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Paraíso do Tuiuti 2027: leia a sinopse do enredo

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Enredo: CIATA: A MÃE PRETA DO SAMBA

tuiuti logo2027

ANÁLISE DE DISCURSO

“Tu és meu sonho Tuiuti
Tens um destino a cumprir”
Paraíso do Tuiuti 2001
(Cesar Som Livre, Kleber Rodrigues, David Lima e Claudio Martins)

O Paraíso do Tuiuti, preparado para continuar indo ao encontro do seu destino, reafirma a sua posição de fazer enredos e propor questionamentos que busquem tirar fatos e personagens do apagamento dos livros oficiais para consagrá-los na eternidade do maior espetáculo da terra.

CONCEITO DO TÍTULO DO ENREDO
CIATA: MÃE PRETA DO SAMBA

Traduz de forma direta e sucinta o significado e o simbolismo da personagem de fundamental importância na criação do samba carioca, como também no enraizamento da cultura de terreiro.

A expressão “mãe preta” no Brasil Colonial é muito marcada pelo imaginário e pela violência da escravidão, não raro definindo as amas de leite submetidas à amamentação compulsória dos filhos da elite.

Desafiando o horror da escravidão, o Tuiuti propõe a ressignificação do termo, entendendo a mãe preta do samba como protagonista soberana e livre, senhora de saberes, sabores, afetos, acolhimentos, resistências e reexistências, no contexto do matriarcado gerador da cultura preta do samba.

SINOPSE

Acordou, como sempre, antes do galo cantar. De um estalo se mirou no espelho do abebé, o leque dourado de Oxum, naquela hora em que o sol, como um abre-alas, pediu passagem entre as nuvens da madrugada para anunciar a chegada de mais um dia. O cheiro bom do omolokum arriado no dia anterior ainda dominava o ambiente.

A tia preta abriu a porta do casarão, então matriz de acolhimento dos sabores e saberes de sua gente, na rua Visconde de Itaúna, número 117, Praça Onze de Junho, e saiu para o trabalho, empunhando o seu tabuleiro de doces deliciosos, vestida a caráter: pano da costa, ojá na cabeça, saia rendada, bata, guias e balangandãs.

Ela, ao lado de tantas tias, foi expoente da tradição das mulheres quituteiras trajadas de baianas nas ruas da cidade; pretas soberanas que assumiram plenamente o protagonismo sobre suas vontades, seus corpos e suas vidas.

Hilária Batista de Almeida se lembrou da Bahia e do tempo de cabeça feita pelo velho Bamboche, quando Oxum gritou por três vezes no jogo aberto: Ora iê iê ô, alafiou!

E pensou alto: este ano a festa da minha mãe vai ser linda.

Feito isso, seguiu para seu ponto comercial naquela esquina do Centro, próxima às ruas da Alfândega e do Ouvidor, sem esquecer da caminhada como primeira yaquequerê do terreiro de João Alabá, na rua Barão de São Felix, na Cidade Nova.

A região central da cidade se transformava pelas reformas urbanas que buscavam construir, desde o início da República, uma espécie de “Paris Tropical”; projeto que caminhou tentando invisibilizar as vivências e a ciência dos pretos e pobres que não faziam parte do ideal da Belle Époque carioca.

A tia ainda se lembrava dos dias da Revolta da Vacina, nos tempos do Bota Abaixo do prefeito Pereira Passos. No burburinho das ruas, era como se Omolu, o grande orixá da doença e da cura, estivesse balançando o xaxará, o cetro de búzios e palha da costa, pela cidade inteira.

A gente simples das ruas cariocas, todavia, não é de se entregar e se integrou através da luta, da ocupação do espaço público e da construção de sociabilidades cotidianas. Nelas, se atam os nós da resistência e da invenção de modos coletivos de vida.

Ciata continuou a passos firmes, cruzou com uns conhecidos capoeiras, passou pelo vizinho que escrevia o jogo do bicho, viu algumas barracas de frutas frescas e percebeu que a justa vinha descendo em disparada desde o Campo de Santana, atrás de uns malandros e de uma yaô recém-iniciada para o orixá.

Ao seu lado, dois moleques gaiatos cantarolavam baixinho:

“O Chefe da Folia pelo telefone mandou avisar…”

Pensou alto: Oxalá!

O Rio de Janeiro começava a respirar os ares do carnaval e como era bom ouvir aquele batuque que começou misturado com choro, maxixe, samba de roda e muito axé, livre da repressão urbana, no quintal de sua casa, e que estava se tornando popular em meio ao corre-corre das ruas.

Ela mesma, afinal, participara da composição daquela música que os garotos cantavam — e Donga registrou com o título de “Pelo Telefone” — além de ter a fama de ser bamba nas rodas de partido alto. Como versava!

A Tia mal podia conter a expectativa pelos dias de folia. Ela era carnavalesca das mais animadas que, não à toa, herdou o Rancho Rosa Branca e viu nascer no seio de sua família o bloco O Macaco é Outro.

De súbito, um senhor de paletó marinho, que ela conhecera quando vendia doces numa Festa da Penha, há muitos anos, perguntou:

Tem doce de coco, tia? Daquele que eu comi no dia de Cosme e Damião do ano passado, na sua casa?

Tem sim senhor! E manjar também.

Uma senhora, negra altiva, disse:

Hoje não, mas amanhã eu quero mugunzá de colher, cuscuz e pé de moleque. Hoje eu quero comer um acarajé de mamãe Oyá para ficar ventando de satisfeita! Se bem que um caruru também é boa pedida.

A Iyabassê, sem perder o sorriso do rosto, respondeu irônica:

Por falar nisso, amanhã nem sei se venho. Preciso bater umas folhas ainda hoje e fazer um banho de ervas para curar a perna de um tal Venceslau Brás, acho que é o Presidente da República! Não tem ferida que Ossanha não resolva. Ele vai ficar bom.

E as duas riram.

Fez-se depois um silêncio momentâneo, logo rompido pelo barulho da turba que continuou agitando aquela manhã carioca de mais um dia de fevereiro.

