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Beija-Flor transforma a Sapucaí em mar sagrado e encerra desfile como oferenda ao Bembé do Mercado

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A Beija-Flor de Nilópolis encerrou seu desfile na Marquês de Sapucaí transformando a avenida em oceano, altar e território de memória. O último carro alegórico não desfilou: navegou. Avançou como um grande balaio que cruza as águas do Recôncavo Baiano para entregar à avenida o presente mais precioso, o sagrado do Bembé do Mercado.

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Nascido há mais de 136 anos em Santo Amaro da Purificação, o Bembé ocupa as ruas como gesto coletivo de fé e liberdade. Criado por João de Obá logo após a abolição formal da escravidão, ressignificou o 13 de maio não como concessão do Estado, mas como rito de louvor às divindades, especialmente a Iemanjá e Oxum. Se a lei foi assinada pela caneta, foi o corpo negro reunido em celebração que construiu caminhos concretos de existência, pertencimento e continuidade.

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Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia e do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Bembé é considerado o maior candomblé de rua do mundo. Agora, sua força ancestral ganhou a vitrine internacional do Carnaval carioca.

O carro final materializou essa travessia. Espelhado como água viva, ele era o próprio oceano que abriu o desfile e, ao final, o acolheu de volta. No alto, Iemanjá e Oxum giravam sobre o mar cenográfico, abençoadas pelo beijo simbólico de um beija-flor que costurava rio e mar, Recôncavo e Baixada Fluminense, Bahia e Nilópolis. O carro era espelho, templo e balaio. Nele, o povo depositava vitórias, dores, promessas e gratidão. O desfile se encerrou como começou: em oração.

Para quem desfilava, a responsabilidade ia além do espetáculo.

Luana Maria, 45 anos, stylist figurinista e componente da escola há três anos, destacou a dimensão espiritual da apresentação.

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“A celebração da vida já é uma grande oferenda e uma energia vital. É um grande presente estar vivo e celebrar nossa religiosidade numa escola tão fantástica. Carregamos o nome dos orixás da nossa casa de santo através do nosso corpo, então precisamos estar preparados com postura e imponência”, disse.

A professora Catiuça Ribeiro, 45 anos, definiu o desfile como um marco político e espiritual.

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“Nós fomos inundados por um axé de transformação numa sociedade que nega a nossa presença e a nossa espiritualidade. A Beija-Flor fez um manifesto vivo do nosso axé e da nossa vida. Deixar as águas do Bembé na Sapucaí foi fertilizar um novo horizonte para essa espiritualidade africana, sobretudo de respeito pela nossa fé e pela nossa liberdade de viver o nosso sagrado”, afirmou.

Para a jornalista Flávia Oliveira, 56 anos, que desfila pela escola desde 1999, o momento teve dimensão íntima e ancestral. Filha do Recôncavo Baiano e beija-flor desde a infância, ela viveu na avenida o encontro de suas duas origens.

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“Eu sinto o encontro de Bembé e Nilópolis no meu corpo e na minha alma. É o encontro da escola que eu amo com a região onde eu nasci. É uma responsabilidade, mas também uma escolha política de valorizar a nossa cultura e pedir respeito pela nossa religiosidade”, comentou.

Diretamente de Santo Amaro para a avenida, o artista Roberto Chaves, 57 anos, que mora na França, atravessou o oceano para estar ali.

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“Eu vim desfilar por causa da homenagem ao Bembé do Mercado, a minha terra. Hoje foi uma reparação para todos os negros porque o mundo agora vai ver um Bembé que tem 137 anos e nunca veio para a avenida. A Sapucaí é vitrine do mundo. É o melhor lugar para mostrar a nossa história.”

Ao levar o Bembé do Mercado para a Marquês de Sapucaí, a Beija-Flor reafirmou o Carnaval como território legítimo da memória negra. Transformou a avenida em extensão do Largo do Mercado de Santo Amaro. Fez da arte um gesto de devoção. Do samba, um herdeiro direto das matrizes africanas que estruturam o Brasil.

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O desfile terminou, mas não se encerrou. Como no Bembé, o ciclo retorna às águas para recomeçar. Porque, se toda terra tem dono, a água pertence a todos. E foi nesse encontro entre povo e mar que a escola ofereceu seu presente: um Carnaval que se fez rito, resistência e fé.

