Um ensaio técnico excelente da bateria “Fora de Série” da União do Parque Acari, comandada pelos mestres Erik e Daniel. Um ritmo bem equilibrado, equalizado e consistente foi apresentado, assim como bossas bastante musicais. Mesmo sendo somente dois arranjos, a integração musical com o bom samba-enredo da agremiação era tanta que não deu sensação de faltar coisa alguma, diante de uma elaboração rítmica que contou com impacto, precisão e notório efeito.
Na parte da frente do ritmo, um naipe de tamborins de bom nível técnico foi se adaptando e crescendo gradualmente, à medida que se acostuma com o desenho rítmico. A ala de chocalhos fez um trabalho correto, tocando por vezes interligada a convenção dos tamborins. O naipe de cuícas se exibiu de forma ressonante, ajudando a preencher a musicalidade da cabeça da bateria do Parque Acari com qualidade rítmica.
A cozinha da bateria da Acari fez jus ao nome da bateria, numa apresentação simplesmente “Fora de Série”. Uma afinação de surdos extremamente acima da média ajudou no equilíbrio musical do ritmo da Acari. Tanto o ressoar preciso dos surdos de segunda, quanto o bom trabalho das primeiras, com uma pegada mais puxada para o timbre grave, tiveram um casamento musical com o trabalho sólido e eficaz dos surdos de terceira. Repiques coesos ajudaram a manter o andamento e dar molho, assim como caixas de guerra com boa ressonância efetuaram um trabalho de bastante consistência.
Bossas profundamente atreladas ao samba da escola foram apresentadas. O destaque principal foi a bossa do refrão principal, que também era a construção mais longa e com boa dose de complexidade. Foi exibida de forma segura e precisa durante toda pista. Começava, inclusive, ainda na segunda do samba, mas sua integração musical fez com que o arranjo fluísse de forma equilibrada. O mais louvável da musicalidade dessa paradinha é a participação de simplesmente todos os naipes do ritmo. Tudo isso com um trabalho que evidenciou a boa afinação de surdos, dando pressão a bateria da União do Parque Acari. A bossa do refrão do meio também merece menção musical, por se tratar de uma construção também pautada pela melodia do samba e por permitir um encaixe bem consistente. Um grande trabalho dos surdos de terceira junto das caixas de guerra nessa paradinha.
Um grandioso ensaio técnico da, cada vez mais madura, bateria “Fora de Série ” do Parque Acari. Mestres Daniel e Erik têm totais condições de ver seu ritmo brigar por nota máxima, quiçá sonhar com eventuais premiações, diante de um conjunto encantador, fluído e apresentando bastante equilíbrio. Um trabalho sólido que tem tudo para ser uma das baterias mais elogiadas de todo a Série Ouro.
Por Lucas Sampaio (Colaboraram Gustavo Lima, Will Ferreira, Nabor Salvagnini e Naomi Prado)
A Unidos de Vila Maria realizou no último sábado seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi em preparação para o desfile no carnaval de 2025. A bateria ‘Cadência da Vila’ deu o tom que embalou a harmonia da animada comunidade da escola, que fechou os portões após 50 minutos. A Mais Famosa será a quarta a se apresentar pelo Grupo de Acesso 1 com o enredo “O Planeta Terra pede socorro. É tempo de renovar e preservar!”, assinado pelo carnavalesco Eduardo Caetano.
Ensaiada pela coreógrafa Taiana Freitas, a comissão de frente da Vila Maria realizou uma apresentação com duração de duas passagens do samba. O segmento conta com um alto tripé onde se concentra boa parte da apresentação, sendo o primeiro ato dedicado ao lado “ruim” do enredo, da destruição da natureza, o mal que o ser humano faz com o planeta. Chama a atenção uma integrante dessa primeira parte, que perto do final do ato solta gritos dignos de uma clássica vilã, parecendo uma bruxa de filmes de terror. No segundo ato, de uma estrutura ainda não adereçada, surge o que aparenta ser a mãe natureza, e do elemento alegórico saem para a pista dançarinos que parecem representar o lado “bom” da história, em uma dança coordenada entre todos.
Fácil de entender, a proposta da comissão da Vila promete impactar o público quando estiver devidamente caracterizada. A boa atuação de seus componentes é um show à parte que pode impressionar a todos os presentes, e se bem executada, aos jurados.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Estreando no comando do pavilhão principal da “Mais Famosa”, o primeiro casal formado por Kawê Lacorte e Nathalia Bete, tiveram bom desempenho neste primeiro ensaio. A condição climática adversa presente no ensaio até tentou atrapalhar, mas nos módulos em que foram observados a dupla conseguiu cumprir todas as exigências do quesito sem falhas, além de demonstrarem uma boa sintonia e coordenação de movimentos.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, Nathalia fez um balanço do desempenho da dança realizada no primeiro ensaio técnico da Vila Maria no Sambódromo do Anhembi em 2025.
“Foi um ensaio muito bom. O primeiro ensaio, estamos mais para identificar o que falta corrigir, mas foi um ensaio espetacular. Conseguimos cumprir todos os requisitos obrigatórios, fizemos todos os pontos de balizamento, principalmente embaixo das cabines. Para nós foi um ensaio bem proveitoso, agora é só arrumar o que ficou pendente, ajustar umas coisinhas e outras para o grande dia. No contexto geral, foi um ensaio muito bom”, declarou a porta-bandeira.
Kawê também fez uma análise do desempenho do casal no ensaio técnico. “Estou muito feliz. Saí do ensaio um pouco cansado, esse ensaio pediu um pouco mais de esforço de nós por conta da condição climática, tem muito vento na pista que é a céu aberto e eu tento ao máximo policiar para ajudar a minha porta-bandeira. Conseguimos realizar todos os movimentos obrigatórios da nossa coreografia. Sobre a nossa coreografia, ensaiamos ela até quinta-feira passada, modificamos algumas coisas na quinta-feira mesmo, mas hoje deu tudo certo e nenhum dos jurados deu errado a nossa coreografia. Acredito que estamos pontuando todos os critérios obrigatórios e tenho certeza de que vamos fazer o melhor para a nossa escola”, disse o mestre-sala.
Nathalia Bete está confiante com o desempenho do quesito no ciclo da Vila Maria para o carnaval de 2025. “Eu acredito, como eu falei pra você, a gente mudou o que tinha pra mudar na quinta-feira. Então daqui pra frente é só manter e ensaiar muito pra gente não esquecer no dia e não errar. É só acertar agora o que ficou pendente e bater em cima disso que vai dar tudo certo”, afirmou.
Harmonia
Um dos melhores primeiros ensaios que a Vila Maria realiza em anos no quesito. A comunidade clamou o samba com força ao longo de toda a Avenida, demonstrando animação e espontaneidade. As alas 1 e 5 da escola se destacaram, mas todas tiveram uma média de desempenho positivo e que torna as esperanças da Mais Famosa pela nota máxima ainda maiores.
A diretora de harmonia da Vila Maria, Jussara Félix, fez um balanço do desempenho da escola neste primeiro ensaio técnico, e apontou o que pode ser melhorado.
“Eles fizeram direitinho tudo o que a gente combinou. Cantaram, foram alegres e balançaram bastante. O diretor de harmonia sempre quer mais. Eu quero mais canto, quero mais animação, quero mais alegria e juntos nós fazemos uma escola inteira feliz”, disse.
Orgulhosa de sua comunidade, Jussara apontou o que mais gostou no desempenho da Vila Maria no ensaio técnico.
“O canto me chamou a atenção. Só nós, que estamos desde o comecinho ensaiando um por um, ala por ala, sabemos que foi bom o canto. No geral, mandaram bem demais, estou muito orgulhosa dos meus filhinhos”, afirmou.
Evolução
No geral, o andamento da Vila Maria foi positivo. Fechar os portões aos 50 minutos, o tempo mínimo de desfile do Grupo de Acesso 1, dá à escola uma oportunidade de ajustar outros aspectos do quesito para garantir tranquilidade no dia do desfile oficial. Uma pequena abertura entre a marcação do Abre-alas e a ala logo à frente foi observada na hora do recuo da bateria, mas que pode ser corrigida para o segundo ensaio.
Samba-Enredo
Fotos: Will Ferrreira/CARNAVALESCO
Com o carro de som liderado pelo intérprete Clayton Reis, o samba da Vila Maria teve bom desempenho no ensaio. De letra simples e andamento suave, a obra da escola conseguiu ser facilmente assimilada pelos desfilantes e o carro de som conseguiu sustentar bem ao longo de toda a pista. O casamento com o andamento da “Cadência da Vila” só enriqueceu ainda mais a boa impressão deixada pelo quesito no primeiro ensaio técnico da Mais Famosa.
