Tradicionais e que carregam o legado de seus pavilhões, no dia 30 de setembro, o carnaval carioca homenageia os verdadeiros guardiões da tradição: as velhas-guardas das escolas de samba. Com um dia dedicado a eles, estabelecido pela Lei 2.451 em 1995, o “Dia Estadual da Velha-Guarda das Escolas de Samba” não é apenas um reconhecimento, mas uma celebração da importância dos sambistas na construção do legado e na história das tradições que moldam a identidade das agremiações. Esse segmento desempenha um papel fundamental na preservação das memórias e dos valores do samba, com toda sua rica herança cultural. Embora os critérios de admissão variem de uma escola para outra, todos os integrantes compartilham a necessidade de um histórico de dedicação ao pavilhão.
Mangueira: Patrimônio Cultural
Na Estação Primeira de Mangueira, a tradição da Velha Guarda vem desde 1943, quando foi formada por grandes nomes como Cartola e Carlos Cachaça. Atualmente, sob a presidência de Dona Gilda Moreira, a velha-guarda conta com 50 integrantes que devem ter mais de 60 anos e ser sócios da escola há pelo menos 30 anos. Esse rigor na seleção garante a preservação das tradições e da identidade da agremiação.
Foto: JM Arruda;Divulgação Mangueira
Dona Gilda, aos 84 anos, é um verdadeiro símbolo de dedicação. Desfilante da Verde desde os cinco anos de idade, após ingressar na velha-guarda como secretária na década de 80, tornou-se um dos pilares da agremiação. Sua história exemplifica a profunda conexão que os integrantes mantêm com a escola, reforçando a missão de transmitir as memórias e valores do samba às novas gerações.
Recentemente, a Velha Guarda da Mangueira foi declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial pela cidade do Rio de Janeiro, um reconhecimento que ressalta a importância desse grupo na cultura carioca.
Portela: Duas Faces da Tradição
A centenária Portela, uma das escolas de samba mais tradicionais do Brasil, se destaca por uma peculiaridade única: a divisão de sua velha-guarda em duas categorias. A Galeria da Velha Guarda, fundada em 1968, é composta por membros que devem ter um laço significativo com a escola. Para ingressar, os interessados precisam formalizar um pedido, que é avaliado pela presidência da escola e um dos critérios é ter relação com a Portela em desfiles e segmentos, garantindo que a essência da velha-guarda seja preservada.
Foto: Magaiver Fernandes/Divulgação Portela
Um dos rituais importantes da Galeria da Velha Guarda é o batismo dos novos membros, um momento emocionante que marca a entrada efetiva do componente para a escola. Além disso, a celebração anual do aniversário do grupo é um evento especial, onde são escolhidos o “Pai Sambista” e a “Mãe Sambista”. A Galeria da Velha Guarda administra a Portelinha, antiga quadra da escola, onde realizam eventos para arrecadar fundos e manter a quadra viva, fortalecendo assim o vínculo com a história e a tradição da Portela.
Por outro lado, a Velha Guarda Show representa a arte e o talento dos sambistas veteranos que fazem parte da história da Portela. Tem um dos seus criadores Paulinho da Portela e Candeia, o elenco conta com a formação icônica de artistas como Monarco, Noca da Portela e Tia Surica. O grupo não apenas apresenta clássicos do samba, mas também participa de iniciativas de shows e é atração fixa de toda feijoada da tradicional feijoada da família portelense.
Unidos de Padre Miguel: Um Retorno Histórico
Recentemente recém-chegada ao Grupo Especial, a Unidos de Padre Miguel, com 66 anos de história, possui uma velha guarda consolidada que é um verdadeiro patrimônio da agremiação. Fundada em 1980, a Velha Guarda tem seu destaque por sua dedicação à tradição do samba. desempenha um papel fundamental na formação da identidade da agremiação, garantindo que as novas gerações compreendam e valorizem suas ricas tradições.
Foto: Fausto Ferreira/Divulgação UPM
Uma das histórias mais inspiradoras da associação é a de Antônio Carlos José Barbosa, de 64 anos, que preside a Velha Guarda da Unidos de Padre Miguel. Com uma trajetória que começou no ano de 1995, Antônio Carlos assumiu a liderança do grupo em 2023, preparando-se para uma estreia emocionante no Grupo Especial em 2025.
Cultivando as tradições e ancestralidade de cada pavilhão
O Dia da Velha-Guarda é uma oportunidade valiosa para reconhecer e celebrar os verdadeiros guardiões do samba. As histórias e contribuições desses sambistas são fundamentais para manter viva a essência do carnaval carioca, assegurando que as tradições sejam transmitidas de geração em geração.
Na noite fria de sábado, 28 de setembro, a Mocidade Alegre iniciou as 24 horas de samba e com a tradicional premiação para o ‘Sambista Imortal’ do carnaval paulistano, e o escolhido foi o jornalista Chico Pinheiro que participou da transmissão da Rede Globo por mais de vinte carnavais. A tradicional premiação realizada pela Mocidade Alegre acontece em comemoração ao aniversário da escola, que foi fundada em 24 de setembro de 1967 e completou 57 anos neste ano.
Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO
O Sambista Imortal da Morada do Samba, o jornalista Chico Pinheiro, ressaltou para o CARNAVALESCO: “Não dá para dizer, é uma emoção muito grande, porque vem de um povo que eu amo muito, é o povo do Samba. O povo da cultura mais raiz desse país. É um povo que vem de África e vem do coração do Brasil. Então é um negócio assim que eu não tenho como explicar. Eu fui homenageado em São Paulo algumas coisas aí, alguns prêmios de jornalismo e recebi um título que muito me honra, de cidadão paulistano. Eu sou cidadão paulistano, a Câmara me deu o título e é uma honra enorme para mim, me sinto paulistano até a raiz. Agora nada, nada se compara a emoção que você sente aqui”.
Chico ainda reforçou refletindo sobre o momento que viveu na Arena da Morada do Samba: “Quem sou eu para ser sambista, não sou sambista, mas sou apaixonado pelo samba. O samba fez do meu coração sua Morada, então fico muito feliz e me sinto muito à vontade aqui na Morada do Samba. A Mocidade Alegre, receber uma homenagem que eu jamais imaginei que fosse receber, quanto mais depois de ter saído a transmissão e deixado a TV Globo, estou encantado”.
A presidente Solange Cruz explicou pela escolha do jornalista Chico Pinheiro que marcou uma época como a voz do carnaval de São Paulo nas transmissões na Rede Globo.
“Na realidade todo mundo sabe que o Sambista Imortal são pessoas que fazem pelo carnaval de São Paulo e não são da nossa escola. Então são pessoas que elevam o nome do carnaval. E o Chico tem uma trajetória gigantesca. Temos uma listinha aí de pessoas que a gente quer homenagear e ele era um que estava nessa lista por merecimento. Porque foi um cara que ajudou o crescimento do nosso carnaval. Ele é um cara que não pensou duas vezes, ele sempre tratou com o coração todas as escolas, participou de tudo, conhecia as pessoas, falava com conhecimento e isso é muito importante. Nos sentíamos acolhidos, então achei que seria justo a Mocidade Alegre em nome do carnaval de São Paulo fazer essa homenagem, porque eu sei que ele está sendo representado por todos os pavilhões que estavam aí presentes. Então fica muito feliz e honrada de recebê-lo aqui e mais feliz ainda de ver a emoção dele”.
