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Estácio de Sá Carnaval 2025: galeria de fotos do desfile

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Dragões da Real 2025: galeria de fotos do desfile

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Fotos: Bruno Motta

Iamandacy Encantada: As baianas que abriram caminho para o Leão da Estácio

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Fantasiadas de Iamandacy, a mãe da mata e guardiã da entrada da floresta que concede ao Leão Guarani a permissão para adentrar na mata, as baianas da Estácio vieram na abertura da escola com uma fantasia de grande simbolismo para o enredo.

Com a fantasia chamada “Iamandacy Encantada: A mãe da mata – permissão para entrar na floresta”, as baianas abriram o desfile da Estácio, logo após o abre-alas, concedendo a permissão para que a Sapucaí testemunhasse o desfile da escola.

A coordenadora da ala de baianas falou com o CARNAVALESCO sobre a relevância da fantasia para a abertura da escola.

“Nós somos uma das partes principais do desfile, nós somos a mata, somos Iamandacy, que é a mãe da mata. Nesse desfile, nós representamos a mãe da mata. Foi um presente do nosso carnavalesco, ele ama as baianas, então deu a parte principal para a nossa ala por sermos muito unidas. Pensando nessa união, viemos trazer a importância de nos unirmos e lutarmos pela preservação da mata. O trabalho é voltado para a resistência em busca de preservação, tanto dos indígenas quanto da floresta. Somos as mães que cuidam”, contou Maria Luísa Matos, de 70 anos, aposentada que está há mais de 20 anos em a Estácio.

A ala de baianas, tradicionalmente, representa as mulheres que ajudaram o samba carioca a resistir durante o seu surgimento. Com isso, a figura da mãe da mata, que protege a floresta e faz o intermédio do leão ao ambiente sagrado, é extremamente apropriada para a ala no enredo de a Estácio.

“Eu achei a nossa fantasia linda e, para a baiana, está relativamente leve, além de ser muito simbólica para o nosso enredo. Vamos poder evoluir bastante e levar a essência da mãe natureza para a avenida. O samba está muito bom. Creio que faremos um ótimo desfile. A ala de baianas de a Estácio é bastante reconhecida. E, sendo uma ala que vem representando uma face maternal do enredo, as mães acolhem, e a Estácio me acolheu há 13 anos para desfilar. A Estácio é o meu lugar, e por isso estou aqui. Assim como os indígenas e os animais da floresta amazônica, que vivem na mata, que é o lugar deles, esse enredo é de extrema importância. Poder ser uma representante da mãe natureza é incrível”, declarou a professora Magda Gomes, de 60 anos, que, mesmo sendo paulista, não esconde seu amor por a Estácio.

A ala das baianas da Estácio entrou na avenida com força e simbolismo, representando a essência maternal do enredo e a conexão com a natureza. Com fantasias imponentes e cheias de significado, as baianas trouxeram a leveza necessária para evoluir com graça, ao mesmo tempo em que carregavam o peso da tradição e da resistência.

“Hoje representamos a ancestralidade das baianas e da mãe da mata, que é muito importante. Assim como a resistência das nossas florestas e de a Estácio, sempre guerreira”, disse Ângela Santos, aposentada de 66 anos.

Mais do que um espetáculo visual, a participação dessa ala reforçou a ancestralidade e a luta pela preservação, tanto da cultura do samba quanto das florestas. A dança, os giros e a presença marcante das baianas refletiam a resiliência de uma escola que nunca deixa de lutar pelo seu espaço.

“Desfilo em a Estácio desde sempre e sempre como baiana, amo ser baiana. E hoje vou desfilar muito positiva. Acho que essa fantasia fala de respeito e resistência, e a Estácio é uma escola resistente. Ela resiste sempre. É uma escola de força. Quando eu fizer a curva da Sapucaí, eu vou me arrepiar, e os giros da minha baiana serão em nome da resistência da minha escola”, contou Vera Lúcia do Nascimento, aposentada de 78 anos.

