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Tom Maior 2026: Galeria de fotos do desfile

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Freddy Ferreira analisa a bateria da União de Maricá no desfile no Carnaval 2026

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Um desfile muito bom da bateria da União de Maricá, sob o comando de mestre Paulinho Steves. Um ritmo potente, com bossas musicais e boa fluência entre os naipes foi exibido. Uma sonoridade profundamente conectada ao enredo da agremiação foi apresentada.

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Na parte da frente do ritmo da Maricá, um naipe de cuícas sólidos tocou junto de uma boa ala de agogôs, que pontuou a melodia do samba com eficiência. Na primeira fila da “Maricadência”, um naipe de timbales deixou sua contribuição musical. Um naipe de tamborins de grande qualidade coletiva tocou interligado a uma ala de chocalhos de inegável técnica musical. O belo entrosamento entre chocalhos e tamborins foi o ponto alto do grande trabalho envolvendo as peças leves, evidenciado pelo desenho da primeira passada do refrão do meio, onde ambos realizam de forma casada um trecho simples, mas muito funcional.

Na parte de trás da “Maricadência”, uma boa afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e de segunda foram firmes, mas precisos ditando o andamento. Surdos de terceira com balanço impressionante complementou o belo trabalho dos graves. Repiques coesos tocaram junto de um naipe de caixas ressonante. Atabaques desfilaram em meio ao ritmo, sendo primordiais na musicalidade das bossas.

Bossas bem casadas com a melodia do belo samba da Maricá foram exibidas com precisão. Influenciado pela afinação de surdos potente, alguns arranjos deram pressão sonora à bateria da Maricá. No refrão do meio, atabaques tocando com baquetas, fazendo alusão ao Aguidavi sagrado, ajudaram a vincular a sonoridade da “Maricadência” ao tema da agremiação. Ótima musicalidade da bossa da cabeça do samba, com uma levada baiana bem dançante dentro de uma boa conversa rítmica pautada pelas nuances melódicas de modo eficiente.

Uma apresentação muito boa da “Maricadência”, dirigida por mestre Paulinho Steves. Um desfile possante da bateria da Maricá, com musicalidade atraente, graças a uma criação conceitual bem integrada ao melodioso samba da escola. Uma boa apresentação no primeiro módulo foi realizada, seguida de uma exibição arrebatadora na segunda cabine, com direito a ovação popular e aplausos de todo júri. Na última cabine, mais uma forte apresentação evidenciou o grande desfile da “Maricadência”, com totais condições de brigar pela pontuação máxima.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Estácio no desfile no Carnaval 2026

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Um ótimo desfile da bateria “Medalha de Ouro” da Estácio de Sá, sob o comando de mestre Chuvisco. Um ritmo estaciano clássico foi apresentado, com suas marcações pesadas, caixas com a típica levada de partido alto, além da pressão sonora impactando positivamente as bossas.

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Na cabeça da bateria da Estácio, uma exímia ala de chocalhos tocou interligada a um naipe de tamborins de nítida qualidade coletiva. Sensacional a mistura bem feita dos toques de 3 por 1 e de 2 por 1 no ressonante carreteiro dos tamborins da Estácio, dando brilho musical a sonoridade da parte da frente do ritmo da escola do morro do São Carlos. Uma ala de cuícas ressonante e um naipe de agogôs com virtude sonora auxiliaram no preenchimento da sonoridade das peças leves.

Na parte de trás do ritmo estaciano, uma afinação potente e pesada de surdos foi notada, tudo dentro da tradição musical do Velho Estácio. Marcadores de primeira e de segunda foram vigorosos e seguros. Surdos de terceira com balanço irrepreensível complementaram o trabalho de grande qualidade envolvendo os graves. Repiques de alta técnica tocaram junto de um fabuloso naipe de caixas de guerra, com sua clássica batida com levada de partido alto, tocada em cima. Na primeira fila da cozinha do Leão, uma fileira de atabaques ajudou de forma luxuosa em bossas, além de dar molho ao ritmo.

