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‘Esperamos a nota máxima’, afirma porta-bandeira da União do Parque Acari

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A União do Parque Acari trouxe para a Sapucaí um enredo ‘Brasiliana’, importante e com forte valorização da cultura afro-brasileira assinado pelo carnavalesco Guilherme Estevão.

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Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

A escola homenageou o primeiro emblemático grupo de teatro musical negro do Brasil, trazendo para a Sapucaí sua história, seus personagens e o protagonismo negro na brasilidade dessa arte.

 

Um dos quesitos mais fortes que a escola mostrou na avenida foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

 

Renan Oliveira e Amanda Poblete estrearam como casal na Acari com a fantasia “Memória e Ancestralidade Afro-Brasileira”, representando justamente esses elementos como pilares da construção rítmica, expressiva e da forma de interpretação dos atores negros. A roupa fez referência a Exu, primeiro orixá da gira, que, a partir de suas cores, vermelho e preto, definiu a colorimetria da fantasia. Na apresentação, o casal optou por uma coreografia mais clássica, voltada para a valorização do pavilhão.

“Tudo o que foi proposto, foi apresentado da melhor maneira possível. Curtimos cada cabine de jurado. Quero agradecer a Acari por nós apresentar ótimas condições de trabalho, uma roupa linda e a nossa coreógrafa Cátia Cabral”, contou Renan em entrevista ao CARNAVALESCO. 

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Primeiro Casal da União do Parque Acari
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Foi um desfile tranquilo, compacto e conseguimos exercer a coreografia inteira na avenida. Espero que venha a nossa tão sonhada nota 40. Foi um desfile muito feliz, onde estávamos conectados um com o outro e com o público”, confessou Amanda.

A bateria “Fora de Série”, dos mestres Erick Castro e Daniel Silva, também mostrou total harmonia, fruto de muito trabalho durante.

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Ritmista da Acari Foto: LigaRJ

“É uma emoção maravilhosa. É o quarto ano a frente da bateria e cada ano parece que é o primeiro. Está no Acari é perfeito. É uma comunidade que abraçou a gente. A gente trabalha bastante o ano todo para que aconteça tudo certinho e mostramos tudo o que ensaiamos. Foi lindo. Agora é só aguardar a nota máxima”, declaram os mestres.

Presidente e mestre de bateria da MUM falam sobre estreia no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo

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A Mocidade Unida da Mooca foi a primeira escola a desfilar na sexta-feira de carnaval pelo Grupo Especial de São Paulo. Na estreia na elite, a agremiação apresentou o enredo “Gèlèdés- Agbara Obinrin”, assinado pelo carnavalesco Renan Ribeiro, levando para a Avenida um desfile marcado por potência estética e forte narrativa.

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A estreia da MUM no Grupo Especial de São Paulo foi definido por emoção, entrega e a sensação de dever cumprido. À frente da bateria, mestre Dennys destacou para o CARNAVALESCO a superação e o envolvimento da comunidade ao longo da temporada.

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“Foi uma estreia linda, uma estreia incrível. A comunidade estava ansiosa por esse momento, muito especial,muito louco isso tudo. O que nós vivemos esse ano foi incrível, muita batalha, muita luta, muita resiliência. Nós abdicamos de tudo, família, trabalho, compromissos, mas tudo valeu a pena. Agora vamos esperar, esperar o melhor, a bateria foi muito bem, gostei muito do que foi apresentado. Também fizemos dois bons ensaios técnicos e um bom desfile. A expectativa é a melhor, independente de nota, o trabalho foi cumprido”, disse.

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Ainda sobre o desempenho dos ritmistas, Dennys ressaltou a sintonia entre bateria, samba e público, apontando a união como peça-chave para o resultado apresentado na Avenida.

“A receptividade do público perante a apresentação da bateria foi incrível. O samba ajuda e tudo que é feito na bateria é feito junto com o samba e com a melodia. Toda a direção de bateria já conduz o trabalho pensando no samba, é uma união que casou e deu certo, e  a galera recebeu da melhor maneira”, concluiu.

