Na madrugada da última sexta-feira, o presidente Fábio Pavão, o diretor de carnaval Junior Schall e os carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga, marcaram presença na celebração de aniversário do cantor e compositor Milton Nascimento, enredo da “Majestade do Samba” no Carnaval 2025..
A celebração, realizada numa cerimónia reservada a convidados, teve um momento especial com a participação de Gilsinho, intérprete oficial da escola, e da bateria “Tabajara do Samba”, sob o comando do mestre Nilo Sérgio, que trouxe energia e emoção na hora do parabéns e também na palhinha do samba de 2025.
A Mancha Verde estreou com uma dupla de mestres em 2024. A confiança do presidente Paulo Serdan na substituição de mestre Guma deu certo. Não é novidade na agremiação trabalhar desta forma – Durante muito tempo, a ‘Mais Querida’ teve os mestres Moleza e Caju à frente da ‘Puro Balanço’ e, agora, uma nova dupla assumiu a batucada da escola. O trabalho de início com os mestres Cabral e Vinny teve mudanças, gabaritou o quesito Bateria e os músicos se tornaram uma das revelações do último carnaval. Os parceiros conversaram com o CARNAVALESCO e falaram sobre a intensidade de 2024, as notas, mudanças na bateria e a escola com os jovens.
De acordo com mestre Vinny, o trabalho intenso foi fundamental para obter o sucesso no último carnaval, especialmente nas notas conquistadas. “Nada é por acaso e nada é em vão. A gente tinha muita certeza do que estava preparando para a avenida, do que a escola precisava, do que a bateria precisava e do que a gente precisava fazer para dar o resultado. Graças a Deus veio o resultado, fruto de muito trabalho. A gente ficou lisonjeado com as notas. Claro que é emocionante no primeiro ano estrear em um Grupo Especial com nota 40, mas a gente sabia que a nota era consequência do trabalho. Foi muito tranquilo, a gente sabia que precisava dar o resultado e saímos satisfeitos da avenida”, disse Vinny.
Mestre Cabral segue a linha de Vinny e ressalta que, mesmo com o objetivo alcançado, melhorias precisam ser feitas. “Isso é fruto de muito trabalho. Para a gente foi muito gratificante, a gente saiu de lá satisfeito, mas mesmo sabendo que precisamos trabalhar muito ainda, tem muita coisa para acertar”, ressaltou.
Mudanças na bateria
Como citado, a dupla assumiu no último carnaval após a saída do mestre Guma, que ficou à frente da ‘Puro Balanço’ desde de 2020. Devido a isso é natural que mudanças ocorram na audição da bateria. O mestre Cabral explicou: “A gente mudou algumas coisas. O chocalho a gente trocou o material do instrumento para ele ficar mais pesado e o som saiu um pouco mais alto. A afinação nós deixamos um pouco mais baixa. Nós gostamos muito do grave, mas para isso a gente teve que trabalhar um pouco mais as caixas, um volume agudo para a bateria não ficar muito pesada e não arrastar. Demos um grau de dificuldade nas bossas também, deixando elas mais ousadas. A gente quer fazer isso durante o passar dos anos, trabalhando mais a bateria, tirar da zona de conforto. A gente tá trabalhando bastante nisso”, comentou.
Cabral ainda ressalta que a dupla é muito grata ao Guma. O maestro diz que concorda bastante com Vinny e, mesmo quando há um desencontro, conseguem achar um denominador comum. “Eu cheguei aqui com o Guma em 2022. O Vinny já estava aqui com ele em 2020. Já foi um salto muito grande no trabalho. Mas a gente tem um gosto muito parecido. Não é igual, mas é muito parecido. Mesmo quando a gente se desencontra da formação, a gente consegue se equilibrar e encaixar. É muito parecido. Sobre o Guma, ele foi um excelente mestre, nos ajudou demais e se não fosse ele a gente não estaria aqui. Nós temos um jeito mais agressivo de trabalhar. Agressivo como? De insistência, de deixar tudo limpo e no mínimo detalhe”, explicou.
