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Paraíso do Tuiuti retoma aulas de samba no pé em projeto de passistas

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Foto: Divulgação/Tuiuti

O Paraíso do Tuiuti retoma nesta terça-feira, a partir das 20h, o projeto “Aos passos do Paraíso”, coordenado por Alex Coutinho e Jorge Amarelloh. A iniciativa oferece aulas de samba no pé para crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Os candidatos serão divididos em duas turmas: uma infantil; a outra, para adultos. De acordo com os idealizadores do projeto, não há um limite máximo de idade para os interessados.

Todas as aulas ocorrerão às terças-feiras, sempre a partir das 20h, na quadra do Tuiuti, no bairro de São Cristóvão. Para a inscrição, é preciso levar uma foto 3×4, cópia do RG, CPF (para quem tiver) e comprovante de residência. Para menores de idade, levar uma foto 3×4, cópia do RG ou certidão de nascimento, comprovante de residência, declaração escolar, e cópia do RG e CPF do responsável. A taxa de matrícula será de R$ 80.

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Os organizadores do projeto pedem que os alunos usem roupa de ginástica preta e tênis.

Serviço
Data: Toda terça, a partir do dia 09 de junho
Horário: 20h
Local: quadra do Tuiuti – Campo de São Cristóvão, 33, bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.

Porto da Pedra 2027: sinopse do enredo

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APRESENTAÇÃO

“Se o povo te impressionar demais
É porque são de lá os teus ancestrais
Pode crer no axé dos teus ancestrais”

“Sou filha da Angola
Sou neta da Bahia
Sou cria da poesia
Que vem das ondas do mar”

“Gente que lutou pra se libertar
Ver no amanhã novo Sol chegar
Ter que trabalhar, reconstruir
Bom futuro há de vir
Eu vi Luanda, Benguela, Lobito e outras mais
Na Catumbela, o samba jorrou, me deu sinais
Que naquela terra cantaram, sambaram meus avós”

Em 12 de maio de 1980, 64 artistas brasileiros deixaram o Rio de Janeiro para cruzar o Atlântico. O destino? Angola, país africano recém-liberto das garras do colonialismo português. Assim como o Brasil, esse povo se empenhou em superar a violência da colonização para estabelecer uma ideologia da cultura nacional angolana. A turnê político-artístico-musical pelas cidades de Luanda, Benguela e Lobito levou na bagagem uma sofisticada diversidade musical em intercâmbio com as expressões locais de saberes, culturas, danças e músicas. Intercâmbio este que existia antes, existiu durante a viagem e sempre vai existir entre as duas nações. Dos cerca de 4,5 milhões de homens, mulheres e crianças pretas escravizadas através dos séculos XVI e XIX, calcula-se que cerca de 3 milhões sejam de origem bantu, da região da atual Angola.

Nessa caravana designada PROJETO KALUNGA estavam netos e bisnetos de escravizados. Eram, portanto, artistas africanos em diáspora que ao adentrar o solo africano criaram obras musicais populares brasileiras e angolanas para além dos limites do território nacional. A expedição foi um novo capítulo nas relações Brasil/África ao realizar a travessia no sentido inverso: se outrora seus antepassados cruzaram o mar acorrentados, agora eles retornaram livres para celebrar a independência de Angola. Foi um encontro entre povos com raízes culturais que se atravessam de uma forma indissociável, incontrolável e encantada.

Esta jornada tornou Martinho da Vila carinhosamente conhecido pela população angolana como embaixador, fez João Nogueira se emocionar como criança ao pisar em Mussulo, causou em Dorival Caymmi suspiros ao chegar àquela ilha e se imaginar na “sua Bahia”, gerou experiências espirituais em Dona Ivone Lara ao admirar o mar angolano, fez Djavan encontrar sua identidade musical e Chico Buarque compor “Morena de Angola” e mais, muito mais. A kalunga grande não matou a ancestralidade, ao contrário, a fez resistir e se reinventar como festa e alegria de ser, viver e pertencer. Hoje, quase 50 anos depois do Projeto, este marco histórico entre Brasil e Angola desembarca em um porto que se enche de orgulho em poder homenagear o feito tão simbólico para as culturas brasileira e angolana: o Porto da Pedra.

Sejam bem-vindos de volta.

Eu sou a Angola que assenta no teu mutuê. O mar assistiu em segredo a sua partida sem despedida, mas o agora não mora nas dores do Atlântiko, habita no retorno. Sou Porto-Terreiro, feito que arde como jindungo. Sou barro e terra onde nossos ancestrais ainda escutam o rugir do Tigre no bailar do vento. Símbolo este que te convida de volta.

Mas não venha como estrangeiro!

Pise como quem nunca partiu: peça licença, pise descalço, bata cabeça. Cante e dance as nossas músicas; reverencie nossos heróis; coma a nossa comida com as mãos, sinta o gosto dos dedos. O tambor te chama pelo nome! Deixe-me ver nossos deuses no teu corpo. Sussurre ao sagrado o segredo dos teus ancestrais.

Bem-vindos de volta.

Mesmo com o corpo tomado em luta nesses últimos anos, me refiz nas feridas e cobri cicatrizes para conhecer o que fez com as sementes que eu te dei. Sei que plantou em morros, cortejos, palcos, ruas, sambas e sembas. A arte popular que de longe me vi estar. Trago comigo novas sementes plantadas em Luanda, Benguela e Lobito, território livre de onde vi brotar a cultura do povo.

Volte e pegue.

Não esqueça de mim, pois nunca te esqueci. Para andar para frente, não deixe de olhar para trás. Resgate a sabedoria e as raízes do meu passado que brotam em seu legado. Vejo meus galhos no folclore alagoano de Djavan; na Morena de Angola de Clara e Chico; na negra-Bahia de Caymmi; no colo materno africano embalado na Madureira de Dona Ivone; na Ilha de Mussulo de João Nogueira “teve gente que chorou”; “Mas se teu povo te impressionar demais,” Martinho, “Pode crer no Axé do Seus Ancestrais” e faz dessa kizomba a constituição dessa nação Brasingola, fruto do embondeiro que perpetua nossos laços.

Texto e Pesquisa
Alex Carvalho, Beatriz Chaves, Caio Cidrini e Thainá Santos

GLOSSÁRIO
Kalunga: “mar”, “oceano”, grandes massas de água em quimbundo
•Luanda, Benguela e Lobito: cidades angolanas
•Mussulo: península de praias de areia branca e águas calmas ao sul de Luanda
•Mutuê: “cabeça” em quimbundo e um termo central nas religiões de matriz africana
•Atlântiko: grafia estilizada de oceano no qual trocamos o “c” pelo “k” de Kalunga
•Jindungo: nome dado em Angola a uma variedade de pimenta malagueta
Kizomba: termo do quimbundo que significa festa e divertimento
•Brasingola: termo que une Brasil e Angola de forma indissociável
•Embondeiro: nome angolano para o baobá, árvore símbolo de resistência,
ancestralidade, força e sabedoria

REFERÊNCIAS

BARRETO, Mariana. O Projeto Kalunga: os significados das produções musicais populares brasileira e angolana para além dos limites do território nacional. In: Congresso Brasileiro de Sociologia, n. 18, p. 26-29. Brasília (DF), 2017.

BARRETO, Mariana. Músicas populares e as fronteiras atlânticas da turnê Projeto Kalunga em Angola. In: O Público e o Privado, n. 46, p. 78–102. Fortaleza, 2024.

