A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, visitou nesta sexta-feira o barracão da Unidos de Padre Miguel, onde foi recebida pelos diretores de carnaval Cícero Costa e Lara Mara, além dos carnavalescos Lucas Milato e Alexandre Louzada. O encontro reforçou a sintonia da escola com orientações voltadas à valorização da cultura.
Durante a visita, Anielle Franco conheceu de perto os preparativos para o desfile de 2025, no qual a Unidos de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí um enredo que homenageia Iyá Nassô – precursora do candomblé e a herança cultural deixada por africanos escravizados no Brasil. A escola, que tem tradição em exaltar a ancestralidade e a resistência do povo negro, aposta em uma narrativa forte e emocionante
Ao final do encontro, a ministra aceitou o convite da agremiação e confirmou sua presença no desfile do Boi Vermelho da Vila Vintém. “Ter Anielle conosco nesse momento tão especial é um símbolo de reconhecimento e fortalecimento da nossa mensagem. Nossa escola sempre abraçou a luta pela igualdade e tê-la na avenida ao nosso lado será histórica”, destacou a diretora de carnaval Lara Mara.
A escola da Vila Vintém irá se apresentar no domingo de Carnaval, dia 02 de março, na Marquês de Sapucaí, abrindo a primeira noite do Grupo Especial.
O MetrôRio preparou um esquema especial de funcionamento neste fim de semana (8 e 9/02), com ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, megablocos no Centro do Rio e jogos de futebol no Maracanã e no Engenhão. Para os clientes que vão assistir ou participar dos ensaios no Sambódromo, a concessionária vai estender o horário de operação nas estações Central do Brasil/Centro e Praça Onze neste sábado (8/02) até as 2h. As demais estações do sistema funcionarão normalmente, das 5h à meia-noite. Porém, depois da meia-noite, elas ficarão abertas apenas para desembarque.
No domingo (9/02), a operação do sistema metroviário seguirá o horário regular de domingo com encerramento às 23h. Na volta para casa, o MetrôRio recomenda aos clientes com destino às estações da Linha 2 que utilizem preferencialmente a estação Central do Brasil/Centro. Já para os passageiros das linhas 1 e 4, a melhor opção é a estação Praça Onze.
Nos dois dias, a linha 2 vai operar entre Pavuna e General Osório/Ipanema, e as linhas 1 e 4 seguirão o trajeto Uruguai-Jardim Oceânico/Barra da Tijuca. A transferência entre as linhas 1 e 2 poderá ser feita no trecho entre as estações Central do Brasil/Centro e General Osório/Ipanema.
A concessionária recomenda o uso do pagamento por aproximação, disponível nos cartões de crédito e débito Visa, Elo e Mastercard, ou em dispositivos com tecnologia NFC, como celulares, relógios e pulseiras. Outra dica importante é antecipar a compra ou recarga dos cartões de passagem Giro, unitário do MetrôRio ou Riocard Mais, incluindo a compra da volta, facilitando a entrada no sistema. Os créditos podem ser adicionados pelo site, aplicativo do MetrôRio ou app RecargaPay.
Eventos de pré-carnaval
O MetrôRio é o principal meio de transporte para atender aos clientes que vão aos eventos de pré-carnaval no Centro do Rio. A recomendação da concessionária é que os foliões utilizem a estação Carioca/Centro para embarque e desembarque por conta dos grandes blocos que desfilam no Centro do Rio.
A estação Carioca/Centro contará com estrutura de embarque pelo Largo da Carioca, preparada para o grande aumento de fluxo, além de comunicação exclusiva e equipe reforçada. O mesmo esquema se repetirá nos dias de carnaval e no fim de semana após o carnaval (1 a 04/03 e 8 e 9/03).
O Paraíso do Tuiuti levará à avenida no Carnaval 2025 o enredo “Quem Tem Medo de Xica Manicongo?”, sobre aquela que é reconhecida como a primeira travesti da história brasileira. Sequestrada da África, onde exercia livremente sua identidade, e transportada ao Brasil como escrava, Xica sofreu forte repressão da coroa portuguesa.
“O enredo prega a liberdade de ser quem se é, se expressar do jeito que você é, sem ter medo, vergonha, de nada. A Tuiuti vem mostrando isso para a comunidade toda”, disse a travesti Eduarda Cardoso, de 50 anos, que já desfilou pelo Salgueiro e Unidos da Tijuca e iniciou este ano sua trajetória na Paraíso do Tuiuti. Eduarda trabalha como cuidadora de idosos.
