O CARNAVALESCO conversou com os coreógrafos da Grande Rio, Hélio e Beth Bejani, que, desde 2019, ano em que ingressaram na escola, conquistaram dois Troféus Estrela do Carnaval, de Melhor Comissão de Frente, pelos desfiles do Exu e Onça.
“A gente vai fazer uma inovação com o tripé esse ano. Uma coisa que nunca foi feita. Estamos sendo até bastante audaciosos. Tem um risco grande, mas a gente está ensaiando bastante para que tudo dê certo e aconteça perfeitamente como a gente pensou e tem ensaiado”, revelou Beth.
“É através do tripé que a gente consegue criar magias, sonhos”, explicou Hélio.
Em 2025, a Grande Rio leva à avenida o enredo “Pororocas Parawaras: as Águas dos meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, sobre a lenda de três princesas turcas que naufragaram no encontro de um rio paraense com o mar e viraram entidades hoje cultuadas na região.
Fotos: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO
“O tema Pará é muito abrangente, mas os carnavalescos (Gabriel Haddad e Leonardo Bora) conseguiram seguir por uma linha, trazer um enredo bem específico, bem determinado, contando uma lenda que existe lá. Uma coisa que eles (povos da região) acreditam, que envolve tambor de mina e carimbó, falando das três princesas turcas que naufragaram na pororoca e foram ajuremadas pela jurema. O enredo tem um conteúdo específico, o que é bem legal”, disse Hélio.
“É um enredo muito rico, cheio de encantaria, cheio de magia. É uma honra a gente poder representar o Pará aqui no Rio, no carnaval, essa cultura tão incrível. Vocês podem esperar um momento mágico”, garantiu Beth.
O desfile de 2025 promete consolidar o sucesso da tricolor de Caxias. Desde 2020, com a chegada dos jovens carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora à Grande Rio, a escola sempre voltou para o desfile das campeãs, além de ter ganhado o seu primeiro campeonato do Grupo Especial, em 2022, com o enredo “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”.
“O Léo e o Gabi são muito queridos. A gente entrou na escola um ano antes deles. Foi um casamento perfeito. Eles são muito queridos, a gente se deu super bem. A gente tem muita troca para desenvolver a comissão de frente, dentro do enredo, dentro da proposta que eles pensam para o Carnaval como um todo. Consideramos que somos micro dentro do macro que eles desenvolvem. Eles são geniais”, elogiou Beth.
“A gente interage de uma forma muito tranquila porque antes do trabalho, antes do profissionalismo, vem a nossa amizade. A gente tem uma empatia muito grande já desde o primeiro carnaval com o Gabriel e o Leo. Fica muito fácil trabalhar assim”, detalhou Hélio.
No ano passado, a comissão de frente da Grande Rio foi uma das mais elogiadas. Parte do enredo “Nosso destino é ser onça”, a apresentação explorou o mito tupinambá da criação do mundo e brincou com a iluminação cênica da Sapucaí, consagrando-se como uma das imagens mais marcantes do Carnaval 2024.
“A gente sempre veio trabalhando a iluminação aqui na Avenida. Desde o Tata Londirá, onde nem tinha iluminação da Avenida, a gente já conseguia trabalhar uma iluminação no nosso próprio espelho d’água, no nosso próprio carro. Agora a gente soma a nossa luz à iluminação da Avenida, que é o melhor dos mundos. A gente vai fazer algo muito diferente do que a gente apresentou o ano passado. É uma proposta totalmente diferente em termos de iluminação, mas é uma proposta que a gente tenta aproveitar também da melhor maneira todo o equipamento da Avenida”, adiantou Beth Bejani.
“A gente trabalha a iluminação de acordo com o que a gente vai apresentar na avenida. Tem os efeitos necessários que vão contar a história. A gente não ilumina por iluminar, a gente não faz efeito por fazer. Tudo que a gente faz procede. Tem que estar alinhado com o enredo. A gente está trabalhando a iluminação da mesma forma que a gente trabalhou no passado, para atender a acima de tudo a apresentação, contar a história do enredo e trazer um clima diferenciado. Que o grande barato da iluminação da Avenida, na minha opinião, é isso: criar um ambiente especial para a comissão se apresentar”, explicou Hélio.
Uma trajetória tão premiada, no entanto, atrai altas expectativas da comunidade e do público. Para Beth, a pressão de se superar a cada ano existe, mas não é novidade.
“Desde o Tata Londirá, onde quando a gente inovou trazendo um espelho d’água onde os bailarinos dançavam e a Grande Rio foi vice-campeã, que a gente teve que se superar ano a ano. Logo depois, veio Exu e foi outro desafio ser pelo menos tão grandioso quanto. Aí vem a Onça e agora vem Pororocas Parawaras. Eu espero que a gente consiga manter o nível ou até mesmo nos superarmos com essa nova proposta”, relembrou Beth.
Segundo a coreógrafa, o trabalho de 2025 da dupla tem como principal referência uma apresentação que assistiram durante as pesquisas do enredo. O nome do espetáculo, no entanto, permanece um segredo.
“A comissão de frente a gente vem com uma diferença de formato, até porque o enredo pede isso. A gente apresenta bem especificamente a narrativa do enredo. Ele está todo ali”, afirmou Hélio.
“É uma performance muito dançada. Ela tem uma parte muito forte de chão, de avenida, de carnaval, de tudo que é sempre muito pedido. Tem uma surpresa, claro, mas ela não é movida por um momento especial. Ela é toda uma encantaria”, encerrou Beth.
Às 23h de uma quinta-feira, na encruzilhada das ruas Maxwell e Uruguai, um grande personagem do carnaval carioca atravessou a linha de chegada de mais um ensaio. Seu nome é Carlos Borges – o Carlinhos Salgueiro, assim como o Brasil e o mundo conhecem o coreógrafo e diretor artístico da vermelho e branco do Andaraí. Ao fim do ensaio de rua, ele seguiu a pé até a quadra da escola, localizada na rua Silva Teles, sendo calorosamente saudado pelos integrantes da agremiação. Cada passo dessa caminhada era um reflexo de sua trajetória: dos becos do Morro do Andaraí aos palcos do mundo. Carlinhos trocou abraços, pousou para fotos e relembrou momentos de sua trajetória de 25 anos no Salgueiro.
Conhecido pela irreverência e seriedade de seu trabalho, Carlinhos Salgueiro abriu as portas para que os passistas das gerações mais novas tivessem mais liberdade em seu samba no pé. No percurso que fizemos juntos até a quadra do Salgueiro, Carlinhos falou ao CARNAVALESCO sobre os desafios de ser um artista preto, gay e favelado na sua trajetória, o reconhecimento profissional internacional e os sonhos que ainda deseja realizar no carnaval.
Abertura de portas para a diversidade
“O Salgueiro deu a oportunidade para um cara gay, preto e favelado romper barreiras. Se hoje temos passistas da diversidade, passistas não-binários, é porque eu abri a porta para essa galera. As pessoas só viam cabrochas e malandros. Eu rompi a barreira do preconceito”, declarou o artista, relembrando o conselho que recebeu no início da carreira de sua madrinha Aldione Sena: “Seja você!”.
Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO
Se as encruzilhadas da vida reservam encontros imprevisíveis e cheios de sorte, em nossa caminhada tivemos o privilégio de cruzar com outros dois personagens fundamentais na trajetória de Carlinhos Salgueiro. O primeiro deles é Clair Basílio, diretor de bateria da vermelho e branco, que foi quem trouxe o jovem coreógrafo do Morro do Andaraí para a escola de samba. Na época, Clair estava disputando samba na Alegria da Passarela, a primeira escola mirim do Salgueiro, e convidou Carlinhos e seu grupo de dança para fazer parte da torcida. “Como o irmão dele era meu amigo, chamei o Carlinhos para participar. Só que a mãe dele não deixava, então fui até a casa deles pedir permissão”, contou o diretor de bateria, mais conhecido como Mané Perigoso.
Carlinhos reconhece que foi Clair quem conseguiu amolecer o coração de sua mãe para permitir que ele dançasse na escola mirim. “Eu era louco pra dançar na escola de samba, e minha mãe já sabia que eu era uma menina; ela não deixava. Ele foi lá em casa, porque minha mãe era muito rígida. Fui com meu grupo de dança para torcer. O samba dele perdeu na segunda levada, e quem ganhou foi o Dudu Nobre, que me zoa até hoje”, relembra Carlinhos, que estreou aos 11 anos na escola mirim. Esse foi o primeiro passo de uma longa caminhada que o levaria a se tornar um ícone do carnaval.
Outro personagem que abriu caminhos para o artista foi Sidclei dos Santos. Na entrada da quadra, o mestre-sala e o diretor artístico do Salgueiro se encontraram e relembraram momentos do início da amizade. Carlinhos contou que, no início da carreira, desmontava os figurinos de Sidclei e aproveitava as pedrarias das roupas do amigo para fazer os seus trajes. “Eu cheguei aqui, e o Sidclei me apadrinhou. No início, eu não fazia parte do grupo da diretoria, e ele me contava quando tinha alguma apresentação e mandava eu levar uma roupa”, contou Carlinhos, que chegou a dançar no programa de televisão Xuxa Park por exigência do mestre-sala: “Não estava nada escrito lá, e ele falou: ‘Se ele não dançar, eu não danço’. Só ia dançar ele e as meninas. Foi graças ao Sidclei que me tornei o primeiro passista da escola”, revelou Carlinhos, que concretizou com Sidclei uma grande parceria e amizade. “A gente se trata como irmãos”, afirmou.
Salgueiro, uma escola de oportunidades
Enquanto seguíamos em direção à quadra, Carlinhos refletiu sobre sua trajetória artística e profissional no mundo do samba, destacando o papel transformador que a escola de samba teve em sua vida. Para ele, o Salgueiro é uma “escola de oportunidades”. Foi por meio da agremiação que o artista se profissionalizou, conquistou reconhecimento internacional e viajou para 34 países, levando o seu samba no pé para o mundo. Sua dedicação e talento o levaram a ser condecorado como rei na Austrália e na Inglaterra, além de ser nomeado embaixador do carnaval na Alemanha. “Eu nunca imaginei que um cara da comunidade fosse ter a oportunidade de ir para fora com a bandeira do samba”, declarou orgulhoso de cada passo dado em sua trajetória rumo à expansão do legado do samba.
Quem atesta o prestígio internacional do trabalho do coreógrafo é o bailarino Thálisson Montanari. Recém-chegado da Inglaterra, especialmente para a pré-temporada do Salgueiro, ele conta que Carlinhos é referência lá fora. “O nome da ala de passistas do Salgueiro é referência em Londres”, confirma o gaúcho, que começou a sambar no projeto do artista. “O Carlinhos provoca que a gente saia da nossa zona de conforto. Não é somente o passista sambar, não é isso. É interpretação, é show. Ele trata a gente como artistas”, afirma Thálisson.
Ala Maculelê e o desfile de corpo fechado
A ala Maculelê é uma parte fundamental da caminhada de Carlinhos Salgueiro. Além de desfilar no Salgueiro, a ala também é uma companhia que realiza apresentações fora do carnaval. Alguns de seus integrantes, inclusive, atuam em comissões de frente de outras escolas. Demerson D’Alvaro, o Exu da comissão de frente da Grande Rio em 2020, já integrou a ala. Essa troca de experiências e talentos reforça a importância da ala Maculelê como um celeiro de artistas que transcendem as fronteiras das agremiações.
Para o desfile de 2025, Carlinhos adianta que a ala Maculelê será um dos grandes destaques do Salgueiro, com um elemento cênico que promete emocionar o público. “Vamos mostrar a diversidade que o Morro do Salgueiro tem. Eu estou muito feliz “, declara o coreógrafo, que ressalta o trabalho intenso de ensaios, já em andamento há três meses. “Tem um elemento cênico muito grande. É realmente um espetáculo”, completa, deixando claro que o público pode esperar uma apresentação grandiosa e “babadeira”.
Samba em transformação
Completando 25 anos no Salgueiro, Carlinhos também avalia a caminhada do samba. Adaptando-se às novas tendências culturais e tecnológicas, o tradicional samba no pé tem passado por transformações significativas ao longo dos últimos anos. Recentemente, a apropriação do samba para as “dancinhas” do TikTok tem gerado debates entre os amantes do gênero. O coreógrafo expressou sua visão sobre o fenômeno: “A minha linha não é essa. Por mais que eu goste de coreografia, eu sou oriundo do samba antigo, do samba de quadril, do samba de malandragem. Eu fico feliz que os meus não foram nessa linha, mas eu não vou criticar quem se sente bem em fazer isso”.
Carlinhos Salgueiro destaca que a vivacidade do samba implica em transformações: “O samba tem uma vivência, passa por transformações. Hoje as pessoas criticam, de repente pode ser a nova tendência. Não é a minha”. Ele também lembrou das críticas que enfrentou no começo de sua própria trajetória, afirmando: “Como eu fui muito criticado, não posso agora criticar porque eu sei o que eu passei”.
Sonho de Carlinhos: um intercâmbio cultural de samba no pé
Ao final da caminhada, chegamos ao palco da quadra do Salgueiro, onde Carlinhos posou para fotos com sua habitual alegria e irreverência. De lá de cima, ele olha para frente e compartilha um desejo que ainda gostaria de realizar em sua trajetória como artista do carnaval: um projeto de intercâmbio com as alas de passistas das escolas do Grupo de Acesso. “Eu viajo o mundo, sou remunerado por isso, mas queria ir para Belford Roxo, Campo Grande, Caxias… Gostaria de transmitir meu conhecimento para as escolas do acesso”, revelou o coreógrafo, que mencionou a falta de recursos financeiros como um obstáculo para concretizar o projeto. “É muito bonito eu fazer isso lá fora. Mas algo me motiva a fazer isso aqui também. O que falta é ter essa oportunidade”, afirmou. Ele ainda contou que o presidente da Liesa, Gabriel David, prometeu uma conversa para entender melhor a proposta. Esse é mais um passo que ele deseja dar em sua jornada.
Carlinhos do Carnaval
“Eu não sou mais Carlinhos do Salgueiro, eu sou Carlinhos do Carnaval”, declarou ele. “O Salgueiro entende isso e fica com receio. Eu não me vejo só como Carlinhos do Salgueiro. Eu vejo que muita gente aprendeu comigo, mesmo que indiretamente, mesmo sem reconhecer, alguém pegou alguma coisa”, afirma.
Ao final da nossa caminhada, Carlinhos deixa claro que sua trajetória não se limita ao Salgueiro, mas se estende a todo o carnaval, como um legado de resistência, diversidade e amor ao samba. Cada passo que ele dá é uma inspiração para quem vem depois, mostrando que o samba no pé é uma jornada sem fim.