CASTRO, Maurício Barros de. Diário do Projeto Kalunga: memórias e narrativas de uma missão de músicos brasileiros na Guerra Civil de Angola. Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, n. 1, p. 115-126. Rio de Janeiro, 2016.

VILA, Martinho da. Kizombas, Andanças e Festanças. 1. ed. Rio de Janeiro: L. Christiano, 1992.

ENREDO EM HOMENAGEM A Bahia, Bolinho, Café, Caldeira, Chico Batera, Chico Buarque, Clara Nunes, Cristina Buarque, Danilo Caymmi, Djavan, Dona Ivone Lara, Dorival Caymmi, Dulce Tupy, Edu Lobo, Elba Ramalho, Fernando Faro, Fernando Mansur, Filipe Mukenga, Francis Hime, Geraldo Azevedo, Grupo Nosso Samba, Iolanda Huzak, João do Vale, João Nogueira, Lelé, Lessa, Maria do Carmo Buarque de Holanda, Marieta Severo, Martinho da Vila, Miúcha, Novelli, Olívia Hime, Paulinho Sauer, Quinteto Violado, Roberto Ângelo, Rui Mingas, Ruy Faria, Ruy Guerra, Tânia Quaresma, Waldemar Bastos, Wanda Sá, Wellington Lima, Zé Luiz e tantos outros filhos e filhas da diáspora, artistas das travessias. Aos que vieram antes e depois. Aos que se encantaram e aos que persistem. Aos brasileiros e aos angolanos. Aos brasingolanos

A Estrela vai brilhar! Terceiro Milênio aposta em refrão forte e escolhe samba dos Gêmeos para 2027

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Por Pedro Ribeiro e Will Ferreira

O último domingo viveu a primeira final de samba-enredo de São Paulo para o Carnaval 2027. A Estrela do Terceiro Milênio fez a final da eliminatória e consagrou a obra composta por Jorge Diego, Rafa Cria, Ayr Júnior, Rapha Moreira, Willian Tadeu, Mário Presidente, André Ricardo, Rubens Gordinho, Rodolfo Minuetto e Rodrigo Minuetto para o enredo “Incrível, Fantástico, Extraordinário!”, assinado pelo carnavalesco Paulo Barros. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou uma série de personagens importantes não apenas para a concepção do samba-enredo, mas para o projeto da Estrela do Terceiro Milênio.

Exaltação e churrasco

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Fotos: Pedro Ribeiro e Will Ferreira/CARNAVALESCO

Perguntados sobre como foi o processo criativo para compor o samba, Rodrigo Minuetto fez questão de elogiar o carnavalesco responsável pelo enredo: “Primeiro que o Paulo Barros é um gênio. Ele é fantástico. Ele que é o incrível e o extraordinário. Ele deu uma sinopse que é só pegar e botar a melodia. É fácil. E, aí, você vê o resultado do samba: uma disputa maravilhosa com um nível altíssimo dos sambas concorrentes. Nós nos consagramos campeões, mas foi uma disputa bem sadia, bem acirrada. Está aí o resultado, ou melhor, o início desse projeto. Agora, vamos continuar, e tomara que a comunidade abrace mais e mais o samba”, disse.

A obra, de acordo com ele próprio, foi construída de maneira bastante tradicional: “Reunião, churrasco… teve de tudo! Nós somos do modo tradicional: samba-enredo não dá para fazer por WhatsApp. Claro que a gente respeita as outras parcerias que fazem, mas tem que ter a magia, tem que ter esse tête-à-tête, esse pensamento, um olhar para a cara do outro e falar algo. Surge uma ideia, a gente discute e, no final, a gente sai sempre muito feliz”, comemorou.

Em tom de brincadeira, Jorge Diego, outro dos compositores, complementou: “Foram doze reuniões e dezessete churrascos”, brincou.

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Ayr Junior apelou para a emoção ao falar da obra: “Deu até vontade de chorar com essa parceria. Primeira vez que nós estamos fazendo samba juntos e já chegamos com a vitória. Muito obrigado a todos, de coração. Deu um gás para nós! A gente queria parar de fazer samba e nós estamos aqui, com a rapaziada, firme e forte. Mais uma vez, foi a prova de que o amor vence sempre. Eu amei esses caras desde o primeiro dia. E o amor sempre vai vencer. A música vai vencer. A música vai transformar a gente todos os dias da nossa vida”, suspirou.

Quando a reportagem perguntou qual era a parte favorita de cada um deles, tal qual uma transmissão instantânea de pensamento, todos começaram a cantar o refrão principal da obra: “É incrível voar com você/Só quem é Milênio consegue entender/Fantástico/Extraordinário é sonhar/A nossa Estrela vai brilhar!”, declamaram.

A parceria encabeçada pelos gêmeos Rodrigo e Rodolfo Minuetto ganhou pela segunda vez o concurso da Estrela do Terceiro Milênio, a primeira delas aconteceu em 2025, em que Willian Tadeu também foi vencedor. Outros nomes importantes do grupo, como André Ricardo e Rubens Gordinho, estrearam neste ano na parceria.

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A primeira canção apresentada na final foi justamente o vencedor, na eliminatória, inscrito como Samba 1000, que novamente contou com uma grande torcida e fez valer o explosivo refrão. O segundo a se apresentar, o Samba 99, que buscou mesclar partes fáceis de se cantar (como os versos antes do refrão de cabeça), teve boa adesão de um grupo de chefe de alas, que estavam cantando e evoluindo próximo da torcida contratada. Já o Samba 01, último a se apresentar, era o mais melódico, focando na poesia e na reflexão que o enredo propõe, com boa adesão das baianas, que acompanharam a apresentação e evoluíram bastante durante a execução da canção.

Panorama musical completo

Desde 2019 na Estrela do Terceiro Milênio, mestre Vitor Velloso mostra maturidade ao falar das mudanças pelas quais a escola tem passado. Uma dessas transformações é ver Raquel Tobias, que estava no carro de som da Coruja, assumir um dos microfones principais da agremiação: “A Raquel é uma querida! Já está aqui há muito tempo na escola, a gente já trabalha há um bom tempo. Todo mundo está muito feliz por ela ter chegado até aqui, pela conquista de ser nomeada como intérprete oficial da escola ao lado do Darlan. Como eu falei, o convívio é muito bom já há muito tempo. Não tem muito segredo. Agora, com ela participando de mais reuniões, a gente já tem um convívio bacana e se fala ainda mais Vai dar certo, com toda a certeza”, comemorou.

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O ritmista-mor da escola garantiu que, em tempos de eliminatória de samba-enredo, costuma ficar mais avesso a contatos com os compositores: “O processo de escola de samba é sempre bem complicado. Ainda mais para mim, que também fiz parte do júri. A gente sempre tem que dar uma afastada da rapaziada, evitar ficar conversando muito – porque sempre tem alguma situação. A safra esse ano foi bem bacana, vieram alguns novos compositores que não tinham feito samba aqui ainda na escola e vieram participar nesse ano. Foram oito sambas e o processo é sempre complicadinho para escolher: tinha bastante obra legal que poderia ir. O Rodrigo Shumacker, que é o Diretor Musical da casa, ganhou em 2026 e, nessa final, não foi o samba dele. Os Gêmeos, que ganharam em 2025, ganharam novamente Tomara que a galera volte para fazer sambas em 2028 também”, convidou.

Por fim, mestre Vitor preferiu não dar spoiler sobre como virão os ritmistas na avenida: “Quando sai o enredo e quando a gente fica sabendo qual que é a nossa fantasia, a gente sempre começa a dar uma pesquisada em algumas coisas. A gente já está com alguns pensamentos e a gente, na verdade, estava esperando sair o samba. Agora, que saiu o samba, a gente vai começar a trabalhar em cima disso para poder encaixar nossas ideias dentro da melodia. Vão ter vai ter algumas surpresas aí, sim”, disse.

