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Série Barracões SP: Tom Maior reeditará clássico de 2009 sobre a história de Angola

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Um clássico do carnaval de São Paulo retorna ao Anhembi. Para 2025, a Tom Maior optou por reeditar o enredo “Uma nova Angola se abre para o mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade!”, que marcou o carnaval de 2009 com um samba que faz sucesso até hoje. O carnavalesco Flávio Campello concedeu entrevista ao CARNAVALESCO para explicar a escolha e as novidades da nova abordagem feita sobre o tema pela Vermelha e Amarela do Sumaré.

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Desejo antigo da comunidade

O rebaixamento da Tom Maior em 2024 surpreendeu o mundo do samba. A escola causou impressões positivas ao longo de todo o pré-carnaval, com seu elogiado samba e realizando bons ensaios, e no desfile apresentou uma plástica de alto nível que rendeu à escola o Prêmio Estrela do Carnaval, promovido pelo CARNAVALESCO, de melhor conjunto de alegorias. Para retornar ao Grupo Especial, Flávio Campello não tinha dúvidas de que era o momento certo para resgatar um antigo desejo da comunidade de reeditar o aclamado enredo sobre Angola.

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“Essa ideia surgiu logo após a apuração de 2024. Precisávamos nos encontrar com a nossa comunidade nesse dia triste do resultado, então houve uma conversa comigo e o Carlão indo para a quadra. Ele pediu: ‘você vai continuar conosco? Queremos continuar com você’, e no carro eu falei para ele: ‘então vamos continuar, mas vamos fazer o enredo sobre Angola’. Por quê? A nossa comunidade, desde quando eu cheguei na escola, sempre cogitou a possibilidade de fazer a reedição desse enredo. Quando chegamos, que foi naquele ano fatídico da pandemia, chegamos naquela situação de talvez engavetar ‘O Pequeno Príncipe’ e cogitamos a possibilidade de fazer uma reedição ali. Era aquele carnaval meio incerto por causa da pandemia, de quando que iria rolar, e acabou acontecendo em abril, dois anos depois. O enredo de Angola sempre esteve presente no imaginário da nossa comunidade, e com esse lance da apuração do ano passado, eu pensei em presentear a nossa comunidade com esse enredo. É um samba que eu sempre gostei, ele celebra um pouco o ano em que eu cheguei no carnaval de São Paulo, que foi 2009. Eu representava naquele momento a Mocidade Alegre, mas o samba da Tom Maior, na minha opinião, era um dos melhores daquele ano e aquele samba ficou na minha cabeça. Eu falei: ‘vamos fazer essa reedição, que eu acho que é o momento para podermos dar um gás à nossa comunidade, para podermos transformar o carnaval 2025 no ano da nossa redenção, no ano da nossa superação’”, declarou.

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Uma ‘nova’ Nova Angola

O público que assistiu aos ensaios técnicos da Tom Maior pôde perceber de imediato que a abordagem da reedição será diferente do desfile de 2009. A abertura da apresentação original fez referência direta à guerra civil angolana, com comissão de frente e carro Abre-alas completando um ao outro formando uma cenografia comovente. A proposta de 2025, porém, já parte da reconstrução da nação africana, sendo mais alegre e colorida. A necessidade de realizar uma apresentação menor por conta das limitações do Grupo de Acesso 1 fez com que Flávio Campello usasse da poesia do próprio samba para construir uma nova narrativa para o desfile.

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“A ideia, desde o início, era transformar esse enredo com uma nova roupagem. Sempre quisemos enaltecer, principalmente como o título do enredo fala, ‘Uma Nova Angola’. Nós quisemos, desde o início, fazer ‘Uma Nova Angola’. Uma Angola onde pudéssemos mostrar o povo renascendo daquele tempo ruim de guerra civil. A Angola da reconstrução, a Angola do renascimento. Nós quisemos propor, plasticamente, um carnaval diferente do que foi em 2009 até porque eu precisava sintetizar esse enredo em três setores, afinal nós só temos três alegorias. É um enredo riquíssimo, é uma temática riquíssima, a história de Angola é muito rica. Nós tínhamos que transformar essa história riquíssima em três setores, e foi algo que conseguimos através do samba, inclusive. Abrimos o nosso desfile com a cabeça do samba, que é ‘Uma Nova Angola’. Temos na segunda alegoria a proposta de enaltecer o que está no refrão do meio, que é a proteção de Zambi, a religiosidade do povo angolano, do candomblé de Angola. E fechamos o desfile como o samba fala da nova ‘Kizomba’, aquela Kizomba que foi feita no bairro de Noel. Nós dividimos esse enredo nesses três setores para que possamos ilustrar um carnaval novo, com uma nova visão sobre Angola e eu espero que todo mundo goste”, explicou.

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Apesar de ser uma reedição, foi preciso fazer novos estudos para garantir que a abordagem do desfile sobre a história de Angola se mantenha atualizada. O carnavalesco apontou o que mais chamou sua atenção durante as pesquisas para a construção do enredo.

“A força do povo angolano, que eu acho que tem muito a ver com a nossa história. Existe uma relação de irmandade muito grande entre esses dois países. Infelizmente, quando nós também fomos colonizados, nós trouxemos escravizados de Angola para o Brasil. Nós sabemos que o Brasil também tem muitos e muitos braços angolanos na sua construção, principalmente como exaltamos na tradição Bantu. A origem Bantu, que é a origem afro-brasileira, é muito forte. Nós quisemos também, através dessa nova proposta, mostrar um pouco disso. Essa questão da relação de irmandade entre Brasil e Angola, essa relação que firma alianças até hoje entre Brasil e Angola, e enaltecendo Martinho da Vila, que é o embaixador cultural em Angola. Ele praticamente quem foi responsável por unir o semba de Angola com o samba brasileiro através do ‘Canto Livre de Angola’, que foi um projeto idealizado por ele. Martinho conseguiu unificar as culturas dessas duas nações, então fechamos o desfile falando desse grande embaixador cultural que é Martinho da Vila”, afirmou.

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Tom Maior na Avenida: Da reconstrução de Angola à Kizomba de Martinho

O desfile da Tom Maior em 2025 será estruturado em três setores inspirados nos versos do samba de 2009. Flávio Campello destacou os elementos que fazem da reedição uma abordagem renovada sobre Angola.

“’Uma nova Angola reconstruindo a sua história’, que é o nosso primeiro setor, é a reconstrução dessa história. O nosso segundo setor, que é ‘Deixa a Gira Girar sob a proteção de Zambi’. E o nosso terceiro e último setor, que é o ‘Martinho, que fez a Kizomba lá no bairro de Noel’. Como estamos fazendo a reedição de um samba, nós tivemos a preocupação de desenvolver o projeto em cima do samba. Em cima do samba eu fiz as minhas pesquisas, elaborei a nossa sinopse, que é uma nova sinopse de enredo, mais moderna, mais contemporânea, com dados mais atuais sobre a história de Angola. Eu acho que esse é o caminho de nós podermos ter a chance de falar de um enredo riquíssimo, de um enredo onde a escola abraça desde 2009 e não esquece, porque todas as vezes que cantamos esse samba na quadra, nós percebíamos muita emoção. O carnaval de 2009 traz muitas lembranças, muita memória afetiva da nossa comunidade, que eu acho que esse é o nosso intuito de passar aqui no domingo com essa nova Angola”, explicou.