Chegou o que Faltava, Mocidade Unida da Glória e Independentes de Boavista fizeram desfiles de alto nível e devem decidir ponto a ponto quem ganha o título. Sete agremiações desfilaram no Sambão do Povo numa noite que teve momentos de chuva forte. Confira como foi cada apresentação.
Unidos de Jucutuquara
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A Unidos de Jucutuquara falava das emoções, mas foi o nervosismo que marcou seu desfile. Ele já começou cinco minutos depois de o relógio ser disparado. Ao longo da pista algumas alas estavam com fantasias incompletas e o acabamento das alegorias, especialmente da última, deixou a desejar. Um problema que também afetou o tripé da Comissão de Frente, que pareceu deslocado do resto da coreografia.
O primeiro casal, formado por Marina Zancheta e Marcos Paulo, foi um dos destaques positivos do desfile, embora tenha perdido parte da indumentária na primeira cabine. O intérprete Edu Chagas, ainda assim, conseguiu se comunicar bem com o público e a arquibancada respondeu.
A bateria teve problemas para se apresentar em todos os módulos devido à condução confusa da evolução, que também fez os componentes acelerarem exageradamente o passo após a saída do primeiro casal.
Chegou o que faltava
Impecável. A escola de Goiabeiras jogou o sarrafo lá no alto com o enredo “Da lama sai muito barulho”, do carnavalesco Vanderson Cesar. Trabalho estético do mais alto nível desde a paleta de cores, passando pelo acabamento perfeito e luxuoso de todos os elementos visuais e, claro, incluindo a criatividade e a pertinência de cada fantasia e alegoria.
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Mesmo sob forte chuva a “Chegou” fez um desfile de evolução fluente e não teve intercorrências ao longo da pista. Tudo sob a voz firme de Igor Vianna cantando o belo samba de Júnior Fionda. Chegou chegando.
Unidos da Piedade
A Piedade soltou a criança que existe dentro de casa um de nós num desfile feliz, sorridente e sonhador para o enredo Ibeji. Escola raiz que é, pisou o Sambão do Povo com um “chão” invejável, que cantou e dançou com muita vontade embalado por um samba que facilitou o desempenho dos componentes.
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O enredo foi bem desenvolvido, mas o visual estava apenas correto, sem grande brilho. A bateria fez o povo pular enlouquecidamente no “Setor E” das arquibancadas ao final da sua apresentação, marcada pelo caminhar lento do último carro.
Mocidade Unida da Glória
Em busca do tricampeonato e da décima estrela, a MUG pisou forte na avenida para apresentar o enredo “Jorge do povo brasileiro – o cavaleiro da capa encarnada”, do carnavalesco Petterson Alves. O recorte era a relação do povo brasileiro com o santo da Igreja Católica e seu correspondente no Candomblé, Ogum.
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A escola fez um desfile mais uma vez muito competente, sem intercorrências e com todos os quesitos corretamente defendidos, deixando a avenida com a certeza de que vai brigar pelo título.
A bateria comandada pelos mestres João Henrique e Lucas mostrou o melhor ritmo da noite até então (com a melhor execução dos instrumentos e entrosamento entre eles) e fez bossas dentro da melodia do samba. E o vozeirão de Ricardinho da MUG ecoou pelo Sambão do Povo garantindo uma condução segura e vibrante do bom hino da escola.
O visual cumpriu o esperado sobre o enredo e trouxe fantasias com riqueza de detalhes, sempre despertando os olhares curiosos do público. Fogos de artifício simularam a alvorada de São Jorge e o papel picado da última alegoria ajudou a criar um clima de empolgação ao final da apresentação.
Novo Império
A bateria foi o destaque da Novo Império. Chamado de “Orquestra capixaba de percussão” , o time de Mestre Vinícius Seabra fez uma bossa com alto grau de dificuldade marcada pela conversa entre caixas e surdos que parava para que entrasse um ritmo de pagode quando o samba falava na mesa de bar.
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O carro de som comandado por Danilo Cezar também chamou atenção pelo jogo de pergunta x resposta entre o cantor e seus acompanhantes no refrão de meio do samba. Danilo brincou de cantar samba-enredo.
O Novo Império fez um desfile marcado pela simplicidade nas fantasias e alegorias que, apesar disso, traduziram com boa leitura o enredo “As voltas que a vida dá”, do carnavalesco Osvaldo Garcia. A fantasia da ala das baixanas, representado a noite, foi uma das mais criativas.
A escola não deve brigar pelo título, mas brincou seu carnaval com leveza e alegria, sem atropelos.
Boavista
Ao amanhecer do domingo a Independente de Boavista brindou o público que continuava no Sambão do Povo com mais um belo desfile que briga pelo topo da classificação.
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Com o enredo “Os Olhos do Mundo – Assombros de Sebastião Salgado”, do carnavalesco Cahe Rodrigues, a escola deu uma aula de carnaval em todos os quesitos. Do enredo, claramente desenvolvido; Alegorias e Fantasias de facílima leitura e excelente qualidade; bateria “reloginho”; Comissão bem coreografada e usando o elemento cenográfico como apoio da apresentação; casal entrosado, ensaiado e lindamente vestido; samba totalmente em sintonia com o enredo; evolução tranquila e correta.
Não foi empolgante devido ao avanço da hora, mas vai ser difícil tirar ponto dela. Briga.
Imperatriz do Forte
A campeã do Acesso de 2024 terá dificuldades para permanecer no Especial. A Imperatriz do Forte desfilou com apenas 16, das 30 baianaa exigidas pelo regulamento e perderá um décimo por cada uma que faltou.
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O desfile também teve problemas visuais, especialmente nas alegorias, fruto provável de problemas financeiros. Mas a Imperatriz também teve seus méritos. O casal de Mestre-sala e Porta-bandeira formado por Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete fez uma das melhores apresentações do quesito na noite. O cantor Dodô Ananias conduziu o belo samba da escola com talento e comunicação. A criatividade do carnavalesco Rodrigo Meiners para o enredo “Só quem sabe onde é Luanda saberá lhe dar valor” apareceu em algumas fantasias com assinatura própria e paleta de cores bem diferente.
Por Gustavo Lima, Naomi Prado, Lucas Sampaio, Fábio Martins, Nabor Salvagnini e Will Ferreira
Com o enredo “Exu Mulher” – assinado pelo carnavalesco Rodrigo Meiners. a Pérola Negra, que foi a quinta escola a desfilar, venceu o Grupo de Acesso 2, no Carnaval 2025 de São Paulo e conquistou o direito de estar no Grupo de Acesso 1 em 2026. A Camisa 12 ficou com o vice-campeonato e também sobe. Brinco da Marquesa e Raizes do Samba vão para Especial de Bairros.
“Tem momentos que temos que dar um passo para trás, como vivemos no ano passado (escola foi rebaixada) para dar outro para frente. Foi um ano muito difícil, a gente não pode negar, mas nós trabalhamos muito, a gente tinha certeza que o título ia acontecer. Eu disse para comunidade acreditar”, comemorou a presidente Sheila Monaco.