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Trabalho adiantado

A direção de carnaval da Estrela do Terceiro Milênio, composta por Wilson Costa, popularmente conhecido como Japa, e Vinícius Freitas, destacou o motivo pelo qual a agremiação começou a realizar eventos ainda no sexto mês do ano: “Trabalhar nesse novo projeto com um novo carnavalesco é uma entrega de cem por cento em relação a tudo que esses artistas criam para na nossa escola. Para a gente, é um privilégio enorme trabalhar com mais um artista grandioso como o Paulo Barros. Tenho certeza que a comunidade e a nossa direção estão abraçando da melhor forma possível esse projeto, e, com certeza, no que depender da nossa equipe, esse projeto será um sucesso”, comentou Vinícius.

Alinhado com a dupla, Japa também citou outros quesitos: “A Terceiro Milênio começou um pouco cedo porque a gente teve essa troca de carnavalesco. O Paulo Barros já chegou apresentando um enredo para nós. Em reunião com toda a nossa diretoria, a gente decidiu antecipar tudo. Hoje, em pleno começo de junho, já estamos com o nosso samba para poder começar mais cedo o trabalho com a nossa comunidade de Harmonia e de Evolução. A gente acredita que o trabalho que a gente vem fazendo em todo o processo, desde quando nós iniciamos, vai dar tudo certo e a gente vai colher bons frutos”, prometeu.

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Vinícius, pouco depois, falou sobre o exemplo e sobre a união da comunidade em prol do que está sendo preparado pela escola: “Além desse lado profissional, além do trabalho, a gente costuma falar que começamos cedo. Isso é muito benéfico, é um ponto positivo para o nosso trabalho, de Evolução e de Harmonia. Dessa maneira, a gente fala para a nossa comunidade que a gente não vai aceitar ninguém trabalhando mais que a gente no Carnaval. Lógico, sempre respeitando todas as coirmãs, mas a gente não vai aceitar ninguém trabalhando mais que a gente. Tem outro lado que a gente pensa em relação a uma escola de samba: as pessoas têm que frequentar o ano inteiro a quadra, tem que ser um prazer além de trabalho. Isso está nos ajudando também na escolha do samba mais cedo, para que as pessoas possam usufruir e desfrutar da quadra da escola”, comentou.

O ciclo do Carnaval de 2026 foi utilizado por Japa para falar sobre a antecipação das datas da escola: “Ter o seu samba antecipado é maravilhoso, porque você consegue trabalhar mais a sua comunidade. O carnaval vai ser no começo de fevereiro e, no ano passado, nós escolhemos o samba em setembro. A gente perdeu quase dois ou três meses de ensaios com a nossa comunidade. Lógico que a gente já vem fazendo um trabalho junto com a nossa comunidade antes da escolha do samba – mas, para nós, iniciar esse trabalho com o samba vai ser maravilhoso. A gente vai conseguir fazer com que a comunidade cante e consiga pegar o samba mais rápido e consiga fazer essa evolução com o samba mais rápido. A gente vai conseguir, com certeza, fazer um grande trabalho”, relembrou.

Tradições mantidas

Presidente da agremiação, Gilberto Rodrigues, popularmente conhecido como Giba, contou como são feitas as votações para definir o samba-enredo da Estrela do Terceiro Milênio: “Nos trancamos na salinha e são onze votos. Toda a nossa diretoria executiva tem direito a voto e eu deixo o pau quebrar. Se for necessário, caso tenha um empate, o último voto é o meu. Mas, nos últimos anos, a gente vem em um consenso. Não me lembro de ter tido algum tipo de problema, de ter que desempatar. Sempre a maioria, quando a gente senta, já tem o voto. O processo é esse, é muito simples. A gente já vinha analisando esses três sambas há alguns dias, conversamos bastante e ouvimos o povo, eles deram o Norte para a gente e a gente leva muito em conta a comunidade. Agora, é completar com esse grande projeto de Carnaval que nós temos para 2027”, explicou.

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Paulo Barros é conhecido por não ser muito fã de apresentar as fantasias com antecedência para a comunidade, mas Giba deixou claro que a Milênio seguirá com o evento já tradicional na Coruja: “Nós vamos seguir a nossa tradição de fazer Festa de Protótipos. A nossa comunidade pede isso. Nós vamos fazer uma grande Festa de Pilotos. Estamos só ajustando o nosso calendário. Eu imagino que, no final de julho, no começo de agosto, no máximo na segunda quinzena de agosto, a gente deve estar fazendo essa grande festa. Todo mundo está muito ansioso por esse grande projeto”, anunciou.

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Por fim, o mandatário contou como foi o processo para convidar Raquel Tobias para ser uma das intérpretes principais da agremiação: “Foi muito tranquilo chamar a Raquel para ser intérprete oficial. Ela já está com a gente há sete carnavais, salvo engano, e, pouco depois de quando eu saí da presidência da escola, tive uma conversa informal com ela e disse que a hora dela iria chegar. Ela olhou pra mim e perguntou se eu esperaria. Retornei à presidência da escola e, quando decidimos pela saída da Grazzi, foi o primeiro nome que me veio na minha cabeça, a primeira pessoa que me veio na minha mente. Logo que eu falei o nome, foi unânime. Todo mundo olhou pra mim e falou que era ela. Quando eu fiz o convite, ela lembrou exatamente daquele papo anterior que tivemos. Ela se emocionou e lembrou exatamente das palavras. Chegou a hora dela agora. Já está cantando na noite há muito tempo, já tem uma carneira consolidada, já vem buscando o espaço dela… é muitíssimo merecido e é cria da casa, é da comunidade. Eu prezo muito por isso, por dar oportunidade para quem é da casa. E eu não tenho dúvida nenhuma que ela vai realizar um grande trabalho”, comentou.

Cantores alinhados

Novos parceiros no comando do carro de som da Estrela do Terceiro Milênio, Raquel Tobias e Darlan Alves tiveram discursos bastante próximos ao falar com a reportagem. A cantora não deixou de falar sobre o sentimento por chegar a tal posto: “Para mim é emocionante! Estou na Ala Musical faz sete anos, enquanto a Grazzi Brasil estava na escola. Para mim, é muito importante. Estou nesse mundo e nessa ancestralidade para deixar legado. É muito emocionante a escola ter escolhido outra mulher para representar. Já fiz outros carnavais em Minas Gerais, alguns da UESP como Ala Musical, estou nessa carreira há quinze anos e, para mim, é uma responsabilidade e uma gigante alegria estar aqui. É uma emoção defender o pavilhão, eu sempre defendi como Ala Musical e eu vou defender com unhas, dentes e com a minha alma a Terceiro Milênio”, comentou.

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Darlan elogiou o olhar para a própria comunidade ao nomear Raquel para o posto: “Foi um processo feito pela direção da escola. Depois que a escola tem uma habitual preferência por dois intérpretes, pensamos em quem trazer. Foi ótimo ver essa valorização de alguém da casa, alguém que já estava aqui. A Raquel já está há muito tempo na Terceira Milênio, salvo engano ela tem dez anos aqui como minha parceira de time de canto. A Milênio, o Silvão e o presidente Giba dão muito valor para valorizar as pessoas do Grajaú e da escola. Eles têm muito essa visão de, sempre que possível, buscar alguém daqui do Grajaú. É muito bacana ver isso e é mais uma grande cantora do nosso Carnaval. Tenho certeza que ela vai arrebentar. A gente está bem feliz com essa chegada dela ao microfone, ainda há pouco estava ajustando o grito, como que ia ser, tudo sendo lapidando para o início da sua carreira como intérprete de samba-enredo. Ela já tem uma carreira consolidada fora do Carnaval – e com certeza vai ter sucesso aqui também”, comemorou.

