O Rio Carnaval 2026 já ficou na memória, mas o folião não precisa esperar para viver tudo de novo. A Liesa inicia na próxima segunda-feira, às 12h, a venda do ‘Ingresso Sambista’, uma modalidade especial em que o espectador compra a entrada antecipadamente e escolhe o dia que desejar após a definição da ordem das escolas.
Para adquirir o ingresso, é necessário acessar o site oficial www.riocarnaval.com/ingressos e clicar na seção de arquibancadas. Ao ser redirecionado para a página da Ticketmaster, basta escolher entre arquibancada especial par ou ímpar. Após o sorteio da ordem dos desfiles, o comprador terá a opção de selecionar o dia de sua preferência: domingo, segunda ou terça-feira. Os ingressos custam R$ 230 (inteira) e R$ 115 (meia-entrada), com valor promocional em relação ao ingresso tradicional, que será disponibilizado na próxima etapa de vendas.
A Unidos da Ponte, em parceria com o Projeto Onde Nasce o Samba, comandado por Pedro Telles, coordenador da ala de passistas da escola, promove nesta terça-feira, uma ação especial de Páscoa voltada para crianças e adolescentes, com apoio da Prefeitura de São João de Meriti.
O objetivo é celebrar a Páscoa levando alegria e incentivando a partilha, com a distribuição gratuita de caixas de bombons para o público jovem da região.
“Essa ação de Páscoa é uma forma de estarmos ainda mais próximos da comunidade, fortalecendo nossos laços com as famílias de São João de Meriti”, destaca Gustavo Barros, gestor da escola.
A distribuição é destinada a crianças e adolescentes de até 16 anos de idade e só será realizada mediante a pré-inscrição.
Serviço:
Data: 31 de março
Horário: A partir das 19h
Local: Praça da Matriz – São João de Meriti
Informações sobre a pré-inscrição: (21) 98035-2340 – Maya.
O Salgueiro realiza, no próximo dia 4 de abril, uma campanha de doação de sangue em parceria com o Hemorio. A ação acontece das 10h às 16h, na quadra da escola, localizada na Rua Silva Teles, 104, no Andaraí, Zona Norte do Rio. A iniciativa é organizada pelo Centro Médico do Salgueiro, que há décadas desenvolve ações de saúde e assistência voltadas para a comunidade. À frente do projeto, a doutora Vilma Araújo, responsável pelo centro, destaca que a campanha faz parte de um calendário contínuo de mobilização social da agremiação. “O Centro Médico do Salgueiro existe desde a década de 70 e vem crescendo ao longo dos anos. Hoje contamos com 17 profissionais atuando de forma voluntária, oferecendo atendimentos e promovendo campanhas como essa de doação de sangue, que realizamos duas vezes ao ano”, explica.
Segundo a médica, a escolha do período não é por acaso. “Após as férias e o verão, os estoques dos bancos de sangue costumam ficar em níveis críticos, aumentando a necessidade de reposição. Por isso, essa campanha é tão importante. Uma única doação pode salvar até quatro vidas”, ressalta.
A expectativa é que a ação reúna entre 100 e 150 pessoas para cadastro, com uma média de até 100 coletas efetivas, número que varia de acordo com a aptidão dos voluntários após triagem médica.
Para a doutora, a mobilização é também um convite à consciência coletiva. “Ser doador é um ato de amor. É ajudar o outro com algo simples, mas que pode fazer toda a diferença. É um prazer enorme realizar esse trabalho e ver o impacto que ele gera na vida das pessoas”, afirma.
Mais do que um gesto individual, a campanha representa o fortalecimento de uma rede de solidariedade, reforçando o papel das escolas de samba como agentes sociais em seus territórios, indo além do Carnaval e atuando diretamente na promoção da cidadania e do cuidado com a vida.
Serviço:
Campanha de Doação de Sangue – Salgueiro
Data: 04 de abril
Horário: das 10h às 16h
Local: Quadra do Salgueiro – Rua Silva Teles, 104, Andaraí
Realização: Centro Médico do Salgueiro em parceria com o Hemorio
Três anos depois das chuvas de verão de 2023 terem destruído parte do teto e danificado itens de seu acervo, o Museu do Samba reabre sua reserva técnica, após restauração e modernização do espaço. Com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), foram realizadas obras de adequação, compra de equipamentos especiais e até a instalação de um elevador para acesso do público ao segundo andar do prédio da instituição, que este ano completa 25 anos de funcionamento aos pés do Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio.
