Ala da Em Cima da Hora representa a força espiritual feminina ao evocar Pombagiras
A segunda agremiação a desfilar neste sábado levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagira!”, idealizado pelo carnavalesco Rodrigo Almeida, em celebração à entidade Pombagira, que personifica o sagrado feminino e reflete o pertencimento desses corpos, que há décadas lutam por direitos.
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O enredo reafirma o poder feminino ao colocar a imagem das Pombagiras como a real dona das festas e das ruas, com sua liberdade, mistério e sedução. A primeira ala da agremiação se chama “Estende um tapete de rosas para ela passar: As donas da rua”, indicando uma evocação, para que os caminhos se abram para o desfile. Além disso, a ala também representa a essência feminina de mistérios, magias e poder, por meio dos tecidos de renda, saia com babados e, principalmente, pela presença das cores vermelho, dourado e preto.

FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
Kelly Cristina, costureira de 52 anos, desfila pela primeira vez na agremiação. Motivada pelo enredo, ela decidiu entrar na Passarela do Samba com emoção, representando não só sua religião e as Pombagiras, mas também a essência feminina.
“Eu não digo que eu tenho uma Pombagira, eu digo que eu tenho uma fada madrinha. É ela que me ajuda muito. Nos momentos mais difíceis da minha vida era ela que estava ao meu lado. Foi ela que me levantou. Ela ensina justamente você a ser liberta, a você se empoderar”, contou Kelly.

FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
O administrador Wagner Guimarães, de 40 anos, desfila na escola há 22 anos, mas neste ano acredita que será diferente: com uma emoção que vem da alma e com o respeito pela ancestralidade do samba, além da honra, por representar uma entidade feminina.
“É o poder da mulher, o poder da mãe, e isso é muito importante. Eu sendo homem e poder representar uma mulher é uma honra. É uma honra, é uma oportunidade única”, disse Wagner.

FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
Luciana Joaquim, advogada de 45 anos, também foi motivada a desfilar em 2026 na Em Cima da Hora por conta do enredo, justamente por ter muita admiração e devoção pelas Pombagiras, que representam, para ela, o amor próprio.
“Essa intolerância de achar que são entidades que fazem coisas do mal, e não são. São entidades que fazem o bem, que ajudam, que dão proteção, que abrem caminhos”, afirmou Luciana.
Abre-alas da Botafogo Samba Clube floresce no imaginário da Sapucaí um jardim
A Botafogo Samba Clube trouxe toda a exuberância da natureza para a avenida, ao abrir a segunda noite de desfiles da Série Ouro na Sapucaí. O abre-alas “O Jardim que floresce no imaginário” é uma alegoria repleta de elementos da flora brasileira, em homenagem ao paisagista no paisagismo brasileiro conduzida por Roberto Burle Marx.
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Com esculturas bem elaboradas e muita cor, a alegoria apresentou ao público um Brasil que aprecia a própria paisagem, rompendo com padrões europeus e americanos de estética decorativa.
O carro simboliza a mensagem principal do artista: fazer da natureza protagonista e do jardim uma obra de arte viva. Folhagens e flores foram como pinceladas tropicais, dialogando com a pintura abstrata e a escultura moderna, em uma explosão de movimento e volume que tomou a avenida.

A engenheira e integrante da escola há quatro anos, Gabriele Rodrigues, de 40 anos, moradora de Campo Grande, se emocionou ao ver a alegoria pronta.
“Me impressionei com tudo. Com o tamanho, principalmente. É a primeira vez que eu vejo um carnaval assim tão colorido e tão volumoso”, revelou.
Botafoguense declarada, ela destacou a importância do tema, e reforçou a ideia de que jardins podem ser obras de arte sim.
“Eu acho que é muito importante a gente falar sobre isso no mundo que a gente vive hoje. O Botafogo homenageia hoje uma pessoa que buscou através da sua arte valorizar o nosso meio-ambiente. Isso conversa muito com os meus valores. Ele fez as pessoas sentirem emoção com imagens e uma organização de cores e plantas, eu acho que é bem coisa de arte mesmo”, disse.

A francesa Sophie Rosele, de 37 anos, que está no Brasil especialmente para o Carnaval e desfilou pela primeira vez, também ficou impactada com o carro:
“É um carro muito elegante, com flores, e representa para mim o florescer da natureza brasileira. É muito bonito. Foi uma ideia muito boa essa homenagem. E a história fica ainda mais interessante por meio das esculturas e pinturas que as representam das flores do Brasil”.