De volta ao casarão de onde saíra de manhã, a tia encontrou a festa preparada para começar. Macumbeiros, sambistas, artistas, chorões, jornalistas, mães e filhas de santo, poetas, o povo da rua, tias amigas de longa data, não paravam de chegar.

Parecia que a gente daquela pequena África encravada entre o porto, a Saúde, a Gamboa, a Praça Onze, a Cidade Nova e o bairro do Estácio de Sá, estava toda ali.

De repente, com a mesa farta, os copos cheios e os corpos livres, a celebração rompe os limites do tempo e do espaço. A casa da Visconde de Itaúna é uma avenida iluminada para saudar a matriarca.

É carnaval e o rancho da saudade vai desfilar…

O seu povo desce o morro do Tuiuti e se veste de azul e amarelo para cantar, vibrar e reverenciar a ancestral maior que abençoa o carnaval.

Cada passo de samba é como um ponto riscado na Marquês de Sapucaí transformada em terreiro.

A Yalodê, líder feminina de sua gente, está feliz!

CRIAÇÃO E PESQUISA
• Carnavalesco: Renato Lage
• Pesquisa e texto: Claudio Russo e Luiz Antonio Simas
• Consultoria e apoio à pesquisa: Gracy Moreira e equipe da Casa da Tia Ciata
• Agradecimentos especiais: Professoras Angélica Ferrarez e Cláudia Alexandre

Gabriel David sobre reeleição na Liesa: ‘Independente de quem estiver lá, quero estar perto’

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

Em entrevista ao podcast Setor Sul, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, abriu o jogo sobre os rumos da gestão do carnaval carioca, as fofocas de bastidores e os planos para os próximos anos. Com foco total no Carnaval de 2027, ele minimizou as discussões sobre reeleição e reforçou a importância de manter o modelo de negócio que tem profissionalizado a festa. Questionado sobre o processo eleitoral e boatos, Gabriel David foi enfático ao dizer que o aumento das especulações é um reflexo do sucesso atual do carnaval.

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“Quando o carnaval estava em baixa não tinha fofoca. Agora tem fofoca de tudo quanto é lado, e isso é fruto do sucesso”, afirmou.

Sobre uma possível reeleição, o dirigente declarou que sua prioridade absoluta é a execução do projeto para o Carnaval de 2027, que ele pretende que seja o “maior e melhor de todos os tempos”. Para David, focar em política agora poderia dispersar a energia necessária para os desafios operacionais e artísticos da Liga.

Um dos pontos centrais da entrevista foi a necessidade de continuidade no trabalho administrativo. Segundo Gabriel, o modelo atual tem sido “extremamente vencedor” em termos de geração de receita, interface com o mercado publicitário e reconhecimento midiático. Ele alertou que romper com esse formato agora impactaria diretamente milhares de pessoas, artistas e fornecedores que dependem financeiramente do cronograma do carnaval.

Apesar de defender a continuidade, David declarou não acreditar na perpetuação do poder. Ele revelou que a grande maioria de suas indicações para novos beneméritos da Liesa foram artistas da festa, e sinalizou que, no futuro, a liderança poderia, e talvez devesse, ser ocupada por um artista, alguém com uma sensibilidade diferente para enxergar problemas que gestores tradicionais podem deixar passar.

Mangueira 2027: leia a sinopse do enredo

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Oya dé
Olúafééfé
Oya Ijegbe, igan obirin a ji sa idá
Ó lamu lamu bi ína bi alaro
Da ína si ajerę gbẹ ẹrù
Oya ni o to iwo efọn gbe
Ó ni lábá-lábá
Ó ni Olúafééfé

Relampejou! Natureza revolta como presságio. Os raios dela rasgam a imensidão do céu como a origem do seu próprio nome: O ya!. Ela rasgou, ela rasga. Ela corta, ela rompe, ela lacera, ela dilacera. Princípio que não se vê mas que se sente empurrar. Èfúûfù líle. O estrondo de sua presença preenche qualquer canto; tudo agora se confunde com a sua energia. Energia de imensidão, de exuberância. De ventania, de redemoinho, de furacão. De começo, meio e recomeço. Sentido espiralar da existência. Fundamento da vida, rito de orixά.

Deixa chover, deixa ventar. Deixa insurgir a tempestade das nuvens de chumbo dessa senhora cor de cobre, enegrecida, rosada, rubra, terracota, marrom.

Epahey, Oyá!.

Ao fim do arrebol, faz-se noite de carnaval. Daqui, de antes e por todo o sempre, sua valentia prevalece. Afasta os desatinos, arrastando tudo aquilo que está à sua frente. Oyá é uma constante reinvenção. Impulso indomável da liberdade, que só sabe ser livre se for muitas. Transcorre, transforma, expande. Do sagrado Rio Níger ao coral do mar; da capacidade de mutações diversas ao veredito do elefante branco. Pisando firme no chão, planando pelo ar. Linhagem de mandinga, várias formas de ser. De ser avassaladora. Exu, nas rédeas dos caminhos, possibilita diferentes magias de renovações. Dá novos sentidos à existência, rege a transformação dos deuses. Com sua mediação, Oyá segue. Abaixo da pele de búfalo, sob a imponente carcaça com o par de chifres, ela surge potente e fascinante. Sabe chegar, fincar, se impor. E também sabe voar para longe, compreendendo o tempo de se recolher para adornar os céus de lábá-lábá. Flutua no espaço, bate as asas pelos caminhos, travessias de borboleta-mulher.

Oyá é guerreira que não se curva aos inimigos. Com ela, amor e afeto se fazem juntos. O mesmo arrepio da luta vem da paixão. Yabá combatente e corajosa, mãe de nove filhos forjados entre o ferro e a vida. Ao lado do Senhor de Irê, promove um amor que se encontra na guerra e no fio da espada. Valente, ela é comandante implacável de tantos enfrentamentos sem barreiras que possam Ihe segurar. Mulher de dendê, mancha presente que não se esvai, ardente como o óleo-sangue do mundo. Ao comer akará, aprendeu a ser brasa e cuspir a chama daquele com quem teve outro grande encontro: o Alafin de Oyó. É ele uma força tão obstinada quanto Oyá. Orikis contam essa paixão de revoluções, capaz de quebrar grilhões, mudar o passado, se juntar na quarta-feira e fazer tocar daró e alujá.

