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Conjunto visual irretocável e bateria empolgante marcam estreia da Mocidade Unida da Mooca no Grupo Especial

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Abrindo os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial em 2026, a Mocidade Unida da Mooca se apresentou, na última sexta-feira, no Sambódromo do Anhembi. Foi a estreia da comunidade da Zona Leste na elite da folia paulistana, e sua apresentação foi marcada pelo belo conjunto visual e a apresentação impactante da bateria. Os portões foram fechados após 65 minutos de desfile na Avenida, depois da MUM apresentar o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, assinado pelo carnavalesco Renan Ribeiro.

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É inegável que a Mooca realizou uma das aberturas mais impactantes da história do Grupo Especial, e o fato de ser só seu primeiro ano eleva ainda mais essa boa impressão causada. O conjunto narrativo, que envolve samba, comissão de frente, alegorias e fantasias, cumpriu seu papel com louvor não apenas pelo aprendizado histórico, mas pelo luxo e zelo no acabamento da parte visual. Mas a parte técnica do desfile comprometeu o desempenho de alguns quesitos importantes, e os jurados podem acabar punindo o espetáculo apresentado pela MUM por conta disso.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Sabrina Cassimiro, a comissão de frente da Mooca apresentou “A Criação do Mundo”. A proposta foi representar o surgimento do universo segundo a tradição iorubá, destacando o papel primordial das energias femininas. A dança referenciou os estados iniciais da criação, transitando entre o caos primordial e a formação de uma ordem vital. Os figurinos remeteram às substâncias elementares e enfatizaram a presença do princípio feminino como agente de dinamização. Um grande tripé atuou como “símbolo criacional”, representado por uma mão gigante erguida sob o mundo em formação.

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O que mais chamou atenção na apresentação foi a estética. As fantasias estavam irretocáveis, e a alegoria do quesito era rica em detalhes e com apostas interessantes, como as placas contendo água corrente dentro. A coreografia também causou uma boa impressão, ocorrendo não apenas dentro da proposta do samba, mas também acompanhando seu ritmo. Uma excelente abertura de desfile da estreante do Grupo Especial.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal da Mooca, formado por Jefferson Gomes e Karina Zamparolli, desfilou com fantasias que representaram “Gèlèdé: O Sagrado Secreto do Existir”. É preciso ressaltar que houve uma mudança na posição da cabine de julgamento em relação aos desfiles do Grupo de Acesso II, e a formação da escola na Avenida, dentro da proposta de desfile, impactou a apresentação da dupla.

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Tudo ocorreu dentro dos conformes nos módulos um e três, onde a coreografia foi bem executada e chamou atenção pelo fato de ocorrer dentro do ritmo do samba. Mas durante a apresentação do casal diante do módulo dois, foi o momento em que a escola parou para executar um “pagode” junto à bateria, durante uma passagem inteira do samba. O casal precisou se apresentar ininterruptamente diante do jurado, aumentando o tempo de avaliação na área central da Avenida. No decorrer do desfile, a escola se viu obrigada a acelerar o andamento para fechar os portões no tempo regulamentar, o que também comprometeu a apresentação diante do módulo quatro, que também será um ponto de atenção para a escola no dia da apuração.

HARMONIA

A comunidade da MUM pisou na Avenida para realizar o sonho de desfilar no Grupo Especial, e o que se viu foram componentes empolgados pela estreia na parte inicial do desfile, enquanto o andamento inicial estava tranquilo. Conforme a escola precisou acelerar, o vigor do canto sofreu uma queda, mas não causou um impedimento de canto, permitindo à Mooca respeitar as obrigatoriedades do quesito de forma satisfatória.

ENREDO

“Gèlèdés – Agbara Obinrin” é um enredo que se inspira no trabalho social do Instituto Geledés, organização que atua em defesa das mulheres e pessoas negras, para exaltar a importância da figura feminina. A narrativa começa na criação do universo segundo a crença iorubá, passa pelos relatos históricos de luta das mulheres negras ao longo dos séculos e chega à atualidade, representada nas ações promovidas pela ONG. A ideia de partir de uma causa séria para narrar uma crença religiosa que manteve viva a chama da esperança de povos escravizados e, em seguida, retratar a realidade contemporânea é criativa e marcada por grande sensibilidade.

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Na Avenida, o enredo foi bem apresentado na combinação do samba e o conjunto visual. Era possível ler com clareza os elementos narrativos durante a travessia da MUM, que teve no quesito um de seus principais destaques.

EVOLUÇÃO

O quesito foi o calcanhar de Aquiles da Mooca no desfile. A começar pelo fato de a escola ter de fato iniciado sua apresentação com o cronômetro marcando cerca de três minutos. Conforme foi passando pela Avenida, foi-se percebendo um início mais lento que o esperado, ainda mais para uma escola que nos ensaios mostrou ter um grande contingente. Mesmo diante desse detalhe, a MUM ainda parou na pista por cerca de uma passagem inteira do samba para se apresentar para o público da Monumental. A Mooca demorou para ultrapassar a marca central da pista, com o carro Abre-alas ultrapassando essa marca na faixa dos 30 minutos. O andamento precisou acelerar, causando dificuldades para os componentes brincarem o carnaval. O fechamento dos portões com 1 hora, 5 minutos e 40 segundos evidencia que a estratégia adotada não foi das melhores.

SAMBA-ENREDO

O samba da MUM para o Carnaval de 2026 é assinado por Lucas Donato, Gui Cruz, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinicius, Vitor Gabriel, Biel, Mateus Pranto e Willian Tadeu. Na Avenida, o carro de som da Mooca foi liderado pelos intérpretes Sté Oliveira, Emerson Dias e Gui Cruz. É um samba que segue o método mais clássico de construção, por ter sido composto a partir da ideia do enredo, e não de uma sinopse já desenvolvida, que surgiu apenas posteriormente no processo criativo.

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A aposta permitiu à obra ganhar vida a cada verso escrito, aproveitando a expertise de um grupo de compositores veteranos e consagrados para se manter dentro de uma estrutura contemporânea. Os momentos retratados no samba se comunicam com cada parte do visual apresentado por um apego raramente visto na atualidade, e formaram na Avenida um conjunto não apenas narrativo e histórico, mas dançante, provocante, incitando o público a cantar e desfilar junto com a escola.

O principal destaque do quesito talvez não tenha vindo de dentro da Avenida, mas sim das arquibancadas. A arrancada do samba foi com um apagão, e o que se viu foi o público cantando com muita força, evidenciando a popularidade da obra. Dentro da pista, a letra corresponde claramente com o conjunto visual, e o desempenho do carro de som foi empolgante, em especial na combinação com a bateria da escola.

