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Grande Rio lança oficialmente a disputa de samba para o enredo ‘Sankofa Tabon’ e revela cronograma

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Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A Acadêmicos do Grande Rio deu início oficialmente ao processo de escolha do samba-enredo para o Carnaval 2027. Com o lançamento da sinopse e do regulamento, a agremiação estabeleceu que as parcerias deverão entregar suas obras no dia 24 de agosto, enquanto a grande final da disputa será realizada em 20 de setembro, quando será conhecido o samba que defenderá o enredo “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”.

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O regulamento permite a participação de compositores que também estejam inscritos em disputas de outras escolas do Grupo Especial. Cada obra poderá reunir até seis compositores, sendo proibida a participação especial, e deverá ser inédita.

Antes da entrega dos sambas, a escola promoverá dois encontros de “tira-dúvidas” entre as parcerias, o carnavalesco e a direção de carnaval: o primeiro acontece em 13 de julho, na quadra, das 19h às 21h, e o segundo em 17 de julho, no barracão, das 16h às 18h.

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As inscrições serão efetivadas em 24 de agosto mediante o pagamento de uma taxa de R$ 200 por parceria. No mesmo dia, entre 20h e 22h, também deverão ser entregues a gravação oficial do samba, 100 cópias da letra e cinco pen drives contendo o arquivo em formato MP3.

Assim como nos últimos anos, a gravação obrigatoriamente deverá ser interpretada pelo cantor oficial da escola, Ito Melodia. O regulamento também determina que apenas vozes de coro poderão participar da gravação, sendo proibida a utilização de intérpretes oficiais de outras escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Outra novidade é que a divulgação dos sambas concorrentes será feita inicialmente, de forma exclusiva, pelos canais oficiais da Grande Rio. Clipes e demais materiais produzidos pelas parcerias somente poderão ser publicados 48 horas após a divulgação oficial da escola.

Nas apresentações presenciais, as parcerias poderão utilizar até cinco microfones e três canais para instrumentos de corda. O regulamento proíbe o uso de alusivos, de cantores que sejam intérpretes oficiais de escolas do Grupo Especial, além de vedar roupas que façam referência a outras agremiações, clubes esportivos, propagandas políticas ou comerciais. Também não será permitido o uso de artefatos explosivos, pirotécnicos ou papéis picados com fitas metálicas dentro da quadra.

A direção da Grande Rio ressalta ainda que cada parceria será responsável pela conduta de seus integrantes e torcidas, inclusive nas redes sociais, podendo sofrer punições em caso de atitudes consideradas ofensivas ou desrespeitosas.

Calendário da disputa de samba da Grande Rio – Carnaval 2027
24 de agosto – Entrega dos sambas e inscrições das parcerias
08 de setembro – 1ª Eliminatória
15 de setembro – Semifinal
20 de setembro – Grande Final

Grande Rio 2027: Leia a sinopse do enredo

Grande Rio 2027: Leia a sinopse do enredo

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Foto: Divulgação/Grande Rio

SANKOFA TABON Os retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da liberdade

 Ekome feemó[1]

Eu nasci antes de mim.

Carrego o que é passado e o que ainda virá, como o próprio tempo que trama destinos em tecidos de algodão e borda as cores de cada caminho. Sou como o kente[2] em que minha mãe me embalava enquanto contava quem somos, a nobreza que carregamos e o orgulho de ter a pele que brilha como a estrela negra no céu de África.

Sou travessia e atravessamento. A história que retorna para ser reescrita. Vou nas asas de Sankofa, pois sou como ele, o pássaro dourado que caminha em frente, sempre olhando seu passado, sua raiz. Retornar a si mesmo é poder se transformar. Vou para a Costa do Ouro, ao reencontro com o mais profundo do que sou, para colher sonhos de liberdade e paz.

  1. O retorno

Das poucas lembranças da minha terra natal, guardo a memória de minha mãe dizendo que somos valiosos como o ouro que reluzia à luz do sol em nosso chão, e que a perversidade do mundo jamais seria capaz de separar nossa alma de nosso próprio lar. Ainda criança, embarquei no navio agourento que trouxe minha família ao Brasil. Cruzamos o oceano das incertezas para o desconhecido. Agora chegou a hora de enfrentar as marés para me reconhecer. Voltar à África, pisar meu chão.

Meus parentes ainda estarão lá? O que me espera do outro lado? O vento toca meu rosto e traz com ele uma ave que brilha como se fosse esculpida em ouro. Ela posa ao meu lado e diz: “é hora do retorno”. Sankofa, a ave se apresenta. Repete as histórias que minha mãe me contava sobre a riqueza, o poder e a glória dos Ashanti, a força dos tambores e dos povos que construíram o grande império e as belezas da Costa do Ouro. Diz que venho da terra onde o tempo não termina: se renova. Terra em que os símbolos Adinkra[3] guardam ensinamentos longevos, onde meus ancestrais são reis e rainhas, de onde vem a nobreza que corre no sangue de cada negro africano que chegou aqui no Brasil. Sankofa é o próprio destino, para mostrar o caminho, revelar o valor do retorno e fazer da memória uma forma de eternidade.

Embarco porque, nessa terra que também aprendi a amar, eu lutei. Participei de revoltas que sacudiram a Bahia. Jamais nos conformamos. No Levante Malê, o maior entre todos, fomos centenas nas ruas da capital, trajados de branco, armas em punho, em batalha por nossa liberdade. O poder do Império do Brasil tremeu. Temerosos de nossa força, estão nos mandando de volta.

Eles nos enviam como punição, sem saber que este retorno habita meus sonhos desde a infância. Carrego dor, mas também esperança.

Mais uma vez atravessaremos o imenso mar, o Atlântico que é negro feito nós, das águas salgadas que se confundem com os prantos indizíveis.

