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Samba tem alto rendimento, Em Cima Da Hora apresenta bom conjunto de fantasias, mas peca em evolução

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A Em Cima da Hora teve um começo muito impressionante. Esteticamente, com comissão, casal, primeira ala e abre-alas bem alinhados na parte plástica, a escola prometia bastante. A ótima apresentação de Márcio Moura ajudou também e o samba colocou fogo na Sapucaí. Parecia que viria um desfile histórico para a escola, que já passou inclusive pelo Grupo Especial há muitos anos. Porém, problemas na pista e no que vinha depois acabaram atrapalhando o desfile. Após dificuldades com a entrada da segunda alegoria, a escola abriu buraco no primeiro módulo, ficou muito tempo parada e teve que correr do meio para o final. Na entrada da bateria no segundo recuo, também houve problemas de buraco na pista. O samba foi a grande estrela da noite; este se manteve forte o tempo todo, com ótima resposta do público.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Com o tempo de 55 minutos, a Em Cima da Hora, segunda escola a pisar na Sapucaí na segunda noite de desfiles da Série Ouro, levou para a Sapucaí o enredo “Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras”.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Márcio Moura, a comissão representou uma espécie de embate entre homens e mulheres, a partir das relações humanas e das forças que atravessam o indivíduo. Em seus movimentos era sugestiva a instabilidade, tensão e deslocamento, num ambiente em transformação. Os figurinos representavam, em parte do ato, homens e mulheres comuns, com essa tensão em que os homens parecem querer dominar as mulheres e fazê-las submissas.

Na apresentação nos módulos, com ajuda do tripé, o cenário se transporta para um cemitério, onde aparecem as figuras de pombagiras, cada uma com sua indumentária própria, seus signos em cores, formas e objetos. Entre elas, a Rainha das Sete Catacumbas aparece na parte maior do elemento cenográfico, toda de preto, com efeitos de fogo, representando sua proteção e poder, que conseguem estabilizar a situação quando os homens são jogados para dentro da tumba, no momento em que um pedaço da lápide se abre. Exu se faz presente, garantindo que todos os caminhos se abram, conduzindo a todos ali. As mulheres voltam e dançam com as pombagiras em coreografias bem marcadas e bem à vontade com o samba.

Capa Comissao ECDH
Elemento Alegórico da Comissão de Frente da Em Cima da Hora. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Trabalho muito bom de Márcio Moura, um dos seus melhores, comissão com dança, história, dentro do enredo e com um clímax leve e de fácil entendimento. A indumentária do início, se não chamava tanta atenção, estava bem relacionada com a proposta, e o cuidado de reproduzir a roupa original das entidades foi outro ponto positivo. O trabalho de expressão dos bailarinos também foi perfeito; pareciam incorporados.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Marlon Flores e Winnie Lopes, veio com a fantasia “Os Reis da Encruza”, toda em tom de vermelho muito forte. Ele fazendo alusão ao Rei das Sete Encruzilhadas, entidade de respeito máximo entre as falanges de Exu. Ela representando a Rainha das Sete Encruzilhadas, senhora das ruas, de sensata justiça, ornada em pedras, penas e brocados. Fantasia belíssima e bem trabalhada, que ornava inclusive com a paleta de cores da cabeça da escola.

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Na coreografia, a dupla buscou mesclar o bailado mais clássico de casal de mestre-sala e porta-bandeira com alguns passos de dança de matriz africana, como no trecho do samba que falava “Em cada esquina meu povo vai incorporar”. Apesar de uma performance que não apresentou problemas aparentes com o pavilhão, faltou ao casal mais de intensidade na dança, até para estar em consonância com o samba que pulsava. A dupla fez bem seus giros e rodopios com correção, mas poderia ter apresentado maior energia. Um samba tão rico sugeria mais algumas inserções das danças de religião de matriz africana, mas, nesse sentido, vai da característica do casal.

ENREDO

O carnavalesco Rodrigo Almeida trouxe para a Sapucaí uma homenagem às Pombagiras, com foco na emancipação feminina, na resistência e no poder das mulheres. O primeiro setor narrou a chegada das Pombagiras, principalmente Maria Padilha, ao seu castelo em Sevilha, na Espanha. Nesse setor, a Pombagira foi tratada como rainha em terra, viva. Em seguida, a escola apresentou o imaginário coletivo dessas mulheres: a Bruxa de Évora, Joana d’Arc, entre outras figuras femininas poderosas da história.

