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Com dia claro, Barroca Zona Sul mostra força de Oxum em seu desfile

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O Barroca Zona Sul viveu na última sexta-feira uma experiência pouco comum em sua história: fechar uma noite de desfiles no Grupo Especial.

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E o fez trazendo o enredo “Oro Mi Maiô Oxum”, uma reverência à Orixá ligada às cachoeiras, rios e fertilidade feminina. Sem os efeitos de iluminação que a noite permite, a escola se preparou cuidadosamente para a luz do dia, de acordo com o presidente Ewerton Cebolinha.

“Barroca se preparou para encerrar o desfile, para terminar ao amanhecer. A proposta combinou bem, cores claras, Oxum, ouro, acho que deu tudo certo”, afirmou Cebolinha.

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Além da luminosidade do dia, um aspecto constantemente ponderado como um possível “problema” para quem fecha uma noite de desfiles, é pegar um Anhembi já esvaziado. Sem uma torcida tão numerosa, o Barroca desfilou para um público diminuto, mas quem permaneceu até o fim assistiu uma agremiação que não perdeu sua energia e passou de
peito aberto encarando a responsabilidade para realizar um bom desfile.

“Acima de tudo nos preparamos em entregar um bom desfile para essa comunidade que merecia demais após o problema que tivemos no ano passado. Nos planejamos para fechar com garra e conseguimos. A sensação é de alívio”, finalizou Cebolinha.

 

‘Força da comunidade conduziu Jacarezinho’, declara intérprete Ailton Santos

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No reencontro com a Marquês de Sapucaí, após 13 anos longe, a Unidos do Jacarezinho abriu os trabalhos nesta sexta-feira de desfiles da Série Ouro.

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A escola levou para a pista o enredo “O Ar que se respira agora inspira novos tempos”, uma homenagem a Xande de Pilares, que se apresentou como uma declaração de amor ao samba nascido e cultivado na favela, território onde vozes aprendem primeiro a cantar na roda antes de ecoarem no rádio, assim como foi a de Xande.

Intitulada “O Verso que encantou o Poeta”, a comissão foi composta por 15 componentes, vestidos de bate-bolas, e um homem vestido de Xande de Pilares, do coreógrafo Akia de Almeida, que se mostrou muito feliz com o trabalho realizado na avenida.

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“Uma comissão inédita. Nenhuma comissão abordou a Folia de Reis dessa forma e que tem tudo a ver com a vida do Xande no subúrbio do Rio. Não tivemos problemas com as fantasias porque foram feitas foram do ateliê da escola”, declarou em entrevista ao CARNAVALESCO. 

Outro ponto alto da escola foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Maycon Ferreira e Lorenna Brito. Com a fantasia “Estrela da Inspiração”, o casal teve uma dança leve, correta e com muita emoção.

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“Foi um carnaval difícil. O Jacarezinho enfrentou algumas dificuldades, mas como profissionais, abraçamos a comunidade assim como eles nos abraçaram. Foi com muito amor e força”, disse Lorena.

A emoção também tomou conta dos puxadores Ailton Santos e Thiago Acácio. “É uma realização. No ano que completo 21 anos no Jacarezinho e tive o prazer de dividir o microfone com o Thiago”, contou Ailton.

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“Só tenho a agradecer o carinho pois nós enfrentamos um grande desafio. Jacarezinho enfrentou dois incêndios e nós pisamos na avenida trazendo a força da comunidade que é o que o Jacarezinho tem de melhor. A força da comunidade conduziu a Jacarezinho. Viemos trazendo as cicatrizes do desastre que sofremos, mas sem deixar nossa força de lado”, completou Thiago.

Opinião! Como foi o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial de São Paulo no Carnaval 2026

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Primazia do casal e desempenho do samba agitam desfile da Barroca Zona Sul

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A Barroca Zona Sul encerrou o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, realizados no Sambódromo do Anhembi. Sétima escola a se apresentar, a passagem da Faculdade do Samba pela Avenida foi marcada pelo desempenho implacável do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e pelo andamento do samba ao longo do cortejo, encerrado após 65 minutos na Passarela do Samba. A Verde e Rosa desfilou com o enredo “Oro Mi Maió OXUM”, assinado pelo carnavalesco Pedro Alexandre Magoo.

