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Freddy Ferreira: ‘A revolução feminina no ritmo das baterias’

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A revolução feminina no ritmo das baterias cariocas é um processo que já ocorre e se encontra em franca expansão. Incontornável e de valor imensurável, cada vez mais a mulherada vai chegar junto para fazer seu ritmo dentro das baterias. Esse processo é gradual e ainda tem muito onde melhorar, mas algumas “vitórias” podem ser comemoradas, mesmo sabendo que muitas batalhas ainda serão travadas.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

É nítido, por exemplo, o quanto o grupo de acesso da Série Ouro da Liga RJ já abraça fervorosamente o talento rítmico feminino. Por se tratarem de escolas com problemas envolvendo contingente de ritmistas, as minas têm por lá maior oportunidade para se aventurarem nos mais diversos naipes. Foi realmente um privilégio acompanhar e constatar esse crescimento de participação feminina no ritmo, nos ensaios técnicos do acesso a cada domingo.

No entanto, também é possível notar que a participação de mulheres hoje em dia tem sido praticamente restringida a serem ritmistas mesmo. Pouquíssimas são oportunidades dadas em diretorias, principalmente na parte da cozinha do ritmo. Nas peças leves, a situação de mulheres diretoras é um pouco melhor, principalmente na ala de chocalhos, onde já existe uma cultura rítmica feminina consolidada. Falta e muito oportunidades para mulheres virarem diretoras de bateria, auxiliando na parte de trás do ritmo, onde ainda existe uma incidência maior de posturas enraizadas pelo machismo patriarcal, envolvendo inclusive preconceito.

Cabe ressaltar que a situação no grupo especial deixa ainda mais a desejar, se comparada a do grupo de acesso. Mesmo o processo sendo em tese aberto para a participação das damas no ritmo das baterias, o caminho costuma ser bem mais árduo que numa escola do acesso. Vale mencionar que é mais raro ainda encontrar mulheres diretoras na cozinha do ritmo (parte de trás) no grupo especial, sendo possível contar nos dedos as exceções. É como se cada mina que tocasse por uma agremiação do especial precisasse cotidianamente mostrar estar mais do que preparada para estar ocupando aquele espaço.

O mundo do samba e do ritmo das baterias é o próprio espelho que reflete a sociedade, incluindo suas próprias imperfeições. Sendo assim, todas as questões sociais envolvendo a equidade sexual também se farão presente dentro do carnaval carioca. Oportunidades iguais entre gêneros diferentes se constituem num discurso lindo, cuja prática dentro de uma bateria destoa da beleza contida nesses ideais. É plenamente viável sentir que o quadro está evoluindo, tanto quanto se faz necessário suscitar o debate para que a causa seja amplamente abraçada como ela merece.

Uma escola de grupo especial que tem nitidamente caminhado na contramão dessa falta de oportunidade é a bateria de mestre Dinho, na Unidos de Padre Miguel. Por lá, a participação feminina no ritmo é culturalmente tão presente, que a UPM possui uma bateria feminina para provar seu valor, a “Batuque das Guerreiras”. Talvez o próprio período extenso se consolidando musicalmente dentro do grupo de acesso também tenha influenciado para que as mulheres chegassem junto da bateria da Unidos, buscassem essa oportunidade e se sentissem à vontade para fazer parte do ritmo.

É um fato que a participação feminina no ritmo das baterias ainda precisa melhorar, principalmente com cada vez mais cargos de diretorias concedido à elas e por merecimento. Não basta deixar as mulheres tocarem, só com intuito de fazerem parte. É necessário que seja permitido que elas ocupem de fato aquele espaço musical. Se desenvolvendo e também auxiliando na criação musical. Mais mulheres diretoras de baterias significa necessariamente mais minas musicalmente talentosas tendo em outras damas verdadeiras fontes de inspiração. A revolução feminina no ritmo das baterias segue em curso, mesmo que em marcha lenta, sendo impossível de ser evitada. Qualquer forma de impulsionamento ajudará imensamente nessa questão. Esse texto é dedicado ao projeto “Mulheres No Ritmo” (MNR) que nasceu com a finalidade de registrar cada mulher presente num ritmo de bateria, agregando exposição e valor à uma causa tão nobre e necessária.

Fábio Pavão diz que Portela terá alegorias modernas e afirma: ‘portelense vai ficar muito feliz com o que vai ver’

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Ao contrário do Grammy, a Portela celebrará a vida e a obra do cantor Milton Nascimento no Carnaval 2025, com o enredo “Cantar Será Buscar o Caminho Que Vai Dar no Sol”. O CARNAVALESCO entrevistou o presidente Fábio Pavão, que contou uma história muito interessante sobre essa homenagem ao lendário artista brasileiro, além de dar detalhes do que podemos esperar da Majestade do Samba na Avenida.

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O que representa a Portela na sua vida?

“A Portela é parte da minha história, parte da minha identidade, parte de quem eu sou, desde a infância, passando pelas escolhas que eu fiz na fase adulta. O carnaval veio para mim quando me tornei professor e antropólogo. Fui para estudar a escola de samba e estudei a Portela. É parte fundamental daquilo que eu sou”.

O que você sentiu quando os carnavalescos falaram que o enredo seria sobre o Milton Nascimento?

“O Milton foi no camarote da Portela no desfile das campeãs ano passado, e isso acabou influenciando os carnavalescos. Eles já tinham pensado nessa homenagem antes, mas quando viram isso, entenderam como um sinal. Na reunião para decidir qual seria o enredo, apresentamos algumas propostas, até de enredos patrocinados que estávamos negociando, até que os carnavalescos apresentaram essa proposta de falar sobre o Milton. Claro que todo mundo que estava lá concordou que aquilo era muito bom, e o tema acabou se tornando nossa prioridade. Entramos em contato com a família do Milton e a receptividade foi a melhor possível. Temos certeza que faremos um grande carnaval”.

O que você pode prometer ao portelense em termos de alegorias e fantasias?

“As alegorias e fantasias estão no mesmo estilo do ano passado, com uma linguagem moderna, feitas a partir da criatividade do André e do Antônio. Ano passado nós gabaritamos o quesito fantasia. Em alegoria nós perdemos pontos, pois tivemos um problema com duas equipes que trabalhavam com a gente, que não trabalham mais. Agora estamos com um trabalho muito bem feito no barracão. O portelense vai ficar muito feliz com o que vai ver”.

A Águia da Portela vazou para a mídia após a visita da primeira-dama, Janja, ao barracão. O que você pensou quando viu esse vazamento?