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O carnavalesco detalhou alguns elementos que serão observados dentro dos três setores do desfile da Tom Maior. “Nós temos a história de Angola através dos povos. Temos Rainha Nzinga, a própria ‘Entre Correntes e Lamentos, a Negritude Atravessou o Mar’. Fomos ilustrando as nossas fantasias com trechos que estão inseridos dentro do samba. No nosso outro setor falamos sobre essa relação Brasil-Angola, onde temos ali o ‘Canto Livre de Angola’, o Canto de Martinho. Nós temos Brasil e Angola unidos em um só coração, temos Angola renascendo das cinzas, temos a fantasia dos passistas que representa o samba e o semba, e temos a Kizomba na nossa última ala. Nós tentamos desenvolver esse projeto totalmente dentro do nosso samba e através dele reconstruímos uma nova sinopse, um novo enredo que eu acho que ficou bem bacana”, disse.

Conjunto visual é o trunfo para 2025

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Os últimos carnavais da Tom Maior se destacaram especialmente pelo alto nível do conjunto de alegorias e fantasias apresentados. Flávio Campello garante que, mesmo no Grupo de Acesso 1, a estética seguirá sendo o principal trunfo para impressionar o público e os jurados no desfile da escola.

“Acho que as alegorias (serão o ponto forte). Nós mantivemos o padrão de alegorias, que acho que são grandiosas, estamos vindo no Abre-alas com duas bases grandes também. Acho que as nossas alegorias sempre vão ser um trunfo porque eu sempre gostei muito delas. Eu acho que as alegorias, para mim, sempre vão ser o forte, acho que é o que engrandece os olhares de todo mundo. As pessoas vêm aqui na baia como se estivessem na Disneylândia, elas gostam de alegorias. Eu acho que a grande identidade do carnaval de São Paulo está nas alegorias. Aqui você consegue fazer carros gigantes, comparados aos carnavais do Rio e de outros lugares do Brasil, por causa da estrutura que temos e que nos proporciona essa possibilidade. Eu acho que alegorias e as fantasias, que também mantivemos um padrão de fantasias do ano passado, até porque em 2024, dos três quesitos que nós trouxemos nota 40, fantasia foi um deles. Nós estamos tentando repetir o feito de trazer aí mais uma nota máxima nesse quesito”, afirmou.

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Recado do carnavalesco Flávio Campello para a comunidade da Tom Maior

“Chegou o momento, minha comunidade! É o momento de nós também, assim como Angola, renascermos das nossas próprias cinzas! É aquilo que eu sempre falo, passei o ano todo falando: nós não podemos desanimar e precisamos dar a volta por cima e acho que 2025 vai representar isso. Em respeito, obviamente, às outras sete coirmãs, mas nós estamos batalhando o ano inteiro para poder alcançar o nosso objetivo, que é levar de volta a nossa escola de samba para o Especial”.

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Ficha técnica
Enredo: “Uma nova Angola se abre para o mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade!”
Alegorias: 3 carros
Componentes: 1300
Alas: 16
Diretor de barracão: Adelson Davi
Diretor de ateliê: Leonan Ribeiro

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Leonardo Bessa: reencontro com a história no Sambódromo

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Nascido em um verdadeiro berço musical, Leonardo Bessa é filho do cantor, compositor, arranjador e maestro Reginaldo Bessa. Sua trajetória no carnaval começou na década de 1980, em uma escola de samba mirim. Como produtor musical, destacou-se ao liderar a concepção e gravação dos CDs do Grupo B e, desde 1998, do Grupo A da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, Leonardo compartilhou a emoção de retornar ao Sambódromo, desta vez como intérprete da Unidos da Ponte: “É uma alegria imensa! Este é um palco que carrega uma grande história para mim, e poder voltar a cantar após quatro carnavais é uma satisfação indescritível. Será um reencontro muito feliz!”, afirmou.

Sobre o que o público pode esperar do samba da agremiação, ele revelou entusiasmo: “Teremos muita alegria e um desfile em que os componentes vão se divertir. Traremos uma mensagem crucial sobre a sobrevivência do nosso planeta, algo extremamente atual. Espero que consigamos transmitir isso ao público e que todos cantem conosco!”, enfatizou.

Além de comandar o carro de som da Unidos da Ponte, Leonardo também integra o time da Renascer de Jacarepaguá. Sobre a dupla jornada, brincou: “Estou me virando nos trinta! Para quem trabalha com carnaval, é normal conciliar shows e projetos. A Renascer é uma escola que tenho no coração. Uma coisa não atrapalha a outra!”.

Questionado sobre a avaliação de cantores e equipes de harmonia no quesito musical do Grupo Especial — prática já adotada na Série Ouro —, ele ressaltou: “Esse critério existe há cerca de quatro anos na Série Ouro e é fundamental que o Especial também o adote. Valoriza o trabalho dos intérpretes e a coesão musical da escola, algo essível para o carnaval!”.

Antes de se consagrar como intérprete, Leonardo Bessa trilhou uma carreira como cavaquinista em escolas como Salgueiro e São Clemente, consolidando-se como um nome respeitado no universo do samba.

Cátia Drumond: resgate e a revolução na Imperatriz Leopoldinense

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O CARNAVALESCO abre a série de entrevistas com representantes das escolas de samba do Grupo Especial. A primeira convidada é Cátia Drumond. Confira abaixo a entrevista completa.

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Foto: Reprodução/Instagram

Presidente, faz um balanço da gestão Cátia Drumond até hoje.

“Uma gestão super positiva. Comecei com o décimo lugar, consegui manter a Imperatriz no Grupo Especial. Sempre digo que não era um décimo. Deveria ser um sexto ou sétimo. Mas fui feliz em 2022; em 2023 veio o campeonato; em 2024, o vice-campeonato. Não posso reclamar. O saldo é positivo. Vamos trabalhar para, em 2025, trazer o campeonato de novo”.

Qual é a maior virtude dessa sua gestão?

“Humildade. Acho que primeiro a humildade, depois a maneira que temos de nos organizar. A mulher é muito mais organizada que o homem. Consegui entrar na casa e falar: ‘Mamãe tá aqui, vamos organizar a família, botar o pé no chão que a gente vai conseguir ir longe’. Nós fomos, estamos indo bem longe e vamos mais ainda”.

Você falou da mamãe. Gosta de dizer “mamãe está on”?

“Eu curto tudo. É mamãe, é titia, mas é mais mamãe. É uma forma de o componente ou o torcedor da Imperatriz expressar o carinho que sentem por mim”.

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Foto; Nelson Malfacini/Imperatriz

Muitos dizem que você está transformando a Imperatriz numa escola vibrante, alegre, com o Complexo participando e a quadra cheia de jovens. O que sente com isso?

“Sinto o resgate da comunidade e o interesse dos pequenos. Hoje vemos muitas crianças e adolescentes nos ensaios. Estamos alcançando o objetivo de ter uma Imperatriz mais jovem, solta e feliz”.

Você falou dos pequenos. Vai ter escola mirim da Imperatriz ou não pensa nisso?

“Penso, sim, e com carinho. Mas, no momento, meu foco é a Imperatriz dos adultos. Abrimos espaço para as crianças do Instituto participarem dos ensaios de rua. Quem sabe, em breve, teremos uma escola mirim”.

O que podemos esperar da quadra para 2025/26? Comprou o terreno. O que o público verá no Carnaval de 2026?

“Vamos tentar fazer todas as modificações durante a pausa da quadra: ampliar o palco, deslocá-lo para trás, realocar a bateria atrás do palco, criar um novo lado só de camarotes e aumentar a área inferior para mais conforto”.

