Tatuapé realiza gravação do audiovisual com foco no canto
A Acadêmicos do Tatuapé foi a última escola a realizar a gravação do audiovisual da Liga-SP. Como de costume, o destaque ficou para o coral da agremiação, que já é bem conhecido por ter uma comunidade que tem um canto potente. Embalados pelo intérprete Celsinho e a bateria ‘Qualidade Especial’, comandada pelo mestre Léo Cupim, a entidade da Zona Leste está mostrando ao sambista uma nova identidade, seja pelo audiovisual, ensaios ou dia do desfile, visto que irá para o Anhembi com um enredo sobre ‘justiça’ – deixando de lado, por ora, enredos que homenageiam cidades, assim como foram os dois últimos carnavais. O CARNAVALESCO acompanhou de perto a gravação da escola e conversou com o mestre de bateria Léo Cupim, além do presidente e diretor de harmonia, Edu Sambista.
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Orgulho imenso e dedicação especial
O mestre Léo Cupim destacou como um grande orgulho participar com a sua escola da gravação do audiovisual. O líder da bateria ‘Qualidade Especial’ afirmou que a faixa está bem construída. “A gente tem orgulho tremendo de estar participando desse projeto. A faixa foi bem pensada, bem construída para ter um começo, meio e fim e entregar um produto legal, não só para a nossa comunidade, mas para todos os amantes do samba. A hora que for acompanhar a nossa faixa, eles vão ter o prazer de escutar do começo, meio e fim. Pode ter certeza que vai ser bem interessante, ela está bem construída e vai ser um prazer mostrar esse trabalho para vocês”, disse.
Cupim declarou que teve uma perda importante na família e o Carnaval 2025 será dedicado a ele. “Está sendo tudo muito diferente. Eu tive uma perda esse ano. Todo o carnaval foi dedicado à minha família, porque todos são Tatuapé desde sempre, mas vai ser dedicado ao meu irmão, ele sempre foi uma pessoa que teve muito orgulho da nossa escola, muito orgulho do meu trabalho, e vai ser para ele, pela minha família, pela família Tatuapé, com certeza”, completou.

Força do coro e tema importante dentro da escola
Um dos presidentes e diretor de harmonia da agremiação, Edu Sambista, comentou sobre a crescente do samba-enredo e o novo tema que a escola irá mostrar na avenida. “Chegamos muito bem para essa gravação. Nós já estamos praticamente há um mês fazendo um ensaio com a comunidade e o samba vem crescendo, acaba o ensaio. É o primeiro momento para a gente mostrar aqui como que o samba está crescendo, o quão forte é esse samba da justiça, esse tema tão desafiador para nós. Agora esse é o grande momento para a gente apresentar, ter uma noção de como está o nosso trabalho. A partir desse momento aqui, fazer as possíveis correções e chegar muito forte no dia 28 de fevereiro, no dia do desfile”, declarou.

A característica maior da escola da Zona Leste é a força do canto da comunidade. Edu revelou que preparou especialidades para o coro da escola na gravação. “A principal força do Tatuapé é o canto, e para essa gravação de hoje nós preparamos um canto muito forte. Nós focamos no nosso coro mesmo, a bateria preparou algo especial que já vai apresentar hoje aqui, nossa ala musical, nós ainda estamos fazendo algumas correções melódicas, mas é o momento para a gente sentir se estamos no caminho certo ou não”, afirmou.

Além da gravação, o presidente exaltou o enredo, que realmente é uma temática diferente para a escola. De acordo com Edu Sambista é algo desafiador, mas vai ser um grande espetáculo. “É uma obra desafiadora, porque no decorrer do ano de 2023, nós já tínhamos em mente que o enredo pra 2025 seria um enredo diferente do que nós apresentamos nos últimos anos, diferente de uma homenagem para um artista, diferente de homenagem para a cidade, para o país, e procuramos, em cima do tema da justiça, que é um tema atual que envolve as classes sociais, foi colocado esse tema na mesa, nós abraçamos a causa e decidimos entrar esse desafio e mostrar esse grande apelo na avenida, contando desde o início da sua história, desde o Código de Hamurabi, os dez mandamentos, até chegar nas lutas sociais de hoje, do poder do povo preto, dos povos originários e da lei Maria da Penha. Vai ser um grande enredo, vai ser um belo espetáculo”, concluiu.

Colorado do Brás investe no azul para gravar samba em homenagem aos Filhos de Gandhy
O nome da escola de samba do Centro de São Paulo já indica o vermelho e branco que a caracteriza – mas, em 2025, a Colorado do Brás também terá uma terceira cor em destaque: o azul tão característico do maior afoxé de Salvador. Com o enredo “Afoxé Filhos de Gandhy no ritmo da fé” e samba composto por Léo Do Cavaco, Thiago Meiners, Sukata, Claudio Mattos e Rafael Tubino, a agremiação inaugurará o Grupo Especial paulistano, sendo a primeira a desfilar na sexta-feira – 28 de fevereiro. O CARNAVALESCO esteve presente na gravação do samba-enredo para o CD (e, também, para as plataformas digitais), na Fábrica do Samba da agremiação e traz tudo o que importantes componentes da instituição falaram a respeito.
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No clima do azul
Não estranhe ao ver tanto celeste em uma escola vermelho e branca. A explicação está no enredo, já que os Filhos de Gandhy tradicionalmente saem com colares azuis e brancos – além, é claro, dos igualmente tradicionais turbantes e perfume de alfazema. O azul em questão é uma alusão às contas que homenageiam o orixá Ogum, que não se separa de Oxalufã – homenageado com o branco. Quando intercalados, tais contas representam Oxaguiã, o Oxalá menino.
O logotipo do enredo, por sinal, já traz uma imagem majoritariamente azul. E tal cor também foi destaque na gravação, com muito destaque para a cromia nos figurinos de baianas, dos demais componentes e de destaques.
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Além da cor
Falando sobre a Ritmo Responsa, bateria da escola, Carlos Souza, conhecido no carnaval paulistano como mestre Acerola de Angola, destacou o andamento executado pelos ritmistas comandados por ele: “Na gravação a gente vai ir com o andamento em 144, oscilando para 142. A gente quer 144 porque a escola fica mais valente, mais firme, porque a escola vai ser a primeira a desfilar na avenida do Carnaval em 2025, somos a escola que abre o Carnaval. A gente quer um pouquinho mais valente: por mais que seja 144, vai estar mais firme e mais potente para o dia”, comentou.

