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‘Se mantivermos o mesmo nível na avenida, disputaremos o título com força’, diz Almir Reis, presidente da Beija-Flor

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Com ensaios elogiados, enredo emocional e a despedida do intérprete Neguinho da Beija-Flor após 50 anos de Sapucaí, a Beija-Flor de Nilópolis chega ao Carnaval 2024 com a ambição de reconquistar o título. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente da escola, Almir Reis, detalha os preparativos, reflete sobre a pressão por vitórias, revela bastidores da homenagem ao histórico carnavalesco Laíla e defende a gestão do presidente da Liesa, Gabriel David. “Estamos prontos para mostrar que a Beija-Flor ainda é gigante”, afirma.

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Como avalia o pré-carnaval da Beija-Flor até aqui?

“Quando idealizei o enredo, tive uma reunião com Anísio e Gabriel, que abraçaram o projeto. No início, questionei a aceitação do público, mas priorizei minha comunidade, especialmente após o 8º lugar em 2023. Assumi a responsabilidade pelos erros passados e hoje me sinto realizado. Não sabemos o resultado final, mas até aqui, superamos expectativas”.

Os ensaios foram considerados os melhores em uma década, comparados à era Laíla. Isso motivou a escola?

“Sem dúvida. A receptividade da comunidade confirmou que estamos no caminho certo. Aprendemos com Laíla e Anísio que a comunidade é o coração da agremiação. Se mantivermos o mesmo nível na avenida, disputaremos o título com força”.

Há cobrança interna pelo título? Como lida com a pressão externa, especialmente nas redes sociais?

“Anísio e Gabriel não me cobram porque conhecem meu trabalho. Durmo na escola, vivo o samba. Quanto às críticas, ignoro. Redes sociais são tóxicas: pessoas falam o que não diriam pessoalmente. Foco em fazer um Carnaval à altura da história da Beija-Flor”.

Como a família Laíla se comportou quando soube da homenagenm?

“Foi tranquilo. Conversei com a viúva, Marli, que se emocionou. Até ajudamos a resolver pendências familiares. Ela pediu apenas que a família tivesse um lugar de destaque no enredo, o que respeitamos”.

Qual a expectativa para a despedida de Neguinho da Beija-Flor?

“Já chorei só de imaginar. São 50 anos de Sapucaí! Ele precisa se controlar na avenida, pois ainda é competição. Mas, acima de tudo, quero honrar o ser humano que ele é. Terá sempre portas abertas na escola”.

A contratação de Marquinho Marinho foi acertada?

“Foi uma das melhores decisões. Substituir Laíla era um desafio, mas acertamos. Ele traz energia nova”.

Como vê a gestão de Gabriel David na Liesa?

“Ele revolucionou a escola. Mesmo podendo estar em Miami, escolheu ficar aqui. Sofre críticas, mas é natural: sucesso incomoda. Com ele, temos mais recursos e profissionalismo”.

Qual o trunfo do desfile de 2024?

“O canto será nosso ‘“rolo compressor’. A comunidade está engajada, lotou a quadra nos ensaios. Queremos emocionar, como sempre fizemos. O nível está altíssimo. Escolas que não brigavam antes hoje são favoritas”.

Rafaela Theodoro destaca emoção de completar 15 anos defendendo pavilhão da Imperatriz

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Por Juliana Henrik, Rhyan de Meira e Raphael Lacerda

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Rafaela Theodoro, primeira porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense, desde 2011, completa neste ano seu décimo quinto carnaval defendendo o pavilhão da agremiação. Rafaela saiu do cargo de segunda porta-bandeira da Vila Isabel e foi direto defender o pavilhão de uma das escolas mais tradicionais do carnaval carioca, que por muitos anos teve como defensora uma das maiores da história: Maria Helena.

“Poder completar 15 anos, seguir o legado de um casal (Chiquinho e Maria Helena) que fez história na Imperatriz e no carnaval, é o primeiro passo. Quero agradecer a Maria Helena e ao eterno ex-presidente Luiz Pacheco Drumond porque ele acreditou nessa menina. Se hoje eu sou essa mulher que se transformou em uma guerreira, foi graças a ele e a gestão da Cátia Drumond”, disse.