“Nada. Isso acontece. A gente pediu para que fosse divulgado só depois do carnaval, mas infelizmente sabemos que com uma equipe muito grande, você fala uma coisa para quem está no Barracão filmando, e a equipe está editando, faz outra, pois não sabe. Teve esse erro de comunicação, e essa falha vazou uma parte da nossa Águia, mas nada demais. Essas partes do Carnaval, até 2010 ou 2011, melhor dizendo, antes do incêndio, todo mundo tinha passarela para acompanhar. Acho que nós regredimos nisso nós regredimos nessa questão. O carnaval do Paulo Barros, por exemplo, o do Segredo, todo mundo visitava a cidade do Samba e via tudo, mas quando as alegorias chegaram no Sambódromo, foi algo completamente diferente. As alegorias se traduzem de forma diferente na Avenida”.

E o que o público pode esperar do desfile oficial?

“Acho que vai ser um carnaval nivelado. Muitas escolas vêm preparadas, a Portela também. Vai ser uma disputa árdua, como foi no passado também, com o Carnaval de altíssimo nível. Quero outro Carnaval de altíssimo nível. Na terça-feira, acho que a Portela vai finalizar esse grande carnaval, fechando as três noites de apresentação com uma performance que espero que esteja arrebatadora, trazendo tudo o que a gente preparou o ano inteiro, aquilo que a comunidade Madureira vem fazendo em Oswaldo Cruz”.

Em abril haverá a eleição para definir o novo presidente da Portela, mas quanto a isso, Pavão preferiu não dar detalhes se vai ou não concorrer novamente. Ele também não cita possíveis nomes para apoiar, caso não venha na disputa.

João Felipe Drumond é eleito vice-presidente da Imperatriz Leopoldinense

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Atual vice-campeã do Carnaval carioca, a Imperatriz Leopoldinense tem um novo vice-presidente executivo: João Felipe Drumond. Em assembleia geral extraordinária, realizada na noite da última terça-feira, na quadra da escola, em Ramos, Zona da Leopoldina, o jovem de 23 anos, também diretor financeiro da Liesa, foi eleito por aclamação pelo conselho da agremiação, após a renúncia de Vinícius Drumond ao cargo.

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Foto: Divulgação/Imperatriz

O novo vice-presidente, que antes ocupava os cargos de diretor executivo e presidente do conselho deliberativo da verde, branco e dourado, dará continuidade ao trabalho realizado pela atual gestão, que tem como presidente executiva Cátia Drumond.

“É uma honra muito grande continuar, ao lado da minha mãe e de nossa diretoria, o legado de mais de 50 anos do meu avô [ao se referir a Luiz Pacheco Drumond]. Posso garantir que o trabalho seguirá no mesmo padrão de até agora, fazendo da Imperatriz essa potência, sempre pronta para entregar carnavais de excelência ao público e nossa comunidade,”, afirmou João.

Focada no desfile do próximo domingo, a Imperatriz Leopoldinense levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “ÓMI TÚTÚ AO OLÚFON- Água fresca para o Senhor de Ifón”, do carnavalesco Leandro Vieira, sendo a segunda escola a passar na avenida.

Série Barracões SP: Colorado do Brás levará a história do Afoxé Filhos de Gandhy do Cais de Iemanjá para o Anhembi

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O maior afoxé do mundo passará pelo Sambódromo do Anhembi na homenagem da Colorado do Brás através do enredo “Afoxé Filhos de Gandhy no ritmo da fé”, assinado pelo carnavalesco David Eslavick. Retornando ao Grupo Especial no ano em que completa seu cinquentenário, a Vermelho e Branco aposta na tradição da folia baiana para mostrar que a elite do carnaval paulistano é seu lugar por direito.

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Identificação como símbolo de resistência cultural

O processo de desenvolvimento do enredo já estava em andamento quando David Eslavick chegou na Colorado do Brás. É seu primeiro trabalho assinando um desfile como carnavalesco, já com a responsabilidade de abrir as apresentações do Grupo Especial de São Paulo. O artista falou sobre a motivação que inspirou a escola a homenagear os Filhos de Gandhy, ressaltando a identificação de paralelos entre os exemplos de resistência do afoxé e da Colorado.

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“Falar sobre o Afoxé Filhos de Gandhy acho que tem tudo a ver com a cara da Colorado do Brás. É uma escola que resiste, é uma escola feliz, alegre e o povo baiano é isso. O povo baiano e os Filhos de Gandhy foram resistência, eles passaram por muitos altos e baixos, voltaram, retornaram novamente, ficaram dois anos fora e voltaram novamente através de alguns rituais, entre outras situações, é bem a cara da Colorado isso. A Colorado é uma escola que batalha muito, tem diversas dificuldades, mas não perde o sorriso. Eu acredito que por conta desses adjetivos, dessas situações, que eles escolheram fazer o enredo sobre os Filhos de Gandhy”, declarou.

David explicou como foi a sua contribuição para a conclusão do projeto da Colorado, visando garantir o melhor resultado possível para avançar para as próximas etapas e valorizando o trabalho do enredista, que também faz parte da direção de carnaval da escola.

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“Nós temos um enredista, que é o Tiago Morganti, então a pesquisa do enredo já estava bem mais que detalhada. Eu só fui só acrescentando algumas coisas, tirando outras que eu não achava tão necessárias e buscando um pouco mais de informação para que possa ser um pouco mais verdadeiro e uma coisa mais a cara do que estávamos falando. Eu mais acrescentei situações do que realmente fiz o processo de pesquisa”, afirmou.

Fundação dos Filhos de Gandhy e o encantamento com o projeto

O carnavalesco contou brevemente a história do Afoxé Filhos de Gandhy, de modo a favorecer a contextualização da proposta do enredo da escola, explicando a formação original puramente como um bloco carnavalesco e a inspiração para a conversão em um afoxé.

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“Os Filhos de Gandhy é um afoxé que formado por um grupo de estivadores próximo ao cais do porto de Salvador. Antes, eles eram chamados de Bloco do Comendo Coentro, que foi a primeira formação, e logo depois veio a formação do Afoxé Filhos de Gandhy. Essa mudança veio por conta de uma crise financeira, o bloco resolveu sair vestido de branco, uma ideia de Vavá Madeira, para que pudessem fazer uma homenagem a Mahatma Gandhi, que na época tinha sido assassinado. Eles resolveram vir com lençóis, toalhas, para que representassem a paz, a não violência, que era o que Mahatma Gandhi pregava naquela época, e até hoje os Filhos de Gandhy seguem assim. Antes era só ‘Filhos de Gandhy’, e agora se chamam Afoxé Filhos de Gandhy. Foi mais à frente que eles ganharam o título de maior afoxé do Brasil, mas eles se inspiraram nesse ativista da não violência que foi Mahatma Gandhi para propagar a paz mediante os desfiles deles. As cores do bloco foram escolhidas pelos pais de santo, que são o branco de Oxalá e o azul de Ogum, e essa junção da matriz africana com os Filhos de Gandhy foi o motivo de escolherem os Ogans para que fizessem a bateria do bloco na época. Eles foram convidados e, nisso, foram se formando os Filhos de Gandhy. Por isso tem essa relação com a matriz africana, que é de onde eles tiraram mais essa expressão, por conta dos cantos de Ijexá. Fizeram essa mistura toda e surgiu esse lindo Afoxé Filhos de Gandhy”, explicou.