Eduarda Cardoso, de 50 anos, que já desfilou pelo Salgueiro e Unidos da Tijuca e iniciou este ano sua trajetória na Paraíso do Tuiuti
“Xica Manicongo foi a primeira trans não-indígena escravizada do Brasil. A Tuiuti este ano mostra que está apta a lutar pelos direitos LGBTQIA +. Isso é muito importante hoje em dia, por conta dessa criminalidade toda que acontece com a gente, com a nossa comunidade”, reforçou o cabeleireiro Germano Angelo, de 31 anos, que se identifica como homossexual e entrou na escola ano passado.
Cabeleireiro Germano Angelo, de 31 anos
Além de Eduarda e Germano (e também de Natty e Manuela, apresentadas mais à frente na reportagem), o segundo ensaio da noite foi prestigiado por lideranças da comunidade LGBTQ+, como a presidente da Associação Nacional de Transsexuais e Travestis (ANTRA) Bruna Benevides e a atriz e cantora Valéria Barcellos.
Presidente da Associação Nacional de Transsexuais e Travestis (ANTRA) Bruna Benevides
“A Tuiuti dá um passo muito importante no sentido de humanizar as pessoas trans e nos colocar no centro dessa vitrine que é o carnaval. Nós estamos vivendo o futuro que Xica Manicongo e outras que nos antecederam projetaram para nós”, posicionou-se Bruna.
“Para nós da comunidade LGBTQ+ e, em especial, para as mulheres trans, foi o início de tudo, a primeira mulher trans que se tem notícia no Brasil, vinda da África. Para nós que somos travestis pretas, é o DNA da nossa existência. É de uma resistência tão forte e imensa que ela se faz presente até hoje, através do enredo da Tuiuti”, celebrou Valéria.
Cantora Valéria Barcellos
Germano e Eduarda explicaram o que não pode faltar este ano no desfile da escola: “Como sempre, muita animação. A Tuiuti ultimamente vem vindo numa grande felicidade que eu acho que esse ano leva o título”, projetou Germano. “Não vai faltar emoção, aquele fervor. Muito calor”, profetizou Eduarda.
A cabeleireira transexual Natty Lacerda, de 29 anos, no entanto, é mais enfática: “Não pode faltar bastante travesti”, comentou, aos risos. Sobre a parte do samba que mais a toca, Natty, que desfila há três anos como passista da Tuiuti, respondeu “Eu travesti/Estou no cruzo da esquina”. “É uma palavra forte”, reconheceu a cabeleireira.
Cabeleireira Natty Lacerda, de 29 anos
Eduarda concordou – e justificou: “Porque eu sou uma travesti e tenho orgulho de ser quem eu sou”.
Germanou elegeu o refrão “Ê! Pajubá!/ Acuendá sem xoxá pra fazer fuzuê” como seus versos preferidos da canção. “Essa parte vai pegar porque é o que as bixas mais falam. É um pajubá nosso, para quem não sabe o que é pajubá ter a oportunidade de conhecer”, argumentou ele, referindo-se ao termo utilizado dentro da comunidade LGBT para referir-se ao próprio vocabulário criado pela comunidade. “Tem muita gente que não conhece o linguajar que a gente usa e critica, faz piada ou usa de má fé. Essa é a minha parte favorita porque a gente aquenda sem fazer fuzuê”, defendeu.
A jornalista bissexual, Manuela Caldas, de 27 anos, estreante na avenida, refletiu, por sua vez, de forma particular sobre a questão: “O enredo da Xica Manicongo para mim une dois universos, que são cantados no samba: o mundo do Axé e também o mundo LGBT. Por isso, eu amo a parte do samba que associa a Xica Manicongo às marias padilhas, às pombas-giras em geral (“Chama a Navalha, a da Praia e a Padilha,/ as perseguidas na parada popular”). Acho que é algo que tem suas barreiras em ambas as partes. Na comunidade LGBTQ+, muitas pessoas têm medo de se aproximar de qualquer religião e muitas religiões também têm barreiras contra a comunidade LGBTQ+. Colocar a Xica Manicongo como uma pomba gira une exatamente tudo que eu vivo, tudo o que eu acredito e é a parte mais emocionante para mim”.
jornalista bissexual, Manuela Caldas, de 27 anos, estreante na avenida
Os componentes revelaram que a opção por levar Xica Manicongo à avenida aproximou-os da agremiação. “A escola sempre foi muito família. Desde quando eu entrei, sempre me acolheu super de boa, nunca me tratou com diferença. Esse enredo, no entanto, serve para unir as pessoas”, disse Natty Lacerda.
“Me sinto muito mais próximo. É importante você demonstrar para o mundo, como a Tuiuti está fazendo, que qualquer tipo de ser humano é importante, independente de classe social, religião ou qualquer outro fundamento da vida”, esclareceu Germano.