“Acredito que todo profissional de carnaval tem uma história. Todos nós passamos por dificuldades, momentos de alegria, de glória e a dança nos traz isso. Ela liberta, nos tira esse sentimento de dificuldade e nos traz forças para que a gente possa ostentar com todo o amor, carinho e dedicação o pavilhão daqueles que admiram, que amam  todas as escolas”, declarou.

Rafaela Theodoro também falou sobre a sensação de dever ao cruzar toda a Sapucaí de forma brilhante e se consagrando como uma das melhores porta-bandeira da elite do carnaval. “Ó coração está um pouco mais leve porque a gente tira o peso. É sempre um nervosismo para saber como vai ser encarar essa avenida, e quando você encara com êxito, com tudo aquilo que você planejou, você fica muito mais tranquila para aguardar o resultado”, confessou.

‘Viradouro tem sede de competição’, afirma Marcelinho Calil

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Por Juliana Henrik, Rhyan de Meira e Raphael Lacerda

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

A Viradouro levou para a avenida o enredo “Malunguinho – O Mensageiro de Três Mundos”, retratando a história de João Batista, figura mítica da resistência negra em Pernambuco, conhecido como Malunguinho. Buscando o bicampeonato, a escola de Niterói mostrou que não está para brincadeira e fez um desfile de deixar o público de boca aberta. O diretor geral de harmonia, Jefferson Coutinho, a vermelho e branco fez uma apresentação histórica.

“Sempre acreditamos que a crescente seria inevitável. Nossos ensaios na Amaral Peixoto tiveram um índice de energia grande, chegamos no primeiro ensaio técnico e entendemos que foi bom, mas que poderíamos fazer mais. Crescemos no segundo ensaio e, com certeza, no desfile oficial consagramos mais um desfile histórico”, afirmou.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Marcelinho Calil fez questão de não comparar o atual desfile com o do ano passado. Para o dirigente, são histórias bem distantes e valorizou o trabalho incessante dos profissionais da escola para entregar um desfile impecável. “Dentro do ciclo ‘Malunguinho’, dentro da potência do desfile que nós podíamos fazer, eram vertentes diferentes comparado ao ano passado. Por mais que os preconceituosos achem que qualquer história negra ou vinda da África é tudo a mesma coisa, obviamente que não é, são histórias bem distintas. Não podemos comparar com o do ano passado. Cada enredo tem um espírito. O espírito do ‘Malunguinho’ é debochado, aguerrido e provocativo. Deixamos o recado que a Viradouro é uma escola que ama o que faz, trabalha incessantemente, que só tem olhar interno, que tem a instituição como seu maior pilar e que é uma escola com sede de competição”.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Sempre cercada de grande expectativa, a comissão de frente da Viradouro, intitulada Sobô Nirê Mafá, foi concebida e coreografada pela dupla multicampeã Priscilla Mota e Rodrigo Negri. Mais uma vez, eles conseguiram emocionar o público e foram ovacionados ao final da apresentação. O espetáculo sintetizou o enredo com maestria, aliando teatralidade, efeitos visuais e uma coreografia intensa.

“A comissão passou linda, tudo conforme o planejado. Sensação de dever cumprido, de ter passo o recado e ter ajudado a escola com uma abertura potente. O carnaval está cada vez mais desgastante, são muitos eventos, a exigência é muito grande, o nosso nível de exigência também é altíssimo, mas estou feliz e grata pelo trabalho. É tão bom quando a gente acaba e sabe que deu tudo certo”, disse a coreógrafa Priscilla Mota.

Estrela do Terceiro Milênio comemora o belo desfile e sonha com vaga nas campeãs

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Penúltima escola a desfilar na passarela do samba paulistano, a Terceiro Milênio trouxe um enredo exaltando a população LGBTQIA+ e também teceu críticas ao preconceito e às formas de discriminação. A agremiação do Grajaú chegou à dispersão comemorando bastante o resultado de um grande desfile, que entra para a história como o primeiro a falar especificamente dessa temática.

