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Série Barracões: Porto da Pedra aposta na grandiosidade para vencer a Série Ouro do Carnaval 2025

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Na busca pelo retorno ao Grupo Especial, a Porto da Pedra prepara um desfile grandioso para o Carnaval 2025. Para isso, apostará em grandes alegorias para reconstruir “Fordlândia” na Sapucaí. Trata-se da cidade industrial que Henry Ford, fundador da famosa indústria automobilística que leva seu sobrenome, construiu na Amazônia nos anos 1920. Mauro Quintaes, carnavalesco da escola, revelou detalhes do enredo “A História que a Borracha do Tempo Não Apagou” durante visita ao barracão. Ele explicou como surgiu a inspiração.

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Fotos: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“Já tinha a ideia de trabalhar com Fordlândia, pois sou um pesquisador assíduo. Acessando um site literário, encontrei ‘A Jangada’, livro de Júlio Verne que inspirou ‘A Invenção da Amazônia’ (de Neide Gondim). Lá estava a Fordlândia. Mergulhei na história e me fascinei”.

Quintaes enfrentou resistência inicial da diretoria: “Eles acharam o tema melancólico. Argumentei que é pitoresco, divertido e único, pois revela um Brasil desconhecido. Convenci o presidente ao destacar seu potencial visual e cultural”.

Conhecendo melhor a Fordlândia

Em 1927, Henry Ford iniciou um projeto ousado: uma cidade norte-americana no Pará para produzir borracha para sua empresa. O látex local era considerado o melhor do mundo. Ele comprou terras em Aveiro (PA) e ergueu uma comunidade com infraestrutura moderna: casas, hospitais, água encanada e eletricidade.

O problema foi a imposição cultural: hambúrgueres, hot dogs e festas com quadrilhas norte-americanas não agradaram os brasileiros. Somado ao solo infértil e ao fracasso das seringueiras, o projeto ruiu. Ford vendeu a área ao governo brasileiro anos depois, deixando-a abandonada.

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Para Quintaes, Fordlândia é uma “doideira visionária”: “Só um bilionário excêntrico uniria a loucura brasileira à sua para criar uma cidade industrial no meio da Amazônia. A escola tem história com enredos ousados. Em 1997, ficamos em 5º lugar no Especial com ‘No Reino da Folia’. Agora, trago essa energia nas alegorias e representações”.

O enredo critica o colonialismo: “Mostraremos a arrogância do colonizador que diz ‘Eu sei o que é melhor’, ignorando a realidade local. O erro de Ford foi impor uma visão capitalista sem adaptação. É uma fábula sobre resistência”.

Mauro Quintaes valoriza a inteligência do público: “Não será um desfile expositivo. Usaremos metáforas e mensagens subliminares. O espectador do samba hoje entende narrativas complexas”.

Sarrafo alto

A escola mantém sua tradição de alegorias imponentes. Quintaes adianta um spoiler: “Um carro será feito de sucata, simbolizando o abandono de Fordlândia. Usei peças de ferro-velho para criar texturas de ferrugem e decadência”.

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O artista celebra 40 anos de carreira: “Minha vida é o Carnaval. Comemorar essa trajetória na Porto, que me projetou em 1997, é emocionante. Estamos criando algo inovador e culturalmente rico. Arte não tem hierarquia. Entregaremos o melhor, seja no Acesso ou no Especial. Este é o melhor enredo da Série Ouro – e rivaliza com escolas do Especial”.

Sobre o rebaixamento em 2024, é enfático: “Provamos que escolas do Acesso têm qualidade. Gastamos R$ 13 milhões ano passado – ‘coitadinhas’ não investem assim”.

Mesmo com orçamento menor, ele garante impacto: “Reaproveitamos materiais de 2024 e usamos madeira de qualidade. Recriamos alegorias sobre estruturas existentes para economizar. A gestão logística é tão crucial quanto a criatividade. O resultado de 2024 gerou uma fome positiva. Vamos mostrar nossa força, independente de julgamentos. É hora de abrir a porteira e soltar a boiada”.

Conheça o desfile da Porto da Pedra

A Porto da Pedra vem em 2025 com cerca de 2 mil componentes, 3 carros alegóricos e 1 tripé na comissão de frente. Mauro Quintaes, ao CARNAVALESCO, fez a setorização do desfile da escola.

Comissão de Frente: Fala dos Mudurukus, que é um povo indígena da região. A cabeça da escola vem contextualizada na leitura indígena.

Setor 1: Trago a fábrica da Ford nos Estados Unidos, mostrando a maneira rigorosa do Henry Ford trabalhar, com o objetivo de gerar economia em qualquer situação. Aqui existe uma teatralização enorme, com um carro que só tem um destaque e o resto são todos personagens. Não tenho composições femininas, nem masculinas, só tenho personagens que representam muito o jeito que o Henry tratava o seu negócio.

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Setor 2: No nosso segundo carro já é o momento que a floresta começa a sentir que precisa reagir àquela colonização muito estranha, àqueles hábitos que não são os hábitos locais. Trazemos a figura do Curupira para defender essa floresta, que está viva, grande, bonita, com movimento, mostrando esse indício de revolta contra o colonizador.

Setor 3: Eu fecho com a Fordlândia de hoje, retratada como uma cidade fantasma, onde a frase que representa o nosso enredo, que é “A floresta vence” vai estar lá em meios aos escombros. Apresentar as ruínas da Fordlândia é apresentar o momento de resistência da cultura, das tradições e da mata brasileira.

Desfile dos ‘Doentes da Sapucaí’ homenageia o intérprete Quinho

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Os Doentes da Sapucaí foram atração da Vila Mariana (São Paulo) no último sábado. O bloco desfilou pela 6ª vez no mesmo local, na Rua Marselhesa, e levou muita alegria e nostalgia ao público. Simulando um desfile real no Sambódromo, os Doentes escolhem um enredo para abordar a cada ano. Neste ano o enredo foi “Quinho do Salgueiro, alegria do povo”, uma justíssima homenagem ao intérprete que empresou a sua voz e comandou o que muitos consideram o maior samba da história do carnaval carioca no Maior Espetáculo Audiovisual do Planeta, o “Explode Coração” do Salgueiro 1993, entre outras obras que tiveram o Quinho no comando, em SP, no RJ e em diversos outros locais pelo Brasil.