Vinny completa dizendo que sempre há coisas para melhorar, mesmo após os desfiles. O mestre fala sobre ‘inflamar’ a bateria, o que significa colocar um astral maior dentro da batucada. “Uma conversa que tivemos um tempo atrás é o que a gente sempre falou: Talvez daqui a 30 anos a gente nem esteja satisfeito. É satisfeito até a página 2, até a faixa amarela. A bateria parou de tocar e já debatemos que isso ou aquilo podia ser melhor. Essa é a nossa forma de trabalhar. A gente tem essa pegada mais agressiva de inflamar a bateria, de trazer o clima e o amor que todo mundo sente aqui pela ‘Puro Balanço’, que é um nome já forte no carnaval e o nome da Mancha Verde. A gente tenta sempre mostrar isso e sempre jogar para cima. A bateria tem respondido muito bem e está sendo gratificante demais”, afirmou.
Trabalho com jovens
A Mancha realizou escolinha de bateria na metade de 2024 em diante. Cabral revelou que foi um clima leve, apesar de também deixar claro para os alunos que bateria é algo sério. Segundo o mestre, o objetivo é ter 100% dos ritmistas da casa. “Para a gente é muito bom, porque nós passamos para eles que bateria é um negócio sério, mas eles estão aqui para diversão, para deixar realmente o clima leve. Eles vêm numa pegada impressionante. Ensinamos com paciência, porque tem gente que não tem. A gente explica para eles que é tempo ao tempo, às vezes as pessoas têm mais dificuldades para aprender, mas é normal. A nossa vontade é de ter 100% da Mancha, mas não conseguimos. O importante é que eles sempre vêm com garra e vontade”, concluiu Cabral.
Vinny completa que tratam a escolinha como uma categoria de base, se empenhando desde sempre, mesmo quando passar para a fase da bateria. “Para gente esse trabalho com jovens é fundamental. A gente trata como uma categoria de base mesmo, preparando eles já para a bateria. A gente fala desde o início que ingressar na escolinha não tem vaga cativa, não tem vaga garantida na bateria, o processo é longo, o trabalho é árduo, mas quem se dedicar, ter um bom empenho e se destacar, é óbvio que vai ingressar para desfilar com a gente. É gratificante olhar para a bateria e ter a maioria dos ritmistas que saíram da escolinha, que é o que a gente formou, não vindo cheio de vício e sim tocando da forma que queremos para a Puro Balanço”, finalizou Vinny.
O Madureira Shopping patrocina a edição 2024 da Corrida da Portela, que este ano homenageia o cantor e compositor Milton Nascimento, tema do enredo da escola de samba Portela em 2025. A prova será realizada no dia 24 de novembro, com largada e chegada na Quadra da Portela, em Madureira, e um percurso que passa pelo Parque Madureira. Os participantes poderão optar entre as distâncias de 5 km para corrida e 3 km para caminhada.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnavalportela
“Estamos muito orgulhosos de apoiar um evento tão significativo para a comunidade e para a história da Portela, ainda mais com essa homenagem a um ícone da música brasileira como Milton Nascimento. É uma oportunidade incrível de unir esporte, cultura e tradição”, afirma Letícia Pinho, gerente de Marketing do Madureira Shopping.
Ao todo, serão disponibilizadas 2 mil vagas, e as inscrições podem ser feitas até o dia 18 de novembro, ou até que as vagas sejam preenchidas, no site oficial da corrida (https://www.ticketsports.com.br/e/corrida-da-portela-2024-38692). A retirada dos kits acontecerá no Madureira Shopping, nos dias 22 e 23 de novembro (sexta e sábado), das 10h às 20h.
Serviço: Corrida da Portela 2024
Data: 24 de novembro de 2024 (domingo)
Horário: Largada às 7h30
Local: Quadra da Portela (Largada e chegada), com percurso pelo Parque Madureira
Inscrições: Até 18/11 ou até esgotarem as vagas: https://www.ticketsports.com.br/e/corrida-da-portela-2024-38692
Retirada dos kits: 22 e 23 de novembro, das 10h às 20h, no Madureira Shopping (Estrada do Portela, nº 222, Madureira, RJ).
Em mais um passo rumo ao 10º título de sua história, a Imperatriz Leopoldinense, atual vice-campeã do carnaval carioca, realiza nesta sexta, a partir das 20h, na quadra da escola, em Ramos, seu primeiro ensaio de canto com a presença da comunidade e de seus segmentos. Este será o primeiro contato dos componentes do Complexo do Alemão e de toda Zona da Leopoldina com o hino oficial que irá para a Marquês de Sapucaí no ano que vem, após a grande final de samba-enredo, realizada em setembro, e as gravações para o canal da escola no YouTube e para a Rio Carnaval.