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Para David, o conjunto do projeto desenvolvido pela Colorado o conquistou, celebrando o fato de a comunidade da escola ter abraçado a ideia de homenagear os Filhos de Gandhy.

“O interessante de tudo é que eu me encantei por um todo do enredo, por eu estar fazendo o carnaval e estar com muita vontade de fazer o carnaval. A minha mente funciona de uma forma muito rápida, estou pensando naquilo ali, daquilo ali, já estou nesse aqui, vem mil coisas na minha cabeça. Poder fazer o carnaval todo e a minha cara, a minha mente vai a mil. Não tem nada em especial que eu possa falar: ‘isso aqui é legal, vou nisso’. Não, eu vou o carnaval como um todo, está muito gostoso fazer e a Colorado está abraçando a ideia, está abraçando a causa, está me dando liberdade. Eu acho que tem tudo para dar certo”, afirmou.

Colorado do Brás na Avenida: Da Índia ao Carnaval de Gandhy

A Colorado do Brás dividirá o desfile em quatro setores, onde nos quais abrirão com uma referência à Índia do ativista Mahatma Gandhi, que inspirou a conversão de um bloco de carnaval em afoxé. A escola mostrará o local onde os Filhos de Gandhy foram fundados, além das referências que artistas brasileiros fizeram à agremiação ao longo da história e encerrando com uma celebração ao estilo do afoxé de brincar o carnaval de Salvador. David Eslavick explicou como essa distribuição ocorrerá na Avenida.

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“Vamos abrir com a Índia de Gandhi, com tudo relacionado à formação dos Filhos de Gandhy e a relação que eles têm com a Índia e com Mahatma Gandhi. Nosso primeiro setor é o setor indiano. Em seguida, nós já entramos no setor da Bahia, que é a história do Cais do Porto de Iemanjá, onde os Filhos de Gandhy foram fundados. Logo depois já vem as exaltações, que são os artistas que contribuíram e exaltaram o Afoxé Filhos de Gandhy em canções. Esse próximo setor já vai para a parte religiosa mesmo, da matriz africana. Logo atrás, nós fechamos com o Carnaval de Gandhy, daquele festejo todo, é por isso que tem o Pelourinho. O Pelourinho nós resolvemos colocar já daí para trás do Carnaval de Gandhy, que é a finalização do nosso enredo, em que nós achamos que se adequa mais. Eu acho que para fechar o enredo sobre os Filhos de Gandhy, nada melhor que fechar com o Carnaval de Gandhy, que é a festa em que eles vêm trazendo a mensagem que eles vêm passando”, detalhou.

A intenção da Colorado do Brás é fazer como os Filhos de Gandhy propuseram à época de sua conversão e propagar a paz através da alegria proporcionada pelo povo baiano, ajustada devidamente às características de um desfile de escola de samba.

“Através do enredo, vamos propagar a paz. A Colorado do Brás trará a alegria e a folia do povo baiano. Nós temos muita afinidade com os Filhos de Gandhy devido às dificuldades e resistências que todos eles enfrentaram. A Colorado também passa por situações semelhantes, mas não perde a alegria, não perde a folia, não perde o sorriso no olhar, o sorriso no rosto e aquele olhar de felicidade e alegria. A mensagem que vamos passar é a propagação da paz e a alegria do povo baiano, e essa é também a alegria da Colorado do Brás. A escolha do enredo se encaixou perfeitamente na escola, que se identificou muito com ele. Tanto que o Gilson Ney, que nunca desfilou em nenhuma escola que abordasse o Afoxé Filhos de Gandhy, vai desfilar na nossa. Ele se apaixonou pela escola porque a Colorado é realmente apaixonante. Essas dificuldades da Colorado e com tudo o que os Filhos de Gandhy passaram, acredito que foi o casamento perfeito para realizarmos um bom trabalho na Avenida”, afirmou David.

Questionado sobre o trunfo da Colorado do Brás para realizar uma grande abertura dos desfiles do Grupo Especial, o carnavalesco aposta na força do impacto que o projeto desenvolvido pela escola causará. David acredita que causar uma boa impressão será fundamental para manter a Vermelho e Branco viva na mente do público e dos jurados mesmo após as apresentações das demais agremiações.

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“Para garantir o resultado esperado, conto com a escola como um todo. Estou trabalhando muito para pontuar situações durante o meu desfile porque acredito que, ao abrir o carnaval na sexta-feira, tenho a obrigação de marcar o dia. Caso contrário, virão inúmeras escolas e o meu desfile será apenas mais um. Por isso preciso marcar o dia para que, no futuro, as pessoas digam: ‘ah, você lembra o que eles fizeram? Você viu o que a Colorado fez?’. Eu venho trabalhando e pontuando situações no meio do desfile para alcançar essa ascensão e garantir que minha escola passe pela Avenida e marque aquela sexta-feira. Pelo menos naquele dia, as pessoas vão lembrar da Colorado. Estamos fazendo um trabalho árduo, trabalhando muito. A Colorado não tem dinheiro, mas temos muita força de vontade. É uma escola que vai entrar com tudo na Avenida, vai rasgar aquele Anhembi ao máximo. Vamos mostrar que estamos ali, merecemos estar onde estamos hoje. Não deveríamos nem ter caído, mas acredito que, com esse desfile, para minha escola será um dos carnavais da vida deles. Eu acredito que o meu carnaval, como um todo, e essas pontuações, como um carro com uma surpresa, uma ala com uma movimentação legal. Temos outro carro também, com uma situação que vou apresentar e trabalhar nisso. Acho que vai ser legal, vai chamar a atenção dos jurados e do público. O nosso carnaval está de fácil leitura e acredito que, ao olhar, qualquer pessoa consegue identificar o que é. Acho que a obrigação de qualquer carnavalesco é ter fantasias e alegorias de fácil leitura para qualquer leigo que esteja assistindo, para que compreenda o que está sendo transmitido, mesmo que não conheça, porque o carnaval é cultura, a pessoa consegue aprender. Portanto, devemos fazer alegorias e fantasias que sejam facilmente identificáveis e que transmitam claramente a mensagem que queremos passar”, concluiu.

Mensagem do carnavalesco David Eslavick para a comunidade da Colorado do Brás

“Para a comunidade do Brás, da minha escola, eu acho que só tenho que pedir que todos cantem em uma só voz, todos brinquem em um só corpo e todos se divirtam em uma só pessoa. Eu acho que é o nosso momento, é a nossa hora, é a nossa história. Acho que juntos somos mais fortes, então peço a todos vocês, que na verdade são a cereja do bolo, que façam o melhor que puderem na Avenida”.

