Em uma iniciativa inédita, cerca de 60 toneladas de descarte de resíduos orgânicos provenientes de cozinhas e lanchonetes dos camarotes da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, serão destinadas para compostagem, em vez de irem para aterro sanitário. Dez toneladas por dia serão transformadas em adubo, considerando os desfiles da Série Ouro, do Grupo Especial e das Campeãs.
O trabalho tem a coordenação do Sesc RJ, com a consultoria do Instituto Fecomércio de Sustentabilidade (IFeS), e envolve outros dois parceiros: o Grupo Urbam, na logística, e a Ciclo Orgânico, empresa especializada em coleta e compostagem de resíduos residenciais.
Coletado na Sapucaí, o material orgânico será compactado e transportado até a base da Ciclo Orgânico, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde será preparado para se tornar fertilizante natural para o plantio de mudas, que serão utilizadas em ações de educação ambiental. Na dispersão do setor 9, os foliões receberão mudas plantadas com o adubo produzido pela Ciclo Orgânico.
Máquinas receberão resíduos sólidos e darão recompensas
Oito máquinas Retorna Machine, equipamento que recebe seis tipos de resíduos (pet, alumínio, aço, longa vida, vidro ou plástico), também estarão distribuídas pela Sapucaí. Ao depositar seu resíduo no equipamento, o folião ganhará recompensas por meio de um aplicativo.
A ação tem caráter pedagógico e se soma ao trabalho dos mais de 100 catadores contratados para atuar no sambódromo. Os resíduos acumulados nas máquinas serão revertidos para as cooperativas de catadores. Trabalho semelhante realizado em parceria entre Sesc RJ e Liesa, em 2023, conquistou menção no Guiness Book, o livro dos recordes, naquele ano.
Fantasias serão recicladas
Uma parceria entre Sesc, IFeS e o projeto Sustenta Carnaval também permitirá o descarte sustentável das fantasias. O folião que não desejar ficar com a sua, poderá depositá-la em um caminhão posicionado na dispersão. O material arrecadado será recuperado e doado para escolas de samba do interior e servirá de insumo para oficinas de reciclagem têxtil.
Chegou o grande dia, nesta sexta-feira, dia 28 de fevereiro, sete escolas estarão na pista do Sambódromo do Anhembi, abrindo a primeira noite de desfiles no Grupo Especial do carnaval de São Paulo. Às 21h, temos o desfile das Velhas Guardas de São Paulo abrindo o evento, para depois às 23h00, a Colorado do Brás abrir oficialmente os desfiles, que só se encerra com o Camisa Verde e Branco às 5h30. Vamos trazer um guia das sete escolas do primeiro dia de Grupo do Especial com enredo, curiosidades e mais detalhes para 2025.
Abrindo a primeira noite de desfiles, a Colorado do Brás retorna ao Grupo Especial após dois anos longe. A agremiação fundada em 1975 foi vice-campeão do Acesso I em 2024, e por isso abrirá os desfiles nesta temporada. Neste ano estará com o tema “Afoxé Filhos de Gandhy no ritmo da fé” desenvolvido por David Eslavick que contou sobre o enredo na Série Barracões.
“Falar sobre o Afoxé Filhos de Gandhy acho que tem tudo a ver com a cara da Colorado do Brás. É uma escola que resiste, é uma escola feliz, alegre e o povo baiano é isso. O povo baiano e os Filhos de Gandhy foram resistência, eles passaram por muitos altos e baixos, voltaram, retornaram novamente, ficaram dois anos fora e voltaram novamente através de alguns rituais, entre outras situações, é bem a cara da Colorado isso. A Colorado é uma escola que batalha muito, tem diversas dificuldades, mas não perde o sorriso. Eu acredito que por conta desses adjetivos, dessas situações, que eles escolheram fazer o enredo sobre os Filhos de Gandhy”.
A Colorado estava no Especial até 2022, mas acabou caindo após perda de ponto por merchan. Em 2023 não conseguiu retorno, mas em 2024 com o vice-campeonato cantando o enredo “Os encantos da raiz do mandacaru”.
Fundação: 1975
Melhor resultado: 6º lugar em 1987
Títulos: Terceira divisão (1979, 2000 e 2013) e Quinta divisão (2011)
Último ano: 2º lugar no Grupo de Acesso I
Barroca Zona Sul – 00h05
A verde e rosa de 50 anos de história está no Grupo Especial desde 2020, teve três anos seguidos no 10ª lugar, e em 2024 homenageando justamente os cinquenta anos, ficou em nono lugar. Em 2025, Pedro Magoo, trouxe o tema “Os Nove Oruns de Iansã” e contou um pouco sobre o tema em nossa visita ao barracão.
“Eu curto muito a setorização da história com uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Eu gosto de contar a história de uma maneira mais fluida, por isso que eu fiz essa divisão. Primeiro, dei uma pincelada como uma introdução sobre Iansã. Depois, mostro que ela é uma orixá forte, com vários poderes. Ela chegou e aprendeu um pouquinho com cada orixá, desenvolveu seus poderes e sua espiritualidade, desenvolveu tudo através desse conhecimento. Daí o enredo já entra na parte dos oruns, contando um por um. O último orun, que é o Orun Marê, é a morada final de todos os orixás. Todos os orixás vivem em comunhão com os elementos da natureza. E ele será o fechamento da nossa história. Tem um começo, um desenvolvimento e uma conclusão no final. Eu gosto assim”.
