Após ser coroada a nova madrinha do Arranco do Engenho de Dentro, Mari Mola fez sua estreia oficial no cargo com um emocionante minidesfile na Cidade do Samba. Ex-Rainha do Carnaval em 2023, ela aceitou o novo desafio em uma escola onde as mulheres são protagonistas, e não escondeu a emoção e a alegria de estar ali, especialmente representando a ala LGBTQIAPN+.
Para Mari Mola, chegar ao Arranco é uma experiência única. Ela considera um “presente” fazer parte de uma escola que, como ela mesma afirma, tem suas bases solidamente construídas por mulheres. Em um momento de recomeço em sua carreira, a sambista ressalta a importância de estar no Arranco, uma escola com uma forte presença feminina.
“O Arranco é um terreiro muito forte e chego em um momento de uma carnavalesca mulher, é um terreiro construído por mulheres. Eu chego num momento muito especial, uma escola de chão forte de mulheres e nesse enredo que fala de mãe, do sagrado de ser mãe e alimentar seus filhos e todos os outros que estão no caminho, acho que foi um presente ser madrinha do Arranco nesse meu momento de recomeço, mas principalmente ser madrinha da ala LGBT, porque eu acredito que foi uma bandeira que mais levantei durante o maior marco da minha história carnavalesca, sempre falando que sou uma mulher bi sexual, e eu consegui reinar. E estar aqui é maravilhoso”.
Mari Mola sempre lutou pelas causas LGBTQIAPN+. Por ser uma mulher bissexual, ela ressalta que ainda tem muito caminho a percorrer e que sua luta, embora significativa, ainda é um pouco diante do que pode ser feito por causa. Ela falou sobre como se sente ao ser apontada como uma referência dentro do carnaval carioca por seu protagonismo.
Foto: Cristiano Martins/CARNAVALESCO
“Eu me sinto uma formiguinha dentro de todo esse trabalho porque a comunidade é enorme, tem muito a ser feito, temos que trabalhar muito ainda e tem muita coisa a ser feita para que a causa realmente seja olhada com dignidade da forma que tem que ser. Não é como me sinto e sim o que estou aqui pra fazer, e estou disposta a servir como uma manivela, para que esse movimento seja cada vez mais respeitado”.
Mari, que vem da comunidade do Tuiuti, falou sobre a importância da visibilidade que finalmente estão dando aos sambistas que, assim como ela, vieram de comunidades. Ela destaca que este é um momento especial e único, pois sempre foram essas mulheres que carregavam a escola na Avenida, mas estavam perdendo espaço.
“Essas meninas estarem retomando o protagonismo, porque lá no começo quando o samba era marginalizado, ninguém queria ter esse protagonismo que a gente assumiu. Agora, a gente está retomando e em um momento especial, momento que o carnaval está sendo entendido como essa festa enorme. Essa visibilidades para quem faz este trabalho há muito tempo é muito especial e é um marco”.
Mari Mola é uma mulher que nunca levou desaforo para casa. Ela não foge de nada que a incomode, e as redes sociais muitas vezes se tornam um campo de batalha para ela. Embora hoje tente ser mais paciente, ela reforça que não deixará de se posicionar.
“Eu sou da briga. Sinto vontade de brigar discutir, sou dessas. Agora estou tentando me segurar um pouco mais. Depois que fui rainha do carnaval, me seguro um pouco mais, para ser mais fina, blasé. Escutar e tentar mostrar com trabalho. Acho que as pessoas gostam de falar mal do carnaval, mas eles tem que admitir que é o que movimenta nosso país e nossa cidade. A gente vai crescer cada vez mais, só vem ocorrendo mais mudanças, patrocínios incríveis vindo. Estamos vendo os rostos das meninas das comunidades por aí em campanhas publicitárias, virando influencer com esse movimento da internet. Vão ter que aturar a gente”.
A cerimônia de entrega do Prêmio Destaques do Ano do CARNAVALESCO, ocorrida na última quinta-feira no Teatro Alcione Araújo, foi duplamente emocionante para a musa Dandara Oliveira e o mestre de bateria Macaco Branco. O casal de sambistas da Vila Isabel compareceu para a entrega dos prêmios de Sambista da Nova Geração a Enzo de Oliveira, de 14 anos, e Personalidade do Ano de 2024 a Gael de Oliveira, de 4 anos, seus filhos.
O reconhecimento desde tão jovens é um marco para a uma família de gerações de sambistas. Dandara e Anderson Andrade conversaram com o CARNAVALESCO e falaram sobre o que representa, como pais de Enzo e Gaelzinho da Vila, verem os filhos serem premiados.