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No segundo setor, propriamente dito, a Em Cima da Hora mostrou onde esses espíritos foram cultuados: o Batuque no Rio Grande do Sul, a Umbanda, o Catimbó, a Jurema, até chegar à Quitanda, onde ela se consagra rainha espiritual. No último setor, a agremiação ofereceu presentes às Pombagiras, encerrando também com um grito contra a intolerância religiosa, desmistificando histórias e ressignificando imagens. Um enredo bem popular e necessário, principalmente se tratando de uma festa como o carnaval, assentada na religiosidade afro-brasileira. Início e final com uma mensagem muito clara de empoderamento feminino e, durante o percurso da escola, a apresentação da entidade e suas características. Enredo bem apresentado.

EVOLUÇÃO

A escola começava o seu desfile com um ritmo muito bom, na levada do samba, com garra, dançando e curtindo. Mas, devido a problemas com a segunda alegoria, que demorou a entrar na Sapucaí e, na pista, teve problemas de movimentação, com deslocamento muito lento, isso afetou o ritmo da escola, que ficou muito tempo parada entre a apresentação da comissão e do casal no segundo módulo.

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Além disso, no primeiro módulo de julgamento, abriu um buraco entre a segunda alegoria, a musa e a ala da frente, que evoluíram enquanto o carro passava por problemas de movimentação. Depois, quando a escola conseguiu resolver a situação da alegoria, começou a evoluir muito mais rápido a fim de compensar o tempo perdido. Além de uma evolução menos espontânea do meio para o final, com os componentes das últimas alas tendo pouca chance de aproveitar o carnaval, a escola ainda teve outro problema quando a bateria entrou no segundo recuo. Após os ritmistas entrarem, a ala da frente já havia avançado e a ala logo atrás da “Sintonia de Cavalcanti” demorou a evoluir, apresentando mais um buraco em um lugar bem visado pelo jurado do terceiro módulo, onde está a cabine dupla. O quesito deve fazer a escola perder alguns décimos.

HARMONIA

Igor Pitta e Carlos Junior aproveitaram bem o excelente samba da Em Cima da Hora, desde o início com os pontos que abriram o desfile e fizeram o alusivo para o samba. É muito positivo ver o domínio que Pitta já tem da Sapucaí; não é à toa que foi elogiado por Neguinho há um tempo, sendo colocado pela lenda do samba como seu possível sucessor.

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A presença das vozes femininas no carro de som também abrilhantou a apresentação, fazendo as entradas nos momentos em que a obra mais pedia e deixando também os momentos em que os intérpretes tinham que conduzir. Já o canto da comunidade foi mais irregular, devido aos problemas que a escola teve na pista. No início e até o meio do desfile o canto estava muito forte, porém, na parte final, já com a escola evoluindo de forma mais rápida para compensar os problemas e não estourar o tempo, a intensidade do canto diminuiu consideravelmente.

SAMBA-ENREDO

A obra foi composta por Marcota de Cavalcante, Serginho Aguiar, Gabriel Simões, Alexandre Reis, Marcio de Deus, Silvio Romai, Raphael Gravino, Camila Lucio, Gigi da Estiva, Jorginho da Flor, Mateus Pranto, Caio Rodrigo, Gabrielzinho e Orlando Ambrózio. Uma das melhores obras da Série Ouro, samba popular, carregado de referências das religiões de matriz africana, com refrões fortes e de muita vibração, que convidam não só a cantar, como também a dançar e mexer o corpo.

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O refrão “Abre a roda” era, sem dúvida, o ponto mais alto. Quando os intérpretes perceberam que ele já havia ganhado a Sapucaí, inclusive, deixavam só para o povo o verso final “Porque a Dona da Casa Chegou”. Refrão do meio também com ótimo rendimento e, na verdade, uma apresentação de muita interação com a Sapucaí. Um dos melhores do grupo e que passou na Avenida com mais força.

FANTASIAS

A primeira ala, “Estende um tapete de rosas para ela passar”, que trazia uma evocação às pombagiras, ornando o vermelho e preto com o dourado, já dava o tom de um bonito conjunto estético para os figurinos. No segundo setor, a Em Cima da Hora começou a trazer um pouco mais de colorido, como a ala das baianas, “Rainha de Todas as Bandas”, representando as baianas como princípio do samba, mães e geradoras que detêm o conhecimento. A saia, bem colorida, ia dos tons mais quentes para os mais frios.

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Outra ala, “Na boca de quem não presta ela é vagabunda”, que cruzava a ideia de uma pombagira cortesã em contraste com a sensibilidade, relacionou o branco com tons mais sutis de rosa. Muito caprichada, a fantasia ainda tinha maquiagem. E, na parte final, destaque ainda para a fantasia “Ouro que te enfeita”, toda em dourado, com a saia vazada. Muito bem feita. No geral, um trabalho primoroso do carnavalesco Rodrigo Almeida. Fantasias bem acabadas, com uso de materiais de ótima qualidade e paleta de cores ornando muito bem com cada momento do desfile.

