Um bom ensaio da bateria “Ritmo Alvi Negro” da Botafogo Samba Clube, comandada por mestre Branco Ribeiro. Um ritmo equilibrado e com bossas intuitivas foi exibido. Destaque para o trabalho sólido envolvendo as peças leves.
Na cabeça da bateria da Botafogo, uma ala de tamborins ressonante executou um desenho rítmico simples com precisão e qualidade sonora. Um bom naipe de chocalhos ajudou no preenchimento musical da parte da frente do ritmo, assim como cuícas seguras contribuíram com o bom trabalho apresentado pelas leves.
A parte de trás do ritmo contou com afinação de surdos correta, além de marcadores de primeira e segunda tocando com firmeza. Por vezes foi possível perceber um toque com uma dose de força perigosa, principalmente vindo das primeiras. Esse movimento de colocar um gás maior do que o sugerido no instrumento pode provocar oscilações rítmicas no entorno, dando sensação de desajustes sonoros, principalmente quando o ritmo se locomove pela pista. Um bom trabalho das terceiras, seja fazendo ritmo ou em bossas. Um naipe eficiente de repiques adicionou valor sonoro aos médios, junto de caixas de guerra dando um bom volume à sonoridade.
As bossas eram pautadas pela melodia do samba-enredo da escola, se aproveitando das nuances da canção para consolidar seu ritmo. Destaque para um arranjo iniciado na segunda do samba, que conta com ritmistas se abaixando em cumprimento e levantando. A paradinha se estende, efetuando tapas ritmados em conjunto, com direito a dancinha pra lá e pra cá antes da retomada, na segunda passada do refrão principal.
Uma boa apresentação da bateria “Ritmo Alvi Negro” da Botafogo Samba Clube, dirigida por mestre Branco Ribeiro. Um ritmo com equilíbrio e musicalidade das bossas seguindo as variações melódicas do samba foi exibido, no que pode ser considerado um treino oficial satisfatório para efetuar os últimos ajustes, visando o desfile oficial.
Por Matheus Vinícius e fotos de Magaiver Fernandes (Colaboraram Allan Duffes, Luiz Gustavo, Carolina Freitas, Juliana Henrik, Marielli Patrocínio e Marcos Marinho)
Recém-chegado à Série Ouro, Botafogo Samba Clube esbanjou alegria e vontade de ficar nesta divisão nesta última noite de ensaios técnicos. A estreante abriu as apresentações da noite com uma comissão de frente satisfatória, o 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira encantador e se destacando pelo empenho dos componentes em cantar o samba-enredo. O principal ponto de atenção que a escola deve ter é no quesito Evolução para evitar formação de buracos entre alas, como ocorreu durante o ensaio.
O Botafogo apresentará na Sapucaí o enredo “Uma Gloriosa História em Preto e Branco”, desenvolvido por Alex de Souza, uma narrativa que irá desde a formação do bairro Botafogo até a história do clube de futebol de onde a escola se originou.
“É a nossa estreia e foi muito bom, estou muito contente. A escola cantando, evoluindo, é o reflexo do trabalho que a gente vem fazendo lá toda sexta-feira, muito sacrifício mas a gente está muito feliz, muito bom. A escola está motivada, preparada e a gente vai vir fazer um grande Carnaval, com respeito às coirmãs, mas a gente veio para ficar, a gente não veio aqui só de passagem não e almejar com o tempo, fazendo um bom trabalho, coisas maiores. Pode esperar muita energia, muita vibração, aquela mesma vibração que a gente tem pelo nosso Botafogo, a gente vai trazer para a avenida. É futebol, é samba, é paixão e é com essa paixão que a gente vai desfilar”, analisou Válber Frutuoso, diretor de carnaval.