A bateria também foi indiretamente elogiada por Ricardo Rigolon, o Chanel, arranjador da faixa: “O grande destaque vai ser a parte da batucada, mesmo. De corda a gente está com um time de três cavaquinhos, um bandolim, um violão de sete e um seis. De corda está normal. A batucada vai ter uns atabaques, mas tem lá a parte da percussão toda incrementada”, comentou.

Acerola também destacou uma diferenciação importante que será notada durante a gravação: “Aqui a gente vai fazer duas bossas para a gravação e tem umas intenções no meio do samba alusivas aos Filhos de Gandhy, da Bahia. Chamamos esses movimentos do afoxé de intenção, elas vêm no meio do samba, mas não é bossa. Essa intenção que é passada dá toda a mensagem. Mas, bossa mesmo, serão duas e um movimento especial no final”, afirmou.
Canção inspiradora
A música em questão foi elogiada por um profissional bastante especial para o desfile de 2025 da Colorado do Brás. Para a apresentação, Léo do Cavaco será o intérprete e, também, um dos compositores da obra. Falando primeiramente sobre o resultado do processo criativo, ele destacou o quanto a canção é querida pelos desfilantes: “É uma honra, é uma alegria muito grande, é um momento especial para a escola, para todos da parceria, também. Ficamos muito felizes, foi um ano que a escola confiou na parceria, não teve eliminatória, a escolha foi encomendada e acreditamos que a gente acertou em cheio. A comunidade gostou bem do samba, abraçou bem, e vocês vão ver o resultado”, comentou.

Chanel foi na mesma linha ao elencar um ponto forte da obra: “O mais especial dessa faixa é a energia do samba e da Bahia. O samba da Mancha Verde tem isso também, já que fala da Bahia também. É algo diferente, por gostar muito desse estado. A maneira de tocar, a maneira de executar tudo muda um pouco. O sotaque idem. Eu gostei bastante da faixa, espero que vocês gostem também dos arranjos”, pontuou.
Para a gravação, por sinal, o arranjador da canção exaltou o local em que os Filhos de Gandhy desfilam: “Bahia tem uma magia diferente, né? Tem uma outra energia. A faixa vai ter uma levada de guitarrinha, vai ter ijexá, tem bastante coisa. Como a gente já vem fazendo nos outros arranjos essa é uma faixa especial, já que a harmonia trabalha bastante junto com a percussão ali. Respondendo, conversando, com bastante naipe dos tamborins – que vai estar dobrado com as cordas, com o violão de sete e com o bandolim. E é justamente na Bahia que a gente entra no mesmo clima com essas nuances melódicas. Aí a gente vai acentuar todas”, revelou.

Preparação especial
É claro que a faixa do CD e das mídias digitais será a porta de entrada para o grande público conhecer a canção que embalará o desfile da Colorado do Brás em 2025. E, para ela, Léo tenta sempre se manter tranquilo: “Eu procuro sempre descansar e dormir bastante, acho que o sono é o melhor remédio para a voz. Quanto a tomar gelado ou não confesso que eu sou um pouco relaxado, mas hoje eu procurei evitar por ser uma gravação importante. Hoje eu estou tranquilinho tomando água o dia inteiro e descansei, nada mais que isso”, afirmou.
Sobre a logística dos componentes e da comunidade para a gravação do CD, João Daniel, diretor de Harmonia da escola, comemorou o fato de todos na Colorado gostarem de confraternizar em ocasiões especiais: “A gente sempre combina com o nosso povo, todo mundo é próximo aqui da região. Devido ao horário, marcamos na frente do nosso barracão – e foi bem fácil essa logística. A gente sempre marca algumas coisas dessa forma, o povo gosta de se encontrar mais facilmente. E a gente deu prioridade nessa gravação para os chefes de ala e para os apoios deles, são eles que estão começando o nosso trabalho também quanto a essa logística e a coreografia que a gente fez hoje. Eles já estão iniciando os trabalhos com os componentes”, pontuou.

Já falando sobre o eterno dilema de um intérprete (soltar-se e transmitir emoção ou buscar a perfeição técnica), Léo preferiu o meio-termo: “Eu procuro mesclar a parte técmica com a emoção, assim. Tento não ser muito só focado na emoção porque às vezes atrapalha. Mas, por ser uma gravação ao vivo, a gente vai tentar dar essa cara de avenida, trazer um pouco mais de punch, de pegada”, verbalizou.
Para o desfile
Já pensando em 2025, Acerola manteve o mistério: “Sobre o desfile é surpresa! Tem muita coisa ainda, se eu contar para você perde a graça. Maspode esperar bastante Bahia. A gente vai tocar Bahia literalmente, a gente vai tocar bastante Filhos de Gandhy, bastante afoxé, bastante tudo da Bahia. A gente está se preocupando muito em estudar, em entregar o trabalho da Bahia porque é o enredo da escola, é um enredo muito bom, muito rico. A gente está preocupado em entregar o ritmo, porque quando você fala de Bahia você quer ouvir o som. A gente está preocupado em entregar o som o mais próximo da Bahia possível”, prometeu.
João Daniel foi enfático ao destacar o que o mundo do samba paulistano pode esperar da vermelho e branca: “Podem esperar muito canto, muita alegria, muita da energia do povo da Bahia. Vai ser sensacional o nosso desfile! Venham com a gente!”, finalizou.
Cadência da ‘Ritimão’ e ‘quipá’ marcam gravação do samba dos Gaviões da Fiel para o Carnaval 2025
O primeiro enredo afro da história dos Gaviões da Fiel, obviamente, teria uma gravação para o CD e para os streamings marcante. Para simbolizar o momento especial, os integrantes da agremiação do Bom Retiro fizeram questão de utilizar um adorno de cabeça que é conhecido na Terra-Mãe por diversos nomes: quipá, bobó, kufi, yarmulke ou ekete são algumas das nomenclaturas utilizadas. Quarta escola a desfilar no sábado de carnaval (01 de março), a escola apresentará o enredo “Irin Ajó Emi Ojisé – A Viagem do Espírito Mensageiro”, desenvolvido pelos carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira, com samba composto por Grandão, Sukata, José Rifai, Ovelha JB, Juliano, Guga Pacheco, Gabriel Lima, Japa Mooca, Wesley, Morganti, Andrezinho, B. Cardoso, Gladzik, Renne Rocha e Dentinho do Morro. O CARNAVALESCO esteve presente na gravação da faixa, no dia 13 de outubro, na Fábrica do Samba, e notou que, além do já citado adorno, uma outra característica foi muito exaltada por alguns dos principais integrantes dos Gaviões – e esta não pode ser vista, apenas ouvida.
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Cadência pura
Logo ao ser perguntado sobre o andamento da Ritimão, bateria da agremiação, mestre Ciro Castilho fez questão de frisar um detalhe importante: “O andamento de gravação vai ser 140 BPM (batidas por minuto). A gente espera manter o 140, o 142, para a avenida também. Vai ser algo diferente para nós, mas a proposta é essa para esse ano. Estamos vindo com esse andamento mais cadenciado nesse ano porque a gente acredita que ele valoriza muito esse samba. Se a gente colocar um andamento muito para a frente, a gente pega um samba que é diferenciado, que a gente acredita que é realmente um samba diferente, e iguala ele aos demais. Quanto mais andamento colocar nesse samba, mais você iguala e perde o brilho dele. A proposta vai ser essa, um pouco mais cadenciada”, pontuou.