FANTASIAS

Através de suas alas, o conjunto de fantasias da Mooca se propôs a mostrar com profundidade cada elemento da narrativa do enredo. Da Ala 1 à 4, foram retratados os personagens da crença iorubá desde a criação até o momento em que cruzam o mar na época da diáspora. Chama a atenção que, mesmo retratando esse momento sofrido, as fantasias transmitem uma mensagem serena, como se fosse parte de um ciclo onde a cultura iorubá se expande para novas terras. Da Ala 5 à 10, nota-se uma mistura de elementos, já narrando personagens de destaque e culturas desenvolvidas em terras brasileiras. As demais oito alas fixas retratam a luta ao longo dos anos, com destaque para projetos do Instituto Gèlèdés.

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O acabamento das fantasias é digno de aplausos. Os materiais utilizados foram incomuns, e eram tão belos que tornaram a Passarela do Samba um desfile de alta costura. O capricho estava explícito, e o melhor é que a leitura das vestimentas foi fácil e os desfilantes conseguiam brincar o carnaval sem dificuldades. O quesito foi um dos principais destaques da apresentação da Mocidade Unida da Mooca.

ALEGORIAS

A MUM apresentou na Avenida um conjunto formado por quatro carros alegóricos. São eles: O Abre-alas, “Agbara Obinrin assentando o poder feminino ancestral”, que representou a força vital, espiritual, política e civilizatória que emana das mulheres negras e organiza a vida no universo iorubano e afro-diaspórico. O Carro 2, “Atlânticas – O caminho de volta se dá pelo mar”, que retratou o deslocamento e a permanência das forças femininas negras no território afro-atlântico. O Carro 3, “Trincheiras brasileiras – Mulheres negras e revoluções”, evidenciou a atuação das mulheres negras como agentes centrais das transformações sociopolíticas no Brasil. Por fim, o Carro 4, “Gèlèdés na rua: ouçam nossas vozes!”, foi a grande exaltação ao Instituto Gèlèdés como força política ativa no espaço público.

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Cada alegoria procurou se encaixar no conjunto de fantasias de modo a transicionar os momentos narrativos e obteve êxito ao preparar o público para cada ato do desfile da escola.

O capricho estético visto nas fantasias foi o mesmo das alegorias. Ricas em detalhes, e com soluções inteligentes de materiais, os carros conseguiram reproduzir o proposto pelo enredo com clareza e beleza. A única observação vai para bandeiras com fotos de personalidades do Carro 4, onde percebeu-se que algumas delas passaram um pouco enroladas. Tirando este detalhe, mais um quesito muito bem apresentado pela Mooca

OUTROS DESTAQUES

E que destaque! A bateria “Chapa Quente”, do premiado mestre Dennys Silva, fez o que quis com o samba da Mocidade Unida da Mooca. Uma fartura de bossas foi apresentada, graças às possibilidades que a obra permite. Apagões foram executados e respondidos não apenas pelos desfilantes em pista, mas também pelo público das arquibancadas. Durante a passagem pela Monumental, os ritmistas fizeram uma espécie de “pagode” que empolgou os espectadores.

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E o que falar da Rainha Valeska Reis, que não apenas conquista os olhos com muito samba no pé, mas contribuiu para o fechamento adequado do espaço deixado pelo seu quesito durante o recuo. Uma apresentação digna de ser um dos principais destaques do desfile de estreia da MUM no Grupo Especial de São Paulo.

Unidos de Padre Miguel 2026: Galeria de fotos do desfile

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Componente Fala! Comunidade do Jacarezinho transforma perdas em resiliência no retorno à Sapucaí

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A temporada 2026 da Unidos do Jacarezinho foi marcada por dois incêndios: um no barracão, em outubro, e outro na quadra da escola, há pouco mais de uma semana, que resultou na destruição de 12 alas a apenas oito dias do desfile oficial.

O impacto material foi imediato. O emocional, mais profundo ainda. Às vésperas do retorno à Marquês de Sapucaí após 12 anos, a escola precisou reconstruir fantasias, reorganizar alas e reafirmar sua própria existência. Na concentração, antes de cruzar a Avenida, o que se via era uma comunidade que transformou o trauma em combustível.

Antes de pisar na avenida, as referências aos incêndios surgiam espontaneamente nas conversas, mas eram acompanhadas por abraços, ajustes coletivos de fantasia e palavras de incentivo. O clima emocional misturava lembrança da perda e orgulho pela reconstrução possível em tão pouco tempo.

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ANGELO CAMPEAO
Ângelo Campeão. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Compositor há duas décadas na agremiação, Ângelo Campeão, 58 anos, relembrou o momento em que soube do incêndio. “Eu senti como se uma parte da nossa história estivesse sendo ameaçada. Quando você está há 20 anos dentro de uma escola, entende que cada fantasia carrega o esforço de muita gente. Não é só material, é memória, é dedicação. Fiquei profundamente entristecido porque a gente vinha construindo um trabalho muito bonito”, afirmou.

Questionado se em algum momento acreditou que o desfile poderia não acontecer, foi direto: “A apreensão existe, claro. Mas eu conheço essa comunidade. A Jacarezinho sempre encontrou força na dificuldade. Eu nunca achei que a escola fosse deixar de desfilar. Pode não ser como foi idealizado, mas acontece com verdade”, declarou.

Sobre o significado pessoal de atravessar a Sapucaí depois dos incêndios, ele completou: “Voltar já seria especial depois de 12 anos. Voltar depois de enfrentar dois incêndios é uma afirmação de permanência. Para mim, que tenho essa trajetória na escola, é um dos momentos mais simbólicos que já vivi aqui”, concluiu.

LEONARDO DUTRA
Leonardo Dutra. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Leonardo Dutra, 39 anos, músico e há cinco desfiles na escola, também descreveu o primeiro impacto.

“Foi uma notícia muito dura. A gente sabe o quanto cada ala representa para quem está ali. Saber que 12 alas foram destruídas a poucos dias do desfile é algo que mexe com qualquer um”, afirmou.

Ele admitiu que a dúvida atravessou os primeiros instantes. “Passa pela cabeça se vai dar tempo, se vai ser possível reorganizar tudo. Mas rapidamente a gente viu a mobilização acontecer. Teve gente que não dormiu, que se ofereceu para costurar, ajustar, resolver o que fosse preciso”, relatou.

Para Leonardo, o momento é histórico. “Estar aqui hoje representa resistência. Não é só cantar um samba. É ocupar novamente um espaço que a escola ficou 12 anos sem pisar. Depois do que aconteceu, o desfile ganha uma dimensão ainda maior”, afirmou.