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Rafael Falanga, presidente da MUM, também celebrou o momento histórico e atribuiu o sucesso à estratégia antecipada e à conexão construída com a arquibancada desde os primeiros ensaios técnicos.

“Estou com sentimento de muita felicidade. Eu acredito que a participação da arquibancada foi fundamental desde os ensaios técnicos, a antecipação da preparação da MUM também tem uma parcela muito grande nessa conexão com o público. Nós antecipamos o lançamento de samba e antecipamos o lançamento de enredo. Em junho a gente já tinha samba, em agosto a gente já estava ensaiando na rua portanto foi uma construção que acabou dando muito certo e se consagrou aqui nesse desfile incrível, um desfile potente pela narrativa, pelo enredo, pelo chão da escola que representou muito bem esses 40 anos de luta, destacou Falanga.

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Rafael ainda reforçou que a chegada ao Grupo Especial foi resultado de um projeto consistente, pautado pela ambição de crescer a cada ano e entregar sempre mais do que o esperado.

“A MUM vem do Grupo de Acesso do carnaval de São Paulo e sempre projetamos carnavais acima do grupo que nós estávamos. Acredito que a plástica foi uma sequência da própria ideologia do trabalho da escola. Nós nunca entramos no carnaval para permanecer, o nosso sonho era estar no especial então a gente tinha que entrar para ganhar e com isso era sempre mais, era sempre entregando tudo e acho que a gente conseguiu aqui no grupo especial também entregar o nosso máximo nas alegorias, nas fantasias, no nosso trabalho diário do barracão, da quadra, do chão da escola, dos quesitos que ensaiaram exaustivamente como a bateria, o casal, a  comissão portanto foi o carnaval da entrega, e eu acho que refletiu na Avenida, estou muito feliz”, concluiu.

‘Nosso grande segredo é a participação da comunidade’, afirma presidente Edu Sambista, da Tatuapé

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No primeiro dia dos desfiles das escolas do grupo especial do Carnaval de São Paulo, realizado no Sambódromo do Anhembi, a escola de samba Acadêmicos do Tatuapé trouxe para a avenida o seu conhecido canto potente.

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O presidente da escola, Edu Sambista, explicou que a força do canto do Tatuapé não é apenas resultado do talento individual, mas de um trabalho contínuo dentro da escola, iniciado desde a chegada de cada pessoa interessada em fazer parte.

“O grande segredo do Tatuapé hoje é a comunidade do Tatuapé. Ela participa de todo o projeto com intensidade. Fazemos questão de explicar para todos os membros o critério de julgamento, de explicar como e por que o componente é julgado. Porque, às vezes, o componente chega à quadra e, se você apenas diz que ele tem que cantar, ele não entende. Quando ele compreende o porquê de ter que cantar, quais são os pontos de balizamento, passa a se sentir uma peça importantíssima dentro de todo o projeto”, disse o presidente.

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Edu também destaca que a dedicação da escola em desenvolver seus componentes se reflete diretamente na avenida, garantindo que cada participante compreenda seu papel dentro do desfile e esteja ativo para o excelente espetáculo.

“Fazemos questão de deixar claro para o componente que tudo o que poderíamos fazer, entregamos o projeto nas mãos dele no dia do desfile, e quem vai defender a nota são eles. Falo muito lá na quadra que, se eu faltar no desfile, não farei falta nenhuma, mas se um componente faltar, ele fará muita falta. Somos uma escola muito alegre, feliz, descontraída, aquela escola que está na avenida por prazer, puro prazer de cantar. Todos temos uma rotina muito sofrida de trabalho, vida profissional, vida familiar. E fazemos um trabalho que faz o componente, ao entrar, vestir a camisa do Tatuapé e pisar nesta passarela, esquecer de todos os problemas e viver, cantar e evoluir como se fosse o último dia da nossa vida”, finalizou Edu Sambista.