O convite foi surpresa após convite para um almoço na Fábrica do Samba, como contou a presidente Solange: “Convidamos ele para um almoço na Fábrica e ele não sabia do que se tratava quando entregamos o convite ele falou ‘eu? Eu mesmo?’, eu falei é você e isso foi incrível, maravilhoso, sensacional”.
Parceiro do Chico Pinheiro, o jornalista Dalton Ferreira fica mais nos bastidores do carnaval, mas é visto sempre nas quadras em coberturas das escolas de samba paulistanas, e foi o Sambista Imortal em 2023. Sobre a premiação, exaltou a importância em conversa com o CARNAVALESCO.
“Me sinto muito honrado de fazer parte de uma galeria tão importante, tão representativa do carnaval, é um prêmio que a Mocidade Alegre que criou em 72, convida somente pessoas que não são da escola. Mas que tem a atuação no carnaval e muito melhor vão saber que é uma cidade me considero uma pessoa atuante no carnaval de São Paulo. O Carnaval que eu tanto amo, que eu tanto defendo, tem tantos momentos. E agora tendo Chico Pinheiro, meu colega que tanto tempo trabalhou comigo na transmissão do carnaval é um orgulho maior ainda”.
O gaúcho de nascimento e mineiro de criação, Chico Pinheiro virou a voz na transmissão do carnaval de São Paulo e tem uma história marcante nas agremiações. Mas depois de deixar a transmissão em 2022, no carnaval fora de época e com a saída da TV Globo, contou que não acompanhou os desfiles em 2023 e 2024.
“Não acompanhei (os últimos carnavais). Eu transmiti, fui o narrador do carnaval de São Paulo praticamente por 20 anos. Mas desde que eu saí da TV Globo em 22. Teve o Carnaval fora de época, no mês de maio, esse foi o último que eu transmiti. Em 2023 e 2024 eu tava fora. Mas estou apaixonado por todas as escolas, tenho amigos em todas as escolas e é muito bom”.
Enquanto Chico não faz mais parte da transmissão, Dalton segue a todo vapor nos conteúdos da Globo e marcou presença na premiação do ex-colega, e grande amigo. Por isso, ressaltou a escolha da Mocidade Alegre.
“É emocionante. Senti de novo a emoção que eu tive no ano passado e ele certamente ficou muito emocionado porque ele é uma pessoa que sempre lutou pelo carnaval, que se apaixonou pelo carnaval de São Paulo. Fez um trabalho muito importante em todos esses anos que ele ficou na transmissão. É um prazer, é uma alegria muito grande”.
Com presidentes presentes no palco, além da presidente Solange Cruz, Chico Pinheiro mostrou emoção ao ser homenageado como Sambista Imortal e relembrou relação com todas as escolas durante os vinte anos de transmissão do carnaval pela TV Globo.
“Uma relação de amor recíproco, porque eu amava as escolas, e as escolas me amavam também porque não? Então cada transmissão dessa era antecedida por visitas que eu fazia a todos os barracões conversando com cada um dos carnavalescos, com a direção da escola, para entender o que era esse carnaval. Pois de carnaval eu entendia muito pouco, muito menos o carnaval de São Paulo, ia aos ensaios nas quadras. Então o carnaval entrou na minha veia e fez no meu coração Morada, por isso que a morada do Samba aqui dentro”.
Uma das grandes histórias envolvendo Chico Pinheiro e o carnaval foi contada pela presidente Solange, quando a mãe do jornalista, Ester Gontijo, faleceu pouco antes do carnaval, e mesmo assim, Chico marcou presença na cobertura dos desfiles.
Em relação ao momento vivido pelo carnaval de São Paulo, Dalton Ferreira deixou um recado: “Acho que o carnaval de São Paulo só cresce. Sempre é uma alegria, as comunidades estão empolgadas. Tivemos um problema sério, todo mundo teve, o mundo parou na pandemia e agora as escolas estão retomando com força total a gente começa a perceber as quadras lotando mais do que no ano passado. Tenho certeza que vai ser um grande carnaval em 2025”.
Por fim, a presidente Solange da Mocidade Alegre explicou as últimas duas escolhas da escola para o Sambista Imortal: “Na realidade o Dalton porque ele é um sambista. Ele é oriundo da Rosas de Ouro tem uma história no carnaval e defende o samba de São Paulo como um todo e isso é muito bacana, entendeu? E aí o Chico já tava na nossa lista que é um outro tipo, o Dalton trabalha nos bastidores e o Chico na cara do gol, então isso fortaleceu”.
A lista de Sambista Imortal conta com 53 homenageados desde 1972, quando a Mocidade Alegre iniciou a homenagem nas primeiras 24 horas de samba para comemorar na época os cinco anos de história.
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Foto: Divulgação/Liga-SP
Locais de venda:
Fábrica do Samba
Endereço: Av. Dr. Abraão Ribeiro, 505 – Bom Retiro (Sede da Liga-SP)
Horário de funcionamento: Segunda a sexta, das 10h às 17h
Carioca Club
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros, São Paulo – SP
Horário de funcionamento: Segunda a sábado, das 13h às 18h
Em dezembro, a Liga-SP abre, pelo segundo ano consecutivo, um novo ponto de venda de ingressos no Shopping Metrô Tatuapé, oferecendo mais comodidade aos sambistas.
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Os Desfiles das Escolas de Samba de São Paulo retornam ao sambódromo do Anhembi nos dias 22 e 28 de fevereiro, 1, 2 e 8 de março. A entrada para assistir às agremiações do grupo de Acesso 2, no sábado, 22 de fevereiro, é gratuita.
O evento “24 Horas de Samba”, realizado pela Mocidade Alegre é uma das festas mais tradicionais do carnaval paulistano, e também bastante aguardado pelos sambistas da terra da garoa. Tal festividade foi criada no ano de 1972, pelo até então presidente Juarez da Cruz, com o intuito de celebrar os cinco anos de fundação da escola do Limão, levando outras agremiações para comemorar junto à Morada. A tradição se mantém até os dias de hoje e sempre é realizada perto e/ou no aniversário da agremiação.
Neste ano, atrações individuais do carnaval como Pitty de Menezes esteve presente. Pavilhões de peso de São Paulo fizeram a festa na madrugada de domingo: As matriarcas Vai-Vai e Camisa Verde e Branco. Já pela tarde e noite de ontem, MUM, Tucuruvi e Mancha Verde realizaram grandes apresentações na Arena Morada. Fechando o evento, as coirmãs do Rio de Janeiro, Mocidade Independente de Padre Miguel e Salgueiro, marcaram o seu nome na edição de 2024.
Respeito com o sambista
A presidente avaliou a festa. De acordo com Solange, todos os shows foram ótimos e as escolas convidadas somaram ao evento de forma positiva. De fato este é o respeito do sambista, diz ela.
“Para quem veio curtir foi lindo e para nós que viemos trabalhar foi ‘punk’. Mas a cada ano o evento cresce mais, ele passa das 24 horas. As escolas do Rio são esperadas, não tem jeito, mas as escolas de São Paulo deram um sacode. Daí é incrível, porque você assiste a um show atrás do outro. Desde sábado que começou com o Grupo Miscigenação, Vai-Vai, Camisa… Hoje iniciou com a velha guarda do Tatuapé e pudemos receber a MUM, Tucuruvi e Mancha. Cada uma que entrava dava um sacode diferente com um visual incrível. Fico muito feliz por eles respeitarem este nosso lado sambístico e sempre virem em peso para a festa. Esse é o maior reconhecimento do sambista”, declarou.