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Fotos: Divulgação/Doentes da Sapucaí

O samba que os Doentes da Sapucaí levaram para a rua foi escolhido através de um “concurso de samba”, como nas escolas tradicionais fazem. Ao final da disputa, dos 8 sambas finalistas o vencedor foi o samba composto pela parceria Daniel Sartori e Renato Bertola.

O samba está disponível para download no site dos Doentes da Sapucaí: www.doentesdasapucai.com/desfile-2025

Curiosamente, o trajeto do desfile dos Doentes tem exatamente a mesma metragem da Marquês da Sapucaí. São 700 metros de muita vibração e alegria.

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“Nossa proposta é reunir amigos e famílias para fazer um desfile com muita alegria e tranquilidade”, revelou Odilon Cardoso, presidente do bloco.

“A estrutura montada foiainda maior que nos anos anteriores, além do espaço com brinquedos para crianças na concentração e na dispersão, banheiros, limpeza e segurança, contou com uma feira gastronômica com diversas barracas de comidas e bebidas. Tudo isso ao som dos mais clássicos sambas de enredo”, complementou.

O desfile contou com o apoio de empresas de diversos segmentos. Marcas como Ampla Prevenção e Saúde, Assembléia Bar, Cerâmica Urbana, Cobretec, Fechando o Gol, Gatetim, Bar Pirajá e Grupo Sol foram fundamentais para que toda esta estrutura fosse oferecida.
Este ano a bateria foi reforçada com cerca de 40 alunos da Oficina de Bateria do bloco, que ensaiaram desde Abril de 2024 para apresentar em grande estilo uma batucada ritmada, repleta de bossas e viradas.

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A oficina acontece todas segundas no espaço Kacto, na Vila Madalena (SP), maiores informações pelo instagram dos Doentes (@doentes_da_sapucai). A surpresa do dia ficou por conta da fantasia da bateria, com chapéu, óculos, gravata e suspensório, numa linda homenagem ao amigo e ídolo Quinho do Salgueiro.

Para acabar o dia com chave de ouro, a dispersão aconteceu no Bar Pirajá da Vila Mariana, com muito samba, chopp e descontração para comemorar o lindo desfile dos Doentes da Sapucaí 2025.

Preparada para história! Maricá finaliza ensaios de rua e conta os minutos para o desfile no Carnaval 2025

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A União de Maricá encerrou seu último ensaio de rua na última sexta-feira, na Passarela do Samba Adélia Breve, em Maricá, com uma exibição animada e consistente. A escola, que será a sexta a desfilar na sexta-feira de carnaval, levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “O Cavalo de Santíssimo e a Coroa do Seu Sete!”, desenvolvido pelo multicampeão Leandro Vieira. O grande destaque da noite foi o canto potente da comunidade, além da escola mostrando organização e energia, com um desfile de 53 minutos, mostrando que a agremiação está pronta para uma grande apresentação.

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Fotos: Divulgação/Maricá

Matheus Santos, gestor da União de Maricá, anunciou que a escola finalizou 100% dos preparativos para o carnaval, com todas as fantasias e alegorias prontas. Ele comentou sobre os pontos fortes da escola para o desfile: a perfeição estética do carnavalesco Leandro Vieira, a força da comunidade e o samba animado que promete impulsionar a Sapucaí.

“Todas as fantasias e alegorias estão prontas. Agora, o que esperamos é a perfeição estética do Leandro, a força da nossa comunidade e um samba que impulsiona todo o desfile. Vamos para a avenida com o objetivo claro: disputar o campeonato e conquistar o acesso ao Grupo Especial”, completou.

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Matheus Santos, gestor da União de Maricá

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal Fabrício Pires e Giovanna Justo brilhou no ensaio, demonstrando entrosamento e técnica refinada. Os movimentos do casal foram expressivos, remetendo a uma incorporação de entidade, o que gerou forte impacto visual. Mesmo sem a fantasia oficial, ambos entregaram uma performance de alto nível e foram aplaudidos pelo público presente nas arquibancadas da passarela.

Harmonia

A União de Maricá evidenciou uma de suas maiores forças: o canto da comunidade. O trio de intérpretes não estava completo. Apenas Nino do Milênio e Matheus Gaúcho (sem Bico Doce) conduziram o samba com muita energia, garantindo que os componentes cantassem forte e do início ao fim. O engajamento das alas foi uniforme, sem oscilações, o que reforça a expectativa de um desfile marcante na Avenida.

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Evolução

A escola se apresentou de forma compacta e organizada, sem buracos ou alas emboladas. O cortejo vermelho, amarelo e branco se movimentou de maneira fluida, garantindo um bom andamento do desfile. As alas demonstraram animação e espontaneidade, características fundamentais para um desempenho positivo no dia do desfile.

Wilsinho Alves, diretor de carnaval da União de Maricá, expressou confiança e emoção ao falar sobre a preparação da escola para o desfile. Ele afirmou que a agremiação está totalmente pronta e que, se o desfile fosse hoje, Maricá entraria na avenida com tudo.

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“Quero dizer que a União de Maricá está pronta! Se o desfile fosse hoje, Maricá entraria na avenida preparada para brilhar. Sobre o último ensaio, a avaliação foi excelente. Estão dizendo que fomos a melhor escola do ensaio técnico, mas isso não significa nada. Treino é treino, jogo é jogo”, completou.

Samba

O samba-enredo de Wanderley Monteiro, Rafael Gigante, João Vidal, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Miguel Dibo, Hélio Porto e André Do Posto 7 foi um dos grandes protagonistas da noite. A comunidade de Maricá mostrou que abraçou completamente a obra, cantando de ponta a ponta com empolgação e firmeza. O ritmo contagiante contribuiu para manter o alto astral do ensaio e impulsionou a escola do início ao fim.