‘Fizemos além do planejado’, declara mestre de bateria da Inocentes de Belford Roxo

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A Inocentes de Belford Roxo levou para a Marquês de Sapucaí um dos enredos mais inusitados da temporada. Segunda escola da noite, a agremiação da Baixada Fluminense apostou no improvável sob o título “O Sonho de Um Pagode Russo Nos Frevos do Meu Pernambuco”, criação do carnavalesco Edson Pereira. O resultado foi um desfile criativo, tecnicamente equilibrado e com bons momentos plásticos, especialmente na comissão de frente e na harmonia.

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O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Jesus e Thaina Teixeira, apresentou um bailado de tradição, com rodopios na medida exata e movimentos conduzidos com harmonia e sincronia.

“Eu e Thaina ensaiamos por mais de seis meses e hoje foi o dia de mostrar nosso trabalho, todo nosso empenho pela escola. A escola nos deu todo suporte, todo apoio e hoje foi só felicidade”, disse Vinicius em entrevista ao CARNAVALESCO. 

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“A escola veio alegre. Nós pudemos sentir a energia das pessoas nas frisas, arquibancadas cantando e vibrando com a gente. Queríamos vir brincando, interagindo com o público e conseguimos. Conseguimos executar tudo o que a gente ensaiou. Foi um dos carnavais que eu mais ensaiei e trabalhei, mas saio feliz”, comemorou Thaina.

Outro grande destaque foi a comissão de frente coreografada por Patrícia Salgado e Sérgio Lobato. Eram 15 bailarinos: sete representando a estética russa, sete a pernambucana e um sanfoneiro no alto de um tripé cenográfico que remetia ao coreto de uma praça.

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“Foi uma comissão muito divertida. A energia estava maravilhosa, os bailarinos cumpriram os papéis deles e o público curtiu bastante”, afirmou Lobato.

A bateria do mestre Washington Paz foi um show a parte com bossas em alusão ao frevo e ao São João, criando identidade sonora para o enredo.

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“A bateria se comportou muito bem. Conseguimos fazer além do que foi planejado. Esse desfile vai ficar guardado em nossos corações”, disse o mestre.

Com dia claro, Barroca Zona Sul mostra força de Oxum em seu desfile

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O Barroca Zona Sul viveu na última sexta-feira uma experiência pouco comum em sua história: fechar uma noite de desfiles no Grupo Especial.

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E o fez trazendo o enredo “Oro Mi Maiô Oxum”, uma reverência à Orixá ligada às cachoeiras, rios e fertilidade feminina. Sem os efeitos de iluminação que a noite permite, a escola se preparou cuidadosamente para a luz do dia, de acordo com o presidente Ewerton Cebolinha.

“Barroca se preparou para encerrar o desfile, para terminar ao amanhecer. A proposta combinou bem, cores claras, Oxum, ouro, acho que deu tudo certo”, afirmou Cebolinha.

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Além da luminosidade do dia, um aspecto constantemente ponderado como um possível “problema” para quem fecha uma noite de desfiles, é pegar um Anhembi já esvaziado. Sem uma torcida tão numerosa, o Barroca desfilou para um público diminuto, mas quem permaneceu até o fim assistiu uma agremiação que não perdeu sua energia e passou de
peito aberto encarando a responsabilidade para realizar um bom desfile.

“Acima de tudo nos preparamos em entregar um bom desfile para essa comunidade que merecia demais após o problema que tivemos no ano passado. Nos planejamos para fechar com garra e conseguimos. A sensação é de alívio”, finalizou Cebolinha.

 

‘Força da comunidade conduziu Jacarezinho’, declara intérprete Ailton Santos

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No reencontro com a Marquês de Sapucaí, após 13 anos longe, a Unidos do Jacarezinho abriu os trabalhos nesta sexta-feira de desfiles da Série Ouro.