Coirmãs do Rio de Janeiro
A comandante ficou feliz em ver a entrega das agremiações cariocas convidadas para a festa, Mocidade Independente de Padre Miguel e Salgueiro. Ambas tiveram eliminatórias no último sábado e pegaram o caminho da Dutra quase que com o time principal de segmentos. Solange, com alegria, reconheceu o empenho das coirmãs do Rio.
“Quero agradecer demais ao Salgueiro e à Mocidade Independente por abrilhantar ainda mais a nossa festa. Eles tiveram eliminatórias, saíram de lá às 7h da manhã e vieram direto para cá. As escolas vêm em consideração ao evento e isso é muito importante para nós. Só tenho a agradecer o carinho que eu recebo de todos eles. Como sambista é um privilégio”, afirmou.
Entrega das agremiações
Gestora da Mocidade Alegre há 20 anos, Solange Cruz exaltou esta parceria que a Morada tem com todas as agremiações. A escola é convidada para vários eventos, como por exemplo, final do Camisa, Gaviões, Festa do Ziriguidum do Império, shows nas coirmãs do Rio de Janeiro e várias outras que ocorreram ao longo de 2024. De acordo com a presidente, a Mocidade faz questão de dar o seu melhor nas apresentações, assim como quer que as entidades convidadas fiquem à vontade em sua casa.
“É um sentimento de entrega, reconhecimento, das pessoas saberem que a escola vai com amor representar o nosso pavilhão fazendo o show da outra escola. Quando as outras agremiações vêm aqui, quero que elas também façam o show delas e que a gente admire e aplauda. Foi incrível tudo que nós vimos aqui. Eu não consigo detectar um momento em que a gente não tenha se emocionado. Desde o sambista imortal e roda de pavilhões foi tudo muito lindo. Só tenho a agradecer e agora é descansar”, completou.
A Unidos do Viradouro realizou, na noite do último domingo, a semifinal de samba-enredo rumo ao carnaval de 2025. A equipe do CARNAVALESCO, através da série “Eliminatórias”, esteve presente. Ao todo, cinco sambas se apresentaram na quadra de ensaios da Vermelha e Branca, no bairro do Barreto, em Niterói. A escola divulgará essa semana os sambas classificados para a final, que acontece no dia 13 de outubro. * OUÇA AQUI OS SAMBAS
Parceria de Renan Gêmeo: Abrindo a semifinal, a parceria de Renan Gêmeo, Lucas Macedo, Diego Nicolau, Carlinhos Viradouro, Jeferson Oliveira, Silvio Mesquita, Orlando Ambrosio, Marcelo Adnet, Neném Perigo e Rodrigo Gêmeo subiu ao palco em Niterói muito animada, levantando e mantendo o ritmo durante a apresentação, com a torcida cantando bem o samba. Thiago Britto conduziu bem a obra na noite de hoje, cujo refrão final cumpre muito bem o papel de levantar o samba, em especial o último verso, “Viradouro Incorporada Taca Fogo No Brasil!” e as pessoas, tendo uma pegada bem animada e para cima, se destacando, assim como o refrão do meio.
Parceria de Deco: Comandada por Pitty de Menezes a segunda parceria, composta por Deco, Samir Trindade, Fabrício Sena, Victor Rangel, Deniy Leite, Robson Moratelli, Felipe Sena, Jeiffer e Ricardo Castanheira foi bem aguerrida, com um samba nesta pegada, com destaque para a melodia e a segunda do samba, com “Já rompi o cativeiro, resgatei da aflição/Grande Mestre curandeiro” e “João Batista de três mundos mensageiro” como exemplo de boms versos para além dos refrões. A torcida trouxe elementos alegóricos e fez uma performance sobre Malunguinho, baseada no verso “Avesso destemido/Sobrevivente da mata/Aquele que caçador que não caça”.
Parceria de Mocotó: A parceria de Mocotó, PC Portugal, J.Lambreta, Peralta, Alexandre Fernandes, André Quintanilha, Bira do Canto, Rodrigo Deja, Ronilson Fernandes e Carlão do Caranquejo foi a terceira a subir ao palco, com um samba alegre e bem leve para a escola, bem no estilo melódico que ela está acostumada com um refrão envolvente, e cujo ritmo se manteve constante e sem decair durante a apresentação, que foi comandada por Evandro Malandro e Emerson Dias. Samba animou bem a quadra, e teve um torcida cantando bem forte durante o tempo de apresentação. Refrão do meio também muito bem, em especial os versos “Sete Pontas a Estrela me encatam/Sete Flechas e Calungas se encontram”, que chama atenção. Mexeu bastante com a quadra durante a apresentação, sendo um dos destaques rumo a final.
Parceria de Diego Thekking: Quarta e penúltima, a parceria de Diego Thekking, Roberto Doria, Professor Jandré, Gabriel Machado, Ricardo Sato, Juliano Centeno, Karol Kon, Toncá Burity, Ionalda Belchior, Julio Pagé se apresentou. Um samba forte, com as batidas do surdo se destacando para dar compasso. Teve boa cadência na apresentação. Nino do Milênio e Clóvis Pê conduziram bem, tendo apoio da torcida, que levou uma apresentação de Malunguinho recebendo seus símbolos. Destaque para a subida antes do refrão final, que eleva bem o samba: “Deixa arder Canavial, Deixa Arder Todo Engenho/Gira No Maracatu/Se Tem Samba Na Curimba, Tem Repique com Ilú”.
Parceria de Paulo César Feital: O samba da parceria de Paulo César Feital, Inácio Rios, Marcio Andre Filho, Vitor Lajas, Vaguinho, Chanel e Igor Federal encerrou a noite. Obra consistente, tal qual o terceiro, numa linha que lembra muitos sambas da Viradouro. Igor Vianna comandou bem a apresentação da parceria, que contém versos bem interessantes que se destacam em ambas as partes, como “catiço sustenta” e “o estandarte da noite e quem me guia/alumia minha procissão”. O samba foi bem cantado na quadra, tanto pela torcida da parceria, quanto por pessoas de fora. Muitos segmentos da escola “abraçaram” a obra. A torcida ainda apresentou uma encenação interrssante de Malunguinho. Durante a apresentação, a quadra foi junto com o samba que terminou mostrando favoritismo para grande final no dia 13 de outubro.
A equipe do CARNAVALESCO, através da série “Eliminatórias”, acompanhou a etapa de semifinal da disputa de samba da Portela para o Carnaval 2025. Três obras foram classificadas para semifinal, que acontece na próxima sexta-feira. * OUÇA OS SAMBAS FINALISTAS– A escola, em 2025, homenageará o cantor e compositor Milton Nascimento com o enredo “Cantar será buscar o caminho que vai dar no sol – Uma homenagem a Milton Nascimento”. Confira a análise das apresentações finalistas.