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Régis Santos, coreógrafo da comissão de frente

“Estou contente, vi um trabalho alinhado, todos os truques funcionaram, todas as surpresas funcionaram, nada enguiçou, nada parou, a luz não falhou, e o elenco estava atento, assim, eu não vi desalinhamento, não vi sujeira, vi os fundamentos, vi os balizamentos acontecerem. E vi a reação do público, que era um dos nossos objetivos, emocionar, trazer uma reflexão. Acho que o trabalho cumpriu a sua função”, e continuou.

“Quando tem a luz fluorescente da Av. Paulista, onde cortaram o rosto de inocentes há anos atrás, e que se transformam em flores, depois de uma palavra de que ele só falou de amor, foi um ponto alto. Quando surge um discípulo em meio da fumaça do nada, trazendo um socorro, acho que também foi um ponto alto. Foi emocionante. Tudo vale a pena. Se você trabalha com amor, com afinco, eu acho que o resultado sempre vem. O resultado a gente vai saber depois de terça-feira. Mas emocionalmente, intuitivamente, eu acho que o resultado está aí. Acho que a gente conseguiu meter o pé na porta, com classe e ao mesmo tempo sem muito pudor de pôr o dedo na cara de quem não aceita o diferente. O trabalho traz uma reflexão de mudança e ela é difícil, é muito arraigado no Brasil o preconceito, o conservadorismo, a radicalidade de não aceitar a diferença e não aceitar o próximo. A gente está contribuindo um pouco mais para essa reflexão. Mais do que a experiência do trabalho, a experiência de conviver com a comunidade da cena ball-room, com os atores de teatro, que fazem parte do meu elenco, e os bailarinos… Foi uma experiência incrível em que a gente pode plantar uma semente de um Brasil melhor, de menos violência e mais amor”, finalizou.

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Arthur Santos, mestre-sala

“Hoje foi um dia incrível, a nossa escola cantou com muita garra, a gente escuta o ecoar da voz de uma comunidade aguerrida que esperava muito por esse dia para mostrar o seu valor e fazer um manifesto pelo público LGBT. O nosso ponto alto é quando a gente termina um dos movimentos obrigatórios, a gente faz uma pose com os punhos cerrados de resistência, de força, de guerra, de luta. Porque a dança indígena mesmo ela sendo uma dança muito bonita ela não deixa de ser uma dança de guerra. Então a gente trouxe movimentos característicos dessa dança e tentamos mesclar com a dança de mestre-sala e porta-bandeira sem perder a essência. Acredito que a gente conseguiu executar isso muito bem. A gente tem o apoio e o trabalho da nossa preparadora. Nós nós somos um casal jovem que gosta de trazer inovação”.

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Waleska Gomes, porta-bandeira

“Esse desfile é mais do que um desfile de escola de samba. Ele é um manifesto muito importante e necessário para o nosso país. E, tecnicamente, também vou falar um pouquinho do meu desenvolvimento com ele. Trabalhamos muito esse ano e a gente conseguiu realmente colocar em prática tudo que a gente executou, trabalhou, treinou. Desde junho a gente veio fazendo esse trabalho. A gente estudou muito, a gente fez aula com muitos profissionais. A gente estudou um pouco de dança indígena. A gente foi a fundo de várias coisas da causa pra estar aqui de corpo e alma. Então a gente tá muito realizado com esse trabalho de hoje. Foi uma noite mágica”. Waleska continuou e elogiou a equipe de trabalho.

“Temos uma equipe muito incrível que dá apoio do início ao fim. Então a gente vive totalmente confiante e leves, pensando apenas em nossa dança e fazer tudo que a gente ensinou durante o ano. A escola e a diretoria da nossa escola também nos proporcionou de tudo para nos deixar confortáveis, para nos deixar felizes, o andamento da escola. Então, realmente foi uma noite muito favorável para a gente”.

Vitor Velloso, mestre de bateria

“Acredito que foi a mesma onda dos ensaios técnicos. Fizemos três bons ensaios técnicos e o que eu pedi para galera que era para manter, galera entendeu e a gente passou muito bem. Foi muito legal. As bossas bem encaixadas, bem executadas. Acho que o ponto alto foi esse aí. A gente veio ensaiando para chegar hoje e não ter nenhum tipo de problema. Esse carnaval foi de muito aprendizado”.

