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Marcelo Freixo fala da emoção de desfilar na Mangueira e celebrar Mestre Sacaca: ‘O Carnaval ajuda a conhecer melhor nossa terra’

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Pouco antes de entrar na Avenida para desfilar na Mangueira, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, comentou a emoção de desfilar mais uma vez na Verde e Rosa. Neste ano, a agremiação traz um enredo em homenagem ao curandeiro amapaense Mestre Sacaca.

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Freixo pouco antes do desfile da Mangueira
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

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Além de torcedor, o político reafirma a participação no dia a dia da escola de samba.
“Além de desfilar, eu ajudo sempre a construir a escola, vou na quadra, vou ao barracão. Sou uma pessoa presente o ano inteiro na Mangueira. Quando chega esse momento, é muito rico, porque você reencontra as pessoas queridas em cada fantasia, em cada ala, em cada trabalho. É um momento de muita felicidade, mas também de apreensão, porque a gente quer que o desfile dê certo”, afirmou.

Ele fez questão de reconhecer o esforço manual por trás do brilho da passarela, exaltando os profissionais que fazem a festa acontecer.
Freixo também destacou o trabalho de quem atua nos bastidores e é uma peça fundamental na construção do Carnaval.

“Quando você olha para um carro alegórico tão monumental sabe que cada folha, cada botão, cada lantejoula foi colado por alguém manualmente, com amor, com afeto, com a vida. Tem muita história em cada coisa que brilha na Avenida. E tem muita gente que brilha nessa hora, que queríamos que brilhasse sempre, porque são pessoas incríveis”, pontuou.

Freixo ainda contou que acompanhou de perto o processo de construção do enredo do Mestre Sacaca, e dividiu com o CARNAVALESCO como foi conhecer a família do homenageado.

“Eu fui ao Amapá. Encontrei a família do Mestre Sacaca, fui ao museu dele. Fui ver de perto essa história da Amazônia Negra e participei desde o início do debate da construção do enredo. É uma história linda, de uma região que o resto do Brasil conhece pouco”, revelou Freixo.

O político também defendeu mais incentivo ao Carnaval: “O Carnaval é um negócio muito importante. Por isso tem que ter incentivo, patrocínio, investimento, para que seja essa festa que traz tanta coisa boa para o Brasil, que é um país muito grande, que ainda se conhece pouco. O Carnaval ajuda as pessoas a conhecer melhor essa nossa terra”, concluiu, pouco antes de cruzar a Avenida.

Mangueira 2026: galeria de fotos do desfile

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Velha Guarda da Mangueira finaliza desfile reafirmando a tradição da comunidade: ‘Ser Mangueira não é só vir na Avenida’

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A Estação Primeira de Mangueira homenageou, neste domingo, o curandeiro e líder comunitário do Amapá, Mestre Sacacá. A Velha-Guarda finalizou o desfile com a presença do Xamã Babalaô, para finalizar o ciclo espiritual iniciado no começo do desfile. O legado da velha guarda se conecta com o legado do homenageado, uma vez que ambos carregam vivências, saberes e aprendizados que formaram uma tradição. Enquanto Mestre Sacacá foi um guardião de uma medicina alternativa, a Velha Guarda é guardiã da cultura popular.

Velha guarda da Mangueira
Velha guarda da Mangueira
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Luquinha da Mangueira de 63 anos
Luquinha da Mangueira, de 63 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O filho do fundador da Velha Guarda da Mangueira e atual presidente da ala, Luquinha da Mangueira, de 63 anos, aposentado, desfila pela agremiação há 51 anos e contou que a ala surgiu porque, apesar de não terem mais condições físicas de auxiliar no trabalho pesado da escola, o amor pela escola se mantia e a necessidade de continuar ajudando também, dessa forma, criá-la foi a solução.

“Ser Mangueira é diferente, é a maior escola de samba do planeta. Somos nascidos e criados na comunidade. Eu nasci e me criei dentro da Mangueira, e tudo que eu tenho hoje eu devo à escola, aos projetos sociais, à Tia Neuma e Tia Zica”, contou Luquinha.