ALEGORIAS

Rodrigo Almeida levou para o desfile da Em Cima da Hora três alegorias. O abre-alas, de alta qualidade plástica, representou o poder e a realeza de uma Pombagira, seu lugar como Dona, Senhora e Rainha. O carro trouxe uma grande carruagem guiada por cavalos imponentes, símbolo notável de poder, valentia e coragem. Em sua parte central, a alegoria tinha uma grande escultura de Maria Padilha, imprimindo ainda um cenário de autoridade, realeza e feminilidade.

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A segunda alegoria, “O Reino da Quimbanda”, fez referência ao universo da Quimbanda ou Kimbanda, cujas raízes ancestrais estão ligadas ao culto Bantu (Angola), focado nos cultos de Exus e Pombagiras. Os signos mais populares da Quimbanda estavam presentes nesta alegoria, que vinha introduzida por dois semidestaques representando Belzebu. Um cenário repleto de velas pretas e vermelhas e chamas de fogo personificadas por composições; por todo o carro alegórico se viam oferendas, fazendo dele um altar. Ornando o carro, ainda estavam destaques e outras composições que acrescentavam a sensação mística do lugar e do universo da Quimbanda.

O último carro, “Ela é Resistência Contra a Intolerância”, encerrou o desfile como um templo contra a intolerância. Nesta alegoria vieram diversas autoridades espirituais. No centro do carro, no alto, foi encenado um ataque de intolerantes a um terreiro. Sua principal escultura fez direta referência ao tema do enredo e seu entrelaçamento com as Marias de todas as denominações, através da releitura da figura da Pietà, que em seu colo protege e acolhe essa mãe de santo que vê destruído seu local sagrado. Apesar de um início arrebatador pelo ótimo trabalho no primeiro carro, houve uma queda de apuro estético do abre-alas para as demais alegorias. Inclusive porque, nos dois carros seguintes, havia várias composições no alto sem fantasia, o que comprometeu também a qualidade plástica das alegorias. No geral, um conjunto irregular.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Marianne Hipólito, representou a Pombagira menina com sua fantasia. A bateria “Sintonia de Cavalcanti”, comandada por mestre Leo Capoeira, veio vestida em homenagem ao Tranca-Rua das Almas, com calça, camisa e cartola, acompanhados de uma capa em tons de branco e preto. Os passistas vieram com a fantasia “No feitiço do catimbó”, retratando o cruzamento das linhas espirituais onde a Pombagira atua, possuindo um imponente costeiro, como asas.

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No esquenta, a escola cantou o clássico “Os Sertões”, samba de 1976, recebendo uma boa resposta do público. No alusivo, a escola cantou os pontos “Sino da Igrejinha”, “É uma casa de pombo” e “Arreda homem”, entre outros cantos para saudação de pombagiras.

Em Cima da Hora finaliza desfile com protesto contra a intolerância religiosa

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A última alegoria da Em Cima da Hora trouxe um manifesto contra a intolerância religiosa. A escola do bairro de Cavalcanti foi a segunda a desfilar neste sábado de Carnaval e levou para a Avenida o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagira!”, idealizado pelo carnavalesco Rodrigo Almeida, em homenagem às Pombagiras, entidade que representa a força e o poder feminino.

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Ultima alegoria da Em Cima da Hora
Última alegoria da Em Cima da Hora
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

No carro alegórico, há uma releitura da obra “Pietà”, de Michelangelo. Na versão original, a Virgem Maria segura o corpo de Jesus. Na leitura feita pela agremiação, a Pombagira assume o papel de mãe que protege e acolhe os seus, enfatiza o papel da entidade nas religiões afro-brasileiras e desconstrói a visão preconceituosa.

Paulo Cesar de 57 anos desfila na agremiacao ha 8 anos
Paulo César, de 57 anos, desfila na agremiação há 8 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Paulo César, de 57 anos, desfila na agremiação há 8 anos. Neste ano, veio na alegoria para representar o mensageiro da paz. Para ele, estar nesse papel é maravilhoso, já que Oxalá é o seu Orixá de cabeça. Paulo defendeu o combate ao preconceito religioso e afirmou a importância da escola abordar esse tema.

“É racismo, é guerra, é intolerância religiosa. Tem que acabar! A gente precisa de paz, a violência está muito grande. Eu estou trazendo até uma pomba da paz na roupa”, enfatizou Paulo.

O pai de santo e advogado Fernando de Oxossi de 50 anos
O pai de santo e advogado Fernando de Oxóssi, de 50 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O pai de santo e advogado Fernando de Oxóssi, de 50 anos, foi convidado pelo carnavalesco para integrar à terceira alegoria por ser parte da Comissão de Combate à Intolerância religiosa da OAB do Rio de Janeiro. Para ele, o carro transmite o respeito a todas as religiões.

