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Série Barracões: Acadêmicos de Niterói aposta em alegorias que interagem com o público em desfile sobre as tradições juninas

O ritmo quente do forró, o brilho das fogueiras e o colorido das bandeirolas vão tomar conta da Marquês de Sapucaí no desfile da Acadêmicos de Niterói, que leva para a avenida uma homenagem ao São João, uma das maiores festas populares do Brasil, celebrada com fervor no Nordeste. Com o enredo “Vixe Maria”, a agremiação promete transportar o público para o universo das festas juninas, exaltando a história e os santos padroeiros São João, Santo Antônio e São Pedro. O enredo também destaca as tradições culinárias, como a pamonha e o milho assado, e os elementos culturais que fazem do São João um espetáculo de cores, sons e devoção.

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Durante a pesquisa do enredo, o carnavalesco Tiago Martins comenta o que achou de mais interessante. “Eu venho de quadrilha, através da quadrilha que eu conheço o carnaval. Várias pessoas que eram da quadrilha, quando entrei comentavam muito sobre o carnaval, mas ninguém me trouxe para o Carnaval, eu peguei o trem vim sozinho, comecei a entrar nos barracões e pedir vaga. Quando chegou esse enredo para mim, que eu consigo dominar muito bem, mas também que eu tenho minhas dificuldades no sentido de tentar trazer uma plástica diferente do que já se passou na sapucaí. Nunca foi falado de um enredo sobre quadrilha, mas já teve enredos aonde tinha quadrilha, festa junina e geralmente as pessoas trazem muito aquela questão do tradicional”.

Procurando relacionar o tradicional com o contemporâneo trazendo referência de outros artistas do Nordeste que usa a quadrilha como um pano de fundo, que é um estilo de dança folclórica cultural no Brasil que misturada ao carnaval, reflete a identidade brasileira. O carnavalesco propõe mostrar a influência do São João na cultura brasileira e sua ligação com as raízes afro-indígenas.

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“Quando eu começo fazer a pesquisa, ela se torna mais gostosa ainda quando você começa a entender o caminho disso tudo, que começa através dos bares europeus, que aí através da família real chega ao Brasil e aqui sofre um processo de aglutinação, onde a gente vai entender o porquê que tem a questão dos indígenas, porquê que tem a cultura do povo negro”, destaca Tiago.

Sobre o processo de criação, o carnavalesco da escola declara como transforma tudo isso para não ficar uma mistura de estética. “Eu pensei em fazer algo mais jocoso, aonde eu trago as alas representando com as suas representatividade, mas não perdendo essa característica de festa junina, de quadrilha, onde você vai ver bandeirinha, onde você vai ver comida típica, onde você vai ver a beijoqueira, a fofoqueira, onde você vai ver o artesanato, aonde você vai ver a quadrilha, onde você vai ver o arraiá. É uma mistura onde você vai ver a parte religiosa também”.

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O grande trunfo do desfile da Niterói está no símbolo da fogueira, que tem uma forte representação no enredo. “A gente fala muito da questão da fogueira. É um símbolo religioso de lá de trás, um símbolo também dos povos pagãos de purificação. Eu fiquei pensando como que eu ia trazer essa fogueira, o abre-alas vai ter uma fogueira super diferente, que eu acredito que o público vai gostar muito”, afirma Martins.

A agremiação irá desfilar com três alegorias, contando com o abre-alas, e um elemento cenográfico da comissão de frente. Tiago diz sobre a dificuldade da série Ouro em relação às condições financeiras para o conjunto de alegorias. “Eu procurei fazer algo diferente, que às vezes é muito difícil de fazer por questões de condições. A situação financeira no grupo é muito complicada e a subvenção já caí muito em cima para a gente ter que resolver tudo em pouco tempo. Eu costumo falar que dinheiro compra tudo menos o tempo, que é o nosso maior inimigo nesse momento”.

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Para driblar as dificuldades, a Niterói irá apostar em movimentos e interação nos carros alegóricos. “Em vez de trazer uns carros só quadrados, com esculturas e tal, eu vou trazer pessoas em cima do carro, fazendo coreografia e trazendo esse entretenimento com o público, mexendo com o público, com a galera de casa mexendo com a galera da arquibancada, acho que vai ser muito bacana. É a primeira vez que eu estou fazendo essa questão das pessoas em cima do carro, mas é uma proposta que eu acho que vai dar muito certo”, destaca o carnavalesco.

Usando uma paleta de cores coloridas, porém mantendo o azul da escola, o artesanato, as palhas, as miçangas, a chita (um tecido com estampas de cores fortes), as tendas, etc, são os materiais utilizados para as alegorias e fantasias. Em relação aos componentes, há uma estimativa de 1.200 desfilantes.

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Conheça o desfile da escola

Setor 1: “A gente abre com a comissão de frente, que é um pau de arara, só que é um pau de arara totalmente diferente. A comissão é totalmente diferente, não vou dar muito spoiler, mas para vocês já terem uma ideia, esse pau de arara, ele vai se transformar e as pessoas vão começar a mostrar dentro da Sapucaí a saudade e trazendo as suas tradições, a sua cultura e mostrando um pouco mais ali do que do que o São João oferece. Depois a gente tem o Mestre-Sala e Porta-Bandeira, que é totalmente segredo e as pessoas vão entender depois. Eu tenho uma ala da quadrilha, a ala dos Povos Pagãos, Logo depois em seguida tem um abre ala, acho que é um grande arraial, mas vocês vão ver um arraial totalmente diferente, que é o arraial da Niterói”.