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O desfile da Barroca ocorreu totalmente de manhã o que ficou evidente na estratégia para o conjunto visual e é mencionado no samba. Como apresentação para o público, o desfile funcionou bem, e manteve as arquibancadas atentas até o fim graças ao grande desempenho do carro de som com um dos melhores sambas do ano. Mas os problemas no quesito Evolução e as falhas observadas nas Alegorias foram acentuados o suficiente para gerar preocupações quanto ao julgamento da escola.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Chris Brasil, a Comissão de Frente representou na Avenida “Oxum e o primeiro iniciado”. Contando com um elemento alegórico que representou a Terra Sagrada dos Orixás, o quesito retratou o momento em que, segundo a crença do Candomblé, Oxalá ordenou que Oxum realizasse a iniciação daquele que se tornaria o primeiro filho de santo. Outros orixás fazem parte desse ritual, como Orunmilá, que decifra os mistérios de Oxalá e prepara Oxum e o Escolhido para o processo. Exu é o responsável por guiar a Senhora do Ouro e o escolhido até um rio sagrado, onde esse homem comum se torna um ser iluminado e devotado ao sagrado, símbolo vivo do Axé.

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A atuação do quesito apresenta simplicidade de leitura dentro da narrativa proposta, e a coreografia indica com clareza o início do desfile acalentador promovido pela escola. Mas o elemento alegórico, com a escultura de Oxalá com o corpo vazado, não causou o impacto visual esperado, apesar de um componente interagir com a estrutura em determinados momentos.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal do Barroca foi formado por Cley Ferreira e Lenita Magrini. Ambos já haviam dançado juntos pela Independente Tricolor entre os anos de 2017 e 2018, e reeditam a parceria com a chegada do mestre-sala à Faculdade do Samba, para a qual a porta-bandeira retornou em 2024. Ambos se apresentaram com fantasias que representaram “A filha de Oxalá e Yemanjá”.

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Foi um dos poucos casais da noite que precisou encarar um vento mais acentuado na Avenida, mas Lenita superou o desafio com bravura, e a energia da dança com Cley, cumprindo todas as obrigatoriedades do quesito nos módulos em que foram observados, fez com que o quesito conseguisse embalar o astral do início do desfile da escola. A dupla, sem dúvida, foi um dos principais destaques da Faculdade do Samba em 2026.

HARMONIA

A sequência de vários sambas grandiosos na discografia recente da Barroca Zona Sul facilita com que os componentes tenham mais entusiasmo para brincar o Carnaval. Como a escola não teve um andamento acelerado enquanto foi observada, os desfilantes conseguiram desfilar com leveza e cantar alegremente. Um quesito forte para a conta da Verde e Rosa.

ENREDO

“Oro Mi Maió OXUM” é um enredo de exaltação à Oxum, conhecida como a orixá que reina sobre as águas doces e como a divindade do amor, da beleza, da fecundidade e da riqueza. Trata-se de um desfile com ampla narrativa sobre a entidade, descrevendo em detalhes suas qualidades e histórias, como os amores vividos e a relação com o filho Logun Edé.

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A narrativa tem uma característica interessante. Cada carro alegórico representou uma história sobre Oxum, sendo dois deles sobre amores da orixá. As fantasias representaram elementos e personagens que narraram a história da Senhora do Ouro, somando ao que as alegorias representavam com riqueza e profundidade. Trata-se de um enredo acima de tudo cultural. Na Avenida, porém, algumas alas eram de difícil interpretação, como foi o caso da Ala 15 “Yalodê, A Grande Mãe”, cabendo aos julgadores definirem se entenderam o recado que pretendiam transmitir.

EVOLUÇÃO

O desempenho do quesito foi errático. Apesar do andamento inicial ter sido satisfatório, conforme a escola foi avançando pela Avenida, as falhas de compactação ficaram evidentes. Um espaço grande, superior a dez grades, abriu-se entre a Ala 7 e o Carro 2, no alcance de visão do segundo módulo de julgamento, com as destaques de chão que vieram ao meio não conseguindo suprir a falha de compactação. O recuo da bateria também foi irregular, com a mesma alegoria citada não parando enquanto a manobra ocorria, a ponto de um diretor ser observado correndo para pedir que a alegoria não andasse. No mesmo módulo também ocorreu uma abertura superior a cinco grades entre a Ala 13 e o Carro 3, maior do que o espaço que a destaque à frente pode usufruir, e o mesmo quase ocorreu também à frente do Carro 4.