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Raquel relembrou outras intérpretes femininas marcantes do Carnaval paulistano: “Tem mulheres que são intérpretes e que já desceram sozinhas – como a Grazzi Brasil, como a Samantha Santos no Águia de Ouro, Bernardete, Eliana de Lima. Casar junto com uma voz masculina dá aquele molho, também. É bacana essa junção, porque vem essa potência de voz de homens e também de mulheres bem potentes, também. Gosto muito desse casamento de vozes. Eu e o Darlan conversamos muito, é tudo falado, tudo é conversado, tem que ficar um pelo outro: está todo mundo no mesmo nível. As mulheres estão na linha de frente!”, exaltou.

Já Darlan destacou a afinação não apenas nos microfones, mas também no trabalho com a nova parceira de profissão: “A escolha de samba-enredo define muito o trabalho durante o ano. Cantar com intérprete de voz feminina não tem o problema de casar ou se não vai, porque a gente sempre encontra um meio termo para que fique à vontade para os cantores. Geralmente, tecnicamente falando, as cantoras atingem umas extensões vocais muito mais agudas, muito mais altas do que os homens. Mas, geralmente, os sambas-enredos são feitos num tom que, na maioria das vezes, são para vozes masculinas. Isso, muitas vezes, dificulta para as cantoras. A gente ajusta, sobe mais uma nota ou um tom: entramos no meio-termo e está tudo certo”, destacou.

Colorado do Brás mira desfile grandioso com enredo inspirado em Ojuara

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Colorado do Brás realizou um grande evento em seu novo espaço, localizado na Arena Canindé, em parceria com a Portuguesa de Desportos. Batizada de “Arraiá do Brás”, a festa marcou a celebração junina da escola, com comidas típicas, atrações musicais e apresentações de quadrilhas ao longo da tarde. À noite, foi a vez da bateria e da ala musical assumirem o protagonismo da festa. O intérprete Léo do Cavaco apresentou sambas que marcaram a trajetória da agremiação e, na sequência, teve início o lançamento oficial do enredo para o Carnaval 2027. A apresentação contou com uma encenação criativa, conduzida pela coreógrafa da comissão de frente, Paula Gasparini. Em um cenário inspirado na cultura nordestina, o espetáculo foi encerrado com a revelação de um banner contendo a logomarca do tema “O Homem que Desafiou o Diabo: Ojuara”, desenvolvido pelo carnavalesco David Eslavick. O CARNAVALESCO conversou com David Eslavick, responsável pela concepção e pelo desenvolvimento do enredo da escola para o próximo carnaval.

Tema de superação

De acordo com o artista, trata-se de um enredo profundamente brasileiro, que tem em Ojuara um personagem capaz de transmitir mensagens de superação e autoconhecimento.

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“É um enredo que, para mim, é muito brasileiro, porque dialoga com o povo nordestino e transmite uma mensagem extremamente positiva de autoconhecimento. A partir do momento em que a pessoa passa a acreditar em si mesma, ela consegue vencer seus medos e chegar onde quiser, superando qualquer tipo de dificuldade. Esse enredo vem para mostrar que todos aqueles que são oprimidos ou enfrentam situações complicadas na vida podem conquistar aquilo que desejam se acreditarem em si. Ojuara sonha em chegar a um lugar de fartura, onde as pedras são de rapadura e o leite corre em rios como mel. É algo muito lúdico, bonito e genuinamente brasileiro. Será uma mensagem muito positiva, em um carnaval bonito e diferente, assim como foi no ano passado. E acredito que conseguirei apresentar um carnaval ainda melhor”, disse.

Misturando o lúdico e o real

David Eslavick explicou que o desfile irá combinar elementos tradicionais da cultura nordestina com o universo fantástico proposto pela narrativa de Ojuara.

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“Será uma mistura de situações, porque o enredo transita entre o imaginário e o real, sendo essencialmente lúdico. Vou trabalhar essa combinação entre os elementos nordestinos, o universo fantástico e manifestações como o xaxado. Costumo fugir do convencional e buscar formas diferentes de transmitir a mensagem por meio das fantasias e alegorias. Acredito que, quando você desenvolve um trabalho, as pessoas precisam conseguir identificar e compreender aquilo que está sendo apresentado. Caso contrário, algo não está funcionando da maneira ideal. Por isso, vou procurar mostrar o nosso enredo de forma clara e envolvente para o público”, declarou.

Tentativa de superar o próprio trabalho

A Colorado do Brás chamou a atenção no último carnaval pela força visual apresentada na avenida. Questionado sobre a expectativa de repetir ou até superar o nível do desfile de 2026, o carnavalesco preferiu evitar promessas, mas garantiu empenho máximo para entregar um espetáculo ainda mais grandioso.

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“É muito difícil fazer promessas, porque isso pode elevar a expectativa das pessoas e, no fim, o resultado não corresponder ao que elas imaginavam. Mas vou me esforçar ao máximo para apresentar algo ainda melhor do que mostrei no ano passado. Sou suspeito para falar, mas adorei o carnaval que apresentei em 2026. Acho que o enredo da Bruxa foi incrível; se pudesse, eu o reeditaria. Este novo enredo também dialoga com o universo lúdico, de que gosto muito. Vou me dedicar ao máximo para superar o carnaval do ano passado”, afirmou.

Expectativa por um grande samba

Após dois anos, a Colorado do Brás voltará a realizar eliminatórias para a escolha de seu samba-enredo. Para David Eslavick, o modelo amplia as possibilidades criativas e pode resultar em uma obra ainda mais identificada com a proposta do desfile.

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“Eu gosto desse formato porque me dá mais opções. No ano passado, como o samba foi encomendado, trabalhamos a partir de uma proposta específica. Desta vez, terei a oportunidade de explorar ideias e caminhos diferentes. Essa eliminatória será muito interessante, porque permite a apresentação de propostas inovadoras. Além disso, podemos chegar a um samba forte, com o qual as pessoas se identifiquem facilmente. É exatamente esse tipo de samba que está voltando à Colorado. O samba da Bruxa foi muito bom, mas tenho certeza de que o de Ojuara será ainda melhor”, concluiu.

Torcida Jovem realiza desejo de Cosmo Damião e terá Porto de Santos como enredo em 2027

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A Feijoada da Torcida Jovem, realizada neste sábado na quadra da agremiação, na região do Aricanduva, Zona Leste de São Paulo, teve momentos bastante especiais. A posse do novo segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação, Marcos Guilherme e Madu Vasconcelos; o reencontro com a comunidade; e o lançamento do enredo para o Carnaval 2027. A agremiação terá como tema “Porto de Santos, O Mundo Se Encontra Aqui”, desenvolvido por uma Comissão de Carnaval – formada por Leonardo Santos (Bambu), Sérgio Roberto Nonato (China), André Vinícius (Deko), Evandro Guedes, Jefferson Silvano e Fernando Senattori (Raposa). Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou duas eminentes figuras da Torcida Jovem para saber mais sobre a escolha do maior porto da América Latina como enredo.

