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Espectadores comentam emoção ao acompanhar desfiles do Grupo Especial de São Paulo

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Quem esteve no Sambódromo do Anhembi Morumbi relatou a emoção de ver as escolas cruzarem a avenida.

Durante os desfiles do Grupo Especial no sábado (14), espectadores relataram como viveram a noite de carnaval.

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O sábado (14) de carnaval no Sambódromo do Anhemb, pelo Grupo Especial, trouxe à avenida Império de Casa Verde, Águia de Ouro, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Estrela do Terceiro Milênio, Tom Maior e Camisa Verde e Branco, ecoando diferentes enredos junto às comunidades das agremiações, responsáveis por criar as alegorias que enfeitam a passarela uma vez ao ano. Enquanto o público acompanhava a passagem de uma das maiores celebrações coletivas, entre fantasias e muita festa, a disputa do dia dos desfiles quase ficou em segundo plano.

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No meio de quem foi apenas para apreciar, o CARNAVALESCO também marcou presença para acompanhar de perto os desfiles e sentir a reação do público nota a nota, ala a ala. Conversando com quem aproveitou intensamente o sábado de apresentações, ao longo da noite, os espectadores falaram sobre a emoção de estar no sambódromo, o orgulho pelas escolas e a energia que só o desfile ao vivo proporciona.

“Acho que o carnaval está mostrando muita representatividade da mulher negra, e isso está sendo muito importante para nós, que não temos caminho dentro da sociedade. Então, é importante trazer o poder da mulher negra dentro do nosso país, porque a mulher negra está perdendo seu espaço. Assim, eles trazem para a avenida o poder e a representatividade que a mulher negra tem”, diz Adriana Domingues, 41.

adriana povofala

Para quem chegou cedo e viu desde o início, o sentimento foi de expectativa renovada a cada escola que entrava na pista, observando de perto toda a festa, como para Thalyta Andrade, 39, que acompanha todos os anos.

Thalyta

“A experiência aqui no Anhembi é maravilhosa. O carnaval emana uma energia incrível. Muitas pessoas juntas, felizes, transbordando alegria, amo isso daqui. Sou de São Paulo, sou cria da Zona Norte, já desfilei muito, já vim para assistir muitas vezes; sempre que posso, todos os anos eu venho para prestigiar o Carnaval de São Paulo”, contou a apaixonada por carnaval.

Já os mais fiéis, que vestiam as cores de suas agremiações, relataram a experiência de ver sua escola do coração cruzar a avenida.

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“Tenho 16 anos de Mocidade Alegre, e este enredo é um enredo muito importante, que fala de uma mulher preta ativista. Este desfile tinha muito amor, tinha muita emoção, tinha muita verdade, muita representatividade. E eu, como uma mulher preta, estou muito orgulhosa. Ontem eu desfilei em duas escolas do Grupo Especial e, assim, o nível está altíssimo, a competição está igualada. As escolas têm trabalhado muito, as escolas têm se estruturado, têm se preparado para o carnaval. Então, cada escola que passa nessa passarela, cada uma conta uma história, e conta uma história muito bem elaborada. E eu estou muito orgulhosa de fazer parte do carnaval de São Paulo”, diz Clay Cristine Inácio, 49, desfilando pela Mocidade Alegre, mas que vive o carnaval em demais agremiações.

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Para Marcos Alexandre, 43, é também um momento de viver a alegria da avenida; fazer parte do público também é estar junto das escolas enquanto torcedor: “É a segunda vez que venho, gosto bastante de vir assistir aos desfiles. E o carnaval, para mim, vem melhorando a cada ano. Achei as escolas bastante luxuosas. A gente fica feliz de poder também estar desse lado curtindo e gritando, torcendo por todas”, ele afirma.

Entre uma apresentação e outra pelo Anhembi, o sábado confirmou o que o público já sabe: o carnaval é feito por um grande espetáculo na avenida, mas também pelo que gera de emoção nas arquibancadas.

 

Imperatriz relata prejuízo na evolução após bloqueio de alegorias da Acadêmicos de Niterói

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A Imperatriz Leopoldinense se pronunciou nas redes sociais após ter problemas de Evolução durante o desfile no Carnaval 2026. Veja abaixo.

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“O G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, em nome da presidente Catia Drumond e de sua diretoria, esclarece que a escola teve sua evolução impactada devido a um problema na dispersão provocado por alegorias da escola que a antecedeu na ordem de apresentação.

Três carros alegóricos da Acadêmicos de Niterói bloquearam a passagem da Imperatriz, ocasionando aproximadamente 5 minutos de paralisação.

A presidência e a direção da Imperatriz contactaram representantes da LIESA para relatar o ocorrido imediatamente. A escola segue em diálogo com a entidade nesta segunda-feira (16) para acompanhar o caso.

A Imperatriz reforça que cumpriu seu planejamento e que o ocorrido é alheio à responsabilidade da agremiação. Diante dos prejuízos causados, a escola avalia as providências cabíveis para resguardar seus direitos no processo de apuração”.

Mancha Verde se sobressai em noite marcada pelo equilíbrio entre as escolas do Acesso 1

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A reedição do samba-enredo de 2012 impulsionou o belo desfile da Mancha Verde e deve assegurar o retorno da escola à elite do samba paulistano. Já a segunda vaga promete uma acirrada disputa na apuração, uma vez que as outras escolas da noite realizaram desfiles nivelados.