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A escola levou para a pista o enredo “O Ar que se respira agora inspira novos tempos”, uma homenagem a Xande de Pilares, que se apresentou como uma declaração de amor ao samba nascido e cultivado na favela, território onde vozes aprendem primeiro a cantar na roda antes de ecoarem no rádio, assim como foi a de Xande.

Intitulada “O Verso que encantou o Poeta”, a comissão foi composta por 15 componentes, vestidos de bate-bolas, e um homem vestido de Xande de Pilares, do coreógrafo Akia de Almeida, que se mostrou muito feliz com o trabalho realizado na avenida.

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“Uma comissão inédita. Nenhuma comissão abordou a Folia de Reis dessa forma e que tem tudo a ver com a vida do Xande no subúrbio do Rio. Não tivemos problemas com as fantasias porque foram feitas foram do ateliê da escola”, declarou em entrevista ao CARNAVALESCO. 

Outro ponto alto da escola foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Maycon Ferreira e Lorenna Brito. Com a fantasia “Estrela da Inspiração”, o casal teve uma dança leve, correta e com muita emoção.

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“Foi um carnaval difícil. O Jacarezinho enfrentou algumas dificuldades, mas como profissionais, abraçamos a comunidade assim como eles nos abraçaram. Foi com muito amor e força”, disse Lorena.

A emoção também tomou conta dos puxadores Ailton Santos e Thiago Acácio. “É uma realização. No ano que completo 21 anos no Jacarezinho e tive o prazer de dividir o microfone com o Thiago”, contou Ailton.

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“Só tenho a agradecer o carinho pois nós enfrentamos um grande desafio. Jacarezinho enfrentou dois incêndios e nós pisamos na avenida trazendo a força da comunidade que é o que o Jacarezinho tem de melhor. A força da comunidade conduziu a Jacarezinho. Viemos trazendo as cicatrizes do desastre que sofremos, mas sem deixar nossa força de lado”, completou Thiago.

Opinião! Como foi o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial de São Paulo no Carnaval 2026

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Primazia do casal e desempenho do samba agitam desfile da Barroca Zona Sul

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A Barroca Zona Sul encerrou o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, realizados no Sambódromo do Anhembi. Sétima escola a se apresentar, a passagem da Faculdade do Samba pela Avenida foi marcada pelo desempenho implacável do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e pelo andamento do samba ao longo do cortejo, encerrado após 65 minutos na Passarela do Samba. A Verde e Rosa desfilou com o enredo “Oro Mi Maió OXUM”, assinado pelo carnavalesco Pedro Alexandre Magoo.

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O desfile da Barroca ocorreu totalmente de manhã o que ficou evidente na estratégia para o conjunto visual e é mencionado no samba. Como apresentação para o público, o desfile funcionou bem, e manteve as arquibancadas atentas até o fim graças ao grande desempenho do carro de som com um dos melhores sambas do ano. Mas os problemas no quesito Evolução e as falhas observadas nas Alegorias foram acentuados o suficiente para gerar preocupações quanto ao julgamento da escola.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Chris Brasil, a Comissão de Frente representou na Avenida “Oxum e o primeiro iniciado”. Contando com um elemento alegórico que representou a Terra Sagrada dos Orixás, o quesito retratou o momento em que, segundo a crença do Candomblé, Oxalá ordenou que Oxum realizasse a iniciação daquele que se tornaria o primeiro filho de santo. Outros orixás fazem parte desse ritual, como Orunmilá, que decifra os mistérios de Oxalá e prepara Oxum e o Escolhido para o processo. Exu é o responsável por guiar a Senhora do Ouro e o escolhido até um rio sagrado, onde esse homem comum se torna um ser iluminado e devotado ao sagrado, símbolo vivo do Axé.