Como foi o desfile da Pérola Negra
A Pérola Negra teve o objetivo de impactar mesmo estando no Acesso 2. Geralmente as escolas apostam em carros reduzidos pelo tempo menor que o grupo tem, mas a Vila Madalena fez o seu abre-alas com uma grandiosidade que pegou todos de surpresa. A promessa da agremiação era de surpreender, mas não a ponto de fugir completamente do ‘roteiro’ do Acesso 2 e levar um abre-alas padrão Grupo Especial. Além disso, muitas informações e esculturas realistas foram usadas nas duas alegorias. O quesito, além da comissão de frente de fácil leitura e o carro de som foram os destaques do desfile.
A Camisa 12 apresentou um desfile coerente, tendo como destaque a bateria de mestre Lipi. Alguns componentes não sabiam a letra do samba, mas, apesar disso, o canto foi regular. Com o enredo “Edun Ará Asé Idajó – Força que faz a Justiça”, assinado pelo carnavalesco Delmo de Morais, o Camisa 12 foi a décima escola a desfilar pelo Grupo de Acesso 2, terminando seu desfile com 48 minutos.
Fechando com chave de ouro os desfiles das escolas de samba de Santos de 2025, a segunda noite de desfiles, realizada no último sábado teve muita tradição na Passarela do Samba Dráusio da Cruz, entre os bairros Castelo e Areia Branca. No Grupo Especial, as atuais campeã e vice chegaram com bastante força no Sambódromo e saíram da apresentação repartindo o favoritismo com a X-9, que deixou ótima impressão na primeira leva de agremiações.
Acompanhando pela primeira in loco vez o carnaval da Baixada Santista, o CARNAVALESCO conta como foram as oito agremiações que desfilaram no sábado no Dráusio da Cruz – as quatro primeiras do Grupo de Acesso e as derradeiras pertencentes ao Especial:
Brasil
Conhecida como “Campeoníssima” (não por acaso, a agremiação é 17 vezes campeã da folia e é a única octacampeã de fato), a agremiação do bairro Aparecida voltou ao Grupo de Acesso depois de dois anos na elite do carnaval santista. Em 2025, o enredo escolhido pela verde, amarelo azul e branca foi “Lendas, mistérios e crenças de um povo Brasil”, iniciado pelo falecido carnavalesco Rafael Villares e encerrado por Rafael Villares. Dentre os destaques, estão o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da instituição: Cley Ferreira e Geovanna Duarte estavam muito bem vestidos e dançando e sambando em tons de verde e azul – tudo dentro do enredo “Lendas, Mistérios e Crenças de Um Povo Brasil”, falando sobre as histórias populares do país. Destaque, também, para as belas esculturas dos carros alegóricos.
Dragões do Castelo
Com um enredo bastante forte intitulado “Aláfia-Onan, N’um Clamor de Paz, Respeito e Liberdade”, que falou sobre a 16ª pedra do jogo de Ifá (e que, também, rege a escola), a agremiação teve excelentes ideias para a apresentação. Na comissão de frente, por exemplo, um babalaô tinha destaque – e é claro que ele interagia com um tabuleiro de ifá. A Sinfônica do Dragão, comandada por Mestre Mimiu, tinha um naipe de atabaques e conduziu muito bem o belo samba – que, por sinal, também foi muito bem interpretado por Robinho e Daniel Collete.
Mocidade Independente Padre Paulo
Comemorando o Jubileu de Ouro, é claro que a heptacampeã de direito do Grupo Especial iria falar da própria história (com toda a justiça do mundo, diga-se) em 2025. No enredo “Glória do Cinquentenário, Sou Mocidade, Para Sempre Tradição”, a instituição do Estuário relembrou o pároco Paulo Horneaux de Moura e teve ótima exibição de Pedro Trindade e Mirelly Nunes, primeiro casal da agremiação, majoritariamente em azul. Importante também destacar que a águia, símbolo da agremiação, do último carro soltava tiras de papel, animando os torcedores na arquibancada.
Império da Vila
Reeditando o enredo “É melado e é gostoso, o néctar da vida!”, apresentado originalmente em 2011 (ano em que a agremiação, por sinal, passou a ter o atual nome em lugar de ‘Vila Nova’, nome do bairro em que está situada), a instituição teve uma comissão de frente impactante, com componentes com bambolê que, quando acionados, viaravm a saia ao contrário – e, por consequência, mudavam as cores. Por conta da temática, o carro abre-alas tinha uma imensa colmeia – e lá dentro, várias crianças vestidas de abelha se destacavam. Por fim, boas atuações, também, da Pegada do Tigre (comandada por Mestre Charuto) e do intérprete Makumbinha.
Mocidade Independência
Iniciando os trabalhos do Grupo Especial da Baixada Santista, a primeira escola mostrou, por sinal, a pluralidade da folia local: a agremiação em questão representa o Jardim Casqueiro, bairro do município de Cubatão. As cores da agremiação, provavelmente, foram uma das inspiração para o enredo: o vermelho, que está junto do branco no pavilhão, é a cor da pimenta – que, como é possível imaginar, foi a ponte óbvia para a temática “Malagueta”. Mostrando estar inteiramente dentro da temática, a comissão de frente veio completamente fantasiada de pimenta, com os chapéus característicos e leques – ganhando aplausos do público.
O grande destaque da apresentação, porém, veio na Explosão, bateria comandadada pelos mestres Dão e Matheus Oliveira. Com dois apagões no último verso do refrão de cabeça, os ritmistas sustentaram muito bem ao longo de todo o desfile o samba-enredo que, embora simples de ser cantado, conta com muita sobriedade o enredo. Vale jogar holofotes, também, na rainha Juliana Leones, inteiramente de vermelho.
Unidos dos Morros
Atual tricampeã de fato do carnaval santista, a agremiação pisou no Dráusio da Cruz buscando um feito que não é alcançado desde 1988: o tetracampeonato consecutivo. E, para alcançar tal marca, a agremiação da Nova Cintra apostou em um enredo bastante lúdico e que fisga a grande maioria das pessoas pela nostalgia. Intitulado “Quem Te Viu Quer ‘TV’ Cultura – Educação e Samba no Pé”, a agremiação contou com grandes nomes no desfile. Invariavelmente, boa parte deles se destacou.
A ala musical, que veio homenageando o programa “Viola, Minha Viola”, comandado por décadas pela inesquecivel Inezita Barroso, teve Ito Melodia no microfone principal e passou com destaque ao longo de toda a avenida – sobretudo na introdução, idêntica ao início da trilha de ‘Castelo Rá-Tim-Bum’. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renatinho e Fabíola Trindade, também encantaram o Dráusio da Cruz com a eficiência e a simpatia em cada movimento. A ‘Chapa Quente, de mestre Daniel Correia”, executou três apagões no refrão de cabeça e empolgou a arquibancada – ao ponto das frisas cantarem ‘É Campeã!’ no final da apresentação.
União Imperial
Mais uma agremiação com um tema audiovisual, a verde e rosa no Marapé contou alguns dos grandes sucessos do cinema no enredo “A Verde e Rosa Conta a Magia dos Campeões de Bilheteria”, pela primeira vez desenvolvido de maneira solo por Wallacy Vinicyos após seis anos com Renan Ribeiro como carnavalesco – sendo que nas duas últimas temporadas Wallacy atuava conjuntamente em tal cargo. O resultado não poderia ser melhor: com alegorias bastante altas e com esculturas muito bem acabadas, a agremiaação chamou atenção pela beleza dos carros alegóricos.