“Assim que eu tomei conhecimento do enredo, eu fui procurar se a Tuiuti tinha um histórico de apoio à causa LGBT e eu me surpreendi quando vi que não. É muito corajoso, tem que ter muito peito para você bancar é um enredo como “eu travesti” no ano de 2025 e eu achei curioso que não tinha um histórico, que isso seja algo novo. Eu espero que a Tuiuti honre isso no ano que vem. Isso me deu muito respeito pela escola para os próximos anos”, ponderou Manuela.
“Xica Manicongo é reconhecida como a primeira travesti do Brasil. Preta, africana e candomblecista. O Carnaval é exatamente quem a Xica Manicongo é. Se você está gostando e não entendeu, repense o que você gosta de verdade”, colocou Manuela.
“Todas as pessoas – tanto gay, lésbica, travesti, homem, mulher -, todos somos a esperança de uma nação”, finalizou Natty.
Há dez anos, Celsinho Mody se tornou a voz que conduz multidões nos desfiles da Acadêmicos do Tatuapé. Com energia contagiante e dedicação inabalável, o intérprete não só consolidou seu nome como um ícone do carnaval paulistano, mas também ajudou a reinventar a identidade musical da escola. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele celebra uma trajetória marcada por inovação, parceria com a comunidade e gratidão.
Celsinho destaca que seu maior orgulho é o legado construído ao lado da escola. “Inserimos uma forma de cordas no carnaval de São Paulo, resgatamos o canto feminino no carro de som e trouxemos uma africanização na maneira de entoar o samba, que chamamos de ‘Afro ala’”, explica. Atualmente, três vozes femininas — Keilla Regina, Sté Oliveira e Vanessa Demetria — se juntam a ele, reforçando a diversidade sonora.
O intérprete também enfatiza a conexão com a comunidade: “Tenho prazer em viver com amor e felicidade aqui. Neste ano, em cada ensaio, recebi presentes simbólicos que encheram meu coração”.
Equipe musical de excelência
Na reta final para o Carnaval 2025, a ala musical da Tatuapé se destaca não só pelas vozes, mas pela estrutura técnica. Sob direção de Ana Nascimento e coordenação de Marcelo “Tchello”, o grupo conta com instrumentistas renomados, como Caio Senna (cavaco) e Kleber Souza (violão de 6 cordas), além de um carro de som que equilibra potência e nitidez. “É essencial para que a emoção chegue a todos”, ressalta Celsinho.
Memórias emocionantes
Questionado sobre momentos marcantes, o cantor cita três capítulos: o reencontro com a escola em 2016, após uma década afastado; o título de 2017; e a recente homenagem à Bahia, que teve o samba aclamado “de ponta a ponta” pela arquibancada. “Se pudesse reviver um deles, escolheria ‘Maranhão’”, revela, referindo-se ao enredo de 2020, que celebrou a cultura do estado.
Parceria com a siretoria: base do sucesso
A sintonia com a diretoria é apontada por Celsinho como um pilar do sucesso. “Eles bancam minhas ‘loucuras’ e respeitam meu jeito de cantar e me expressar”, brinca. Segundo ele, a experiência administrativa da equipe — aliada à liberdade artística — mantém a Tatuapé entre as grandes escolas do carnaval. “São parceiros que entendem de música e gestão, e isso faz toda a diferença”.
Futuro e a gratidão
Enquanto se prepara para 2025, Celsinho não esconde a emoção: “Sou funcionário da escola, mas trabalho com alma. Representar a Tatuapé é uma honra”. E finaliza, filosófico: “O futuro está nas mãos de Deus, mas até aqui, só tenho gratidão”.
Com uma década de histórias e inovações, Celsinho Mody e a Acadêmicos do Tatuapé seguem provando que, no samba, tradição e ousadia caminham de mãos dadas — sempre ao som do coração da comunidade.
Em parceria com a Liesa, a Unidos da Tijuca realizou na última quinta-feira o cadastramento de torcedores da escola para assistir ao desfile no Setor 1 da Sapucaí. Uma iniciativa que aproxima ainda mais a comunidade do espetáculo e valoriza aqueles que acompanham a agremiação durante todo o ano, principalmente, as pessoas que nunca estiveram na arquibancada da passarela do samba.
“Estou emocionada e querendo assistir ao desfile. Vai ser a minha primeira vez e tem uma tia minha que hoje é da velha guarda, ela desfila desde pequena junto com a minha avó e eu mesma nunca participei. Esse ano eu decidi que eu quero assistir e aí veio essa oportunidade maravilhosa de ganhar o ingresso”, diz Gisele, de 42 anos, moradora do morro do Borel e torcedora da escola.
