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Capitão Guimarães exalta União de Maricá: ‘Se o quesito barracão fosse julgado, seria nota 10 e hors concours’

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Foto: Divulgação/União de Maricá

Na noite desta sexta-feira, durante o evento de lançamento do enredo da União de Maricá para o Carnaval 2027, realizado na Cidade do Samba, o ex-presidente da Liesa e presidente de honra da Vila Isabel, Capitão Guimarães, exaltou a infraestrutura da agremiação. Em um discurso enfático, ele defendeu que a estrutura montada pela escola deveria servir de exemplo para todo o Rio de Janeiro.

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Vi que a nova ‘Cidade do Samba’ já foi construída. Aqui nós temos que filmar tudo isso e passar para as imagens coirmãs e para o prefeito do Rio como deve ser um barracão de escola de samba. Se o quesito barracão fosse fazer parte do julgamento, a Maricá seria hors concours com 10 disparada. A gente lê na imprensa e às vezes algumas críticas dizendo que a Maricá está gastando dinheiro do contribuinte; isso tudo é inveja, porque se o senhor (prefeito Quaquá) gastasse 10 vezes mais o que está investindo na escola, não daria a divulgação que a escola dará a Maricá“, declarou.

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Defesa do investimento e visibilidade

Durante sua fala, o Capitão Guimarães também rebateu críticas veiculadas na imprensa sobre os gastos municipais com a escola de samba. Ele classificou os comentários negativos como “inveja” e afirmou que o retorno em visibilidade para o município é imensurável.

“Se o senhor gastasse 10 vezes mais o que está investindo na escola, não daria a divulgação que a escola dará a Maricá”, afirmou, dirigindo-se ao prefeito, ressaltando que o investimento faz parte de uma meta política para transformar a cidade num dos maiores municípios do país.

O enredo de 2027 da União de Maricá homenageará Darcy Ribeiro, um tema que toca pessoalmente o Capitão Guimarães. Ele relembrou sua trajetória na Vila Isabel em 1987, quando levou à avenida o enredo “Raízes”, baseado na obra “Maíra”, de Darcy. Além da admiração profissional, Guimarães revelou uma proximidade pessoal com o intelectual. Sobre a construção do desfile, Guimarães elogiou a escolha da síntese da obra de Darcy pelo carnavalesco Edson Pereira, com quem já trabalhou na Vila Isabel. Ele destacou que o desfile dará foco especial aos CIEPs e à revolução educacional proposta pelo mestre Darcy Ribeiro. No entanto, aproveitou o momento para fazer um desabafo sobre a situação atual dessas instituições.

Ao finalizar, Guimarães celebrou a “energia positiva” e o vigor da diretoria e dos componentes da escola, citando nomes como o presidente da agremiação, o prefeito e profissionais como o casal Julinho e Rute. Ele previu que a força da União de Maricá permitirá que a escola se “ombreie” com as grandes coirmãs que já estão há anos no grupo de cima.

“Sem sombra de dúvida, será um impacto importante na avenida para abrir o carnaval de 2027”, concluiu, reforçando que o exemplo do barracão de Maricá deve ser seguido por todos.

O que o carnaval pode aprender com o Festival de Parintins?

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Fotos: Toninho Ribeiro @toninhoribeirocarnaval

O Festival Folclórico de Parintins, que acontece de maneira tradicional no último final de semana do mês de junho, terminou oficialmente nesta segunda-feira, dia 29, com a apuração que sacramentou a vitória do Boi-bumbá Caprichoso. Com o tema “Brinquedo que canta seu chão”, o boi azul conquistou sua vigésima sétima estrela, contra 33 do Boi-bumbá Garantido.

Antes de iniciarmos possíveis comparações entre o Festival e os carnavais do Brasil, independente das praças, é preciso compreender a disputa dos bois-bumbás como algo pertencente a cultura local, que movimenta de maneira integral a economia da cidade e atrai cerca de 120 mil turistas nas três noites de competição.

Apesar de terem sido fundados em 1913, a disputa de boi surge oficialmente em 1966 com o objetivo de arrecadar fundos para construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Em 1975 a prefeitura assume a organização da disputa. Mais tarde, em 1988, o Bumbódromo, palco onde o festival acontece até hoje, é inaugurado.

Principais diferenças entre Festival de Parintins X Carnaval

Enquanto no carnaval as agremiações são julgadas em 9 quesitos, no festival os dois bois são avaliados em 21 itens: apresentador, levantador de toadas, marujada/batucada, ritual indígena, porta-estandarte, amo do boi, sinhazinha da fazenda, rainha do folclore, cunhã-poranga, boi-bumbá (evolução), toada, pajé, povos indígenas, tuxauas, figura típica regional, alegorias, lenda amazônica, vaqueirada, galera, coreografia e organização do conjunto folclórico.

Um detalhe importante, e que precisa ser destacado, é a ‘administração’ do bumbódromo durante cada apresentação dos bois. Enquanto o Caprichoso se apresenta, toda estrutura do palco é gerida pela equipe contratada do próprio boi. Ou seja, de luzes a iluminação cênica, passando pelas projeções holográficas, tudo é controlado por um profissional contratado, ciente da importância da sua função para que determinados itens alcancem a nota máxima. O mesmo acontece nas apresentações do boi Garantido.