Sobe o run! Nos ilê axé, Oyá reina sobre os oris por ela apontados. Destino! Pelas mãos dos axoguns e pelos cuidados das ekedjes, obrigações e rituais são cumpridos em seu nome. Missão! Oguês e okutás compõem os seus assentamentos. Das iyabassés, acarajé com folha de louro para atrair prosperidade, além de olelê e ekuru. O povo de santo planta axé e firma os Candomblés durante noites de beleza sem-fim. Dentro dos barracões, Oyá encanta oborós com sua dança de entre-mundos acompanhada pelos alabês. Ao longo do ajerê, carrega tacho na cabeça, exibindo o poder dos seus dedos quentes ao redor da fogueira. Eruexim erguido, orienta os caminhos. Governante dos ciclos, a lyá Mesan Orun! No axexê, a senhora dos nove céus encaminha os ancestrais. Com peregun, abre os seus destinos. Ewé, para-raio, erva-prata. Adaga de igbá. Rituais e macumbas, farturas e cantigas, defumação e alguidar. Awò.

O terreiro ganha a rua para que ela se apresente em cortejos sublimes. Atravessa a religião e se apodera das festas e das manifestações da cultura afro-brasileira, que a evocam e reverenciam. Fio de conta continua tocando ao peito, o som se mantém negro e Oyá vive em outras formas de cultuá-la. Ocupa e transforma diferentes espaços: está nos palcos, nas ruas, nas artes, nos maracatus, nos afoxés, nas danças, nas escolas de samba, na Estação Primeira. Vínculo transcendental de ventres constituídos pelas mãos femininas, que sustentam, articulam e conduzem esses coletivos matriarcais. Herdeiras de Oyá, honram seu legado e seus saberes. Ela protege, sustenta e inspira suas filhas. Mulheres que seguem soprando; se reinventando, resistindo e existindo; amando e guerreando; fazendo batuque e festa… tudo por ela. Tudo com ela! Liderando e tecendo redes, fundando famílias, zelando pelos filhos uma das outras e formando vidas. Sendo Oyá. Para bradar a todos os céus a quem se é grata, pois nutri-la também é se alimentar.

Quando lansā passa, nada fica no lugar. Depois que a Mangueira desfila, nada permanece igual. Todo mundo nos conhece ao longe. Chegou, ela chegou. É tempo de Oyá!

Nessa celebração, já é madrugada de quarta-feira – dia dela, para confirmar. Olhares inundados, peito apertado, o nosso povo em devoção. Vendaval de gente, macumba Verde e Rosa na avenida, cruzando essa pista em busca da manhã. Olhando para frente, miramos a Apoteose. Queremos ver o nascer do sol, uma nova estrela. Entoar de novo aquele brado em sua companhia.

Epahey, minha mãe! Aceite essa Nação que é sua. Aceite esse carnval que é seu. É você, Oyá! É você pela gente!

É Oyá por nós!

Enredo e Pesquisa: Sidnei França, Sthefanye Paz e Felipe Tinoco

Glossário

Acarajé – Bolinho de feijão-fradinho frito no dendê.
Comida ofertada a Oyá.

Akará – Bola de fogo.

Ajerê – Ritual presente em festejos de Xangô, no qual Oyá dança com um tacho com fogo na cabeça. Também é o nome dado ao próprio tacho do ritual.

Alabês – Ogans responsáveis pelos atabaques e toques em rituais do Candomblé.

Alafin – Título do rei de Oyó.

Alujá – Toque da religiosidade afro-brasileira vinculado a Xangô.

Awo – Dentre diferentes definições, é associado aos segredos dos cultos afrorreligiosos.

Axexê – Ritual fúnebre do Candomblé.

Axoguns – Ogans designados para fazer a transposição de energia contida nos elementos sagrados que serão oferecidos nos rituais dos orixás.

Barracões – Espaço no qual são realizados alguns rituais e eventos públicos dos terreiros de Candomblé.

Daró – Também conhecido como adaró ou “quebra-pratos”. Toque dedicado a Oyá, marcado por sua agilidade relacionada aos movimentos intensos dessa yabá.

Èfúùfù líle – Expressão associada aos grandes ventos, vendavais e tempestades vinculados a Oyá. Também conhecido como Efurufu lelé ou Ofurufu lele.

Epahey – Saudação a Oyá.

Ekedjes – Cargo feminino no Candomblé vinculado aos cuidados com os orixás e responsabilidades do terreiro.

Ekuru e Olelê – Comidas feitas de feijão-fradinho, sem fritar, também oferecidas a Oyá em alguns contextos religiosos.

Eruexim – Instrumento ritual feito com rabo de animal, utilizado por Oyá para governar os Eguns, os espíritos dos ancestrais.

Erva-prata – Planta utilizada em rituais com a presença de Oyá.

Ewé – Nome associado a folhas sagradas.

Igbá – Assentamento em que se guardam os elementos ritualísticos de cada orixá.

Ilê axé – Casas do culto de Candomblé.

Irê – Cidade em que Ogum foi rei.

Iyá Mesan Orun – “Mãe dos nove oruns”, titulação recebida por Oyá, e uma das origens associadas ao nome de Iansã, que seria uma corruptela desta expressão.

Lábá-lábá – Em iorubá, uma forma de se referir à borboleta.

Oyá – De acordo com algumas narrativas, a junção dos termos “O” e “ya” teria originado o nome de Oyá, que significaria “ela cortou”.

Oborós – Orixás masculinos.

Oguês – Chifres de búfalo.

Okutás – Pedras consagradas utilizadas nos cultos dos orixás.

Orikis – Canções em iorubá dedicadas aos orixás.

Orun – Mundo espiritual.

Ori – Expressão associada à cabeça de cada pessoa, na qual se guarda o seu conteúdo espiritual, regida pelos orixás.

Oyó – Império governado por Xangô.

Para-raio – Planta vinculada a Oyá e a alguns de seus rituais.

Peregun – Planta usada em rituais com a presença de Oyá, inclusive para dar caminho durante a passagem dos ancestrais.