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Dom Bosco de Itaquera, Independente Tricolor e Pérola Negra foram as escolas que aparentemente fizeram apresentações mais técnicas e estão fortes na disputa. Vila Maria, Nenê, Tucuruvi e Camisa 12 ainda correm por fora, ao mesmo tempo em que também brigam pela permanência em um grupo extremamente nivelado com tradicionais agremiações.

CAMISA 12

De volta ao Grupo de Acesso 1 do carnaval de São Paulo, a Camisa 12 abriu o domingo de desfiles com o enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil – A origem da fé, Herança de Ketu”. A comissão de frente veio com integrantes em preto, azul e dourado, além de três mulheres de saias rodadas que mudavam de vestimenta ao longo da pista, representando as princesas nagô que vieram a um Brasil ainda escravocrata.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O primeiro casal fez uma apresentação segura e empolgante em frente ao segundo módulo de jurados. Destaque para os belos giros dela e pela leveza dos movimentos dos dois. Com meia hora de apresentação a bateria entrou, saindo aos 44 minutos. O samba-enredo rendeu nas vozes de Clóvis Pê e Tim Cardoso. Da mesma forma que a bateria ajudou a elevar o canto da comunidade alvinegra.

As alegorias eram de bom gosto e com bastante capricho. O abre-alas veio “puxado” por três panteras negras, que vinham à frente de uma igreja e de uma grande escultura que carregava arco e flecha. Vale destacar o último carro, que continha quatro esculturas de ogãs tocando atabaque nas pontas, e um grande Oxalá na parte central. A escola fechou seu desfile com 57 minutos, dentro do tempo estabelecido pelo regulamento.

VILA MARIA

Com “fome de Grupo Especial”, a Vila Maria exaltou a culinária brasileira neste carnaval. A comissao de frente da agremiação da Zona Norte veio representando uma verdadeira feira, com direito a barraquinha de frutas nas cores da escola, com preço e tudo. Foi uma apresentação de fácil leitura, e que contou ainda com a participação de uma criança em alguns momentos da coreografia. As duas primeiras alas e o carro abre-alas passaram simbolizando o cultivo e a colheita de milho e do açaí, todo em tons de roxo, verde e amarelo, com esculturas de indígenas e camponeses.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A bateria de cozinheiros trouxe um molho especial ao samba-enredo, interpretado por Clayton Reis de forma segura. A Cadência da Vila fez um breque no refrão principal em que um apagão, sustentado na palma da mão por toda a escola, levantou as arquibancadas. Os batuqueiros entraram no recuo aos 26 minutos de desfile, saindo de lá com 42. As baianas vieram todas de branco, com detalhes em verde e azul, além de um prato de acarajé na mão.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O segundo carro era “puxado” por 2 charretes, com dois burros em cada. A alegoria trouxe também um grande fogão à lenha, colheres de pau e duas esculturas de chefes de cozinha na parte de trás. Por sua vez, no último carro havia um grande banquete, com a velha guarda nas laterais, sentados em mesinhas de bar, cercados de diversos copos de chopp com merchandising da marca de cerveja patrocinadora do carnaval paulistano. A escola encerrou seu desfile com o relógio marcando 1h, escapando de estourar o tempo por 5 segundos.

TUCURUVI

Terceira a desfilar no Anhembi no último domingo de carnaval, a Acadêmicos do Tucuruvi exibiu seu enredo crítico “Anti-Herói Brasil”, exaltando a resiliência do povo brasileiro. A comissao de frente passou toda no chão, com alguns integrantes descalços e outros vestidos com roupas feitas de sacola plástica preta. Eles fizeram uma coreografia intensa e repleta de movimentações em cima da letra do samba. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luan e Beatriz, fizeram uma passagem bastante segura, esbanjando sintonia nos passos para apresentar o pavilhão da Tucuruvi.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O carro abre-alas, de extremo bom gosto, entrou no Anhembi imponente, porém, uma parte dos elementos da decoração se desprendeu da alegoria e precisou ser retirada em frente ao recuo da bateria, que possui um módulo de julgamento. A versátil bateria do Zaca, de mestre Serginho, deu sustentação ao samba-enredo durante toda a passagem da escola. Entraram no recuo com meia hora de desfile e saíram de lá aos 44 minutos. As alas vieram com fantasias bem coloridas e com certa variação nas formas.

Destaque para a ala com os guardas-chuva, em referência aos bailes funk de São Paulo, que entre os dizeres trazia escrito “É o fim 6×1”, criticando a escalada de trabalho que fornece apenas uma folga semanal. Também vale mencionar a ala seguinte, que trazia escudos em que podia-se “Tá em Choque Malandragem”, além de materiais escolares no costeiro, passando a mensagem de que a educação pode ser uma “arma” perante às injustiças. A última alegoria trazia integrantes na parte do meio fazendo uma movimentação coletiva, às vezes balançando bandeiras, o que dava um belo efeito. Um grande Exu, ajoelhado, encerra o carnaval da escola da Cantareira.