Foto: Magaiver Fernandes/CARNAVALESCO
“É a continuação. Eu comecei criança, ele também começou criança, e a gente vê os nossos filhos gostando do que a gente gosta, amando o carnaval como a gente ama. Eu falo que eu já tenho 50% garantido de uma escola mirim pronta”, declarou Dandara.
“Para mim é um prazer imenso. Foi como a Danda falou, nós viemos muito novos. Danda sempre foi, desde pequenininha, na ala de passistas, eu na bateria. A gente se conhece desde crianças. Nós viemos ficar juntos depois de adultos, com vinte e poucos anos de idade. Isso é um legado, a nossa ancestralidade, a nossa família que sempre plantou isso, esse amor por nossa escola. Aprendi a ser Vila Isabel, cresci ouvindo a minha família. Meu pai, que era da bateria, minha mãe, que era da ala da comunidade. A minha sogra, como é da harmonia, o avô da minha esposa, o tio Jaiminho, que foi diretor geral da harmonia, meu sogro que é compositor, é tudo ali. A gente costuma brincar que quem nasce na Vila aprende mais cedo”, declarou Macaco Branco.
Amor pelo samba vindo de um mundo musical
O despertar de Enzo e Gael para o samba não é por acaso. A formação dos meninos como sambistas ocorreu com naturalidade, dando aos garotos a justa liberdade para fazerem suas escolhas. E de acordo com Dandara e Macaco Branco, o gosto dos meninos pela música já supera o dos próprios pais.
“É muito natural porque em casa a gente escuta samba. Na verdade, hoje em dia o Gael escuta mais samba que a gente. Ele já pega o controle da televisão, já bota no YouTube e escolhe o samba que ele quer ouvir, tanto que ele vem com sambas de São Paulo, de Guaratinguetá, sambas que eu nem escuto direito e ele sabe todos desde o grito de guerra do intérprete ao samba completo. É amor, é gostar, e a gente deixa à vontade. Ele quer escutar, ele sabe, ele escuta. Se ele quer botar outro tipo de música, ele escuta. Tanto que o Enzo, meu filho mais velho, é baterista, toca bateria, toca teclado, outros estilos musicais também. A gente deixa à vontade para curtir o que eles querem”, afirmou a musa.
“É um prazer imenso poder ver nossos filhos seguindo o legado. Não que nós, eu e Dandara, criamos, mas que vem lá de trás das nossas famílias”, completou o mestre.
É esperado que a convivência com o trabalho dos pais influencie o gosto dos filhos. A linhagem de sambistas de Enzo e Gael não explica por si só a afinidade com a música, que para os meninos se tornou uma saudável diversão.
“Em casa o mundo é muito musical. O pai é percussionista, mas eles gostam muito de música desde pequenos. Os primeiros brinquedinhos que eles ganharam eram ou um tambor, ou uma flauta. O Enzo gosta muito, tanto que ele faz aula de teclado, faz aula de bateria. O Gael também é muito musical não só cantando, mas ele gosta de batucar. Quando ele está lá na Vila, ele pega os instrumentos, pega o chocalho. Eu acho que é ouvido mesmo, vai ouvindo, vai aprimorando, e eles gostam e a gente os deixe à vontade para brincar. Na verdade, lá em casa a brincadeira é a música”, disse Dandara.
“É o que eu costumo dizer, a música é o alimento da alma. Se a gente puder ter oportunidade de criar e ajudar na criação dos nossos filhos, tudo através de música, trazendo essa energia, ainda mais do gênero samba de enredo que é o que fomenta e é o combustível da nossa família, isso é muito gratificante”, afirmou Macaco Branco.
Gaelzinho da Vila, Personalidade do Ano
Ganhar o prêmio de Personalidade do Ano não é por acaso. Com apenas quatro anos, Gael de Oliveira viralizou na internet por conta da sua personalidade, espontâneo e carismático. O menino não só conquistou o coração dos eleitores do Destaques do Ano, é muito querido pelos sambistas como um todo, sendo reverenciado ao receber o prêmio por grandes nomes como a eterna passista da Beija-Flor Pinah. A premiação é motivo de orgulho para os pais.