A comissão do coreógrafo Jardel Augusto Lemos simulava um time de futebol em todos os seus momentos de glória e de dificuldade. O clímax da comissão se dava na encenação do momento do gol. Nas partes de dança conjunta, os integrantes tiveram sincronia e executaram com precisão os passos. Mas em outros momentos, a ideia era que cada integrante simbolizasse em câmera lenta uma situação específica de um jogo – uma contusão, uma defesa de gol, uma falta, entre outras – e isso pode gerar confusão no público que assistiu.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O vento não abalou o casal Diego Moreira e Beatriz Paula. Mestre-sala e porta-bandeira fizeram um bom uso do espaço com um bailado alegre e bem executado. Diego e Beatriz apresentaram passos ágeis e leves, dentro de características tradicionais do quesito. O casal avaliou o ensaio desta noite e falou sobre as expectativas para o dia do desfile.
“Estamos dançando juntos há cinco anos. Entrei na escola em 2019 para o Carnaval de 2020, e o Diego está conosco desde a primeira vez na Intendente. Por isso, estamos ansiosos para este carnaval. Sempre buscamos dar a nota máxima para a escola na Intendente, e este ano não será diferente. Estamos trabalhando arduamente, e o barracão está deslumbrante. As fantasias estão realmente lindas, e tenho certeza de que a Botafogo realizará um desfile magnífico, surpreendendo a todos no dia 28! A fantasia e todos os elementos estão leves, graças a Deus. O Alex criou uma roupa linda, bem diferente do que estamos acostumados a usar. Um spoiler que posso dar é que vocês não nos verão de preto e branco. Vamos surpreender com cores vibrantes, que acredito que serão bem impactantes!”, declarou Beatriz Paula.
Diego Moreira complementou e disse que não tem medo de arriscar. “O coração não consegue explicar! Além de defendermos nosso amor pelo samba, também defendemos, através do samba, nosso amor pelo futebol, que está em nosso coração alvinegro. A expectativa é a melhor possível. Já trabalhamos juntos por muito tempo, graças a Deus. Estamos fazendo de tudo para agradar tanto o povo do carnaval quanto nossa gloriosa torcida! Podemos fazer mudanças, sim, porque somos muito detalhistas. Quando percebemos que algo não está de acordo com nosso gosto, não hesitamos em alterar. Ontem já fizemos mudanças em relação a hoje, e se for preciso mudar novamente, não temos medo de arriscar, faremos, sim!”, acrescentou o mestre-sala.
Harmonia
Um ponto alto do ensaio foi observar que a maioria dos componentes estava cantando o samba, revelando uma Harmonia satisfatória. O carro de som liderado por Emerson Dias também fez um trabalho muito competente que se encaixou com a alegria que este samba pede.
“Foi um ensaio digno, alegre e vibrante. O samba estava surpreendentemente na boca do povo, mostrando que a escola está muito feliz de estar pela primeira vez na Marquês de Sapucaí. Fiquei muito feliz com a torcida acompanhando o canto. Deu tudo certo. Viemos para ficar e arrepiar”, afirmou Emerson Dias.
Samba
A composição de Aline Bordalo, Ricardo Goes, Gutemberg Kunta, Julinho Dojuara, Mauricio Almeida, Fernando de Lima, Daniel Bomfim e Serginho Machado combinou com o estilo do intérprete Emerson Dias cantar. É um samba que faz sentido para agremiação e alegra os componentes. Os pontos mais fortes, além dos refrões, são os trechos “Lalá, nosso hino virou poesia! // E ser escolhido por ti me arrepia” e “Eu vou pro Niltão com a massa // Pra levantar mais uma taça // Atletas que o mundo aplaudiu, que constelação! // Meu time virou seleção!”.
Evolução
A Estrela Solitária do samba trouxe componentes animados para este ensaio, realmente foliões. Porém, a escola precisa se atentar com os espaçamentos entre os componentes, para evitar uma evolução confusa e descaracterização de alguma ala. Próximo ao segundo recuo, um ônibus, que representava um carro, abriu distância da ala da velha-guarda que vem atrás.
Outros Destaques
O mestre de bateria, Branco Ribeiro, fez sua estreia na escola com um trabalho competente e por vezes ousado, com direito a paradinhas ao estilo apagão, para deixar o público cantar.
