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Samba e bateria conduzem Unidos da Tijuca no melhor ensaio técnico da escola nos últimos anos

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Por Gabriel Gomes e fotos de Allan Duffes

A Unidos da Tijuca foi a segunda escola a desfilar na Marquês de Sapucaí na primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial do Rio de Janeiro na temporada de 2025, no último sábado. A Amarela e Azul realizou o seu melhor ensaio dos últimos anos, impulsionado pelo excelente desempenho do samba-enredo e da bateria “Pura Cadência”. A Harmonia da escola, no entanto, apresentou irregularidades. A escola do Borel será a primeira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval (3 de março) com o enredo “Logun-Edé: Santo Menino que velho respeita”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira. A Tijuca apostou, em diversos momentos, na utilização do recurso das luzes cênicas da Sapucaí, muitas vezes junto de bossas realizadas pela bateria da escola. No esquenta, a escola cantou os sambas dos três últimos campeonatos (2014, 2012 e 2010).

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“A gente fez o que a gente vem ensaiando na nossa pista de ensaios. Temos muito que melhorar ainda até o carnaval, ainda tem mais de oito ensaios aí. Acho que quando chegar o próximo ensaio técnico, a gente vai estar 100% firme e vamos sacudir a Sapucaí. A gente pode melhorar tudo, sempre tem alguma coisinha para melhorar. A gente filma tudo, a gente vê tudo de novo. Detalhe aqui, detalhe ali, sempre tem coisa para melhorar”, explicou Fernando Costa, diretor de carnaval.

Comissão de Frente

Comandada pelas coreógrafas Ariadne Lax e Bruna Lopes, a comissão de frente da Unidos da Tijuca brindou o público presente na Marquês de Sapucaí com uma excelente apresentação. Na coreografia, 15 bailarinos, vestidos com uma bela roupa dourada e azul, realizavam movimentos africanos muito fortes e bem sincronizados. A comissão utilizou um elemento cenográfico, que era um grande tambor. O ápice da apresentação acontecia quando um dos componentes subia no tambor e, então, era aberta uma saia nas cores da escola, que era erguida e movimentada pelos demais dançarinos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca, Matheus André e Lucinha Nobre realizaram um bela e segura apresentação nas quatro cabines de julgadores. A dupla, vestida nas cores da escola, demonstrou estar com um ótimo entrosamento. A coreografia mesclava movimentos tradicionais da dança com referência a letra do samba. A se destacar os fortes giros da porta-bandeira e a tradicional “bandeirada”, que ocorria no trecho do samba que citava o “ori do meu pavilhão”. Na comparação com o ano de 2024, o casal tem demonstrado uma enorme evolução e segurança a cada ensaio.

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“A gente sabe que não é o oficial, não tem fantasia, mas tem emoção, tem resposta de um trabalho que a gente vem fazendo depois de duras críticas que a gente sofreu no ano passado, a gente entendeu que a gente precisava se olhar mais, que a gente precisava deixar a pressão de lado um pouco, curtir a dança de mestre-sala e porta-bandeira, que é o que a gente sabe fazer melhor. E a gente fez todo um trabalho com a Daniele Ramalho e com a assistência luxuosa da Camille Salles, que trabalhou comigo a vida inteira, começou comigo aqui na Tijuca, foi comigo para Portela, fez Porto da Pedra comigo, enfim, é uma pessoa que é muito importante para a porta-bandeira que eu sou hoje. E o Matheus veio para trazer uma jovialidade, trazer uma estrutura de alegria nas pernas de energia forte, diferente da minha dança que até então era a tradicional clássica e agora eu me vejo com uma porta-bandeira que eu era em 2004, 2005, 2006, eu consegui trazer a Lucinha Nobre do Velho Testamento, como as pessoas têm falado, para a Unidos da Tijuca de recomeço. A gente sabe que é difícil, eu vou fazer 50 anos e eu acho que eu sofri muito etarismo. Mas eu estou aí junto com as minhas amigas Ruth, Selminha, Giovanna, e outras meninas que vêm um pouco mais atrás de idade para provar que a mulher só tem que se cuidar, ela tem que estar em dia com os hormônios dela e a partir daí tudo é possível, a idade é só um complemento de maturidade, de energia, de estabilidade, eu tenho ensaiado muito. Está sendo um investimento absurdo para estar aqui sendo a porta-bandeira, que eu fui para Unidos da Tijuca, e que eu sou e eu vou continuar sendo enquanto Deus permitir e o Fernando Horta der a oportunidade de ter a honra de carregar esse pavilhão. Meu corpo está pronto para o desfile, estou muito feliz com o Matheus. A coreografia oficial com alguns ajustes, por exemplo, tem coisa que a gente faz cinco giros, aí com fantasia vamos fazer quatro, mas a base é essa, provavelmente a gente vai tirar alguma coisa. A gente mudou muito. Mas acredito que essa é a versão final. Amanhã a gente vai ensaiar com a fantasia pronta”, disse a porta-bandeira.