Outros Destaques
Se tem um quesito que é sempre um destaque na Vila Maria é a bateria. O que o mestre Rodrigo Moleza consegue extrair da “Cadência da Vila” impressiona a qualquer apaixonado por carnaval. As várias bossas aplicadas em todos os momentos do samba, sempre com retorno bem executado, levantam o público e fazem o samba da Mais Famosa ganhar ainda mais força.
Mestre Moleza falou com a equipe do CARNAVALESCO sobre as impressões do desempenho de seus comandados no primeiro ensaio técnico da escola na temporada de 2025.
“A bateria vem em uma crescente desde os ensaios, as escolinhas de bateria, as oficinas de bateria mirim, da preparação para a gravação do audiovisual, depois ensaio específico de bateria e hoje foi nosso primeiro ensaio geral. Todos em uma evolução, em uma crescente, isso é importante. Hoje tivemos uma dificuldade extra que foi o calor intenso durante a tarde, nós estamos até queimados do Sol. Chegamos cedo, ao meio-dia estávamos aqui para arrumar todos os instrumentos, afinar para deixar esse som bonito que vocês tiveram a oportunidade de ouvir. Saímos feliz porque treino duro, jogo fácil. Treinamos aqui em uma grande dificuldade, em um calor acima do normal e conseguimos um desempenho esperado da bateria. Executamos as paradinhas com perfeição e agora é ter garra, concentrar a emoção porque falta pouco tempo e vamos ouvir todos os materiais, todos os elogios, todas as críticas, para poder chegarmos ao melhor possível no próximo ensaio e, consequentemente, no dia do desfile”, declarou.
O comandante da “Cadência da Vila” afirmou que o segmento estudará o que pode ser melhorado para o segundo ensaio técnico da escola. “Pode melhorar. Vamos estudar agora o material, vídeos, áudios, conversar com os diretores, com os ritmistas, ver a crítica da imprensa para ver o que podemos acertar. Sabemos do nosso potencial, mas somos também muito humildes, de pé no chão, de poder reconhecer que nós podemos sempre melhorar”, disse.
Rodrigo Moleza exaltou o trabalho de seus comandados e a capacidade de formação de ritmistas da Vila Maria ao falar dos pontos positivos com os quais sai do ensaio e que devem ser mantidos para a sequência do ciclo.
“Manter a alegria, disposição, a assiduidade da bateria que ensaia hoje três vezes por semana. É manter essa pegada, a união. A bateria da Vila Maria não tem enxerto. O que é enxerto? Não vem ninguém de fora para desfilar em janeiro, desfilamos com a nossa rapaziada, com a nossa molecada de bateria mirim, escolinha de bateria e com o nosso povo que nos segue há mais de 12 anos”, exaltou.
O histórico de carnavais da última década faz a realidade atual da Vila Maria poder ser considerada como atípica. O que se viu no Anhembi foi uma agremiação que sabe da sua capacidade e que, com os devidos ajustes, será uma das fortes concorrentes para retornar à elite do carnaval paulistano na disputa de 2025, que promete ser uma das mais acirradas já vistas no Grupo de Acesso 1.
Por Will Ferreira (Colaboraram Gustavo Lima, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Naomi Prado)
Nos últimos tempos, o Águia de Ouro costuma ser uma escola que desperta sensações extremas no universo do carnaval paulistano. Os torcedores e defensores da agremiação da Pompeia a defendem com unhas e dentes, enquanto os detratores fazem críticas bastante ácidas. Uma dessas observações está na maneira da comunidade curtir o desfile – de acordo com muitos, seguindo de maneira literal as orientações do staff da instituição. No último sábado, no primeiro ensaio técnico da azul e branca, quem destila opiniões jocosas sobre a Evolução do referido grêmio, que apresentará o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer” e será a primeira a desfilar no sábado de carnaval (01 de março) teve que se calar. Assim como acontece em todos os ensaios técnicos, o CARNAVALESCO esteve presente no Anhembi para conferir a primeira passagem do Águia de Ouro no Anhembi no ano de 2025.
Nos ensaios técnicos do ciclo carnavalesco passado, a escola trouxe um tripé de comissão de frente bastante alto e amplo – e a estratégia parece ter agradado, já que o expediente foi repetido ao menos na primeira apresentação no Anhembi em 2025. Se, no ano passado, diversos componentes ficavam na passarela e pouco subiam para o elemento alegórico, nesta temporada há mais uniformidade: pelo que foi acompanhado pela reportagem, boa parte da ação acontece em cima do tripé – sempre com coordenação e coreografia de Ruy Oliveira.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Se, no ano passado, o quesito foi sofrendo uma série de alterações, a dupla formada por João Carlos e Monalisa Bueno, mais do que se consolidar, demonstrou estar em pleno entrosamento. Com figurinos inteiramente amarelos, ambos apresentaram sorrisos estonteantes – marca de cada um deles individualmente e permanece como personalidade enquanto segmento. A graça, por sinal, não impediu que eles bailassem – algo que, ao menos na apresentação deste sábado, aparentou ser priorizado. Com a chuva que estava indo e voltando desde a escola anterior a desfilar, ambos se precaveram: Monalisa colocou uma sapatilha, enquanto João optou por usar um tênis.
A reportagem do CARNAVALESCO buscou fazer uma entrevista com a dupla, tal qual sempre faz com casais de mestre-sala e porta-bandeira ao final de cada ensaio técnico. Monalisa, entretanto, pediu para que nada fosse gravado por conta de uma questão com um familiar da profissional – algo que foi respeitado.
Harmonia
Reconhecidamente como uma das escolas que mais cantam em toda a cidade de São Paulo, havia expectativa sobre o quesito no ensaio técnico por conta da canção apresentada. Das mais criticadas da atual safra, o samba-enredo não prejudicou o reconhecidamente forte segmento da escola da Pompeia. Por sinal, as alas que compunham os segundo e terceiro setores tiveram canto ainda mais forte que o normal, se destacando. Com menos cacos do que se espera de uma dupla de intérpretes, Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto optaram pela correção não apenas na execução do samba, mas também para não banalizarr os gritos de empolgação.
Na visão de Jacqueline Meira, diretora de carnaval da agremiação, a margem para melhora é alta. “Para um primeiro ensaio, a escola veio bem, veio com tranquilidade. Estamos trabalhando há bastante tempo em uma escola que canta demais. Estamos muito tranquilos. Foi um bom ensaio, mas é claro que tem muita coisa para melhorar. Mas, para o próximo ensaio, essa animação e a força do canto devem ser mantidas”, destacou.
Sobre o carro de som, Douglinhas Aguiar, um dos intérpretes do Águia, se derreteu: “Eu gostei demais. Sou suspeito para falar porque eu sou fã de toda essa rapaziada aí, mas eu gostei. Acho que, de um a dez, está 9,5, para não ser muito paternalista. Mas gostei dos meninos hoje”, comentou.
Pouco depois, ele mesmo foi mais sereno em relação à apresentação como um todo: “Está bom, vamos seguir em frente com isso. Sempre sabemos que dá para melhorar um pouco, eu preciso chegar em casa e assistir porque de onde estamos não temos a noção de toda a escola. Vamos assistir e depois faremos um balanço legal”, prometeu.
Evolução
Curiosamente, o quesito que mais chamou atenção positivamente no ensaio técnico foi, também, o que trouxe o maior ponto de atenção. Por partes: muitos que criticam o Águia afirmam, com as devidas variações, que a Evolução do Águia é muito mecânica, sem espaço para tanta criatividade. Tal situação foi completamente mitigada no primeiro ensaio técnico da azul e branca: com muitos componentes sorrindo, interagindo, brincando e se movimentando, a agremiação teve ótimo desempenho em tal quesito na avenida. Complementando o ótimo desempenho do segmento, vale destacar a presença de alas com adornos (sobretudo bexigas), alguns componentes coreografados e a movimentação dos braços nos versos do refrão do meio.
Logo no começo do desfile, enquanto a bateria entrava no recuo, a ala das ciganas (que vinha logo à frente), segui evoluindo. Pior: a ala que vinha logo depois demorou para ocupar o espaço na passarela – Renata Spallicci, rainha de bateria da agremiação, tentou conter o clarão, mas não foi suficiente. Tal ponto, certamente, será observado pelos profissionais do Águia já para o próximo ensaio técnico.
Samba
Como dito anteriormente, a obra é uma das mais criticadas pelo universo do samba paulistano – e isso em nada prejudica a agremiação, que segue cantando fortemente a canção. Vale destacar, entretanto, a já famosa bossa em ritmo de Baião realizada pela Batucada da Pompeia, comandada por mestre Juca.
