Amarelo, azul, branco, verde, vermelho e rosa – as cores que deixam a Sapucaí exuberante durante os desfiles de carnaval do Rio de Janeiro embelezam não apenas o Sambódromo, mas, agora, também as latas da cerveja oficial do maior espetáculo popular brasileiro. Sucesso desde o lançamento, quando Brahma foi anunciada como patrocinadora do Rio Carnaval 2024, as latas comemorativas em parceria com as 12 escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro começam a ser vendidas nesta semana.
Foto: Divulgação
Em edição limitada, cada latinha ficará disponível para compra na quadra da agremiação que representa, como iniciativa que faz parte de um projeto de fortalecimento e valorização do carnaval. A proposta é levar o público aos espaços das escolas e incentivar os amantes da festa a visitarem quadras de diversas escolas para completarem suas coleções.
“Estamos muito animados com essa ação inédita, que visa homenagear e trazer protagonismo para as agremiações, as estrelas da maior festa da Terra. Por meio dessa parceria, nosso objetivo é propor iniciativas que favoreçam a ampliação da visibilidade do carnaval para outros momentos e lugares especiais além dos desfiles. Já estamos presentes nas quadras das escolas e desejamos gerar mais movimentos em torno desses espaços onde estão os sambistas, as comunidades e todos os responsáveis por fazer a magia acontecer”, afirma o diretor de Brahma, Maurício Landi.
Brahma e o carnaval carioca
Esse é mais um marco de Brahma em sua trajetória de conexão com o carnaval. A Cerveja Nº1 dos brasileiros e parceira oficial da festa nasceu na Marquês de Sapucaí, palco oficial dos desfiles das Escolas de Samba, e sua antiga fábrica cedeu espaço para a ampliação da passarela do samba. E, justamente por conta do carnaval carioca, passou a ser engarrafada, em 1934. Desde então, a marca tem reforçado sua ligação com a cidade, apoiando o carnaval de rua e os blocos mais amados da Cidade Maravilhosa.
Marca líder no apoio da maior paixão nacional, em 2024, Brahma estará na rua e no sambódromo, nas principais celebrações do Brasil, convidando os brasileiros a mostrarem suas verdadeiras e melhores versões e transbordarem brahmosidade.
A voz conhecida nas apurações do carnaval paulistano, se aposentou da função. De acordo com o Terra, Antônio Pereira da Silva, o Zulu, que ficou a frente dos microfones da Liga há 30 anos sendo locutor das notas do carnaval, não irá mais participar. A informação é confirmada pelo mesmo, que declarou ao portal: “Estou saindo fora mesmo. A gratidão que eu espero é que Deus me dê em saúde. Eu fiz o que ele me deu a oportunidade de fazer e creio que fiz direito, porque ouvi muitas pessoas falando que não gostam de carnaval, mas assistiam por causa da minha voz”.
Foto: arquivo pessoal
Ainda em entrevista ao site, Zulu afirma que tem gratidão pelo trabalho desenvolvido nesse tempo. “Estou calmo, estou tranquilo. Deus está me dando a devida tranquilidade. Foram 30 anos fazendo a mesma coisa e graças a Deus fiz direito. Só tenho que agradecer a Deus e mais ninguém. Tudo aqui se encerra, tem início, meio e fim”.
Durante esses 30 anos, o profissional só não trabalhou no ano de 2007 e também em 2021, onde não houve carnaval devido a pandemia.
Curiosidade: Desde que Zulu começou a narrar as notas, a escola que ele mais anunciou títulos foi o Vai-Vai.
Dentro dos seus 76 anos, o Império Serrano vai fazer um desfile focado na religiosidade afro-brasileira pela primeira vez em 2024. Apesar de pincelar a temática em diversas ocasiões, a escola da Serrinha nunca havia se aprofundado no culto aos orixás. Na última semana, representantes do Departamento de Comunicação do Reizinho de Madureira estiveram em Salvador, berço da criação do candomblé, e visitaram dois dos mais antigos terreiros do Brasil: o Ilê Axé Iyá Nassô Oká e o Ilê Axé Oxumarê, além da Fundação Pierre Verger.