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Foto; Nelson Malfacini/Imperatriz

Quando dizem que a presidente Cátia é polêmica na Liesa, que “fala mesmo”, isso é a mãe defendendo o filho ou um perfil herdado do seu pai?

“Tenho um pouco do Seu Luizinho. Dizem que sou o “Luizinho de saia”. Mas não é ser polêmica, é ser justa. Discuto tudo na plenária, defendendo a Imperatriz e o espetáculo. Não podemos pensar só no nosso umbigo”.

Renovou contratos antes do carnaval, mesmo com a equipe sendo cobiçada. Por que garantir tudo tão cedo?

“Em 2023, renovei 30 dias antes do carnaval. Este ano, dei uma viagem à Bahia para a equipe descontrair. Sei que são cobiçados, blindo minha escola. Renovar 40 dias antes não faz diferença”.

Qual o peso de desfilar no segundo dia, junto com a atual campeã Viradouro?

“A página virou. Domingo será equilibrado, com quatro grandes escolas. Respeito a Viradouro, mas quero que meu melhor supere o dela. Fora da avenida, somos amigos”.

Como é a rivalidade com a Viradouro? É só na pista?

“Todo presidente quer ganhar, mas fora da avenida nos damos bem. A rivalidade é dos torcedores. Se uma escola merece o título, batemos palmas. Espero o mesmo quando for minha vez”.

Lara (UPM) diz que você é um exemplo. Como se sente?

“Fico feliz. Ela até me chama de mamãe. Lara é jovem e apaixonada pela escola, como eu. Desejo que ela e a UPM tenham sucesso e permaneçam no Grupo Especial”.

O que espera do João, seu filho, no carnaval? Se ele quiser ser presidente da Liesa ou da Imperatriz, o que deseja?

“João é humilde e dedicado. Desejo que ele se forme na faculdade. Ser presidente da Imperatriz? A hora dele chegará. Da Liesa? Acho que não pensa nisso ainda”.

Cátia Drumond seria presidente da Liesa um dia?

“Nunca. Para estar na Liesa, teria que largar a Imperatriz de verdade. Não tenho essa vontade”.

Qual herança recebeu do seu pai na administração da escola?

“Respeito e amor. Meu pai me ensinou tudo. Hoje, sou presidente completa porque passei por todos os estágios na escola. Sinto falta dele, mas honro seu legado”.

O CARNAVALESCO elogia os ensaios de rua da Imperatriz como os melhores. Como chegaram a esse nível?

“Ver a felicidade da comunidade não tem preço. O morador não lembrava que a Imperatriz era do bairro. Hoje, nos agradecem pelo resgate. Isso conquistamos com trabalho”.

Fale sobre Leandro Vieira. Você pediu um título a ele, e ele entregou. O que ainda espera?

“Não pedi um título, mas sim a equipe dos meus sonhos. Leandro é um fenômeno. Espero que seja minha Rosa Magalhães. Sou fã dele e da equipe que construímos”.

A contratação do Pitty de Menezes foi seu maior gol?

“Pitty foi um gol de placa, assim como a volta do Felipe e o reencontro da Rafa. Tenho um timaço nas mãos. Por isso luto para blindá-los”.

Se Imperatriz e Viradouro desfilarem bem, os jurados darão nota 10 ou segurarão?

“Devem dar o 10. Se segurarem, só nos resta reclamar na Liesa. Mas, se passarmos bem, brigaremos pelo título”.

O orgulho de ser do Complexo do Alemão é marca da escola?

“Tenho orgulho de sermos da favela, do povo, do CPX. Mas a Imperatriz é de toda a Leopoldina”.

Como é o trabalho social do Instituto?

“Queremos oferecer cursos para jovens e crianças. Após o carnaval, focaremos em ocupá-los com atividades como balé e capoeira”.

Já pensa em enredos para 2026?

“Leandro já tem o de 2026. Não sou curiosa. Em 2025, ele revelou o tema durante um almoço, quando todos se vestiram de branco a meu pedido”.

O que esperar do enredo afro em 2025?

“Uma Imperatriz macumbeira, mas da paz. O desfile será emocionante, principalmente para quem conhece a religião. É o melhor trabalho do Leandro na escola”.

Como a Imperatriz consegue começar os preparativos tão cedo?

“É gestão. Com premiação antecipada, começamos em maio/junho. Este ano, o barracão está 98% pronto (há mais de 20 dias que foi a entrevista)”.

A polêmica do tripé na comissão de frente: qual sua posição?

“Defendo padronização para todas. O tripé tirou o protagonismo do casal e do abre-alas. Mantivemos por respeito ao espetáculo, mas preferiria equilíbrio”.

Por que reforçar a comissão de frente com Patrick Carvalho?

“Patrick é nota 10. Queremos uma comissão arrebentadora, pois é um dos momentos mais esperados. Seu trabalho é emocionante, especialmente para quem é da religião”.

O desfile de 2025 será emocionante?

“Sim. O enredo para Oxalá tem uma pegada serena, mas profunda. Quem conhece a história vai se emocionar”.

Samba no pé e Botafogo no coração! Torcida alvinegra emociona na Sapucaí

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2024 foi um ano memorável para o Botafogo. O time foi campeão do Campeonato Brasileiro e também garantiu o título internacional na Copa Libertadores. Mas não foi só no gramado que a estrela alvinegra brilhou. A escola de samba Botafogo Samba Clube foi uma das campeãs da Série Prata do carnaval carioca, e desfilará pela primeira vez na Marquês de Sapucaí em 2025. A estreante da Série Ouro vem com componentes felizes e, em sua maioria, botafoguenses de coração, que compartilham a emoção de representar o time
na avenida.

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Fotos: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“É uma sensação maravilhosa estar aqui depois de um ano tão glorioso. Eu só tenho experiência com o carnaval em blocos de rua, mas estava doido para entrar no Botafogo Samba Clube. Fiquei o ano passado todo na expectativa, e no final recebi a notícia que tinha passado na audição para ser um componente da escola. Foi o meu presente de Natal, e como nasci em dezembro, também foi de aniversário”.

Torcedor fanático, ele mostra que eternizou a paixão pela Estrela Solitária no próprio corpo. “Tenho uma tatuagem que representa o meu pai que faleceu, que era botafoguense e deixou essa torcida de herança para mim. Recentemente, também tatuei meu filho na coxa. Assim como meu pai fez comigo, passei esse amor para ele, que é Botafogo desde que nasceu. Fico muito feliz”, relata Daniel Assunção, de 34 anos, bailarino da comissão de
frente.

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O Botafogo virá com o enredo “Uma Gloriosa História em Preto e Branco”, desenvolvido pelo carnavalesco Alex de Souza.

“Vamos trazer a história das origens do nosso clube de futebol. O enredo fala da criação do bairro Botafogo até o surgimento do time, homenageando os primeiros jogadores. Traremos a questão do Engenhão, e de como a gente vem lutando todos esses anos. O público pode esperar, principalmente, muita emoção na avenida, porque o Fogão é garra, é força. É uma conquista muito grande estar aqui hoje”, explica a designer Vanessa Jansen, de 40 anos, que desfila na ala de abertura da Samba Clube.

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A moça acredita no poder das escolas de samba que têm clubes de futebol como base, não encarando isso como um problema para a avaliação dos jurados. “Quando a coisa é levada a sério, está valendo. Qualquer enredo que envolve trabalho duro, que alguém dá o sangue, vale. O importante é sempre trazer o melhor espetáculo possível para o pessoal que vem assistir. E carnaval é isso mesmo, o povo tem que se divertir”.