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O mestre de bateria da União de Maricá, Paulinho Steves, não escondeu sua satisfação com o andamento dos preparativos. Ele destacou que agora é só aguardar o grande dia para fazer a Sapucaí “tremer” com a “força e a energia” da bateria da escola, não escondeu sua satisfação com o andamento dos preparativos e afirmou que, se o desfile fosse hoje, estaria extremamente feliz, pois a bateria está “afinada e as “bossas bem encaixadas”.

“Se fosse o desfile oficial, eu estaria feliz pra caramba! A bateria está ajustada, as bossas encaixadas, a coreografia no esquema. Agora é só esperar o grande dia e fazer a Sapucaí tremer. Foi mais uma oportunidade de mostrar um pouco do que vamos apresentar no dia 28. Me sinto 100% preparado para o desfile”, completou.

Série Barracões: Viradouro em busca do bicampeonato com a história de Malunguinho

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A Unidos da Viradouro mira em 2025 seu primeiro bicampeonato consecutivo no Grupo Especial do carnaval carioca. Após vencer em 2024 com um desfile considerado “quase perfeito” pelos jurados, a escola de Niterói mantém a confiança no carnavalesco Tarcísio Zanon, à frente do carnaval da agremiação desde 2020 – ano em que a escola conquistou seu segundo título (o primeiro foi em 1997). Com um histórico recente de pódios (terceiro lugar em 2022 e vice em 2023), a Vermelho e Branca aposta no enredo “Malunguinho: Mensageiro de Três Mundos” para ficar com a taça e entrar para a história. A narrativa mergulha na trajetória de João Batista, líder do Quilombo do Catucá (Pernambuco, século XIX), cuja luta pela liberdade o transformou em Malunguinho, entidade reverenciada na Jurema Sagrada, religião ancestral afro-indígena. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Zanon detalhou os desafios de repetir o título, a ousadia plástica do desfile e o cuidado em equilibrar sagrado e carnavalização.

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Fotos: Matheus Morais/CARNAVALESCO

O desafio do bicampeonato: “O desafio só aumenta, e é o que a gente mais gosta. A Viradouro vem quebrando paradigmas: em 2020, fomos a segunda escola a vencer no domingo após décadas. Hoje, somos referência na Liga das Escolas de Samba. Nosso diferencial é olhar para dentro: melhoramos processos de produção, ergonomia das fantasias, testes de iluminação e até a maquiagem. A comunidade se sente valorizada, os profissionais respeitados. Somos um modelo de gestão que merece ser premiado – não por estar aqui, mas por inspirar dignidade e profissionalismo”, afirmou Zanon, lembrando que o último bicampeonato no carnaval foi da Beija-Flor, em 2008.

Jornada alucinógena na Sapucaí

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O enredo, segundo o carnavalesco, é um “convite ao surto criativo”. A Jurema Sagrada – ritual que usa um chá de acácia com efeitos alucinógenos – será o fio condutor para uma viagem sensorial. “Malunguinho acessou cidades encantadas através desse chá, e nós traduzimos isso em cores vibrantes, materiais inusitados e efeitos de luz que já são nossa marca. Será um desfile piramidal: todas as alas seguirão a lógica das aberturas que fizemos em enredos anteriores, como Pink Magic e Dangbé. Queremos imagens que grudem na memória, como um ‘mestre Renato Lage’ faria”, brincou Zanon, referindo-se ao lendário carnavalesco.

Respeito ao sagrado e liberdade carnavalesca

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O desafio foi equilibrar a precisão histórica com a fantasia. “A Jurema tem símbolos intocáveis: estrelas de sete pontas, cachimbos, cocares. Trabalhamos com antropólogos e líderes religiosos para não distorcer sua essência. Ao mesmo tempo, o transe do chá nos permite abstrair formas e cores. É a carnavalização do invisível”, explicou. A pesquisa incluiu catalogar mais de 100 pontos cantados (hinos religiosos) dedicados a Malunguinho, muitos com séculos de tradição.

Novidades Técnicas

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Iluminação: A escola desfilará totalmente à noite. Um light designer foi contratado para criar efeitos 3D que ressaltem fantasias e alegorias sem descaracterizar a arte tradicional.

Fantasias: Tecidos termorreguladores combatem o calor, enquanto estruturas cinéticas (com movimento) prometem surpreender. “A Viradouro é luxo com leveza: 80% do público é feminino, e pensamos em conforto sem abrir mão do brilho”, disse Zanon.

Alegorias: O tripé ganhará destaque, assim como um carro que representa a “Chave de Malunguinho”, símbolo de libertação das senzalas.

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Aposta no conjunto: “Musicalmente, evoluímos. O enredo é mais claro que o anterior. Plasticamente, estamos mais ousados. Até o casal de mestre-sala e porta-bandeira terá figurinos revolucionários”, adiantou Zanon. Se depender da ambição e do rigor técnico da Viradouro, Niterói pode celebrar não só um bicampeonato, mas o nascimento de uma nova lenda no asfalto.

Entenda o desfile

A Unidos de Viradouro para 2025 vem com 2.500 componentes em média. Seis carros alegóricos, um tripé e o elemento alegórico da comissão de frente serão usados ao longo do desfile da agremiação. Tarcísio Zanon, ao CARNAVALESCO explicou a setorização.

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Setor 1: “Um primeiro momento a gente traz o João Batista, que é o último dos malungos, que é o nosso enredo, e que se torna essa entidade afroindígena que é o Malunguinho. Então o João Batista revolucionário, líder quilombola, líder político, tacando fogo nos canaviais, libertando o povo dele, o pavor da elite da época. Entramos com esse espírito do herói, não do anti-herói, mas do salvador daquela comunidade. Depois a gente faz a passagem dele, isso é o histórico, a gente faz a passagem dele para o espiritual que se entrelaça com o histórico, porque o que a gente aprende sobre o Malunguinho é que ele é uma entidade que habita em três falanges, que é a mata, a jurema, que é a árvore, e a encruzilhada, onde ele na mata é caboclo, mestre na jurema, e exu na encruzilhada. Os setores eles seguem exatamente essa ordem e é como ele se apresenta dentro de uma sessão de jurema”.