Gisele (direita), de 42 anos, moradora do morro do Borel e torcedora da escola
As inscrições foram realizadas presencialmente na quadra da escola e o processo de cadastramento consistiu na apresentação do RG, CPF, fornecimento do nome completo e tirar uma foto do rosto, que ficará salvo em um programa de reconhecimento facial para o acesso ao setor 1, mas é recomendado levar documento original com foto no dia do desfile, caso haja algum erro na função e bater com a informação do sistema.
“Foi tranquilo. As meninas do atendimento foram bem atenciosas explicando todo o processo e o preenchimento foi bem rápido”, declara Daniela Monteiro, de 40 anos, analista de projetos de instalações a gás e componente da Unidos da Tijuca há 1 ano.
Daniela Monteiro, de 40 anos, analista de projetos de instalações a gás e componente da Unidos da Tijuca
Com vagas limitadas, foram disponibilizadas 450 inscrições e o período de cadastramento foi das 19h às 21h, porém às 20h já estavam esgotadas. Muitas pessoas que chegaram por volta deste horário, infelizmente não conseguiram o benefício. A torcedora da escola, Gisele, garantiu o último ingresso e comentou a sua felicidade. ‘’Encerrou na minha vez. Era pra ser meu, então eu vou. E como eu não tive outras oportunidades antes, sou mãe de 4 crianças, hoje eu tenho e quero estar lá’’.
Emoção é diferente no Setor 1!
Popularmente conhecido como o espaço das torcidas organizadas e de membros das comunidades das escolas, o Setor 1 da Sapucaí é o ponto inicial e fundamental para a energia do desfile. Com capacidade para 9 mil pessoas, em assentos dispostos em uma rampa, sendo as primeiras fileiras mais baixas e as últimas mais altas, é considerado o ambiente da emoção e eleito por muitos o melhor setor da Sapucaí.
“Sinceramente, eu acho que é o melhor setor de todos porque é onde inicia tudo, onde a gente interage com a escola que está chegando, é onde nós passamos a emoção para eles que vão entrar na avenida com o pé direito e levantar o astral da galera”, afirma Daniela Monteiro, componente da Unidos da Tijuca contemplada com o ingresso.
Localizado no início de tudo, é nesse setor que todos os sentimentos podem surgir, desde a animação com a entrada da escola, até mesmo o clima de tensão quando acontece algum problema inesperado.
Andrea Brasil, de 39 anos, gaúcha, que mora no Rio de Janeiro há três anos
“È muita alegria, é muita bagunça, o pessoal se anima de verdade e acompanha tudo ali, se acontece algum problema, a gente fica tenso mas se passa, a gente fica feliz e quando a escola entra, a gente fica mais feliz ainda”, declara Andrea Brasil, de 39 anos, gaúcha, que mora no Rio de Janeiro há três anos e torcedora da Unidos da Tijuca.
“Estou doida para que chegue logo para que a gente possa aproveitar e usufruir desse grande espetáculo que nós temos aqui no Rio de Janeiro”, é o que diz a servidora pública, Krishna, de 53 anos, desfilante da escola há 2 anos que resume o clima de felicidade e ansiedade das pessoas que conseguiram os ingressos através da ação da Unidos da Tijuca.
Um setor, histórias inesquecíveis
Quem já frequentou o setor 1 é bem provável que tenha alguma história que ficou marcada para contar. Esse é o caso da Andreia Brasil, que no ano de 2022 foi assistir ao desfile na Sapucaí no primeiro setor pela primeira vez e protagonizou um momento de tensão junto ao seu filho Bryan, que na época tinha 15 anos, mas que no fim teve um final feliz.
“Eu levei meu filho de 15 anos comigo e no setor 1 eles estavam dando copinhos de água para o público, eu pedi para o meu filho ir pegar para a gente e ele foi. Só que bem na hora que ele desceu as escadas, passou o surfista Pedro Scooby lá embaixo e ele admirado por sua primeira vez naquele ambiente, e por gostar muito do Pedro Scooby, ele ficou realmente bastante admirado, só que nisso iniciou o desfile da Imperatriz, todo mundo levantou e o meu filho se perdeu de mim”, conta Andrea relatando o seu desespero.
“Eu chorava e as pessoas perguntavam qual era a idade dele. Eu respondi que ele tinha 15, que era a primeira vez dele na Sapucaí e somos novos no Rio de Janeiro’’. Depois de meia hora procurando pelo filho e ela já com a identidade pedindo ajuda aos bombeiros, que tentavam tranquilizá-la o tempo todo dizendo que iriam encontrá-lo, Andrea teve uma surpresa. ‘’Quando desci, senti alguém batendo nas minhas costas e era ele dizendo ‘mãe, eu estou aqui’ e eu o abracei muito emocionada”. Ela finaliza dizendo que o filho ficou muito envergonhado, ela completamente aliviada, emocionada e dando risada porque a experiência ficou marcada por uma boa história para contar.