Unindo tradição e mensagem de preservação, representando a força materna da floresta e a resistência da escola, as baianas mostraram que, assim como a mata, a Estácio segue viva e guerreira. Entre fé, samba e luta, sua presença na avenida foi um tributo à história e à resiliência.

Viva a mãe natureza! Segundo carro do Arranco leva consciência ambiental à Avenida

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O Arranco foi a segunda escola a desfilar na noite dessa sexta-feira, 28, com o enredo “Mães que Nutrem o Sagrado”. A segunda alegoria, nomeada “Fé na Natureza: o Alimento vem da Terra”, trouxe um grande busto feminino em tons terrosos, envolto por emaranhados que remetiam a plantas. Em cima dele, mais de uma dezena de componentes, que se questionavam sobre o simbolismo do carro.

“Ele representa primeiramente, claro, que a gente vem das nossas mães, mas também que, se a gente não cuidar do alimento que vem da nossa terra, tudo pode ir por água abaixo. A gente tem que sempre lembrar de cuidar da natureza para a nossa vida continuar”, opinou a auditora Cinthia Pereira, de 30 anos, em sua primeira vez na escola.

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“Representa muita força, irmandade, fraternidade”, tentou o biólogo André Severiano, de 37 anos, que desfilou pelo segundo ano no Arranco, representando um anjo.

“O conceito da alegoria é a árvore da vida, que alimenta não só o corpo como a alma, o espírito. Isso é muito importante”, desenvolveu o servidor público Marcelo Borges, de 54 anos, autodeclarado um veterano na escola.

O veredito, porém, só veio da carnavalesca Annik Salmon, conhecida pelo trabalho na Unidos da Tijuca e, mais recentemente, na Mangueira, hoje na Arranco.

“Esse carro representa uma árvore mãe, uma árvore sagrada, que é o umbu ou imbu. Uma planta que está em extinção e dá no sertão nordestino. Ela mata a sede de várias pessoas durante a seca e o seu fruto também alimenta. Ela é considerada uma árvore sagrada. Tem todo um ritual em torno dessa árvore. Durante a pesquisa desse enredo de mães que alimentam o sagrado, não tinha como não falar da mãe da natureza”, revelou Annik.

Annik

A artista também comentou sobre a reutilização de materiais na alegoria, cujo imponente busto provém de uma escultura da Imperatriz. O forro do carro é de tecidos oriundos da doação de mais de 5 mil figurinos por um amigo de Annik que trabalha com televisão e teatro.

“O mais importante foi a criatividade. A gente sabe que a Série Ouro não tem muito dinheiro. A Annik conseguiu, com a criatividade dela, fazer uma alegoria maravilhosa, uma alegoria que vai impactar, muito criativa. Porque forrar um carro com roupas, só ela poderia fazer um trabalho tão especial e maravilhoso como esse”, enalteceu Marcelo.

Homenagem à maternidade

Em 2025, a Arranco escolheu homenagear as mães brasileiras, numa verdadeira celebração da força feminina.

“Um enredo que fala sobre as mães traz um sentimento imenso. Eu sou filho de uma mãe solo, fui criado sozinho e isso me faz repensar muito essa questão da força da mulher”, expressou.

“A mãe é o elemento primordial na nossa vida. A escola está representando uma figura que literalmente nos dá a vida, com muita grandeza”, reconheceu Cinthia.

“Mãe é mãe, não tem jeito. O enredo é muito emocionante”, finalizou Marcelo.

Barroca Zona Sul 2025: galeria de fotos do desfile

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Fotos: Bruno Motta

Colorado do Brás abre o carnaval se destacando pela qualidade técnica e ritmo baiano da bateria

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A Colorado do Brás abriu nesta sexta-feira os desfiles do Grupo Especial de São Paulo no carnaval de 2025. No retorno da escola à elite, a técnica foi o principal destaque, com um canto da comunidade vibrante, evolução fluída e constante e bateria criativa animando todo o desfile, encerrado após 64 minutos. A Vermelho e Branco se apresentou com o enredo “Afoxé Filhos de Gandhy no ritmo da fé”, assinado pelo carnavalesco David Eslavick.