Ele, por sinal, enxergou muitas qualidades no ensaio: “O andamento veio no mesmo beat desde o começo até o final, e fizemos aquilo que nos propomos a fazer. É lógico que algumas coisas que têm que acertar, mas tem mais um ensaio aqui ainda. Foi muito válido, foi muito bom”, disse.
Jacqueline, entretanto, fez uma autocrítica forte: “Nunca está bom! Tem que melhorar sempre e tem que buscar sempre o melhor pelo nosso pavilhão, pela nossa estrela maior”, derreteu-se.
Ela não foi a única a fazer uma autocrítica: “Sempre tem alguma coisa para melhorar com relação a ataque de tamborim e chocalhos, por exemplo. Temos que fazer algumas paradas para não deixar nada sobrando, é só limpar o que foi proposto para outros ensaios. Tem muitas pessoas novas na bateria que subiram da escolinha, então é natural o nervosismo da primeira vez. O restante nós temos que manter”, pontuou.
Já Serginho do Porto preferiu exaltar a obra: “O desempenho foi maravilhoso. É um samba leve, fácil de ser cantado. Isso ajudou bastante a harmonia, a bateria e o ritmo da escola. graças a Deus está muito bom. Falta pouco, temos mais ensaios aqui. É como diz o samba: ‘Em minha vida, olha aí o desengano. Só peço a Deus que me faça chorar’. Está muito bom, tudo que nós queríamos e estamos fazendo na quadra refletiu aqui nesse ensaio. Sabemos que é o primeiro, ainda tem mais um e depois tem um oficial, mas foi maravilhoso. Tudo o que queríamos, tudo o que imaginamos, tudo o que pensávamos, nós fizemos aqui ao comando do nosso querido Pelé”, animou-se, citando o diretor musical da azul e branca.
Outros destaques
Reinando à frente da bateria, Renata Spillaci, nova rainha de bateria da agremiação, estava extremamente sorridente e buscava sempre interagir com a arquibancada, tentando trazer mais vozes para o coro do Águia.
Por Naomi Prado (Colaboraram Gustavo Lima, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Will Ferreira)
A Tom Maior realizou no último sábado seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi. Levando para o carnaval de 2025 o enredo “Uma nova Angola se abre para o Mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade!”, que é uma reedição do carnaval de 2009 a escola será a 5° a desfilar no domingo de carnaval. Marcado pela evolução e pela atuação da bateria a vermelha e amarela realizou um ensaio técnico vibrante aos olhos do público e dos componentes. A bateria, de mestre Carlão, executou bossas que elevaram o canto da comunidade que, por sua vez desenvolveu uma ótima evolução.
Dirigida por Yaskara Manzini, a comissão de frente realizou um ensaio muito representativo. Acompanhados por um tripé os componentes realizam coreografias que realmente representam o samba-enredo. Em determinado momento realizam passos oriundos de danças africanas, ja em outro ato os competentes sobem para o tripé restando apenas dois elementos principais, que podemos entender ser uma criança vendo seu futuro.
A comissão além de toda performance cumpre com a obrigatoriedade de reverenciar a escola e o público. Tendo 11 componentes exceto os dois elementos principais os homens vieram com pinturas corporais usando apenas calças já as mulheres vieram com croppeds e a parte inferior igual aos homens.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Apesar das condições climáticas foi uma boa noite para Ruhanan e Ana Paula. O casal concluiu os requisitos que o regulamento pede, executando o bailado com sincronismo, apresentando o pavilhão e mostrando conexão com o par. A apresentação para o jurado contém mais dança do que coreografia embora as partes coreográficas tenham sido bem executadas. São coreografias condizentes com o enredo e que pedem um pouco mais de expressão facial e corporal.
No segundo e no terceiro módulo o vento estava atrapalhando do desenvolvimento da porta-bandeira fazendo com que ela pusesse mais força para manter o pavilhão desfraldado e assim o fez, o pavilhão não enrolou.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Para o CARNAVALESCO, Ana Paula abordou o que acredita que possa evoluir: “Podia não ventar, mas aí não é nosso o problema, acho que além do vento, dá pra melhorar um pouquinho, precisa só continuar, é só deixar um pouquinho a emoção de lado”, relata.
Ainda que tenham existido adversidades o casal fez suas apresentações de maneira clara e constante vestindo um figurino branco clássico, contendo detalhes espelhados em prata.
Harmonia
Sonhando a volta ao Grupo Especial para o próximo carnaval a harmonia veio com o regulamento estudado e bem feito para este primeiro ensaio técnico.
No refrão do meio onde diz “Oh deixa a gira girar Vamos girar A proteção Zambi nos dá Vem na ginga d’Angola E deixa o corpo balançar” – a escola faz uma coreografia geral que proporciona um ótimo efeito para os jurados e para o público, juntamente com a coreografia é agregado o canto que ecoa principalmente quando neste mesmo verso a bateria realiza bossas.
Satisfeita com o resultado a diretoria de carnaval Érika Ferreira destaca: “Estou muito feliz, muito orgulhosa com a comunidade! Eu sempre falo para eles que quem sonha faz. E hoje a comunidade Vermelha e Amarela fez”, afirma.
Evolução
O primeiro setor da agremiação despontou com um canto aguerrido, além de uma evolução corporal significativa. Mesmo com um início de chuva a Tom não perdeu sua evolução, os componentes permaneceram cantando e brincando carnaval. A escola veio compacta e com muita animação. Com o andamento constante a escola executou o recuo da bateria com excelência mostrando que os harmonias estavam atentos e capacitados para o ensaio.
Foi um ensaio onde os integrantes mostraram que aprovaram a reedição desse enredo e que por isso evoluirão e cantaram com louvor. A única ala que podemos apontar uma falta de sincronia com o restante da escola, é a ala 8 que foi composta por componentes que evoluíram menos que os demais, porém seguiram cantando de maneira mediana. Exceto esse pequeno ajuste a Tom Maior apresentou uma evolução solta, alegre, compacta e competitiva.
Samba-enredo
Como dito acima a comunidade abraçou a ideia da proposta de reedição da diretoria. O samba que a agremiação levará para 2025, tem um refrão do meio marcante, o que chamamos de “chiclete”. É um refrão que em duas passagens fica na memória do componente e também do público. A ala musical tem a frente um grande e experiente nome no mundo do samba, que é o intérprete Gilsinho.
“A Tom Maior cantou demais, é fácil para o desfilante cantar. É um samba que todo mundo já canta naturalmente, o samba é conhecido, fica fácil”, disse o intérprete.
O cantor aproveitou o samba na boca do povo e chamou ainda mais o público para interagir com a Tom Maior, além da afinação e da harmonia do carro de som que o acompanhou. Enaltecendo o seu time de canto Gilsinho comentou: “Com o carro de som eu estou super feliz, não tenho o que falar do carro de som, só os amigos mesmo. Vamos continuar trabalhando forte, temos um próximo ensaio aonde vamos dar mais um gás e no dia do desfile vai ser daquele jeito”, conta.
Outros destaques
A bateriam de mestre Carlãom veio com um andamento que elevou a evolução da escola e com nossas que elevaram o canto da escola. Podemos destacar o sincronismo dos nipes: chocalho, agogô e tamborim. A frente da bateria “Tom 30” realizou um excelente trabalho ao que se refere a musicalidade e limpeza sonora.
Ao CARNAVALESCO, o mestre de bateria disse sobre a proposta para 2025: “Manteremos uma coisa que viemos ensaiando desde julho, a proposta é essa e não tem o que inventar”, afirma.
Com excelente qualidade, foi um ótimo ensaio para a bateria da Tom Maior. Pâmella Gomes, rainha de bateria, e a madrinha Andreia Gomes aproveitaram a cadência e a potência da “Tom 30” para mostrarem muita simpatia, samba no pé e entrosamento com a bateria.
Em mais um Encontro de Quilombos na rua Mirandela, a Beija-Flor mostrou suas qualidades mais notórias. Uma comunidade aguerrida, um samba cantado com força pelos componentes durante todo o ensaio, uma bateria com sustentação de ritmo e excelente afinação. E sobretudo, um casal que não cansa de proporcionar momentos de extrema beleza e técnica. Próximos de completarem 30 anos como mestre-sala e porta-bandeira da azul e branco de Nilópolis, Claudinho e Selminha esbanjaram categoria, elegância e muita vitalidade no bailado. Ídolos da comunidade nilopolitana, foram festejados por todos os setores que estavam lotados de pessoas assistindo ao ensaio. Um casal que se mantém no mais alto nível e se reinventa após cada carnaval. Selminha, Claudinho e toda a Beija-Flor pisarão na Marquês de Sapucaí como a segunda escola da segunda-feira de carnaval do Grupo Especial, trazendo a homenagem ao inesquecível Laíla, no enredo desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo.