Bossas que se pautavam pelas nuances melódicas do lindo samba estaciano foram exibidas com precisão. Todas contendo pressão sonora, influenciada pela afinação pesada tradicional, dando impacto musical nos arranjos. Destaque para a musicalidade da bossa do refrão do meio, com alta exigência musical de tamborins, surdos de terceira e das caixas, mas sempre bem realizada. Outro momento bastante aplaudido foi a bossa do refrão principal, onde antes mesmo do arranjo a “Medalha de Ouro” se abaixou, garantindo boa interação popular. Um conceito criativo bem vinculado ao enredo de vertente africana da escola.

Uma ótima apresentação da bateria “Medalha de Ouro”, dirigida por mestre Chuvisco. Uma conjunção sonora impactante e poderosa foi exibida, junto de bossas que foram bem recebidas por júri e pela plateia. Uma boa apresentação foi realizada na primeira cabine, mas poderia ter sido melhor se a harmonia da escola tivesse contribuído para a bateria da Estácio parar em frente ao módulo e não com o rabo do ritmo voltado para ele. Já no segundo módulo, a exibição foi ainda melhor, arrancando aplausos de julgadores e do público. Mesmo com tempo de desfile apertado, uma grande exibição foi realizada no último módulo (duplo), causando ovação popular e aplausos dos jurados, evidenciando o grande trabalho da bateria da Estácio de Sá no Carnaval 2026.

Estrela do Terceiro Milênio 2026: Galeria de fotos do desfile

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Freddy Ferreira analisa a bateria do Império Serrano no desfile no Carnaval 2026

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Um excelente desfile da bateria “Sinfônica do Samba” do Império Serrano, sob o comando do mestre estreante, Felipe Santos. Um ritmo equilibrado e com bossas dançantes, além de bem conectadas à obra da escola foi exibido. Uma conjunção sonora impecável e com um Groove puxado para o timbre grave foi produzida.

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Na parte da frente do ritmo do Império Serrano, uma ala de cuícas sólida deixou sua contribuição sonora. O histórico e tradicional naipe de agogôs imperianos foram fabulosos, pontuando a melodia do samba com extrema eficiência, através de um desenho rítmico bem musical. Uma ala de chocalhos de extrema qualidade tocou junto de um naipe de tamborins com virtude técnica coletiva muito apurada. O carreteiro de ambos os naipes juntos foi magistral, evidenciando o trabalho acima da média nas peças leves.

Na cozinha da bateria imperiana, uma potente e pesada afinação de surdos foi notada. Marcadores de primeira e segunda foram vigorosos, mas tocando com segurança. Surdos de terceira fenomenais ficaram responsáveis pelo balanço bem envolvente da “Sinfônica”. Repiques coesos e ressonantes tocaram junto de um naipe de caixas simplesmente fabuloso, com sua tradicional batida rufada ecoando por todo o ritmo da escola do morro da Serrinha.

Bossas altamente musicais foram exibidas com precisão cirúrgica. Arranjos pautados pelas nuances da melodia do bonito samba imperiano, consolidando assim seu ritmo. Destaque para a pressão sonora de uma nuance rítmica com um único som de tiro no trecho “que silencia o fuzil”, extremamente casada com o que solicita tanto a melodia, quanto a letra do samba-enredo. Merece menção musical o balanço irrepreensível no arranjo do estribilho, com levada de Jongo, como pede o samba. Acrescentou um aspecto dançante ao conceito criativo musical, impulsionando o samba, além de auxiliar na evolução de componentes pela Avenida.

Uma excelente apresentação da “Sinfônica do Samba”, na estreia de mestre Felipe Santos dirigindo a bateria do Império Serrano. Uma conjunção sonora de alto impacto foi exibida, junto de apresentações potentes em cabines julgadoras. A grande exibição na primeira cabine foi bastante aplaudida. Tudo seguido de uma apresentação soberba no segundo módulo, mais uma vez recebendo ovação popular e aplausos de todo o júri. Encerrando com chave de ouro, mais uma grande exibição na última cabine (dupla), que tem tudo para garantir a pontuação máxima para a lendária “Sinfônica do Samba” do Império.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Arranco no desfile no Carnaval 2026

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Um grande desfile da “Sensação” do Arranco do Engenho de Dentro, sob o comando da primeira mestra de bateria da história da Sapucaí, Laísa Lima. Um momento épico e inspirador, que evidencia a revolução feminina em curso dentro do ritmo de baterias. Uma bateria do Arranco com uma conjunção sonora de raro valor, além de boa fluência entre todos os naipes. Bossas dançantes e atreladas ao enredo circense foram exibidas com qualidade em todos os módulos, confirmando um grande trabalho da bateria “Sensação”.