Musa da escola e destaque de alegoria este ano, Cristina Mendonça também não conteve a emoção ao ver o abre-alas. Morando em Nápoles, na Itália, ela viajou especialmente para desfilar. Sobre a homenagem, ela fez questão de frisar a força simbólica da escolha do enredo, e o quanto ama ser brasileira.
“Eu acho que é uma representatividade cultural enorme, porque a gente fala da vitória-régia e de vários elementos da nossa flora brasileira. O Botafogo Samba Clube acertou muito, principalmente nesse samba-enredo, que está lindo. Eu vejo arte em tudo, principalmente no Brasil. A brasilidade latina está tomando conta do mundo agora. Como o Bad Bunny falou, ‘todo mundo quer ser latino, mas não tem o tempero, não tem o molho’, e a gente tem de sobra. Estou muito feliz de participar desse momento”, declarou.
Com um jardim que pulsa como tela viva, o abre-alas da Botafogo transformou a natureza em manifesto artístico e reafirmou a paisagem brasileira como raiz do Brasil moderno que floresce na avenida.
Sob a guarda das Sete Catacumbas: comissão da Em Cima da Hora transforma medo em soberania feminina
Na Em Cima da Hora, a comissão abre caminhos para o desfile “Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!”. Com o título “Sob a Proteção das Sete Catacumbas”, o segmento ressignifica o cemitério, tradicionalmente associado ao temor, e o apresenta como espaço de força espiritual, transformação e poder feminino.
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A encenação propõe um embate simbólico entre energias masculinas e femininas até a manifestação soberana de Maria Padilha das Sete Catacumbas, conduzida por Exu. No centro da narrativa, não está a morte, mas o renascimento.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, o coreógrafo Márcio Moura explicou que a proposta parte de uma mudança de olhar sobre o território representado em cena.

“O cemitério não é um lugar de fim, é um espaço de passagem. Ele representa ciclo, despedida, continuidade da energia. Dentro das religiões de matriz africana, muitos rituais acontecem próximos a esse espaço porque ali existe força espiritual. A nossa comissão mostra mulheres que sofreram violência, que foram silenciadas, e que buscam auxílio em uma entidade que habita esse território sagrado”, explicou o coreógrafo.
Segundo Márcio, o confronto apresentado em cena não é gratuito, ele traduz uma realidade social.
“A força masculina na coreografia simboliza transformação. Já chegou a hora do protagonismo feminino aparecer com clareza. Quando mulheres assumem seus espaços de poder, isso incomoda. A comissão é essencialmente feminina. O único personagem masculino é Exu, e ele não está ali para confrontar, mas para reverenciar essas mulheres”, disse.

Para o coreógrafo, a Umbanda e o culto às Pombagiras trazem uma mensagem direta ao público:
“Quando falamos de Pombagira, falamos de sincretismo, de resistência e de força feminina. Elas são fundamentais no plano espiritual. São protagonistas dessa história e dessa festa”.
A assistente de coreografia, Suellen Gonçalves, destacou que a construção cênica foi pensada para evidenciar o conflito estrutural entre homens e mulheres, tema que dialoga com a trajetória de muitas Pombagiras.
“A gente trabalhou o embate entre o masculino e o feminino porque, infelizmente, essa violência ainda é uma realidade. Muitas histórias atribuídas às Pombagiras falam de agressões, abusos físicos ou emocionais. A comissão traz esse contexto para a Avenida, mostrando dor, mas principalmente superação”, afirmou.

Ao transformar o cemitério em palco de afirmação feminina, a comissão da Em Cima da Hora deslocou o olhar do público: o que antes era associado à escuridão se revela território de proteção e soberania.
Maria Padilha das Sete Catacumbas surge não como figura temida, mas como símbolo de autonomia e reorganização das forças. Sob sua presença, o conflito se dissolve e o feminino ocupa o centro.
Mais do que um espetáculo coreográfico, a comissão apresenta um posicionamento: onde houve silenciamento, haverá voz. Onde houve medo, haverá poder.
Freddy Ferreira analisa a bateria da Botafogo no desfile no Carnaval 2026
Um bom desfile da bateria “Ritmo Alvinegro” da Botafogo Samba Clube, na estreia de mestre Marfim pela escola. Um andamento confortável e um ritmo equilibrado, ainda sofreu impacto positivo de bossas bem casadas com o samba, além de possuírem pressão sonora de surdos nos arranjos.

