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Freddy Ferreira analisa a bateria da Inocentes no desfile

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Uma boa apresentação da bateria “Cadência da Baixada” da Inocentes de Belford Roxo de mestre Washington Paz. Um ritmo equilibrado e bem conectado ao samba-enredo reeditado de vertente africana foi exibido. Um trabalho destacado envolvendo as peças leves foi notado.

A parte de trás da “Cadência da Baixada” exibiu uma boa afinação de surdos, com marcadores firmes e seguros. Surdos de terceira foram responsáveis pelo balanço tanto do ritmo, quanto em bossas. Repiques coesos e técnicos foram bem conduzindo o molho da cozinha, assim como os repiques solistas brilharam nas paradinhas. Um naipe de guerras consistente ajudaram a complementar a boa sonoridade dos médios.

Na parte da frente do ritmo, uma ala de tamborins de bastante destaque musical tocou interligada a um naipe de chocalhos talentoso, dando qualidade aos agudos. Cuícas seguras também ajudaram a preencher a sonoridade das leves, enquanto marcavam o samba.

Um leque de bossas de destaque foi exibido. Uma musicalidade bem atrelada a temática africana da agremiação foi percebida. Grande trabalho dos solistas com repique mor em bossas, principalmente no arranjo do refrão do meio, onde inverteram a posição do instrumento e tocavam na parte do couro, fazendo uma bela alusão musical aos atabaques, num movimento recheado de versatilidade rítmica.

Uma boa exibição da bateria da Inocentes, dirigida por mestre Washington. Uma “Cadência da Baixada” com equilíbrio, versatilidade rítmica e bossas bem conectadas a obra da tricolor de Belford de Roxo foram apresentadas.

Inocentes de Belford Roxo enfrenta contratempos, tem desfile conturbado e estoura o tempo na avenida

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A Inocentes de Belford Roxo foi a terceira escola a desfilar no primeiro dia da Série Ouro e enfrentou dificuldades ao longo de sua passagem pela avenida. O principal problema ocorreu com o tripé da comissão de frente, que quebrou e não pôde entrar, comprometendo a apresentação. Além disso, a evolução da escola foi irregular, resultando em um estouro de um minuto no tempo regulamentar. Apesar dos contratempos, os destaques ficaram por conta da reedição do enredo de 2008 da própria agremiação e da performance do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro, que desempenharam suas funções com grande desenvoltura.

A Caçulinha da Baixada levou para a avenida a reedição do enredo “Ewe, a cura vem da floresta”, que aborda o conhecimento ancestral da cura por meio das folhas. O tema foi desenvolvido pelo carnavalesco Cristiano Bara, que na versão original, em 2008, atuou como assistente de Jorge Caribé. A escola encerrou sua apresentação com um tempo total de 56 minutos.

Comissão de Frente

Coreografada por Juliana Frathane, a comissão de frente da Inocentes enfrentou problemas ao entrar na avenida, o tripé “O Espírito das Florestas” que deveria ser uma peça central da apresentação não entrou e comprometeu todo desenvolvimento da coreografia. A comissão representou um grande ritual, onde era evocado o espírito da floresta, representado pelas folhas dos orixás no corpo dos bailarinos, provocados por uma mãe de santo. No total foram 15 componentes, sendo 11 mulheres e quatro homens. Por conta do problema inicial, toda a encenação ficou incompleta, o que dificultou o entendimento da mesma.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal, Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro, mostrou que os anos de companheirismo têm aprimorado sua dança, provando que a união entre juventude e experiência é um grande acerto. A dupla representou reis e rainhas africanos que evocavam Ossain para cuidar dos males do corpo e da alma de seu povo. Com uma dança clássica, ambos entregaram apresentações de alto nível. Apesar do vento intenso na avenida, Jaçanã soube contornar a situação com maestria. A bandeira, visivelmente molhada, ficou mais pesada, mas menos suscetível a falhas. Vale destacar também a desenvoltura de Matheus, que conduziu sua porta-bandeira de forma exemplar.

Enredo

Há 17 anos, a Inocentes de Belford Roxo levou para avenida, o enredo que mostrou o poder da cura das doenças, através das plantas e a necessidade de preservarmos as nossas florestas, temas que até hoje são atuais e discutidos em todo mundo. Dessa vez, o enredo “Ewe, a cura vem da floresta” foi desenvolvido pelo carnavalesco Cristiano Bara.