VERA CICARELLO
Vera Cicarello. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Vera Cicarello, 41 anos, professora e há três anos na escola, contou como recebeu a notícia do incêndio. “Eu fiquei muito chateada porque, particularmente, esse ano achei o samba-enredo maravilhoso, estava muito feliz com a homenagem ao Xande. Saber que as fantasias foram queimadas, foram destruídas, é muito triste porque é o trabalho de um ano inteiro de uma comunidade. É realmente lamentável que isso aconteça ano após ano”, afirmou.

Questionada se temeu que o desfile não ocorresse, Vera explicou: “Não cheguei a achar que não fosse acontecer porque senti que a comunidade se uniu. As informações que a gente tinha eram de que ia se dar um jeito. Claro que dá aquela apreensão, mas eu senti que a gente desfilaria”, declarou.

Para ela, o momento também carrega um significado pessoal. “É a minha primeira vez desfilando na Sapucaí, porque nas outras vezes desfilei na Intendente. Só isso já seria especial. Diante dessa superação toda, fica ainda mais marcante. Acho que vai ser um desfile inesquecível”, concluiu.

ANDERSON DE CARVALHO
Anderson de Carvalho. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Anderson de Carvalho, 44 anos, músico e estreante na escola, viveu tudo com intensidade redobrada. “Eu senti tristeza, claro. Pensar que tantas pessoas perderam suas fantasias tão perto do desfile é muito duro. Mas também senti uma vontade enorme de ajudar”, afirmou.

Ele reconheceu que a dúvida apareceu. “Por um instante a gente pensa se vai ser possível. Mas a reação da comunidade foi imediata. Ninguém falou em desistir”, relatou.

Sobre o que representa estar nesse momento, Anderson destacou o pertencimento. “Estrear na escola já seria especial. Estrear em um contexto de superação faz a gente entender o que é comunidade de verdade. Eu me senti parte de algo maior”, afirmou.

HENRIQUE ARCANJO
Henrique Arcanjo. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Henrique Arcanjo, 37 anos, músico e estreante na Bangu, também descreveu o impacto inicial: “Quando eu soube do incêndio, senti indignação e impotência. É difícil aceitar que tanto esforço seja interrompido dessa forma”.

Perguntado se acreditou que o desfile poderia ser comprometido, respondeu com firmeza. “Em nenhum momento achei que a escola fosse recuar. A mobilização foi imediata. Eu vi gente que tinha perdido praticamente tudo voltando no dia seguinte para reconstruir”, declarou.

Para Henrique, atravessar a Sapucaí nessas circunstâncias é simbólico. “Para mim, que estou chegando agora, representa honra e responsabilidade. A gente não entra só para desfilar. A gente entra representando uma comunidade que decidiu permanecer”, concluiu.

Simbolismo, cultura e história: Alegoria retrata o famoso toque de alvorada e as festas populares de Olinda

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No Carnaval 2026, a Caçula da Baixada levou à Marquês de Sapucaí um enredo inspirado na cultura pernambucana e na música “Pagode Russo” de Luiz Gonzaga. “O sonho do tal pagode russo, nos frevos do meu Pernambuco”, foi idealizado pelo carnavalesco Edson Pereira e foi o segundo enredo apresentado na noite desta sexta-feira. A alegoria 03 representa o fervor da cultura pernambucana, o momento em que a dança e as festividades se tornam um movimento de resistência criado pelo povo.

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Terceira alegoria da Inocentes de Belford Roxo
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A professora Maira Norato, de 24 anos, desfilou pela primeira vez na Inocentes de Belford Roxo e comentou sobre o momento.

“Eu sou uma grande defensora da cultura e acho que é tudo muito natural. Acredito que a cultura surge dessa forma natural, mas ela também surge a partir de quando é provocada. O carnaval é uma cultura muito periférica, uma cultura favelada, uma cultura preta. E vem exatamente dessa provocação dos que não poderem comemorar o carnaval ser a nossa grande festa. Trazer o frevo, trazer uma cultura de fora, a chegada dos russos também. Eu achei genial o samba falando sobre o kizar, a balalaika, todas as referências. O samba está rico demais, e trazer o frevo, que também é um Carnaval de outro estado, foi uma provocação muito grande. Eu adorei”, revela a professora.

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Maira Norato, de 24 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“A rua é o Carnaval, né? O carnaval começou na rua, por mais que a gente esteja aqui na Sapucaí, né? Lá em Olinda ainda vive-se muito o carnaval de rua, aqui no Brasil também, aqui no Rio também com os blocos, mas a Sopcaí eu acho que se associa um pouco também essa festividade ainda da rua”, diz Maira sobre a importância da rua para o Carnaval.

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Gleidson Táqueo, de 36 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Gleidson Táqueo, de 36 anos e professor, também está em seu primeiro desfile na agremiação.

“Eu acho que toda criação nasce do nada. E do nada e do tudo ao mesmo tempo, porque tem que ter pessoas. É a mesma coisa que o carnaval, tem que ter pessoas para isso acontecer. Ela surge do nada e do tudo ao mesmo tempo. O tempo nasceu nas ruas, no meio de encontro de culturas e da rua” diz Gleidson.

O professor ressaltou a importância da imagem do Galo para a cultura pernambucana.

“O galo é da cultura nordestina, de Pernambuco. Ele é o início e o final do Carnaval, né? Porque ele é colocado antes do Carnaval e só é retirado depois. E aí, quando ele canta de novo no final, é que está terminando a festa”, analisa o professor.

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Ana Nascimento, de 42 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Já Ana Nascimento, empresária de 42 anos, também está em seu primeiro desfile pela agremiação. Para ela, o Carnaval brasileiro é uma expressão popular e de diversidade.

“A força da rua do Carnaval é imensa, porque o Carnaval é uma expressão, é uma forma de se expressar, do que a gente pensa, do que a gente é, o ser brincante. É enaltecer cada vez a cultura popular que vêm da rua, das pessoas, da diversidade. Aqui no Carnaval, no meio da multidão não existe distinção: é rico, é pobre, é tudo. É cultivar essas pessoas que são tão plurais, mas que ao mesmo tempo em prol do carnaval elas se unem para fazer essa festa linda”.

Ainda em sintonia com o enredo e com a representação do carro, Ana revelou que participar do Carnaval de Olinda era um sonho de infância. Ela esteve na folia em 2013.

“A primeira vez que eu fui pra passar o Carnaval em Olinda tive o prazer, que era o meu sonho, de conhecer o bloco do Galo da Madrugada. Eu, quando era pequena, era enlouquecida pelo Galo. Via pela televisão, e falei: ‘quando eu crescer vou para Pernambuco’, e eu fui, e foi uma experiência maravilhosa”, conta.

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Eduardo Martins, de 55 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O piauiense Eduardo Martins, de 55 anos, desfila na agremiação há 5 anos. Ele conta que vem todos os anos ao Rio de Janeiro para viver esse momento com a agremiação. Para ele, o frevo representa movimento, velocidade, musicalidade e alegria.