“Tem que ser bastante elevado, porque cada vez mais o que está acontecendo é intolerância religiosa na cidade. Os terreiros sendo atacados, primordialmente, pela criminalidade”, pontuou Fernando.

A professora Tatiane dos Santos de 41 anos
A professora Tatiane dos Santos, de 41 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A professora Tatiane dos Santos, de 41 anos, desfila na Em Cima da Hora há 11 anos e já passou por diversos postos na agremiação. Ela interpreta a alegoria como uma forma de reafirmar a ancestralidade do povo preto.

“Se buscar a história do Carnaval, dá para ver que ele começou nos terreiros, começou com o povo preto. É uma forma de combater a intolerância religiosa. É mostrar para a população que o Carnaval vem disso. O carnaval é a nossa cultura, é ancestralidade, é a representação do nosso povo”, comentou Tatiane.

O tecnico de enfermagem Joao Victor Proenca de 24 anos
O técnico de enfermagem João Victor Proença, de 24 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O técnico de enfermagem João Victor Proença, de 24 anos, desfila na escola há dois anos. João diz que sente uma energia diferente com o enredo por se tratar de uma homenagem aos seus ancestrais.

“Eu acho que o carnaval, em si, já é festa do pobre, do preto, do macumbeiro, do favelado. É a forma de nós, que somos minoria, mostrar a nossa força. Mostrar que a minoria, na verdade, não é minoria, e sim maioria”, disse João Victor.

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A mãe de santo e agente funerária, Viviane Rosa, de 42 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A mãe de santo e agente funerária, Viviane Rosa, de 42 anos, está em seu primeiro desfile pela Em Cima da Hora. Para ela, a escola mostra e esclarece a religião para o mundo. Viviane acredita que é uma mensagem para os políticos promoverem mais campanhas contra o preconceito religioso e motivar a união entre as religiões.

“É uma forma de você esclarecer a religião, de poder mostrar para o mundo, porque não está mostrando só para o Rio de Janeiro. Está mostrando para vários países a cultura afrodescendente e afro-brasileira”, declarou Viviane.

Arranco 2026: Galeria de fotos do desfile

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Entre o impacto visual e o canto irregular, Botafogo faz desfile de contrastes

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Abrir a noite na Sapucaí é assumir o peso da primeira impressão. A Botafogo Samba Clube, em seu segundo ano na Avenida, encarou a responsabilidade com um desfile plasticamente exuberante e uma comissão de frente surpreendente. Com o enredo “O Brasil que floresceu em arte”, de autoria dos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel, a escola alvinegra apresentou uma homenagem ao paisagista, autor da clássica calçada da Avenida Atlântica, em Copacabana.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, intitulada “A arte que nasce da terra”, coreografada por João Pedro, contou com 15 componentes, vestidos de jardineiros, guardiões do bioma e um pivô representando Roberto Burle Marx. A comissão vestia figurinos predominantemente verdes, exceto o pivô.

A dança foi muito bem executada nos três módulos. O tripé, intitulado “Jardim do Mundo”, representou um jardim que se abria simbolicamente ao mundo, fazendo referência à projeção internacional da obra de Roberto Burle Marx e à valorização da flora brasileira em seus projetos. A bromélia no topo do tripé se abria, e um globo terrestre ganhava destaque.

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No primeiro módulo, um guardião do bioma deixou o chapéu cair, pequeno deslize que não comprometeu a leitura da coreografia, mas pode ser observado com rigor pela cabine. Nos demais módulos, a comissão passou sem nenhuma adversidade.

Em suma, foi uma apresentação segura, coesa e visualmente impactante. Era notável o empenho no figurino, na coreografia e na elaboração do tripé.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Com a fantasia chamada “Arte abstrata de Burle Marx”, o casal Diego Moreira e Beatriz de Paula teve uma dança ousada, mas algumas intercorrências podem comprometer a pontuação.

Com uma belíssima fantasia preta, mas muito colorida, brilhante e bem-feita, Diego representou o pintor, simbolizando Roberto Burle Marx e sua produção abstrata. Sua indumentária fez referência à formação europeia do artista e ao diálogo estético que influenciou sua trajetória inicial. Beatriz também representou a arte abstrata presente na obra do homenageado. Sua fantasia apresentou cores e formas inspiradas nas experimentações visuais desenvolvidas pelo artista ao longo de sua carreira.

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No primeiro módulo, ambos apresentavam leve nervosismo, que logo foi dissipado. Passaram pelo segundo módulo sem problema algum, executando com maestria a dança.