Rio Níger – Também conhecido como Odo Oyá, é um dos rios mais extensos do continente africano, que corta diferentes países. Associado aos cultos de Oyá. Em algumas narrativas, ela teria virado o próprio rio.

Run – Maior e mais grave atabaque do Candomblé.

Yabás – Orixás femininos.


Tradução do oriki que abre a sinopse

Oyá chegou
Senhora dos ventos
Oyá Ijebé, mulher corajosa que, ao despertar, levantou a espada
Ela brilha como o fogo sob a luz
Ela acende o fogo em um ajerê e o leva na cabeça
Oyá é a única que pode carregar os chifres do búfalo
Ela é uma borboleta
Ela é a dona dos ventos


REFERÊNCIAS

BRASIL. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Dossiê de registro: Maracatu Nação. Brasília: IPHAN, 2014. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/DOSIE_MARACATU_NA%C3%87%C3%830.pdf.

D’OSOGIYAN, Fernando. Oyá. A origem mítica do rio Níger. Ilé Àṣẹ Ọ̀ṣòlúfọ́n-Íwin, 2017. Disponível em: https://ileaxeoxolufaniwin.wordpress.com/2017/08/16/oya-a-origem-mitica-do-rio-niger/.

GABRIEL DA SILVA, Sárally. Itan e encantamentos: oralidade e performance pelos ventos de Iansã. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Letras – Português), Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2024.

GOLDMAN, Marcio. Os tambores dos mortos e os tambores dos vivos: etnografia, antropologia e política em Ilhéus, Bahia. Revista de Antropologia, v. 46, p. 445-476, 2003.

LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora africana. Selo Negro Edições, 2014.

MORAES, Daniela Beny Polito; ALVES, Teodora de Araújo. Os códigos de Oyá: elementos simbólicos da Dança de Iansã no Afoxé Oju Omitim Omorewá. Urdimento – Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 1, n. 24, p. 59-71, 2015.

OYEWÙMÍ, Oyèrónké. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

PARIZI, Vicente Galvão. O livro dos Orixás: África e Brasil. Porto Alegre: Editora Fi, 2020.

PAI RODNEY. Eparrei Iansã. Diálogos da Fé, CartaCapital, São Paulo, 2018. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/eparrei-iansa/.

PAI RODNEY. O enterro do pai de santo. Diálogos da Fé, CartaCapital, São Paulo, 2017. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/o-enterro-do-pai-de-santo/.

PEREIRA DA SILVA, Tulani. Entre búfalos e borboletas: dançando reflexões sobre corpo e gênero no cotidiano a partir da figura de Oyá-Iansã. Nganhu, v. 1, n. 1, 2018.

POLI, Ivan da Silva. Antropologia dos orixás: a civilização iorubá a partir de seus mitos, seus orikis e sua diáspora. Rio de Janeiro: Pallas, 2019.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

SANTOS, Vagner José Rocha. O acará de Iansã na festa de Santa Bárbara: breves considerações sobre as comidas de uma festa religiosa popular em Salvador. Revista Ingesta, v. 1, n. 2, p. 26-37, 2019.

THEODORO, Helena. Iansã: rainha dos ventos e tempestades. Rio de Janeiro: Pallas, 2010.

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo. Salvador: Corrupio, 2002.

MacBook Pro em 2026: quanto custa e o que considerar antes de comprar

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Foto: Divulgação

Na hora de investir em um notebook premium, muitas pessoas começam pesquisando o valor de um macbook para entender se o investimento realmente vale a pena. O MacBook Pro é conhecido por seu alto desempenho, design sofisticado e integração com o ecossistema da Apple, mas o preço pode variar bastante dependendo de diversos fatores.

Entender o que influencia esse custo é essencial para fazer uma escolha consciente e alinhada com suas necessidades. Mais do que apenas olhar o preço, é importante analisar o que o dispositivo entrega em termos de desempenho, durabilidade e experiência de uso.

O que define o preço de um MacBook Pro

O valor de um MacBook Pro não é fixo e pode variar conforme diferentes configurações e versões disponíveis no mercado. Entre os principais fatores que impactam o preço estão o processador, a memória RAM, o armazenamento interno e até o tamanho da tela.

Além disso, versões mais recentes costumam ter um custo mais elevado devido às melhorias tecnológicas, enquanto modelos anteriores podem apresentar um melhor custo-benefício.

Diferenças entre os modelos disponíveis

Tamanho de tela

Os MacBooks Pro geralmente estão disponíveis em diferentes tamanhos de tela, o que influencia diretamente no preço. Modelos maiores costumam oferecer mais espaço de trabalho e melhor experiência visual.

Configurações internas

A escolha entre diferentes quantidades de memória RAM e armazenamento também impacta o valor final. Usuários que precisam de mais desempenho tendem a investir em configurações mais robustas.

Geração do chip

Os chips mais recentes oferecem melhor desempenho e eficiência energética, o que também contribui para um preço mais elevado.

Por que o MacBook Pro é considerado premium

Qualidade de construção

Um dos grandes diferenciais do MacBook Pro é a qualidade dos materiais utilizados. O acabamento em alumínio e o design refinado garantem durabilidade e um visual moderno.

Desempenho consistente

O dispositivo é projetado para oferecer alto desempenho mesmo em tarefas exigentes, como edição de vídeo, programação e design gráfico.

Integração com o ecossistema

Usuários que já utilizam outros dispositivos da Apple se beneficiam da integração entre aparelhos, o que melhora a produtividade e a experiência geral.

Para quem vale a pena investir

Profissionais criativos

Designers, editores de vídeo e fotógrafos costumam aproveitar ao máximo o desempenho do MacBook Pro.

Desenvolvedores

Programadores também se beneficiam da estabilidade do sistema e da performance do hardware.

Usuários exigentes

Quem busca um notebook rápido, confiável e com longa vida útil pode considerar o investimento.

Quando o investimento pode não ser necessário

Uso básico

Para tarefas simples, como navegação na internet e uso de aplicativos leves, pode não ser necessário investir em um modelo premium.

Orçamento limitado

O custo pode ser um fator limitante, principalmente para quem busca uma opção mais acessível.