“Eu sou nordestino, sou do Piauí. Lá, a gente tinha os festejos juninos e também as festas ligadas às santidades religiosas católicas: Festa de Santo Antônio, festa de São Gonçalo, festa de São Benedito. Todas essas festas têm todos esses mesmos componentes do frevo. A musicalidade, o movimento e a alegria”, detalha Eduardo.

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Maria Eduarda, de 21 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A estudante de direito, Maria Eduarda, de 21 anos, está em seu quinto ano desfilando pela Inocentes e também comentou sobre o enredo e o frevo:

“A gente estar do lado de alguém que a gente gosta, compartilhar um sentimento junto. O frevo é isso tudo, é um calor, é aquele sentimento, é energia. Se não fosse a rua, não tinha o frevo, não tinha a dança, a cultura, a bagunça. A rua tem uma importância absurda no Carnaval, no frevo, porque ela que faz a energia. Só de falar eu fico até arrepiada. A energia da rua é de total importância” comenta Maria Eduarda.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Inocentes de Belford Roxo no desfile no Carnaval 2026

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Um desfile muito bom da bateria “Cadência da Baixada” da Inocentes de Belford Roxo, sob o comando de mestre Washington. Um ritmo com andamento confortável e bossas bastante dançantes foi exibido. Com uma criação musical requintada, é possível dizer que a bateria ajudou a impulsionar o samba e componentes da escola, além de ir melhorando gradativamente as exibições em cabines.

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Na parte da frente do ritmo, um naipe de tamborins com boa coletividade musical e que foi melhorando a batida pela própria pista, se exibiu interligado a uma ala de chocalhos consistente. Uma ala de cuícas ressonante também auxiliou no preenchimento da sonoridade das peças leves, dando brilho sonoro à cabeça da bateria da Inocentes.

Na parte de trás do ritmo da “Cadência da Baixada”, uma boa afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e segunda foram firmes, mas tocaram com segurança. Os surdos de terceira ficaram responsáveis pelo bom balanço entre os graves. Um naipe de caixas sólido tocou junto de uma ala de repiques ressonante e coesa.

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Bossas bem musicais e totalmente inseridas na temática da escola foram apresentadas. Musicalmente, se revelou de muito bom gosto a escolha por paradinhas com balanço e dançantes. A mistura entre a levadas nordestinas com uma pitada da Rússia ajudou a impulsionar a obra da agremiação, assim como desfilantes, principalmente na bela conversa rítmica do arranjo do refrão do meio, muito bem concebida e seguindo com requinte a nuance melódica. Já na bossa do refrão principal, com ritmo de frevo, dançarinos entraram pelo meio do corredor para dançar com guarda chuva colorido, inserindo a proposta audiovisual ao tema da agremiação de modo oportuno.

Uma apresentação muito boa da bateria “Cadência da Baixada”, dirigida por mestre Washington. Uma sonoridade atrelada ao enredo da escola foi exibida, empolgando componentes e tendo boa recepção visual por parte dos julgadores. A boa apresentação na primeira cabine foi seguida de uma exibição bem sólida no segundo módulo, acompanhada com aplausos pelo julgador, inclusive. Na última cabine (dupla) outra exibição demonstrando solidez. A impressão é que as exibições em julgadores foram melhorando, de uma para a outra, culminando na sensação de um desfile muito bom da bateria da Inocentes.

Mocidade Unida da Mooca 2026: Galeria de fotos do desfile

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Início de uma tradição: Comissão da Inocentes representa a chegada dos Russos em Pernambuco

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A Inocentes de Belford Roxo foi a segunda escola da Série Ouro a passar pela Marquês de Sapucaí, nesta sexta. A agremiação apresentou o enredo “O sonho do tal pagode russo, nos frevos do meu Pernambuco”, idealizado pelo carnavalesco Edson Pereira e inspirado na música “Pagode Russo”, de Luiz Gonzaga. A escola homenageia a cultura pernambucana, o frevo e a influência da Rússia nessa cultura.

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Integrantes da comissão de frente da Caçulinha da Baixada
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A comissão, coreografada por Sérgio Lobato e Patrícia Salgado, contou como surgiu o frevo na cultura pernambucana. Ela parte de uma lenda urbana, em que, com a chegada dos Russos na cidade de Recife, houve uma troca cultural entre os nativos e os estrangeiros. Com a influência nos passos pernambucanos surgiu a famosa dança pernambucana. Em entrevista ao CARNAVALESCO, os coreógrafos e dançarinos comentam sobre essa apresentação.

Como dito anteriormente, a comissão parte de uma lenda, um “disse-me-disse”. Logo, o trabalho dos coreógrafos em tornar isso em uma dança de fácil compreensão ao público se é maior.

“Vai ficar muito claro pela personalização dos personagens. Eles estão muito bem caracterizados pela movimentação, que vai ser muito clara. Essa parte do disse-me-disse também, porque nós temos um personagem que retrata isso com a dança dele e com a movimentação. E o nosso tripé tá muito rico de informação, eu acho que o público vai conseguir entender muito bem, além da alegria de Pernambuco do Recife”, diz Patrícia.

“Nós trazemos os cidadãos pernambucanos na visão do mestre Vitalino, em Barro. E esses mesmos personagens em barro, eles são trajados, depois dos barros, também com frego. Na verdade, a comissão é toda essa brasilidade, essa mistura de danças russa, do coco, até dá essa tropofagia. Essa mistura, que o carro também tem um movimento que eles trocam de roupa, para esse remelexo, como diz o samba, para dar o frego. É toda essa brincadeira deles vendo que pessoas são essas, estranhas na nossa cidade. e essa interação entre eles e representando também aqui a música através da homenagem também do Luiz Gonzaga, que vai também estar sendo representado”, completou Sérgio.

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Comissão de frente da Inocentes de Belford Roxo
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A apresentação se passou em um coreto, local que teve um papel importante em Pernambuco no século XIX, justamente por movimentar a cultura e sociabilidade do povo, sendo um local de encontro, festividade e dança. Na coreografia, é nele onde ocorre essa conexão cultural.

“Nós utilizamos bastante o espaço, tanto de baixo quanto de cima, que a gente vai ter uma divisão mesmo desses personagens. Os russos, num certo ponto, eles vão estar lá em cima e eles vão assistir, dançam em cima do carro e eles assistem embaixo o movimento do frevo”, explica a coreógrafa.

“É o tempo todo essa troca de dança de informações e o coreto que é essa referência do passado, tanto musical, política, festa, festiva, então a gente traz essa representação e é um trabalho todo ele muito artesanal, essa é a proposta”, comenta Lobato.

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Detalhes da Comissão de Frente da Inocentes
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Os coreógrafos contaram como foi o trabalho de construir a diferença corporal entre os russos e os pernambucanos, tendo em vista que são culturas distintas, mas que precisa ser claro para os jurados e o público.