Fundação: 1974
Melhor resultado: 5ª lugar em 1982, 1985 e 1990
Títulos: Segunda Divisão (1976, 1987, 2002) e Terceira divisão (1975, 2015, 2017)
Último ano: 9ª colocado no Grupo Especial
Dragões da Real – 01h10
Desde 2012 no Grupo Especial, quando estreou na elite do carnaval paulistano, a Dragões da Real busca seu primeiro título, já são três vice-campeonatos, inclusive na última temporada. Neste ano, com Jorge Freitas desenvolvendo o tema “A vida é um sonho pintado em aquarela!” e contará com homenagem para o próprio netinho do carnavalesco que nos contou sobre o enredo.
“Esse enredo, como todos sabem, é muito especial na vida do profissional Jorge Freitas. Mas também estamos em uma competição em que, acima de tudo, a síntese do enredo é você comemorar a vida. O Jorginho tinha esse amor pela vida. Ele queria cada vez mais viver, cada vez mais estar presente em tudo que a família fazia – e o carnaval está enraizado dentro da minha família. Ele presenciava tudo e era um lugar que ele gostava de estar. Para o enredo, além do ciclo da vida, nós nos baseamos na música ‘Aquarela’, do Toquinho. Do desenrolar, do início ao fim do nosso desfile, todos vão poder se contemplar com as imagens que ficam no inconsciente coletivo dessa canção e se conectar com o ciclo da vida através da música e através do samba – que conta, na verdade, toda a trajetória do ciclo e da música citada”.
A Dragões da Real é a terceira agremiação na pista, foi a primeira a escolher por desfilar na sexta-feira e por isso optou pelo melhor horário na visão da escola que busca o título inédito.
Fundação: 2000
Participações no Grupo Especial:
Melhor resultado: Vice-campeã do Grupo Especial em 2017, 2019 e 2024
Títulos: Segunda Divisão (2011), Terceira divisão (2004), Quarta divisão (2003) e Quinta divisão (2001)
Último ano: Vice-campeão no Grupo Especial
Mancha Verde – 02h15
A Mancha Verde optou por uma comissão de carnaval para desenvolver o tema escolhido em 2025, e o diretor de carnaval, Paolo Bianchi que participa do processo, contou sobre a escolha do tema “Bahia, da Fé ao Profano” que surgiu de um documentário como nos contou em entrevista exclusiva na Série Barracões.
“A Mancha definiu de fazer o enredo por uma ideia do presidente. Alguns anos atrás, a gente tomou a decisão de sempre que possível, temas 100% cultural. A gente só acaba fazendo o enredo com patrocínio, se é uma situação interessante, mas a preferência do presidente é sempre dessa forma. Ele fica consumindo bastante produtos, programas na TV Futura e outras televisões. Sempre que vê um negócio legal, nos manda. Dessa forma, um pouquinho antes do carnaval do ano passado, ele viu essa minissérie em uma madrugada, que a gente tem de insônias pré-carnaval e nos disse. No primeiro momento algumas pessoas falaram: ‘Bahia de novo?’ Mas quando a gente assistiu, viu que era diferente. Não é sobre o local, e sim sobre o povo baiano, como eles trabalham, fazem para viver a vida dele de festa de fé, seja católica, umbanda ou candomblé. E ao mesmo tempo eles profanam, que é o título do nosso enredo. Profanar, nada mais é do que curtir a festa”.
A Mancha teve seu pior resultado em 2024, mas foi o 5ª lugar, voltando para as campeãs, como tem sido desde 2018, onde variou entre campeão, vice, terceiro lugar, e esse último resultado.
Fundação: 1995
Melhor resultado: Campeão do Grupo Especial em 2019 e 2022
Títulos: Primeira Divisão (2019 e 2022), Segunda Divisão (2014 e 2016), Terceira divisão (2002), Quarta divisão (2001), Blocos Especiais (1997 e 1998) e Grupo Especial de Escolas Desportivas (2006 e 2007)
Último ano: 5º lugar Grupo Especial
Acadêmicos do Tatuapé – 03h20
Seguindo a noite, de bicampeão para bicampeã, a Acadêmicos do Tatuapé entra na pista do Anhembi com o enredo: “JUSTIÇA – A Injustiça Num Lugar Qualquer é Uma Ameaça à Justiça em Todo Lugar”. O carnavalesco Wagner Santos que está na agremiação desde 2018, contou para o CARNAVALESCO sobre o tema escolhido.
“Foi uma proposta já criada pela diretoria. O presidente Erivelto Coelho foi a pessoa que escolheu o enredo. Eu realmente fiquei muito satisfeito porque é diferente, tem uma proposta visual maravilhosa e dá condição para o carnavalesco trabalhar. Estou muito feliz, me sinto agradecido e estou tendo a oportunidade de desenvolver esse enredo fantástico. Vou, inclusive, poder satirizar em alguns momentos, brincar um pouco com a história… isso vale muito para o meu currículo profissional. É uma grande oportunidade, agradeço muito à Tatuapé, ao Departamento Cultural que desenvolveu todo o trabalho de pesquisa – tenho eles como grandes parceiros, eles me ajudam em um dos momentos mais difíceis do carnaval – a final, quando é a hora de desenvolver a pasta que é entregue ao jurado… nessa hora, o carnavalesco não tem mais cabeça para desenvolver nada”.
A escola tem mantido uma regularidade de resultados e em 2024 ficou na 3ª colocação. Nos últimos dois carnavais optou pelo enredo CEP, mas desta vez mudou o estilo e escolheu o tema Justiça.
Fundação: 1953
Melhor resultado: Bicampeão do Grupo Especial em 2017 e 2018
Títulos: Primeira Divisão (2017 e 2018), Segunda Divisão (2003), Terceira divisão (2010), Quarta divisão (1996), Quinta Divisão (1993) e Grupo de Seleção (1985)
Último ano: 3ª colocado no Grupo Especial
Rosas de Ouro – 04h25
A Rosas de Ouro teve uma troca no carnavalesco para 2025, o Fábio Ricardo assume a parte artística da escola e em seu primeiro enredo na nova casa, contará: “Rosas de Ouro em uma Grande Jogada”. E o enredista Roberto Vilaronga explicou sobre o tema.