Dentinho do Morro, um dos compositores da canção, fez a mesma observação: “Eu sou nascido também no samba, fui mestre de bateria há muitos anos e esse samba ajudou muito a bateria a fazer as bossas, no ritmo – que é um ritmo empolgante. Todo mundo sabe que o nosso samba é diferenciado e eu acho que a gente vai chegar na avenida muito forte, com a comunidade cantando o samba. O samba é muito bom e eu acho que, nos ensaios técnicos, não só como nos ensaios mas como nos desfiles, vai ser sucesso total. A expectativa é a melhor possível. Os Gaviões estão vindo para as cabeças, pode ter certeza”, prometeu.

Quem também falou algo semelhante foi Rafael Malva, popularmente conhecido como Rafa do Cavaco, diretor musical da instituição e arranjador. Ao ser perguntado sobre o principal : “A primeira coisa que eu pensei foi no fato inédito de ver os Gaviões com um enredo desses. Um enredo afro pela primeira vez na história da escola. A gente tem que tomar conta em todos os detalhes possíveis: desde a escolha do samba – e, agora, na ideia do andamento, algo que a gente vai priorizar muito e que vai ser algo um pouco mais cadenciado. Esse samba pede um andamento mais cadenciado, e isso ficou claro nas conversas que a gente já teve já com o mestre Ciro – a gente tem esses detalhes musicais, com esse andamento mais para trás. Isso, querendo ou não, dá muitas ideias para o samba. Não só na parte de canto, de contracanto, como as partes também de harmonia, de cordas, de abertura de voz e também nas bossas da bateria. A minha parte foi pensando nisso tudo. É um samba que tem muitas variações melódicas é muito rico na musicalidade. Não só na musicalidade de harmonia, de cordas, mas também da percussão, da bateria em si. Ele tem muitas nuances de vários ritmos diferentes. A nossa linha foi procurar manter essa linha afro, esse lance bem raiz, bem ancestral mesmo, no samba”, refletiu.

Força e procedimento
Os Gaviões da Fiel costumam exaltar três características que tornaram-se um lema da instituição: lealdade, humildade e procedimento. E, de acordo com alguns importantes integrantes da instituição, é o último adjetivo que permeia a vitalidade alvinegra. Leandro Machado, um dos diretores de carnaval da agremiação do Bom Retiro, explica quem teve preferência para ser ao convidado para a gravação: “A seleção é feita seguindo o critério de assiduidade. Aquele componente que está mais presente no ensaio, que está mais presente no barracão, que se faz mais presente, é aquele que tem preferência para fazer esse tipo de gravação”, destacou.

Já Ernesto Teixeira, intérprete da instituição, também aproveitou para comemorar a quarta colocação no desfile de 2024 – que fez com que a agremiação retornasse ao Desfile das Campeãs após treze anos: “Os Gaviões estão muito fortes. Os Gaviões estão se reconstruindo nos últimos tempos. Prova disso é o resultado que a gente já teve no carnaval do ano passado. Entendo que esse ano aqui os Gaviões vêm melhor ainda”, prometeu.
Inspiração africana
Pela primeira vez na história, os Gaviões trarão um tema afro. E é claro que, para muitos componentes, tal característica do samba-enredo é marcante por si só. Leandro Machado é um deles: “A gravação foi algo inédito por ser o primeiro enredo afro dos Gaviões. Inicialmente parece um enredo difícil, mas é um enredo e é um samba contagiante. Eu tenho certeza que, quando as pessoas ouvirem nos streamings, nas rádios, o samba vai contagiar e todo mundo vai pegar muito fácil a letra – assim como a nossa comunidade já pegou. O Gaviões vem forte mais uma vez para a avenida”, comentou.

Rafa do Cavaco concordou: “É uma pergunta difícil… primeiro, já vão querer ir atrás dos Gaviões pelo lance de ser um enredo inédito.E pelo samba também, eu acho que o samba se sobressaindo conforme a gente vai cantando, tocando e fazendo ensaio. É um samba que, para os Gaviões e acho que para o mundo do carnaval paulistano também está despontando muito bem como um dos sambas do carnaval. A gente está muito feliz! Quando o pessoal ouviu o samba, eles ouviram com muitos detalhes em harmonia, em bateria, com muita variação de melodia de canto. Resumindo, o samba tem essa ideia. Vamos buscar o melhor para nossa escola. Tem tudo para dar certo. É um enredo inédito e que vai dar muito bom para a gente”, afirmou.
Mestre Ciro, ao comentar os movimentos ritmícos que a Ritimão fez, aproveitou para exaltar a canção: “Para a gravação, a gente tem uma bossa no refrão do meio, uma no refrão principal, e a gente tem algumas diferenciações. A virada de dois, por exemplo, não é virada de dois: é uma parada seca, tem um timbau ali com a conga. Depois da cabeça do samba a gente tem uma outra acentuação na melodia – que não chega a ser uma bossa. São algumas versatilidades que a gente tentou colocar para engrandecer a melodia desse samba que a gente está gostando demais”, confessou.