União entre comunidade, escola e desfile
A Unidos da Tijuca será a primeira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval pelo Grupo Especial do Rio de Janeiro, e sua comunidade já se prepara para dar um verdadeiro show de entusiasmo e paixão na Sapucaí, e depois aproveitar a atmosfera do setor 1.
“Estou muito ansiosa de passar pelo setor 1 desfilando e depois voltar para assistir os outros desfiles”, declara a empresária Loiva, de 38 anos, componente da escola há 2 anos.
Empresária Loiva, de 38 anos, componente da escola há 2 anos
Uma iniciativa que se destaca como uma oportunidade para quem não tem condições financeiras de arcar com o ingresso e para as pessoas que sonham em assistir aos desfiles pela primeira vez. È o que comenta a componente da agremiação, Daniela Monteiro.
“Estou achando espetacular porque nem todo mundo tem uma situação de comprar um ingresso, muito menos de assistir o desfile porque a gente sabe que não é barato, então a gente fica muito grato em poder assistir gratuitamente”. Ela revela que já esteve assistindo aos desfiles na avenida quando criança, mas que agora, aos 40 anos de idade, será como a primeira vez.
Festa do povo, feita pelo povo e para o povo. Os desfiles das escolas de samba são momentos de celebração e exaltação das raízes culturais do Brasil, e a chance de estar participando dessa atmosfera, está sendo vista como uma forma de valorização. “É louvável porque a gente está enaltecendo a cultura popular brasileira e afrodescendente, ou seja, a gente está dando valor às raízes do nosso país, às tradições populares, então acho muito importante esse acesso da população, da comunidade a essa cultura”, ressalta Miriam Souza, de 53 anos, desfilante da Unidos da Tijuca há 2 anos.
Krishna, componente da agremiação tijucana
Como uma forma de reconhecimento, a ação foi bem avaliada pelos participantes da comunidade. “Isso já devia acontecer desde o começo, a gente merece assistir, a gente dá o sangue na avenida, desfila com muito amor, com lágrimas, suor e muito coração e a gente merece esse privilégio de assistir as escolas”, finaliza Krishna, componente da agremiação tijucana.
O Bloco dos Puxadores promete sacudir Vila Isabel neste domingo com um time de intérpretes consagrados do Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo. A partir das 10h, Tinga (Vila Isabel e Império de Casa Verde), Marquinho Art’samba (Mangueira), Bruno Ribas (Unidos de Padre Miguel), Serginho do Porto (Águia de Ouro e Estácio de Sá) e Wantuir (Porto da Pedra) apresentarão um repertório que passeia pelo pagode, MPB, samba e, claro, samba-enredo no restaurante Vizinhando & Mané.
Para completar a festa, a Bateria da Unidos de Vila Isabel, sob o comando do Mestre Macaco Branco, vai garantir a cadência e o ritmo do evento. O músico Chacal do Sax, conhecido por acompanhar artistas como Neguinho da Beija-Flor, Mumuzinho e Fundo de Quintal, também se junta ao time de estrelas.
“Vamos fazer um super esquenta para o Carnaval. Vai ser um evento para a família toda aproveitar, cantar e dançar. Afinal, nunca é cedo demais para cair na folia”, disse Marquinho Art’samba, voz oficial da Mangueira.
Inspirado nas cores lilás e amarelo dos abadás do Bloco “Pagodão”, criado pela cantora Alcione e que brilhou na Marquês de Sapucaí, o Bloco dos Puxadores vai resgatar a essência do samba, homenagear grandes nomes do gênero, e exaltar a versatilidade e o talento dos intérpretes, classe muitas vezes desvalorizada no Carnaval.
“Nosso principal objetivo é mostrar que os puxadores são grandes artistas e podem transitar entre todos os gêneros musicais. Estamos estruturando ações para melhorar as condições da classe, incluindo um sindicato para garantir melhores condições aos intérpretes”, destacou Tinga, que se divide entre os microfones da Vila Isabel, no Rio, e do Império de Casa Verde, em SP.
O abadá do Bloco dos Puxadores custa R$ 40 e pode ser adquirido no Vizinhando, localizado no Boulevard 28 de Setembro, 20, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio.
Sobre o Bloco dos Puxadores
O Bloco dos Puxadores é organizado pelo grupo Os Puxadores do Samba, que despontou no pós carnaval de 1999 sob a liderança do saudoso Dominguinhos do Estácio.