Somos centenas, novamente em travessia. Iorubás, hauçás, jejes, fons, nagôs. Retornados. Levamos conosco o que aprendemos nesta terra: o trabalho, a música, as crenças e os ritos nascidos do encontro entre tantas Áfricas que constituíram quem somos. Do outro lado do mar, não chegaremos de mãos vazias.

Que Xangô, orixá da Justiça, nos conduza.
Que Nyame, Deus supremo da minha terra, nos receba.
Porque quem retorna ao seu povo jamais caminha sozinho.

  1. O encontro

A Costa do Ouro brilha e, em meus olhos marejados, parece ainda mais rica do que minha mãe me dizia. Tesouro que não se mede apenas pelo ouro, pelos metais ou pelos rios que irrigam a vida e cortam esse chão onde agora pisam meus pés descalços. A maior riqueza desta terra respira e tem alma. Está na profusão de línguas que desconheço, nos rostos que me sorriem como se nunca tivéssemos nos distanciado, nas mãos que se estendem ao encontro das minhas.

Os Akan são os primeiros a nos acolher. A herança das grandes mães, a força das florestas e a fertilidade que perpetua o matriarcado. Reconheço os Ashanti por seus mantos coloridos, os mesmos que me embalavam quando bebê e que parecem caminhar antes mesmo de seus corpos, como se carregassem a memória de seu povo em cada fio. Ao lado dos Fanti, aprendemos o tempo do plantio e da colheita, e que a paciência da terra também ensina a paz entre os homens. No cair da noite, conhecemos os Ewe, povo do vodun e da dança sagrada em honra a Mawu, e os tambores falantes dos Dagomba.

Com os Gás, enfim, compreendemos o verdadeiro sentido do pertencimento. Mantse Nii Ankrah, chefe supremo desse povo dedicado ao comércio e à pesca, recebeu-nos, protegeu-nos e ofereceu a terra onde hoje habita nossa comunidade. E então, erguemos construções grandiosas, fizemos brotar água do solo árido, vestimos os trajes dos poderosos e cultivamos frutos e sementes que trouxemos do lado de lá.

Como nosso português lhes soava estranho, nossos irmãos guardaram a expressão que mais nos ouviam repetir nas feiras e nas conversas: “está bem”, “está bom”, “tá bom”. Desse entendimento nasceu um nome que atravessou toda a Costa do Ouro. Deixamos de ser apenas viajantes. Tornamo-nos um povo: os Tabons. Brasileiros em Gana, africanos retornados, o povo do Agbê.

Dabi m’beru agbê, kim be wa jo yee!
Dabi m’beru agbê, kim be wa jo eee![4]

O som dos tambores percorre cada viela de Otublohum, pois essa sexta é de celebração. Ouço o agbê soar alto: o malinwo[5] conduzindo a música, o agogô dando a textura do som, o canto da comunidade respondendo em iorubá, como aprendemos no Brasil. As mulheres ocupam o centro da roda, alimentos sagrados são oferecidos e os ritos se cumprem. É tempo de saudar Xangô.

O Orixá da Justiça nunca foi cultuado na Costa do Ouro. Fomos nós, os retornados, que o trouxemos para esta terra. Desde então, ele se faz presente em nossas festas, celebrações e despedidas. É quando Bahia e África deixam de ser duas margens e voltam a ser uma mesma memória.

A Xangô tudo devemos. Foi ele quem protegeu nossa embarcação no retorno, quem vomitou ouro à porta das nossas casas, quem atravessou o oceano na forma de uma cobra para jamais nos abandonar. Por isso, todos os anos realizamos este grande festival em sua homenagem. Em seu templo, oferecemos aguardente, nozes e dendê, evocamos nossos antepassados e buscamos a sabedoria dos mais velhos.

Nos últimos tempos, nossas preces têm sido também por proteção a essa terra, que tem sofrido grande ameaça. Os brancos avançam sobre a África, dominando nações, impondo seus modos de vida e saqueando suas riquezas. Pergunto-me se viveremos sob poder estrangeiro, como aconteceu no Brasil.

Penso em me juntar às lutas que explodem por todo esse território. Mas sei que minhas forças já se despedem de mim. Meu desejo é fazer correr o tempo para testemunhar a vitória daqueles que lutam pela Justiça. Conforta-me saber que, como ancestral, verei, pelos olhos de meus filhos e netos, o sonho do povo do ouro acontecer.

III. O sonho

E que sonho é este, que me une a este povo que também é meu, que também eu sou? O pássaro do retorno, que jamais me abandonou e segue ao meu lado neste momento de despedida, novamente me abraça, aponta para o futuro e revela o destino que aguarda nossa gente. Me mostra os sonhos bons que irão se realizar.

O sonho de “um povo livre e independente”. De uma nação “livre para sempre”[6].

Vejo, enquanto meus olhos lentamente se fecham, um povo que não cessa de lutar para destruir o fardo dos dominadores e construir seu próprio caminho. Um povo marcado por traumas que atravessam gerações, mas que são incapazes de apagar sua história, a beleza de sua cultura e a grandeza criadora do tambor.

O sonho pan-africano, pois “nossa independência não tem sentido a menos que esteja ligada à libertação total da África”6.

A estrela para a qual Sankofa agora me conduz, com a mesma asa que um dia, na Bahia, apontou o mar, é negra como aquela que habitava as memórias de minha mãe. Brilha sobre todo o continente, do norte ao sul, do oriente ao ocidente, unindo povos, línguas e territórios. É estrela e é bússola. Espelho da riqueza, do poder e da grandeza dos impérios da nossa costa do ouro e de tantas outras civilizações africanas. Um símbolo do que podemos ser, caso estejamos unidos, mesmo em nossas diferenças, lembrando que nossa raíz é a mesma, resistente, que se estende por essa terra, cresce como tronco forte e floresce como a liberdade.