Ficha técnica
Enredo: “Afoxé Filhos de Gandhy no ritmo da fé”
Alegorias: 4 carros
Componentes: 1700
Alas: 15
Diretor de barracão: Rodrigão
Diretor de ateliê: Karyn Fernandez
Escultor: Eliandro

Série Barracões SP: Buscando voos maiores, Gaviões da Fiel mostrará o primeiro enredo afro de sua história

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Em 2025 os Gaviões querem voar mais alto. No Carnaval 2024, a escola alvinegra conseguiu alcançar o Desfile das Campeãs após ficarem 12 anos de fora das cinco primeiras posições da tabela. Para isso, a ‘Torcida que Samba’ decidiu inovar e irá realizar algo inédito no seu próximo desfile: Mostrar ao público o seu primeiro enredo afro da história. Tendo um dos melhores sambas do carnaval paulistano, a agremiação do Bom Retiro começou com o pé direito para realizar tal feito. No YouTube, por exemplo, com o projeto do audiovisual da Liga-SP, tem o clipe mais visto, já ultrapassando as 180 mil visualizações. O barracão promete, e é isso que explicou os carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira. A dupla recebeu a equipe do CARNAVALESCO, falou sobre o enredo e mostrou o projeto do Carnaval 2025.

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Sendo a quarta escola a desfilar no sábado de carnaval, os Gaviões da Fiel tem como enredo: “Irin Ajó Emi Ojisé – A Viagem do Espírito Mensageiro”.

Explicação do tema

A escola não irá para a pista com um desfile setorizado, mas Júlio Poloni explicou toda a viagem de Orunmilá pelo continente africano e encontro com as divindades. “Essa viagem, na verdade o nosso enredo, o tema central, são as máscaras africanas. E a gente aproveitou que essas máscaras têm muitos simbolismos, muitos significados, para explorar toda essa riqueza de argumentação que essas máscaras trazem. Qual o espírito mensageiro? A gente criou uma história em que o Orunmilá, que na religião do candomblé africano, é uma divindade que é detentora da sabedoria, das profecias, das mensagens. A gente utilizou Orunmilá como ele vindo para a terra com o objetivo de fazer uma caminhada pelo continente africano. Se a gente conhece Orunmilá falando por meio do jogo de Ifá, aqui ele vai falar por meio das máscaras. Ele vai parando de povoado em povoado e concedendo uma máscara. Ele cria essa máscara e concede a um determinado povo para levar um ensinamento. Em alguns momentos dessa história, Orunmilá se encontra com outras divindades: Nanã, no pântano em que ela habita, com Xangô, no palácio do governo do reino de Oyó, se encontra com Exu Aluvaiá em Luanda, capital de Angola, e se encontra, por fim, com Ewá. Quando ele se encontra com Ewá, vê nela toda a beleza e riqueza de caráter e diz que nela estão sintetizadas todas as mensagens que ele passou ao longo dessa caminhada”, explicou.

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Rayner contou que o tipo do tema foi um pedido da escola, além de buscar realizar de uma forma jamais vista no carnaval do Brasil. “É um enredo que era um pedido da escola. Por ser um enredo afro e por ser o primeiro da escola, a gente precisava que fosse um algo diferente, que já é uma característica nossa: Tentar fazer algo diferente para que o espetáculo do carnaval seja visto de uma forma mais complementar. A gente buscou nesse enredo falar de um afro onde nunca foi falado. Nem aqui e nem no Rio”, completou.

Pesquisa do enredo e primeiro enredo afro da história dos Gaviões

Júlio contou que no início eles tiveram dificuldades para montar o contexto do enredo sobre as máscaras africanas, mas conseguiram chegar a um denominador comum, levando a figura de Orunmilá caminhando para vários lugares e encontros. “A gente teve que viajar bastante juntos, porque nós queríamos muito falar das máscaras, e não sabíamos muito para onde ir. A gente teve certa dificuldade no início de encontrar algumas referências para pesquisar. Se as máscaras transmitem mensagens, elas comunicam valores morais. Depois nós fomos estudando, conhecemos mais profundamente a figura de Orunmilá, que é essa divindade detentora da sabedoria e das profecias das mensagens. A partir daí a gente vai mostrando as máscaras de cada povo, de cada comunidade, de cada país, de cada nação, de cada vertente linguística que tem na África. A gente foi apresentando, colocando um tempero também da ilusão, do fantasioso, do carnavalizado, que é colocar esses encontros, como se no caminho ele fosse encontrando outras divindades, também conectando os valores das máscaras aos valores dessas outras divindades que são amigos de Orunmilá nessa história”, disse.

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De acordo com o profissional, o uso de vídeos e documentários foram fundamentais para desenvolver o tema. “A gente também usou alguns vídeos de documentários de YouTube que a gente achou e inclusive alguns muito interessantes, onde a gente pegou bastante referência nesse estilo de caminhada que ele faz. Tudo isso foi muito agregador, para um final que a gente mesmo se surpreendeu quando foi finalizado. Na nossa reunião e quando foi apresentado para a diretoria também, eles falaram: ‘É isso, é um enredo afro para os Gaviões’. Acho que vocês acertaram’”, contou.

Barracão organizado e uma plástica diferente na avenida

Rayner Pereira enalteceu o profissionalismo que o barracão está concedendo. O artista também elogiou a equipe que trabalha com ele. “É um ano que foi tudo muito profissional. Desde o começo a gente escolheu as pessoas certas para fazer aquilo que sabia que daria conta de fazer. Nós pensamos na pessoa certa para fazer as fantasias, tirar do papel, fazer os pilotos. Se isso fosse concretizado para o final do desfile, nós temos o Evandro que é um ferreiro que era assistente também até o ano passado e esse ano ele toma chefia dessa parte de ferragem. É o cara que botou para andar as coisas mais rápidas. A gente tem o Arthur, que é um cara que estudou comigo na escolinha, que nunca tinha trabalhado em São Paulo, sempre trabalhou no Rio. Ele tomou conta dessa parte das esculturas. A gente tem o Márcio, que foi o cara que quando eu comecei a trabalhar no carnaval, já era um cara que estava há séculos trabalhando junto com o Sidney na Mocidade, tomando conta dessa parte de finalização de carro. Tudo isso foi muito correto desde o começo. Nessa formação de equipe para fazer o que a gente tem hoje”, exaltou.