“Nós viemos ensaiando em um processo de implantação de identidade de bateria desde abril. Hoje, aqui, a gente está colhendo os frutos do nosso trabalho. Obviamente que a gente tem uma galera aqui, uns amigos que ajudam a gente. A gente pode hoje falar que é independente. A gente tem mais de 70% de ritmistas da nossa própria bateria. É algo de muito orgulho. E, que agora, a nossa tentativa é ajustar mínimos detalhes para poder aparecer no dia 28 de fevereiro com a máxima performance. Temos a questão das pessoas que chegaram ao nosso trabalho, agora recentemente, que vão se adequar hoje, e tiveram experiência de contato com as nossas paradinhas e isso, requer a correção é uma avaliação individual”, explicou o mestre.
Unida e com o samba na alma e na ponta da língua, a Acadêmicos do Grande Rio fez seu melhor treino da temporada e encerrou o período de ensaios de rua, no último domingo, na região central de Duque de Caxias. O canto forte e a excelência dos quesitos foram os destaques de uma noite que reafirmou que a Tricolor Caxiense entrará na Avenida para brigar pela segunda estrela.
Ao fim dos quase 700 metros de percurso, a escola foi recebida pela torcida aos gritos de “É campeã”. Juntos, Fafá e Evandro Malandro puxaram um coro com com os componentes, e a emoção tomou conta dos quesitos. Para o diretor de carnaval, Thiago Monteiro, a agremiação está preparada para entrar no Sambódromo e brigar pelo título.
“Hoje foi diferente. A escola está pronta. Estamos prontos para fazer um grande carnaval. A Grande Rio que queremos mostrar é uma Grande Rio aguerrida, com sede de vencer e que quer reconquistar o título para colocar a segunda estrela no pavilhão. Está todo mundo nesse espírito. O que tem que acertar, já acertou; o que tem que treinar, já treinou. Vamos fazer o último preparo nesta terça-feira e, no dia 23, uma apresentação na Sapucaí. Mas, hoje, temos uma escola pronta para entrar na Avenida e disputar o Carnaval”, afirmou o diretor de carnaval.
Neste ano, a Grande Rio levará para a Passarela do Samba o enredo “Pororocas Parawaras: As águas dos meus encantos nas contas dos curimbós”, assinado pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Sempre marcado pela excelência, o primeiro casal Daniel Werneck e Taciana Couto foi, mais uma vez, um espetáculo à parte no carnaval da Vermelha, Verde e Branca. A coreografia com traços do carimbó embalada na tradicional dança do quesito é encantadora e vai de encontro ao tema central do enredo. Os giros precisos da porta-bandeira, o bailado e a sintonia realçada pela troca de olhares entre os dois também são destaques.
Harmonia e Samba
A temporada de ensaios de rua da Grande Rio foi marcada pelo canto intenso da comunidade. Após um ensaio técnico no qual o componente precisou cantar ainda mais intensamente, o que se viu na noite deste domingo foi uma escola muito bem alinhada com seu chão e que atingiu a excelência do canto. Isso é resultado não somente de um samba forte que está na boca do povo, mas de um longo trabalho desenvolvido pela comissão de harmonia nos últimos anos. Da primeira ala até a última, todos cantavam. Entre os destaques, vale pontuar o canto aguerrido da ala 24 durante o início do treino. A excelência musical, que passa por Fafá, Evandro e pelos cantores de apoio, contribuiu ainda mais para uma harmonia impecável e que promete buscar o gabarito.
Evolução
Coesa, mas sem engessar o componente. A evolução da Grande Rio se destaca pela liberdade que dá ao desfilante para brincar carnaval. Muitos torcedores pulavam, dançavam e até rodavam ao longo da avenida. Alas coreografadas se destacam em meio a uma comunidade feliz e saltitante, entre elas, a ala do carimbó. A ótima evolução se torna o complemento de uma harmonia impecável.