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Setor 2: “Ele é caboclo da mata, porque historicamente ele adentrou a mata do Catucá, aprendeu o segredo dos pajés, ele aprendeu o segredo das ervas, aprendeu a usar as armas dos pajés, os arco-e-flechas, a forma de se defender, a fazer, construir, desconstruir uma oca, construir o quilombo do Catucá dessa forma, de uma forma itinerária, o que fazia também com que ele fugisse dos algozes dele, então esse é o segundo setor, é o caboclo”.

Setor 3: “O nosso terceiro setor é o mestre, é o momento em que Malunguinho é ferido em uma emboscada, e ele entra em contato com o chá da jurema que cura ele e que ele passa a ter o conhecimento dessas cidades encantadas. É um setor altamente cristal, altamente encantado, de cura, é o chá da jurema”.

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Setor 4: “O último setor é o setor da encruzilhada. Ele tinha uma chave sagrada que abria todas as portas de senzala. Na verdade, a gente fala exu-trunqueiro, mas isso é uma forma popular, porque se a gente considerar dentro da jurema ele não é exu, ele é trunqueiro. O exu se popularizou por conta da influência iorubá e a gente tem dentro desse enredo uma religião que amalgama todas as outras, porque quando os europeus chegaram aqui as bruxas ibéricas se adentraram às matas para poder ter refúgio dentro da jurema, o catolicismo popular também teve influência da jurema e se adentrou, a própria umbanda sai também da jurema. A gente fala sobre essas encruzilhadas, sobre isso tudo que se entrecruza e chega nos dias atuais, porque até hoje existe uma festa feita para Malunguinho e que se oferece não somente oferendas físicas. A dança de coco, os maracatus, todas essas manifestações populares de Pernambuco, elas têm dentro das suas instituições assentamento de Malunguinho e na festa de Malunguinho elas vão dançar para ele. A gente tem essa encruzilhada que vai se fundir com a nossa encruzilhada que é a Marquês de Sapucaí”.

Série Barracões: Botafogo Samba Clube celebra as glórias da Estrela Solitária e homenageia os botafoguenses

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A Botafogo Samba Clube apresentará no carnaval de 2025 um desfile que conta a trajetória do clube de regatas e futebol, dos ídolos e de sua torcida apaixonada. Com o enredo intitulado “Uma gloriosa história em preto e branco”, a escola busca superar as dificuldades financeiras e entregar um espetáculo emocionante na Marquês de Sapucaí.

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, Alex de Souza, carnavalesco da agremiação, falou sobre as descobertas que fez a partir do nome Botafogo:

“Eu queria entender o que significava Botafogo e eu fui descobrir que no século XVI havia um navio de guerra português chamado São João Batista, que tinha um apelido de Botafogo, oriundo dos canhões que eram chamados de Boca de Fogo. Esse navio foi o primeiro navio a ter canhões e era tão importante na época que era cedido para outros reinos para ser usado em batalhas”, contou.

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O carnavalesco também contou que o nome do bairro surgiu a partir de João Pereira de Souza, um capitão responsável pela artilharia do navio, que também tinha por apelido Botafogo e que se estabeleceu na região após ajudar na expulsão dos franceses e os tamoios no processo de fundação da cidade do Rio de Janeiro.

O enredo também abordará o surgimento do Clube de Regatas Botafogo em 1894 e do Botafogo Football Club em 1904. A fusão dos dois clubes aconteceu, em 1942, após a morte do jogador Armando Albano durante uma partida de basquete. “Esse trágico evento causou uma comoção enorme, e os presidentes dos dois clubes resolveram fundi-los para se tornar um só”, contou Alex.

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Na avenida, o Botafogo Samba Clube realizará homenagens aos grandes craques que vestiram a camisa do time, como Garrincha, Didi, Gerson, Leônidas Manga, Marinho, Carlos Alberto Torres, Caju, entre outros. Além disso, o enredo destaca o estádio Nilton Santos, os títulos históricos e a conquista da Copa Libertadores da América em 2024, que será representada como escultura uma alegoria.

Outra novidade será a “Estrela Dalva”, símbolo do clube que será representadas pelas baianas da agremiação.

Dificuldades econômicas da escola

Alex de Souza não escondeu os desafios enfrentados pela Botafogo Samba Clube na produção do desfile. Com um orçamento limitado, a escola precisou se reinventar para criar um projeto que honrasse a história do Botafogo. “A gente vai fazer, tentar fazer o melhor dentro das nossas possibilidades”, afirmou o carnavalesco. Ele destacou que o grande trunfo do enredo está na energia e na paixão dos componentes, que cantaram maravilhosamente bem durante os ensaios técnicos. “A alegria dessas pessoas, esse entusiasmo, para mim é o ponto alto”, disse.

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Apesar das restrições financeiras, Alex garantiu que o desfile será marcado pelo carinho e dedicação de todos os envolvidos.

Curiosidades e folclore

Alex de Souza ressaltou que a pesquisa para o enredo revelou histórias curiosas e divertidas, como a do mascote Biriba, um cachorro que era tratado com filé mignon e considerado um talismã pelo ex-presidente Carlito Rocha. “Se alguém morresse, morre o jogador, mas não morre o cachorro”, brincou o carnavalesco, destacando o lado folclórico e humorístico da história do clube.

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Entenda o desfile

A Botafogo Samba Clube levará para a Sapucaí em 2025 cerca de 1800 componentes e 3 carros alegóricos.

Setor 1: O desfile começa com a história que dá nome Botafogo. Do Galeão Português São João Batista ao capitão de artilharia João Pereira de Souza. A narrativa mostra como a origem do nome nasceu de uma história colonial de conquistas, conectando passado e presente.