Flechas de Eros na Sapucaí: bateria da Mocidade faz corações baterem no mesmo compasso

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A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial de 2026 com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, desenvolvido por Renato Lage. Em sintonia com o universo irreverente da artista, a bateria Não Existe Mais Quente atravessou a Avenida vestida de Eros, o Deus do amor na mitologia grega. Se a rainha representava Afrodite, os ritmistas vieram com clâmide estilizada e asas, usando instrumentos como flechas sonoras para atingir os corações da Sapucaí.

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MENINAS JUNTAS
Ritmistas da Mocidade
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Para entender essa relação entre paixão e batida, a reportagem conversou com Angélica Castro, de 35 anos, profissional de marketing e há três anos na bateria; Aline Pamplona, de 40 anos, administradora e há quatro anos na escola; Bárbara Langer Greter, de 39 anos, executiva de contas comercial, estreante na bateria; e Letícia Martins, 26 anos, profissional de marketing e há oito anos na Mocidade.

Você se apaixonou pela Mocidade por intermédio da bateria?

Angelica Castro de 35 anos
Angélica Castro, de 35 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Angélica Castro relembra que a paixão começou ainda na infância. “Sim, desde pequena, meu pai me levava para os ensaios, minha mãe, quando era no Campo do Bangu ainda, e sempre deu aquela coisinha diferente no coração. Principalmente pelo meu instrumento que eu toco surdo. Então dali eu já comecei a me apaixonar até o dia que eu consegui entrar”, afirmou.

ALINE PAMPLONA
Aline Pamplona, de 40 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Aline Pamplona também aponta a bateria como ponto de partida: “Com certeza, o motivo inicial de eu me apaixonar pela Mocidade é pela bateria, pelo swing da bateria. Eu nunca imaginei tocar na Mocidade, porque eu achava assim, um sonho muito distante, até o dia que eu consegui ir e até hoje ainda é um momento assim que eu fico, cara, não tô acreditando. Os anos vão passando e todo ano é a mesma coisa do eu não acreditar ainda”.

Barbara Langer Greter de 39 anos
Bárbara Langer Greter, de 39 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Bárbara Langer Greter veio de São Paulo e encontrou na caixa o elo direto com Padre Miguel.

“O que me trouxe pra Mocidade, para desfilar na Mocidade, é a batida de caixa. Então é através do coração mesmo da escola. Eu já desfilo em São Paulo há 26 anos, e a minha escola, que é a Águia de Ouro, ela tinha como referência a bateria da Mocidade. Então toda afinação, batida de caixa, toda característica da bateria da Mocidade, ela era da minha escola porque o mestre de bateria da minha de lá era muito fã e admirador, então ele fez a mesma imagem na bateria”, contou.

Letícia Milgasto Martins reforça a força da experiência na quadra: “Então, eu desafio alguém a estar num ensaio, a estar dentro da quadra, na Vintém, sentir a energia e não se apaixonar pela escola e, principalmente, pela bateria. Pela energia, pela batida da caixa diferenciada, pelo chocalho cascavel… a Mocidade vai muito além do que a gente consegue imaginar. É um ambiente diferenciado”.

O que essa bateria tem de tão diferente que deixa todo mundo apaixonado?

Para Angélica, o segredo está no balanço e na tradição: “Com certeza é o swing. Nosso swing é diferenciado. Desde a afinação dos surdos, aí eu sou meio suspeita de falar, quanto também a questão da terceira, das caixas, é todo o legado do Mestre André, que a gente está levando aí para todo o sempre. E pela escola a mesma coisa, a união, companheirismo dos componentes, o amor à bandeira”.

Aline reforça que o diferencial é perceptível já nos primeiros acordes: “Eu acho que o swing da bateria é diferenciado, a pegada da galera é uma bateria swingada. É uma bateria diferente, não tem outra bateria que bate igual a Mocidade na Avenida. Esse é o ponto chave da bateria da Mocidade, é o swing, é o gingado, é toda uma história, tem todo um significado, então muitas pessoas se apaixonam pela escola através da bateria”.