Maria Emilia Fernandes de 77 anos
Maria Emília Fernandes, de 77 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Maria Emília Fernandes, de 77 anos, desfila na agremiação há 12 anos. Segundo ela, é a mais “recente” na escola. Maria conta que se sente orgulhosa por participar da velha guarda, principalmente por fazer aniversário no mesmo mês que a agremiação comemora a data de fundação.

“A Velha Guarda é o passado e o presente. A gente tem que passar nossa mensagem pros jovens de modos, elegância e educação”, destacou Maria Emília.

Celso Luiz de 75 anos
Celso Luiz, de 75 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O eletricista aposentado, Celso Luiz, de 75 anos, desfila na agremiação há 57 anos. Ele contou que seu maior aprendizado na Mangueira foi o amor. Esse sentimento inspirou um projeto social na comunidade, o “Papo de Roda”, onde seu grupo de amigos, com a presença de uma psicóloga, fez um espaço seguro para dialogar com os jovens moradores da periferia com intuito de passar esse amor adiante.

“A gente ama a escola e procura passar para os nossos sucessores o que é ser Mangueira. Ser Mangueira não é só vir na Avenida, vestir uma fantasia e defender a bandeira. Ser Mangueira é se preocupar até com as ações sociais da comunidade, onde a gente consegue resgatar alguns jovens que estão no fio da navalha para vir para o lado certo da coisa”, declarou Celso.

Águia altaneira transforma desfile da Portela em coroação simbólica na Sapucaí

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A Portela foi a terceira escola a desfilar neste domingo e levou para a Marquês de Sapucaí o enredo “O mistério do príncipe do Bará, a oração do Negrinho e a ressurreição da sua coroa sobre o céu do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues. Exaltando a ancestralidade negra no Sul do Brasil, a azul e branco de Madureira transformou sua Águia, símbolo maior da escola, em um elemento central da narrativa, em associação à figura do Príncipe Custódio, liderança religiosa do Batuque gaúcho. Após as críticas recebidas em 2025, a escola voltou a colocar sua ave altaneira no centro do debate e, sobretudo, do coração da comunidade.

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Neste ano, a Águia surgiu imponente, com plumagem em tons intensos de azul e prata, detalhes dourados remetendo à coroa ressuscitada no enredo e olhos iluminados que pareciam vigiar a avenida do alto. As asas se abriam em movimento amplo, como se abraçassem a Sapucaí, enquanto elementos que remetiam ao Batuque e à realeza negra adornavam sua estrutura, transformando o símbolo em verdadeiro altar sobre rodas. No topo, a composição evocava a ideia de trono sagrado, fundindo religiosidade, história e identidade portelense em uma única imagem.

Para entender o impacto emocional da Águia junto à comunidade, o CARNAVALESCO conversou com três componentes da escola: Liamara Barbosa, de 44 anos, contadora e há quatro anos desfilando na Portela; Bárbara Trindade, de 28 anos, secretária da quadra, completando um ano de dedicação à escola; e Luiz Oliveira, de 55 anos, consultor de vendas, portelense desde 1994.

A Águia como trono sagrado do Príncipe Custódio

Ao serem questionados se a Águia deixava de ser apenas símbolo para se tornar trono do Príncipe Custódio, os três entrevistados foram unânimes ao reconhecer a força simbólica do momento.

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“Sim, com certeza. E eu sinto que essa mudança não acontece apenas hoje, no dia do desfile, mas vem desde o momento da escolha do enredo. A partir do instante em que o tema foi definido, a Águia transcendeu o papel de símbolo da Portela para se tornar o grande símbolo da avenida e de Madureira. Ela vem reinando, abrindo todos os caminhos da Sapucaí para que o nosso desfile seja impecável”, afirmou.

Bárbara Trindade também associou a nova leitura da Águia ao processo de renovação vivido pela escola. “Com certeza. A Portela está vindo com tudo este ano, apresentando um trabalho lindíssimo. Eu sinto que a escola está passando por um verdadeiro processo de renovação, e essa mudança na simbologia da Águia faz parte disso. É algo muito positivo que fortalece ainda mais a nossa identidade”, disse.

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Para Luiz Oliveira, a identificação é ainda mais profunda. “Com certeza. A Águia é o príncipe, é o rei da nossa Majestade do Samba. Ela é o nosso símbolo maior, a nossa representação máxima. É algo tão forte que fica até difícil explicar em palavras o que ela representa para nós”, concluiu.