Parceria de Toninho Geraes: O primeiro samba da noite teve a assinatura dos poetas Toninho Geraes, Eli Penteado, Alexandre Fernandes, Víctor do Chapéu, Paulo César Feital, Juca e Juninho Luang. A torcida marcou grande presença e mostrou o samba na ponta da língua. O palco estava desfalcado de Emerson Dias e Chitão Martins. Do ótimo trio que vem comandando o palco, só Bruno Ribas estava presente. Um dos sambas com maior qualidade da safra portelense, tanto em letra quanto melodia, não obteve tanto êxito na apresentação na semifinal, pois sentiu falta dos outros dois intérpretes mencionados. A melodia do refrão de meio chama atenção tanto pela riqueza poética, quanto pela letra “À luz do luar, lá vem Romaria/O doce cantar, Maria Maria/Repleto de chão, da terra do cio/ Feito ouro aluvião/Bateiando uma canção, veio a beira do rio”. A torcida cantou bastante o refrão de cabeça “O meu samba é oratório/Que Sebastião Clareia/Mil tons geniais, e os tambores das gerais/ Na Escola de Candeia”. A obra não poderia terminar de uma forma mais inspirada como “Já dizia Elis, se Deus tivesse voz/Seria a voz de Milton Nascimento”. Apesar do samba não ter sustentado na semifinal, a parceria foi para final pela qualidade da obra que é perceptível, e pelo conjunto de apresentações fortes que já fizeram na disputa.
Parceria de Samir Trindade: O quarto samba da noite foi assinado pelos compositores Samir Trindade, Fabrício Sena, Brian Ramos, Paulo Lopita 77, Deiny Leite, Felipe Sena e JP Figueira. A torcida foi um esculacho e cantou forte durante toda momento. Tinga teve uma excelente condução, como sempre, e o palco foi firme e com bastante pressão. A apresentação foi irretocável e emocionante. A primeira do samba passou bem demais e as palavras chave para a melodia funcionar tão bem são “Manhã”, “Estou”, “Na fé” e “Nas mãos”. O rendimento do refrão de meio foi ótimo “Nessa estrada, é sonho, é poeira/Passa o trem azul, sigo em paz/ Feito Rio…. só me leva pra Deus filho de Maria/Tantos mares em um cais”. O refrão principal foi uma explosão na quadra “Iyá chamou Oxalá preto rei pra sambar/Iyá chamou Oxalá preto rei pra sambar/Anjo negro é o sol que faz a Portela cantar/Anjo negro é o sol na minha Portela”. Uma parte que foi berrada pela torcida, além dos dois refrãos foi o bis “Quem acredita na vida, não deixa de amar”. Foi uma apresentação que teve forte comunicação com o público, levantando até os camarotes.
Parceria de Jorge do Batuke: O último samba da noite foi assinado pelos compositores Jorge do Batuke, Neizinho do Cavaco, Feijão, Marcio Carvalho, Araguaci e Claudio Russo. A torcida fez um barulho danado e foi um verdadeiro show na quadra. Pitty de Menezes e Tem-Tem Jr conduziram o samba com maestria. A performance da parceria foi avassaladora e levantou a galera. O rendimento do refrão principal foi excelente “No azul da romaria, na canjica da gamela/Sob a luz de Oxalufã… Portela/E no andor do nosso povo a voz de Deus/ Se alguém tem um lugar ao sol…Sou eu!”. O falso refrão de meio levantou a galera e foi outro destaque na apresentação. Uma virada melódica que chama atenção e torna-se fundamental na melodia da primeira parte do samba “Dobrando a esquina lá vem Madureira”. Outra parte do samba que teve um rendimento maravilhoso foi a chamada para o refrão principal “Sim, todo amor é sagrado/Sim, tudo é cantoria/Nada será como antes depois desse dia”. Foi outra apresentação que teve forte comunicação com o público e também levantou os camarotes.
A equipe do CARNAVALESCO, atrás da série “Eliminatórias”, acompanhou na noite de sábado, mais uma etapa da disputa de samba-enredo do Salgueiro para o Carnaval 2025. A escola divulga na segunda-feira os sambas classificados. *OUÇA AQUI OS SAMBAS CONCORRENTES
Parceria de Marcelo Motta: O primeiro samba da noite foi assinado pelos compositores Marcelo Motta, Rafa Hecht, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Júlio Alves, Kadu Gomes, Alex Oliveira, Daniel Paixão e Fadico. A torcida marcou grande presença na quadra. Tinga conduziu o palco com perfeição e teve um desempenho de destaque. A apresentação começou forte e vale frisar que o samba não caiu em nenhum momento. Na primeira parte do samba, a parte que teve um excelente desempenho foi “Xangô, meu pai, amarra o inimigo e dá um nó/ Desata qualquer feitiço da pontinha do cipó”. O refrão de meio teve um rendimento ótimo “Quando Moreno taca fogo na cabaça/O sertão fica pequeno pra tinhoso na garrafa/O bicho é brabo, tem um trato com Diabo/Coisa feira não lhe alcança nem tocaia no cangaço”. Aliás, esse refrão de meio expõe uma das maiores qualidades da obra que é a letra, que é uma das melhores da disputa. A saída do refrão de meio, é muito boa com “Meu catimbó, catimbó, catimbozeiro/Meu catimbó, catimbó pra defumar”. O refrão principal foi outra parte de grande desempenho. Foi uma grande apresentação, a melhor performance da parceria nessa disputa.
Parceria de Moisés Santiago: A segunda parceria da noite de eliminatória Salgueirense, foi assinado pelos compositores Moisés Santiago, Gilmar L Silva, Aldir Senna, Orlandro Ambrosio, Richard Valença, Wilson Mineiro, Gigi da Estiva, Alexandre Cabeça, Marcelo Fernandes e Leandro Thomaz. Todas as torcidas fizeram a festa nessa noite e essa foi mais uma que deu conta do recado. Zé Paulo e Serginho do Porto tiveram ótima performance na condução do palco. A obra tem uma proposta mais animada que as demais e isso fica visível no refrão de meio que foi um dos grandes destaques “Tem dendê, tem dendê!/Entre fios e miçangas/Tem dendê, tem dendê!/A bença, Tia Baiana!/Já pedi na encruzilhada, rezei no pé da cruz/Minha vida foi selada por Marias e Exus”. A segunda parte do samba possui uma melodia que vai mudando a todo momento, destacando principalmente “Cabra Moreno que rezava a sorte/Que cegava a morte, se valeu no cão”. Na primeira parte do samba, a parceria apostou em alguns versos como bis “Salgueiro é de umbanda!” e “Laroiê! Noite de segunda-feira”. O refrão principal teve um desempenho ótimo e o fechamento dele é energizado “Sai da frente que o Salgueiro vem virado no seu Zé”. Foi uma apresentação muito boa da parceria.
Parceria de Fred Camacho: A terceira obra da noite foi assinada pelos Fred Camacho, Luiz Antônio Simas, Eri Johnson, Diego Nicolau, João Diniz, Guinga do Salgueiro, Fabrício Fontes, Wilton Tatá, Gustavo Clarão e Francisco Aquino. A torcida compareceu em grande público e foi um dos trunfos da parceria. Sem Evandro Malandro, coube ao Thiago Britto a missão de conduzir o palco, e o intérprete obteve êxito. Além de ter um ótimo rendimento, o gingado que o refrão principal proporciona chama atenção “O Salgueiro tem mandinga de preto velho!/Fundanga de marabô! Axé!/Na curimba meu tambor é brabo/Corpo Fechado, saravá seu Zé”. O samba possui uma virada melódica na segunda parte do samba de destaque “Kiumba desiste de mim que sou da Macumba”. O refrão de meio foi uma das partes de grande desempenho “Sai panema! É rito de pajelança/Quem cura dança e bebe na cuia Jurema/ Sai doença, mau-olhado e desacato/ Fecho o corpo no mato no tronco da sapopema”. A primeira parte do samba chamou atenção pela fluidez que passou na quadra. Foi uma ótima apresentação da parceria.