“A nossa filosofia é deixar a escola solta, livre de fileiras e com a liberdade que a fantasia vai impor ao componente. Está todo mundo unido para fazer, para brincar e para buscar este campeonato, mas de forma livre, solta e buscando seu espaço na Avenida para brindar o público e para que o componente possa se divertir”, pontuou Thiago Monteiro.
Outros destaques
Destaque para a bateria comandada pelo – “major” – mestre Fafá. As bossas muito bem encaixadas ajudam a levar o samba-enredo ainda mais, como nos versos: “Pro mestre batucar a sua fé//” e “Protege Caxias nas águas de Nazaré//”. Também vale o destaque para as bossas dos curimbós e maracás. Já em ritmo de agradecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses, Fafá pontuou o que o mundo do samba pode esperar do quesito no desfile oficial.
“Uma bateria ciente do que deve ser feito. Uma bateria alegre, feliz. A gente está com uma fantasia muito leve e agradável, o que vai facilitar muito o nosso trabalho. Eu quero agradecer aos meus 270 ritmistas por tudo o que eles fizeram ao longo desta temporada. Foi uma temporada incrível de ensaios de rua e de quadra. Estou muito feliz e só quero agradecer a cada um deles”, analisou o mestre de bateria.
Assim como Thiago Monteiro, Fafá disse acreditar que a agremiação está 100% pronta para o desfile oficial. Não à toa, o mestre de bateria e o intérprete Evandro Malandro fizeram questão de levar um cartaz escrito “Acadêmicos do Grande Rio rumo ao bicampeonato”.
“Acredito que mostramos no ensaio quando houve a falha do som. Isso mostrou o quanto a Grande Rio está pronta, porque a gente sustentou no canto da escola junto à bateria. Foi a maior resposta que a gente poderia dar para as pessoas que diziam que a Grande Rio não tem comunidade, que é escola de artistas, e outras dessas baboseiras de sempre. Aqui há uma comunidade aguerrida e uma bateria que evolui a cada ano que passa, sempre buscando se adequar e entender o enredo que tem para poder fazer um grande espetáculo na Avenida. Só tenho a agradecer e esperar para o último ensaio e o grande dia do desfile”, disse Fafá.
Autoridades municipais também marcaram presença no último ensaio de rua da Grande Rio, como o prefeito de Duque de Caxias, Netinho Reis, e a vereadora Delza de Oliveira.
Quando a Sinfônica do Samba se posicionou em frente ao Setor 1, vieram descendo a avenida os presidentes das escolas de samba da Série Ouro e dirigentes da Liga RJ de mãos dadas com Flávio França, presidente do Império Serrano. Gesto de solidariedade e de força das coirmãs pelo incêndio na Maximus Confecções, em Ramos, que matou o trabalhador Rodrigo de Oliveira, deixou outras 8 pessoas internadas, sendo 6 delas em estado grave, e queimou 97% das fantasias do Império Serrano. No discurso de abertura, o presidente da agremiação pediu 1 minuto de silêncio pelas pessoas que seguem hospitalizadas e pela vítima fatal do incêndio. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Flávio França agradeceu o carinho dos presidentes das outras agremiações e do momento de luto que a escola está atravessando.
“A dor dessa fatalidade todos os outros presidentes estão sentindo. Não só do grupo de acesso, mas também das outras coirmãs. Ninguém queria passar por um processo desses. É claro que para as famílias das pessoas hospitalizadas estão sentindo uma dor muito pior. O momento é de ressignificar muita coisa. É um momento doloroso, não desejo para ninguém. Peço muito a Deus e aos meus Orixás de força para conseguir atravessar essa tempestade e vencer”, declarou o presidente que ainda revelou que a escola montou um departamento de crise para dar a assistência necessária para as famílias dos trabalhadores atingidos no incêndio. “Primeiro, a gente está montando um departamento de crise para poder tratar dessa questão. A prioridade total são as famílias dos envolvidos. A prioridade hoje é ser solidário com essa questão toda”, comentou o presidente imperiano.