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Os erros numerosos concentrados em um mesmo jurado podem significar que em outros setores a escola possa ter passado melhor, mas o fechamento dos portões, no limite do tempo regulamentar de 65 minutos, também evidencia que o cortejo não fluiu dentro do esperado. A Barroca Zona Sul precisa repensar suas estratégias de Evolução no próximo Carnaval.

SAMBA-ENREDO

O samba da Barroca para o Carnaval de 2026 foi assinado por Thiago Meiners, Sukata, Morganti, Claudinho, Fernando Negão, Shumacker, Valencio, L. Santos, Daniel Paixão, Léo PZ, Beto Savanna, Wilson Mineiro e Tubino. A escola optou há anos por encomendar dessa parceria as obras que canta na Avenida, e o resultado mantém um alto padrão de qualidade. Desde seu retorno para o Grupo Especial em 2020, todos os sambas compostos ficaram entre os mais bem avaliados do Carnaval de São Paulo, sendo essa uma sequência rara na história da folia paulistana. Na Avenida, o samba deste ano foi defendido pelos intérpretes Dodô Ananias, que está em seu segundo ano na escola, e Rafael Tinguinha, que estreou em 2026 pela Faculdade do Samba.

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O samba aposta em uma poesia serena e condizente com a narrativa em celebração à Oxum. A menção ao amanhecer, em função da posição de desfile, ganha ainda mais impacto, tendo em vista que se trata de uma homenagem à Senhora do Ouro. Os versos são de fácil aprendizado, e os componentes souberam cantar a obra com clareza. Na Avenida, a obra funcionou muito bem, com a comunidade e o público respondendo positivamente, e o desempenho do carro de som também foi exemplar. Um dos quesitos mais fortes da Faculdade do Samba no desfile.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias da Barroca teve papel fundamental para a compreensão do enredo. Não se percebe uma divisão clássica de setores, já que a história é contada conforme as alas fazem essa demanda. São observados, por meio dos desfilantes, elementos de devoção à orixá, ao mesmo tempo que os personagens são encaixados dentro da narrativa gradualmente, destacados posteriormente no que foi apresentado nas alegorias. O maior problema, porém, foi a clareza de leitura. Algumas fantasias não transmitiam suas mensagens com facilidade, e o acabamento das vestimentas variava entre soluções criativas e outros nem tanto. A Ala 12 apresentou um conjunto de costeiros com representação de jarros, onde alguns pareciam mais caídos que outros, gerando uma falha de uniformidade que pode ser considerada pelos jurados.

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ALEGORIAS

A Barroca Zona Sul apresentou na Avenida um conjunto formado por quatro carros alegóricos, e cada um retratou individualmente uma história sobre a orixá exaltada no enredo. São eles: O Abre-alas, “As Águas Sagradas de Oxum”, contou a história da filha de um rei que caiu nas águas de um rio, mas foi encontrada após dias de buscas viva e carregada de tesouros, fazendo a majestade nomear o rio sagrado de “Rio Ossun” e transformando o título de seu reinado em Rei Osogbô, que significa o “rei que acredita em Oxum”. O Carro 2, “O fogo que move uma paixão”, contou a história de quando Oxalá procurava um marido para sua filha Oxum, mas entre vários pretendentes nobres e ricos, ela se apaixonou por um andarilho versador, que na verdade era Xangô, o orixá da justiça, disfarçado. O Carro 3, “Quando a água encontra a mata”, contou a história de outro amor de Oxum, agora por Oxóssi, o qual conheceu na beira de um rio e precisou de uma ajuda de Exu, irmão do orixá caçador, para conquistá-lo. Por fim, o Carro 4, “Oxum e Logun Edé, amor de mãe”, mostrou o fruto da relação de Oxum com Oxóssi, na forma de seu filho Logun Edé, cujo nascimento se tornou símbolo de fertilidade e representou a mais bela e pura forma de amor que existe.

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É interessante como, enquanto as fantasias apresentaram elementos da história de Oxum, as alegorias contaram histórias completas sobre a entidade. Quatro grandes narrativas muito bem retratadas, que mostram os valores da orixá e como uma única entidade da cultura iorubá representa tantas histórias marcantes, evidenciando como aquele povo vivia, antes de influências externas, um estilo de vida mais livre de dogmas restritivos.