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Na cabeça da bateria da escola do bairro do Engenho de Dentro, uma boa ala de cuícas deu seu recado musical. Logo na primeira fila, três pratos deram brilho sonoro em arranjos. Agogôs sólidos executaram uma convenção se pautando pelas variações melódicas da obra. Um naipe de chocalhos de grande nível técnico tocou junto de uma ala de tamborins de nítida qualidade coletiva, que realizou um desenho rítmico bem conectado à música da escola. O belo entrosamento entre chocalhos e tamborins foi o ponto alto do consistente trabalho das peças leves.

Na parte de trás do ritmo da bateria “Sensação”, uma boa e tradicionalmente pesada de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e segunda foram seguros, tocando junto de surdos de terceira com balanço bem envolvente, dando molho à cozinha do Arranco. Um naipe de repiques coesos se exibiu junto de uma ala de caixas ressonante, complementando de modo eficiente a sonoridade dos médios.

Bossas extremamente ligadas ao melodioso samba do Arranco foram exibidas com eficácia. A sonoridade da bossa com levada nordestina no refrão do meio também merece menção musical. Assim como o arranjo da segunda, iniciado com tapas progressivos, seguindo para uma boa conversa rítmica, que culmina no arranjo do estribilho, que deu todo um ar de clima circense, transformando a Avenida num autêntico picadeiro.
Uma construção musical impecável e muitíssimo bem exibida.

Uma grande apresentação da bateria “Sensação” do Arranco do Engenho de Dentro, dirigida pela primeira mestra a reger um ritmo na Sapucaí, Laísa Lima. Um desfile emocionante, com exímia conjunção sonora e uma musicalidade dançante em bossas bem vinculadas ao tema circense da escola. Na primeira cabine, uma apresentação muito boa foi realizada. A do segundo módulo foi até melhor, arrancando aplausos de todo o júri. Na última cabine (dupla) outra apresentação primorosa evidenciou um grande desfile da bateria do Arranco, da estreante Laisa Lima.

Arranco aposta na força simbólica do riso e entrega conjunto plástico sólido

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O Arranco do Engenho de Dentro, terceira agremiação a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí neste sábado de carnaval, apresentou um dos projetos mais lúdicos e necessários da Série Ouro: “A Gargalhada é o Xamego da Vida!”. A carnavalesca Annik Salmon não se limitou a uma biografia linear de Maria Eliza, como construiu uma crônica visual sobre o direito ao riso da população negra, elevando a figura da Palhaça Xamego ao status de baluarte da cultura popular brasileira em um desfile marcado pelo equilíbrio entre técnica e explosão emocional.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada com rigor cênico, a comissão transportou o público para o Circo Teatro Guarany por meio de bailarinos caracterizados como palhaços clássicos, em uma performance que fundia dança e acrobacia. O elemento cenográfico, um tripé em formato de caixa de palhaço, foi o protagonista de um dos momentos mais inteligentes da noite, com o uso de um monociclo pela bailarina central, que conferiu dinamismo ao cortejo.

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O ápice foi a transição identitária na marcação do samba, na parte “é homem, é mulher, não importa”. Em uma troca de figurino ágil e precisa no topo da caixa, a “Palhaça” deu lugar à “Mulher”, revelando Maria Eliza sem os ornamentos do picadeiro, humanizando o mito e emocionando as frisas com uma leitura clara e objetiva.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Diego Falcão e Denadir Garcia protagonizaram uma exibição de gala. Defendendo o pavilhão com a fantasia “A Gargalhada Ancestral”, o casal exibiu figurinos de altíssimo nível, nos quais o dourado e os tons claros serviram de base para um detalhamento em pedrarias pretas e muitas plumas, garantindo volumetria imponente.

No campo técnico, a sincronia foi absoluta. Diego apresentou um bailado tradicional, com giros velozes e cortejo reverente à bandeira, enquanto Denadir flutuou na avenida com giros bem espaçados e precisos, mantendo o pavilhão sempre desfraldado. O sorriso constante do casal ratificou a conexão com a proposta festiva do enredo.