“É um dia muito especial, do nosso pontapé inicial ao lado dessa comunidade que já abraçou a obra e vai cantar muito. Temos um dos maiores sambas do Carnaval mais uma vez, e eu estou muito feliz, porque a Imperatriz vai emocionar novamente”, afirma o intérprete da verde, branco e dourado, Pitty de Menezes.
Após o ensaio, o samba continua na casa da Rainha de Ramos, com a participação especial do Pagode do Mestre Lolo, para embalar o fim de semana dos gresilenses.
Em 2025, a Imperatriz levará para a avenida o enredo “ÓMI TÚTU AO OLÚFON – Água fresca para o senhor de Ifón”, do carnavalesco Leandro Vieira, que vai para o seu terceiro desfile consecutivo na escola.
A agremiação, que abordará a temática ligada ao culto orixá e ao candomblé depois de 46 anos, será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval (02/03), contando a história da saga de Oxalá ao reino de Oyó para visitar Xangô.
A quadra da Imperatriz Leopoldinense fica na Rua Professor Lacé, 235, em Ramos.
CONFIRA A LETRA OFICIAL DO SAMBA-ENREDO DA IMPERATRIZ PARA 2025
Autores: ME LEVA, THIAGO MEINERS, MIGUEL DA IMPERATRIZ, JORGE ARTHUR,
DANIEL PAIXÃO E WILSON MINEIRO
VAI COMEÇAR O ITAN DE OXALÁ
SEGUE O CORTEJO FUNFUN AO SENHOR DE IFÓN, BABÁ
ORINXALÁ, DESTINA SEU CAMINHAR
AO REINO DO QUARTO ALAFIN DE OYÓ
ALÁ, MAJESTOSO EM BRANCO MARFIM
CONSULTA O IFÁ E ASSIM
NO ODÚ, O PRESSÁGIO CRUEL
NEGANDO A PALAVRA DO BABALAÔ
SOBERANO EM SEU TRONO, SENHOR
VÊ O DOCE SE TORNAR O FEL
OFEREÇA PRA EXÚ… UM EBÓ VAI PROTEGER
PENITÊNCIA DE EXÚ, NÃO SE DEIXA ARREFECER
ELE ROMPE O SILÊNCIO COM A SUA GARGALHADA
É CANCELA FECHADA, É O FARDO DE DEVER
MAS O DONO DO CAMINHO NÃO ABRANDA
FOI VINHO DE PALMA, DENDÊ E CARVÃO
SABÃO DA COSTA PRA LAVAR DEMANDA
E A MONTARIA O LEVA À PRISÃO
O POVO ADOECEU, TRISTEZA PERDUROU
NOS SETE ANOS DE SOLIDÃO
JUSTIÇA MAIOR É DE MEU PAI XANGÔ
TRAZ ÁGUA FRESCA PRA JUSTIÇA VERDADEIRA
(MEU PAI XANGÔ MORA NO ALTO DA PEDREIRA)
PRECEITO NAGÔ A PURIFICAR
DESATA O NÓ QUE NINGUÉM PODE AMARRAR
TRANSBORDA AXÉ NO IBÁ E NA QUARTINHA
PRA FIRMAR TEM ACAÇÁ, EBÔ E LADAINHA
ONÍ SÁÀ WÚRE! AWURE AWURE!
QUEM GOVERNA ESSE TERREIRO OSTENTA SEU ADÊ
IJEXÁ AO PAI DE TODOS OS ORIS
RUFAM ATABAQUES DA IMPERATRIZ
A Academia do Samba se prepara para mais um sábado de festa com o evento “Salgueiro Convida”, um dos mais aguardados pelos sambistas no período de pré-carnaval. Após o sucesso do show da Paraíso do Tuiuti, é a vez de receber, diretamente da Zona Oeste, a Mocidade Independente de Padre Miguel, que chega com seu elenco completo, incluindo o icônico mascote Castorzinho.