“Partimos do pressuposto de que precisávamos fazer um carnaval que aliasse ao bom gosto, aos figurinos do Fábio juntando com a história da escola, que tem o histórico de ter essa pompa, com figurinos bonitos, muita beleza, e que a escola pediu muito isso para o Fábio, que ele mantivesse o padrão de beleza da escola. Nós queríamos fazer um enredo visualmente identificável, ele tem que ser didático para quem está ali, para quem conhece o roteiro, mas também quem está lá na Monumental, lá em cima, bater o olho e se identificar. Nós entendemos que isso faz a diferença nesse enredo, e ele proporciona isso pelo contexto histórico, pelo contexto funcional e visual dele. Queríamos fazer um enredo que fosse histórico e objetivo. O nosso desfile vai ser muito narrativo com o samba. Se você ouve o samba do Rosas de Ouro, você vai entender o nosso desfile claramente, ele passa muito fácil. Isso corrobora também para o momento da escola. Escolhemos um enredo que todo mundo queria, fizemos fantasias muito legais, as alegorias do samba convergem e isso cria um clima muito aprazível na escola”.
A meta da escola é voltar ao desfile das campeãs que não acontece há algum tempo, a Roseira ficou em 7ª lugar em 2020, já em 2022 foi um 9ª lugar, em 2023 no 12º lugar e no último ano em 11º lugar, ou seja, quer algo mais.
Fundação: 1971
Melhor resultado: 7 vezes campeã do Grupo Especial
Títulos: Primeira Divisão (1983, 1984, 1990, 1991, 1992, 1994, 2010), Segunda Divisão (1974), Terceira divisão (1973)
Último ano: 11ª colocado no Grupo Especial
Camisa Verde e Branco – 5h30
Para o dia nascer feliz, o Trevo da Barra Funda vai para o segundo ano consecutivo no Grupo Especial, e aposta em uma homenagem para o lendário cantor, Cazuza. O enredo é “O Tempo Não Para! Cazuza – O Poeta Vive”. O enredista Mangabeira contou um pouco sobre o processo do enredo, e a participação da mãe do Cazuza, Lucinha, que estará presente no desfile.
“O processo de sinopse foi uma pesquisa intensa. Quando a gente recebeu o tema, fizemos um recorte específico. A gente estava sempre pensando em uma biografia musical, pensando em trazer a música dele pela questão da memória afetiva com o Brasil afora. Então, foi um processo que começou com pesquisa, muita conversa, o carinho, a bênção da Lucinha. Conversamos também com todos os artistas que a gente pôde conversar para trazer um pouco de um Cazuza que não ficasse só nos livros, mas o Cazuza que a gente via na televisão e que a gente ouve falar. A ideia foi fazer uma sinopse que fosse emotiva, bonita e tentasse pegar um pouco da essência, da poesia do Cazuza e desse amor que a gente quer levar para o Anhembi”.
Uma das agremiações mais antigas do carnaval de São Paulo, o Camisa Verde e Branco teve algumas mudanças no desenvolvimento do projeto, dois carnavalescos acabaram saindo, casos do Cahê Rodrigues e do Leonardo Catapretta.
Fundação: 1953
Melhor resultado: 9 vezes campeã do Grupo Especial (1974, 1975, 1976, 1977, 1979, 1989, 1990, 1991 e 1993)
As agremiações da Estrada Intendente Magalhães pedem passagem para o seu Carnaval, o mais famoso da zona norte carioca. Entre os dias 1º e 8 de março, o público poderá acompanhar as apresentações de 62 escolas das séries Prata e Bronze e Grupo de Avaliação, além dos Blocos de Enredo. A festa na “passarela popular do samba”, como é conhecido o carnaval na via que corta bairros como Madureira, Oswaldo Cruz e Cascadura, terá melhorias operacionais e de infraestrutura, incluindo mudanças no trânsito e a instalação de carros de som iguais aos que são utilizados na Marquês de Sapucaí, com painéis de LED.
Foto: Alexandre Loureiro/Divulgação Riotur
A festa da Intendente Magalhães começa no sábado, 1º de março, com os desfiles dos Blocos de Enredo. De domingo, 2/03, a terça, 4/03, as escolas da Série Prata desfilarão. Na sexta, dia 7/03, e no sábado, 8/03, é vez da Série Bronze, enquanto os Grupos de Avaliação se apresentam todos os dias, com exceção de sábado.
Para facilitar o acesso ao evento, a CET-Rio montou uma operação especial de trânsito, com o reforço de apoiadores de tráfego e de veículos operacionais para desobstruir as vias. Além de interdições, proibições de estacionamento e da montagem de uma faixa reversível no sentido Cascadura, a CET Rio destacou dois painéis de mensagens variáveis que informarão sobre os horários dos diversos fechamentos e sobre as condições do tráfego.
Além do esquema operacional, a festa deste ano terá investimentos em comunicação visual, som e iluminação. A Rioluz vai reforçar a iluminação na via com a instalação de novos projetores e destacar equipes para cuidar da manutenção, em sistema de plantão.
Outra grande novidade é a melhora na sonorização dos desfiles. O mesmo modelo de carro de som usado na Marquês de Sapucaí será levado para a Intendente Magalhães, com mais caixas de som, para garantir qualidade sonora superior.