A narrativa do desfile foi dividida em três setores, sendo eles: “Herança ancestral africana”, onde foi mostrado a rica flora africana e as curas proporcionadas pelas folhas. Iniciou com a sabedoria ancestral e a figura do Babá Egun, representando os espíritos ancestrais que guia a jornada de saúde e cura. No segundo “A cura pela fé”, foi discutido a cura através da fé. E no último “Esperança de cura”, a preservação da natureza e a sabedoria transmitida pelo samba ganharam destaque. A proposta ficou clara, apesar de em alguns momentos soar repetitiva.

Alegorias e Adereços

A Inocentes levou para a avenida três alegorias, sendo o abre-alas a “Floresta africana e o legado de Ossain”, o carro foi um tributo à união e à sabedoria compartilhada pelos orixás, ele passou pela avenida sem problemas estéticos, vale destacar a imponência das esculturas de Xangô, Iansã e Ossain. A segunda alegoria representou “A cura através da fé e do conhecimento” e foi predominantemente forrado com palha, pertinente ao enredo e a proposta do mesmo. Já a última alegoria “União da sabedoria ancestral com a ciência” passou com falhas de acabamento na escultura principal, o entendimento do mesmo também não se fez claro.

Fantasias

O conjunto de fantasias foi irregular, no total, o carnavalesco Cristiano Bara levou para a avenida 20 alas, apesar da fácil leitura, houve discrepância entre elas, enquanto algumas estavam volumosas e com materiais ricos, como a ala das baianas “Mães com conhecimento das folhas”, ala oito, “Divindade Cabocla” e ala nove, “Ayahusasca – o olho que tudo vê”. Outras passaram de forma simples e com pouca carnavalização, como na ala 12, “Coletores de Ervas” e ala 17, “Produção de cosméticos”.

Harmonia

A parte musical da escola foi um dos pontos altos do desfile, a dupla formada por Daniel Silva e Thiago Brito se mostrou um acerto, o entrosamento deles foi fundamental para que a agremiação tivesse um bom desempenho musical, o mesmo vale para a bateria “Cadência da Baixada”, comandada pelo mestre Washington Paz, que realizou diversas paradinhas ao longo do desfile. Porém, apesar desses pontos, a comunidade deixou a desejar, em alguns momentos o canto dos componentes era imperceptível, tendo melhora significativa durante os refrões principais.

Samba-Enredo

A reedição de “Ewe” teve o samba atualizado em algumas partes, em relação a 2008, composto por Claudio Russo, Nino do Milênio, Carlinhos do Cavaco e Tem Tem Júnior, o samba passou pela avenida de forma linear, o fato dos desfilantes já conhecerem a obra poderia facilitar o seu desempenho, porém, muitas alas não cantaram com a empolgação esperada, sendo uma passagem apenas correta da obra pela avenida. Os refrões foram o ponto alto do samba, tanto “Da negra mãe, não só Ossaim”, e “O meu coração é Inocentes”, além da cabeça do mesmo, “Ewe, a cura vem da floresta”, e um pouco de sua primeira parte, como “Ossaim, o protetor do poder de curar/Na fé nagô, o orixá”.

Evolução

Por conta do problema com o tripé da comissão de frente, a Inocentes atrasou o início de seu desfile. Mesmo após o cronômetro começar a contagem, o presidente Reginaldo Gomes ainda realizava seu discurso. Ao longo do desfile, a evolução foi coesa, sem grandes atropelos, e os componentes desfilaram de forma solta. No entanto, no encerramento, houve uma correria que resultou em um atraso de um minuto além do tempo regulamentar. A escola optou por inovar ao posicionar a bateria no setor de abertura, logo à frente do carro abre-alas. No entanto, a iniciativa não teve o efeito esperado e não contribuiu para uma evolução mais fluida.

Outros Destaques

O desfile também foi marcado por momentos especiais, dentre eles a presença de Mestre Marcão, comandante da bateria da Paraíso do Tuiuti entre os diretores da bateria da “Cadência da Baixada”. Um momento inusitado ocorreu durante o esquenta, quando cantaram o samba exaltação da Mangueira, o que deixou o público surpreso. A presença da passista Alessandra dos Santos, conhecida como “Barbie do Samba” no final do desfile foi emocionante, a mesma foi vítima de um erro médico e teve a amputação parcial do braço esquerdo, ela levantou as arquibancadas.