No terceiro módulo, além da espera causada pela saída tardia da comissão de frente, o vento interferiu diretamente na apresentação. Mesmo com o pavilhão molhado para dar peso ao tecido, a bandeira acabou enrolando, um erro visível que pode impactar a avaliação técnica do casal.

ENREDO

A Botafogo Samba Clube apresentou na avenida o enredo “O Brasil que floresceu em arte”, em homenagem a Roberto Burle Marx, artista reconhecido por transformar o paisagismo em expressão estética e identidade nacional. Formado no ambiente modernista, iniciou sua trajetória na pintura, desenvolvendo traços e composições que já evidenciavam referências tropicais. Ao se distanciar de padrões europeus, consolidou uma linguagem própria, marcada por curvas, geometrias e pela valorização da vegetação nativa.

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Dividida em quatro setores, a narrativa percorreu a transição do pintor ao paisagista, do suporte da tela ao espaço do jardim. Em expedições realizadas por biomas como Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa, o artista pesquisou espécies nativas e ampliou seu uso em projetos paisagísticos. Seus trabalhos passaram a integrar arte, ciência e preservação ambiental, antecipando debates que posteriormente ganhariam maior projeção pública.

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Ao abordar sua trajetória, a escola ressaltou a contribuição de Burle Marx para a cultura e para o pensamento ambiental brasileiro.

EVOLUÇÃO

A escola cruzou a linha final com 54 minutos, administrando o tempo no limite. Houve momentos de leve estagnação, especialmente na espera do casal pelo terceiro módulo, mas nada que comprometesse a fluidez geral do cortejo.

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Ala 18 da Botafogo Samba Clube
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Faltou também um pouco de ânimo aos componentes, que pouco evoluíram durante o desfile.

ALEGORIAS E ADEREÇOS

Todas as alegorias da Botafogo apresentaram um apuro estético impressionante. Com acabamento sem nenhuma avaria, a escola desfilou plasticamente impecável.

A primeira alegoria, “O jardim que floresceu no imaginário”, apresentou a consolidação de uma linguagem modernista no paisagismo brasileiro, inspirada na obra de Roberto Burle Marx, com cores intensas e a valorização da flora nacional.

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Abre-Alas da Botafogo Samba Clube. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

No segundo carro, as iguanas que se movimentavam demonstravam primor visual. A alegoria representou o Brasil descoberto pelo olhar do artista, com as expedições realizadas por Burle Marx pelos diferentes biomas brasileiros, evidenciando a diversidade de formas, cores e texturas que influenciaram sua produção paisagística.

Na última alegoria, um laboratório botânico e artístico retratou o espaço de pesquisa e experimentação mantido pelo artista em sua residência, onde desenvolveu estudos sobre espécies nativas, composições paisagísticas e combinações cromáticas.

FANTASIAS

De mãos dadas com o enredo, as fantasias traduziam a narrativa com muita didática. O IPHAN, o calçadão de Copacabana, as flores, a Unesco etc. são elementos da vida artística de Roberto e estavam refletidos nas fantasias.

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As fantasias dialogaram com o enredo de forma didática e elegante, sem problemas de acabamento ou leitura.

HARMONIA

O grande intérprete Nêgo, em mais uma noite de gala, conduziu o samba com imenso conforto e empenho, fazendo com que a escola cantasse relativamente bem. No entanto, após a passagem pelo terceiro módulo, o canto perdeu intensidade, especialmente nas alas finais. Embora o samba fosse conhecido, faltou vigor para transformar o bom desempenho em imposição sonora.

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Em suma, o canto da comunidade foi bom, mas poderia ser melhor. Eles sabiam o samba e poderiam ter cantado com mais vigor para marcar o território da comunidade na Série Ouro.

SAMBA

O samba-enredo foi assinado por Diego Nicolau, Samir Trindade, Marcelo Adnet, Fabrício Senna, Binho Simões, Maurício da Pizzaria, Gabriel Machado, Gilsinho da Vila, Rodrigo Escócia, Cláudio Emiliano, Edu Botafogo, Liane Harmonia, Denis Moraes, Tange Botafogo, Juca, Laura Romero, Piter Fogoró e Pinóquio do Cavaco.

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A letra é didática e foi a trilha sonora perfeita para o desfile que a escola apresentou na avenida. O refrão “Vamos semear o bem como o Mestre ensinou / Entreguei meu alvinegro pra você encher de cor / O amor floresceu nesse lindo jardim / História que não vai ter fim”, da maneira com a qual o carro de som cantou, cadenciava o andamento do samba e levantava a escola na avenida.

OUTROS DESTAQUES

A ala das crianças, “Guardiã da Biodiversidade”, estava vestida de joaninha, exalando ternura na avenida.