Neste ano, o boi vermelho sofreu inúmeras críticas quanto ao som nas apresentações. As justificativas divulgadas escancararam o problema e ficou provado que uma boa técnica, também é crucial para vencer um campeonato.

Iluminação cênica bem usada é essencial para um grande espetáculo

Gargalo nos últimos anos no Carnaval do Rio de Janeiro, a iluminação cênica parece estar mais para solução do que para problema no Festival de Parintins.

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Os bois parecem já ter compreendido que a iluminação faz parte do espetáculo principalmente naquilo que fazem de melhor: o efeito de ilusionismo. O bumbódromo possui 140 metros de comprimento e 60 metros de largura, totalizando 8.400 m2. Um espaço consideravelmente grande para múltiplas apresentações de itens. Os artistas realizam um efeito muito comum utilizado por grandes ilusionistas, fazem o espectador olhar exatamente para onde eles querem, enquanto a pouquíssimos metros dali, uma alegoria de 30 metros de altura está sendo montada para apresentação. A iluminação é essencial para que o efeito aconteça. O ‘breu’, escuridão total, parece não ser bem-vindo. Sempre há algo bem iluminado.

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Outro detalhe importante no assunto iluminação, é a utilização forte das cores em neon, muito tradicional nas alegorias do atual campeão, Caprichoso. Mesmo quando há a necessidade de pouca luz, as alegorias ainda sobressaem com suas cores vivas, somadas aos leds, efeitos de fumaça e chuva de prata que estão frequentemente sendo disparadas.

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Artistas Parintinenses adaptam suas técnicas quando ‘migram’ para o Carnaval

No festival de Parintins as alegorias chegam aos seus 30 metros de altura e são montadas em módulos. Que entram, se posicionam e somente dentro da arena, são vistos de forma completa, como foram idealizados. Algo que difere bastante dos desfiles de escola de samba é a simetria. Enquanto Parintins parece não se preocupar muito com certos “exageros”, como um pescoço ou outro maior que o tradicional, no espetáculo do carnaval isso é canetado sem muita parcimônia pelos jurados.

Uma coisa já dita há mais tempo pelo Capixabices e pelo Carnavalesco sobre os carnavais do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, é de que é impossível sacramentar uma escola campeã através das lentes da emissora de transmissão do desfile. O carnaval acontece enquanto a TV te mostra aquilo que ela acha que você quer ver naquela hora. Equalização de áudio, cor, corte de câmera, consegue transformar um desfile 9,8 em nota 10, se bem dirigido.

No Festival de Parintins não é diferente. O que a emissora mostra não é 50% do que está acontecendo para além de onde o foco da câmera está. Num espetáculo que é estático e que gira o tempo inteiro, vê-lo in loco é essencial para compreender a dimensão daquilo que está sendo apresentado.

Conteúdo colaborativo entre CARNAVALESCO e Capixabices, durante a cobertura do Festival de Parintins 2026.

Louzada compara Victor Santos a Gabriel Haddad e celebra sintonia no Vai-Vai para o Carnaval 2027

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Para 2027, o Vai-Vai terá uma dupla de carnavalescos: Alexandre Louzada e Victor Santos. Juntos, eles desenvolverão o enredo “Três Obás de Xangô – A Mãe Bahia em Cantos, Cores e Memórias”, no qual cantará a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé – três dos grandes artistas da história do Brasil. A dupla, nova, falou sobre como está a convivência e a divisão do trabalho entre eles ao longo do ciclo para o desfile à reportagem do CARNAVALESCO.

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Comparações e citações

Algo que chamou atenção no início das falas de cada um dos carnavalescos vaivaenses foi a menção a alguns outros nomes importantes no mundo do Carnaval de maneira espontânea.

Victor foi o primeiro a ter tal atitude. Ele citou Nicolas Gonçalves, carnavalesco da coirmã Acadêmicos do Tucuruvi, ao falar sobre o início da jornada dele no universo das escolas de samba:

“Eu e o Nicolas somos amigos de adolescência e de infância. Eu o convidei para estar no carnaval comigo lá em Guaratinguetá – depois, ele saiu e eu fiquei. A gente ganhou no primeiro ano, também fui carnavalesco no Uruguai, em Uruguaiana também cheguei a ganhar lá. Tive, também, além de participar de Direção de Carnaval, passeei como carnavalesco Brasil afora – e até fora do país”, comentou.

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A recíproca é verdadeira: no PodCarnavalesco SP #13, Nicolas citou o caminho da jornada do atual carnavalesco da Acadêmicos do Tucuruvi citando Victor Santos:

Já Louzada fez uma comparação direta de Victor com um integrante de uma dupla de carnavalescos muito celebrada e já campeã no Carnaval do Rio de Janeiro: “Primeiro de tudo: o Victor me lembra muito o Gabriel Haddad, que foi o primeiro carnavalesco da nova geração com quem eu trabalhei. Ele tem as características dele. A gente conversa, eu posso acrescentar alguma coisa no trabalho que ele esteja desenvolvendo e ele no meu, mas sem tropeços. A coisa se dividiu naturalmente – tanto é que, para escrever a sinopse para o enredo de 2027, eu falei para o Victor emendar o texto dele com o de tão semelhante e perto do que uma única pessoa escreveu. Ele é um cara muito organizado, ele tem uma cultura que transcende a juventude dele. Isso é uma coisa que me fascina e também me ajuda, porque eu não vou ensinar nada a ninguém”, disse.