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Setor 2: A Belle Époque botafoguense e a fusão dos clubes. O segundo setor transporta o público para o charme do final do século XIX, quando o remo era o esporte mais popular e o bairro de Botafogo vivia seu auge de sofisticação. A fundação do Clube de Regatas Botafogo, em 1894, e do Botafogo Football Club, em 1904, é retratada com elegância, destacando a fusão dos dois clubes em 1942. As fantasias e alegorias celebram o remo, o futebol e o espírito de união que fortaleceu o clube.

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Setor 3: Um só Botafogo. O encerramento do desfile é uma celebração das glórias do Botafogo, com homenagens aos grandes ídolos que vestiram a camisa preto e branca, como Garrincha, Didi, Gerson e Carlos Alberto Torres. A conquista da Copa Libertadores da América em 2024 ganha destaque em uma alegoria majestosa, ao lado de outros títulos históricos, como a Taça Brasil de 1968. Com fantasias que exaltam as cores e os símbolos do Botafogo, o desfile se encerra em um clima de emoção e orgulho, celebrando uma história que continua a inspirar gerações.

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Expectativas para o desfile

Com um samba-enredo envolvente e uma bateria afinada, a Botafogo Samba Clube espera emocionar o público e os jurados na Marquês de Sapucaí. “O efeito especial vai ser o canto do povo no dia e as coisas funcionarem em termos de harmonia”, afirmou Alex. A escola aposta na paixão de seus componentes e na riqueza histórica do enredo para conquistar uma colocação de destaque no Carnaval 2025.

Em meio às dificuldades financeiras, a Botafogo Samba Clube prova que, com amor e dedicação, é possível contar uma história gloriosa em preto e branco.

Neguinho da Beija-Flor fala do próprio futuro e do carnaval santista

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Uma marca pode ser tão forte que, literalmente, pode se transformar em um nome. No caso de um famoso intérprete do carnaval carioca, o epíteto é tão forte que ele, legalmente, adicionou a forma pela qual é conhecido entre seus sobrenomes: Luiz Antônio Feliciano Neguinho da Beija-Flor Marcondes. Dentre tantas grandezas que ele já obteve na carreira, ele ganhou a oportunidade de se tornar o embaixador do carnaval de Santos.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Em entrevista exclusiva ao CARNAVALESCO, Neguinho da Beija-Flor falou um pouco sobre qual a função dele no carnaval de Santos e, também, deu uma prévia de como ele irá atuar depois de se aposentar dos microfones da agremiação de Nilópolis.

Histórico em Santos

O próprio intérprete saciou a curiosidade sobre o começo da relação dele com a Baixada Santista: “Eu sou embaixador do carnaval de Santos desde 2018! De lá para cá, desde então eu tenho essa felicidade de estar aqui na cidade, assistindo e colaborando de alguma forma com as escolas de samba da Baixada Santista. Santos é uma cidade que eu gosto muito e estou aqui todo ano, nas duas noites de apresentações”, destacou.

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A quem associa Neguinho da Beija-Flor única e exclusivamente à folia carioca, é importante relembrar um momento marcante dele no carnaval da cidade de São Paulo. Em 1998, ao lado de Nilson Valentim, ele foi o cantor oficial da Mocidade Alegre. Foi, por sinal, a primeira vez que ele defendeu outro pavilhão que não o da Beija-Flor.

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Folião de primeira ordem, o intérprete também pontuou, na prática, o que significa ter o posto que ele possui: “Enquanto embaixador. meu papel é falar do carnaval de Santos, destacar o quanto as escolas de samba daqui são maravilhosas. Também gosto de estar aqui presente, vivenciando esse espetáculo maravilhoso. É uma alegria imensa colaborar, de alguma forma, com o crescimento da folia santista”, comentou.

Futuro

O mundo do carnaval segue impactado com o anúncio da aposentadoria do intérprete da escola que ele defende desde 1975. Apesar da retirada do carro de som azul e branco, de acordo com ele próprio, apenas isso muda: “Vou continuar Beija-Flor, sou um eterno torcedor da escola. Também vou continuar no samba, só não cantarei. E vou dar continuidade a minha carreira de gravações de sambas de meio de ano. Além, é claro, dos shows e das viagens. Em relação a isso, não tenho problema algum. Só vou parar com a minha atuação como cantor do carnaval”, finalizou Neguinho da Beija-Flor, tranquilizando os fãs.

Depois do sucesso da camisa I, Mocidade e Kappa lançam a camisa II da escola em homenagem ao clássico sambista

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A camisa lançada pela Kappa em parceria com a Mocidade no dia do futebol virou febre em todos os cantos do país. Em todo lugar da cidade, tem alguém vestido com o manto verde e branco de Padre Miguel. E depois do grande sucesso, a parceria entre a Escola e a fornecedora de material esportivo italiana, inova mais uma vez e lança a camisa II da temporada deste carnaval 2025.

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A coleção traz com orgulho todos os elementos de um bom sambista. O tecido e os detalhes em dourado reforçam a mensagem de que o sambista perfeito está sempre bem trajado. As estrelas da campanha foram Bruna Santos e Diogo Jesus, Porta-Bandeira e Mestre-Sala da Escola, batizados de Casal Iluminado no mundo do samba.

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O diretor de marketing da Mocidade, Bryan Clem, reforça a importância da parceria e de mais uma ação pioneira no carnaval.

“A parceria com a Kappa foi um marco não só para a gente, mas para todo o carnaval. Associar a nossa cultura com uma marca global como essa só reforça o nosso peso. A repercussão da camisa I foi algo que mexe até hoje conosco. E agora, a gente vem com essa necessidade para coroar a temporada e ir para avenida com a classe que merecemos. Muito orgulhoso dessa parceria, explica Bryan.

Já o diretor da Kappa Brasil, Caio Campos, aproveitou para falar da emoção de vestir a Estrela Guia de Padre Miguel.