Foto: Divulgação
O motivo da ida à Bahia foi aproximar a agremiação dessas instituições tão importantes. Neste ano, o Reizinho vai apresentar na Sapucaí o enredo “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais”, do carnavalesco Alex de Souza. A proposta da escola é exaltar os orixás como grandes reis e rainhas dos territórios que formavam o antigo Império de Oyó, na África, seguindo a ordem de apresentação do xirê, ritual do candomblé que reúne essas divindades. A visita também gerou a gravação de conteúdos documentais para as redes sociais da escola.
Comandado por Mãe Neuza de Xangô, o Ilê Axé Iyá Nassô Oká, popularmente conhecido como Casa Branca do Engenho Velho, é o mais antigo terreiro de candomblé do país. Ele é o marco da fundação da religião no país, por volta de 1830, com o Candomblé de Barroquinha, criado pelas princesas africanas Iyá Detá, Iyá Akalá e Iyá Nassô, oriundas de Oyó. A casa de Xangô foi o primeiro Ilê Axé tombado pelo Iphan como Patrimônio Histórico do Brasil, em 1984.
Próximo de completar 200 anos, o Ilê Axé Oxumarê também tem um lugar especial na construção do enredo do Império Serrano para 2024. O livro “Casa de Oxumarê: os cânticos que encantaram Pierre Verger”, de 2010, foi um dos instrumentos de estudo do carnavalesco Alex de Souza na elaboração do enredo do Reizinho. A obra retrata o processo do fotógrafo francês Pierre Verger na gravação de cânticos do xirê do local, no final da década de 1950. À frente do Ilê, Babá Pecê fez questão de deixar uma mensagem especial à família imperiana:
“Em nome da Casa de Oxumarê, peço que todos os orixás e os nossos ancestrais possam abençoar e fortalecer o Império Serrano em mais um ano de luta. O carnaval também é uma forma de resistência do nosso povo. Que o Império Serrano, que tem essa ligação com o afrodescendente, possa fazer um carnaval belíssimo e que os orixás estejam com todos neste momento de energia, abrindo os caminhos com amor, paz e fraternidade”, disse Babá Pecê.
Já a visita na Fundação Pierre Verger foi pautada nas pesquisas conduzidas pelo fotógrafo francês sobre o culto aos orixás em território africano. Os representantes do Império Serrano foram recebidos pela diretora Angela Lühning e por Vó Cici de Oxalá, assistente de pesquisa e egbomi do Ilê Axé Opô Aganjú. O primeiro vídeo da série de entrevistas é justamente com ela e já está disponível no canal do Império Serrano no YouTube através do link https://www.youtube.com/@imperioserranoficial. O projeto tem direção e produção de Emerson Pereira.
No Carnaval 2024, o Império Serrano irá fechar os desfiles da Série Ouro. O Reizinho de Madureira será a oitava agremiação a desfilar no sábado, 10 de dezembro, na Marquês de Sapucaí, em busca do título e o retorno ao Grupo Especial.
Pela segunda vez, junto com toda a comunidade, Fabíola Andrade, de 37 anos, ensaiou na Passarela do Samba com a Mocidade Independente de Padre Miguel, no último domingo. É importante lembrar que, na primeira vez, a escola enfrentou problemas técnicos com o som da avenida. A rainha de bateria, que já foi musa da escola no carnaval de 2016, está casada com Rogério Andrade, presidente de honra da escola, há mais de 10 anos. Ela chegou para ocupar o lugar de Giovana Angélica, que esteve no posto entre 2020 e 2023.
Foto: Sad Coxa/Divulgação Rio Carnaval
“Ser convidada foi uma alegria muito grande, muito grande. Olha, só quem é rainha sabe a emoção que a gente sente, é muito bom”, disse alegre e entusiasmada na concentração, ao ser questionada sobre o sentimento de ter sido convidada para ser a rainha da bateria “Não Existe Mais Quente”.
O marido de Fabíola desempenhou um papel crucial quando a escola enfrentou um ‘drama’ com o carro de som no primeiro ensaio técnico. Foi ele quem, pessoalmente, se dirigiu à Liesa para solicitar um novo ensaio, conforme noticiado em primeira mão pelo CARNAVALESCO. Ao ser questionada pelo site se sentia alguma pressão por ser companheira do presidente de honra, ela respondeu de forma tranquila: “Não, não sinto nenhuma pressão, nada. É de boa”.