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Haddad, que assina desfiles juntamente com Leonardo Bora, foi, durante muito tempo, assistente de Alexandre Louzada – sobretudo nos períodos do atual carnavalesco alvinegro na Mocidade Independente de Padre Miguel e na Portela.

Eleição em pauta

Louzada revelou que o nome da dupla também era especulado para chapa que foi derrotada na eleição do Vai-Vai de 2026, realizada no dia 16 de março, na Câmara Municipal de São Paulo: “A gente tinha o plano de trabalhar junto e respeitou o momento que o Vai-Vai passava em relação à eleição. Eu já tinha sido sondado por outra chapa, mas eu quis honrar meus compromissos para saber se isso ia acontecer. E foi quase que no apagar das luzes que surgiu esse convite. Com o Milato, a gente tinha aquela coisa de ser quase que um pai; mas, com o Victor, não. O Victor é uma pessoa que veio com uma ideia formada, me ofereceu essa ideia, foi generoso de me oferecer parte do plano que ele tinha e combinou muito bem”, destacou, citando outro carnavalesco carioca – contratado para 2027 pela Unidos da Tijuca.

Parceiro inspirador

Como não poderia deixar de ser, Victor mostra-se bastante feliz em atuar junto com um dos grandes carnavalescos da história da folia: “Eu falo para o Louzada, já falei várias vezes e em outros lugares, que eu cresci vendo ele fazer e ganhar Carnaval. Se eu tenho um senso estético hoje, foi baseado no que eu entendo como receita para ganhar Carnaval. E, se a gente for pegar, historicamente falando, a receita para ganhar Carnaval é dele. Claro que eu tenho outras pessoas que são minhas referências como Sidnei França, Rosa Magalhães e Renato Lage – que são pessoas que eu admiro muito. Trabalhei com o Sidnei e fui assistente dele por oito anos, muito da minha formação vem dele, também”, destacando outras inspirações no cargo que ocupa atualmente.

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Mostrando conhecimento da carreira de Louzada, Victor pontua grandes momentos do parceiro de Vai-Vai para ilustrar a grandeza do companheiro no posto: “É preciso entender que, quando tem o boom do Carnaval do Rio de Janeiro para mim, quando eu começo a entender como começa a se formar uma escola de samba e como uma escola de samba se organiza, era ele que estava ganhando – isso em 2006, 2007 e 2008. Carnavais que não foram campeões, como o do banho e como o próprio Carnaval da Portela de 2014, o do ‘Rio de Mar a Mar’, que eu também acho maravilhoso, são dele. Eu, que observava a história acontecer de fora, agora faço parte de quem escreveu essa história em outros tempos – e colaborando com isso”, disse.

Polivalente

Ao falar do parceiro carnavalesco, Louzada destacou que cargos anteriores deram a ele uma visão mais ampla de um desfile – e dos integrantes da escola como um todo: “Com a experiência de Diretor de Carnaval que ele teve, o Victor tem algumas manias em relação a entender o que a comunidade quer de fato – como desenhar uma saia e ouvir que as integrantes queriam se mostrar mais. São toques normais, ele estuda mais o corpo da escola do que eu”, comentou.

A fusão da cultura e das experiências que carrega com ele fazem de Vitor um profissional muito gabaritado, na visão de Louzada: “Enquanto literatura, ele é muito onírico, mas ele tem o pé no chão do Diretor de Carnaval de saber se essa ala é mista, se nessa ala a gente vai precisar inserir uma cena, um grupo cênico para poder explicar melhor a coisa. Quando o que sai daqui vai para outras áreas da escola, o trabalho pertence a todos nós: é uma criação coletiva, não é só minha ou dele. Existe a contribuição. Está sendo, muito tranquilo e, ao mesmo tempo, uma ansiedade sem tamanho, uma responsabilidade”, pontuou.

Emoção

Louzada aproveitou para contar o quanto já existe uma ligação muito forte entre a dupla de carnavalescos, a escola de samba e os parentes dos homenageados – todos já falecidos: “Nós tivemos uma reunião com a filha do Jorge Amado e, talvez, um pouco das lágrimas da gente conversando com ela foi desse peso e dessa responsabilidade que nós temos. Nós não estamos falando de qualquer coisa. Nós estamos nos colocando ao lado do Vai-Vai como obás. Nós estamos incrementando, aumentando essa contribuição do Vai-Vai como obá do samba, como uma representante digna. E, talvez, sem menosprezar nenhuma outra escola, acho que não seria outra escola que não fosse o Vai-Vai para fazer um enredo como esse. Eu, que já fui à Bahia com a escola, vejo que eles levam muito a sério essa coisa da mensagem que vai passar para o público. Isso que é muito legal, que a gente está encantado com o trabalho”, suspirou.