Bárbara detalha tecnicamente o que faz a diferença: “O diferencial, falando pessoalmente, são as pessoas que me receberam, mas tecnicamente, de forma talvez rítmica, é uma bateria muito swingada, é uma batida de caixa, que carrega a batida de Oxóssi, então é a alma da bateria. Há características específicas. O que eu acho que diferencia é a batida de caixa. É a maior característica dessa bateria. E por isso, como ela é mais contratempo, mais swingada, ela tem um andamento mais gostoso de cantar o samba. Então às vezes não precisa correr e acompanhar o samba com melodia e ritmo”, concluiu.

‘Toda mulher é Rita Lee’: Ala 9 da Mocidade homenageia Rita Lee em manifesto sobre liberdade feminina na Sapucaí

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A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira escola a cruzar a Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira (16), abrindo o segundo dia de desfiles do Grupo Especial com uma homenagem vibrante a Rita Lee.Com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, a verde e branco da Zona Oeste levou à Avenida um tributo que ultrapassou a música e se firmou como declaração política e cultural. A Ala 9 se destacou ao transformar a artista em símbolo do empoderamento feminino. 

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Ala 09 “Toda mulher é meio Rita Lee”. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Batizada de “Toda mulher é meio Rita Lee”, a Ala 9 foi inspirada na canção “Todas as Mulheres do Mundo” e apresentou uma leitura contemporânea da figura da cantora como arquétipo de coragem, irreverência e autonomia. 

Exclusivamente feminina, a ala trouxe para o centro do desfile a discussão sobre independência e ocupação de espaços historicamente negados às mulheres. A proposta foi clara: reafirmar o carnaval como território de expressão e liberdade.

Lisiane Gomes 50 enfermeira
Lisiane Gomes, 50, enfermeira. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, Lisiane Gomes, 50 anos, enfermeira, destacou a força simbólica da homenagem. “Ela veio para dizer que a gente pode tudo, que não existe mais essa de que mulher não pode fazer determinadas coisas. A gente pode tudo. Então ela vem para afirmar isso, o feminismo e o protagonismo da mulher brasileira. No carnaval a gente pode se reinventar e fazer tudo o que temos vontade”, afirmou. 

A componente ressaltou ainda que, embora o carnaval seja um espaço agregador, a estrutura ainda carrega marcas de desigualdade. “Apesar do carnaval somar muito, ele ainda é um universo bem mais masculino, mas eu acho que esse espaço está se abrindo, aos poucos, mas esse protagonismo feminino está chegando. Acho que sou a prova viva da liberdade e do legado da Rita, decidi que queria passar meus 50 anos desfilando na Sapucaí e hoje estou aqui. Deixei família, amigos e vim realizar esse sonho”, afirmou.

Leticia Pereira Lima 39 professora
Letícia Pereira Lima 39, professora. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Para Letícia Pereira Lima, 39 anos, professora, o fato de a ala ser formada apenas por mulheres já representa um avanço concreto. “A Ala é exclusivamente feminina e é isso que ela traz, o feminismo, o poder da mulher, o empoderamento. Vejo cada vez as mulheres se tornando protagonistas, essa ala exclusivamente feminina já mostra um pouco disso, acho que estamos no caminho certo”. 

Ela também apontou que a ampliação da presença feminina em funções como intérprete, carnavalesca e mestra de bateria ainda enfrenta barreiras culturais, mas percebe que mudanças estão ocorrendo.

Priscila Abrantes 42 jornalista
Priscila Abrantes, 42, jornalista. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Priscila Abrantes, 42, jornalista, reforçou a dimensão simbólica da apresentação. “Acho que essa ala mostra que a gente pode tudo. Não somos mais aquela mulher recatada e do lar, que fica em casa cuidando dos filhos, a gente também pode ser muito mais. Podemos estar aqui na Avenida, representando essa mulher maravilhosa que foi a Rita Lee, que representou tudo isso, a libertação da mulher, que é um exemplo de liberdade”, disse. 

Vivendo pela primeira vez o carnaval no Rio de Janeiro, ela relatou o impacto da experiência: “Estou aqui desde sábado e é muito legal ver a liberdade das mulheres em saírem fantasiadas, se divertindo, livres”.

Ao transformar a figura de Rita Lee como Padroeira da Liberdade, a Mocidade trouxe para Avenida um posicionamento sobre o presente e o futuro do carnaval. Em uma festa marcada por tradição, mas também por transformação, a escola sinalizou que o brilho feminino já não é coadjuvante.

