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‘Queremos comemorar o centenário no Grupo Especial’, declara mestre Chuvisco

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Com o enredo “O Papa Negro: Tata Tancredo e o Fundamento do Omolokô”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Paulo, a Estácio de Sá mergulhou nas raízes do Morro de São Carlos para contar a trajetória de Tancredo Silva.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

A escola, que joga no quintal de casa, dispensa apresentações e se colocou como uma das candidatas ao título da Série Ouro.

O primeiro casal, Feliciano e Raphaela, protagonizou uma exibição de gala sob o título “Sentinelas da Fé”. Cria da comunidade, Feliciano falou com o CARNAVALESCO sobre a dificuldade de desfilar com óleo na pista.

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“A gente tentou imprimir o melhor possível de acordo com o ensaio técnico, mas infelizmente tinha óleo na pista e aí de certa forma a gente acaba sentindo um pouquinho, mas nada que pudesse atrapalhar a apresentação. A gente foi o mais fiel possível, mesmo estando de roupa, mesmo estando diante do calor e tal, mas eu acredito que foi uma bela apresentação”, comentou.

A Estácio de Sá reafirmou sua fama de escola de chão. A harmonia foi o combustível do desfile, impulsionada pela interpretação de Tinganá, que conduziu o samba com sua ala musical com técnica e garra.

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“Estou emocionado demais. Pedi tanto por esse momento, pedi tanto por isso, papai do céu, os orixás me ouviram, me atenderam.
Eu não tenho o que reclamar. Essa correria deixa a gente cansado, mas a gente tem que agradecer, porque se a gente reclama, eles vão tirar da gente. Deus tira, os orixás tiram. Então a gente tem que agradecer sempre. Mesmo tendo dificuldade, a gente tem que agradecer, porque uma hora vai melhorar. E hoje não foi diferente. A gente pediu, agradeci, deu tudo muito certo, o resultado tá aí. A gente desempenhou um bom trabalho. Gostaria de parabenizar o nosso carnavalesco, Marcos Paulo, que escreveu esse enredo maravilhoso sobre o Tata Tancredo. E ele tirou onda, não só o nosso carnavalesco, o nosso presidente, todo o nosso carro de som, bateria, medalha de ouro do Mestre chuvisco, tirou onda mais uma vez. Normal, né? Bateria de medalha de ouro, então tira onda. E a toda a nossa comunidade de São Carlos. Que veio também, desceu em peso o nosso morro. Soltaram fogos no começo, ao final em cima. Então a gente tem que agradecer. Agradecer o nosso morro, gratidão, gratidão sempre”, declarou.

Sob a regência do mestre Chuvisco, a bateria “Medalha de Ouro” foi um show a parte com muito samba e macumba, levando o público ao delírio.

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“Foi um desfile maravilhoso, né?
Ensaiamos muito para fazer um desfile desse nível. Foi do jeito que a gente imaginou, do jeito que a gente programou.
Deu tudo certo. Estácio arrebentou, quebrou tudo. Agora vamos ver, quinta-feira, o resultado. Se Deus quiser, a gente vai voltar ao grupo especial. E no próximo ano está comemorando o nosso centenário no grupo especial”, disse.

Alegorias da Imperatriz na área de concentração para o desfile no Carnaval 2026

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Alegorias da Mangueira na área de concentração para o desfile no Carnaval 2026

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Alegorias da Acadêmicos de Niterói na área de concentração para o desfile no Carnaval 2026

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Alegorias da Portela na área de concentração para o desfile no Carnaval 2026

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‘Império Serrano não precisa de firula para ganhar o carnaval’, declara presidente

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Com o enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, o Império Serrano dispensa apresentações. E, quando a escola honra as suas raízes ao fazer homenagens a personalidades negras, e principalmente do sexo feminino, já se sabe que, no mínimo, vai emocionar a Avenida.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente Jeferson exaltou o Império Serrano e aposta na força dos quesitos da escola para ser campeão da Série Ouro.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Depois de tantas dificuldades, nós chegamos aqui para fazer o que o Império Serrano vai fazer de melhor, que é desfilar. A gente não precisa da cambalhota, a gente não precisa de firula para ganhar o Carnaval ou qualquer outra coisa. Carnaval são quesitos. E graças a Deus o Império Serrano tem vários muito bem defendidos. E aí, o resultado é isso aí. Eu quero agradecer a comunidade, a diretoria, todo mundo por esse trabalho maravilhoso”, disse.