Peso do pavilhão

Estar na maior campeã do Grupo Especial de São Paulo motiva ainda mais os dois carnavalescos: “Para mim, é de uma honraria absurda e é louvável que, além de trabalhar com uma pessoa que eu sempre admirei, eu também chego na festa pela porta da frente. Quem começa pelo Vai-Vai, quem tem essa honra de estar carnavalesco dentro do Vai-Vai com 26 anos? Eu não me recordo disso. Eu preciso, para além disso, honrar as expectativas de quem está comigo, as minhas próprias e de uma escola desse porte, desse tamanho que me dá essa chance”, comemorou Victor.

Iniciando a quarta passagem dele pelo Vai-Vai (a primeira foi entre 2011 e 2012; a segunda, em 2015; e, a terceira, entre 2017 e 2018), Louzada preferiu brincar com a situação: “Se você analisar a grafia do Vai-Vai, já é uma dupla. Eu quero fazer uma camiseta – ele ‘Vai’ e eu ‘Vai’, também”, finalizou.

Presidente da Porto da Pedra apresenta enredo do Carnaval 2027 ao consulado de Angola

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Foto: Divulgação/Porto da Pedra

O presidente da Porto da Pedra, Fabrício Montibelo, esteve no Consulado de Angola, no Rio de Janeiro, para apresentar oficialmente a sinopse do enredo que a vermelha e branca de São Gonçalo levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. O encontro marcou o início de uma aproximação entre a escola e representantes angolanos, que puderam conhecer os detalhes do projeto carnavalesco e a proposta desenvolvida pela agremiação para o próximo desfile.

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Recebido pela equipe do consulado, Fabrício destacou a importância desse primeiro contato, reforçando o compromisso da Porto da Pedra em construir um enredo pautado no respeito, na pesquisa e no diálogo com aqueles que representam a história e a cultura do país.

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“Foi um encontro muito importante para apresentarmos o nosso projeto e estreitarmos essa relação. Queremos construir um desfile à altura da grandiosidade da história que vamos contar, ouvindo quem conhece e representa Angola. Esse diálogo é fundamental para que a Porto da Pedra leve para a Avenida um trabalho feito com responsabilidade, sensibilidade e verdade”, afirmou o presidente.

Trajetória de luta e protagonismo rende a Evelyn Bastos o prêmio Marielle Franco

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Foto: J.M. Arruda / Divulgação

Evelyn Bastos, sambista, empresária e liderança mangueirense, será homenageada com o Prêmio Marielle Franco. A iniciativa proposta pela deputada Dani Monteiro (PSOL) foi aprovada pelo plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em reconhecimento à sua trajetória marcada pela atuação cultural, política e comunitária dentro da Mangueira.

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Evelyn iniciou sua relação com o carnaval ainda na infância, na escola mirim Mangueira do Amanhã, e construiu ao longo dos anos uma trajetória que passa pela atuação como passista, pelo posto de rainha de bateria e pela consolidação como liderança comunitária. Sua atuação extrapola o carnaval e se afirma também no campo social, com participação ativa em iniciativas voltadas à juventude e à valorização da cultura como instrumento de transformação.

Para a deputada Dani Monteiro, a homenagem reconhece uma trajetória feminina que rompe estereótipos e afirma a força política do samba.

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“É um orgulho enorme poder entregar o Prêmio Marielle Franco à Evelyn Bastos. Cria da Mangueira, acompanho sua trajetória há muitos anos dentro da comunidade e sempre vi nela uma liderança que não se limita à avenida. É uma mulher de grande inteligência, que não foge de se posicionar politicamente e que defende os direitos humanos, o feminismo e a luta antirracista. Além de tantos predicados, Evelyn articula cultura, gestão e compromisso com a comunidade, com uma presença firme e, ao mesmo tempo, profundamente conectada com o território. Ela representa essa mulher do samba que pensa, organiza, luta e, principalmente, transforma. Como mangueirense, fico muito feliz em ver sua trajetória de tanto sucesso finalmente reconhecida com esta homenagem”, afirmou Dani Monteiro.

Mancha Verde abre seu tradicional Arraiá com música, comidas típicas e atrações gratuitas

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A tradição junina vai tomar conta da Barra Funda com mais uma edição do Arraiá da Mancha, que começa neste sábado, a partir das 18h, com entrada gratuita e programação para toda a família. Reconhecida por reunir comunidade, samba e cultura popular, a festa promete quatro sábados consecutivos de muita animação, com apresentações do grupo cênico da escola, música ao vivo, barracas de comidas típicas e um Espaço Kids especialmente preparado para as crianças.

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Além do entretenimento, a programação também traz uma oportunidade especial para quem sonha em fazer parte do desfile da escola. Durante os três primeiros sábados, estarão abertas as inscrições para a Ala da Comunidade. Os participantes ainda concorrem ao sorteio de uma moto elétrica, incentivando a participação e o envolvimento com o carnaval.

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O encerramento, no dia 25, será marcado por um dos momentos mais aguardados pelos apaixonados pelo samba: a grande final do concurso de samba-enredo para o Carnaval 2027, reunindo compositores, comunidade e torcedores em uma noite de celebração e escolha do hino que representará a escola na avenida.