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Associação óbvia

A Torcida Jovem é uma escola de samba oriunda da torcida organizada do Santos Futebol Clube – e que, mesmo acompanhando o clube da Baixada Santista, foi fundada em São Paulo. A cidade de Santos é conhecida mundialmente pelo porto, o maior da América Latina e do hemisfério Sul, de acordo com dados da Lloyd’s List – publicação que é referência do setor portuário.

Não precisa ser um gênio, portanto, para entender que o Porto de Santos é importante para toda a cidade e para todos que, de alguma maneira, estão ligados à Baixada Santista – algo que, naturalmente, acontece com a Torcida Jovem.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Evandro Guedes, integrante da Comissão de Carnaval e Diretor de Carnaval da escola, destrinchou os motivos da escolha de tal enredo: “A ideia é antiga e quase foi à prática em 2024, quando a gente subiu para o Grupo de Acesso I. Foi uma ideia que veio de um assessor do prefeito de Santos e não foi para frente. Diante das dificuldades que a gente tem para levar o Carnaval para a avenida, a gente voltou a se falar novamente em 2026, assim que acabou o Carnaval. Passou uma semana, ele já falou que um enredo sobre o Porto daria bom. O interessante é o porto fica na cidade de Santos, o time da Torcida Jovem é de Santos e a gente nunca procurou falar do porto. Dessa vez, surgiu a ideia de falar do Porto de Santos, um dos portos mais importantes do mundo e o maior da América Latina. Através desse enredo, tentamos arrumar uns patrocínios aí, uns contatos ali, algo que ajuda muito”, confessou.

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Jefferson Silvano, presidente da Torcida Jovem, foi pela mesma linha: “Referente à escolha do enredo, já é uma vontade um pouco antiga nossa. A gente já vem há alguns anos falando que a gente gostaria de falar do porto. Nesse ano, a gente achou que era o momento correto, um momento bom para falar do Porto de Santos – que tem uma história muito rica, não só do Porto em si, mas a história de como tudo começou, da cidade de Santos e até do próprio Santos Futebol Clube. Tudo está envolvido. A gente acha que tem tudo para fazer um ótimo Carnaval, de grande qualidade, para colocar o desfile na avenida. Quem vem acompanhando os nossos últimos carnavais vê que a gente em um ano é campeão, no outro cai, depois é por um décimo perdendo o Carnaval. Estamos sempre fazendo carnavais bem competitivos, com muito respeito a todas as outras coirmãs. Na nossa visão, era o momento certo de encaixar esse tema para esse ano. Vocês podem ter certeza que a cada ano que passa é o Carnaval mais importante da história da Torcida Jovem. Todos vão se surpreender muito na avenida”.

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Jé, como é popularmente conhecido o presidente, foi ainda além e revelou que a temática era desejo do grande nome da história da agremiação: “A gente já fala desse enredo há muitos anos, mesmo. Inclusive, quem falava isso era o nosso número um aqui da entidade, Cosmo Damião Freitas Cid, o fundador. Ele que é o culpado por tudo isso aqui! A gente já escutava muito ele falar que gostaria muito de falar do Porto de Santos. A gente ficou martelando vários anos, e mesmo depois do falecimento do seo Cosmo a gente sempre teve a vontade de fazer esse enredo. Agora, entendemos que esse ano é o ano para falar do porto – e, se Deus quiser, vamos fazer um grande Carnaval e a Torcida Jovem vai subir para o Grupo de Acesso I”, disse.

Fundador da TJ, seo Cosmo, falecido em setembro de 2023, foi homenageado logo no início do vídeo que apresentou o enredo na quadra da escola:

Cronologia respeitada

Antes da revelação do enredo, a comissão de frente da Torcida Jovem fez uma apresentação para facilitar o entendimento de todos. Um vídeo também antecedeu a aparição do logotipo da temática, e algumas dicas foram dadas por meio de tais momentos. Evandro foi didático a respeito de tudo que o enredo tratará: “A gente vai começar falando do porto antigo, por chegaram os imigrantes e pela exportação do café – que, na época, era o ouro do Brasil. A gente vai trabalhar do porto antigo até chegar no porto atual – já com os containers, os navios cargueiros, os navios de cruzeiro e etc. Também não tem como falar do Porto de Santos, que fica em Santos, sem falar do Santos Futebol Clube. A gente vai ter uma palhinha de Santos e do Pelé, a gente vai ter uma palinha de Iemanjá – que tem tudo a ver com a praia. A ideia é juntar tudo. A gente vai quebrar um pouco a cabeça, porque a gente já tem tudo em mente – mas sabe como é o Carnaval: vai chegando e vão surgindo novas ideias. O Porto de Santos está do lado, a gente está mais em Santos do que em São Paulo, e por isso vai ser fácil adquirir pesquisa para trabalhar melhor ainda – fora o que a gente já pesquisou, é claro”, disse.

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Sem medo

Nos últimos anos, a Torcida Jovem notabilizou-se por sempre trazer temáticas que envolvem temas afro. Em 2023, a escola foi campeã do Grupo de Acesso I exaltando Iemanjá; em 2024, o Brasil Bantu foi a temática; e, em 2026, a cultura afro-baiana teve vez. A mudança aparentemente acentuada na direção de enredo da TJ, entretanto, não é algo que tira o sono de ninguém na escola: “Essa mudança no enredo não nos preocupa porque é uma transição boa! Querendo ou não, tem uma palhinha de Iemanjá muito bem elaborado – orixá que nos deu o tema para o título do Grupo de Acesso II em 2023, ela vai abençoar nosso enredo. É uma transição legal e diferente, porque a gente vem há carnavais seguidos vindo com enredos afros. A gente acaba sentindo o público: eu sei que o carnaval tem tudo a ver com afro, só que o povo que a gente conversa, não só o santista e o TJ, tem uma vontade de mudança. O pessoal que tem outra religião, que não seja candomblé ou umbanda, tem um certo receio de desfilar com a gente por conta disso. Mas nada que desabone o tema, é um tema bom, é um tema rico, é um tema que tem a ver com a Jovem. Agora é trabalhar até chegar o dia 30 de janeiro para estar nos trinques, pronto para ser campeão”, vislumbrou.

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Participação

Jé fez questão de destacar que, na Torcida Jovem, comunidade de escola de samba e associados da torcida organizada não apenas se confundem como fazem parte do mesmo ideal – e isso começa por ele próprio: “Nós somos uma escola de samba oriunda de uma torcida organizada, por isso a gente tem essa responsabilidade tanto na arquibancada quanto na escola de samba. Eu sou um presidente que gosto de estar atuante nessas duas áreas. É extremamente importante até para você estimular o seu povo, incentivar, ter o seu povo do lado. É mais do que justo a gente dar esse exemplo de participação para a nossa comunidade, para a gente realmente ter uma comunidade aguerrida que abrace as nossas propostas. Todo mundo realmente está envolvido de cabeça e a gente fez as coisas acontecerem hoje e ao longo de todo esse tempo”, finalizou.

Empatia e liderança ganham destaque em encontro nacional de diretores de harmonia

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Este último sábado foi marcado por mais um dia de CONASAMBA, realizado pela primeira vez na cidade de São Paulo, na Fábrica do Samba. Mais uma vez, a organização da FENASAMBA promoveu debates e momentos de imersão voltados à troca de conhecimentos entre as diferentes praças carnavalescas. Desta vez, o CARNAVALESCO acompanhou de perto o Encontro Nacional dos Diretores e Diretoras de Harmonia. Mediado por Demis Roberto, o painel reuniu especialistas que compartilharam suas visões sobre a função, sobretudo os desafios de liderar uma equipe de harmonia e de lidar da maneira adequada com os componentes.