E, destacando novamente, o conjunto alegórico da escola merece todos os louros pelo que apresentou.

Comissão de Frente e Alegorias impactantes marcam desfile do Império de Casa Verde

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O Império de Casa Verde abriu, no último sábado, o segundo dia de desfiles do Grupo Especial em São Paulo. No Carnaval de 2026, a escola fez uma apresentação marcada pelo impacto inicial da comissão de frente e pelo imponente conjunto alegórico, com o cortejo sendo encerrado após 62 minutos. O Tigre Guerreiro desfilou com o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barbosa.

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É preciso aplaudir a iniciativa de celebrar a conquista das mulheres negras que lutaram por sua liberdade de forma inteligente e criativa. A proposta do desfile foi de levantar o público com um desfile leve e alegre, e inicialmente a escola estava obtendo grande êxito. Mas o excesso volumétrico das fantasias atrapalhou o próprio esforço da comunidade imperiana de fazer a sua parte, e é algo que fica como reflexão para o futuro. O luxo das alegorias é uma marca que o Império nunca deve deixar de ter, faz parte de sua identidade, mas a pista é lugar de brincar o Carnaval, e os componentes precisam ter melhores condições de fazer isso.

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COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Sérgio Cardoso, a comissão de frente do Império representou na Avenida “Dona Fulô e o sonho de liberdade”. O quesito contou com um elemento alegórico imponente, no qual, do alto do tablado, uma personagem interpreta a narradora do enredo, e em cada parte o grupo cênico mudava. Analisando as duas passagens do samba em que o quesito performa, percebeu-se que no primeiro ato havia uma interação entre atores com vestes compostas por correntes interagindo em pares com outros vestidos com um tipo de chama. A protagonista parecia sofrer na alegoria enquanto isso, até que surge uma segunda mulher, com roupas parecidas, mas mais rústicas, interage com ela e desce ao chão. O elenco muda, e essa mulher, sorridente e com um cesto cheio de vegetais, passa a interagir com mulheres cobertas por ouro.

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A conclusão obtida é que a segunda mulher que surge é a própria Dona Fulô, mas em sua versão “do mundo dos sonhos”, que encontra a liberdade graças ao ganho e passa a aproveitar a vida feliz. Se foi isso mesmo que o quesito quis representar, a ideia foi maravilhosa e funcionou muito bem na Avenida. Um dos principais destaques do desfile imperiano.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Estreando como guardiões do pavilhão oficial do Tigre Guerreiro, o casal formado por Patrick Vicente e Sofia Nascimento desfilou com fantasias representando “Joias em fios de contas de ouro”. Definitivamente não sentiram o peso de defender o manto imperiano. A dança foi sublime, com elementos originais de finalização de movimentos obrigatórios, e o talento do mestre ao manipular o cetro nas mãos enquanto performava é admirável. Ventou em demasia durante o desfile, mas em todos os quatro módulos a porta-bandeira foi valente e desempenhou muito bem.

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ENREDO

“Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras” é um enredo que celebra o empoderamento e a ancestralidade das mulheres escravizadas no século XVIII. Em busca de comprar a própria liberdade, as chamadas ganhadeiras precisavam ser criativas para angariar os fundos necessários. A narrativa ocorre sob a perspectiva de Dona Fulô, uma das primeiras a obter o ganho através da venda de joias.

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Apesar de abordar os desafios enfrentados pelas vítimas do sequestro praticado pelos europeus na chamada diáspora africana, o enredo deixa essa parte em segundo plano para irradiar leveza e mostrar a forma como o ganho era obtido. A temática lembrou muito o desfile campeão da Unidos do Viradouro, ocorrido no Carnaval do Rio de Janeiro em 2020, mas mostrando uma outra forma de se obter a alforria. Na Avenida, a leitura do enredo foi muito fácil, tornando a apresentação especialmente cultural e didática dentro da combinação entre conjunto visual e musical.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias do Império complementou a narrativa das alegorias ao trazer elementos necessários para a compreensão da narrativa de cada carro. É uma forma de enriquecer a narrativa dos principais elementos visuais, e que funciona positivamente para a compreensão do desfile até para os mais leigos. Visualmente belas, as vestimentas impactaram positivamente na impressão transmitida de uma escola luxuosa e imponente. Na Avenida, porém, notou-se que as fantasias em diversas alas eram muito volumosas e pesadas, dificultando aos componentes brincarem o Carnaval e reduzindo o andamento do samba conforme a escola atravessava a Passarela do Samba.