Daniel Assunção concorda com esse pensamento: “Acho a junção do carnaval com o futebol uma maravilha. Mais clubes e escolas tinham que adotar essa sintonia”.

Atualmente, no Rio de Janeiro, além da Botafogo Samba Clube, as escolas de samba ligadas a times de futebol são a Fla Manguaça, do Flamengo, e a Força Jovem, do Vasco. Elas desfilam na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte da cidade.

“No Rio esse tema ainda é um pouco tabu. Em São Paulo, ninguém liga. Lá tem a Gaviões da Fiel, do Corinthians, e a Mancha Verde, do Palmeiras, que são fortíssimas. Aqui a galera fica meio cabreira. Mas no primeiro dia de carnaval, seremos a primeira escola a mostrar para o Rio de Janeiro que futebol e carnaval andam juntos”, comenta a torcedora Vitória Cristine, que desfilará no último carro alegórico do Botafogo, que homenageará os ídolos do time. A jovem advogada de 26 anos estará acompanhada pela amiga, Júlia Nicolau, alvinegra de berço.

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Júlia nasceu no Espírito Santo, mas mora no Rio há dez anos. Atualmente com 27 anos, ela trabalha com marketing, e apesar das raízes capixabas, afirma ser botafoguense desde que nasceu, graças à sua família. As amigas contam que o amor pelo Glorioso fortaleceu a amizade delas, a ponto de fazerem uma tatuagem juntas.

Para elas, desfilar na escola é uma experiência incrível. “Juntamos as duas paixões que temos. A gente vive o carnaval e a gente vive o Botafogo”, diz Júlia.

“Sempre gostei muito de carnaval. Para mim é a realização de um sonho estar aqui vendo pela primeira vez o Botafogo Samba Club na avenida. É surpreendente”, conclui Vitória.

‘Muita responsabilidade e muito trabalho!’ Evandro Malandro deixa a sua marca como cantor da Grande Rio

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Em 2025, Evandro Malandro vai para o seu sexto carnaval como intérprete da Acadêmicos do Grande Rio. Entre seus trabalhos está o campeonato de 2022 (“Fala, Mejeté! As sete chaves de Exu”) e o vice-campeonato de 2020 (“Tata Londirá: O Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias”), entre outros excelentes trabalhos.

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Evandro começou no carnaval de Nova Friburgo (RJ), sua cidade natal, passou pelo Grupo de Acesso de São Paulo, pela Série Ouro do Rio de Janeiro e chegou na Grande Rio para o desfile de 2019 a convite do presidente Jayder Soares. O cantor emprestou sua identidade extrovertida ao carro de som e faz parte dessa renovação de imagem da escola caxiense.
Abaixo, está a entrevista feita com Evandro Malandro sobre sua carreira e sua conexão com a Grande Rio:

O que a Grande Rio representa na sua vida?

“Tudo! Grande Rio mudou a minha vida em tudo que você possa imaginar. Me tirou da minha terra natal, Nova Friburgo, e me deu a visibilidade e o carinho do caxiense. A Grande Rio é tudo na minha vida”.

O Jayder Soares )patrono) disse para gente que tem orgulho de ter trazido você para a Grande Rio. Foi ele mesmo? Conta essa história

“Eu tenho uma honra danada de ter conhecido seu Jayder Soares, em 2009, quando eu comecei a defender sambas. Agora, com essa virada de chave na minha vida, virando cantor da Grande Rio, todo carinho que seu Jayder Soares, Leandro Soares, Helinho de Oliveira e meu presidente Milton Perácio me passam, eu tento retribuir com muita responsabilidade e muito trabalho”.

O mestre Fafá fala que você já é o maior cantor da história da Grande Rio. O que pensa disso?

“Fafá é meu irmão! Vindo de uma pessoa que é muito Grande Rio, que é nascido mesmo da barriga da mãe, eu me sinto muito honrado por ter uma pessoa como o Fafá falando isso de mim. Me sinto um cara abençoado por Deus”.

O que representa cantar esse samba de 2025 na sua carreira?

“Cantar sobre o Pará, cantar sobre essa cultura, o paraense está muito feliz. O mínimo que eu posso fazer é transferir essa responsabilidade para todos na Sapucaí. Cantar o Pará é muito bacana. “Quem foi ao Pará parou/ Tomou açaí, ficou” (cantou)”.

É sorte e/ou competência ter cantado o samba de 2020, depois Exu e agora esse?

“É competência com muito trabalho. Sobre a sorte, eu costumo dizer desde meus 12 anos, quando eu comecei a estudar música, que, quanto mais eu estudo, mais sorte eu tenho”.

Falam que você tem o jeito de cantar da nova Grande Rio. Como é esse jeito?

“Na verdade, é a mesma Grande Rio com um Evandro Malandro que todos os presidentes aceitaram e, principalmente, toda Caxias, toda Grande Rio, aceitaram esse jeito malandro de ser, extrovertido, irreverente, um malandro que gosta de cantar com as melodias. Tem aquela coisa aguerrida, mas com muita melodia. Eu estou muito feliz com o jeito que a Grande Rio aceitou o Evandro Malandro, esse filho que a Grande Rio aceitou e eu não vou desgrudar nunca”.

É diferente trabalhar com mestre Fafá e a bateria sem correr?

“Existe uma diferença musical que é cadência e andamento. São totalmente diferentes, a cadência do andamento. Eu me dou muito bem com o Fafá porque, nas baterias que eu cantei, eu me senti muito feliz por serem baterias cadenciadas. Cubango era uma bateria muito cadenciada quando eu passei, Renascer de Jacarepaguá, em São Paulo, a Imperador do Ipiranga. Eu venho de duas baterias cadenciadas que são de Nova Friburgo que são duas escolas que eu tenho no meu coração, a Unidos da Saudade e a Vilage [no Samba], que tinham mestres que eram muito cadenciadas”.

Série Barracões SP: Em um grande musical a Benito di Paula, Águia de Ouro abrirá o sábado de carnaval

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Para o Carnaval 2025, o Águia de Ouro irá apostar em uma nova homenagem. Assim como no ano de 2024 a agremiação da Pompeia fez um tributo a um dos maiores radialistas da história do Brasil (Eli Corrêa), no próximo desfile, a azul e branca da zona oeste irá levar um consagrado artista da música brasileira para o Anhembi, Benito di Paula. Com a força das obras do artista, a agremiação pretende alçar voos maiores no carnaval paulistano, pois desde 2020, quando ganhou o seu título, não conseguiu alcançar o Desfile das Campeãs novamente. Na tentativa deste sucesso, a contratação do carnavalesco André Machado foi feita, visto que o profissional vem de um vice-campeonato e uma quinta colocação com a Mancha Verde. O artista, que realiza sua estreia no Águia de Ouro, recebeu a equipe do CARNAVALESCO na quadra da escola e concedeu entrevista, dando detalhes do tema e como a Pompeia irá para o próximo desfile. A agremiação abrirá o sábado de carnaval com o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do Jeito Que a Vida Quer”.