A coroação da comunidade portelense

A sensação de ser coroado pela Águia ao entrar na avenida também marcou os depoimentos. A imagem da ave pairando sobre os componentes foi descrita como um rito de passagem antes do desfile.

“É uma sensação indescritível. A Águia paira sobre cada um de nós, componentes, trazendo muito axé e uma energia renovadora. Ela tem o poder de transformar a nossa comunidade nessa verdadeira nação portelense que todos veem. É como se ela nos ungisse com essa força antes de pisarmos na avenida”, afirmou Liamara.

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Já Bárbara reforçou o simbolismo do voo como metáfora de superação. “A Águia representa o voo alto. E o voo alto é exatamente o lugar onde todos nós queremos estar; é a nossa busca constante pelo topo e pela excelência. Ela nos inspira a crescer e a dar o nosso melhor na avenida”, disse.

Luiz, por sua vez, destacou que esse sentimento faz parte da identidade da escola. “Sem dúvida nenhuma. Esse sentimento está enraizado no nosso coração e na nossa alma; está no sangue de cada componente. A presença dela nos motiva e nos dá a força necessária para entrar na avenida com tudo”, concluiu.

Axé, fundamento e caminhos abertos na Sapucaí

Se em 2025 a Águia foi alvo de críticas, em 2026 ela voltou carregada de axé e fundamento religioso, como apontam os componentes.

“Muito, muito mesmo. Ela tem que ajudar e, na verdade, já vem fazendo isso desde o início, como mencionei sobre a escolha do samba. Agora, o que estamos vendo aqui é o momento de concretizar todo esse trabalho e essa espiritualidade. A Águia vem para coroar esse axé e nos guiar rumo à vitória”, afirmou Liamara.

Bárbara também apostou na força espiritual do desfile. “Sem dúvida. A Portela vem carregada no dendê, com uma força e uma vontade de vencer muito grandes. Estamos vindo com muito axé, como sempre, e espero que essa energia nos acompanhe do início ao fim. Que seja um desfile abençoado e marcante para todos nós”, disse.

Para Luiz, o momento da escola reforça a confiança na busca pelo título. “Com toda essa reestruturação e as mudanças na diretoria, a Portela atingiu um outro patamar, um nível de excelência muito alto. A pegada está diferente e a energia da comunidade está lá em cima. Tenho plena convicção de que este ano estamos vindo fortes em busca do nosso 23º título, com a nossa Águia abrindo todos os caminhos para a gente na Sapucaí”, concluiu.

Portela ergue a corte do Príncipe Custódio em alegoria imponente no primeiro dia do Especial

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A terceira escola a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial do Rio em 2026, a Portela levou para a Avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará”, mergulhando na trajetória do Príncipe Custódio. No recorte apresentado pelo segundo carro alegórico, a escola apostou na imponência do palácio e na força simbólica da corte para traduzir a altivez de um nobre africano que atravessou o Atlântico e fincou história no Brasil. No alto da alegoria, destaques sustentavam a narrativa com postura, figurino e interpretação que conversavam diretamente com o enredo.

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O carro que representava a corte de Custódio evocava o antigo reino do Benin com a presença do professor Valter Costa, de 65 anos, no alto da segunda alegoria. Valter assumiu o papel com entrega e consciência do que representava. Ao falar sobre a preparação para transmitir a altivez do Príncipe Custódio, ele destacou que
houve cuidado físico e ensaios intensos para atravessar a Marquês de Sapucaí com firmeza.

“Eu me cuidei muito, ensaiei, fiz um preparo com muita água de coco, para poder passar e passar bem na Avenida”, revelando os bastidores.

A fantasia luxuosa, repleta de aplicações e pedrarias, era parte fundamental dessa construção. Segundo Valter, o peso do figurino não foi encarado como obstáculo, mas como aliado na composição da postura.

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“Minha fantasia é luxuosa, mas acredito que o peso e o luxo vão se unir, o famoso útil ao agradável”, afirmou, explicando que a própria estrutura da roupa ajuda a sustentar a imponência exigida pelo personagem.