Nao foi o único ponto alto da escola, entretanto. Edgar Carobina e Graci Araújo, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da instituição, teve ótimo desempenho em toda a passarela, com giros eficientes, muitos sorrisos e excelente comunicação com o público. Quem também se destacou foi a comissão de frente, inteira prateada e com estrelas que eram giradas em determinados momentos, para exaltar os grandes nomes do cinema. Logo atrás de tal segmento, uma imensa tela com cenas do barracão da instituição.
Sangue Jovem
Homenageando a vizinha cidade de Santos, a instituição da Vila Belmiro pisou na Dráusio da Cruz para encerrar o carnaval santista e para tentar buscar a taça que não desembarca na agremiação desde 2006. Com a temática “Gohayó à Célula Mater – A Raiz de Uma Nação”, a comissão de frente da escola veio com os originários que estavam presentes no momento em que Martim Afonso de Sousa chegou à região. Também na cabeça da agremiação, o abre-alas com uma caravela portuguesa chamou atenção pela altura – e, ao longo do desfile, percebeu-se que a verticalização das alegorias foi desejada e alançada pela agremiação.
O que também foi sentido foi a fantástica (ou melhor, Santástica) atuação da Ritmo Santástico, bateria comandada por mestre Ronaldo Balio. Sustentando muito bem o samba, a corte também estava cheia. À frente dos ritmistas, estavam a rainha Stéfany Romualdo, a princesa Lary Miranda e a madrinha Sue Neves.
Por Lucas Santos (Colaboraram Allan Duffes, Luan Costa, Freddy Ferreira, Guibsom Romão, Matheus Morais, Marcos Marinho, Marielli Patrocínio, Rhyan de Meira, Carolina Freitas e Raphael Lacerda)
A Portela voltou a pisar na Sapucaí em dessa vez trouxe para si todos os holofotes ao levar para o templo sagrado da cultura brasileira, uma figura icônica da musica nacional. Merecidamente aclamado quando anunciado, Milton Nascimento, que será reverenciado no desfile, deu um show de respeito ao carnaval carioca participando de um de seus eventos mais populares: o ensaio técnico. E, com lugar de destaque, fazendo parte da comissão de frente comandada por Leo Senna e Kelly Siqueira. Um momento de grande emoção. Em retribuição ao carinho, a comunidade portelense cantou com muito afinco, assim como já tem feito em seus ensaios de rua em Madureira, mas ainda mais emocionada, em uma noite que também contou com mais uma grande desempenho de Gilsinho e do carro de som, ajudando a moldar o samba da Portela para ser competitivo no dia oficial. A escola também apresentou uma evolução fluída e muito brincante. Noite muito positiva para o portelense.
Em 2025, a Portela encerra os desfiles do Grupo Especial, já na madrugada da quarta-feira de cinzas com o enredo “Cantar será Buscar o Caminho Que Dar No Sol – Uma Homenagem a Milton Nascimento”, desencontro pelos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga.
Comissão de frente
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
A grande surpresa da noite, o homenageado esteve presente e fez parte da comissão coreografada por Léo Senna e Kelly Siqueira. Milton Nascimento, veio vestido com um bonito terno Azul, sentadinho em uma espécie de trono ladeado pelo sol na parte de trás do acento e com alguns girassols. Na apresentação, dançarinos com chapéus de palha e uma bonita vestimenta, com maquiagem dourada inclusive, ladeavam o artista como prestando uma referência. Na parte final, mais surpresas, algumas faixas saíam do pequeno tripé com canções dele Milton, depois essas faixas viravam e formavam um enorme sol em conjunto com o tripé redondo e a bandeira da Portela era erguida acima do artista.
Mestre-sala e Porta-Bandeira
Marlon e Squel mostraram chamaram atenção pela elegância. Ele, com um terno claro, mais puxado para o prateado com sapato azul. Já, ela, um vestindo que fazia referência ao pavilhão da Portela em azul e branco. Na dança, mais uma vez, a preferência por um bailado mais tradicional, mas com algumas pitadas interessantes que deram um tempero.
Marlon em alguns momentos apresentou uns passos que lembravam mais a dança da gafieira, riscando o chão com intensidade,mas com muita classe. Squel apostou nos rodopios e já para o final apresentou uma tradicional bandeirada. O casal também soube usar muito bem a roupa, o mestre-sala fazia movimentos segurando o paletó com muita classe, enquanto os giros porta-bandeira produziam um bonito efeito no vestido bicolor. Outro ponto muito positivo foi a dupla se buscar o tempo todo como um casal apaixonado, com momentos de muita ternura durante a apresentação. A intensidade do casal esteve boa e o sincronismo também.
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
“Eu acho que a coreografia sempre pode melhorar. O importante é chegar a 100% no dia do desfile. Se atingirmos 100% hoje, talvez, no desfile, já tenhamos ultrapassado aquela linha tênue entre algo muito bom e uma coreografia marcada demais, que perde a sensibilidade. Mas hoje foi maravilhoso, foi incrível, foi emocionante. Acho que a Portela é isso. A Portela fala muito mais com o lado emotivo do que com a técnica. A gente canta com o coração, a gente evolui com o coração. Eu risco com o coração nos pés. Então, acho que foi um ensaio maravilhoso, contagiante. Eu e a Squel, a Squel e eu… Nossa proposta é essa: uma dança tradicional, uma dança de olhar, uma dança de sentimentos, em que o coração pulsa no mesmo ritmo. E cumprimos essa proposta desde o primeiro ensaio, e agora reforçamos ainda mais”, disse o mestre-sala.
“Sempre podemos melhorar. Estamos ensaiando para isso, em busca de apresentar o nosso melhor. Graças a Deus, tivemos um ensaio sem intercorrências. Apresentamos uma coreografia muito pensada, muito elaborada, muito discutida e estudada com base nas justificativas. Estamos trabalhando duro para que nosso trabalho seja reconhecido e respeitado por todos. Acho que o nosso recado é esse: trabalho, trabalho, trabalho. Trabalho incansável”, completou a porta-bandeira.
Harmonia
O canto dos componentes apesar da hora já avançada e o tempo de concentração mais uma vez foi muito potente. O portelense, mais uma vez, cantou forte, com intensidade e correção, de forma homogênea na escola, inclusive alas coreografadas e alguns outros segmentos como velha guarda e a própria comissão de frente. No carro de som, Gilsinho mostrou porque tem tantos anos de Portela, além da qualidade como intérprete, mostrou que conhece muito bem a comunidade, é sua voz potente se sobressaiu indo bem afinada e firme até o final, com os apoios fazendo um trabalho muito bom também para sustentar o canto. Harmonia, novamente, foi grande destaque de um treino da Portela e promete ser importantíssima no grande dia, até para puxar outros quesitos como o smaba-enredo.
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
Samba-enredo
A Portela apostou em uma obra que se encaixou a um estilo mais cadenciado da Tabajara do Samba. Não é uma obra para correria realmente. Com a comunidade está em consonância, já que os componentes mantiveram o bom nível de canto. A dúvida fica apenas para o momento de ter que fechar o carnaval e por não ser uma obra tão explosiva, e sim mais melodiosa. A melodia, aliás, é de fácil assimilação e tem alguns pontos que faz referência a músicas do Milton, como no refrão do meio sobre o Trem Azul. Destaque para “quem acredita na vida” o bis dentro da segunda parte e o refrão principal que é um momento de maior animação. No geral, a obra rendei acima das expectativas.