Meu coração está leve, meu espírito em paz diante do que Sankofa me revela. Chegará o tempo da reparação. O que nos foi roubado será restituído, não pela bondade dos opressores, mas pela força de nossas ideias, de nossa memória e de nossa luta. Haverá um dia em que o mundo reconhecerá ter sido este o maior crime da história da humanidade. E então viveremos…

O sonho do dia em que, vencidas todas as batalhas e restituída a dignidade que o colonialismo tentou destruir, se fará ouvir por toda a África, e por todos os povos do mundo:

“Despertamos. Não vamos mais dormir. Hoje, a partir de agora, existe um novo africano no mundo!”6

Carnavalesco: Antônio Gonzaga
Pesquisa e texto: Jader Moraes e Antônio Gonzaga

[1] Saudação que abre as reuniões e ritos Tabon. Significa: “Estejamos reunidos”

[2] Tecido tradicional da cultura ganesa

[3] Ideogramas do povo Akan, com pensamentos, sabedorias e provérbios populares

[4] Traditional Tabon song, freely translated as: “We have begun the Agbê dance. Yes, we invite everyone to come and dance the Agbe

[5] A traditional drum of the Agbe

[6] Excerpts from Ghana’s historic Independence Speech, delivered by Kwame Nkrumah on March 6, 1957

Referências:

Textos

Amakye-Boateng, Benjamin. Music of the Tabom: An Emblem of Identity. Humanities, v. 8, n. 2, art. 95, 2019.

AMOS, Alcione Meira. Os que voltaram: a história dos retornados afrobrasileiros na África Ocidental no século XIX. Belo Horizonte: Ed. Tradição Planalto, 2007

Fonseca, Carlos. Os retornados: a história dos ex-escravizados que deixaram o Brasil e formaram comunidades afro-brasileiras no golfo do Benim. Rio de Janeiro: Record, 2024.

Lima e Souza, Mônica. Entre margens: o retorno à África de libertos no Brasil. 1830-1870. Rio de Janeiro: UFF, 2008. (tese de doutorado)

Ogot, Bethwell Allan (ed.). História geral da África, V. Brasília: UNESCO, Instituto Humanize, 2021

Schaumloeffel, Marco Aurelio. Tabom: a comunidade afro-brasileira do Gana. São Paulo: Geração Editorial, 2008.

Audiovisual

Tabom na Bahia (Documentário | Disponível no Youtube)

Ghana’s Independence Day Speech by Dr. Kwame Nkrumah (Discurso | Disponível no Youtube)

Quem são os retornados? O Brasil que renasceu em Gana (Brasil de Fato | Disponível no Youtube)

Agradecimentos

A Grande Rio agradece, de forma especial, à Embaixada do Brasil em Gana e a todas as pessoas que nos receberam em Accra, durante visita realizada em junho de 2026:

Excelentíssima Senhora Mariana Gonçalves Madeira, Embaixadora do Brasil em Gana
Excelentíssimo Senhor Nii Amasah Namoale, Embaixador de Gana no Brasil
Ministério do Turismo, da Cultura e das Artes Criativa de Gana
Heather Mamuna Nelson
Nii Aruna III (Tabon Weku Onukpa )
Alhaji Mustapha Ankrah
Nii Quao Ribeiro I (Tabon Nifahene)
Mr. Adamu Morton
Bishop Michael Boateng Fiscian
Rev Fr Dr Edward Nelson
Mr. Stephen Dodoo Ofei (Dodoo Nsakie Weku Onukpa)
Mr. Dan Agudey

 

Marcelinho Calil revela bastidores da escolha de Bellinha Delfim: ‘A escola fez justiça’

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Foto: Divulgação/Setor Sul Podcast

A escolha de Bellinha Delfim como nova rainha de bateria da Viradouro foi tema da participação do presidente da escola, Marcelinho Calil, no podcast “Setor Sul”, na última segunda-feira. O dirigente afirmou que a nomeação representa o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de quase dez anos na agremiação e revelou que a comunidade já cobrava há bastante tempo a promoção da sambista ao posto máximo à frente da bateria. Segundo Calil, a repercussão nas redes sociais e os constantes pedidos dos torcedores demonstravam que Bellinha era o nome natural para suceder Juliana Paes, que deixou o cargo após o Carnaval de 2026.

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“Não aguentava mais. Era uma chuva de comentários nas redes sociais. Mérito. Ela chega na escola há 9/10 anos, passa pela ala de passistas, musas e rainha de bateria. A escola fez justiça para quem vinha tendo destaque espetacular. Tem todos os predicados para ocupar aquele cargo. Samba demais e esquenta pista. É uma decisão da escola toda. Não havia dúvida que ela era o caminho na saída da Juliana. Ela está pronta para ter essa chance. Tenho certeza que ela vai botar pra f… na Avenida, porque esperou muito essa chance. Ela está com a faca e o queijo na mão”, disse Calil.

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O presidente ressaltou que a decisão não foi individual, mas sim um consenso dentro da escola. Para ele, Bellinha reúne todas as características necessárias para representar a Viradouro à frente da bateria, destacando seu desempenho na dança, sua identificação com a comunidade e o longo período de dedicação à agremiação.

Ao afirmar que “a escola fez justiça”, Calil reforçou que a promoção foi fruto do reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por Bellinha ao longo dos últimos carnavais. Antes de assumir o posto de rainha, ela construiu sua trajetória passando pela ala de passistas e pelo posto de musa, consolidando-se como um dos principais nomes da vermelho e branco.

Agora, Bellinha Delfim terá a missão estar à frente da bateria “Furacão Vermelho e Branco” no Carnaval de 2027, sucedendo Juliana Paes, que marcou época durante sua passagem pelo cargo. A expectativa da diretoria é de que a nova rainha mantenha o alto nível das apresentações e fortaleça ainda mais a ligação entre a bateria e a comunidade de Niterói.

Liesa inicia construção do julgamento do Carnaval 2027 após série de encontros com jurados e escolas

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Foto: Divulgação/Liesa

No início do mês passado, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) promoveu uma série de simpósios voltados ao aprimoramento do processo de julgamento dos desfiles do Grupo Especial. Os encontros reuniram os julgadores que atuaram no Carnaval 2026 e representantes das escolas de samba para discutir propostas de atualização do Manual do Julgador, além de buscar maior clareza nos critérios de avaliação para os próximos carnavais.