Comissão de Frente

Coreografada por Paula Gasparini, a comissão de frente da Colorado foi intitulada “Filhos da Paz, Herdeiros da Resistência: Do Porto à Eternidade” e se apresentou ao longo de 1 passagem do samba. Usando de um elemento cenográfico que simbolizou um templo indiano, o quesito começou a coreografia apresentando os estivadores do Porto de Salvador, que em meio ao árduo trabalho encontravam disposição para brincar o carnaval e fundaram o bloco Comendo Coentro, que posteriormente se tornou o Afoxé Filhos de Gandhy. A dança contou com a participação de atrizes caracterizadas como deusas indianas interagindo com os estivadores constantemente e no topo da alegoria esteve o ativista Mahatma Gandhi, que no ano seguinte da sua morte inspirou o bloco a passar a desfilar em sua homenagem com o nome “Filhos de Gandhy”, levando sua mensagem de paz para os cortejos. Houve também a presença de artistas vestidos como Clara Nunes, Caetano Veloso e Gilberto Gil, artistas que homenagearam e atuaram em prol do grupo, além de Exu, entidade do candomblé cujos rituais passaram a integrar os desfiles e levaram a conversão do bloco em um afoxé.

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A coreografia foi criativa e conseguiu resumir em um único ato a proposta de mostrar a fundação do Afoxé Filhos de Gandhy. A participação de Clara, Caetano e Gil foi um show à parte, saindo do tripé que mostrava o Pelourinho nas portas do templo enquanto eles estavam fora da atuação. A interação entre os estivadores e as deusas indianas foi criativa, e o momento em que as deusas reverenciam Exu enquanto recebe o padê é outro ponto alto da apresentação. A única incoerência é que a atuação dos estivadores no início do ato começa ainda com a presença dos artistas no chão, quebrando a expectativa da revelação deles ao longo da atuação.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da Colorado, formado por Brunno Mathias e Jéssica Veríssimo, se apresentou representando o deus hindu Vishnu e sua esposa Lakshmi. A dança foi bem executada ao longo de todos os módulos, com os movimentos obrigatórios sendo bem-executados e contando com coreografias dentro da proposta das suas próprias fantasias, situada no “setor indiano” do desfile.

Enredo

O enredo da Colorado é uma homenagem ao Afoxé Filhos de Gandhy. Dividido em quatro setores, o desfile começou com uma grande referência ao ativista Mahatma Gandhi, que inspirou o antigo bloco Comendo Coentro a se converter no maior afoxé do mundo. As primeiras alas do desfile, o primeiro casal e o carro Abre-alas contaram com referências à Índia. Após esse primeiro momento, o desfile passa a narrar a história do nascimento do afoxé desde sua origem como um bloco de estivadores do Cais do Porto de Salvador, passando pela fundação do afoxé após a incorporação de ritos do candomblé e a menção aos artistas que apoiaram o bloco ao longo da história com iniciativas culturais e até através de músicas. O desfile se encerrou com uma representação do carnaval que o afoxé apresenta pelas ruas da capital da Bahia, destacando a ladeira do Pelourinho.

A leitura do enredo dentro da letra do samba gera algumas dúvidas. Há uma quantidade expressiva de referências à Índia no começo do desfile, mas não há uma menção direta ao ativista Mahatma Gandhi, apenas ao seu legado em um dos versos. A narrativa esteve mais clara na Avenida através da leitura das fantasias, mas as alegorias pouco contribuíram para uma interpretação adequada do tema proposto, com exceção da segunda que era uma referência clara ao Cais do Porto de Salvador, onde os estivadores que fundaram o bloco trabalhavam.