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A atuação do quesito apresenta simplicidade de leitura dentro da narrativa proposta, e a coreografia indica com clareza o início do desfile acalentador promovido pela escola. Mas o elemento alegórico, com a escultura de Oxalá com o corpo vazado, não causou o impacto visual esperado, apesar de um componente interagir com a estrutura em determinados momentos.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal do Barroca foi formado por Cley Ferreira e Lenita Magrini. Ambos já haviam dançado juntos pela Independente Tricolor entre os anos de 2017 e 2018, e reeditam a parceria com a chegada do mestre-sala à Faculdade do Samba, para a qual a porta-bandeira retornou em 2024. Ambos se apresentaram com fantasias que representaram “A filha de Oxalá e Yemanjá”.

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Foi um dos poucos casais da noite que precisou encarar um vento mais acentuado na Avenida, mas Lenita superou o desafio com bravura, e a energia da dança com Cley, cumprindo todas as obrigatoriedades do quesito nos módulos em que foram observados, fez com que o quesito conseguisse embalar o astral do início do desfile da escola. A dupla, sem dúvida, foi um dos principais destaques da Faculdade do Samba em 2026.

HARMONIA

A sequência de vários sambas grandiosos na discografia recente da Barroca Zona Sul facilita com que os componentes tenham mais entusiasmo para brincar o Carnaval. Como a escola não teve um andamento acelerado enquanto foi observada, os desfilantes conseguiram desfilar com leveza e cantar alegremente. Um quesito forte para a conta da Verde e Rosa.

ENREDO

“Oro Mi Maió OXUM” é um enredo de exaltação à Oxum, conhecida como a orixá que reina sobre as águas doces e como a divindade do amor, da beleza, da fecundidade e da riqueza. Trata-se de um desfile com ampla narrativa sobre a entidade, descrevendo em detalhes suas qualidades e histórias, como os amores vividos e a relação com o filho Logun Edé.

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A narrativa tem uma característica interessante. Cada carro alegórico representou uma história sobre Oxum, sendo dois deles sobre amores da orixá. As fantasias representaram elementos e personagens que narraram a história da Senhora do Ouro, somando ao que as alegorias representavam com riqueza e profundidade. Trata-se de um enredo acima de tudo cultural. Na Avenida, porém, algumas alas eram de difícil interpretação, como foi o caso da Ala 15 “Yalodê, A Grande Mãe”, cabendo aos julgadores definirem se entenderam o recado que pretendiam transmitir.

EVOLUÇÃO

O desempenho do quesito foi errático. Apesar do andamento inicial ter sido satisfatório, conforme a escola foi avançando pela Avenida, as falhas de compactação ficaram evidentes. Um espaço grande, superior a dez grades, abriu-se entre a Ala 7 e o Carro 2, no alcance de visão do segundo módulo de julgamento, com as destaques de chão que vieram ao meio não conseguindo suprir a falha de compactação. O recuo da bateria também foi irregular, com a mesma alegoria citada não parando enquanto a manobra ocorria, a ponto de um diretor ser observado correndo para pedir que a alegoria não andasse. No mesmo módulo também ocorreu uma abertura superior a cinco grades entre a Ala 13 e o Carro 3, maior do que o espaço que a destaque à frente pode usufruir, e o mesmo quase ocorreu também à frente do Carro 4.

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Os erros numerosos concentrados em um mesmo jurado podem significar que em outros setores a escola possa ter passado melhor, mas o fechamento dos portões, no limite do tempo regulamentar de 65 minutos, também evidencia que o cortejo não fluiu dentro do esperado. A Barroca Zona Sul precisa repensar suas estratégias de Evolução no próximo Carnaval.