“É muito gratificante. Ele tem quatro anos de idade e já ganhou um prêmio com essa importância. Ele muito pequeno e acho não tem a noção da grandiosidade que é isso, mas para a gente é um reconhecimento. Estou muito feliz, sou muito grata ao CARNAVALESCO por essa oportunidade para ele e acho que é isso, sambista é berço. Ele ama isso, a gente vê no olhar. Eu costumo dizer que eu sou Vila Isabel, mas depois que o Gael nasceu, eu acho que ele é muito mais Vila Isabel que eu. Eu vejo a empolgação dele quando chega o dia de ensaio. Quando por algum motivo não tem ensaio, ele fica naquela expectativa de ir para a quadra de alguma forma, de estar inserido, assim como eu também era quando era criança. Eu esperava chegar a quarta-feira ou sábado para ir para a quadra, e ele é assim. Ele passa na porta da quadra e se vê a porta fechada ele fica angustiado porque quer que tenha carnaval. Se dependesse dele é de segunda a segunda”, afirmou Dandara.
“E é tão lindo ver que o ídolo maior do Gael é o Tinga, que é uma das grandes referências da nossa escola, uma das maiores vozes da nossa escola. É tão bonito ver ele ter como referência um grande profissional com o qual nascemos, nos criamos e fomos crescemos juntos ali na Vila Isabel. Saber que o Gael tem um bom gosto musical, de saber escolher quem são os ídolos dele”, disse Macaco Branco.
Enzo de Oliveira, Sambista da Nova geração
A conquista de Enzo de Oliveira, reconhecido pelos eleitores do CARNAVALESCO como Sambista da Nova Geração, é uma justa homenagem a um jovem de múltiplos talentos. Para Dandara, o prêmio é uma oportunidade para que as pessoas de fora do carnaval possam conhecer as valorosas qualidades do primogênito da família.
“O Enzo já é um pouco mais velho. Ele tem 14 anos, então já tem um pouco da noção do prêmio que ele está ganhando. Mas para a gente é uma honra, nossos filhos que frequentam juntos com a gente o carnaval. A maioria que a gente chama de bolha, ‘a bolha do carnaval’, já o conhece, mas quando ele é premiado outras pessoas começam a ver de uma outra forma. Ele é outro apaixonado pelo samba, que leva o legado da nossa família. Ele se aprimora, gosta de escutar, de conhecer bossas de outras agremiações, busca conhecimento. É agradecimento e orgulho de ter nossos filhos nesse patamar”, disse.
Macaco Branco tem grande orgulho e faz questão de exaltar os vários talentos do filho mais velho, que sonha em ser ator. O mestre acredita que a grande fama atual de Gael é uma questão geracional, afirmando que naquela idade Enzo se portava da mesma forma e relembrando um momento marcante do passado.
“É muito gratificante para mim. Eu fico feliz e até emocionado em falar, a avó e o avô da minha esposa, que sempre foram muito Vila Isabel, moravam bem em frente à quadra. O Enzinho, quando tinha dois anos de idade e fazíamos o ensaio de rua, quando vinha o Julinho e a Rute, que eram o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila Isabel na época, eles vinham dançando e paravam bem em frente à quadra. O Julinho botava o chapéu-panamá no Enzo, com dois aninhos de idade, e dava o bastão para ele, e o Enzo começava a dançar com a Rute, isso com dois anos de idade, de fralda. Isso é uma coisa que as crianças lá de casa começam a aprender, mas é muito instintivo. Eles começam como uma brincadeira que acaba depois se tornando uma coisa mais séria. Foi o caso meu e da Danda, mas é tão gratificante ver o Enzo com 14 anos, e tudo que o Gael faz hoje o Enzo também fazia quando pequeno, mas hoje com a visibilidade da internet acaba que o Gael está tendo um alcance maior dos vídeos dele, viralizando. O Enzo olha assim e eu falo: ‘você era assim também, Enzo. Você fazia as mesmas coisas. Cantava, tocava, dançava’. O Enzo é muito completo. Ele é muito afinado, canta bem, toca bem, atua bem. Faz curso de teatro, aula de bateria, toca piano, é muito afinado. Ele tem um sonho de ser ator e voltado pro lado do musical. É um artista completo. Guardem esse nome, Enzo de Oliveira. No futuro vocês vão ouvir falar muito dele”, afirmou.
Felicidade: o desejo dos pais para o futuro da família
A família de Dandara e Macaco Branco agora está maior. A filha caçula está próxima de completar seu primeiro ano de vida e já demonstra se sentir à vontade ao som de um bom samba. Questionados quanto ao que esperam para o futuro dos filhos, o casal pensa da mesma forma ao afirmar que, independente das escolhas feitas, a prioridade é a felicidade de Enzo, Gael e Inaê.
“Eu espero que eles sejam felizes e façam o que eles gostam não por instrução de pai e de mãe, mas porque eles querem, porque eles gostam. Não no carnaval, mas na vida. Acho que qualquer pai quer isso, a felicidade dos filhos e que eles sigam o caminho da felicidade. O que eles quiserem está bom para eles e está bom para mim”, disse a musa.