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O mestre-sala optou por uma linha de bailado tradicional, caracterizada por cortejo elegante e protetor ao pavilhão. Seus movimentos foram marcados por giros de precisão cirúrgica e sapateado que, em diversos momentos, dialogava diretamente com a letra do samba e as bossas da bateria. Houve equilíbrio notável entre a força de seus passos e a leveza necessária às coreografias que remetiam ao tema festivo, mantendo postura altiva e contato visual firme com sua parceira e com o corpo de jurados.

Denadir Garcia, por sua vez, foi a personificação da suavidade e do domínio técnico. Conduzindo o pavilhão azul e branco com extrema destreza, a porta-bandeira apresentou giro clássico, bem espaçado e com excelente controle de eixo, garantindo que o pavilhão se mantivesse sempre desfraldado, sem enrolar no mastro. Denadir incorporou o espírito do enredo ao seu bailado, fundindo técnica rigorosa a passos mais soltos que remetiam à alegria do samba. Sua performance foi marcada por expressão radiante, transmitindo a segurança de quem possui domínio absoluto de seu espaço e de sua função sagrada.

SAMBA E HARMONIA

A bateria “Sensação” escreveu um capítulo importante da história recente do carnaval sob o comando de mestra Laísa, a única mulher à frente de uma bateria na Sapucaí. A ala musical deu show de criatividade com bossas que incorporavam sons circenses e migravam, com maestria, para a cadência do forró, homenageando a ascendência da família de Maria Eliza.

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Esse vigor rítmico serviu de alicerce para uma harmonia robusta. A escola cantou a plenos pulmões, com o refrão principal funcionando como verdadeiro grito de afirmação da comunidade do Engenho de Dentro, amparado por bom trabalho do carro de som.

ALEGORIAS E FANTASIAS

O conjunto alegórico demonstrou excelente aproveitamento de materiais e cores vibrantes. O abre-alas, “A Chegada do Grande Circo Guarany”, em tons de azul e dourado, impactou, mas apresentou falha no acabamento da escultura do Falcão e também em parte da fantasia do destaque no chão.

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O uso de materiais metálicos na segunda e na terceira alegorias trouxe brilho extra sob a iluminação da passarela. A última alegoria foi bom fechamento, com explosão cromática e bailarinos realizando movimentos em balanços circenses no topo do carro, conferindo dinâmica vertical que traduziu com fidelidade a alma do enredo. No chão, as fantasias dos destaques mantiveram padrão de acabamento, completando a unidade visual da escola.

EVOLUÇÃO

No quesito Evolução, o Arranco demonstrou maturidade. A escola manteve andamento fluido, sem abrir buracos ou apresentar oscilações de ritmo. As alas estavam compactas, e os componentes demonstravam alegria genuína, brincando o Carnaval sem perder alinhamento técnico.

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A leveza das indumentárias permitiu que a agremiação evoluísse com rapidez e preenchesse o asfalto com a densidade de uma escola que brilha para ascender ao topo.

O Arranco do Engenho de Dentro entregou desfile técnico e emocional. Ao elevar Maria Eliza Xamego, a escola reafirmou a importância do riso como ferramenta de luta e a competência feminina nos postos de comando do samba.

OUTROS DESTAQUES

Se o enredo do Arranco celebrava o pioneirismo de uma mulher negra no picadeiro, tratou de atualizar essa narrativa para os dias atuais. Sob o comando de mestra Laísa, a única mulher a ocupar o posto de regente principal no Grupo de Acesso neste carnaval, a “bateria Além da excelência musical, o trabalho de Laísa à frente dos ritmistas simboliza um marco de representatividade na Sapucaí. Com uma regência firme e uma liderança respeitada por todo o corpo de ritmistas, ela provou que o comando do ritmo não tem gênero. A bateria do Arranco não apenas sustentou o canto da escola, mas foi um elemento narrativo fundamental e a sustentação necessária para que a comunidade desfilasse com a alma lavada.