SAMBA-ENREDO

O samba da Barroca para o Carnaval de 2026 foi assinado por Thiago Meiners, Sukata, Morganti, Claudinho, Fernando Negão, Shumacker, Valencio, L. Santos, Daniel Paixão, Léo PZ, Beto Savanna, Wilson Mineiro e Tubino. A escola optou há anos por encomendar dessa parceria as obras que canta na Avenida, e o resultado mantém um alto padrão de qualidade. Desde seu retorno para o Grupo Especial em 2020, todos os sambas compostos ficaram entre os mais bem avaliados do Carnaval de São Paulo, sendo essa uma sequência rara na história da folia paulistana. Na Avenida, o samba deste ano foi defendido pelos intérpretes Dodô Ananias, que está em seu segundo ano na escola, e Rafael Tinguinha, que estreou em 2026 pela Faculdade do Samba.

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O samba aposta em uma poesia serena e condizente com a narrativa em celebração à Oxum. A menção ao amanhecer, em função da posição de desfile, ganha ainda mais impacto, tendo em vista que se trata de uma homenagem à Senhora do Ouro. Os versos são de fácil aprendizado, e os componentes souberam cantar a obra com clareza. Na Avenida, a obra funcionou muito bem, com a comunidade e o público respondendo positivamente, e o desempenho do carro de som também foi exemplar. Um dos quesitos mais fortes da Faculdade do Samba no desfile.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias da Barroca teve papel fundamental para a compreensão do enredo. Não se percebe uma divisão clássica de setores, já que a história é contada conforme as alas fazem essa demanda. São observados, por meio dos desfilantes, elementos de devoção à orixá, ao mesmo tempo que os personagens são encaixados dentro da narrativa gradualmente, destacados posteriormente no que foi apresentado nas alegorias. O maior problema, porém, foi a clareza de leitura. Algumas fantasias não transmitiam suas mensagens com facilidade, e o acabamento das vestimentas variava entre soluções criativas e outros nem tanto. A Ala 12 apresentou um conjunto de costeiros com representação de jarros, onde alguns pareciam mais caídos que outros, gerando uma falha de uniformidade que pode ser considerada pelos jurados.

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ALEGORIAS

A Barroca Zona Sul apresentou na Avenida um conjunto formado por quatro carros alegóricos, e cada um retratou individualmente uma história sobre a orixá exaltada no enredo. São eles: O Abre-alas, “As Águas Sagradas de Oxum”, contou a história da filha de um rei que caiu nas águas de um rio, mas foi encontrada após dias de buscas viva e carregada de tesouros, fazendo a majestade nomear o rio sagrado de “Rio Ossun” e transformando o título de seu reinado em Rei Osogbô, que significa o “rei que acredita em Oxum”. O Carro 2, “O fogo que move uma paixão”, contou a história de quando Oxalá procurava um marido para sua filha Oxum, mas entre vários pretendentes nobres e ricos, ela se apaixonou por um andarilho versador, que na verdade era Xangô, o orixá da justiça, disfarçado. O Carro 3, “Quando a água encontra a mata”, contou a história de outro amor de Oxum, agora por Oxóssi, o qual conheceu na beira de um rio e precisou de uma ajuda de Exu, irmão do orixá caçador, para conquistá-lo. Por fim, o Carro 4, “Oxum e Logun Edé, amor de mãe”, mostrou o fruto da relação de Oxum com Oxóssi, na forma de seu filho Logun Edé, cujo nascimento se tornou símbolo de fertilidade e representou a mais bela e pura forma de amor que existe.

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É interessante como, enquanto as fantasias apresentaram elementos da história de Oxum, as alegorias contaram histórias completas sobre a entidade. Quatro grandes narrativas muito bem retratadas, que mostram os valores da orixá e como uma única entidade da cultura iorubá representa tantas histórias marcantes, evidenciando como aquele povo vivia, antes de influências externas, um estilo de vida mais livre de dogmas restritivos.

Mas o conjunto alegórico não foi uniforme. O acabamento e o impacto visual do Abre-alas e do Carro 4 foram visivelmente superiores ao dos Carros 2 e 3, e problemas no funcionamento dos mecanismos que jorrariam água ficaram evidentes, em especial na última alegoria, onde apenas o esguicho do lado esquerdo funcionava, e mesmo assim, não ao longo de toda a Avenida. A solução de iluminação se mostrou acertada para o horário do desfile, contribuindo para destacar elementos das alegorias mesmo com o já esperado Sol que esperava pela escola.