História de um diretor de harmonia

Lenda viva do carnaval paulistano e uma das maiores referências do quesito, Raimundo Mercadoria relembrou as dificuldades enfrentadas por quem desejava chegar ao cargo de diretor de harmonia.

“Para ser diretor de harmonia naqueles anos (e muitos aqui acompanharam esse período da história do Carnaval e das escolas de samba), era uma função muito ingrata. Pelo menos aqui em São Paulo, o diretor de harmonia precisava exercer várias funções. Primeiro, tinha que saber tocar todos os instrumentos da bateria. Também precisava saber cantar e, popularmente falando, ‘dar no pé’. Ou seja, todas as funções existentes em uma escola de samba. Na nossa época, ninguém se tornava diretor de harmonia de um dia para o outro, como acontece hoje. No mínimo, para chegar a esse cargo, era preciso começar lá embaixo e passar por todos os setores da escola. Você era ajudante de chefe de ala, depois chefe de ala; auxiliava a bateria, carregava instrumentos e ajudava a prepará-los. Naquele tempo, nem existiam as baquetas industrializadas. Nós mesmos as fabricávamos, utilizando bambu e madeira. Portanto, o diretor de harmonia precisava conhecer e vivenciar todas as funções da escola de samba. Era uma formação construída na prática, ao longo dos anos”, comentou.

Técnica para formar uma equipe de harmonia

Ao entrar em aspectos mais técnicos da função, Carlos Pires, popularmente conhecido como Carlão, explicou a importância de o diretor de harmonia conhecer profundamente os demais setores da escola e destacou como ocorre o processo de formação de novos integrantes da área.

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“É importante tomar conhecimento do que aconteceu no passado para saber o que deve ser preservado e levado adiante. Essa é a primeira questão. A segunda é entender quem está transmitindo esse conhecimento e como ocorre esse processo de formação. É preciso explicar como funciona o trabalho dentro da escola, desde a construção do desfile até os quesitos de julgamento. O diretor de harmonia precisa conhecer tudo isso. Como você vai conversar com o mestre de bateria sobre algum problema técnico se não entende minimamente do assunto? A primeira reação será ele questionar sua autoridade para falar sobre aquilo. Formar um diretor de harmonia é um processo. Muitas vezes, as pessoas não querem passar por todas as etapas necessárias. Existe a questão da disciplina, da liderança e da capacidade de comandar uma equipe. O diretor de harmonia lidera um grupo, orienta pessoas e dá direcionamento ao trabalho.”

Carlão também comentou como avalia sua equipe. Segundo ele, a forma de comunicação e as aptidões individuais são determinantes para definir as funções de cada integrante.

“Particularmente, nos cursos de formação que realizo, promovemos encontros frequentes para discutir todos esses temas. Também ouvimos novas ideias e trazemos profissionais experientes, inclusive de outras escolas, para compartilhar conhecimento. Sempre enxerguei isso como uma troca. O principal é que a pessoa tenha interesse, amor pela escola e vontade de aprender. Com o tempo, ela se desenvolve e demonstra seu potencial. Também procuro identificar as habilidades de cada integrante da equipe. Alguns têm facilidade para se comunicar com a comunidade; outros entendem mais de barracão, fantasia ou organização. Ninguém domina tudo. Por isso, distribuímos responsabilidades de acordo com as competências de cada um. Quando você forma um grupo com diferentes qualidades, consegue atender a todas as áreas da escola. Afinal, ninguém consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo”, afirmou.

Empatia pelo componente

Diretor de harmonia da Dragões da Real, Rogério Félix abordou o lado humano da função e ressaltou que a missão da harmonia é servir à comunidade e proporcionar as melhores condições para que o componente tenha um bom desempenho no desfile.

“Para mim, a harmonia é a arte de servir. Se você não está disposto a servir ao próximo, esse não é o seu departamento. Servimos nossa comunidade durante o ano inteiro para que ela nos represente em um único dia: o desfile. Não há como cobrar das pessoas algo que você mesmo não faz. Harmonia é liderança, não chefia. A liderança se constrói pelo exemplo. Não adianta falar e não fazer. As pessoas se espelham nas suas atitudes. Se você limpa o chão da quadra, independentemente do cargo que ocupa, mostra que é apenas mais um trabalhador daquela comunidade. Eu uso o mesmo uniforme da minha equipe porque não sou maior do que ninguém. Somos todos iguais no dia a dia e no trabalho”, afirmou.

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Ainda dentro desse aspecto, Félix destacou que os diretores de harmonia da nova geração precisam buscar conhecimento sobre liderança, empatia e comportamento humano, especialmente diante do aumento das demandas relacionadas à saúde mental.

“Quando me perguntam como escolho um diretor de harmonia ou um integrante da equipe, a resposta é simples: pela paixão. Se a pessoa é apaixonada pela escola, ela pode aprender o restante. Eu não meço o tamanho de uma escola de samba pelos seus recursos, mas pela quantidade de pessoas apaixonadas que ela possui. São essas pessoas que fazem carros alegóricos, costuram fantasias, reaproveitam materiais e transformam sonhos em realidade. Além disso, o diretor de harmonia da nova geração precisa estudar liderança, perfil comportamental e empatia. Cada vez mais convivemos com pessoas que enfrentam dificuldades emocionais e desafios de saúde mental. É preciso compreender o componente, ouvir suas necessidades e saber acolhê-lo”, declarou.

Importância de conhecer o quesito e da uniformização adequada

Representante do carnaval capixaba, Wesley Dedanai enfatizou a necessidade de diferenciar os quesitos Harmonia e Evolução, que ainda são frequentemente confundidos dentro das escolas de samba. Ele também detalhou o papel desempenhado pelas equipes ao longo da preparação para o desfile.

“Temos tomado bastante cuidado para deixar claro que harmonia e evolução são quesitos diferentes. Muitas pessoas ainda confundem os dois. A harmonia está diretamente ligada ao canto da escola. Harmonia e evolução são responsáveis pela condução dos ensaios de quadra, dos ensaios técnicos e de todo o processo de preparação para o desfile. Também procuramos superar uma visão antiga do diretor de harmonia como alguém de postura fechada ou autoritária. Liderança não tem relação com arrogância. Trabalhamos com pessoas que frequentam a quadra por amor à escola. Muitas vezes, elas vão ao ensaio apenas para receber um aperto de mão ou um abraço e sentir que fazem parte daquele projeto”, disse.

Dedanai também ressaltou a importância da uniformização das equipes, tanto pela organização quanto pela identificação visual da liderança dentro da escola.

“A uniformização também é importante. O diretor de harmonia é uma referência visual dentro da escola. Quando alguém precisa de orientação, sabe exatamente a quem recorrer. Além disso, o diretor representa o pavilhão, que é o maior símbolo da escola de samba. Costumamos dizer que a escola de samba é um importante equipamento sociocultural. Ela transforma vidas, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade social. A cultura abre oportunidades e oferece novos caminhos. O Carnaval é uma das maiores manifestações culturais do planeta. Por isso, quem veste as cores de uma escola e representa sua comunidade precisa compreender a responsabilidade que carrega ao defender esse patrimônio cultural”, ressaltou.