Entre grades e guitarras, Mocidade transforma censura em manifesto na Sapucaí

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A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial 2026 com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”. No terceiro carro alegórico, a escola mergulhou nos anos mais duros da ditadura militar para recriar o encarceramento da cantora e transformar a repressão em espetáculo crítico.

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Detalhes do terceiro carro da Mocidade
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Em um cenário marcado por grades, tons acinzentados e estruturas imponentes, a alegoria trouxe à Sapucaí uma reflexão sobre censura, resistência e o legado libertário da Rainha do Rock, falecida em 2023.

O CARNAVALESCO ouviu componentes que fizeram uma análise da alegoria: o professor da rede pública Lúcio Panza, de 37 anos, que desfila na Mocidade desde 2014; a estreante Liz Lopes, de 40 anos; e Alessandro Oliveira, de 39 anos, técnico de patinação artística, empresário do meio de produção cultural, assistente de carnaval na Unidos da Tijuca e, este ano, integrante da verde e branco de Padre Miguel.

Alegoria como mensagem política

Para os desfilantes que vieram no carro, a terceira alegoria vai além do impacto visual e assume papel político dentro do desfile.

Lucio Panza de 37 anos
Lúcio Panza, de 37 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Lúcio Panza considera que o carro sintetiza a trajetória de resistência da artista: “Acho bastante positivo essa alegoria, até porque toda a resistência que ela fez em vida e propagou está nesse carro. Ela foi presa diversas vezes, pelo que li na biografia dela, tudo por falar sobre liberdade e amor na época da ditadura, quando isso não era permitido”.

Liz Lopes de 40 anos
Liz Lopes, de 40 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Liz Lopes também enxerga o caráter político da encenação: “Representa muito bem a história da Rita e a gente vem com muita empolgação para mostrar isso na avenida de uma forma bonita e agradável. Sabemos que um presídio não é um lugar confortável, mas trazemos beleza para contar algo que não foi belo no passado”.

Alessandro Oliveira de 39 anos
Alessandro Oliveira, de 39 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Alessandro Oliveira destacou o simbolismo presente na concepção estética: “Eu vejo sim. Inclusive, quando tive o primeiro contato com a fantasia, logo entendi que tinha alguma questão ali associada justamente ao protesto, à questão de se fazer ser ouvida, de se fazer ser compreendida e de transgredir a limitação que a censura impunha. Talvez, através da força, talvez, através do verbo solto que se fala no enredo. O carro por si só, as tonalidades de cor já falam por si, colocam muito essa questão do cinza, que remete à seriedade da censura e às limitações que ela impõe na sociedade”.

Impacto visual e estrutura inédita

Se a mensagem é contundente, o impacto visual também chama atenção. O carro apresenta uma cadeia de três andares no centro do carro.

“O que mais impacta é a prisão que o Renato Lage construiu, com três andares. A gente já queria ver isso no barracão há bastante tempo. As meninas vêm presas nesses três andares e ainda haverá um efeito especial durante o desfile”, contou Lúcio, mantendo o suspense sobre o recurso cênico.

Liz Lopes destacou a performance que integra a narrativa do carro: “O que mais me chamou a atenção é a minha modalidade dentro da prisão, que é o pole dance. Serão quatro barras de pole dance e vamos tentar escapar da prisão subindo e descendo durante todo o desfile. Isso me incentivou e está me deixando muito empolgada”.

Alessandro ressaltou a ousadia estrutural da alegoria: “O mais impactante é essa cadeia no meio do carro, porque é uma estrutura que não é comum nos desfiles. Geralmente quem compõe vem mais nas laterais, com o corpo mais exposto. Ali, não. Todos estarão contidos dentro desse espaço, quase como se quisessem segurar a alegria”.

Liberdade como legado

A figura de Rita Lee, frequentemente associada a críticas aos costumes tradicionais, foi defendida pelos componentes como símbolo de liberdade e transformação social.

“Na verdade, ela não era contra a família, ela era a favor da liberdade. Defendia que cada um fosse o que quisesse ser”, afirmou Lúcio.

Para Liz, o exemplo da cantora ecoa nas conquistas atuais: “Isso muda a sociedade. Ela lutou muito tempo atrás e hoje temos privilégios que vieram da luta de pessoas como a Rita. Isso incentiva todo mundo a enfrentar, conquistar o que quer e seguir sem preconceito e sem medo”.