A reserva técnica é o espaço em que são guardados os itens que não estão expostos ao grande público e serão utilizados em futuras exposições ou pesquisas. No caso do Museu do Samba, o espaço guarda objetos artísticos e pessoais, roupas, fantasias, instrumentos musicais, croquis e livros, doados por grandes sambistas (ou seus familiares), entre eles Monarco, Nelson Sargento, Roberto Moura, Leci Brandão, Zé Paulo Sierra e Aluísio Machado. Entre os itens recebidos mais recentemente, e ainda totalmente inéditos em mostras públicas, estão os acervos do carnavalesco Mário Borrielo e do compositor e baterista Wilson das Neves (falecido em 2017), além de livros da biblioteca da atriz Fernanda Montenegro.
Para manter documentos, publicaçãoes e objetos, a reserva técnica conta com equipamentos de monitoramento ambiental, de umidade e temperatura, materiais de acondicionamento, estantes deslizantes, iluminação indireta, e revestimento anti-chamas, entre outros elementos de infraestrutura.
A acessibilidade do público também foi contemplada com o apoio da Secec-RJ, que incluiu a instalação de um elevador para o segundo andar, exclusivo para pessoas com limitações de locomoção, como cadeirantes e idosos. O equipamento era uma necessidade antiga do museu, já que no segundo pavimento há três exposições permanentes em cartaz e, agora, também funcionará a nova reserva técnica.
O Museu do Samba possui, atualmente, um acervo de mais de 50 mil itens e é o único Centro de Documentação e Pesquisa do Brasil especializado em samba, consultado regularmente por pesquisadores, escritores, roteiristas e amantes do samba e das artes carnavalescas. No acervo, constam também mais de 180 depoimentos de grandes nome da história do samba e do carnaval, todos gravados em vídeo exclusivamente para a instituição.
É de autoria do Museu do Samba a pesquisa que levou o Instituto Brasileiro do Patrimônio Artístico e Cultural (Iphan), em 2007, a declarar o samba do Rio de Janeiro – formado por suas três matrizes, a saber, o samba-enredo, o samba de terreiro e o partido alto – como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil. Dez anos depois, em janeiro de 2017, o Iphan reconheceu o Museu do Samba como centro de referência do samba, por seu trabalho de preservação das matrizes do samba do Rio.
“O samba é a maior identidade cultural do Brasil e o compromisso do Museu do Samba é preservar este patrimônio, dando voz e visibilidade aos sambistas, que são os maiores detentores dos saberes desta manifestação cultural; nós acreditamos que é um compromisso não apenas nosso, mas de todo um povo, de uma cidade, de um estado e de um país valorizar e preserva estas memórias e histórias, materializadas em um acervo único, sem igual no país, e construído com a participação de grandes sambistas brasileiros. Neste sentido, é uma grande conquista a modernização da reserva técnica, que é o coração de um museu e guarda segredos, surpresas e conquistas de uma cultura grandiosa e de homens e mulheres que lutaram durante suas vidas pelo samba, pelo carnaval e pelo povo preto”, afirma Nilcemar Nogueira, fundadora do Museu do Samba, neta do compositor Cartola de Dona Zica, grande dama e baluarte da Estação Primeira de Mangueira.
Vila Isabel sempre soube que tinha samba. O que muda agora é que o mundo vai poder comprovar. Com o lançamento da Rota do Samba Três Apitos no último sábado, durante a feijoada de comemoração dos 80 anos da agremiação, o bairro que criou Noel Rosa e acolheu Martinho da Vila passa a integrar oficialmente o circuito do turismo cultural internacional, transformando em itinerário turístico o que seus moradores já conhecem de cor: as calçadas com partituras, a estátua de Noel e as esquinas onde o samba nunca parou. * FAÇA AQUI SUA INSCRIÇÃO
A iniciativa é da Embratur em parceria com a Unidos de Vila Isabel e o laboratório Etnias Turismo e Cultura. O percurso a pé de cerca de três horas conecta dez pontos históricos tendo como eixo as figuras de Noel, Martinho e a própria escola. Para o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a Rota do Samba mostra um Rio de Janeiro para além dos cartões-postais. “Tenho dito que o samba é o melhor guia turístico que tem no Rio de Janeiro, porque o samba ele não mostra o Rio. Ele faz o turista sentir o Rio. E é isso que o turismo mundial está buscando: experiência”, declarou.