“É muito gratificante para Kappa poder estar presente com a Mocidade em nosso primeiro carnaval. A sensação é a mesma de estar estreiando em um grande campeonato de futebol. E nada melhor que lançar uma camisa tão linda para esse momento tão especial. Buscarmos criar para a comunidade, uma peça que uma elegância e tradição”.

A camisa já está disponível na boutique online da escola no endereço: https://www.boutiquemocidade.com.br/

O desfile

Primeira Escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, a Mocidade Independente de Padre Miguel levará para a Sapucaí o enredo “Voltando para o futuro, não há limites para sonhar”, desenvolvido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage (Em memória). A agremiação fará uma viagem intergaláctica, onde se reconecta com seu brilho mais intenso, o de uma estrela jovem, para questionar os próximos passos em um manifesto pelo futuro da humanidade.

Dedê Marinho: A rainha da bateria que brotou do chão da Vintém

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Aos cinco anos, Andressa Marinho caminhava pelas ruas de sua comunidade quando ouviu o som contagiante de uma batucada. Curiosa, perguntou à mãe sobre aquele barulho. Ao descobrir que se tratava de um ensaio de escola de samba, a menina ficou encantada. Assim, naquele dia, nasceu uma verdadeira rainha.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“É uma mistura intensa de emoções, mas, sem dúvida, muito especial. Estamos de volta ao desfile especial após 52 anos, e eu me tornei a rainha da bateria da minha escola do coração. É uma gratificação enorme, uma honra imensa. Sinto-me um exemplo e uma inspiração, resgatando o nosso lugar e representando a nossa comunidade. O samba raiz faz parte da nossa ancestralidade e é a cultura do povo preto. Portanto, sinto-me como um espelho para as crianças, uma referência no samba. Sobre sua fantasia, ela disse ser segredo!”, disse Dedê Marinho, rainha da bateria.

O CARNAVALESCO entrevistou alguns integrantes da Unidos de Padre Miguel para saber a opinião deles sobre a importância de ter uma rainha da bateria que venha da comunidade.

“Desfilo na UPM há 11 anos e já passei por diversos segmentos da escola. Comecei como passista e hoje trabalho na área de comunicação. A Dedê foi passista comigo quando ainda era uma criança. Ela representa as pessoas da comunidade e o chão da escola, além de lembrar que nosso esforço é valorizado. O cargo que ela ocupa atualmente é o desejo de muitas, e vê-la neste lugar nos motiva a continuar lutando, não apenas pela escola. A UPM oferece oportunidades para que seus componentes alcancem novos horizontes dentro e fora da agremiação. Acredito que, além da representatividade, ela trilha novos sonhos e caminhos, proporcionando inspiração para não desistir. A UPM sempre oferecerá oportunidades, permitindo que sigamos em frente sem abandonar a escola”, disse Elisabeth.

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Elisabeth

Uma torcedora se emocionou ao relatar que sua filha chora ao dizer que deseja ser como Dedê um dia.

“Meu coração se enche de emoção. Tenho uma filha de sete anos, e quando ela vê a Andressa, chora, pois enxerga nela uma referência. Ela diz que, quando crescer, quer ser igual a ela. Minha filha está aqui ao meu lado, emocionada. Somos da Vila Vintém, e ela está sempre comigo e com o pai na quadra. É maravilhoso testemunhar uma menina da nossa comunidade se tornando rainha. A Dedê é um exemplo para todos nós, um grande orgulho!”, declarou Rafaela, torcedora da escola.

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Rafaela

“Estou chegando à UPM este ano, mas já acompanhava o desfile em anos anteriores. Também sou passista e, ao ver a Dedê reinando em uma bateria tão tradicional do Carnaval carioca, senti-me representada, assim como todas as meninas que sonham em ocupar um lugar de destaque. Para nós que estamos nesse segmento, sonhar em um dia reinar à frente da bateria da nossa escola é algo muito gratificante!”, afirmou Thamara.

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Thamara

De olho nos quesitos: confira mudanças nos critérios de julgamento de Alegorias e Fantasias

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As regras de julgamento dos quesitos Alegorias e Fantasias sofreram ajustes para o próximo carnaval, tornando a avaliação mais criteriosa. No caso das alegorias, a “criatividade” agora será analisada sob o conceito de “criatividade plástica”, destacando o apelo visual e a originalidade na execução. Além disso, penalizações foram inseridas para danos em materiais e falta de acabamento, exigindo um maior nível de perfeição na apresentação das alegorias na avenida. Outra mudança importante é a exclusão da análise de alterações em cores ou detalhes das imagens do Livro Abre-Alas, reconhecendo seu caráter ilustrativo.

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Foto: Dhavid Normando/Divulgação Rio Carnaval

Já no quesito Fantasias, os critérios de concepção e realização foram mantidos, mas com maior rigor na avaliação da qualidade final. Um novo fator de penalização foi incluído, punindo alas que apresentem uma quantidade significativa de elementos quebrados. Assim como nas alegorias, eventuais variações em cores e detalhes do Livro Abre-Alas não serão consideradas na nota final. As mudanças reforçam a atenção aos detalhes e a busca por um desfile visualmente impecável.

Alegorias: novos critérios e maior atenção aos detalhes

No quesito Alegorias, a estrutura de avaliação foi mantida, dividida entre concepção e realização, com os mesmos critérios de pontuação (de 4,5 a 5,0 pontos para cada subquesito). Entretanto, algumas mudanças significativas foram introduzidas:

Na concepção, a “criatividade” das alegorias passa a ser descrita como “criatividade plástica”, reforçando a importância do apelo visual e da originalidade na execução. Na realização, foram adicionadas penalizações para “eventuais danos em materiais ou falta de acabamento”, tornando a avaliação mais rigorosa em relação ao estado das alegorias na avenida.

Além disso, um novo critério foi inserido na lista de aspectos que não devem ser levados em consideração, excluindo da avaliação eventuais modificações em cores ou detalhes representados nas imagens do livro Abre-Alas, reconhecendo que esses elementos são apenas ilustrativos.