Após um hiato de mais de 20 anos, o projeto ressurge, com força total, sob nova formação. Atualmente composto pelos renomados intérpretes Tinga, Marquinho Art’samba, Bruno Ribas, Serginho do Porto e Wantuir, o grupo mantém a proposta de quando foi lançado: demonstrar que puxadores de samba-enredo têm a versatilidade e o talento necessário para transitar brilhantemente em diversos gêneros musicais.
Serviço:
Data: 09/02
Hora: a partir das 10h
Endereço: Vizinhando & Mané (Boulevard 28 de Setembro, 20, Vila Isabel)
A União de Maricá está com quase tudo pronto para buscar o tão sonhado acesso na elite do Carnaval em 2026. Com apoio da Prefeitura de Maricá, a escola de samba prepara um desfile com muito luxo para brilhar na Marquês de Sapucaí no dia 28 de Fevereiro. Cerca de 200 pessoas trabalham em seis ateliês no Rio de Janeiro, onde as fantasias são produzidas, embaladas e trazidas para Maricá, onde ficam guardadas num galpão antes de serem entregues aos 1.600 componentes.
O ateliê principal fica no bairro Santo Cristo, na zona portuária do Rio, onde são feitas as calças, camisas, chapéus, sapatos e adereços. Lá concentra todo insumo para produção das fantasias, como ferragem, tecido, placas, colas, penas, paetês, entre outros, que são distribuídos para os outros cinco polos localizados no Centro, em Vila Isabel e na Penha. Segundo o diretor de ateliê, Júlio Cerqueira, a escola possui 90% das fantasias já prontas.
“A gente recebe as fantasias, confere a numeração das roupas e sapatos, ajusta, se necessário, coloca os adereços, como penas e acabamentos, antes de embalar e enviar para Maricá, onde estão guardadas num galpão. Cada fantasia sai com o nome da ala, o que compõe a fantasia, chapéu e número do sapato. Os volumes maiores são levados em caminhões e entregues aos componentes no dia do desfile”, explicou Júlio.
No ateliê principal, a costureira Marlene Alves, de 64 anos, que trabalha na União de Maricá há cinco anos, falou da expectativa por mais um desfile.
“Fiz as roupas de quando a escola desfilava na Intendente Magalhães, em Madureira, e em 2024 na Sapucaí. É muito gratificante ver todo mundo dançando com as fantasias que fiz. Ano passado chorei quando vi as fantasias no desfile porque é muito gratificante ver seu trabalho ser reconhecido”, disse, emocionada, a moradora de Manguinhos, na Zona Norte do Rio.
A data para entrega das fantasias aos componentes será marcada após o ensaio técnico na Marquês de Sapucaí, que acontece no próximo domingo (09/02), às 20h.
Muito além dos cinco dias de desfiles, o carnaval tem um papel histórico de amplificar vozes silenciadas e dar visibilidade a quem não é ouvido. Em 2025, a Unidos de Bangu levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Maraka’anandê, Resistência Ancestral”, uma homenagem à Aldeia Maracanã, símbolo da luta e da resistência dos povos indígenas no Rio de Janeiro.
Para o cacique Urutau Guajajara, o enredo da escola da Zona Oeste será uma poderosa plataforma para amplificar a luta da aldeia. Líder do movimento pelos direitos indigenistas no estado fluminense, ele participou do ensaio técnico da escola ao lado de outros membros da comunidade. Na visão dele, a homenagem vai além de um desfile — ela é um grito por justiça.
“É uma forma de gritar, também, por Justiça. Acredito que esta questão da resistência Aldeia Maracanã é um recado para a Justiça brasileira, que é tão injusta – principalmente no Rio de Janeiro – com uma questão que é única. Ali é um patrimônio do povo brasileiro e da nação. A Aldeia Maracanã é a representação nacional desses 525 anos de opressão, extermínio e genocídio dos povos originários. A Unidos de Bangu acertou com esse enredo e com esse recado para a Justiça brasileira”, afirmou o líder indígena.
O prédio fica às margens da Avenida 13 de Maio e abrigou o antigo Museu do Índio entre os anos de 1953 e 1978. A instituição foi transferida para Botafogo, na Zona Sul, e o imóvel ficou abandonado até 2006, quando foi ocupado por indígenas de diversas etnias.
O local se tornou alvo de disputa com o governo do estado em 2013. À época, o poder executivo tentou desocupar o terreno para derrubar o prédio histórico. O objetivo era construir um estacionamento para que o estádio Maracanã recebesse as partidas da Copa do Mundo de 2014.