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Murilo Lobo, carnavalesco

“Eu vejo a escola entrar na avenida e venho atrás curtindo. Acho que as pessoas se emocionaram, era isso que a gente queria, que a mensagem ficasse guardada no coração das pessoas. Nós podemos ser um país muito melhor, não precisamos ser o país que mais mata essa comunidade. Então vir aqui, trazer isso com alegria, com irreverência, com deboche, com crítica, foi a nossa proposta. E eu acho que o público assimilou e veio junto, dizendo que toda forma de amar importa. É uma comunidade que merece viver em paz. Acho que a gente conseguiu alcançar o nosso anseio. É um orgulho trabalhar numa escola que me deixa propor temas que são necessários para todo mundo. Que não se vende a patrocínios, que vem e faz aquilo que a nossa comunidade precisa ouvir, precisa aprender”.

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Silvão Leite, Presidente

“Tenho certeza que esse desfile vai fazer história do Carnaval de São Paulo. A comunidade desfilou com emoção. A comunidade abraçou o enredo de uma forma absurda. E o que mais me deixou feliz é que a gente levou uma mensagem de respeito, de amor, para uma região que vira e mexe, é conhecida pela violência. E a gente conseguiu trazer essa mensagem para lá, a comunidade entendeu, discutiu, abraçou e se emocionou na avenida. Estou muito feliz, me sentindo de alma lavada realmente. Nós mostramos que através da alegria a gente pode combater a intolerância, combater a falta de respeito e mostramos que a gente tem que pregar o amor, só isso. Então foi maravilhoso”. Silvão continuou exaltando a comunidade da Milênio.

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“A comunidade veio com essa vontade de marcar história. Na concentração nós tínhamos um carro que estava muito pesado. Já estava pesado estruturalmente. Quando subiram mais 100 pessoas em cima, foram mais 7 toneladas. Então, para movimentar e alinhar ele, deu um trabalhinho. Naquela hora eu fiquei preocupado, mas depois eu acho que os deuses, os orixás, nos ajudaram. A gente retornou, eu acredito que agora é pra ficar. Eu tenho pra mim que a gente apresentou um espetáculo que permite que a gente pleiteie um retorno pras campeãs. Em 23 fizemos um desfile maravilhoso mas infelizmente caímos, na minha opinião não foi merecido e no nosso retorno a gente mostrou que a Terceiro Milênio realmente está preparada para ser um dos destaques da elite do carnaval”.

Grazzi Brasil, intérprete

“Agora posso relaxar, eu nem acredito. Estou muito feliz com o resultado, fizemos um trabalho de muito tempo, desde agosto, e a jornada foi grande porque eu estava no musical e estava na Milênio. Essa loucura, ‘vai pra lá, vai pra cá’, mas com muito profissionalismo, muito amor, muita garra e disposição. Eu estou feliz de ter feito esse trabalho aqui. Nem acredito que consegui chegar até aqui de tanta loucura que foi. Estou muito feliz, essa comunidade é sensacional. Para mim é sempre uma honra poder contar temas necessários assim”.

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Darlan Alves, intérprete

“Já tive bastante momentos aqui nesse Anhembi, mas por causa desse enredo, que é um enredo de tantas histórias, de tantas famílias, de pessoas que já não estão mais aqui, mas estão representadas aqui… Hoje a voz do Grajaú foi a voz dessa comunidade. Esse grito ecoou para o mundo, esse manifesto hoje rompeu tantas barreiras, foi muito além do arco-íris, como diz o enredo. Nós recebemos aqui tanto amor dos sambistas, isso foi incrível. Confesso que eu estava nervoso um pouco. Poucas vezes eu fiquei nervoso nesse Anhembi, mas eu sei da responsabilidade e do tamanho que era poder cantar esse enredo aqui, poder cantar esse samba porque eu sei o quanto representa isso, o quanto essas cores hoje representaram para muita gente no mundo, o mundo vai ver isso daqui. Sambistas foram homenageados aqui, que fazem o carnaval no dia a dia. Escultores, carnavalescos, aderecistas, destaques, essa comunidade incrível que faz o nosso carnaval.”