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Os debates envolveram todos os quesitos avaliados na Marquês de Sapucaí: Alegorias e Adereços, Bateria, Comissão de Frente, Enredo, Evolução, Fantasias, Harmonia, Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Samba-Enredo. O objetivo foi promover uma troca de experiências entre quem avalia os desfiles e os profissionais responsáveis por construir o espetáculo, alinhando interpretações e aperfeiçoando os instrumentos que orientam o julgamento.

Julgador do quesito Samba-Enredo desde 2022, Alessandro Ventura destacou a importância da iniciativa para fortalecer a transparência e a evolução do carnaval.

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“A realização desse encontro é uma iniciativa muito acertada. É uma oportunidade de troca entre julgadores e representantes das escolas, sempre com o objetivo de aperfeiçoar o nosso trabalho e contribuir para a evolução do Carnaval. No caso do samba-enredo, esse diálogo amplia o entendimento sobre os critérios e fortalece ainda mais a grandiosidade da festa. Quando há espaço para ouvir, discutir e aprimorar, todos ganham: os profissionais envolvidos, as escolas e o espetáculo como um todo.”

O presidente da Viradouro, Marcelinho Calil, também ressaltou que os encontros representam um importante avanço na construção de um julgamento cada vez mais transparente.

“É uma oportunidade valiosa de troca. Não estamos falando de notas ou de resultados específicos, mas de compreender métodos, critérios e interpretações que ajudam a construir um julgamento cada vez mais transparente. Com a experiência do último Carnaval ainda muito presente, conseguimos discutir de forma produtiva os caminhos para o aprimoramento do processo. Esse diálogo permite que as escolas entendam com mais clareza os critérios de avaliação e também oferece aos julgadores um espaço para aprofundar explicações que, naturalmente, são mais limitadas durante o período dos desfiles. É um encontro que engrandece o Carnaval e contribui para a evolução de todos os envolvidos”.

Segundo o presidente da Liesa, Gabriel David, os simpósios representam o primeiro passo na construção das diretrizes que irão nortear o julgamento do Carnaval 2027.

“Agora iniciamos um novo ciclo de trabalho. A coordenação de julgadores elaborou uma série de propostas que serão debatidas nas próximas plenárias, mas esse é um processo aberto à participação das escolas, dos dirigentes e dos profissionais do Carnaval. Todas as sugestões relacionadas ao Manual do Julgador e ao regulamento serão discutidas de forma democrática, buscando sempre o aperfeiçoamento do sistema e a evolução permanente da nossa competição.”

As contribuições apresentadas durante os encontros serão analisadas pela Liesa e poderão integrar futuras discussões nas plenárias da entidade, que definirão possíveis atualizações no Manual do Julgador e no regulamento dos desfiles do Grupo Especial para o Carnaval 2027.

Com orgulho da Vila Vintém, novo casal da UPM assume missão de devolver a escola ao Grupo Especial

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Fotos: Ana Beatriz Campelo/CARNAVALESCO

A Unidos de Padre Miguel convocou sua comunidade da Vila Vintém para prestigiar a tradicional Feijoada da UPM no último mês de junho. O dia de festa na quadra recepcionou a coirmã e atual campeã do Grupo Especial, Viradouro, e celebrou a apresentação oficial da equipe do Boi Vermelho para o Carnaval 2027. Entre os destaques está o novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Yuri Souza e Isabella Moura. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a dupla compartilhou a emoção de defender o pavilhão da vermelha e branca de Padre Miguel.

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“Para a gente, é uma responsabilidade e emoção enormes. É saber que tem uma comunidade gigante, que é a Vila Vintém, sendo representada por duas pessoas com muito respeito e empenho em traçar esse novo desafio”, comentou Isabella Moura.

“A gente está dando continuidade ao legado de mestre-salas e porta-bandeiras que já passaram por essa agremiação. Sou muito fã de todos que passaram por aqui. É uma responsabilidade e um comprometimento muito grandes. Estamos muito felizes com a oportunidade que nos foi dada e vamos honrar, com muito amor e carinho, essa comunidade. A Vila Vintém merece”, completou Yuri Souza.

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A rotina de ensaios do casal está a todo vapor já neste início de temporada, sob a coordenação da coreógrafa Vânia Reis, que segue à frente do cargo na agremiação.

“A gente começou bem cedinho. Assim que fechamos a parceria, demos início ao trabalho com a nossa coreógrafa, Vânia Reis. Logo depois, fechamos com o nosso personal trainer, que toma conta de todos os nossos treinos e monta as nossas rotinas de ensaios”, contou Isabella. “A Vânia e o Rafael são quem vão, se Deus quiser, nos segurar até o desfile”, brincou.

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Enquanto não chega o samba que irá contar o próximo carnaval da UPM na Avenida, com o enredo “Yèyé Omó Ejá – A Coroação das Rainhas das Águas”, o casal tem buscado aperfeiçoar alguns detalhes da dança e a sincronia entre si.

“É um casal novo, uma parceria nova. Temos que nos conectar, mas, graças a Deus, eu e a Isa nos conhecemos há muito tempo. A gente também já dança há muito tempo, então a conexão foi bem rápida. Foram apenas alguns ajustes para que a gente conseguisse executar a nossa dança e o nosso tradicional. Ainda não saiu o samba oficial, mas, assim que estiver pronto, vamos mostrar um trabalho magnífico, com uma coreografia magnífica, porque a gente está com um jeito de trabalhar”, prometeu o mestre-sala.

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Durante a conversa, a porta-bandeira teceu elogios à elegância do mestre-sala: “É a marca que o Yuri vende há muito tempo: é o porte e a imponência dele, no bom sentido. A elegância, para mim, é a marca do Yuri”.