Parceria de Xande de Pilares: O quarto samba da noite de eliminatória Salgueirense Xande de Pilares, Pedrinho da Flor, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Leonardo Gallo, Jorginho Via 13, Jeferson Oliveira, Jassa e W.Correa. Com bandeiras espalhadas por toda a quadra, a torcida fez uma linda festa. Em grande fase, Charles Silva fez mais uma condução com muita garra e força. Vale destacar que o palco da parceria também foi muito bem. A parceria vem colecionando grandes apresentações e nessa noite não foi diferente. O explosivo refrão principal mais uma vez foi destaque “Macumbeiro, mandigueiro, batizado no gongá/Quem tem medo de quiumba, não nasceu pra demandar/ Meu terreiro é a casa da Mandinga/Quem se mete com o Salgueiro acerta as contas na curimba”. Há um preparo e uma chamada expressiva para o refrão de cabeça “Salve seu Zé, que alumia nosso morro/Estende o chapéu a quem pede socorro/Vermelho e branco no linho trajado/Sou eu malandragem de corpo fechado”. O refrão de meio teve um ótimo rendimento na quadra “Tenho a fé que habita o sertão/De lampião, o cangaceiro/Feito moreno eu vou viver/ Mais de cem anos no meu Salgueiro”. A primeira parte do samba é uma parte de destaque pela força com que passa na quadra. Foi mais uma grande apresentação da parceria.
Parceria de Fabiano Paiva: A penúltima parceria da noite teve o samba assinado pelos compositores Fabiano Paiva, Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Baby do Cavaco, Andre Capá, Bruno Zullo, Rafael Castilho, Marcelinho Simon, Luizinho do Méier e Raphael Donato. A torcida foi um esculacho, cantando demais o samba durante todo momento. O intérprete Wander Pires com o seu timbre diferenciado, conduziu com êxito o palco. A obra é mais melódica comparando com os outros sambas da noite e tem uma parte que isso fica visível “Sou Zé, Cristo exu do gueto”/Fecho o corpo preto no altar do samba/Hoje o teu corpo preto vai ser amuleto pra vencer demanda”. O bom refrão principal teve um rendimento maravilhoso “Tranco a rua, veste o velho patuá/Abro a lua pro caminho iluminar/Bate palma de macumba/vai na fé do morro inteiro/ inimigo cai de banda, arrepia Salgueiro”. O refrão de meio não fica atrás em termos de rendimento, pois também obteve o mesmo êxito. Apresentação de qualidade da parceria.
Parceria de Ian Ruas: Pra fechar a noite de eliminatória Salgueirense, o último samba foi assinado pelos compositores Ian Ruas, Caio Miranda, Zé Carlos, David Carvalho, Luiz Fernando, Luana Rosa, Fabiano Mattos e Claudia Balthazar. Com uma quantidade grande de bandeiras, a torcida também fez a sua festa. O palco foi um dos pontos de destaque da apresentação, pois foi firme e bem equalizado. Vitor Cunha, Bruno Ribas e Nino do Milênio foram os responsáveis por esse êxito. O refrão principal foi o destaque com ótimo rendimento “Torrão, corpo fechado!/Preto Velho mandigueiro/Vibra em nossa oração/ Torrão abençoado/ Meu Salgueiro pede proteção”. Outro destaque da apresentação foi o bis “Reza forte, milagre no bamba!/ Reza forte no reino do samba!”. Foi uma boa apresentação da parceria.
O CARNAVALESCO, através da série “Eliminatórias”, esteve em mais uma etapa de escolha de samba da Estação Primeira de Mangueira. Nesta fase que antecede a semifinal, cinco parcerias se apresentaram. Duas composições tiveram mais destaque e a parceria encabeçada por Deivid Domênico foi eliminada. A Verde e Rosa levará para a Avenida o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude entre Dores e Paixões”, sobre a influência da cultura banto no Rio de Janeiro. A semifinal de samba acontece no dia 12 de outubro. * OUÇA AQUI OS SAMBAS CONCORRENTES
Parceria de Lacyr D’Mangueira: A primeira parceria a se apresentar esta noite foi a dos compositores Lacyr D’Mangueira, Rubens Gordinho, Juninho Luang, André Ricardo Gonçalves, Celsinho M Godoi e Bruno Oliveira Lima e o intérprete Bruno Ribas deu voz a este samba. A música tem um melodia bonita e uma cadência boa de acompanhar. Tem um refrão principal potente com o verso “Eu sou cria, sou banto, filho desse chão”. Já o refrão do meio é divertido pela agilidade e pela repetição de sílabas, mas pode ser difícil de cantar. O trecho “saberes que vem do zungu valem ouro na lingua falado um tesouro legado do congo e d’angola e pelas ruas ao som do lundu a força do sangue bantu transcende o tempo e aflora” se encaixou com muita beleza no ritmo da composição. Apesar da qualidade apresentada, poucas pessoas se empolgaram na quadra.
Parceria de Chacal do Sax: Chacal do Sax, Fábio Martins, Marcelo Martins, Bruno Vitor, Jean do Ouro e Pastor Gaspar compuseram o segundo samba puxado por Emerson Dias e Pixulé. Os dois refrões são bastante potentes, destacando os versos “É verde kabila, rosa de matamba”, do primeiro, e “Preta Velha ensinou, ciência de mandingueiro”, do segundo. Um trecho de impacto é “Reinventei a minha luta/ Na santíssima macumba, irmandade é petição”. A segunda parte do samba é bem construída em letra e melodia, sendo marcante a passagem. “Não venha dizer que é dialeto/ A língua que africaniza a cidade”. Levantou parte da quadra e foi um dos destaques deste sábado.
Parceria de Ronie Oliveira: Matheus Gaúcho defendeu o terceiro samba da noite composto por Ronie Oliveira, Jotapê, Giovani, João Vidal, Miguel Dibo e Cabeça Ajax. Gilsinho comandou a apresentação com Charles Silva e Matheus Gaúcho. O refrão principal com esse “Aê dindin, Aê dindá” é fácil de aprender e o do meio tem muita força com a verso “sou o fruto bantu que não cai longe do pé”. Na primeira parte, esse trecho é o de maior potência: “ainda que a paz existisse renegaram as inquices perseguindo o povo bantu”. Além disso, a segunda parte funciona como uma crescente até chegar no pré-refrão “dê um “dengo” mãe… teu “moleque” é valentia quem é cria lá do morro, faz nascer a poesia dê um “dengo” mãe… teu “moleque” foi vencer jem é cria lá do morro, faz um novo alvorecer”. No mais, a parceria conseguiu animar parte da quadra.
Parceria de Lequinho: Quem encerrou a disputa foram os compositores Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Júlio Alves, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. A responsabilidade de cantar esse samba foi de Tinga. Primeiramente, essa composição tem um refrão principal bem aguerrido. Dois trechos seguido são muito cativantes: “ê malungo, que bate tambor de congo faz macumba, dança jongo, ginga na capoeira/ ê malungo, o samba estancou teu sangue de verde e rosa renasce a nação de zambi” e “bate folha pra benzer pembelê, kaiango guia meu camutuê, mãe preta me ensinou bate folha pra benzer, pembelê, kaiango sob a cruz do seu altar inquice incorporou”, que funciona como um refrão. Na sequência, a segunda parte traz reflexões e aponta para uma crítica social interessante com versos como “onde a escola de vida é zungu, fui risco iminente/ o alvo que a bala insiste em achar lamento informar… um sobrevivente” e “e hoje no asfalto a moda é ser cria/ quer imitar meu riscado, descolorir o cabelo/ bater cabeça no meu terreiro”. Fechou as apresentações sendo o segundo destaque da noite e levantando o público.