Este ano, o enredo da escola é dedicado à fruta caju, narrando na Sapucaí tudo sobre o fruto do cajueiro, incluindo suas histórias, curiosidades e lendas. Com um samba que apresenta duplo sentido em alguns de seus versos, e ensaios que destacam a pegada sensual do enredo, a rainha deu pistas sobre sua fantasia para os desfiles. “Vai ser muito, muito sensual. Não vou revelar detalhes, mas posso garantir que será bastante sensual”, revelou.
No seu Instagram, onde acumula mais de 45 mil seguidores, Fabíola oferece uma visão de sua rotina como rainha de bateria. Ela publica conteúdos sobre suas aulas de samba e mostra à comunidade o processo de preparação para liderar a bateria. Quanto às aulas de samba, Fabíola enfatiza a importância desse treinamento para o desfile.
“Estou fazendo (aulas) e está sendo incrível. Acho que cada ensaio que eu faço também é uma evolução muito grande, é muito bom pra mim”, disse.
A gaúcha também falou sobre suas inspirações no papel de rainha. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ela revelou que admira o samba ‘carão’ e citou algumas rainhas cujo trabalho a fascina.
“Eu busco referências no samba, carão, essas coisas. Gosto de várias rainhas, como Sabrina Sato. Eu admiro muito a Gabi, rainha do carnaval, que representa a Mocidade. Também me encanto pelo trabalho de Paolla Oliveira, Viviane Araújo e Mayara, que acho lindíssima e samba muito bem”, afirmou.
Fabíola Andrade, sentindo-se acolhida e amada pela comunidade de Padre Miguel, expressou sua gratidão pelo carinho recebido. “Eu só quero dizer que estou extremamente feliz por ser tão bem recebida por eles. Todo o amor que estou recebendo da comunidade é recíproco. Tenho um carinho imenso por todos”, disse ela, com um sorriso radiante.
Mais uma semana agitada está prestes a iniciar na Beija-Flor de Nilópolis, rumo ao Carnaval 2024. A escola se prepara para dois grandes eventos.
– No sábado, dia 27, a agremiação promoverá seu ensaio de rua na Estrada da Mirandela, com concentração a partir das 19h, e entrada franca.
– Antecedendo o ensaio na Mirandela, na quinta-feira, dia 25, a Beija-Flor realizará seu ensaio na quadra. O evento tem início às 21h30, com ingressos a R$30,00
Essa é a oportunidade de acompanhar a preparação dos ícones nilopolitanos rumo ao Carnaval 2024. Estarão presentes nos ensaios a rainha da bateria, Lorena Raíssa, o carro de som liderado por Neguinho da Beija-Flor, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso.
Serviço:
Ensaio Beija-Flor de Nilópolis
Data: 25 de janeiro
Local: Rua Pracinha Wallace Paes Leme, N° 1025, Nilópolis
Horário: A partir das 21h30
O grupo de pagode “Nosso Brilho” anima a festa antes e depois do ensaio; ingressos a partir de R$ 30.
Ensaio de Rua
Data: 27 de janeiro
Local: Estrada da Mirandela
Horário: A partir das 19h
Preço: Gratuito
O barracão da União de Maricá recebeu uma visita muito especial. A modelo Valeria Valenssa, que fez história como Globeleza, foi conhecer um pouco da construção das alegorias da escola, no bairro de São Cristóvão, acompanhada do prefeito maricaense Fabiano Horta e da primeira dama Rosa Horta.
Foto: Vinicius Lima/Divulgação Maricá
O carnavalesco André Rodrigues foi o responsável por apresentar o projeto da escola para o próximo desfile, além de explicar ponto a ponto do enredo “O Esperançar do Poeta”, uma grande homenagem ao ato de compor e que tem Guaracy Sant’anna, o Guará, como fio condutor. Encantada com o que viu, Valeria Valenssa destacou o sentimento que a agremiação pretende passar:
“É um enredo fantástico. Maricá está chamando o mundo para que volte a sonhar, ter esperança e fé. É isso que vejo de uma forma muito simples. Eu me sinto uma filha de Maricá, pois meus pais moram na cidade, então é um local que tenho muito carinho. Com certeza o povo maricaense será representado de maneira brilhante por esta agremiação tão jovem, mas que tem se mostrado muito madura e estruturada”, disse Valeria.
Na reta final da construção do seu carnaval, a União de Maricá tem mais um ensaio de rua programado para a próxima sexta-feira, a partir das 19h, na Passarela do Samba Adélia Breve, no Centro de Maricá. A escola vai estrear na Sapucaí, sendo a sexta escola a desfilar na sexta-feira, 9 de fevereiro, pela Série Ouro.