Por fim, Gabriel Lima, um dos compositores da canção, comenta a satisfação de compor obra já tão querida: “É uma emoção muito grande. A gente sempre fica nessa expectativa, a gente não faz samba em outras escolas, a gente só faz aqui. A gente espera o ano todo para saber o enredo e para poder fazer o samba. A gente está muito feliz com a parceria como um todo. É uma conquista que a gente conseguiu com muito trabalho e dedicação, porque a gente ama o carnaval e a gente fica feliz em saber que a gente conseguiu construir um samba que está na elite do carnaval de São Paulo. É uma vitória muito grande pra nós, porque eu sou corinthiano e vou morrer corinthiano. A felicidade é muito grande dentro do nosso coração”, finalizou.
Com comunidade em peso, Salgueiro inicia sua temporada de ensaios de rua e apresenta canto forte
Por Gabriel de Souza e Matheus Morais
O Salgueiro realizou na noite da última quarta seu primeiro ensaio de rua em preparação ao Carnaval 2025. Com a comunidade reunida na rua Maxwell, o “Torrão Amado” fez um ensaio para cima, com destaque para o canto e a evolução. Charles Silva comandou o carro de som, pois o intérprete Igor Sorriso não pode estar presente. A escola da Silva Teles trará o enredo “Salgueiro de corpo fechado”, do carnavalesco Jorge Silveira, sendo a terceira escola a pisar na passarela na segunda de carnaval. O presidente André Vaz conversou com o CARNAVALESCO sobre a expectativa para os ensaios de rua, mudanças realizadas na agremiação e como está a preparação para o desfile no ano que vem.
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“A expectativa é a melhor possível. Estamos trabalhando dia a dia, a escola está linda, maravilhosa, fantasias lindas, sendo confeccionadas, os carros alegóricos também vão ter muitas surpresas boas. A expectativa é que a gente levante a Marquês de Sapucaí e busque esse campeonato tão sonhado. Quando acabou o carnaval deste ano, a gente fez algumas mudanças no carro de som, na comissão de frente. Veio o nosso patrono também, Adilsinho, que está ajudando muito o Salgueiro, tenho uma gratidão eterna. Nós já tínhamos segmentos fortíssimos e com a chegada desses profissionais, ficou melhor ainda o time para que a gente possa brigar pelo campeonato. Temos um sabaço, que cada dia que passa cresce mais, a tendência é explodir na Marquês de sapucaí, enquanto o barracão está trabalhando dia e noite, com fantasias já prontas. Dia 20 de dezembro todas esculturas vão estar pontas”.

Wilsinho Alves, diretor de carnaval, também falou sobre suas expectativas para os ensaios de rua da escola, a preparação para o próximo carnaval. “A expectativa é continuar evoluindo. Nós fizemos uma temporada de ensaio de quadra, que contou com três ensaios de canto, além de duas semanas de gravação do clipe, que também serviram para o canto. Nós fizemos uma grande roda de samba no Morro do Salgueiro, que foi excelente, então a expectativa é continuar evoluindo. Nós vamos manter tudo, na verdade. O Salgueiro fez um dos maiores ensaios técnicos da história. A nossa escola foi a primeira a realizar a iluminação cênica e deu resultado na questão de harmonia, porque gabaritamos o quesito”, comentou.

Charles Silva, que substituiu Igor Sorriso, falou sobre esse início dos ensaios de rua da agremiação, e a introdução do samba, que veio da própria parceria vencedora. “Ensaio de rua do Salgueiro é sempre essa maravilha, esse clima contagiante da comunidade. Comunidade toda cantando, todo mundo na rua. Essa introdução do samba de 2025 é um acontecimento. É um alusivo da parceria que venceu o samba. Até quem era de outra torcida, quando cantava isso, a quadra explodia. Nosso samba é fantástico, com uma pegada muito forte, bem Salgueiro mesmo. Tem tudo pra pegar na Avenida, tenho certeza que esse samba vai acontecer”.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Academia do Samba, Sidclei e Marcella Alves, também esteve presente nesta primeira noite de ensaio na rua. Eles falaram da preparação. “O primeiro ensaio de rua é o primeiro momento no qual sentimos o samba e a comunidade, além do povo do carnaval, porque vêm um pessoal de fora”, disse a porta-bandeira.
“Nós estamos satisfeitos e felizes, mas ainda estudando algumas propostas de desenhos, de entrada e de saída. Em relação ao nosso estudo e as coisas que estamos pretendo, está funcionando”, completou o mestre-sala.

Os mestres Guilherme e Gustavo comentaram sobre o primeiro ensaio de rua da “Furiosa” nessa temporada. O destaque de ambos foi para o andamento. “Hoje foi primeiro ensaio que a gente usa para começar a desenhar o esquema de desfile, a estratégia. A cada ano é uma formação diferente. Este ano a gente vem com o segundo casal à frente da bateria. Já começamos com um pé direito, com uma bossa aqui na rua pela primeira vez, um balanço muito bom do primeiro ensaio. Esse ano, nos ensaios da quadra a gente estava com o andamento mais para trás, 143 BPM (batidas por minuto), 144 BPM, e curtindo porque é um samba muito forte, e nesse andamento a bateria do Salgueiro já é muito forte e pesada. Não perdemos precisão e impacto e conseguimos fazer a galera cantar, mantendo o andamento dinâmico”, comentou mestre Gustavo.

“Começamos a passar uma bossa hoje no ensaio, a gente está com duas já prontas e testando. A galera está pegando ainda e a gente gostou do resultado. Vamos agora ouvir com calma, lapidar mais um pouco, ver se tem alguma mudança a mais, mas o resultado foi bom hoje. A gente quer colocar a bateria num ponto ideal que seja bom tanto para execução, quanto para o samba. O samba tem uma melodia muito boa, a bateria do Salgueiro é uma bateria que é muito pesada, com uma afinação bem grave”, destacou mestre Guilherme.
‘Samba traz energia no caminho que a gente quer’, comenta Alex Fab sobre gravação da Viradouro para o Carnaval 2025
A Viradouro realizou no dia 23 de outubro a gravação oficial de seu samba-enredo para o álbum das escolas de samba de 2025 no Century Estúdio. A atual campeã do carnaval levará para a avenida em busca do bicampeonato o enredo “Malunguinho – Mensageiro de três mundos”, do carnavalesco Tarcísio Zanon. O CARNAVALESCO conversou com alguns dos integrantes da escola, presentes na gravação. Mestre Ciça, responsável pela “Furacão Vermelho e Branco”, comentou sobre o andamento colocado na obra, as bossas pensadas para a gravação e como é para ele estar presente em mais uma gravação do álbum das escolas de samba.
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“Coloquei 140 BPM (batidas por minuto) que foi combinado entre diretor musical, direção de carnaval, e entramos no acordo. As bossas principais guardamos para o desfile. A gravação sempre é para apresentar o samba, fizemos uns breques, isso é normal. O sentimento é de chegar até onde eu cheguei com a Viradouro. São 37 anos de gravação de samba-enredo em vários estúdios que eu já passei. O sentimento de muito orgulho que eu tenho. Eu não fico melhor, não sou melhor, mas eu acho que contribui muito nessa relação, Ciça, carnaval, samba, bateria, isso não tem preço”.
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Hugo Bruno, diretor musical da escola, explicou sobre a criação do arranjo e do uso de alguns instrumentos na faixa da escola, relacionados a Recife: “O enredo é do povo de Recife, de uma religião do Recife. Nós trouxemos de diferente a maraca, que é como se fosse um chocalho, um xiquerê, e trouxemos o ilú, um atabaque. Pensei em algo regional para o arranjo, com cavaquinho, mais cordas, instrumentos de percussão, dentro do enredo, não quis enfeitar tanto, porque como é uma gravação, tem a voz do Wander, que já deixa o samba muito bonito. Eu preferi pegar uma coisa bem regional”.