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Fotos: Bruno Motta

Arranco mostra força das mães em bonito e competente desfile

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O Arranco do Engenho de Dentro foi a segunda escola a desfilar na Marquês de Sapucaí nesta primeira noite de Série Ouro. Mostrando o enredo “Mães que alimentam o sagrado”, desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon, a escola fez um desfile redondo e criativo com um enredo que trouxe com enorme clareza em suas alegorias e fantasias a ideia da força das mães, desde a crença iorubá até as mulheres do cotidiano atual. Um enredo de mensagem forte e necessária que embalou um samba que obteve  um excelente desempenho durante todo o desfile, catapultado por mais uma grande apresentação dos intérpretes Thiago Acácio e Pamela Falcão, que mostraram a dupla afiada que são. A escola teve que apressar um pouco o passo nos minutos finais para passar no tempo limite e conseguiu, encerrando o seu desfile em 55 minutos. No conjunto o Arranco fez um desfile de bom nível com vários quesitos fortes, e espera que o julgamento este ano seja mais coerente com o que a escola apresentou, ao contrário do ano passado quando num desfile elogiado a agremiação ficou próxima do rebaixamento.

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Comissão de Frente

A comissão de frente comandada pelos coreógrafos Lipe Rodrigues e Márcio Dellawegah veio representando as mães do cotidiano, trabalhando na feira, com quatro caixotes levando frutas. Essas mulheres interagiam as demais componentes formando uma grande rede de comunicação e energia, compartilhando sabores, saberes e afetos. No ato final da comissão, surgiam as mães espirituais como a mãe natureza, Nossa Senhora Aparecida e Oxum. Uma apresentação que sintetizou bem o enredo e foi apresentada com correção em todos os módulos, exceto mínimos deslizes de sincronia na movimentação de componentes na primeira cabine.

LEIA AQUI: Salve Jorge! Quarta ala da Arranco de Engenho de Dentro explora a feijoada ao santo guerreiro e homenageia as baianas quituteiras

Mestre-sala e Porta-bandeira

Diego Falcão e Laryssa Victória desfilaram com uma fantasia batizada de “Iyá Ni – A mãe é ouro”, reproduzindo a tradição yorubá que diz que as mães são seres de poderes divinos ou espirituais, sendo comparadas ao ouro que é o metal mais precioso na terra. Laryssa representou o ouro e Diego veio de falcão, símbolo da escola. Foi uma apresentação irregular, com pequenas falhas de sincronia ao longo das cabines, além de um bailado
excessivamente coreografado, sendo mais solto apenas no refrão principal, onde o casal mostrou uma boa evolução.

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Enredo

O Arranco trouxe a história da força das mães desde a perspectiva da religião Iorubá, onde o sagrado está envolvido nas próprias comunidades onde cada um é inserido, alimentar os seus é alimentar a fé, daí a força do ato de ser mãe. O enredo foi estruturado em três momentos. O primeiro setor trazia a “Ancestralidade” com as mães africanas e os preceitos iorubás. O segundo setor foi a “pluraridade”, mostrando diversas referências de mulheres fortes pelo Brasil, como a festa de Nossa Senhora dos Navegantes e a Mãe baiana que cozinha feijoada para São Jorge.

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O último setor fechou o desfile mostrando a “Diversidade”, entrando na contemporaneidade, como a luta pela sustentabilidade e a força das mulheres contra a violência e ataque aos corpos femininos. Annik foi feliz nos símbolos escolhidos para explicitar o enredo em suas alegorias e fantasias, com uma leitura fácil e clara. Apenas a
ala sobre o genocídio alimentar, falando dos alimentos processados pareceu um pouco deslocada no setor da diversidade, mas no conjunto foi um belo trabalho de desenvolvimento de enredo.

Alegorias

A agremiação trouxe três alegorias em seu desfile, bastante diversas em suas cores. O abre-alas “Curimba de Mulher” trouxe uma escultura de uma mãe do candomblé e alguns elementos do sincretismo afro-brasileiro. Uma alegoria com bom acabamento e resolvida com clareza. O segundo carro “Fé na Natureza: O Alimento vem da Terra” representava a mãe natureza, e veio sem maiores problemas de acabamento, embora tivesse uma execução mais simplória. A alegoria final “A Nova Mátria Nascerá” exaltou a força das mulheres com uma escultura na frente de uma mãe carregando seu filho no colo, e bandeiras de personalidades como Irmã Dulce, Elza Soares e Glória Maria. Uma alegoria bem resolvida que sintetizou bem a bonita mensagem trazida pelo Arranco.