Ele também aproveitou para cumprimentar o bailado da companheira: “Digo o mesmo para a Isabella. Ela é uma porta-bandeira de quem todo mundo fala. A Isa tem a questão da elegância, da postura. Acho que, além da dança, temos que ter essas características nossas”.

Nos últimos anos, a UPM acumula uma série de boas posições na Série Ouro. Em 2025, desfilou pela primeira vez na nova configuração do Grupo Especial do carnaval carioca, com o emblemático enredo “Egbé Iyá Nassô”, emocionando a Sapucaí com a força matriarcal do primeiro terreiro de Candomblé do Brasil.

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O rebaixamento da agremiação para o acesso no mesmo ano provocou reações na comunidade carnavalesca. Mas a sede de reconquistar seu lugar na elite continua e, segundo Isabella, “a responsabilidade de defender o primeiro pavilhão da UPM é dobrada”.

“Com todo o respeito às coirmãs, a gente faz um carnaval diferenciado. É uma escola que tem uma sede de vencer, de estar, de pertencer e, se Deus quiser, os anjos vão dizer ‘amém’ novamente. 2027 será lindo e sonhamos com o Grupo Especial para 2028”, disse.

“É uma comunidade que tem sede de vencer. Fomos injustiçados em 2025, mas, ano que vem, vamos fazer um trabalho lindo e, com certeza, rumo ao Grupo Especial, sem dúvidas”, finalizou Yuri.

Arraiá da Portela terá entrada gratuita no sábado

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Foto; Divulgação/Gipe Produção

A quadra da Portela entra em clima de festa junina neste sábado com uma programação gratuita para toda a família. A partir das 14h, o Arraiá da Portela reunirá atrações musicais, quadrilhas, passistas e comidas típicas na Rua Clara Nunes, 81, em Oswaldo Cruz. O acesso será feito mediante retirada de cortesia digital pela plataforma Meu Bilhete, no link https://www.meubilhete.com.br/arraia-da-portela. O evento tem classificação livre.

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Entre as atrações musicais estão o Trio Bambucado, com repertório de pé de serra, e o cantor Tiago Souza, que levará sucessos do sertanejo para o público. A programação também conta com apresentações dos alunos do Departamento de Cidadania da Portela, dos passistas e das quadrilhas juninas Pá Fincado e Renascer.

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Importante reforçar: Mesmo com gratuidade, a retirada da cortesia digital é obrigatória para acesso ao evento.

Serviço
Evento: Arraiá da Portela
Data: sábado (11/07)
Horário: a partir das 14h
Endereço: Rua Clara Nunes, 81, Oswaldo Cruz – Rio de Janeiro
Entrada: Gratuita, classificação livre.
Ingressos: https://www.meubilhete.com.br/arraia-da-portela

Neguinho da Beija-Flor relembra trajetória histórica e faz forte defesa dos profissionais do carnaval

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Fotos: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A carreira de Neguinho da Beija-Flor com 50 anos de avenida é recheada de quinze títulos e muitos sambas memoráveis. Uma voz que, mesmo longe da Sapucaí, segue ecoando na memória e no imaginário dos amantes do carnaval. Essa brilhante trajetória foi lembrada na última sexta-feira, na roda de conversa dos intérpretes de sambas-enredo, realizada no auditório da Biblioteca Parque Estadual do Rio de Janeiro. O evento, que recebeu o nome do cantor, teve sua primeira edição e contou com a presença de intérpretes e personalidades do carnaval discutindo temas como a profissionalização dos intérpretes e revisitando momentos da carreira do astro de Nilópolis.

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A mesa debatedora contou com a mediação do jornalista e compositor João Carlos Barreto, do compositor e presidente da Filhos da Águia, Celsinho de Andrade, também filho do ex-intérprete da Portela Avelino de Andrade, do intérprete Eraldo Caê, auxiliar de Jamelão por 25 anos na Mangueira, e de Juan Reis, jovem cantor, intérprete oficial da Mocidade Independente de Inhaúma e integrante da equipe de cantores da Portela e do Arranco do Engenho de Dentro, além do homenageado do dia. A celebração se iniciou com a exibição de vídeos mostrando vários momentos da carreira do intérprete e depoimentos de figuras ilustres da Beija-Flor, sua amada escola, como Selminha Sorriso, o presidente Almir Reis e Gilson Bacana, companheiro de carro de som por mais de três décadas. Na sequência, iniciou-se o debate, citando a longeva carreira do cantor multicampeão e como ele se tornou um nome tão marcante num universo traiçoeiro que é o carnaval, onde inúmeros nomes que fizeram tanto por suas escolas terminam esquecidos.

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O reverenciado da tarde lembrou da sua chegada ao universo das escolas de samba e de já levar uma então emergente Beija-Flor ao seu primeiro campeonato. “Quando era garoto, ouvia um Jamelão, um Silvinho da Portela e queria ser como eles. Aí, de repente, estava lá com eles nos eventos, só agradecia a Deus. Nunca imaginei que eu criaria coisas para o Carnaval, que viveria fatos tão marcantes como criar o grito de guerra para minha escola, proporcionar a ela o primeiro campeonato, que quebrou o tabu das quatro grandes. Jamais imaginei que o Neguinho da Vala chegaria tão longe”, disse Neguinho, que também lembrou um fato que o incomodou em relação à desvalorização do artista do carnaval. “Numa ocasião fui fazer um show numa cidade da Itália chamada Rimini. Aí tinha um cartaz anunciando Gilberto Gil, o rei do samba. Ali eu comecei a brigar pelos sambistas e pelo samba, pois Gilberto Gil é um grande artista, mas não do samba. Rei do samba era Jamelão, Martinho da Vila. Hoje o sambista recebe muito convite para ir lá para fora e tenho orgulho de dizer que fui um dos que deram o pontapé inicial nessa história”.