O Arraiá da Mancha acontece na Rua Norma de Lucca, 550, na Barra Funda, em São Paulo. Mais informações podem ser acompanhadas pelas redes sociais oficiais: @manchacarnaval.

Serviço

Arraiá da Mancha
Datas: 4, 11, 18 e 25 de julho
Horário: a partir das 18h
Local: Rua Norma de Lucca, 550 – Barra Funda – São Paulo/SP
Entrada: gratuita

Paz reinou! Império Serrano terá chapa de consenso nas eleições após acordo entre grupos

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Foto: Divulgação/Império Serrano

Em um movimento considerado histórico para o futuro do Império Serrano, as duas chapas que disputavam o processo eleitoral da verde e branca de Madureira anunciaram, nesta quinta-feira, um acordo que culminou na formação de uma chapa de consenso. A decisão põe fim ao impasse que cercava a eleição da escola e abre caminho para a realização da Assembleia Geral de Eleição, marcada para o próximo dia 12 de julho. A chapa de consenso será formada por Flavio França, candidato à presidência, tendo como vice-presidente de Carnaval Paula Maria. O Conselho Diretor ainda contará com José Luiz Escafura na vice-presidência Financeira, Ana Paula Arruda na vice-presidência Social e Hélio Oliveira na vice-presidência Cultural. Já o Conselho Deliberativo terá Valdir Carola como presidente e Wanderley Marzano na vice-presidência.

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Segundo comunicado conjunto divulgado pelas duas correntes, o entendimento foi construído após um amplo diálogo baseado no respeito mútuo, na responsabilidade institucional e no compromisso com o futuro da agremiação. A nova composição reúne representantes dos dois grupos, em um gesto que busca fortalecer a unidade política e administrativa do Reizinho de Madureira.

As lideranças destacaram que o consenso representa a superação das divergências em favor dos interesses da escola, colocando o Império Serrano acima de projetos individuais e reafirmando o compromisso coletivo com a reconstrução da agremiação.

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Com o acordo firmado, também foram superados os entraves que impediam o andamento regular do processo eleitoral. Assim, a Assembleia Geral de Eleição será realizada conforme previsto no edital de convocação, no dia 12 de julho de 2026.

No comunicado, os representantes das duas correntes agradeceram o apoio recebido de associados, segmentos, torcedores e da comunidade imperiana durante todo o processo eleitoral. A partir de agora, segundo o texto, o objetivo passa a ser a atuação conjunta em prol da reconstrução da escola, do fortalecimento institucional e da valorização da história do Império Serrano.

O documento encerra destacando que a união construída por meio do diálogo demonstra que as diferenças podem ser superadas quando o interesse maior é o da agremiação, reforçando os princípios da democracia, da transparência e do compromisso com o futuro da tradicional escola de Madureira.

Unidos de Bangu anuncia Diego Moreira como novo mestre-sala para o Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Unidos de Bangu

A Unidos de Bangu anunciou, nesta quinta-feira, Diego Moreira como o novo 1º mestre-sala da agremiação. Ele retorna à vermelho e branco para defender o primeiro pavilhão ao lado da porta-bandeira Bárbara Moura, que fará seu terceiro desfile consecutivo na escola.

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O reencontro marca a continuidade de uma história iniciada em 2017, quando Diego participou do concurso promovido pela Unidos de Bangu para a escolha do segundo e do terceiro casais de mestre-sala e porta-bandeira. No Carnaval de 2018, estreou como 3º mestre-sala da escola e, nos anos seguintes, passou a integrar o 2º casal, permanecendo na agremiação até o Carnaval de 2022.

Diego iniciou sua trajetória no samba na Independentes da Praça da Bandeira. Ao longo da carreira, também integrou a ala de casais da Acadêmicos do Grande Rio, teve passagem pela Unidos da Ponte e defendeu, por vários carnavais, o primeiro pavilhão da Botafogo Samba Clube. Desde 2022, atua como 2º mestre-sala da Mocidade Independente.

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Agora, o mestre-sala retorna à Unidos de Bangu para assumir a responsabilidade de conduzir e defender o primeiro pavilhão da escola no desfile de 2027. No próximo carnaval, a Unidos de Bangu levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “A Outra Ceia”, uma homenagem ao cantor e compositor Marquinho PQD. Com a definição do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, a escola dá mais um passo na preparação para o desfile que marcará essa homenagem na Avenida.

Entrevistão: Depois de superar um susto no coração, Marquinho Art’Samba encontra na Tijuca a virada da própria história

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Há sambas que chegam na hora certa. Foi o que aconteceu com Marquinho Art’Samba quando ouviu, pela primeira vez, o refrão que a Unidos da Tijuca levaria para a Sapucaí em 2026. Intérprete de um dos mais aclamados sambas da Estação Primeira de Mangueira, Marquinho encontrou no samba da Tijuca deste ano uma metáfora para a própria vida. Depois de superar um problema sério de saúde, vive um momento de virada de chave pessoal e celebra a oportunidade de seguir construindo sua carreira como intérprete oficial, enquanto acompanha, com orgulho, o filho trilhar o mesmo caminho como intérprete de apoio do Império Serrano. Nesta edição do “Entrevistão”, Marquinho fala sobre tudo isso: a saúde, a carreira e o que significa, ainda hoje, ter fome de provar seu valor no samba.