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Surgimento do enredo

O carnavalesco revelou que já tinha um tema em mente, mas em conversa com o presidente Sidnei Carrioulo, optaram pela homenagem. André classificou como um presente. “Esse enredo surgiu logo após uns 20 dias do Carnaval 2024. Quando eu entrei na escola e já comecei a pesquisar um outro enredo, o presidente veio com esse presente de falar sobre o Benito de Paula. Em uma conversa que a gente teve, no almoço, ele deu a ideia do Benito de Paula. Na hora eu aceitei porque existem memórias afetivas. Meu pai sempre escutou as músicas dele. Eu ouvia quando criança e eu acho que a obra dele é muito fácil de ser contada plasticamente. Na mesma hora eu fiquei muito feliz com essa possibilidade de falar de Benito, até porque é um cara que o mundo do samba gosta demais, tanto é que quando lançou o enredo tiveram só comentários positivos na internet. O curioso é que uma galera que nasceu do ano 2000 para cá não tinha nem noção de quem era Benito di Paula. Depois do lançamento do enredo do Águia, as pessoas começaram a procurar para saber quem era e teve o feedback de pessoas mandando mensagem: ‘Eu sempre cantei essa música e não sabia que era do Benito’. Logo de cara foi bem positivo essa responsabilidade de falar desse ícone da música popular brasileira”, disse.

Homenagem às obras de Benito di Paula

Após bater o martelo sobre o tema, as lideranças da agremiação tiveram que ir ao encontro do cantor. André contou que o artista recebeu todos na sua casa e pediu que o desfile fosse desenvolvido de acordo com as suas músicas. “A gente tinha que ter uma conversa com o próprio Benito para saber um pouco da história dele. Nós fomos muito bem recebidos e ele falou que não queria muito que contasse sobre a vida dele, mas sim abordasse as obras de sua carreira. Com isso, ficou mais fácil, porque a gente ia fugir do lugar comum. Quando alguém é homenageado, a gente sempre fala da história de uma forma cronológica, mas contar só a sobre música, também pegou na minha memória afetiva. Acho que deve pegar na memória dos fãs também, de lembrar de quando o avô cantava… E eu gostei demais dessa abordagem, porque é algo inédito no carnaval. A ideia do enredo é como se o Benito estivesse em um grande show e todo grande artista gosta de estar no palco. Em cima disso, a gente vai emprestar o maior palco para nós sambistas, que é o Anhembi, para ele fazer um grande show e contar a sua obra através das fantasias, alegorias e do próprio samba enredo”, explicou

Trabalho com esculturas

O artista disse que trabalhou bastante com esculturas neste carnaval, destacando o abre-alas e a alegoria do Luiz Gonzaga, que remete à história de seus pais. “O instrumento musical que é símbolo do Benito é o violão e o piano. O nosso abre-alas vem como se fosse teclas de piano. A asa da escultura da Águia também será vista dessa forma. O primeiro carro tem esculturas na lateral, que são os mascarados. Esse ano a gente utilizou muitas penas artificiais. Acho que tem uma. A ala das baianas também vem bem colorida, em cima da música ‘Retalhos de Cetim’. É uma estética bem carnavalesca. O carro que eu considero o meu ‘xodózinho’ é o do Luiz Gonzaga, que é uma temática que eu gosto muito. Meu pai e minha mãe são nordestinos e, por isso, fiz praticamente dedicando esse carro para eles. É uma alegoria toda branca, está bem legal e a quantidade de esculturas é bem grande. Havia um bom tempo que eu não fazia tantas no meu carnaval”, finalizou.

Responsabilidade de abrir uma noite de desfiles

O Águia de Ouro terá a missão de abrir os desfiles do sábado de carnaval. Isso ocorreu no ano de 2019, quando a escola da Pompeia estava voltando de uma queda do Grupo Especial em 2017, sagrando-se campeã do Acesso em 2018 e, por conta disso, abrindo o segundo dia. Segundo André, no evento da Definição dos Desfiles, a escolha foi feita para investimento em iluminação. “O presidente preferiu abrir o sábado e logo em seguida eu perguntei o motivo. Ele falou assim: ‘André, porque eu quero gastar muito com iluminação. Eu estava com medo de ser uma das últimas e tudo que eu quero gastar de iluminação se perder por conta da luminosidade do dia’. Depois de conversas, algumas pessoas na escola também estranharam essa decisão, mas pensando bem a gente tem que fazer um trabalho independente do horário. Isso é certeza. Porque se a gente fizer tudo direitinho, dentro do regulamento, uma pasta bacana, cumprir com todos os quesitos, não tem motivos para dar errado. A gente está com um samba bom e todos os segmentos alinhados”, declarou.

Desfile dividido por músicas

“A gente dividiu este enredo não por setores. É como se fosse uma playlist do próprio Benito contando as músicas dele. A primeira coisa que, nas minhas pesquisas, eu vi que a música ‘Retalhos de Cetim’ não poderia ser em outro lugar, senão no início, porque ela já faz um chamado para as pessoas: ‘Chegou o carnaval’. Com o próprio Benito, eu perguntei qual era o significado e ele falou que se inspirou nos personagens da arte, que é Pierrot e Colombina, que é o nosso abre-alas e as nossas baianas”

“Nossa segunda alegoria é ‘Amigo do Sol, Amigo da Lua’. É uma outra música do Benito que é bem famosa e escolhemos a ala das crianças para estar nesse carro por conta da letra, que fala de criança, infância e liberdade. É uma música que o próprio Benito homenageou quando o filho dele nasceu”

“A gente tem a terceira alegoria que é o Benito nessas andanças dele e caravanas por todo o Brasil. Ele conheceu o Luiz Gonzaga e começou a ter uma amizade muito forte, uma admiração que ele já tinha, ficou maior ainda, tanto é que escreveu a música ‘Sanfona Branca’. Luiz Gonzaga fez uma outra música chamada ‘Chapéu de Cor e Gratidão’, onde ele exalta Benito de Paula. Tem algumas outras músicas, tipo ‘Maria Baiana Maria’, conhecendo a Bahia, Benito gostou da religião e também fez essa música”

“Tem outras fantasias como ‘Vai Ficar na Saudade’ que é uma canção que ele faz homenagem a uma outra pessoa que ele considera um mestre, que é o tal Ataulfo Alves. ‘Como Eu Amei’ e ‘Mulher Brasileira’ também estarão presentes no desfile”

“A gente vai fechar o nosso carnaval falando da música que é a mais conhecida de Benito de Paula, tanto é que ela foi traduzida para vários países, que é a ‘Charlie Brown’. Foi até um pedido do próprio presidente, assim que surgiu o enredo”

Ficha técnica
Alegorias – quatro
Tripés – três
2800 componentes
Diretor de barracão – Mineiro e Rai
Diretor de fantasias – Cebola

Paz de Oxalá sobre a Imperatriz! Escola de Ramos se veste de branco para homenagear o pai da criação

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A comunidade leopoldinense desfilou nesse domingo, durante o teste de luz o som na Sapucaí, vestida com camisas brancas, em referência à Oxalá, entidade que recebe destaque no enredo deste ano da escola de Ramos. O CARNAVALESCO conversou com o diretor de carnaval Pedro Henrique Leite e com componentes, pouco antes do início do desfile, para entender melhor essa iniciativa e a importância de levar a energia de matriz africana para a Passarela do Samba.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

“A Imperatriz vai realizar um cortejo fun fun. Fun fun é o branco. É Oxalá, o Orixá de tudo que é branco, de tudo que é alvo, de tudo que é límpido. Hoje, a Imperatriz vem para Marquês de Sapucaí com essa energia. Uma iniciativa da presidente Cátia Drumond. Ela tem esse lado criativo para o ensaio técnico durante os nossos encontros, nas reuniões, nas conversas. Ela falou: “Eu queria que a escola fosse toda de branco para o ensaio técnico”. E é isso. Escola de Samba precisa falar sempre, sempre, de matriz religiões de matriz africana. Precisa falar sempre, sempre da sua ancestralidade”, disse o diretor de carnaval Pedro.