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“Eu posso dizer que o ensaio foi quente, foi bem quente. A Unidos da Tijuca mostrou que vem com um grande enredo, um grande samba. A escola está forte, está cantando, está vibrando. É isso que a gente queria sentir, a energia da escola na avenida. A gente poder passar essa energia tão bem pra nossa dança, chegar tão bem com a energia para somar com a escola. Hoje foi um teste para a avenida, para experimentar tudo aquilo que a gente está trabalhando durante um ano. E eu acredito que foi muito bom. É claro que sempre tem uma coisa ou outra, mas a energia de hoje, tomara que seja assim dentro do desfile, foi perfeito”, completou o mestre-sala.

Harmonia

A Harmonia da Unidos da Tijuca foi o quesito com desempenho com mais oscilação da escola. No início do ensaio, os componentes das primeiras às últimas alas cantaram com bastante intensidade o samba-enredo tijucano. No final, no entanto, o canto apresentou uma leve queda, que deve ser facilmente corrigida nos próximos ensaios. A se destacar positivamente no quesito, a ala 24.

Fotos do ensaio técnico da Unidos da Tijuca na Sapucaí

O carro de som da Unidos da Tijuca também teve bom desempenho, comandado pelo intérprete Ito Melodia, com apoio de grandes cantores como Tem-Tem Jr. e Matheus Gaúcho. Foi de suma importância, ainda, a presença da voz feminina de Cacau Caldas.

“Maravilhoso! Pancada! Isso foi só o primeiro ensaio. É a prova que eu falei que tinha surpresa com a Tijuca. A surpresa é isso. Canto com fibra, com força, com garra, com vontade de voltar a ser campeão”, garantiu o intérprete Ito Melodia.

Samba-enredo

O samba-enredo da Unidos da Tijuca, composto por Anitta, Estevão Ciavatta, Feyjão, Miguel PG, Fred Camacho, Diego Nicolau, Luiz Antônio Simas e Gustavo Clarão, foi um dos grandes destaques da noite. A obra possui uma bela melodia e se mostrou muito valente e funcional, com excelente do intérprete Ito Melodia e todo o carro de som tijucano. Os refrões, sobretudo o refrão do meio: “Oakofaê, odoiá// Oakofaê, desbravei o mar/ Não ando sozinho montei no cavalo marinho// abri caminho pro povo de ijexá”, foram muito cantados pela comunidade. A se destacar, ainda, a preparação para o refrão principal, “Orixá menino que velho respeita// Recebi sentença de pai Oxalá// Eu não descanso depois da missão cumprida//A minha sina é recomeçar”.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos da Tijuca no ensaio técnico

Evolução

A evolução da Unidos da Tijuca no primeiro ensaio técnico da temporada se deu de maneira fluida, coesa e sem problemas até o final do treino. As alas da escola desfilaram de maneira leve, refletindo o alto astral presente na comunidade tijucana. A se destacar a presença de elementos de mão em boa parte das alas. Em alguns momentos do samba, muitas alas realizam gestos e coreografias sincronizadas, como no refrão do meio.

Outros destaques

A bateria “Pura Cadência”, de mestre Casagrande, deu, mais uma vez, um show a parte. Os ritmistas sustentaram o andamento e contribuíram muito para o bom funcionamento do samba da Unidos da Tijuca. Todas as bossas foram muito bem trabalhadas. A atriz Juliana Alves, ex-rainha de bateria, marcou presença puxando o ensaio da escola e atraiu aplausos por todos os setores do sambódromo. Houve homenagem para a cantora Lexa, que recentemente deixou o posto, por problema de saúde.