Fantasias

O Arranco trouxe um conjunto de fantasias muito interessante e também de fácil leitura, como as alegorias. Algumas fantasias com ótimo jogo de cores como a ala 4 “Feijoada para São Jorge”. Como mensagem, destaque para a ala 19 “Quem disse que mulher é frágil? Protesto pela Nova Mátria” com uma resposta feita por entrelaçados de mensagem contra a violência à mulher.

Harmonia

A azul e branco mostrou um canto forte na maior parte de suas alas, com um canto linear durante toda a passada do samba, não apenas nos refrãos, embora o refrão principal tenha causado um ápice no desempenho dos componentes. O carro de som teve um desempenho espetacular, com mais uma grande apresentação de Thiago Acácio e Pamela Falcão

Samba-Enredo

O samba dos compositores Nego Vinny, Junior Fionda, Claudio Russo, Vando Cardoso, Gabriel Sorriso e Manolo passou muito bem pela Sapucaí, com um desempenho firme e tendo sua melodia realçada pela grande dupla de intérpretes da escola. Manteve a pegada do início ao fim do desfile, dando ótima sustentação para a passagem da agremiação. O refrão principal se mostrou envolvente, principalmente em seu início “É samba de Yaô , na curimba de mulher / quem não pode com mandinga, não carrega meu axé.”

Evolução

O Arranco avançou de forma lenta na avenida por conta da evolução de sua comissão de frente, e assim que a mesma saiu da pista de desfile a escola começou a acelerar o seu ritmo. Na parte final de sua apresentação, a escola apressou bastante para não estourar o tempo e conseguiu passar no limite dos 55 minutos. Como ponto positivo conseguiu manter a compactação de suas alas sem abertura de maiores espaços, componentes passaram bem alinhados.

Outros Destaques

A bateria de mestre Gilmar realizou algumas bossas, principalmente a do refrão principal com toque de atabaques que animou o público presente no Sambódromo.

A ala das baianas veio com uma bela fantasia representando Yemoja, orixá da religião Iorubá.

Inocentes de Belford Roxo celebra ancestralidade e cura da natureza em seu abre-alas

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Na primeira noite de desfiles da Série Ouro, a Inocentes de Belford Roxo levou para a avenida a sabedoria ancestral das folhas. Com o enredo “Ewe, a cura vem da floresta”, reedição do desfile de 2008, a Caçulinha da Baixada trouxe em seu abre-alas uma grandiosa representação da floresta africana, homenageando os saberes ancestrais das folhas e a medicina natural.

Do alto da alegoria, três esculturas imponentes contavam o Itan (história) que revela os mistérios da cabeça de Ossain, o Orixá das folhas, desvendados por Iansã, Orixá dos ventos, e Xangô, Orixá da justiça. A narrativa destacou a importância do conhecimento das ervas e da conexão entre a espiritualidade e a cura. A escola reverenciou a sofisticada medicina encontrada na floresta africana, trazendo à tona a sabedoria dos povos tradicionais e sua contribuição para a saúde e o bem-estar.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, os componentes da escola falaram sobre a importância da Inocentes de Belford Roxo ao narrar as florestas como verdadeiras bibliotecas medicinais. Beatriz, estudante de marketing, de 20 anos, destacou a relevância de abordar o tema na avenida:”É muito importante mostrar a importância das ervas. Elas curam, os remédios vêm delas. Falar sobre isso incentiva as pessoas a estudarem mais sobre esse conhecimento ancestral”.

Já Cassiano Luiz, professor, de 41 anos, ressaltou a importância de homenagear a afrodescendência e a diversidade do Brasil: “A escola está sendo muito feliz em valorizar uma raiz que forma a maior parte da população brasileira. A natureza é nossa casa, e precisamos reconhecer seu poder de cura”.