Em 2016, o poder público obteve uma decisão judicial favorável para a reintegração de posse do imóvel e, desde então, os integrantes da Aldeia Maracanã já receberam, ao menos, seis ordens de despejo.
“Demarcar a Aldeia Maracanã enquanto universidade indígena e aldeamento, mesmo em contexto urbano, é para a honra dos povos originários. Somente em 2024 que o IBGE veio falar sobre indígenas em contexto urbano e da precariedade vivenciada. A aldeia Maracanã é uma universidade indígena e está na resistência a nível nacional”, disse o cacique.
Os indígenas que ocupam a Aldeia Maracanã também foram convidados a participar do desfile oficial da Unidos de Bangu. Ao lado deles, milhares de torcedores da agremiação prometem se unir e defender a causa na Passarela do Samba, afinal, o carnaval também é conscientização. É o que Claudia, diretora de ala coreografada na Vermelha e Branco há três anos, ressalta.
“A escola de samba não cumpre apenas o papel de apresentar um enredo; ela também tem a missão de ensinar o que devemos valorizar mais e o que deve ser tratado com respeito e cuidado”, afirmou Claudia.
O dia a dia das rainhas de baterias do carnaval carioca entra em cartaz no programa inédito “Rainhas Além da Avenida”, apresentado por Erika Januza, que estreia na próxima sexta-feira, dia 14 de fevereiro, às 21h, no GNT. Em celebração à força e à magia do Carnaval, a apresentadora acompanha as rainhas de bateria do Grupo Especial do Rio de Janeiro em seus preparativos para os desfiles na passarela do samba.
Segundo a apresentadora, em entrevista coletiva online, “essa vivência do carnaval abriu os olhos para um mundo muito particular, que faz a engrenagem funcionar e permite que a magia aconteça nos dias de desfile”.
“Uma comunidade apaixonada, envolvida, profissionais excelentes e a necessidade de uma boa gestão. Muito disso só quem está no dia a dia das escolas percebe. O programa se propõe a levar o público a um mergulho na vida das rainhas em dias que não são de desfile. As histórias de cada uma delas vão surpreender e espero que elas se conectem com o público, sejam amantes do carnaval ou não”, disse Erika.
“Rainhas Além da Avenida” narra a trajetória de mulheres com uma profunda ligação com suas comunidades, que cresceram no mundo do samba e celebridades que se apaixonaram pelo universo das agremiações. Erika acompanha a rotina de Lorena Raissa (Beija-Flor), Mayara Lima (Tuiuti), Fabíola de Andrade (Mocidade), Lexa (que estava na Tijuca), Viviane Araujo (Salgueiro), Dedê Marinho (UPM), Paolla Oliveira (Grande Rio), Evelyn Bastos (Mangueira), Bianca Monteiro (Portela), Maria Mariá (Imperatriz) e Sabrina Sato (Vila Isabel).
“Sem dar spoilers, posso dizer que eu gostaria de ter a autoestima de Lorena Raissa. Ela, com apenas 17 anos, exibe com orgulho ser maravilhosa. Fico pensando quando terei coragem para fazer o mesmo em uma foto minha. Ela representa uma nova geração e isso me impressionou!”, afirmou Erika.
O programa é dividido em quatro episódios e acompanha as rainhas de bateria das grandes escolas em suas rotinas familiares, pessoais e profissionais, até o tão aguardado momento de brilhar na avenida. Com a proximidade do carnaval, que também resgata a herança da ancestralidade, Erika destacará o relacionamento e a troca das rainhas com suas comunidades. O público poderá mergulhar no cotidiano dessas mulheres, tanto nos ensaios nas ruas e quadras quanto na escolha dos figurinos que encantarão na Praça da Apoteose. O programa abordará também a sororidade entre as mulheres, a relação com o próprio corpo e, claro, a tradição da Marquês de Sapucaí.
“As rainhas serão vistas em seu cotidiano, sem maquiagem. Uma rainha, enquanto gravávamos, teve sua mãe preparando um empadão para o lanche. Sabe aquele momento raiz? O programa reflete essa energia. Cheguei à casa da Sabrina Sato e perguntei se ela usava shortinho e blusa em casa, porque as pessoas não nos imaginam além do glamour, como a própria Maria Mariá disse: ‘É sempre muito brilho, brilho, brilho’”, contou a apresentadora entre risos.