MANCHA VERDE

Reeditando seu histórico samba-enredo de 2012, a Mancha Verde apresentou na avenida o enredo “Pelas Mãos do Mensageiro do Axé, a Lição de Odu Obará: a Humildade”. Novamente interpretado por Freddy Vianna, o samba foi o mais cantado da noite pelas arquibancadas. A escola refez toda a coreografia da comissão de frente, se comparada ao desfile original, trazendo um elemento alegórico para sustentar a representação dos orixás.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O primeiro casal da Mancha, Adriana e Thiago, demonstrou equilíbrio e leveza ao conduzirem o pavilhão da agremiação alviverde, mesmo com uma fantasia luxuosa em tons terrosos e que aparentava ser pesada. A ala das baianas foi fragmentada em quatro fileiras de fantasias com cores distintas: azul, branco, amarelo e vermelho. O carro abre-alas era gigantesco e suntuoso, todo em marrom, bege, branco e dourado, digno de Grupo Especial.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Já o segundo carro trouxe cinco leões dourados na parte frontal, repleto de crianças nas laterais e com uma enorme coroa vermelha e dourada na parte superior. Também havia abóboras recheadas de ouro, que estão diretamente ligadas a lição abordada no enredo, em que a prosperidade provém da humildade. O apagão geral da bateria nos últimos versos do samba fez ressoar o canto da escola. O desfile foi encerrado aos 59 minutos, sem alterações de andamento. Sem dúvidas a Mancha é fortíssima candidata a retornar ao Grupo Especial em 2027.

PÉROLA NEGRA

Tentando retornar ao Grupo Especial do carnaval paulistano, a Pérola Negra homenageou a figura de Maria Bonita, a rainha do cangaço, retratando-o como símbolo de coragem, inteligência e ruptura. A comissão de frente mostrou um certo duelo entre cangaceiros e militares, em que um grupo rendia o outro, apontavam-se as armas e assim prosseguia o embate.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O primeiro casal veio com suas roupas nas cores laranja, dourado, marrom e branco. Eles realizaram uma apresentação segura e síncrona, sem intercorrências. Vale ressaltar a beleza e originalidade da ala das baianas, com saias vazadas, inteira em tons de marrom, bege e branco. De modo geral, as fantasias eram de fácil leitura dentro do enredo, muitas delas com costeiros de penas que se sacudiram no ar conforme o balanço dos componentes.

Enquanto o abre-alas vinha com Lampião, o cangaceiro, o segundo carro trazia bonecos característicos de Mestre Vitalino e uma grande escultura de Luiz Gonzaga, no alto. Já o último carro carregava uma escultura de Maria Bonita empunhando um facão. Grande apresentação da bateria do Pérola e de seu carro de som, que trazia também uma sanfona na melodia do samba. O ponto alto da parte musical do desfile foi o ritmo de xota que era feito em uma das bossas da Swing da Madá.

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NENÊ DE VILA MATILDE

A Nenê de Vila Matilde levou ao Anhembi o enredo “Encruzas – Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo” para falar da esquina mais famosa do Brasil, o cruzamento da Rua Ipiranga com a Avenida São João. A comissão de frente foi um dos pontos fortes da Vila Matilde, trazendo um tripé com muita boemia, Exu e malandragem, resumindo bem o enredo e apresentando a escola ao público. O primeiro casal Edgar e Graci veio com uma coreografia baseada no samba, com movimentos bem sincronizados e muita simpatia. Eles usavam belas fantasias em azul, prata e branco.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Já a ala das baianas desfilou de azul e amarelo, logo à frente de uma belíssima Águia, símbolo da escola, que vinha no carro abre-alas. Bondes e o Teatro Municipal também faziam parte da alegoria, além da ala das crianças, presente no primeiro chassi desse grandioso carro. As fantasias eram de bom gosto e fácil leitura, fazendo no Anhembi um verdadeiro festival de cores.

A bateria de Bambas fez um breque de apagão no refrão de cabeça que contagiou todo o público presente no sambódromo. Eles entraram no recuo aos 29 minutos de desfile e saíram com 40. A Harmonia da Águia Guerreira da Zona Leste foi uma das melhores da noite, com a comunidade cantando forte o samba, muito bem puxado por Tiganá e seu afiado time de canto. A escola enfrentou alguns problemas de evolução na pista, mas conseguiu encerrar sua passagem dentro do tempo.

DOM BOSCO

Penúltima agremiação a pisar na passarela do samba paulista, a Dom Bosco trouxe o enredo “Mariama – Mãe de todas as raças, todas as cores. Mãe de todos os cantos da terra. A escola cantou Nossa Senhora Aparecida em sua identidade negra, reafirmando sua essência litúrgica e popular. Destaque para a bossa na parte final do samba, em que os surdos de terceira seguravam o andamento enquanto a comunidade da escola cantava alto o melodioso samba.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Logo de início, pode-se ver uma comissão de frente dinâmica e com movimentos extremamente precisos. O ponto alto da coreografia foi a aparição de uma componente simbolizando Nossa Senhora Aparecida no alto do belo elemento alegórico. O primeiro casal, Leonardo e Mariana, manteve o alto nível de abertura da escola, praticamente toda em dourado. Ele veio com uma rede de pescadores como capa, demonstrando originalidade na fantasia.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

As baianas e o abre-alas, que trazia uma escultura de Nossa Senhora com tom de pele negra, seguiram no mesmo tom. A alegoria tinha ainda água como parte da decoração do piso. Em frente à arquibancada monumental, a bateria da Dom Bosco soltou balões de gás helio que formavam um belo terço nos ares, enquanto a escola dava sequência ao seu cortejo. As fantasias das alas também merecem elogios por conta do belo acabamento, algumas delas traziam adereços de mão, dando volume e movimento na evolução da escola, que passou tranquila no tempo, fechando com 59 minutos.