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Completando, Pereira fala sobre as cores do afro e diz que as esculturas usadas serão totalmente diferentes do que é visto no carnaval, na busca de inovar e também ‘baratear’, sem perder a beleza. “A gente vai fazer um desfile colorido, utilizando bastante as cores que se reconhecem como mais africanas, que é o marrom e o laranja. O marrom como a gente costuma falar, ele serve muito de base para as cores que vão saltar dali. Essa é uma primeira característica. Outra que eu vou chamar a atenção aqui, as nossas esculturas são diferentes do que a gente está acostumado a ver no carnaval. Não são esculturas lisas, chapadas. São esculturas que simulam como se elas tivessem sido talhadas, assim como são feitas as máscaras. A pintura e o ato de esculpir é feito de uma forma diferente do que a gente está acostumado a ver no carnaval. Ele é mais parecido com o que a gente vê nas máscaras africanas. A gente não usa praticamente nada de pluma nas alas de animal, até porque querendo ou não, é um pouco mais caro e a gente sabe das condições do carnaval, mas a gente também buscou alternativas que poderiam dar certo e realmente conseguimos”, finalizou.

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Setor a setor

“Não é um enredo dividido em setores. Orunmilá desce na comissão de frente, pisa no chão e é recebido por Exu, que vai guiá-lo pela caminhada. Ele vem passando de povoado em povoado, sem uma separação de setores. Começa lá atrás, termina lá na frente, como a gente falou aqui, mas não é dividido em sessões no capítulo”, explicou Júlio Poloni.

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Ficha técnica
Quatro alegorias
Três tripés
2400 componentes
Diretor de barracão – Fábio Lima
Diretor de ateliê – Luiz Henrique

Série Barracões: Desfile da Unidos da Ponte traz sabedoria indígena como salvação do mundo moderno

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A Unidos da Ponte passa por um momento delicado. A escola foi uma das que perderam quase toda a sua produção de fantasias para o Carnaval 2025 no incêndio que atingiu a fábrica Maximus Confecções, em Ramos, na Zona Norte do Rio, neste mês. Apesar disso, a agremiação não deixará de contar a história que preparou para o Sambódromo, que, por sinal, se relaciona muito com o ocorrido. O enredo “Antropoceno” propõe uma reflexão sobre as consequências das ações humanas, ou da falta delas, no mundo em que vivemos.
Em uma conversa com o CARNAVALESCO, os carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques explicaram melhor o significado de Antropoceno e falaram sobre o processo de desenvolver um enredo que conectasse esse conceito com o povo brasileiro.

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“O Antropoceno é um período geológico no qual o homem branco se apropria de terras alheias para explorá-las. Aqui me refiro ao colonizador, ao homem capitalista, que está no topo da pirâmide. Ele é o grande causador de problemas para o nosso planeta. A premissa do enredo parte desse conceito”, explica Rodrigo.

A escola de São João de Meriti tem o histórico de trazer enredos com narrativas relevantes, que provocam reflexões no telespectador e em quem assiste na plateia da Marquês de Sapucaí. Em 2025, isso não será diferente. A dupla de artistas revela a preferência por temáticas de importância social, pois considera relevante trazer à tona o que não é de conhecimento geral, mas deveria ser.

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“Temos um tema extremamente atual e necessário. A mensagem que será passada é que o povo precisa ver o mundo de forma diferente e encontrar outras formas de contribuir para que isso tudo não acabe. Pelo caminho que estamos seguindo hoje, a tendência é piorar. Sofremos com catástrofes, queimadas e enchentes por conta do que fazemos com a natureza. Moramos em prédios onde antes havia árvores, andamos em ruas construídas em áreas que foram desmatadas. As pessoas não pensam duas vezes antes de abrir a janela do carro e jogar lixo para fora. Depois, tudo isso retorna quando a água invade as casas, quando o fogo toma conta das matas. Destruindo a natureza, o homem destrói o lugar onde vive. Nossos filhos, netos e bisnetos sofrerão ainda mais se não mudarmos nossa mentalidade hoje. Daqui para a frente, podemos ter um desfecho extremo em relação a tudo. Mas e se nós mudarmos essa chave? Ainda dá tempo. Vamos mostrar como estávamos antigamente, como estamos agora e como podemos estar no futuro, sob os lados positivo e negativo”, diz Guilherme.

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“Muita gente pode interpretar nossa proposta como algo relacionado ao S.O.S. natureza ou como apenas mais um enredo sobre meio ambiente. Mas a questão é muito maior do que isso. Estamos saindo da caixinha que fala apenas sobre sustentabilidade para apresentar uma solução que não foi criada por mim nem por nenhum homem branco. Nossa alternativa é indígena, porque não foi o homem branco que descobriu o Brasil. Já havia povos que viviam aqui em plena harmonia com seus próprios aprendizados. Há mais de 500 anos, estamos indo na contramão desse processo. Não estamos resolvendo o problema com soluções brancas e capitalistas, estamos apenas adiando”, reitera Rodrigo.

Aproximação com o público

Apesar de ter muito embasamento teórico e histórico, Rodrigo não considera seu tema algo difícil de ser compreendido pela grande massa. Para ele, a melhor forma de fazer isso é comparando com situações do nosso cotidiano.

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“É uma responsabilidade muito grande tentar simplificar esse tema para as pessoas. Uma coisa é o ponto de vista acadêmico, outra coisa é o entendimento coletivo. Nossa tentativa é impactar a população por meio da identificação, explicando que o Antropoceno não é a revolta natural da natureza, mas sim o resultado da interferência humana ou, às vezes, da falta de interferência política em questões que deveriam ser resolvidas”.

“Podemos pegar o próprio exemplo de São João de Meriti. Aquela comunidade sofre muito com enchentes quando chove, perdendo casas e, em alguns casos, vidas. Ali se vive em clima de tensão. É extremamente importante falarmos sobre isso no Carnaval, pois, durante o curto período de exibição do desfile, essas questões ganham visibilidade na tela do mundo inteiro”, acrescenta Guilherme.

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Parceria de vida

Não é a primeira vez que Rodrigo e Guilherme trabalham juntos. Quem não conhece os rapazes pode achar que o contato deles é apenas profissional, mas, na verdade, eles já são amigos há mais de 10 anos, e essa amizade se intensificou por conta do Carnaval.

“Nós somos uma dupla na essência, desde quando começamos. Ele sabe como eu penso, eu sei como ele pensa. Às vezes, discutimos para achar um meio-termo em um projeto e sempre encontramos. O objetivo final é sempre o mesmo. Não há vaidade entre nós. Nunca nos gabamos porque um fez isso e o outro fez aquilo. Pelo contrário. Quando nossas obras saem na avenida, sabemos que nossa missão foi cumprida, e as pessoas ao nosso redor também sabem que eu e ele contribuímos juntos para aquilo. É encantador. A gente se diverte o ano todo fazendo Carnaval, e quando passamos na avenida, é o nosso momento de dever cumprido”, brada Guilherme.

Ressignificar para criar

Por conta de limitações financeiras ou logísticas, os artistas apostam na capacidade criativa para construir suas obras com recursos escassos, sem que elas percam a originalidade.