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“Foi uma aula de ritmo. A gente está muito tempo dentro da escola e mesmo assim cada ano é um ano diferente, mas a métrica da bateria não muda, o andamento não muda. Nós temos ritmistas aí com 20, 25 anos tocando juntos, isso favorece demais. Hoje a gente pode bater no peito e dizer que a Unidos da Tijuca tem uma grande bateria. Todo respeito às demais baterias, mas a gente fica muito orgulhoso, mas sempre com o pé no chão, muito humildade, a gente sabe que é só um primeiro ensaio. Mas foi maravilhoso, o samba funcionou demais, parabéns ao Ito, a todo carro de som. Sobre a bateria, não vou dizer que está pronta, porque nunca a gente está pronto. A gente tem que sempre se policiar. A gente nunca está pronto, eu costumo dizer que o menos é mais. Quero dar uma ressalva também pela minha ala de tamborim. Quando entrou aqui no segundo box, com a manobra. A ala de tamborim não parou de tocar, vocês podem perceber isso durante todo o ensaio. Até na manobra não para de tocar. Parecia que era um tamborim tocando sozinho. A gente é uma bateria toda, é um coletivo. Mas foi um achado esse desenho de tamborim”, comentou mestre Casagrande.

Coloraboraram Gabriel Radicetti, Guibsom Romão, Marcos Marinho, Juliana Henrik e Carolina Freitas

Casal e bateria se destacam em ensaio técnico com forte canto da Mocidade

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Por Gabriel Gomes e fotos de Allan Duffes

A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a responsável por encerrar a primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial do Rio de Janeiro na temporada de 2025, no último sábado. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo Jesus e Bruna Santos, e a bateria “Não existe mais quente” foram os destaques do ensaio com forte canto da comunidade independente. A Verde e Branca será a primeira escola da terça-feira de carnaval (4 de março), com o enredo “Voltando para o Futuro – Não há limites pra sonhar”, desenvolvido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage (In Memorian).

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Foi um ensaio muito bom. Foi uma semana muito difícil, mas o povo está feliz. Ainda vamos trabalhar muito, ainda temos mais ensaios e vamos trabalhar até o último dia. Agora, é corrigir o que a gente entende que precisa ser corrigido, todo ensaio é uma oportunidade de trabalhar e corrigir”, explicou Mauro Amorim, diretor de carnaval.

O ensaio da escola foi marcado por diversas homenagens à carnavalesca Márcia Lage, que faleceu na última semana. O casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola portava um laço preto na roupa. Além disso, o tripé levado pela Mocidade tinha uma estrela com o nome da carnavalesca.

Comissão de Frente

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Comandada pelo experiente coreógrafo Marcelo Misailidis, a comissão de frente da Mocidade brindou um público com um belo espetáculo. A coreografia, inclusive, se encaixaria perfeitamente em uma apresentação de desfile oficial. A comissão era composta por 15 homens vestidos como uma espécie de “soldados” futuristas, com máscaras, lanternas e mochilas transparentes com luzes de led dentro. O ápice da coreografia
acontecia quando um dos componentes era erguido e dentro de uma bolsa transparente na barriga aparecia um bebê. A apresentação foi muito bela e emocionante.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

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O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade, Bruna Santos e Diogo Jesus, se provaram, mais uma vez, como um dos melhores do quesito na atualidade. A dupla, vestida de roupas verdes, realizou uma excelente apresentação nas quatro cabines de julgadores, com muita garra e precisão nos movimentos executados. A se destacar, na coreografia, diversos momentos de alusões à letra do samba da escola, além da intensa e sincronizada troca de olhares entre o casal. Os giros da porta-bandeira, sempre com muita força, impressionaram e arrancaram aplausos do público.