Alegorias

A Colorado se apresentou com um conjunto de quatro carros alegóricos que concluíram os diferentes setores do desfile. O Abre-alas foi nomeado de “A Índia de Gandhi”, e foi uma total referência ao ativista que inspirou o nome do afoxé. O segundo carro foi chamado “As Águas de Iemanjá”, baseado na região do Cais do Porto de Salvador, onde os estivadores que fundaram o bloco Comendo Coentro trabalhavam. A terceira alegoria recebeu o nome de “O Panteão dos Orixás desce pra ver o bloco passar”, representando o momento em que o bloco, já renomeado para Filhos de Gandhy, se converteram no maior afoxé do país. Por fim, a apresentação foi finalizada com o carro “O Carnaval dos Filhos de Gandhy” foi uma referência direta à famosa ladeira do Pelourinho, bairro de Salvador por onde o Afoxé Filhos de Gandhy se apresenta no carnaval baiano.

As alegorias que mais se destacaram no desfile foram as que representaram “As Águas de Iemanjá” e “O Panteão dos Orixás”. A primeira, com acabamento impecável, mostrou uma riqueza vital com a presença de componentes executando movimentos, uma inovação do carnaval dos anos 2000 que não tem sido muito vista em São Paulo nos últimos anos. A segunda retrata os Orixás do candomblé que são celebrados nos desfiles do Afoxé Filhos de Gandhy, e tinham detalhes de acabamento de alta qualidade. O Abre-alas, porém, além de ocupar um espaço na narrativa visual muito maior do que o necessário, apresentou problemas nos arcos com pombos atrás da escultura de Gandhi, onde a da esquerda mostrou estar com uma inclinação visivelmente maior que a da direita. O quarto carro, representando o Carnaval dos Filhos de Gandhy, destoou consideravelmente do nível estético das demais alegorias, além de apresentar alguns problemas de acabamento.

Fantasias

As fantasias da Colorado do Brás tiveram relação direta com os setores dos quais faziam parte. No primeiro setor, as roupas das alas e do primeiro casal ilustravam algumas das tradições indianas. O segundo setor conteve fantasias que representavam a época de fundação do Comendo Coentro, mostrando seus fundadores e as regiões da cidade de Salvador onde o bloco foi fundado. Na terceira parte do desfile, as roupas representaram as entidades religiosas que regem as tradições do Afoxé Filhos de Gandhy. O desfecho da apresentação foi com fantasias que exaltavam as diferentes características do carnaval de Salvador, incluindo o próprio afoxé.

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Um dos principais destaques do desfile, o conjunto de fantasias da Colorado contaram com bom acabamento e permitiam uma evolução tranquila dos componentes ao longo da Avenida. A leitura do enredo através das vestimentas era clara e de bom gosto, enriquecendo a narrativa proposta pela escola ao longo de todo o desfile, com destaque especial para o segundo setor da escola.

Harmonia

Outro ponto positivo do desfile da Colorado, o canto da comunidade se fez presente ao longo de toda a Avenida. Os componentes clamaram o samba com clareza e demonstravam espontaneidade para brincar o carnaval. As bossas aplicadas pela bateria ao longo do desfile estimulavam ainda mais a participação dos desfilantes, que contribuíram bem para o conjunto da apresentação da escola.

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Samba-enredo

A obra que conduziu o desfile da Colorado é assinada por Léo do Cavaco, Thiago Meiners, Sukata, Cláudio Mattos e Rafael Tubino, e na Avenida o samba foi defendido pelo intérprete Léo do Cavaco. A letra buscou narrar a história de fundação do bloco Comendo Coentro, que posteriormente se tornou o Afoxé Filhos de Gandhy, destacando o trabalho dos estivadores, as entidades que inspiraram a conversão do bloco em afoxé e finalizando com as referências artísticas que celebraram a entidade ao longo dos anos. A obra conta com um refrão de cabeça que permitiu à bateria fazer do momento uma referência direta à musicalidade dos Filhos de Gandhy, sendo o momento alto de auge da letra.