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“Este ano tínhamos o desafio de desenvolver um enredo indígena, por opção da escola, devido aos tipos de materiais que teríamos disponíveis para fazer a parte plástica. A partir disso, tanto eu quanto o Guilherme unimos o útil ao agradável ao definir o enredo. Muitos criticam o uso de reciclagem no Carnaval, mas essa é uma realidade de praticamente todas as escolas do Grupo de Acesso, não apenas as com menor poder aquisitivo. Inclusive, isso se alinha à nossa conscientização ambiental. Além do mais, quando se recicla algo, subentende-se que você está ressignificando aquilo, não é um ‘copia e cola’. Como profissional, acho que, às vezes, é até mais difícil do que criar do zero, pois envolve a missão de utilizar algo que já foi de alguém e colocá-lo na sua perspectiva. Assim como outras escolas, teremos algumas esculturas que serão ressignificadas nesse processo”.

Ressurgir em meio às cinzas

Do ponto de vista do carnaval, a única resposta que a dupla considera plausível para respeitar o trabalho das pessoas que deram duro para realizar o espetáculo, incluindo as vítimas e toda a comunidade Azul e Branca, é fazer o melhor que puderem na Avenida.
“Infelizmente, o dinheiro não compra o tempo. Por isso, nosso objetivo neste momento é minimizar os impactos em relação às fantasias, calcular o que temos em mãos e desfilar com isso. Mesmo assim, vamos conseguir fazer um Carnaval de bom nível. Desfilar hors concours não é desculpa para não darmos o nosso melhor”, afirma Rodrigo.

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“Este é um dos melhores trabalhos que já apresentamos durante todos esses anos. Optamos por fazer alegorias em módulos que irão se unir na avenida. O resultado final vai ficar muito bom e vamos impressionar, apesar das dificuldades. Certamente será um desfile emocionante, por tudo o que vem acontecendo nas últimas semanas. O público vai se identificar com a estética e entender a mensagem que será passada”, finaliza Guilherme.

Conheça o desfile da Unidos da Ponte

A Unidos da Ponte vem em 2025 com cerca de 1.600 componentes, 3 carros
alegóricos e 1 tripé na comissão de frente. Rodrigo Marques e Guilherme Diniz,
ao CARNAVALESCO, fizeram a setorização do desfile da escola.

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Setor 1: Trabalhamos com uma ordem cronológica, que fala de passado, presente e futuro. Nosso recorte é indígena e começa com as grandes navegações, pois estamos falando do Brasil. Quando os colonizadores chegaram, os povos originários perderam suas terras e sua população diminuiu em quantidade, por conta das perseguições e matanças. Apresentamos esse passado na figura do abre-alas, que faz referência a São João de Meriti, o nome ancestral da cidade. E navegando por esse território, mostramos como era essa harmonia pré-colonizador. No carro abre-alas mostramos como seria a proximidade entre Abya Yala e Meritiba, com muito verde, grandes esculturas e pinturas com uma estética diferente do que costumamos ver nas escolas de samba.

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Setor 2: Representa a ruptura pós-colonização das Américas, onde se inicia o período que conhecemos como antropoceno. Temos um país que, de certa forma, viveu tanto tempo sob uma lógica colonial e depois se tornou capitalista, gerando uma falsa sensação de progresso na sua plenitude. Hoje temos áreas populacionalmente adensadas, sem estruturas mínimas de tudo o que se possa imaginar, como a Baixada, onde houve a expansão do local em paralelo ao impacto negativo causado no meio-ambiente e nos moradores. Temos a segunda alegoria, que mostra toda a dramaticidade envolvida nesse processo. Isso seria o presente na nossa cronologia. Vamos demonstrar dessa maneira o
período que estamos vivendo”.

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Setor 3: Aqui apresentamos uma das soluções para esse problema, embasada no conhecimento indígena do Krenak, que diz em uma de suas obras que “o futuro é ancestral”. Trazemos uma reconexão com os saberes ancestrais indígenas em vários conceitos. Embora pareça um pouco clichê, entendemos a terra como algo que nos pertence, mas o homem branco a usa até o limite. “Ah, tem um pedacinho aqui? Vamos explorar”. Precisamos nos reconectar com os saberes dos indígenas, senão não teremos um futuro. No terceiro carro teremos uma figura emblemática que carrega, ironicamente, um
simbolismo em relação ao fogo, esse elemento que ao mesmo tempo que destrói, também reconstrói. E essa figura não foi inserida depois do incêndio, nós já iríamos usá-la por conta desse contexto indígena, mas agora também representa essa nossa história de superação. Esperamos que as pessoas entendam e se emocionem.

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Curiosidades: A palavra Meriti tem origem indígena. Vem do Tupi, e significa pé de Buriti. Assim como grande parte do Rio de Janeiro, o município de São João de Meriti tem uma certa ancestralidade que é pouco difundida no conhecimento popular, e para os carnavalescos, o Carnaval exerce o grande papel de trazer isso à tona.

Série Barracões: Beija-Flor leva para Sapucaí homenagem para Laíla contando história, sagrado e devoção ao carnaval

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No segundo ano à frente da Beija-Flor de Nilópolis, o carnavalesco João Vitor Araújo recebeu do presidente Almir Reis uma missão sagrada: narrar na avenida a história de Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o Laíla, um dos maiores ícones do carnaval brasileiro. Aceitando o desafio, o artista mergulhou na trajetória do homenageado através da oralidade, tecendo um enredo que celebra a negritude, a espiritualidade e o legado musical do sambista. Dez anos após sua estreia no Grupo Especial, João Vitor retorna ao tema com “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, uma ode à vida pessoal, espiritual e profissional do mito.

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João Vitor revela como a proposta inicial o surpreendeu: “Fiquei assustado com a responsabilidade. Como resumir a grandiosidade do Laíla em cinco setores? Ele é uma lenda, e eu não o conheci pessoalmente”. O caminho veio em um sonho: “Ele apareceu na Praça da Apoteose, sorrindo, com a camisa do título de 2018 da Beija-Flor. Foi como um sinal: ‘tem que ser feito por você’”.

Sem biografias escritas, o enredo nasceu de entrevistas com mais de 40 pessoas próximas ao homenageado. “Foi uma construção coletiva. Todo mundo queria contar algo, até histórias simples, como beber água com ele. Isso mostra seu impacto”, explica. A equipe, incluindo Bianca, Vivi e Guilherme, filtrou 150 tópicos para seis setores, em uma reunião emocionante com a família de Laíla.