Na parte da frente do ritmo da Botafogo, uma ala de cuícas consistente deu seu contributo. Um naipe de tamborins de boa técnica coletiva tocou interligada a uma ala de chocalhos de nítida virtude musical. O desenho rítmico simples se mostrou plenamente casado ao samba-enredo, valorizando o trabalho em conjunto de ambos os naipes.
Na cozinha da bateria “Ritmo Alvinegro”, uma boa afinação de surdos foi notada. Marcadores de primeira e segunda foram firmes ditando o andamento. Surdos de terceira sólidos deram bom balanço entre os graves. Um naipe de caixas com bom volume, tocou junto de repiques coesos, complementando o preenchimento sonoro dos médios.
Bossas pautadas pelas variações melódicas da obra foram exibidas, sempre com pressão sonora de surdos. As levadas nordestinas intercaladas do arranjo do refrão foi um ponto de destaque musical, além de garantir boas execuções sempre que realizadas. Uma nuance rítmica envolvendo surdos, na segunda do samba, ajudou a dar dinamismo sonoro à bateria da escola preta e branca.
Uma boa apresentação da bateria da Botafogo Samba Clube, dirigida pelo mestre Marfim, que estreou na escola. Uma bateria “Ritmo Alvinegro” com boa afinação de surdos, que permitiu pressão sonora em bossas, sempre buscando as nuances da melodia para consolidar o ritmo. Após uma apresentação correta e segura na primeira cabine, uma boa exibição foi realizada no segundo módulo. Já na última cabine julgadora (dupla), mas uma apresentação sólida confirmou o bom desfile da bateria da Botafogo, com potencial para garantir uma grande pontuação.
Fé, força e liberdade: estreantes da Em Cima da Hora desfilam movidos pela energia das Pombagiras
A Azul e Branca de Cavalcanti aposta na força feminina e na espiritualidade para conquistar a Marquês de Sapucaí. Com o enredo “Salve todas as Marias – laroyê, Pombagiras!”, a Em Cima da Hora transforma a Avenida em território de reverência às entidades que simbolizam liberdade, resistência e empoderamento.
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FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
O desfile propõe uma reflexão sobre como as Pombagiras desafiaram estigmas e preconceitos ao longo dos séculos ao se afirmarem como figuras de poder, acolhimento e transgressão. Presentes nas ruas e encruzilhadas, espaços historicamente marginalizados, elas permanecem vivas na fé de quem encontra nelas orientação e proteção.
Entre os componentes, um detalhe chama atenção: todos os entrevistados estão desfilando pela primeira vez na escola. O motivo? O enredo.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
O professor Leandro Avelar, de 46 anos, decidiu atravessar a Avenida impulsionado por sua própria vivência espiritual. Ele conta que a relação com a entidade é pessoal e também acadêmica, já que Maria Mulambo faz parte de sua pesquisa de mestrado.
“Desfilar falando de Pombagira é um momento de alegria para mim. É incrível mostrar a força delas dentro de uma sociedade que ainda exclui e marginaliza. Quando penso em Pombagira, penso em empoderamento. Eu me conecto com aquelas que falam direto, sem rodeio. Hoje me sinto ainda mais ligado à minha Pombagira, que me orienta na vida social, afetiva e pessoal”, revela o componente.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Para Sheila Monsanto, de 56 anos, secretária e também estreante na escola, a relação é de devoção e entrega emocional. Ela resume a entidade como base da sua vida espiritual.
“A Pombagira é tudo na minha vida. É força, proteção, caminhos abertos e prosperidade. Ela me orienta nas decisões e me mostra qual caminho seguir. Só de cantar o samba na Avenida, meu corpo arrepia inteiro. É impossível conter a emoção”, conta Sheila.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Já Eduardo Jesus, de 63 anos, contador, vive a experiência pela admiração e respeito à fé alheia. Mesmo vindo de outra tradição religiosa, ele reconhece a potência simbólica das entidades.
“Eu sempre ouvi falar da Pombagira, mas admiro a força e o empoderamento que ela desperta nas pessoas. Essa espiritualidade não é diferente da cristã ou católica: a relação de fé é a mesma. Vejo principalmente mulheres ganharem mais autoconfiança, mais proximidade com sua força interior e se sentirem mais prósperas”, comenta.
Ao levar as Pombagiras para o centro do desfile, a Em Cima da Hora rompe estigmas e transforma a Sapucaí em espaço de reconhecimento e respeito. Na encruzilhada entre tradição e resistência, a Azul e Branca canta: Laroyê.
Componente fala! Desfilantes da Botafogo defendem o verde como direito à cidade no desfile sobre Burle Marx
A Botafogo Samba Clube abriu o segundo dia de desfiles da Série Ouro, na Marquês de Sapucaí, exaltando a obra de Roberto Burle Marx, com o enredo “O Brasil que floresce em arte”, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres. Ao transformar a avenida em um grande jardim, a escola levou para o centro do debate uma pergunta que ecoa além da Passarela do Samba: qual é o lugar da natureza no cotidiano urbano?
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Na concentração, a reportagem do CARNAVALESCO ouviu três componentes que ajudaram a construir essa reflexão na prática. Fábio Amaral Vasconcelos, de 39 anos, dentista e estreante na escola; Isabelle Pereira dos Santos, 39 anos, professora de artes visuais e há três anos na agremiação; e André Souza, 53 anos, engenheiro de software, também desfilando pela primeira vez na Botafogo Samba Clube.
Eles falaram sobre a presença, ou a ausência, do verde em seus bairros, sobre como a natureza impacta o dia a dia e sobre a possibilidade de enxergar praças e jardins como verdadeiras obras de arte.
Sente falta de áreas verdes no seu bairro?