A letra do samba permitiu uma imersão no ambiente do desfile, contando com elementos inspirados em um estilo tradicional de músicas para enredos relacionados à Bahia. O desempenho da ala musical comandada por Léo do Cavaco favoreceu o desempenho da obra na Avenida, ajudando a estimular os desfilantes a brincarem o carnaval. O único apontamento é a ausência na letra de mais referências à abertura do desfile, que foi majoritariamente em referência ao ativista Mahatma Gandhi, que inspirou o nascimento do afoxé. O restante do samba consegue, porém, consegue narrar com clareza os demais elementos da proposta do enredo da escola.

Evolução

Outro elemento de destaque no desfile da Colorado, a evolução da escola fluiu bem por toda a Avenida nos pontos em que foram observados. As alas estavam bem compactas e não foram observadas oscilações no andamento do desfile. O recuo da bateria foi bem executado e rapidamente preenchido pelo restante do cortejo.

Outros destaques

A bateria “Ritmo Responsa” esteve em grande noite. O ritmo baiano se fez presente na Avenida em vários momentos, contribuindo para a imersão do ambiente proporcionado pelo desfile. Vale destacar a fantasia da rainha Camila Prins com iluminação no costeiro e no adereço de cabeça, em forma de uma pérola.

União de saberes ancestrais e científicos é destaque em alegoria da Inocentes de Belford Roxo

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Quando a ciência se encontra com a ancestralidade de religiões de matriz africana, a cura do mundo acontece pela diversidade de saberes. A Inocentes de Belford Roxo apresentou, em seu terceiro carro alegórico, uma celebração vibrante e poética da convergência entre os saberes ancestrais e a ciência moderna. A alegoria destacou a importância da natureza como fonte de vida e cura, reunindo esculturas de Gaia, a mãe natureza da mitologia grega, e Ossain, o senhor das folhas da mitologia iorubá.

A alegoria também destacou a união entre o conhecimento tradicional e a ciência moderna. Grandes tubos de ensaio, preenchidos com folhas, raízes e flores, emergiram na lateral do carro alegórico como pilares da pesquisa científica, representando a colaboração entre cientistas, médicos, bioquímicos e curandeiros na busca de medicamentos à base de plantas. A mensagem foi clara: o conhecimento ancestral e a ciência contemporânea não apenas coexistem, mas se complementam.

O CARNAVALESCO conversou com os componentes da escola da Baixada Fluminense, que falaram sobre a relação entre o conhecimento tradicional e a ciência moderna. Paulo Cesar Sousa, 45 anos, destaque da escola, compartilhou sua experiência com a cura por meio das ervas, herança de sua família baiana.

“Minha avó sempre me ensinou a tomar banho de ervas e se curar com elas. Se estava com uma dor, era uma erva. A gente não tinha comprimido naquele tempo”, relatou.

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Ele destacou ainda que os benefícios das ervas estão presentes em medicamentos modernos, como comprimidos e xaropes, e reforçou a sabedoria da velha-guarda, que desfilou na terceira alegoria. “Os antigos sabiam que as ervas e a força da natureza eram uma força suprema”, concluiu.

Para o analista de marketing, Tiago Soares, de 41 anos, ancestralidade e saúde se conectam. “A nossa ancestralidade está ligada diretamente à nossa saúde. Se você não respeita a floresta, não respeita a mata, você não consegue salvar o mundo”, afirmou. Ele também ressaltou a importância da ciência como ferramenta para acessar outros conhecimentos e cuidados. “A ciência também é importante para a gente acessar outros saberes. Estamos saudando a ancestralidade para que a Inocentes arrebente nesse carnaval”, completou.