A quadra do Salgueiro abrirá suas portas às 20h30, com o tradicional pagode de esquenta. Na sequência, o super elenco da Academia do Samba subirá ao palco, seguido pela apresentação da Mocidade, que promete agitar a Silva Teles com sambas inesquecíveis, como “Vira Virou” (1990), “Criador e Criatura” (1996), o recente “Pede Caju que dá” (2024) e o samba-enredo de 2025, “Voltando para o futuro – não há limites para sonhar”.
Os ingressos estão disponíveis com preços variados: R$ 40 (antecipado) e R$ 50 (na hora) para a pista; os jirais custam R$ 100; mesas para quatro pessoas a partir de R$ 250; e camarotes para 12 pessoas, variando entre R$ 1000 (laterais), R$ 1100 (frontais) e R$ 1300 (frontais VIP). As entradas podem ser adquiridas pelo site Guichê Web ou na bilheteria da escola.
Além da Mocidade, grandes nomes estão confirmados para novembro:
– 02 de Novembro: Unidos da Tijuca
– 09 de Novembro: Mangueira
– 16 de Novembro: Mocidade Alegre
Durante a festa promovida pela Colorado do Brás no dia 25 de agosto para o lançamento do samba-enredo para o carnaval de 2025, o presidente Antônio Carlos Borges, conhecido como Ka, fez um discurso para a comunidade acompanhado de lideranças da escola e aliados políticos. A comunidade conheceu as primeiras informações sobre o projeto da tão sonhada quadra própria, parte de um compromisso do ex-prefeito Bruno Covas assumido pela atual gestão municipal. Em conversa com o CARNAVALESCO, ele detalhou a trajetória para tornar o sonho da Colorado realidade, que contou com participação ativa do vice-presidente da escola Marcelo Patchoco e de amigos próximos.
“É o sonho da escola, sempre foi. Eu e o Patchoco assumimos a escola em 2010 para 2011 já sem quadra. É uma luta árdua, não é desde ontem. A gente almejava a quadra até antes de subir para o Especial porque queremos uma estrutura e a quadra é primordial. Hoje não sabemos se vai chover, mas a tenda que usamos não é doação, ela é alugada. Da logística daqui, praticamente 90% dela é alugada. É muito desgastante, montamos tudo hoje e a gente vai desmontar tudo hoje. Graças a Deus a gente tem em volta a parceria de muitas pessoas que abraçam a nossa causa, os diretores da escola, mas ainda assim é desgastante pra caramba. Através do Diego, da Paulinha, que é esposa dele, e de outros amigos em comum, eles conseguiram me colocar na prefeitura. O Ricardo Nunes já tinha se proposto, ele falou que realmente ia arcar com a palavra do Bruno Covas lá atrás e eu mostrei para ele o vídeo do Bruno se comprometendo a dar um espaço para nós, que não era justo só a Colorado do Brás não ter. Só levei para eles isso e o prefeito falou: ‘vou abraçar a causa, a partir de agora o compromisso do Bruno passa a ser meu’, e a gente conseguiu graças a Deus um espaço que levantamos junto através do nosso vice-presidente. O Marcelo tem essa paciência, buscou alguns espaços aqui no bairro, que é difícil até por ser centro, por ser um metro quadrado caro e samba, infelizmente, é banalizado nesse aspecto de dar um espaço para o carnaval e não para outros fins. Hoje já estamos protocolando, já está acontecendo, já tem um endereço, até me emocionei no palco. Há 30 dias a gente deu entrada e acredito que vai mais uns dois meses e, se Deus quiser em até menos, poderemos divulgar para o nosso povo, para a nossa família, para as pessoas que estão com a gente desde o começo, para que a gente possa comemorar, chorar, abraçar e ter nosso espaço”, declarou o presidente.
Com o desafio maior de conseguir um espaço superado, a próxima etapa é a construção da quadra. Ka destacou o apoio político para começar a erguer o sonho, mas prefere ser paciente e garantir que cada etapa seja concretizada gradualmente.
“Temos uma parceria com a vereadora Sandra Santana, onde ela consegue ajudar a gente em algumas coisas. Ela tem engenheira, tem todas essas partes e também logística, e por enquanto a gente vai um passinho por vez. Ganhamos o espaço, vamos cercar. Ganhamos de verdade, tem o documento no nosso nome, está tudo direitinho? Aí a gente vai atrás desse sonho que é construir, que sabemos que não é fácil”, afirmou.