INDEPENDENTE

Faltavam 20 minutos para as 5 horas da manhã de segunda quando a Independente Tricolor deu início ao seu desfile, com certo atraso por conta de ter um rastro de água na pista, que foi seca pelos funcionários da limpeza do sambódromo. Com um enredo entitulado “N’goma – A Primeira Festa na Manhã do Mundo”, a Tricolor trouxe a história de como o tambor funda o Brasil.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A comissão de frente trouxe um tripé onde dançavam sete orixás, entre eles Oxalá, além de outros integrantes que compunham a coreografia. O primeiro casal da Independente, Thais e Jeff, fez uma apresentação segura nos movimentos e encantadora pela fantasia. Fantasias da escola, aliás, que fizeram boa utilização dos costeiros. Já as alegorias também estavam bem acabadas. Vale destacar o luxo do abre-alas e a alegria das crianças, que vieram no último carro, que também tinha esculturas de ogãs e um grande Xangô no alto da alegoria.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A bateria Ritmo Forte transformou o Anhembi em um verdadeiro xirê, especialmente com o apagão geral feito no refrão principal do samba-enredo, que foi intensamente cantado. A bateria entrou no recuo aos 25 minutos e saiu quando o relógio marcou 40, porém a escola não conseguiu cumprir o tempo máximo do desfile, estourando em 1 minuto sua apresentação, o que poderá custar alguns décimos preciosos na apuração.

Independente Tricolor realiza desfile primoroso, mas esbarra em estouro de cronômetro

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A Independente Tricolor foi a última escola a desfilar neste domingo de carnaval pelo Grupo de Acesso 1. Os carnavalescos Léo Cabral e Yuri Aguiar assinaram o enredo “N’goma – A primeira festa no amanhã do mundo”. O desfile caminhava para ser perfeito, mas a escola ultrapassou o tempo regulamentar. Com o cronômetro marcando 1h01, excedeu o limite e deverá perder três décimos, penalização que pode ser decisiva na apuração. Ainda assim, apresentou um espetáculo de alto nível, com destaque para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, além do forte conjunto visual e musical. Não fosse o estouro do tempo, seria candidata direta ao acesso e até ao título.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

COMISSÃO DE FRENTE

Sob a direção de Edgar Júnior, a comissão de frente apresentou o quadro “O Sonho de Zambi” com uma coreografia impactante.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

No centro da encenação, um personagem principal era reverenciado pelos demais integrantes, em clara alusão a Zambi, o criador do mundo e da vida segundo o enredo. O elemento cenográfico remetia a raízes e troncos, simbolizando o nascimento.
Dois outros personagens completavam a composição, representando entidades que interagiam na narrativa apresentada sobre o tripé alegórico.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Jeff Anthony e Thais Paraguassu desfilou com a fantasia “Zambiapungo e Na Calunga”. Vestidos predominantemente de branco, tiveram uma atuação marcante.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Executaram os movimentos obrigatórios com precisão e integraram a coreografia ao samba de forma harmoniosa. A sintonia construída ao longo dos anos ficou evidente na segurança e na elegância da apresentação.

HARMONIA

A comunidade da Independente Tricolor cantou com intensidade durante todo o desfile. A evolução no quesito harmonia foi perceptível ao longo do ciclo: o primeiro ensaio técnico foi abaixo do esperado, o segundo apresentou melhora significativa e, no desfile oficial, o canto foi consistente e vibrante. Todos os versos foram entoados com força, especialmente o refrão principal e o do meio. O efeito de apagão na frase “Ô, ô, ô, esquente o couro, senhor” foi bem executado em diferentes momentos. A energia do intérprete Chitão Martins também contribuiu para o excelente desempenho do quesito.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

ENREDO

O enredo é inspirado no conto de Luiz Antônio Simas, presente no livro Pedrinhas Miudinhas: Ensaios sobre Ruas, Aldeias e Terreiros, e aborda a origem simbólica do Brasil a partir do N’goma, o tambor sagrado. Criado por Zazi para completar a obra de Zambi, o N’goma assume papel central ao unir africanos, povos da Terra de Tupã e até o homem branco durante o período da escravidão, tornando-se símbolo do primeiro elemento de organização social do país. No desfile, a narrativa foi bem conduzida, desde a apresentação inicial da comissão de frente até a celebração no encerramento.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

EVOLUÇÃO

A escola apresentou uma evolução segura e coesa. O ritmo intenso do samba favoreceu o desempenho dos componentes, que desfilaram soltos e integrados. Não foram observados buracos nem divisões entre os setores. Ao contrário, a escola manteve-se compacta durante todo o percurso. As lideranças da agremiação, ao lado do presidente Batata e do diretor Danilo Zamboni, atuaram de forma enérgica, incentivando os desfilantes e colaborando com o departamento de harmonia para garantir o bom andamento.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

SAMBA

A Independente Tricolor levou para a avenida um dos sambas mais fortes do Grupo de Acesso 1. Desde as eliminatórias, a obra já demonstrava grande apelo. Havia expectativa quanto ao rendimento após as alterações feitas em relação à versão original, e o resultado foi positivo. Chitão Martins conduziu o carro de som com firmeza, valorizando suas características vocais e envolvendo comunidade e público no Anhembi.