A curadoria do roteiro ficou a cargo de Emily Borges, turismóloga e fundadora da Etnias, que nasceu e cresceu em Vila Isabel. “Tive a proposta de apresentar a Vila Isabel a partir do meu olhar enquanto cria do bairro”, contou. Para isso, reuniu um time de historiadores apaixonados pela cidade: Bruna Cordeiro, Valdemar Vargas e Mayra Poubel.
A Etnias já operava um tour em Vila Isabel, mas o investimento da Embratur acrescentou tecnologia e um recorte específico: o afroturismo. “Evidenciamos personagens negros históricos que fazem parte do bairro e da história do samba”, explicou Emily. “Construímos sempre uma narrativa afrocentrada, decolonial e inclusiva”.
O resultado é um roteiro que vai além da boemia. A rota começa no monumento a Noel Rosa, atualmente sem a estátua, vandalizada no ano passado e com previsão de reinstalação no segundo semestre, e segue por marcos como o mural do projeto NegroMuro dedicado a Martinho, as calçadas musicais da Boulevard 28 de Setembro, o edifício erguido onde ficava a casa de Noel Rosa, acessível por QR Codes com imagens e informações históricas, a fábrica Confiança, que inspirou a canção que dá nome ao percurso, e a estátua de Martinho da Vila na Praça Barão de Drummond, prevista para ser inaugurada no segundo semestre.
O trajeto inclui audioguias multilíngues, mapas interativos e recursos de realidade aumentada desenvolvidos com apoio do EmbraturLAB. Na quadra da Vila Isabel, ponto final da rota, o visitante pode assistir com óculos de realidade virtual a um encontro fictício entre Noel e Martinho. Toda essa tecnologia foi testada em campo antes do lançamento.
Segundo Emily, mais de 200 pessoas acompanharam a capacitação online pelo YouTube, e cerca de 70 guias de turismo participaram do passeio técnico pelas ruas do bairro, testando as placas com QR Codes e as tecnologias implantadas na rota. O perfil foi diverso: profissionais de diferentes cidades do estado, guias negros e moradores do próprio bairro.
São esses guias que vão conduzir os passeios gratuitos previstos para os próximos três meses, aos sábados. “É um momento de democratização do conhecimento e a oportunidade de um novo produto turístico ganhar força como fonte de renda para os profissionais do turismo”, avaliou a turismóloga.
Para o presidente da Vila Isabel, Luizinho Guimarães, a parceria reforça uma rede de apoios que a escola vem consolidando. “Muito grato ao Freixo e à Embratur, que estão nos apoiando dia após dia nessa caminhada”, disse. O dirigente vê na iniciativa uma chance de levar mais pessoas a conhecer “um território extremamente rico culturalmente, não só pela escola, mas por tudo o que Vila Isabel representa”.
A ambição do projeto não para em Vila Isabel. Freixo sinalizou que Mangueira, Estácio e São Cristóvão estão no horizonte. “A cidade inteira pode ser mapeada pelas suas escolas de samba”, afirmou.
Confira o percurso da Rota do Samba de Vila Isabel
1. Monumento a Noel Rosa
2. Mural de Martinho da Vila
3. Calçadas Musicais da Boulevard 28 de Setembro
4. Bar Petisco da Vila
5. Edifício Noel Rosa: local onde ficava a casa do compositor
6. Fábrica Confiança e vila operária
7. Ponto Cem Réis: antiga parada de bonde
8. Escola Municipal Equador: espaço que já abrigou ensaios da Vila Isabel
9. Praça Barão de Drummond
10. Quadra da Unidos de Vila Isabel.
A Botafogo Samba Clube confirmou, nesta segunda-feira, a renovação do intérprete Nêgo para o Carnaval 2027. A decisão reforça a aposta da agremiação na continuidade de um dos principais pilares do seu carro de som. Em anúncio feito nas redes sociais, a escola celebrou a permanência do cantor, destacando sua experiência e protagonismo na condução dos sambas na Marquês de Sapucaí.
“Dono de uma voz marcante e de uma trajetória consagrada na Sapucaí, ele continua à frente do nosso carro de som, fortalecendo ainda mais o canto da nossa escola”, publicou a agremiação.
A renovação de Nêgo representa mais do que a manutenção de um intérprete: simboliza a busca por entrosamento e identidade musical, aspectos fundamentais para o desempenho no quesito harmonia. Com passagem consolidada pelo carnaval carioca, o cantor segue como uma das vozes de referência no segmento.