Força do samba e qualidade do enredo dão o tom do desfile dos Gaviões da Fiel

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Os Gaviões da Fiel atravessaram o Sambódromo do Anhembi, no último sábado, em desfile válido pelo Grupo Especial do Carnaval de São Paulo em 2026. Quarta escola a cruzar a Passarela do Samba, a apresentação foi marcada pela facilidade de leitura do enredo e desempenho de alto nível do samba no cortejo, encerrado após 63 minutos na Avenida. A Fiel Torcida desfilou com o enredo “Vozes ancestrais para um novo amanhã”, assinado pelos carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira.

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A agremiação alvinegra entrou na Avenida otimista com os bons resultados dos últimos dois anos. Não à toa, sua torcida apaixonada lotou o Sambódromo e cantou com a escola do início ao fim do desfile. O conjunto da obra da escola foi bem satisfatório, apesar de alguns deslizes ocorridos com as alegorias. Se há uma expectativa pelo tão sonhado pentacampeonato, cabe aos jurados definirem isso, mas certamente foi um desempenho para os Gaviões sonharem com mais um excelente resultado.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Helena Figueira, a Comissão de Frente dos Gaviões representou na Avenida “O Transe de Yakoana”. De acordo com a tradição Yanomami, trata-se de um ritual xamânico que permite a eles se comunicarem com os espíritos da floresta, conhecidos como Xapiris.

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O quesito retratou um período conhecido como “tempo do sonho”, referente à época anterior da invasão da floresta, desde a sua criação. A Voz Ancestral se personifica em um xamã, que imerge no transe de yakoana. A apresentação foi imersiva, e a representação do momento em que o yakoana é aceso se dá no momento em que componentes sobem no topo dos quatro tripés que acompanharam os dançarinos. Uma abertura de desfile boa para preparar o público para os elementos que viriam a seguir.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Wagner Lima e Carolline Barros desfilaram pelo segundo ano como primeiro casal dos Gaviões da Fiel. Este ano, a dupla dançou com fantasias representando “A visão de Omama, Thueyoma e as Serenas”, e veio acompanhada de um grupo de guardiões. A dança do casal ocorreu dentro da proposta do enredo, com coreografia marcada dentro da temática proposta. Os balizamentos foram cumpridos com elegância e destreza, fazendo do quesito um ponto positivo dentro do desfile da escola.

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ENREDO

“Vozes ancestrais para um novo amanhã” trata-se de um manifesto indigenista que ecoa e enaltece a história, as vozes e os saberes dos povos originários. A Fiel Torcida convidou o público à descolonização do pensamento e à valorização das culturas indígenas, especialmente no contexto das mazelas climáticas e ambientais dos tempos atuais.

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Os quesitos apresentaram diferentes momentos históricos, iniciando no período pré-invasão europeia. O setor que abordou o período do Brasil Colonial referenciou os males trazidos de além-mar, como as doenças, queimadas e a matança da vida selvagem e dos povos originários, mostrando as lutas que perduram até os dias de hoje por reparação histórica e direito de simplesmente existirem. O desfile se encerrou com o anseio por um novo amanhã, onde o país passa a entender suas verdadeiras raízes e se volta aos saberes indígenas, para construir um futuro a partir deles, retomando a época em que essas terras eram conhecidas como Pindorama.

Na Avenida, a narrativa funcionou adequadamente, aliada à facilidade de leitura dos elementos visuais apresentados pela Fiel Torcida. É mais um dos quesitos seguros da escola para a apuração.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias dos Gaviões da Fiel, por todos os elementos de pista que desfilaram, teve papel fundamental na narrativa do enredo. Percebeu-se com clareza a representação das diferentes passagens da narrativa, e a forma como alas e casais de mestre-sala e porta-bandeira se comunicaram foi com muito zelo.

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O quesito precisa apresentar bom acabamento, facilidade de leitura e cooperar para que os desfilantes brinquem o Carnaval, e nesse aspecto as fantasias dos Gaviões cumpriram bem o seu papel. Não foram observadas falhas que possam comprometer a avaliação da escola, o que pode ser positivo no momento da apuração.