Renato Esteves, carnavalesco do Império Serrano, reviveu um trauma. Em 2011, ele estava dormindo na Cidade do Samba quando um incêndio destruiu os barracões da Grande Rio, Portela e União da Ilha, escola onde ele trabalhava.
“A minha preocupação foi com as pessoas. Eu já passei por um incêndio, estava lá dormindo no incêndio da União da Ilha em 2011. Revivi o meu trauma do incêndio”, lamentou o carnavalesco que pediu um pouco mais de carinho com o carnaval. “A gente só pede que sejamos olhados com um pouco mais de carinho. Somos trabalhos do carnaval. O Império tem esse poder de seguir pra frente e de se reerguer. Essa comunidade é incrível. O império é um dos pilares do carnaval. É o Império e a comunidade que me dá força para seguir adiante”, afirmou.
A rainha Quitéria Chagas falou sobre o momento de superação que a escola vive. “A gente veio aqui para dar força para a comunidade. Eu como rainha tenho que resgatar o ânimo e fortalecer com o ritmo. O samba cura. O samba vai nos dar força para resgatar a energia do Império Serrano”, declarou Quitéria aos prantos.
Mestre Vitinho contou ao CARNAVALESCO como recebeu a notícia do incêndio. “Foi uma choradeira danada. Eu tinha acabado de chegar da quadra, tinha tido um evento um dia antes. Estávamos na quadra finalizando alguns instrumentos. Cheguei em casa e recebi uma ligação: Liga na Globo! A tristeza foi com a minha bateria, com a escola, com o Império Serrano. Perdemos um membro da nossa equipe, triste demais. É como se perdêssemos um membro da nossa família. Temos que tocar por eles, temos que pulsar por eles, temos que espantar a tristeza. O que espanta a miséria é a festa. Então, eu digo: o que espanta a tristeza é a festa”, afirmou.
Fechando o último dia de ensaios técnicos da Série Ouro, a passagem do Império Serrano foi marcada por muita emoção. Desde a ala formada por harmonias de outras escolas até o canto forte dos componentes da escola. Da ala jongueira da galera do Fuzuê de Aruanda até os bandeirões que relembravam os baluartes da escola como Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz e Wilson das Neves. Em meio às cinzas, o Império Serrano reacendeu a chama da esperança, mostrando que a força do samba e a união de sua comunidade são capazes de superar qualquer desafio. Com cada batida do surdo e cada verso cantado, a escola provou que, mesmo diante da tragédia, o carnaval segue pulsando como um símbolo de vida e resistência.
Com todos os quesitos quentes e prontos para o desfile, Mangueira fez da Visconde de Niterói baile de favela, terreiro de macumba e palco de mais um ensaio de rua empolgante e focado. Em seu penúltimo ensaio de rua, a comunidade mangueirense incorporou o samba e fez uma verdadeira festa pela Visconde de Niterói. A escola que fechará o domingo dos desfiles, sendo a quarta escola a desfilar, com o enredo “À flor da terra – No Rio da negritude entre dores e paixões”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidney França, apresentou um espetáculo na representação de tudo que o seu samba diz.
Da comissão à última ala, o “orgulho de ser favela” é nítido e vibrante. A escola apresentou uma animação total, era visível que o pedido do diretor de carnaval Dudu Azevedo foi atendido, a comunidade floresceu pelas vielas e festejou aos pés do morro.
Comissão de frente
Após a apresentação representativa e muito elogiada no primeiro ensaio técnico, os coreógrafos Karina Dias e Lucas Maciel seguem apresentando uma comissão aguerrida, negra e em total encontro com o enredo. A performance que enaltece a figura do “cria” segue impactando o público e passando a mensagem de resistência e poder da negritude. Além dos aspectos técnicos, como uma coreografia muitíssimo bem ensaiada e alinhada entre os componentes, a apresentação é didática e impactante, a visão que se tem é de que só falta o figurino e o quesito está pronto para o desfile.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Se tem um trecho do samba enredo que possa descrever o casal da Mangueira, “Força de Matamba” é o mais apropriado. Matheus Olivério e Cynthia Santos fizeram uma belíssima apresentação, a sincronia do casal é exalante, tudo se encaixa, tudo funciona e tudo se encontra. Mas nesse ensaio a postura de ambos foi totalmente diferente entre eles.