Neste carnaval o Império da Tijuca levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Sou Lia de Itamaracá cirandando a vida na beira do mar”, de autoria do carnavalesco Júnior Pernambucano. A agremiação vai falar sobre a história e vida da cantora, compositora e maior representante da ciranda brasileira. Ícone da cultura popular do país, Lia completou 80 anos no último dia 12 de janeiro. A proposta é que a escola de samba entre na Avenida com a força das energias da artista e do povo do Morro da Formiga, além de muita garra, emoção e toques de alegria e manifestação cultural.
Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO
Carnavalesco da agremiação por sete vezes, Júnior está à frente da Verde e Branco pelo segundo ano seguido. Foi sob seu comando, em 2013, que a escola do Morro da Formiga conquistou o título do Grupo de Acesso e retornou ao Grupo Especial após 18 anos. Conterrâneo de Lia, ele conta que tinha o desejo de falar sobre a artista há muito tempo. A vontade de homenageá-la somada a ligação da escola com enredos que abordam a negritude possibilitou que a ideia saísse do papel.
“O desejo vem desde criança, porque sou pernambucano. Eu acompanhei muito a Lia nas cirandas e em eventos culturais de Pernambuco. Sempre tive essa admiração pela artista. Daí, há alguns anos, pensei em desenvolver esse enredo. Passei a proposta para o presidente e ele curtiu, já que ela é uma mulher preta, lutadora e que possui ligações com as tendências temáticas que o Império da Tijuca traz – que são esses enredos ligados à ancestralidade negra. Isso influenciou bastante. Foi a união do meu desejo com a ligação da escola com a negritude”, explica o carnavalesco.
Apesar de saber o lado cultural da artista, Júnior não conhecia o lado espiritual dela. Para ele, esse foi um dos processos mais interessantes durante a pesquisa sobre o enredo.
“Eu falo muito da parte regional da história da vida dela, que também faz parte da minha e não foi surpreendente. O que me surpreendeu foi a parte religiosa, que eu não sabia qual era a ligação dela com a parte espiritual. Isso, para mim, foi novidade. A parte cultural faz parte do cenário que convivi, então facilitou”, conta.
Um fato curioso é que Lia de Itamaracá será homenageada no Rio e em São Paulo. Além do Império da Tijuca, a Nenê de Vila Matilde vai levar para o Anhembi o enredo “Cirandando a vida prá lá e prá cá. Sou Lia, sou Nenê sou de Itamaracá”.
“A forma como o carnavalesco conduz a história lá é um pouco diferente do modelo que vou fazer aqui. Isso é bom, porque mostra dois trabalhos e duas homenagens diferenciadas para uma pessoa”, afirma o carnavalesco do Império.
Para fazer a homenagem, o carnavalesco contou com um pedido especial de Lia: um desfile colorido, com muita alegria, irreverente e que traga afinidade com seu povo. De acordo com ele, o grande trunfo do Império da Tijuca será a própria homenageada: como e em qual parte do desfile ela virá é uma surpresa. Júnior acredita que a fusão de energias que Lia e a escola de samba transmitem resultará em um desfile com muita garra e emoção.
“O grande trunfo é trazer a Lia. Acredito que aonde a gente vai trazê-la e de que forma é um ponto principal que vai causar uma expectativa. Estamos realizando um bom trabalho para que aconteça isso. É o pessoal aguardar para saber de onde a homenageada vai aparecer. O torcedor pode esperar a garra de sempre que a escola tem e transmite quando passa na Avenida, que é uma energia única. É uma escola que virá com garra, emoção e toques de alegria e manifestação cultural que traremos no enredo. A gente precisa entrar sacudindo a Avenida com muita ciranda e muito samba”, afirma Júnior.
Série Ouro e a corrida contra o tempo
A demora para o repasse da verba pública do carnaval é uma reivindicação antiga das escolas de samba. Outro fator é a precarização dos barracões, que atrapalha o desenvolvimento dos desfiles e, de certa forma, já faz parte dos carnavais das agremiações da Série Ouro. Apesar disso, a chama da paixão pelo carnaval segue acesa no coração de quem trabalha no Grupo de Acesso.