O diretor de carnaval Marquinho Marino deu sua opinião sobre o encontro de quilombos da noite. “O Encontro de Quilombos, sinceramente, não tem disputa entre as escolas, é o momento das escolas se unirem, de estarem ali dando ao público uma novidade, trazendo uma coirmã, algo que é praticamente inédito pras pessoas daqui. Já tinha sido um encontro de alto nível com a Mocidade, hoje com a Imperatriz o nível se manteve tanto da Imperatriz como o nosso também. Eu não uso isso como parâmetro, porque realmente não penso como disputa, porém ao mesmo tempo não podemos tapar os olhos. Você vê o alto nível que as escolas estão hoje e demonstra claramente que o campeonato vai ser decidido nos detalhes, são quesitos que a gente tem que tomar cuidado, estamos preocupados com os detalhes porque exatamente eles irão separar o campeão das demais. Mas sobre hoje estou muito satisfeito, não preciso mais cobrar o canto da comunidade, em evolução sempre cobramos pois temos que tomar cuidado com a organização, mas o canto é muito ligado ao coração, à paixão pela escola, e principalmente ao enredo e samba. Acho que a comunidade está tão feliz com os segmentos, com o samba e o momento da escola que facilita demais para a harmonia. Estou satisfeito, mais um ensaio muito bom e bem proveitoso, é manter esse nível, não deixar cair no dia do desfile, o ápice precisa ser no desfile”.
Comissão de Frente
Trazendo a coreografia apresentada nos últimos ensaios, a comissão coreografada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon trouxe a figura de Exu permeando uma comissão formada só por homens. Exu é o ponto central da comissão, que realiza a sua coreografia ao redor dele, um ponto de destaque é o momento em que o personagem é erguido pelos demais componentes da comissão.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Fotos: Luiz Gustavo e Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO
Uma apresentação de Claudinho e Selminha Sorriso. Impecáveis, elegantes, passos esguios, Claudinho com muita agilidade nos giros, Selminha com movimentos bem suaves, ambos trocando olhares o tempo todo, aproveitando todo o entrosamento adquirido ao longo de tantos anos de parceria. O casal que é uma legenda do carnaval carioca e da história da Beija-Flor segue exibindo a mesma categoria que os consagrou,
mostrando uma excelente forma para realizarem mais um grande carnaval.
Harmonia e Samba
O chão da Beija-Flor se mostrou presente, segurando e levantando o samba durante toda a passagem da escola pela Mirandela. Um canto com muita garra, bastante vibração e alto volume, como é característico da agremiação. Os refrãos são fortemente cantados, e o momento de maior explosão é na segunda passada, nos versos “eu vou seguir sem esquecer nossa jornada, emocionada, a baixada em redenção”, quando a subida melódica e a força dos versos colocam o componente em êxtase, mantendo o samba em cima no refrão principal.
Samba que teve um desempenho de ótima qualidade neste ensaio, comandado por um Nino do Milênio, cada vez mais entrosado com o carro de som e com o andamento implementado pelos mestres Plínio e Rodney. Sustenta bem todo o ensaio e tem um refrão de muita força, potencializando o canto da comunidade de Nilópolis, que canta com alegria o samba feito para um dos seus nomes mais ilustres.
Evolução
A azul e branco pisou na extensa pista da rua Mirandela com a costumeira fibra que deu ao chão da escola o apelido de “rolo compressor”. Uma arrancada forte debaixo de uma rápida chuva que caiu no início do ensaio da escola e uma sequência de ritmo após os primeiros minutos mantida até o final, mesmo na pista longa. Algumas alas coreografadas, que também ensaiaram muito aguerridas e com canto forte, como a ala vestida de ciganos. A ala das pretas velhas, que lembra o desfile de 2001 sobre “Agotime”, dá um peso à escola e promete impactar na avenida.
Outros Destaques
Savia David, musa da Beija-Flor, desfilou ao lado de seu filho que esbanjou carisma e sambou bastante. Numa bonita noite de dois excelentes ensaios, a união entre Beija-Flor e Imperatriz marcou o evento. O presidente da agremiação de Nilópolis, Almir Reis, falou sobre a relação entre as duas escolas.
“Para gente é a maior emoção estar com essa escola, nossa coirmã Imperatriz Leopoldinense até pela história, nossos patronos são amigos por muitas décadas e a gente sabe que a Imperatriz é uma potência. Hoje a Imperatriz tem um dos sambas mais escutados com certeza. Essa união, essa cumplicidade, isso não tem preço. É muito bom ter a Imperatriz aqui hoje. A gente tem que olhar para o para-brisas e não pelo retrovisor. É muito importante a gente mostrar essa união entre nós para esquecer o que ficou no passado e olhar pra frente. Nossos patronos sempre foram amigos e não podemos mudar isso”,
Por Gustavo Lima (Colaboraram Naomi Prado, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Will Ferreira)
Uma escola com potencial é o que vimos na noite deste último sábado. Se no domingo passado o Camisa Verde e Branco havia feito um dos melhores ensaios de sua história, o nível do treino se repetiu, não deixando o nível cair. Todos os quesitos tiveram destaque, mas o principal foi o canto da comunidade, que manteve a intensidade durante toda a passarela. O samba-enredo comandado por Igor Vianna e a bateria “Furiosa” sob regência de mestre Jeyson também valem um ponto especial, pois o entrosamento, especialmente nas bossas, influenciaram diretamente na arquibancada, que respondeu à altura. O Trevo da Barra Funda irá realizar ainda outro treino, marcado para daqui a duas semanas, no dia 08/02. Pelo intervalo de ensaios e pelo que foi apresentado, a expectativa é grande. O Camisa Verde Branco irá encerrar a sexta-feira de desfile com enredo em homenagem ao Cazuza, intitulado como “O Tempo Não Para! Cazuza – O Poeta Vive”.
‘’Foi um ensaio bom, um ensaio técnico, literalmente falando, a escola está no caminho, estamos nos organizando, melhorou do ensaio passado para agora, a intenção é chegar redondinho no último, para no dia a parada acontecer. O canto é sempre bom a gente intensificar, a evolução, sempre intensificar, a escola passou redondinha hoje, é melhorar e colocar a cereja no bolo. A escola veio muito organizada e temos que manter’’, avaliou o vice-presidente e diretor de carnaval, Victor Ferro.
Comissão de frente
Se na semana passada a ala foi ao Anhembi vestida toda de branco e jeans, desta vez os bailarinos optaram por um conjunto colorido, estilo ‘Jane Fonda’. A ala coreografada por Luiz Romero basicamente repetiu a coreografia realizada no ensaio da semana passada, tendo dois personagens que interpretam o Cazuza: O primeiro é uma criança – Essa ficava na pista a maior parte do tempo, interagia com os outros componentes, pulava e fazia movimentos de rock e o típico sinal com a mão. Em certo momento, eles trocavam e aparecia um Cazuza mais velho com óculos escuro e carregando uma bandeira do Brasil. A aparição deste bailarino é menor e se resume basicamente ao grande tripé de escadas (que aparentemente simula um palco), enquanto o pequeno aparece basicamente a todo instante.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Estreantes como parceiros e também na agremiação, Everson Sena e Lyssandra Grooters parecem estar bastante felizes juntos. O sorriso no rosto de ambos e o desempenho na passarela foi a prova disso. O casal esbanjou categoria, realizando todos os movimentos e, principalmente, a coreografia dentro do samba com excelência, além de sustentarem o pavilhão no final do ensaio com a ventania que se iniciou.
“Eu gostei bastante, eu acho que a escola está bem alinhada, o espaçamento está vindo muito bom, bem compacta, sem desespero. Eu acho que esse é um dos pontos fortes do Camisa esse ano, vindo bem alinhada. E também o canto. Acho que o canto do primeiro para o segundo agora está crescendo e eu acho que se a gente vir nessa pegada, há grandes de ficarmos entre as 5 do carnaval”, disse o mestre-sala Everson Sena.
“Começando pelo nosso setor, que era o que a gente precisava alinhar mais: Nosso primeiro ensaio foi muito bom no modo geral, da escola inteira. A gente precisava corrigir alguns detalhes e conseguimos fazer. Por isso é muito importante ter outro ensaio. E graças a Deus a gente tem mais um. É outra oportunidade de melhorar. A gente está muito feliz com o que apresentou hoje. Acho que a energia da escola estava melhor, o canto estava melhor, a comunidade está feliz e a gente, para o terceiro ensaio, vamos vir mais preparados e concentrados ainda, esperando que a nossa escola entre as cinco e faça um ótimo carnaval. É isso que a gente quer e é isso que a gente está estudando”, completou a porta-bandeira Lys Grooters.