Custo-benefício ao longo do tempo

Durabilidade

MacBooks costumam ter uma vida útil longa, o que pode compensar o investimento inicial mais alto.

Atualizações de sistema

Os dispositivos recebem atualizações por vários anos, mantendo o desempenho e a segurança.

Valor de revenda

Outro ponto positivo é o valor de revenda, que tende a ser mais alto em comparação com outros notebooks.

Comparação com outros notebooks

Sistema operacional

O macOS oferece uma experiência diferente em relação a outros sistemas, com foco em estabilidade e integração.

Performance otimizada

A combinação entre hardware e software garante um desempenho consistente.

Experiência do usuário

A interface intuitiva e os recursos integrados tornam o uso mais fluido.

O que considerar antes da compra

Necessidades reais

Antes de investir, é importante avaliar se o MacBook Pro atende às suas necessidades específicas.

Tipo de uso

Definir se o notebook será utilizado para trabalho, estudo ou lazer ajuda na escolha do modelo ideal.

Orçamento disponível

Planejar o investimento é fundamental para evitar gastos desnecessários.

Tendências para o futuro dos MacBooks

Evolução dos chips

A tendência é que os chips continuem evoluindo, trazendo ainda mais desempenho e eficiência.

Melhorias em bateria

A autonomia deve continuar sendo aprimorada, tornando os dispositivos ainda mais práticos.

Integração com novas tecnologias

Os MacBooks devem acompanhar novas tendências, como inteligência artificial e maior conectividade.

Como escolher a melhor configuração

Equilíbrio entre preço e desempenho

Nem sempre o modelo mais caro é o melhor para você. Encontrar um equilíbrio entre custo e desempenho é essencial.

Priorize o essencial

Investir em memória RAM e armazenamento adequados pode fazer mais diferença do que escolher o modelo mais recente.

Pense no longo prazo

Escolher um modelo que atenda às suas necessidades futuras pode evitar a necessidade de upgrades rápidos.

Impacto do investimento na rotina

Produtividade

Um notebook mais potente pode aumentar a produtividade e reduzir o tempo gasto em tarefas.

Confiabilidade

Dispositivos premium tendem a oferecer maior estabilidade.

Experiência geral

O uso diário se torna mais fluido e eficiente, especialmente para quem depende do computador para trabalhar.

Como encontrar boas oportunidades

Promoções e ofertas

Ficar atento a promoções pode ajudar a encontrar preços mais acessíveis.

Comparação de modelos

Pesquisar diferentes versões ajuda a identificar a melhor opção.

Avaliação de custo-benefício

Considerar todos os fatores envolvidos garante uma decisão mais segura.

Uso no dia a dia

Trabalho profissional

O MacBook Pro se destaca em ambientes profissionais que exigem desempenho consistente, especialmente em tarefas que envolvem múltiplos softwares abertos ao mesmo tempo. Isso garante mais fluidez durante o trabalho.

Estudos avançados

Estudantes de áreas técnicas, como engenharia, design ou tecnologia, também podem se beneficiar do desempenho do dispositivo, principalmente ao utilizar programas mais exigentes.

Uso pessoal

Mesmo no uso pessoal, a experiência premium pode fazer diferença na rotina, com navegação rápida, melhor qualidade de tela e maior conforto no uso diário.

Dicas para economizar na compra

Escolha versões anteriores

Optar por versões de gerações anteriores pode ser uma estratégia interessante para economizar, já que ainda oferecem excelente desempenho.

Avalie configurações intermediárias

Nem sempre é necessário escolher a configuração máxima. Modelos intermediários costumam entregar ótimo equilíbrio entre preço e performance.

Aproveite períodos promocionais

Datas especiais e campanhas de desconto podem ser boas oportunidades para adquirir um MacBook Pro com melhor custo-benefício.

Experiência a longo prazo

Consistência no desempenho

Mesmo após anos de uso, os MacBooks costumam manter um desempenho estável, o que reduz a necessidade de substituição rápida e garante maior aproveitamento do investimento.

Atualizações frequentes

O suporte prolongado a atualizações de sistema garante mais segurança, novos recursos e compatibilidade com softwares atuais ao longo do tempo.

Satisfação do usuário

Usuários que investem nesse tipo de dispositivo geralmente relatam uma experiência mais fluida e confiável no dia a dia, principalmente em tarefas profissionais.

Fatores que aumentam a vida útil do dispositivo

Cuidados com o uso diário

Evitar superaquecimento, manter o sistema atualizado e utilizar acessórios adequados são práticas que ajudam a prolongar a vida útil do notebook.

Armazenamento consciente

Gerenciar arquivos e evitar sobrecarga de armazenamento também contribui para manter o desempenho ao longo do tempo.

Manutenção preventiva

Realizar limpezas periódicas e cuidar da bateria são ações simples que fazem diferença na durabilidade do equipamento.

Dragões da Real anuncia saída do intérprete Renê Sobral

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Foto: Divulgação/Dragões da Real

A direção da Dragões da Real anunciou, nesta quarta-feira, a saída do intérprete Renê Sobral. Em comunicado oficial, a escola agradeceu ao cantor pela dedicação, profissionalismo e compromisso ao longo do período em que esteve à frente do carro de som. Nos últimos dias, o cantor esteve envolvido em um problema particular e o próprio artista, em declaração nas redes sociais, falou sobre a saída da agremiação.

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Segundo a nota, a voz e a presença de Renê marcaram momentos importantes da trajetória recente da escola, consolidando uma parceria construída com empenho e identificação junto à comunidade.

“Hoje nos despedimos e agradecemos ao intérprete Renê Sobral por toda dedicação, profissionalismo e compromisso ao longo dessa caminhada. Sua voz, presença e trabalho marcaram momentos importantes da nossa história”, destacou a agremiação.