Fotos do ensaio técnico da Mocidade na Sapucaí

“Graças a Deus a gente conseguiu fazer um belo ensaio técnico ao nosso ver, pela visão da nossa coreógrafa. É claro que tem muita coisa a acertar, a melhorar, mas em nossa visão nós conseguimos fazer um belo ensaio. Fizemos a coreografia oficial. Já que estamos aqui para testar, eu vejo uma grande importância trazer a coreografia oficial hoje, até mesmo para o público, que não pode estar aqui no dia de desfile, presenciar e ver esse trabalho que nós viemos preparando”, disse a porta-bandeira.

“A gente conseguiu, junto com a nossa coreógrafa Ana, junto com a nossa equipe, imprimir uma boa dança, é uma dança com muita energia. O público também ajudou bastante nas primeiras cabines.E a gente conseguiu fazer com êxito todas as cabines”, completou o mestre-sala.

Samba-enredo

O samba-enredo da Mocidade, composto por Paulo César Feital, Cláudio Russo, Alex Saraiça, Denilson Rozario, Carlinhos Da Chácara, Marcelo Casanossa, Rogerinho, Nito De Souza, Dr. Castilho e Leo Peres, afastou parte das desconfianças e se mostrou extremamente funcional no ensaio técnico. A obra contou com excelente condução do intérprete Zé Paulo e do carro de som da escola. O refrão principal, com “O céu vai clarear”, e a preparação com o refrão, com os versos “naveguei, no afã de me encontrar eu me emocionei”, foram os destaques do samba.

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“Eu estou muito feliz, pelo menos ali no meu setor, bateria, parte da harmonia foi muito bem. O que passou de escola ali passou cantando muito bem, a gente não tem a visão macro do desfile. Mas acredito que para o primeiro dia de evento aqui na Sapucaí, quase uma hora da manhã,nós fomos muito bem. O propósito é esse mesmo, ensaiar, ensaiar, ensaiar, porque o que vale é o dia e estamos nos preparando bem. Temos que manter o canto ainda mais forte. Ano passado a gente perdeu o ponto da metade da escola pra trás, em harmonia, por conta do andamento de canto, então vamos tomando cuidado com o que foi apontado no passado para que a gente possa não cometer o mesmo erro esse ano”, comentou o intérprete Zé Paulo.

Harmonia

No quesito Harmonia, a comunidade de Padre Miguel mostrou a força do chão da Mocidade e cantou com bastante intensidade o samba-enredo da escola, que se mostrou funcional. A obra, mesmo com características mais melodiosas, foi muito bem conduzida pelo intérprete Zé Paulo e carro de som da escola. Os dois refrões, principalmente o principal, e a preparação para o refrão principal, desde o “Naveguei / No afã de me encontrar eu me emocionei” foram os trechos mais cantados pela escola.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mocidade no ensaio técnico

Evolução

A evolução da Mocidade transcorreu sem problemas ao longo do primeiro ensaio da temporada, nem mesmo nas saídas e entradas da bateria dos recuos. As alas da escola fluíram de maneira leve e animada pela Sapucaí. Muitas alas possuíam adereços de mão e luzes de led, uma referência ao enredo da escola e característica dos trabalhos do carnavalesco Renato Lage. A escola levou um grande tripé (uma nave espacial) e representou os carros alegóricos como pequenos tripés com a logo do enredo para o carnaval de 2025.

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Outros destaques

Mais uma vez, a bateria “Não existe mais quente”, de mestre Dudu, fez uma excelente apresentação e conduziu muito bem o ensaio, dentro de suas características. A cadência da bateria contribuiu muito, junto do carro de som, para o bom desempenho do samba e do canto da escola. A rainha de bateria da Mocidade, Fabíola Andrade, esteve presente com uma fantasia futurista.