Na posição de destaque, cada passo precisava ser seguro e cada gesto teatralizado com imponência e confiança.

“Ninguém pode deixar de notar as pedrarias e a performance da figura representada”, ressaltou.

O carro era símbolo de resistência, memória e nobreza africana recriadas pela agremiação.

Portal verde e rosa: ala inaugural da Estação Primeira de Mangueira transforma a Sapucaí em território sagrado

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A Ala 01 transformou a Avenida em território espiritual ao celebrar o Turé, ritual indígena praticado por povos originários do extremo norte do Brasil. A cerimônia, marcada pela gratidão aos seres do Outro Mundo, guia simbolicamente o reencontro do Xamã Babalaô com sua Amazônia Negra.

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Componentes da ala
Componentes da ala
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Com cinco fantasias distintas formando um grande mosaico social e espiritual, a ala inaugural funcionava como rito de passagem. Mais do que um setor coreográfico, é um chamado: um convite para que público e componentes atravessem juntos a fronteira entre mundos do cotidiano ao sagrado, do material ao ancestral.

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Matheus Camelo, de 30 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Matheus Camelo, de 30 anos, analista financeiro e estreante na Mangueira, descreve o momento como transformação pessoal e coletiva.

“Muita emoção ser o primeiro ano na escola e já estar na primeira ala. Sinto que abri meus caminhos. A responsabilidade era grande para dar gás na avenida e deu certo. A primeira ala precisa entrar bem e trazer a torcida com a gente. Se a gente entra para baixo, a arquibancada sente. Hoje eu agradeço à Mangueira por tudo que ela ensina ao povo. O próprio enredo é algo que muita gente ainda não conhecia”, comenta.

Julia Santana de 24 anos
Julia Santana, de 24 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Julia Santana, de 24 anos, analista de pesquisa de mercado e estreante na agremiação, o Turé se conecta diretamente à identidade mangueirense.

“É muito emocionante ser a primeira ala da Mangueira porque eu sou mangueirense. Mostramos na avenida para o que viemos e o nosso chão firme. Nosso principal ritual é olhar para todos os ancestrais. O enredo do Amapá, da Amazônia Negra, trouxe essa mistura presente na avenida”, diz.

Rosilene Souza Batista de 53 anos
Rosilene Souza Batista, de 53 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Rosilene Souza Batista, de 53 anos, doméstica e estreante na verde e rosa, reforça o sentimento coletivo da comunidade: “A emoção domina meu corpo, seja em qualquer ala dessa escola. Nossa comunidade merece o título, merece respeito. Falar do Amapá no Rio de Janeiro é mostrar que o Brasil vai muito além do Sudeste”.

Pampa Negro ecoa na Sapucaí e Portela reconta a história do Sul sob a ótica da ancestralidade

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A Portela foi a terceira escola a desfilar neste domingo e apresentou o enredo “O mistério do príncipe do Bará, a oração do Negrinho e a ressurreição da sua coroa sobre o céu do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues. Na Avenida, a azul e branco de Madureira exaltou a ancestralidade negra no Sul do Brasil, colocando no centro da narrativa a trajetória do Príncipe Custódio e a força do Batuque gaúcho. Ao propor um “Pampa Negro”, a escola rompeu o imaginário do gaúcho exclusivamente europeu e reposicionou o Rio Grande do Sul como território também marcado pela presença e resistência preta.

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Para falar sobre essa ressignificação, a reportagem conversou com três componentes: Wallace Costa, 37 anos, estudante, estreante na escola e integrante da ala Lanceiros Negros; Mirela Rocha, 42 anos, professora da UFRJ, portelense desde a infância e também estreante na Avenida; e Vander Anacleto, 43 anos, bancário gaúcho que fez seu primeiro desfile pela azul e branco.

O enredo mudou a visão sobre o Sul do Brasil?

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Wallace Costa afirmou que foi o enredo que despertou sua paixão pela Portela.

“Ver a nossa história preta sendo contada de uma forma que nunca foi contada mexeu comigo. Eu desfilo na ala Lanceiros Negros e não conhecia a fundo essa história. Fiquei muito emocionado e orgulhoso de fazer parte dessa ala, conhecendo a trajetória dos Lanceiros Negros que foram enganados. Eles tinham a promessa de serem libertos da escravidão, caso vencessem uma guerra onde usaram lanças contra armas. Venceram e a promessa não se cumpriu. Vir nessa ala me faz viver um momento histórico”, declarou.