Mudanças no Trânsito
No esquema especial que a CET-Rio preparou para a Intendente Magalhães estão previstas interdições e mudanças no trânsito. No sentido Cascadura, entre as ruas Carlos Xavier e Capitão Menezes, a estrada será parcialmente interditada, das 11h de segunda-feira (24/02) e até às 11h de sexta-feira (28/02) para a montagem das estruturas do desfile. Para minimizar os impactos esperados, será montada uma faixa reversível, que funcionará sentido Cascadura, das 5h às 11h, na pista sentido Vila Valqueire, a partir de terça-feira, dia 25/02 até sexta (28/02).
Confira o calendário:
Blocos de Enredo Grupo1: desfiles dia 1º de março
Série Prata: desfiles em 2, 3 e 4 de março
INTENDENTE MAGALHÃES
Bloco de Enredo Grupo1: desfiles dia 1º de março
20h Independente Nova América
20:40h Vai barrar? Nunca!
21:20h Cometas do Bispo
22h União da Ponte
22:20h Novo Horizonte
23h Unidos dos Bandeirantes
23:40h Unidos Alto Boa Vista
00:20h Renascer Vaz Lobo
01h Império Gramacho 01:20h Do Barriga
Série Prata: desfiles em 2, 3 e 4 de março
Domingo, 2 de março
Avaliação – 18h Mocidade Unida Cidade de Deus
18:30h Império da Resistência
20h Sereno Campo Grande
20:40h Renascer
21:20h Feitiço Carioca
22h Unidos Barra
22:40h União Jacarepaguá
23:20h Unidos de Lucas
00h Arrastão Cascadura
00:40h Mocidade Santa Marta
1:20h Chatuba de Mesquita
2h Independente Praça Bandeira
Segunda, 3 de março
Avaliação – 18h Novo Império
18:30h Difícil é o Nome
20h Independente de Olaria 2
0:40h Flor da Mina Andaraí
21:20h Império de Nova Iguaçu
22h Flamanguaça 2
2:40h Engenho da Rainha
23:20h Santa Cruz
00h Vizinha Faladeira
00:40h Rocinha
1:20h Leão Nova Iguaçu
2h Alegria de Copacacabana
Terça, 4 de março
Avaliação – 18h América Samba e Paixão
18:30h Coroado de Jacarepaguá
20h Boi da Ilha do Governador
20:40h Império da Uva
21:20h Tubarão de Mesquita
22h Acadêmicos da Abolição
22:40h Alegria do Vilar
23:20h Unidos do Jacarezinho
00h Concentração Imperial
00:40h Império da Tijuca
1:20h Cubango
2h Vila Santa Teresa
Série Bronze: desfiles 7 e 8 de março
Sexta, 7 de março
Avaliação -18h Rosa de Ouro
18:30 Unidos do Valqueire
20h Leão de Quintino
20:40h Império de Brás de Pina
21:20h Unidos do Parque Curicica
22h Lins Imperial
22:40h Unidos da Vila Rica
23:20h Arame de Ricardo
00h Unidos do Cosmos
00:40h Imperadores Rubro Negro
1:20h Raça Rubro Negra
2h Acadêmicos Recreio
2:40h Bangalore
Sábado, 8 de março
Avaliação – 18h Mocidade de Inhaúma
18:30h Unidos de Manguinhos
20h Acadêmicos de Jacarepaguá
20:40h Acadêmicos do Dendê
21:20h Siri Ramos
22h Mocidade de Vicente de Carvalho
22:40h Unidos do Vila Kennedy
23:20h Gato de Bonsucesso
00h Força Jovem
00:40h Império Ricardense
1:20h Caprichosos de Pilares
2h Unidos do Cabuçu
2:40h Acadêmicos do Peixe
André Rodrigues e Antônio Gonzaga preparam seu segundo Carnaval à frente da Portela. Na edição anterior, a dupla conquistou a avenida com o enredo emocionante “Um defeito de cor”, inspirado no livro homônimo da escritora Ana Maria Gonçalves. Unidos desde que assumiram a Águia Altaneira – André já havia estreado no Grupo Especial ao lado de Alexandre Louzada, após passagens por escolas de acesso, enquanto Gonzaga debutou no carnaval carioca em 2024 –, eles anunciam agora uma homenagem a outro ícone da negritude brasileira: Milton Nascimento. Com o enredo “Cantar será buscar o caminho que vai dar no Sol”, a dupla promete transformar a Sapucaí em uma jornada poética pelas veredas do artista mineiro.
A Inspiração: Exaltar a Negritude e os Sinais do Destino
Em entrevista, os carnavalescos revelaram como surgiu a ideia de celebrar Milton, figura central da cultura nacional. Antônio Gonzaga destacou: “Sempre tivemos a missão de exaltar personalidades negras que moldam a identidade brasileira. Milton é parte da nossa trilha sonora vital. No ano passado, suas músicas embalaram nosso processo criativo. E, no Desfile das Campeãs, quando ele apareceu no camarote da Portela e postou um vídeo assistindo nosso enredo, interpretamos como um sinal: era a hora de levá-lo ao trono que merece”.
O Enredo: Uma Obra que Atravessa Gerações
André explicou que o enredo não se limita a dados biográficos, mas investiga como a música de Milton ressoa nas pessoas: “Nosso foco é como sua obra atravessa vidas. Não buscamos detalhes pessoais, e sim entender por que ele merece ser enredo da Portela. Conversamos com ele para captar sua essência criativa, não para coletar informações. Queremos mostrar por que seu trabalho é divino para tantos”.
A Procissão: Do Asfalto às Montanhas de Minas
A ideia de uma procissão de Madureira até Minas Gerais nasceu de devaneios e da música “Bailes da Vida”. Antônio detalhou:“Milton já viajou o mundo cantando para todos. Agora, é a vez de irmos até ele em agradecimento. A obra dele é repleta de movimentos: trens, estações, romarias. Essa travessia simboliza o reconhecimento de um legado que une o físico e o espiritual”.