FANTASIAS

As fantasias apresentaram qualidade estética e funcionalidade. Além do impacto visual, permitiram liberdade de movimento aos componentes, contribuindo diretamente para o bom desempenho em harmonia e evolução. A linha visual foi uniforme e agradável, reforçando a identidade da escola da Vila Guilherme.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

ALEGORIAS

A primeira alegoria, intitulada “Dikenga: o Cosmograma Bakongo e o Sentido da Vida”, destacou-se pelo luxo e pela riqueza de detalhes, sendo uma das mais belas da noite. Máscaras esculpidas e elementos circulares em movimento conferiram imponência ao conjunto.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O segundo carro, “Senhor do Fogo e a Criação do N’goma”, representou Zazi de forma simbólica, com destaque para a escultura central que se movimentava e reforçava a força da criação do tambor sagrado.

A última alegoria, “O Grande Terreiro Brasil: A Primeira Festa na Manhã do Mundo”, encerrou o desfile com caráter celebrativo. Uma grande escultura central representava uma entidade, enquanto outros elementos remetiam à percussão e à construção simbólica do Brasil.

Trata-se de um enredo denso e de leitura complexa, o que pode dificultar a compreensão imediata para quem não teve contato prévio com a sinopse. Ainda assim, a força plástica e o bom andamento da escola foram evidentes.

OUTROS DESTAQUES

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A bateria Ritmo Forte, sob o comando do estreante mestre Higor, apresentou bossas bem executadas e sustentou o ritmo do samba com segurança, contribuindo de maneira decisiva para o desempenho geral do quesito.

Cabine a cabine! Como foram os desfiles no primeiro dia do Grupo Especial do Rio no Carnaval 2026

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Opinião! Análise do primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio no Carnaval 2026

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‘Agora é esperar Imperatriz campeã na quarta-feira’, declara mestre-sala

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A Imperatriz Leopoldinense, do carnavalesco Leandro Vieira, trouxe para avenida uma homenagem para Ney Matogrosso. Os componentes vieram vestidos com as marcas que esse espetacular artista deixou em sua estética e em sua musicalidade.

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Inseridos no setor batizado “Meio homem, meio bicho”, o canal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, se apresentaram como uma criatura fantástica que mistura aspectos humanos e animais em hibridismo.

Considerado umas das melhores duplas do Carnaval do Rio de Janeiro, Raphaela e Phelipe fizeram valer jus a fama e deram um show na Sapucaí.

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“Treino é treino, jogo é jogo, mas saiu tudo como planejado. A emoção fala mais alto por tudo o que passamos para chegar até aqui”, disse Raphaela em entrevista ao CARNAVALESCO. 

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“É o fim de um trabalho lindo, de ensaios incansáveis, de muita entrega, muita provação e graças aos orixás conseguimos atravessar a avenida mostrando nosso melhor. Agora é aguardar a nota 10 e Imperatriz campeã”, declarou.

Quem também está confiante no trabalho apresentado e que o título pode voltar para Ramos é o diretor de carnaval André Bonatti.

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“O desfile é o reflexo do trabalho feito durante os ensaio de rua. É muito bom ver essa comunidade abraçar a escola desse jeito. A Imperatriz sai daqui forte para brigar por esse campeonato”, declarou.

‘Só a porta-bandeira sabe o peso de carregar um pavilhão’, declara Thainara da Niterói

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Sob os olhares do homenageado, a Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles de domingo com a missão de transformar a biografia de Luiz Inácio Lula da Silva em uma epopeia de resistência e democracia.

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Ala Prouni da Acadêmicos de Niterói. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A agremiação entregou um belo desfile e contou com um casal de mestre-sala e porta-bandeira que mostrou muita sintonia e beleza para representar o pavilhão da Niterói.

O primeiro casal, Emanuel Lima e Thainara Matias, trouxe para a avenida a fantasia “Luar do Sertão”, uma homenagem à infância de Lula sob as histórias de Dona Lindu e as canções de Luiz Gonzaga.

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“Foi um desfile muito emocionante. É um ano de oportunidade e a Niterói veio para dar oportunidade para todos. Espero que a comunidade tenha se sentido representada nos momentos em que fizemos carinho no nosso pavilhão”, disse Emanuel em entrevista ao CARNAVALESCO. 

“Estava muito tranquila, mas só uma porta-bandeira sabe o peso de carregar essa roupa, de representar um pavilhão. Estou com a sensação de dever cumprido”, confessou Thainara.

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Na estreia de mestre Branco Ribeiro na escola e no grupo especial, a bateria teve um bom andamento e apresentou bossas interessantes.

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“Superou minhas expectativas. A gente vem de um trabalho de montagem e construção de uma bateria, mesmo com isso conseguimos nos superar”, declarou o mestre.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mangueira no desfile no Carnaval 2026

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Um grande desfile da bateria da Estação Primeira de Mangueira, sob o comando dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Um ritmo com andamento bem confortável, limpeza rítmica e excelente fluência entre todos os naipes foi apresentado. Tudo junto de um conjunto de bossas que de tão musical pode ser considerado simplesmente primoroso. Uma bateria da Verde e Rosa que atrelou a cultura amapaense a sua sonoridade, vinculando seu ritmo ao tema da agremiação do morro de Mangueira.