Alessandro Oliveira ampliou a reflexão ao destacar o impacto geracional da artista. “Eu acredito que artistas como a Rita, principalmente na geração dela, e outros que se inspiraram na forma como ela via o mundo, possibilitaram que muitas pessoas tivessem voz. Ela deu a cara a tapa para que a próxima geração tivesse mais liberdade, inclusive dentro das próprias famílias, para dizer quem é e do que gosta. Se analisarmos a época anterior, os tabus eram ainda maiores. Muitas vezes víamos pessoas rompendo com a família por questões de sexualidade ou posições políticas. Ter um porta-voz da liberdade como ela, com uma voz tão potente e significativa, traz essa possibilidade de hoje batermos no peito e dizer quem somos. Isso é algo que não tem explicação, é surreal”, concluiu.

Mocidade 2026: galeria de fotos do desfile

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Arlindinho e Thiago Soares levam tradição e pagode ao Camarote Rio Praia no Carnaval 2026

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O domingo do Carnaval 2026 na Sapucaí foi marcado pelo encontro de gerações no palco do Camarote Rio Praia. Arlindinho e Thiago Soares dividiram a programação do espaço durante o primeiro dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial.

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Foto_ Igor Barnardo/Camarote Rio Praia

Arlindinho emocionou o público com repertório ligado à tradição do samba carioca, enquanto Thiago Soares trouxe a energia do pagode contemporâneo, conectando públicos de diferentes idades no Carnaval do Rio.

O Samba dos Guimarães e o Grupo Confraria Carioca mantiveram a roda ativa entre um desfile e outro, reforçando a identidade musical do Camarote Rio Praia.

Estiveram presentes Carla Marins e seu marido Hugo Baltazar, onde puderam vivenciar a energia do Camarote Rio Praia.

Sobre o Camarote Rio Praia

Localizado entre os setores 8 e 10 da Marquês de Sapucaí, de frente para o segundo recuo da bateria, o Camarote Rio Praia se consolida como um dos espaços mais disputados da avenida. Com open bar premium, buffet variado, ambiente climatizado, transfer exclusivo, área beauty, espaço de customização e lounge corporativo, o camarote combina conforto, vista estratégica e uma curadoria musical que mantém o samba no centro da experiência. No Rio Praia, tradição e espetáculo dividem o mesmo palco.

Serviço:
Camarote Rio Praia – Carnaval 2026
Localização: Setores 8 e 10 da Sapucaí (2º recuo da bateria)
Ingressos: ingresso.camaroteriopraia.com.br
Central: (21) 99994-3632
Instagram: @camaroteriopraia

Anac oficia Portela e Liesa por uso de drone tripulado na Sapucaí; multa pode chegar a R$ 4 mil

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) oficiou a Portela e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) após o sobrevoo de um drone tripulado durante o desfile da escola na Marquês de Sapucaí, no último domingo. A informação foi revelada pela jornalista Raquel Landim, do SBT News.

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Drone tripulado durante o desfile da Portela
Drone tripulado durante o desfile da Portela. Foto: Eduardo Hollanda/Reprodução Internet

Na apresentação da comissão de frente, assinada por Claudia Mota e Edifranc Alves, um bailarino foi elevado por um drone de grandes proporções como recurso cênico para representar a libertação do Negrinho do Pastoreio, um dos elementos centrais do enredo “O Mistério do Príncipe do Bará — a Oração do Negrinho e a Ressurreição de Sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande”.

De acordo com o regulamento que disciplina a operação de drones no Brasil, é proibido transportar pessoas, animais ou artigos perigosos por meio desse tipo de equipamento, devido ao risco de acidentes, inclusive fatais. Segundo a apuração do SBT News, a Anac solicitou as especificações técnicas do drone e a identificação do piloto para lavratura de auto de infração. A multa média nesses casos gira em torno de R$ 4 mil.

Povo fala! Público reage a primeira noite do Grupo Especial na Sapucaí

*Por Mariana Santos e Juliane Barbosa

A Marquês de Sapucaí viveu mais uma noite histórica com a abertura dos desfiles do Grupo Especial. Na Avenida, tradição e reinvenção caminharam lado a lado, enquanto nas arquibancadas e frisas o público acompanhava atento, vibrando, analisando e julgando cada detalhe.