Alegorias e Fantasias: A Magia do Amanhecer ao Anoitecer
Sobre o visual do desfile, a dupla adiantou: “Cada setor representa um momento do dia – manhã, tarde, noite e alvorada. As alegorias têm personalidades distintas, mas são conectadas por símbolos que remetem à procissão. As fantasias reforçam essa jornada, com cores e elementos que dialogam com a passagem do tempo”.
Desafios no Barracão: Entre Atrasos e Grandiosidade
O processo de produção não foi fácil. André admitiu: “Foi árduo colocar este Carnaval em pé, especialmente com atrasos nas verbas. Mas agora respiramos aliviados. Queremos que o portelense sinta orgulho, independente do resultado. A Portela merece competir no topo”.
As Parcerias: O Fio Condutor da Obra de Milton
A dupla destacou a relevância das colaborações na carreira do homenageado. André ressaltou: “Milton compôs para amigos, povos e causas. Essa noção de parceria é um pilar do enredo. Assim como ele, a Portela caminha unida, celebrando a diversidade que nos move”.
O Trinômio Perfeito: Portela, Milton e a Força do Povo
Para Antônio, o trunfo está na síntese de grandezas: “A Portela sendo Portela, Milton sendo Milton e o povo em comunhão. Essa união resultará em algo histórico”.
Com a promessa de um desfile que mistura tradição e ousadia, a Águia altaneira prepara-se para alçar voo rumo ao sol – guiada pela música de um dos maiores artistas do Brasil.
Conheça o desfile da Portela
A Portela levará para a Sapucaí cinco alegorias, dois tripés, e 27 alas. Os carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga explicaram ao CARNAVALESCO a setorização do desfile da Águia de Madureira.
Setor 1: “O primeiro setor da Portela é a Portela saindo em procissão, então traz alguns aspectos do subúrbio, a Portela se enfeitando para sair nessa grande processão, essa grande travessia para encontrá-lo”.
Setor 2: “O segundo setor é o sol a pino, aquela parte entre a manhã e a tarde e basicamente trata sobre essas emoções a flor da pele, sobre esses momentos, sobre a emoção de ouvir e de relacionar as canções do Milton Nascimento e as suas próprias vidas, então a gente tem ali as baianas falando sobre Maria Maria, nós temos os encontros, por exemplo, em Duas Sanfonas, enfim, temos Vendedores de Sonhos, que é uma ala importante também para narrativa de desfile”.
Setor 3: “O terceiro setor trata dessa relação com a Terra de maneira geral, a Terra nos diversos sentidos, tanto matéria física, quanto território, quanto terra como ideia, como pertencimento, então vai falar sobre identidades, sobre povos originários, sobre os ribeirinhos, sobre os quilombolas e a gente termina com uma alegoria que faz referência à relação do Milton com o Oxalá e com a própria Terra”.
Setor 4: “O quarto setor, que é o setor da noite, que é o setor onde a gente faz essa brincadeira sobre a noite vai representar também esses períodos mais difíceis, esses períodos de repressão e tal, e como a música do Milton Nascimento ajuda essas pessoas a passarem por esse momento difícil, então terão ali muitas músicas que foram trilhas desse momento de resistência, então a noite é uma metáfora para esses momentos difíceis e a gente termina o setor com alegoria sobre o milagre dos peixes e sobre a esperança de encontrar o sol após essa noite”.
Setor 5: “E a gente fecha o desfile com a procissão chegando a Minas Gerais, a procissão sendo recebida pelos festejos locais, os festejos de três contas, a gente tem folia de reis, tem tambores de minas, a gente encontra essas lembranças, essas memórias do próprio Milton e a gente encontra ele finalmente nesse grande altar dourado, esse grande sol”.
A partir do dia 28 de fevereiro, a Sapucaí começa a ferver com o maior espetáculo da Terra. A estimativa é de que 120 mil pessoas passem pelo local por dia, entre os que desfilam, os que assistem e os que trabalham. Para um evento desse porte funcionar, uma grande logística de hidratação das pessoas presentes, de funcionamento de banheiros e de fornecimento de água precisa ser planejada e executada. E foi pensando nisso que a Águas do Rio adentrou a avenida e vai desfilar seu bloco em todos os dias de festa.
Pelo quarto ano consecutivo, a concessionária distribuirá ecocopos reutilizáveis ao público que for ao Sambódromo em todos os dias de desfiles, inclusive no Sábado das Campeãs. Esse ano, serão 45 mil copos a mais, totalizando 185 mil destes que já viraram objeto de colecionador.
Ao colocar em prática a sustentabilidade, uma das premissas principais da empresa, a Águas do Rio estará colaborando com a retirada de mais de 3 toneladas de lixo que seriam geradas pelo uso de copos descartáveis – peso equivalente a cerca de três carros populares.
Hidratando a folia
Para hidratar quem comparecer a um dos maiores festivais culturais do mundo, 29 bebedouros estarão espalhados por toda a Sapucaí. Além disso, haverá 45 mochileiros da concessionária espalhados pela concentração e pela dispersão das Escolas de Samba para garantir a água daqueles que desfilam.
Os desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro têm início na sexta-feira que representa o pontapé oficial do Carnaval deste ano, com as agremiações da Série Ouro (antigo Grupo de Acesso) apresentando seus espetáculos. Os espectadores que quiserem entrar no clima de brilho e glamour poderão comparecer ao estande da Águas do Rio, no setor 9, para ganhar uma maquiagem gratuita.
Obras finalizadas antes do início dos ensaios técnicos
Em janeiro deste ano, antes mesmo de os ensaios técnicos das agremiações começarem, a concessionária finalizou duas importantes obras no Sambódromo: foram construídos mais de 170 metros de rede de esgoto e 120 metros de tubulação de fornecimento de água para atender todas as áreas da Marquês de Sapucaí. O objetivo é garantir que não haja entupimentos no sistema de esgotamento e desabastecimento de água nos momentos de pico.