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Mirela Rocha, nascida no extremo sul de Santa Catarina, em uma cidade de forte cultura gaúcha, destacou que cresceu em meio a uma narrativa embranquecida. “É uma história muito branca, uma história que foi apagada. Eu sou devota do Negrinho do Pastoreio desde criança, algo que minha avó me ensinou. Quando o enredo traz o Príncipe Custódio com o Batuque e o Negrinho recontando essa história, coroando o Príncipe Custódio e o Bará, vejo como uma reinvenção da narrativa preta no Rio Grande do Sul. É recuperação de memória, mas também reinvenção”, afirmou.

Ela ressaltou ainda a potência simbólica do personagem. “O Negrinho do Pastoreio é uma criança escravizada que permanece na memória popular. A Portela o coloca em um lugar de potência. É isso que o Carnaval faz: reconta a história desde um lugar de força”, disse.

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Vander Anacleto explicou que, por ser gaúcho, sempre soube da presença negra no estado. “Eu já tenho vivência de que lá existe o povo preto além dos imigrantes. Para mim, não muda a visão, e é justamente por isso que vim desfilar na Portela, para enaltecer o povo preto do Rio Grande do Sul”, afirmou.

Qual a importância de a maior campeã contar essa história?

Para Wallace Costa, o protagonismo da Portela amplia o alcance da mensagem. “É extremamente importante mostrar a nossa história, a história que não é contada. O nosso povo é muito apagado nesse estado. Dizer que nós fizemos parte da construção daquele território e que o estado também é preto é fundamental”, afirmou.

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Mirela Rocha destacou a relevância religiosa e cultural do tema. “Existe uma história que ainda não foi contada em relação ao Batuque. Proporcionalmente, o Rio Grande do Sul é o estado que mais tem terreiros de matrizes africanas no Brasil. O Batuque é uma tradição muito própria desse território, muito importante e pouco estudada. Trazer isso para a Avenida é fundamental”, disse.

A professora também chamou atenção para o simbolismo de sua ala. “Eu vou desfilar na ala Orixás. Vamos representar um xerê de Batuque na Avenida, de pés descalços. Isso evoca ancestralidade e permite que o Brasil conheça, pela Portela, uma tradição essencial”, concluiu.

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Vander Anacleto reforçou o peso simbólico da escola. “É de muita importância porque traz visibilidade ao povo preto gaúcho. Ter a maior campeã do Carnaval do Rio de Janeiro apresentando esse samba com essa potência amplia essa narrativa”, afirmou.

Você já conhecia o Príncipe Custódio? O que mais impressiona em sua história?

Wallace Costa contou que conheceu a trajetória a partir do enredo. “Eu não conhecia a fundo a história. Quando li o enredo, fiquei apaixonado. A junção com o Negrinho do Pastoreio me tocou muito. Isso me fez querer mostrar a minha cara e fazer parte de tudo isso”, disse.

Mirela Rocha ressaltou a importância histórica do líder religioso. “O Batuque e as expressões afro-gaúchas já existiam antes dele, mas o Príncipe Custódio populariza essa religiosidade entre a classe média e a burguesia gaúcha, que passam a procurá-lo. Ele tira essa prática do lugar exclusivo da criminalização. Essa é uma importância gigantesca”, afirmou.

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Ela também se emocionou ao falar da dimensão simbólica do enredo. “A lenda do Negrinho do Pastoreio sempre me tocou. Um dia sonhei que, no enredo da Portela, ele vinha montado na águia, e não no cavalo. O Carnaval não apenas ensina o que não sabemos, mas reconta a história de outro jeito. Trazer essa narrativa de uma nova forma é o que é realmente fundamental”, concluiu.

Vander Anacleto destacou a postura do Príncipe Custódio em um contexto adverso. “No tempo em que ele viveu, já conseguia afirmar sua negritude, manter o terreiro e o Batuque. Se hoje já é difícil, naquela época era muito mais. Isso nos dá ainda mais orgulho”, afirmou.