“Nós somos da dança clássica, não é tão difícil sobre os russos. Além das pesquisas sobre Pernambuco, as danças referências, a dança do coco. No início do jurado, é como se tivesse uma rivalidade, uma disputa de dança entre eles, até que surge esse mix, que surge o frevo”, detalha o coreógrafo.

“Eu acho que foi um trabalho de pesquisa. A gente estudou a dança russa, claro, carnavalizando, porque a dança russa é muito específica, né? E não podemos esquecer que nós estamos no carnaval. Foi um trabalho de pesquisa mesmo, sempre adaptando para o projeto do carnaval. E eu acho que ficou muito de fácil leitura. As pessoas, quando verem a coreografia, vão entender bem os movimentos e vão perceber quem é quem”, completa Patrícia.

O momento em que a estranheza entre os dois povos acaba no momento em que eles criam o frevo, que é quando eles se conectam e tem o momento de festa. Os coreógrafos comentaram sobre esse momento e a percepção do público.

“Durante a avenida vai ter muita também vai ter festa, durante a avenida vai ter essa disputa também, mas ainda um pouco distantes um personagem do outro né, os russos bem garbosos, meio além de serem tipo militares da sua forma, também eles dançam, as danças e cossacas, esse final é só o jurado mesmo que tem essa junção”, conta Sérgio.

“Eu acho que é mais para o final, quando vai acontecer uma coisa que eles vão ver que ali é o momento da festa, é o acontecimento”, afirma Patrícia.

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André Valim, de 44 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

André Valim, de 44 anos, ator e professor, desfila na Sapucaí há 33 anos, mas está em seu primeiro ano na Inocentes. Ele interpretou um grande papel na comissão: Luiz Gonzaga.

“Foi um presente poder representar quem eu venho representando, o Luiz Gonzaga. Eu considero o Luiz Gonzaga muito mais do que um compositor, ele é uma instituição. O que ele fez com a cultura nordestina é quase um ato político de colocar o nordeste no centro da identidade brasileira. É muito emocionante estar aqui no enredo que é a partir de uma obra dele, conhecida por todo brasileiro”, pontua André.

O ator também falou sobre o momento em que começa o frevo na coreografia: “Nesse momento, eu, especificamente, estou tocando. É como se eu estivesse tocando pra todo mundo dançar. É um prazer estar vivendo esse momento, mesmo não sendo músico”.

“Eu quero muito que eles sintam a mesma alegria, a mesma vibração e a mesma energia que a gente sente fazendo esse desfile, essa coreografia. Que, desde o início, foi um trabalho de muita alegria, de muita leveza e de muita empolgação. Eu acho que é isso que eu quero que eles sintam um pouco do que a gente viveu”, diz André sobre o que espera da reação do público.

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Maria Clara, de 20 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A bailarina e integrante da comissão de frente, Maria Clara Barrie, de 20 anos, também está estreando na agremiação. A dançarina representou os pernambucanos.

“É muito impressionante e muito importante, porque o Carnaval traz pautas muito importantes e que, às vezes, a gente não pensa. E ver essa beleza traz a gente para pensar a beleza real daquilo que a gente, às vezes, tem preconceito, não entende, não conhece. É muita pressão. Vamos dizer assim, porque é um personagem muito importante, muito característico, mas é muito legal”, revela.

Maria Clara também falou sobre seu sentimento no momento em que o frevo surge na coreografia.

“Quando a gente tira a roupa assim, quando a gente muda de posição, não tem como tirar o sorriso do rosto, é a felicidade da dança, da coreografia, da cultura, da beleza”.

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Davi, de 29 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O dançarino Davi, de 29 anos, apesar de já ter trabalhado com Sérgio Lobato em outras escolas do Grupo Especial, está em seu primeiro desfile pela Inocentes.

“É sempre um grande prazer representar a história do Brasil e principalmente essa miscelânea, essa mistura que foi da dança russa, da cultura russa, trazida para o Nordeste, para o Recife, e se misturando e virando o nosso frevo”, conta Davi.

O dançarino também contou a expectativa quanto a reação do público: “A gente espera sempre levar alegria para o público que está esperando isso, e principalmente para a comunidade de Belford Roxo, que a nossa missão como comissão de frente é resumir e ao mesmo tempo contar a história que está vindo atrás da gente com o resto da escola”.

Após incêndios, Jacarezinho faz do abre-alas um manifesto de resistência

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A Unidos do Jacarezinho abriu os desfiles da Série Ouro convertendo o carro abre-alas no principal manifesto do enredo “O ar que se respira agora inspira novos tempos”, homenagem ao cantor Xande de Pilares. Em vez de apenas apresentar o tema, o abre-alas assumiu o papel de síntese de uma temporada marcada por perdas, reconstrução e mobilização comunitária.

Horas antes do desfile, na concentração, o cenário era de tensão e entrega coletiva. Integrantes ainda colavam tecidos sobre a estrutura de madeira da alegoria, numa corrida contra o tempo para finalizar o acabamento da alegoria. 

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Abre-Alas do Jacarezinho. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A proposta visual era retratar uma favela colorida, com pipas no topo, evocando as vielas do Jacarezinho onde as primeiras músicas de Xande ecoaram. O que poderia ser lido como improviso revelou-se, na Avenida, como potência estética e política: a comunidade sustentando, com as próprias mãos, o próprio sonho.

A temporada foi atravessada por perdas severas. Na madrugada de 5 de fevereiro, um incêndio atingiu três salas da quadra da agremiação, no bairro do Jacarezinho, destruindo fantasias de 12 alas e diversos adereços. Meses antes, em outubro, outro incêndio já havia atingido o barracão da escola na zona portuária.

A ausência de fantasias e o impacto material eram visíveis. Mas o clima, como repetiam os componentes, era de resiliência e garra.

Angelo Rios
Angelo Rios. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Estreando na escola, Ângelo Rios, 24 anos, assistente administrativo, resumiu a apreensão que antecedeu o desfile. “No primeiro momento eu fiquei um pouco apreensivo. Eu achei que ia dar meio ruim, mas agora que está chegando perto da hora da escola desfilar, eu estou achando que pelo menos a gente vai entregar. Alguma coisa vai entregar”, afirmou.

Morador da comunidade, ele se deteve na parte frontal da alegoria. “Eu gostei muito dessa parte aqui da frente, do Jacarezinho, acho que vem trazendo o nome da escola, vem trazendo a comunidade, eu acho que isso é muito importante. E gostei das cabeças lá em cima que remete muito a Xangô, eu acho que isso traz um pouco do Xande também. Estou gostando das cores vívidas, acho que melhorou”, disse.