Dirigentes defendem união e políticas públicas para o futuro do carnaval brasileiro

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Fotos: Pedro Ribeiro/CARNAVALESCO

Por Pedro Ribeiro

O encerramento das mesas e debates no segundo dia do CONASAMBA (Congresso Nacional das Escolas de Samba), que está sendo realizado na Fábrica do Samba, em São Paulo (SP), entre os dias 4 e 7 de junho, teve como tema um painel sobre o Carnaval nos estados localizados nas regiões Sul e Sudeste do país. O bate-papo reuniu gestores, diretores e articuladores desses carnavais, a fim de entender os desafios, as similaridades, as adversidades e as propostas para o Carnaval brasileiro. O encontro foi dividido em duas partes por conta da quantidade de representantes, e o CARNAVALESCO esteve lá para ouvir e trazer quais foram os passos e obstáculos desta conversa. O primeiro ponto de destaque trata de quanto o CONASAMBA é fundamental, porque a maior parte dos posicionamentos durante o painel girou em torno das dificuldades para se fazer o carnaval e, de modo geral, a sociedade que vive em lugares onde a folia está estruturada financeira e culturalmente, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, sequer percebe as circunstâncias de adversidade que um carnaval descentralizado enfrenta. O Congresso Nacional das Escolas de Samba pôs luz e lupa neste tema e, com a democracia e a liberdade como pilares do Carnaval, dá para dizer que “sobrou para todo mundo” durante as colocações.

A mediação deste debate inter-regional ficou por conta de Éverton Pugliesi, vice-presidente da Região Sul da Federação Nacional das Escolas de Samba (FENASAMBA), e o primeiro a falar foi o presidente da UESPA (União das Escolas de Samba de Porto Alegre e Região Metropolitana), Juarez Guiterrez. Ele refletiu sobre a trajetória do carnaval porto-alegrense ao longo dos anos e fez um recorte mais específico a partir de 2022, quando houve a retomada mais plena das atividades pós-pandemia, que culminou em uma crescente na situação atual do carnaval gaúcho.

“Hoje, o Carnaval de Porto Alegre, através das duas ligas que fazem o seu gerenciamento, produção e execução, busca mostrar a importância para o poder público (…), de pautar exatamente a busca pela qualidade”, relatou.

Em um segundo momento-chave e sincero, Juarez reflete sobre as dificuldades financeiras nas gestões das agremiações: “Buscando uma conscientização a partir de cada gestor, de que o restabelecimento das próprias contas internas das entidades, daquilo que ‘ficou para trás’, também tem que ser revisto. O reconhecimento individual de um sucessor que assume após a eleição de uma entidade e acaba sempre tendo o mesmo discurso: ‘mas eu já peguei do jeito que estava’; então, é uma transferência de responsabilidade. (…) Se nós, dirigentes de liga, conseguirmos levar essa interlocução e conseguirmos convencer as nossas afiliadas de que esta é a pauta que deve ser discutida e restabelecida, trazendo mais saúde para as finanças da escola”, completou.

A continuidade do painel contou com a fala do presidente da Liga RJ, Deo Pessoa. O carioca explicou o redesenho da Liga RJ e a luta pela valorização do carnaval. O dirigente avalia que são necessários avanços mais robustos, principalmente para as séries Ouro, Prata e Bronze. Contudo, na relação com o poder público, o dirigente avalia que houve resultados positivos e usou a Fábrica do Samba para o Grupo de Acesso como uma dessas conquistas significativas.

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“É um projeto que surgiu há 12, 14 anos, como promessa do Carnaval do Rio de Janeiro, e que, graças a Deus, vai se concretizar no próximo ano. Isso vai trazer dignidade para as agremiações da Série Ouro. (…) Muitos de vocês não conhecem os espaços físicos onde é construído o nosso espetáculo (atualmente). São locais insalubres que não trazem a mínima dignidade para o profissional de carnaval, os dirigentes e os componentes. A conquista desse espaço é uma luta antiga nossa!”, celebrou.

Anfitrião geográfico do CONASAMBA deste ano, o presidente da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP), Nenê Teixeira, afirmou que “não dá para fazer carnaval sem política” e contou como estão as relações da UESP com o poder público e quais são os projetos mais próximos de ganharem vida: “Estamos construindo um projeto junto com a Câmara Municipal, alinhado com o presidente da Câmara dos Vereadores, Ricardo Teixeira (UNIÃO), para construirmos um polo de desfile na Vila Esperança. Passaríamos a ser a primeira cidade do Brasil e do mundo a ter dois sambódromos. (…) Começamos a bater na Câmara Municipal porque também teríamos o Legislativo do nosso lado. Já estamos até chamando de bancada do samba”, comentou.

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O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial de Vitória (LIESGE-ES), Edson Neto, deu continuidade às exposições junto com o presidente do Grupo de Acesso e trouxe uma curiosidade que envolve a construção do sambódromo onde acontece o carnaval capixaba. Segundo Edson, o nome da passarela ser “Sambão do Povo” deve-se ao fato de que faltavam 30 dias para o carnaval e a empresa responsável não conseguiria terminar a obra dentro do prazo previsto. Foi aí, então, que o povo do samba desceu o morro e finalizou o sambódromo em 1987. Ele também comentou a importância de existir unidade entre as ligas e grupos para o bem do carnaval de cada região: “A gente também se uniu como liga. (…) A gente bate junto em todas as secretarias para buscar recurso”, afirmou

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O mediador Éverton Pugliesi anunciou a próxima integrante do debate, a quem concederia a palavra, como uma presidente forte. O discurso da presidente da UECEGAPA (RS), a gaúcha Kelly Ramos, fez jus à apresentação prévia. Ela trouxe uma série de situações complexas para quem constrói um carnaval descentralizado. Em um desabafo político e cultural sobre o carnaval porto-alegrense e a relação com o poder público, a jovem denunciou o problema de repasse de recursos para as escolas de samba e apontou o Estado como o responsável. De forma dura, ela chama de “piada” o carnaval receber um edital de R$ 3 milhões, sendo que o estado gaúcho é composto por 497 municípios. Ainda segundo ela, o sambódromo de Porto Alegre até hoje não possui arquibancada e banheiro. Além disso, a jovem cobrou a FENASAMBA em busca de respostas mais concretas: “A gente continua aqui sem as respostas. Mais do que uma carta, precisamos de uma devolução da carta. (…) Até quando nós, presidentes de liga, até quando nós, presidentes de escola de samba, vamos ficar batendo na porta de gabinete, dependendo de A ou de B para ajudar nossas escolas e para ajudar as nossas ligas? Até quando isso?”, questionou.

A segunda parte do debate começou com a fala de Ricardo Nodari, presidente da LIEJHO, que revelou os desafios para o carnaval no interior de Santa Catarina. De acordo com ele, a maior dificuldade é a linha de financiamento, e a solução para fortalecer o Carnaval brasileiro institucionalmente está na superação do modelo político que o poder público usa para se relacionar com a festa: “Se a gente transformar o carnaval em uma política de Estado, e não uma política de governo, nós vamos poder figurar no orçamento da União. (…) A partir de uma lei, e essa lei aprovada no Congresso Nacional. A FENASAMBA deveria partir agora para uma política de Estado do carnaval”, citou.

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Na sequência, o presidente da ASSESGRU (RS), Pedro dos Anjos, comentou sobre sua perspectiva dentro da associação de escolas de samba de Uruguaiana, cujo carnaval tem crescido e se aprimorado. A visão de construir melhorias para o carnaval através da relação democrática e política foi o principal ponto trazido por Pedro: “Antes era bem mais difícil fazer carnaval. Eu quero agradecer ao prefeito municipal Carlos Delgado (PROGRESSISTAS). Eu quero agradecer ao prefeito anterior, Ronnie Melo (NOVO), porque a gente vem há bastante tempo movimentando e resgatando o carnaval de Uruguaiana”, contou.