Na parte da frente do ritmo da Verde e Rosa, uma primeira fila de xequerês deu brilho sonoro às peças leves junto de uma consistente ala de cuícas. Um naipe de ganzás de grande qualidade se exibiu de modo ressonante. Uma ala de tamborins impressionante exibiu um desenho rítmico complexo e de difícil execução com brilhantismo. Simplesmente fabuloso o toque coletivo do carreteiro da Manga, fazendo jus ao apelido “Tem que respeitar meu tamborim” da bateria mangueirense. Uma bela ala de agogôs de duas campanas (bocas) ajudou a valorizar o samba, com uma convenção bem casada com a obra.

Na cozinha da bateria da Mangueira, uma afinação pesada e potente do surdo de primeira foi notada, auxiliando os marcadores da Velha Manga a tocarem com vigor, além de precisão. O balanço irrepreensível dos surdos mor ajudaram no grande trabalho envolvendo os graves. Repiques de alta técnica tocaram juntos de um naipe de caixas de guerra simplesmente brilhante. Impressionante a batida clássica rufada mangueirense tão enxuta e uníssona, dando base de amparo musical aos demais naipes. Timbales também auxiliaram no preenchimento da sonoridade da parte de trás do ritmo com um balanço acima da média, tanto no ritmo quanto em bossas. Marabaixos vieram pelas laterais e nos fundos da bateria da Mangueira, sendo cruciais na paradinha do início da segunda do samba.

Bossas altamente musicais foram exibidas com precisão cirúrgica. Bem vinculadas ao que o melodioso samba mangueirense pedia, se aproveitando das nuances para consolidar seu ritmo. Se tratam de conversas rítmicas potentes, por vezes com sonoridade encantadora. Como é o caso da bossa dos marabaixos na segunda do samba, que começa logo após a letra da obra praticamente solicitar o arranjo. Simplesmente sensacional a retomada pautada pelos marabaixos, mostrando uma versatilidade rítmica extremamente acima da média. A referida bossa é iniciada com um solo muito bem pontuado de timbales e agogôs, encerrando com o solo dos marabaixos ajudando a retomar o ritmo. De muito bom gosto a criação musical da Mangueira, além de ser muito bem casada com a obra.

Uma grande apresentação da bateria da Mangueira, dirigida pelos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Um ritmo com andamento confortável, boa equalização de timbres e um equilíbrio acima da média foi exibido. Com um conjunto de bossas altamente musical, a sonoridade produzida pela bateria da Estação Primeira se mostrou totalmente atrelada ao tema da agremiação, valorizando o samba-enredo com seus arranjos bem pontuados. Infelizmente, em virtude de tempo apertado para terminar seu desfile, a apresentação na última cabine só contemplou uma bossa, que foi bem executada. A educação musical diferenciada dos ritmistas foi um baita trunfo, nesse grandioso desfile da bateria da Mangueira.

Mangueira tem visual primoroso, canto potente e evolução segura

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A Estação Primeira de Mangueira voltou a apresentar uma estética muito consistente, criativa e de bom acabamento no segundo desfile assinado por Sidnei França. Com um enredo potente e cheio de ancestralidade, a Verde e Rosa passou de forma segura pela Sapucaí, com fluidez, tempo controlado e destaque para o canto da escola. Se o samba não foi explosivo, a comunidade mostrou que está sempre fechada com a escola. O ponto preocupante ficou para o casal e a comissão, justamente na cabine espelhada. Na abertura do desfile, a comissão não conseguiu ser satisfatória na apresentação para os dois lados e, no casal, Matheus acabou hesitando ao pegar o pavilhão, precisando de mais de um toque para segurá-lo.

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Com o enredo “Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, a Estação Primeira de Mangueira foi a última escola a pisar na Sapucaí nesta primeira noite de desfiles do Grupo Especial, com o tempo de 79 minutos.

COMISSÃO DE FRENTE

Com coreografia assinada por Lucas Maciel e Karina Dias, em “Te Invoco do Meio do Mundo”, animais sagrados e uma árvore erguida ambientavam o público com a Amazônia Negra, território afro-indígena do extremo norte do Brasil. No momento ritualístico, os povos originários tomavam o caxixi, bebida responsável pelo transe, e passavam a celebrar os seres de Outro Mundo. Essas energias se apresentavam entre os planos físico e espiritual, fundindo realidades diante dos tons e das texturas do encanto tucuju. Saudando a natureza e as forças ancestrais, aquele que é seu maior representante foi invocado e tomou o espaço. O Xamã Babalaô, guardião dos povos, da cura e das culturas amapaenses, apresentou-se como a forma encantada de Mestre Sacaca. Embrenhado em sua Amazônia, o personagem seguiu vivo como natureza pulsante.