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Rodrigo Gomes, de 36 anos, responsável pela alegoria, enfatizou a atualidade do tema:
“Estamos mostrando a importância das ervas medicinais e da preservação da natureza. É super atual falar sobre isso, especialmente em um momento em que a medicina avança através das plantas”. Ele também destacou o papel das curandeiras e de Ossain, o Orixá que detém o conhecimento das folhas e suas propriedades curativas.

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A alegoria, construída com materiais como acetato, penas e isopor, trouxe uma grande pomba branca, representando a paz e a espiritualidade como ferramentas de Ossain. Para Rodrigo, contar o legado do Orixá das folhas na avenida significa combater o preconceito: “Quando a gente passa o conhecimento através da religiosidade, vemos que não é tudo o que as pessoas pensam. É importante dar entendimento sobre [a espiritualidade] para termos uma sociedade mais consciente”, finalizou.

 

Inocentes de Belford Roxo 2025: galeria de fotos do desfile

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Freddy Ferreira analisa a bateria do Arranco no Carnaval 2025

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Uma apresentação muito boa da bateria “Sensação” do Arranco do Engenho de Dentro, de mestre Gilmar. Um ritmo marcado pelo peso dos surdos, graças a uma afinação de destaque e por bossas atreladas ao enredo da agremiação.

Nas peças leves, uma ala de cuícas segura tocou junto de agogôs eficientes, executando uma convenção baseada nas variações melódicas do samba do Arranco. Uma ala de chocalhos de grande qualidade tocou interligada a um naipe de tamborins funcional, com desenho rítmico simples, mas preciso.

Na cozinha da bateria do Arranco foi notada uma afinação privilegiada de surdos com destaque para a timbragem do surdo de segunda. Marcadores foram firmes e precisos. Surdos de terceira ficaram responsáveis pelo balanço envolvente da parte de trás do ritmo. Repiques coesos tocaram junto de caixas consistentes, complementando a sonoridade dos médios. Ainda haviam atabaques, que foram usados de modo preciso nas paradinhas com levada africana.

O conjunto de bossas da bateria “Sensação” provou ser de grande utilidade e eficiência pela pista. Um trabalho baseado na pressão sonora dos surdos, graças a afinação destacada, contando com uma timbragem diferenciada no surdo de segunda. A contribuição luxuosa dos atabaques nos arranjos merece menção musical pela musicalidade produzida. Um leque de bossas altamente vinculado ao samba-enredo da escola azul e branca do bairro do Engenho de Dentro, proporcionando uma sonoridade bem atrelada ao tema africano da escola.

Uma apresentação muito boa da bateria “Sensação” do Arranco do Engenho de Dentro, comandada por mestre Gilmar. Duas boas passagens nas duas últimas cabines deixaram claro um trabalho consistente, contendo uma musicalidade reluzente. Um ritmo equilibrado, bom impacto sonoro de afinação destacada e com conjunto de bossas reluzindo foi exibido. Uma sonoridade bastante conectada ao enredo de vertente africana da agremiação.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Botafogo Samba Clube no Carnaval 2025

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Um bom desfile da bateria “Ritmo Alvi Negro” na estreia de mestre Branco Ribeiro na Botafogo Samba Clube. Um ritmo equilibrado, com bossas intuitivas e com destacado trabalho da parte de frente do ritmo.

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A parte de trás do ritmo da Botafogo contou com boa afinação de surdos, além de marcadores firmes. Os surdos de terceira apresentaram bom balanço. Repiques coesos tocaram integrados a um naipe de caixas de guerras eficiente, que tocou uma batida rufada em cima.

A cabeça da bateria “Ritmo Alvi Negro” exibiu um naipe de tamborins ressonante, que fez um desenho rítmico simples com eficiência e de forma precisa. Uma boa ala de chocalhos auxiliou na musicalidade da parte da frente do ritmo, junto de um naipe de cuícas sólido.

Bossas intuitivas e baseadas na melodia do samba, ajudaram a dar pressão sonora, graças a afinação de surdos. Os arranjos eram simples, mas se mostraram eficazes. Muitos tapas ritmados em conjunto foram efetuados, ajudando no impacto musical das paradinhas.

Uma apresentação enxuta e eficiente foi realizada na terceira cabine de jurados, embora rápida. Um detalhe que infelizmente não passou despercebido é que o alto volume das cordas que saíam das caixas de som próximas do terceiro módulo não permitiram uma percepção acústica plena da bateria da Botafogo Samba Clube. Já na última cabine houve uma exibição com aproveitamento sonoro melhor, com bossas sendo apresentadas com fluência e recebendo certo impacto popular.