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“Era de se esperar este ensaio. Nós fizemos quinta-feira aqui, no setor 11, um ensaio muito bom. Sempre digo que jogar no campo oficial é mais fácil. A gente lá na quadra tem um espaço muito bom, mas é diferente. E está aí o resultado. Para mim foi 100%. Agora é chegar em casa e ver os comentários. Mas aqui, você vê o brilho de olhar de cada ritmista meu. O trabalho foi genial porque conseguimos executar diversas bossas. Ainda vou pensar se eu vou botar a cereja do bolo no próximo ensaio ou será só para o desfile mesmo. Mas, o trabalho está entregue. Estamos desde julho com a bateria ensaiando: andamento, precisão de bossas, retomada de bossas. E é a bateria mais esperada do carnaval. Eu espero um resultado eficiente. Não vi nada a ser mudado ou melhorado. Foi uma semana bem tranquila, e conversei muito com a bateria. Precisava dar esse retorno, a escola está precisando disso. É um samba emocionante. A gente vem de um samba muito para cima, que é o samba do Caju. E esse não é um samba diferenciado, mas é um samba que é a cara da escola. Eles podem esperar um carnaval, cara de Renato Lage. A escola não está por menos. E é bom estar quietinho no nosso cantinho, deixa quem quiser falar o que quiser. E o resultado vai ser no nosso desfile oficial”, garantiu mestre Dudu.

Coloraboraram Gabriel Radicetti, Guibsom Romão, Marcos Marinho, Juliana Henrik e Carolina Freitas

Vídeos: arrancada e ensaio completo da Mocidade na Sapucaí

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Fotos do ensaio técnico da Mocidade na Sapucaí

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mocidade no ensaio técnico

Fotos do ensaio técnico da Unidos da Tijuca na Sapucaí

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Fotos do ensaio técnico da Mocidade na Sapucaí

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Fotos do ensaio técnico da Unidos de Padre Miguel na Sapucaí

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mocidade no ensaio técnico

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A bateria “Não Existe Mais Quente” da Mocidade Independente de Padre Miguel fez um ótimo ensaio técnico, sob o comando de mestre Dudu. Um ritmo independente genuíno e autêntico foi produzido. Aliado a peculiaridades que marcam sua própria tradição, como a afinação invertida de surdos, ou mesmo a batida de caixa com acentuação na mão fraca. Embalados por bossas potentes e altamente musicais, cujo maior mérito é a plena integração musical com o samba-enredo da verde e branca da zona Oeste.

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Na parte da frente da bateria da Mocidade, um naipe de tamborins estupendo executou um desenho rítmico muito bem elaborado, se pautando pelas nuances do melodioso samba da Estrela Guia. Seguindo o exímio trabalho bem de perto, uma ala de chocalhos de alta qualidade técnica foi percebida, dando apuro e um refino técnico louvável à cabeça da bateria. Vale ressaltar que a ala de chocalhos se vestiu inteira de paquita futurista do espaço sideral, atrelando sua vestimenta ao enredo da escola, além de fazer uma alusão a comissão de frente da Mocidade de 2014. Um naipe de cuícas correto também auxiliou no preenchimento musical do ritmo. Assim como uma eficaz ala de agogôs de duas campanas (bocas) contribuiu tecnicamente com seu molho contínuo. O naipe de agogôs foi outro que resolveu se fantasiar e entrar no clima do enredo, utilizando um boné de lado e óculos escuros, remetendo à histórica escultura da criança jogando vídeo game do Carnaval 93 da escola.

Na parte de trás do ritmo da bateria “NEMQ”, a peculiar afinação invertida de surdos foi notada. Os surdos de primeira e segunda foram eficientes e precisos durante o cortejo. Já os surdos de terceira apresentaram o inconfundível balanço independente, garantindo uma musicalidade de destaque. O naipe de repiques mostrou imensa categoria, além de técnica musical diferenciada. Com um toque coeso e que recheou os médios de virtudes sonora, o destaque principal ficou a cargo dos excelentes repiques solistas em bossas. A genuína batida de caixas de guerra ressoou pela pista apresentando um bom nível, com seu toque que possui acentuação na mão fraca.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Um leque de bossas de alto apuro técnico foi percebido. Bossas pautadas pela melodia do samba e com certa pressão de tapas em conjunto foram aliadas da boa musicalidade apresentada pela bateria da Mocidade. No final da segunda, não podia faltar uma paradinha com chamada de repiques solistas, tão tradicional pelas bandas de Padre Miguel e que ajudou na versatilidade rítmica da bateria. Uma bossa de destaque foi a da cabeça do samba, que possui um trabalho luxuoso executado pelo naipe de caixas, além da pressão dos surdos. O bom gosto e a fluidez musical estão presentes em praticamente todos os arranjos propostos.