Em meio à rotina agitada do Brás, um dos maiores polos comerciais da cidade, quem passa pelo número 141 da Rua Itaqui durante a semana pode se surpreender com o fato de que o pequeno prédio se trata do principal endereço de uma escola de samba da elite do carnaval de São Paulo. Ao longo de sua quase cinquentenária história, a Colorado do Brás é uma das provas de que o samba e as ruas pertencem ao povo. Como verdadeiros guerreiros, a comunidade Vermelho e Branca supera ano após ano desafios árduos para a menor das atividades relacionadas ao processo de construção de um desfile, e muitos deles podem ser sanados com sua própria quadra. É por eles que o presidente Ka não mede esforços para tornar esse sonho realidade.
“É um povo aguerrido, de verdade. É um povo carente, um povo que acolheu nosso mundo, nossa história, nosso projeto, nosso jeito de ser que não é fácil. É uma luta, se chove a gente não sabe o que fazer, se vai ensaiar, se vai cancelar, se vai para a Portuguesa, que a gente tem uma parceria em que ela também cede um espaço de uma quadra de futebol de salão para nós. Não é fácil, é uma luta de verdade, se você começar a andar verá gente desmontando mesa, desmontando cadeira, carregando grade. É desgastante pra caramba, mas nós somos lutadores. Um guerreiro não foge da luta e a gente vai conseguir nosso espaço, se Deus quiser”, concluiu.
Quando falamos de mestre de bateria em São Paulo, temos nomes que estão há muito tempo ditando o ritmo e construindo uma bonita história no mesmo pavilhão. Um dos nomes mais longevos é o mestre Sombra, da Mocidade Alegre. São 30 anos comandando a “Ritmo Puro”. Com tantos anos de escola de samba e de bateria, passando por diversas transformações, ele revelou os desafios em conversa com o CARNAVALESCO.
“É uma lição de vida. Você vai lidando com pessoas diferentes, realidades diferentes, vivências diferentes, atualização do mundo moderno e da tecnologia e vamos adequando. É um processo natural, a partir do momento que você está em contato, você não sente tanto a transição, porque você está vivenciando o dia a dia. Vai mudando e você vai se adequando naturalmente com o formato que vai caminhando. É um dos quesitos mais difíceis de ser julgado do carnaval, é o contingente que mais ensaia, é um contingente que mais tem contato com a escola durante o ano todo. E a bateria como já diz o ditado é o coração da escola. Estamos sempre trabalhando para não deixar a máquina parar”.
O que é a Mocidade Alegre para o mestre Sombra?
Mestre Sombra é a cara da Mocidade Alegre, afinal, 30 anos formam uma vida, e tem sua família toda presente na escola. O filho, mestre Carlinhos Sombrinha, é diretor de bateria, a esposa Solange Cruz é a presidente da escola, e o netinho já marca presente com o vovô. Discreto, mestre Sombra e com poucas palavras falou sobre a escola do coração: “A Mocidade é uma escola que eu cheguei aqui, é uma escola, é uma faculdade, muito aprendizado e oportunidades. O resumo de tudo, isso é muita gratidão. A minha vida aí em 30 anos, o resumo de tudo isso é muita gratidão a Mocidade Alegre”.
Dedicação do Mestre Sombra com a Morada
Pouco é falado sobre os grandes personagens do carnaval, das escolas de samba, fora do ambiente que estamos acostumados. O mestre da bateria “Ritmo Puro” falou sobre vivenciar o carnaval quase que 24 horas por dia, mas teve seus desafios profissionais que levaram a escola de samba.
“Sou um cara tranquilo, gosto de trabalhar, sempre que posso estou na quadra fazendo alguma coisa que é o meu trabalho. Estou no barracão, na Arena, estou na quadra, na Fábrica do Samba, eu gosto. Eu sou nascido e criado nesse meio, não tem muita distância disso. Trabalhei fora, em fábrica de cimento e em agência de publicidade. Tenho uma formação fora, profissional. E aí hoje é disso que aprendi fora e eu aplico na escola e vamos trabalhando”.
O que podemos esperar da bateria da Morada?
Em relação a bateria da Morada para 2025, o mestre Sombra mostrou muita tranquilidade para trabalhar e lembrou de um exemplo marcante da sua bateria em 2009.