Harmonia
Foi o principal quesito positivo no ensaio da escola. Impressionante como o canto da comunidade da Barra Funda em relação ao último domingo não caiu de produção. Se manteve ou até melhorou. A intensidade que os componentes colocaram refletiu até na arquibancada, especialmente nos últimos versos do samba e, ainda mais, quando a bateria Furiosa executou a bossa que realiza um pequeno apagão: “A Barra Funda mostra sua cara/Relembrando o seu apogeu/Declama em lindos versos/O poeta não morreu. Simultaneamente a isso, palmas com as mãos para cima aconteceram e o público sempre correspondia, já embalando no refrão principal e explodindo. Isso tudo também ocorreu no primeiro ensaio e, agora, com o Anhembi ainda mais lotado no aniversário de São Paulo, ficou especial.
Evolução
A escola ensaiou solta, executando os movimentos de um lado para o outro no seu lugar. Tudo foi executado de maneira correta. Não há coreografia dentro do samba, mas como destacado no tópico acima nos últimos versos do samba, acontecem as palmas levantadas para cima, dando um belo efeito visual na pista. Também outro destaque é na frase ‘te amo Lucinha’ no refrão principal: Muitas pessoas fazem o coração com as mãos.
Samba-enredo
Um dos melhores do carnaval paulistano por seu contexto diferente e, também, um dos mais queridos pelo público do samba, a obra do Camisa cresce cada vez mais na voz do Igor Vianna e sua ala musical, muito bem entrosada. Junto da bateria “Furiosa”, a introdução sempre é feita ao som da canção “Pro dia nascer feliz”, quando Cazuza era vocalista da banda de rock, Barão Vermelho e, logo, após já emendam nos últimos versos para o refrão principal. Realmente é um carro de som e um mestre que se entendem e conversam muito, ideias diferentes e que casam com o enredo. Nos momentos de catarses já citados, Igor Vianna, com sua voz potente também tinha participação fundamental, onde chamava a comunidade e todos cantavam em uma só voz.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
O intérprete Igor Vianna avaliou o ensaio do último sábado como superior ao de domingo passado. “Hoje com certeza foi melhor do que semana passada. No primeiro ensaio foi um bom trabalho, que tinha muito mais a melhorar e hoje melhoramos. Os meninos estão cada vez mais se conhecendo com o trabalho. O trabalho foi maravilhoso e a ideia é melhorar mais ainda para chegarmos 100%. Vamos dizer que da nota 100 que temos que tirar na escola, eu acredito que hoje chegamos aos 90, 95, por aí, isso da parte do carro de som. Hoje, quando a bateria entrou no recuo, eu resolvi ficar no meio da escola para ver o canto da escola, ver a escola cantando, e a escola está cantando demais. Acredito que são poucos detalhes a serem acertados para o dia do desfile”, destacou.
Vianna diz sair satisfeito, mas promete estudar o ensaio e aprimorar para o próximo, além de cobrar a sua ala musical. “Satisfeito eu estou saindo sim, mas sempre queremos melhorar. Vou chegar em casa, vou estudar os vídeos do CARNAVALESCO e de outros sites, que eu não paro em um vídeo só, vou estudar o vídeo da Liga e ali eu vou pontuar como pontuei nos vídeos da semana passada. O de vocês foi ótimo para eu fazer isso e eu cobrar mais o ataque deles, e hoje eu tive mais o ataque deles. Vou pedir, vou olhar e se eu tiver de pedir de novo mais o ataque eu já falei para eles. Eu sou um ogro, mas não sou um bicho papão, então eles não têm que ter medo de cantar comigo. Se eu chamei eles para fazer parte do meu carro de som é porque eu vi o bom desempenho deles, eu vi o quanto eles são bons”, finalizou.
Outros destaques
A bateria “Furiosa”, de mestre Jeyson Ferro, executou várias bossas e mostrou estar extremamente entrosada com o samba e com a comunidade. A caixa rufada e cadenciada particular do Camisa Verde e Branco é um espetáculo à parte. De acordo com Jeyson, ainda há o que melhorar. “Hoje foi um pouco melhor do que o primeiro. É sempre assim. A gente fala do primeiro, mas são quatro ensaios e a gente vem na evolução. Hoje eu gostei muito do andamento e da retomada das bossas. Tem alguma coisa ali que pode melhorar, porque para mim ainda não está do jeito que eu quero, mas, se Deus quiser, a gente tem o próximo ensaio que é dia 8 de fevereiro e o último ensaio que é específico de bateria é no dia 14 de fevereiro. Creio que até lá as coisas vão estar todas no eixo”, declarou.
Sophia Ferro, rainha de bateria, vestida inteiramente de branco brilhou junto com a “Furiosa”.
Por Gustavo Lima (Colaboraram Naomi Prado, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Will Ferreira)
Um samba-enredo de alta qualidade deixa toda escola e comunidade com a confiança lá em cima. É o que está acontecendo com a Barroca Zona Sul, que realizou o seu segundo ensaio técnico neste sábado e teve todo o conjunto de quesitos como altamente satisfatório. É difícil destacar apenas um, mas dá para colocar o samba-enredo com os intérpretes Cris e Dodô e a forte e complexa comissão de frente. Um canto surpreendente, a bateria “Tudo Nosso” com várias bossas e andamento para frente também foram outros destaques. Um treino para ficar marcado, superando ainda mais o da semana passada e, também, sendo o melhor deste sábado, que contou com sete escolas no total. A verde e rosa de Jabaquara ainda irá realizar outro ensaio no dia 08 de fevereiro, prometendo melhoras, de acordo com as lideranças de seus segmentos.
Sendo a segunda escola a desfilar na sexta-feira, a Barroca Zona Sul irá levar o enredo “Os nove oruns de Iansã”, assinado pelo carnavalesco Pedro Magoo.
“Esse ano eu acho que a gente acertou no samba. O samba está na boca do povo. Isso facilita muito o trabalho. O contingente que a escola vem é muito bom e o povo abraçou o samba e inclusive a arquibancada. O pessoal vem para ver o samba da Barroca, vem para ver a nossa escola, que esse ano está um pouquinho diferente, a gente mudou algumas coisas. Vamos ver o que vai dar. Melhorar ainda mais para o próximo, que a gente nunca está satisfeito com o que acontece. Melhoramos um pouquinho do primeiro e vamos melhorar muito para o último”, avaliou um dos diretores de carnaval, Joni.
Comissão de frente
Fotos: Gustavo Lima e Will Ferreira/CARNAVALESCO
Uma imponente comissão de frente foi apresentada neste ensaio da agremiação do Jabaquara. A ala, comandada por Chris Brasil apresenta logo de cara uma personagem representando Iansã em uma vestimenta toda avermelhada, orixá enredo da agremiação. Os outros bailarinos a seguiam o tempo todo e empurravam um objeto alegórico com rodas, sendo oito no total. Logo atrás, havia um tripé com outros componentes que, por mera interpretação, vestidos de verde e rosa e adereços no rosto, representavam outras entidades. De fato é uma comissão de frente complexa que promete muito no desfile oficial.
Joni, membro da direção de carnaval, falou sobre a comissão. “Conta um pouco da história dos nove oruns e das várias personalidades de Iansã. Vem algumas Iansã sendo representadas e cada personalidade delas. Vai ter uma surpresa e eu não posso revelar”, contou.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Marquinhos Costa e Lenita Magrini é espetacular. É impressionante a intensidade que a porta-bandeira coloca nos seus giros, o que, por consequência, potencializa a dança do mestre-sala. Foi o que aconteceu neste sábado, mas, também, a partir do setor monumental, a porta-bandeira começou a sentir dificuldades pela forte ventania que predominou o Anhembi durante todo o ensaio. Porém, após este acontecimento, conseguiram contornar o percalço e seguiram com o ensaio normalmente o terminando de forma satisfatória.
“Eu acho que a gente vem numa crescente muito boa, desde os ensaios específicos até agora. É trabalhando e buscando. Acho que cada dia é melhor que ontem. Foi um ensaio lindo e este teve um ventinho, mas é assim, é lidando com a diversidade, é levando, é sabendo lidar e cada dia é melhor que o outro”, disse a porta-bandeira.
Seguindo com a fala, Lenita falou sobre os problemas que enfrentou com o pavilhão. “Não tem o que fazer, é o que eu falo, é o preparo mesmo, é baixar o pavilhão. A gente fala tombar o pavilhão um pouquinho e às vezes vai enrolar mesmo. É você ter a graça de desenrolar com delicadeza e tentar que não seja na frente do jurado. Mas é isso, é trabalho atrás de trabalho para buscar o melhor, tanto para a gente quanto para a nossa agremiação”, declarou.