“Nós sabemos que não é só alegria, que tem muita história envolvida nisso, mas hoje o Grajaú pôde contar e cantar um pouco dessa alegria, e recebemos isso das arquibancadas, dos camarotes: as pessoas cantando o refrão, cantando as outras partes do samba. Não sabemos o que vai acontecer, mas o Grajaú entregou isso, que foi muito além do arco-íris, foi muito o amor que entregamos, o amor aqui porque o Anhembi precisava passar com esse enredo. A escola foi muito corajosa, a diretoria foi muito corajosa de poder colocar esse enredo, você sabe disso. Você é sambista, você sabe o quanto foi difícil, o quanto é difícil para uma escola colocar um enredo tão grandioso, tão polêmico, tão gigantesco e tão necessário como esse. Era muita responsabilidade e o Grajaú, graças a Deus, entregou um carnaval lindo representado por grandes nomes aqui dessa comunidade que estavam aqui presentes. Eu estou muito feliz, o Grajaú está muito feliz e eu acho que o carnaval está muito feliz com essa grande homenagem a essa comunidade e a todas essas pessoas incríveis que passaram hoje aqui”.

Manto tupinambá leva Tucuruvi a grande desfile e faz escola sonhar alto

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A Tucuruvi fez no último sábado um dos grandes desfiles de toda sua trajetória no carnaval paulistano. Como todos da escola dizem, a “nova Tucuruvi”, representa para entidade uma nova fase, que visa sonhar voos cada vez mais altos.

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O intérprete Hudson Luiz conversou com a equipe do CARNAVALESCO e enfatizou que a escola está pronta para brigar pelo título do Grupo Especial.

“Acho que é um grito que ainda está preso, e claro que é cedo para falar disso. Sabemos que todas agremiações fizeram bons desfiles, mas tenho certeza que a Tucuruvi vai brigar por este título. Nós queremos muito isso. A comunidade provou para todos hoje. Nossa diretoria, nosso gestor maior Rodrigo Delduque, fez de tudo para que a escola estivesse nesse nível na avenida. Representando o manto sagrado e toda comunidade da Cantareira”.

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Renan Banov, coreógrafo da comissão de frente, disse sobre o sentimento após a apresentação.

“É um dever cumprido com toda comunidade. Esse é o sentimento. Mostramos com muita humildade este manto sagrado que conquistou nosso coração desde a apresentaão do enredo”.

Beatriz Teixeira, porta-bandeira da escola, reafirmou que o desfile é a melhor apresentação já feita no Anhembi pela Tucuruvi.

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“Escola estava linda. É um dos melhores enredos que já tivemos, foi fora de série. Saímos daqui exremamente satisfeitos e só temos a agradecer. Posso dizer que desfilei me divertindo, o trabalho está sendo feito desde julho, então vou pra casa realizada.

Mestre Serginho também comentou sobre o desfile da agremiação.

“Acredito que hoje nós tivemos um bom desempenho. Vi alas bem bonitas, foi tudo muito bacana e a bateria veio bem. Viramos a chave do enredo afro do ano passado para o tema indígena de 2025 e fizemos arranjos em cima disso, tudo foi aprovado de acordo com o enredo”, declarou.

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O diretor de carnaval Rodrigo Delduque falou sobre as estratégias adotadas pela Tucuruvi.

“Gosto de participar do desfile de forma sutil. Pelo feedback que tivemos no rádio, tivemos um andamento bom e uma volução boa também. Aquilo que nós queriamos fazer nós apresentamos. Agora é ver os vídeos e esperar o resultado. Mas saio daqui feliz pelo astral, pelo clima e a vontade das pessoas”, finaliou.

‘Superamos os desfiles dos últimos dois carnavais’, afirma João Drumond

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Por Juliana Henrik, Rhyan de Meira e Raphael Lacerda

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Com o enredo “Ómi Tútú ao Olúfon – Água Fresca para o Senhor de Ifón”, a Imperatriz pisou na Sapucaí com garra, beleza e emoção para buscar o campeonato que ano passado bateu na trave. Para não deixar dúvidas de que é uma das favoritas a levantar o troféu, a escola de Ramo trouxe uma estética impecável com a assinatura de Leandro Vieira, a dobradinha Pitty de Menezes e Mestre Lolo, uma comunidade aguerrida e uma comissão de frente emocionante. Tanto é, que para João Drumond, vice-presidente da agremiação, foi o melhor desfile da atual gestão.