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Setor 2: “No segundo setor a gente começa a trazer, a contar um pouco da formação da quadrilha, do baile europeu, da corte francesa, da tradição da da tradição dos indígenas, da cultura do povo preto, o porquê que a sanfona foi introduzida, o porquê que a Zabumba foi introduzida. A gente traz as minhas baianas, elas trazem a questão do milho porque é uma comida muito usada, é um ingrediente muito usado nas comidas típicas e em seguida, a gente traz o segundo carro que a gente faz uma brincadeira, porque o nome do enredo é Vixe Maria. No segundo carro eu já trago as Marias quituteiras, Marias artesãs, porque para fazer essas roupas as pessoas acham que é da noite para o dia, mas não é, elas já estão bordando, elas estão com as miçangas, com as suas agulhas, com seu bordado.eu trago a questão dos quitutes, porque quem não gosta da pamonha, do bolo de milho, do bolo de fubá? E no carro tem essa brincadeira das meninas quituteiras que vão estar oferecendo bolo, pamonha, milho, maçã do amor, pipoca. Vocês vão ver tudo isso”.

Setor 3: “A gente entra no setor onde traz a questão dos Santos, mas eu procurei fazer o máximo de diferente, por exemplo, tem uma ala que representa as bandeirinhas e tem a história de São João, porque antigamente pendurava as bandeirinhas com as fotos de São João e depois eles jogavam no rio e aquela água era de purificação. Eu fiz meio que essa brincadeira para não se tornar uma romaria, e sim continuar com essa brincadeira. Tem a brincadeira do pau de sebo, tem a Maria quer casar, quem não quer casar? botar o Santo Antônio de cabeça para baixo. Logo depois eu trago o carro que são as Marias de fé, aonde vai ter a festa da igreja, onde vai ter um coreto com uma quadrilha dançando, onde vocês vão conseguir ver os santos, eu já trago os santos nesse carro, São João, São Pedro e Santo Antônio, e no final do carro, eu trago o Padre Cícero para poder abençoar nosso desfile e dê tudo certo”.

Campanha de combate ao assédio no carnaval é protagonizada por Viviane Araújo

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Pelo terceiro ano consecutivo, a agência Nova assina a campanha de Carnaval da Secretaria da Mulher do Governo do Estado do Rio de Janeiro, desta vez protagonizada pela atriz, ritmista e rainha de bateria Viviane Araújo. Com conceito que vem evoluindo anualmente, a campanha priorizou, em 2023, informar ao público feminino sobre assédio. Em 2024, conscientizou o público masculino sobre o assunto. Agora, procura dialogar com toda a sociedade. Nesse sentido, para o Carnaval 2025, foi criada a assinatura “Aqui não é não. Respeite a decisão”.

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Foto: Divulgação

“Visualmente, o conceito é transmitido num bloco de rua, diverso e alegre. O bloco é liderado por Viviane Araújo, uma mulher forte e carismática. É ela quem dá o recado de que não podemos nos omitir. É preciso agir e denunciar qualquer forma de assédio”, afirma Virginia Lencastre, diretora da agência Nova no Rio.

Além da mensagem principal, todas as peças da campanha divulgam o aplicativo Rede Mulher e o telefone 190 como ferramentas para combater o assédio durante o Carnaval, sugerindo que a mulher que se sentir incomodada e qualquer pessoa que testemunhe um caso de assédio acesse o app ou ligue 190.

A campanha começa a ser veiculada em todo o estado do Rio de Janeiro no dia 26 de fevereiro e inclui filme para o digital, mídia digital, spot de rádio, ativações e material para OOH/ DOOH.

A assinatura “Aqui não é não. Respeite a decisão.” analisada em partes: ‘Aqui’ representa o espaço público. Aqui no bloco, no baile, na quadra da escola, na Sapucaí, no transporte público. Aqui no estado do Rio de Janeiro. Todos que dividem as ruas durante o Carnaval são responsáveis por combater o assédio.

‘Não é não’ é uma frase popular, um slogan de reconhecimento imediato. Todos sabem o que significa: se uma mulher responde negativamente a uma abordagem, é porque ela realmente não está interessada, por favor não insista. Ou, para usar uma expressão associada aos blocos de Carnaval (e que está presente em várias peças da campanha), pediu pra parar, parou.

‘Respeite a decisão’ é o call to action que conclui a assinatura da campanha. Basta agir com respeito para fazer do Carnaval a maior festa do mundo.

Unidos de Vila Isabel divulga data para entrega de fantasias de cinco alas

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A Unidos de Vila Isabel anunciou o cronograma de entrega de fantasias para os componentes de cinco alas que desfilarão no Carnaval 2025. A retirada acontecerá nesta quinta-feira no barracão da escola, localizado na Cidade do Samba.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Os integrantes das alas 11, 17, 19, 23 e 27 deverão comparecer entre 18h e 21h para a retirada. A apresentação de um documento de identificação com foto é obrigatória para a retirada dos trajes.

Última escola a cruzar a Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, a Vila Isabel levará para a avenida o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. Com um trem-fantasma desembarcando em um grande baile, a azul e branca promete transformar o medo em festa ao carnavalizar as assombrações do imaginário popular.

Serviço – Entrega de Fantasias
Local: Barracão da Vila Isabel – Cidade do Samba
Data e horário:
• 27/02 (sábado) – 18h às 21h → Alas 11, 17, 19, 23 e 27

Carnaval 2025: Riotur, Procon Carioca e Liesa divulgam o que Pode e o que Não Pode na Sapucaí

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A Riotur, em parceria com a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor e a Liga Independente das Escolas de Sambado Rio de Janeiro (Liesa), divulgaram uma lista com orientações sobre o que pode e o que não pode ser levado para Sapucaí durante os desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro, entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março. Fique atento a essas dicas para curtir o carnaval da forma mais segura.

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Foto: Léo Queiroz/Rio Carnaval

PODE
– Até duas garrafas de plástico de 500 ml com bebida (água, suco, refrigerante ou cerveja)
– Até dois itens de alimentos industrializados lacrados (500g cada)
– Frutas armazenadas em sacos plásticos com fechamento hermético (até 500g no total)
– Bolsa térmica de uso pessoal
– Capa de chuva

NÃO PODE
– Garrafas de vidro e latas
– Garrafas e copos térmicos
– Alimentos que não sejam industrializados
– Desodorante aerosol e perfume
– Guarda-chuva
– Bastão de selfie
– Isopores, bolsas térmicas e coolers
– Sacos de gelo e/ou gelo em gel
– Objetos cortantes (facas, canivetes e tesouras)
– Armas
– Fogos de artifícios e sinalizadores
– Animais domésticos

Atenção: só é permitido a entrada de menores de 16 anos devidamente acompanhados pelos pais ou responsáveis.