Vitor Carpe, cocriador do projeto, explicou a origem da ideia para a série: “Quando a Erika foi convidada para ser rainha de bateria da Viradouro, ficamos extremamente felizes. Desde o primeiro instante, pensamos em honrar o legado das mulheres que a precederam. ‘Rainhas Além da Avenida’ não tem a pretensão de ser um documentário que narra o surgimento desse papel. Ao contrário, buscamos mostrar o que está por trás dessa coroa. Essa responsabilidade é muito maior do que as pessoas imaginam. Com o brilho que aparece durante o desfile, as pedras lançadas também são muitas, e essas meninas enfrentam grandes dificuldades para ocupar esse posto, para se manterem felizes. Essa coroa tem um preço e um valor imensos, porque essas mulheres são extremamente resistentes e resilientes, e compreendem a importância que possuem para o Carnaval, para a comunidade e para a cultura nacional. Por isso, é fundamental contar o que está por trás de cada uma dessas coroas”, ressaltou Vitor.
Erika compartilhou sua experiência e visão sobre o carnaval: “Sempre assisti ao Carnaval do Rio de Janeiro de casa, antes de me mudar para cá, observando essas mulheres como telespectadora. Elas estão ali, fantasiadas e brilhando, mas quando a bateria para e as luzes se apagam, elas voltam para casa. Muitas têm que limpar, outras têm auxílio, mas são mulheres que têm problemas, que são sensíveis, que já sofreram abusos, e algumas voltam para casa de ônibus das escolas. Essas mulheres são como eu e vocês, que são tão exaltadas naquele lugar, mas também merecem viver outras experiências”.
José Júnior, produtor do programa, destacou a relevância da atração: “Para mim é extremamente gratificante, pois é uma forma de retorno ao passado da marca Afro Reggae. Durante muitos anos, realizamos vários projetos antes de criar a produtora, com o GNT e o Multishow. Quando Erika expressou seu interesse, isso ressoou profundamente com a história da Afro Reggae, especialmente no canal. A presença de uma apresentadora negra, com a trajetória pessoal da Erika, me deixa muito feliz”.
Jorge Espírito Santo, diretor de “Rainhas Além da Avenida”, comentou sobre os desafios e facilidades de trazer a exuberância das escolas de samba para o formato audiovisual.
“Houve desafios, da minha parte e de toda a equipe. O maior desafio foi traduzir o desejo da Erika e do projeto que ela desenvolveu com o Vitor para que todos compreendessem suas intenções. Apesar disso, havia também uma certa facilidade, devido à experiência da Erika como rainha de bateria, o que facilitou a tradução do que ela desejava que as pessoas conhecessem sobre a vida das rainhas. Essas mulheres têm histórias ricas e únicas, e o programa se destaca ao apresentar esse universo”.
A comissão de frente do Acadêmicos do Tucuruvi tem se destacado por sua criatividade e inovação, levando para a avenida performances que surpreendem e encantam o público. Sob a direção do coreógrafo Renan Banov, o grupo transforma a abertura do desfile em um verdadeiro espetáculo, combinando dança, teatralidade e efeitos visuais que dão vida ao enredo da escola. Com propostas ousadas e concepções cênicas impactantes, o grupo reafirma seu compromisso com a arte e a emoção, conquistando aplausos e admiração. Em conversa com o CARNAVALESCO, Renan Banov falou sobre o equilíbrio entre criatividade e regulamento no carnaval.
“Nós somos uma escola de conceito, portanto, pensamos no público. A arte é uma arte, não é apenas seguir o regulamento ao pé da letra. No ano passado, tivemos uma nota equivocada: eram 10, mas o jurado colocou 9.9. A escola reconheceu isso. É importante que a escola e nós mesmos acreditemos na nossa arte e ousadia”, afirmou o coreógrafo.
A melodia, a cadência e a letra do samba servem como guias para os movimentos da comissão de frente, permitindo que a dança traduza a emoção e a história que a escola deseja contar. Com um refrão forte, o Tucuruvi levará para 2025 um samba que promete inspirar seus componentes a desenvolverem uma coreografia envolvente.
“Tenho muito respeito pela bateria e pelo intérprete. Este samba é maravilhoso e, a cada acorde, a cada toque, prevalecemos nesse swing, nesse carnaval, nesse Assojaba”, destaca Renan sobre a importância de um bom samba-enredo.
Para 2025, não apenas a comissão de frente, mas toda a comunidade da Cantareira está investindo em uma nova fórmula de desfile para buscar o sucesso. O coreógrafo compartilhou, entusiasmado, o que a escola trará de novo para o próximo carnaval.
“A essência do Tucuruvi é essa: uma escola de conceito, enredo, tradição, muito estudo e cultura”, celebra.
Com uma proposta inovadora e uma identidade cada vez mais consolidada, o Zaca segue firme na busca por um carnaval grandioso em 2025. A união entre conceito, arte e tradição reflete o comprometimento da escola em entregar um espetáculo marcante, onde cada detalhe – da comissão de frente ao samba-enredo – é pensado para emocionar e encantar o público.