‘Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte’ é o enredo da Unidos de Vila Isabel para o Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

​A Unidos de Vila Isabel anunciou o seu enredo para o carnaval de 2027: “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte.” Desenvolvida pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, em parceria com o pesquisador Vinícius Natal, a narrativa propõe uma adaptação carnavalesca do universo desenhado pelo escritor Itamar Vieira Junior em seu premiado romance “Torto arado”, publicado em 2019 pela editora Todavia. Aclamado pelo público e pela crítica, o livro de Vieira Junior venceu os prêmios LeYa, Jabuti e Oceanos, tornando-se um recente fenômeno literário brasileiro, com mais de 1 milhão de cópias vendidas e dezenas de traduções para outros idiomas. A trama contundente, a força das personagens femininas e o cenário onde tudo se desenrola (a Chapada Diamantina, no sertão da Bahia) motivaram os carnavalescos a proporem uma nova tradução da saga – agora, para a escola branca e azul do bairro de Noel Rosa. Haddad explica este movimento:

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​“Este enredo começou a ser pensado em 2023, quando percebemos, a partir da leitura de ‘Torto arado’, que o universo do Jarê, uma religião de matriz africana específica da Chapada Diamantina, nunca tinha sido celebrado na Marquês de Sapucaí. O percurso pelas páginas literárias foi muito transformador, de modo que passamos a nutrir o desejo de desdobrar essa história em enredo. Agora, já bem ambientados na Vila Isabel, eu e Leo percebemos que era o momento ideal. Curiosamente, conhecemos o autor do livro, Itamar Vieira Junior, durante uma cerimônia religiosa conduzida por Glicéria Tupinambá, no Museu Nacional, diante do Manto Tupinambá. Isso ocorreu quando já estávamos desenvolvendo as fantasias e as alegorias do desfile de 2026, em homenagem a Heitor dos Prazeres, terceiro colocado na última disputa. Então entendemos que as coisas estão sempre conectadas, num girar criativo muito impressionante. A empolgação é enorme”, celebra Haddad.

​Para Bora, que é professor do departamento de Ciência da Literatura da UFRJ e trabalha com o livro “Torto arado” em sala de aula, traduzir as páginas literárias em fantasias e alegorias é um desafio estimulante:

​“Obviamente, não será uma tradução literal. A linguagem de um desfile de escola de samba é única, então é um processo de adaptação diferente do que vemos no cinema ou no teatro. Tivemos longas conversas com o Itamar e uma palavra foi bastante repetida: liberdade. Ele, o autor da história, disse: ‘vocês precisam ter liberdade criativa.’ Este exercício da liberdade, que é um dos temas pulsantes do livro, é algo fundamentalmente bonito. A prosa de ‘Torto arado’ é muito alegórica, repleto de metáforas, o que, do ponto de vista criativo, é um prato cheio. Sobre a história, trata-se de uma saga familiar narrada por mulheres e ambientada na Chapada Diamantina, de modo que a família da ficção é, sem dúvidas, um retrato (ou uma fotopintura, como discutimos com Itamar) de muitos Brasis que ainda existem, lutando pela terra em um país tão complexo e violento, no que diz respeito às questões fundiárias. A própria Vila já falou sobre demarcação de terras e reforma agrária. Ao mesmo tempo, trata-se de um território mítico, repleto de encantamentos – por isso o texto do vídeo de apresentação do enredo assume a voz e o olhar de uma encantada, Santa Rita Pescadeira, que, testemunha oculta de tantas lutas, narra as memórias das pessoas e do território. Itamar nos disse, sabiamente: ‘esta é uma história que pode se estender de Norte a Sul do Brasil, onde há pessoas subjugadas, oprimidas, alijadas da terra, sem morada.’ Trata-se de um argumento muito forte e, o mais importante, conectado à memória da Vila”, conclui Bora.

​Vinícius Natal, pesquisador da agremiação, destaca a relação da temática do enredo com a memória da escola, entendendo que a Vila Isabel possui uma tradição de narrativas que podem ser conectadas a “Torto arado”:

​“Certa vez, em conversa com Analimar, filha de Martinho da Vila, perguntamos a ela o que poderia definir o espírito da escola. Ela disse: ‘A Vila é uma escola de luta.’ Isso ficou na nossa cabeça, ecoando, e automaticamente nos levou a pensar na importância dos enredos do período da constituinte, no final dos anos 1980 e início da década de 1990. Mesmo em tempos mais recentes, a Vila cantou as relações do homem com a terra e falou, por exemplo, em ‘acordar o campo para haver justiça’. É uma escola que se mostra preocupada em refletir sobre as violências da estrutura fundiária brasileira e as memórias do pós-abolição. Então contar a história de uma comunidade quilombola a partir do olhar de uma encantada, no contexto do Jarê, é algo que se conecta com essa identidade aguerrida da escola. Não por acaso, o enredo foi lançado no dia 13 de maio, dia de adorar as almas dos ancestrais, Pretas Velhas e Pretos Velhos. Esta data não é comemorada pelos movimentos negros, mas utilizada como ponto de reflexão crítica sobre a necessidade de continuarmos a lutar por direitos, perpetuando uma educação antirracista, entre outras urgências. Pensamento crítico. Um enredo como este contribui para isso”, finaliza o pesquisador.

​Autor de “Torto arado”, Itamar Vieira Junior declarou: ​“Ver ‘Torto arado’ ganhar vida em uma adaptação para o Carnaval, por meio do enredo da Vila Isabel, é algo que me emociona profundamente. O samba tem a capacidade de ampliar vozes, de transformar memória em celebração e resistência. É uma honra ver essa história ocupar a Avenida e encontrar o povo”, destaca o escritor.

​A Unidos de Vila Isabel será a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval de 2027, 07 de fevereiro de 2027.

Ancestralidade! Mistério de Dona Júlia sob as lentes de Leandro Vieira no Carnaval 2027 da Imperatriz

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Foto: Divulgação/Imperatriz

A Imperatriz Leopoldinense já definiu o enredo para o Carnaval 2027. O carnavalesco Leandro Vieira, mestre em costurar a história popular com a poesia do asfalto, anunciou o enredo “A memória do rei e o sumiço de dona Júlia”. A trama, que parece saída de um conto de realismo fantástico, é baseada em fatos reais e mergulha nas profundezas dos maracatus de Pernambuco.