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Hoje, você está no Especial, mas recentemente no nosso prêmio cantou com seu filho, que é do Império Serrano. O que sentiu naquele momento? E fica feliz se ele seguir a carreira?

Marquinho Art’Samba: A gente fica muito feliz e, ao mesmo tempo, preocupado. Porque a minha chegada até aqui foi uma chegada muito árdua. Quando a gente vem de família que já é do meio, as coisas ficam um pouco mais facilitadas; quando não vem, é diferente. Minha preocupação, com relação ao meu filho, é justamente para ele não passar o que eu passei. Para que, amanhã, se ele receber um “não” e ficar frustrado com alguma coisa, ele não desista. É muito bacana ver o meu primogênito seguindo o mesmo passo do pai, ainda mais hoje, com o mundo tão violento, está tão difícil criar um filho. E, graças a Deus, acho que o mais importante é que eu já criei um homem: ele já está com 24 anos, casado, já me deu uma neta. Isso é muito legal.

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Você cantou Mangueira 2019. É o samba da sua vida? O que foi aquele ano?

Marquinho Art’Samba: Costumo dizer que todas as escolas por onde passei têm os seus momentos. Desde criança, sempre dizia que um dia seria o cantor da Mangueira, por ser a escola de samba da minha família. Muita gente não acreditava nisso. Quando cheguei lá e, logo no primeiro ano, fomos campeões com um samba que, pra mim, é um dos mais importantes da Estação Primeira de Mangueira, um dos dez sambas mais importantes da escola, fico muito grato por isso, e por ter ficado nessa história da Estação Primeira.

O que sentia quando ouvia dos mangueirense que tinha a voz parecida com Jamelão?

Marquinho Art’Samba: Até hoje, já vou para o meu segundo ano de Tijuca, o mangueirense ainda não assimila me ver cantando em outra escola. Dá aquele saudosismo neles. Acho isso legal, mas já passou. E quando falam que tenho uma voz parecida com a do Jamelão, a sensação é a melhor possível. Poxa, ser comparado ao mestre… Costumo dizer que o Jamelão é o Pelé do samba. Não sei se ele gostaria de ser chamado assim, se estivesse aqui, mas ele é o nosso mestre do samba.

Você foi cantor da Unidos de Padre Miguel e viu a escola sofrer e não subir. O slogan dela é que lá se aprende a amar o samba. Aquela escola é diferente?

Maquinho Art’Samba: A UPM foi a escola que me projetou para o mundo do carnaval. Até então eu tinha passado por outras escolas, mas como cantor de apoio. Quando a UPM me deu a oportunidade de ser cantor oficial, de 2012 para 2013, ela ainda estava no Grupo B. Fiquei 2013, 2014, 2015. O carnaval em que acho que a UPM merecia mais foi o de 2015, com o enredo de Ariano Suassuna. A escola ganhou praticamente todos os prêmios daquele ano; só não ganhou o desfile. Também acho que merecia o de 2017, mas eu já não estava mais lá. O carinho que tenho por essa escola é grandioso. Sou grato a tudo.

Você cantou Zezé e Luciano na Imperatriz. Um samba maravilhoso. Por aqui o desfile não aconteceu?

Marquinho Art’Samba: Talvez, se fosse hoje, fosse diferente. Hoje enxergo a Imperatriz com mais pulso, com mais vontade. Aquele carnaval de 2016 tinha tudo para ser arrebatador, inclusive pelo samba: foi um sambaço. Acho que, naquela época, a Imperatriz não tinha o pulso que tem hoje. Faltou isso. Hoje a escola está mais aguerrida, mais próxima da comunidade. Embora tenha ficado em sexto lugar naquele ano, se fosse com o pulso de hoje, a Imperatriz brigaria muito firme lá em cima pelo título.

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Agora chegando aqui na Tijuca: o que você sentiu quando recebeu o convite do presidente Fernando Horta para vir pra cá?

Maquinho Art’Samba: Quando o Fernando Horta me ligou, eu estava dirigindo. O telefone tocou e apareceu o emblema da Tijuca no WhatsApp. Fiquei tenso, encostei o carro e atendi. Era ele: “Marquinho, queria bater um papo, almoçar com você amanhã. Dá pra ser?”. Eu falei: “Claro, seu filho, dá pra ser. Qual o horário?”. A conversa durou uns 20 minutos; o resto foi ele contando da vida dele, da passagem pelo Vasco, de como chegou na Tijuca. É um presidente muito presente, que sabe de tudo o que acontece na escola. E tem uma coisa que eu nunca comentei com ninguém: ele não me perguntou sobre o meu problema de saúde, que foi muito grave. Ele simplesmente confiou: “vamos trabalhar”. Isso me toca muito. Sou muito grato a ele por ter confiado em mim e no meu trabalho. Hoje estou muito feliz nessa escola. Já recebi outras propostas, mas não penso em sair daqui.

Quando essa ligação aconteceu, você ainda estava na Mangueira, ou já tinha saído?