Os casos omissos serão resolvidos exclusivamente pela Coordenação de Controle e Segurança da Liesa.

Camarote Rio Praia na Sapucaí: Exaltação ao samba e experiência inesquecível no carnaval carioca

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O Carnaval do Rio de Janeiro é um dos maiores espetáculos do mundo, e para quem busca uma experiênc⁷ia exclusiva, os camarotes da Marquês de Sapucaí são a melhor opção. Entre eles, o Camarote Rio Praia se destaca por sua sofisticação, atrações de alto nível com artistas do samba e uma visão privilegiada dos desfiles das escolas de samba. Com uma nova roupagem, a marca do Camarote retrata fielmente o Rio de Janeiro.

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“idealizamos trazer uma marca atualizada que tivesse a ver com o Rio Praia, porque é um nome muito forte. Quando a gente pensa em carnaval, quando a gente pensa em turista, a primeira coisa que eles vivenciam antes de vir para a Sapucaí, é o Rio de uma forma geral e a praia. quando a gente fala Praia, eu penso que em Copacabana. Meeting point do Rio Praia, há 7 anos é Copacabana. Por que não? Por que que a gente não traz as nuances do mar, da praia de Copacabana, do São Dadão, para dentro dessa logo para gente comunicar esse camarote”, disse Julia Rodrigues, Head de Marketing do camarote Rio Praia.

Com uma pegada mais carioca, a nova marca do Rio Praia reflete amor e paixão, uma identificação encontrada em uma conversa do marketing com os sócios, que têm esse amor e valorização pelo carnaval, sendo o principal atrativo do camarote.

“Nossa maior atração são as escolas de samba. É toda a arte propagada na Marquês de Sapucaí.Quando a gente se deparou para entender quais são esses shows, esses shows também são 100% samba. São os nossos maiores artistas, tanto da atualidade, quanto os mais experientes da música popular brasileira, que é o samba”, afirma Júlia.

Valorização aos artistas do samba

O diferencial dessa nova identidade é continuar levando os artistas do carnaval para essa comunicação, desde já renomados, até os que ainda estão crescendo nas redes sociais, sendo um lugar para aproximar o mercado das escolas de samba

“Trouxemos a Amanda Oliveira, que é uma das musas da comunidade da Portela, na verdade foi a primeira musa da comunidade da Portela para fazer a ativação de marca, a primeira campanha dela junto a Pandora, a primeira campanha dela da vida foi uma marca internacional. A gente entendeu o nosso lugar, nós somos um lugar que pode aproximação, nos colocamos como um subproduto das escolas, porque sem elas a gente não existiria, a gente não ia ter esse lugar de glamour, então esse novo reposicionamento é justamente para entender o lugar também que o camarote está na Marquês de Sapucaí, que ele nunca está acima ou à frente das escolas de samba. Nós somos parceiros aliados para fazer esse espetáculo maior ainda”, declara a Head de Marketing.

Parcerias

A Non Stop, uma das maiores agências de influenciadores da América Latina, foi chamada para agregar a esse trabalho de comunicação para fortalecer a marca, as pessoas entenderem essa nova roupagem, essa nova identidade, que é como se o camarote estivesse criando uma nova marca, praticamente.

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“É um novo reposicionamento do camarote e a marca veio para trazer grandes influenciadores que também nunca vivenciaram a experiência para poder chancelar essa marca para o público e a gente mostrar que o Rio Praia, ele está aqui de braços abertos para receber quem quer que seja, porque a gente entende que o carnaval é para todos, porém a gente também sabe que é uma cultura preta que a gente precisa valorizar, e o que a gente quer mostrar para esse público que quer estar na na Sapucaí, é o que o preto tem de melhor”, destaca Júlia Rodrigues.

Além da Non Stop, o Rio Praia iniciou o trabalho depois da identidade visual com a Pandora. A marca Pandora, que já está no carnaval do Rio de uma forma mais intimista, indo para o seu 4º ano, estava buscando um novo lugar para fazer o camarote da Pandora no carnaval.

“A gente acabou entendendo que tudo que a gente estava retratando como planejamento para trabalhar fazia sentido com o planejamento da marca Pandora, e através disso a gente identificou que a marca comunica para a grande América Latina. Lógico, ela ultrapassa essa barreira. A gente está falando de uma marca internacional, mas o foco da marca é muito a América Latina. E através disso, por que não também fazer com que o Rio Praia ultrapasse essa barreira junto com a marca?”, enfatiza Júlia.

Estrutura e Serviços

Localizado em uma posição estratégica na avenida, o Camarote Rio Praia está no setor 10, em frente ao segundo recuo da bateria e oferece uma vista panorâmica da Passarela do Samba. Com uma estrutura moderna e confortável, o espaço conta com lounges, áreas de descanso, há um serviço de open bar com drinks exclusivos e opções gastronômicas sofisticadas, garantindo que os foliões desfrutem de uma noite memorável.

De olho nos quesitos: Liesa não vai mais considerar ‘densidade cultural’ dos enredos

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Algumas mudanças anunciadas pela Liesa nos critérios de julgamento a partir dos desfiles de 2025 prometem mudar consideravelmente a forma como Enredo e Samba-Enredo são apresentados nos desfiles. Visando tornar a diversidade dos temas ilimitada a entidade suprimiu o critério da densidade cultural da temática, algo muito subjetivo e que poderia trazer um engessamento.

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Foto: Dhavid Normando/Divulgação Rio Carnaval

Quanto aos sambas, as mudanças foram até mais significativas. A mais relevante delas é que agora as obras não precisam cobrir todo o enredo em suas letras. Critérios que já fizeram obras aclamadas pela crítica serem penalizadas pelos jurados.