A equipe do CARNAVALESCO, através da série “Eliminatórias”, acompanhou mais uma etapa da disputa de samba-enredo da Mocidade para o Carnaval 2025. A parceria de Jojo Todynho foi eliminada do concurso. A próxima fase é a semifinal, na sexta-feira que vem, dia 4 de outubro. * OUÇA AQUI OS SAMBAS CONCORRENTES
Parceria de Zé Glória: Abrindo a noite, o samba de Zé Glória, Diego Nicolau, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Renan Diniz, Trivella, Myngal, Miguel Dibo, Lico Monteiro e Cabeça do Ajax subiu ao palco. Bem cadenciado, contou com um excelente desempenho de Tem-Tem Jr., que ajuda muito o samba, nos momentos que ele já é bem para cima como no falso refrão “Voar! Voar!”, com ambas as estrofes tendo um bom desempenho. O samba teve uma apresentação bem para cima com torcida bem empolgada, que cantou forte durante o tempo da parceria, se destacando na noite.
Parceria de Jefinho Rodrigues: Segunda a se apresentar, a obra de Jefinho Rodrigues, Arlindinho Cruz, Marquinho Índio, Lauro Silva, Prof.Renato Cunha, Cleiton Roberto, Felipe Mussili e Igor Leal, teve mais uma vez a melodia envolvente como um dos destaques, sendo bem conduzida por Wander Pires. Os refrões poéticos são mais uma vez destaque, assim como a segunda parte do samba, iniciada com o verso “Ávida, a mente vira feito órbita”, um dos trechos que chama a atenção. A torcida presente cantou bem o samba da parceria ajudando a mantê-lo para cima.
Parceria de Paulo Cesar Feital: Terceiro samba da noite, a obra de Paulo Cesar Feital, Cláudio Russo, Alex Saraiça, Denilson Rozario, Carlinhos da Chácara, Marcelo Casanossa, Rogerinho, Nito de Souza, Dr Castilho e Léo Peres foi conduzido por Thiago Brito, que foi muito bem como a voz principal. A torcida cantou forte. Bem melódica e poética, a apresentação teve os refrões, com destaque para o final “O céu vai clarear/iluminar a Zona Oeste da cidade/Deus vai desfilar/Pra ver o mago recriar a Mocidade”, e a segunda parte, em especial os versos “No afã de me encontrar eu me emocionei/Lembrei da corda bamba que eu atravessei”, como alguns dos pontos altos desta aprsentação, que foi um grande destaqie da noite.
Parceria de Jaci Campo Grande: Leozinho Nunes conduziu a última parceria da noite composta por Jaci Campo Grande, Paulo Ferraz, Alex Cruz, Dr. Marcelo, Duda Coelho, Marcinha Souza, Lucio Flávio, Elian Dias, Paulo Bachini, Bimbim Portella. O samba passou bem, com um bom refrão do meio, e versos na segunda parte também, vindo crescendo nas apresentações, contando com uma torcida bem animada, que cantou e levou máscaras com castorzinhos apaixonados em referência a um dos versos mais comentados da obra.
A escola de samba Deixa Falar, do Grupo Especial de Belém fez história no Rio de Janeiro. Os compositores Mestre Damasceno, Ailson Picanço, Davison Jaime, Tay Coelho, Marcelo Moraes vão assinam o samba-enredo da Grande Rio para o Carnaval 2025. O resultado foi divulgado por volta de 3h30 deste domingo, em Duque de Caxias, após uma apresentação épica da parceria campeã. No ano que vem, a Grande Rio levará para a Avenida o enredo “Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
O CARNAVALESCO ouviu mestre Damasceno e ele falou sobre a conquista na Grande Rio e a emoção de vir do Pará e ganhar no Rio de Janeiro.
Foto: Guibsom Romão/CARNAVALESCO
“Muita alegria, muita felicidade. Até pela distância que a gente vem, a gente vem atravessando o oceano, se encontrando com os amigos da capital do Pará. Concorrendo samba em meio de nove sambas no Pará. Consegue levar, classificar. Chega no Rio, concorre com os caras famosos. E a gente consegue ser o campeão para o carnaval da cidade de Rio. É uma felicidade, uma sorte, emoção e alegria para o povo do Pará, do Rio de Janeiro e do Marajó”.
O compositor Ailson Picanço falou ao CARNAVALESCO da sensação de vencer na disputa de samba-enredo da Grande Rio para 2025.
“É uma sensação incrível porque a comunidade nos abraçou desde o primeiro dia, desde o dia do lançamento. A comunidade não se importou se o samba era do Pará ou do Rio de Janeiro. Ela queria saber se o samba era bom, independentemente de onde vinha. Receber todo esse apoio e carinho não tem preço, é indescritível. Fizemos o melhor que pudemos para chegar nesse momento aqui. E, se Deus quiser, a Grande Rio terá muito sucesso no carnaval, se as caboclas e as juremadas permitirem”.
O compositor Marcelo Moraes também comemorou a conquista no Rio de Janeiro. “A sensação é a melhor possível. Não tem como descrever, isso aqui é um sonho para os compositores do Pará. Para a gente, não tem preço. Essa vitória não é apenas dos compositores da parceria, é uma vitória do Estado do Pará. Está na boca do povo, é uma celebração de todos. E vamos com tudo para o campeonato, porque, se Deus quiser, a Grande Rio vai levar esse título para casa”.
Intérprete da parceria campeã, da escola Deixa Falar, Fábio Moreno ressaltou ao CARNAVALESCO a força das escolas de samba de Belém e dos compositores locais.
Intérprete da parceria campeã, da escola Deixa Falar, Fábio Moreno
“Os nossos sambas, os nossos compositores em Belém são compositores que exportam muitos sambas para a nossa região, sambas para Macapá, para Manaus e tem um leque muito bom, mas nós nunca tivemos um nível de alcance como esse trabalho agora que teve aqui na Grande Rio. Nós tivemos sorte e fomos agraciados pela Nossa Senhora de Nazaré com a safra que tivemos lá na disputa que tivemos lá, que com todo o respeito, mas dois sambas vindo de Belém ainda foi pouco, porque nós tivemos muitos sambas com condições de chegar aqui e dar o seu recado. Realmente é absurdo o que está acontecendo, parece que às vezes eu vou acordar desse sonho”, afirmou o cantor.
Compositor Davison Jaime
O compositor Davison Jaime sobre a emoção de ganhar: “É a realização de um sonho, a gente disputa samba há um tempo, seja no Pará, seja em outros estados, mas isso aqui é um sonho realizado de infância e a gente parece que nem acredita, estamos todos muito felizes. É difícil dizer o que mais gosto nesse samba, o samba possui várias partes com sustentações que me mantém ele sempre lá em cima, então não consigo dizer o que gosto mais”.