 

Ala da Imperatriz celebra múltiplas peles de Ney Matogrosso em manifesto de liberdade na Avenida

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Encerrando a homenagem a Ney Matogrosso, a ala 22, “Bota pra ferver (Eu quero é botar meu bloco na rua)”, levou à Marquês de Sapucaí diferentes performances e caracterizações do cantor em uma grande celebração popular. Cada personagem apresentou um estilo próprio, unificado pela defesa da liberdade estética e corporal, transformando a festa em espaço de encontro, expressão e pertencimento.

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Integrantes das ala “Bota pra ferver”. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Gerente de 35 anos, Rodrigo Madeira, 35 anos, gerente, desfilou pela primeira vez na Imperatriz motivado pela homenagem. Sua fantasia fazia referência ao traje sadomasoquista de inspiração militar, associado à estética gay power. Para ele, a identificação com o enredo passa pela trajetória de Ney na defesa da liberdade de expressão, especialmente da população LGBTQIAPN+.

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Rodrigo Madeira, 35 anos, gerente. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“Para quem é gay, como no meu caso, é uma forma de realmente poder ser quem você é, sem medo, sem pudor. Quem vem da década de 80, um período mais complexo do que o nosso, poder mostrar numa festividade dessa quem você é… isso é gostoso, porque não tem julgamento”, afirmou.

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Mônica Tavares, 46 anos, Técnica em enfermagem. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Técnica em enfermagem, Mônica Tavares, 46 anos, desfila na escola há quatro anos. Ela destacou a emoção de unir dois afetos: a Imperatriz e Ney Matogrosso. Sua fantasia representava um cigano sensual, com calça em camadas, moedas douradas e lenço na cabeça.

“O nome do enredo já diz tudo: ‘Camaleônico’ é mutação, transformação, é o direito de se expressar sem medo de ser feliz, de se jogar mesmo”, declarou.

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Luzimar Aragão, 50 anos, é integrante da Imperatriz há 16 anos. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Luzimar Aragão, 50 anos e integrante da escola há 16, ressaltou o significado político da homenagem. Sua fantasia remetia à maquiagem burlesca com adornos de pelo, evocando as múltiplas imagens de Ney ao longo da carreira.

“Representar esse artista multifacetado, que sempre levantou a nossa bandeira, é um orgulho enorme. Não só pela comunidade LGBT, mas por todos que enfrentam o preconceito em um país como o nosso”, disse.

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Ariane Oliveira, 27 anos, maquiadora. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Ariane Oliveira, 27 anos, maquiadora, desfila na Imperatriz há cinco anos e surgiu caracterizada como cigana de saia vermelha volumosa e elementos dourados. Ela também destacou o trabalho do carnavalesco Leandro Vieira na renovação estética da escola.

“É uma escola que está sempre se reinventando, como o próprio camaleão. O Leandro gosta da novidade, de mostrar o que sabe fazer, e ele está transformando a Imperatriz”, afirmou.

Na Avenida, a ala reuniu sensualidade, teatralidade e diversidade visual em releituras marcantes dos figurinos de Ney Matogrosso, convertendo memória artística em celebração coletiva da liberdade.

Pérola Negra constrói narrativa consistente sobre Maria Bonita no Anhembi

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Do sertão ao terreiro, a Pérola Negra transformou a avenida em palco para a trajetória de Maria Bonita. Sexta escola a desfilar neste domingo, a agremiação apresentou o enredo “Valei-me Cangaceira Arretada, Maria que Abala a Gira, Valente e Bonita que Vence Demanda” assinado pelo carnavalesco André Machado.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A escola desenvolveu a personagem desde o cangaço histórico até sua consagração espiritual na umbanda, mantendo coerência entre fantasias, alegorias e proposta temática. O desfile seguiu com regularidade na pista, sustentado por boa harmonia e evolução constante.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Alê Batista, a comissão de frente foi dividida em dois grupos: policiais e cangaceiros. A encenação colocou em cena o confronto direto entre repressão e resistência, tendo Maria Bonita como personagem central.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Durante a apresentação, os policiais detêm os cangaceiros, executam o parceiro de Maria Bonita e a capturam. A coreografia foi marcada por embates físicos que deram intensidade dramática à cena. Em um dos momentos mais marcantes, Maria Bonita risca a faca no chão do Anhembi, gesto que reforça sua postura de enfrentamento e resistência.