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
“Até onde eu vi, eu achei excelente. A escola está cantando muito, depois do segundo recuo a gente vê o resto da escola passar. A escola estava cantando muito, sorrindo muito. Eu gostei demais. Com o som na Sapucaí inteira a gente não tem medo de errar, a gente sabe que a gente vai ouvir, que a escola inteira vai ouvir, então a gente não precisa poupar nada. Hoje o Nilo fez várias boças aí que não tinha feito no primeiro ensaio por falta de som. Mas hoje foi tranquilo, hoje foi fácil”, citou o intérprete Gilsinho.
Evolução
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
A Portela apostou em poucas alas coreografadas, dando maior ênfase à espontaneidade dos componentes. Apostou em uma evolução também mais cadenciada, ponto positivo de não ter apresentado nem correria e nem alas emboladas. Além disso, também não houve grandes espaçamentos que pudessem se configurar no risco de abrir buraco. Evolução bastante livre, com várias alas com algum tipo de adereço de mão já treinando para o grande dia.
Bateria e Outros destaques
O homenageado, Milton Nascimento, foi aclamado quando anunciado pelo presidente Fábio Pavão. Como elemento alegórico abrindo a escola, no tripé, não podia ser diferente, a Águia que faziam barulho e tudo. Em uma bonita homenagem a outras escolas, em um dos setores, as bandeiras das coirmãs Império Serrano, Unidos da Ponte e Unidos da Bangu foram tremuladas mostrando solidariedade da Portelas pelas agremiações que perderam fantasias em um incêndio na semana passada. De dourado, as baianas chamaram a atenção pela elegância. E quem também chamou muita atenção, toda brilhosa, foi a rainha Bianco Monteiro mostrando o já costumeiro samba no pé.
Uma bateria “Tabajara do Samba” da Portela com sua afinação tradicional, com peso característico, deixando evidente o bom balanço das terceiras. Repiques coesos se uniram a um bom naipe de caixas de guerra, com a genuína batida rufada. Na cabeça da bateria portelense, uma ala de chocalhos ressonante se destacou. Cuícas consistentes, agogôs corretos e um naipe de tamborins eficiente auxiliaram no preenchimento da sonoridade das peças leves. Bossas pautadas pelas variações melódicas do samba-enredo da Águia e baseadas na pressão sonora dos surdos foram bem executadas pela pista. Grande trabalho das caixas e dos surdos de terceira nos arranjos propostos. Uma bateria “Tabajara” da Portela que não vê a hora de fechar a inédita terceira noite de desfiles, em busca de uma grande passagem.
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
“Nosso ensaio foi bom. Todo mundo tava meio apreensivo com esse som, para ver como ia se comportar, mas foi bom. Com os ajustezinhos que tem para semana que vem, acredito que a bateria vai ficar bem. Não são grandes ajustes. A bateria se comportou bem pelo andamento as boças, tudo direitinho. É só pedir mais atenção, toda vez que vai chegando o carnaval e a bateria passa bem, o componente relaxa. E não pode relaxar, é até o final. Eu vou chamar a galera, vou falar que estou cobrando porque foram bons, mas têm que ser melhor, e nunca fica de sapato alto. Sempre tem que melhorar mais um pouco”, comentou mestre Nilo Sérgio.
Por Guibsom Romão (Colaboraram Allan Duffes, Freddy Ferreira, Luan Costa, Lucas Santos, Matheus Morais, Marcos Marinho, Marielli Patrocínio, Rhyan de Meira, Carolina Freitas e Raphael Lacerda)
De ponta a ponta, a Vila Isabel fez bonito no ensaio técnico de teste de som e luz Sapucaí. O destaque fica para a evolução da escola, a comunidade deixou a Sapucaí assombrada com tamanha animação e canto forte. Além de fazer um bom uso da iluminação cênica, o som por toda a Sapucaí coroou o brilhante carro de som e o Tinga. Marcinho e Cris brilharam e esbanjaram elegância.
Sendo a última escola a desfilar na segunda-feira, dia 3 de março, a Vila Isabel vem com o enredo “Quanto Mais Eu Rezo, Mais Assombração Aparece”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. Diante do que foi apresentado neste último ensaio, a Vila mostrou que todas as rezas já foram feitas. A escola assombrou, no melhor sentido possível.
“Eu sou suspeito em falar, porque a gente conversou muito durante a semana e falou que isso era o último ensaio e seria como se fosse um desfile oficial. E eu só quero agradecer a escola, desde a Comissão de Frente até a última ala do barracão, que cantou muito, evoluiu muito, brincou muito. A Vila está de parabéns, e é isso que a gente vai fazer no dia do desfile. No primeiro ensaio o som atrapalhou um pouco e acho que com o som de hoje a gente conseguiu evoluir muito mais, tinha muito mais retorno para a bateria. E era isso que a gente estava esperando. Para a gente ir firme para o dia do desfile”, explicou Moisés Carvalho, diretor de carnaval.
Comissão de Frente
Sob o comando da dupla Alex Neoral e Márcio Jahú, a comissão surpreendeu e veio com uma coreografia diferente da apresentada no mini desfile e no primeiro ensaio técnico. Os gatos pretos se tornaram maquinistas, com direito a um trem como elemento cenográfico. Além do figurino novo, a comissão contou uma pintura facial em cores neon, que assim como outros elementos do figurino e do trem, causaram um efeito interessante com a iluminação azul da Sapucaí.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
A coreografia estava muito bem ensaiada, não houve mínimos deslizes. A luz foi um elemento primordial para a apresentação, tanto a da Sapucaí, quanto das lanternas que os bailarinos usaram durante a performance. Em todas as cabines a coreografia foi muito bem executada e transmitiu perfeitamente a ideia de que um trem de assombrações e alegria estava entrando na avenida.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Marcinho Siqueira e Cris Caldas apresentaram uma coreografia muito dinâmica, apesar de toda a sintonia e sincronia que eles desempenharam, a apresentação dos dois se contrapôs, mas foi de encontro com o enredo. A Cris apresentou um bailado clássico, com rigor e maestria, ainda mais com o vento que no 3º módulo tentou assombrá-la, já o Marcinho carregou no seu bailado toda a veia cômica que o enredo e o samba trazem e com uma dança que mesclou o tradicional, com passos inovadores e até engraçados. O casal apresentou de maneira exemplar e interessante o pavilhão azul e branco do povo de Noel. É um quesito seguro para o desempenho da escola. A sensação que ficou foi de que com a fantasia o espetáculo será muito maior.
Ao final do ensaio técnico o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila, Marcinho e Cris Caldas, apresentou uma avaliação sobre o desempenho da coreografia, que segundo a dupla já é a oficial para o desfile.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
“Foi lindo de enxergar aqui hoje, ver a casa cheia. A gente tendo o gostinho de como vai ser no dia, no desfile oficial. Agradecer a Liesa, ao carnaval por proporcionar todas as escolas de passarem por isso (teste de som e luz). Acho que de fato não devia ser um privilégio como vinha sendo nos anos anteriores só para as primeiras colocadas. A avaliação especificamente do casal é que a gente está muito feliz, temos trabalhado bastante e acho que a gente conseguiu mostrar com leveza, com a técnica, tudo que a gente tem trabalhado e pensando em detalhes, em cabeças e mãos para poder abrilhantar bastante o bailado tradicional”, acredita o mestre-sala.