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João Drumond, vice presidente da Imperatriz Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Desfile mais completo da Imperatriz na nossa gestão. Quero agradecer o público da Sapucaí. É muito bonito ver a Imperatriz sendo aclamada pelo público. Não tem dinheiro que compre a aclamação do público. Viemos com um conjunto muito forte. Uma escola feita por pessoas, não tem uma pessoa responsável pelo sucesso, tem um grupo de pessoas que juntas construíram a Imperatriz forte dessa maneira”, declarou.

André Bonatte, diretor de carnaval da Rainha de Ramos, concordou com a opinião de João Drumond e fez questão de enaltecer a dobradinha entre Mestre Lolo e Pitty de Menezes. “Concordo com a opinião do João. Nosso trabalho é sempre olhar para gente, é sempre olhar para o ano anterior. Acho que tivemos um samba mais popular e melhoramos em relação aos últimos dois anos. Também preciso falar sobre o quanto sou fã da parceira entre Lolo e Pitty. Sou fã incondicional do Leandro Vieira, mas essa dobradinha de Lolo e Pitty é absurda”.

Por falar em Pitty de Menezes e Mestre Lolo, a dupla conversou com o repórter Rhyan de Meira e apostam que a Imperatriz vai brigar pelo título até o último décimo. “Trabalhamos muito para ver a Sapucaí cantando junto com a Imperatriz. Ano passado fizemos um grande desfile, mas batemos na trave. Esse ano estamos com a expectativa muito grande de ganhar esse campeonato. Queremos muito esse campeonato. Tomara que o sonho vire realidade”, afirmou o cantor.

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Pitty de Menezes Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Desfile impecável. Conseguimos superar os dois ensaios técnicos. Deu tudo certo. Agora é esperar para saber se os jurados gostaram. O público vibrando com as bossas, com o samba. Viemos soltos na avenida”, declarou o mestre de bateria.

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Comissão de frente Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Outro ponto alto da Imperatriz foi a comissão de frente. Comandada por Patrick Carvalho, que fez sua estreia na Rainha de Ramos, e confirmou o acerto na escolha do profissional pela escola e o entendimento que o coreógrafo tem para fazer produções para a temática afro.  “Cada cabine de jurado que a comissão passava, o público vinha junto com a gente. Isso é muito gratificante e especial. Exú foi lindo nos ensaios técnicos, foi só para abrir os caminhos para virmos com nosso velho Oxalá e encantar a avenida”, disse.

Gaviões da Fiel impressiona com enredo sobre jornada espiritual africana

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Os Gaviões da Fiel surpreenderam o público no Anhembi em 2025 com o enredo “Irin Ajó Emi Ojisé – A Viagem do Espírito Mensageiro”, desenvolvido pelos carnavalescos Julio e Rayner. A escola mergulhou na visão de mundo dos povos africanos, trazendo um espetáculo grandioso, repleto de simbologia, cultura e emoção.

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O carnavalesco Julio destacou a profundidade do tema e a excelência do trabalho apresentado.

“É um enredo muito forte, que traz todos os valores morais, a visão de mundo dos povos africanos. As nossas fantasias, as nossas alegorias foram muito bem projetadas, a gente tem um projeto muito especial, todo estético, desde o enredo até as alegorias e fantasias, mas faltava a gente chegar aqui na pista e ver o que iria acontecer. Sem palavras para definir tudo isso”, afirmou.

E para o carnavalesco Rayner, a realização do projeto foi um marco para a equipe.

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“O diferencial que a gente vem buscando desde o ano passado é sobre caprichar ainda mais no desfile. A gente conseguiu mostrar o que queria, portanto acredito que não foi só um sonho de papel, não foi só um sonho de conversa, não foi só um sonho de ponta de mesa. Vimos aqui tudo o que projetamos desde o primeiro dia, da primeira semana que conversamos. O que a gente queria foi exatamente tudo o que apresentamos aqui”, explicou.

A porta-bandeira Carol celebrou o sucesso do trabalho construído ao longo do ano.