A proposta foi objetiva e alinhada ao enredo, traduzindo com clareza o conflito que marcou a trajetória da personagem homenageada.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Natália e Kawe executaram os movimentos obrigatórios previstos no regulamento com segurança e precisão. O sincronismo do casal foi um dos pontos positivos da apresentação.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Representando Maria Bonita e Lampião, a dupla construiu uma coreografia que dialogava diretamente com o enredo, mantendo postura firme e coerente com a temática. A apresentação nos módulos foi excelente e tecnicamente bem resolvida.

HARMONIA

A Pérola Negra manteve o canto em bom nível do início ao fim, com a escola sustentando o mesmo tom ao longo da pista.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O rendimento crescia especialmente nas bossas, com destaque para o trecho “o povo do samba te aplaude nesse cortejo de fé”, quando o canto se elevava e ganhava maior força coletiva. Lucas Donato e Juan Briggs conduziram o carro de som com firmeza, mantendo a energia do desfile.

EVOLUÇÃO

A Pérola apresentou evolução constante ao longo do percurso. Os componentes desfilaram soltos e alegres, mantendo regularidade no andamento e boa ocupação da pista.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A agremiação encerrou seu desfile em 58 minutos dentro do tempo regulamentar, confirmando controle do andamento e organização até o fim do percurso.

FANTASIAS

As fantasias representaram com clareza os setores do enredo e facilitaram a leitura da história. O conjunto visual combinou com a estética do cangaço e com os elementos espirituais associados à Maria Bonita.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Destaque para a ala das passistas, que trouxe um colorido vibrante ao desfile, enriquecendo a composição visual. Também chamaram atenção as alas posicionadas atrás do terceiro carro, que reforçaram o impacto do setor.

ALEGORIAS

O conjunto alegórico apresentou bom acabamento e manteve coerência com a proposta narrativa. O abre-alas foi um dos pontos mais fortes do desfile, com uma escultura imponente de Lampião no topo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A última alegoria teve destaque ao trazer Maria Bonita em seu terreiro, consolidando a transição da figura histórica para entidade cultuada na umbanda.
No conjunto, as alegorias cumpriram seu papel de ilustrar a história contada, mantendo clareza e alinhamento com a proposta.

SAMBA-ENREDO

O samba, composto por Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Chico Maia, Mateus Pranto, Fabian Juarez e Salgado Luz, foi um dos sustentáculos da apresentação.

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A obra apresenta fácil assimilação e favoreceu o canto coletivo, contribuindo para o bom rendimento da escola ao longo do desfile.

OUTROS DESTAQUES

Joyce Rocha teve atuação segura como rainha de bateria, com presença marcante e boa interação com o ritmo da escola.

A bateria manteve regularidade e sustentação do samba durante todo o percurso, reforçando o bom desempenho musical da agremiação no Grupo de Acesso 1.

Conjunto musical e casal se destacam no desfile da Nenê de Vila Matilde

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A Nenê de Vila Matilde foi a quinta escola a desfilar neste domingo de Carnaval pelo Grupo de Acesso 1.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A agremiação apresentou o enredo “Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo”. O grande destaque da apresentação foi o conjunto musical, além do casal de mestre-sala e porta-bandeira. O samba-enredo empolgou, a escola cantou com força e o intérprete Tiganá teve atuação segura. Já a dupla Edgar Carobina e Graci Araújo exibiu elegância e desempenho que pode render bons frutos na apuração.