Empolgada com a continuidade, a Botafogo Samba Clube também projetou um novo ciclo competitivo. “Seguimos juntos, mais fortes do que nunca! Vem coisa grande por aí…”, escreveu a escola, sinalizando ambição para o próximo desfile.
Oitava colocada do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo em 2027, a Mocidade Unida da Mooca anunciou mudanças na Harmonia nesta segunda-feira. Após anunciar a saída do antigo diretor do segmento, Yves Alexeiv, no dia 10 de março, a MUM aposta em uma comissão para o quesito. Todos eles têm em comum o fato de já desfilarem na agremiação.
– Neto Reis
– César Augusto
– Carol Picanço
– Luiz Leite
– Heverton Tonani
Dos cinco, quatro eram da equipe de Harmonia já em 2026, auxiliando o antigo diretor. César, que era diretor de Harmonia da coirmã Unidos de São Lucas no último Carnaval, atuava na MUM no departamento de alegorias.
Para 2027, a agremiação que estreou no Grupo Especial em 2026 com o desfile de “Gèlèdés – Agbara Obinrin” e teve um planejamento bastante adiantado, também anunciou a contratação de Roosevelt Martins Gomes da Cunha, popularmente conhecido como Pixulé.
A Vila Isabel de olho no Oriente. O presidente da escola, Luizinho Guimarães, revelou ao CARNAVALESCO que a agremiação está em tratativas para um intercâmbio cultural com a China, com possibilidade de desenvolver um enredo sobre o país nos próximos anos.
“Estamos buscando construir um fio condutor que ligue a China, o Brasil e a Vila Isabel. É um trabalho que requer tempo”, explicou o dirigente, que já esteve na embaixada chinesa no Rio de Janeiro para uma reunião com conselheiros e ministros do país asiático. Um novo encontro está previsto para esta semana para dar continuidade às negociações.
A iniciativa envolve a Embratur e tem como pano de fundo o crescente fluxo de turistas chineses ao Rio de Janeiro. “Vamos dar mais corpo a esse projeto ao longo deste ano. Futuramente, quem sabe, desenvolvemos um enredo que possa envolver a China”, disse.
Enredo de 2027 guardado a sete chaves
Enquanto o Oriente ainda é horizonte, 2027 segue mistério. Luizinho confirmou que o enredo do próximo carnaval já está definido, mas seguirá guardado a sete chaves por ora. O presidente adiantou apenas que o tema trata de “uma história linda, rica, de pertencimento, de cultura e de luta”.
“Os carnavalescos já queriam esse enredo há algum tempo. Tenho certeza que vai nos conduzir a um grande carnaval”, afirmou, sem revelar detalhes. A divulgação oficial deve ocorrer mais adiante, já que, segundo o dirigente, o desenvolvimento do tema exige um cuidado especial.
A nova formação do primeiro casal defensor do pavilhão salgueirense marca o início do Carnaval 2027. Laryssa Victoria chega para somar à escola com frescor e tradição, para dançar ao lado do mestre-sala Sidclei Santos, que segue para seu 16º carnaval consecutivo na escola. O casal já está em preparação física e iniciará os ensaios a partir de abril. A mudança veio com a saída da antecessora Marcella Alves, por decisão tomada pela própria porta-bandeira. A sugestão de Laryssa como novo nome partiu de Sidclei, em um jogo rápido para decidir a nova parceira. A escolha veio por acompanhar de perto a trajetória da artista, já que a conhece desde a barriga da mãe. Além disso, a definição também foi motivada por uma grande inspiração de Laryssa: a porta-bandeira Ana Paula, que defendeu o pavilhão ao lado de Sidclei entre os anos de 1994 e 1999.
“A Laryssa era muito fã de uma porta-bandeira que dançou comigo aqui nos anos 1990, a Ana Paula. E a gente parou de dançar prematuramente; era uma das promessas do carnaval. E aquilo me remeteu que, um dia, se eu tivesse uma oportunidade de dançar, seria com ela [Laryssa], não seria outra porta-bandeira. Porque eu vi uma identidade muito grande com a da Paula, que dançou comigo”, compartilhou.
Mesmo jovem, Laryssa traz uma bagagem cheia de experiência e conquistas para a escola. Sua trajetória no carnaval começou aos 11 anos de idade e ela, inclusive, foi aluna de Sidclei e Marcella no workshop “Lapidando Talentos”, no Salgueiro. Passou por escolas como Estácio de Sá, Porto da Pedra e Imperatriz Leopoldinense, onde ocupou o cargo de segunda porta-bandeira até este ano, quando foi convidada a integrar a equipe salgueirense.