Mas o conjunto alegórico não foi uniforme. O acabamento e o impacto visual do Abre-alas e do Carro 4 foram visivelmente superiores ao dos Carros 2 e 3, e problemas no funcionamento dos mecanismos que jorrariam água ficaram evidentes, em especial na última alegoria, onde apenas o esguicho do lado esquerdo funcionava, e mesmo assim, não ao longo de toda a Avenida. A solução de iluminação se mostrou acertada para o horário do desfile, contribuindo para destacar elementos das alegorias mesmo com o já esperado Sol que esperava pela escola.

 

Barroca Zona Sul 2026: Galeria de fotos do desfile

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Comunidade sustenta desfile do Vai-Vai durante amanhecer no Anhembi

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Quem nunca viu o samba amanhecer… Quem estava no Anhembi na reta final do último sábado viu. O Vai-Vai entrou na avenida já com o dia amanhecendo e mostrou que tem chão. Penúltima escola a desfilar, a agremiação ouviu seu nome ser anunciado e fez arquibancadas se levantarem em bloco, com bandeirinhas balançando e um clima de euforia que confirma o tamanho do Alvinegro no sambódromo.

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Depois de dois rebaixamentos recentes, a escola optou por um desfile mais estratégico do que luxuoso, com regulamento a seu favor. Sem apostar em grandes ousadias, o Vai-Vai investiu em entendimento fácil e execução correta para sustentar o conjunto. Com o enredo “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heróico no Apogeu da Vedete da Paulicéia”, a narrativa foi contada como um filme pelas lentes da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, do cenário ao clímax e ao desfecho.

A escola encerrou sua apresentação em 01h04min32seg, dentro do tempo regulamentar.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Priscila Paciência e Diogo Santos, a comissão de frente, intitulada “Avant Premiere”, se apresentou em forma de filme. O elemento alegórico era um rolo de filme e, a partir dele, a coreografia se desenrolava com figurinos ligados ao universo do cinema e quatro personagens emblemáticos das produções da época da Companhia Cinematográfica Vera Cruz: Jeca Tatu, Sinhá Moça, Silvia (de “Passionata”) e o Cangaceiro.

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Na prática, a leitura geral foi clara por reconhecer os personagens e o ambiente. O ponto alto esteve na coreografia executada no chão, bem desenhada e de fácil entendimento, sustentando o quesito com boa comunicação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Pedro Trindade e Mirelly Nunes, desfilou com a fantasia “Identidade de um povo guerreiro”, proposta para representar o povo forte evocado pelo enredo. A fantasia carregava muito brilho e remetia a guerreiros.

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Além dos giros leves e movimentos obrigatórios bem executados, houve diálogo direto com a letra em momentos específicos: no trecho “vai parar geral”, o casal estava de frente para uma cabine de jurados e marcou um movimento claro de “parar” com os braços. Outro momento, é quando o samba menciona “vedete principal”, o mestre-sala incorporou passos que remetiam a esse universo, reforçando a intenção do enredo.

O conjunto se mostrou leve, comunicativo e, dentro do estilo do quesito, buscou brincar com o samba sem perder a função de defesa do pavilhão.

HARMONIA

O canto foi um dos pontos altos do Vai-Vai. A comunidade cantou muito, sustentando o samba de ponta a ponta mesmo no horário de amanhecer, e a resposta da arquibancada acompanhou esse rendimento. A participação das alas foi consistente, com destaque para a ala Força Alvinegra, que apareceu especialmente forte após o segundo carro.

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A condução do intérprete Luiz Felipe teve papel decisivo na energia do desfile. Além de puxar o canto com intensidade, ele estimulou a interação das arquibancadas, chamando o público a balançar as bandeiras distribuídas no início do desfile, o que ampliou a participação das arquibancadas.

ENREDO

O enredo “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heróico no Apogeu da Vedete da Paulicéia” foi desenvolvido como um filme, com roteiro: a história é contada pelas lentes da Vera Cruz. Desde a apresentação e ambientação, até o progresso, depois assume o clímax com a greve, e o final é o desfecho em uma cidade ideal.

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Na avenida, essa estrutura pode não ter ficado claro a intenção de trazer toda a história. No entanto, a escola não buscou camadas excessivamente abstratas, as transições foram reconhecíveis.

EVOLUÇÃO

Se nos ensaios a escola havia enfrentado desafio com o tempo e chegou perto do estouro no último. No desfile oficial, o Vai-Vai iniciou mais acelerado, demonstrando preocupação em garantir margem no cronômetro.