“Quem trabalha na Série Ouro há algum tempo, já sabe a dificuldade que é. A gente acaba conseguindo conviver com isso. A Série Ouro traz essa agonia. Não era para ser assim, mas, infelizmente, a gente passa por isso. Acredito que falta um pouco de carinho e atenção por parte do poder público. A subvenção poderia sair um pouco mais cedo. É algo notório e triste. Mas eu, como funcionário do carnaval, tenho que fazer o possível para poder desenvolver um bom trabalho para que eu me sinta realizado e a escola também. Assim como muitas escolas, estamos apertados para poder desenvolver isso tudo. Mas a gente tem garra e a escola possui um comando muito bom em conseguir fazer com que tudo aconteça”, ressalta.
Conheça o desfile do Império da Tijuca
O Império da Tijuca será a segunda agremiação a desfilar na sexta-feira de carnaval, 9 de fevereiro. A escola vai para a Avenida com cerca de 1200 componentes espalhados por 22 alas, três alegorias e um tripé. Ao todo, o desfile será dividido em quatro setores: a ligação das águas, a região da Ilha de Itamaracá, a influência musical, além da manifestação carnavalesca em homenagem aos 80 anos da artista.
Setor 1: “A Lia inicia a vida na catação de caranguejos com a mãe. A renda familiar era da venda de caranguejos, mariscos e siris. Ela tem essa ligação muito forte com os mangues e com as águas. Por isso que ao ponto em que ela vai crescendo, tem mais laços com o mar e chega ao ponto de escrever a letra de suas músicas na areia. Essa ligação com o mar e a natureza já será o início da escola – não posso esconder esse elo entre as águas”.
Setor 2: “Eu já começo com a parte da Ilha de Itamaracá, onde fala de todas as suas tradições e de seu envolvimento com a ilha. A parte dela como merendeira e o Forte Orange – que é muito marcante e onde faz todas as apresentações”.
Setor 3: “Eu venho trazendo a influência musical, onde Lia faz a sua ligação com o Maracatu, com o Cavalo-Marinho – que é um tradição de lá -, o Pastoril, Coco de Roda. São influências musicais que conduzem a formação da artista”.
Setor 4: “O carnaval de Recife abraça a Lia de Itamaracá. A gente faz uma grande homenagem ao carnaval do Recife e de Olinda, onde Lia participou de vários blocos e foi homenageada pelo Galo da Madrugada. Queremos trazer o carnaval da própria região dela, inclusive é algo que a artista pede. A gente traz o carnaval pernambucano abraçando Lia, como se ela estivesse em casa com uma grande manifestação”.
A Mocidade Unida da Mooca, famosa MUM, fez seu primeiro ensaio técnico neste domingo, 21 de janeiro, no Sambódromo do Anhembi, e com o enredo “Oyá Helena”, homenagem para Helena Theodoro. A agremiação da Zona Leste será a última a desfilar no domingo, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso I. O ensaio técnico foi em um clima tão alto astral, que podemos destacar todos os quesitos, a escola mostrou estar coesa.
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Comissão de frente
A comissão de frente comandada por Nildo Jaffer é sempre um quesito a ser observado e novamente devemos destacar. Mesmo que comissões escondam o jogo, já dá para sentir a dança e o astral que virão para o desfile. Vão vir com um tripé, nela com uma criança sentada, uma princesinha que aparentemente representa a homenageada Helena. Uma dança bem afro, o auge foi quando a personagem principal vai buscar a criança, no fim da apresentação ela mostra um livro, abrindo-o. O elemento alegórico jogava água, de leve. A dupla principal fez a apresentação juntas, a sincronia da comissão era muito boa, só a roupa das mulheres na parte de cima ficava caindo um pouco, e muitas vezes tinham que ajustar. Mas claro, não é a fantasia do desfile, mesmo com esse imprevisto, não atrapalhou em nada a coreografia. Outro momento era quando formavam um círculo para a personagem principal, vestida de laranja, que rodava entre eles em um verdadeiro ritual em plena avenida.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Jefferson e Karina mostrou entrosamento nos passos, os giros realizados horário e anti horário. Os passos de malandro do Jefferson e a alegria de Karina são pontos a serem destacados. Casal assumiu recentemente a função na agremiação, mais precisamente no meio de dezembro, após lançamento do CD. Os Guardiões do casal faziam uma coreografia ao lado. Como relatado é um casal que tem um mês e pouco juntos, mas correspondeu no que o quesito pede nos pontos de observação. Só acredito que pelas características do casal nos últimos trabalhos, trarão um pouco mais de intensidade na dança, lembrando que a pista estava molhada ainda e teve momentos de chuva durante a passagem da MUM.