A estreia da noite trouxe a força da Acadêmicos de Niterói, seguida pelo impacto visual e conceitual da Imperatriz Leopoldinense, a tradição incontestável da Portela e o canto poderoso da Estação Primeira de Mangueira, que encerrou a noite com emoção à flor da pele.

Mais do que espetáculo, o primeiro dia foi também termômetro. O público presente na Sapucaí avaliou evolução, harmonia, samba-enredo, alegorias e o conjunto geral. Entre gritos de “é campeã” e comentários técnicos dignos de jurado, a arquibancada mostrou que entende e sente o Carnaval.

Niterói 

A escola estreante no Grupo Espacial abriu a noite de desfiles com samba quente e estética impactante. Para o público, o enredo da escola, que narra a trajetória do presidente Lula do sertão do Brasil ao Palácio do Planalto, foi o ponto alto do desfile.

A mangueirense Kenya Pinheiro, veio diretamente do Amapá prestigiar sua escola do coração, que homenageia uma personalidade da sua terra. Mas para a amapaense, a Academicos de Niterói se destaca ao trazer para a avenida um samba e presidente ‘popular’.

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Kenya Pinheiro. Foto: Juliane Barbosa e Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Lula foi eleito presidente três vezes, ele é extremamente popular. Foi uma noite maravilhosa, não tenho nada do que reclamar por ter vindo de tão longe assistir as escolas”, afirmou.

Imperatriz Leopoldinense 

Na boca do povo, a Imperatriz Leopoldinense conquistou até quem não veste o verde e branco. Segundo os entrevistados, o samba-enredo levantou a Sapucaí com potência, enquanto as cores vibrantes e o conjunto visual da escola brilharam aos olhos do público. Para muitos, foi um desfile que ultrapassou a rivalidade e se impôs pela qualidade.

Graziela Perez imperatriz
Graziela Perez. Fotos: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Graziela Perez, 31 anos, professora de educação física e torcedora da Mangueira, admitiu ter se rendido ao desfile da escola de Ramos.

“A Imperatriz deu um show na Sapucaí. Eu sou mangueirense, mas mesmo assim me encantei com as alegorias e fantasias. A escola veio muito bem trabalhada. Merece muito estar no Sábado das Campeãs”, declarou a mangueirense.

Sueli Souza imperatriz
Sueli Souza. Fotos: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Sueli Souza, 62 anos, servidora pública e torcedora declarada da Portela, destacou a força do samba-enredo e a energia transmitida na Avenida.

“Olha, eu sou portelense demais, mas o samba da Imperatriz foi impossível ficar parado. Parabéns aos intérpretes porque deu vontade de dançar o tempo inteiro que a escola ficou na avenida”, comentou a servidora pública.

Portela

Num desfile com fortes emoções, a portelense Veronica saiu da Sapucaí feliz com a entrega de sua escola. Apesar do conjunto e fantasias de forte presença, a evolução foi prejudicada com um problema no último carro alegórico. Entretanto, o enredo de fácil leitura através das alegorias e fantasias foi destaque

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Verônica Bonfim. Foto: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

“Tudo estava muito explicado, até a minha amiga que não conhecia muito bem entender, eu consegui entender. A divisão de cores, divisão de alas, estava muito interessante, muito fácil de compreender. Infelizmente teve o problema no final, mais uma vez, com a evolução. Já é a terceira vez que a escola passa por esse problema”, disse.

Mangueira 

A última escola a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial mostrou que posição na ordem não define impacto. A Estação Primeira de Mangueira sacudiu a Sapucaí mesmo encerrando a noite. Para o público, a iluminação das alegorias criou um espetáculo à parte, enquanto o enredo sobre a Amazônia Negra emocionou e ampliou horizontes.

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Giovanna Borges. Foto: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Giovanna Borges Martins, 24 anos, estudante, destacou o luxo visual apresentado pela verde e rosa.

“Os carros e as fantasias estavam deslumbrantes. A porta-bandeira estava com uma fantasia lindíssima. Sou suspeita para dizer, mas acho que foi a melhor da noite”, afirmou a jovem.