ALEGORIAS

Os Gaviões desfilaram com um conjunto formado por quatro carros alegóricos e um tripé. São eles: o tripé que acompanhou a ala “A Visão dos Ancestrais”, representando os espíritos vislumbrados durante o ritual de yakoana. O Abre-alas, “A Visão do Templo dos Sonhos”, trouxe uma percepção geral dos elementos apresentados na primeira parte do desfile, com a visão que o Xamã, apresentado na Comissão de Frente, teve após imergir no transe de yakoana. O Carro 2, “O Tempo da Estrada”, representou a destruição provocada pelos invasores europeus, arruinando aquele mundo de sonhos. O Carro 3, “Guerra ao Xawara”, ilustrou o enfrentamento mítico de indígenas contra a criatura bestial Xawara. Por fim, o Carro 4 retratou “O Brasil Guajupiá”, que é o anseio da transformação do país na chamada ‘terra sem males’.

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Dentro da proposta, as alegorias contribuíram como grandes representações dos elementos inicialmente abordados pelas fantasias, fazendo do conjunto visual da Fiel Torcida uma narrativa didática e impactante, em especial pela boa plástica geral. Mas alguns problemas foram observados quando os carros passaram pelo penúltimo módulo de julgamento, como a iluminação e os efeitos de água do eixo central do Abre-alas, que estavam apagados, e algumas inconsistências de acabamento percebidas na estrutura que sustenta a escultura do gavião, além da iluminação de uma das caveiras do Carro 2. Algumas perdas de décimos podem ocorrer no quesito.

HARMONIA

A Fiel Torcida representou bem o seu pavilhão na Avenida. O canto da comunidade foi valente e vigoroso ao longo de todo o desfile, mantendo o andamento do quesito em elevado nível e convidando o público a cantar junto. É um quesito em que a escola pode se dar muito bem no dia da apuração.

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EVOLUÇÃO

Tecnicamente, os Gaviões tiveram um bom desempenho. A evolução teve andamento adequado para o tamanho do contingente levado para a Avenida, e o recuo da bateria foi bem fechado pela ala seguinte. Houve algumas leves oscilações diante do módulo três, mas no restante da Avenida tudo pareceu transcorrer bem.

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SAMBA-ENREDO

O samba dos Gaviões para o Carnaval de 2026 foi assinado por Renato do Pandeiro, Rica Leite, Luciano Rosa, Cacá, Vini, Beto Cabeça, Don Souza, Portuga, Alves, Willian Tadeu e Biro. Na Avenida, a obra foi defendida pelo carro de som comandado pelo histórico intérprete Ernesto Teixeira, com mais de 40 anos de Avenida, todos defendendo a Fiel Torcida.

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O samba-enredo da escola foi muito elogiado desde seu anúncio, mas a primeira versão divulgada pela escola tinha uma interpretação deveras elevada, que gerou algumas preocupações. Mas desde o lançamento do CD oficial, percebeu-se uma mudança de tonalidade que o tornou mais cadenciado e encaixou perfeitamente no andamento do carro de som.

Na Avenida, os cantores da Fiel Torcida conseguiram conduzir bem a obra, e a facilidade de captação da letra permitiu aos desfilantes cantarem o samba com clareza. As expectativas pela nota máxima são boas para o dia da apuração.

OUTROS DESTAQUES

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Sabrina Sato reinou imponente à frente da bateria “Ritimão”, comandada por mestre Ciro. Os ritmistas da escola reproduziram bossas de boa qualidade, e realizaram alguns apagões pontuais respondidos com vigor pela comunidade. A execução do recuo foi bem-feita, com a corte cumprindo bem o seu papel nesse momento importante.

 

Império Serrano transforma escrevivência de Conceição Evaristo em navio de barro na Sapucaí

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Quarta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, o Império Serrano apresentou um desfile marcado pela força da literatura e da memória ancestral. Com o enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, assinado pelo carnavalesco Renato Esteves, a verde e branca de Madureira exaltou a trajetória e a obra de Conceição Evaristo. 

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CARRO
Segunda alegoria do Império Serrano intitulada “Navio-mudança: Refúgio dos Becos e Vielas”. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Um dos pontos altos do desfile foi a segunda alegoria, intitulada “Navio-mudança: Refúgio dos Becos e Vielas”. O carro representa uma enchente na favela e a transformação da personagem mítica Sabela em um navio de barro para salvar a comunidade. Com estética terrosa, a alegoria aposta no barro e coletividade como imagem de recomeço.