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Na apresentação no módulo, o Xamã Babalaô, ao ser invocado, apareceu na árvore e realizou um efeito de luz em suas asas, como se manuseasse o fogo. Ao final, surgia Yá Benedita. O elemento cenográfico, constituído por uma árvore centenária gigante, era de fato muito bonito, e a ideia dos animais, das onças, era interessante, além do trabalho de luz do Xamã. Porém, na cabine espelhada, a comissão não conseguiu encontrar um modo de se apresentar simultaneamente. Na parte em que o Xamã aparecia, ele surgia apenas para um lado e fazia o truque de luz, enquanto, no outro, o jurado via apenas a dança dos componentes ao redor da árvore, com o elemento cenográfico sem aproveitamento por muito tempo. Assim, cada jurado ficou um bom tempo com a árvore à frente sem que nada acontecesse. Ponto negativo de uma ideia interessante, que passou melhor no primeiro e no terceiro módulo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Estação Primeira de Mangueira, Matheus Olivério e Cintya Santos, coreografado por Ana Paula Lessa, veio inserido na abertura do desfile da Verde e Rosa, personificando os participantes indígenas do Turé. Os figurinos da dupla, belíssimos, com a parte de baixo trabalhada no marrom-escuro em contraste com as pedras coloridas e a estética indígena, trouxeram referência ao trabalho plumário e às padronagens inspiradas nas artes dos povos originários dessa região, representando, de forma carnavalizada, os participantes que integram esse ritual, apoiando os pajés em diferentes missões.

* Sairé: o toque indígena do Carvão ecoa na Avenida da Estação Primeira de Mangueira

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A coreografia foi forte e intensa, justificando o apelido de “Casal Furacão”, com Cintya colocando em prática todos os seus artifícios nos giros, para os dois sentidos, inclusive aquele em que inclina o corpo. Matheus também executou seus passos característicos, com uma dança que remete muito ao mestre Delegado, honrando o legado do sambista histórico. A apresentação foi muito boa no primeiro módulo, mas não teve perfeição no segundo, justamente no espelhado, quando, na segunda sequência de giros, a porta-bandeira estende a bandeira e o mestre-sala hesita e não a segura de primeira, precisando dar mais de um toque no pavilhão. Uma pena pela apresentação forte que a dupla fazia. Já no terceiro módulo, tudo certo.

ENREDO

Desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França, “Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra” homenageou a sabedoria popular, a ancestralidade amazônica e a figura de Mestre Sacaca, valorizando a cultura do Amapá e a Floresta Amazônica. No primeiro setor, definido por Sidnei como primeiro encanto, a Mangueira inaugurou o seu cortejo inspirada no ritual indígena do Turé, realizado no extremo norte do Brasil. Foi um momento de celebração aos seres de Outro Mundo, vivenciado pelo transe do caxixi.

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No segundo setor, o Xamã Babalaô seguiu o chamado das águas, mergulhando nas correntezas que unem gente e mistério. Nesse encanto, apresentou-se que os rios eram estradas fundamentais na vida de Sacaca e que conduziam, diariamente, as populações tradicionais com as quais ele tanto conviveu.

No terceiro setor, o Xamã Babalaô reencontrou-se com os segredos da mata, transformando a natureza em Ciência do Encanto, em que diversos elementos carregavam o poder da cura e, por meio deles, o encantado tucuju cuidava de seu povo e disseminava a medicina ancestral.

No quarto setor, ao ouvir o som dos tambores, o Xamã Babalaô reviveu sua vocação para a cultura e integrou-se às manifestações de seu povo, celebrando junto a ele.

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O quinto setor encerrou o desfile mostrando o Xamã Babalaô como espírito encantado que caminha ao lado da nação mangueirense, revivendo os saberes, as tradições e os valores de sua comunidade.

No geral, a história foi muito bem contada, com fantasias de fácil leitura, bom encadeamento narrativo e uma mensagem importante ao final. Faltou apenas relacionar um pouco mais essa ancestralidade de Mestre Sacaca com a Mangueira, algo que sempre emociona o mangueirense e que tinha espaço no desfecho. Mas nada que comprometa o bom trabalho narrativo de Sidnei.

EVOLUÇÃO

A evolução da Mangueira foi uma das melhores dos últimos tempos. Cadenciada, a escola passou com fluidez muito eficiente. Controlada, aproveitou bem as apresentações, encerrando o desfile no tempo, apesar de levar um conjunto de desfilantes bastante grande. Passou pela Sapucaí com calma, com os componentes aproveitando o desfile.

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O principal: sem correria ou buracos, a escola desfilou com seu tapete de fantasias e alegorias sem deixar espaços aparentes. No compasso do samba, a evolução não foi marcada pela intensidade, mas houve alegria e espontaneidade do mangueirense. A grande maioria das fantasias em trajes leves também ajudou. Destaque para a ala “O Movimento das Águas Barrentas do Amazonas”, que realizava coreografia com componentes mudando e trocando de lugares para aludir ao movimento das águas.

HARMONIA

Estreando em voo solo na Sapucaí, Dowglas Diniz não sentiu a pressão do momento. Calmo, fez tudo com muita correção e qualidade. O cantor foi um achado da escola: ritmista, começou a cantar, fez parte do carro de som, dividiu microfone com Marquinhos e hoje é a voz principal de uma escola como a Mangueira. Dono de uma voz rasgada, com ótima extensão vocal e afinação, mostrou que a aposta foi acertada, inclusive fazendo solo no refrão de baixo, respondido pelas vozes femininas.