Morador do Recreio, Fábio reconheceu que vive em uma região com mais áreas abertas, mas acredita que ainda é possível avançar. “Eu sou morador do Recreio, é até um bairro que tem um pouco mais de verde, prédios mais baixos e áreas de parques, mas sinto que poderia ter mais. A questão do verde faz muito bem, traz paz, segurança e alegria”, afirmou.
Já Isabelle, que mora em Bonsucesso, sente de forma mais evidente a desigualdade na distribuição das áreas arborizadas pela cidade. “Eu moro em Bonsucesso e lá sinto essa diferença, não é tão arborizado quanto na Zona Sul. Eu trabalho na Zona Sul e percebo o frescor do ar. Quando volto para Bonsucesso, sentimos a diferença da poluição”, disse.

André, morador de Jacarepaguá, próximo ao RioCentro, avalia que a região onde vive ainda preserva boas áreas verdes. “Por incrível que pareça, não sinto tanta falta. Poderia ter um pouco mais, mas é bem verde. Agora, minha família é de Campo Grande e lá é uma selva de pedra. É terrível”, afirmou.
Como o verde muda o dia a dia das pessoas?
Para Fábio, o impacto é direto no estado emocional. “O Rio de Janeiro é uma cidade bonita por natureza. Temos a Floresta da Tijuca e, quando você vê uma área verde, uma floresta, isso traz paz e tranquilidade. Você fica mais calmo”, afirmou.
Isabelle reforçou que a arborização interfere inclusive na saúde e no bem-estar coletivo. “Ajuda com certeza. Inclusive penso em um projeto no bairro, junto aos moradores, para criar áreas verdes. Isso melhora o ar e a qualidade de vida das pessoas”, disse.