No alto do carro, três componentes deram vida a essa narrativa: Wellington Ramos, de 59 anos, aposentado e há dois anos desfilando pela escola; Ticiane Gomes, de 39 anos, técnica de enfermagem e estreante no Império; e Juliana Amorim, de 30 anos, enfermeira, também em seu primeiro desfile na agremiação.

Representar a resistência em meio à enchente

WELLINGTON RAMOS
Wellington Ramos. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Para Wellington, desfilar no carro vai além da estética e do espetáculo. “Sinto-me honrado com essa oportunidade. Estar ali em cima representa muito mais do que um desfile, é um reflexo fiel do povo brasileiro, que é um povo batalhador. Estar naquele carro é dar voz a essa resiliência de quem enfrenta as adversidades e se mantém de pé”, afirmou.

TICIANE GOMES
Ticiane Gomes. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Ticiane revelou que o tema dialoga diretamente com sua própria trajetória. “Essa representação toca em um ponto muito íntimo da minha vida, pois eu já vivi na pele essa situação exata. Eu sei o que é enfrentar o desespero e a perda causados pelas enchentes, por isso, estar aqui hoje representa muito para mim. Sinto uma identificação profunda com a proposta desse carro; é como se eu estivesse ali não apenas desfilando, mas honrando a minha própria história de sobrevivência e a de tantas outras pessoas”, disse.

Juliana destacou a emoção de integrar um desfile que homenageia Conceição Evaristo. “Eu estou me sentindo extremamente à vontade e muito feliz com essa oportunidade. Foi maravilhoso poder me integrar à comunidade do Império; eu adorei participar ativamente, ir até o barracão e ajudar inclusive na confecção das fantasias. Ver o processo de perto e colocar a mão na massa tornou tudo muito mais gratificante”, afirmou.

A estética do barro e a conexão com a ancestralidade

A alegoria foge do luxo tradicional e das pedrarias para apostar em uma estética crua, ligada à terra e à reconstrução. Para Wellington, essa escolha dialoga diretamente com a origem do povo brasileiro. “Essa conexão é muito forte e presente. Essa estética me remete diretamente à nossa ancestralidade e, acima de tudo, à verdadeira origem do povo brasileiro. É uma estética que fala sobre a nossa base, que vem da força da favela e da pureza do samba, mostrando de onde realmente viemos”, disse.

Ticiane também enxergou na proposta visual um retorno às raízes. “Sem dúvida alguma. Eu sinto que essa estética é profundamente ancestral. Ela foge do óbvio e nos transporta para as raízes da nossa gente, mostrando a beleza que existe na verdade e na força do povo que resiste. É um visual que fala diretamente com a nossa essência e com o que somos de verdade”, afirmou.

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Juliana Amorim. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Juliana reforçou a mesma percepção ao relacionar o barro à memória coletiva. “Essa estética mais crua e ligada aos elementos da terra e da história do nosso povo traz uma conexão muito forte com as nossas raízes e com tudo o que veio antes de nós”, concluiu.

O Império como porto seguro

Além de simbolizar o refúgio diante da enchente, o carro também ecoa a própria vivência dos componentes dentro da escola. Para Wellington, o Império Serrano é abrigo. “O Império Serrano é, sem dúvida, um refúgio para mim. Quando estou aqui, vivenciando o dia a dia da escola e participando do Carnaval, eu me sinto renovado e muito melhor. É um ambiente que me acolhe e me faz bem de uma forma muito especial”, afirmou.

Estreante, Ticiane destacou o acolhimento recebido. “O acolhimento tem sido maravilhoso. Eu me sinto totalmente à vontade aqui. Mesmo sendo estreante, a comunidade do Império Serrano nos abraçou de uma forma muito calorosa e o tratamento que recebemos é impecável. Estou saindo daqui com uma sensação de extrema satisfação e felicidade por ter escolhido esse refúgio para o meu primeiro carnaval”, disse.

Juliana já projeta o futuro na verde e branca de Madureira. “A experiência tem sido tão positiva e acolhedora que eu já fiz planos para o futuro: pretendo desfilar no Império Serrano por muitos e muitos anos. Encontrei aqui um lugar onde me sinto bem e que quero levar para a vida”, concluiu.

União de Maricá 2026: Galeria de fotos do desfile

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