“O que eu quero para eles é que sejam felizes. Eu quero que eles sejam felizes, assim como a minha esposa falou, fazendo aquilo que mais amam. Eu sou muito feliz e realizado por ter uma família musical maravilhosa e viver de música. Vocês sabem que no Brasil viver de cultura, viver da música é muito difícil. Que eles sejam felizes fazendo aquilo que almejam para a vida deles e amam muito fazer”, afirmou o mestre.
Em meio a medalhões do samba, uma dupla de intérpretes oficiais da Barroca Zona Sul fará estreia como a voz principal de um carro de som no carnaval de São Paulo. No dia da gravação oficial da agremiação verde e rosa da Zona Sul de São Paulo, o CARNAVALESCO conversou como surgiu o convite e como está a parceria entre Cris Santos e Dodô Ananias.
O intérprete Cris Santos fazia parte da ala musical da Barroca, mas não como o intérprete principal da agremiação, enquanto Dodô trabalhou no carnaval carioca e do Sul, estreará em São Paulo nesta temporada.
Como você chegou na Barroca Zona Sul?
Cris Santos: “Cheguei em 2018. Maio de 2018 e vim aí galgando aí com a ala musical. Trabalhando fazendo a base do Pixulé junto com essa rapaziada, reformulando. E chegamos aí hoje oficial junto com o meu parceiro do Dodô”.
Como foi o convite para ser intérprete oficial da Barroca?
Cris Santos: “O convite foi surpresa. Foi praticamente a surpresa porque já tinha outras situações da escola, de outros intérpretes e eu estava esperando que fosse a realidade de hoje. Mas quando eu sentei a primeira vez para conversar renovamos como ala musical, no meio do caminho teve uma reviravolta e recebi a ligação no meio da semana e foi aquela assim ‘Ó, vem você e você vai dividir com o menino Dodô’, aí depois de um tempo a gente se conheceu e nosso trabalho tá aí graças a Deus, Tá fluindo muito bem e que continue fluindo aqui por muitos e muitos carnavais a gente possa trabalhar junto que a parceria é forte”.
Dodô Ananias: “Primeiramente quem fez contato comigo foi o Thiago Meiners que é um dos compositores do samba, já vem fazendo sambas da escola há muito tempo e depois o presidente Cebola fez contato comigo. Me perguntou, ele acompanhou alguns trabalhos meus lá no Rio de Janeiro, eu era cantora da Acadêmicos da Rocinha, fui durante quatro carnavais, também tem alguns trabalhos no Sul, em Porto Alegre, e aí presidente Cebola fez contato comigo e já passou a proposta e a ideia que já seria para dividir com o Christian. Que já fazia parte da ala musical da escola e cara tá dando muito certo”.
Como está a parceria entre vocês neste começo de trabalho?
Cris Santos: “A sinergia aí casou logo de primeira, logo quando nos conhecemos, as ideias já foram as mesmas e aquilo que a gente vai fazer na avenida que preparamos hoje, vamos aprimorar mais”.
Dodô Ananias: “Desde o início as nossas ideias se bateram muito. Porque se nosso trabalho em dupla não der certo ano que vem o presidente manda a gente embora e contrata outro para fazer o que estamos fazendo, então temos que fazer dar certo. Graças a Deus tá dando certo e vamos seguir trabalhando assim pra entregar o que a escola precisa merece”.
Qual a avaliação sobre o samba de 2025 da Barroca?
Dodô Ananias: “Modéstia a parte acho que temos sem hipocrisia que temos um dos melhores sambas do ano. O Barroca pega top três fácil, mas isso só aumenta nossa responsabilidade e o nosso trabalho”.
Cris Santos: “Como ele disse o top três aí pra gente, desculpe as outras coirmãs, mas é com todo respeito, um dos melhores sambas na nossa opinião que é o do Barroca e vamos trabalhar fortemente para chegarmos entre as cinco, ou o terceiro e quem dirá o título. O sonho é o maior título, né? Então vamos buscar, vamos atrás do título”.
A Unidos de Vila Isabel realizará no domingo, a partir das 13h, a primeira edição de 2025 da Feijoada da Vila. Martinho da Vila, cantor e presidente de honra da azul e branca de Noel, é a atração principal do evento, que também contará com shows da agremiação e da Velha Guarda Musical da Vila.