A primeira noite de ensaios técnicos do grupo especial foi encerrada por uma apresentação muito boa da bateria “Não Existe Mais Quente”. Mestre Dudu, seus diretores e ritmistas têm motivos de sobra para voltarem para Padre Miguel satisfeitos com o resultado do primeiro grande teste. Um ritmo da Mocidade profundamente atrelado à obra independente, tanto em convenções, quanto principalmente em paradinhas.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos da Tijuca no ensaio técnico

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A bateria “Pura Cadência” da Unidos da Tijuca fez um excelente ensaio técnico, sob o comando de mestre Casagrande. Com sua pegada mais tradicional, a bateria tijucana mostrou toda sua classe musical, numa atuação de encher os olhos de torcedores, ritmistas e sambistas. Embalado pelo ótimo samba-enredo, a “Pura Cadência” aproveitou as nuances melódicas da obra, para executar bossas que aliavam pressão e seu ritmo consistente com levada de caixas envolvente.

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Na parte de frente do ritmo, um naipe de tamborins seguro e ressonante mostrou um trabalho sólido, além de contar com um carreteiro que misturava os toques de 2 por 1 e 3 por 1. Essa mistura acaba impactando positivamente o excepcional naipe de caixas de guerra tijucano, parecendo complementar um o toque do outro, valorizando por completo o conjunto rítmico. Outra coisa que contou a favor dos tamborins tijucanos foi o desenho rítmico de fácil assimilação e alta eficiência, sempre conectado à melodia do samba. Um naipe de chocalhos acima da média também contribuiu bastante com a musicalidade da cabeça da bateria. Tocando interligado com o naipe de tamborins, serviu para refinar o belo trabalho nos agudos da bateria da Tijuxa. Uma ala de cuícas de nítida virtude musical executou um trabalho eficiente, contribuindo no preenchimento musical.

Na cozinha da bateria “Pura Cadência”, uma afinação de surdos simplesmente primorosa foi percebida. Simplesmente incrível o agudo ressoando do surdo de segunda, bem como a eficiente afinação de primeira. Os surdos de primeira e segunda executaram um trabalho impecável, tanto na manutenção do andamento, quanto na participação em bossas. Os surdos de terceira também receberam evidente destaque, graças a um toque com extremo balanço, contribuindo com o ritmo da escola do Pavão. Repiques coesos e plenamente integrados ao ritmo mostraram um trabalho de qualidade. As caixas de guerra tijucana demonstraram todo seu luxuoso valor musical. Impressionante como as caixas da Tijuca servem como base de sustentação rítmica para os demais naipes. Tudo graças a um toque feito com misto de boa técnica e pulsação rítmica semelhantes. Ou seja, os caixeiros não precisam “largar o braço”, já que a ressonância acústica é proporcionada exatamente pela educação musical extremamente diferenciada e toques com frequências semelhantes.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

As bossas da Tijuca foram todas pautadas pela melodia do samba, revelando um trabalho musicalmente integrado e principalmente fluído. Sempre prezando pela excelência na condução rítmica, as bossas não são feitas de modo constante, revelando um esmero no acompanhamento do samba-enredo. A bossa da cabeça do samba possui uma interessante variação musical com tapas ritmados dos tamborins, sendo finalizada com a pressão dos surdos. Seu sinal era a batida de cabeça do Orixá. Já na bossa da segunda passada do refrão do meio, a bateria da Tijuca utilizou seus próprios instrumentos para executar um toque de Ijexá. Repiques, inclusive, faziam a intenção musical do toque do agogô, remetendo só Ijexá. No meio da segunda do samba, uma bossa cuja sinalização era o arco e flecha de Oxóssi executou o toque do Aguerê, mais uma vez usando os próprios instrumentos tijucanos. Uma criação musical de bossas enxuta, mas bastante potente e com valiosa integração musical.

Um grandioso ensaio da bateria “Pura Cadência” da Tijuca, sob a regência de mestre Casagrande. Um ritmo tradicional, potente e altamente musical foi apresentado. A bateria da Unidos da Tijuca mostra estar trilhando mais uma vez um bom caminho em busca de garantir a almejada nota máxima.