Alex Fab, diretor de carnaval, falou sobre o que espera da gravação da escola para o álbum, desejando que ela mantenha a energia vista na final, destacando também o que mais chama a atenção dele na obra. “Espero que ela continue trazendo a mesma energia que a gente sentiu na final. O Wander tinha feito uma pré-gravação com os três sambas finalistas e a gente já sentia que, na voz dele, o samba trazia uma energia bem no caminho que a gente quer, enquanto desfile, e proposta de enredo. A expectativa é que a gente consiga manter essa energia, esse pulso, e que seja o início de um grande processo. O samba tem trechos que certamente mexem com o inconsciente coletivo, porque eles passam uma mensagem bem clara. Eu gosto da energia que João Batista, que Malunguinho, representa nesse samba”.

Wander Pires, intérprete da Vermelho e Branco de Niterói, contou a preparação para chegar ao dia da gravação, destacando a importância de sua fonoaudióloga, Djeniffer Santos, em todo o seu processo para cuidar da voz. “Eu tenho a minha fono, não canto dois, três dias antes. Estou bastante descansado, durmo, uma noite de sono bem dormida para o cantor é maravilhosa. Como as minhas maçãs. A preparação é uma coisa que levo muito sério, mas no final de tudo a gente colhe um bom resultado. ara cantar busco misturar um pouco das duas, técnica e emoção. Não sei se é por causa da melodia, mas a letra também envolve muito. É difícil eu cantar e não me emocionar com o que eu estou fazendo, com algumas partes que o samba me propõe. Sabemos da potência da escola”.

Inácio Rios, um dos compositores da obra, conversou com o CARNAVALESCO sobre todo o processo de acompanhar a gravação do samba e quais emoções vinham à tona durante esse momento. “É a realização de um sonho de infância. Eu sou criado em Niterói e já tinha ganho samba, mas nunca na Viradouro. É uma escola que é campeoníssima, maravilhosa, essa potência. Acho que a mensagem toda que o Malunguinho traz com o enredo é importante. É um samba que promete muito, tem sido muito aceito, na crítica, as pessoas gostam do samba, acham diferente”.

‘Tem essência de Mangueira’, diz Dudu Azevedo sobre o samba da Verde e Rosa para o Carnaval 2025
No último dia 28 de outubro, a Mangueira esteve no Century Estúdio em Jacarepaguá para encerrar as gravações do álbum de sambas-enredo de 2025. Última escola a escolher o hino para para o próximo carnaval, a Verde e Rosa vai levar para a avenida o enredo “À flor da terra – No Rio da negritude entre dores e paixões”, do carnavalesco Sidnei França. Os integrantes da escola conversaram com o CARNAVALESCO sobre o que esperam da gravação da faixa. Os mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão comandaram a bateria na gravação, e falaram sobre o andamento colocado de 140 BPM (batidas por minuto), as bossas pensadas para a faixa e a sensação de estar a frente da bateria “Tem que respeitar meu tamborim” em mais um álbum.
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“A gente escolheu o andamento do 140 BPM, que a gente quer mesmo apresentar o samba, os desenhos melódicos que a gente fez. Colocamos duas bossas, que a gente também pretende, a princípio, levar pra avenida. Devem ter umas três ou quatro guardadas que é para gente trabalhar em casa primeiro. É um frio na barriga porque a Mangueira é uma escola gigante. Nosso samba não é essa coisa ruim que estão pensando. Temos tem que fazer o trabalho e vai fazer muito sucesso na Sapucaí em 2025”, comentou o mestre Taranta Neto.
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“Estamos com um samba banto. A primeira apresentação no álbum da Liesa é para o público ouvir o samba. Evitamos colocar algumas bossas excessivas”, explicou o mestre Rodrigo Explosão.
Vitor Art, um dos diretores musicais da escola, comentou sobre como foi pensado o arranjo para a obra da Verde e Rosa. “O arranjo passa pela travessia da África até chegar no Brasil. Vamos explorar todas as referências rítmicas que o povo banto deixou de herança, como o funk que a gente ouve hoje. Tem um instrumento que a gente deu vida a ele no carnaval de 2023, que é o timbaque. É meu terceiro ano na direção, e fica aquela expectativa de superar o que foi feito no carnaval passado.”.
Digão do Cavaco, o outro diretor musical da Mangueira, também comentou sobre o arranjo da escola, a composição dos instrumentos utilizados, e de estar presente na gravação da faixa da agremiação para o álbum de 2025. “A gente pensou na temática do enredo, mas também na probabilidade do nosso carro de som, de sempre preservar bem o canto, as cordas, a harmonia legal entre o carro de som e a bateria. Diferente é só o violão de seis cordas, mas que já é uma tradição nossa”.
A presidente Guanayra Firmino também acompanhou a gravação oficial do samba da Estação Primeira, ressaltando a importância de estar conferindo de perto o processo. “O samba mexe comigo na parte que fala, ‘lamento informar um sobrevivente’, porque eu também sou uma. Para mim é muito importante acompanhar a gravação, e nesses três anos da minha gestão, em todas eu estive presente. Faz parte do trabalho do presidente também”.
O diretor de carnaval da Verde e Rosa, Dudu Azevedo, ressaltou que espera conquistar os sambistas com a faixa da Mangueira, destacando como o samba conversa bem com o projeto imaginado pela escola. “A gente espera conquistar todos que são amantes de samba, mostrar a beleza da obra, esse encantamento. Ele tem uma essência de Mangueira muito forte na melodia. Gosto muito da segunda do samba, acho muito rica. Acho que faz o componente bater no peito, e se ver numa história bonita de vida e do que foi a contribuição do povo banto para a cidade do Rio”.
Marquinho Art’Samba e Dowglas Diniz são as vozes da Mangueira por mais um ano e contaram como se preparam para botar a voz no samba da escola para o álbum, o equilíbrio entre técnica e emoção para este momento e qual parte do samba de 2025 da Verde e Rosa mexe com eles.
“É uma preparação que vem de alguns dias, no final de semana procurar sempre estar descansando antes das gravações. A gente conta com o acompanhamento da fonoaudióloga, que é importante. No samba, a parte que eu me identifico como mangueirense, como cria da Mangueira também, é aquela parte da segunda, que eu acho que vai dar um grande impacto na Sapucaí, a parte do funk. É a batida juntamente com a bateria e vamos fazer um trabalho incrível nessa parte, uma paradinha juntamente com a bateria, o funk perfeito”, contou Dowglas.
“A nossa preparação é descansar bastante. Dormir bastante, bastante água, alimentação saudável. O samba tem várias partes que tocam a gente, tem uma parte que eu que eu me amarro muito, ‘Ê malungo, que bate tambor de jongo’, eu acho muito linda”, concluiu Marquinho.
Júnior Fionda, um dos autores do samba da Mangueira, esteve na gravação, e em entrevista ao CARNAVALESCO, comentou sobre a importância da composição e qual trecho mexe mais com ele.
“É o meu 12º samba na Mangueira. Cada um tem um significado para a gente, uma luta diferente, uma frase que representa mais, uma melodia que representa para a vida, e cada um vai ficando para a história. Nesse ano, especificamente, mexe a parte da segunda do samba, sobre o ‘forjado no arrepio’, da época do Cartola que a polícia chegava, arrepiava mesmo e prendia todos por vadiagem. É uma época que meu pai viveu, ele sabe como foi a luta, como foi difícil, ser ‘um sobrevivente’”.
Pegada de Macaco dá o alvinegro tom na gravação do samba do Vai-Vai para o Carnaval 2025
Tida como a principal defensora do ritmo tradicional do samba paulistano, a bateria do Vai-Vai deu o tom na gravação do samba-enredo da agremiação para o CD e para as plataformas digitais de 2025. Com o enredo “O Xamã Devorado y A Deglutição Bacante de Quem Ousou Sonhar Desordem”, homenageando o dramaturgo José Celso Martinez, o samba-enredo, composto por Naio Denay e Francis Gabriel, teve bom rendimento quando cantado pelos integrantes do Bixiga. A alvinegra encerrará os trabalhos do Grupo Especial do carnaval de São Paulo, sendo a última escola a desfilar no sábado de carnaval – 01 de março, embora já desfile com o Sol do dia 02 já nascendo.
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Batucada forte
Roberto Lopes, popularmente conhecido como mestre Beto, foi bastante técnico e detalhista ao falar, com orgulho, dos ritmistas da agremiação. Comandante da Pegada de Macaco, bateria da escola, desde 2015, escolhido e nomeado pelo eterno mestre Tadeu (com quem dirige os componentes do segmento desde então), primeiro exaltou a origem da instituição: “A bateria Pegada de Macaco, com mestre Tadeu e mestre Beto, virá com andamento 150. É uma bateria que vinha com andamento 154, 156 – e nós vamos vir com andamento 150 porque o samba não pede para vir para frente. Mas, no horário que a gente desfila, a gente não pode vir pra trás – e o Vai-Vai é uma escola que não desfila para trás, já tem uma tradição e eu pretendo cumpri-la juntamente ao mestre Tadeu, dando continuidade à época do cordão, à época dos tambores de Pirapora. A bateria do Vai-Vai é isso: é uma das baterias mais tradicionais do mundo”, comentou – já explicando o motivo pelo qual o andamento da agremiação é tradicionalmente mais rápido que o de outras tantas coirmãs.