Martinho, que carrega em seu nome a escola do coração, revela a ansiedade para encontrar o povo do samba: “Feliz de começar o ano aqui. Vai ser uma maravilha cantar com a Vila Isabel!”
Os ingressos custam a partir de R$ 20 e podem ser adquiridos através da plataforma Sympla ou na bilheteria da quadra, localizada no Boulevard 28 de Setembro, 382.
Última escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, a Vila Isabel levará para a Sapucaí o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. Conduzida por um trem-fantasma que desembarca em um grande baile, a escola vai transformar medo em alegria ao carnavalizar as assombrações que atazanam o imaginário popular.
Serviço:
Feijoada da Vila
Data: 19/12
Hora: a partir das 13h
Preços: a partir de R$ 20
Ingressos: Sympla ou bilheteria da quadra
O cantor e compositor Xande de Pilares é o mais novo sócio benemérito da Acadêmicos do Salgueiro. O sambista foi surpreendido ao receber a carteirinha das mãos de André Vaz, presidente da escola, no último domingo, durante a tradicional Feijoada do Salgueiro, que teve ingressos esgotados.
“Eu comecei a trabalhar no barracão do Salgueiro com 14 anos de idade. Aos 17, fiz meu primeiro desfile na ala da força, com aquela galera que empurra o carro na avenida. Anos depois, entrei pra ala de compositores do Salgueiro e, hoje, ganho a carteirinha de sócio benemérito. Eu agradeço muito e quero dedicar a dois caras que estão presentes: Mauro Júnior e Cláudio de Souza. Também aos saudosos Jô Calça Larga e Mestre Louro, que me ajudaram no início do meu trabalho aqui.”, comentou o artista emocionado.
Sob os aplausos de mais de cinco mil pessoas, Xande de Pilares celebrou a homenagem interpretando o samba-enredo da escola para o Carnaval 2025, cujo enredo é “Salgueiro de Corpo Fechado”. Xande é autor do samba junto com Pedrinho da Flor, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Leonardo Gallo, Jorginho Via 13, Jefferson Oliveira, Jassa e W.Correa. O momento contou com a participação especial de Ferrugem.
Esta apresentação foi uma breve pausa nas férias. Depois de tirar uns dias para descansar, o artista retorna efetivamente aos trabalhos, nesta quinta-feira, participando do evento ‘Te Vejo no Bonfim’, em Salvador. Em seguida, o sambista dá continuidade às turnês ‘Esse Menino Sou Eu’ e ‘Xande Canta Caetano’.
A Mocidade Independente de Padre Miguel realizará no sábado mais uma edição da sua tradicional feijoada. A partir das 13h, o público poderá curtir um verdadeiro carnaval com a presença de diversas co-irmãs. Além do show dos segmentos da verde e branco da Zona Oeste, o evento contará com Beija-Flor, Grande Rio, Imperatriz Leopoldinense, Salgueiro e Unidos do Viradouro.
Também haverá shows do grupo Samba d’Passista e Grupo Show de Bola. Os ingressos custam a partir de R$ 150, dando direito à entrada, feijoada e uma camiseta, que podem ser adquiridos pelo site Ingresse.
Primeira Escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, a Mocidade Independente de Padre Miguel levará para a Sapucaí o enredo “Voltando para o futuro, não há limites para sonhar”, desenvolvido pelos carnavalescos Casal Lage. A Escola fará uma viagem intergaláctica, onde se reconecta com seu brilho mais intenso, o de uma estrela jovem, para questionar os próximos passos em um manifesto pelo futuro da humanidade.
Serviço:
Local: Campo Olímpico de Golfe – Barra da Tijuca
Data: 18/01/2025
Hora: A partir das 13h
Preço: R$ 150,00 (entrada + camiseta + feijoada)
Classificação: Livre
Link de venda: https://www.ingresse.com/feijoada-da-mocidade-campodegolfebarra/
A mais antiga escola de samba da Zona Oeste, iniciará seus ensaios para o Carnaval de 2025 nesta quarta-feira, às 21h, no tradicional Largo de Bangu. Segmentos e comunidade estão convidados a vivenciar o primeiro ensaio do ano da escola.
Para o Carnaval de 2025, a Unidos de Bangu levará para a Avenida o enredo “Maraka’anande: Resistência Ancestral”, que retrata a história da resistência da aldeia indígena Maracanã, situada no coração do Rio de Janeiro.
A escola busca homenagear e dar visibilidade à luta e à resistência dos povos indígenas. Com esse enredo, a Unidos de Bangu reafirma seu compromisso com a valorização das raízes culturais e históricas, trazendo à tona uma narrativa de resistência e ancestralidade que promete emocionar o público no desfile de 2025.