Em 2025, a Imperatriz leva à avenida o enredo “Omi Tútú ao Olúfon – Água Fresca para o Senhor de Ifón”, sobre a jornada de Oxalá, o pai da criação, ao reino de Oyó para visitar o orixá e rei Xangô. Advertido pelos búzios quanto à desgraça trazida pela viagem, Oxalá é, durante o percurso, dado como ladrão e aprisionado. Depois de sete anos sofridos, é reconhecido pelo amigo Xangô, que ordena a seus súditos que limpem e acolham Oxalá. O enredo marca o primeiro enredo afro-religioso da verde e branco da Leopoldina, conhecida por temáticas históricas, desde 1979.

“A escola não deixa de lado o seu legado, a sua característica de contar história. Na verdade, a Imperatriz nos anos 90, nos anos 2000, contou muitas histórias de reis e rainhas, mas de um lado eurocêntrico. Desta vez, a gente optou por contar histórias de reis da mitologia urubá, da mitologia africana”, declarou Pedro.

A iniciativa no segundo ensaio técnico agradou os leopoldinenses. “Para a Imperatriz, que é uma escola que não via um enredo afro a mais de 50 anos, trazer a energia de Oxalá para a avenida, através do branco, é recomeçar com o pé direito. É também uma forma de apresentar para muitas pessoas que são distantes da religião. É uma energia de muito respeito, de colaboração, comunidade, família, que é uma coisa que a gente tem muito na Imperatriz. Tem sido muito bonito essa jornada de ver pessoas que não são da religião, que não conheciam, mergulhando nesse universo e se encantando realmente com essa história e com o Itan, que é uma história muito bonita”, expressou a publicitária Manoela Setta, de 25 anos, que desfila há 4 pela Imperatriz. Manoela diz não ter uma religião, embora simpatize com crenças de matriz africana.

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Publicitária Manoela Setta, de 25 anos, que desfila há 4 pela Imperatriz

“Oxalá representa paz, sabedoria, calma. Pai Oxalá é caminho aberto. E amor, prosperidade que ele oferece para gente. A gente vem simbolizando isso”, afirmou a balconista Jacqueline Alencar, de 30 anos, que vai para seu segundo ano como componente da Imperatriz. Ela é da umbanda.

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Balconista Jacqueline Alencar, de 30 anos, que vai para seu segundo ano como componente da Imperatriz

“Trazer Oxalá para a avenida é mostrar para as pessoas a representatividade dele, da religião e trazer uma paz para as pessoas também. Mostrar essa divindade que é a divindade maior do candomblé, da religião. É muito importante as pessoas conhecerem essa história, ainda mais a história que o Leandro tá contando da forma que ele tá contando. É bem bacana por esse sentido”, encerrou o contador espírita, criado no catolicismo, Alexandre Balon, de 55 anos. Alexandre desfila há três anos pela Imperatriz.

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Contador espírita, criado no catolicismo, Alexandre Balon, de 55 anos

Juntos na dança há 18 anos, Julinho e Rute Alves representam a força do pavilhão da Viradouro

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O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Unidos do Viradouro, Julinho e Rute Alves, é uma das atrações mais esperadas e respeitadas do desfile da vermelho e branco de Niterói. Com movimentos coreografados e uma dança repleta de elegância, eles carregam a responsabilidade de apresentar e defender o pavilhão da escola, um dos maiores símbolos do samba carioca.

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“Para gente representa o que representa todos os anos, defender o pavilhão de uma escola como a Viradouro, a gente se sente privilegiado e muito abençoado ao mesmo tempo, para mim não tem coisa melhor do que passar nessa Sapucaí lotada que hoje já não é mais apenas um ensaio técnico, é um desfile técnico a gente está vivendo esse pré-carnaval que já é carnaval literalmente”, declara Julinho.

Muito mais do que um tecido no mastro, Rute Alves representa com maestria o pavilhão da agremiação e relembra que é toda uma simbologia de uma história, de uma nação construída através de luta e muita ancestralidade. “Quantos do nosso povo foram marginalizados, apanharam, foram presos porque sambavam, a gente precisou da tia Ciata fazer um acordo para que isso não acontecesse mais na casa dela, é por isso que eu louvo, eu vou entrar nessa avenida pela Tia Ciata, pelos fundadores da minha escola, pelos fundadores de todas as escolas”, emocionada, relata a porta-bandeira.

Além da técnica, há um forte componente emocional e simbólico na dança do casal que estão juntos no samba há 18 anos expressando amor, paixão e devoção ao pavilhão, enchendo de orgulho seus integrantes, torcedores da Viradouro e admiradores do casal que os veem como referẽncia e sinônimo de excelência, mas reforçam que podem melhorar a cada momento. “Julio e eu atingimos uma maturidade no samba, na apresentação, a gente se conhece não só como mestre-sala e porta-bandeira, a gente se conhece na vida e isso também ajuda na dança. Acredito que a gente atingiu um ponto mas não é o ideal, ainda está longe do ponto que a gente quer atingir”, afirma Rute.

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“Alcançamos maturidade enquanto casal de mestre-sala e porta-bandeira que entende a importância do pavilhão, entende a importância do que a gente constrói e continua construindo enquanto verdade de dança que é uma verdade nossa que foi construída durante anos e a gente está junto há 18 anos e acho que essa busca pela excelência é o que vai tornando, não só nós dois, como outros casais de repente com uma certa notoriedade, uma certa expectativa. Mas, acho que excelência é o mesmo que dizer perfeição, mas acredito que é a busca pela batida perfeita que faz levar ao êxito”, diz Julinho.

A Unidos do Viradouro tem uma tradição de grandes desfiles, sendo a atual campeã do Carnaval do Rio de Janeiro. A escola está com a expectativa em um bicampeonato e o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira desempenha um papel essencial nesse sucesso, pois sua apresentação é julgada e influencia diretamente na nota da escola. “E todo um trabalho, toda uma administração e quando fizer aquela curva ali, todos os segmentos ligar um botãozinho em todos os jurados e despertar o encantamento e se calçar de todas as formas para que não tenha nenhum problema com as alegorias, para que não tenha nenhum problema com a gente, com o casal, com as fantasias, canto. A Viradouro ensaia incansavelmente, é se calcar muito e chegar aqui no desfile e fazer o possível!, relata a porta-bandeira.

Com leveza e precisão, eles encantam a Sapucaí e ajudam a construir a história de uma das maiores agremiações atualmente do Rio de Janeiro, sobre o que ainda falta no carnaval para o casal, Julinho diz que “é viver novas experiências, novas vivências maravilhosas, principalmente com muito aprendizado”.

A Unidos do Viradouro leva para a Sapucaí o enredo ‘’Malunguinho, o mensageiro de três mundos’’, exaltando as culturas afro e indígenas com muita ancestralidade, os figurinos do casal prometem trazer essa resistência. “Nossa fantasia é uma grande homenagem que a escola, através de nós, do nosso pavilhão, irá prestar à Malunguinho”, finaliza o mestre-sala.