“Por enquanto nada, acabou de escolher o samba, isso vai acontecendo naturalmente, é no dia a dia. Não fico pensando no que eu vou fazer neste momento não. Primeiro agora é ouvir o samba, ensaiar o samba para depois começarmos a falar o que é a realidade. Eu nunca faço isso. Para você ter ideia, em 2009 que nós fizemos um coração, a ideia saiu faltando trinta dias para o Carnaval, começamos a ensaiar e deu certo. Não fico preso nisso não”.
Refletindo sobre o momento das eliminatórias
Quem vê o mestre Sombra sabe o quão discreto é, e por vezes até mesmo tímido, mesmo com tanto tempo de casa, o respaldo no meio do samba, mas costuma ser homem de poucas palavras. Mas um tema fez Sombra refletir bastante sobre o momento que é a falta de eliminatórias nas escolas de samba, e claro, falando sobre a Mocidade Alegre, sua escola e o modo de definir o samba nos últimos carnavais estar cada vez mais reduzido.
“Eliminatória é uma fase de maturação dos sambas. Quanto mais você tem, mas o samba vai mostrando a sua real identidade para o que ele veio. A bateria vai se encaixando, os intérpretes que defendem vão melhorando a performance, muito bom esse período, porém hoje tivemos que se adaptar à realidade financeira. Você faz uma semifinal e uma final, não é muito bom, você tem um trabalho dobrado. E aí na correria do dia a dia você tem que estar botando o samba no som, mas é samba gravado e a emoção é diferente. É um samba que está gravado no estúdio. O ao vivo é ao vivo, você faz a realidade da vida, do samba, da bateria, da escola, das torcidas cantando o samba. Mas ficamos bem atentos aí para esse novo formato, estamos se adequando e vamos embora e graças a Deus e escolhemos um bom samba”.
Complementou falando sobre o desafio nas eliminatórias e escolha do samba de 2025: “Antigamente fazíamos dois, três meses de eliminatória. Hoje estamos fazendo semifinal e final. Eram 10 ou 12 eliminatórias antigamente, até chegar na semifinal e na final. Então o processo dentro da quadra era o outro. A emoção, bateria tocando, o público, quadra cheia, é outra realidade. Hoje de 10 ou 12, você caiu para duas dentro da quadra, isso dá uma esfriada. Mas faz parte do contexto. Vamos trabalhando e seja o que Deus quiser. Mas também na parte do trabalho, o samba está bem escolhido. Não vai dificultar não em relação ao samba”.
Conexão com outros mestres
É só ir em algum evento de bateria que vemos o mestre Sombra presente, mesmo quando a Mocidade Alegre não está envolvida. Marca presença, discreto, acompanhando baterias das escolas do Rio de Janeiro ou mesmo as de amigos de São Paulo. Sobre o relacionamento com outros mestres, Sombra relatou: “É normal, muita gente que eu vivenciei lá atrás, que eu conheci lá atrás, muita gente que eu vi crescer, é o bastidor de samba. Contato, relação social, um bom relacionamento com todo mundo, graças a Deus procura fazer dentro do que eu sou, um cara mais quietão assim, mas procuro ter um bom relacionamento com todo mundo e vamos seguindo”.
Ao pedir para o mestre Sombra deixar um recado livre, resolveu refletir sobre a mudança com a era das redes sociais. Afinal, o mestre de bateria passou por diversas eras, desde os tempos de jornal e rádio, para a transição das transmissões na televisão, e atualmente no mundo digital nos trinta anos de trabalho.
“Só tenho a agradecer ao CARNAVALESCO pelas coberturas, pelas oportunidades que vocês dão para gente aí de estar mostrando o trabalho da gente e poder estar falando, é muito importante. Antigamente não tínhamos muita oportunidade quando a gente saía uma foto nossa no jornal, alguma matéria, a gente comemorava e soltava fogo. Porque era muito difícil ser divulgado o nosso trabalho, dos bastidores da escola de samba e vocês com as redes sociais, vocês conseguem mostrar isso no dia a dia, estão full time, tudo que acontece e isso é muito importante para o samba”.
A atual bicampeã do carnaval de São Paulo, a Mocidade Alegre, vai trazer como enredo em 2025: “Quem Não Pode com Mandinga, Não Carrega Patuá” e será a terceira escola a desfilar no sábado de carnaval, dia primeiro de março, já entrando no domingo.