A Unidos de Padre Miguel recebeu uma visita especial em seu barracão, localizado na Cidade do Samba, no bairro da Gamboa, Zona Portuária do Rio de Janeiro. A atriz Jéssica Ellen, atualmente em destaque na novela das sete da TV Globo, foi recebida pelo carnavalesco Lucas Milato, que apresentou o projeto do enredo “EGBÉ IYÁ NASSÔ!”, tema que será defendido pela escola no desfile do Grupo Especial este ano.
Foto: S1 Fotografia/Divulgação Unidos de Padre Miguel
Reconhecida por suas atuações marcantes em produções como Amor de Mãe e Justiça, a protagonista da novela Volta por Cima também é adepta do candomblé e possui uma profunda conexão com o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, foco central do enredo da agremiação.
O Terreiro da Casa Branca, situado em Salvador, é o mais antigo templo afro-brasileiro em atividade, sendo um símbolo de resistência e preservação cultural. Durante a visita, a direção da escola aproveitou para convidar a atriz a participar do desfile, reforçando a importância de sua presença na celebração do enredo.
“Estou muito feliz com o convite da direção da escola para participar deste desfile. É uma honra poder levar para a Avenida um tema tão importante, que representa a força da nossa ancestralidade”, declarou a atriz, emocionada.
A Unidos de Padre Miguel será a primeira escola a desfilar no Grupo Especial no dia 02 de março , apresentando na Sapucaí um enredo que celebra a história afro-brasileira, o candomblé e o legado de Iyá Nassô, precursora da religião no Brasil.
O samba da Mangueira para 2025 não foi bem recebido pela chamada “bolha do carnaval” desde a época da disputa. Talvez uma parte disso se deva ao fato da repetição da parceira vitoriosa – reação normal a uma sequência de sambas dos mesmos autores. O enredo também não trouxe uma história completamente nova, apenas o enfoque nos povos Bantu. Isso pode ter contribuído. Mas se nos despirmos de preconceitos e analisarmos fria e tecnicamente o samba ele tem os requisitos necessários para alcançar boas notas. Além de ter algumas passagens musicais bem interessantes.
O enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”, do carnavalesco estreante no Rio de Janeiro Sidnei França, propõe “um olhar sobre a presença dos povos bantus no Rio de Janeiro”. Estes povos do mesmo agrupamento linguístico da África Central foram maioria dentre os escravizados na cidade. A região de origem dos bantus hoje corresponde a Angola, Congo, Gabão e Cabinda. A Mangueira promete retratar “a vivência dessa população em toda a cidade, a partir da sua chegada nessa região, revelando sua história à flor da terra”. Ou seja, exaltando as “as vidas negras que florescem no solo carioca”.
Os compositores Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Júlio Alves, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim já começam apontando para duas cidades angolanas, Luanda e Benguela, citando a travessia criminosa dos africanos para o Brasil, e assumindo o papel de quilombola. Outro ponto desta abertura do samba é a referência a rebeldia / resistência marcas dos pretos desde aquela época até os dias atuais.
“Sou Luanda e Benguela
A dor que se rebela, morte e vida no oceano
Resistência quilombola dos pretos novos de Angola
De Cabinda, suburbano…”
O samba continua contextualizando o personagem que conta o enredo, o povo preto da escola, sua “flor de terra”. Que se rebela desde que chegou ao cais do Valongo e transformou o centro do Rio na “Pequena Àfrica”. Este trecho fala das “Kalungas ancestrais”. Na sinopse há um glossário que descreve “Kalungas” como “ideia de grandeza e imensidão. Pode designar a morte, o mar (kalunga grande) e cemitérios (kalunga pequena)”.
“Tronco forte em ribanceira, flor da terra de Mangueira
Revel do Santo Cristo que condena
Mistério das Kalungas ancestrais
Que o tempo revelou no cais
E fez do Rio minha África pequena”.
Os versos seguintes passam a falar da musicalidade e da ginga que os povos bantus trouxeram ao Brasil. “Malungo” era como eles chamavam uns aos outros. Aqui surge mais um país africano, o Congo, de onde vieram mais bantus para o Rio. Este trecho tem uma pegada de refrão, mas não é. Na verdade é uma preparação para ele.
“Ê malungo, que bate tambor de Congo
Faz macumba, dança jongo, ginga na capoeira
Ê malungo, o samba estancou teu sangue
De verde e rosa renasce a nação de Zambi”
O primeiro refrão do samba faz referência à religiosidade com foco em palavras do candomblé de Angola, uma nação que se baseia em rituais das culturas africanas. A expressão “Pembelê” é uma saudação; Kaiango é uma divindade que representa a “Senhora do Fogo”. O “Camutuê” é a “cabeça” do filho de santo. Já “Inquice” são entidades correspondentes aos “Orixás”.