Fantasias: rigor e nova penalização

No quesito Fantasias, a divisão entre concepção e realização também foi mantida, com critérios semelhantes aos do ano anterior. Entretanto, algumas modificações foram feitas.

Na realização, um novo critério foi adicionado às penalizações: a quantidade significativa de materiais e elementos quebrados dentro da mesma ala. Isso demonstra um olhar mais atento dos jurados para a qualidade final das fantasias durante o desfile.

Assim como no quesito Alegorias, também foi adicionada uma exceção na avaliação: modificações em cores ou detalhes representados nas imagens do Livro Abre-Alas não serão levadas em consideração, reconhecendo a natureza ilustrativa das imagens fornecidas previamente pelas Escolas.

Série Barracões: União da Ilha acredita na força do enredo e do trabalho plástico para subir ao Grupo Especial

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O CARNAVALESCO entrevistou o artista da União da Ilha do Governador Marcus Ferreira. O bate-papo ocorreu no barracão da escola, no Caju, Zona Norte do Rio de Janeiro, e se debruçou sobre a escolha e desenvolvimento do enredo, o trabalho plástico de 2025, as dificuldades da Série Ouro e as expectativas para o desfile oficial, que ocorrerá em 28 de fevereiro (sexta-feira). Em 2025, a Ilha aposta no enredo “Ba-der-na! Maria do Povo”, sobre a bailarina italiana Marietta Baderna que viveu durante o século XIX e foi contratada pelo governo imperial brasileiro para dançar para a elite carioca.

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Fotos: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“Quando ela chegou, ela já se revoltou com as atitudes do governo imperial da época para com o povo carioca, com os restantes dos indígenas tamoios, com a escravidão que ainda era latente. Aquilo chocou um pouco ela. Quando o governo começou a destratar a companhia lírica italiana, os músicos, os bailarinos e toda a equipe artística que vinha dançar para a burguesia, os salários começaram a atrasar e os artistas passaram fome, ela se rebelou como uma estrela que era e se aliou de definitivamente ao povo. A partir disso, ela liderou várias lutas artísticas, raciais e sociais. Ela foi uma uma grande personalidade do Rio de Janeiro, mas um pouco apagada”, disse Marcus.

A escolha do enredo, no entanto, não foi fácil. A homenagem à Marietta Baderna foi a sétima proposta levada por Marcus à direção da escola, que logo se identificou com a artista.

“Durante a pandemia, eu estava na Viradouro e vi um vídeo do Fantástico, Mulheres Extraordinárias, de 30 segundos, sobre a Marietta. Ali eu já pensei: ‘Nossa, que história linda’. Ficou guardado como ideia. Foram-se 2 anos na Viradouro, depois 2 anos na Mocidade. As escolas para onde a gente vai têm assinatura própria.. Casou muito de encontro com aquilo que o insulano gosta, desses carnavais divertidos e de histórias lúdicas, viagens extraordinárias que a Ilha já fez. Foi com certeza uma escolha acertada. Hoje eu vejo que, dos sete, foi o desejo que eles querem e a gente faz Carnaval para as escolas por onde a gente passa”, explicou Marcus.

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Uma vez decidido o tema do desfile, a equipe de criação partiu para a complicada pesquisa. É que só existem dois livros que abordam a vida da artista, dos quais o mais recente é “Baderna” (2023), de Paula Giannini, tetraneta de Marietta. Paula colaborou com Marcus no desenvolvimento histórico e defesa do enredo para 2025.

“Descobri, durante a pesquisa, que, quando desembarcou no Rio de Janeiro, Baderna olhou para a Baía de Guanabara e achou que estava numa ilha encantada. As duas cores que chamaram a atenção dela foram o azul e o vermelho. Eu falei ‘pô, nada é por acaso’”, revelou Marcus.

Associada pelo governo e pela elite à mobilização popular, o sobrenome de Marietta entrou para a história brasileira como sinônimo de confusão e balbúrdia. Um dos objetivos do desfile, segundo o carnavalesco, é desmistificar essa questão, jogando luz sobre a contribuição social e potência da bailarina que adotou o Brasil e o povo brasileiro. Para isso, a Ilha investiu no trabalho plástico.

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“Esse resgate que eu fiz historicamente com a Paula Giannini é uma memória do Rio de Janeiro. É uma viagem também ao Rio de Janeiro passado, que a gente não teve muita menção do que foi plasticamente. Eu estou explorando muito os figurinos de uma forma teatral, com materiais não convencionais. Eu aposto muito na subversão ao retratar a elite de maneira suja, esfarrapada e esse povo que foi marginalizado sendo colocado como a nossa verdadeira elite, como tem que ser. Esse duelo visual vai ficar bem evidente na plástica. E o colorido da Ilha. A Ilha gosta de se colorir de cores bem vibrantes. A gente vai apostar muito no cítrico, em tonalidades que conversam tanto com o vermelho e o azul da escola. Os rosas, os laranjas, os verdes. O verde cítrico permeia um pouquinho da abertura junto com a azul da escola, para dar uma acendida no olhar. É o bom, bonito e barato da Ilha”, adiantou Marcus.

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Já nas alegorias, o carnavalesco garantiu um bom acabamento: “Na Série Ouro, diante das limitações financeiras, quem está bem acabado, quem está bem proporcionado, tira 10”.

Formado em arquitetura e desenho industrial, Marcus Ferreira foi convidado, em 2003, por Márcia Lage, então no Salgueiro, para colorir figurinos da escola mirim. Nunca mais parou. Após uma passagem como carnavalesco pela Intendente, em 2009, com a Mocidade de Vicente de Carvalho, recebeu sua primeira grande oportunidade de direção artística de uma escola com a Estácio de Sá, em 2011. Em 2017, conquistou o título da divisão de acesso pelo Império Serrano e, em 2020, venceu o Grupo Especial com a Viradouro. Na época, Marcus trabalhava em conjunto com o Tarcísio Zanon.