Marquinho Art’Samba: Já tinha saído, e estava quase fechando com a Barroca Zona Sul, em São Paulo. Quase, quase. Mas Deus disse assim: ‘dá uma segurada aí, encosta o carro aí, ainda tem coisa pra você aqui, o teu momento no Rio de Janeiro não acabou não’. E não acabou mesmo. Sou muito grato a essa escola. Hoje ser abraçado por toda a comunidade, por todo o Borel, só me dá a responsabilidade de trabalhar cada vez mais e de me cuidar.

E como está a saúde agora?

Marquinho Art’Samba: Graças a Deus, estabilizada. Voltei a ser um garoto. Acho que, a partir do momento em que você leva uma porrada dessas, você entende que precisa se cuidar. E hoje, graças a Deus, estou bem. Todo mundo sabe que tenho um problema no coração, insuficiência cardíaca, mas hoje é uma coisa bem acompanhada… tenho um médico que é um dos maiores cardiologistas do Brasil. Estou na mão dele e faço tudo que ele determina. Não bebo mais, já tem quatro anos. As pessoas acham que só dei um tempo, mas não: o guerreiro não para, o guerreiro dá um tempo (Risos). Cumpro tudo que o médico determina. Meu grande sentido é a minha família, em primeiro lugar, e depois é a minha carreira. Tomo os remédios todo santo dia, faço fono, aula de canto, cuido da alimentação e do horário de dormir. Isso está me ajudando muito, hoje levo uma vida normal.

Sua equipe de música tem duas mulheres e os cantores estão cada vez mais abertos. Qual sua análise do trabalho delas e acredita que o sucesso da Jéssica na Beija-Flor vai ajudar outras mulheres?

Marquinho Art’Samba: Antes da Jéssica teve a Grazzi [Brasil], de quem as pessoas falam pouco. E antes da Grazzi, lá atrás, teve a Elza Soares e a Surica. Aqui na Tijuca teve a Wic [Tavares] que também foi cantora oficial. Elas estão aí chegando, invadindo mesmo, e acho isso muito bacana. A Lissandra é muito minha amiga, de muitos anos. Eu não prendo as pessoas que trabalham comigo; coloco todo mundo para aparecer, porque fizeram isso comigo também. Para que todo mundo entre na vitrine, apareça e siga o seu caminho… e me deixar aqui na Tijuca (Risos).

Em 2026, você canta o samba “Muda essa história” aqui na Tijuca. Muitas vezes você ficou emocionado nos ensaios. Como foi esse processo todo?

Marquinho Art’Samba: Olha, o samba de 2019 foi o meu primeiro ano de Mangueira, com toda aquela potência que todo mundo conhece; fiquei muito emocionado com aquele samba. O de 2026 foi um samba que, por tudo que passei na Mangueira, me fez ver ali também a possibilidade de mudar a minha própria história. Os compositores sempre mandam o samba pronto para a gente ouvir. De cara, quando veio o trecho “muda essa história, Tijuca, tira do meu verso a força pra vencer, reconheço seu lugar e luta, esse é o nosso jeito de viver”, comecei a chorar. Eu sou muito emocionado com esse samba. Posso dizer que foi o samba mais importante da minha vida até agora, porque foi a virada de chave. Não é só a mudança da história da escola: ali também estava mudando a minha história.

O que mudou pra você, pessoalmente, como artista e como sambista, depois de ter cantado esse samba e vindo pra Tijuca?

Marquinho Art’Samba: Voltar a acreditar no meu trabalho de novo. Não tenho vergonha de dizer que passei três anos na Mangueira dividindo o carro de som com outra pessoa, o Dowglas [Diniz], que eu adoro, isso não tem nada a ver com ele, mas eu podia ter sido um pouco mais olhado pela história. Quando venho para uma escola grandiosa como a Tijuca, é aquela sensação de que ainda tenho muito para contribuir com o carnaval. A gente não tem que provar nada pra ninguém, mas esse samba era uma coisa minha, do meu interior. E agora, no ano que vem, é fazer valer; porque a gente tem que estar sempre se provando. Já retomei as aulas de canto, o trabalho de fono, tudo de novo. 2027 já começou.

É fácil cantar com uma bateria como a da Tijuca? Como a bateria do mestre Casagrande ajuda no seu trabalho?

Marquinho Art’Samba: É uma bateria para cantor, porque tem cadência o tempo inteiro. Foi o que entendi logo de cara, embora já conhecesse a bateria do Casão há muitos anos sem tê-la vivido de dentro. No meu primeiro ensaio já comecei a entender isso, e veio um samba maravilhoso… aí foi mamão com açúcar, um casamento perfeito. E esse casamento também é a relação entre as pessoas; o ritmista olhar para o cantor e acreditar nele. Vi muito isso vindo dos ritmistas da escola, me abraçando também, sem falar do Casão e da diretoria. Foi muito legal.

Hoje existe uma rotina de cuidado da voz. Como é o seu ritmo pra aguentar essa maratona do carnaval?

Marquinho Art’Samba: Depois do carnaval a gente relaxa um pouco, porque não é o tempo todo naquela cobrança. Por incrível que pareça, já voltei para a fono e para as aulas de canto. Sou muito rígido e cumpridor do meu dever com médico, fono e aula de canto. E o resultado está sendo maravilhoso.