“Quando ele me ligou, falando que não tinha outra opção para ele, que, quando ele falou meu nome, foi muito bem aceito pela presidência, isso dá uma confiança. Porque eu sou uma menina da nova geração e poder estar chegando agora ao Salgueiro, que é uma escola muito grande, muito importante para o carnaval, é uma felicidade mesmo”, contou.
Laryssa foi recebida de braços abertos pela comunidade salgueirense e pela presidência da escola, que, segundo Sidclei, “não mediu esforços para trazê-la”. E o mestre garante que, com toda dedicação, o legado de excelência do primeiro casal seguirá pelos próximos anos.
“Eu tenho certeza absoluta, para a nação salgueirense, de que trabalho, dedicação e ensaio não vão faltar. E, com o trabalho e o ensaio, com certeza, vão vir os 40 pontos, junto nessa mistura tão sonhada. O que eu mais sonho na minha vida hoje, depois de enredo, é só ser campeão do carnaval; isso já pode me realizar no mundo do carnaval, do samba”, disse.
Laryssa chega para ocupar o posto que foi de Marcella Alves por 12 anos, período em que a bailarina construiu uma história premiada e consistente na escola. Para a “estreante”, Marcella é uma inspiração, e a nova história no Salgueiro é a realização de um sonho.
“Eu me sinto muito honrada, porque a Marcella é minha inspiração. Sempre admirei muito a dedicação dela, a disciplina e a dança desde pequena. Poder ser a porta-bandeira que vai seguir o legado da Marcella é muita responsabilidade. É um sonho de menina que está sendo realizado”, declarou.
Já sobre o novo parceiro, Laryssa destaca as qualidades do mestre e garante que, nesse encontro de gerações, prezará pela tradição, que é um dos grandes trunfos de Sidclei, mas também trará seu diferencial.
“Sid é um mestre-sala que deixa a porta-bandeira brilhar. Automaticamente, ele brilha. Porque hoje é muito difícil você ver um mestre-sala que entende que quem tem que brilhar é a porta-bandeira. E o Sid tira de letra nisso, e é onde ele brilha, é onde você consegue enxergar que é um mestre-sala que respeita o espaço, respeita a tradição. Isso, para mim, é o que mais me encanta. Porque eu sou da nova geração, tenho essa questão de trazer um diferencial, mas também prezo muito pela tradição com o Sid”.
A mudança não muda nem apaga a história que foi escrita nos últimos 12 anos; esse novo momento é a continuação de um legado. Sidclei garante que a amizade com Marcella segue inabalada e não economiza elogios para a porta-bandeira.
“A Marcella é minha irmã. Foram anos de companhia, de sucesso. Eu sou grato por tudo o que ela me fez me transformar. A Marcella, sem demagogia, é uma ‘monstra’. Eu acho que ela conquistou o espaço dela no carnaval. Eu sou grato por esses anos todos de ter representado a nação salgueirense junto com ela e grato por ter dançado com uma das melhores porta-bandeiras de todos os tempos. Somos felizardos. Por mais que falem ‘poxa, a gente separou’, as pessoas se separam, é normal. A gente não se separou por briga, foi uma situação normal. Está tudo bem, nós somos amigos, somos irmãos, ela é minha irmã. Desejo felicidade para ela, da mesma forma como ela deseja para mim”, disse.
A possibilidade de ampliar o Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro de 12 para 15 escolas de samba voltou ao centro do debate carnavalesco depois que tanto o ex-prefeito Eduardo Paes quanto o atual prefeito da cidade, Eduardo Cavaliere, sinalizaram apoio à ideia. E agora a discussão ganhou um novo e importante interlocutor: Marcelo Freixo. O presidente da agência federal de turismo declarou ao CARNAVALESCO que é favorável à expansão, desde que ela venha acompanhada de planejamento, infraestrutura adequada e, principalmente, sem redução do suporte financeiro às escolas já consolidadas na elite do carnaval carioca.
“Eu sou favorável à ideia, mas é claro que isso tem que ser planejado. Você tem que ter barracões iguais para todas as escolas”, afirmou Freixo. “O carnaval tá com o sarrafo muito elevado. Você não pode diminuir os apoios para ter mais escolas. Tem que garantir o mesmo apoio para todo mundo para garantir competitividade, igualdade, e não perder o nível do carnaval”.