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“Ver todo o trabalho dessa temporada que a gente teve se concretizando hoje é muito lindo. Todos os nossos ensaios, tudo o que a gente pensou, tudo o que a gente criou, a gente conseguiu colocar na pista da melhor forma possível, com o nosso coração, com o nosso amor pela dança e pelo nosso pavilhão”, comentou.

Já o mestre-sala Wagner enfatizou o sentimento de realização ao defender as cores da escola.

“Tenho um sentimento de dever cumprido e, mais uma vez, realizando um sonho, que é vir nessa pista e representar um pavilhão tão grandioso como o dos Gaviões da Fiel Torcida. Para nós, hoje foi um sacramento, aquela coisa de tirar do desenho e realmente colocar na pista de verdade”.

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Ernesto Teixeira, lendário intérprete dos Gaviões, disse que a apresentação foi como esperavam e que agora vão esperar o resultado na terça-feira.

“O samba atendeu as expectativas porque a gente fez muito trabalho, muito ensaio e foi tudo certinho, foi tudo redondinho. O samba é bom, portanto isso ajudou bastante e foi um grande desfile. Agora vamos esperar o resultado, mas o nosso dever principal a gente cumpriu, que foi elevar a alegria e a emoção para o povo”, disse.

A coreógrafa da comissão de frente, Helena, destacou a entrega do grupo.

“Nós nunca sabemos o que o jurado viu, o que o jurado não viu, mas sim do elenco e da nossa criação. Tudo o que os Gaviões puderam fazer, acredito que foi cumprido”, contou. A apresentação impressionou pela riqueza de movimentos e pela interpretação do enredo.

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O mestre de bateria Ciro comemorou o desempenho dos ritmistas.

“Foi do jeito que a gente esperava, acredito que executamos tudo que ensaiamos, do jeito que foi planejado, nos lugares planejados. Foi um bom trabalho, estamos felizes demais, dá para ver na cara do nosso povo”, afirma.

Para o vice presidente Fábio, o desfile superou as expectativas.

“Foi além da minha expectativa. Como sempre falamos, Gaviões falando de Gaviões, o tema sempre é grandioso. Tudo que envolve nós na avenida, consequentemente fora da avenida, em qualquer lugar que se fala de Gaviões, as coisas ganham grandes proporções. Para mim, uma grande surpresa, totalmente confiante, feliz e pronto para comemorar o título, se Deus quiser”.

Com uma apresentação imponente, carregada de cultura, os Gaviões da Fiel consolidaram sua força no carnaval.

‘Nunca vi uma escola abrir o carnaval e fazer o que a Unidos de Padre Miguel fez’, afirma Bruno Ribas

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Por Juliana Henrik, Rhyan de Meira e Raphael Lacerda

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Após décadas de espera, a Unidos de Padre Miguel finalmente pisou na Marquês de Sapucaí, abrindo com grandeza a primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2025. O desfile do ‘Boi vermelho’ era cercado de grandes expectativas no mundo do samba, e ao final do cortejo, todas foram correspondidas. A apresentação consolidou a Unidos de Padre Miguel como uma das melhores escolas a abrir os desfiles do Grupo Especial, como afirmou o intérprete Bruno Ribas aos repórteres Juliana Henrik, Rhyan de Meira e Raphael Lacerda do CARNAVALESCO.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Tenho mais de 40 anos de carnaval e nunca vi uma escola abrir o carnaval e fazer o que a Unidos de Padre Miguel fez. Estou muito surpreso com o que vi e senti na avenida. Sensação de dever muito bem cumprido. Agora é fé e os jurado para nos julgar com carinho e ser agraciados em voltar no sábado das campeãs com esse carnaval lindo que o povo merece ver de novo”, disse o intérprete.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinicius Antunes e Jéssica Ferreira, representou a corte real de Oyó e ostentou um figurino imponente, com tons de branco e prata. Jéssica revelou que não conteve as lágrimas no esquenta e o quanto foi inesquecível tudo o que vivenciou na avenida.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Foi um momento inesquecível para nossa escola, nossa comunidade. A emoção tomou conta e não segurei as lágrimas na hora do esquenta”, declarou ela. Vinícius também estava radiante, mas não escondeu o descontentamento com o peso da fantasia. “Estamos radiantes porque a escola esperou muito tempo por esse momento. Passamos bem, mas tivemos uma questão com a fantasia muito pesado, mas conseguimos chegar até o final e fazer o que nos propusemos.