Marcos Vinícius, de 31 anos, atendente de call center, explicou que sua fantasia representava um rei africano da floresta, simbolizando a conexão entre a realeza e as ervas curativas. “As pessoas iam até o rei para ofertar ervas. Estamos falando de Ossain, que é o senhor da cura”, disse. Ele reforçou a mensagem de que as ervas possuem um poder de cura ancestral e lembrou que, antigamente, eram a principal forma de tratamento. “Antigamente, o remédio que as pessoas usavam eram as próprias ervas”, destacou.

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Uma Celebração da Vida e da Cura

A paleta de cores do carro alegórico foi vibrante e orgânica, com tons de verde, terrosos e toques de dourado, refletindo a riqueza da biodiversidade. Através de suas esculturas e simbolismos, a Inocentes de Belford Roxo contou uma história de reverência à natureza, união entre tradições e inovações, e a busca incessante pela saúde e bem-estar.

A mensagem foi clara: o conhecimento das gerações passadas deve ser preservado e passado adiante, em prol de um futuro mais saudável e equilibrado.

A Botafogo Samba Clube homenageia Seleção de 1910 do Glorioso clube

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O ano de 1910 foi memorável para o Botafogo Football Club, pois marcou a conquista do primeiro Campeonato Carioca e o recebimento do famoso apelido de Glorioso. A Botafogo Samba Clube fez questão de homenagear esse momento em seu desfile na abertura do Carnaval 2025, no qual os componentes da bateria vieram trajados com o uniforme dos jogadores da histórica seleção alvinegra.

O músico Pedro Rondon, de 41 anos, ritmista da Botafogo, compartilha uma memória particular para demonstrar a importância do resgate histórico promovido pela homenagem. “Quando nossas fantasias chegaram e vi que era esse uniforme, na hora me lembrei das fotos da formação do clube, dos primeiros jogos do Botafogo que eu via quando era pequeno. É muito bonito estar usando ele hoje. Estou me sentindo um jogador dos heróis antigos, como o Heleno, entrando em campo.”

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“O Botafogo ganhou aquele campeonato com mais de sete goleadas, foi histórico”, acrescenta o torcedor Lucas Campos, de 23 anos, veterano da bateria da escola, que não contém a emoção de estar na avenida pela primeira vez. “A ansiedade para desfilar vai além de ver a Botafogo fazer história, sendo a primeira escola ligada a um clube de futebol a se apresentar na Marquês de Sapucaí, mas também por ajudar a construir essa história.”

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A estreia na Sapucaí acontece em um momento especial para o Botafogo, afinal, em 2024 o clube conquistou o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores da América. Isso torna tudo ainda mais emocionante para os componentes da escola.

“A escola ter subido para a Série Ouro justamente após o time viver o melhor ano de sua história é surreal. Aqui vamos fazer como fizemos no gramado e consagrar o solo da Avenida com o Botafogo também”, brada o orgulhoso Rondon.

Segundo o mestre Branco Ribeiro, a bateria preparou algo especial para eternizar a estreia na Série Ouro do carnaval carioca.

“Há dois anos buscamos implementar um ritmo característico à bateria da Botafogo, que seja tão único quanto a escola. O que mostramos hoje é o resultado de todo esse preparo para entregar a nossa melhor versão. Estamos falando de uma agremiação com uma comunidade apaixonada, que se dedica e constrói uma família. Fico muito feliz por fazer parte disso.”

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“A construção da bateria do mestre Branco está incrível. Foi muito bacana homenagear o Botafogo neste momento tão importante para o clube, que está enchendo de alegria todos os torcedores. Para nós, é uma honra estar aqui. E rumo ao Grupo Especial!”, aprovam as ritmistas Luana Xavier e Elisa Hage, de 37 e 58 anos, respectivamente.

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O Leão Guarani da Estácio: Força, Cores e Resistência na Avenida

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Não há leão na Amazônia, mas na abertura do desfile da Estácio de Sá tem. E é um leão colorido, indígena e que, segundo sua comunidade, resiste assim como a escola e a floresta amazônica.