 

Barroca Zona Sul 2026: Galeria de fotos do desfile

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Comunidade sustenta desfile do Vai-Vai durante amanhecer no Anhembi

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Quem nunca viu o samba amanhecer… Quem estava no Anhembi na reta final do último sábado viu. O Vai-Vai entrou na avenida já com o dia amanhecendo e mostrou que tem chão. Penúltima escola a desfilar, a agremiação ouviu seu nome ser anunciado e fez arquibancadas se levantarem em bloco, com bandeirinhas balançando e um clima de euforia que confirma o tamanho do Alvinegro no sambódromo.

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Depois de dois rebaixamentos recentes, a escola optou por um desfile mais estratégico do que luxuoso, com regulamento a seu favor. Sem apostar em grandes ousadias, o Vai-Vai investiu em entendimento fácil e execução correta para sustentar o conjunto. Com o enredo “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heróico no Apogeu da Vedete da Paulicéia”, a narrativa foi contada como um filme pelas lentes da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, do cenário ao clímax e ao desfecho.

A escola encerrou sua apresentação em 01h04min32seg, dentro do tempo regulamentar.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Priscila Paciência e Diogo Santos, a comissão de frente, intitulada “Avant Premiere”, se apresentou em forma de filme. O elemento alegórico era um rolo de filme e, a partir dele, a coreografia se desenrolava com figurinos ligados ao universo do cinema e quatro personagens emblemáticos das produções da época da Companhia Cinematográfica Vera Cruz: Jeca Tatu, Sinhá Moça, Silvia (de “Passionata”) e o Cangaceiro.

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Na prática, a leitura geral foi clara por reconhecer os personagens e o ambiente. O ponto alto esteve na coreografia executada no chão, bem desenhada e de fácil entendimento, sustentando o quesito com boa comunicação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Pedro Trindade e Mirelly Nunes, desfilou com a fantasia “Identidade de um povo guerreiro”, proposta para representar o povo forte evocado pelo enredo. A fantasia carregava muito brilho e remetia a guerreiros.

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Além dos giros leves e movimentos obrigatórios bem executados, houve diálogo direto com a letra em momentos específicos: no trecho “vai parar geral”, o casal estava de frente para uma cabine de jurados e marcou um movimento claro de “parar” com os braços. Outro momento, é quando o samba menciona “vedete principal”, o mestre-sala incorporou passos que remetiam a esse universo, reforçando a intenção do enredo.

O conjunto se mostrou leve, comunicativo e, dentro do estilo do quesito, buscou brincar com o samba sem perder a função de defesa do pavilhão.

HARMONIA

O canto foi um dos pontos altos do Vai-Vai. A comunidade cantou muito, sustentando o samba de ponta a ponta mesmo no horário de amanhecer, e a resposta da arquibancada acompanhou esse rendimento. A participação das alas foi consistente, com destaque para a ala Força Alvinegra, que apareceu especialmente forte após o segundo carro.

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A condução do intérprete Luiz Felipe teve papel decisivo na energia do desfile. Além de puxar o canto com intensidade, ele estimulou a interação das arquibancadas, chamando o público a balançar as bandeiras distribuídas no início do desfile, o que ampliou a participação das arquibancadas.

ENREDO

O enredo “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heróico no Apogeu da Vedete da Paulicéia” foi desenvolvido como um filme, com roteiro: a história é contada pelas lentes da Vera Cruz. Desde a apresentação e ambientação, até o progresso, depois assume o clímax com a greve, e o final é o desfecho em uma cidade ideal.

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Na avenida, essa estrutura pode não ter ficado claro a intenção de trazer toda a história. No entanto, a escola não buscou camadas excessivamente abstratas, as transições foram reconhecíveis.