Assim como acontece desde 2022, além das equipes operacionais presentes em todos os dias de desfile, a Águas do Rio realizará o monitoramento em tempo real da qualidade da água e disponibilizará caminhões-pipa e equipamentos para desentupir tubulações de esgoto exclusivos para a Sapucaí, preparados para responder a qualquer eventualidade.
“Saneamento básico, qualidade de vida e sustentabilidade andam de mãos dadas e é exatamente isso que estamos trazendo para a Sapucaí com nossas ações antes e depois. Poder fazer parte da história do Carnaval do Rio e ainda deixar um legado para a cidade é tanto um compromisso, quanto um privilégio”, reforça Anselmo Leal, presidente da Águas do Rio.
Os ingressos para os desfiles da Série Ouro 2025 estão esgotados. As 16 escolas filiadas irão cruzar a Marquês de Sapucaí na próxima sexta-feira e sábado, em dois dias de espetáculo que prometem emocionar o público. A grande campeã garantirá uma vaga no Grupo Especial em 2026, enquanto as duas últimas colocadas serão rebaixadas para a Série Prata, que acontece na Estrada Intendente Magalhães.
Presidente da Liga RJ, Hugo Junior comemorou o sucesso de vendas e ressaltou a relevância do evento para o carnaval carioca. Para ele, a grande procura por ingressos reflete não apenas a paixão do público pelo samba, mas também a força e a tradição das escolas que compõem a Série Ouro.
“Estamos extremamente felizes com o sucesso nas vendas dos ingressos. A resposta do público foi incrível e isso só aumenta nossa responsabilidade de entregar um grande espetáculo na Sapucaí. Será uma festa grandiosa, digna da tradição do maior espetáculo da terra”, afirmou.
Ele também reforçou que as arquibancadas populares, dos setores 1, 12 e 13, serão distribuídas pelas escolas às suas respectivas comunidades, garantindo que as torcidas possam apoiar suas agremiações ao longo do desfile.
“O carnaval é um patrimônio do povo e nada mais justo do que garantir que as comunidades estejam presentes para prestigiar suas escolas. As arquibancadas populares serão distribuídas diretamente pelas agremiações, permitindo que os sambistas vivam esse momento de perto e celebrem suas histórias na Sapucaí”, completou Hugo Junior.
Com a expectativa de Sapucaí lotada, os desfiles terão início às 21h em ambos os dias, seguindo a seguinte ordem:
Série Our
21h – Botafogo Samba Clube
Entre 21h45 e 21h55 – Arranco
Entre 22h30 e 22h50 – Inocentes de Belford Roxo
Entre 23h15 e 23h45 – Unidos da Ponte
Entre 00h e 00h40 – Estácio de Sá
Entre 00h45 e 01h35 – União de Maricá
Entre 01h30 e 02h30 – Em Cima da Hora
Entre 02h15 e 03h25 – União da Ilh
Sábado – 1 de março
21h – Tradição
Entre 21h45 e 21h55 – União do Parque Acari
Entre 22h30 e 22h50 – Vigário Geral
Entre 23h15 e 23h45 – Unidos de Bangu
Entre 00h e 00h40 – Porto da Pedra
Entre 00h45 e 01h35 – São Clemente
Entre 01h30 e 02h30 – Acadêmicos Niterói
Entre 02h15 e 03h25 – Império Serrano
Vale destacar que Unidos da Ponte, Unidos de Bangu e Império Serrano não serão julgadas devido ao incêndio que comprometeu suas fantasias, ficando isentas de acesso ou rebaixamento.
O enredo que a Unidos de Bangu apresentará no Carnaval de 2025, intitulado “Maraka’Anandê – Resistência Ancestral”, coloca em evidência a rica história e a luta da Universidade Indígena Aldeia Maracanã, uma emblemática representação da cultura indígena no Rio de Janeiro. Desenvolvido pelos renomados carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel, o tema ressalta a importância da Aldeia Maracanã como um símbolo vivo da identidade dos povos originários. Para o Carnaval de 2024, a Unidos de Bangu apresentou o enredo “Jorge da Capadócia”, criado pelo carnavalesco Robson Goulart, que culminou na escola alcançando a 10ª colocação na Série Ouro.
Em uma entrevista ao CARNAVALESCO, realizada no barracão da escola, Raphael Torres e Alexandre Rangel compartilharam suas expectativas para o desfile de 2025.
“Durante a pesquisa para o enredo, todas as partes foram cativantes, mas nos sentimos especialmente atraídos pela questão dos direitos dos povos indígenas, bem como pela Constituição. O nosso enredo gira em torno dos direitos dos povos indígenas e sua relação com a Constituição”, afirmou Raphael.
Todo desfile tem seu grande trunfo, e ao perguntarmos aos carnavalescos, eles revelaram um spoiler empolgante.
“O grande destaque do nosso enredo será um carro intitulado ‘Clamor pela Justiça’. Neste carro, haverá uma escultura da Justiça adornada com o manto Tupinambá. Acredito que este carro representa o ápice do nosso enredo!”, destacou Rafael.
Alexandre também compartilhou a importância de trazer um tema tão relevante para 2025. “Esse enredo já está guardado desde 2017. Durante nossa passagem por outra escola naquela época, apresentamos duas propostas, e a segunda foi escolhida. Desde então, mantivemos esse enredo arquivado. Ao chegarmos à Unidos de Bangu, pretendíamos trazer uma nova abordagem e uma linguagem mais didática. Quando apresentamos o conceito à diretoria e ao presidente, foi amor à primeira vista. Ele abraçou a causa e o enredo, o que foi um momento muito significativo, pois essa narrativa é extremamente importante não apenas para os povos indígenas, mas para todos os brasileiros!”, afirmou Alexandre.