A Unidos do Cabuçu prepara uma grande festa para a escolha do seu samba-enredo para o carnaval de 2025. A escola definirá, nesta sexta-feira, a partir das 21h, o seu samba para o próximo desfile. Quatro obras estão na disputa para se tornar o hino oficial do enredo “Há quem passe pela África, veja quem é você?”. A entrada é franca. A quadra fica Rua Araújo Leitão, 295, no Engenho Novo.
O evento terá a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bBandeira, Marcílio Diamante e Elaine Fernanda, além do show dos segmentos da escola, com a bateria do mestre Nandim e todo o carro de som cantando os sambas da agremiação. A Botafogo Samba Clube é a escola convidada.
Confira as parcerias finalistas:
– Samba 02: Henrique César, Charles Braga e Waltinho Botafogo.
– Samba 03: Maykon Rodrigues, Ilair da Cabuçu, Lari Mendes, Vando Cardoso, Leco da Alerj e Guilherme Kauã.
– Samba 04: Wallace Flabuçu, Márcio Oliveira, Paulo Marrocos, Bira do Império, Ney da Passarela e Jorginho Imperial.
– Samba 05: Gabriel Leal, Adailton Aquino, China Do Cavaco, Leno Dias, Anselmo Rammos e Clara Vidal.
A Unidos do Cabuçu que será a penúltima escola a desfilar no sábado, dia 8 de Março, pelo segundo dia de desfiles da Série Bronze da Superliga, na Intendente Magalhães, quando a escola completará 80 anos de história.
O Paraíso do Tuiuti recebe as escolas de samba Portela e Vila Isabel nesta sexta-feira. As duas agremiações vão se apresentar durante o “Encontro no Paraíso”. O evento começa a partir das 22h, com entrada a R$ 30. Estarão presentes todos os principais segmentos de cada uma das escolas, como casais de mestre-sala e porta-bandeira, bateria, baianas, passistas, Velha Guarda, entre outros.
O Tuiuti será a segunda escola a desfilar na terça-feira de carnaval com enredo “Quem tem medo de Xica Manicongo?” sobre a primeira trans não indígena do Brasil. O desenvolvimento do tema é do carnavalesco Jack Vasconcelos.
Serviço:
Encontro no Paraíso com Portela e Vila Isabel
Sexta-feira, 25 de outubro, a partir das 22h
Quadra do Tuiuti: Campo de São Cristóvão, 33, São Cristóvão
Ingresso: R$ 30
Classificação etária: 18 anos
Durante o ensaio geral de quadra, realizado na noite de quinta-feira, o Tucuruvi anunciou o retorno da bailarina e apresentadora Carla Prata como rainha de bateria da agremiação da Zona Norte da capital paulista, posto este que a beldade ocupou durante o desfile dos dois últimos carnavais. Vale lembrar que após o desfile do carnaval deste ano, realizado no mês de fevereiro passado, Carla anunciou que estaria dando um tempo ao carnaval, pois estaria se dedicando a novos projetos. A beldade foi anunciada ao palco pelo diretor de carnaval e vice´presidente, Rodrigo Delduque, o qual deu boas vindas novamente e disse que o posto sempre pertenceu a ela.
Carla agradeceu o carinho de todos e disse: “Eu estava muito triste por estar fora desta agremiação de gente feliz, eu amo esta escola e agora estou de volta e não saiu nunca mais. Através das redes sociais, a agremiação publicou: “Brilhe novamente Rainha… ‘Prata da Casa'”.
A Acadêmicos do Tucuruvi no carnaval de 2025, levará ao Sambódromo do Anhembi o enredo “Assojaba – A Busca do Manto”, o qual está sendo desenvolvido pela dupla de carnavalescos Dione Leite e Nicolas Gonçalves, com pesquisa de Vinicius Natal, onde a escola será a 5ª agremiação a desfilar no sábado de carnaval, dia 1º de março de 2025, pelo Grupo Especial do carnaval de São Paulo.
O samba de enredo que embalará o desfile é de autoria dos compositores Macaco Branco, Prof. Carlos Bebeto, Djalma Santos, Chiquinho Gomes, Dr. Marcelo, Denis Moraes e Marcelo Faria, sendo a equipe de compositores bicampeões, haja visto que esta mesma equipe venceu a disputa do samba-enredo do carnaval de 2024 também.