EVOLUÇÃO

Se nos ensaios a escola havia enfrentado desafio com o tempo e chegou perto do estouro no último. No desfile oficial, o Vai-Vai iniciou mais acelerado, demonstrando preocupação em garantir margem no cronômetro.

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Mas já no fim da avenida, foi perceptível a necessidade de controlar o andamento e segurar o passo para atingir o tempo mínimo regulamentar. A desaceleração foi administrada sem desorganização evidente do conjunto e o fechamento em 01:04:32 indica que o Vai-Vai conseguiu ajustar o desfile durante a apresentação, transformando um risco de tempo em cumprimento seguro do novo regulamento.

SAMBA

O samba funcionou muito bem na avenida por ser fácil de cantar e por mobilizar a identidade da escola. O tradicional “vai vai vai” no meio da canção recebeu resposta forte da comunidade.

A condução do Luiz Felipe ajudou a manter o canto alto mesmo com o dia cada vez mais claro, e a interação com as arquibancadas — especialmente o incentivo ao movimento das bandeiras — reforçou o impacto do samba para além do canto, criando um efeito visual que acompanhou os picos de empolgação do desfile.

FANTASIAS

As fantasias cumpriram seu papel narrativo dentro de um desfile assumidamente mais contido e técnico. O Vai-Vai não apostou em luxo excessivo ou grandes soluções, mas apresentou figurinos corretos e bem resolvidos dentro da proposta.

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A escolha de cores funcionou a favor do enredo: o setor inicial, predominantemente preto e branco, dialogou com a ideia de passado e com a estética do cinema de época, enquanto os setores finais ficaram mais coloridos, reforçando a noção de futuro e de cidade ideal.

Entre os destaques positivos, a ala Kizomba chamou atenção pelo volume e pelo impacto visual, especialmente por ser coreografada e ocupar bem a pista. A fantasia da bateria, representando operários, também dialogou de forma clara com o setor industrial, reforçando a narrativa proposta. No geral, as fantasias favoreceram o entendimento do enredo.

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ALEGORIAS

As alegorias foram o setor mais irregular do desfile, com diferença perceptível de acabamento e impacto entre os carros. O abre-alas apresentou conceito claro e alinhado à proposta cinematográfica, mas um problema de acabamento — com parte da estrutura ficando aparente após a queda de tecido — comprometeu a leitura frontal. Além disso, o forte investimento em iluminação perdeu efeito com o dia já claro, reduzindo o impacto visual planejado.

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O segundo carro manteve coerência ao desenvolver a ideia de progresso industrial, mas teve execução mais simples e menor imponência estética dentro do conjunto. Já o terceiro carro, foi o melhor das alegorias, tanto pela concepção quanto pela conexão com o samba, com coreografias no topo e gestos de punho erguido que reforçaram a ideia política do desfile.

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No fechamento, o Vai-Vai trouxe solução simbólica ao representar a cidade ideal e valorizar a Velha Guarda na frente da alegoria. No entanto, novamente a iluminação excessiva perdeu força no horário do desfile. No geral, as alegorias cumpriram a função narrativa, mas oscilaram em acabamento e impacto.

OUTROS DESTAQUES

A presença da ala mirim cantando e dançando com intensidade mostrou como a tradição passa de geração em geração dentro do Vai-Vai. Durante o desfile, era possível ver muitos componentes emocionados por estarem ali.

A bateria Pegada de Macaco, comandada pelo Mestre Tadeu e Mestre Beto, manteve a identidade. A escola apostou em paradões alinhados ao refrão “vai parar geral” e uma bossa que chamou atenção no trecho “Nobres imigrantes aportaram nesse chão”, recebendo boa resposta das arquibancadas e das alas.

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Entre os destaques individuais, Madu Fraga, rainha da Pegada de Macaco, apareceu com presença forte à frente da bateria. Cria da comunidade e já consolidada no posto desde 2023, ela sustentou boa interação com o público e reforçou a tradição.