Ao refletir sobre a representação da própria comunidade, foi sincero: “Eu acho que poderia estar melhor. Eu acho que a comunidade vem muito mais forte do que as alegorias, mas eu acho que a escola de samba também é isso. Alegoria é só uma figuração, eu acho que o que importa é o que a comunidade vem trazendo e eu acho que a gente vai trazer um bom desfile para saudar o Xande, saudar a comunidade, eu acho que é isso que importa no final”, explicou.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Para ele, abrir o desfile falando da própria realidade tem peso simbólico. “Eu acho que é extremamente importante. Eu também tenho uma identificação muito grande com a Caprichosos de Pilares, eu ainda não tive a oportunidade de desfilar por lá e eu acho que trazer o Xande, ainda mais nesse meu primeiro ano na Sapucaí, é uma realização interna minha e eu acho que também para a própria comunidade. O Xande esteve aí em diversos carnavais da Jacarezinho, foi autor de diversos sambas. Eu acho que é muito importante. Eu estou gostando bastante, acho que também trazer um pouco da Jacarezinho que não aparece muito nos noticiários”, afirmou.

Sobre a ligação do artista com a escola, ele revelou descoberta recente. “Na verdade eu conheci a partir do enredo. Boa parte eu já sabia que ele tinha escrito alguns sambas mas não sabia que era tantos, e sambas tão históricos assim para Jacarezinho. Então acho que foi uma escolha perfeita do carnavalesco, uma pena que não está saindo da forma que a gente queria que saísse, mas se depender da comunidade a gente vai estar fazendo o que a gente pode de melhor”, disse.

A frase-tema do carro — “dar nó na tristeza e fazer da vida um carnaval” — ganhou interpretação existencial. “Esses dias eu li, vi um vídeo, que dizia justamente isso: a gente não faz carnaval porque a gente é feliz, eu acho que a gente faz carnaval porque na maioria das vezes a gente está triste e a gente precisa desse momento para dar um restart na vida, para que a gente possa reviver. Isso aqui é vida. Não só o carnaval como um todo, mas uma comunidade, a gente estar em prol de um objetivo. Quando passar daquela Sapucaí, a sirene tocar, a vida vai tocar na gente. Eu acho que é isso que importa”, concluiu.

Egleberto Lima
Egleberto Lima. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Também estreante, o biomédico Egleberto Lima avaliou o abre-alas à luz das tragédias recentes. “Eu já esperava porque depois de tudo que aconteceu com a escola, de ter pegado fogo duas vezes, então esperava que não estivesse tão grandioso, mas eu achei que está muito bonito sim”, afirmou.

O que mais lhe chamou atenção foi a identidade visual. “O brilho está bem chamativo e está com as cores da escola. Está trazendo um pouco da nossa força, da nossa energia e a nossa identidade visual como verde e rosa”, disse.

Como morador, reconheceu que a expectativa inicial era maior. “Esperava que a comunidade trouxesse algo muito grandioso porque era isso que a gente estava fomentando o ano inteiro, mas devido aos acontecimentos eu acho que está muito bonito sim, devido tudo que aconteceu”, declarou.

Sobre abrir o carnaval na Sapucaí, foi enfático. “Eu acho muito grandioso porque como todo mundo fala, é o cartão postal do Rio de Janeiro e do Brasil. Então a gente é a primeira escola a desfilar na Sapucaí, abrindo o carnaval, então é algo muito importante porque é uma comunidade, é a favela. Então a gente realmente vestiu a camisa e vai entregar tudo, então é muito importante para a gente”, afirmou.

Ele também descobriu detalhes da trajetória de Xande ao longo dos ensaios. “Eu descobri ao decorrer dos ensaios. Realmente a gente foi entendendo um pouco mais da vivência do Xande. Então ele até falou um pouco da entrevista dele que ele fez para o RJ1. Então a gente entendeu muito sobre a vivência dele e a gente meio que se integrou como comunidade, como uma pessoa que veio da comunidade, que escreveu um pouco da história do Jacarezinho”, explicou.

Para Egleberto, o conceito do carro dialoga com a estética apresentada. “Com certeza, porque o carnaval é isso, é se divertir, é mostrar que a gente veio para isso, é se entregar. Então eu acho que o carro reflete um pouco porque tem cores vibrantes, tem muito brilho, então traz um pouco também da vivência do Xande”, disse.

E completou sobre o impacto pessoal: “Sim, muito, porque eu sou carnaval desde criança. Então eu vivo isso, eu respiro isso. Então estar hoje também aqui desfilando é uma virada de chave porque eu sou uma pessoa que eu venho sempre para o carnaval, sempre para a Sapucaí, então viver isso é a minha identidade como pessoa. É o que eu vivo, é o que eu respiro, então é um momento de felicidade imensa”, concluiu.

Luan Monteiro
Luan Monteiro. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

No quinto desfile pela escola, a jornalista Luan Monteiro contextualizou as dificuldades. “A gente sempre tem a expectativa de fazer bonito. A gente teve um ano complicado por conta do incêndio e tudo mais. Mas a gente tem um espírito muito grande nessa escola. Desde que eu estou na escola, a gente sempre teve a diversidade. Então, para a gente aqui, não é uma novidade desfilar com essas condições. Então, a gente vai lá e faz assim mesmo e a gente sempre bota expectativa”, afirmou.

Sobre o carro, exaltou a identidade cromática. “Eu acho que as cores da escola são espetaculares. É a única rosa e branca. Ela é única. Então, quando a gente faz esse capricho com um esquema com dourado, eu acho que sempre é uma coisa que encaixa bem. E a gente espera entregar bonito”, disse.

Para ele, a grandeza está na base comunitária. “Eu acho que pelo fato de ser uma escola muito do povo mesmo, da favela de verdade, você vê que ela tem todas as dificuldades que as pessoas em geral têm, que a população pobre tem. E eu acho que essa que é a parte mais interessante. Você vê que é uma coisa do povo para o povo. Mesmo a verba que tem, ela não é o suficiente para poder fazer tudo. O que faz a escola ser grandiosa é uma tradição muito grande que a escola tem, que a comunidade tem”, afirmou.

Sobre Xande, reconheceu que conheceu essa parte da história por meio do enredo. “Conheci por causa da escola. Até então, não conhecia. Fiquei feliz de saber que ele morou no Jacarezinho, que parte importante da formação do samba dele foi de lá também. O Jacarezinho tem um histórico muito grande no samba. Tem várias figuras ilustres de lá também. Pelo que eu conheço, do pouco que eu estudei aqui, conversando com gente mais velha, você vê que é um pessoal que sabe muito do samba. Nada mais justo do que ter o Xande aqui sendo homenageado. Acho maravilhoso, acho ótimo”, declarou.