O artista bateu na tecla da importância da valorização dos profissionais do carnaval na questão financeira e dos cantores em relação aos demais gêneros musicais, incluindo o próprio samba fora da folia. “A diferença de remuneração de um cantor normal de samba, que tenha uma carreira fora do carnaval, para um intérprete é simplesmente 100 vezes maior. O intérprete de escola de samba é o menos valorizado. Não é possível uma escola de samba do Grupo Especial hoje não fazer o que o Anísio fez comigo. Ele deveria ser um exemplo para os demais, para que o intérprete de samba-enredo não fique tão distante de qualquer outro cantor de samba ou dos demais gêneros. E que as escolas façam mais pelos seus num todo, pelo mestre-sala, porta-bandeira, pelas baianas, pelos componentes em geral. Hoje as escolas têm dinheiro, faturamento maravilhoso e, muitas vezes, têm 3.000, 4.000 pessoas trabalhando para essas escolas de graça. Está na hora de valorizar os seus segmentos”, afirmou.

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João Carlos Barreto citou exemplos de esquecimento que ele presenciou em sua longa trajetória. “Guardo no coração a lembrança de um grande amigo, um irmão, era da Vila Isabel e, no seu funeral, não tinha um representante da escola, nem a bandeira estava lá. No velório do grande Jorge Tropical, eterno intérprete da Vila, a única pessoa que esteve lá foi o Dedé Aguiar, do cavaco, mais ninguém. Sem este passado não existe presente, então que as pessoas que comandam o samba não esqueçam dos grandes sambistas”, ressaltou.

Celsinho de Andrade contou um pouco sobre a história do seu pai, conhecido como o “Crooner de Ouro” da Portela, e lembrou da fidelidade de Neguinho da Beija-Flor à escola de Nilópolis, algo que classificou como extinto nos dias atuais. “Antigamente você tinha isso, o que o Neguinho fez na Beija-Flor, começar e terminar na mesma escola, meu pai fez isso. Hoje não se vê mais. Ganhei sambas como compositor na Portela e não quis competir em outras escolas, pois meu amor estava em Madureira. Meu pai me ensinou essa fidelidade, que hoje é bem difícil de ver. Tudo ficou tão profissional que hoje esquecemos das pessoas que fizeram por amor lá atrás. O Neguinho, daqui a 50 anos, será lembrado, mas lembrarão do Eraldo Caê? Do meu pai, meia dúzia da velha guarda lembra. Meu legado hoje na Filhos da Águia é passar a história desses grandes nomes para a nova geração”, declarou.

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Contemporâneo de Neguinho da Beija-Flor em boa parte da sua carreira, Eraldo Caê falou da sua convivência com Jamelão e dividiu uma história com o mestre. “O Jamelão tinha um preparado para ele tomar antes do desfile. Em 98, ano do título com o enredo do Chico Buarque, acho que ele esqueceu, só pegou a garrafa quase na hora do desfile começar, me ofereceu e eu tomei um gole só, ele tomou metade daquela garrafa. Cantamos muito e eu, com um gole, esquecia até que tinha um lenço guardado no bolso para secar meu suor. Acabou o desfile, fomos para o camarote e o Jamelão tomou dois copos grandes, cheios de uma bebida que só ele e o garçom sabem qual era. Sei que, quando ele terminou de beber, dormiu em pé durante as duas escolas seguintes. Essa era a preparação do Jamelão”, contou Eraldo, aos risos.

Juan Reis, caçula da mesa e representante da nova geração de puxadores de samba-enredo, lembrou do seu início e de sua maior referência. “Meu primeiro ano como componente na Portela, vi o Gilsinho cantar e, na hora, falei que queria aquilo para a minha vida, queria ser intérprete de samba-enredo. A paixão surgiu, comecei a estudar sobre e as oportunidades foram surgindo. E o Gilsinho se tornou um mestre, meu grande ídolo. Hoje faço parte de uma nova geração bastante talentosa, chegando para honrar o legado dos grandes mestres. Recentemente fui anunciado como integrante do departamento musical da Portela, um sonho realizado. Só tenho a agradecer pela confiança depositada por Nilce Fran e Junior Escafura e honrar com meu trabalho”, afirmou Juan.

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O evento foi organizado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, que tem fomentado uma série de debates e seminários sobre a festa popular. Sérgio Firmino, assessor especial da pasta, declarou que novos eventos estão sendo pensados para o calendário. “A partir deste momento, o que nós instituímos? Toda vez que tivermos uma roda de conversa em âmbito estadual, ela terá que se chamar Roda Neguinho da Beija-Flor, assim como o seminário realizado no dia 23 de janeiro, aniversário da Maria Augusta. Qualquer seminário de carnavalescos será o Seminário Maria Augusta, e por aí vai. Assim vamos criando uma efeméride anual. No próximo dia 27 vamos homenagear Nelson Sargento. Em 20 de agosto deveremos ter um debate sobre a diversidade sexual e de gênero no carnaval, sempre discutindo temas, melhorias. Não adianta só homenagear e bater palmas, aqui é um lugar aberto para discutirmos estes temas sem retaliação”, disse Sérgio.

A roda de conversa foi encerrada com Neguinho cantando “A Voz do Morro”, o clássico de Zé Keti. Poucas pessoas podem falar “eu sou o samba” com tanta propriedade quanto Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o Neguinho da Beija-Flor.

Vai-Vai quer virar a chave: escola aposta em evento inédito para embalar o Carnaval 2027

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O mês de julho de 2026 promete ser intenso para o Vai-Vai. Maior campeã do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Escola do Povo realizou, pela primeira vez na história, um Pré-Esquenta, para começar a unir a comunidade já no início do segundo semestre. Em um misto de ensaio geral com show, a agremiação realizou o evento no Carioca Club, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, no último sábado. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO esteve presente no local para conferir o Pré-Esquenta e conversar com nomes importantes do Vai-Vai.