A comissão de frente coreografada por Marlon Cruz apostou na emoção. O Império Serrano apresentou Ponciá-Evaristo a partir de suas referências fundadoras: a mãe, as tias, as mulheres do cotidiano, a ancestralidade e a escrita.

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“Já falei uma coisa que o carnaval nos traz, né? Falar de pessoas que falam da gente. Eu não tenho nem palavras para explicar essa situação. A Conceição Evaristo fala da minha mãe, fala da minha avó, fala da minha história, fala dos meus amigos que morreram na comunidade Bairro Novo Horizonte, lá em Nilópolis, beirando a Via Light. Fala do meu tio, fala do meu avô. A Conceição retrata a minha história, que não é dita em poesia, através da escrevivência. Eu me sinto realizado de contar um pouquinho da história dessa mulher”, declarou.

O primeiro casal, Matheus Machado e Maura Luíza, vestiu “O Mulungu Ancestral e a Flor do Mulungu”, em que o mestre-sala representou a árvore sagrada, que simbolizou a memória profunda, a raiz africana e o tempo longo da diáspora. Já a porta-bandeira simbolizou a síntese da potência feminina negra e figura central da escrevivência-enredo. A flor é estado de graça, é beleza que nasce da resistência, é a mulher negra que verte em leite a seiva que dá a vida.

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“Estamos muito satisfeitos. Tenho certeza que a gente executou o trabalho com perfeição. Foi tudo concluído na maneira que, aliás, superou a nossa expectativa”, disse Matheus.

“É uma emoção muito grande pra mim. Foi uma temporada de superação. Foi uma temporada de resiliência. É uma emoção… Eu tô estravazando agora, né? Você subiu ao posto de primeira, sendo segunda, você sempre tem aquela coisa de será que vai dar certo? É uma aposta. Será que ela vai dar conta? Eu respirei fundo, trabalhei e consegui. Espero que a apresentação tenha sido na altura que o Império Serrano merece. Eu tô muito feliz”, completou Maura.

Paredão vira símbolo de resistência em ala da Unidos da Ponte na Sapucaí

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Na Avenida, o som também desfila. A Ala 17 da Unidos da Ponte, “O Paredão Periférico”, transforma um dos maiores símbolos dos bailes black e do funk carioca em imagem de memória e resistência cultural. O paredão de som, muitas vezes visto apenas como equipamento, surge como guardião de tradição e identidade periférica.

A fantasia associa a estética robusta das caixas de som a formas que remetem a totens ancestrais africanos, sugerindo que a batida também carrega história. Raios estilizados representam a vibração eletrizante que atravessa o corpo, enquanto olhos e grafismos evocam o universo visual dos bailes nas periferias, territórios onde a música funciona como pertencimento e ocupação simbólica.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Mais do que cenário, o paredão vira símbolo

Sérgio Teixeira, 59 anos, está desfilando pela terceira vez na escola, e vê na ala um reencontro com sua própria juventude.

“Estar na Ponte representando o paredão do baile significa muito porque é a minha juventude na minha escola, uma experiência maravilhosa. É incrível ver que o antigo se mistura com o atual. O baile da antiga ainda está presente no baile funk, seja na música ou na estética. Hoje é dia de sambar e dançar funk, a mistura mais incrível do Rio de Janeiro”.

A internacionalização dessa cultura também se faz presente na Avenida. Cecília Raimundo, argentina, 61 anos, autônoma e há três anos desfilando na escola, ao mesmo tempo que vive no Brasil, fala sobre o impacto dessa experiência.