“Bate folha pra benzer Pembelê, Kaiango
Guia meu Camutuê, mãe preta me ensinou
Bate folha pra benzer, Pembelê, Kaiango
Sob a cruz do seu altar Inquice incorporou”
O samba sai do tom maior para o menor na segunda parte quando passa a retratar a história de dificuldades, preconceitos e sofrimentos dos pretos cariocas no dia-a-dia da cidade. Este trecho tem linda melodia, perfeitamente condizente com a representatividade dos versos.
“Forjado no arrepio
Da lei que me fez vadio
Liberto na senzala social
Malandro, arengueiro, marginal
Mas a virada começa com a cultura, que caminha ao lado da resistência. Os Zungus, citados no samba, são descritos na sinopse como “Complexos comerciais, festivos e de habitação em que interagiam, predominantemente, negros escravizados e libertos”. A violência diária, especialmente nas favelas, encerra este trecho do samba com foco nos sobreviventes.
“Na gira, no jogo de ronda e lundu
Onde a escola de vida é Zungu, fui risco iminente
O alvo que a bala insiste em achar
Lamento informar… um sobrevivente
O samba da Mangueira chega à parte em que celebra a musicalidade preta carioca e toda a cultura que floresce a partir dela conquistando o “asfalto”. Outro trecho musicalmente rico.
“Meu som por você maculado
Sempre censurado pela burguesia
Tomou a cidade de assalto
E hoje no asfalto a moda é ser cria
Quer imitar meu riscado, descolorir o cabelo
Bater cabeça no meu terreiro”.
Aqui os compositores repetiram o recurso do “pré-refrão” que eles mesmos usaram nos últimos anos. Funciona no desfile, mas já deixou de ser novidade. Ainda assim é forte, pois exalta Matamba, a equivalente a Iansã – padroeira de Mangueira.
“É de Arerê, força de Matamba
É dela o trono onde reina o samba”
E vem o refrão final, hora da explosão. A gente pode achar que mais uma vez é a Mangueira fazendo uma auto-exaltação. E é. Mas é também para onde o enredo conduz o samba. Então estamos mais uma vez a verde-e-rosa assumindo o papel de ser a voz do gueto. Eu tenho desde a primeira vez que ouvi, a impressão que o verso “dona das multidões” tem um encaixe melódico um pouco forçado, mas o que vem depois é brilhante: “Matriarca das paixões”, aqui sim uma tradução inovadora da simbologia mangueirense. E o samba fecha com dois versos que traduzem e simplificam o enredo. Na mosca!
“Sou a voz do gueto, dona das multidões
Matriarca das paixões, Mangueira
O povo banto que floresce nas vielas
Orgulho de ser favela”.
A história do carnaval já registrou muitos sambas que chegaram à avenida com enorme expectativa e não funcionaram no desfile. O contrário também já aconteceu várias vezes: sambas pouco comentados explodiram na hora “H” beneficiados por uma menor saturação do público. A Mangueira tem chance de fazer isso, surpreender a plateia da Sapucaí. Um samba que pode crescer conforme o visual for conquistando as pessoas e completando a música. E, convenhamos, para uma escola popular como a Estação Primeira isso não seria nada fora do comum.
A cada domingo, na Amaral Peixoto, no Centro de Niterói, o ensaio de rua da Viradouro é marcado pela excelência impressionante dos quesitos. É até difícil acreditar que não tem um erro ou problema para ser citado. Porém, a verdade é que não existe. A atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro elcançou um nivel de apresentação característico de potências histórias do carnaval, como a Beija-Flor dos anos 2000, a Mocidade e Imperatriz dos anos 1990. No último domingo, todos mereceram destaque, mas vale ressaltar ainda mais o trabalho do cantor Wander Pires, da ala musical, e a performance impecável do casal Julinho e Rute.