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Inovação para a comunidade

A expressão Pré-Esquenta pode soar estranha para muitos, mas, na prática, a reportagem conferiu que funciona. Dentro do planejamento do Vai-Vai para 2027, a Saracura não pode deixar a peteca cair no ânimo. Quem afirmou é Paulo Mello, presidente da agremiação: “A ideia de fazer um Pré-Esquenta surgiu para que a gente pudesse iniciar um esquenta, já com um pré-ensaio. A gente já tem mais ou menos a data, já para o mês de julho, para fazer um Esquenta de fato, a gente só está aguardando a final da Copa do Mundo. A comunidade do Vai-Vai é aquecida, o Carnaval não para nunca para a gente. Terminou o carnaval, a Fábrica do Samba já está a todo vapor, o enredo… a gente já construiu a questão do enredo e a comunidade está sentindo falta desses ensaios. A gente está fazendo esse Pré-Esquenta para iniciar os nossos ensaios, e, daí para frente, seguir no ritmo rumo ao carnaval”, destacou, indicando que virão mais eventos por aí.

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Do povo e da rua

Tida como a escola não-desportiva que tem a maior torcida do Carnaval de São Paulo, o Vai-Vai se orgulha da força da própria comunidade. Um dos reflexos disso é o canto da agremiação, de acordo com Mello: “A comunidade do Vai-Vai é uma comunidade que já está acostumada em ter muitos eventos ao longo do ano. Essa comunidade é mais aquecida na rua, é aquecida na quadra… a gente aproveita os ensaios de quadra para fazer ensaios de canto, também. Como a gente não tem uma quadra ainda, o Vai-Vai não conseguiu ainda um espaço para chamar de quadra, a gente costuma fazer e intensificar os ensaios de rua. E é isso que a gente propõe nesse ano – principalmente porque gente já está no carnaval em janeiro, praticamente. Já nesse mês tem que estar tudo pronto. A proposta é ir para a rua: a gente tem um planejamento de ensaio de rua e a gente fortalece muito o ensaio de rua na Bela Vista também, que é a nossa casa, a nossa raiz, a nossa essência”, pontuando que a agremiação está organizada para o próximo ciclo.

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Guardiões de nota

Em entrevista, a gestão deixou claro o quanto investirá em eventos para o próximo ciclo carnavalesco. E para quem defende um segmento? A reportagem conversou com Luiz Felipe, popularmente conhecido como LF, intérprete do Vai-Vai, que gostou do que viu no Carioca Club: “O Vai-Vai é uma escola que não fazia muitos eventos de meio de ano, mas está vendo o mundo do Carnaval fazer. Principalmente em São Paulo, acaba um Carnaval e já se começa o próximo. Hoje, o povo só espera até a Páscoa, respeitosamente, para tocar os projetos. O Vai-Vai já vem se adiantando juntamente com as demais escolas e isso é muito bom. Vai se afunilando e já vai se aproximando, se agrupando, se unindo em busca de um próximo Carnaval. Carnaval esse em que queremos um resultado bom para tirar essa corda do pescoço”, disse.

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A referência final na fala do intérprete foram os últimos resultados da agremiação: em 2026, o Vai-Vai ficou apenas uma posição acima da zona de rebaixamento do Grupo Especial com o desfile de “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heróico no Apogeu da Vedete da Paulicéia”.

Para a voz do Vai-Vai, reunir os alvinegros já em julho é importante para que todos se alinhem e aliem rapidamente e tenham entrosamento cada vez mais cedo: “Eventos como esse ajudam quem defende nota por conta da reunião da comunidade – e, no nosso caso, a nossa é maravilhosa. É a nota que a gente traz juntamente com a comunidade, a Harmonia, a Bateria. O Vai-Vai é uma comunidade que é muito fácil de se trabalhar. Hoje é para começar e, daqui até o dia 05 de fevereiro, tudo vai ser maravilhoso”, finalizou.

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Detalhes

O evento começou com o Encontro da Ala de Compositores com a Velha Guarda Musical, em mesas dispostas bem no centro do Carioca Club, no qual todos cantavam sambas clássicos. Com a comunidade já aquecida, a Pegada de Macaco (bateria da escola) se organizou e fez o esquenta antes de tocar sambas-exaltação alvinegros.

Na ocasião, diversos sambas-enredo foram relembrados: “Orun Aiyê – O Eterno Amanhecer” (1982”, “Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira” (1988), “A Rainha, a Noite tudo transforma” (1996), “Eu Também Sou Imortal” (2005, reeditado em 2023) e “Je Suis Vai-Vai – Bem-vindos à França” (2016) foram apenas alguns deles – em alguns momentos, orgulhando-se da discografia da agremiação, Luiz Felipe destacava que a escola cantava apenas sambas-enredo próprios.

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Enquanto a ala musical e a bateria faziam seu trabalho, chamou atenção a disposição dos presentes. Tal qual um ensaio de quadra, todos andavam em círculos, cantando e evoluindo. Chamou atenção, também, o papel das passistas e dos malandros: eles começaram o evento no chão, tal qual uma ala – mas, depois, foram para o palco, alternando momentos com as passistas show da ala Samba Saracura. Murilo Campos e Mirelly Nunes, que conduziam o primeiro pavilhão do Vai-Vai, faziam o mesmo.

Após a realização de todas as atividades da escola, o evento contou com um show de encerramento da banda Art Popular, que agitaram os presentes.

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Estreante na Dom Bosco, intérprete Rodrigo Atração revela vontade de fazer história na escola

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Rodrigo Atração será o responsável por conduzir a ala musical da Dom Bosco de Itaquera no Carnaval 2027, substituindo Rodrigo Xará. Recentemente, o intérprete deixou a Imperador do Ipiranga, onde teve uma longa passagem. No último Carnaval, integrou o carro de som da Barroca Zona Sul, sob comando de Dodô Ananias e Rafael Tinguinha. Com trajetória consolidada no samba, Atração é um intérprete conhecido por diferentes atuações como apoio e cantor oficial em diversas agremiações. Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi a parceria com Chitão Martins na Colorado do Brás. Agora, ele assume a responsabilidade de interpretar o enredo “O Auto do Boi”, da Dom Bosco de Itaquera, para o desfile do próximo ano. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Rodrigo Atração demonstrou empolgação com o novo desafio.