Também chamou atenção o fato do Vai-Vai levar mais naipes que outras coirmãs para a gravação do samba-enredo – cuícas e agogôs, que não estiveram presentes em todas as gravações, estavam no momento em que Zé Celso foi homenageado: “Às vezes, para a gravação o mestre não utiliza, ou às vezes a escola também não tem agogô e não tem cuíca. Você não é obrigado a levar cuícaagogô ou timbau. Você tem os itens e os instrumentos que você é obrigatório apresentar, sem eles você já entra perdido. O Vai-Vai sempre teve agogô, sempre teve cuíca, sempre teve pandeiro, sempre teve muita coisa. Quando eu assumi, quando o mestre Tadeu me deu oportunidade, lá em 2015, eu só mudei o agogô de duas bocas (que tem na Mangueira) e introduzi o agogô de quatro bocas – comandados pela Cintia, que é a nossa diretora de agogô Fazemos isso para contentar também o ritmista ou diretor de bateria: eu trago, com a concepção do mestre Tadeu, todos os naipes na gravação que vão para a avenida. A não ser que não pudessea utilizar na gravação por um critério da Liga-SP, aí gente respeitaria. Eu trago todos e eu acho que engrandece tanto o carnaval quanto o ritmo e você dá uma autoestima para o ritmista”, explicou.
Confiança
Com cada vez mais compositores para assinar uma única obra, surpreende ver apenas dois poetas para musicalizar um enredo. Naio Denay e Francis Gabriel conseguiram o feito. Naio, por sinal, mostrou muita cumplicidade com o parceiro: “Eu tô concorrendo no Vai-Vai desde 1985, ganhei logo no meu primeiro ano. Então, para mim, é só mais um. Ao contrário do Francis, que há quatro anos concorre e essa foi a primeira vitória dele. Acho que ele tem mais a falar do que eu sobre a emoão de ganhar aqui no Vai-Vai”, pontuou.

O parceiro, de bate pronto, exaltou o dramaturgo: “É um tema que está à altura do Bixiga! É um tema gigante, com uma escola gigante. Acho que o Bixiga volta forte, tá vindo para brigar pelo título. A escola abraçou o samba e eu acho que vai dar golaço. O samba é a cara do Vai-Vai, o refrão é a cara do Vai-Vai e estamos ansiosos. Estamos confiantes”, afirmou.
A cara da escola
Muito se fala sobre o quanto um samba-enredo pode ou precisa ter a cara da instituição que o apresentará. A escolha do Vai-Vai, aparentemente, foi feita muito por conta da identidade alvinegra. Diretor musical e arranjador da agremiação, Danilo César Alves passou por tal ponto ao falar da faixa: “Foi muito bom mesmo, a gravação foi boa. O samba é espetacular, o samba é muito Vai Vai, e tem essa característica do Vai Vai: aquele samba para frente, um samba que faz com que a bateria tenha bossas espetaculares. O grande destaque é a bateria, é a bossa da bateria, a bateria está fazendo umas bossas muito interessantes de acordo com a melodia do samba. o que o destaque é esse mesmo, é o samba junto com a bateria que é a pegada do Vai Vai”, destacou.