Série Barracões SP: Dom Bosco exalta a arte circense e própria história

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Terceira colocada no Grupo de Acesso I logo na primeira vez em que a agremiação disputou tal pelotão na história, a Dom Bosco de Itaquera chega para o desfile em 2025 mais próxima do que nunca de chegar ao Especial. Para realizar o sonho da agremiação ligada à obra social católica de mesmo nome, Fábio Gouveia, carnavalesco estreante na agremiação, produziu o enredo “O Circo Místico das Ilusões”, que será o último a desfilar no domingo de carnaval (02 de março), já na manhã de segunda-feira. Para conhecer um pouco mais sobre o tal circo místico e, também, saber mais detalhes sobre o enredo apresentado pela agremiação itaquerense, o CARNAVALESCO foi entrevistar o profissional responsável pela produção do enredo para saber de tudo que envolve a azul e branca da Zona Leste.

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Circo?

Estreante na agremiação, Fábio Gouveia já falou ao CARNAVALESCO sobre como surgiu a ideia de falar do circo em 2025 na final do samba-enredo da agremiação, ainda em junho de 2024. A ideia foi complementada por ele próprio: “Quando eu vim para cá, eu não tinha uma ideia formada de qual enredo seria. E eles têm um projeto aqui que é visitar todas as ações da obra Dom Bosco. Eu fui convidado a ir em uma dessas ações, e ali eu comecei a formar a ideia do que poderia ser o enredo. Eu tinha algumas coisas na cabeça, mas nada formado. A partir do conhecimento da obra e identificar algumas situações com relação ao Dom Bosco propriamente dito, eu entendi que poderia ser o circo”. iniciou.

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Vale destacar que uma das áreas sociais da Dom Bosco é, justamente, o Circo Social – localizado próximo da estação Corinthians-Itaquera do Metrô. A própria final de samba-enredo foi realizada no espaço.

O carnavalesco continuou: “Mas eu não queria que fosse apenas o circo da forma como todo mundo fazia, porque é muito clichê. Todo mundo já fez o circo e todo mundo vai ver as mesmas formas. Tem algo a mais na nossa história: Dom Bosco é o patrono do circo. Ele é o patrono dos mágicos e dos ilusionistas. Eu quis trazer essa atmosfera desse saltimbanco (ele é chamado de ‘saltimbanco de Deus’) para dentro dessa história. A narrativa parte daí. Surge esse circo místico a partir da narrativa que Dom Bosco vai contar essa história. Ele vai unir a história da união das famílias em torno da festividade, da musicalidade – como o povo cigano, que acabava se tornando os próprios artistas daquele lugar. Daí surgem as caravanas, os circos em movimento e os teatros mambembes”, contou.

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A integração circense com a Dom Bosco foi citada logo na sequência: “Nós vamos viajar por esse caminho. E vamos de encontro com Dom Bosco sendo o grande narrador dessa história, de encontro com a própria história da escola de samba de 25 anos. O Padre Rosalvino, quando ele começa a escola, ele começa exatamente com o mesmo intuito de Dom Bosco com a música, com a arte e com a escola de samba. A partir disso, ele começou a unir as pessoas em torno da sua obra em torno de tudo aquilo que ele queria construir em Itaquera. Aí, surge a escola de samba. Era um jeito de reunir aquelas crianças, aquela molecada, na batucada. Aa gente une a história do santo, a própria história do Padre Rosalvino, cria-se essa alusão à história que a gente quer contar, de caravanas, de famílias, de pessoas que se uniam para fazer arte e atrair essas pessoas em torno da fé e do amor desse coração solar. É um enredo inteiro em primeira pessoa”, comentou.

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Imagens valem mais que mil palavras

Ao ser perguntado sobre o que encontrou de mais interessante nas pesquisas para desenvolver o enredo, Fábio foi bastante específico: “O mais curioso de todo o desfile é uma fotografia que existe quando você entra na Obra Social da Dom Bosco. É ele se equilibrando na corda bamba da vida, tem uma corda e ele está brincando com essa corda. Ele usava esse artifício pra atrair as pessoas, trazer as pessoas para dentro de si. Vi a imagem e pensei que lá estava o enredo. Essa imagem vai e volta na minha cabeça e encerra o nosso desfile”, revelou.

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Sempre presente em tudo que envolve não apenas a escola, mas, também, a obra social como um todo, o presidente da agremiação novamente foi citado pelo carnavalesco: “Eu já sabia o enredo porque eu já tinha feito essas visitas. Depois, em uma segunda visita, eu identifiquei aquele quadro, achei que era uma obra de arte que só existia naquele lugar, e eu fui perguntar para as pessoas o que era aquilo. Ouvi que era o Dom Bosco, o nosso saltimbanco. É a partir dessa imagem que surgiu toda a história dele. Eu pensei que aquilo tinha que estar no carnaval. Tudo foi se juntando: tivemos umas visitas do padre Rosalvino no barracão e ele começou a contar como ele iniciou a escola. Esse carnaval em si foi sendo construído de um projeto planejado, mas que teve acréscimos de algumas informações que ele mesmo foi me dando. A ideia do caminhão é outro desses acréscimos: quando ele começou a obra, tinha um caminhão que transportava as pessoas e o material da marcenaria. Isso está no desfile, porque faz parte da caravana o buscar e trazer pessoas, trazer essas pessoas para o entorno da obra”, comentou.

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Nem um, nem outro

Cada vez mais carnavalescos em São Paulo falam que não seguem uma setorização pré-definida, preferindo montagens de desfile mais fluidos. Fabio optou por um terceiro caminho: “Eu tenho trazido uma proposta bem diferente de tudo isso que você falou. Tudo tem ligação. É impossível eu começar o desfile sem ter ligação com o final do desfile. Tudo aqui está ligado. Por mais que seja um enredo não-linear, a proposta que a gente está trazendo é de que as pessoas vejam algo na comissão de frente e elas consigam repetir o olhar dela para outra coisa que acontece em outro instante da apresentação. Eu sou artista, então eu tenho que mexer com o seu imaginário, não posso cansar a sua vista. Eu tenho que brincar com o lúdico, e é essa a proposta do enredo. Eu vou na contramão de tudo isso. Se vai dar certo, aí é outra história”, intrigou.

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Trunfo

Sempre direto, Fábio foi perguntado sobre qual era o grande ponto positivo da agremiação para 2025: “A escola é muito jovem, ela tem um espírito muito jovem. Não estou falando na questão de idade, tenho falado muito isso para as pessoas sobre o espírito da agremiação. Ela tem um espírito muito jovem, é uma escola muito alegre, e o enredo propõe uma alegria ainda maior do que a gente está planejando. Eu falo muito para as pessoas aqui que o trunfo maior da escola é ser a escola. Ela alcançou o êxito que ela alcançou graças ao chão dela, graças à comunidade dela. Eu só vim para cá para dar uma pincelada na plástica, dar um outro visual para a escola, que é algo que eles queriam. Eu venho pra entregar isso. Meu trabalho se resume a dar beleza, um pouco mais de carinho com essa questão plástica”, disse.

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Início de relação

Ao ser perguntado sobre o andamento dos trabalhos no barracão da Dom Bosco, Fábio foi extremamente sincero: “A escola passou por um processo muito rápido de crescimento – e isso acaba gerando uma cobrança ainda maior sobre a escola e, também, sobre o profissional que vem aqui. A escola vem de um terceiro lugar no Grupo de Acesso I, a cobrança se torna muito maior e eu tentei, de todas as maneiras, colocar isso na cabeça deles. O processo de adaptação, tanto do Fábio para a escola, quanto da escola para o Fábio, foi muito complicado, foi bem difícil. Eu às vezes estou lá na frente e a escola está aqui; ou, às vezes, a escola está lá e eu estou aqui. A gente patinou muito, e eu sou muito verdadeiro nesse ponto, mas a gente conseguiu se equilibrar, conseguiu se entender, e estamos caminhando para a finalização desse projeto. Foi um processo que a escola não tinha equipes formadas de barracão, a escola não tinha o costume de ter equipes fixas, então ela contratava grupos que vinham realizar o seu projeto em horários determinados, mas não tinha uma função. Hoje, nós temos um barracão reestruturado e eu criei um grupo de trabalho real, diário, com horário certinho, para que esse projeto acontecesse”, destacou.