Você sente que os intérpretes estão mais valorizados hoje? O que pensa da análise de Harmonia estar em vocês?

Marquinho Art’Samba: Acho que, à medida que o carnaval vai tomando outro rumo, todos os setores (intérprete, carnavalesco, coreógrafo) precisam se profissionalizar mais. Hoje o quesito harmonia está muito em cima do carro de som, então a tendência é essa valorização crescer a cada ano, com mais profissionais envolvidos. Hoje, no carnaval, não cabe mais o cantor desleixado, bêbado, cantando mal. Temos que estar sempre atentos e trabalhando para continuar no páreo.

E sobre o peso do carro de som no quesito Harmonia?

Marquinho Art’Samba: É uma boa solução, mas acho que, por ser o lado artístico da escola de samba, a avaliação deveria ser um pouco mais livre. É só por isso.

Para fechar, qual é a sua análise do novo sistema de som da Sapucaí?

Marquinho Art’Samba: A melhor possível. É um sistema que valoriza o cantor. Podemos cantar em qualquer parte da avenida, com a bateria a 100 metros de distância e ainda assim trazê-la pra perto de você pelo fone. Pra mim, foi a melhor coisa que o Gabriel [David, presidente da Liesa], junto com a equipe, colocou. No início ficamos receosos, mas já no mini-desfile percebemos que o negócio ia funcionar, e deu certo. Não tem volta. Foi um presente para os cantores.

Como a era da viralização transformou a vida real em pauta para as telas

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Não é segredo que a forma como consumimos informação mudou drasticamente, e hoje a linha que separa o entretenimento da realidade é cada vez mais tênue, especialmente quando buscamos filmes documentario que capturam o zeitgeist das redes sociais. O que antes era restrito a grandes produções de Hollywood agora ganha força através de narrativas urgentes, que nascem de um tweet, explodem em threads no X ou viram desafios virais no TikTok. Esse movimento não apenas dita o que vamos assistir no fim de semana, mas redefine como nos enxergamos enquanto sociedade conectada, transformando tragédias, curiosidades e comportamentos bizarros em discussões globais que duram semanas nos trending topics.

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O algoritmo como curador da cultura pop

A rapidez com que um assunto ganha relevância na internet é o motor que impulsiona o interesse por produções baseadas em fatos reais. Quando um caso inusitado, como um golpe aplicado por um sedutor online ou uma fraude corporativa, vira o centro de uma conversa coletiva, a demanda por uma narrativa aprofundada se torna imediata. O público não quer mais apenas ler manchetes; quer entender a psicologia por trás da tela, ver os rostos e ouvir os depoimentos que confirmam ou refutam o que foi discutido nas redes. Esse ciclo de retroalimentação é fascinante: o fato acontece, a rede social analisa, o meme se consolida e, rapidamente, o formato documental oferece o contexto necessário para que a história se eternize.

Meme, identidade e o novo consumo de entretenimento

Muito do que consideramos cultura pop hoje está intrinsecamente ligado à capacidade de uma obra gerar memes instantâneos. Uma cena específica, uma frase de efeito retirada de um depoimento ou uma reação inusitada de um entrevistado são suficientes para que uma produção salte da obscuridade para o topo das paradas de sucesso. Essa dinâmica transforma o espectador em um agente ativo. Ao compartilhar um recorte de um desses filmes documentario, o usuário atua como um curador, validando o conteúdo e convidando sua rede a participar do debate. O impacto cultural não reside apenas na qualidade técnica do material, mas na sua capacidade de ser traduzido para a linguagem da internet, onde a ironia e o engajamento rápido são a moeda de troca.

A urgência de ver o que todo mundo comenta

Existe uma pressão social invisível em torno do que é “comentável”. Se um documentário sobre um crime real ou um escândalo de celebridade domina as conversas no trabalho ou no grupo de amigos, a sensação de estar por fora é um gatilho poderoso para o consumo. As plataformas de streaming entenderam esse comportamento e passaram a investir pesado em narrativas que, embora tratem de temas profundos, possuem um ritmo de edição e uma estética que conversam diretamente com o espectador de redes sociais. O resultado é uma experiência de visualização que parece uma extensão natural do feed do celular, mantendo a atenção focada em reviravoltas que, em outros tempos, levariam meses para serem reveladas ao grande público.

Quando o documentário vira um espelho da sociedade

O sucesso de obras que dissecam fenômenos digitais, como o impacto de influenciadores ou o lado sombrio da internet, revela uma sede de autoconhecimento. O público quer entender por que caiu em um golpe, por que idolatra certas figuras ou como a tecnologia moldou seus desejos. Ao assistir a esses conteúdos, o espectador não busca apenas distração, mas uma validação de sua própria percepção sobre o mundo digital. A facilidade de acessar bons filmes documentario permite que temas complexos sejam desmistificados em poucos minutos, criando um senso de comunidade onde todos, independentemente da localização, estão discutindo o mesmo tema, citando os mesmos momentos e compartilhando as mesmas reflexões sobre a nossa era hiperconectada. Esse fenômeno demonstra que, mais do que nunca, a realidade é o produto mais valioso e compartilhado do nosso tempo, consolidando o documentário como o formato definitivo da cultura digital contemporânea.