“Eu passei pela Intendente, depois eu tive 9 anos na Série Ouro. Cheguei ao Especial e agora tô na Ilha, pela Série Ouro novamente. Já são 16 carnavais assinados. É uma trajetória um pouco extensa, mas de muito aprendizado sempre. A cada ano a gente aprende um pouco”, resumiu Marcus.

Com vasta experiência, o artista comentou sobre as particularidades da Série Ouro, conhecida pelas limitações financeiras que exigem criatividade para serem contornadas.

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“Fazer Série Ouro é ver essas dificuldades que são enfrentadas, estruturais principalmente. A gente faz um espetáculo um pouco menor em comparação ao Especial, em termos de setorização, mas o financeiro é muito abaixo. O exercício da criatividade é muito maior. Essa minha trajetória de ter feito muitas escolas de base me deu resiliência, aptidão para poder fazer um espetáculo legal. O desafio no Especial é acertar artisticamente; já na Série Ouro é pensar em enredos legais e na construção de um carnaval que seja possível, que seja finalizado”, expressou.

Marcus também citou o desafio de trabalhar com o atraso na subvenção pública, que foi liberada em 2025, em suas palavras, muito tardiamente. Apesar disso, ele prometeu aos insulanos um belo espetáculo.

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“A Ilha está se esforçando para fazer um espetáculo grande, mostrar uma escola grandiosa. Quando eu fui campeão pelo Império, outra grande escola que infelizmente sofreu essa tragédia, foi na garra, na falta de recursos, mas foi com um carnaval grande. A gente tem pensado o carnaval da Ilha no conjunto, em defender os quesitos. A escola vai defender todos os quesitos: a plástica acertada, uma boa colorimetria, tantas ideias finalizadas com toda dignidade, a iluminação acertada, casal muito bem ensaiado, comissão que tem surpresinha, mas que a gente não pode falar. O ensaio técnico foi um espetáculo, a escola passou muito bem, com um samba de muita valentia”, afirmou.

Questionado sobre a pressão pelo título e pela ascensão ao Grupo Especial, Marcus Ferreira não titubeou.

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“Toda escola grande tem que pensar grande. A ilha tem entregado excelentes carnavais no grupo. O nosso pensamento é subir, ganhar. Eu quero voltar para o Especial, eu quero voltar com a Ilha. É uma grande história, uma escola que sempre honrou a sua história, inclusive no Grupo Especial. O pensamento é fazer um grande carnaval. Se formos os melhores, que a gente vença, com justiça”, finalizou o carnavalesco.

Entenda o desfile

Em 2025, a União da Ilha vem com três alegorias e um elemento cênico, na comissão de frente. O abre-alas vem com um avancé, acoplado de seis por seis permitido pelo regulamento. São cerca de 2.000 componentes, divididos em quatro setores. Marcus os destrincha a seguir.

Setor 1: “Esse primeiro setor é a Ilha Encantada, que é justamente essa chegada dela ao Rio de Janeiro. É uma visão nativista do Rio de Janeiro. Da Mata Atlântica, da Guanabara. É uma visão mais operística mesmo. A Ilha inverte papéis ao colocar o povo como os verdadeiros reis, a verdadeira elite da época. O Principado Carioca são os pretos, são os tamoios. É uma releitura do povo Carioca. É essa visão que ela teve logo de início de se espantar com as feições desse povo das ruas, do povo preto, do povo indígena. O desfile começa com essa abertura mais do Rio de Janeiro, da ópera nativa do Rio de Janeiro, que ela encontrou no cais”.

Setor 2: “O segundo setor se chama febre dançante. A gente coloca a burguesia como os verdadeiros errados sociais da época. A gente chama de ralé da época, porque enquanto a febre amarela assombrou o Rio de Janeiro, o povo se recolheu e a elite estava fazendo bailes imperiais clandestinos, desrespeitando as normas de epidemia da época. É um setor bem criativo, de farrapos e materiais criativos e alternativos para mostrar essa ralé, que não era os escravizados da época. Era a elite branca que escandalizou o Rio de Janeiro durante um período em que o Rio, os cariocas precisavam se resguardar socialmente”.

Setor 3: “O terceiro setor se chama Marcha das Prateadas, que é quando Marietta lidera a primeira greve brasileira, a favor desses artistas que estavam necessitados, passando por problemas financeiros por conta do agravamento salarial, feito por Dom Pedro. Eles recebem um convite para ir para Recife, para estrear o Teatro Santa Isabel, nas margens do Rio Capibaribe. Lá, os ares libertários do fim da escravidão já estavam muito latentes. Ela dança o lundu no Teatro de Santa Isabel, para a elite pernambucana, e foi um sucesso. Daí, Dom Pedro convida a companhia lírica italiana a voltar para o Rio de Janeiro e nessa volta, o principal teatro da época imperial, que era o Teatro São Pedro de Alcântara, que hoje no lugar dele é o Teatro João Caetano, pega fogo misteriosamente. As óperas caem em declínio. A Marieta lidera uma última ópera, que ela não dançou, com as artistas bailarinas da época, a favor da libertação de um jovem preto, de uma criança negra, que foi um sucesso. Ela deixa esse ideal libertário no Teatro Provisório, que foi o teatro que sucedeu o Teatro São Pedro de Alcântara”.

Setor 4: “Marieta entra em depressão e se isola ao fim da vida, por ter sido muito difamada na época pelo governo imperial. Por justamente ter liderado a luta do povo da época, o final de vida dela não é muito feliz, mas ela deixa esse legado de revolução, de liberdade pelas ruas, liberdade pelo povo. O sobrenome Baderna é entoado pelas ruas cariocas pelos jovens revolucionários da época, que proclamam a República Badernista. ‘Baderna’ é batido nas ruas como forma de protesto pelo fato dela ter desaparecido do cenário social da época. Ali começa verdadeiramente a revolução da Baderna e o ideal que ela deixou para a cidade. A liberdade já tinha sido obrigada a ser assinada. Ela deixa esse legado ao final do desfile. É um grande carnaval que foi feito nas ruas do Rio. Essas pessoas reclamaram ‘Baderna’ para a eternidade, até os dias de hoje”.