“Aprender a cultura brasileira é sentir no sangue, é um misto de sentimentos. Estou há três anos no Brasil e ao mesmo tempo que desfilo na Unidos da Ponte. Pretendo continuar até o dia que eu partir. É muito interessante ver funk e samba juntos porque os brasileiros vivem a música profundamente. O ritmo é intenso na dança e transmite uma cultura e um amor pelas tradições brasileiras que eu amo.”

Daniel Carvalho, 40 anos, hidrotécnico e no segundo ano desfilando pela Unidos da Ponte, destaca o caráter afetivo da ala ao conectar o enredo com sua própria trajetória nas periferias cariocas.

“Está sendo muito importante vivenciar esse desfile que retrata a minha juventude. Eu sou de Madureira e escutei muito funk, ainda escuto de vez em quando. O samba e o funk juntos têm tudo a ver, é o ritmo carioca, enraizado na periferia e que retrata o subúrbio do Rio”. 

Na Ala 17, o som não é apenas ouvido, é sentido. A vibração do paredão ocupa o corpo, conduz o passo, organiza a dança e transforma a Avenida em território periférico legitimado.

Ao associar tecnologia sonora à ancestralidade africana, a Unidos da Ponte reafirma que o funk não rompe com a tradição: ele é continuidade. É herdeiro de uma linhagem rítmica que sempre usou o tambor, ou a caixa de som, como instrumento de afirmação.

Quando o grave ecoa na Sapucaí, não é apenas festa. É memória amplificada. E no Rio, quando o paredão liga, a história também dança.

‘Estou vivendo um sonho’, declara mestre Laisa

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O Arranco do Engenho de Dentro trouxe para Sapucaí o enredo “A Gargalhada é o Xamego da Vida!” da carnavalesca Annik Salmon.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Outra mulher que também estava a frente da escola é Laisa Lima, a única mestra de bateria do carnaval carioca. Ela transformou a presença feminina no comando da bateria em marca histórica da Sapucaí.

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“Nossa bateria é uma família. Estou vivendo um sonho. Conseguimos fazer tudo o que planejamos, acho que até melhor. Estamos desde abril trabalhando e espero que os jurados entendam”, declarou Laisa em entrevista ao CARNAVALESCO. 

Quem também terminou o desfile muito emocionado foi o mestre-sala Diego Falcão, que fez questão de enaltecer a força da comunidade para colocar o Arranco no lugar em que ele merece estar.

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“Mais um ano de superação. A nossa luta é muito árdua. Nossa escola não tem patrono, é a comunidade lutando por ela mesma. Estou com a sensação de ter feito o meu melhor e com a certeza de que os jurados vão nos olhar com bons olhos”, disse.

A comissão de frente foi outro ponto alto da agremiação. Coreografada com rigor cênico pelos coreógrafos Lipe Rodrigues e Márcio Dellawegah, a comissão transportou o público para o Circo Teatro Guarany por meio de bailarinos caracterizados como palhaços clássicos, em uma performance que fundia dança e acrobacia.

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“A gente queria trazer um pequeno ato em um alegoria mínima que trouxesse a intenção de um palco, de baú de memórias e felicidade. Acho que conseguimos atingir esse objetivo com alegria e um povo alegre por ver tantas cores, tanta maquiagem para homenagear a galera circense que muitas das vezes não é valorizada. Então, podemos com muito respeito representar os circenses e a história dessa palhaça negra”, comentou a dupla.

Abre-alas da Unidos da Ponte liga funk, África e futuro na Série Ouro

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Encerrando os desfiles da Série Ouro na noite do último sábado, na Marquês de Sapucaí, a Unidos da Ponte transformou o abre-alas em síntese do enredo “Tamborzão: O Rio é baile! O poder é black!”, conectando ancestralidade africana, cultura do funk e estética tecnológica em uma mesma pulsação visual.