Naio concordou: “Samba realmente com cara do Vai-Vai. Há alguns anos o Vai-Vai começou a deixar de lado essa tradição de samba pegado – e, nesse ano, a gente vem retornando com essa pegada do samba característica do Vai-Vai. Eu tenho certeza que é o samba que vai acontecer na avenida, é o samba que vai pegar fogo. E é a última escola, então pode ter certeza que a avenida vai estar cheia, ninguém vai embora! A gente também vai passar e eu tenho certeza que vai pegar”, prometeu.
Danilo voltou a falar sobre as características da canção em geral: “É um samba alegre, é um samba para frente – que, pelo horário do nosso desfile (e nós fechamos o carnaval) vai bater de encontro com o que a gente quer: que é fazer um grand finale, é fazer o fechamento sensacional do carnaval, com uma grande bateria para frente, que é a cara do Vai-Vai. Aquela bateria para frente com uma pegada, como diz o mestre Tadeu, aquela pegada Vai-Vai, com harmonia, com a galera toda cantando bem o samba. O samba muito cantante, então vai ser uma coisa espetacular, um grand finale”, destacou.
Para melhorar ainda mais
Luiz Robles, um dos integrantes da direção de Carnaval e de Harmonia vaivaiense, revelou quais foram os cuidados dos dirigentes para tornar a canção ainda mais efetiva: “A gente fez a escolha do samba e já fizemos algumas alterações na letra. E aí, já no primeiro ensaio, como a gente tinha soltado internamente a gravação, mesmo que aquela meia suja ainda, a comunidade começou a trabalhar esse canto. E hoje, chegando aqui na gravação, a gente entende que a evolução está sendo muito satisfatória. A música já pegou, a galera já entendeu e assimilou essa mudança. Está sendo muito satisfatória a evolução para nós, como direção de Harmonia – e a coordenação que eu tenho. Está sendo satisfatório o canto, sim. Até porque a gente está trabalhando isso muito forte nesses primeiros ensaios. A gente está focando muito no canto, mesmo. A gente deu uma parada daquela evolução que a escola está acostumada a fazer. Estamos fazendo os ensaios e estamos focados no canto”, destacou.

Depois das melhorias, a faixa
Para gravar a canção, Luiz Felipe, intérprete alvinegro, falou sobre o que costuma fazer nas horas anteriores a um evento tão especial: “Eu me concentro muito, principalmente. Eu busco me concentrar bastante. Gosto de ficar quieto, sozinho no meu canto, ouvir músicas que me acalmam (MPB, João Bosco, Emílio Santiago, Fundos de Quintal) e músicas que eu aprendi com a minha mãe – as músicas internacionais. Eu faço isso e também faço bastante exercício vocal, bebo água, faço outros exercício, inalação e etc”, destacou.
Para a gravação, mestre Beto deu mais informações sobre a canção vaivaiense: “Nós vamos vir com um breque de três, que é uma passagem, e nós vamos vir com duas bossas cumprindo o critério de julgamento – que são, no mínimo, dezesseis compassos para você atingir a nota dez. A gente sempre desfilou pra cumprir o critério de julgamento”, revelou.

O comandante-mor dos ritmistas aproveitou apra falar um pouco mais sobre os critérios de avaliação: “Eu vou contar uma história rápida para vocês: antes, o critério de julgamento permitia você fazer quanto você quisesse (ou permitia você não fazer, ou permitia você fazer fora do campo auditivo e visual do jurado) de bossas. Hoje, no critério de julgamento, você é obrigado a fazer o arranjo na frente do jurado ou no campo auditivo e visual dele. Você tem que fazer no mínimo dezesseis compassos: com quinze compassos você não atinge o dez, com dezesseis compassos você atinge, mas pode não atingir, e com mais de dezesseis você atinge o dez. Cumprindo-se esse critério de julgamento, feito pela Liga-SP e assinado por todos os presidentes, a bateria do Vai-Vai, mesmo assim, continua sendo tradicional: ela cumpre o critério, ela faz a bossa – ou ela faz a passagem, ela faz a convenção, seja nomenclatura que você quiser”, relembrou.

O intérprete aproveitou para falar que seus planos, quase sempre, são mudados para eternizar canções: “Eu busco sempre estar bem na técnica. Só que aí, chega a da hora, você vai incorporando o samba gravando… aí não vem mais a técnica, só vem aquela empolgação. Você sente a comunidade, você sente o samba. Por causa disso, fica meio técnica e meio emoção”, dividiu-se LF.
E no desfile?
Já pensando em março de 2025, Robles destacou que o Vai-Vai sacudirá o Sambódromo: “A gente até fez uma projeção e estamos podendo trabalhar muito próximo do carnavalesco, com as fantasias muito mais leves, para que o componente possa evoluir e dançar muito mais do que o habitual. A gente já está projetando um balancê, uma dança e um canto muito forte por conta do horário que a escola vem. A gente está projetando que a gente consiga fazer um desfile realmente apoteótico no canto, na Evolução e no visual que a escola vai apresentar”, finalizou.
Com faixa e óculos escuro, Camisa homenageia Cazuza em gravação do samba para o álbum do Carnaval 2025
Poucos artistas são capazes de transcender o gênero e a manifestação que domina. Um dos que conseguiu tal feito foi Agenor de Miranda Araújo Neto, popularmente conhecido como Cazuza. Originalmente rockeiro e vocalista do Barão Vermelho, ele também compôs canções típicas da Música Popular Brasileira (MPB) em carreira solo. Dos mais cultuados brasileiros de todos os tempos (até mesmo no jeito de se vestir), ele será homenageado pelo igualmente importante e exaltado Camisa Verde e Branco no enredo “O Tempo Não Para! Cazuza – O Poeta Vive”, concebido pelo ex-carnavalesco da agremiação Cahê Rodrigues e hoje tocado por Leonardo Catta Preta. O samba-enredo, composto por Silas Augusto, Claudio Russo, Rafa do Cavaco, Turko, Zé Paulo Sierra, Fábio Souza, Luis Jorge, Dr. Élio e Bruno Giannelli, foi gravado para o CD e para as plataformas digitais no dia 12 de outubro, na Fábrica do Samba – e irá encerrar a primeira noite de carnaval do Grupo Especial (28 de fevereiro), já na manhã do dia primeiro de março.. O CARNAVALESCO esteve presente na gravação e conversou com diversos nomes importantes não apenas para a execução do samba-enredo – mas, também, para o desfile como um todo do Trevo da Barra Funda.
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Look especial
A primeira surpresa do Camisa Verde e Branco ficou evidente para quem estava no local – e para quem acompanhar o videoclipe oficial. Ritmistas, coral, baianas e até mesmo os integrantes do carro de som homenageavam Cazuza até mesmo no jeito de se vestir: todos eles usavam uma faixa na cabeça e óculos escuros.
Mas, de acordo com mestre Jeyson, comandante da Furiosa, bateria do Camisa, outras surpresas virão: “A gente tem três bossas prontas para a gravação de hoje, mas vai ter mais dois paradões. São, ao todo, cinco novidades para a galera. E, claro, a caixa-de-guerra do Camisa, que é o que diferencia a Furiosa das outras. Não estou falando que nem uma bateria é melhor nem pior que a outra. Mas, aqui, essa é a nossa característica. A bateria é a nossa caixa, a caixa rufada tão tradicional”, pontuando o que é possível esperar do coração verde e branco.