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ALEGORIAS

O Império de Casa Verde apresentou na Avenida um conjunto de quatro carros alegóricos e um tripé. A leitura das alegorias era simples e prática de acordo com os nomes que cada uma recebeu. São eles: o Abre-alas, “Império de joias negras”, o Carro 2, “Joias como roupa e o corpo como cofre ancestral”, o Carro 3, “Sincretismo no altar”, o tripé “Afrojoia de quitute – Tia Ciata”, e o Carro 4, “Liberdade. O grito das ganhadeiras”.

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Dentro da proposta do enredo, as alegorias cumpriram seu papel narrativo. Esteticamente, cumpriram o esperado de grande volumetria e luxo, que são marcas tradicionais do Tigre Guerreiro. Não foram observadas irregularidades de acabamento, o que complementa a impressão de que o quesito pode render boas notas no dia da apuração.

HARMONIA

O samba imperiano começou bem explosivo sua passagem pelo Sambódromo do Anhembi. Nos primeiros setores, a comunidade cantou vigorosamente e animada a excelente obra escolhida pela escola. Só que, conforme o cortejo passava pela Avenida, notou-se uma queda de andamento, com os desfilantes demonstrando certo cansaço em meio a uma noite de sensação térmica mais intensa do que o esperado.

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EVOLUÇÃO

A fluidez inicial do desfile do Império permitiu que a escola fechasse os portões em tranquilos 62 minutos de desfile. O recuo da bateria foi bem-executado, contando com auxílio da comprometida corte de bateria da escola. Mas, posteriormente a esse momento, na altura do módulo três, percebeu-se que o cortejo não foi tão fluido como se esperava, com a escola oscilando entre andar, acelerar e parar. Não foram observadas aberturas de buraco em nenhum momento no alcance da visão, mas se essa observação quanto ao andamento foi registrada em mais setores, pode tirar alguns décimos importantes para as pretensões do Tigre.

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SAMBA-ENREDO

O samba do Império para o Carnaval de 2026 foi assinado por Diogo Nogueira, André Diniz, Arlindinho Cruz, Bocão, Darlan Alves e Fabiano Sorriso, e na Avenida foi defendido pela dupla de intérpretes Tinga e Tiago Nascimento, esse que foi promovido do elenco de apoio para o posto principal da ala musical. Trata-se de uma das obras mais elogiadas da safra, apostando em uma melodia dançante e animada, mas que consegue narrar a proposta do enredo com riqueza de detalhes.

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A letra cumpriu bem o seu papel de contribuir para a narrativa do enredo, com seus elementos sendo observados nas fantasias e alegorias imperianas. O carro de som esteve em grande noite, performando com excelência a obra e levantando o público por onde passou. O samba não teve culpa nas observações feitas quanto à harmonia da escola.

OUTROS DESTAQUES

A “Barcelona do Samba”, do veterano mestre Zoinho, novamente deu um belo espetáculo no Sambódromo do Anhembi, com direito a um breve ‘pagodinho’ contagiante durante a passagem pela arquibancada Monumental. A corte de bateria, comandada pela Rainha Theba Pitylla, precisa de um destaque especial, por trabalhar ativamente quando foi necessária, durante a execução do recuo dos ritmistas. Parabéns ao quesito pela excelente performance.

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Águia de Ouro 2026: Galeria de fotos do desfile

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Ala da Em Cima da Hora representa a força espiritual feminina ao evocar Pombagiras

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A segunda agremiação a desfilar neste sábado levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagira!”, idealizado pelo carnavalesco Rodrigo Almeida, em celebração à entidade Pombagira, que personifica o sagrado feminino e reflete o pertencimento desses corpos, que há décadas lutam por direitos.

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O enredo reafirma o poder feminino ao colocar a imagem das Pombagiras como a real dona das festas e das ruas, com sua liberdade, mistério e sedução. A primeira ala da agremiação se chama “Estende um tapete de rosas para ela passar: As donas da rua”, indicando uma evocação, para que os caminhos se abram para o desfile. Além disso, a ala também representa a essência feminina de mistérios, magias e poder, por meio dos tecidos de renda, saia com babados e, principalmente, pela presença das cores vermelho, dourado e preto.

Kelly Cristina costureira de 52 anos
Kelly Cristina, costureira de 52 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Kelly Cristina, costureira de 52 anos, desfila pela primeira vez na agremiação. Motivada pelo enredo, ela decidiu entrar na Passarela do Samba com emoção, representando não só sua religião e as Pombagiras, mas também a essência feminina.

“Eu não digo que eu tenho uma Pombagira, eu digo que eu tenho uma fada madrinha. É ela que me ajuda muito. Nos momentos mais difíceis da minha vida era ela que estava ao meu lado. Foi ela que me levantou. Ela ensina justamente você a ser liberta, a você se empoderar”, contou Kelly.