Fotos: Guibsom Romão, Luan Costa e Rhyan de Meira/CARNAVALESCO
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Foto: Guibsom Romão/CARNAVALESCO
Intérprete Evandro Malandro
Em entrevista ao CARNAVALESCO, o diretor de carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro, falou o que é possível esperar do desfile da escola, falou sobre ter caído na terça-feira e comentou a sinergia da agremiação com as escolas de samba de Belém.
“Podem esperar que vamos disputar o título, respeitando todas as coirmãs, claro, todo mundo está se preparando da melhor maneira possível, mas a gente também está se preparando muito, muito bem, e a gente tem plena consciência do que a gente quer buscar, que é o melhor carnaval da nossa história e brindar o público com um grande espetáculo. A referência que a gente tem hoje é o desfilar na segunda. E sempre foi, para nós, visto com bons olhos, uma vantagem. Além de você ter mais dias de preparação, você de fato vê o que já aconteceu na pista. Terça-feira você tem um dia a mais. Inclusive, a Grande Rio escolheu, optou por isso, porque no sorteio a bola maior saiu para a gente e nós optamos. É lógico que é uma incógnita, mas pegando a analogia da antiga segunda-feira é uma vantagem. Foi maravilhosa parceria com Belém, não só com a Liga, mas com todo mundo que se envolveu nessa disputa. O presidente da Liga foi fantástico na condução. Agora fica esse intercâmbio, já é uma vitória do carnaval, já é uma vitória do samba”.
Diretor de carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro
O presidente da Grande Rio, Milton Perácio, falou sobre a confiança da escola com o enredo de 2025, a sinergia com o governo do Pará e como será desfilar na terça-feira de carnaval.
“A Grande Rio está certa que irá fazer um grande desfile. O enredo nos permite dizer isso. É um grande enredo. E vamos para as cabeças. Estamos pensando em campeonato. “Foi muito bom o intercâmbio cultural entre o Rio de Janeiro, de Caxias, Grande Rio e Belém do Pará. As escolas de samba de Belém do Pará são escolas de samba fortes, grandes compositores, isso foi bom para o Belém do Pará, para as escolas de samba, foi bom para o Grande Rio e é bom para o samba. A Grande Rio não tem dia de desfile, ela desfila em domingo, segunda-feira, e a terça-feira é só mais um dia, a Grande Rio vai passar de um jeito bonito, lindo e maravilhoso”, garantiu.
Presidente da Grande Rio, Milton Perácio
A dupla de carnavalescos da Grande Rio, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, conversou com o CARNAVALESCO sobre o enredo de 2025 e o que esperar do desfile da escola no ano que vem.
“Quando há liberdade criativa, e no nosso caso foi uma liberdade criativa total. Isso foi negociado já de início, tudo se torna muito rico, muito vivo porque não há nenhum tipo de intromissão, de dirigismo, a escola confiou plenamente no nosso trabalho como a gente confia na administração da escola, havendo esse acordo mútuo eu acredito que os frutos da desse processo já estão sendo vistos. Uma safra de samba muito expressiva, um enredo que apresenta um olhar muito diferente, muito especial, que definitivamente não cai naquela redução que as pessoas fazem, do tal enredo CEP, a gente jamais faria isso, não nos interessa enquanto artista, não interessa pra Grande Rio nesse momento. É um enredo de muita energia, é um enredo muito sensível”, garantiu Bora.
Carnavalescos da Grande Rio, Gabriel Haddad e Leonardo Bora
“A diretoria dá uma liberdade muito grande para gente trabalhar e é tudo na base da conversa. A gente dialoga muito bem. Quando chegou a possibilidade de patrocínio do Pará a gente pediu um tempo pra que a pudesse organizar as ideias, de tentar ver que que a gente conseguiria fazer de diferente, algo diferenciado, pra gente não era interessante pra eu acho que nem pra eles também se fosse um cep tradicional como a gente viu passar lá atrás, então é muito bom para gente observar essa relação que a gente conseguiu desenvolver também com a Secretaria de Cultura do Estado do Pará. A gente conversou com muita gente. Acho que o fio condutor da nossa história vai passar pelas princesas, que também já era um enredo que a gente vinha pensando. A gente conseguiu unificar tudo, nada mais é do que o diálogo”, contou Gabriel Haddad.
Comandante da bateria da Grande Rio, mestre Fafá citou o que esperar do desfile em 2025. “Muita alegria, muita cadência. A gente vem com tudo mais um ano, mantendo nossa pegada. Nosso objetivo, mais uma vez, é garantir os 40 pontos. A fantasia será extremamente leve e agradável, o que é importante para a nossa performance. Estamos estudando bastante, pesquisando o carimbó, o tambor de mina, que fazem parte do nosso enredo. Pode ter certeza de que o Pará estará bem representado na nossa bateria”.
Mestre Fafá
O intérprete Evandro Malandro também falou ao CARNAVALESCO sobre a expectativa para o desfile de 2025 da Grande Rio.
“Pode esperar uma Grande Rio muito bonita na Sapucaí, muito bem preparada, muito focada, com muita responsabilidade, muito trabalho, mas também com muita alegria. Vai ter muito cheiro de patchouli, independente de qualquer samba, porque isso é Belém do Pará, isso é muito bonito. Essa interação dos compositores do Rio de Janeiro com os compositores do Pará está preparando um trabalho muito bacana. Alegria, emoção, tem que ter valentia, mas sem perder a beleza, sem perder a melodia, que é algo que a gente gosta de trabalhar bastante. Não forçar o andamento, não correr, mas também não arrastar. Acho que, se der tudo certo, vamos trabalhar bem o samba, que tem tudo o que precisamos”.
Intérprete Evandro Malandro
Responsáveis pela comissão de frente da Grande Rio, os coreógrafos Hélio e Beth Bejani, vencedores do ESTRELA DO CARNAVAL 2024, contaram ao CARNAVALESCO como está o trabalho para o desfile do ano que vem.
“Nós estamos tentando trazer também uma nova estruturação da comissão de frente, para não ficar aquela mesmice de sempre. A gente está buscando um caminho diferenciado mais contemporâneo, falando em termos da atualidade, da modernidade que a gente vive. Vamos trabalhar muito com o lúdico em conjunto com a realidade. A gente começa a desenvolver a comissão a partir do enredo, até porque o nosso trabalho prioriza essa situação de a gente apresentar uma síntese do enredo na comissão de frente, para já tentar que o público se interesse pelo que vem depois. A gente acredita que o principal efeito da nossa produção são os componentes. São eles que trazem o nosso trabalho, que representam e trazem para a avenida o que a gente desenvolveu”, afirmou Hélio Bejani.
Coreógrafos Hélio e Beth Bejani
“São muitas questões lindas do Pará, da história, das lendas, do tambor de mina. A gente está navegando nesse rio de encantarias e vamos fazer um grande carnaval. A gente já está com o projeto praticamente pronto, acho que cada ano é um ano, mas toda essa energia desse enredo está dando um gás a mais a gente. Todo esse universo do tambor de mina está trazendo para a gente uma mistura, um misto de muita encantaria. A gente está muito feliz com o enredo e com o que a gente está desenvolvendo. Até porque a comissão de frente é mutante, a gente começa o projeto e ela vai se transformando. Seguimos com a força do nosso chão, com a força dos nossos componentes, do nosso elenco. A gente confia muito neles. Eles estão com a gente há muito tempo e nosso efeito especial são eles. Sobre a iluminação da Sapucaí, ela veio para ficar. Eu acho que todas as escolas agora estão usando e abusando da iluminação”, comentou Beth Bejani.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Grande Rio, Daniel e Taciana, conversou com o CARNAVALESCO sobre o desfile de 2025, mais uma cabine de julgamento e a fantasia para o ano que vem.