COMISSÃO DE FRENTE

Liderada pelo coreógrafo Celso Arruda, a comissão de frente foi intitulada “Abrindo os caminhos – Na encruza, encontro da rua com a arte”. A coreografia teve proposta mais simples, com bailarinos caracterizados como damas e malandros executando movimentos coreográficos alinhados ao samba, concentrados sobre o elemento alegórico denominado “A Encruzilhada”.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A encenação contou ainda com a presença de Exu, representado por um bailarino que realizava movimentos coreográficos no chão, reforçando o simbolismo da cena. Ao fundo, um tripé simulava um bar, com garçons sambando, compondo o ambiente boêmio sugerido pelo enredo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Com a fantasia “A Águia abraça a boemia com a cidade”, Edgar Carobina e Graci Araújo realizaram um desfile consistente. Executaram os movimentos obrigatórios com precisão e demonstraram sincronia evidente ao longo da apresentação. A harmonia entre ambos ultrapassa o contexto do Carnaval paulistano, e na avenida confirmaram o motivo de estarem à frente do pavilhão da escola.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

HARMONIA

Foi um dos melhores desempenhos de canto da Nenê de Vila Matilde nos últimos anos. Desde 2022, quando a escola conquistou o acesso do Grupo de Acesso 2 ao Acesso 1 com a reedição de “Narciso Negro”, não se via tamanha entrega da comunidade.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A melodia favorece o canto forte, especialmente no refrão principal, momento em que a escola cresce na avenida. O intérprete Tiganá foi peça-chave nesse resultado, conduzindo a comunidade com energia constante e mantendo o samba pulsante do início ao fim.

ENREDO

O enredo “Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo” teve como proposta retratar a emblemática esquina das avenidas São João e Ipiranga, ponto histórico da capital paulista onde está localizado o tradicional Bar Brahma.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A narrativa foi apresentada de maneira simples e direta. Elementos como prédios icônicos da cidade, o ambiente boêmio e referências a personalidades da música foram inseridos de forma clara, garantindo fácil compreensão do público.

EVOLUÇÃO

A evolução foi o quesito mais delicado do desfile. Logo no início, houve espaçamento significativo entre o abre-alas e a ala das baianas, abrindo cerca de 12 a 13 grades e provocando uma divisão perceptível da escola.

Também se notou correria desnecessária por parte dos componentes, estimulada pela própria liderança, o que acelerou o andamento além do ideal. Esse ritmo apressado dificultou a compactação adequada entre alegorias e alas, criando espaços frequentes e certa tensão para manter os carros em movimento. Foram riscos que poderiam ter sido evitados com maior controle de desfile.

SAMBA

Tiganá estreou no comando do carro de som da Nenê de Vila Matilde e teve desempenho positivo. O intérprete empolgou o público com sua característica vibrante e utilizou cacos que animaram a comunidade, mantendo a energia da Águia da Zona Leste em alta.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O entrosamento entre o carro de som e a bateria contribuiu para sustentar o rendimento musical da escola ao longo da apresentação.

FANTASIAS

O carnavalesco Danilo Dantas mantém uma concepção clara de figurino por onde passa. Opta por fantasias de menor volume, permitindo maior liberdade de movimento aos componentes. Na Nenê de Vila Matilde, essa escolha ficou evidente, favorecendo a evolução e o canto dos desfilantes, sem que costeiros ou adereços de cabeça atrapalhassem.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Esteticamente, o conjunto apresentou cores vibrantes e acabamento satisfatório. As fantasias foram um ponto positivo do desfile.

ALEGORIAS

A primeira alegoria representou “Visão romântica e boemia de São Paulo antiga”. Com uma águia de grandes proporções e predominância do dourado, o carro trouxe referências arquitetônicas da capital paulista. Houve um momento de apreensão na concentração, quando o abre-alas apresentou falha técnica, permaneceu apagado e demorou a se movimentar. Após alguns minutos, o problema foi solucionado, mas o susto marcou o início do desfile.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O segundo carro simbolizou “A esquina musical – Um abraço à cultura da cidade”, com esculturas de personalidades ligadas à cena musical paulistana, reforçando a proposta temática.

A última alegoria apresentou “No palco do samba – Todos se encontram em Sampa”. O carro trouxe esculturas de malandro, baianas e painéis de LED exibindo cenas que remetiam ao ambiente do Bar Brahma dentro do Anhembi, representado na figura de um camarote.

No conjunto, apesar do susto inicial, a escola apresentou alegorias de leitura fácil e sem falhas evidentes de acabamento.

OUTROS DESTAQUES

A “Bateria de Bamba”, comandada pelo mestre Matheus, imprimiu o ritmo característico da Nenê de Vila Matilde, com destaque para a potência dos surdos, que deram sustentação firme ao samba-enredo.