O administrador Wagner Guimaraes de 40 anos
O administrador Wagner Guimarães, de 40 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O administrador Wagner Guimarães, de 40 anos, desfila na escola há 22 anos, mas neste ano acredita que será diferente: com uma emoção que vem da alma e com o respeito pela ancestralidade do samba, além da honra, por representar uma entidade feminina.

“É o poder da mulher, o poder da mãe, e isso é muito importante. Eu sendo homem e poder representar uma mulher é uma honra. É uma honra, é uma oportunidade única”, disse Wagner.

Luciana Joaquim advogada de 45 anos
Luciana Joaquim, advogada de 45 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Luciana Joaquim, advogada de 45 anos, também foi motivada a desfilar em 2026 na Em Cima da Hora por conta do enredo, justamente por ter muita admiração e devoção pelas Pombagiras, que representam, para ela, o amor próprio.

“Essa intolerância de achar que são entidades que fazem coisas do mal, e não são. São entidades que fazem o bem, que ajudam, que dão proteção, que abrem caminhos”, afirmou Luciana.

Abre-alas da Botafogo Samba Clube floresce no imaginário da Sapucaí um jardim

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A Botafogo Samba Clube trouxe toda a exuberância da natureza para a avenida, ao abrir a segunda noite de desfiles da Série Ouro na Sapucaí. O abre-alas “O Jardim que floresce no imaginário” é uma alegoria repleta de elementos da flora brasileira, em homenagem ao paisagista no paisagismo brasileiro conduzida por Roberto Burle Marx. 

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Capa AbreAla Botafogo
Abre-Alas da Botafogo Samba Clube. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Com esculturas bem elaboradas e muita cor, a alegoria apresentou ao público um Brasil que aprecia a própria paisagem, rompendo com padrões europeus e americanos de estética decorativa.

O carro simboliza a mensagem principal do artista: fazer da natureza protagonista e do jardim uma obra de arte viva. Folhagens e flores foram como pinceladas tropicais, dialogando com a pintura abstrata e a escultura moderna, em uma explosão de movimento e volume que tomou a avenida.

Gabriele Rodrigues AbreAlasBotafogo
Gabriele Rodrigues. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCOS

A engenheira e integrante da escola há quatro anos, Gabriele Rodrigues, de 40 anos, moradora de Campo Grande, se emocionou ao ver a alegoria pronta.

“Me impressionei com tudo. Com o tamanho, principalmente. É a primeira vez que eu vejo um carnaval assim tão colorido e tão volumoso”, revelou. 

Botafoguense declarada, ela destacou a importância do tema, e reforçou a ideia de que jardins podem ser obras de arte sim. 

“Eu acho que é muito importante a gente falar sobre isso no mundo que a gente vive hoje. O Botafogo homenageia hoje uma pessoa que buscou através da sua arte valorizar o nosso meio-ambiente. Isso conversa muito com os meus valores. Ele fez as pessoas sentirem emoção com imagens e uma organização de cores e plantas, eu acho que é bem coisa de arte mesmo”, disse.

Sophie Rosele
Sophie Rosele. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A francesa Sophie Rosele, de 37 anos, que está no Brasil especialmente para o Carnaval e desfilou pela primeira vez, também ficou impactada com o carro:

“É um carro muito elegante, com flores, e representa para mim o florescer da natureza brasileira. É muito bonito. Foi uma ideia muito boa essa homenagem. E a história fica ainda mais interessante por meio das esculturas e pinturas que as representam das flores do Brasil”. 

Cristina Mendonca
Cristina Mendonça. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Musa da escola e destaque de alegoria este ano, Cristina Mendonça também não conteve a emoção ao ver o abre-alas. Morando em Nápoles, na Itália, ela viajou especialmente para desfilar. Sobre a homenagem, ela fez questão de frisar a força simbólica da escolha do enredo, e o quanto ama ser brasileira.

“Eu acho que é uma representatividade cultural enorme, porque a gente fala da vitória-régia e de vários elementos da nossa flora brasileira. O Botafogo Samba Clube acertou muito, principalmente nesse samba-enredo, que está lindo. Eu vejo arte em tudo, principalmente no Brasil. A brasilidade latina está tomando conta do mundo agora. Como o Bad Bunny falou, ‘todo mundo quer ser latino, mas não tem o tempero, não tem o molho’, e a gente tem de sobra. Estou muito feliz de participar desse momento”, declarou.

Com um jardim que pulsa como tela viva, o abre-alas da Botafogo transformou a natureza em manifesto artístico e reafirmou a paisagem brasileira como raiz do Brasil moderno que floresce na avenida.

Em Cima da Hora 2026: Galeria de fotos do desfile

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Império de Casa Verde 2026: Galeria de fotos do desfile

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