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Mas já no fim da avenida, foi perceptível a necessidade de controlar o andamento e segurar o passo para atingir o tempo mínimo regulamentar. A desaceleração foi administrada sem desorganização evidente do conjunto e o fechamento em 01:04:32 indica que o Vai-Vai conseguiu ajustar o desfile durante a apresentação, transformando um risco de tempo em cumprimento seguro do novo regulamento.

SAMBA

O samba funcionou muito bem na avenida por ser fácil de cantar e por mobilizar a identidade da escola. O tradicional “vai vai vai” no meio da canção recebeu resposta forte da comunidade.

A condução do Luiz Felipe ajudou a manter o canto alto mesmo com o dia cada vez mais claro, e a interação com as arquibancadas — especialmente o incentivo ao movimento das bandeiras — reforçou o impacto do samba para além do canto, criando um efeito visual que acompanhou os picos de empolgação do desfile.

FANTASIAS

As fantasias cumpriram seu papel narrativo dentro de um desfile assumidamente mais contido e técnico. O Vai-Vai não apostou em luxo excessivo ou grandes soluções, mas apresentou figurinos corretos e bem resolvidos dentro da proposta.

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A escolha de cores funcionou a favor do enredo: o setor inicial, predominantemente preto e branco, dialogou com a ideia de passado e com a estética do cinema de época, enquanto os setores finais ficaram mais coloridos, reforçando a noção de futuro e de cidade ideal.

Entre os destaques positivos, a ala Kizomba chamou atenção pelo volume e pelo impacto visual, especialmente por ser coreografada e ocupar bem a pista. A fantasia da bateria, representando operários, também dialogou de forma clara com o setor industrial, reforçando a narrativa proposta. No geral, as fantasias favoreceram o entendimento do enredo.

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ALEGORIAS

As alegorias foram o setor mais irregular do desfile, com diferença perceptível de acabamento e impacto entre os carros. O abre-alas apresentou conceito claro e alinhado à proposta cinematográfica, mas um problema de acabamento — com parte da estrutura ficando aparente após a queda de tecido — comprometeu a leitura frontal. Além disso, o forte investimento em iluminação perdeu efeito com o dia já claro, reduzindo o impacto visual planejado.

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O segundo carro manteve coerência ao desenvolver a ideia de progresso industrial, mas teve execução mais simples e menor imponência estética dentro do conjunto. Já o terceiro carro, foi o melhor das alegorias, tanto pela concepção quanto pela conexão com o samba, com coreografias no topo e gestos de punho erguido que reforçaram a ideia política do desfile.

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No fechamento, o Vai-Vai trouxe solução simbólica ao representar a cidade ideal e valorizar a Velha Guarda na frente da alegoria. No entanto, novamente a iluminação excessiva perdeu força no horário do desfile. No geral, as alegorias cumpriram a função narrativa, mas oscilaram em acabamento e impacto.

OUTROS DESTAQUES

A presença da ala mirim cantando e dançando com intensidade mostrou como a tradição passa de geração em geração dentro do Vai-Vai. Durante o desfile, era possível ver muitos componentes emocionados por estarem ali.

A bateria Pegada de Macaco, comandada pelo Mestre Tadeu e Mestre Beto, manteve a identidade. A escola apostou em paradões alinhados ao refrão “vai parar geral” e uma bossa que chamou atenção no trecho “Nobres imigrantes aportaram nesse chão”, recebendo boa resposta das arquibancadas e das alas.

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Entre os destaques individuais, Madu Fraga, rainha da Pegada de Macaco, apareceu com presença forte à frente da bateria. Cria da comunidade e já consolidada no posto desde 2023, ela sustentou boa interação com o público e reforçou a tradição.

Vai-Vai 2026: Galeria de fotos do desfile

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Comunidade da Rosas de Ouro supera atraso e canta forte no desfile oficial

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Nesta sexta-feira de Carnaval, a Rosas de Ouro realizou seu desfile oficial no Sambódromo do Anhembi. A apresentação foi marcada pela força do canto da comunidade e por um espírito evidente de superação. Havia a expectativa sobre como a escola reagiria ao desconto prévio de 0,5 ponto, devido a falhas na entrega da pasta oficial aos jurados. O que se viu, porém, foi uma comunidade aguerrida e determinada.