Matheus, com o cabelo descolorido, apresentou em seu bailado uma figura malandra e descontraída, já Cynthia performou uma força descomunal, sisuda e aguerrida. Podemos especular que seja um spoiler para o que teremos no desfile ou apenas uma performance especial para o ensaio. Mas é inegável que o efeito causado chama a atenção e vai de encontro com o enredo. Foi interessante assistir o casal apresentando a mesma coreografia, mas com papéis diferentes, há versatilidade no pavilhão verde e rosa.
Harmonia
Com um chão forte e uma comunidade interpretando o samba de maneira visceral, a Mangueira passou de forma excelente pela Visconde de Niterói. O canto passou alto e uniforme por todas as alas, as coreografadas desempenharam muito bem suas coreografias levantando a passagem da escola. Mas o destaque fica para as alas comuns, que, inegavelmente, entenderam a letra do samba e o objetivo do enredo. A Mangueira estava em festa.
Evolução
Apesar da passagem pulsante e aguerrida da escola, não houve problemas no circuito. As broncas dos harmonias e coordenadores de alas, comum em todas as escolas, não foi notada de forma demasiada nesse ensaio da Mangueira, a percepção é de que a comunidade já sabe o que tem que fazer na Sapucaí, todas as alas ensaiaram de maneira solta e descontraída, convidando o público para interagir com o samba e a bateria, que com suas bossas, brinca muito com os componentes. A escola ensaiar na Visconde de Niterói foi o maior acerto dessa temporada de ensaios de rua da Verde e Rosa.
Samba-enredo
Se ainda houver críticas acerca do samba da Mangueira, a comunidade desconhece. O samba é cantado da primeira palavra até o último verso. Nos apagões da bateria e do carro de som, a comunidade chega junto e não deixa o canto cair.
Ao fim do ensaio, o diretor de carnaval Dudu Azevedo avaliou o desempenho da escola em seu penúltimo ensaio de rua.
“Hoje foi uma emoção danada, a gente fechar o domingo aqui nesse período de Visconde de Niterói foi lindo. Tecnicamente a Mangueira é uma escola que está fazendo os últimos ajustes, a gente sempre tem ajustes, a gente sempre bate papo, agora mesmo a gente estava reunido e amanhã tem reunião no barracão como toda segunda-feira. A Guanayra deu para nós uma rua do tamanho da Marquês de Sapucaí, com a mesma distância entre as cabines de jurados e a gente conseguiu realizar ensaios próximos do que tem que ser feito na avenida. Aqui a gente vê o tempo de chegada da comissão, aqui a gente vê a evolução do componente, a gente vê a evolução da escola, a gente vê a comunicação nossa no rádio. É um grande treinamento num campo com as medidas oficiais, então tecnicamente estamos nos últimos ajustes”, contou o diretor.
Outros destaques
“É dela o trono onde reina o samba”, este trecho descreve a rainha Evelyn Bastos que, como sempre, reina absoluta à frente da bateria e cativa todo o público presente. A pista foi invadida por um grupo grande de crianças que correram abraçar e dançar com a Evelyn que interagiu com eles até o fim do ensaio, ela reina!
Outro ponto sempre relevante é o público presente no ensaio, que faz do encerramento uma festa, comprovando que a Visconde de Niterói é o lugar ideal para a Mangueira ensaiar.