“Até o dia tem tudo para melhorar. A dança é assim, sempre buscando ajustar. Mas hoje foi muito bom, acho que até com relação ao espaçamento, a gente veio muito mais tranquilo e consciente do que a gente tem ali para não deixar abrir e conseguir fazer a apresentação no ponto que a gente marcou pra começar. Foi legal também que a gente teve alguns testes de adaptações durante a dança, até por conta do vento, por causa de algumas coisinhas na dança ali, isso é um teste pra gente também o quanto a gente consegue se adaptar um ao outro quando às vezes não é 100%”, completou o mestre-sala.
Harmonia
Outro grande destaque do treino da escola. Um dos sambas mais queridos do carnaval, a comunidade da Barroca Zona Sul abraçou a obra e está cantando com bastante intensidade. Foi assim no primeiro ensaio e a dose também foi repetida no segundo. O refrão principal e o ‘semi-refrão’ que vem logo depois, explodiram com os componentes e arquibancadas.
Os intérpretes Cris Santos e Dodô Ananias contribuem bastante para isso. É chover no molhado exaltar os estreantes, mas eles vêm conduzindo o carro de som da verde e rosa de Jabaquara com maestria.
Evolução
A escola desfilou leve com os componentes balançando de um lado para o outro em suas fileiras. Não há coreografia dentro da evolução durante o desfile, mas os componentes fazem um efeito com as mãos: O sinal de Iansã ao balançar das mãos no semi-refrão “
Akoro mina dewá aê, akoro mina dewá/Epahey Oyá! Oyá, Oyá!”, que significa uma saudação para a orixá. Além de solta, os componentes desfilaram compactados e sem qualquer risco de erros.
Samba-enredo
Como citado anteriormente, Cris Santos e Dodô Ananias conduzem o carro de som de forma excepcional. É comum na história do carnaval ver duplas desfilando, mas dificilmente há um entrosamento e uma parceria tão forte. Nitidamente as vozes dos dois aparecem, dá para diferenciar, em dado momento eles se intercalam no canto (isso acontece especialmente na largada do samba 2025). São apostas da diretoria que vingaram prontamente e que estão mostrando suas qualidades nestes dois ensaios técnicos realizados.
A obra explode o tempo inteiro, uma melodia que termina nos tons mais altos e, por isso, dá para ouvir o canto da comunidade ecoar forte.
Cris Santos avaliou o seu carro de som e exaltou todos os participantes. “A ala musical, com os detalhes que fomos acertando no outro ensaio, foi perfeita, maravilhosamente bem. O grupo de cantores, que nós falamos ala musical, mas aqui eu considero todos como intérpretes oficiais, todos que levam o nome da Barroca, o nome da escola, são todos oficiais. Não tem Dodô, não tem Cris, , tem Jéssica, tem Maurício, tem Fabão, tem Jacopetti, tem as nossas cordas, acho que todo mundo é oficial. Acho que eu não posso intitular eles como ala musical e sim como todos são oficiais da Barroca Zona Sul”, comentou.
Dodô analisou o ensaio como melhor do que na semana passada. ”Acho que tecnicamente ele correu de uma maneira melhor do que o primeiro. É aquilo que eu venho falando, a atmosfera e o clima estão acontecendo e está a cada ensaio. A cada encontro que estamos tendo na Avenida, vem aumentando. Vamos seguir trabalhando junto da nossa comunidade, elevando o nosso nome e levando o nome da nossa escola para chegar primeiro no dia 8 de fevereiro e após no dia 28, para chegar no ápice no dia 28”, completou.
Outros destaques
A bateria “Tudo Nosso” foi ‘tirando onda’ na avenida. Executou as bossas com maestria, o que deixou o mestre Fernando Negão contente. Destaque até para os chocalhos com suas coreografias com leques.
O mestre Fernando Negão falou sobre melhoras para chegar perfeito no dia oficial. “Acho que a nossa bateria melhorou bastante no primeiro ensaio, acertamos alguns detalhes. Temos mais coisas ainda para acertar no dia 8, que é o nosso último ensaio técnico para chegar aqui já tinindo para tudo que eu pretendo fazer no desfile”, destacou.
Entretanto, se mostrou otimista com a batucada e promete estar ajustando tudo para o próximo ensaio que é daqui a duas semanas. “Acho que está rolando quase tudo, temos que acertar só alguns detalhes, até nos instrumentos novos que colocamos no apagão, que é uma coisa nova que quisemos dar meio que uma ‘macumbada’ no refrão, mas vamos ensaiar mais um pouco, trabalhar mais um pouco mais para o ensaio do dia 8. Podemos ajustar algumas coisas nas bossas, algumas escapadas, o andamento está oscilando um pouquinho ainda e vamos ajustar para o próximo ensaio”, finalizou.
A Imperatriz Leopoldinense participou do “Encontro de Quilombos” junto com a Beija-Flor de Nilópolis no último sábado. E a escola aproveitou o palco não usual para realizar um ensaio num clima de festa, alegria e menos rigidez nos quesitos. Nem por isso deixou de apresentar o nível de excelência que tem conquistado nos seus segmentos. Uma abertura fortíssima com uma comissão de frente impactante com a incorporação dos orixás, e o casal Phelipe e Rafaela vivendo um exuberante momento técnico, uma evolução feliz e contagiante, um canto na ponta da língua dos componentes e mais um excelente desempenho do samba defendido de maneira impecável por Pitty de Menezes e seus
auxiliares. Um samba que para alguns pode ser um desafio para o canto por ter algumas citações à orixás ou pelo seu refrão principal cujo início é em língua Ketu, mas que mostra mais força a cada ensaio que a Verde e Branco realiza, se colocando na prateleira de cima dos sambas para esse carnaval, e neste ensaio casou perfeitamente com o ensaio solto que a escola realizou.
André Bonatte, diretor de carnaval da Imperatriz, falou sobre o ensaio. “Acho que a gente não veio aqui muito preocupado com a técnica, isso é uma coisa orgânica porque ao longo dos fins de semana lá a gente vai fazendo o andamento e a gente reproduziu isso aqui. Mas acho que o grande barato desse evento, esse encontro que é uma coisa de ancestralidade, que é uma questão de história de duas escolas que se cruzam desde um primeiro momento em que as escolas que não eram do Rio de Janeiro não poderiam desfilar, receber subvenção, nada, e a Imperatriz oferece a sua sede na rua Teixeira Franco, número 22, para que a Beija-Flor pudesse desfilar na cidade do Rio de Janeiro, então em algum momento da história da Beija-Flor o endereço dela foi Ramos e vem aí a amizade do Anísio com o próprio Luizinho e isso vai passando em gerações. Hoje a questão técnica ficou em segundo plano, a gente veio fazer uma grande festa e acho que conseguimos”.
A Imperatriz será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, apresentando o enredo “Ómi Tútu ao Olúfon – Água fresca para o senhor de Ifón”, do carnavalesco Leandro Vieira.
Comissão de Frente
Manteve a pegada impactante dos ensaios de Ramos, com componentes representando orixás como Exu, Xangô e Oxalá, em uma coreografia muito visceral, com forte teatralização e interpretação, e o momento onde alguns integrantes acendem fogo, levantando o público presente em Nilópolis. Resta saber se essa base de coreografia será a utilizada no desfile oficial. Se sim, o coreógrafo Patrick Carvalho apostará numa comissão muito dinâmica e de boa comunicação com o público para obter uma boa estreia no comando da comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense. Todos os componentes estavam fantasiados.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Desde que voltaram a formar um casal, após o carnaval de 2022, Phelipe e Rafaela vivem um momento espetacular, dois carnavais com nota máxima no quesito, e para 2025 continuam exibindo um bailado de excelência. A dupla mostrou uma dança solta e bem sincronizada, com um bailado mais tradicional, principalmente pela parte de Rafaela, encaixando elementos mais coreográficos em alguns trechos do samba, como no refrão principal. Phelipe mantém seu bailado ágil e de muita expressividade visual, dando ao casal uma versatilidade que se casa perfeitamente entre ambos.
Samba e Harmonia
Pelo terceiro ano consecutivo a Imperatriz tem um dos sambas mais elogiados da safra, e o rendimento ao vivo referenda tais elogios. É um samba com variações melódicas que valorizam a obra, com uma subida que levanta o canto da escola no refrão principal, que mesmo com o trecho em ketu flui com enorme facilidade. Pitty de Menezes se mostra um dos grandes intérpretes da atualidade e comanda um carro de som muito azeitado, que segura todas as subidas e descidas de notas que o belo samba possui. E essa fluidez harmônica não é vista apenas no carro de som da escola, mas também no canto dos componentes, que desempenharam com empolgação durante todo o ensaio.