Andressa Marinho, cria da Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi alçada ao trono da escola para em 2025 fazer sua estreia na Sapucaí. Carinhosamente chamada de Dedê Marinho pela comunidade, não escondeu a emoção de defender as cores do ‘Boi Vermelho’.

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Foto: Ruan Ferreira / Divulgação

“Foi um desfile marcante e muito especial para toda comunidade da Vila Vintém. A Unidos de Padre Miguel mostrou que é capaz de continuar no Grupo Especial, de continuar mostrando o seu trabalho. O remédio da alma é o samba e nós mostramos isso. Eu, Andressa Marinho, estou aqui realizando o sonho da Dedê Marinho”, declarou a rainha.

 

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mangueira no Carnaval 2025

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Um desfile muito bom da bateria da Estação Primeira de Mangueira, comandada pelos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Um ritmo equilibrado e com fluência entre os naipes foi exibido. Impressionante a criação musical das bossas mangueirenses, sempre seguindo exatamente o que pede o samba, seja em melodia ou mesmo em letra. Um impecável trabalho de muito bom gosto envolvendo os solos das peças leves foi apresentado, sempre havendo momento para que um determinado naipe recebesse destaque sonoro.

Na cozinha da bateria da Verde e Rosa, uma ótima e pesada afinação de surdos foi percebida. Marcadores do tradicional surdo de primeira foram eficazes e firmes. Surdos mor ficaram responsáveis pelo balanço autêntico do ritmo mangueirense, além de exibirem um trabalho primoroso em bossas. Repiques altamente técnicos tocaram junto de caixas roucas. Magistral o conjunto musical das caixas de guerra rufadas da Velha Manga, com um toque que serviu de base de amparo rítmico pra toda a bateria, evidenciando o grande trabalho dos médios. A parte de trás do ritmo ainda contou com timbales tocando junto dos genuínos timbaques da Mangueira, dando um molho único tanto ao ritmo, como nas paradinhas.

Na parte da frente da bateria da Mangueira, uma boa ala de xequerês tocou com solidez, auxiliando na profundidade musical das peças leves e adicionando uma tonalidade menos aguda que os demais naipes da cabeça da bateria da Manga. Cuícas foram eficazes, ajudando a marcar o andamento do samba-enredo com eficácia. Um naipe de tamborins com técnica acima da média executou um desenho rítmico com trechos complexos com segurança e bastante precisão. A coletividade do toque da ala impressionou a ponto de fazer jus ao apelido da bateria de “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”. Uma ala de ganzás ressonante se exibiu com classe. Um naipe de agogôs de duas campanas (bocas) auxiliaram com qualidade no preenchimento musical da sonoridade das leves, inclusive participando de forma ativa de bossas. Sensacional o respeito musical para a criação dos solos dentro das convenções rítmicas, deixando claro um bom gosto criativo baseado em respeito a sonoridade produzida por cada naipe, enchendo as execuções de brilho sonoro.

O conjunto de bossas da bateria da Mangueira era simplesmente sublime. Sempre levando em conta as nuances melódicas da obra e o que a letra do samba solicitava. Do Funk evoluía para um ritmo de vertente africana, se conectando integralmente ao enredo. A paradinha que imitava som de tiro deixou claro que a criação musical mangueirense era do mais alto calibre. Suas execuções foram sobretudo potentes, garantindo impacto sonoro quando exibida. Uma musicalidade com bastante fluidez nas belas paradinhas da escola da Rua Visconde de Niterói.

Um desfile muito bom da ala de bateria da Estação Primeira de Mangueira, regida pelos mestres Rodrigo Explosão. Um ritmo equilibrado, com bossas potentes e musicais, além de uma conjugação sonora valiosa. Muito respeito musical pelos solos de cada naipe agudo, demonstrando um bom gosto evidente e acima da média no conceito criativo musical. Um grande trabalho da “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”, no que deve ser um dos quesitos mais fortes da Mangueira na apuração.