“A gente está pronto. Nos preparamos, trabalhamos junto com o preparador físico, que a Vila colocou do nosso lado, um parceiro que tem nos ajudado muito para a nossa parte física. E o que foi feito hoje é a coreografia oficial. A gente vinha nos ensaios de rua fazendo uma coreografia que era para a rua, mas a gente estava trabalhando e aperfeiçoando a coreogradia para o jurado e já do último ensaio para cá começamos a apresentar na rua nossa coreografia oficial e é essa que a gente vai vir no dia do desfile. Uma coreografia gostosa, leve como o nosso samba, e como algo nossa escola, leve, alegre, gostosa”, completou a porta-bandeira.
Harmonia e Samba
O que dizer de Tinga e seu carro de som? Sem falhas técnicas e com som por toda avenida, o show foi garantido. O Tinga nem precisou fazer muito esforço para puxar a escola, o chão estava cantando de maneira coesa, uniforme e divertida. Não tiveram trechos de destaque para o canto da escola, o samba foi bradado de ponta a ponta.
“É só vir com essa alegria! A comunidade está de parabéns, estamos muito felizes com o nosso samba, com o nosso enredo. Vamos, sim, fazer um grande desfile, se Deus quiser, e seguir atrás do nosso sonho: conquistar mais títulos para a nossa comunidade”, disse Tinga.
Evolução
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
Neste quesito o destaque fica para a interação que os desfilantes tiveram com o público presente no ensaio. Todas as alas interagiram com o público, os chamando para cantar o samba e mostrando a alegria que estava sendo ensaiar pela Vila Isabel. Outro destaque foi para as alas que estavam atrás da bateria e do carro de som, que apresentaram um canto muito forte.
Foi notório que o povo de Noel estava virado no samba, pois na bruxaria será no desfile. Até os componentes, já cansados nos últimos setores da avenida, continuaram coreografando o samba e evoluindo com a escola, parecia que era algo inconsciente.
Bateria e Outros destaques
Os profissionais de harmonia e direção da escola usavam chapéus de capitão, simbolizando a condução precisa e eficiente da Vila Isabel.
Uma bateria “Swingueira de Noel” da Unidos de Vila Isabel com uma parte de trás do ritmo equilibrada e bem equalizada. A afinação tradicionalmente mais pesada de surdos garantiu pressão sonora, principalmente em bossas. Surdos de terceira deram um balanço envolvente à cozinha da bateria da Vila. Assim como repiques coesos, caixas retas consistentes e taróis ressonantes com sua genuína batida rufada complementaram de forma caprichada os médios. Na cabeça da bateria, uma boa ala de cuícas mostrou valor sonoro. Tamborins e chocalhos tocaram interligados, num trabalho que demonstrou nítido entrosamento musical. Bossas intimamente ligadas à melodia do samba-enredo da azul e branca do bairro de Noel foram apresentadas de modo cirúrgico. Sempre se aproveitando da pressão sonora provocada pela afinação de surdos. Uma bateria da Vila Isabel pronta para impulsionar os desfilantes e buscar o sonhado gabarito no quesito. O conhecido e sempre cativante carisma da rainha Sabrina Sato sempre chama atenção e precisa ser pontuado.
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
“Está tudo pronto. Fizemos um grande desfile, com a comunidade cantando muito. Bateria afiadíssima. Se o desfile fosse hoje, Vila Isabel estaria brigando por esse título. Coloquei todas as bossas hoje. Vai ter uma surpresa para o desfile, mas vocês vão ver na hora”, comentou mestre Macaco Branco.
Por Lucas Santos (Colaboraram Allan Duffes, Luan Costa, Freddy Ferreira, Guibsom Romão, Matheus Morais, Marcos Marinho, Marielli Patrocínio, Rhyan de Meira, Carolina Freitas e Raphael Lacerda)
Em um enredo que tem muito do DNA da Mangueira, falando dos povos bantus, de um povo preto, dos crias, do favelado, a Verde e Rosa no mínimo deveria buscar dar brilho a sua comunidade. E foi o que se viu no segundo ensaio da escola, com uma significativa melhora em relação ao primeiro ensaio que já tinha sido muito bom. Mas não foi só no chão da comunidade, no canto que a Mangueira se destacou. Também houve um trabalho excepcional da comissão de frente e do “casal Furacão” que marcaram positivamente este ensaio, além da parte musical, com o samba passando muito bem e a bateria mostrando muita musicalidade. Com este teste, a Verde e Rosa mostra que almeja brigar mais a frente na tabela e deixar de lado o incômodo de não ter conseguido nem campeãs em 2024. Em 2025, a Mangueira vai fechar a primeira noite de desfiles do Grupo Especial com o enredo “À Flor da Terra- No Rio da Negritude entre Dores e Paixões”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França.
O diretor de carnaval, Dudu Azevedo, falou ao CARNAVALESCO no final do ensaio e projetou um grande desfile.
“A gente sempre faz uma reunião no final do ensaio para ver como foi e fiquei muito feliz que todos os meus diretores me relataram que nao tiveram nenhum problema na pista, que os seus setores passaram bem. A gente sabia que tinha condições de passar como a gente passou na pista, fizemos a parte da emoção, um paradão. De novo a gente faz o o encantamento para quem está assistindo, encanta desfilando, isso é muito bom para a gente, a gente sai daqui com a certeza de ter o componente feliz, com certeza do nosso tempo na avenida, de chegarmos a esse ponto da preparação como desejávamos, da apresentação nas cabines, da bateria que parou perfeitamente pra fazer a paradinha, colocamos a bateria no box sem correria, da Harmonia, canto, organização da escola muito boa. Estamos preparados pra fazer um grande desfile”, explicou o diretor.
Comissão de Frente
A Mangueira apostou em trazer muito do que já haviam trazido para Sapucaí no primeiro ensaio. A parte da ancestralidade com uma coreografia mais tribal, com pintura corporal muito bem produzida e coreografia forte e intensa. A luz cênica mais uma vez sendo utilizada e.o famoso “cria” surgindo da fantasia e mandando passinhos. Mas, desta vez, não estava sozinho, uma surpresa, na ousadia de Lucas e Karina, para não ficar igual, ao primeiro ensaio, outro “cria” surgia do público para dançar com o mesmo dos últimos ensaios. Uma carta tirada da manga. Boa apresentação.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
Mestre-sala e Porta-Bandeira
O casal “Furacão”, mais uma vez, apostou em uma coreografia que enfatizava o bailado clássico do casal de mestre-sala e porta-bandeira, como mote de ancestralidade e herança dos povos bantos presentes no enredo. Algumas pontuações no samba estiveram presente e deram um molho na apresentação, como o “passinho” de Matheus Olivério no trecho que falava sobre o cabelo descolorido. E Cintya, essa, estava mais uma vez iluminada, mesclando doçura, suavidade, mas sem perder a sua intensidade, com giros potentes, em incrível controle do pavilhão. Matheus foi muito generoso sabendo os momentos que sua parceria devia brilhar. Um dos momentos mais lindos é o mestre-sala dando um beijo na mão da companheira e ajeitando o pavilhão para que Cintya encerrasse com uma icônica bandeirada. Atuação sublime da dupla.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
“A Mangueira vem em um momento de reafirmação da magnitude, da matriarca que ela é. Eu sempre falo: se não tiver emoção, não é a Mangueira. Com todo o respeito a todas as outras escolas, mas a Mangueira sempre tem esse quesito. Tem esse “a mais”, que é a emoção. Ver a arquibancada lotada, funcionando com um samba tão criticado – e que fala da crítica dentro dele – é maravilhoso. A dança do casal Furacão está cada vez mais forte e dentro das características que queremos passar para o mangueirense: aguerrido, vigoroso, determinado e com a nossa identidade. Eu sempre digo: quando dancei a primeira vez com a Cyntia, foi amor à primeira dança. E todo ano, quando recomeçamos, é uma reconquista, um novo amor. Eu acho que estamos em um momento de paixão. É fogo, é dendê”, disse o mestre-sala.