No centro da narrativa está Dona Júlia, uma calunga, boneca esculpida para guardar os axés e a ancestralidade. Realizada sob encomenda do babalorixá Eudes Chagas para sua coroação como rei, em 1967, a peça carrega o egun (espírito) de Maria Júlia do Nascimento, a lendária Dona Santa, rainha do Maracatu Elefante.

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O que era um objeto de devoção tornou-se um mistério policial e espiritual quando a boneca desapareceu de um museu na década de 70, após ser entregue para salvaguarda.

“Como enredo, ‘A memória do rei e o sumiço de dona Júlia’ amplia o olhar sobre as tradições dos maracatus de baque virado, revelando-as como espaços para a manutenção de ritos associados à coroação dos reis do Congo e às devoções particulares marcadas por aspectos espirituais, nem sempre tão bem difundidos, como o culto aos eguns e o encantamento dos objetos”, afirma Leandro Vieira.

A história ganha contornos sobrenaturais em seu desfecho. Após 30 anos de paradeiro desconhecido, Dona Júlia reapareceu em 2014. Um estudante a entregou em um terreiro de Olinda com uma justificativa perturbadora: a boneca “assombrava” sua residência.

O reencontro com o Maracatu Porto Rico, seu grupo de origem, ocorreu após uma notícia de telejornal, na qual os integrantes mais antigos reconheceram a imagem da calunga perdida.

Para Vieira, essa “ressurreição” espiritual e o retorno de Dona Júlia às ruas, após sua reiniciação de axé, são o combustível perfeito para a Imperatriz. O enredo reforça a marca do artista na pesquisa minuciosa do cotidiano brasileiro, transformando a memória e o encantamento em espetáculo visual.

‘A memória do rei e o sumiço de dona Júlia’ é o enredo da Imperatriz para o Carnaval 2027

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Foto: Reprodução/TV Globo

“A memória do rei e o sumiço de Dona Júlia” é o enredo da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval 2027. Com a curiosa proposta, a escola de Ramos vai levar para a Marquês de Sapucaí, no ano que vem, uma narrativa que une mistério, ancestralidade e cultura popular, ao se debruçar na história real de uma calunga de maracatu desaparecida por três décadas.

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Mergulhado na inusitada trama, o carnavalesco Leandro Vieira encontra na narrativa anunciada o suporte para o desenvolvimento de uma temática curiosa que reforça a marca que o consolidou como um dos principais nomes dos desfiles quando o assunto é a contação de histórias e a pesquisa para o quesito enredo.

Para 2027, o artista propõe a inesperada história de uma calunga que desapareceu por mais de trinta anos ao ser levada para um museu na década de 70 e só reencontrou com seu maracatu de origem durante os preparativos e os ritos do carnaval de 2014.

Dona Júlia, a boneca esculpida para guardar os axés do Maracatu Porto Rico, saiu das mãos de seu grupo em 1978 e, por razão ainda não desvendada, foi dada como desaparecida pela instituição responsável por sua salvaguarda, após representantes de seu maracatu reivindicarem o direito por sua posse, em 1980.

De forma inusitada, a calunga reapareceu depois de três décadas, ao ser deixada por um estudante num terreiro em Olinda, sob a alegação de que o objeto “assombrava” a sua casa.

A trama foi descoberta pelo carnavalesco em suas pesquisas debruçadas sobre o cotidiano do Brasil popular e ganha novo capítulo quando um telejornal pernambucano noticia o paradeiro de uma boneca sem procedência e um babalorixá em busca de seus proprietários. Com sua imagem exibida na TV, a boneca é recuperada ao ser reconhecida pelos mais antigos integrantes de seu maracatu de origem.

“Como enredo, a ‘MEMÓRIA DO REI E O SUMIÇO DE DONA JÚLIA’ amplia o olhar sobre as tradições dos maracatus de baque virado, revelando-as como espaços para a manutenção de ritos associados à coroação dos reis do Congo e às devoções particulares marcadas por aspectos espirituais, nem sempre tão bem difundidos, como o culto aos eguns e o encantamento dos objetos”, afirma o carnavalesco.

Dona Júlia, a calunga que protagoniza o enredo assinado por Leandro Vieira, foi realizada a mando do babalorixá Eudes Chagas para ser um dos objetos sagrados do maracatu onde ele foi coroado rei em 1967. Na boneca, há 60 anos, foi ancestralizado o egun de Maria Júlia do Nascimento, a histórica rainha do maracatu elefante, falecida em 1962, e popularmente conhecida como Dona Santa.

Calungas são figuras centrais e veneradas dentro das tradições dos maracatus de Pernambuco. São consideradas elementos sagrados que representam a proteção de ancestrais e esta é a razão para que a volta de uma calunga perdida seja um momento de grande celebração e realização de rituais.

É a história particular de uma dessas bonecas sagradas – sua origem, o sumiço, o reencontro e a reiniciação espiritual de seus axés para voltar às ruas – o caminho narrativo de uma proposta que une as pesquisas realizadas pelo carnavalesco a elementos do imaginário afro-brasileiro.

Em 2027, A Imperatriz Leopoldinense será a última escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, dia 8 de fevereiro.

Soberania na Sapucaí: Beija-Flor lidera ranking histórico da Liesa (1985–2026)

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Foto: Thomas Reis/Divulgação Rio Carnaval

Desde que o Sambódromo foi inaugurado e a Liesa assumiu a organização do Grupo Especial em 1984, o Carnaval do Rio de Janeiro transformou-se em uma competição de regularidade técnica e investimentos milionários. O ranking geral 1985–2026, que consolida o desempenho das agremiações ao longo de quatro décadas, revela quem são as verdadeiras potências da “Era Sambódromo”.

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Diferente da contagem total de títulos (onde a Portela ainda lidera com 22 vitórias desde 1932), o ranking da Liesa foca na consistência. A pontuação é atribuída conforme a colocação final: o campeão soma 20 pontos, o vice 15, e assim sucessivamente até o 10º lugar.

A Deusa da Passarela e o domínio de Nilópolis

No topo da pirâmide, a Beija-Flor de Nilópolis aparece como a força dominante indiscutível, acumulando 541 pontos. A escola da Baixada Fluminense é o maior exemplo de regularidade: sob o comando de lendários diretores como Laíla e carnavalescos como Joãosinho Trinta, a azul e branco raramente ficou fora das campeãs, conquistando 10 de seus 15 títulos dentro do recorte deste ranking.