Na despedida da temporada na estrada que leva o nome da Majestade do Samba, calçadas abarrotadas e a comunidade comparecendo em peso para prestigiar a Portela e passar boas energias para escola que agora ensaia na Sapucaí, no próximo sábado, no teste de som e de luz. Na pista o que se viu foi uma escola pulsando mantendo o nível forte no canto, capitaneados por um Gilsinho que se deu ao luxo de diversas vezes jogar o samba para os portelenses que sustentaram muito bem a obra. Em uma noite de muito calor na Zona Norte do Rio, quente mesmo estava no chão da comunidade que tem assumido o protagonismo desde os primeiros dias de preparação para o Carnaval 2025. Comprou a briga do samba e vai levando ele com uma harmonia potente para Sapucaí.
O presidente Fábio Pavão analisou este último ensaio de rua e a temporada como um todo da Portela em preparação para o Carnaval 2025.
“A Portela chega muito bem, foi uma excelente temporada de rua aqui na Estrada do Portela, lá na (Rua) Carolina Machado, treinando a evolução, a harmonia, o entrosamento da bateria, carro de som, a alegria dos componentes se destacou durante todo processo e foi aumentando. A gente chega hoje no ponto ideal pra fazer um grande carnaval. Fizemos um bom primeiro ensaio técnico, foi positiva a nossa avaliação, vamos fazer ainda melhor no segundo e arrebentar no desfile é o que a gente espera”, avaliou o mandatário.
O diretor de carnaval, Junior Schall, também avaliou não somente este último ensaio de rua da Portela em Madureira como pontuou a preparação como um todo da escola, ressaltando a força e a energia que a Majestade do Samba chega para essa reta final.
“Avalio de uma maneira muito boa, é uma escola que chega afiada no final, é uma escola que chega fazendo acontecer. A Portela faz acontecer no chão, é chover no molhado porque a Portela sempre fez. Mas, está muito, muito feliz de novo. E a Portela estando muito feliz ela faz acontecer. Com a excelência que só a maior das campeãs possui: técnica, alma, força e felicidade. A avaliação é muito boa do que nós vimos no terreiro da Portela, no chão da Estrada do Portela e, em outros ensaios, na Carolina Machado. A Portela está entendendo que é fechar o carnaval. É óbvio que no dia 22 é o exercício para amplificação, porque sim, pode amplificar e vai amplificar e quando ainda mais no dia quatro, no desfile oficial, lá é o apogeu aqui é o estado de felicidade consciente”, comentou o diretor.
Em 2025, a Portela vai encerrar a terceira noite de desfiles do Grupo Especial levando para a Marquês de Sapucaí o enredo “Cantar será buscar o caminho que vai dar no sol – Uma homenagem a Milton Nascimento”.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Com a missão de abrir este ensaio , Marlon Lamar e Squel Jorgea desfilaram pelo chão da Estrada do Portela com sangue nos olhos buscando apresentar mais intensidade nos movimentos, mas sem perder a delicadeza de movimentos próprios para o casal e o sincronismo. Se, neste último ponto, talvez, ainda haja margem a ser atingida, principalmente pela qualidade e experiência do casal, a dupla teve como ponto positivo fazer uma coreografia mais limpa, sem buscar passos mais coreografados, trazendo do casal o que também casa muito mais com o enredo que é o próprio bailado clássico do mestre-sala e da porta-bandeira, visto que o homenageado também sempre empreendeu a sua vida pela delicadeza e sensibilidade.
Dessa forma, a preferência por uma bailado mais característico é tradicional foi um grande acerto. Um ponto também que não poderia ser ignorado foi a elegância da dupla neste último ensaio, com os trajes dos dois trazendo um belíssimo tom de prateado.
Harmonia
Mais uma vez, destaque do ensaio da Portela, a harmonia é um trunfo para o desfile em mostrar como o trabalho tem dado certo, visto que a comunidade tem mantido uma performance forte no canto já algumas semanas. O mérito da escola que conseguiu manter o trabalho e não deixar que o canto oscilasse ao longo dessa jornada. Mesmo com o forte calor, os componentes seguiam cantando, subindo a ladeira que é a Estrada do Portela quando passa da Rua Clara Nunes, inclusive, com bom canto das alas coreografadas, que conseguiam fazer seus movimentos sem baixar a intensidade do canto.