Um bom desfile da bateria da Botafogo Samba Clube, dirigida por mestre Branco Ribeiro. Um ritmo com criação musical intuitiva e bossas com pressão sonora foi apresentado. Destaque para o trabalho envolvendo as peças leves, garantindo uma passagem satisfatória da bateria “Ritmo Alvi Negro” pela primeira vez na Sapucaí.

Salve Jorge! Quarta ala da Arranco de Engenho de Dentro explora a feijoada ao santo guerreiro e homenageia as baianas quituteiras

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Tradicional escola de samba da Zona Norte carioca, a Arranco desfilou nesta sexta-feira com o enredo “Mães que Nutrem o Sagrado”, sobre a maternidade e a força espiritual feminina. A quarta ala do desfile, intitulada “Feijoada para São Jorge”, relembrou a tradicional cerimônia em homenagem ao santo católico, também cultuado em religiões afro-brasileiras, e o trabalho das baianas sambistas, que prepararam, com dedicação, os banquetes para seus convidados.

“Tudo começou com a Tia Ciata. A escola de samba e a tradição da baiana vêm desde essa época. Antes, os primeiros desfiles eram feitos na Praça 11. As baianas trouxeram o costume dos acarajés, da feijoada, dos quitutes da Bahia. Só que a feijoada do Rio de Janeiro foi aprimorada, foi melhorada, colocada no modo carioca. A ideia dessa ala surgiu através de uma feijoada de São Jorge da qual a carnavalesca participou, pela primeira vez, na escola. Ela se inspirou na nossa matriarca, uma das presidentes da escola, que é a dona Dina, para representar essa feijoada. Dona Dina é uma pessoa que tem o cuidado de fazer toda a feijoada do Arranco com as próprias mãos, com carinho”, disse Mauro Vieira, de 70 anos, que integra a equipe de harmonia da Arranco.

“A baiana é a mãe de uma escola de samba, em qualquer escola de samba. E mãe nada mais faz do que cuidar. Quando elas estão ali preparando, estão cuidando de quem está indo se divertir, brincar, mas com carinho, cuidado e amor. Baiana é amor, feijoada é amor”, enalteceu a auxiliar administrativa Thuyra Azevedo, de 33 anos, que desfila há cerca de 20 anos na Sapucaí, embora estreie este ano pela escola de Engenho de Dentro.

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Entre bordados de renda e estamparia, com um costeiro de penas verdes, a quarta ala da Arranco de Engenho de Dentro levou na cabeça pratos de arroz, feijão e farofa, além de uma fatia de laranja, em oferenda ao santo guerreiro.

“A feijoada de São Jorge, a gente faz para agradecer ao glorioso São Jorge, porque somos devotas dele. Nada é mais gratificante do que, todo dia 23 de abril, preparar uma feijoada. Não só a gente, como vários terreiros e muitas pessoas devotas, que conseguiram uma graça pelo São Jorge Guerreiro. Eu sou filha de São Jorge. Quer dizer, não de São Jorge, sou filha de Ogum – que, na Igreja Católica, é São Jorge, e no candomblé, Ogum. Eu tenho muito que agradecer a ele, porque hoje tenho vida, tenho três netos, tenho meu filho com vida e saúde. Eu agradeço a São Jorge”, destacou a enfermeira Sônia Maria Monteiro, de 58 anos, que já desfilou em quatro carnavais pela agremiação da Zona Norte.

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“Para ter mãe, tem que ter pai. São Jorge é o padroeiro da grande maioria das escolas de samba do Rio de Janeiro. Representar, pelo menos para mim, a feijoada de São Jorge, que é meu pai – porque sou da religião – tem uma importância gigantesca. Para quem é do povo preto, de pele preta, que segue uma religião de matriz africana, estamos trazendo aquilo que damos aos nossos santos, aquilo em que acreditamos. Se oferecemos isso, é porque temos fé nisso, e carregar essa mesma comida na cabeça é de extrema importância e felicidade, de verdade. É a alegria de saber que, lá atrás, meu antepassado, que foi escravizado, tinha isso para comer, e hoje é isso que coloco na minha cabeça e ofereço ao santo”, dividiu Thuyra.