A ala de baianas, que costuma ter uma média de idade mais elevada e por vezes um canto mais contido, entoou o samba com muita vontade. A escola, outrora conhecida como “certinha de Ramos” desfila cada vez mais solta e feliz. Um outro ponto de destaque foram os diretores de harmonia, quase todos cantando o samba do início ao fim do ensaio. O intérprete Pitty de Menezes ressaltou a importância deste evento e o desempenho do samba da Imperatriz.
“Primeiro quero agradecer à toda comunidade de Nilópolis por ter recebido a gente com muito carinho, essa avenida que é a Mirandela lotada, foi muito legal fazer um ensaio aqui junto com a Beija-Flor e ver a força do nosso samba. A gente pôde ver que não estamos só em Ramos, o samba está sendo cantado por todo o público que ama o carnaval, e o entrosamento com a bateria foi maravilhoso, mestre Lolo dispensa comentários, tenho que agradecer à toda minha galera do carro de som, direção musical, e fizemos um ensaio maravilhoso, com sincronia, o canto foi uniforme, o encontro com a Beija-Flor foi lindo”.
Evolução
A verde e branco se preocupou menos com o tempo e andamento de treino para o desfile, passou num ritmo mais lento para brincar ao máximo. Apesar deste ritmo mais devagar, a escola não evoluiu com marasmo, os componentes mostraram muita animação e conseguiram passar isso para o público, que reagiu muito bem ao ensaio da Imperatriz. A agremiação da Leopoldina trará algumas alas coreografadas que estão evoluindo com fluidez, sem engessar o avanço da escola. A comunidade se mostra bem feliz com o momento da Imperatriz, desfilando com alegria, sorriso no rosto e empolgação.
Outros Destaques
A bateria, de mestre Lolo, trouxe quatro bossas, executadas com muita precisão, como o ijexá no trecho que cita o ritmo. De alto nível de execução e concepção, realçando o grande momento desta bateria que desde 2016 alcança os 30 pontos válidos. A musa Carmem Mondego veio à frente da bateria, que não contou com sua rainha Maria Mariá. Antes da entrada da bateria no recuo, uma bandeira foi aberta com as imagens de Anisio Abrãao David e Luizinho Drummond abraçados, maiores presidentes da história das duas agremiações, respectivamente. Uma bonita homenagem sendo o retrato do significado do encontro entre as duas escolas. João Drummond, diretor executivo da Imperatriz e filho
da presidente Cátia Drummond, falou sobre o evento.
“Pra mim é uma sensação de grande honra, ter essas duas escolas gigantesca dividindo esse solo sagrado que é a Mirandela, que é a casa da Beija-Flor de Nilópolis. Eu tenho um carinho muito grande pela Beija-Flor, tenho um pedacinho do coração na baixada fluminense, minha família é de São João de Meriti, tenho um carinho muito grande por toda família Abraão David, ao meu tio Anisio, então receber esse convite e estar aqui dividindo esse espaço hoje é um orgulho e uma felicidade muito grande. Acho que Imperatriz e Beija-Flor sempre foram amigas. Durante a década dividiram campeonatos, disputas acirradas e disputa todo mundo quer levar a melhor, mas a relação entre as duas escolas é a melhor possível.”
Por Naomi Prado (Colaboraram Gustavo Lima, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Will Ferreira)
No último sábado o Vai-Vai realizou seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi. Com três destaques, sendo eles: bateria, carro de som e comissão de frente, o ponto alto da escola. Vivendo Zé Celso, o homenageado no enredo, a risca os componentes transmitem muito teatro, libertinagem e alegria em seus passos. A bateria trouxe uma evolução na execução das bossas agregando interação com o público juntamente com a ala musical liderada por Luiz Felipe. Com o enredo assinado pelo carnavalesco Sidnei França “O Xamã Devorado y A Deglutição Bacante de Quem Ousou Sonhar Desordem”, a escola será a última agremiação a desfilar no sábado de carnaval.
“Em relação ao ensaio da semana passada houve uma crescente, A gente achou que precisava melhorar. Na verdade, em relação a canto, ele não é intensidade a gente trabalhou bastante isso, conseguimos trazer as alas para a gente, fazer com que as alas cantassem normal, evoluíssem normal e brincassem. Hoje, vou dizer para você, a semana passada eu avaliei como 10 e melhoramos sensivelmente. A gente está compactando bastante a escola, porque a escola vem grande, a escola vem na mesma proporção que o ano passado, vem com 3 mil pessoas, só que a gente vem bem compacto e bem fechado. Estamos trabalhando totalmente com o regulamento debaixo do braço”, analisou o diretor de harmonia, Paulo Melo.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Comissão de frente
Para este segundo ensaio técnico a comissão de Sérgio Cardoso optou por não trazer o tripé que os acompanhou no primeiro ensaio técnico. E, isso não foi motivo de inferioridade, a ala seguiu interpretando a verdadeira essência de Zé Celso. Considerando-se “Exu das artes” Zé Celso é lembrado também por ter um Exu contracenando com a parte teatral, incluindo um elemento que veio caracterizado de maneira diferente dos demais, com o rosto pintado demonstrando ser o próprio Zé. A coreografia trás muita sensualidade, trás o lado carnal e interpretativo do teatro. Com parte da ala vestindo roupa branca com taças de vinho na mão e outra parte vestindo roupa preta e vermelha a ala realizou dois atos de apresentação.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renatinho e Fabíola, fez um ensaio preciso. Para 2025, talvez, seja o melhor carnaval da volta do casal. Realizando uma coreografia segura, a dupla acrescentou em sua coreografia a sensualidade de Zé Celso e a bravura de Exu. Há de se destacar a variedade do jogo de perna do mestre-sala e a precisão dos giros da porta-bandeira ainda que encarando questões climáticas como o vento, no terceiro módulo. Na apresentação para os jurados o casal demonstra características aguerridas de expressão corporal e fácil, combinando com a raça do chão da Saracura.
Harmonia
O forte canto da Bela Vista permaneceu presente neste segundo ensaio técnico. O samba escolhido para 2025, foi muito bem estruturado para a comunidade cantar e cativar o público. Porém o primeiro setor da escola, devido a falta das caixas de som do Anhembi, ‘se perdem’ ao cantar no mesmo momento em que a bateria realiza suas bossas.
Foto; Naomi Prado/CARNAVALESCO
Em entrevista ao CARNAVALESCO, o intérprete Luiz Felipe falou do samba: “O samba cresceu de uma forma gigantesca. Eu costumo dizer que o Vai-Vai é uma escola muito ativa, mas quando vira o ano dá um alerta, todo mundo dá uma mão e fala: ‘gente, é agora’. Hoje estavam todos os componentes cantando o samba, uma coisa que viemos trabalhando nos ensaios, trabalhando internamente, então é muito satisfatório tudo isso”, disse.
Evolução
Nota-se que a estratégia de diminuir o contingente de pessoas tem dado certo no Vai-Vai, a escola vivência um andamento mais ameno sem preocupações com o cronômetro. O primeiro e o último setor da escola apesar de terem adaptado outro andamento, que não o que estão acostumados, vieram evoluindo de maneira solta com o canto forte. Além da potência do chão da escola, grande parte dos componentes vieram com alguma característica que remeta o enredo. Foi destaque negativo também o grande espaçamento que a escola apresentou após a marcação do abre-alas.
“Na verdade, não é um buraco. O que acontece? A gente se prevalece muito do regulamento. Ali eu posso abrir até doze grades e nós abrimos 9, porque o andamento da comissão de frente é independente do andamento da escola. Eu puxo a comissão de frente justamente para ela poder fazer a apresentação dela e, como o carro é grande, a gente dá aquela puxada para o carro ficar parado e ele ser totalmente aproveitado na apresentação e por isso eu dei uma segurada. No desfile oficial isso não vai acontecer, porque a distância que a gente regula ali é mais ou menos de 3 a 4 grades e não passa disso Ali realmente houve uma abertura, eu segurei um pouquinho só para ajustar, mas a escola vai abrir no máximo quatro grades. Eu posso abrir até doze ali. Não é algo que preocupa? “Nada. É ajuste. A gente vai ajustar porque a gente tem um planejamento. O planejamento da harmonia é abrir ali no máximo quatro grades”, relata Paulo Melo.
Samba-Enredo
O Bixiga tem um samba onde o refrão do meio é o que chamamos de chiclete, é de fácil entendimento e bem proveitoso para os foliões dançarem. A letra do samba é rica da história do homenageado e demonstra que é uma homenagem boa de se ouvir, cantar e entender.
A ala musical do Vai-Vai tem crescido gradativamente a cada carnaval e a cada ensaio, Luiz para este ano vem realizando um excelente trabalho ao que se refere a harmonia com a ala musical, interação com o público e entrosamento com a bateria.