Rafael e Alexandre afirmam que este enredo tem como objetivo abrir caminhos e superar o amargo décimo lugar conquistado no ano passado.
“É um enredo que, na verdade, transmite uma mensagem completamente didática, uma proposta direta e de fácil compreensão. O comportamento do público será crucial para que eles possam ver e entender!”, declarou Alexandre.
Os carnavalescos comentaram sobre as dificuldades enfrentadas nos barracões do grupo de acesso. “No grupo de acesso, sempre encontramos desafios. Creio que esse grupo necessita de um barracão exclusivo, um espaço apropriado apenas para a construção das alegorias. Em virtude do tamanho e da grandiosidade que os desfiles têm alcançado, o barracão está se tornando insuficiente para comportar as esculturas que as escolas vêm desenvolvendo!”, afirmou Alexandre.
Tivemos que abordar um assunto delicado: o incêndio no ateliê Maximus, onde estavam sendo confeccionadas algumas alas da escola. Os carnavalescos compartilharam o que puderam salvar e como estão trabalhando para recuperar as fantasias.
“Conseguimos recuperar uma parte significativa das fantasias, organizamos um mutirão na escola e a comunidade de Bangu se mobilizou para ajudar na reconstrução. Acredito que muitas peças serão utilizadas para contar a história do enredo; no entanto, algumas se perderam no processo. De qualquer forma, estou confiante de que conseguiremos apresentar algo interessante, que permita ao público compreender o enredo!”, disse Rafael.
Apesar de todas as dificuldades, perguntamos a eles o que podemos esperar do desfile da Bangu. Os carnavalescos demonstraram confiança e entusiasmo.
“Acredito que a Bangu vai surpreender com o conjunto de alegorias. Teremos muitas surpresas, e o segundo carro será um destaque à parte!”, disse Alexandre.
Saiba como será o desfile
A Unidos de Bangu apresentará um desfile com três alegorias, 19 alas e 1.600 componentes. A escola será a quarta a se apresentar no sábado de carnaval.
Setor 1: “No primeiro setor, faremos uma homenagem à aldeia Jabebiracica, que é a aldeia ancestral, situada no local da aldeia Maracanã”.
Setor 2: “O segundo setor abordará a questão histórica, desde a invasão dos portugueses, que trouxe o genocídio”.
Setor 3: “O terceiro setor tratará da atualidade, abordando as ações do Estado em relação aos indígenas, incluindo o conflito que ocorreu com o governo do Estado do Rio de Janeiro sobre o despejo da aldeia. Esse setor culminará com o carro intitulado ‘Clamou pela Justiça'”.
Setor 4: “No último setor, focusaremos a parte cultural que acontece dentro da aldeia, encerrando com o carro que representa a Aldeia Maracanã”.
A presidente da Estação Primeira de Mangueira, Guanayra Firmino, e o carnavalesco Sidnei França, receberam nesta quinta-feira o mototaxista Thiago Marques Gonçalves e sua família. Na última terça-feira, Thiago foi preso após ser alvo de tiros por um PM reformado enquanto levava o estudante Igor Melo de Carvalho, que acabou sendo baleado. Ele foi convidado a desfilar na no próximo domingo, e prontamente aceitou ser um dos destaques da escola na Marquês de Sapucaí.
Para a presidente Guanayra Firmino, para alguns pode parecer triste ter que frisar determinadas questões, mas essa luta é constante. “Durante o período em que construímos nosso Carnaval, quantos casos como esse tivemos? Por isso nosso samba diz tão bem: o alvo que a bala insiste em achar. Somos sempre nós”, avalia. “Então essa é a nossa luta, da Mangueira, mas minha pessoalmente como alguém que nasceu na favela. Será uma oportunidade para o Thiago comemorar este verdadeiro renascimento, e de buscar por justiça”, conclui.
Ao aceitar o convite, Thiago Thiago agradeceu. “Fico honrado pelo convite. Celebrar será importante, sem dúvida. Mas será também um momento de pedir socorro, de exigir justiça para mim, para a minha família e também para o Igor”, declarou.
No dia seguinte ao ocorrido, o Jornal Extra destacou em sua capa, que trazia uma foto do estudante de publicidade e propaganda da faculdade Celso Lisboa, Igor Mello, um dos versos do samba-enredo da Mangueira: o alvo que a bala insiste em achar. Igor também atua como inspetor e garçom para complementar a renda. Ele segue internado no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.
“Hoje estou pedindo justiça. Mas a verdade é que meu filho poderia não estar aqui. Quem traria meu filho de volta?”, indaga Jaqueline Marques. “Ter justiça ameniza, claro. Mas quantas mães vivem essa tragédia?”, disse, ainda bastante abalada.
Em 2025, a Mangueira será a quarta e última escola a desfilar no domingo de Carnaval. A agremiação busca o campeonato com o enredo “À Flor da Terra: o Rio da Negritude entre dores e Paixões”, do carnavalesco Sidnei França. A Verde e Rosa apresentará na Marquês de Sapucaí uma narrativa baseada na historicidade preta de forte cunho social, um olhar sobre a presença dos povos bantus na cidade do Rio de Janeiro. Eles representaram a maioria dos negros que escravizados e trazidos para o Cais do Valongo, na Pequena África. A Mangueira retratará a vivência dessa população em toda a cidade, mostrando como sua história floresceu e ainda floresce em solo carioca.