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O profissional prosseguiu: “A escola passou por esse processo e não é fácil. A escola não tinha esse costume, então ela teve também que aprender nesse sentido. A escola não tinha um ateliê – tinha um prédio, mas não funcionava. Tinha uma outra forma de produzir fantasias, e nós passamos a produzir dentro da escola. A escola tinha um anseio de aprender, os diretores me cobraram muito o fazer, o início, a modelagem, a costura, a primeira peça, o arame. A escola tinha necessidade desse aprendizado. Eles me pediram para que eu seguisse esse caminho. Tudo que é novo, tudo que exige uma grande mudança, gera dores, confusões e brigas. E a gente teve muito disso, falamos abertamente a respeito. Mas a escola, para entender o tamanho do projeto que ela quer entregar, tem um anseio, tem um sonho, e ela sabe que, para isso ela precisava se adaptar a muita coisa. Eu também tive que me adaptar, porque eu venho de um outro processo de carnaval, com uma outra leitura carnavalesca, com uma outra ideia”, disse.

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Ele próprio, entretanto, destacou o bem que a instituição o fez e o quanto os diálogos são francos entre as duas partes: “O Fábio não se resumia só àquele tipo de projeto. O Fábio é outro tipo de projeto, também. A gente se adaptou, foi fazendo, e estamos entregando. O Fábio é isso, gente. Não adianta: é isso. E eu falo isso com eles. A gente tem uma conversa muito aberta. Eu e a Dom Bosco, a gente tem uma conversa muito aberta. Foi um processo de um ano de aprendizado para a escola e um ano de aprendizado para o Fábio. Agora, a gente espera alcançar um bom resultado”, comentou.

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Indagado sobre o quão feliz estava com o primeiro ano dele na Dom Bosco, o carnavalesco, como é de praxe, foi bastante sincero: “Eu chego com 80% de satisfação. Eu acho que só o resultado completa isso. A gente está trabalhando para alcançar um resultado bacana para a escola, a gente vem de um estar em um grupo que a posição se tornou ingrata para a escola, porque ela precisa trabalhar mais. Mas a gente está em um grupo que já era difícil e se tornou mais difícil ainda – com escolas que são monstruosas. A Dom Bosco tem que ser correta, eu falo muito isso com o meu diretor de harmonia, o Ricardo Fervorini. A escola é jovem, você tem o chão na mão, a gente está conseguindo resolver a plástica em todos os campos. Nós vamos simplesmente passar com essa caravana, é esse movimento que a gente tem que ter. Quem quiser brigar pelo título, brigue lá em cima. Nós só vamos passar”, finalizou.

Ficha técnica
Enredo: “O Circo Místico das Ilusões”
Componentes: 1200
Alas: 14
Número de carros: 03
Número de tripés: 01 (comissão de frente)
Diretor de ateliê: Ninho Zago
Diretor de barracão: Dimas Antunes

De olho nos quesitos: mudanças no manual do julgador de bateria vão colocar a prova a excelência

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Não é segredo de ninguém que ritmo de bateria de escola de samba, no grupo especial do Carnaval Carioca, é sinônimo de excelência. As qualidades técnicas dos ritmistas, o nível de exigência de comparecimento a múltiplos ensaios e as próprias notas, a cada carnaval, servem de base para comprovar essa afirmação. Mas mudanças simples e pontuais em relação ao manual do julgador de bateria do Carnaval 2024 podem acabar alterando a atual perspectiva, envolvendo a já esperada chuva de notas dez.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

No manual do Carnaval 2025, alguns subitens no intuito de deixar o julgamento mais claro e direto, junto de parâmetros novos foram incluídos. Na parte de manutenção regular e sustentação da cadência em relação ao samba foi adicionado que será despontuado qualquer alteração brusca que comprometa o andamento desenvolvido. Como era mais genérica a forma anterior, a última frase atual serviu para dar um direcionamento mais preciso. Vale a atenção de cada ritmo para ficar ligado em retomadas, evitando subir correndo e assim correr risco de perder eventuais décimos.

Outros dois subitens foram incluídos após esse trecho. O primeiro disserta sobre o arranjo musical, dizendo para o julgador levar em conta a criatividade, a versatilidade e o grau de dificuldade da execução. Criatividade e versatilidade já existiam o manual do ano passado, mas nada dizia de forma expressa sobre arranjo musical, nem sobre grau de dificuldade de execução.

Avaliar a capacidade criativa de um arranjo é algo bastante subjetivo e existe certo receio quando se julga algo desse tipo, assim como a avaliação do grau de dificuldade de execução é um subitem que demanda extrema cautela. Existe um processo notório de evolução musical, no que tange a dificuldade de execução das bossas. Entretanto, arranjos musicais simples são tão eficazes quanto os mais complicados. Por vezes, inclusive, possuem maior impacto sonoro do que uma bossa bem mais elaborada e trabalhada. Até pior do que prejudicar o julgamento atual, esse é um trecho que merece uma futura revisão para que não seja consequência de futuramente só existirem bossas difíceis de serem feitas.

O último item adicionado trata da adequabilidade e perfeita execução de bossas e paradinhas. O texto é específico e bem conciso, dando um direcionamento claro. No fundo os próprios julgadores já julgavam isso, mas não estava presente de forma expressa dentro do manual, sendo sua inclusão textual necessária.

Já no trecho de “não levar em consideração”, o texto aborda de forma clara para os jurados ignorarem qualquer ausência de naipe ou mesmo questões inerentes ao estilo da agremiação, deixando evidenciado que cada bateria tem por tradição sua própria característica. Outro subitem que vale ser mencionado é que agora ficou registrado por escrito que a avaliação deve ser no campo de visão e audição direta da cabine do julgador, não podendo ser julgado um erro em outro módulo, através da caixa de som.

A última parte que levantou algumas dúvidas, gerando debates, está contida em observação. Ela aborda a questão do tempo mínimo de apresentação e diz que não é obrigatória a parada de frente para o módulo. Cabendo ao mestre avaliar o tempo de apresentação necessário para apresentar o trabalho desenvolvido e ao julgador avaliar se o tempo foi suficiente, ou não, para observar os critérios do manual. Não existe, portanto, um direcionamento claro do tempo ideal por parte do júri para poder avaliar um ritmo de uma bateria. Existe certo temor que isso abra brecha para que apresentações enxutas, mas eficazes, sejam penalizadas por abrir um perigoso precedente envolvendo a subjetividade desse trecho dentro do próprio julgamento.

Diante das mudanças pontuais, resta saber como será a avaliação do quesito que mais representa a excelência em notas, que é o de bateria. Mais ainda, se trata de um desafio sem precedentes para os julgadores de bateria do Carnaval 2025, de demonstrarem uma avaliação a altura de cada trabalho musical apresentado. O nível técnico do ritmo das baterias cariocas merece um julgamento seguindo a linha da exatidão e da coerência.