Enredo: Pequenas supressões, mesmo conceito

No quesito Enredo, a estrutura de avaliação foi mantida, dividida entre concepção e realização, com os mesmos critérios de pontuação (de 4,5 a 5,0 pontos para cada subquesito). Contudo, houve uma supressão discreta no primeiro item de concepção: em 2024, mencionava-se explicitamente a “importância e densidade cultural” do tema, aspecto que foi retirado na versão de 2025.

A realização do enredo manteve-se inalterada, assim como as penalizações previstas para alterações na ordem do desfile, falta ou inclusão indevida de elementos previstos no livro Abre-Alas. Também continuam sem impacto na avaliação quesitos como a “brasilidade” do enredo e a presença de merchandising.

Samba-Enredo: maior valoração poética e novo critério

As mudanças mais significativas para 2025 estão no julgamento do Samba-Enredo. A estrutura segue dividida entre letra e melodia, com os mesmos pesos de avaliação, mas alguns critérios foram refinados.

Na letra, houve um acréscimo relevante: enquanto antes se destacava apenas a adequação do texto ao enredo, agora se reforça que o samba não precisa conter todos os elementos do desfile nem seguir sua ordem cronológica. Essa alteração reconhece o caráter artístico da obra e dá mais liberdade criativa aos compositores. Outro ponto novo é a ênfase na utilização de um “vocabulário próprio e adequado” para rimas, desencorajando o uso de expressões clichês apenas para completar versos.

Na melodia, os critérios permaneceram idênticos aos de 2024. No entanto, nas orientações do que não deve ser considerado, houve a inclusão de um novo ponto: o fato de os componentes estarem ou não cantando o samba-enredo em sua totalidade não deverá ser levado em conta pelo julgador. Essa decisão é relevante porque desobriga os jurados de penalizar uma escola caso o canto da comunidade não seja integral, privilegiando apenas a análise técnica do samba.

Impacto das mudanças no Carnaval 2025

As alterações, ainda que pontuais, podem influenciar as escolas de samba na construção de seus desfiles. No quesito Enredo, a retirada da menção à densidade cultural pode indicar um foco maior na coerência e na narrativa sequencial, ao invés de uma obrigatoriedade de conteúdo considerado “relevante”. No quesito Samba-Enredo, a flexibilização da relação com a cronologia do desfile e a maior preocupação com a qualidade poética podem gerar sambas mais criativos e menos engessados ao roteiro da Escola.

Com essas alterações, o Carnaval 2025 promete manter o equilíbrio entre tradição e inovação, proporcionando mais liberdade artística e refinamento técnico na avaliação dos desfiles.

Secretário da Cultura de Santos e folião, Rafael Leal comemora: ‘Nosso carnaval só tem a crescer’

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Com o mais tradicional desfile de escolas de samba fora de uma capital no Brasil, o carnaval de Santos, mais uma vez, foi inesquecível em 2025. Com uma maneira bastante particular de abraçar a folia e as agremiações, o maior município da Baixada Santista também traz instituições de outras cidades para tornar as apresentações mais diversas, competitivas e maiores. Rafael Leal, secretario da Cultura da cidade, trouxe uma visão não apenas de quem é um folião inveterado; mas, também, de quem é peça-chave para a organização da festividade.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO realizada na primeira noite de desfiles do carnaval da cidade de Santos, o gestor contou um pouco da rica história e de como é feita a organização da folia na cidade.

Visão e história

Ao ser perguntado sobre a resistência cultural que as escolas de samba de Santos representam, Rafael começou destacando as duas maiores campeãs do carnaval de Santos: “A cidade de Santos tem como característica, dentro das escolas de samba da região, uma ligação muito forte com o Rio de Janeiro. A gente tem as escolas de samba Brasil e X-9, por exemplo. A X-9, a Pioneira, está fazendo 81 anos esse ano. A Brasil, que é a Campeoníssima, já foi campeã em São Paulo, também. São escolas já antigas demais. Escolas tradicionais da nossa cidade, o que muito nos honra”, pontuou, aproveitando para citar o epíteto de cada uma delas.

Pouco depois, ele destacou a visão que o município possui em relação à folia: “A gente enxerga aqui na cidade de Santos o carnaval de forma. Quando a gente realiza o carnaval em Santos, a gente está ensinando para o Brasil inteiro a importância de ter essa manifestação cultural tão importante que é do nosso povo. Ela não sofreu influência de nenhum país do mundo: é a nossa cultura, é a nossa identidade. A gente realiza com muito orgulho e também fomentamos o carnaval na cidade de Santos. Quando a gente antecipou o carnaval e saímos do conflito e da confusão entre Rio de Janeiro e São Paulo, a gente proporcionou um intercâmbio cultural maravilhoso. Hoje, nós temos profissionais do Rio e de São Paulo trabalhando em Santos. A gente está vendo o nosso embaixador, o Neguinho da Beija-Flor aqui, dentre outros profissionais. E os nossos profissionais já estão trabalhando no Rio e em São Paulo, também. Esse intercâmbio está fazendo o nosso carnaval crescer”, afirmou, destacando a importância não apenas cultural, mas também em relação ao mercado profissional de cada um dos integrantes da festa.

Objetivo

Rafael também destacou qual é a meta da cidade em relação ao desfile das escolas de samba: “Eu não tenho pretensão de ser o segundo, o terceiro, o quarto carnaval do Brasil. Eu tenho pretensão de sempre fazermos o nosso melhor carnaval. Dessa forma, a gente vai trazer as pessoas para cá. O carnaval é metropolitano, também. Não é só o carnaval de Santos: têm escolas de São Vicente, de Cubatão, do Guarujá. O público que está prestigiando aqui é da Baixada Santista. mas vem de fora, também. Com o investimento, com o Neguinho e com esse intercâmbio cultural, nosso carnaval só tem a crescer”, comemorou.