Mais do que São Jorge, no entanto, o intuito da ala foi homenagear as mãos por trás do banquete, que carregam, em cada mexida de caldeirão, a sabedoria ancestral e a memória afro-brasileira.

“Onde a gente vai, a feijoada não é só uma feijoada. Ela é tratada realmente de uma forma religiosa, bem delicada. A baiana que está lá, que faz a comida, que organiza, é quem dá movimento a cada evento da escola, que faz com que a escola tenha até mesmo o rendimento financeiro para cumprir o carnaval. Sem dinheiro, você não faz carnaval. Nem tudo é patrocínio”, relembrou a vendedora Monalisa Faustino, de 39 anos, que vai para o segundo ano na escola.

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“A gente tem que respeitar muito a baiana e a velha guarda. Se não fossem eles, não existiriam nossa ala, a ala de passistas, a ala das crianças. E a gente espera muito que a ala das crianças um dia chegue lá. Essas meninas, quando estiverem mais velhas, podem virar baianas porque estão seguindo na escola. Existe um respeito e um abaixar de cabeça. Há um momento de parar e escutá-los. É o poder da escuta: eles têm o poder da fala, e nós, o da escuta. Baiana e velha guarda são a raiz da escola. E a feijoada é a raiz do povo brasileiro. Ver uma baiana, uma senhora da velha guarda preparando uma feijoada é lembrar que tivemos um passado. E lembrar que podemos transmitir esse passado para o futuro. Porque as coisas podem evoluir, mas não podemos esquecer quem abriu o caminho para nós – e eles abriram”, finalizou Thuyra.

 

“Uma honra assustadora e um sonho de vida”: humorista Pedro Certezas fala sobre a emoção de desfilar na Botafogo Samba Clube

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A Botafogo Samba Clube fez sua estreia na Marquês de Sapucaí ao abrir os desfiles da Série Ouro nesta sexta-feira (28), com o enredo “Uma Gloriosa História em Preto e Branco”, que homenageou a trajetória da Estrela Alvinegra, passando pela criação do bairro Botafogo até o surgimento do time de futebol.

O comentarista e botafoguense roxo Pedro Certezas, que ficou famoso na internet durante a pandemia por seu conteúdo de humor, foi uma das estrelas do carro “Tuas Glórias”, última alegoria da escola, que celebrou as conquistas recentes e passadas do Botafogo, como o título da Copa Libertadores da América em 2024 e outros títulos históricos, como a Taça Brasil de 1968. Com esculturas e fantasias de troféus, o carro ainda homenageou ídolos que já vestiram a camisa preta e branca, como Garrincha, Didi, Gerson e Carlos Alberto Torres.

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Ao CARNAVALESCO, o humorista compartilhou a emoção de representar o time do coração na avenida. “É um sonho de vida, ainda mais depois do que a gente viveu no passado. São 30 anos esperando pela maior felicidade da minha vida e, quando acho que ela já chegou (se referindo aos títulos do Botafogo no futebol em 2024), ainda tem um bônus de felicidade, que é no carnaval, desfilando pelo time do meu coração, que também virou uma escola absurda de boa”.

Durante o desfile, Pedro, que atualmente é um dos apresentadores do “De Sola”, canal de humor da TNT Sports, não escondia a felicidade no rosto.

“Antes de ser uma figura conhecida, eu sou Botafogo. Por isso, fiquei muito emocionado com o convite para desfilar, muito mesmo. É uma honra assustadora para mim, que sou só mais um torcedor. Eu não vou de camarote nunca, vou na arquibancada de cimento mesmo, com os amigos, desde sempre. Eu me sinto muito privilegiado, muito honrado”.

 

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Certezas é muito conhecido por seus comentários na rede X (Twitter) sobre os mais diversos assuntos, principalmente quando se trata do Botafogo. Mostrando que estava totalmente engajado com a narrativa do desfile do Glorioso, Certezas comentou o conceito da alegoria na qual foi destaque, fazendo uma relação com o enredo.

“É uma homenagem muito linda, porque se conecta com o presente também. Fala de uma identidade alvinegra e mostra as glórias, tanto para a galera que não viveu alguns dos títulos representados aqui quanto para as que estão presenciando os de agora em tempo real. Acho que virou um elo do passado com o presente, com a esperança de um futuro espetacular”.