A definição do nome do enredo foi um momento mágico: “Laíla adorava títulos longos, mas a logo pedia síntese. Ouvindo ‘Bahia de Todos os Deuses’, do Salgueiro, veio a ideia: ‘Laíla de Todos os Santos’ (referência à Bahia de Todos os Santos) e ‘Laíla de Todos os Sambas’. Três setores sobre fé, três sobre música”. A confirmação veio em uma reunião na escola: “Alguém olhou a proposta e disse: ‘Isso está foda’”.

Música clássica e o pé no chão

Uma descoberta surpreendeu o carnavalesco: o amor de Laíla por música erudita.
“Como um homem tão ‘bronco’ ouvia Bach no carro? Isso define o carnaval: o erudito e o popular se misturam”. O setor musical ganhou alegorias que contrastam notas clássicas com elementos da cultura popular, como o “pé sujo” onde Laíla almoçava. “É a essência dele: genialidade sem perder a simplicidade”.

João acredita que o enredo tocará o coração nilopolitano: “Além da homenagem ao Laíla, é a última apresentação do Neguinho como intérprete. O samba já é um hit, até os críticos cantam!”. Sobre o retorno do Cristo Redentor, símbolo do título de 1989, ele adianta: “Mantivemos a essência, mas atualizamos a mensagem para os dias de hoje”.

Após gabaritar o quesito Fantasias em 2024, o desafio é repetir o feito: “Queremos leveza, mas sem perder a grandiosidade. Ano passado, componentes ficaram horas sob o sol. Não dá para usar só biquíni, mas buscamos tecidos respiráveis e detalhes que funcionem de longe e de perto”. Sobre as alegorias, revela: “Desenhei cada uma invocando Laíla. Se algo estivesse errado, pedia para ele derrubar meu café nos rascunhos. Nada caiu!”.

O trunfo da escola, segundo João, está no início do desfile: “A frente terá uma cor incomum para a Beija-Flor. Visualizo a comunidade vibrando, o Neguinho emocionado… Quando o começo é apoteótico, o resto flui”. E finaliza, visionário: “Enquanto todos veem uma fantasia, eu enxergo 80. É assim que construo a magia”.

Conheça o desfile da Beija-Flor

A Beija-Flor de Nilópolis vai trazer para a Marquês de Sapucaí seis alegorias e dois tripés, com cerca de 3 mil e 200 componentes em procissão. Segundo o carnavalesco João Vitor Araújo, os setores são norteados pelo título do enredo, agrupados em duas divisões de três setores cada, focando no início da parte pessoal e espiritual de Laíla e os três últimos na sua relação com o carnaval.

“‘Laila de todos os santos, Laila de todos os sambas’. Três setores ligados à espiritualidade, ancestralidade, religiosidade, África como terra-mãe disso tudo. E os três últimos setores ligados ao Laila do carnaval, o sambista, o profissional, aquele cara que trouxe o status de rolo-compressor pra Beija-Flor de Nilópolis”.

Série Barracões: Acadêmicos de Niterói aposta em alegorias que interagem com o público em desfile sobre as tradições juninas

O ritmo quente do forró, o brilho das fogueiras e o colorido das bandeirolas vão tomar conta da Marquês de Sapucaí no desfile da Acadêmicos de Niterói, que leva para a avenida uma homenagem ao São João, uma das maiores festas populares do Brasil, celebrada com fervor no Nordeste. Com o enredo “Vixe Maria”, a agremiação promete transportar o público para o universo das festas juninas, exaltando a história e os santos padroeiros São João, Santo Antônio e São Pedro. O enredo também destaca as tradições culinárias, como a pamonha e o milho assado, e os elementos culturais que fazem do São João um espetáculo de cores, sons e devoção.

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Durante a pesquisa do enredo, o carnavalesco Tiago Martins comenta o que achou de mais interessante. “Eu venho de quadrilha, através da quadrilha que eu conheço o carnaval. Várias pessoas que eram da quadrilha, quando entrei comentavam muito sobre o carnaval, mas ninguém me trouxe para o Carnaval, eu peguei o trem vim sozinho, comecei a entrar nos barracões e pedir vaga. Quando chegou esse enredo para mim, que eu consigo dominar muito bem, mas também que eu tenho minhas dificuldades no sentido de tentar trazer uma plástica diferente do que já se passou na sapucaí. Nunca foi falado de um enredo sobre quadrilha, mas já teve enredos aonde tinha quadrilha, festa junina e geralmente as pessoas trazem muito aquela questão do tradicional”.

Procurando relacionar o tradicional com o contemporâneo trazendo referência de outros artistas do Nordeste que usa a quadrilha como um pano de fundo, que é um estilo de dança folclórica cultural no Brasil que misturada ao carnaval, reflete a identidade brasileira. O carnavalesco propõe mostrar a influência do São João na cultura brasileira e sua ligação com as raízes afro-indígenas.

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“Quando eu começo fazer a pesquisa, ela se torna mais gostosa ainda quando você começa a entender o caminho disso tudo, que começa através dos bares europeus, que aí através da família real chega ao Brasil e aqui sofre um processo de aglutinação, onde a gente vai entender o porquê que tem a questão dos indígenas, porquê que tem a cultura do povo negro”, destaca Tiago.

Sobre o processo de criação, o carnavalesco da escola declara como transforma tudo isso para não ficar uma mistura de estética. “Eu pensei em fazer algo mais jocoso, aonde eu trago as alas representando com as suas representatividade, mas não perdendo essa característica de festa junina, de quadrilha, onde você vai ver bandeirinha, onde você vai ver comida típica, onde você vai ver a beijoqueira, a fofoqueira, onde você vai ver o artesanato, aonde você vai ver a quadrilha, onde você vai ver o arraiá. É uma mistura onde você vai ver a parte religiosa também”.

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O grande trunfo do desfile da Niterói está no símbolo da fogueira, que tem uma forte representação no enredo. “A gente fala muito da questão da fogueira. É um símbolo religioso de lá de trás, um símbolo também dos povos pagãos de purificação. Eu fiquei pensando como que eu ia trazer essa fogueira, o abre-alas vai ter uma fogueira super diferente, que eu acredito que o público vai gostar muito”, afirma Martins.

A agremiação irá desfilar com três alegorias, contando com o abre-alas, e um elemento cenográfico da comissão de frente. Tiago diz sobre a dificuldade da série Ouro em relação às condições financeiras para o conjunto de alegorias. “Eu procurei fazer algo diferente, que às vezes é muito difícil de fazer por questões de condições. A situação financeira no grupo é muito complicada e a subvenção já caí muito em cima para a gente ter que resolver tudo em pouco tempo. Eu costumo falar que dinheiro compra tudo menos o tempo, que é o nosso maior inimigo nesse momento”.