Entidade fundamental

Cada cidade do país tem um modus operandi para agir com cada assunto relevante. Em Santos não é diferente. Se, assim como São Paulo e Rio de Janeiro (para ficar no exemplo das duas maiores cidades do Brasil e que também possuem os dois desfiles de escolas de samba mais conhecidos do pais), a cidade possui uma liga das escolas de samba, a Secretaria da Cultura da cidade (e não do Turismo, como nos municípios supracitados) é quem faz a ponte entre o poder público, a sociedade civil, investidores e escolas de samba – incluindo, aqui, a Liga Independente e Cultural das Escolas de Samba de Santos (Licess).

Quem explica a dinâmica é o próprio Rafael: “O papel da Secretaria de Cultura na realização do carnaval é de 100%. A gente que definiu a antecipação do desfile, a gente que montou essa estratégia de fazer esse carnaval crescer, a gente que chamou o Neguinho e trouxe ele para cá, para ser o nosso embaixador do carnaval. A gente investiu, a gente mudou a forma de pagamento – antes, as escolas recebiam um cachê, hoje a subvenção de todas é adiantada, com recursos antes do desfile. A gente aumentou o recurso das escolas, aumentou o investimento e a gente trouxe também a sociedade civil para dentro do carnaval, abrindo os camarotes”, comentou.

Uma curiosidade: tal qual Vitória (que também conta com cobertura do CARNAVALESCO), o carnaval de Santos também é realizado uma semana antes das datas oficiais no calendário. Tal prática acontece desde 2016, quando a cidade foi homenageada pela Acadêmicos do Grande Rio no Rio de Janeiro. Para que todos os foliões do município pudessem acompanhar e/ou participar do desfile, o poder público tomou a iniciativa – que trouxe uma série de benefícios não apenas para as escolas de samba, mas, também, para a população.

Rafael elenca alguns desses benefícios: “Além de anteciparmos as datas, também fizemos o lançamento do carnaval com grandes artistas. Já vieram Zeca Pagodinho, Péricles, Diogo Nogueira e uma série de artistas inaugurar a folia aqui. Ajudamos na aquisição de produtos, também… a gente montou a estratégia inteira. Eu diria que existe uma simbiose entre poder público e a Licess e as agremiações, mas com uma liderança e com um protagonismo da Secretaria de Cultura para pensar lá na frente e entender o carnaval de forma estratégica”, disse.

Pluralidade

Embora, é claro, o carnaval seja o mais importante para os leitores do CARNAVALESCO, é importante destacar que a cidade tem muito mais a oferecer: “Santos se caracteriza como uma cidade que gosta de fazer eventos de todas as vertentes. Nós temos o Santos Jazz Festival, que é um dos maiores eventos de jazz que o país tem. Santos tem o Festival de Teatro, evento desse gênero mais antigo do Brasil. Temos também o Santos Film Fest e o Curta Santos, que é um festival de cinema dos mais antigos do país, que acontece há mais de 20 anos. Temos uma orquestra sinfônica, temos quatro teatros municipais – aliás, poucas capitais têm quatro teatros municipais, nós temos aqui na cidade de Santos. A gente tem uma cena cultural muito ativa em Santos há tempos. Tivemos Charlie Brown Jr., vários atores, Plino Marcos, Gilberto Mendes. Tem uma série de artistas e de atores que são players da área cultural, que fazem parte desse circuito”, relembrou Rafael.

Falando especificamente sobre o as escolas de samba, o secretário fez questão de engrandecer a festa: “Eu diria, sim, que o carnaval é o maior evento cultural da cidade. Por ser nosso, por ser nossa essência, nossa raiz. Por não sofrer influência de país nenhum. Por não sofrer influência e não ser sufocado por nada. Por ser só nosso mesmo. Eu diria que carnaval é o que eu mais gosto de fazer. Nós temos o segundo maior réveillon em praias do país, que só perde de Copacabana em termos de pirotecnia, em número de pessoas na praia. Eu diria que a gente é muito valente”, comemorou.

Secretário e folião

Normalmente, quando perguntado sobre determinadas preferências pessoais, figuras relevantes se esquivam. Não é o caso de Rafael: “Eu não tenho medo de falar aqui: a minha escola de samba do coração é a Brasil, a Campeoníssima. Hoje ela está no Grupo de Acesso e passa por um momento muito difícil financeiramente, mas é a minha escola do coração. O meu pai, que me ensinou e mostrou o carnaval, era X-9 de coração. Porém, quis o destino que a primeira escola que eu desfilasse fosse a União Imperial, em 1994, quando ela homenageou os 100 anos do Grupo Tribuna. Eu sei cantar esse samba-enredo até hoje de cor! Eu tinha 14 anos, desfilei e fui campeão do carnaval. Comecei pé-quente!”, brincou.

Pouco depois, ele destacou que não é apenas em Santos que costuma acompanhar as escolas de samba: “Sou apaixonado por carnaval, desfilo no Rio de Janeiro há muitos anos. Faço parte da área cultural da Grande Rio, tenho grandes amigos lá, o Neguinho se tornou meu parceiro – e acho que, nesse ano, o título vai ficar em Nilópolis. Desfilei diversos anos na Mangueira e na Mocidade, meu pai sempre me levou para assistir as escolas de samba. Eu sou apaixonado por carnaval – não só pelos desfiles, mas pelas batalhas de confete, também. Santos tinha um carnaval de rua muito grande, mas seguimos muito vivos e representados por manifestações como Raparigas, Último Gole, Banho da Doroteia e outros”, finalizou.

Série Barracões SP: Estrela do Terceiro Milênio é o grito por respeito e diversidade no carnaval

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A Estrela do Terceiro Milênio promoveu uma apresentação detalhada de seu enredo “Muito Além do Arco-Íris” na Fábrica do Samba. O evento revelou as fantasias, alegorias e os principais elementos que comporão o desfile da agremiação, que será a sexta escola a se apresentar no sábado de carnaval, no Grupo Especial de São Paulo.

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O carnavalesco Murilo Lobo, responsável pelo projeto, detalhou o conceito do enredo, que aborda as violências históricas e cotidianas sofridas pela comunidade LGBTQIAPN+. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele explicou a motivação por trás da temática.