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Outro desafio enfrentado foi o derramamento de óleo na pista, que provocou atraso significativo. Ainda assim, a escola não esfriou. No entanto, um problema mais grave ocorreu durante o desfile: um integrante da comissão de frente passou mal e não conseguiu desfilar. Resta saber qual será o impacto dessa ausência na apuração. A Rosas de Ouro apresentou o enredo “Escrito nas Estrelas” e foi a quinta a desfilar, fechando o desfile com 01h03min.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Arthur Rozas, a comissão representou o “Sublime Carrossel Celestial”, traduzindo com clareza a proposta do enredo ao unir astrologia e astronomia. Embora distintas, as duas vertentes foram integradas de maneira harmônica. Sol e Lua, personagens centrais, simbolizavam o movimento e o equilíbrio do universo, com fantasias dourada e prateada.

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O elemento alegórico fazia alusão direta à mandala astrológica, representação circular do céu dividida em doze casas. Entretanto, devido ao incidente na concentração, a escola desfilou com 13 componentes, quando o previsto eram 14. Essa ausência pode gerar impacto não apenas no quesito Comissão de Frente, mas também em outras avaliações técnicas.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Uilian Cesário e Isabel Casagrande desfilou com a indumentária “A Energia de um Bailado Ancestral”. A apresentação foi segura e tecnicamente correta, com cumprimento dos movimentos obrigatórios previstos no manual do julgador. Isabel executou os giros horários e anti-horários com precisão, sempre sorridente, enquanto Uilian acompanhou com firmeza nas finalizações. Foi uma apresentação correta e satisfatória.

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HARMONIA

O canto da comunidade segue sendo um dos grandes trunfos da escola. O samba, de melodia fácil e envolvente, foi rapidamente assimilado e abraçado pelos componentes. Os refrões foram os pontos altos do cortejo, especialmente o refrão principal, que impulsionou o desfile.

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A “Bateria com Identidade” manteve seu ritmo acelerado e contagiante, estimulando a participação constante dos desfilantes. O intérprete Carlos Júnior também teve papel fundamental ao incentivar a escola durante todo o percurso.

ENREDO

A proposta foi apresentar a importância da astronomia ao longo da história, trazendo referências a figuras como Galileu Galilei, Nicolau Copérnico e Cláudio Ptolomeu. O abre-alas retratou a expansão do universo, enquanto o figurino do casal de mestre-sala e porta-bandeira dialogou diretamente com a ciência.

A astrologia também teve papel central, especialmente com a presença do zodíaco como eixo narrativo. A comissão de frente reforçou essa ideia ao representar o carrossel celestial inspirado na mandala astrológica. Apesar da complexidade e dos múltiplos pilares do tema, a escola conseguiu organizar bem as informações, apresentando um desfile coeso e de fácil compreensão.

EVOLUÇÃO

A evolução foi correta, sobretudo no alinhamento entre as alas. Repetindo o desempenho do segundo ensaio técnico, os componentes cantaram e dançaram com leveza, aparentemente deixando de lado a punição sofrida. Houve alguns pequenos espaços entre alegorias e alas, mas nada que indique grandes riscos de penalização.

SAMBA

A escola repetiu a estratégia adotada em 2025, apostando em um samba de letra mais curta e melodia dinâmica. Essa escolha facilitou a assimilação e intensificou o canto coletivo. A performance vista nos ensaios técnicos se confirmou na avenida.

Carlos Júnior, pelo terceiro ano consecutivo como intérprete da escola, mostrou entrosamento com a comunidade. Mesmo não vivendo seu auge vocal, manteve a característica marcante que o consolidou como um dos grandes intérpretes do carnaval paulistano, utilizando cacos estratégicos para levantar a escola.

FANTASIAS

Sob assinatura do carnavalesco Fábio Ricardo, as fantasias priorizaram estética e leveza. Não houve excesso de luxo, mas os elementos utilizados garantiram requinte e coerência visual. As vestimentas também favoreceram o desempenho dos componentes, permitindo canto e dança com conforto.

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ALEGORIAS

O abre-alas, “O Universo em Expansão”, apresentou predominância do preto, simbolizando o espaço. De fácil leitura, dialogou diretamente com os versos iniciais do samba.

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A segunda alegoria, “Atlântida, Civilização Mãe e o Tempo da Criação”, destacou-se pelo tom verde-água com detalhes dourados, sendo visualmente uma das mais impactantes do desfile.

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O terceiro carro, “Um Planetário de Saberes”, trouxe um grande globo prateado representando o planeta Terra e homenageando estudiosos que marcaram a história da ciência.