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Para driblar as dificuldades, a Niterói irá apostar em movimentos e interação nos carros alegóricos. “Em vez de trazer uns carros só quadrados, com esculturas e tal, eu vou trazer pessoas em cima do carro, fazendo coreografia e trazendo esse entretenimento com o público, mexendo com o público, com a galera de casa mexendo com a galera da arquibancada, acho que vai ser muito bacana. É a primeira vez que eu estou fazendo essa questão das pessoas em cima do carro, mas é uma proposta que eu acho que vai dar muito certo”, destaca o carnavalesco.

Usando uma paleta de cores coloridas, porém mantendo o azul da escola, o artesanato, as palhas, as miçangas, a chita (um tecido com estampas de cores fortes), as tendas, etc, são os materiais utilizados para as alegorias e fantasias. Em relação aos componentes, há uma estimativa de 1.200 desfilantes.

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Conheça o desfile da escola

Setor 1: “A gente abre com a comissão de frente, que é um pau de arara, só que é um pau de arara totalmente diferente. A comissão é totalmente diferente, não vou dar muito spoiler, mas para vocês já terem uma ideia, esse pau de arara, ele vai se transformar e as pessoas vão começar a mostrar dentro da Sapucaí a saudade e trazendo as suas tradições, a sua cultura e mostrando um pouco mais ali do que do que o São João oferece. Depois a gente tem o Mestre-Sala e Porta-Bandeira, que é totalmente segredo e as pessoas vão entender depois. Eu tenho uma ala da quadrilha, a ala dos Povos Pagãos, Logo depois em seguida tem um abre ala, acho que é um grande arraial, mas vocês vão ver um arraial totalmente diferente, que é o arraial da Niterói”.

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Setor 2: “No segundo setor a gente começa a trazer, a contar um pouco da formação da quadrilha, do baile europeu, da corte francesa, da tradição da da tradição dos indígenas, da cultura do povo preto, o porquê que a sanfona foi introduzida, o porquê que a Zabumba foi introduzida. A gente traz as minhas baianas, elas trazem a questão do milho porque é uma comida muito usada, é um ingrediente muito usado nas comidas típicas e em seguida, a gente traz o segundo carro que a gente faz uma brincadeira, porque o nome do enredo é Vixe Maria. No segundo carro eu já trago as Marias quituteiras, Marias artesãs, porque para fazer essas roupas as pessoas acham que é da noite para o dia, mas não é, elas já estão bordando, elas estão com as miçangas, com as suas agulhas, com seu bordado.eu trago a questão dos quitutes, porque quem não gosta da pamonha, do bolo de milho, do bolo de fubá? E no carro tem essa brincadeira das meninas quituteiras que vão estar oferecendo bolo, pamonha, milho, maçã do amor, pipoca. Vocês vão ver tudo isso”.

Setor 3: “A gente entra no setor onde traz a questão dos Santos, mas eu procurei fazer o máximo de diferente, por exemplo, tem uma ala que representa as bandeirinhas e tem a história de São João, porque antigamente pendurava as bandeirinhas com as fotos de São João e depois eles jogavam no rio e aquela água era de purificação. Eu fiz meio que essa brincadeira para não se tornar uma romaria, e sim continuar com essa brincadeira. Tem a brincadeira do pau de sebo, tem a Maria quer casar, quem não quer casar? botar o Santo Antônio de cabeça para baixo. Logo depois eu trago o carro que são as Marias de fé, aonde vai ter a festa da igreja, onde vai ter um coreto com uma quadrilha dançando, onde vocês vão conseguir ver os santos, eu já trago os santos nesse carro, São João, São Pedro e Santo Antônio, e no final do carro, eu trago o Padre Cícero para poder abençoar nosso desfile e dê tudo certo”.

Campanha de combate ao assédio no carnaval é protagonizada por Viviane Araújo

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Pelo terceiro ano consecutivo, a agência Nova assina a campanha de Carnaval da Secretaria da Mulher do Governo do Estado do Rio de Janeiro, desta vez protagonizada pela atriz, ritmista e rainha de bateria Viviane Araújo. Com conceito que vem evoluindo anualmente, a campanha priorizou, em 2023, informar ao público feminino sobre assédio. Em 2024, conscientizou o público masculino sobre o assunto. Agora, procura dialogar com toda a sociedade. Nesse sentido, para o Carnaval 2025, foi criada a assinatura “Aqui não é não. Respeite a decisão”.

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Foto: Divulgação

“Visualmente, o conceito é transmitido num bloco de rua, diverso e alegre. O bloco é liderado por Viviane Araújo, uma mulher forte e carismática. É ela quem dá o recado de que não podemos nos omitir. É preciso agir e denunciar qualquer forma de assédio”, afirma Virginia Lencastre, diretora da agência Nova no Rio.

Além da mensagem principal, todas as peças da campanha divulgam o aplicativo Rede Mulher e o telefone 190 como ferramentas para combater o assédio durante o Carnaval, sugerindo que a mulher que se sentir incomodada e qualquer pessoa que testemunhe um caso de assédio acesse o app ou ligue 190.

A campanha começa a ser veiculada em todo o estado do Rio de Janeiro no dia 26 de fevereiro e inclui filme para o digital, mídia digital, spot de rádio, ativações e material para OOH/ DOOH.

A assinatura “Aqui não é não. Respeite a decisão.” analisada em partes: ‘Aqui’ representa o espaço público. Aqui no bloco, no baile, na quadra da escola, na Sapucaí, no transporte público. Aqui no estado do Rio de Janeiro. Todos que dividem as ruas durante o Carnaval são responsáveis por combater o assédio.

‘Não é não’ é uma frase popular, um slogan de reconhecimento imediato. Todos sabem o que significa: se uma mulher responde negativamente a uma abordagem, é porque ela realmente não está interessada, por favor não insista. Ou, para usar uma expressão associada aos blocos de Carnaval (e que está presente em várias peças da campanha), pediu pra parar, parou.

‘Respeite a decisão’ é o call to action que conclui a assinatura da campanha. Basta agir com respeito para fazer do Carnaval a maior festa do mundo.

Unidos de Vila Isabel divulga data para entrega de fantasias de cinco alas

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A Unidos de Vila Isabel anunciou o cronograma de entrega de fantasias para os componentes de cinco alas que desfilarão no Carnaval 2025. A retirada acontecerá nesta quinta-feira no barracão da escola, localizado na Cidade do Samba.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Os integrantes das alas 11, 17, 19, 23 e 27 deverão comparecer entre 18h e 21h para a retirada. A apresentação de um documento de identificação com foto é obrigatória para a retirada dos trajes.

Última escola a cruzar a Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, a Vila Isabel levará para a avenida o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. Com um trem-fantasma desembarcando em um grande baile, a azul e branca promete transformar o medo em festa ao carnavalizar as assombrações do imaginário popular.

Serviço – Entrega de Fantasias
Local: Barracão da Vila Isabel – Cidade do Samba
Data e horário:
• 27/02 (sábado) – 18h às 21h → Alas 11, 17, 19, 23 e 27