Ele também associou o carnaval à resistência. “Acho que faz, porque o povo sofre muito. A vida do povo é sofrida. O carnaval é uma expressão do povo brasileiro, de muitos anos, e é uma expressão que a burguesia procura reprimir de várias maneiras. Os governos, no geral, à direita, fazem um esforço muito grande para poder acabar com a festa de rua. Então a gente acaba sendo um episódio de resistência aqui”, afirmou.

E concluiu sobre o impacto pessoal: “Com certeza. Estar aqui no meio de todo mundo é uma coisa que não tem como descrever em muitas palavras. É só indo para você ver como é”, disse.

Carolina Carrijo
Carolina Carrijo. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A psicóloga Carolina Carrijo, de 58 anos, estreou na escola justamente nesse retorno à Sapucaí. “Eu fiquei feliz de eles estarem forrando agora, também concluindo, porque foi triste o que aconteceu. E aí fiquei num ímpeto de querer ajudar”, relatou.

O que mais a marcou foi o esforço coletivo. “Eu confesso que foi esse trabalho da comunidade ali em cima, grampeando, fazendo as coisas. Foi isso”, afirmou.

Sobre participar desse momento histórico, declarou: “Eu acho que é um momento muito importante e me deu mais vontade ainda de estar aqui. Eu já queria e eu falei: conta com a gente, o que a gente puder fazer da nossa parte, a gente vai fazer”, disse.

Fã declarada de Xande, completou: “Sabia de muita coisa dele. Eu sou fã, eu admiro demais o Xande de Pilares, acompanho no que eu puder, vou a shows dele sempre que eu posso e acho a história dele muito bacana. Muito bacana. As épocas mais difíceis e tudo”, afirmou.

Para ela, a frase do carro dialoga com a realidade. “Faz muito, faz muito. Todos nós, e o brasileiro, e a comunidade mais ainda, sempre tem que dar nó, tem que se virar, é desatar nós também. Eu acho que faz muito sentido”, disse.

E finalizou com emoção: “Eu acho que esse hoje está sendo. Eu já desfilei muitas vezes em escolas grandes e desfilei na Mangueira alguns anos. O que eu acho que este está significando mais é por estar podendo participar de uma volta por cima. Para mim significa muito, então talvez seja uma virada de chave agora”, concluiu.

Para Victoria Thiers,  gerente de loja, de 30 anos, também estreante, sintetizou o sentimento coletivo. “Eu senti que, por mais que as adversidades tivessem pego a gente, a gente vai entrar na Sapucaí com a garra que a escola tem, com a força que a comunidade tem”, afirmou.

O rosa, sua cor preferida. foi o detalhe que mais a tocou. “Ver que mesmo com tudo que a gente passou, com os incêndios que a escola enfrentou, a gente conseguiu colocar um carro na rua com as cores da escola, representando a escola, representando a força que a gente tem e a não desistência de passar pela Sapucaí após mais de 10 anos, eu estou muito emocionada de estar aqui hoje”, disse.

Moradora próxima à comunidade, emocionou-se ao falar da participação. “Eu frequento a comunidade há muito tempo, eu moro muito perto dali, eu consigo ir a pé da minha casa. Está sendo incrível. Eu estou extremamente emocionada de estar aqui hoje”, afirmou.

Sobre a escolha do homenageado, destacou: “Eu sou do samba há muitos anos, eu cresci no samba. E quando eu descobri que seria ele, eu fiquei muito feliz, porque ele é um cara que merece muito ser homenageado. Eu amo essas homenagens quando a pessoa está viva ainda, que pode estar aqui. Ele acabou de passar, então deu mais um gás para a escola. Isso é incrível”, disse.

E resumiu o espírito do momento: “Faz total sentido. Principalmente depois da semana passada, que a gente teve o último incêndio depois de já ter tido um. É isso: dar nó na tristeza e entrar com toda a emoção e a garra para o Carnaval”, afirmou.

Ao falar de virada de chave, trouxe memória afetiva. “Já foi uma virada de chave na minha vida. Meu avô foi presidente do conselho da São Clemente por muitos anos. Eu aprendi a gostar de Carnaval com o meu avô. É incrível. É tudo”, concluiu.

Bangu 2026: Galeria de fotos do desfile

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Com desfile criativo e comissão de frente impactante, Inocentes de Belford Roxo aposta na força da cultura popular

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A Inocentes de Belford Roxo levou para a Marquês de Sapucaí um dos enredos mais inusitados da temporada. Segunda escola da noite, a agremiação da Baixada Fluminense apostou no improvável sob o título “O Sonho de Um Pagode Russo Nos Frevos do Meu Pernambuco”, criação do carnavalesco Edson Pereira. O resultado foi um desfile criativo, tecnicamente equilibrado e com bons momentos plásticos, especialmente na comissão de frente e na harmonia. Entre os pontos de atenção estiveram um espaço aberto pela ala de passistas antes do módulo 3 e falhas de acabamento em parte das fantasias.

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A proposta partiu da obra de Luiz Gonzaga para costurar as estepes russas no chão nordestino. A narrativa não se limitou ao exotismo visual e construiu um fio condutor claro, defendendo que, no território do samba, distâncias geográficas se dissolvem ao som da sanfona.

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Fotos: Alllan Duffes/CARNAVALESCO

A escola apresentou três alegorias bem preenchidas, com iluminação funcional e ocupação cênica coerente. O abre-alas, “O Sonho de Pedro, o Grande, no Paço do Frevo”, sintetizou o conceito ao fundir referências da arquitetura de São Petersburgo com elementos clássicos do carnaval recifense. A leitura era imediata e dialogava com o enredo sem ruídos.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Patrícia Salgado e Sérgio Lobato, a comissão de frente cumpriu seu papel de cartão de visitas com clareza dramatúrgica e impacto visual. Eram 15 bailarinos: sete representando a estética russa, sete a pernambucana e um sanfoneiro no alto de um tripé cenográfico que remetia ao coreto de uma praça.

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A coreografia começou no chão, com passos marcados, saltos e interações entre os dois grupos, enquanto o sanfoneiro dominava o plano superior. Em seguida, o grupo russo subiu para a parte mais alta do tripé, e o pernambucano ocupou as laterais. O elemento girava em sentido anti-horário enquanto os bailarinos retiravam sobreposições em tons terrosos, revelando figurinos coloridos típicos do frevo.

No clímax, dançaram com o gesto clássico do frevo, com braço erguido e sombrinha em punho, fazendo com que faíscas brilhantes surgissem das pontas dos guarda-chuvas e do topo do tripé. A apresentação, com duração de uma passada do samba, foi coesa, dialogou diretamente com o enredo e sintetizou o “casamento matuto na neve” proposto pela escola.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Vinicius Jesus e Thainá Teixeira, realizou uma apresentação de uma passada do samba, marcada por bailado tradicional, rodopios sem excesso de intensidade e boa sincronia. Houve conexão entre os dois e leitura clara da coreografia.