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O abre-alas intitulado “O Rei Do Samba Engerado e os Encantos da Floresta Amazônica” trouxe o leão estanciano, símbolo maior da escola, como o “Leão Guarani”, sendo um guerreiro e protetor da Amazônia. O leão veio ao meio de muito verde simbolizando a flora amazônica e esculturas de animais, como a fauna nativa da floresta.

Compondo a abertura da escola chamada “O Ritual: Pajelança, Engerando o Rei do ‘Berço do Samba’”, a alegoria traduziu a conexão entre o Leão da Estácio e o universo amazônico.

A responsável pela abertura da escola, a diretora Patrícia Brasil, explicou ao CARNAVALESCO a importância e a relação do abre-alas com a escola e com o enredo.

“O leão é a força da Estácio de Sá, e quando unimos o leão estaciano com a floresta amazônica, fica excelente. Temos a potência do leão, com ele rugindo na Avenida e abrindo tudo. Ele vai ser engerado, pois, na verdade, não existe leão na Amazônia. Estamos fazendo com que ele esteja lá, já que a Amazônia é uma floresta que resiste a todos os males e ataques há tempos, assim como a Estácio de Sá é uma escola de resistência”, explicou a diretora Patrícia Brasil, de 52 anos, dos quais 45 são dedicados ao carnaval.

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Entre os componentes da alegoria, a conexão entre a resistência da floresta amazônica e a da Estácio de Sá foi um dos temas mais comentados. O Leão Guarani, vibrante e colorido, simbolizava essa força, destacando a luta e a perseverança da escola na Avenida.

“Quem me trouxe hoje foi a minha avó, ela ama a Estácio de Sá, ama o samba e o carnaval. Aprendi a gostar de samba com ela. Estou muito feliz de estar como composição nesse abre-alas tão lindo, achei esse leão maravilhoso. Quero muito ajudar a Estácio a voltar para o Grupo Especial. Se depender de mim ela volta, pois vou gritar, vou cantar, vou fazer tudo que eu puder. Sou torcedora da Imperatriz, mas vou representar a resistência amazônica e honrar a resistência estaciana pela minha avó”, contou a advogada, de 25 anos, Sofia Nunes.

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A raiz estaciana também compôs a alegoria. Duas amigas de uma vida toda e  componentes da escola do Estácio ficaram emocionadas ao estarem no abre-alas e contaram sobre a relação do leão guarani com a escola.

“O carro está maravilhoso, além de lindo e forte, esse leão vai rugir muito alto. A Estácio é uma escola resistente. Temos resistência e perseverança para voltar para um lugar que nunca deveria ter saído, o nosso lugar é ali no Grupo Especial. Somos o berço do samba, apesar de muita gente não concordar, está nos livros que nós somos o berço do samba. Por isso, a gente vem todo ano tentando levar ela lá para cima, de vez em quando a gente consegue, às vezes derrubam a gente, mas no chão, o leão não fica. Mas esse ano nós vamos subir e vamos ficar um tempinho lá. Tenho certeza”, afirmou Paulina Gomes, costureira, de 61 anos, que desfila há 50 anos pela Estácio de Sá, bairro de onde é moradora.

“Eu desfilo desde os meus sete anos e é a segunda vez que eu venho no abre-alas, que está lindo. Esse leão representa muito o que a Estácio é, forte e guerreiro. Esse leão na Amazônia é um sinal de luta, e a Estácio é uma escola que luta muito. Desde que a minha mãe me levou para a Estácio, eu lutei muito desfilando por essa escola. O estanciano, igual à Amazônia, resiste!”, disse Conceição Gomes, de 63 anos, do lar.

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Entre rugidos e cores, a escola traduziu no abre-alas a luta da Amazônia e de sua própria história, conectando passado, presente e futuro. Celebrou e simbolizou a garra de quem nunca deixou de lutar pelo seu lugar.

Ponte Carnaval 2025: galeria de fotos do desfile

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