“Foram os números alarmantes da violência no Brasil. Refleti sobre a letra de ‘Aquarela do Brasil’, de Ari Barroso, que diz ser este ‘o país de nosso Senhor’. Mas como pode, se somos o que mais mata pessoas LGBTQIAPN+? O carnaval é um espaço para recontar essa história e buscar um caminho de respeito e convivência pacífica”.

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Lobo destacou ainda o processo de pesquisa, que o surpreendeu pela profundidade das histórias desconhecidas até mesmo por ele. “Após a aprovação da temática, mergulhei em 13 livros, mais de 7 mil páginas, 15 documentários e entrevistas. Obras como ‘Devassos no Paraíso’ (João Silvério Trevisan) e ‘Além do Carnaval’ (James Green) foram essenciais para entender e selecionar o recorte que apresentaremos”.

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Sobre os destaques do desfile, o carnavalesco adiantou: “Nosso maior trunfo é a emoção. Teremos alas exclusivas com integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, mães de pessoas LGBT junto às baianas… São vozes que ecoam verdades. Acredito que essa carga emocional transbordará nos olhos dos desfilantes e tocará o público”.

Com cores vibrantes, personalidades emblemáticas da luta por direitos e alegorias que simbolizam resistência, a Estrela do Terceiro Milênio promete um desfile que vai além da festa: um manifesto por igualdade, gritado no maior palco do mundo.

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Ficha Tecnica
Enredo: “Muito Além do Arco-íris!”
Alegorias: 4 +3 quadripes
Componentes: 1900
Alas: 16

Série Barracões SP: Com a alma do povo da Bahia, Mancha Verde quer impactar o público na sexta

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Para 2025 a Mancha Verde irá desfilar no ritmo da Bahia. Mas não será a terra de São Salvador como sempre é feita no carnaval. O enredo, inspirado no documentário “Bahia da fé ao profano”, retrata a alma do povo baiano, todos os seus comportamentos, festanças e personalidade. É uma ideia do presidente Paulo Serdan, que após assistir o longa-metragem, montou a comissão de carnaval com o objetivo de executar o tema da ‘Mais Querida’. A escola, para este ano, não tem nenhum carnavalesco assinando o enredo, e sim uma comissão de carnaval com nove pessoas em suas respectivas funções. Sendo a quarta agremiação a desfilar na sexta-feira de carnaval, a Mancha Verde irá levar para a avenida o enredo “Bahia da fé ao profano”. O diretor de carnaval Paolo Bianchi recebeu o CARNAVALESCO no barracão e explicou todo o projeto.

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diretor mancha

Surgimento do enredo

O profissional contou como o tema nasceu. “A Mancha definiu de fazer o enredo por uma ideia do presidente. Alguns anos atrás, a gente tomou a decisão de sempre que possível, temas 100% cultural. A gente só acaba fazendo o enredo com patrocínio, se é uma situação interessante, mas a preferência do presidente é sempre dessa forma. Ele fica consumindo bastante produtos, programas na TV Futura e outras televisões. Sempre que vê um negócio legal, nos manda. Dessa forma, um pouquinho antes do carnaval do ano passado, ele viu essa minissérie em uma madrugada, que a gente tem de insônias pré-carnaval e nos disse. No primeiro momento algumas pessoas falaram: ‘Bahia de novo?’ Mas quando a gente assistiu, viu que era diferente. Não é sobre o local, e sim sobre o povo baiano, como eles trabalham, fazem para viver a vida dele de festa de fé, seja católica, umbanda ou candomblé. E ao mesmo tempo eles profanam, que é o título do nosso enredo. Profanar, nada mais é do que curtir a festa”, explicou.

Comissão de carnaval e Paulo Serdan na ajuda

Paolo explicou que toda a comissão, que tem nove pessoas no comando, deu suas opiniões para a confecção do enredo, e até o presidente Paulo Serdan ajudou para tudo sair do papel. “A comissão trabalhou se ajudando bastante. Eu e o Lucas Abelha nós desenvolvemos o enredo e ele fez boa parte dos desenhos do nosso carnaval. O próprio Paulinho Filho, que é da comissão, é diretor, e o próprio presidente também dá bastante opinião para a gente. Nós somos tranquilos e esse foi o segredo. Todo mundo aceita a visão do outro”, contou.

Esteticamente forte

A Mancha Verde tem investido em grandiosas alegorias nos últimos anos, e o diretor de carnaval comentou que para o próximo desfile não será diferente. O profissional quer ver a reação do público com o tamanho do elemento alegórico da comissão de frente. “A gente vem na mesma pegada dos últimos anos, com estruturas muito grandes e bem acabadas. Uma novidade é uma alegoria de comissão de frente que a gente não tem faz tempo, com uma situação bem diferente do que já fizeram aqui em São Paulo. O carro tem uma surpresa que é bem interessante do ponto de vista de funcionalidade dela e de tamanho. Espero que dê um impacto bem legal. As fantasias esse ano, todas estão muito legais. Um destaque para as baianas, que é o nosso grande xodó. O presidente deu liberdade, investiu para que a gente viesse com alegorias, propostas diferentes e acabamento numeroso. A gente adora o trabalho da Bibinha (decoração). Nós vamos bem confiantes”, declarou.

Abertura impactante

O líder aposta em uma abertura de impacto no desfile da Mancha, enaltecendo a comissão de frente, abre-alas e a ala das baianas. “Nós vamos com uma abertura da escola bem forte, uma comissão de frente inovadora, diferente. A gente tentou fazer um negócio bem pesquisado, cuidadoso. A comissão de frente fala do Senhor do Bonfim em uma situação bem legal, mas ela remete quando a fitinha deixou de ser a que usava no pescoço e virou um amuleto da sorte. Foi para o pulso do turista, do morador lá de Salvador. A gente ambientou a comissão nessa época para sair do lugar comum e ter uma alternativa diferente. A primeira ala faz uma coreografia muito legal, o casal dispensa comentários e a roupa está muito legal também. As baianas não são segredo, todo mundo já viu, ela está muito bonita, vai ter LED, vai estar iluminando o chão se a luz do Anhembi não estragar, foi feito. O abre-alas é grandioso e conversa com tudo. Vai ser uma abertura avassaladora”, afirmou.