Encerrando o cortejo, a quarta alegoria, “A Era de Aquário, A Nossa Luz Irá Brilhar”, apresentou predominância do rosa, com escultura central nas cores rosa e dourado.

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No conjunto, o desfile foi compreensível ao público, especialmente na abertura. Apesar da beleza plástica do carro de Atlântida, sua leitura pode ter sido um pouco mais complexa para parte dos espectadores, pois não havia esculturas de fácil entendimento. Era um carro com uma concepção completamente diferente.

OUTROS DESTAQUES

A “Bateria com Identidade”, comandada por mestre Rafa, desfilou com a fantasia “Os Egípcios e o Brilho de Osíris”, apresentando bossas direcionadas aos módulos de julgamento. O maestro demonstrou ousadia no recuo, mesmo diante de julgadores conhecidos por rigor técnico.

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A ala das baianas também se destacou com a fantasia “Mesopotâmia, o Relicário Zigurate”, valorizando as cores da escola.

De modo geral, a Rosas de Ouro apresentou um desfile consistente, superando adversidades e sustentado, principalmente, pela força de sua comunidade.

Rosas de Ouro 2026: Galeria de fotos do desfile

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Público reage ao primeiro dia de desfile das escolas da Série Ouro

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Por Maria Estela Costa e Juliane Barbosa

A superstição deu lugar ao espetáculo na Marquês de Sapucaí. Nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, o primeiro dia de desfiles da Série Ouro transformou expectativa em vibração, arquibancadas cheias e análises apaixonadas do público que acompanhou cada detalhe das apresentações.

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Sete escolas passaram pela Avenida levando enredos marcados por identidade, território, ancestralidade e disputa por uma vaga no Grupo Especial. Mais do que assistir, o público avaliou, comparou e reagiu da comissão de frente ao último módulo da bateria.

A Unidos do Jacarezinho abriu a noite e trouxe a comunidade para o centro da cena. A agremiação levou à Sapucaí o enredo “O ar que respira agora inspira novos tempos”, idealizado pelo carnavalesco Bruno de Oliveira, em homenagem à trajetória do cantor Xande de Pilares.

Douglas Gomes, de 30 anos, assistente administrativo, avaliou a apresentação da escola da Zona Norte do Rio.

“Muito bom, o enredo muito bom, a construção também muito boa, a bateria estava ótima. Eu acho que a história que eles contaram e tudo mais sobre o Xande de Pilares ficou ótima. Não faltou nada, eu acho que a bateria foi 100%. A escola vem para subir. Eu acho que, dentre todas, foi a melhor de hoje”, confiante, afirma.

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Douglas Gomes, de 30 anos
FOTO: CARNAVALESCO

Na sequência, a Inocentes de Belford Roxo apostou em um desfile vibrante e reforçou a sua identidade na tentativas de convencer os jurados e as arquibancadas. A Caçula da Baixada levou para a Avenida o enredo “O sonho do tal pagode russo, nos frevos do meu Pernambuco”, idealizado pelo carnavalesco Edson Pereira, em homenagem à cultura pernambucana e ao músico Luiz Gonzaga.

O jornalista Rodrigo Coutinho, de 39 anos, revelou ter ficado surpreso com a apresentação da agremiação da Baixada Fluminense.

“Foi um desfile que me surpreendeu. Achei visualmente a escola estava com boas soluções. Óbvio, não tinha luxo, mas não tinha nada mal acabado. Tinha leitura, estava com fantasia e acho que a escola foi bem no chão. Foi um dos melhores desfiles de chão da Inocentes nos últimos anos. Gostei muito. Não só a escola cantando, mas o carro de som também junto com a bateria”, analisou o jornalista.

O jornalista Rodrigo Coutinho
O jornalista Rodrigo Coutinho, de 39 anos
FOTO: CARNAVALESCO

A União do Parque Acari levou para a Avenida a força de sua narrativa e manteve o ritmo da disputa acirrado. A agremiação apresentou o enredo “Brasilidades”, pensado pelo carnavalesco Guilherme Estevão, em homenagem ao Teatro Folclórico Brasileiro, que anos depois se tornou o Brasiliana e foi responsável por levar a cultura brasileira mundo afora.

Josiane Martins, 40 anos e bibliotecária: “Achei um desfile morno, não teve nada deslumbrante na escola e senti falta dos componentes cantando, agitando e sacudindo a avenida, poderiam ter entregado mais neste desfile”.