O mestre-sala conduziu cortejo clássico, protegendo o pavilhão com veemência, mas incorporou passos de frevo em trechos estratégicos do samba, especialmente no verso “no fervo do frevo, o destino sorri pra mim”. O mestre-sala deslizou com segurança pela Avenida.

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A porta-bandeira apresentou dança tradicional com carisma e interação constante com o parceiro. Em dois momentos, nos módulos 1 e 3, a bandeira apresentou leve dobra, sem chegar a enrolar, situação que pode ser observada pelo júri, mas sem caráter de falha grave.

Com figurinos em cores quentes como o vermelho, amarelo e laranja, foi uma apresentação aplaudida pelo público presente.

SAMBA E HARMONIA

O samba, defendido por Ito Melodia e pela ala musical, passou bem e encontrou resposta da comunidade. O intérprete conduziu a escola chamando o canto, o que fortaleceu a participação das alas.

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A harmonia foi positiva, com destaque para a elevação do canto a partir do segundo setor, quando a escola ganhou ainda mais volume e consistência.

EVOLUÇÃO

A Inocentes de Belford Roxo apresentou um desfile de desenho organizacional bem estruturado, especialmente nos dois primeiros setores. A escola iniciou compacta, com alas preenchendo corretamente os claros da pista e mantendo alinhamento lateral consistente entre as fileiras. A cadência esteve ajustada ao andamento do samba, sem aceleração excessiva nem arrasto visível nos primeiros módulos.

A transição do abre-alas para as alas subsequentes foi fluida, sem engarrafamentos na saída dos carros. Houve boa leitura espacial entre alas, fator importante para a percepção de continuidade do desfile.

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O ponto de atenção surgiu pouco antes do módulo 3, quando a ala de passistas abriu um espaço significativo na parte central da pista, que rompeu momentaneamente a forma linear do conjunto e criou um vazio perceptível na diagonal de visão dos jurados. A recomposição aconteceu, mas o intervalo foi suficiente para chamar atenção técnica.

Após esse episódio, a escola retomou o controle da progressão. As alas seguintes mantiveram regularidade no deslocamento, com destaque para a boa ocupação lateral próxima às grades, evitando buracos nas extremidades. Não houve registros de componentes correndo para recompor posição, o que indica que o controle de tempo estava sob gestão adequada da direção de harmonia e evolução.

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Nos setores finais, a Inocentes manteve constância no andamento e conseguiu preservar a unidade visual até a dispersão, sem desmembramento precoce de alas. A leitura geral foi de um desfile que, apesar do episódio pontual no terceiro módulo, apresentou organização, controle rítmico e consciência espacial, aspectos que sustentam uma avaliação positiva no conjunto do quesito.

ALEGORIAS E FANTASIAS

No conjunto plástico, a Inocentes de Belford Roxo apresentou três alegorias que cumpriram bem a função de sustentar a narrativa proposta por Edson Pereira. Os carros estavam completos, com todos os espaços de composição ocupados, iluminação operante e leitura temática objetiva, fator essencial para o julgamento à distância.

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O abre-alas se destacou pelo impacto cenográfico. A fusão entre referências da arquitetura russa e elementos do carnaval recifense foi vista já na primeira leitura. Volumetria equilibrada, planos bem distribuídos e bom uso de altura garantiram imponência sem comprometer a estabilidade visual. A paleta transitou entre azuis frios e dourados imperiais, dialogando com o imaginário czarista, enquanto elementos cromáticos mais quentes inseriram Pernambuco na cena sem conflito estético.

A segunda alegoria, com estética de festa junina sob lente imperial, apostou no lúdico. Havia bom preenchimento e coerência entre figurinos de composição e escultura cenográfica. O cuidado com a ocupação evitou vazios estruturais, embora o acabamento de algumas aplicações, principalmente em detalhes ornamentais mais delicados, pudesse apresentar maior refinamento, sobretudo nas junções visíveis de materiais.

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O terceiro carro foi o mais sóbrio do conjunto. Cores como preto e dourado, forte presença de elementos do frevo e maior dinamismo visual criaram sensação de apoteose intermediária antes do setor final. A iluminação funcionou como recurso de valorização volumétrica, sem ofuscar as fantasias dos componentes.

Nas fantasias, a escola apresentou coerência narrativa entre alas e setores. A transição cromática acompanhou a dramaturgia do enredo, com tons mais sóbrios e frios nos primeiros momentos, evoluindo para explosões de cor associadas ao frevo e ao São João.

As alas representando a estética russa apostaram em casacas, golas altas e tecidos com aparência mais estruturada. Já as alas pernambucanas trouxeram leveza, movimento e cores saturadas, favorecendo a leitura coreográfica.

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O ponto sensível esteve no acabamento. Em algumas alas, especialmente na dos bonecos de Olinda, foram perceptíveis falhas de finalização, como aplicações desalinhadas e diferenças de padronização entre peças de um mesmo conjunto. Em julgamento técnico, esse tipo de inconsistência pode pesar, já que o quesito avalia uniformidade, capricho e qualidade de execução.

No geral, o projeto plástico da Inocentes foi coerente, compreensível e visualmente competitivo. A escola sustentou sua proposta estética do início ao fim, mas pequenos ajustes de acabamento poderiam elevar o conjunto a um patamar ainda mais sólido no julgamento técnico.

OUTROS DESTAQUES

A bateria pontuou a narrativa com bossas em alusão ao frevo e ao São João, criando identidade sonora para o enredo. A rainha Carolane Silva apresentou samba no pé e uma linda fantasia.

Um destaque do desfile aconteceu na segunda alegoria, com a presença da Velha Guarda em posição de destaque no carro. Em meio à mistura criativa entre Rússia e Pernambuco, a escola trouxe os baluartes ali, ocupando lugar de honra, com emoção e equilíbrio ao setor.

Outro destaque também foi a ala de passistas que levou para a Avenida a vibração que o enredo pedia. Com fantasias leves, que favoreciam o movimento, o grupo entregou gingado, presença cênica e conexão direta com a bateria. Coreograficamente, os passistas apostaram em deslocamentos dinâmicos e ocupação central da pista, garantindo destaque visual. Houve boa interação entre eles e resposta ao ritmo da bateria, especialmente nas bossas que dialogavam com o frevo.

O ponto de atenção aconteceu pouco antes do módulo 3, quando a ala abriu um espaço significativo no meio da formação. O claro ficou perceptível e quebrou momentaneamente a unidade visual do setor. A recomposição veio na sequência, mas o intervalo pode ser observado tecnicamente. Ainda assim, no conjunto, a ala entregou energia, sorriso no rosto e domínio de pista.