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Motivado em Itaquera

Animado com o novo desafio, Rodrigo Atração demonstra entusiasmo com a nova fase e afirma estar confiante em realizar um dos maiores desfiles da história da entidade de Itaquera. “Estou muito motivado e feliz com essa oportunidade. Se Deus permitir, vamos realizar um grande trabalho. A responsabilidade está conosco, para que possamos fazer um dos melhores carnavais, ou talvez o melhor da história da escola”, disse.

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Substituindo uma voz identificada

O cantor fez questão de elogiar o ex-intérprete da Dom Bosco, Rodrigo Xará, que marcou época na escola e construiu uma forte identificação com a comunidade, sendo responsável pela criação do grito “Vai pensando que a gente só reza”. Atração destacou a dimensão do desafio e a responsabilidade da nova fase. “Substituir o Rodrigo Xará é uma responsabilidade muito grande. Ele é um grande intérprete, não por acaso foi premiado. Realizou um excelente trabalho, com uma ala musical maravilhosa e grandes cantores. O grito de guerra virou um verdadeiro mantra da escola e vai permanecer. Por aqui, nada muda: ‘E vai pensando que a gente só reza’. Vamos fazer um trabalho muito bacana”, declarou.

Recepção animada

Ao falar sobre o início na escola, Rodrigo destacou a receptividade da comunidade. “A comunidade tem me recebido de forma muito acolhedora. Só tenho a agradecer às baianas e a toda a diretoria. Tem sido um início de parceria muito positivo. Tenho sentido o calor da comunidade de Itaquera e espero que seja apenas o começo de uma trajetória ainda melhor. Assim como o Rodrigo Xará, também quero escrever a minha história dentro da Dom Bosco”, afirmou.

Aguardando um grande samba para 2027

Por fim, o intérprete exaltou o samba-enredo do Carnaval 2026, que foi bem visto pelo público do carnaval. Para o próximo desfile, a Dom Bosco terá como tema o “Auto do Boi”, e Rodrigo Atração demonstrou confiança em um grande resultado da obra. “A expectativa é muito alta, porque já vem com o ‘Mariama’ um grande samba, uma obra muito melodiosa e poética. A gente espera que o ‘Auto do Boi’ não decepcione, e tenho certeza de que não vai decepcionar”, completou.

União de Maricá aposta em Darcy Ribeiro para fazer história na estreia no Grupo Especial

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Foto: Divulgação/União de Maricá

A União de Maricá revelou os detalhes do enredo que marcará sua estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro em 2027. A escola abrirá os desfiles da Marquês de Sapucaí no domingo, 7 de fevereiro, com uma homenagem ao antropólogo, educador, escritor, indigenista e homem público Darcy Ribeiro, apresentando na Avenida o ideal de um Brasil mais justo, democrático e consciente de sua própria identidade.

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A proposta da agremiação é revisitar a trajetória de Darcy Ribeiro a partir do sonho de país que norteou toda a sua vida. O desfile mostrará como cada etapa de sua caminhada contribuiu para a construção dessa utopia brasileira, tendo como fio condutor uma metáfora utilizada pelo próprio homenageado. Darcy costumava dizer que se parecia com as cobras por possuir muitas peles, imagem que inspirará a narrativa desenvolvida pela escola.

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A apresentação percorrerá as diferentes facetas do intelectual: o menino de Montes Claros (MG), que sonhava ser Imperador do Brasil durante a Festa do Divino; o antropólogo dedicado à defesa dos povos originários; o educador que via a escola como instrumento de transformação social; e o homem público responsável por iniciativas marcantes, como a criação dos CIEPs e a idealização do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

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O carnavalesco Edson Pereira destacou que o enredo busca valorizar não apenas a trajetória de Darcy Ribeiro, mas também seu pensamento sobre o Brasil.

“Esse enredo fala do sonho de um brasileiro múltiplo, de um homem que dedicou sua vida à educação, à cultura e ao povo. Darcy Ribeiro sonhava com um Brasil real, ainda inacabado, mas que valorizasse sua gente, sua história e sua identidade. Enxergar Darcy pelo olhar de quem estudou profundamente o povo brasileiro vai muito além de desenvolver um enredo. É valorizar um grande pensador, um artista da educação, alguém que cuidava do nosso povo e acreditava, acima de tudo, na construção de um futuro melhor para o Brasil”, afirmou.

Outro aspecto importante da narrativa será a ligação entre Darcy Ribeiro e Maricá. Foi na cidade fluminense que o intelectual concluiu O Povo Brasileiro, considerada a síntese de décadas de estudos sobre a formação do país. Essa relação reforça o simbolismo da homenagem promovida pela escola justamente em sua estreia na elite do carnaval carioca.

O enredista Mauro Cordeiro explicou que o conceito de “Utopia Brasil” sintetiza a proposta do desfile. “Darcy Ribeiro foi um grande brasileiro e a União de Maricá contará a sua história na Avenida a partir da ideia de ‘Utopia Brasil’, que representa a forma como ele interpretou, estudou e lutou pela construção de um país mais justo, democrático e igualitário. Esse é o fio condutor da nossa narrativa e também de toda a trajetória de Darcy. Ele foi um homem plural, que abraçou diferentes causas e dedicou sua vida à construção de um Brasil melhor. Não está circunscrito a uma única bandeira, mas às muitas frentes em que atuou e às diferentes ‘peles’ que vestiu ao longo da vida. É essa riqueza que pretendemos levar para a Avenida no nosso carnaval”, explicou.

Responsável por abrir os desfiles do Grupo Especial em 2027, a União de Maricá promete levar à Marquês de Sapucaí um desfile que une educação, cultura, identidade nacional e a trajetória de um dos maiores pensadores da história do Brasil, transformando a vida e o legado de Darcy Ribeiro em uma celebração da esperança e da construção de um futuro melhor para o país.