A declaração posiciona o governo federal no debate que, até aqui, havia ficado restrito à esfera municipal e à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Liesa. A Embratur, que responde pelo fomento ao turismo internacional do Brasil, vê no carnaval do Rio uma das suas principais vitrines. Para o Carnaval 2026, a empresa pública destinou R$12 milhões para as escolas do Grupo Especial através de um acordo de cooperação em parceria com o Ministério da Cultura e a Liesa.
Carnaval do Rio é visto por turistas de 160 países
Para Freixo, o financiamento federal ao carnaval não é favor, é estratégia. O presidente da Embratur foi direto ao ponto ao justificar o compromisso do governo Lula com a festa: “O carnaval é a maior expressão de cultura que o Brasil tem e a maior propaganda no mundo que o Brasil tem é o carnaval do Rio de Janeiro. Ele tem que ser financiado pelo governo federal, porque não tem visibilidade maior e melhor do que a gente consegue com o carnaval. São 160 países que assistem o desfile do Rio de Janeiro”.
Os números dão respaldo à afirmação. Em fevereiro de 2026, segundo dados da Embratur, o Rio de Janeiro recebeu um fluxo expressivo de turistas internacionais: a Argentina liderou o ranking de emissores, com 99.194 visitantes, seguida pelo Chile, com 56.055 chegadas. Os Estados Unidos aparecem em terceiro, com 27.954 turistas, enquanto França e Reino Unido fecham o Top 5 com, respectivamente, 14.868 e 8.620 desembarques.
Para a Embratur, as escolas de samba são, em alguma medida, embaixadoras do turismo no Brasil. É nesse contexto que a eventual expansão do Grupo Especial passa a ter uma dimensão federal, e não apenas local.
Três vagas, três nomes e uma conta para fechar
A ideia de ampliar o Grupo Especial não é nova, mas ganhou força recentemente a partir de um tweet do ex-prefeito Eduardo Paes. Às vésperas de deixar a prefeitura do Rio para se candidatar ao governo do estado, Paes não apenas sinalizou a possibilidade de expansão como foi além: sugeriu que as três vagas fossem ocupadas por Estácio de Sá, Império Serrano e União da Ilha do Governador.
O debate ganhou ainda mais força quando o novo prefeito Eduardo Cavaliere, em entrevistas, reafirmou a proposta e foi categórico: o Carnaval de 2027 terá 15 escolas no Grupo Especial. A declaração, feita nos primeiros dias à frente da prefeitura, transformou o que era uma ideia lançada nas redes sociais em compromisso de governo.
A Liesa, no entanto, levantou questões práticas que precisam ser respondidas antes que qualquer decisão seja tomada. O presidente da Liga, Gabriel David, apontou dois nós centrais: infraestrutura e financiamento. Hoje, a Cidade do Samba abriga 14 barracões, dois a mais do que o número atual de escolas no Grupo Especial, sendo esses espaços extras utilizados pelas 12 agremiações. A chegada de três novas escolas exigiria, portanto, a criação de novos barracões. O outro ponto é o aporte financeiro: ampliar o grupo sem garantir recursos equivalentes para todas as escolas seria, na prática, rebaixar o padrão do espetáculo.
Ainda assim, os sinais mais recentes indicam que o diálogo entre a prefeitura e a Liga avança. Na última sexta-feira, Gabriel David publicou nas redes sociais o registro de um encontro com o prefeito Cavaliere, acompanhado de uma mensagem que soou como aceno: “Sempre uma troca importante visando um futuro cada vez melhor para o nosso carnaval. Sucesso no comando da nossa cidade. Juntos, faremos o maior @riocarnaval de todos os tempos”.
Nenhum acordo formal foi anunciado, e os detalhes operacionais, de onde virão os barracões, como será estruturado o aporte financeiro e qual será o papel do governo federal nessa equação, ainda precisam ser resolvidos.
Abril como prazo, Liesa como chave
A situação segue em aberto. O próximo prazo concreto no horizonte é o sorteio de posição para o Carnaval 2027, previsto para abril. Freixo deixou claro que o governo federal estará junto, mas que a viabilidade da proposta passa pela Liesa e por uma condição inegociável: barracão e suporte equivalente para todas as 15 escolas.
O debate saiu do campo das intenções e entrou no das negociações. Falta saber se o calendário, e a política, darão tempo para que tudo se resolva antes que o próximo carnaval engrene de vez.