Briga pelo pódio histórico

Logo atrás da Beija-Flor, o Acadêmicos do Salgueiro (374 pts) e a Imperatriz Leopoldinense (371 pts) travam uma disputa ponto a ponto pela segunda colocação histórica. O Salgueiro consolidou sua posição pela presença constante no topo da tabela nas últimas duas décadas, enquanto a Imperatriz deve sua alta pontuação ao “período de ouro” entre o final dos anos 1980 e início dos 2000, além de seu recente retorno ao protagonismo.

A Estação Primeira de Mangueira, com 345 pontos, ocupa a quarta posição, mantendo-se como a mais bem colocada entre as agremiações mais tradicionais do Rio, superando a Mocidade Independente (281 pts) e a Portela (255 pts) no critério de pontos acumulados desde 1985.

Metodologia de pontuação

O ranking é uma “fotografia técnica” que premia a escola que sabe jogar o regulamento. O cálculo é feito da seguinte forma:

Campeã: 20 pontos

Vice-campeã: 15 pontos

3º lugar: 12 pontos

4º lugar: 10 pontos

5º lugar: 8 pontos

6º lugar: 6 pontos

Decrescendo até 1 ponto para a 10ª colocada.

Viradouro dispara na liderança do ranking da Liesa após o Carnaval 2026

Fenômeno Viradouro

Embora apareça em 7º no ranking geral devido a períodos passado, a Unidos do Viradouro é a escola que mais subiu posições nos últimos cinco anos (2022–2026). No ranking específico deste último ciclo, a escola de Niterói assume a liderança isolada com 77 pontos, fruto de seus títulos em 2024 e 2026, além de vices e terceiros lugares constantes.

Top 10 das Campeãs da Spucaí (1985–2026)

Posição Escola de Samba Pontos Acumulados
Beija-Flor 541
Salgueiro 374
Imperatriz 371
Mangueira 345
Mocidade 281
Portela 255
Unidos do Viradouro  251
Grande Rio 231
Vila Isabel 219
10º Unidos da Tijuca 212

Tomate relembra forte ligação de Reinaldo com a Dragões da Real e projeta desfile histórico em 2027

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Inegavelmente, o sambista Reinaldo é unanimidade no mundo do samba, dentro e fora do carnaval. Suas músicas são cantadas com muita força nas rodas de pagode e nos shows, além de inspirarem as novas gerações. O músico fez sucesso no Rio de Janeiro e, sobretudo, na cidade de São Paulo, que foi um importante palco para o príncipe do pagode, onde teve a oportunidade de realizar inúmeros shows e gravar trabalhos audiovisuais.

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Na noite do lançamento do enredo da Dragões da Real, que homenageará o artista no Carnaval 2027, a comunidade comemorou efusivamente o anúncio do tema. A repercussão nas redes sociais entre os apaixonados pelo carnaval também foi enorme e, com certeza, a “Comunidade de gente feliz” começa com tudo, visando o próximo desfile. O presidente Tomate conversou com o CARNAVALESCO e falou sobre o enredo da Dragões da Real para o Carnaval 2027.

Reinaldo e a ligação com a escola

Tomate não escondeu o entusiasmo ao falar sobre o enredo que irá homenagear o príncipe do pagode. De acordo com ele, a Dragões da Real tem várias ligações com o Reinaldo, inclusive a festa do título do Grupo de Acesso em 2011. “A gente é suspeito para falar. Alguns dias antes de morrer, Reinaldo estava no hospital com um amigo nosso, o Faustão. Eles me ligaram, e ele disse: ‘Presidente, quero comemorar meu aniversário na feijoada’. Isso foi enquanto ainda estava em tratamento. Depois, foi para casa, passou mal novamente e retornou ao hospital. A história da Dragões com Reinaldo vem de muito tempo. Nosso vice-presidente, Binho, tinha um botequim na Lapa, simples mesmo, e Reinaldo frequentava o local todos os sábados à tarde. Tivemos muitos encontros com ele. Em 2011, quando fomos campeões do Acesso, comemoramos o título com um show dele na quadra. No ano passado, fomos a primeira escola de samba a receber o show do Ferrugem em tributo ao Reinaldo. Ele é uma unanimidade. Hoje, o palco reuniu muitos artistas; convidamos alguns, que foram chamando outros. Os que não vieram tinham compromissos. Isso mostra a dimensão do Reinaldo. A internet está tomada por comentários positivos, uma verdadeira enxurrada. Temos tudo para fazer mais um grande espetáculo. Realizar o evento no Anhembi foi uma forma de inovar, levando a homenagem de um sambista para o templo do samba. É uma sinergia de encontros que, se Deus quiser, vamos honrar com essa linda história do Reinaldo”, declarou.

Beleza das artes estão mantidas

Segundo o gestor, a grandiosidade de alegorias e fantasias serão mantidas, com o trabalho de barracão já em andamento. Ele revelou que as vestimentas serão mais leves para facilitar a evolução dos componentes.”Não esperamos nada diferente do que a escola já vem apresentando. Há um último carro alegórico que será algo fora do comum, muito especial. O projeto já está todo desenhado, e começaremos mais cedo. O barracão já está em atividade. A expectativa é manter o nível dos últimos anos. Talvez as fantasias sejam um pouco menores, para favorecer uma evolução mais solta dos componentes. A ideia é torná-las mais compactas, permitindo que o sambista desfrute do desfile, já que não utilizamos coreografias. Fantasias muito grandes acabam limitando isso. Foi um aprendizado deste ano. A expectativa é de um grande carnaval da Dragões, com a identidade do Reinaldo”, contou.

Expectativa de um grande samba

Seguindo os próximos passos, Tomate almeja uma disputa de sambas acirrada, e vê com bons olhos um grande samba para exaltar Reinaldo. “A disputa de samba-enredo será definida em breve. Teremos a data de explanação com os compositores, e em agosto acontecem as eliminatórias, provavelmente no mesmo formato: semifinal e final. A expectativa é receber obras muito fortes”, completou.