Antes do ensaio, o diretor de carnaval Junior Schall orientou a comunidade para que não fizesse o caco “eu acredito ” depois do trecho “quem acredita na vida não deixa de amar”, para que não pudesse se configurar no desfile para oo jurados como algo cantado que não está na letra apresentada. A comunidade absorveu bem a orientação e mostrou sua alegria no momento do versos cantado ele com toda força e alegria que vinha cantando, mas sem o caco como orientado.
No carro de som, mais uma vez Gilsinho mostrou o controle de sempre das ações, aproveitando alguns momentos do ensaio para deixar o samba na boca do povo que respondia aos pedidos do intérprete cantando ainda mais forte. Destaque para a introdução do ensaio com a música “Maria Maria”, de Milton Nascimento, mais uma vez, sendo interpretada e trazendo a comunidade para esquentar e estar pronta quando o samba-enredo mesmo era cantado.
Samba
O samba se colocou à serviço da comunidade e do carro de som. O andamento esteve dentro daquilo que a Tabajara do Samba gosta de trabalhar, mas ainda gera cuidados em termos de andamento, para não correr risco de ficar arrastado, visto que é uma obra mais melodiosa e de menor explosão, a não ser no refrão principal “Iyá chamou Oxalá preto rei pra sambar”. Os componentes têm jogado ele pra cima com a força do canto e tem sustentado bem o canto não deixando ele arrastar.
Houve um bom trabalho do carro de som para destacar alguns trechos que se tornaram “queridinhos” da comunidade como o bis “Quem acredita na vida não deixa de amar” e o refrão do meio “nessa estrada,é sonho, é poeira”, baseado em alguns sucessos de Milton. Até o teste de som, a Portela ainda terá mais um ensaio de canto na quadra, uma oportunidade para trabalhar ainda mais o samba, unindo comunidade, carro de som e Tabajara.
Evolução
Na evolução, algumas dificuldades inerentes a Estrada do Portela, como ser uma subida em boa parte do trecho do ensaio e, neste último particularmente, a grande quantidade de pessoas nas calçadas que em alguns momentos acabam transbordando para a pista e atrapalhando um pouco o deslocamento dos foliões. Mas, isso tudo, não será problema no desfile, só foram enumerados aqui para dizer que ainda assim a Portela fez uma evolução positiva, tendo fluidez, apresentando um bom deslocamento sem ficar exagerados períodos parada e sem acelerar demais.
A fluidez foi de uma escola que estava curtindo o momento e brincando carnaval. E as alas coreografadas que não eram em demasia, abrilhantaram o desfile com seus movimentos, como uma ala no início que apresentava saias e produziam um bonito efeito. Outro destaque, foi uma ala já para o final, vindo logo em seguida ao terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira que faziam uma teatralização mostrando tristeza, dor, sofrimento, talvez representante a parte do enredo que fala dos anos de chumbo, mas já na parte final do samba terminavam a sua performance com muita alegria. No geral, uma evolução bem eficiente para o ensaio na Estrada do Portela, já que em geral a evolução é mais testada pela Portela nos ensaios da Rua Carolina Machado, em que o terreno é mais plano.
Outros destaques
A rainha Bianca Monteiro chamou a atenção com o seu já costumeiro samba no pé e com um chapéu de Panamá com fita no azul da Portela. Algumas alas tinham um adereço na cabeça, um sol, um chapéu, algumas fininhas de acetato que produziam um bonito efeito, principalmente o que vinha em tons dourado ou prata.
No final do ensaio, ao som da bateria de mestre Nilo Sérgio, os segmentos e a comunidade protagonizaram um momento de muita alegria cantando e pulando com o samba, festejando essa temporada de ensaios que chega ao fim em Madureira. Até o presidente Fábio Pavão se entregou e participou da “festa” junto com a rainha Bianca, o casal de mestre-sala e da, Marlon e Squel, o diretor de Carnaval Junior Schall, todos a frente da Tabajara do Samba junto com mestre Nilo. Energia muito positiva.