Objetivo de vencer

Desde o ano de 2018 a Mancha Verde não sabe o que é sair do Desfile das Campeãs. São seis carnavais consecutivos figurando entre as cinco, com dois títulos e dois vices. A promessa é tentar brigar pela taça novamente. “A gente trabalha seriamente, pensando no título sempre. Nós trabalhamos de uma forma muito profissional. A gente é cobrado pelo presidente como profissionais. Nós agimos sempre de maneira estratégica, com planejamento e a gente sabe que o carnaval é uma mistura de investimento, planejamento, seriedade e engajamento do povo. Você pode fazer um carnaval maravilhoso, estar tudo pronto em dezembro, mas se o povo não vir junto, não tem título. A gente trabalha nessas três frentes, o presidente da Mancha é um cara extremamente consciente, todo carnaval nós acabamos com as contas em dia e isso é uma honra que a gente tem. Não abrimos mão disso. Ao mesmo tempo, ele ousa e investe para fazer o melhor. A nossa comunidade também dispensa comentários. Por isso a nossa briga é sempre para ganhar o carnaval”, finalizou.

Conheça o desfile

Setor 1: “No primeiro setor, o ‘se embelezar’ tem tudo a ver com Iemanjá, Oxum, Logun-Odé e com as joias de crioula, que é como que as escravas se enfeitavam por ordem dos seus senhores na época colonial. O nosso casal, Marcelo vem de Logun-Odé e a Adriana como ‘joias de crioula’ Depois a gente vem com as baianas propriamente vestidas de Oxum. Elas têm um peixe, que é o Dourado das águas doces. A primeira alegoria que vem atrás das baianas é uma continuidade disso. É um carro bem legal e tem uma situação bem criativa de fundo do mar, como telões bem grandes. São 12 telões gigantescos que a gente tem nesse carro, é diferente no contexto de uma caverna do fundo do mar, uma solução bem interessante”

Setor 2: “O setor 2 é comer e beber a festa. A gente fala de Exu com as bebidas vinho, cachaça e a cerveja. A gente fala de São Bartolomeu, que é um dos santos da minissérie. Ele é o padroeiro dos padeiros. A gente fala de Santa Bárbara. mais especificamente que as baianas fazem caruru em oferenda a Santa Bárbara. Trazemos para a festa de Bom Jesus dos Navegantes, que é uma das celebrações da minissérie também, onde os pescadores pedem a Bom Jesus para a pesca ser boa naquele ano, no dia primeiro de janeiro, e a gente fecha esse setor com um carro alegórico que é dos mercados e feiras. Todo os locais onde o povo baiano vai comprar tudo para fazer a festa da fé”

Setor 3: “A gente vem para o próximo setor, que é usar o corpo para fazer a festa de fé. Nós abrimos os iaôs O corpo é a casa dos orixás e brinca com a capoeira, que era considerada uma luta ou dança, porque foi trazida pelos escravos. Era uma forma de se defender. Depois a gente fala das danças que tem ligação com a fé, com o maculelê e dança de caboclo. Falamos de Malê Debalê, que é o maior baleado do mundo, em Salvador e fechamos esse setor com o corpo nas posições católicas”

Setor 4: “O último setor, que é o setor da musicalidade do carnaval, tem o terceiro casal, que são as igrejas com o canto gregoriano de Salvador na região do Pelourinho e da Cidade Alta. A gente vem com ogãs, que é usar a música e o atabaque para conectar os dois mundos: O da fé e que a gente vive, que é o espiritual. Depois vamos mostrar três blocos de carnaval ou de música. A gente fala do Olodum, Timbalada e de Dodô e Osmar e, como que a música influenciou para o carnaval. No último carro a gente mistura alguns ritmos que fizeram da música de Salvador. O reggae, axé, pagodão e o trap também. O carro é a Fubica, dirigido pelo Manchão, que é o nosso símbolo”

Ficha técnica
Quatro alegorias
2300 componentes
Um elemento alegórico (comissão de frente)
Diretor de carnaval: Igor Carneiro (comissão de carnaval)
Diretor de ateliê: Gall e Bibinha (comissão de carnaval)

X-9 encerra jejum e conquista 20º título do carnaval de Santos

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Encerrando um jejum de oito anos sem títulos, a X-9 conquistou a taça do Grupo Especial do Carnaval de Santos. Com o enredo “Peregrinos de Fé, Oh Mãe Negra, Meu Samba é a Minha Oração”, homenageando os devotos de Nossa Senhora Aparecida, a escola da Bacia do Macuco conquistou o vigésimo título de sua história.

A apuração, emocionante do início ao fim, teve um triplo empate em 269,7 pontos. A Pioneira sagrou-se campeã no primeiro critério de desempate: a soma das notas descartadas – a menor de cada quesito, originalmente, não entrava no cômputo final. A vice-campeã foi a União Imperial, enquanto a Unidos dos Morros (que buscava o tetracampeonato seguido) ficou na terceira colocação.

Presente na apuração do carnaval santista, realizada no Teatro Municipal Braz Cubas, localizado no Centro Cultural Patrícia Galvão, na Vila Matias, o CARNAVALESCO acompanhou todas as etapas da apuração.

No Grupo de Acesso, o título ficou com a Mocidade Independente Padre Paulo. Junto com a agremiação, subiu também a Vila Mathias.

Emoção até a última nota

O velho clichê das apurações novamente se fez presente no carnaval santista. Desde os primeiros instantes, a leitura das notas colocou na dianteira as três favoritas, que se alternavam no pódio a cada décimo descontado – mesmo com o descarte já em andamento.

Ao final do quinto dos nove quesitos, a Pioneira liderava com 149,9 pontos, enquanto as agremiações supracitadas estavam apenas um décimo atrás. No sexto quesito, a Unidos dos Morros empatou com a Pioneira. No sétimo, o triplo empate se formou – e se manteve até o final da leitura.

