de Joãozinho Trinta e Max Lopes, dois nomes centrais da história do carnaval carioca. A estreia como carnavalesco veio em 2008, na Acadêmicos da Rocinha, e, desde então, o artista passou por escolas como São Clemente, Grande Rio, Império Serrano, Mocidade Independente de Padre Miguel e, no último carnaval, pela Unidos de Vila Maria.
A agremiação será a quinta a desfilar na sexta-feira de carnaval, na abertura dos desfiles do Grupo Especial de São Paulo.
Entenda o desfile
O enredo “Escrito nas Estrelas” propõe um percurso que vai da criação do universo à relação das civilizações com os astros. A narrativa começa com a expansão do cosmos, passa pela formação das estrelas e pela construção simbólica das grandes civilizações guiadas pelo céu, até chegar a uma reflexão espiritual sobre a Era de Aquário e os rumos da humanidade.
Durante visita do CARNAVALESCO ao barracão da escola, o carnavalesco Fabinho destacou o processo intenso de criação e a busca por fundamento para tratar do tema.

“Eu falei para eles que, para falar desse enredo, a gente precisava ter fundamento. Receber e devolver energia, como o universo faz. O que você emana para o universo, ele devolve para você. A escola precisava estar aberta para receber isso. Eu trabalho muito com essa questão de energia. Aos 50 anos, comecei a equilibrar isso, que é fundamental para qualquer artista que lida com o público e com a comunidade. Esse enredo foi tão energético que eu levei cinco meses em processo criativo, de segunda a segunda, das nove da manhã até, às vezes, três da manhã, junto com a equipe. Foi um processo de conexão muito forte, de estudo e entrega”, lembrou Fabinho.
Setor 1
A abertura mergulha no imaginário da criação do universo e no nascimento simbólico da constelação Rosa de Ouro. A proposta é apresentar o cosmos como origem de tudo, com a Terra surgindo como um grande santuário, espaço de acolhimento da vida.

“O enredo começa com a expansão do universo. A gente cria, no nosso imaginário, a constelação Rosa de Ouro. Dessa constelação vem uma nave que percorre o universo, resgatando e semeando. Essa semente chega à Terra, que é o nosso grande santuário. A comissão de frente é um tributo ao universo, com um tripé em movimento, porque o universo está sempre em movimento. A escola não pede nada ao universo; a escola oferece um presente ao universo. O casal de mestre-sala e porta-bandeira representa a formação da vida, com o hidrogênio e o hélio, que são a base de tudo o que conhecemos no universo”, explicou Fábio.
Setor 2
Na sequência, o desfile apresenta o nascimento das estrelas e das constelações e faz a ponte com as civilizações que, ao longo da história, passaram a olhar para o céu como guia de conhecimento e organização do mundo.
“Depois, a gente entra no setor da nebulosa, o berço das estrelas, de onde nascem planetas e elementos de vida. O abre-alas traz constelações como Sírius, Órion, Lira e Pégaso. Em seguida, vem o setor de Atlântida, a civilização matriz, que teria vindo das estrelas para cuidar da Terra. Os sábios se espalharam pelo mundo para transmitir o conhecimento, dando origem a civilizações como Suméria, Egito, Grécia, Índia e os maias, cada uma com sua missão, sempre guiadas pelos astros”, pontuou o carnavalesco.
Setor 3
O terceiro setor avança para o campo do pensamento humano, reunindo ciência, astrologia e simbolismos que ajudaram a construir a forma como o homem interpreta o céu e o próprio destino.

“No terceiro setor, entram os grandes pensadores da astronomia e da astrologia: Ptolomeu, Copérnico, Galileu, além de referências como Nostradamus. A gente também traz o tarô, com cartas como a estrela, a lua, o mundo, a roda da fortuna e até o diabo, com uma leitura simbólica e humana. Cada planeta tem um pensador diferente encenando ali”, disse Fabinho.
Encerramento
O desfile se encerra com uma leitura espiritual e contemporânea da Era de Aquário, propondo uma reflexão sobre consciência coletiva, sustentabilidade e mudança de postura da humanidade diante do mundo.
“No último setor, a gente fala da Era de Aquário. Aquário traz sustentabilidade, consciência coletiva, igualdade, amor ao próximo e espiritualidade. Diferentemente da Era de Peixes, em que se buscava um salvador fora, Aquário propõe olhar para dentro. A gente encerra com a figura de Aquário banhando tudo com sua ânfora, trazendo a luz de Aquário para a escola, para a arquibancada e para todos que estiverem presentes”, finalizou Fabinho.
















