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Abre-Alas AFRO150BPM. Foto: Maria Estela Costa

A primeira alegoria traduziu em imagem e movimento a proposta do carnavalesco Nícolas Gonçalves, ao celebrar o funk como força cultural das periferias e herança negra em permanente reinvenção. O abre-alas conectou tecnologia, referências rituais africanas e efeitos de pulsação em 150 batidas por minuto, velocidade comum ao gênero. Enquanto as máscaras evocavam a origem dos batuques, os elementos luminosos apontavam para o presente do baile.

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Steve B no abre-alas da Unidos da Ponte. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O cantor estadunidense Stevie B, conhecido por misturar freestyle, hip-hop e funk, esteve presente na alegoria como símbolo do diálogo internacional da batida negra.

“A sensação é incrível. Isso aqui é uma experiência enorme com a cultura brasileira. São 6 horas da manhã, mas a gente tem que aguentar e realmente desfrutar”, afirmou o cantor.

Apesar de já conhecer o país, Stevie disse ainda se surpreender com a intensidade do ritmo: “150 BPM é uma velocidade alta para qualquer um. Mesmo depois de alguns anos vindo ao Brasil, é a primeira vez que sinto isso tão de perto”.

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Raíssa Real. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A funkeira Raíssa Real, de 23 anos, estreante pela Unidos da Ponte, também foi destaque no abre-alas e celebrou o desfile ao lado de nomes importantes do gênero. Segundo ela, a alegoria evidenciou mulheres africanas, o DJ monumental e as caixas de som que remetem aos paredões dos bailes.

“Tem muita ancestralidade africana, do início do tamborzão ao funk atual. Eles misturaram essas estéticas e eu achei incrível. O enredo está lindo, a música é linda. Acho que vai entregar bastante”, afirmou.

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Rafael Rocha. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O figurinista Rafael Rocha, de 27 anos, também em seu primeiro desfile pela escola, surgiu caracterizado como “Exu da Batida”, fantasia que unia referências afro-religiosas a cabos e conexões do universo sonoro do baile.

“É uma energia de chegada. Mesmo sendo a ponta final do conjunto de abertura, sinto que estou ajudando a colocar essas batidas para jogo. Minha fantasia é a própria batida, e chegar na avenida já nessa vibração do tamborzão é muito impactante”, finalizou.

‘Carinho do público faz tudo valer a pena’, declara porta-bandeira da Em Cima da Hora

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Com o enredo “Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras”, a Em Cima da Hora teve a comissão de frente coreografada por Márcio Moura e representou uma espécie de embate entre homens e mulheres, a partir das relações humanas e das forças que atravessam o indivíduo. Os figurinos representavam, em parte do ato, homens e mulheres comuns, com essa tensão em que os homens parecem querer dominar as mulheres e fazê-las submissas.

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“Sempre é tenso, mas foi muito bom. Foi lindo as meninas representando o protagonismo da mulher. Um enredo que exaltar a força dessas mulheres e que precisava ter sido exaltado antes, mas que bom que a Em Cima da Hora exaltou”, disse o coreógrafo em entrevista ao CARNAVALESCO. 

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O primeiro casal, Marlon Flores e Winnie Lopes, veio com a fantasia “Os Reis da Encruza”, toda em tom de vermelho muito forte. Ele fazendo alusão ao Rei das Sete Encruzilhadas, entidade de respeito máximo entre as falanges de Exu. Ela representando a Rainha das Sete Encruzilhadas, senhora das ruas, de sensata justiça, ornada em pedras, penas e brocados.

Emocionada após o desfile, Winnie falou dos percalços que o grupo de acesso enfrenta, mas tudo vale a pena quando o público reconhece o esforço e belíssimo trabalho apresentado pelo casal.

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“Conseguimos executar tudo o que a gente planejou. Era uma coreografia muito acelerada, com um samba para frente e cansa. Fiquei muito emocionada com a avenida, com as pessoas respondendo a gente, ao samba. Quem acompanha o grupo de acesso sabe da luta é que montar o carnaval, então ficamos emocionados”, comentou.