Mestre-sala Daniel
“Olha, com certeza, a cada ano é uma proposta diferente. Com esse enredo, falando sobre o Pará, sobre as encantarias, o próprio carimbó, que é uma dança cultural regional deles, vamos entregar um pouco do carimbó também na avenida. Sobre ter mais uma cabine de julgamento, para a gente é tranquilo, conseguimos tirar de letra. Claro que exige uma preparação maior, porque agora são quatro cabines em vez de três, mas a gente dá conta. Depois que o samba é definido, a gente já começa a pensar na coreografia, tanto para a quadra quanto para a avenida. Esperem algo impactante nas nossas fantasias, algo que ainda não teve na Marquês de Sapucaí, e espero que a galera curta bastante”, comentou o mestre-sala.
Porta-bandeira Taciana
“A escola está muito feliz, muito animada com o samba. Tivemos uma safra muito boa. A Grande Rio está muito bem representada. A Grande Rio é uma comunidade que abraça qualquer samba que for escolhido, e agora não será diferente. É um enredo muito bonito, muito lindo, desenvolvido pelos nossos carnavalescos. Podem esperar uma Grande Rio linda dentro das águas. Estamos trazendo Catarina, tambor de mina, carimbó e tudo o que tem lá no Pará. Sobre mais uma cabine de julgamento, vai exigir um pouco mais de preparação física, sem dúvida. Mas como a gente não corre de trabalho, já estamos calculando tudo direitinho. Já começamos a trabalhar com um preparador físico e com a nossa coreógrafa, e tenho certeza de que vai dar tudo certo, com fé em Deus. Ainda não conheci a fantasia porque ela está na fase de teste. Estamos trabalhando para trazer algo bacana para a avenida. Se não me engano, na quarta-feira vamos conhecer a fantasia e, logo logo, teremos novidades para contar. Mas sempre gosto de guardar um segredinho para vocês verem só na avenida”, disse a porta-bandeira.
Como passaram os sambas na final da Grande Rio
Parceria de Diogo Nogueira: A parceria liderada por Diogo Nogueira foi a primeira a se apresentar nesta final, e trouxe um samba repleto de referências culturais. Composto por Diogo Nogueira, Myngal, Inácio Rios, Federal e Igor Leal, o samba foi interpretado com grande entusiasmo por Evandro Malandro durante as duas primeiras passadas, no restante os próprios compositores conduziram a obra.
A apresentação teve um início forte, a resposta da torcida foi imediata e calorosa, com muitos balançando bandeiras e cantando junto, o que ajudou a criar uma atmosfera positiva na quadra. A parceria ainda utilizou de vários elementos de pirotecnia para chamar atenção do público durante a passagem. O refrão principal, “Chama Verequete… oh Verê”, foi um dos pontos altos, com a torcida respondendo bem. Apesar de todos esses elementos positivos, o samba não causou um grande impacto na apresentação. Embora bem executado, o resultado não conseguiu empolgar completamente o público presente.
Parceria de Dere: A parceria composta por Dere, Licinho Santos, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro e Eduardo Queiroz foi a segunda a se apresentar na disputa final, trazendo um samba bem estruturado e com uma letra que reflete o enredo com clareza. A interpretação ficou a cargo de Evandro Malandro nas primeiras duas passadas e em seguida somente com Tem-Tem Jr, que conduziu a obra com muita competência, imprimindo a energia necessária para transmitir a mensagem do samba.
Desde o início, o samba conseguiu envolver o público com versos “A verdade é uma colcha de retalhos desfiada” e “Quem quiser ver Mariana vai na espuma do mar”. A torcida, apesar de pequena respondeu bem, cantando junto e agitando bandeiras, o que trouxe uma boa dose de entusiasmo para a apresentação. Os versos que antecedem o refrão principal, “Ererê erê arêá, a doutrina que me rege baila na preamar”, teve um bom impacto e conseguiu captar a atenção da comunidade. O desempenho da parceria foi positivo, mantendo um bom nível de rendimento durante toda a apresentação.
Parceria da Deixa Falar: A parceria formada por Mestre Damasceno, Ailson Picanço, Davison Jaime, Tay Coelho e Marcelo Moraes se destacou na seletiva do Pará com um samba que conquistou a comunidade caxiense e rapidamente caiu no gosto popular. Com a interpretação marcante de Fábio Moreno, o samba trouxe a força e a autenticidade da cultura paraense para a disputa da Grande Rio, gerando grande expectativa para a final.
A expectativa se confirmou e desde o início, a apresentação foi marcada por uma energia contagiante, com a torcida respondendo de maneira intensa e vibrante antes mesmo do início oficial. A letra, que começa com o refrão “A mina é cocoriô! Feitiçaria parauara”, imediatamente chamou a atenção pelo uso de expressões regionais que exaltam a riqueza cultural do Pará. A conexão com o público foi evidente, com bandeiras tremulando, e muitos presentes entoando o samba junto com a equipe de som. A riqueza poética e a melodia cativante fizeram desse samba um dos grandes destaques da noite. A estrofe “Se a Boiúna se agita… é banzeiro! Banzeiro!” ecoou pela quadra, deixando clara a força da obra e a adesão do público, que respondeu com empolgação durante toda a apresentação.
O desempenho da parceria foi excelente, conseguindo manter a intensidade do início ao fim. A apresentação foi bem conduzida, com Fábio Moreno imprimindo força e emoção em cada verso, o que ajudou a elevar ainda mais o nível do samba. Foi uma verdadeira catarse, com gritos de “é campeão” no final.
Parceria de Elias Bililico: A parceria dos compositores Elias Bililico, Xande de Pilares, Malfredini Henrique, Edinho Gomes e Sérgio Gomes foi a quarta a se apresentar nesta final. O intérprete Nino do Milênio deu vida à obra, explorando bem os contrastes entre as partes mais suaves e os momentos de explosão. Apesar da performance consistente de Nino, a resposta da quadra variou ao longo da apresentação, talvez ainda impactados com a apresentação anterior, parte do público dispersou em alguns momentos.
Os versos iniciais da segunda parte, “Ê Marajó… Jureme… Juremá”, eram interessantes e preparou o terreno para o ápice do samba. A transição para os versos finais, “Grande Rio… deságua meu coração/Navegando, no toque do curimbó”, foi um dos pontos altos da apresentação. No entanto, não foi o suficiente para uma apresentação que conseguisse causar comoção.
Parceria da Bole Bole: A parceria formada por Vetinho, Felipe Silva e Danilo Vetinho foi mais uma vinda da seletiva paraense. Com Bruno Costa como intérprete, a obra foi apresentada com força e energia e contou com uma torcida engajada, mas encontrou dificuldades para engajar plenamente a quadra.
O samba tem momentos poéticos e fortes, como nos verso “Banzereou, Vodum, banzereou. A obra também apresentou bons momentos principalmente no refrão “Onirê, chama Averê, ê donindá”, que conseguiu resgatar a energia e a participação da quadra. No geral, foi uma apresentação correta, que contou com muita emoção, a energia vinda do do palco foi fundamental para uma boa passagem, porém, não o suficiente para que contagiasse por completo o público presente.