Samba-enredo
Um samba com excelente melodia que por si só já eleva qualquer clima, mas com a dupla Gui Cruz e Clayton Reis que seguem vivendo um grande momento. O samba casa muito bem com ambos que já na arrancada mostram o poder do que estava por vir… E veio, fluiu na ala musical, fluiu no canto da comunidade, mesmo que tenha palavras um tanto complicadas em alguns momentos, não senti problemas com a comunidade e isso tem dedo, trabalho, da ala musical, também da harmonia, que trabalharam nos ensaios de quadra. Tem trechos bem marcantes, um deles é o “Oooo oooo… Preta no sangue, na raça e na cor” por parte da ala musical, e no canto da comunidade: “Tem macumbaria, pra coroar, axé Helena! Mojubá! Elegbará”.
Evolução
Em relação à evolução, podemos destacar o quanto a escola foi compactada durante o ensaio técnico, mas não foi algo duro ou de muita exigência. Harmonia corriam filas da escola, é bem verdade, mas com leveza, tranquilidade, todos cantando, brincando, e com isso era um clima gostoso em todas as alas. A escola passou tranquilamente entre 59 minutos e uma hora de ensaio técnico. Tirando onda, com direito a bossa já na reta final do ensaio, ou seja, passou muito bem pela pista, dentro do horário e com tranquilidade, leveza, podemos dizer que é um grande orgulho para o mestre Mercadoria que é lenda do carnaval e segue presente na agremiação.
Harmonia
A agremiação passou em uma leveza incrível que precisa ser destacada, cada ala cantando, no ritmo, com seus acessórios usados, sejam bexigas ou outros, no ritmo da escola. Todos bem felizes, cantando, inclusive alas como baianas, passistas, bateria, defenderam realmente a bandeira do ‘Oya Helena’. Destaco principalmente o último setor, não que o primeiro estava ruim no canto e alegria, longe disso, mas no último setor, vieram com muito gás, energia, também destaco a ‘Ala Chique’, o complemento se tem, me fugiu, pois, tinham detalhes na parte debaixo do visual. Mas estavam bem animados, cantando, e vestia uma roupa bem interativa.
Outros destaques
A Bateria Chapa Quente do Mestre Denys vive uma fase impressionante, foram inúmeras bossas, paradinhas e paradonas, brincou na avenida, tirou onda e testou o canto da escola, que funcionou em todas. Algumas das executadas foram anotadas, com 15 minutos teve outra paradona, poucos minutos depois, com 18 minutos só atabaques, e não demorou tanto para aos 25 minutos outra bossa de atabaque e depois uma geral aos 35 nova paradona no recuo. 37 minutos nova parada. Depois teve uma gigante com 39 minutos uma paradona, até 40 minutos, cerca de um minuto. Por fim, já na reta final do desfile, com 47 minutos nova paradona, bateria deu show.
Concentração estava incrível, energia lá foi pro céu com o canto da escola, o mestre Denys tocando atabaque na entrada da escola, funcionou muito bem, e deu para sentir o clima da escola que tem sua quadra como ‘Terreirão’, e olha, podemos dizer que levou o Terreirão para o Anhembi. Vale destacar o discurso do Rafael Falanga jogou a escola lá para cima, também presença da jornalista Ana Thais Matos, esposa do Falanga, que tem dedo no enredo e sempre em alto astral à frente da escola.
Baianas lindas, com borboletas no vestido, e com um astral sensacional. No início da escola tivemos a presença do Afoxé Omi Ayié que abriu os caminhos da escola. A escola já veio com alguns elementos que parecem parte de tripés, protegidos, mas alas no meio deles que vieram nos cantos.
Por fim, a rainha Valeska Reis não quis saber da chuva, sambou mesmo assim. E foram grandes personalidades que a agremiação trouxe, como Ketula Mello diretamente do Rio de Janeiro deu show, mas depois sentiu um problema no pé, desejamos boa recuperação, mesmo assim prosseguiu animada. Roberta Kelly é outro grande destaque da agremiação e tira maior onda no samba, elegância. A rainha do Carnaval Weida que veio dentro de um espaço demarcado para alegoria, deu show de alegria e samba no pé, haja elegância. As passistas e malandros em grande astral, muito samba no pé, precisa ser destacado, lembra muito escolas raízes.