Já Vitória Cerqueira, 30 anos, auxiliar fiscal e contábil, ressaltou o impacto artístico e a importância cultural do desfile.

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Vitória Cerqueira. Foto: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

“Foi lindo, mágico, surpreendente como todos os anos. A comissão de frente e o casal tiveram grande destaque neste desfile de 2026. Mas a representatividade do Amapá foi muito importante e trouxe à tona coisas que a gente, aqui no Sudeste, muitas vezes não conhece”, citou.

A primeira noite do Grupo Especial deixou claro que a disputa promete ser acirrada. Cada escola imprimiu sua identidade na Avenida, mas quem também teve voz foi o povo que canta, vibra, critica e consagra.

Na Sapucaí, o julgamento oficial acontece nas cabines. Mas o veredito emocional nasce nas arquibancadas. E se depender da reação do público, o Carnaval 2026 já começou em nível máximo de intensidade.

 

Ao vivo: segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Rio no Carnaval 2026

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Influenciadores Felipe Voigt e Daniel Simas curtem o carnaval da Sapucaí no Camarote King

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Convidados pelo Camarote King após viralizarem nas redes sociais com vídeos em que recriam coreografias de musas e rainhas de bateria, os influenciadores Felipe Voigt e Daniel Simas estão vivendo o Carnaval 2026 de um jeito privilegiado. O casal conversou com o CARNAVALESCO e falou sobre a recepção calorosa, a expectativa de ver de perto as divas que inspiram seus conteúdos e a preocupação do espaço com sustentabilidade e acessibilidade.

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Felipe Voigt e Daniel Simas marcaram presença no Camarote King. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“Está sendo uma experiência incrível. A gente já estava aqui ontem aproveitando e fomos muito bem recebidos. É um espaço confortável, está sendo maravilhoso”, resumiu Felipe.

Daniel elogiou a sensação de acolhimento que o espaço lhe proporcionou.

“O pessoal é muito animado, isso potencializa o que é o carnaval. E como o slogan fala, você é o rei. A gente se sente como rei aqui dentro”.

Empolgados, eles garantiram presença em todos os dias de festa e já miram até o Desfile das Campeãs.

“A gente quer aproveitar o carnaval inteiro”, comentou Felipe, empolgado.

Da internet para o Sambódromo

Conhecidos por recriar memes virais em forma de vídeo nas redes sociais, Felipe e Daniel ganharam ainda mais visibilidade nesta época do ano ao imitar as musas sambando nos ensaios técnicos. A brincadeira rendeu o convite para curtir os desfiles no King. E claro que, quanto perguntados sobre as expectativas para a noite, a resposta deles não poderia ser diferente:

“Eu estou muito ansioso para observar de pertinho as rainhas e as musas, até porque eu recrio elas. Ver os detalhes, os movimentos, ter essa troca pessoalmente é diferente”, contou Felipe.

“A gente já interage com elas na internet, mas quero ver ao vivo. Será que alguém vai reconhecer a gente? Estamos criando expectativas”, confessou Daniel.

O reconhecimento, aliás, já começou dentro do próprio camarote, mas vindo de admiradores.

“Encontrar seguidores aqui e receber esse carinho pessoalmente dá um gás. Mostra que estamos no caminho certo, sempre com respeito. A gente nunca recria uma musa para ridicularizar, é humor com admiração”, frisou  Felipe.

Daniel explicou que a proposta dos vídeos é imaginar como seriam se eles estivessem no lugar delas: “Elas treinam o ano inteiro. A gente tenta, mas é uma sátira com carinho”.

Sustentabilidade e acessibilidade do camarote impressiona os influenciadores

Além da experiência de assistir aos desfiles com conforto, o casal também se surpreendeu com a a proposta sustentável e inclusiva do camarote. Segundo Felipe, as iniciativas já são divulgadas antes mesmo do evento, mas vê-las funcionando na prática fez diferença.

“O King é um dos maiores camarotes da Sapucaí, com três andares, e você vê acessibilidade em todos eles, como para circular, pegar comida, assistir ao espetáculo. É algo realmente aplicado”, observou.

Daniel destacou que a estrutura garante que pessoas com mobilidade reduzida possam aproveitar a festa como qualquer outro folião.

“A gente viu que funciona de verdade. Eles dão esse suporte para que todo mundo curta o carnaval da mesma forma”.