Existe, é claro, outras surpresas. João Vitor Almeida de Aguiar, arranjador da obra, também destacou o tom da obra: “Quem acompanhar a nossa faixa pode esperar muita surpresa do nosso arranjo. Vai ficar bom, vocês vão ver. Assistam, assistam e assistam”, destacou.
Para emocionar
Se o samba-enredo é uma carta psicografada por Cazuza contando a própria história (com uma dedicatória especial a Lucinha Araújo, mãe do cantor morto em 1990), é claro que o emocional conta muito na gravação. A própria escola é unânime ao afirmar tal vocação da canção. João Vitor Almeida de Aguiar foi um deles: “Hoje vai ser muito coração, não jeito. Falar do Cazuza acho que é uma novidade para todo mundo, ninguém esperava. E a gente montou o arranjo em cima da melodia bonita da voz que fizeram, também. Vai dar tudo certo”, tranquilizou.

Outro João Victor, o Ferro, diretor de carnaval da escola, deu visão semelhante: “Eu acho que é um samba que vai emocionar muito as pessoas. Era nossa principal intenção desde quando a gente começou a construir a sinopse, A gente queria um samba que mexesse com a emoção da comunidade, com a emoção do sambista em si. E, aí, veio esse samba em forma de carta psicografada, que mexeu com a gente, que mexeu com a família do Cazuza, é um samba que a gente sente a presença dele. A gente não está contando a história do Cazuza, o Cazuza está contando a própria história dentro do samba. É um samba diferenciado. Podem aguardar um samba diferente do que a gente já vem fazendo”, prometeu.

Aproveitando para declamar um verso de um dos grandes sucessos do cantor e do próprio samba-enredo (que, por sinal, intitula o enredo), Bruno Gianelli, um dos compositores da obra, falou sobre a vitória em um dos mais tradicionais concursos em escolas de samba paulistanas: “O Camisa é uma das escolas mais tradicionais de São Paulo. É diferente ganhar o samba em uma escola tão tradicional como o Camisa é, é uma coisa muito especial. É muito especial, é muito bacana. E ainda mais pelo enredo ser o Cazuza. Você junta a força do Cazuza com a força do Camisa para fechar uma sexta-feira de desfile. Acho que tudo isso torna tudo ainda muito mais especial do que já era. Ganhar um samba no Camisa seria especial em qualquer grupo, em qualquer momento, em qualquer época da vida. Mas acho que fechar um dia de desfile do Grupo Especial, falando de Cazuza, deixa tudo muito mais especial, muito mais feliz, para o dia nascer feliz”, inspirou-se.

Preparação
Igor Vianna, intérprete do Camisa Verde e Branco, comentou sobre as horas anteriores à entrada no estúdio: “Para mim, antes de uma gravação e de um desfile, a primeira coisa que eu tenho que fazer é dormir. Dormir muito, descansar muito para poder ter a voz o mais cem por cento possível para colocar no CD. Ontem, por exemplo, foi a final do Salgueiro e eu estava cantando o samba da parceria do Xande de Pilares – por sinal, o samba campeão. Eu pedi desculpas aos compositores, ao Xande, ao meu padrinho Pedrinho da Flor, e me ausentei da final. Estou em São Paulo desde ontem, para que eu pudesse descansar. Cheguei aqui cedo, cheguei em São Paulo umas oito horas da noite. Era meia-noite ou umas onze horas da noite, eu já estava dormindo. Fui acordar hoje, já era umas dez e meia da manhã. Almocei, e não almocei nada pesado, para também não atrapalhar no ritual. Fiquei esse tempo inteiro com uma água na temperatura ambiente. E aí tem os segredinhos: um sprayzinho de Hexomedine, uma balinha de Strepsils para ajudar. Esse é o meu ritual”, revelou, aproveitando para falar de compromissos adiados em outra escola tradicionalíssima – e que possui o mesmo nome de bateria do Camisa.

O fato da quadra do Trevo ficar a seiscentos metros a pé da Fábrica do Samba, obviamente, ajuda para trazer a escola, detalhou João Victor: “Com relação à logística, ela é muito tranquila porque a quadra é do outro lado da avenida. Foi bem de boa, viemos com o número máximo pra poder gravar: coral completo, bateria completa. Foi bem tranquilo, a escola veio, ensaiou de boa, o samba pegou, a galera abraçou e podem aguardar um super samba, tanto na gravação quanto na pista. Vocês vão se surpreender e vão se emocionar, é a nossa maior intenção: emocionar tanto a comunidade da Barra Funda quanto todo o carnaval paulistano”, prometeu o diretor.
Ao comentar sobre o eterno dilema entre privilegiar o sentimento ou a perfeição vocal, Igor Vianna prefere o meio-termo: “Eu tento conciliar a técnica e a emoção. Eu tento conciliar os dois, me ligando totalmente nas notas a serem alcançadas e passando também um pouco de emoção para que não saia aquela coisa meio robotizada. É o que eu procuro fazer e vem dando certo. E, hoje, essa será a técnica usada”, detalhou.
Já para o desfile…
Mestre Jeyson revelou qual é o andamento da Furiosa na gravação – e, também, o que será utilizado no Anhembi: “Sim, o nosso andamento nos últimos anos é 144 BPM (batidas por minuto) e vai seguir assim nesse ano. O andamento aqui não é muito para frente e nem é um pagodão, é um ritmo nesse meio termo. Vamos ver de manhã como vai ser. Tem que dar aquela pulsação maior. Mas é 144 mesmo, que dá aquele balanção gostoso”, explicou.
Por fim, Gianelli frisou o que mais o encanta na recepção da comunidade à canção: “Eu acho que esse samba tem tudo para ser um dos sambas mais comentados do ano. A gravação foi sensacional, a bateria do Jeyson tirando onda, brincando, sorrindo, com alegria. Carnaval é alegria, carnaval é sorriso no rosto, é passar a emoção do que é o samba e do que é uma bateria pra quem está assistindo. Acho que tem tudo para ser um desfile sensacional, tem tudo para crescer ainda mais em cada ensaio, em cada ensaio técnico e no desfile também”, finalizou.
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