Em seguida, Maria Elisa Abreu, presidente da Liga MG, defendeu que, antes da organização do desfile, está o fortalecimento do carnaval como um todo. O trabalho de fazer do Carnaval uma política pública constante, e não um evento sazonal, atravessa este entendimento de diálogo com todos os setores que compõem e querem compor o carnaval de Belo Horizonte: “A nossa missão na Liga hoje é construir pontes. Pontes entre as escolas de samba e o poder público. Pontes entre os fazedores de cultura e a sociedade. (…) Porque o desfile acontece uma vez por ano, mas as escolas de samba trabalham o ano inteiro”, complementa.

O carnaval de Florianópolis também esteve presente. A presença de Joel Costa Junior, presidente da Associação das Ligas do Estado de Santa Catarina (ALIESSSC-SC), foi mais uma fala combativa em defesa do Carnaval brasileiro, com disposição crítica sobre a maneira como parte dos setores da política catarinense se comporta com os articuladores da folia. Em contrapartida, o dirigente deu um “puxão de orelha” nos setores do carnaval que, na visão dele, deveriam abandonar essa conduta subserviente para com o poder público: “Nós temos que estar preparados para oferecer e solicitar alguma coisa. Chegar na frente do poder público e chegar na frente de um grande patrocinador, de mãos vazias, sem discurso, sem histórico, sem algo apresentável, é um trabalho anticarnaval”, defendeu.

Com a frase “O carnaval de Curitiba precisa de ajuda”, Jeferson Pires, da LIESC – Curitiba (PR), foi o último convidado do painel a colocar seu ponto de vista. O relato é impactante, à medida que o dirigente sustenta que posições político-ideológicas quase acabaram com o carnaval de Curitiba. A perseguição política esbarrou no carnaval e impossibilita a chance de reconhecimento, crescimento e estrutura para os trabalhadores do setor: “A questão sempre foi política lá. A extrema-direita é muito forte em Curitiba. A bancada evangélica em si. (…) Teve um vereador que fez um PL (projeto de lei) para tirar o direito que as escolas de samba têm de receber o dinheiro. Para vocês terem uma ideia de como está Curitiba”, denunciou.

Justiça suspende eleição do Império Serrano marcada para este domingo

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

A eleição para a presidência do Império Serrano, que estava prevista para ocorrer neste domingo, foi suspensa por decisão da Justiça. A medida reconheceu a existência de questionamentos relacionados à regularidade do processo eleitoral. Em manifestação pública após a decisão, integrantes da chapa “Avisa aos Navegantes que o Império vem aí” afirmaram que defendiam a necessidade de esclarecimento das dúvidas levantadas sobre a condução da eleição antes da realização do pleito.

Segundo o grupo, havia preocupações relacionadas à transparência do processo e à segurança jurídica para os associados aptos a votar. A chapa também declarou que a suspensão da eleição permitirá que as questões apresentadas sejam analisadas antes de uma nova votação. No comunicado, os representantes da candidatura destacaram que o Império Serrano possui uma trajetória histórica que, segundo eles, deve ser preservada por meio de processos considerados legítimos pelos associados.

A chapa também registrou posicionamento favorável à decisão judicial, afirmando que a medida busca assegurar o respeito às garantias democráticas no processo eleitoral da agremiação.

O Conselho Diretor da entidade se posicionou. Veja abaixo.

A suspensão da Assembleia Geral de Eleição decorre do cumprimento de decisão liminar proferida pelo Poder Judiciário em ação ajuizada pela Sra. Paula Maria. Neste momento, cabe a esta Presidência cumprir integralmente a determinação judicial, sem prejuízo da adoção imediata das medidas recursais cabíveis para sua revisão.

Entendemos que a referida ação foi fundamentada em alegações que não refletem integralmente os fatos. Entre os pontos que serão oportunamente esclarecidos ao Juízo, destaca-se que a autora integrava o Conselho Diretor da entidade e que sua situação de inelegibilidade decorre de circunstâncias previstas no Estatuto Social, incluindo questões relacionadas ao exercício de função pública e aos requisitos estatutários para participação no processo eleitoral.

Também será demonstrado que o Edital de Convocação da Assembleia foi regularmente publicado em jornal de circulação, fato que poderá ser comprovado documentalmente perante o Juízo. Além disso, o referido edital foi afixado no quadro de avisos da escola, em observância aos princípios da publicidade e da transparência que regem os atos da administração da entidade.

Lamentamos que o processo eleitoral tenha sido interrompido neste momento, especialmente após todos os esforços empreendidos para garantir sua regularidade e ampla participação dos associados.

Reafirmo que todas as providências necessárias serão adotadas para resguardar os interesses do G.R.E.S. Império Serrano, bem como os direitos de seus associados, sempre com observância ao Estatuto Social e à legislação vigente”.

 

Presidente Rossy Amoedo anuncia o maior Caprichoso da história em visita técnica ao Galpão de Alegorias com o Conselho de Arte

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Foto: Michel Amazonas/Divulgação

A pouco menos de um mês para as apresentações no Festival de Parintins, o Boi Caprichoso mantém o rigor técnico para assegurar o padrão artístico já conhecido da nação azul e branca no espetáculo “Caprichoso, Brinquedo que Canta seu Chão”. Na manhã desta sexta-feira (05), o presidente Rossy Amoedo, acompanhado por membros do Conselho de Arte, realizou mais uma vistoria nos setores alegóricos do bumbá para os ajustes finais das obras que ocuparão a arena do Bumbódromo em 2026.

O objetivo do encontro semanal é assegurar que cada detalhe esteja dentro do “Padrão Caprichoso” de acabamento e estética. Durante a inspeção, o diálogo direto com os artistas de ponta foi o ponto central, permitindo que o conselho ouvisse as necessidades dos galpões e ajustasse questões logísticas e artísticas em tempo real.

Para o presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, o Boi vive um momento de transição visual importante. Segundo ele, boa parte das alegorias já superou a fase de revestimento, concentrando esforços agora na pintura e na montagem decorativa. “Atuamos diretamente com os artistas, mas respeitando a liberdade criativa para que eles possam expandir as possibilidades sobre o projeto inicial. O boi é um trabalho em rede, toda essa construção se une para fazer o Caprichoso campeão”, destaca Nakanome.

O diretor de arena, Edwan Oliveira, reforça que essa fiscalização semanal é o segredo da superioridade estética do bumbá azul e branco. Para Edwan, o contato frequente permite “afinar” a característica final de cada módulo. “Nós vamos consertando pontos, elogiando e, às vezes, até retirando excessos. É isso que faz o nosso padrão ser inigualável”, pontua.

O presidente Rossy Amoedo, que traz em seu DNA a experiência de artista alegórico, destacou que a presença da diretoria nos galpões serve para dar respostas rápidas a qualquer adversidade nesta reta final. Rossy não escondeu o entusiasmo com o que viu e assegurou que o planejamento está estritamente dentro do cronograma.

“O Caprichoso está na fase de finalização: pintura, acabamento e decoração. Compreendemos que temos o maior boi de todos os anos. Ver o galpão cheio de alegorias gigantescas e com tanta beleza nos dá a certeza de que vamos lutar pelo título com um espetáculo grandioso”, afirma o presidente.

A visita desta sexta-feira contou com a presença especial do levantador de toadas Patrick Araújo. O item 02 do bumbá fez questão de acompanhar o progresso das alegorias, reforçando a unidade entre os setores artístico e musical. Para Patrick, ver a grandiosidade do que está sendo preparado nos galpões aumenta a responsabilidade e o brilho do espetáculo que será defendido na arena.