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O restante do carro de som, experiente e talentoso, composto por nomes como Leandro Santos e Daniel Silva, além das afinadas e competentes Cacá Nascimento e Nina Rosa, teve mais uma vez alta produtividade. E falar do canto da comunidade da Mangueira é chover no molhado: cantaram do início ao fim, alegres e interagindo com o público. Era notório, tanto que Dowglas, em diversos momentos, deixava apenas para o povo o verso “Abençoe o jeito Tucuju”.

SAMBA-ENREDO

A obra da Mangueira foi produzida pelos compositores Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal. Envolto em algumas polêmicas em sua escolha no concurso de sambas, o samba mostrou um caráter mais cadenciado, remetendo aos do início dos anos 2000. A bateria dos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão aproveitou para inserir bossas pertinentes à música e à temática do desfile, como a utilização do marabaixo.

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Com propensão a uma linha melódica bem desenvolvida, como na primeira parte do samba a partir de “Finquei minhas raízes” e no fim da segunda estrofe em “Yá Benedita de Oliveira”, a obra não possui refrões de grande explosão, sendo mais cadenciada e mantendo linha mais reta e focada na melodia. Apesar disso, o desempenho na avenida foi satisfatório.

FANTASIAS

A Mangueira trouxe um conjunto de fantasias muito bem trabalhado, rico, com utilização de materiais de alta qualidade, bom gosto e soluções estéticas não tão óbvias. As fantasias eram de fácil leitura e ajudaram a contar o enredo.

Já na primeira ala, “Turé, uma nação incorporada”, Sidnei França trouxe a palha contrastada com os tons de verde e rosa, além de pontos de azul e laranja cítrico, abrindo o desfile com efeito interessante em figurinos com três formas diferentes.

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O segundo setor destacou o verde em diferentes tonalidades, contrastando com cores como os tons de barro na ala “O Movimento das Águas Barrentas do Amazonas” e com o dourado na ala “Navegando no Rio Matapi”, evitando monotonia cromática.

No terceiro setor, que tratava dos segredos da mata, o verde voltou intercalado com tons de madeira e elementos do dia a dia inseridos nas fantasias com boa qualidade estética, como nas alas “O Ritual da Colheita” e “O Poder das Cascas e Sementes”, ambas belíssimas e com soluções visuais fora do óbvio.

A partir da ala 12, “Simpatias para o Povo Ter Fé”, a opção por tons terrosos em contraste com laranja e vermelho dialogou com a alegoria “Engarrafa a Cura”, trazendo nova roupagem ao desfile. Após o terceiro carro, no setor dos Tambores, o rosa começou a aparecer mais, como nas alas “Couro do Amassador do Curiaú” e “Açucenas e Tocadores”. Foi o momento com maior presença da cor, o que pode incomodar o mangueirense mais fervoroso, mas era pertinente ao enredo.

Ao falar de Mestre Sacaca como ser encantado e guardião da floresta, a escola finalizou com paleta em tons de marrom, palha e barro, reforçando a ancestralidade da floresta e do Xamã Babalaô.

ALEGORIAS

Também de muita qualidade estética, as alegorias apresentaram volumetria, altura e esculturas bem executadas, com boa leitura do enredo e soluções criativas. Com bom acabamento, os carros passaram pela Sapucaí sem grandes problemas. Apenas o abre-alas teve questão na dispersão, já fora do desfile.

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O abre-alas mostrou a Mangueira aportando no extremo norte do Brasil no ritual do Turé. A cerimônia indígena é realizada como forma de agradecimento e enaltecimento aos espíritos invisíveis, como o próprio Xamã Babalaô. Cobras, jacarés e pássaros estavam espalhados pelo carro, pintados com grafismos dos povos originários. Maracás erguidos simbolizavam a manifestação indígena, além de figuras animais, elementos celestes e efeitos sonoros da floresta.

A segunda alegoria mostrou o Xamã Babalaô nas águas doces, reencontrando os povos tradicionais amapaenses. Tinha como elemento central uma cobra ligada às correntes fluviais, além de embarcações inspiradas nas utilizadas por Mestre Sacaca. Alegoria criativa e com movimento, embora o acabamento tenha sido inferior às demais.

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O terceiro carro exaltou a reconexão com a medicina ancestral, com escultura central de uma senhora segurando um bebê recém-nascido, fruto de uma garrafada. Havia representações de medicamentos populares e efeito de fumaça nos cachimbos.

O quarto carro trouxe a Missa dos Quilombos, ápice do Encontro dos Tambores, celebrando manifestações culturais e religiosas amapaenses com elementos do afrocatolicismo amazônico.

A quinta alegoria apresentou o Xamã Babalaô em forma humana, entrelaçado à natureza, surgindo como raiz de uma árvore viva, símbolo da sobrevivência física e espiritual da Amazônia Negra. Excelente conjunto alegórico.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”, dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, representou o Xamã Babalaô, conhecido como Preto Velho do Amapá. Com fantasia que incluía barba postiça, destacou-se também por bossa com marabaixo.

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A rainha Evelyn Bastos, em sua terceira “encantaria”, representou a fumaça, simbolizando as mandingas do Xamã Babalaô, com fantasia em tons entre o preto e o prata.

No esquenta, Dowglas Diniz levantou a Sapucaí com o samba de exaltação, além de “Tem Capoeira” e “Salve Mangueira”. Em discurso, a presidente Guanayra Firmino lembrou a ancestralidade da escola e inflamou os desfilantes a darem o seu melhor.