Vale destacar um fato que tornou a conquista da X-9 ainda mais especial: entre as quinze escolas que compunham os Grupos Especial e de Acesso, a escola do Macuco foi a única a desfilar sob chuva. Na realidade, a agremiação se apresentou debaixo de uma tempestade – que começou segundos depois da última sirene e terminou minutos após o último componente da Pioneira ultrapassar a faixa amarela.

Visivelmente emocionado, Amauri, um dos coordenadores de carnaval da agremiação, comemorou:

“É muito especial! A X-9 é a segunda escola com mais títulos no Brasil, só atrás da Portela. Pode pesquisar! Foram oito anos sem a taça, estávamos com um nó na garganta. No ano passado tivemos um problema, os carros quebraram, trabalhamos em cima dos erros e consertamos tudo. Está aí o resultado!”, celebrou.

Professor Júnior, outro dos coordenadores de carnaval da Pioneira e também diretor de Harmonia da agremiação, concordou:

“A satisfação é imensa, pois estamos trabalhando há bastante tempo. Nosso presidente, Caio Cézar Romão, tem feito ótimos carnavais. Tivemos azar com os carros no ano passado, mas neste ano conseguimos superar tudo – mesmo com tanta chuva”, relatou.

Falando em chuva…

Os dois profissionais entrevistados pela reportagem do CARNAVALESCO, como não poderia ser diferente, mencionaram a chuva em suas falas.

Amauri manteve a positividade:

“A chuva só abençoou! Foi aí que a X-9 entrou com tudo. Em Santos não estava chovendo, foi Deus quem mandou, só choveu na gente o carnaval inteiro. Olha que maravilha!”, comemorou.

Júnior, por sua vez, minimizou o impacto:

“A gente nem pensou na hora. Não havia tempo para colocar capa, só seguimos em frente. O importante era não errar – e conseguimos. A chuva abençoou nosso desfile, graças a Nossa Senhora Aparecida e ao nosso padroeiro, São Jorge. Fizemos um excelente carnaval e todos os segmentos estão de parabéns!”, destacou.

Para as escolas do Marapé (que homenageou os campeões de bilheteria do cinema) e da Nova Cintra (com uma exaltação à TV Cultura), vice e terceira colocadas, respectivamente, restaram os dois honrosos lugares laterais no pódio.

Descensos

Na parte de baixo da tabela do Grupo Especial, a situação foi bem mais definida. A oitava colocada foi a Sangue Jovem, que homenageou a cidade de São Vicente, com 236,7 pontos. Em sétimo lugar, a Bandeirantes do Saboó, com um enredo sobre o tipicamente santista pão de cará, obteve 237,6 pontos. A primeira escola fora da zona de rebaixamento foi a Mocidade Independência, que contou a história da pimenta malagueta, alcançando 238,2 pontos.

Grupo de Acesso

A tarde no Braz Cubas começou com a apuração do Grupo de Acesso. Diferente do que ocorreu no Grupo Especial, a leitura das notas mostrou desde o início que duas agremiações lideravam rumo ao acesso.

Comemorando seu Jubileu de Ouro, a Mocidade Independente Padre Paulo conquistou a taça e retornou ao Grupo Especial depois de oito anos, com 268,8 pontos.

Lucas Trindade Jesus, vice-presidente da Padre Paulo, foi sincero ao falar sobre o retorno:

“A gente estava precisando disso! Foram anos na luta, batendo na trave. Chegamos em 2025 com força total, nossa comunidade ajudou muito e conseguimos nosso objetivo de sermos campeões no ano do nosso cinquentenário. Viemos contando nossa história e conseguimos mais um título, voltando para a elite – de onde jamais deveríamos ter saído”, afirmou.

Na segunda colocação e também voltando ao Grupo Especial após cinco anos de ausência no pelotão de elite da Baixada Santista, a Vila Mathias apresentou um apocalíptico enredo sobre a criação do mundo e a destruição da Terra pelo homem, somando 268 pontos. Em terceiro lugar, o Império da Vila reeditou seu desfile de 2011 sobre o mel, obtendo 267,4 pontos.

Super Especial

Com a nova configuração do Grupo Especial do carnaval de Santos, a elite da folia santista somará quarenta e quatro títulos em 2026. Mais do que isso: todas as campeãs da primeira divisão desde 2007 estarão nesse grupo – em 2006, a Padre Paulo dividiu a taça com Sangue Jovem e Brasil, que agora estarão no Acesso.

Amauri celebrou o crescimento da competição:

“Está se formando um Super Especial em 2026! A Padre Paulo também tem muitos títulos. Nos anos 1980, ou era a gente, ou era eles. Isso é muito bom para o carnaval de Santos”, avaliou.

Júnior concordou com a nova fase da elite santista:

“Com certeza, está se formando um Super Especial. Também quero parabenizar todas as coirmãs, todas fizeram um excelente carnaval. A Padre Paulo é uma escola forte da Bacia do Macuco. O importante é que as tradicionais estejam no Grupo Especial para fortalecer o carnaval”, pontuou.

Já Lucas, apesar de comemorar o retorno, fez um alerta:

“Para o ano que vem, temos que ter pé no chão para nos mantermos e, em 2027, buscar o título”, finalizou.

Confira a classificação geral do carnaval de Santos:

Grupo Especial

1) X-9 – 269,7 pontos
2) União Imperial – 269,7 pontos
3) Unidos dos Morros – 269,7 pontos
4) Mocidade Amazonense – 268,6 pontos
5) Mocidade Independência – 268,1 pontos
6) Real Mocidade Santista – 268 pontos
7) Bandeirantes do Saboó – 267,2
8) Sangue Jovem – 265,8 pontos

Grupo de Acesso

1) Mocidade Independente Padre Paulo – 268,8 pontos
2) Vila Mathias – 268 pontos
3) Império da Vila – 267,4 pontos
4) Imperatriz Alvinegra – 266 pontos
5) Dragões do Castelo – 265,9 pontos
6) Unidos da Zona Noroeste – 265,5
7) Brasil – 264,1 pontos