“Não tem nada pronto. Temos sempre que trabalhar, e o nosso desafio anual é não deixar esmorecer, não deixar cair a peteca, manter o pé no chão, trabalhar 50 vezes mais. Quando a gente começa o projeto, iniciamos pensando em melhorar o que já foi feito no ano anterior, a escola entra com mais tesão que o ano passado onde a gente foi campeão daquele jeito, o que tá acontecendo aqui é isso. Samba e bateria em sincronia, o samba bom pra caramba, enredo bom pra caramba, escola com um tesão absurdo, é uma máquina. E falo isso com muita tranquilidade e muita humildade, não é garantia de absolutamente nada. Mas os ensaios daqui realmente tem sido num nível alto e de forma constante, a gente entende que esse é o caminho e a gente tem muito menos chance de errar no dia. Não é garantia, mas é treinando que a gente consegue jogar. Claro, a comunidade daqui, ela é diferente, ela tira onda mesmo. Eu acho que a gente está numa sintonia muito grande, um trabalho amadurecido, uma comunidade absurdamente vibrante, apaixonada, e hoje a escola vive essa sintonia e consegue fazer grandes ensaios e, consequentemente, tem feito grande sucesso”, afirmou Marcelinho Calil, diretor executivo da Viradouro.
Comissão de Frente
Os coreógrafos Rodrigo Negri e Priscilla Mota deram um gostinho do que virá na Avenida em 2025. Primeiro, o grupo dançou com muita intensidade, fizeram um ritual na Amaral Peixoto. Segundo, além da dança, eles cantaram o samba-enredo o tempo inteiro. Berraram, para ser mais exato. O pivô, representando Malunguinho, encarnou a alma do homenageado no enredo. Em um dos momentos de ápice da exibição todos “batiam folhas”, simbolizando a mata e a força da jurema sagrada, e arrancavam gritos e aplausos do público. Clima de expectativa, mais uma vez, para ver a coreografia oficial no dia do desfile.
Mestre-Sala e Porta-bandeira
Como vinho, Julinho e Rute melhoraram a cada ano que passa. Todos de branco, no ensaio do último domingo, eles foram irretocáveis na dança. Primor! Os movimentos do mestre-sala são fortes e muito técnicos. A porta-bandeira alia vigor e simbolismo. Os giros dela são impressionantes. A coregrafia é feita no momento adequado e totalmente dentro do samba-enredo. Ah… bandeira sempre esticada.
Harmonia e Samba
Dois quesitos que são muito trabalhados pela Viradouro. O canto dos componentes, a atuação da ala musical e a perfeita conjunção entre letra, melodia e o que está sendo apresentado. O intérprete Wander Pires está muito bem encaixado no samba-enredo. Sua ala musical, coordenada pelo craque Hugo Bruno, domina toda obra. A sintonia com a bateria faz fluir o canto do componente na pista. A intensidade do canto é forte durante todo o treino, principalmente, pela dedicação de cada diretor de harmonia, que comanda e incentiva os componentes. O verso “O rei da mata que mata quem mata o Brasil” é cantado com uma vontade tão grande que quem está na Austrália, do outro lado do mundo, pode ouvir.
Evolução
Trabalho magistral da direção de carnaval. Foi percebido com nitidez a escola cantando e dançando o tempo todo. Quem não sambava, pulava, se mexia. Durante todo o treino, na Amaral Peixoto, vinha um diretor e pedia ainda mais “gingado” de todos. No verso “Ê juremeiro, curandeiro oh” os integrantes da escola parecem em alfa, tanto que se entregam naquele momento.
Outros Destaques
O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, recém-eleito, apareceu, foi homenageado e exaltou o orgulho que a escola representa para o município. Mais uma vez, ele que sempre apoiará a escola, seja para o desfile, seja para a realização dos ensaios na Amaral Peixoto.
A rainha Erika Januza, muito identificada com a escola, tem grande participação na performance da bateria, quando é simulada a apresentação na frente da cabine de jurados. Ela dança com um integrante, fazendo uma coreografia especial.
Mestre Ciça, que vive seu melhor momento profissional, junto com a “Furacão Vermelho e Branco”, teve atuação de gala. A bateria da Viradouro mudou e toca para o estilo que o samba-enredo pede. União perfeita com o carro de som.
“Tem uma nova bossa para entrar no samba, não apresentamos hoje porque ainda precisamos acertar. O samba encaixa com a bateria, a bateria encaixa com o samba, todo o samba é bom. Quando o samba é bom ele conserta tudo, bateria, andamento. A Viradouro tem um grande samba e facilita o trabalho da gente, andamento, me preocupo mais com o andamento mesmo. Mas hoje foi um ensaio perfeito, se vai ganhar eu não sei, mas ela está preparada pra disputar o titulo. A gente trabalha muito, vamos ensaiar amanhã, até o Carnaval é nesse ritmo””, revelou mestre Ciça.
Sempre importante citar a dedicação das musas da Viradouro, que interagem com o público, sambam demais e cantam o samba-enredo o tempo todo. Muito capricho e responsabilidade com a agremiação.