“Nós, trabalhando todos juntos, estamos melhorando a cada dia e os ensaios são prova disso. O Anhembi, que é o teste verdadeiro, é a prova disso, então só tenho a agradecer o apoio deles e parabenizar a todos por mais um grandioso ensaio”, analisa o intérprete.
Outros Destaques
A bateria “Pegada de Macaco” teve uma evolução significativa nos treinos feitos no Anhembi. Os ritimistas regidos por mestres Tadeu e Beto executaram as bossas de maneira mais limpa fazendo com que todos os instrumentos fossem ouvidos com clareza. Além da execução, são bossas que chamam o público a interagir com a escola.
“Achei um ensaio ótimo. Agora preciso alcançar um ensaio exuberante. O primeiro ensaio técnico foi bom e esse eu achei ótimo. Mas a gente tem problemas, você sabe como é que é, né? Jogo é jogo, treino é treino”, afirma o mestre Beto.
A rainha de bateria, Madu Fraga, trouxa mais uma vez uma vestimenta impecável além do samba no pé ‘rasgado’ característico das passistas do Vai-Vai. Acompanhada da princesa Giuliana Silva que também manteve o alto nível de vestimenta e a simpatia juntamente com um samba no pé encantador.
Aconteceu! Após décadas de espera, a Unidos de Padre Miguel pisou na Marquês de Sapucaí, na noite do último sábado, como escola de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Cercada de muita expectativa, o treino teve como destaques a apresentação irretocável do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius e Jéssica, e a performance da comissão de frente. O samba-enredo, um dos melhores do ano, foi cantado bem pela comunidade, embora, não tenha tido a explosão que vem sendo vista nos ensaios de rua. O Boi Vermelho abrirá os desfiles do Grupo Especial do Carnaval 2025, no domingo de carnaval, com o enredo “Egbé Iyá Nassô”, de autoria dos carnavalescos Alexandre Louzada e Lucas Milato.
“Fiquei muito feliz com o ensaio, fiquei muito emocionada também. É a realização de um sonho estar aqui no Grupo Especial. Agora ansiosa pelo segundo ensaio técnico. A comunidade deu a resposta que a gente merece por estar no Grupo Especial. Acredito que temos que melhorar um pouco o canto, a questão do Bruno, é uma pena ele estar saindo de um resfriado hoje. Mas o que a gente tem que mostrar, a gente já mostrou, isso é detalhe e no próximo é fazer melhor”, afirmou Lara Mara, diretora de carnaval.
Comissão de Frente
Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO
O coreógrafo Sérgio Lobato, mais uma vez, como aconteceu no minidesfile na Cidade do Samba, caprichou na exibição para o público. O grupo vestia um figurino impecável e com o tripé formaram um lindo cenário na Sapucaí. Detalhe que vale citar é que os integrantes cantaram o tempo inteiro o samba-enredo. A apresentação dignifica o quesito, e, principalmente, mostra carinho e respeito com o público presente, que pôde conferir um espetáculo. A expectativa para coreografia oficial do desfile é alta.
Os grandes destaques do ensaio da UPM. A dupla Vinícius e Jéssica, como era tão aguardada no Especial, não tremeu e correspondeu na apresentação. Muita dança clássica do quesito, aliada com a coreografia totalmente dentro do enredo. Intensdade no momento adequado. O casal tem o cuidado de apresentar o pavilhão para os jurados, mas também não esquece do público que fica do outro lado da pista. Isso é respeito! A correção para o próximo ensaio é no espaço dos guardiões. No primeiro módulo, o grupo ficou muito próximo do mestre-sala e porta-bandeira.
“Foi uma emoção muito grande estar aqui com a nossa comunidade hoje no Grupo Especial. Foi ótimo, apesar de que eu estou muito gripada, mas vim com garra, com força e com muito amor pela minha escola. Por ela eu passo por cima da dificuldade, e foi lindo. A coreografia saiu muito bem, como a gente imaginou, então isso é gratificante. Treinamos tanto e na hora de executar foi tão perfeito como a gente queria. Apresentamos a coreografia oficial, e mesmo que a gente esteja muito feliz, nós vamos aprimorar ela mais e mais. Mas por hoje, o saldo foi excelente”, disse a porta-bandeira.
“Minha avaliação é 10, foi uma apresentação ótima! Esses ensaios são ótimos. Assim como nossos ensaios de rua para que a gente possa não só avaliar o que deu certo, mas também o que deu errado. Identificamos coisas que nós temos que mudar para a nossa performance estar à altura do nosso desfile. Mas dentro da nossa perspectiva, foi ótimo”, completou o mestre-sala.
Harmonia e Samba
As damas da Vila Vintém, que vieram na “cabeça da escola”, corresponderam no canto. A comunidade segurou o ótimo samba-enredo para o desfile de 2025, principalmente, nas alas iniciais, o canto era tão forte, que ficava impossível ouvir o carro de som. Do meio para o fim, a intensidade diminiu. É preciso ter atenção nessa oscilação. A explosão tão esperada, aconteceu apenas na parte inicial. É treinar mais, mais e mais na Vintém para corrigir para o teste de som e luz. O ótimo carro de som deu sustentação para o intérprete Bruno Ribas. Uma pena o cantor, que está saindo de um resfriado, conforme falado pela diretora de carnaval, não ter conseguido o mesmo nível das ótimas atuações que vem produzindo nos ensaios de rua e que teve no minidesfile na Cidade do Samba. Sempre bom ressaltar que o samba-enredo da UPM, sem dúvida, é um dos melhores do ano.
“Foi lindo, simplesmente lindo. Essa é a minha avaliação. Foi do jeito que a gente projetou. Essa é a realidade do que a gente realmente pretende seguir para o carnaval. Por isso eu estou dizendo, foi lindo porque tudo que a gente vem treinando foi executado aqui. O nosso samba foi feito para cantar. Não foi feito para fazer mais nada, até porque, canta-lo não é fácil. É um samba com tom alto, que exige técnicas em todos os seus ângulos”, comentou o intérprete Bruno Ribas.
Evolução
Ensaio muito organizado. Todas alas compactas e sem nenhuma correria. Porém, o andamento na pista pode ganhar um pouco mais de rapidez, já que no desfile haverá também alegorias. O componente do Boi Vermelho não “explodiu” como vem fazendo nos ensaios de rua. É possível “rasgar o chão da Sapucaí”, como sempre foi feito pela UPM nos desfiles na Série Ouro. O sarrafo sobe no Especial e a escola possui totais condições de alcançar esse padrão de qualidade.
“Sabe quando você sonha com a parada que acontece? Foi hoje. Foi muito maneiro. Eu estou feliz. Agora eu vou sentar com a minha direção de harmonia, vou pedir as imagens do drone para ver por cima, para a gente fazer alguns ajustes. Com certeza sempre tem alguma coisinha para ajustar. Vai ser uma avaliação criteriosa. Mas eu acredito que a gente está no caminho certo. Mais um passo para o nosso objetivo. O primeiro passo foi aquela apresentação de enredo, depois o mini desfile. Agora é esse ensaio técnico. Então vamos ensaiar mais um pouco em casa para voltar para o teste de luz e som, para a gente finalizar a nossa preparação para o dia 02”, explicou Cícero Costa, diretor de carnaval.
A rainha Dedê Marinho é um espetáculo. Ela une samba no pé, beleza, respeito ao pavilhão e muita identificação com a comunidade. Destaque também para o time de musas e ala de pessistas. Ambos, sambando o tempo inteiro e cantando o samba-enredo da Unidos de Padre Miguel. A escola levou três tripés, o primeiro com o boi, símbolo da agremiação, e fez uma exibição especial na Sapucaí.
“Nota 10 é pouco. Espero que quem está julgando se conscientize. Você lembra qual foi a última vez que uma escola do Acesso subiu e tirou 40 em bateria? Você não vai lembrar, porque isso tem muitos anos. Nós estamos aqui para quebrar esse tabu. Eu estou aqui na Sapucaí há 45 anos, não cheguei na Sapucaí com a UPM. Eu não vou nem assistir às outras, com todo respeito. Eu vou para casa para descansar que eu mereço. Estou feliz da vida pelo trabalho que foi executado hoje. Não faço ensaio no setor 11 porque eu não gosto. Eu gosto de mostrar meu trabalho aqui. A aposta é aqui. Não é vir no setor 11, não. É botar meu ritmo aqui. Foi o que eu fiz”, assegurou mestre Dinho.
Coloraboraram Gabriel Radicetti, Gabriel Gomes, Guibsom Romão, Marcos Marinho, Juliana Henrik e Carolina Freitas