Considerado uma das mentes mais revolucionárias do carnaval carioca, Paulo Barros está à frente do carnaval da Vila Isabel há três anos. Essa é sua terceira — e mais longeva — passagem pela escola do bairro de Noel, onde já realizou outros dois desfiles antes de assumir o comando em 2023. Dono de quatro títulos no Grupo Especial, o artista é conhecido por um estilo moderno, marcado por alegorias humanizadas, uso de materiais inovadores e conceitos ousados. É com essa assinatura que ele leva à avenida o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”, explorando assombrações do imaginário popular e folclórico brasileiro.
Paulo revelou que o tema surgiu de uma sugestão, assim como ocorreu com o desfile campeão de 2010. A partir da proposta, mergulhou em pesquisas sobre mitos e lendas que permeiam o cotidiano das pessoas. O carnavalesco ressaltou, porém, que não há semelhanças com seu desfile de 2011, que abordava o medo no cinema:
“Me sugeriram o tema, e eu automaticamente me apaixonei pela ideia, assim como em 2010, quando um jovem me trouxe a palavra ‘segredo’. Este ano, decidi explorar as assombrações. Pesquisei a fundo e percebi que seria uma ótima opção para a Vila. Alguns compararam ao enredo de 2011, mas são totalmente diferentes. Desta vez, o fio condutor é um trem-fantasma, um brinquedo de parque de diversões que simboliza uma jornada de emoções. Quero que o público sinta medo, suspense, mas tudo se transforme em alegria no final. 90% do enredo é baseado em mitos brasileiros, muitos com raízes europeias, mas adaptados à nossa cultura. A riqueza dessas lendas é fascinante!”, explicou.
Sobre a escolha dos personagens, Paulo destacou a diversidade como base do enredo, sem privilegiar figuras específicas:
“Não tenho preferência. Trago desde entidades conhecidas, como o Saci Pererê e a Cuca, até lendas menos populares, como a Cobra Grande. Cada uma tem seu encanto. A pluralidade é que sustenta a narrativa”, afirmou.
Nas alegorias e fantasias, o carnavalesco mantém seu estilo marcante: carros com movimento e estruturas repletas de integrantes.
“O público verá um conjunto alegórico diversificado, com estéticas únicas em cada setor. Sempre busco criar carros que se destacam pela arquitetura e plasticidade, algo que marca minha trajetória”, disse.
Paulo também destacou a importância da iluminação cênica da Sapucaí, incorporada ao espetáculo em 2023:
“A luz hoje é parte essencial do desfile. Mudou a estética e nos permite criar efeitos incríveis. Foi uma iniciativa brilhante do Eduardo Paes, e estamos aproveitando ao máximo”.
Por fim, enfatizou que o verdadeiro trunfo da Vila Isabel é a comunidade: “Ninguém vence sozinho. Há especulações sobre samba, favoritismo, mas o desfile se ganha na hora. Dependo de 2.800 pessoas fazendo seu papel com excelência. Sem essa energia, não há título”.
Conheça o desfile
A Unidos de Vila Isabel pisará na avenida trazendo seis alegorias e cerca de 2.800 componentes. Paulo Barros falou ao CARNAVALESCO sobre como serão os setores do desfile da Vila Isabel.
Setor 1: “Nesse trajeto do trem fantasma, o trem segue, parte e ele entra no universo das matas e das florestas, onde a gente vai encontrar esses seres, essas personagens que estão relacionados às florestas e às matas, como o curupira, o saci, e o boitatá”.
Setor 2: “O segundo setor eu falo dos rios e dos oceanos, das águas. São aquelas assombrações, esses seres que vivem nesse habitat, nesse ambiente”.
Setor 3: “O terceiro a gente fala nas redondezas, que pode ser numa esquina, numa vila, numa cidadezinha, num castelo, num cemitério. É tudo aquilo que está ao nosso redor, por isso que a gente chama de nas redondezas”.
Setor 4: “Depois a gente faz uma reflexão daquelas assombrações que nos fizeram medo quando criança, que é o setor que eu falo das assombrações infantis, em que a gente tem a cuca, o bicho-papão, e a bruxa”.
Setor 5: “E a gente termina trazendo um bloco, uma festa, que é onde a gente celebra o final desse trajeto do trem-fantasma, mas fazendo um grande baile, onde aquelas figuras tradicionais da própria festa, do Halloween, que foi incorporada por nós e por todo mundo, e a gente mistura esse Halloween com o Carnaval. Eu costumo dizer que a gente está criando aí o ‘carnaween’. Então o último setor é onde a gente acaba a viagem no trem e a gente vai rir. Aquelas figuras que são horrendas, quando você vai a um baile desse, você vê essas figuras, e o que você faz nesse baile? Você ri dessas coisas. E o nosso intuito no final é virar isso na bruxaria, que a Vila vai te pegar. E vai te pegar como? Exatamente nessa alegria”.
A Comlurb está realizando a pré-limpeza do Sambódromo para que tudo esteja limpo e preparado para receber os desfiles das escolas de samba da Série Ouro e das grandes agremiações do Grupo Especial. Na quarta e na quinta, uma equipe com 75 garis se dedicou à limpeza geral na concentração, na pista de desfiles, nas arquibancadas, nas frisas, nas áreas internas e nos postos médicos. Foi utilizada essência de lavanda para deixar todo o ambiente perfumado para os foliões.
A lavagem da pista contou com água de reuso, da concentração até a Praça da Apoteose. Uma equipe da coleta seletiva fez o recolhimento de materiais potencialmente recicláveis que sobraram da montagem dos camarotes e frisas. Uma equipe fez uma grande operação de limpeza de ralos, dentro da Passarela do Samba e nas ruas de acesso, e agentes de controle de vetores do Centro de Pesquisas da Companhia realizaram inspeções e controle químico contra roedores em todo o entorno da Sapucaí. A manutenção da limpeza prossegue na sexta-feira, durante o dia.