Josiane Martins 40 anos e bibliotecaria
Josiane Martins, 40 anos e bibliotecária
FOTO: CARNAVALESCO

Vinicius Assis, é contador e tem 42 anos. “Achei a plástica do desfile ótimo, foi muito bonita. Mas o enredo não agitou o público. Houve uma falta de empolgação ou algo que causasse mais alegria na Avenida. Por outro lado, o carnavalesco fez ótimas escolhas e foi muito bonito”.

Vinicius Assis e contador e tem 42 anos
Vinicius Assis, é contador e tem 42 anos
FOTO: CARNAVALESCO

Já a tradicional Unidos de Bangu apresentou o enredo “As coisas que mamãe me ensinou” com garra, dividindo opiniões e arrancando aplausos em pontos estratégicos da Sapucaí. O tema foi planejado pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Sales e Marcus do Val, e celebra a vida e trajetória profissional da cantora Leci Brandão.

Zelma Silva, 74 anos e secretária executiva da Bolsa: “Eu gostei, estava bonitinho. O desfile dela estava um desfile, assim, animado. Estava simples, mas os componentes estavam bem animados. Eu gostei da porta-bandeira e do mestre-sala. Fizeram uma graça aqui, se esforçaram muito e fizeram muito bonitinho”, comentou.

Zelma Silva 74 anos e secretaria executiva da Bolsa
Zelma Silva, 74 anos e secretária executiva da Bolsa
FOTO: CARNAVALESCO

Um dos momentos mais comentados da noite foi a passagem da Unidos de Padre Miguel, que investiu em impacto visual e emoção para marcar seu retorno e reafirmar sua potência na Série Ouro. A agremiação levou um enredo que aborda a potência feminina: “Kunhã-Eté: O sopro sagrado da Jurema”, pensado pelo carnavalesco Lucas Milato, em homenagem a Clara Camarão, indígena Potiguara que se tornou símbolo da resistência feminina após liderar batalhas contra as invasões holandesas.

Sueli Loureiro, 77 anos e professora aposentada. “Eu adorei. Para mim, é a melhor escola que passou hoje. Eu não vi a primeira, mas das outras que eu vi, foi a melhor. Gostei muito da Comissão de Frente da UPM, me emocionou. Foi muito linda, perfeita”.

Sueli Loureiro 77 anos e professora aposentada
Sueli Loureiro, 77 anos e professora aposentada
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A União da Ilha do Governador manteve o alto nível da disputa, com um desfile técnico e envolvente que gerou debates nas arquibancadas.

Érica Valentino, 38 anos e auxiliar de serviços gerais: “A União da ilha fez um desfile bonito. Teve harmonia, mas faltou um pouco de conexão com o público, principalmente no Setor 1, que nós somos a comunidade raiz. A apresentação foi boa, mas o enredo deixou a desejar para levantar a arquibancada”.

Erica Valentino 38 anos e auxiliar de servicos gerais
Érica Valentino, 38 anos e auxiliar de serviços gerais
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Thiago Tononi, 25 anos, é bailarino: “A União da Ilha veio bem bacana. A escola estava grande, e as fantasias volumosas. Por mais que seja uma fantasia grande e bonita, eu acho prejudicial para o componente. A escola surpreendeu e mostrou que veio para competir, mas referente ao enredo, estava confuso. O intérprete tem uma voz boa de se ouvir, porém eu não consegui conectar as alas com a história do enredo”.

Thiago Tononi 25 anos e bailarino
Thiago Tononi, 25 anos, é bailarino
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A última escola desta sexta-feira foi a Acadêmicos de Vigário Geral. A agremiação fechou a Avenida com energia intensa, deixando a sensação de que a disputa está completamente aberta. O enredo escolhido foi o “Brasil Incógnito: O que seus olhos não veem, a minha imaginação inventa”, formulado pelos carnavalesco Alex Carvalho e Caio Cidrini. A obra faz uma releitura da história do Brasil Colônia, por meio de um ponto de vista decolonial.

Fernando da Silva, 59 anos e professor: “A Vigário se apresentando por último é meio complicado, porque a arquibancada está mais vazia. Isso influencia em saber se o público gostou do enredo, e a grande maioria já gastou muita energia. Acredito que, dentro das escolas de disputa desta noite, a Vigário fez uma boa apresentação. Está em um bom patamar”.

Fernando da Silva 59 anos e professor
Fernando da Silva, 59 anos e professor
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