André destacou a importância prática, sobretudo nos períodos mais quentes. “Principalmente no verão. Ter sombra para caminhar faz diferença. Eu trabalhava na Barra e precisava levar uma sombrinha para sair do BRT por causa do calor de 40 graus com sensação de 50. O verde é aprazível, relaxa, traz passarinhos. É bom para viver”, afirmou.
Praças e jardins podem ser obras de arte?
Se o enredo da Botafogo propõe essa leitura, os componentes parecem concordar. Fábio, que já visitou o Sítio Roberto Burle Marx, em Guaratiba, recomenda a experiência. “Com certeza podem ser obras de arte. Eu sugiro visitar o Sítio de Burle Marx, é um passeio muito interessante. Já fui com minha filha e ela adorou”, disse.
Isabelle amplia o olhar para o aspecto educativo e cultural desses espaços. “Com certeza são obras de arte. Essas áreas podem ser revitalizadas e podemos ensinar as crianças a plantar e valorizar a natureza como cultura”, afirmou.
André lembra que o paisagismo vai além da estética e envolve convivência e memória afetiva. “Com certeza são obras de arte. A praça não é apenas uma questão social, mas também cultural. As pessoas se encontram ali. Cresci perto de uma praça onde todos se reuniam à noite para conversar. As árvores dão sensação de lar, de contato com a natureza. Nós nos sentimos bem quando estamos perto dela”, concluiu.
Para eles, ao levar Burle Marx para a avenida, a Botafogo Samba Clube não apenas homenageia um artista que redesenhou o Brasil com curvas, cores e espécies tropicais. Também convida a cidade a se repensar: se o jardim pode ser arte, e talvez o verde não deva ser privilégio, mas, um direito.
Iphan na Avenida: Botafogo Samba Clube transforma patrimônio em espetáculo na Sapucaí
A Botafogo Samba Clube abriu o segundo dia de desfiles da Série Ouro na Marquês de Sapucaí com o enredo “O Brasil que floresce em arte”, uma homenagem ao paisagista e artista plástico Roberto Burle Marx. Desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres, o desfile encontrou na Ala 18, “IPHAN, Guardião da Memória Viva”, um dos seus momentos mais simbólicos ao destacar o papel do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na preservação do legado do artista e do Sítio Roberto Burle Marx, reconhecido como patrimônio cultural brasileiro.
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Na concentração, três componentes que estreavam na escola falaram sobre a importância do patrimônio cultural e do Carnaval como instrumento de preservação da memória: o arquiteto Cauê Santana, de 40 anos; Eduardo Melo, de 54 anos, administrador de empresas; e a contadora Priscila Faria, de 40 anos.

FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
Patrimônio cultural: memória construída e vivida

FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
Para Cauê, a primeira imagem que surge ao pensar em patrimônio cultural é a arquitetura.
“Continua sendo a arquitetura, porque eu acho que é intrínseco à nossa vida. A cultura, a arquitetura, a arte estão todas ligadas. Então arquitetura, para mim, é a primeira referência de patrimônio”, afirmou.
Eduardo associou patrimônio à identidade coletiva: “Eu penso logo na história da cidade, nas empresas, nos costumes, no nosso jeito carioca. Esse é o patrimônio da cidade”.
Já Priscila destacou a necessidade de conscientização e continuidade.
“Patrimônio cultural é algo que todo mundo deveria ter consciência e preservar. Isso é a nossa história. A gente precisa buscar isso nos jovens, mostrar para eles, para que continuem preservando a nossa cultura”, ressaltou.
Jardins e paisagens como identidade brasileira
Ao falar sobre a preservação dos jardins e das paisagens como expressão cultural, Cauê relacionou natureza e identidade nacional.
“O Brasil por si só já é um país verde, de raízes verdes. Quanto mais você preserva, mais você leva o Brasil. O Brasil é como se fosse um jardim. Quanto mais verde, mais história e mais vida carrega”, pontuou.
Já Eduardo ampliou o debate para além da cultura e ressaltou a dimensão da sobrevivência: “Não é só uma questão cultural, é também uma questão de sobrevivência do ser humano. Sem natureza a gente vai morrer”.

FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
Priscila, por sua vez, observou que há uma mudança de mentalidade em curso: “Hoje vemos muitas construções, muitos prédios, mas também uma maior conscientização do verde. Jardins, praças, reflorestamento são muito importantes. Precisamos manter essa cultura de preservar para garantir um ar mais saudável e um futuro melhor para as nossas crianças”.
Carnaval como vitrine da memória
No maior espetáculo da Terra, os três componentes enxergam o carnaval como ferramenta de difusão cultural. Para Cauê, a Sapucaí amplia o alcance de nomes que muitas vezes ficam restritos a círculos específicos.
“É uma vitrine muito grande para um nome tão importante que não chega a todos os lugares. Aqui a gente consegue alcançar onde ele normalmente não chega”, enfatizou.

FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
Eduardo destacou o potencial educativo do desfile: “Com certeza pode ajudar. É uma forma de passar para a garotada, que muitas vezes não sabe quem foi Burle Marx e qual a importância dele na história da cidade e do Brasil”.
Priscila reforçou o alcance popular da festa. “O carnaval atinge milhões de pessoas. Quem iria pesquisar sobre Burle Marx? Quando o enredo traz esse nome, desperta a curiosidade. O carnaval mostra para todas as camadas da população a importância desse paisagista para o nosso país”.