“Estou saindo hoje com o dever cumprido. A coreografia está linda, com tudo que foi pedido. A gente vem trabalhando, e eu venho controlando o vigor, porque a cada samba que entra a gente quer dar mais, e aí eu tento equilibrar. Mas pode ter certeza: vai ser um lindo desfile. Aí sim, posso dizer de coração: estou muito feliz. Ver que o meu trabalho está sendo bem visto, bem quisto e respeitado por vocês e por todo mundo do samba me deixa muito, muito feliz”, completou a porta-bandeira.
Harmonia
Mais uma vez, a Mangueira mostrou que está completamente fechada com o samba e cantou não só com vontade, correção e energia, mas feliz com a obra, era visível no olhar do mangueirense, principalmente no “É de arerê…” e no “Sou Mangueira” e “Orgulho de ser favela”, sem deixar de ter um excelente rendimento para o restante da obra. Quando o carro de som jogou para a comunidade, ela não os deixou na mão e muitas vezes só na batida do surdo, os componentes seguravam a obra. Sem os problemas de som do primeiro ensaio, Dowglas e Marquinhso puderam “brincar” e conduzir a Mangueira a mostrar o que esquema bateria mais comunidade mais carro de som tem feito na Visconde de Niterói. Apresentação muito firme e consciente do que a obra e a escola precisava.
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
“Graças a Deus, estamos conseguindo fortalecer ainda mais o nosso trabalho. No segundo ensaio, uma das coisas que estávamos treinando era o andamento da escola como um todo. E hoje acho que esse andamento foi muito melhor do que no primeiro ensaio, o que mostra uma evolução. Agora, é manter essa pegada para domingo. Só depende da gente para levantar esse caneco”, afirmou mestre Taranta Neto.
Evolução
Antes de mais nada, a análise desse quesito deve elogiar ao trabalho realizado pelas alas coreografadas da Mangueira. O início do desfile, no segundo setor, algumas alas com saias faziam um trabalho muito bonito, sincronizado, mas natural, trazendo toda a ancestralidade da dança que está presente no enredo. Mesclando energia e suavidade, e principalmente, religiosidade, inclusive abusavam de utilizar a musicalidade das bossas da “Tem Que Respeitar Meu Tamborim” no passo marcado. Alguns elementos como cajado também contribuíam para o efeito. No restante da escola o passo livre fez uma escola passar aproveitando o samba ao máximo. Algumas pontuações do samba, como a referência ao cabelo descolorido com as mãos no trecho do samba que tem esse verso, além de algumas outras pontuações menores, não devem ser vistas no dia por conta da fantasia, mas foram positivas para incrementar o ensaio da Verde e Rosa.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
Entre os integrantes da harmonias havia alguma orientação para ser mais veemente na cobrança por organização das filas, o que surtiu efeito, sem fazer com que os componentes ficassem engessados. Algumas alas mais para o final da escola, no setor que falava sobre “os crias”, ainda mandavam passinho. Escola evoluiu bem, com fluidez, sem correria.
Samba-enredo
O samba caiu mesmo no gosto da comunidade, muito pelo excelente trabalho musical realizado pela escola. A bateria da Mangueira dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto deram o molho que talvez a obra precisasse, usaram todos o seu arsenal de ritmo, com musicalidade, e trouxe bossas muito pertinentes a obra que ajudaram ela acrescer. A segunda parte que possui uma harmonia mais acentuada, com letra tocando em temas toca tesouro a escola ganhou destaque e a primeira parte ganhou ritmo, força, dando andamento a obra até chegar no refrão do meio para a quebra, através de maior balanço Todo esse trabalho passou por cima de algumas questões que eram colocadas sobre a obra como o refrão principal na métrica e acentuação tônica da palavra “dona” e a melodia mais comum da primeira parte. Dessa forma, o samba cresceu muito e cada verso tem sido muito bem trabalhado pela escola a fim de buscar a nota 10. Ótimo rendimento no ensaio e interação com o público.
Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval
“Esse último teste no campo de jogo foi maravilhoso, com certeza foi para lavar a alma de todo o mangueirense. Tenho certeza agora que a Mangueira está pronta, a comunidade merece toda a estrutura, todo o trabalho, todo o suporte que a presidência está botando. Então temos que só retribuir, a comunidade está feliz, a escola está feliz, então só depende da gente entrar aqui, fazer o trabalho, tudo o que a gente vem ensaiando durante esse tempo todo. Eu acho que a Mangueira vai colher grandes frutos. No primeiro ensaio tivemos aquelas questões que culparam o carro com o som, mas nesse ensaio de hoje foi muito diferente, com o som oficial do dia do desfile ficou muito fácil de a comunidade entender, ouvir de ponta a ponta o samba, então isso ficou marcante para a gente, é muito maravilhoso ensaiar com o que a gente vai usar no dia. Foi maravilhoso, um excelente ensaio”, disse Dowglas Diniz.
“Ali do carro de som estava legal. Embora a gente esteja muito cansado essa semana, agora nós vamos dar uma descansada para chegar no domingo 100%. Mas de um todo foi maravilhoso”, revelou Marquinho Art Samba.
Bateria e Outros destaques
Uma bateria “Tem Que Respeitar Meu Tamborim” da Estação Primeira de Mangueira que contou sua tradicional afinação mais pesada de surdos. Isso ajudou a realçar o belo trabalho dos surdos mor mangueirenses. Repiques técnicos tocaram junto de um naipe de caixas ressonante e volumoso. Na primeira fila da cozinha da bateria da Verde e Rosa também havia o molho exemplar dos timbaques. Na parte da frente do ritmo, um trabalho entrosado entre os eficientes ganzás e um bom naipe de xequerês mostrou grande integração dos solos de ambos. Uma ala de tamborins de grande qualidade deu valor sonoro à cabeça da bateria da Manga. Cuícas sólidas e um destacado naipe de agogôs de duas campanas mostrou seu valor musical, também em bossas. Um conjunto de bossas bastante integrado ao samba-enredo foi apresentado. Uma criação musical refinada e de muito bom gosto. Uma bateria da Mangueira aguardando com ansiedade e otimismo mais um grande desfile.
No esquenta, além do tradicional exaltação da Mangueira, Marquinho Art Samba e Dowglas cantaram os funks “Eu só quero é ser feliz” e “Som de preto”. A rainha Evelyn Bastos impressionou no modelito homenageando “os crias” com uma figurino todo trabalhado no jeans, brilhos e algumas peças de CD na parte de cima da fantasia. Comandados por mestre Rodrigo Explosão e Taranta Neto, a “Tem Que Respeitar Meu Tamborim” abusou da musicalidade com algumas bossas mesclando a ancestralidade e o novo, com o ritmo do funk. Além disso, repetiu o show pirotécnico do primeiro ensaio com a iluminação do sambodromo apagada.